Neste oitavo caderno do Juventude é Travessia, histórias que nascem de desafios reais mostram como iniciativas locais têm transformado caminhos e ampliado horizontes em diferentes territórios de Fortaleza.
Do acolhimento que nasce da dor ao apoio que se multiplica em rede, o Projeto AMA revela a força da maternidade atípica como ponto de partida para a construção de comunidades mais informadas e solidárias. No Passaré, o Instituto Mãos que Doam, Mãos que Recebem reforça que a solidariedade, quando cultivada no cotidiano, alimenta muito mais do que o corpo: fortalece vínculos e cria novas possibilidades de futuro. Já no Planalto Ayrton Senna, o Pantanal Basquetebol mostra que o esporte pode ser ponte entre a quadra e a sala de aula, abrindo portas que antes pareciam distantes. E, no Dias Macêdo, o atletismo ganha as ruas e o mundo, provando que talentos da periferia não apenas existem, mas também rompem barreiras e alcançam novos territórios.
Mais do que iniciativas isoladas, os projetos reunidos nesta edição apontam para algo em comum: o protagonismo de pessoas que decidiram não esperar por mudanças, mas construí-las no dia a dia. Em cada história, há um gesto que vira ação, uma dificuldade que vira propósito e uma realidade que começa a ser reescrita. Boa leitura!
EXPEDIENTE
EMPRESA JORNALISTICA O POVO
PRESIDENTE INSTITUCIONAL & PUBLISHER: Luciana Dummar
PRESIDENTE-EXECUTIVO: João Dummar Neto
DIRETORES DE JORNALISMO: Ana Naddaf e Erich Guimarães
DIRETOR DE JORNALISMO RÁDIOS: Jocélio Leal
DIRETOR DE ESTRATÉGIA DIGITAL E NOVOS NEGÓCIOS: Felipe Dummar
DIRETOR DE NEGÓCIOS: Alexandre Medina Néri
DIRETORA DE GENTE E GESTÃO: Cecília Eurides
DIRETOR CORPORATIVO: Cliff Villar
DIRETOR DE OPINIÃO: Guálter George
DITORIALISTA-CHEFE: Plínio Bortolotti
PROJETO JUVENTUDE É TRAVESSIA
CONCEPÇÃO E COORDENAÇÃO GERAL: Valéria Xavier | ESTRATÉGIA E RELACIONAMENTO: Adryana Joca e Dayvison Álvares | GERENTE EXECUTIVA DE PROJETOS: Lela Pinheiro ASSISTENTE DE PROJETOS: Renata Paiva | ANALISTA DE OPERAÇÕES: Alexandra Carvalho e Raffaela Meneses | ANALISTA DE PROJETOS: Beth Lopes
Este produto é customizado pelo Estúdio O POVO.
COORDENADORA DE CONTEÚDO: Camilla Lima COORDENADOR DE CRIAÇÃO: Jansen Lucas LÍDER DE PLANEJAMENTO: Luana Saraiva DIAGRAMAÇÃO: Reni Pinheiro ANALISTA DE MARKETING: Daniele de Andrade
REDAÇÃO PUBLICITÁRIA: Sofia Constance TEXTOS: Lucas Casemiro e Giovana Feitosa
O projeto AMA tem a atuação voltada principalmente para o atendimento a idosos e o desenvolvimento de projetos sociais.
REGIONAL 8:
A Regional 8 de Fortaleza abrange 9 bairros da Capital: Serrinha, Itaperi, Dendê, Dias Macêdo, Boa Vista, Parque Dois Irmãos, Passaré, Planalto Ayrton Senna e Prefeito José Walter. A região concentra uma população estimada em 266,003 mil habitantes.
SOBRE O JUVENTUDE É TRAVESSIA
O projeto Juventude é Travessia protagonismo que reinventa e move Fortaleza propõe uma ampla ação de comunicação e valorização das juventudes da capital cearense, com foco no protagonismo, na inovação e na participação cidadã. Por meio de conteúdos multiplataforma — jornal, portal, redes sociais, rádio e audiovisual — o projeto dará visibilidade a iniciativas de jovens que transformam seus territórios nas áreas de educação, esporte, cultura, tecnologia, empreendedorismo e cidadania.
