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A Peleja da Água

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FORTALEZA - CE, DOMINGO - 8 DE DEZEMBRO DE 2013

SE HOUVER 2014...

O universo mágico do semiárido brasileiro não cabe mais para convivência com as secas. Sim, há uma poética nos profetas da chuva, nas simpatias a São José ou qualquer místico do naipe de Padre Cícero. Habitam-nos esses universos e não há de se arredar o pé. Mas com estiagem, que atravessa dois anos consecutivos, há um cenário apocalítico para 2014 que exige ação para além do encantado e da indolência dos governos que não se antecipam, como prioridade, ao fenômeno da natureza que não é exceção.

Se não houver quadra chuvosa, as derradeiras águas que o poder público vem administrando, por meio da integração de bacias, findarão. E aí?

Estamos no extremado da ausência de água para gente, bicho e planta. Há centenas de municípios no Nordeste, como Quiterianópolis e Tamboril no Ceará, em que a população - 45.555 habitantes - está dependente exclusivamente de cacimbões para beber e cozinhar. E não são muitas as fontes porque nem todas as regiões do semiárido têm veios d´água em suas entranhas.

Apesar de o poder público alardear que a situação está sob controle e derramar bilhões em ações paliativas, quem viaja pelo sertão testemunha a vida real. Uma disputa por água que beira a “guerra” entre as populações rurais e, também,

nas sedes dos municípios.

Em Ipueiras, houve a ameaça de serem confiscados os poços particulares por parte do poder municipal. Como não há compreensão de que a água é um bem público, mais ainda quando a situação é de calamidade, virou negócio predatório ter um quintal onde ela ainda mina.

Em Tururu, fazendeiros embarreiram as águas que vêm do açude de Uruburetama e deveriam socorrer milhares de pessoas nos distritos e confins. A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) vem atuando para coibir a rapinagem.

Um ano depois da publicação do caderno especial Planeta Seca, eu e os companheiros repórteres Cláudio Ribeiro, Émerson Maranhão e Ana Mary C. Cavalcante retomamos os caminhos da estiagem. Foram mais de 2.500 quilômetros. Uma situação é premente, não custará muito e os efeitos do desabastecimento poderão chegar às capitais do Nordeste.

Torçamos para que as configurações meteorológicas mudem e as chuvas voltem. É bonita a música de Gilberto Gil, mas Madalena não pode continuar “acendendo uma vela para o senhor do Bonfim ou para uma santa que leva o seu nome”.

(Demitri Túlio)

RÉGUA DA MEMÓRIA

Um paradoxo atravessa este caderno especial. Como falar visualmente de água através das imagens da seca e do sofrimento de quem está sobrevivendo à maior estiagem em 50 anos no semiárido brasileiro?

O desenho gráfico é sensorial. Vai sugerir o real, a seca, por meio da precisão de se ter água. São dois anos sem chuvas. Quentura, vertigem, cegueira, sede.

O contraponto da estiagem vem em ondas textuais, tipografia nos títulos que sugerem poças d´água. Um sol de palavras. Sombras de ler e uma águia rasgando o céu em narrativas. Há também um peixe saltando para fora da página. Nas páginas pares, fotografias abrem os sertões áridos do tamanho que ele é. O sol e o carcará, na capa, espreitam a ausência de chuva. E uma pedra gigante abre os caminhos. Desafundou dos açudes que se foram e marca a régua da memória das águas.

Gil Dicelli Editor-executivo do Núcleo de Imagem

CLÁUDIO RIBEIRO E DEMITRI TÚLIO

claudioribeiro@opovo.com.br e demitri@opovo.com.br

No meio da praça, ao lado da igrejinha no distrito de Cemoaba, em Tururu, o cacimbão de 75 mil litros salva a população nos dias sem nada nas torneiras

destruição das minirrepresas. Segundo o assistente da diretoria operacional da Cogerh, Gianni Lima, o infrator pode até ser enquadrado em crime ambiental, dependendo do caso.

Mesmo tantos com tão pouco de água, ainda aparecem os que se acham “donos” de um rio. Proprietários rurais, de pequenas, médias e até grandes fazendas, se botam num direito, inventado por eles mesmos, de embarreirar o caminho da água. Levantam paredes de tijolo e cimento, usam sacos de areia, criam muros dentro do rio de qualquer jeito para “segurar” ou desviar o leito do manancial. Fazem reservas particulares, egoístas e quase sempre ilegais e comprometedoras do volume que deveria seguir para os demais. A situação é prática histórica em todas as regiões cearenses, em anos de estio mais severo. Como neste 2013. A insegurança hídrica privada ignora a coletividade. Apenas no leito do Mundaú, num trecho entre Uruburetama e Tururu, na zona norte do Estado, há mais de 15 barreiras

barreiram a água para aguar capim, imagine. Aí o povo com sede se revolta”.

g evantam e cimento, usam sacos de ia, criam muros dentro do rio de para gurar” ou desviar o leito do manancial. Fazem reservas ticulares, oras do volume que demais.

