GRANJAH ROOTS + RESISTÊNCIA ROOTS REGGAE, COMUNIDADE E SEGUNDAS QUE VIRAM PONTO DE ENCONTRO PRO BAILE
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CT FIRMINO’S FIGHT NO RINGUE, NÃO É SÓ LUTA: É DISCIPLINA, RECOMEÇO E NOVAS HISTÓRIAS SENDO
ESCRITAS TODOS OS DIAS
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VÔLEI GB O QUE COMEÇOU COM MATERIAL EMPRESTADO, HOJE FORMA ATLETAS, VÍNCULOS E NOVOS CAMINHOS
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MENSAGEIROS DE CRISTO ESPETÁCULO CONVIDA CRIANÇAS E FAMÍLIAS A IMAGINAR, CRIAR E VIVER HISTÓRIAS LONGE DAS TELAS
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SOCHIN KARATÊ-DO QUANDO DESISTIR NÃO É OPÇÃO, O ESPÍRITO INABALÁVEL PRECISA SER ATIVADO
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EDITORIAL
O 11º caderno do Juventude é Travessia chega como um mosaico vivo de quadras, garagens, palcos e pistas improvisadas — lugares onde, à primeira vista, caberiam só treino, ensaio ou som. Mas quem chega mais perto percebe: ali também se constrói futuro.
Aqui, o saque não é só do vôlei — é de oportunidade. O Vôlei GB começa com bola emprestada e termina formando laços que não cabem no placar. Entre uma defesa e outra, jovens aprendem algo que não se ensina em apostila: jogar junto com a vida, mesmo quando o jogo parece desigual.
Mais adiante, o tatame vira chão de resistência. A Sochin Karatê-Do prova que nem o improviso de uma garagem
EXPEDIENTE
EMPRESA JORNALISTICA O POVO
aberta é capaz de conter a disciplina de quem treina caráter todos os dias. É o tipo de lugar onde medalha brilha, mas transformação brilha mais. Onde cada golpe carrega também um ajuste fino na própria história.
E quando a segunda-feira cai, o grave sobe. No encontro entre Granjah Roots e Resistência Roots, o reggae não é só trilha — é território. É ponto de encontro, renda, respiro e identidade. Um lembrete coletivo de que cultura também é infraestrutura emocional: sustenta, conecta, organiza o invisível.
Já no Genibaú, o tempo ganha outro ritmo. Há quase três décadas, o Mensageiros de Cristo transforma tradição em travessia contínua. Ali, o palco não é
PRESIDENTE INSTITUCIONAL & PUBLISHER: Luciana Dummar
PRESIDENTE-EXECUTIVO: João Dummar Neto
DIRETORES DE JORNALISMO: Ana Naddaf e Erich Guimarães
DIRETOR DE JORNALISMO RÁDIOS: Jocélio Leal
DIRETOR DE ESTRATÉGIA DIGITAL E NOVOS NEGÓCIOS: Felipe Dummar
DIRETOR DE NEGÓCIOS: Alexandre Medina Néri
DIRETORA DE GENTE E GESTÃO: Cecília Eurides
DIRETOR CORPORATIVO: Cliff Villar
DIRETOR DE OPINIÃO: Guálter George
DITORIALISTA-CHEFE: Plínio Bortolotti
PROJETO JUVENTUDE É TRAVESSIA
fuga — é afirmação. Cada ensaio é uma espécie de declaração silenciosa: “nós contamos nossas próprias histórias”.
O que une tudo isso não é só a juventude. É a insistência. Insistir em treinar sem estrutura. Insistir em ensinar quando falta espaço. Insistir em tocar quando o mundo silencia. Insistir em existir com autoria.
O Juventude é Travessia não fala sobre chegar. Fala sobre atravessar — mesmo quando a ponte ainda está sendo construída no meio do caminho. E talvez esse seja o maior ensinamento deste caderno: tem muita gente, em muitos cantos, reinventando o verbo “possível” todos os dias. Boa leitura!