A iniciativa é uma realização do Grupo de Comunicação O POVO, e dialoga diretamente com políticas públicas da Prefeitura de Fortaleza voltadas à juventude, como os Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cucas), o projeto Jovens Monitores e o programa Academia Enem.
MÃOS QUE DOAM, MÃOS QUE RECEBEM
O Instituto Mãos que doam, mãos que recebem atua distribuindo alimentos e oferecendo atividades educativas para crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade.
ATLETISMO DIAS
MACÊDO
Conhecido no Brasil e no mundo, o Atletismo Dias Macêdo tem seus atletas registrados e competindo em alto nível.
PANTANAL BASQUETEBOL
Desde 2016, o Pantanal Basquetebol vem reescrevendo histórias e abrindo portas por meio do basquete.
para mães, o projeto se tornou um espaço de atividade, lazer e interação para jovens da comunidade
PROJETO AMA DA DOR AO PROPÓSITO, MÃE CRIA PROJETO QUE ACOLHE E FORTALECE OUTRAS MULHERES
Três meses dentro de uma UTI podem mudar completamente a vida de uma família. No caso da assistente social Fabiana Barros, 40, a experiência também mudou a forma como passou a enxergar a vida - transformação que mais tarde daria origem ao trabalho social que desenvolve hoje. Tudo começou quando o filho João Marcos, até então uma criança saudável de apenas dois anos, desenvolveu uma encefalite. A doença evoluiu para um quadro de paralisia cerebral e, quando finalmente se foi, deixou sequelas graves.
Naquele momento, a rotina da família passou a ser hospitais, exames e incertezas. Foram três meses de internação em UTI. Em meio à angústia e ao medo, ela começou a fazer algo que se tornaria o ponto de virada da própria história: estudar. “Fiz extensão na metodologia ABA (sigla em inglês para Análise do Comportamento Aplicada), para entender como aplicá-la para o meu filho ter o máximo de ganho que ele podia”, relata.
Longe de ser apenas acadêmica, a busca era, antes de tudo, uma tentativa de dar ao filho as melhores condições possíveis de desenvolvimento. Já sem o diagnóstico de paralisia cerebral, João Marcos, hoje com quatro anos e fora da cadeira de rodas há cerca de um ano, passou a ser acompanhado dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Foi nesse processo de aprendizado e adaptação que surgiu uma inquietação. Se ela, sendo assistente social, teve dificuldade de encontrar informação e orientação, quantas outras mães enfrentariam o mesmo caminho sozinhas?
Planalto
Ayrton Senna Prefeito José Walter Parque Dois Irmãos
Boa Vista/ Castelão Dias Macedo Passaré
Dendê Itaperi
Serrinha
AMA
TAISA SANTOS 19 ANOS
HOJE, MINHA MISSÃO É AJUDAR OUTRAS
MÃES ATÍPICAS DA MINHA COMUNIDADE A SEGUIREM COM A JORNADA LINDA E ÁRDUA DE CUIDAR
DE SEUS FILHOS
A importância do projeto AMA está no nosso acolhimento. Aqui nenhuma mãe caminha sozinha, criamos um espaço seguro de escutar, de trocar experiências e construções de conhecimento. Trabalhamos para transformar a dor em força, em formação e em empoderamento, e a dificuldade em oportunidade de crescimento. Nosso compromisso é com a inclusão, com o respeito às diferenças e com a construção de uma comunidade mais consciente, humana e solidária. O AMA, mais do que um projeto social, é um movimento de amor, de união e de transformação.