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O POVO viu uma dessas barreiras em Cemoaba, distrito de Tururu. Nesses dias de seca braba, o paredão cruza só o areal do Mundaú. A localidade, quando da visita dos repórteres, estivera sem abastecimento d´água por 12 dias. Naquele dia estava sendo retomado o serviço. Significava cerca de 3 mil habitantes à base de pipa (R$ 6,00 por 60 litros) ou do cacimbão do

estava o serviço. cerca de por 60 liou do cacimbão do todo o tos, a Companhia de Gesdos e a SRH abordam

Onde é mais grave a falta d´água, é por lá que o embate se amplia. Ele aponta o sertão de Crateús e Inhamuns e o litoral, já próximo à Bacia do Acaraú, como zonas com mais recorrência de casos. “Mas isso se dá em todo o Ceará”. Para os embarreiramentos, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) e a SRH abordam os proprietários e advertem sobre a prática ilegal. Em casos mais graves, além de multa e punições maiores, podem exigir a imediata

“Se se confirmar o quadro de seca nos próximos meses, os conflitos vão se agravar”, admite, em tom de alerta e temeridade, a procuradora de Justiça Vanja Fontenele. Ela própria intermediou este ano conflitos variados, também relacionados à (falta de) água. Como o da transferência de água do açude de Novo Oriente para Crateús. Novo Oriente reclamava da água cedida e Crateús, naquele momento já sob colapso no abastecimento, cobrava providências. Foi a Igreja local que puxou protestos.

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O açude Araras virou disputa entre 15 municípios da região Norte do Ceará. No mês passado, a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos pediu ao administrador do Dnocs, Carlos Melquíades, 51, que ampliasse, “por prazo indeterminado, a liberação da vazão da água de 5.750 litros l/s para 6.050 l/s. Em caráter de emergência para fazer frente aos usos múltiplos ao longo do rio Acaraú”. Na imagem, a família de Francisco Andrade (Chiquinho) que virou descascadora de camarão porque os peixes “sumiram” em Hidrolândia.

Quem cochilava ao meio-dia, perdeu esse direito. Desde que a estiagem tomou conta do semiárido, há dois anos, uns costumes foram deixados de lado por causa das precisões mais urgentes. É dizer um salve-se quem puder. A rotina passou a ser assim: quem dorme mais, vai ter menos no fim de cada dia de seca.

Contando melhor. Na margem direita do açude Araras, lá onde águas estão nos domínios do município de Hidrolândia (a 70 km de Sobral), a comunidade da ilha do Esaú passa agora, a maior parte das horas, descascando camarão miúdo. Em qualquer alpendre sombreado há famílias pelando os “sossegos” (apelido dado ao crustáceo que não passa do tamanho de um dedo mínimo de criança).

O novo meio de vida virou rotina por causa do “sumiço” dos peixes do Araras. Quem sustenta essa conversa é Luís Marques, 50, pescador há quarenta anos das águas do maior açude da região Norte do Ceará (o quarto no Estado, depois do Cas-

tanhão, Orós e Banabuiú).

“Desaparecer...”, teoriza Luís, não “desapareceram os tucunarés” e outros peixes. O caso é que seca fez o pescado rarear com a diminuição do espelho d´água. Quando está cheio, o açude abastece 13 municípios com seus 891 bilhões de metros cúbicos d´água. Um “mar” do sertão que, hoje, está com menos de 27% desse volume.

“Morreram os peixes?”, pergunta Luís Marques para ele mesmo responder. “Acho que não. Tão em cantos que a gente não consegue achar e nascendo menos”.

Quem pescava, por dia, de 20 a 30 quilos de “girigóias” (pescada pequena), hoje, não pega mais de “vinte” unidades e nenhum tucunaré. Chegavam a vender três milheiros de pescado a R$ 150,00 o lote de mil.

“Nós não tá mais se mantendo com os peixes”.

Agora, com o Araras perdendo uma média de 3% de seu volume ao mês, o povo da ilha do Esaú está se virando com captura de camarões.

É a nova história do pescador Francisco Andrade, o Chiquinho, sua família e um amigo que se junta a eles para descascar porções e porções.

Por dia, ao redor de uma mesinha de madeira e vasilhas de plástico coloridas, marido, mulher, duas filhas pequenas e o amigo, limpam cinco quilos do crustáceo. Muito trabalho, muitas horas.

Chiquinho vai para a beira d´água às 5 da manhã, despesca os covos (armadilhas de madeira) e volta pra casa para deixar a produção. Retorna às 9 horas para o Araras e pega mais camarão. “Como é pequeno tem de ser muito”.

