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PÁGINA 10 FORTALEZA - CE, SEGUNDA-FEIRA - 20 DE MARÇO DE 2017
FORTALEZA - CE, SEGUNDA-FEIRA - 20 DE MARÇO DE 2017
PÁGINAS AZUIS
CANÇÃO DO AMIGO
POESIA PURA
REENCONTRO
SAUDADES. RONALDO VEM AO NOSSO ENCONTRO OUVINDO LADY D’ARBANVILLE, DE CAT STEVENS. UMA CANÇÃO APRESENTADA PELO AMIGO NENO CAVALCANTE, FALECIDO EM 2016
HOMENAGENS. O JORNALISTA NENO CAVALCANTE NOMEIA A BIBLIOTECA EM CRIAÇÃO NA COMUNIDADE DAS QUADRAS. JÁ O BAR ANEXO AO QUARTO DE RONALDO SE CHAMA POETA SALES, UM EX-ALUNO
ABRAÇO. AO FIM DA ENTREVISTA, A REPÓRTER CONFESSOU UMA FALHA AO PROFESSOR E PADRINHO DE CASAMENTO: ESQUECERA DE CHAMÁLO “SENHOR”. ELE RIU-SE: “PRA QUÊ?!”
RONALDO SALGADO
RONALDO SALGADO
O JORNALISMO QUIXOTESCO RONALDO SALGADO ENTROU NO JORNALISMO PELO CORAÇÃO: QUERIA MUDAR O MUNDO. ABOLIR FRONTEIRAS E NARRAR A ALMA DO POVO. UMA REVOLUÇÃO COTIDIANA QUE SEGUE COM SEUS EX-ALUNOS
C
AAna Mary C. Cavalcante
Julio Caesar Ju
aanamary@opovo.com.br
jkaesar@gmail.com.br jkae
om uma caneca de cerveja e os sentimentos do mundo, o jornalista e professor aposentado Ronaldo Salgado nos recebe em seu bar-varanda e em suas memórias. Ronaldo deu sua última aula no Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) na tarde do dia 8 de fevereiro deste ano. Mas “aposentado” é uma palavra difícil de se dizer aqui porque o amor pelo ensino e pelo jornalismo ainda está intacto. Esta conversa tem vistas para o amor, para o Crato, para a década de 1960; para o encontro com o outro, para si e o jornalismo ao mesmo tempo. “Porque o jornalismo é vida”, doa-se o professor. Esta entrevista tem ainda como horizonte o jardim de Ronaldo Salgado, de onde ele cuida amanhecer os mundos – das horas e da internet. Postar flores no Facebook e semear uma biblioteca em uma comunidade pobre têm a dimensão do desejo de dias melhores. É o novo jornalismo de quem nunca se desfez de sua primeira utopia, loucura ou justiça: mudar o mundo.
O POVO - Qual é a sua história por trás da escolha do jornalismo? RONALDO SALGADO - Essa é uma questão que remonta à minha infância. Ligada ao meu universo infantil, muito estimulado pela presença enorme de jornais, dentro de casa, revistas – Manchete, Fatos & Fotos, O Cruzeiro... Jornais: Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Jornal do Commercio, Correio do Ceará, O POVO... Morava no Crato (Cariri), mas meu pai era uma pessoa ávida pela leitura de jornais, revistas. OP - E os seus ideias? O seu primeiro entendimento sobre jornalismo? RONALDO - Eu queria mudar o mundo. A essência do repórter, o coração do repór-
ter, a alma do repórter é fazer com que o mundo seja melhor. Seja melhor acabando com as injustiças, resolvendo problemas crônicos para uma parcela da população, aquelas parcelas mais marginalizadas de uma vida com dignidade, justiça, ética. Eu via as grandes reportagens como narrativas que pudessem provocar um novo mundo. Isso foi uma coisa que me encantou, inclusive e principalmente, pela presença da revista Realidade (19661976), produzida no Brasil. OP - Qual o tamanho desse mundo que você queria mudar? RONALDO - Era um mundo sem fronteiras. Meu universo, minha referência era o Crato, o Cariri. Embora eu tivesse condições e viajava
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PERFIL José Ronaldo Aguiar Salgado, 60 anos, nascido na Maternidade São Francisco, é filho do Crato. E também do economista, advogado e contador Francisco Salgado e da dona de casa Adiléa Aguiar Salgado. Uma família de 11 filhos. Mudou-se para a Capital na década de 1970. Entre 76 e 79, cursou Jornalismo na UFC. No dia 14 de julho de 1992, tornava-se professor efetivo deste curso. Nas décadas de 70 e 80, além de professor substituto na universidade, trabalhou no O POVO, no Anuário do Ceará, na Rádio Verdes Mares, em agência de publicidade e no Diário do Nordeste. Durante 22 anos, integrou o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Ceará. É mestre em Literatura Brasileira..