PESSOAS
ANA LARISSE CAETANO 31 ANOS
“Eu pensei: outras mães também podem não ter acesso às informações que eu não tinha”, explica, tomando a decisão de se especializar ainda mais na área, passando a estudar formas de compartilhar esse conhecimento. Algum tempo depois, a ideia finalmente ganhou forma. Observando a realidade ao redor do residencial para onde se mudou, no bairro Prefeito José Walter, ela percebeu que havia ali um público que precisava exatamente desse tipo de apoio.
A escolha de focar nas mulheres não foi por acaso. Segundo ela, o trabalho direto com as crianças exige estruturas que muitas vezes dependem de clínicas especializadas e terapias específicas. Já fortalecer as mães poderia gerar um impacto imediato. Além disso, havia também uma razão pessoal. “Eu não tenho um pai, não tenho mãe, eu não tenho rede de apoio alguma, e aí eu preferi não ficar sozinha. Eu preferi me unir com outras mães.”
Assim nasceu, em 2025, o Projeto AMA, sigla para Ação, Movimento e Aprendizagem. A iniciativa é um braço da instituição João Arruda, que existe há 22 anos e também é dirigida por Fabiana, com atuação voltada principalmente para o atendimento a idosos e o desenvolvimento de projetos sociais.
“O AMA nasceu da vontade de passar para outras mulheres aquilo que eu gostaria que alguém tivesse feito comigo. Como assistente social, a gente nasce para isso, e para isso criei o projeto”, finaliza.
abrir caminhos para lutas coletivas
O que começou como uma iniciativa pequena foi ganhando adesão. Outras mulheres se aproximaram, compartilharam experiências e passaram a participar das atividades. Aos poucos, o projeto também começou a estabelecer parcerias institucionais. “A partir daí veio a parceria com a Secretaria de Juventude de Fortaleza, e o nosso trabalho tem ficado maior a cada dia”, explica.
DIRETAMENTE IMPACTADAS
A capoeira no Projeto AMA não é apenas movimento, é vida. Como mãe atípica, eu sei exatamente o valor de um espaço que acolhe e respeita o tempo de cada um. Quando a Fabiana me convidou para ser monitora, ela não me deu apenas um trabalho; ela me deu a missão de mostrar para esses alunos que eles podem tudo. Ver o brilho no olhar de cada criança quando ela consegue um movimento, ou a superação de um limite que parecia impossível, é o que me move. A capoeira cura, une e transforma. Eu sou prova viva de que, com amor e oportunidade, a gente joga qualquer rasteira que a vida der e se levanta muito mais forte.
FAMÍLIAS
ATENDIDAS 170
MARIANE LIMA 19 ANOS
Participo do projeto AMA desde o início fazendo capoeira. Foi muito bom ter feito esse projeto por conta do meu desenvolvimento pessoal. Fiz muitas amizades e conheci gente nova. Eu costumava ficar horas no celular, não tinha com o que ocupar minha mente. Agora com as atividades do projeto UAMA, eu fico contando as horas para ir. E a minha mãe também participa do projeto fazendo as aulas de ritmo. Ela se diverte muito e recebe também o leite que [o projeto] entrega para as mães. Ganhei uma faixa amarela da capoeira e também evolui muito. Nesse tempo do projeto a minha vida e da minha mãe mudou para melhor. Hoje as atividades me ensinam muito e fico feliz.
onde fica
As atividades acontecem principalmente no residencial Cidade Arde I, onde o projeto mantém presença constante e promove integração entre moradores.
como participar
Famílias interessadas em conhecer ou participar das atividades podem entrar em contato diretamente com o projeto:
» WhatsApp: (85) 9 8669-5741
» Instagram: @amor_maes_atipicas
Hoje, além dos encontros com mães, o projeto desenvolve diversas ações comunitárias. Há atividades para crianças em datas comemorativas, iniciativas esportivas como capoeira e futsal e outras ações voltadas para jovens da comunidade.
histórias de transformação
Entre as participantes do projeto está Taisa Santos, 19. Para ela, a principal força da iniciativa está no acolhimento oferecido às mães que vivem a maternidade atípica no dia a dia. De acordo com ela, o objetivo é transformar desafios em aprendizado e fortalecimento coletivo. O projeto, afirma, nasceu para orientar e fortalecer mães que muitas vezes enfrentam sozinhas os desafios da maternidade atípica.