GRANJAH ROOTS + RESISTÊNCIA ROOTS
VÔLEI GB
CONCEPÇÃO E COORDENAÇÃO GERAL: Valéria Xavier | ESTRATÉGIA E RELACIONAMENTO: Adryana Joca e Dayvison Álvares | GERENTE EXECUTIVA DE PROJETOS: Lela Pinheiro ASSISTENTE DE PROJETOS: Renata Paiva ANALISTA DE OPERAÇÕES: Alexandra Carvalho e Raffaela Meneses ANALISTA DE PROJETOS: Beth Lopes
Este produto é customizado pelo Estúdio O POVO. COORDENADORA DE CONTEÚDO: Camilla Lima COORDENADOR DE CRIAÇÃO: Jansen Lucas LÍDER DE PLANEJAMENTO: Luana Saraiva DIAGRAMAÇÃO: Reni Pinheiro ANALISTA DE MARKETING: Daniele de Andrade REDAÇÃO PUBLICITÁRIA: Sofia Constance ANALISTA DE MÍDIAS: Juliane Marinho | TEXTOS: Lucas Casemiro
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MENSAGEIROS DE CRISTO 10 CT FIRMINOS FIGHT
14 SOCHIN KARATÊ-DO
GRANJAH ROOTS + RESISTÊNCIA ROOTS
Os projetos Granjah & Resistência Roots atualmente ocorrem às segundas-feiras no Conjunto Ceará e reúnem música, dança e empreendedores locais em um mesmo espaço voltado para o reggae. Acesso 100% gratuito.
MENSAGEIROS DE CRISTO
O Grupo Teatral Mensageiros de Cristo movimenta a comunidade com uma programação variada e enraizada na cultura popular brasileira.
SOCHIN KARATÊ-DO
FIRMINOS FIGHT
O CT Firmino's Fight nasceu de uma paixão e cresceu como uma comunidade. As aulas de Muay Thai são abertas a todas as idades e níveis, de iniciantes a atletas avançados.
REGIONAL 11:
A Regional 11 de Fortaleza abrange 11 bairros da Capital: Pici, Bela Vista, Panamericano, Couto Fernandes, Demócrito Rocha, Autran Nunes, Dom Lustosa, Henrique Jorge, Jóquei Clube, João XXIII, Genibaú, Conjunto Ceará I e Conjunto Ceará II. A região concentra uma população estimada em 243.559 mil habitantes.
O Vôlei GB surgiu no final de fevereiro de 2025 com uma proposta simples de reunir os estudantes da Escola de Ensino Médio Doutor Gentil Barreira que tinham em comum o amor pelo vôlei.
SOBRE O JUVENTUDE É TRAVESSIA
O projeto Juventude é Travessia protagonismo que reinventa e move Fortaleza propõe uma ampla ação de comunicação e valorização das juventudes da capital cearense, com foco no protagonismo, na inovação e na participação cidadã. Por meio de conteúdos multiplataforma — jornal, portal, redes sociais, rádio e audiovisual — o projeto dará visibilidade a iniciativas de jovens que transformam seus territórios nas áreas de educação, esporte, cultura, tecnologia, empreendedorismo e cidadania.
A iniciativa é uma realização do Grupo de Comunicação O POVO, e dialoga diretamente com políticas públicas da Prefeitura de Fortaleza voltadas à juventude, como os Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cucas), o projeto Jovens Monitores e o programa Academia Enem.
A Sochin Karatê-Do é um projeto esportivo que alia formação de atletas de alto rendimento à formação de caráter de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. Liderada pela professora Rafaela Barbosa, a equipe já revelou campeões estaduais, nacionais e pan-americanos.
O REGGAE QUE A PERIFA NÃO DEIXA MORRER
Movimentos de reggae resistem há mais de dez anos transformando juventudes, construindo comunidade e firmando parcerias na periferia de Fortaleza
Quatro jovens moradores do bairro Granja Portugal decidiram que o reggae que ouviam em casa merecia ser dividido com a vizinhança. Não havia estrutura nem patrocínio, mas existia vontade. Foi o suficiente para o som começar a ecoar pela Praça da Juventude, ainda em 2015, e dar início ao projeto Granjah Roots. Mas o tempo passou e com ele alguns fundadores seguiram outros caminhos. A praça entrou em reforma, impedindo a permanência no local. Depois, a pandemia chegou... Mas o projeto resistiu.