sempre, através do meu pai, que tinha certa condição de vida. Mas era um mundo que não estabelecia fronteiras. Através de um jornalismo que é bem caracterizado de uma época - boêmio, romântico, ébrio -, eu queria que o mundo fosse transformado. Os ideais de paz e amor, daquela década de 1960, pontuada pelos signos de uma revolução estudantil na França (1968), pelos signos do festival de Woodstock (1969), do Tropicalismo (196768) no Brasil, enfim, pela contracultura, aqueles ideais ecoavam dentro do meu coração e da minha vida. O Pasquim, jornal alternativo que se debateu contra a ditadura militar de 64 até 1985, foi fundamental na formação de uma consciência crítica, relacionada com ideais de justiça, igualdade, fraternidade, liberdade, respeito ao outro. Isso funda minha consciência jornalística, de repórter. OP - Você entra no jornalismo pelo coração, por esse subjetivo. Como estudante de Jornalismo, o que a universidade foi lhe revelando de essencial? RONALDO - Estamos falando dentro de uma época difícil, a da ditadura. O Curso de Jornalismo da UFC era moldado, na grande maioria, pela presença de professores antenados com o ideológico do golpe militar. Não tinha o espírito de liberdade que os estudantes, hoje, respiram. OP - Como você foi se saindo disso e se formando jornalista em seus ideais? RONALDO - Nos bares, ali, do Benfica, nas reuniões de estudantes - os estudantes são uma célula revolucionária, na
sua maioria. Nos bares, pode tudo. Eu ia pros botequins do Benfica e ficava conversando, trocando sonhos, vontades de fazer as coisas para que o mundo fosse melhor. Aquele sonho libertador. E íamos discutindo as questões moldados por um comportamento que era uma característica de 1960: de vontade de rebeldia, de ruptura, de expressar uma luta que fosse mais significativa em prol de um mundo melhor para todos. OP - Dentro das possibilidades do jornalismo, você sabia qual caminho queria seguir? Você queria ser jornalista pra contar o quê? RONALDO - Essencialmente, eu queria ser jornalista pra trazer à tona uma realidade que estava sendo escondida, massacrada por essas forças conservadoras, nefastas aos interesses superiores de um país como o Brasil. Boa parte da história vê aquela época como de prosperidade. Mas isso era uma coisa feita de forma absurda, rompendo com qualquer princípio, manipulação de dados. A gente queria também mergulhar na alma do povo brasileiro... Só eram narradas as coisas que eles (militares) queriam. No coração de um jovem com 22, 23 anos, com uma vontade imensa de fazer um mundo melhor, isso ecoa, bate forte e firmemente pra fazer um jornalismo melhor. OP - Como repórter, você conseguiu contar essas histórias? RONALDO - Não. Houve muitas experiências jornalísticas, reportagens, narrativas que conseguiram chegar à luz, que contribuíram pra muita coisa, em termos de superação desse quadro terrível,
mas, efetivamente, não se conseguiu. Será que tivemos, realmente, um regime democrático na sua essencialidade democrática? E hoje, o que a gente vive? Um golpe institucionalizado, sacramentado pelo Poder Judiciário, referendado pela grande corporação midiática brasileira. Será que estamos retornando a uma época que vai ser preciso que haja essa tentativa de fazer um jornalismo que bata de frente, instigue, provoque e que reflete? É uma questão dura de se pensar hoje, qual o papel do jornalismo na sociedade contemporânea. OP - O que mais lhe inquieta na prática atual do jornalismo? RONALDO - O abandono do fazer jornalístico no sentido estrito do termo. Me incomoda, por exemplo, essa forma de unir entretenimento