“Nasceu para acolher, orientar e fortalecer as mães que vivem a maternidade atípica todos os dias, sabendo a dificuldade de criar um filho dentro da neurodiversidade, envolvendo seus desafios emocionais, sociais e financeiros que, muitas vezes, são enfrentados de forma solitária”, compartilha. “Nosso objetivo principal é ampliar o entendimento da sociedade, combater o preconceito e promover a inclusão real, tanto para as mães quanto para os seus filhos, além do apoio emocional e informativo”, afirma.
o que o projeto oferece
O AMA atua de forma multidisciplinar, combinando acolhimento emocional, atividades físicas e ações sociais voltadas para famílias em situação de vulnerabilidade.
principais iniciativas
» Acolhimento e suporte emocional: reuniões periódicas com mães e mulheres para escuta, troca de experiências e fortalecimento da saúde mental;
» Atividades de movimento: aulas e grupos de capoeira, futsal, dança e ritmos, voltados ao desenvolvimento físico, à disciplina e à socialização;
» Ações assistenciais: campanhas e distribuição de itens essenciais, como leite, frutas e cestas básicas, para famílias cadastradas.
MÃOS QUE DOAM, MÃOS QUE RECEBEM A SOLIDARIEDADE COMO UMA ESCOLHA REFORÇADA NO COTIDIANO
O que começou como um gesto de sobrevivência se transformou em uma rede de solidariedade que hoje alimenta centenas de pessoas em Fortaleza. Criado em 2013 pela empreendedora Leila Maria Duarte, o Instituto Mãos que Doam, Mãos que Recebem atua há mais de uma década distribuindo alimentos e oferecendo atividades educativas e culturais para crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade na região do Passaré, em Fortaleza.
A história do projeto está intimamente ligada à trajetória de vida da própria fundadora. Antes de se tornar presidente do instituto e dona de uma pequena marmitaria, Leila trabalhou como recicladora e frequentava o antigo lixão do Jangurussu, onde presenciou de perto uma realidade que marcou sua vida para sempre. “Eu vi crianças e adolescentes comendo carne, frutas e pães estragados, sem higiene. Eu também fui protagonista dessa história”, lembra.
Hoje, a realidade é diferente. Todos os dias, entre 300 e 400 pães são distribuídos gratuitamente para famílias da comunidade. Ao longo de um ano, cerca de 16 toneladas de alimentos passam pelo instituto, que também entrega frutas, legumes, sopão e, em alguns momentos, cestas básicas. As doações chegam principalmente por meio de parcerias, como a mantida com o Mercadinho São Luiz, responsável por parte dos alimentos distribuídos.
As ações acontecem regularmente: a distribuição de alimentos ocorre às segundas, quartas e sextas-feiras, enquanto as atividades educativas e culturais são realizadas ao longo da semana. Atualmente, o instituto acompanha cerca de 60 famílias no bairro Passaré, 30 famílias no Barroso e atende aproximadamente 150 crianças e adolescentes no Jangurussu.
Além da assistência alimentar, o projeto também investe em formação e desenvolvimento pessoal. Entre as atividades oferecidas estão reforço escolar, aulas de dança, xadrez e outras ações educativas, muitas delas realizadas em parceria com o Instituto Veridiana, que colabora com iniciativas voltadas para arte e cultura.
TONELADAS DE ALIMENTOS DISTRIBUÍDOS
POR ANO
EU TENHO ESSA MISSÃO DE MUDAR UM POUCO A REALIDADE, PARA MELHOR
um bem retroativo
Entre os voluntários do instituto está o próprio filho de Leila, João Victor Duarte, de 19 anos, estudante de licenciatura em Física na Universidade Estadual do Ceará. No terceiro semestre da graduação, ele decidiu criar um curso de xadrez para as crianças da comunidade. Além de abrir novas possibilidades para os alunos, a iniciativa também contribui para a formação do próprio estudante.