Um quilo do camarão, revela Chiquinho, é vendido por R$ 7,00 para o atravessador que manda o produto para Sobral, Fortaleza e Maranhão. “Em toda casa que você entrar, pode ir, tem gente descascando camarão.

O “mar” do Araras só seca. Quem

mora em Varjota, município onde pegamos o barco para atravessar até a ilha do Esaú (mais de uma hora de viagem), dá conta da baixa do volume. A vida por lá depende do açude. Seu Zé Lino, um barqueiro varapau, tem 60 anos de idade e mais da metade desse tempo dedicado à lida com águas. Primeiro foi pescador e depois da aposentadoria virou “capitão” de barco a motor, em 1983. Quase todo dia, está pra cima e pra baixo levando e trazendo gente, animal e mercadoria. Mais de 2 mil pessoas moram nas “ilhas” da barragem. Com ele, fomos parar em um lugar onde antes havia sete braças de fundura. Profundidade que pescador de anzol não adianta insistir. Fundo, mas que está tão raso que a embarcação deu na lama quando nos abancamos para retornar. Sem aceitar ajudas dos três passageiros, Zé Lino, bigode e cabeça branca, despiu-se das roupas simples (ficou de sunga numa magrura longilínea) e pelejou até conseguir arrastar a nau para onde fosse navegável a travessia de volta. “Além da lama, é muito tronco”. Com a seca, já existem “ilhas” no Araras em que Zé Lino não consegue mais navegar até lá. Serrota e Santa Tereza, no rumo do Acaraú, só se chega agora por dentro do mato, indo pelas rodagens precárias. Em 1993, compara o barqueiro, as águas desceram mais que 2012/2013. “O problema é que de lá pra cá, o consumo d´água dobrou”.

FOTOS
FÁBIO LIMA

de 17 a 19 ocorrências de secas e estiagens, tornandose os municípios mais castigados, mapeia o Atlas

Os cortes profundos no chão de municípios do Médio Jaguaribe, dos Inhamuns e da região de Irauçuba, no Interior do Ceará, são de açoites que o semiárido recebeu dos homens e das secas. A paisagem desertificada, visível nos campos onde passaram a brotar pedras ao invés de vegetação, é o resultado da soma de ações antrópicas e fatores naturais, avaliam estudiosos do tema. Os números do problema: 68% do território do Estado (cerca de 98 dos 184 municípios) têm clima tropical quente

semiárido e 70% da área do Ceará é formada por rochas cristalinas (impermeáveis). Ou seja: o pouco que chove – mil a 1.200 milímetros é a pluviosidade média em parte do Estado; em todo o sertão nordestino é inferior a 500 milímetros – não é bebido pelo solo. As informações são do Atlas Brasileiro

de Desastres Naturais 1991 a 2010 – volume Ceará, elaborado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil e o Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina e publicado pelo Ministério da Integração Nacional em 2011. A última década do século XX e a primeira do século XXI chamam a atenção para 1.644 desastres naturais no Ceará: secas e estiagens foram mais recorrentes (82% do total de desastres ou 1.340 ocorrências), entre inundações e vendavais. Quase todas as cidades cearenses – à exceção de Maracanaú e Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza - foram afetadas pela falta de chuva nos 20 anos atrás. Nesse período, Caridade e Tauá, em zonas de desertificação, sofreram uma média

Ao longo dos anos, seca e desertificação vão ocupando o mesmo lugar no espaço do Ceará. “Alguns municípios que apresentam de 13 a 16 ocorrências (de estiagens e secas), entre 1991 e 2010, demonstram áreas degradadas suscetíveis ao processo de desertificação, como no caso de Jaguaribe, que tem a situação mais perigosa, com 23,5% da área total (degradada)”, relaciona o estudo. Se o clima é um determinante natural para a aridez da terra, a intervenção humana no bioma caatinga, típico do semiárido, tem plantado desertos nos sertões. A observação é da engenheira agrônoma Sônia Barreto Perdigão, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

A região mostra rastros

de queimadas ancestrais, feitas no manejo agrícola e que causam a erosão do solo. E, dependendo da quantidade de chuva que houver, a terra, sem vegetação que a segure, é levada pelas águas, sufocando rios. Ainda não é possível precisar a influência das secas de 2012 e 2013 no processo de desertificação do semiárido cearense, mas, projeta a especialista da Funceme, “no geral, vegetações que existem nessas áreas degradas não vão mais sobreviver porque o ambiente já está seco”.

“A chuva influencia a recuperação de desertificação. Nos períodos de seca, fica mais difícil recuperar: tem que buscar (água) em açude. A seca é um problema que agrava as áreas degradadas”, dialoga a professora Vládia Pinto Vidal de Oliveira, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará. As sementes apodrecem no chão quente. “Dificulta o processo de resiliência do ambiente”, conclui Vládia.

