Sonhar, aqui, nunca foi abstração. É passo marcado no chão, linha que vira renda, bola que corre na areia, corpo que insiste em ocupar a cidade. No Vicente Pinzón, no Mucuripe, no Castelo Encantado, a juventude transforma cotidiano em movimento e faz da arte e do esporte caminhos possíveis de permanência, criação e futuro.
Este segundo caderno do Juventude é Travessia percorre histórias que nascem nos territórios e ganham força coletiva. São trajetórias conduzidas por mulheres, educadores, atletas e artistas que acreditam no tempo do processo e no poder do encontro. Gente que ensina, aprende e constrói junto, mesmo diante de limites históricos, estruturais e sociais.
Entre salas de dança, associações comunitárias, areninhas e praias, o que se revela é uma juventude que cria redes, rompe ciclos e amplia horizontes. Não por acaso, esses projetos fazem da escuta, da disciplina e do afeto suas principais ferramentas de transformação. Aqui, a travessia não é solitária. É compartilhada, tecida a muitas mãos e pés no chão. Onde a juventude está, a cidade se reinventa. E o futuro começa agora. Boa leitura!
EXPEDIENTE
EMPRESA JORNALISTICA O POVO
PRESIDENTE INSTITUCIONAL & PUBLISHER: Luciana Dummar
PRESIDENTE-EXECUTIVO: João Dummar Neto
DIRETORES DE JORNALISMO: Ana Naddaf e Erich Guimarães
DIRETOR DE JORNALISMO RÁDIOS: Jocélio Leal
DIRETOR DE ESTRATÉGIA DIGITAL E NOVOS NEGÓCIOS: Felipe Dummar
DIRETOR DE NEGÓCIOS: Alexandre Medina Néri
DIRETORA DE GENTE E GESTÃO: Cecília Eurides
DIRETOR CORPORATIVO: Cliff Villar
DIRETOR DE OPINIÃO: Guálter George
DITORIALISTA-CHEFE: Plínio Bortolotti
PROJETO JUVENTUDE É TRAVESSIA
CONCEPÇÃO E COORDENAÇÃO GERAL: Valéria Xavier | ESTRATÉGIA E RELACIONAMENTO: Adryana Joca e Dayvison Álvares GERENTE EXECUTIVA DE PROJETOS: Lela Pinheiro ASSISTENTE DE PROJETOS: Renata Paiva ANALISTA DE OPERAÇÕES: Alexandra Carvalho e Raffaela Meneses ANALISTA DE PROJETOS: Beth Lopes e Valéria Freitas
Este produto é customizado pelo Estúdio O POVO. COORDENADORA DE CONTEÚDO: Camilla Lima COORDENADOR DE CRIAÇÃO: Jansen Lucas LÍDER DE PLANEJAMENTO: Luana Saraiva DIAGRAMAÇÃO: Jean Rocha ANALISTA DE MARKETING: Daniele de Andrade | REDAÇÃO PUBLICITÁRIA: Sofia Constance TEXTOS: Giovana Feitosa e Lucas Casemiro
STUDIO DE DANÇA ALINE RODRIGUES
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ASSOCIAÇÃO NAS ONDAS DA ARTE
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GERAÇÃO FUTURO
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ASSOCIAÇÃO NAS ONDAS DAS ARTES
A Associação tem transformado a vida de mulheres e jovens do Grande Mucuripe por meio do acolhimento, da formação e do desenvolvimento social
STUDIO DE DANÇA ALINE RODRIGUES
A professora Aline Rodrigues forma bailarinos há mais de duas décadas e utiliza a arte para inspirar jovens no Vicente Pinzon
SOBRE O JUVENTUDE É TRAVESSIA
AQUELALTA
A escolhinha de altinha Aquelalta nasceu como uma página, hojeé um projeto que impacta a vida de diversos jovens
REGIONAL II: ONDE A JUVENTUDE TRANSFORMA TERRITÓRIOS
Entre arte, esporte e coletividade, jovens reinventam o cotidianom constroem pertencimento e fazem do território um espaço vivo de futuro. A Regional II de Fortaleza abrange um território que réune 11 bairros da Capital: Aldeota, Cais do Porto, De Lourdes, Dionísio Torres, Joaquim Távora, Meireles, Mucuripe, Papicu, São João do Tauape, Varjota e Vicente Pinzón. A região cocnetra uma população estimada em 284.237 mil habitantes.
