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O mundo atravessa uma pandemia, e não está fácil pra ninguém. As emoções estão afloradas, e, muitas vezes, mesmo para quem está em casa, aquietar a mente é tarefa complicada. O isolamento social necessário para conter a curva de crescimento de pessoas infectadas pelo novo coronavirus, a quebra de rotinas, o medo de contaminação e inúmeras outras dúvidas que pairam sobre a sociedade, neste momento, afetam a saúde mental. Um turbilhão de questões perturbadoras que pode provocar a sensação de maltratar o coração e espremer os pulmões. Além dos cuidades de higiene essenciais, é preciso cuidar das emoções. Olhar para dentro de si e enxergar onde dói. Porque dói. Nem sempre há de se encontrar as respostas internas sozinho. Qual a hora de buscar ajuda? Como lidar com os medos e tristezas das crianças? Quais práticas são possíveis para tornar dias tão sombrios, mais leves? São essas questões que debatemos nas páginas a seguir. Vai passar, enquanto isso não passa, fica bem.
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JORNALISTA

ÍNDICE
ANSIEDADE É O QUE VOCÊ ESTÁ SENTINDO? (P.4)
COMO CUIDAR DE VOCÊ (P.8)






NORMAIS, MAS É NECESSÁRIO FICAR ATENTO PARA QUE ESSES SINTOMAS
NÃO INDIQUEM OU SE TORNEM ALGUM TRANSTORNO PSICOLÓGICO




Tanto quanto cuidar do corpo e seguir as orientações dos órgãos de saúde para se manter saudável durante a pandemia do novo coronavírus, a saúde mental também necessita de atenção. Com o isolamento social, as preocupações do dia a dia e a falta de contato com o mundo exterior, a possibilidade do psicológico das pessoas sofrerem impactos negativos aumenta. Dentre eles, a ansiedade. A incidência desses casos pode crescer neste momento de crise mundial. A ansiedade é uma reação da mente e do corpo humano sobre qualquer situação vivenciada. Essas emoções são comuns em todos os seres humanos e podem acontecer quando é necessário falar em público, quando há mudanças acontecendo em nossas vidas, datas importantes, entrevistas de emprego ou até mesmo quando vamos viajar. Esses e tantos outros exemplos indicam que
ADRIELY VIANA adrielyviana@opovo.com.br
em momentos importantes, que fogem do controle individual, é comum que a sensação de ansiedade se faça presente. Porém, quando passam a ser constantes, com maior intensidade e ocasionando sintomas que vão além do nervosismo convencional, podemos ter a configuração da ansiedade como uma doença.
Identificar, compreender e controlar a ansiedade é algo complexo, principalmente se tratando de casos mais graves e para quem nunca os teve. Para a psicanalista e psicóloga, Stephanie Aguiar, saber diferenciar ansiedade de medo é um ponto de extrema importância, principalmente na atual conjuntura social. “Mesmo sendo conceitos relacionados, eles não são a mesma coisa. Freud explicou em seu livro “Inibição, Sintoma e Angústia” que o medo é uma sensação desprazerosa, porém se relaciona com um objeto real e a
uma situação bem definida. Já ansiedade é caracterizada por essa sensação desagradável, tensão e apreensão, mas ela se refere a algo futuro. Algo que pode nem vir a acontecer, mas que causa sofrimento antecipado”.
Sem possuir uma causa específica, a ansiedade afeta pessoas de um modo diferente, com sintomas variados e desencadeados por diversos fatores. Traumas, questões genéticas, indução por alguma substância, situações estressoras (que causam estresse, exaustão física ou psicológica) ou até por terem outras doenças físicas e psicológicas.