Quem pesca pra viver se abanca na beira d´água como der. O rancho de seu Severino Pereira, 51, tem farinha, rapadura, arroz, açúcar, café e cigarro pra pitar e passar tempo. Está “morando” lá desde meados de outubro com dois dos seus irmãos, Reginaldo, 48, e Raimundo, 55. Saíram de Coremas, na Paraíba, para pescar no Castanhão “muito mais seco” até vésperas do Natal. Pelo tucunaré da foto, Severino tira R$ 4,00 por quilo. Em Icó, outros revendem entre R$ 12, 00 e R$ 15,00.

CLÁUDIO RIBEIRO E DEMITRI TÚLIO claudioribeiro@opovo.com.br e demitri@opovo.com.br

No preocupante retrato hídrico desse tempo de seca cearense, há estoque nos açudes da Bacia Metropolitana e Jaguaribana para abastecer Fortaleza por mais dois anos. Foi o que disse ao O POVO o diretor de operações da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Josineto Araújo. “Mas estamos bem (na Capital). Isso não é problema”, garante. Se considerarmos que há cidades no Estado que não sabem como renovarão suas reservas de água dentro de apenas três meses, senão com a chuva, de fato é correta a previsão. Mas para o assistente da Diretoria de Operações da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Gianni Lima, o quadro é até melhor. “Num cenário pior, de colapso em Fortaleza, se houver, toda a prioridade no uso da água mudaria. A legislação adotada seria outra

etoria sos Hídricos (Coor. “Num cenário t d i id d

SECAS:

GILMAR DE CARVALHO

num ano de escassez. Haveria novo direcionamento, toda água seria para consumo humano, seria diferente de hoje e poderíamos ter essa água ampliada para até quatro anos”, estima. A água que Fortaleza bebe, antes de tratada, vem

o, na rebana, e de barrasituadas no entorno da Capital. As duas bacias hidrográficas se integram para atender a Capital. O Casta-

nhão, com capacidade para armazenar até 6,7 bilhões de metros cúbicos de água, hoje está com 42% de seu volume total. A parede da barragem tem a marca do que a água baixou. Ainda é um oceano no meio do sertão, mas sua curva de perda

d´água rido e pela e tuada - é vertigi com 57% do volume zembro do ano passado. Jaguaribara, a cidade p aç r, dootada seria outra

Jornalista e pesquisador do Semiárido brasileiro

Vidas Secas, de Graciliano Ramos, evidencia um certo olhar, de um determinado tempo, fatalista, em relação à secura nordestina, nada esperançoso, implacável quanto à insensibilidade das elites.

Os primeiros registros das estiagens vêm do século XVII. Isso pode significar que o problema é crônico e amenizar as acusações de ganância, desmatamento, emissões de carbono, poluições, esgotamento dos recursos renováveis, e das políticas da terra arrasada em função do lucro.

Vivemos o segundo ano de uma temporada de secas. Dos brilhantes que seriam vendidos pelo Imperador Pedro II, para que nenhum nordestino morresse de fome, às lágrimas do ditador Médici, em Crateús, muita coisa aconteceu. Hoje, a fome não constitui o principal problema. Aposentadorias e bolsas dos governos minimizaram a situação. Mas a falta d’ água é muito grave. Acabamos (eu e Francisco Sousa) de voltar de uma viagem de quatro dias, mais de 1500 km, Inhamuns adentro, em busca de material para a segunda edição do Rabecas do Ceará. Desolação. Incomoda a ideia de que,

inundada pelas águas do Castanhão, está desafundando com a seca. Antes escondida em ruas submersas, a trilha de postes agora já exibe a ponta dos pescoços. Árvores, em silhuetas agora sem folhas, também se desencobrem. Tudo vai reaparecendo do mergulho forçado. Na margem, surgem escombros de potes, fogões, pisos, telhados, cercas... Quero-queros fizeram ninhos em tijolos de paredes arriadas. Gilmar, o guia que nos leva de lancha pelo açude, mostra o

no século XXI, esperemos pelos céus. Apelamos para a clemência de Deus, como nossos ancestrais, temerosos pelas forças mágicas. Deus pode resolver a questão. Não deveria ser assim. Os investimentos em grandes açudes, os canais, e o manejo dos recursos hídricos poderiam funcionar. Medo de que tudo aconteça no campo da retórica e a realidade fique descolada da propaganda governamental. Certo é conviver com as estiagens e não combatê-las. Não falamos mais em indústria das secas. Os fornecimentos foram desativados e não existem mais “cassa-