Para os jovens participantes, o curso de xadrez contribui para o desenvolvimento de habilidades cognitivas importantes, como organização, raciocínio estratégico, pensamento crítico e capacidade de concentração.
PÃES
DISTRIBUÍDOS
TODOS OS DIAS
Alimentos doados são repassados gratuitamente para moradores da comunidade
Além do aprendizado intelectual, o projeto também impacta o cotidiano das famílias atendidas ao garantir acesso a alimentos e incentivar hábitos mais saudáveis. A distribuição de frutas, legumes e outras doações alimentares complementa as ações educativas e amplia o alcance social da iniciativa.
solidariedade
Um dos aspectos mais marcantes do instituto é a transformação das próprias pessoas atendidas em voluntárias. Segundo Leila, muitas das pessoas que antes recebiam ajuda, hoje, participam das atividades do projeto e contribuem com o trabalho diário.
Para ela, essa é a maior prova de que a iniciativa cumpre seu papel. “O trabalho é para mim um exemplo da minha vida. Hoje eu mostro aos meus filhos o caminho da humildade, e eles fazem parte disso.”
JOÃO VICTOR DUARTE
19 ANOS
Minha mãe já trabalha ajudando as pessoas aqui da região há bastante tempo. Inspirei-me para fazer um projeto social que induzisse as crianças a jogar xadrez. Como eles nunca tiveram essa oportunidade, eu vi que eu tinha potencial (de ensinar) e quem sabe formar um próximo jogador profissional, que aqui nunca teve. O segundo motivo é justamente para a minha formação acadêmica. Como eu já estou fazendo uma graduação, eu também necessito ter contato com as pessoas aqui para justamente me desenvolver como professor de Física.
LUIZ MIGUEL
14 ANOS
O curso de xadrez me ajudou em base à organização, pensamento e também ajudou muito com a ligação à estratégia, o pensamento crítico. O Sopão é um projeto que não ajuda só a mim, mas também a muitas crianças e adolescentes que vêm de uma família mais carente, mais humilde e recebem muitas frutas, legumes, vários tipos de alimento do Instituto.
NATALI CAXILE
20 ANOS
Eu sou muito grata pelo Instituto, porque me ajuda bastante, não só na parte de frutas, legumes, de ter uma alimentação mais saudável na minha rotina, como também o curso de xadrez. Eu sou diagnosticada com o TDAH e me ajuda muito a ter foco, a ter mais paciência, a aprender mais estratégias, e realmente me ajuda muito mesmo no meu dia a dia. Então, realmente sou muito grata pelo Instituto e quero continuar sempre fazendo parte.
FAMÍLIAS
ATENDIDAS
60 famílias no Passaré
30 famílias no Barroso
150 crianças e adolescentes no Jangurussu
distribuição de alimentos
Às segundas, quartas e sextas-feiras
» Xadrez (infantil e juventude);
» Reforço escolar (infantil);
» Distribuição de alimentos. atividades oferecidas
cursos de xadrez presenciais
Às segundas, terças e quintas-feiras
Leila Maria Duarte, fundadora do projeto Mãos que doam, Mãos que recebem
PANTANAL BASQUETEBOL: NO PLANALTO AYRTON SENNA, A BOLA DE BASQUETE SE TORNOU UM INSTRUMENTO DE MUDANÇA
Uma bola de basquete virou instrumento de transformação, no Planalto Ayrton Senna. Foi a vontade de ensinar o esporte aos próprios filhos e aos jovens da comunidade que levou Valdeci Cardoso a fundar o Pantanal Basquetebol, em 2016. O projeto social desde então, vem reescrevendo histórias e abrindo portas que muita gente sequer imaginava existir.