O Brasil foi classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017 e 2019, como o país com maior número de pessoas ansiosas no mundo. Nesses anos, cerca de 18,6 milhões de pessoas possuíam transtornos de ansiedade no País, número
correspondente a 9,3% da população. Os dados foram publicados no relatório de 2019. Agora, mesmo que ainda não hajam estudos que confirmem um aumento drástico nos casos de ansiedade no Brasil, é esperado um crescimento na procura por profissionais da saúde mental, seja para tratamento ou diagnóstico. Falta de ar, insônia, tensão muscular, respiração ofegante, dores no peito, tremores e enxaquecas podem parecer sintomas comuns, associados a qualquer outra doença ou mal-estar, mas caracterizam sintomas de ansiedade. Além de preocupações excessivas e de forma desproporcional, emoções desordenadas, medos e aflições com as incertezas sobre o presente e o futuro também podem indicar ansiedade. É justamente por isso que a atenção deve ser redobrada.
De acordo com a psicóloga Jociara Castro, pós graduanda em Saúde Mental e Atenção Psicossocial e coordenadora de pesquisa do Programa de apoio ao Deprimido Refratário (Proadere) da Universidade Federal do Ceará, quando o sofrimento ocasionado por essas emoções passa a ser clinicamente significativo, afetando de forma negativa o funcionamento social ou em outras áreas da vida, assumindo muitas vezes um efeito paralisante, têm-se a classificação de um transtorno de ansiedade.
“Como existem muitos tipos de sintomas, várias denominações e especificidades para cada transtorno, a ansiedade se torna uma doença ampla. Para casos em que a ansiedade se apresenta de múltiplas formas e pelos mais diversos fatores, damos o nome de Transtorno Multifatorial. Mas existem outros tipos de transtornos e cada um difere entre si. Vai depender do tipo de objeto ou situação que induz ao medo ou o momento ansioso, a intensidade e a duração dos sintomas”, aponta.
Os transtornos de ansiedade podem ser configurados em:
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Fobias Específicas, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Transtorno do Pânico, Agorafobia e Fobia Social. Cada um destes transtornos podem ser desenvolvidos na infância, e tendem a persistir se não forem tratados. Ocorrem com maior frequência no sexo feminino, o que não exclui o sexo oposto. E atingem todas as classes sociais. Cada transtorno possui um determinado modo de atuar e a idade em que se faz presente também varia.
Numa situação como a que estamos vivendo, é possível que comecem a surgir em pessoas que antes nunca apresentaram sintoma algum de ansiedade ou em quem tinha uma predisposição, mas que até então, não sofria com nenhum sintoma da doença. Por a quarentena ser um período em que a liberdade está res-
trita e que diversos outros campos da vida social estão sendo afetados, o psicológico de quem já sofria de ansiedade pode ser agravado. E, aqueles que nunca notaram ou nunca apresentaram indícios do transtorno, podem começar a desenvolvê-lo. A pandemia, o distanciamento social, o medo da contaminação e outros tantos fatores podem servir de gatilho para algumas pessoas desenvolverem o transtorno.
A estudante de odontologia, Lorena Damasceno, 24, é um exemplo da batalha travada contra o transtorno. A jovem que convive com a ansiedade há anos e, que desde o início deste ano foi diagnosticada com crises de pânico, vê como principal forma de controle da ansiedade se dedicar ao que gosta de fazer. “Tenho mantido contato por vídeo chamada com meus amigos, lido livros, assistido a filmes que sempre gostei, feito exercícios, várias coisas que tem me ajudado a manter a mente distraída”.