que foi ressurgindo. “Essa ilha, aquela, aquela outra, elas não aparecem quando tem muita água”, aponta. E são ilhas grandes... Para os que pescam, como os irmãos paraibanos Severino, Reginaldo e Raimundo Pereira, sobra mais terra para se arrancharem. Vão ficar lá até o fim de dezembro atrás de tucunaré e pescado. “Se esse ano (2014) for seca de novo, aí fica pior”, diz Sebastião do Nascimento, também pescador. “Mas acho que vem chuva,

cos”. O retirante cumpre um circuito interno. Os “campos de concentração” são lembranças incômodas. As mãos continuam estendidas na BR-020, no trecho que corta, ironicamente, o município de Caridade. Para conviver com as secas, precisamos de água. Mandalas, gotejamentos, opção pela agricultura orgânica, e a manutenção das famílias no campo, dependem da água e da reforma agrária. As cisternas amenizaram o problema. Apelaremos para São José, ouviremos os profetas das chuvas, e colocaremos pedras de sal nos parapeitos das janelas, na noite da véspera de

Santa Luzia (12 de dezembro). O que fazer, além de repetir a velha cantilena de que as pessoas estão desamparadas, os animais morrendo, e a capital pode experimentar mais um inchaço? Se não chover, teremos carros pipas, mas onde encontraremos água para encher os tanques?

Só a reclamação não resolve. Fragilizados, nos entregamos nas mãos dos destino, como nos folhetins. E se pedíssemos a revisão na prioridade dos projetos? Água ou aquário? Manter as famílias no campo ou ver o pouso e a decolagem dos voos “charters” no aeroporto de Jericoacoara?

Cobra-se um pouco mais de sensibilidade para enfrentar o sertão, e não apenas sobrevoá-lo, a bordo de um helicóptero ou de um jatinho. Ao vivo, é bem mais difícil. gildecar@uol.com.br

FOTOS
FÁBIO
Houve dias sem água para beber na Escola de Ensino Fundamental Noemi Vasconcelos, em Ipueiras. Faltou, acabou, a fonte secou. Na verdade, a água do poço existente na escola salgou tanto que ficou imprópria para consumo humano. O episódio foi em setembro. “Pedi que trouxessem água de casa. Isso foi por dois dias”, conta a diretora Simônia Rodrigues. A água potável na escola agora é fornecida de um cacimbão próximo alugado pela Prefeitura.

CLÁUDIO RIBEIRO E DEMITRI TÚLIO claudioribeiro@opovo.com.br e demitri@opovo.com.br

A água do poço da escola municipal Noemi Vasconcelos, em Ipueiras, é tão salgada, tão salgada, que o feijão verde não cozinha. Na insistência, aumentando o tempo de cozimento, ainda assim o grão não amacia. A diretora Simônia Rodrigues, há 15 anos no cargo, é sempre obrigada a contar desse drama “doméstico”. A cozinheira Vânia Araújo, 13 anos entre as panelas da escola, confirma. Para elas, é das situações comuns em anos de seca na cidade. No reservatório azul, de plástico, a água parada tem ao fundo a camada branca. É “sal puro” bombeado do lençol freático. A crosta também se espalha pela borda da água. “No nosso bebedouro a gente usa água comprada. Não dá pra usar dessa salgada do poço. Não tem como”, diz a diretora.

A escola tem 512 alunos. Fica na localidade Charito, que tem 4 mil habitantes. Para que os estudantes tenham o que beber, a Prefeitura autoriza a compra de 2.500 litros de água por mês do poço do sítio do comerciante Carlinhos Belém. A propriedade fica a 1 km da escola. Na verdade, o cacimbão é alugado. Carlinhos Belém recebe R$ 1.200,00 por mês, verba municipal. A água é bombeada dez horas por noite, das 19h às 5h. Quem aciona o motor é Dezinho (Francisco José de Lima), 32, operador de bombas e leiturista do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). “Não tem outra água e acredito que essa dê só até dezembro”, avisa. Ipueiras, em tupi guarani, significa lugar raso em que se acumula água. Mas lá, ao contrário do que o nome sugere, já não é assim tão farta. Só cai água das torneiras na parte baixa da sede do município. São 38 mil habitantes e o abastecimento é feito exclusivamente por poços. São 140 pontos de coleta na cidade. Na precisão por causa da seca nesses últimos três anos, a Câmara Municipal de Ipueiras chegou a debater uma ideia extrema: confiscar poços particulares. “Era muito polêmica. Íamos pedir judicialmente, criar uma lei municipal. Onde houvesse água no município e o que precisássemos, iríamos querer autorização para pegar. Mas vimos que seria muito desgaste e já estávamos em outubro, perto da próxima estação chuvosa, aí buscamos outra solução”, conta o coordenador do SAAE em Ipueiras, Marcos Rufino. Ousadia demais, os 13 vereadores também recua-