A poucos quarteirões dali, no Polo de Lazer do Conjunto Ceará, outro movimento nascia com a mesma energia. Em 2017, Romário System levou os próprios equipamentos de som, reuniu DJs da comunidade e criou o Resistência Roots: um espaço de expressão cultural, lazer e conexão que logo ganhou força e identidade. A chegada de Linthon Lucas, o DJ Crânio Rootsman, selou o movimento e ampliou o alcance do projeto na região.
Pici
Bela Vista
Henrique
Jorge Jóquei Clube
João XXIII
Dom Lustosa
Autran Nunes
Conjunto Ceará I
Conjunto Ceará II
Genibaú
Couto
DemócritoFernandes Rocha
Panamericano
VÔLEI GB
Os encontros acontecem às segundas-feiras, no Polo de Lazer do Conjunto Esperança
A pandemia interrompeu os dois movimentos. Mas em 2023, com o retorno das atividades presenciais, veio também uma nova visão. Os projetos Resistência Roots e o Granjah Roots começaram a se unir e, ao final de 2024, a dança e a música definitivamente eram uma só. Hoje, no anfiteatro do Polo de Lazer do Conjunto Ceará, o reggae toca toda segunda-feira.
"Mais do que uma ocupação, isso virou um propósito de vida: manter vivo um espaço onde as pessoas se sintam representadas, acolhidas e conectadas", frisa o fundador do Granjah Roots, Hugo Leonardo. O bombeiro civil de 32 anos exerce a função de produtor cultural e DJ no projeto. Nascido e crescido no Conjunto Ceará, foi dentro desse território que encontrou no reggae um escape e a oportu nidade para fazer o que sempre quis: a diferença.
ANOS
"O projeto também passou a atuar com responsabilidade social, promovendo informação e ações voltadas à redução de danos, consolidando-se como um movimento cultural consciente dentro da comunidade", relata Romário System, 36, fundador do Resistência Roots.
Para Jamara Fernandes, 29 anos, que acompanha o projeto desde 2023, o evento é ao mesmo tempo lazer e trabalho. Ela tem uma loja de headshop e usa a presença no evento para vender e divulgar o negócio. “Acho muito forte o impacto social. Os jovens poderiam estar em qualquer outro lugar, mas escolhem estar ali, num evento cultural, gratuito, acessível para todo mundo — inclusive crianças, que a gente
DE ATUAÇÃO CULTURAL
ENTRADA SEMPRE GRATUITA OU SIMBÓLICA
MAIS DO QUE UMA OCUPAÇÃO, ISSO VIROU UM PROPÓSITO DE VIDA: MANTER VIVO UM ESPAÇO ONDE AS PESSOAS SE SINTAM REPRESENTADAS, ACOLHIDAS E CONECTADAS.
JAMARA FERNANDES, 29 ANOS
Acompanho o projeto desde 2023, e pra mim ele é mais do que um evento, é algo realmente necessário para a comunidade. É um espaço onde nós, jovens, conseguimos desopilar a mente, sair um pouco do peso do dia a dia e simplesmente viver momentos leves. É onde a gente encontra os amigos, conversa, desabafa e se reconecta.
Além disso, eu também sou empreendedora e tenho uma loja de headshop. O evento é uma parte importante do meu sustento, assim como de outros empreendedores que estão ali. É muito bonito ver como um evento totalmente gratuito também gera oportunidade pra quem corre atrás, fortalecendo a economia local.