com informação. Essa coisa da Rede Globo transformar os programas jornalísticos num show. Me incomoda que os jornais abdicam de botar o repórter em contato com a realidade das ruas e o repórter não tenha essa possibilidade de encontrar o outro. Alguém pode dizer: as coisas mudaram. Sim. Mas a essência do jornalismo não pode mudar. A realidade hoje é, completamente, diferente da época em que eu estava no mercado, mas a gente não pode pensar em abrir mão dessa tentativa de investigação, desse mergulho na realidade. O contato com o outro, com as fontes de informação, o troca-troca de informação. E não ficar satisfeito com qualquer coisinha superficial. Tenho críticas à forma como a maior parte do jornalismo no mundo é feita.
OP - O bar, o Pré-Carnaval, uma biblioteca na comunidade, uma fé. O que tudo isso, que faz parte de você, tem a ver com jornalismo? RONALDO - Tem tudo a ver com jornalismo. Porque o jornalismo é vida. O jornalismo não pode ser entendido numa perspectiva de um ser natimorto. O jornalismo é uma dinâmica de conhecimento, de vida. O jornalismo faz com que as pessoas cresçam. Se pegarmos a perspectiva histórica de como o jornal se inseriu na sociedade, para cumprir o papel de democratização da informação - por todas as contradições que caracterizam a história da imprensa como uma empresa capitalista -, se a gente pegar isso, vai entender que foi, extremamente, relevante o papel que o jornal cumpriu nessa perspectiva da formação de uma consciência coletiva. O jornalismo é uma atividade plural, democrática, que deve abraçar outros campos de conhecimento, de forma a permitir que as pessoas tenham, cada vez mais, acesso à informação que possa contribuir para o crescimento dessa pessoa. O fato de eu estar montando uma biblioteca em uma comunidade, pobre, marginalizada, está dentro de um contexto que é o mesmo que o jornalismo trabalhou em termos de emancipação dessa realidade que eu falo. Da tentativa de fazer com que as pessoas tenham acesso à informação. Que não sejam massacradas pela ignorância, pela não consciência. Pelo contrário. A biblioteca que vai funcionar no Conjunto São Vicente de Paulo, no bairro Dionísio Torres, vai permitir com que as pessoas tenham acesso a múltiplas áreas de saber. Você troca informação, ideias, sentimentos, subjetividades e isso faz crescer o ser humano. E isso tá dentro do jornalismo, dentro dessa perspectiva histórica mais geral. OP - Como professor, você indicou o caminho da rua e sugeriu que investigássemos as pessoas por dentro. Aonde o jornalismo lhe levou? RONALDO - O jornalismo me levou a (emoção. Pausa). O jornalismo me levou a uma condição privilegiada. De poder me relacionar com o outro de forma mais aberta,
espontânea, sincera. O ensino do jornalismo fez com que eu pudesse ter esse contato com o outro de uma maneira, absurdamente, amorosa. Porque ensinar é, sobretudo, um ato de amor. A possibilidade de estar trocando ideias com um ser humano, para forjar uma formação profissional técnica, ética, crítica, política, ideológica, cultural é revolucionária - do ponto de vista de fazer crescer o ser humano... Isso me fez uma pessoa melhor na vida. Eu me aposento da universidade com a límpida certeza de que fiz tudo pra que a coisa pudesse acontecer da melhor forma possível. Quem vai dizer se consegui não serei eu, mas as gerações que estão representando bem a atividade em si. Não é representando a empresa A, B, C, D ou E. É representando o exercício profissional. Isso é o que me agrada. Tive que me aposentar. Porque não quero um governo golpista determinando transformações