O projeto Juventude é Travessia: protagonismo que reinventa e move Fortaleza propõe uma ampla ação de comunicação e valorização das juventudes da capital cearense, com foco no protagonismo, na inovação e na participação cidadã. Por meio de conteúdos multiplataforma - jornal, portal, redes sociais, rádio e audiovisual - o projeto dará visibilidade a iniciativas de jovens que transformam seus territórios nas áreas de educação, esporte, cultura, tecnologia, empreendedorismo e cidadania.
A iniciativa é uma realização do Grupo O POVO e dialoga diretamente com políticas públicas da Prefeitura de Fortaleza voltadas à juventude, como os Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cucas), o projeto Jovens Monitores e o programa Academia Enem.
A UM PASSO DE SONHAR
A DANÇA QUE INSPIRA GERAÇÕES
Há mais de duas décadas, a professora Aline Rodrigues forma bailarinos, cria oportunidades e mantém viva a arte da dança no Vicente Pinzón
O corpo que gira, o pé que toca o chão com leveza, o silêncio que antecede a música. No Vicente Pinzon, a dança é linguagem, disciplina, horizonte. Em meio a barras de dança e barreiras invisíveis, gerações de jovens se agarram a sonhos insistentes para aprender a traduzir a própria história em passos. No holofote dessa trajetória de palcos e resistência está Aline Rodrigues, professora de balé que há mais de 20 anos transforma vidas por meio da arte.
Moradora do bairro e mãe de duas meninas, Aline começou cedo. “Aos sete anos, eu ingresso num projeto social chamado Edisca e, a partir de lá, eu fico até os 22”, conta. A passagem pelo projeto marcou sua formação artística e pessoal. Lá, foi aluna, monitora e professora, além de viver experiências internacionais que ampliaram sua visão de mundo. “Fui muito beneficiada pelo projeto Edisca e tenho muita gratidão por lá”, afirma.
Depois da Edisca, Aline integrou a Experimentos Companhia de Dança, com a qual circulou por países como Portugal, Alemanha, Espanha e até a Cisjordânia. Mesmo viajando, o vínculo com o Vicente Pinzón nunca se rompeu. Tanto, que após uma temporada de um ano em Portugal, Aline volta decidida a criar um estúdio de dança próprio onde pudesse, de forma perene, garantir permanência, processo e crescimento de seus futuros alunos. Assim, nasceu, na Rua Josias Paulo de Sousa, no Vicente Pinzon, o embrião do espaço que até hoje leva seu nome e inspira gerações de artistas a sonhar.
FOTO: JORGE MATHEUS
Meireles
Aldeota
Mucuripe
Varjota Vicente Pizon De Lourdes
Cáis do Porto
Papicu
Dionísio Torres
Joaquim Távora
Tauape
jazz, dança contemporânea e teatro a preços populares. O estúdio não é gratuito, mas busca ser acessível. “Não é gratuito, porque o espaço é alugado, a gente tem as despesas com os professores, tem despesa com água, luz e aluguel”, explica. Parte das alunas, vindas ainda da época dos projetos sociais, são bolsistas e hoje atuam como professoras, dentro e fora do estúdio, inseridas no mercado de trabalho da dança.