O reggae, pra mim, sempre foi sinônimo de paz. Em todos esses anos frequentando, nunca vi conflito ou briga — muito pelo contrário. É um ambiente de união, respeito e energia boa. É um lugar onde as pessoas vão pra dançar, se expressar e viver a cultura. A dança, inclusive, é uma das coisas mais lindas ali: ver os grupos se apresentando, a galera se soltando… isso é expressão pura. Sou muito grata pela força, pela dedicação e pela coragem de todos que fazem esses projetos acontecerem. Porque não é só um evento — é cultura, é oportunidade, é união.
o nascimento de um dj
Linthon Lucas, 31 anos, acompanhou de perto o surgimento da cena reggae que hoje movimenta o Conjunto Ceará. Em 2015, frequentava a Praça da Granja Portugal apenas como espectador, observando o trabalho de Hugo Leonardo no Granjah Roots.
No ano seguinte, decidiu criar o próprio projeto, ao lado de um amigo, movido pela vontade de fazer acontecer. "A gente foi tocando pra frente, levando aquele negócio mais com vontade mesmo, querendo fazer de verdade", relata. Com o tempo, se aproximou do Resistência Roots, ao lado de Romário System, e passou a integrar o movimento. Hoje, quase dez anos depois, é conhecido como DJ Crânio Rootsman e segue atuando na cena.
No caminho, enfrentou o ceticismo do poder público, com os eventos sendo vistos como simples "bailes de comunidade". Ainda assim, insistiu em mostrar o contrário. Hoje acompanha artistas locais que cresceram a partir das oportunidades abertas pelo movimento e que já formam seus próprios grupos. "O verdadeiro valor está em poder ajudar o próximo, acompanhar lado a lado, trabalhar em conjunto buscando sempre mais”, afirma o DJ Crânio Rootsman.
Granjah Roots
» Hugo Killer – Fundador e DJ
Resistência Roots
» Romário System – Fundador e DJ
» Crânio Rootsman – DJ e cofundador
» Ellen Moraes – DJ e colaboradora
O projeto Granjah & Resistência Roots é o maior movimento cultural da cena reggae de periferia em Fortaleza. Esse projeto tem a força da comunidade, o grito da rua, a vontade de todos estarem em conexão ouvindo uma boa música, trocando experiências e vivências. O reggae traz paz, alegria, e esse projeto transmite isso muito bem. Com a força do reggae e o brilho do público. O projeto se tornou o mais amado de todas as segundas-feiras do mês. Desde então criando uma comunidade onde a arte e a cultura são ferramentas para encontros e transformações sociais. Viva o movimento reggae de rua, viva o Granjah + Resistência!
pra seguir o som
Para saber quando acontece o próximo evento, acompanhe o projeto nas redes sociais. A entrada é sempre gratuita ou com valor simbólico.
» @granjah.hoots
» @resistenciaroots_
Hugo Leonardo, fundador
FATINHA TAURINA, 27 ANOS
Toda semana, o baile reúne cerca de 1000 pessoas no anfiteatro da praça do Conjunto Ceará
O MUAY THAI COMO LUGAR DE RECOMEÇO E TRANSFORMAÇÃO
Desde 2020, o CT Firmino's Fight usa o tatame e seus ensinamentos para mudar vidas
O CT Firmino's Fight nasceu de uma paixão e cresceu como uma comunidade. Na periferia de Fortaleza, entre golpes e chutes precisos, uma professora e seus filhos provam todos os dias que o ringue pode ser, também, um lugar de recomeço.
A história do projeto começa com um nome e uma convicção: Aislan Firmino, professora de Muay Thai, grau Marron, e mãe que acreditou que o esporte poderia fazer mais do que formar atletas, poderia transformar vidas. Ao lado dos filhos, ela fundou o projeto, em 2020, com o objetivo de promover o Muay Thai e ajudar a comunidade local.
Desde então, o CT não parou de crescer. A iniciativa evoluiu e hoje integra a equipe Prime Thai Team, uma parceria que elevou o nível técnico do projeto e ampliou seu alcance e identidade. No CT Firmino's Fight, as aulas de Muay Thai são abertas a todas as idades e níveis, de iniciantes a atletas avançados.
Mas o que diferencia o projeto vai além da técnica. Aislan conduz o trabalho com uma filosofia própria focando sempre na evolução individual de cada aluno. “Busco sempre por qualidade e não por quantidade nos nossos alunos, ontem, hoje e sempre”, afirma.