ram de apresentar formalmente a ideia do confisco. “Essa foi uma discussão que fizemos aqui. Mas em quase toda sessão, no plenário, falamos a respeito da falta d´água. É nosso maior problema”, admite o vereador Denis Mourão (Pros). Pelos alugueis dos poços, a administração municipal, segundo Rufino, gasta R$ 3 mil/mês. O comerciante Carlinhos Belém é o que recebe mais pela locação de seu cacimbão. “Por ser numa área com água mais escassa e porque ele abriu mão de aguar plantações em troca do fornecimento”, explica o coordenador do SAAE. Nos outros sete poços alugados, paga-se de R$ 350,00 até R$ 600,00. No contexto atual, as soluções emergenciais vão se juntando pelo mesmo propósito. A médio prazo, o recém-construído açude Jatobá é a maior esperança. Tem capacidade para 6 milhões de metros cúbicos e espera chuva farta em 2014. Para pegar a primeira carga d´água. É o que resta.

No Sertão de Crateús, a seca também afeta a construção civil. Sem água para usar nas obras, operários largam família e se mudam para empregos temporários na Capital. e só raem Mas o im das da 38 teva40 de. usa rês pal dema: laca. nal. no ásauMas esem ma ca-

Em Catunda, o açude Carmina chegou ao volume morto. Havia 5% de água em novembro.”Estamos tratando lama, em vez de água, na estação da Cagece”, conta a encarregada do núcleo local da Companhia de Água e Esgoto, Fátima Moreira. Em Quiterianópolis, o faturamento na cidade foi suspenso. Ou seja, não estão cobrando porque não tem água para distribuir às 2 mil ligações residenciais. “Não temos água desde dezembro de 2012. O açude Colina secou total”, conta o gerente regional da Cagece, Wilson Mariano. A empresa chegou a perfurar cinco poços, mas a vazão não foi suficiente. O abastecimento do município está sendo feito por outros cinco poços. O que é muito

dágua. É o que resta. empresa a perfurar cinco poç suficiente abasteci c m está sendo feito por ou cinco O que é muito pouco, admite.

Charito (nome oficial é EngenheiroJoãoTomé)éum

Engenheiro João Tomé) é um dos 10 distritos de Ipueiras. A água salobra de quase todos os poços da cidade é tratada por dessalinizadores comprados em Israel

NOVO ORIENTE SALVOU CRATEÚS DO COLAPSO

Desde julho, um dia tem água na cidade baixa; no outro, na cidade alta. O racionamento programado no fornecimento foi inevitável em Crateús. A cidade sabia que o colapso estava próximo. No fim daquele mês, houve manifestação com adesão da igreja local, de políticos e empresários. A água iria acabar por aqueles dias no açude Carnaubal, que abastece o município. Não ficou pior porque, de imediato, decidiram buscar água de onde fosse. A solução saiu no mês seguinte. O governo estadual decidiu bancar a transferência de água do açude Flor do Campo, em Novo Oriente, para Crateús. As duas cidades são distantes 60

quilômetros. Operação de guerra, por R$ 4 milhões, montou-se uma adutora emergencial de 15 km de extensão. O restante do trecho, a água viajou pelo leito do rio Poty. “Naquele momento, outro plano não salvaria Crateús a tempo”, conta o gerente regional da Cagece, Wilson Mariano. A água demorou 12 dias para começar a chegarera previsto um mês de espera. A transferência de água do Flor do Campo foi encerrada em outubro, o que garantiu a reserva para o fornecimento em Crateús até março de 2014. Daqui para lá, só chuva e reza. “Se não chover no próximo ano, essa Regional aqui fecha para pra balanço”, admite o gerente da Cagece.

Em Holanda, distrito de Tamboril, no sertão dos Inhamuns, o cearense Francisco de Assis Lima, 48, cuida da bomba, dos canos e da roldana da fonte Jurema. O cacimbão, que mina água há 23 anos, está esquadrinhado na fazenda da viúva Antônia Alves, 78. Ali, é lugar de encher carros-pipas do Exército e da prefeitura. Dona Antônia, ao contrário de outros fazendeiros, não cobra pelas carradas d´água que são levadas do poço.

DEMITRI TÚLIO E CLÁUDIO RIBEIRO demitri@opovo.com.br e claudioribeiro@opovo.com.br

O “fim” das águas nos Inhamuns, região mais escassa do sertão cearense, tem obrigado o coordenador da Defesa Civil de Tamboril, Edmilson Karyry, a negociar acessos. Em algumas propriedades particulares ainda há fontes “minando”, mesmo com a estiagem se encaminhando para o terceiro ano consecutivo no semiárido brasileiro. Mas nem todo mundo permite a retirada sem a paga.