Para quem passa pelo espaço, o impacto gira além da técnica. A bailarina Beatriz Gomes, de 17 anos, resume. “Aqui eu aprendi a acreditar em mim. A dança me deu disciplina e coragem para sonhar mais alto”, afirma. Já Maria Eduarda Raulino, ex-aluna e hoje professora do estúdio, diz se realizar na profissão. “Se não fosse o estúdio, eu teria parado. Hoje, eu vivo da dança”.
vai prestigiar, ouvir música clássica, se ‘contaminar’ pela arte, pela cultura. É um momento de celebração”, afirma Aline, enfatizando a recorrência do trabalho. Há três anos, o evento acontece no teatro do RioMar Papicu, ampliando a visibilidade dos bailarinos.
Em agosto de 2026, o estúdio completa 10 anos de existência e celebra a primeira formatura de alunas. A data marca também a resistência cotidiana de quem escolhe a arte como caminho. “O que eu mais destaco na história do estúdio é a resiliência dos meus alunos. Nós somos colocados à prova todos os dias, desde o momento que nós assumimos que somos artistas dentro de uma comunidade periférica, que tem poucos recursos”, declara.
Essa potência ganhou dimensão internacional em 2025, quando três bailarinas participaram de uma residência artística na França, após parceria com a Bienal Internacional de Dança. “O fato das três meninas que saíram daqui, da periferia, para ir para a França é de uma potência!”, orgulha-se Aline. Segundo ela, a experiência ampliou perspectivas, tanto de quem foi quanto de quem ficou.
Para a professora, a dança vai para sempre ser destino e construção de identidades. “Desde os 7 anos que eu vivo de dança, vivo de arte, e nunca me descomprometi desse meu sonho de permanecer com a dança”, frisa. Enquanto houver música e alguém disposto a dançar no Vicente Pinzon, o estúdio há de conduzir muitos passos. E futuros múltiplos.
Bruno Romeu, 25 anos “A minha trajetória no estúdio é de força, de identidadeAtravés do estúdio, eu me descobri na arte, eu descobri que eu sou artista, que eu sou tudo o que eu posso ser”.
Beatriz Gomes, 17 anos “Recentemente tive oportunidade de dar aula e sentir o amor das minhas alunas é indescritível, é mágico, até. Eu acho que a dança é uma maneira em que encontramos de nos expressarmos”.
Anagaí Santos, 18 anos
“Ela (Aline) tem um papel importantíssimo dentro da comunidade, ajudando as famílias a acolher os jovens que ela recebe no estúdio a alcançarem os seus maiores objetivos através da arte”.
Eduarda Raulino, 19 anos “Minha carreira não começou agora, começou quando eu tinha sete anos de idade. Comecei a dançar com a Tia Aline na instituição e desde então minha paixão pela dança foi só aumentando”.
Evely Neres, 13 anos “Já faz sete anos que eu estou no estúdio e eu sou muito grata por esse estúdio que me deu muitas oportunidades. Principalmente uma oportunidade, em setembro de 2025, que foi a viagem para a França, um sonho realizado”
Há 20 anos, a iniciativa de "Tia Aline" transforma vidas e inspira gerações no Vicente Pinzon
Em agosto de 2026, o estúdio completa 10 anos de existência e celebra a primeira formatura de alunas.
Em 2025, Aline e três de suas bailarinas participaram de residência artística na França, após parceria com a Bienal Internacional de Dança.
ONDAS DE TRANSFORMAÇÃO
Associação fortalece autonomia de mulheres e jovens por meio da arte e da geração de renda
Criada a partir da iniciativa de um pequeno grupo de artesãs, uma associação localizada no bairro Vicente Pinzon, em Fortaleza, tem transformado a vida de mulheres e jovens do Grande Mucuripe por meio do acolhimento, da formação e do desenvolvimento social. Fundada em 2013, a associação Nas Ondas das Artes surgiu da necessidade de organização coletiva e hoje reúne dezenas de associadas, alunas e participantes de projetos voltados às juventudes.