A espiritualidade também faz parte da rotina. Orações marcam os encontros, criando um ambiente de respeito, coletividade e propósito que ultrapassa os limites do esporte.
A Prime Thai Team, em parceria com o CT Firmino's Fight, leva o projeto para além das paredes da academia. Aulas abertas, eventos de Muay Thai e ações sociais voltadas à integração de jovens das comunidades fazem parte da programação, iniciativas que posicionam o projeto como um ponto de apoio e transformação no território.
ALUNOS NO CT FIRMINO'S FIGHT
YASMIN GUEDES 24 ANOS
A importância principal é a autodefesa! Sabemos que no mundo onde vivemos é de extrema importância nós como mulheres saber como sair de uma situação complicada. Importante também para nossa saúde, mente e para manter sempre o corpo em movimento. O CT Firminos Fight tem sido essencial e inegociável no meu dia a dia.
ALUNOS NA EQUIPE PRIME THAI TEAM
ATUAÇÃO EM 3 BAIRROS E EM MARACANAÚ
JOCELYO RODRIGO 15 ANOS
Eu aprendi várias coisas como respeito, paciência e disciplina. A importância desse projeto é aprender a lutar e não só lutar fisicamente como também mentalmente.
E MUITO GRATIFICANTE VER O IMPACTO POSITIVO QUE TEMOS NA VIDA DELES.
“ "
Aislan Firmino, 49 anos idealizadora do CT Firmino's Fight
GUSTAVO BARROS CARDOSO 14 ANOS
Esse projeto é muito importante para mim porque me mantém no caminho certo, longe de coisas ruins, e me dá oportunidades que eu talvez não teria. Aqui eu tenho apoio, motivação e um propósito.
“Acreditamos que o Muay Thai ajuda a formar cidadãos e atletas com disciplina, respeito e determinação. Isso é fundamental para o crescimento e sucesso dos nossos alunos”, enfatiza Aislan.
Impactar vidas é, nas palavras da própria Aislan, uma sensação que não tem comparação. Ver os alunos engajados, crescendo, tornando-se pessoas melhores, esses momentos são o combustível que mantém o projeto em movimento.
Para Aislan, o Muay Thai é uma escola de vida. Disciplina, respeito e determinação são os pilares que ela ensina, e que, segundo ela, a Prime Thai Team compartilha com orgulho. Esses valores, transmitidos dentro e fora do ringue, são o que definem o verdadeiro legado do projeto. A professora não mede o sucesso apenas por medalhas. Mede pelos olhos de cada aluno que chega inseguro e parte com uma postura diferente diante do mundo.
As aulas de Muay Thai são abertas a todas as idades e níveis, de iniciantes a atletas avançados
O projeto foi um grande achado na minha vida assim como o de diversas pessoas, acho que não me veria mais sem treinar, ali virou casa. MILANE ALBUQUERQUE 23 ANOS
ENSINAMENTOS QUE EXTRAPOLAM OS LIMITES DAS QUADRAS
O Vôlei GB iniciou como um grupo informal e hoje transforma a vida de vários jovens
O Vôlei GB surgiu no final de fevereiro de 2025 com uma proposta simples: reunir estudantes da Escola de Ensino Médio Doutor Gentil Barreira que em comum nutriam o amor pelo vôlei. O que parecia apenas um grupo informal logo revelou seu potencial quando, em março do mesmo ano, surgiu a oportunidade de disputar os Jogos Escolares.
A chance foi abraçada sem hesitação. Com uniformes emprestados, material reduzido e horários ainda inconstantes, o time foi para a quadra. O espírito não faltava, e os resultados tampouco. A equipe chegou até a semifinal da competição, e aquela campanha foi o estopim para algo maior.
Foi durante os jogos escolares que o grupo percebeu a necessidade de uma liderança que organizasse e fortalecesse o projeto. Foram então convidados Agatha Yasmim Araújo e Davi de Lima, dois alunos que já se destacavam dentro de quadra. Hoje, mesmo após concluírem os estudos na escola, ambos seguem à frente do projeto: Agatha coordena o time feminino, e Davi atua ao lado de Guilherme da Silva no masculino.