Num “abandonado” batizado por Holanda, distante 10 quilômetros da sede do município, dona Antônia Alves de Paula, 72, é exceção em meio a tanta falta. Uma “gentileza”, a senhora alva. De não se importar em abrir e fechar a porteira da fazenda para os carros-pipas. Um vai e vem de caminhões do Exército e da prefeitura que passam o dia retirando cargas e cargas d´água da fonte Jurema. O poço, bem poderia se chamar Chico Rufino.

Homenagem amorosa ao homem da vida de Antônia Alves, pai de seus quatro filhos e que faleceu em abril do ano passado. Três meses antes de completarem 42 anos de casados. Eram primos legítimos e se conheceram em Ipaporanga, então distrito de Nova Russas e não menos árido do que ali. Foi Chico Rufino que descobriu o oásis, depois de atravessar muitas secas e sair cavando onde pudesse encontrar água para man-

ter o gado de pé e criar a família. No leito de um riacho que passa na fazenda, perfurou o que havia de possibilidades e veios que secaram com o tempo ou foram soterrados pela areia pedregosa.

Um dia, há 23 anos, o fazendeiro deu com a fonte e passou a chamá-la de Jurema (talvez por causa da árvore que tem o mesmo nome e é parte da caatinga). Chico Rufino cercoua em formato de cacimbão de boca larga e fez uma escada para descer até onde a água doce era abundante e podia ser bebida por gente e bicho.

Do poço de Antônia e do marido saudoso nunca se negou água. “Faz muito tempo que a gente facilita” pra quem precisa, diz. E, por sorte ou situação geográfica privilegiada na secura dos Inhamuns, a água nunca faltou. “Fica fraco, mas não seca”. Tem fundamento, testemunha Edmilson Karyry. Da cacimba Jurema e mais

quatro fontes são retiradas pelo menos mil carradas de água, por mês, para socorrer os dias nas casas de 12 mil pessoas que vivem na zona rural de Tamboril. Hoje, o serviço municipal que mais ocupa a rotina das prefeituras atingidas por dois anos de falta sem chuvas regulares.

Para quem é fora e ainda não sentiu na pele racionamento em Fortaleza, custa acreditar que quase toda Tamboril sobrevive de três cacimbões (Jurema, Carão e Araras), de um poço profundo (Riachão) e do que ainda resta da Barra Velha (fonte alimentada pelas derradeiras águas do açude de Independência, conta Edmilson Karyry). No município são 25.826 habitantes teimando com a seca. Por enquanto, a água de dona Antônia Alves se multiplica. Dá para repartir com os outros, favorecer a plantação de subsistência e encher os bebedouros do “gadim” e de outros bichos. “Ficar num lugarzim assim, tão abandonado, ter uns criar é como a gente se diverte”. Ri e diz pra gente que está cedo para irmos embora. Já era perto do fim da tarde e o próximo destino era a cacimba do açude Carão.

Fazia tempo que os bandos de avoantes não escolhiam a fazenda Bom Jesus, em Solonópole, para fazer da caatinga um pombal natural. Desde 2008 não migravam para se reproduzir ali. Este ano, mesmo com a estiagem no extremo, a história seguiu outro rumo.

Talvez porque nos mais de mil hectares de terras de Auzenira Fernandes, 53, exista um açude e três lagoas ainda com água. Ou, então, porque lá os grupos de caçadores de avoantes não sejam bem vindos. Uma placa, na entrada da mata onde milhares de aves resolveram fazer ninhos, avisa que é proibido “caçar e pescar”.

Apesar do alerta, a Auzenira Fernandes teve de acionar, em outubro, o Ibama para expulsar pelo menos “100 caçadores que invadiam, durante a noite”, a área de reprodução das avoantes. De moto, lanternas e baladeiras, eles conseguiram abater centenas.

FÁBIO LIMA
DEMITRI
A seca de 2012/2013, que atinge o semiárido brasileiro, tem feito cidades “mortas” reaparecerem do fundo dos açudes com a evaporação das águas. Caso da sede antiga do município de Jaguaribara, que o Castanhão afogou. Mas o “mar” de água doce (6.700.000.000 m³) do sertão cearense está secando e, com isso, desafundando ruas, postes da companhia de fornecimento de energia elétrica e objetos domésticos, como um pote de guardar o de beber.

ÉMERSON MARANHÃO

emerson@opovo.com.br

Falar de seca é falar de carência, de privação. Escassez de um tudo. De água e de esperança. Mas também é falar de cifras bilionárias. De valores a perder de vista gastos, ano após ano, no combate a seus efeitos. A seca, além de sofrida, é cara. Muito cara. De acordo com informações do Comitê Integrado da Seca do Governo do Estado do Ceará, nos últimos 17 meses, foram destinados mais de R$ 5 bilhões e 800 milhões a ações emergenciais para atendimento a população em função da estiagem no estado.

perfuração de postos, instalação e construção de cisternas e abastecimento de água potável através de carros pipa. O montante reservado para ele foi de R$ 1.629.495.580,52 O segundo eixo é a Segurança Alimentar, com verba de R$ 122.785.567, e abrange ações como implantação de casas de farinha, venda de milho, kits de irrigação, Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Projeto Leite Fome Zero. O terceiro eixo, e o maior em repasse de recursos, é o de Transferência de Renda.