A família também se mostra como um grande apoio neste momento. “Como eu não estou fazendo nenhum acompanhamento neste momento, eles (família) me fornecem o apoio e o acalento nos momentos de crise”. Lorena conta que por sua mãe também ser bastante ansiosa e devido seu pai também ter crises do pânico, eles sabem como ajudá-la quando o psicológico fica mais afetado.
É válido lembrar que, se os sintomas estiverem recorrentes ou se há suspeita de que esteja com o transtorno, o mais indicado ao se encontrar em uma crise é procurar ajuda de um profissional da saúde mental. Por estarmos em regime de distanciamento social, formas remotas de atendimento devem ser buscadas. Segundo as profissionais da saúde, Stephanie e Jociara, é importante buscar por grupos de apoio, aconselhamento e suporte psicológico online. Preferindo sempre uma organização segura e validada pelo Conselho Regional de Psicologia e pelo Conselho Federal de Psicologia do Brasil.
De acordo o Código Internacional de Doenças (CID10), a ansiedade se divide em alguns casos específicos de transtornos. Cada um com motivações, causas, efeitos e sintomas variados. Confira as diferenças entre cada um. A psicóloga Jociara Castro resume:
TRANSTORNO
ANSIEDADE GENERALIZADA
Preocupações irreais ou em excessos, aliadas a diversos outros sintomas físicos ou psicológicos. A ansiedade pode se manter em todas as situações na maior parte do dia. Os sintomas podem ser acompanhados de sudorese, tremor, tensão muscular, palpitações, tonturas e ondas de calor e frio.
TRANSTORNO OBSESSIVOCOMPULSIVO (TOC)
Excesso de limpeza, medo, preocupação com a simetria e a ordem das coisas são exemplos de pensamentos obsessivos. Quanto as compulsões, referentes aos atos, estão: lavar as mãos com muita frequência, verificar se as portas estão trancadas, rituais repetitivos. Situações como essas trazem um sofrimento significativo em ambas as formas que se apresentam.
Eventos traumáticos, de teor físico ou emocional, podem ocasionar este transtorno. Por exemplo, estupro, acidentes, catástrofes naturais, assaltos. A atual pandemia pode configurar algum desses eventos. Os momentos ocorrem pela revivência dos momentos traumático, através de flashbacks, sonhos angustiantes e imagens e pensamentos relativos ao trauma.
Casos recorrentes de ansiedade, seja aguda ou grave, sem ser restrito a uma situação específica, imprevisíveis e espontâneos. Os sintomas ocorrem de forma crescente, incluindo: sensação de asfixia, vertigem, sensação de desmaio, tremores, sudorese, náuseas e medo de morrer ou enlouquecer.
Medo intenso e constante a um determinado objeto ou circunstância que desencadeia uma forte reação de ansiedade. Geralmente surge na infância e pode persistir por toda a vida. As fobias mais comuns são a animais, sangue, trovões, altura, tempestade.
Ligada ao transtorno do Pânico, a pessoa teme que possa ter uma ataque de pânico em locais públicos como: lojas, ônibus, trens ou locais que concentrem multidões.
Medo patológico de agir de forma ridícula na presença de outras pessoas. Ocorre em maior prevalência no início da adolescência. Pode ser restrita apenas a uma situação, como, por exemplo, comer na frente dos outros, ou generalizada como temor a quase todas as situações. Nesses casos, a ansiedade está presente antes e depois dos eventos estressores.