importantíssimas na vida das pessoas, como essa reforma da Previdência, tirando o direito que tenho adquirido daquilo que cumpri. Eu não queria me aposentar. Fui forçado por uma ilegitimidade política. OP - O caminho tortuoso pelo humano lhe exigiu os próprios pés. Você se doou todo. Faria de novo? RONALDO - Faria. Sem dúvida. A melhor coisa que eu fiz na minha vida foi essa doação. O melhor papel que eu cumpri, comigo mesmo, foi me ter doado da forma que eu me doei. Não me arrependo. Pelo contrário, me realizo como ser humano, como profissional. OP - O jornalismo ainda tem uma alma encantadora? RONALDO - O Jornalismo, com J maiúsculo, é encantador. O jornalismo, com j minúsculo, que está sendo urdido por boa parte de um empresariado que não tem a consciência devida, não. Mas aquele que sabe fazer o jornalismo, que sabe escrever, sabe ir ao encontro do outro, sabe cumprir o papel de saber que aquela reportagem vai repercutir assim e assado, esse jornalista merece nosso respeito, o reconhecimento da sociedade. Esse aí é que estou ao lado dele.
A essência do repórter, o coração do repórter, a alma do repórter é fazer com que o mundo seja melhor
O ensino do jornalismo fez com que eu pudesse ter esse contato com o outro de uma maneira, absurdamente, amorosa
O POVO online VÍDEO Duas respostas sobre jornalismo e amor www.opovo.com.br
ÍNTEGRA Detalhes da formação como jornalista e da atuação como professor, a memória do jornalismo cearense, a indignação com o governo Temer e a imprensa , questões sobre o futuro do jornalismo em: www.opovo.com.br
OP - O que deve nortear, hoje, a escolha de alguém pelo jornalismo? RONALDO - Tá difícil, por essas questões relacionadas ao tipo de empresa que comanda o jornal, o jornalismo. Mas o que é importante, se não para o jornalismo, mas para uma definição pessoal, é você amar o que faz. É fazer aquilo que você entende como sendo importante pra você. Eu luto e lutei a vida inteira tentando colocar na cabeça dos meus alunos e alunas a ideia de que vale a pena, vamos lá. OP - Acredito que todo ex-aluno seu lhe chama de professor. Você conseguiu se despedir do ensino com a aposentadoria? RONALDO - Não. (pausa e emoção) Hoje (13 de março) foi difícil acordar. Eu sabia que era o primeiro dia de aula da universidade e, há 28 anos, eu cumpria uma rotina. Ah, é minha primeira aula... Tava tudo separado, o curso todo planejado... E hoje eu acordei chorando (ele chora. E a repórter, sua ex-aluna, também). Ah, caralho! Quando eu cheguei no bar, os amigos das Quadras, “professor, e aí?”... Aí, eu tô fudido! Aí eu tô fudido, porra, porque dói. (emoção) Dói. Não há como não doer. OP - E o que você vai fazer com os dias seguintes a este? RONALDO - Vou continuar trabalhando com jornalismo. Tenho um livro-reportagem pra escrever, projetos pra desenvolver na comunidade. Vou produzir textos teóricos sobre reportagem, entrevista. Afinal, não posso esquecer que faz 25 anos, em agosto, que coordeno a revista Entrevista. São 25 anos de uma experiência que não sou eu quem digo, são as pessoas que participaram, que tiveram acesso ao conteúdo - dizem que é um projeto, extremamente, relevante. Que faz parte da história do jornalismo cearense. Quero escrever um livro sobre jornalismo opinativo, que foi uma área que me dediquei. Quero escrever textos sobre essa questão do fazer jornalismo hoje, as dificuldades, as incompreensões, as incertezas. As pesso-