A história começou de forma simples, quando cinco mulheres passaram a se reunir informalmente para produzir suas peças, ocupando a pracinha do Mirante. “Nós éramos
Além da formação, a associação atua como rede de apoio, ajudando os jovens a identificar talentos e buscar caminhos profissionais
um grupo de artesãs. Cinco mulheres trabalhando, fazendo a sua arte. A gente não tinha um espaço”, relembra a presidente da associação, Maria Neci de Almeida, 65. Dois anos depois, o grupo se estabeleceu em um espaço comunitário, onde permanece até hoje, reunindo atualmente 33 associadas.
Entre as atividades desenvolvidas está a produção de Tenerife, técnica artesanal quase extinta, resgatada a partir de saberes do município de Tauá e incorporada à rotina da associação como forma de geração de renda.
JUVENTUDE EM FOCO
Voltado para pessoas de 15 a 29 anos, o projeto oferece formação em diferentes linguagens artísticas, como pintura em tecido, crochê, macramê, renda de bilro e trabalhos com fios, linhas e feltro. Somente em 2025, mais de 60 jovens se inscreveram nas atividades.
Além da formação, a associação atua como rede de apoio, ajudando os jovens a identificar talentos e buscar caminhos profissionais. “Eu sempre digo que lá é o pontapé inicial. Ele pode desenvolver a habilidade dele e seguir outros caminhos”, afirma Maria Neci. A participação em feiras e eventos, como as ações da Petrobras e a Feirinha da Beira Mar, também amplia a visibilidade dos produtos e garante renda às associadas.
Para o futuro, o foco é fortalecer a autonomia financeira e a autoestima das mulheres atendidas. Viúva, diarista e beneficiária do Bolsa Família, Maria Neci também planeja investir na própria formação e pretende cursar Administração. “Eu preciso ter a minha formação, né?”, diz.
QUANDO O FUTEBOL VIRA TRAVESSIA
Há 22 anos, o Atlético
Sporting transforma o esporte em oportunidade
A bola rola cedo, levanta poeira, marca o tempo. Seja na Areninha do Papicu, no bairro homônimo, ou na Areninha “da Vista” (Fut7), no Vincente Pinzon, todo passe dessa galera carrega disciplina e inspirações. Estamos falando das “crias” do Atlético Sporting, projeto social que há mais de duas décadas revela talentos, constrói futuros por meio do esporte e mostra que futebol é, mais que sonho, um caminho possível.
Fundado em 13 de março de 2003, o projeto começou de forma simples, no Beach Soccer, em um campo na Beira Mar de Fortaleza onde pescadores tratavam peixes, relembra Isaac Almeida, fundador, diretor-técnico e presidente do Atlético Sporting. Com o tempo, o projeto evoluiu e ganhou visibilidade e estrutura. “Em 2007 foi quando a gente começou a ter mais visibilidade das competições”, pontua.
Hoje, o Atlético Sporting atende gratuitamente entre 90 e 100 crianças e adolescentes, com idades entre 6 e 16 anos, que treinam nas areninhas de fut7 e fut11 em um território de travessias. O movimento não para: os atletas passam a semana inteira treinando e, no sábado e domingo, competem. Ao longo da trajetória, o projeto soma mais de 47 troféus em torneios e campeonatos, tendo também construído vínculos com grandes clubes do futebol brasileiro.
“A gente tem o Paulo Roberto, que é sub-20, quase profissional pelo Curitiba; temos o Jeferson, que joga pelo Flamengo, sub-17; e temos a nossa referência, que é o nosso ‘cria’ mesmo, Samuel Felix”, elenca Isaac.
Time do Sub-17, uma das categorias do projeto
Samuel Felix, hoje com 22 anos, é um dos exemplos mais simbólicos dessa trajetória. “Participar do projeto me tornou o que eu sou hoje, um jogador profissional de futebol. Atualmente, no Clube Náutico Capibaribe. Um sonho de criança, e hoje me sinto realizado — foi no projeto onde comecei toda essa trajetória”, atribui Samuel.