EM 2019, A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS) APONTOU O BRASIL COMO O PAÍS MAIS ANSIOSO DO MUNDO. 18,6 MILHÕES DE BRASILEIROS (CERCA DE 9,3% DA POPULAÇÃO)
CONVIVEM COM O TRANSTORNO. NESTE CONTEXTO NOVO DE PANDEMIA, A INCERTEZA EM RELAÇÃO AO FUTURO
TORNA O SENTIMENTO DE ANSIEDADE AINDA MAIS PRESENTE. É O QUE EXPLICA A PSICÓLOGA ANA CARINA RODRIGUES. NAS PÁGINAS A SEGUIR, UM ROTEIRO PARA VOCÊ
ACALMAR A MENTE E O CORAÇÃO.



A ansiedade e o medo são respostas naturais do nosso corpo. No entanto, quando esses instintos passam a ser paralisadores, impossibilitando você de interagir com as pessoas e realizar atividades cotidianas, é necessário tratá-los. Também é importante ficar atento aos sintomas físicos, como palpitações, suor frio, náuseas, insônia e dificuldade de se concentrar.
É importante estar informado neste período, mas sempre compreendendo quando se torna um excesso de informação e entendendo até que ponto aquelas informações estão sendo saudáveis. Além disso, consuma canais de notícias confiáveis, pois propagar informações que recebemos em aplicativos sem saber se são verídicas só ajuda a disseminar o pânico.
Por estarmos em casa, muitas pessoa estão se cobrando para serem super produtivas, seja no trabalho, seja estando fora da cama preenchendo o tempo com outra atividade. Apesar de muitos recomendarem hábitos como ler um livro, assistir a um filme ou fazer meditação, por exemplo, é necessário, primeiramente, entender o que funciona para você. Se você não tem paciência para ler um livro, basta buscar outra atividade como um jogo ou um exercício físico. Entre em contato com o que você é e com o que você acredita, para então encontrar as atividades que são favoráveis.
A rotina é importante para nos mantermos ativos e focados, mas a programação não precisa ser mensal, basta viver um dia de cada vez. Busque acordar e dormir sempre no mesmo horário e planeje o que você vai fazer durante o dia, seja arrumar um cômodo da casa ou ler um livro. É importante se respeitar e perceber o que faz sentido para você. Muitas pessoas acreditam que, por estarem em casa, precisam apresentar ainda mais produtividade no trabalho, mas lembre-se de se respeitar. Continue cumprindo o mesmo horário de trabalho e delimite os momentos de almoço e descanso.
Além de ser um sintoma da ansiedade, a falta de ar também está relacionada à Covid-19. Por isso, é comum que muitas pessoas que sofrem com o transtorno piorem o quadro ao relacionarem imediatamente esse aspecto ao vírus. Você deve ficar atento a todo o contexto, observando se a falta de ar vem acompanhada de febre e tosse, por exemplo, ou se ela se junta a outros sintomas da ansiedade.
Se você tem dúvidas sobre a necessidade de um acompanhamento especializado ou sente que não está conseguindo lidar com todas as angústias, converse com as pessoas que você se sente confortável sobre o que você está sentindo. Se você ou algum amigo conhecem algum psicólogo, entre em contato. Converse e tente entender como funciona o processo terapêutico, vá se familiarizando com o assunto, lendo ou vendo vídeos. Assim, você pode começar a se identificar com algumas correntes terapêuticas e conseguir ajuda

Se antes da pandemia você já estava sendo acompanhado clinicamente, não interrompa o processo. Alguns médicos e psicólogos já estão atendendo online, busque essas alternativas.

Apesar do atendimento presencial ser, normalmente, mais confortável, a opção online, necessária neste momento, continua tão efetiva quanto a tradicional. Além de ter a mesma duração, hoje em dia as plataformas que permitem realizar a atividade são inúmeras. Procure um local isolado, utilize fones de ouvido e, se necessário, avise aos outros moradores da casa que não poderá ser interrompido durante aquele momento. Imprevistos podem acontecer, como barulhos da rua ou batidas na porta, mas o fundamental é continuar com o processo.
A ansiedade faz com que o indivíduo sinta tudo mais intenso e fique com a mente agitada. Nesses momentos, os exercícios de respiração permitem que você se sinta mais tranquilo e leve, recobrando o controle. Experimente inspirar e expirar lentamente, contando de um até dez a cada vez e repetindo por seis vezes.
As crianças também podem apresentar ansiedade, e é necessário estar atento ao comportamento delas, já que estão com a rotina alterada. Por isso, os responsáveis devem conversar com elas sobre o momento, explicando as medidas de higiene, a necessidade do isolamento social e realizando as atividades propostas pela escola, sempre de acordo com a idade da criança. Informe apenas o necessário e não cause pânico. Utilizar o medo para impactar os pequenos pode provocar mais ansiedade, angústia e inquietação.
Estar no grupo de risco pode causar medo e angústia no indivíduo. Nesse contexto, é fundamental trabalhar a importância de lidar com o real. Se uma pessoa do grupo de risco está em casa e toma todas as medidas de higiene possíveis, o risco de ocorrer a contaminação diminui consideravelmente. Assim, é necessário buscar compreender quais as fantasias relacionadas ao medo de ser contaminado pelo vírus e quais as medidas reais que você está tomando para se proteger.