Guilherme da Silva, técnico de vôlei que conhece o esporte desde criança, começou a jogar nas antigas vilas olímpicas, passou pelo BNB e nunca se afastou completamente das quadras, mesmo quando a faculdade entrou na rotina. Essa trajetória moldou sua visão sobre o papel do esporte na vida dos jovens.
"Eu sei o quanto um projeto é importante na vida de jovens atletas. Ter pessoas ali para te ajudar, para te apoiar, isso é fundamental”, afirma Guilherme da Silva.
Com o tempo, uniformes oficiais foram conquistados, o material esportivo foi chegando aos poucos e os horários de treino se consolidaram. A escola, ao ver o brilho dos seus estudantes, abriu espaço para que o projeto crescesse.
Na segunda metade de 2025, o Vôlei GB deu um passo decisivo: abriu as inscrições para jovens de fora da escola, tornando-se um projeto comunitário de fato. A resposta da comunidade foi imediata. Hoje, o projeto conta com três categorias: sub-17, sub-19 e sub-21, com times masculino e feminino ativos. Na seletiva mais recente, 40 jovens foram selecionados.
Para Guilherme, ensinar a sacar ou defender uma bola é apenas parte do trabalho. O que realmente move o projeto é a formação humana. Nascido entre os corredores de uma escola pública, o Vôlei GB cresce com a força de quem acredita no esporte.
PEDRO LUCAS DA SILVA
17 ANOS
Esse projeto ainda pode ir muito pra frente, não é mais só um time de escola, mas sim uma possibilidade real de eu e outros jovens realizarmos o sonho de jogar em um lugar grande.
MENSAGEIROS DE CRISTO: TRANSMITINDO SABERES
ATRAVÉS DA CULTURA
O projeto nasceu como uma expressão de fé e há 30 anos contribui na cena cultural da periferia
Era 1996 quando, no bairro Genibaú, um grupo de moradores se reuniu para algo que ia além do cotidiano: levar o evangelho por meio do teatro, começando com apresentações natalinas. O que nasceu como uma expressão de fé logo mostrou que tinha muito mais a dizer.
Em 2000, com as temáticas das apresentações se expandindo para a comédia e outras linguagens cênicas, o grupo conquistou independência artística e passou a construir sua própria identidade. Nascia, assim, o Grupo Teatral Mensageiros de Cristo, um projeto cultural longevo e atuante na periferia de Fortaleza.
presença na comunidade
Jovens de 15 a 22 anos são atendidos pelo projeto
DAVI DE LIMA
18 ANOS
O projeto tem um espaço grande no meu coração. Foi no GB que eu aprendi a ser companheiro, a ser atleta e descobrir minha paixão pelo esporte.
RYQUELME ALENCAR
18 ANOS
Esse projeto é muito importante para mim, porque me ajuda a crescer como pessoa, me mantém longe de coisas ruins e me dá oportunidades que eu talvez não teria fora daqui.
O Mensageiros de Cristo não se define como uma associação. Para Helan de Paiva Gomes, diretor geral do grupo, a definição correta é outra.
"Somos um Grupo de Cultura Tradicional Popular que oportuniza crianças e jovens para que os mesmos possam ser fazedores de cultura”, afirma Helan de Paiva.
Essa distinção reflete a essência do trabalho, pois mais do que organizar apresentações, o grupo se propõe a transmitir saberes, valorizar tradições e despertar nos participantes a consciência de que eles mesmos são produtores de cultura, não apenas espectadores.