A motivação de Valdeci nasceu de uma convicção simples e profunda: o esporte transforma vidas. Formado pelo Colégio Piamarta, ele carrega até hoje os valores aprendidos nas quadras e nas salas de aula daquela escola. Foi desse chão que brotou a semente do Pantanal Basquetebol.
além dos fundamentos: esporte como ferramenta social
O Pantanal Basquetebol não se propõe apenas a ensinar dribles, passes e arremessos. O projeto tem um lema que resume sua filosofia: mudando vidas com a bola na mão. Cada treino é também uma aula de cidadania, disciplina e superação.
O acompanhamento dos alunos vai muito além da quadra. O projeto monitora o rendimento escolar de cada atleta, incentivando o bom desempenho acadêmico e motivando os jovens a serem, nas palavras do próprio Valdeci, "alunos nota 10". A ideia é que o compromisso exigido dentro do basquete se reflita em todas as áreas da vida.
ALUNOS E ALUNAS DE 8 A 18 ANOS ATENDIDOS
da quadra para a universidade
Os resultados do trabalho estão estampados nas trajetórias de quem passou pelo projeto. Jovens que não imaginavam cruzar a porta de uma universidade hoje colecionam diplomas. Egressos do projeto se formaram ou estão em formação em instituições de ensino superior, um feito que Valdeci chama, sem hesitar, de "extraordinário".
Mas as conquistas não param por aí. Alguns atletas tornaram-se empresários. Há quem tenha conquistado bolsas de estudo em escolas e faculdades diretamente por meio das portas abertas pelo basquete.
"Temos atletas formados na Unifor, na UFC, na UECE, um feito extraordinário para jovens que não imaginavam entrar em uma universidade. Esses são nossos maiores troféus”, finaliza Valdeci.
No Pantanal Basquetebol, cada treino é também uma aula de cidadania, disciplina e superação
ANA CAROLINA CLEMENTE
19 ANOS
Tinha receio quando as pessoas me repreendiam dizendo que basquete é um esporte fortemente masculino, porém nunca deixei isso me abalar. E bom, aqui estou eu provando o contrário. Eu e muitas mulheres nesse universo imenso que é o basquete.
competições de destaque
Masculino
» Campeão da Copa de Férias de Pindoretama
» Campeão da Copa Horizonte
» Vice-campeão da Copa Pentecoste
» Vice-campeão do Torneio de Aquiraz
Feminino
» Campeã geral da Liga BNP 3x3
» Campeã da Copa FKBC de Crateús
» Vice-campeã da LCB (2018)
» Bronze na LCB Sub-15 (2025)
» Bronze na LCB Sub-18 (2025)
» Vice-campeã da Copa de Férias de Pindoretama
» Vice-campeã da Copa Pentecoste
destaque na liga cearense de basquete (lcb)
» Sub-15 Masculino – em disputa na LCB
» Sub-15 Feminino – em disputa na LCB
» Sub-18 Masculino – classificado para as oitavas de final da LCB
» Sub-18 Feminino – classificado para a semifinal da LCB
PEDRO VLADIMIR
15 ANOS
Eu sou o primeiro atleta do Pantanal Basquetebol, o primeiro time em que tive contato com o basquete amador. Todos os 10 anos foram incríveis ao lado de um grande técnico, como meu pai, Valdeci.
NYKOLLI MONTEIRO
16 ANOS
Eu gosto muito de fazer parte do projeto Pantanal Basquetebol, porque ele me ajuda a melhorar no esporte, fazer novas amizades e aprender coisas importantes para a vida.
O Pantanal Basquetebol realiza doações regulares de:
» calçados
» alimentos
» roupas
LUANA KELLY VEIGA
19 ANOS
No Pantanal Basquetebol, aprendi lições valiosas que vão além do esporte. Aprendi sobre liderança, resiliência e a importância de ter um propósito na vida.
ATLETISMO DIAS MACÊDO: BROTAM ATLETAS NO ASFALTO DE FORTALEZA
DESDE 2016,
O PROJETO
SOCIAL VEM TRANSFORMANDO
VIDAS E REVELANDO ATLETAS
Na avenida do Aeroporto de Fortaleza, o atleta de atletismo
Luzemberg Oliveira treinava todos os dias. Sua rotina acabou despertando a curiosidade de moradores da comunidade, logo ganhou companhia em seus treinamentos. Com o tempo, mais pessoas se juntaram, o trabalho começou a ganhar força e surgiu o desejo de competir.