Desde 2016, o Atlético Sporting também passou a disputar competições fora do Ceará, participando de torneios no Nordeste, como na Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco. “Tudo isso é voltado a oferecer vitrine e oportunidade para os meninos”, explica o diretor. Ele lembra que em 2024 dois atletas do projeto foram chamados para integrar as categorias de base do Sport Recife.
Entre os nomes mais jovens está Enzo Davi, de 12 anos, que já realiza trabalho de performance física e recebeu propostas para testes em clubes como Ceará e Sport. “Ele está fazendo esse trabalho porque tem uma proposta para ir para o Ceará agora em fevereiro”, conta Isaac. A trajetória do atleta é de ascenção: Enzo participou de um torneio em Curitiba após ser selecionado na competição Taça Leão Social de Futsal, promovida pelo Fortaleza Esporte Clube. Os atletas de maior destaque disputaram a Copa Furacão, competição realizada na Arena da Baixada, na capital paranaense.
É PARA TIRAR DA OCIOSIDADE,
DOS CAMINHOS ERRADOS, AJUDÁ-LOS A FOCAR NO ESPORTE, NO PSICOLÓGICO, NO MENTAL”
Elias dos Santos, 13 anos "O projeto faz parte da minha vida desde que comecei a treinar, aos nove anos de idade. É um time competitivo, que me oferece várias oportunidades e, inclusive, o trabalho do professor me fez chegar em alguns clubes, como Fortaleza FC, Atlético Cearense e Calouros do Ar. É muito bom estar aqui!"
Heitor Tavares, 20 anos "Passei um período no projeto, que não só nos forma como atletas, mas como seres humanos, do bem. Sonho desde criança em ser jogador. Foi um aprendizado. Hoje estou fazendo faculdade de Fisioterapia. Quem sabe, vou ser um profissional dentro do projeto onde eu saí."
SUSTENTABILIDADE, VOLUNTARIADO E RESISTÊNCIA
Sem fins lucrativos, o projeto funciona a partir de uma rede de apoio construída coletivamente. Não há cobrança de mensalidade. “Custeio, eu tiro do meu próprio suor, do meu próprio bolso”, afirma Isaac. As despesas com inscrições, arbitragem e competições são assumidas pela coordenação, enquanto as famílias contribuem apenas com o transporte dos atletas a eventos fora do Ceará.
Para viabilizar essas viagens e campeonatos, o próprio projeto mobiliza campanhas comunitárias com os atletas. “A gente faz campanha vendendo água, vendendo dindin, fazendo rifas, bingos”, relata. Os apoiadores entram de forma pontual, com doações de material esportivo, confecção de uniformes ou serviços, mas sem patrocínio fixo.
A comissão técnica é formada por cinco profissionais, todos atuando de forma voluntária. “A tendência é remunerar, porque é valorização do trabalho”, pontua Isaac, que também atua como educador social desde 2020, conciliando o projeto com outras atividades profissionais.
FUTEBOL É INCLUSÃO
Leão Social de Futsal, do Fortaleza Esporte Clube (foto), o atleta também participou da competição Copa Furacão, em Curitiba
O que motiva tanta dedicação? “Primeiro, faço por amor”, resume Isaac Almeida, explicando por que mantém o projeto ativo há mais de duas décadas. “É também voltado à inclusão.
A gente atende crianças com autismo, com TDAH. É um trabalho sem fins lucrativos, mais para atender a necessidade da comunidade”, responde.
Segundo ele, o esporte atua como ferramenta de proteção social. “O esporte não salva, mas ajuda no processo daquela criança, daquele adolescente”, afirma. “É para tirar da ociosidade, dos caminhos errados, ajudá-los a focar no esporte, no psicológico, no mental”.
