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A real riqueza da silvicultura brasileira

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A real riqueza da silvicultura brasileira MultilingualEdition

Opiniões Opiniões Opiniões

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 21 •

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índice

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ARTICULISTAS EM ORDEM ALFABÉTICA:

08. Adriana Maugeri, AMIF

12. Carlos Roberto Sanquetta, BIOFIX-UF-PR

16. Francisco Martins de Almeida Rollo, Suzano

20. Germano Vieira e Dayana Seidel, Eldorado

24. Gustavo Martins Uberti, Dexco

30. Heuzer Saraiva Guimarães, WestRock

34. Igor Estefane Lopes Macedo, Bracell

40. Jacinto Moreira Lana, Cenibra

46. Juliana Neves Araújo e José Felipe Ribeiro, Embrapa Cerrados

48. Juliano Souza, Irani

52. Marcelo Francia Arco-Verde, Embrapa Florestas

58. Maristela Machado Araujo, UF-SM

62. Sebastião Venâncio Martins, LARF-UF-V

66. Silvio Brienza Jr e Jorge Gazel Yared, Embrapa Amazônia

70. Virgínia Londe de Camargos, Veracel

Soluções

Analíticas Inteligentes em mais de 200 milhões de hectares

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manejo florestal climático: Opiniões

a principal vantagem do setor florestal

Estamos testemunhando um momento dramático da humanidade e, ao mesmo tempo, parece que muitos ainda não despertaram para a criticidade. Os efeitos das mudanças climáticas são, inegavelmente, sentidos por todos, independentemente da concordância com a origem, motivos e agente causadores.

Há quem afirme que é um processo natural planetário, que se repete em ciclos, outros que apontam o aquecimento solar e a amplitude de suas tempestades, outros tantos que é uma alteração provocada pelos hábitos, consumos e ações humanas. Entretanto, há um elo que aproxima as diversas crenças sobre as alterações climáticas: a grande intensidade e velocidade que ocorrem é uma ameaça fática à sobrevivência da vida terrestre.

Os pesquisadores e cientistas do IPCC –Intergovernmental Panel on Climate Change —, em português, Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, organização criada

no âmbito das Nações Unidas que congrega pesquisadores e cientistas de vários países para monitorar e buscar consenso sobre as mudanças climáticas, recomenda ser necessário reduzir 45% das emissões de gases de efeito estufa até 2030, para evitarmos a elevação da temperatura do planeta acima de 1,5 graus Celsius. Para amenizar esse ritmo surpreendente é também inegável que os comportamentos, processos, decisões e hábitos da humanidade precisam se adaptar e podem exercer uma significativa influência na mitigação, redução e adaptação às alterações sentidas e mapeadas.

Aprendemos nos primeiros anos de ensino fundamental que aqui muito sinteticamente, os vegetais são sumidouros de carbono, fazem a sua absorção de carbono, convertem em energia necessária a sua sobrevivência, fixam-se em sua massa e no solo e liberam oxigênio como resultante. Dessa forma simples, e diante desse contexto alarmante, vemos que as florestas cultivadas e as conservadas são fundamentais para reduzir a intensidade de carbono na atmosfera terrestre. É, aqui, exatamente nesse ponto, que começa (ou continua) a crescente relevância que o plantio de árvores tem tomado, e nesse cenário, o destaque que o Brasil possui por seus distintos números nessa atividade.

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é urgente a mudança de pensamento e orientação daqueles que ainda não entenderam que para se aproveitar dessa vantagem competitiva já é hora de erguer as mangas e trabalhar "

A versátil agroindústria florestal brasileira vem apresentando, nos últimos anos, resultados expressivos em volume de negócios com o aumento da demanda global por produtos que possam substituir materiais de origem fóssil e não renovável. E acredito que estamos somente no início dessa elevação de demanda, pois os hábitos e as decisões não estão ainda na velocidade e no senso de urgência que o clima demanda.

Ainda percebemos uma letargia por parte de decisores políticos e institucionais, que apenas se justifica pelo sempre apego desequilibrado ao poder e ao capital, porém, dessa vez, eles somente não podem nos salvar.

As oportunidades crescentes estão batendo à porta do setor florestal, mas ainda são aproveitadas por poucos despertos. Eles já compreenderam que o novo ambiente que se molda à nossa frente viabiliza negócios até ontem inimagináveis, e que podem, até mesmo, substituir em rentabilidade e volume, o que motivou o surgimento das empresas.

Se o leitor me permitir, denomino aqui o manejo florestal climático como o novo modelo que recomendo ser adotado pelas empresas que desejam aliar perenidade, versatilidade e lucratividade à governança climática. Independentemente do que hoje tem sido praticado, como incentivos financeiros, a adoção de práticas e projetos que gerem benefícios socioambientais, como créditos de carbono, debêntures verdes, entre outros, as empresas que já inseriram o que chamo de governança do carbono em sua estratégia já percebem que o atual manejo das florestas precisa mudar para viabilizar os benefícios.

Não basta plantar florestas como aprendemos décadas atrás. O como plantar, manejar, colher, utilizar e aproveitar o que a natureza nos ensina faz a diferença fática na aliança entre a remoção e a fixação de carbono pelas florestas e a produtividade e multiplicidade dos usos da madeira.