Ao longo do ano, o Mensageiros de Cristo movimenta a comunidade com uma programação variada e enraizada na cultura popular brasileira com apresentações em diversas datas comemorativas. Cada uma dessas manifestações carrega consigo uma herança cultural que o grupo faz questão de preservar e reinventar.
ações desenvolvidas
» Paixão de Cristo
» Quadrilha Junina
» Arraiá do Genibaú
» Lapinha Viva
» Pastoril
Com quase 30 anos de história, o Mensageiros de Cristo é um patrimônio vivo que formou gerações nas artes cênicas e na cultura popular
impacto que é sentido
Para Helan, dirigir o grupo é, antes de tudo, uma responsabilidade com o futuro de quem passa pelo projeto. Ele faz questão de abrir espaço para que cada participante encontre seu lugar. Os resultados desta aposta aparecem em trajetórias concretas: ex-integrantes do grupo que se tornaram bailarinos profissionais, humoristas, dançarinos. E muitos outros que, mesmo sem seguir a carreira artística, saíram do projeto como cidadãos, carregando consigo os valores aprendidos nos ensaios e nas apresentações.
A palavra que define a filosofia do Mensageiros de Cristo é protagonismo. Em um contexto em que crianças e jovens da periferia muitas vezes não se veem representados, nem no palco, nem na vida, o grupo aposta justamente na inversão desse cenário.
"Mostra para as crianças, jovens, adultos e idosos que eles podem ser protagonistas de sua própria história", resume Helan. É essa convicção que, há quase três décadas, mantém o grupo de pé, os ensaios acontecendo e os palcos se abrindo para a comunidade.
A LUTA PARA TRANSFORMAR CRIANÇAS E JOVENS EM CAMPEÕES
Sochin Karatê-Do alia alta performance competitiva à formação de caráter, atendendo famílias em vulnerabilidade social
Quando um pai chegou ao último treino e perguntou à professora de karatê "para onde é que nós vamos?", Rafaela Barbosa não tinha uma resposta. Após sete anos funcionando no mesmo espaço, a academia onde a equipe Sochin Karatê-Do treinava simplesmente encerrou as atividades esportivas, sem nenhum aviso prévio. Era novembro de 2025, e os atletas tinham campeonato marcado para poucos dias depois. O episódio poderia ter sido o fim. Mas para quem construiu uma equipe sob o lema do espírito inabalável, recuar não estava no dicionário.
O episódio do despejo revelou tanto a fragilidade quanto a força da equipe. Sem espaço, Rafaela passou semanas em busca de alternativas: pedidos à prefeitura, à comunidade, conversas com responsáveis de alunos… "Eu passei esse período peregrinando em alguns espaços, pais de alunos também me ajudando, tentando encontrar um espaço para que a gente pudesse dar continuidade ao trabalho dos meninos", narra a professora.
A solução veio de dentro da própria equipe: um pai que treina no grupo cedeu a garagem de sua casa, localizada no bairro Jóquei Clube. O espaço é aberto, sem cobertura. Enquanto o sol impede treinos matutinos, a chuva cancela aulas. Mesmo assim, os atletas seguem treinando… E vencendo.
Desistir não é opção. A professora carrega na faixa preta um bordado com um dos cinco lemas do karatê-do, filosofia que rege a prática dentro do dojô (lugar dos treinos): "esforçar-se para a formação do caráter". É também o que ela diz buscar em cada aluno. O objetivo da Sochin é, também, formar caráter. O que Rafaela entende como formar "uma pessoa de boa índole, que tem responsabilidades e cujo crescimento não é financeiro, mas espiritual”.
os campeões que vieram de garagem
Os números da Sochin desconcertam qualquer um que imaginasse uma equipe de elite operando em estrutura precária.
A equipe formou atletas campeões pan-americanos, intercontinentais, brasileiros e estaduais em diversas categorias. Em 2025, seis atletas foram campeões do ranking em sua federação e três se destacaram em uma segunda federação simultaneamente. Conheça alguns nomes:
caio rainan, 15 anos
Campeão Pan-Americano, quatro vezes campeão brasileiro, campeão regional e do ranking nos anos de 2022, 2023, 2024 e 2025. Para competir no Peru, sua mãe precisou fazer um empréstimo de R$ 15
mil. A família mobilizou amigos, vizinhos e rifas para cobrir parte dos custos. Em Lima, Caio voltou campeão pan-americano no kumite e terceiro colocado no kata. Acumula 70 medalhas.
renan guilherme chaves freitas, 12 anos
No karatê desde os três anos de idade, é campeão pan-americano, brasileiro, regional, cearense e do ranking de 2025. No Campeonato Mundial, ficou em quarto lugar.