“O yoga é uma prática que permite que a pessoa cuide do seu corpo, da sua respiração, da sua mente e emoções. É um verdadeiro processo de autoconhecimento e autocuidado que, mais que curar, previne o desequilíbrio e a doença e o sofrimento. Um estado relaxado a nível do corpo mente e emoções é a base para uma boa saúde, imunidade eficiente e consequentemente uma qualidade de vida”, explica a Professora de Yoga e Meditação e doutora em Educação, Lúcia Rejane de Araújo.
Atualmente, a profissional ministra aulas gratuitas para iniciantes no Instagram, às terças e quintas-feiras e aos domingos, com um público entre 50 e 100 pessoas. Ela explica que, apesar da facilidade das aulas online, os novatos na atividade devem sempre procurar um profissional reconhecido e aulas adequadas para sua condição física, respeitando o próprio corpo. O recomendado é praticar de duas a três vezes na semana, com sessões entre 30 min a 1h15, a depender do indivíduo. Desde que adequadamente, pessoas a partir de 4 anos podem ser adeptas da prática.
João de Freitas, 36, comecou a prática da yoga exatamente para aliviar
a ansiedade neste momento de isolamento social. Desde o fim de março, o professor de educação básica e superior pratica yoga três vezes na semana e já nota o impacto na rotina. “Até agora tem me ajudado bastante esse equilíbrio físico e mental e já não tenho mais estado no processo de ansiedade. Antes, achei que ia precisar de medicação pois estava bastante agitado e essas atividades me ajudaram a enfrentar”, relata.
Ele explica que o exercício é interessante porque, inicialmente, não exige tanto esforço físico e proporciona um alto nível de satisfação, auto reflexão e tranquilidade. Para João, a dica é procurar vídeos no youtube para iniciantes e buscar professores que promovem aulas online nas redes sociais. Apesar de ter começado por conta da quarentena, o professor, que já se considerava ansioso no dia-a-da, avalia a possibilidade de se aprofundar na yoga e continuar a prática mesmo após o isolamento social.
Uma pesquisa realizada no Brasil investigou a relação entre estresse, depressão e ansiedade durante a quarentena e aspectos sociais, demográficos e comportamentais. O estudo, feito pelo pesquisador Alberto Filgueiras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), coletou dados de 1.460 voluntários entre os dias 18 e 22 de março de 2020. O objetivo foi identificar os grupos mais vulneráveis para priorizar aqueles que precisam de assistência psicológica e psiquiátrica e ajudar o poder público a desenvolver estratégias de suporte. As principais descobertas foram:
> MULHERES apresentaram muito mais
sinais de estresse, depressão e ansiedade quando comparadas com homens > UMA DIETA BALANCEADA e nutrição regular estão relacionadas a melhores índices de saúde mental > ESTRESSE E DEPRESSÃO estão associados à presença de pessoas mais velhas na quarentena, provavelmente pelo risco de contaminar o idoso ao ter que sair de casa e a necessidade de dedicar mais tempo à limpeza da casa para evitar contaminação
> PESSOAS COM CRIANÇAS em casa demonstraram menores níveis de depressão, apesar da condição estressante de cuidar de crianças

durante a quarentena. Talvez isso ocorra pela percepção dos responsáveis de que é mais seguro estar com as crianças em casa
> PESSOAS COM NÍVEIS mais alto de escolaridade são mais propensas a procurar ajuda psicológica ou psiquiátrica, estando mais protegidas em relação ao estresse, à depressão e à ansiedade
> PESSOAS OBRIGADAS a deixarem a casa para ir ao trabalho demonstraram maior nível de estresse, depressão e ansiedade
> PESSOAS DO GRUPO de risco para a doença apresentaram uma saúde mental mais debilitada