Safra, o Brasil Carinhoso e as Bolsas Estiagem e Família, até os créditos emergenciais do Banco do Nordeste e do Fundo Estadual de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Fedaf). Total destinado: R$ 4.067.273.061. Uma quarta rubrica, com recursos de R$ 35 milhões e 140 mil, dá conta dos investimentos em semente, mudas e colmos do projeto Hora de Plantar.

Se os valores impressionam, a realidade que eles não conseguem modificar fala mais alto. “O governo tem pago essa conta, mas

a água ainda é mercadoria de troca no Ceará”, declara Alessandro Nunes, assessor da Cáritas Brasileira Regional Ceará.

A entidade, que atua na defesa dos direitos humanos, da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável solidário, olha com criticidade para as políticas públicas de combate à seca.

“ Há uma questão fundamental que é a concentração de água na região do Vale do Jaguaribe. Hoje, a água serve ao agronegócio, a um mercado e as comu-

nidades continuam passando sede. Tem cantos que a gente não consegue mais construir cisternas e poços, porque não tem mais água. E as prefeituras não tem interesse”, analisa Alessandro. “Outra coisa importantíssima é a revalidação dos municípios do semi-árido legal. Hoje temos municípios vizinhos que passam pelos mesmos problemas, mas um é considerado como semiárido e o outro não. Em um, as famílias são atendidas pelos programas, enquanto no outro não”.

CAVAR AÇUDES

GLAUCO ROGÉRIO MENDES

Diretor de Infraestrutura

Hídrica do Departamento

Nacional de Obras

Contra a Seca (Dnocs)

A convivência com a seca dependeria, principalmente, da construção de mais açudes em regiões críticas (como a dos Inhamuns)? Um grande açude pode ser construído numa determinada região, caso seja possível do ponto de vista hidrológico e ambiental, sem que seja necessário construí-la exatamente naquela região. Suas águas poderão ser utilizadas a grandes distâncias onde são mais necessárias, por meio da transposição de suas vazões. Um exemplo disso é o Castanhão que, esquadrinhado no Jaguaribe, manda água para Fortaleza/Região Metropolitana e Pecém, Cinturão das Águas ou o Orós que alimenta o açude Feiticeiro (Quixadá). Há necessidade da cons-

trução de mais barramentos. Porém de forma planejada, quanto à distribuição espacial, condições hidrológicas, topográficas e ambientais. A Transposição do Rio São Francisco, por exemplo, terá o mérito da garantia dos recursos hídricos para o abastecimento humano de uma parcela da população nordestina. Não irá resolver a equação seca. É mais uma das formas de convivência com o fenômeno natural.

Nos Inhamuns, outro exemplo é a construção do açude Fronteiras que terá uma capacidade de acumulação de 480 milhões de metros cúbicos. Ela situa-se, aproximadamente, 30 km a jusante da sede do município de Crateús, no distrito de Ibiapaba. Deverá beneficiar

a sede do município de Crateús e os distritos de Poti, Cabaças, Assis. Além do abastecimento humano o açude visa atender as demandas de água dos perímetros irrigados dos projetos Realejo, Poti 1 e 2, Graça e Novo Oriente. No momento, apenas o Fronteiras, de responsabilidade do Dnocs, está sendo licitado.

O empreendimento vai demandar investimentos de R$ 300 milhões. Somente a barragem custará cerca de R$ 170 milhões.

O semiárido nordestino e o Norte de Minas Gerais, em razão de suas características climáticas, além das chuvas concentradas, passam por períodos longos de estiagem, com anos secos, tornando imperativo que sejam implantadas barragens de acumulação de água para o aten-

dimento nesses períodos. Sobre a barragem do Fronteiras, caso já tivesse sido construída, posto que foi planejada há mais de 15 anos, a região onde está inserida não estaria passando pela crise atual da escassez de água. O exemplo mais emblemático é a existência do Castanhão, que abastece a região metropolitana de Fortaleza, com mais de 3 milhões de habitantes. Caso sua construção não tivesse sido viabilizada, hoje esse aglomerado urbano estaria sob racionamento ou até mesmo em colapso no abastecimento. O próprio desenvolvimento econômico estaria comprometido, tendo em vista que o seu complexo industrial tem como principal fonte de água aquele açude. glauco.mendes@dnocs.gov.br

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LIMA

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