joão renan parente da silva, 10 anos
Há quatro anos na equipe Sochin, o atleta faixa verde é campeão Brasileiro, pan-americano e Intercontinental, melhor do ranking de 2025.
ana sophia freitas dos santos, 8 anos
Duas vezes campeã brasileira, três vezes campeã cearense, campeã regional e do ranking (qual ranking?) em 2024 e 2025, em duas federações diferentes. Em 2025, competiu em 18 eventos, terminando todos em primeiro ou segundo lugar. O desempenho rendeu uma bolsa integral em escola particular.
Rafaela Barbosa, 36 anos
A karateca Rafaela Barbosa começou no esporte cedo, aos 16 anos, por meio de projetos sociais no bairro João XXIII, em Fortaleza. Antes disso, havia passado por capoeira, kung fu, judô, jiu-jítsu e muay thai. Mas foi no karatê que encontrou sua raiz. Aos 18 anos, já dava aulas e hoje contabiliza 20 anos de dedicação ao esporte.
"Até os meus 24 anos eu tinha dificuldade em comunicação. Quando eu passei a dar aula de karatê, foi aí que eu comecei a me desenvolver, a ficar mais desinibida, a conversar com as pessoas e questionar certas coisas", compartilha. "Eu cheguei a repetir de ano por conta de ser uma pessoa muito retraída, de não responder até mesmo a frequência de sala de aula”, relembra a hoje bacharelanda em Educação Física e professora de Karate Preta 2 Dan.
Como atleta, Rafaela acumulou sete títulos estaduais, conquistas regionais e nacionais, e um quarto lugar em seletiva para o Campeonato Mundial. Há quatro anos, é técnica da Seleção Cearense de Karatê, responsável pelos atletas de kumite (a modalidade de luta).
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além dos troféus
A Sochin atende hoje cerca de 26 atletas ativos em diferentes bairros, com mensalidade acessível e vagas gratuitas para quem não pode pagar. Entre os alunos, há crianças com autismo, TOD, TDAH e ansiedade, e os relatos dos pais sobre as mudanças comportamentais se tornaram parte da identidade do projeto.
"Eu tenho alunos que chegaram em um momento em que os pais estavam no extremo de querer bater, porque não suportavam a situação que a criança estava em casa, e dentro do karatê ele foi possível ter uma melhora significativa", conta Rafaela. "Pais, professores formados também que em casa ou dentro da própria escola não estavam conseguindo controlar e dentro do esporte passaram a conseguir ter esse entendimento."
Além dos atletas em atividade, a equipe orgulha-se de ex-alunos que seguiram carreiras em Educação Física, Dança, Fisioterapia e Psicologia — e outros que se tornaram professores de karatê.
Para participar
As aulas são particulares, mas há concessão de bolsas parciais ou integrais
Contatar Rafaela Barbosa pelo WhatsApp (85) 998501-2589 e Instagram (@sochinkarate / @rafaelabtk)
significado desde o nome
O nome do projeto, Sochin Karatê-do, é, em algum modo, uma declaração de princípios. Na cultura japonesa das artes marciais, a palavra “sochin” designa um kata (sequência de técnicas de ataque e defesa) de faixa preta executado em competições de alto nível, reservado a graduados do quarto ao sexto Dan - por sua vez, traduzido como “nível”, e neste caso representando um grau mais avançado de maestria. Mas Sochin é também uma palavra com tradução direta: espírito inabalável ou, ainda, fortaleza.
"O sochin foi um dos katas quando eu comecei a chegar à faixa preta. Sempre tinha essa visão de não deixar se abater ou se abalar por certas coisas", conta a professora Rafaela. "Quando eu vi o significado e a profundidade do significado desse kata, eu passei a utilizar o nome." E virou uma resposta ao ceticismo que enfrentou na caminhada, especialmente ao montar a equipe. "Ah, não vai dar certo botar essa equipe, é melhor você tentar de outra forma", ouviu repetidas vezes. Desde então, revidar isso com resultados virou parte da missão.