Morador do Vicente Pinzón e com forte atuação comunitária, Isaac lembra o apoio institucional recente da Secretaria Municipal da Juventude de Fortaleza (Sejuv), por meio de articulações e diálogos que ampliaram a visibilidade do projeto. O sonho é tornar o projeto um time federado, criar a TV Atlético nas plataformas digitais e ampliar a estrutura.
ATLETAS DE DESTAQUE
Samuel Felix, 22 anos Jogador profissional do Clube Náutico Capibaribe. Ex-atleta do projeto, onde atuou durante a adolescência. Ao longo da carreira, teve passagens pelos clubes Terra e Mar, Tirol e Náutico (atual). Também foi emprestado para Rio Branco e Águia de Marabá (PA).
Paulo Roberto, 22 anos Atleta com passagens pelas categorias de base do Flamengo (RJ) e do Fortaleza Esporte Clube. Atualmente, integra o elenco do Coritiba (PR). Teve curta passagem no Atlético Sporting.
como uma das promessas reveladas pelo projeto. Teve curta passagem no Atlético Sporting.
Jefferson Vinícius, 18 anos
Atua nas categorias de base do Flamengo (RJ) desde os 11 anos de idade, construindo um caminho no futebol
Enzo Davi Alves dos Santos, 12 anos, é uma das promessas do Atlético Sporting. Destaque da Taça
PROJETO DO FUTURO
Geração Futuro usa o esporte para formar cidadãos
Enraizado na cultura brasileira, o futebol faz parte da rotina do país. A bola chutada na rua vai além da brincadeira. É esporte, convivência e possibilidade de transformação. Há 16 anos, o projeto de futebol e futsal Geração Futuro atua na comunidade da Praia do Futuro, em Fortaleza, mudando o dia a dia de crianças e adolescentes.
A iniciativa surgiu a partir de alguns pais da região, que passaram a instalar “travinhas” improvisadas em um calçadão para que as crianças pudessem brincar. A ideia ganhou força e, em julho de 2009, o projeto Geração Futuro foi oficialmente criado. A Areninha da Praia do Futuro é a sede da escolinha de futebol, que atende crianças de 5 a 15 anos. Para além do campo, a iniciativa também desenvolve atividades de futsal na comunidade do Alto da Paz, no bairro Vicente Pinzón, ampliando o alcance do trabalho.
Todas as terças e quintas-feiras, os jovens aprendem mais do que os fundamentos do futebol. Dentro dos campos e quadras, eles também constroem valores importantes para a vida em comunidade e para o exercício da cidadania. Um dos fundadores do projeto, Narcelio Silva conta que sente prazer em ensinar futebol para as crianças e destaca a importância do trabalho desenvolvido ao longo de mais de uma década.
“A gente está nessa luta, nessa caminhada há muito tempo para tirar crianças e adolescentes da periculosidade, da rua e, principalmente do celular agora. O tempo que a gente tem para dar aula a esses meninos é muito gratificante”, relata.
FORMANDO CIDADÃOS
Em um campo que vai além do futebol, o Geração Futuro forma para além do esporte. Narcelio destaca o caráter social do projeto e ressalta que, embora muitos jovens não tenham a oportunidade de se tornar grandes jogadores profissionais, vários dos que passaram pela escolinha hoje são formados em áreas relacionadas ou atuam profissionalmente no universo do futebol.
INICIATIVA QUE FAZ DIFERENÇA
Luiz Miguel Cipriano, 11 anos
Todos os dias são experiências novas. O que eu aprendo no Geração Futuro é a coletividade, o respeito, não só isso, mas ajudar os colegas no que conseguimos todos nós, como alimento, chuteira, meião e outras coisas também
José Maria de Lima
Além da prática do esporte, o projeto tirou a ociosidade que ele tinha nas terças e quintas à tarde. Hoje sou muito grato ao Narcelio, pois foi lá onde tudo começou, hoje meu filho já não participa com tanta frequência, porque está jogando pelo Estação, time de base aqui de Fortaleza
Yuri de Almeida, 13 anos
No projeto eu descobri minhas primeiras amizades do futebol e que andam e falam comigo até hoje em dia.