Pri Leite Yoga - youtube
Fernanda Yoga - youtube
Academia Central do Corpo - instagram @ centraldocorpomaster
Lúcia Rejane de Araújo - instagram @ luciarejaneyogahealing
Amazon: e-books para baixar
Adobe: programas de ensino a distância
Globoplay: filmes e séries para assistir
Smartfit: treinos online
> Vista roupas leves, limpas e confortáveis
> Estabeleça um horário para a sua prática e procure seguir uma rotina
> Reserve um espaço na sua casa arejado e se possível silencioso
> A prática deve ser feita com o estômago vazio, portanto, antes do café da manhã pela manhã e longe das refeições durante o dia
> O ideal é ter um tapete de yoga, mas para iniciar serve um tapete comum, esteira ou toalha
> Não utilizar o celular ou telefone para comunicar-se durante a prática






Estas páginas foram ilustradas pela Lis Kayatt, de 10 anos. Especialmente para este caderno, Lis desenhou livremente sobre o que pensa e sente durante o atual isolamento social
mMesmo com o esforço dos pais para manter uma rotina, crianças também sofrem com o isolamento social. A interrupção brusca das atividades diárias fora de casa pode trazer consequências até patológicas. Como então evitar o adoecimento de quem ainda não tem condições psicológicas para se proteger? Especialistas indicam explicar o que está acontecendo aos pequenos em linguagem adequada.
O adoecimento infantil vem muito associado ao adoecimento dos pais, das famílias nas quais as crianças estão inseridas. “As crianças estão em condição peculiar de desenvolvimento, a noção de intensidade, de tempo, o juízo moral delas não está formado ainda. Por mais que elas sejam extremamente inteligentes, criativas e potentes, não se pode
1OBSERVE A CRIANÇA. Confira como está o sono, a alimentação das crianças e o conteúdo das brincadeiras.
2
CHEQUE A INTENSIDADE DO SOFRIMENTO. A quarentena vai modificar o comportamento, mas a pista para buscar ajuda profissional é o tempo de duração do sofrimento nas crianças. Se for constante, é hora de buscar ajuda.
3
colocar para uma criança do mesmo jeito que se coloca para o adulto determinadas questões”, explica a psicóloga doutora em Educação Brasileira, professora universitária da Unifanor, Ticiana Santiago. É importante explicar determinadas situações que os filhos presenciam em uma linguagem acessível, com estratégias criativas, como histórias e desenhos. “Se o pai precisar chorar, lavar o rosto: faça isso e depois preserve seu filho, escute. Esteja aberto para contar uma história, para botar o filho para dormir”, diz Ticiana. Brincadeiras devem fazer parte do dia a dia, e dividir as atividades domésticas também é uma ferramenta para construir a autonomia de crianças e adolescentes, segundo a psicóloga Marleide Oliveira, do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM). Utilize jogos de tabuleiro, quebra-cabeças, massinhas de modelar e materiais artesanais no período de lazer em família. Além de estimular o cognitivo das crianças, atividades em família fortalecem o emocional.
ENTENDA QUE NÃO É SUA CULPA. Buscar auxílio psicológico não significa que você está sendo um pai ou uma mãe incompetente.
A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a obra “Meu herói é você, como as crianças podem combater a Covid-19!”, que explica como os pequenos podem se proteger do coronavírus e como gerenciar emoções difíceis. O livro é destinado a crianças de seis a 11 anos. Baixe em: https://bit.ly/2Wwbe2t
A Unicef Brasil está selecionando desenhos feitos por crianças durante o isolamento social. As imagens devem ser publicadas pelos responsáveis no Stories do Instagram com a hashtag #sentimentosnopapel e marcação do perfil @unicefbrasil. Desenhos selecionados são divulgados nas redes sociais da entidade.