as perguntaram: “Você vai se aposentar pra beber?”. Não! Não preciso me aposentar pra beber, eu já bebo trabalhando! Eu quero me aposentar pra evitar que um Michel Temer, golpista, roube o direito que conquistei pelos anos todos de serviços prestados ao meu País, a minha cidade, ao meu povo. OP - Como professor, o que você aprendeu com os alunos, com o passar do tempo? RONALDO - (pausa) Aprendi muita coisa. Alguns me deram uma dimensão enorme do exercício da paciência. Da capacidade da tolerância, de compreender o outro na dimensão da diferença. Você pode ter uma ideologia diferente da minha e eu respeitá-la e você a mim, sem que signifique usurpar qualquer condição. Aprendi muita coisa, por exemplo, em termos de leituras, filmes, músicas. Ampliaram-se, pra mim, fronteiras de arte. Aprendi a reconhecer textos bem escritos, bem trabalhados estilística, gramatical, estruturalmente. Pessoas jovens, 21, 22 anos, me ensinaram a estabelecer, para o meu próprio texto, um rigor do ponto de vista de construção. Me enriqueceu muito dar aula e me relacionar com o outro, respeitar, entender a dificuldade do outro, compreender o quanto é importante se doar nessa coisa de ensinar. E dizer: useme, abuse-me, faça de mim o que você quiser para que você possa crescer. E eu fiz isso. Eu me doei completamente. Eu me doei porque eu amo. Porque eu também me realizava com aquilo. OP - Nossa entrevista começou com um menino envolto em livros e jornais. E o Ronaldo, em seus 60 anos, depois de ter mergulhado a vida no jornalismo, quem é? RONALDO - (pausa) Eu sou uma pessoa feliz pelo que fiz. Sou uma pessoa disposta a entender o mundo de outra maneira. Sou uma pessoa diferente daquela que entrou na universidade como estudante, fez a universidade com garra e muita dificuldade... O primeiro dia de aula foi o dia que meu pai morreu (pausa e emoção). Mesmo assim, com
toda a dificuldade que representou, não desisti, não me permiti chegar e dizer, porra, cara, acabou o mundo. A minha mãe, eu perdi com quatro anos de idade; meu pai, perdi aos 19. Fui, entrei. E hoje, 60 anos depois de vida, ter podido passar por uma profissão como a nossa, que tem muita vaidade, egoísmo... E, depois, como professor, sempre tive o respeito e sempre respeitei os colegas, isso me faz uma pessoa feliz. Simples. Cumpri aquilo que me coube. Posso até ter cometido falhas, como é da condição humana. Mas essas falhas, reconhecidas, assimiladas, processadas, fazem com que eu me sinta uma pessoa melhor, que eu cresça... Não diria: eu me sinto completo. Não é ser completo. Mas eu me sinto uma pessoa feliz pelo o que eu dei, pelo o que sou, com quem convivo. OP - Por isso você manda flores pelas redes sociais, hoje em dia? RONALDO - Mando flores porque tenho uma (pausa e emoção)... Eu tenho uma imensa vontade de que o mundo não seja violento. Mando flores pela vontade de que as pessoas compreendam que, talvez, do seu lado, tem uma pessoa que pode te ouvir, te acalentar. Eu mando flores como uma forma de saudar a vida, de fazer com que as pessoas compreendam que a vida é muito mais importante do que picuinhas, sabe? OP - Mandar flores é a sua maneira atual de mudar o mundo? RONALDO - (pausa) Eu queria que isso fosse uma coisa mais significativa... Todas as fotos que eu posto são tiradas daqui. Acordo quatro horas da manhã. Se eu não tiver tomando uma cerveja aqui, ou tiver tomando um banho nesse chuveiro, que é a bica da Lorena (homenagem a uma exaluna), se eu não estiver nesse jardim, tentando fotografar as flores, os detalhes, devo estar dormindo. É uma maneira de fazer com que as pessoas tenham mais facilidade de se relacionar. Quero fazer com que as pessoas compreendam que, bicho, é tão fácil a gente viver em conjunto. É tão fácil. Pra ser feliz, é tão simples...