Eu aprendo que tem que ter responsabilidade, respeito, ética e que sempre tenho que colocar deus em primeiro lugar em qualquer coisa que eu faço
BOLA PARA O ALTO, MUDANÇA
EM FOCO
A escolinha de altinha Aquelalta nasceu como uma página nas redes sociais e hoje é um projeto que impacta a vivida de diversos jovens
Nas areias da praia do Titanzinho, em Fortaleza, nasceu a Aquelalta. No início, era apenas uma página criada por um grupo de amigos que desejava postar vídeos praticando altinha. O esporte, cada vez mais presente nas praias brasileiras, servia como ponto de encontro e diversão. O que começou como um perfil nas redes sociais, no entanto, ganhou outra dimensão e se transformou em uma escolinha de altinha que impacta a vida de diversos jovens.
Criada em 2021, Aquelalta possui um centro de treinamento localizado na Avenida Beira-Mar e logo surgiu a ideia dos “encontrões”, realizados todos os sábados, reunindo jovens de diferentes regiões de Fortaleza para a prática da altinha. O projeto também passou a oferecer aulas gratuitas e chegou a atender 52 alunos em um único dia.
MAIS QUE UM ESPORTE
Fundador e administrador da página Aquelalta, o instrutor de altinha, Alef Santos, viu o esporte entrar em sua rotina em 2017 e define o projeto como a melhor coisa que já aconteceu em sua vida. Para ele, a altinha é muito mais que um esporte e possui um papel fundamental na formação da juventude.
“O que eu vejo é que o esporte pode mudar e salvar vidas. Ao invés da criança estar desocupada em casa ou até fazendo algo errado no meio da rua, a criançada tá jogando altinha na praça, a galera tá jogando altinha na escola, a galera tá jogando altinha em uma praia”, afirma Alef.
Alef Santos, criador e administrador da Aquelalta
Para além de levar o esporte aos jovens, o projeto busca ampliar o alcance da altinha por meio de diferentes iniciativas. A Aquelalta já realizou visitas a escolas de Fortaleza, apresentando o esporte a crianças e adolescentes, e participou de campeonatos em estados como Rio de Janeiro e Bahia.
O projeto também organiza competições de altinha em Fortaleza e planeja realizar o seu primeiro campeonato nacional ainda em 2025. O objetivo é atrair novos praticantes e tranformar vidas por meio do esporte. Para Alef, o futuro não representa apenas o crescimento da Aquelalta, mas da altinha como um todo. "Nâo custa nada sonhar", diz o administrador, ao imaginar o esporte, um dia, nas Olimpíadas. O desejo é ver a modalidade cada vez mais desenvolvida e os jovens cearenses ocupando palcos internacionais
Yuri de Almeida ingressou no projeto em 2020 quando tinha sete anos
Narcélio Silva, um dos fundadores do Geração Futuro, e Geraldo Magela, colaborador do projeto
PRA CONHECER MELHOR INICIATIVAS PARA JOVENS
REGIONAL 2
Studio de Dança Aline Rodrigues
Modalidade: Dança (balé clássico, jazz, contemporâneo e teatrro)
Localidade: Vicente Pinzon
Instagram: @studiodancaalinerodrigues
Associação Ondas das Artes
Modalidades: Artes e teatro
Localidade: Vicente Pinzon
Instagram: @nasondasdaarte.grupo
Atlético Sporting
Modalidade: Futebol
Localidade: Castelo Encantado
Instagram: @atletico_sporting
Geração Futuro
Modalidade: Futebol e futsal
Localidade: Praia do Futuro e Vicente Pinzon
Instagram: @geracao_futuro_fc
CONTEÚDOS DISPONÍVEIS EM ESPECIAL.OPOVO.COM.BR/JUVENTUDEETRAVESSIA