Assim nasceu, em agosto de 2016, o Atletismo Dias Macêdo.
O clube foi filiado a Federação Cearense de Atletismo por meio da Associação de Moradores do Bairro Dias Macêdo.
O projeto social já tinha uma grande quantidade de atletas que participavam de competições antes mesmo da filiação. Atualmente, o clube é uma equipe federada na Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT) e conta com cerca de 15 a 20 atletas.
do ceará para o mundo
Conhecido no Brasil e no mundo, o Atletismo Dias Macêdo tem seus atletas registrados e competindo em alto nível. Muitos que iniciaram sua trajetória no projeto, hoje se destacam internacionalmente. É o caso de Matheus Lima, atleta olímpico que chegou à semifinal dos 400m com barreiras nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Outros nomes também seguem fazendo história, como João Paulo Nobre, da marcha atlética, que recentemente disputou um campeonato mundial na Turquia.
Além dos resultados nas pistas, o projeto reforça seu caráter social ao oferecer aos jovens da comunidade uma alternativa à ociosidade. A iniciativa abre portas para expe-
riências únicas, como participar de competições nacionais e representar o Brasil em eventos internacionais. Mais do que formar atletas, o objetivo é formar cidadãos, mostrando que, mesmo quando o sucesso esportivo não se concretiza, o aprendizado e os valores permanecem.
O Atletismo Dias Macêdo vai além da formação de atletas e cidadãos. O projeto nasce na periferia criando oportunidades e mostrando à juventude que é possível ir muito além do que se imagina. Luzemberg Oliveira olha para o trabalho que começou com ele com muito orgulho, destacando o impacto que a iniciativa tem na vida de jovens da comunidade.
“Impacta porque há histórias reais, como a do Matheus Lima e a do João Paulo. Em provas distintas, Matheus Lima nas barreiras e João Paulo na marcha atlética, isso impacta muito a vida dos jovens, porque eles podem acreditar que, apesar de virem da periferia, também podem chegar onde quiserem, onde sonharem”, afirma Luzemberg Oliveira.
Matheus Lima é um atleta olímpico brasileiro que participou dos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Ele foi revelado pelo projeto Atletismo Dias Macêdo, onde iniciou sua trajetória vitoriosa. De Fortaleza para as pistas do mundo inteiro, Matheus Lima tornou-se uma referência em seu esporte. Atualmente, ele é atleta do Esporte Clube Pinheiros.
A iniciativa abre portas para experiências únicas, como participar de competições nacionais e internacionais
VENCEDOR DOS JOGOS PAN-AMERICANOS
CAMPEÃO SUL-AMERICANO
MEDALHISTA DE PRATA DOS JOGOS PAN-AMERICANOS
RAVYK FARIAS, 17 ANOS MARCHA ATLÉTICA
Uma das experiências inesquecíveis que tive foi quando ganhei minha primeira competição Norte-Nordeste. Aprendemos várias coisas no Atletismo Dias Macêdo, como ser um bom estudante e conviver mais com as pessoas. Também aprendemos a ser mais esforçados, a interagir em entrevistas e a não nos deixar influenciar por coisas erradas.
JOÃO PAULO NOBRE, 20 ANOS MARCHA ATLÉTICA
Através do Atletismo Dias Macêdo, eu pude conhecer o mundo. Viajei para lugares maravilhosos, fui para estados que eu sempre quis conhecer e também para outros países, representando o Atletismo Dias Macêdo, o meu estado e o Brasil. Participei de competições sul-americanas e mundiais.
Na foto, a equipe do projeto Atletismo Dias Macêdo
Modalidade: multidisciplinar, combinando acolhimento emocional, atividades físicas e ações sociais voltadas para famílias em situação de vulnerabilidade.