O manejo florestal climático a que me refiro alia, objetivamente, o consórcio e a simbiose entre árvores cultivadas com as árvores conservadas, prática a regeneração, o restauro e o reflorestamento em sinergia, entende e explora, positivamente, a microbiologia do solo voltada para a produção e à melhor fixação de carbono no solo e na árvore, planeja os ciclos de plantios e colheitas para manter o balanço positivo de emissões, atua de forma inteligente com outras culturas agrícolas e não admite resíduos em seus processos que não possam ser reaproveitados, recuperados e, até mesmo, comercializados como novo negócio (aliás, bem lucrativo).

As mudanças na gestão florestal são prementes e exigem um novo perfil profissional que

Acervo: Cenibra

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amplie a visão das possibilidades do alcance de nossa dinâmica agroindústria. O investimento, não somente financeiro, mas de aprendizado, trocas de experiências, inovação, pesquisa, parcerias, especialmente nas ciências que remetem à reaproximação com que a sábia natureza já prática, em alinhamento com as novas ferramentas que impulsionam nossa velocidade e alcance, como inteligência artificial, a internet das coisas, as neurociências do comportamento e a resposta humana, já colocam em vantagem quem vai se destacar em soluções para os problemas atuais. Mas não será mais a valorosa e perseguida vantagem tão somente econômica e política, como assistimos até aqui. Serão distintos e valorizados aqueles que, também, trouxerem vantagens à nossa qualidade de vida e bem-estar ambiental.

A agroindústria florestal possui um diferencial bastante peculiar na governança climática global. Ao ofertarmos a expansão dos plantios comerciais aliados à conservação, praticamente em proporções idênticas, proveniente do manejo florestal climático, somos, talvez, um dos poucos agentes que pode neutralizar significativa parcela das emissões globais de gases de efeito estufa. Entretanto, é urgente a mudança de pensamento e orientação daqueles que ainda não entenderam que para se aproveitar dessa vantagem competitiva já é hora de erguer as mangas e trabalhar, incansavelmente, como time multidisciplinar em busca de novas formas de se produzir e disponibilizar madeira (com muito carbono estocado) para uma crescente indústria de bioprodutos. Nesse processo de despertar, é crucial sair do discurso vitimista, pessimista e polêmico.

Ainda vejo muitos profissionais, e até empresas em massa, tão somente se lamentando o porquê de nosso setor não ter tanto “prestígio” social e político, como é merecedor, por que nossa produtividade está caindo, por que o partido A ou B chegou ao poder, enquanto nossos negócios esperam por atitude.

Não que discorde de que são muitos os problemas e dificuldades enfrentados, mas somente o lamento não fará a menor diferença. Sinto falta e viso despertar em minhas atuações por mais atitudes, promoção de parcerias, desenvolvimento real da silvicultura do novo século. O mercado caminha para consolidações e agrupamentos de forças para sobrevivência, mas aqueles que encontrarem a chave da virada e entregarem, de forma diferenciada e holística, os resultados que hoje estamos acostumados, serão mais admiráveis e, certamente, mais rentáveis respirando um ar muito mais adequado, inclusive. n

o mercado de carbono no sistema florestal

As mudanças climáticas representam uma das maiores ameaças ao futuro do nosso planeta e, por isso, a sociedade tem exigido que ações urgentes e efetivas para a redução da concentração de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera sejam tomadas por governos e pela iniciativa privada.

As tratativas e acordos internacionais, entabulados desde a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, ratificada em 1994, e o Protocolo de Quioto, ratificado em 2004, e por último, no Acordo de Paris, ratificado em 2015, criaram os instrumentos legais e regulatórios indispensáveis para promover a transição para uma sociedade de baixo carbono.

Esses acordos, também, criaram mecanismos mercadológicos inovadores para incentivar financeiramente os empreendedores que promovam a redução de emissões de GEE ou a remoção do CO2 já emitido para a atmosfera.

No Protocolo de Quioto havia três mecanismos de mercado de carbono: o Comércio de Emissões, a Implementação Conjunta e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, o MDL. Os dois primeiros mecanismos foram criados apenas para os 39 países desenvolvidos (chamados de Anexo I), que tinham metas obrigatórias a cumprir, mas eles suplementarmente poderiam adquirir créditos de carbono dos demais países (não-Anexo I), como o Brasil.

Isso oportunizou o desenvolvimento, o registro e a execução de mais de 8 mil projetos de redução e remoção de GEE em todo o mundo até o ano de 2020. O Brasil foi o terceiro maior gerador de créditos nesse “mercado regulado de carbono”, ficando atrás apenas da China e Índia. Muitos projetos saíram do papel e trouxeram contribuição à mitigação climática e ao desenvolvimento sustentável, além de captar recursos financeiros importantes com a venda dos créditos de carbono, chamados no MDL de RCE – Reduções Certificadas de Emissões, ou CER – Certified Emission Reduction. O mercado regulado global de carbono chegou a movimentar cerca de 200 bilhões de dólares por ano no auge do período de vigência do Protocolo de Quioto.

Passada a experiência do MDL, os empreendedores brasileiros assimilaram que o nosso país tem um sem número de setores e atividades aptos a gerar créditos de carbono, trazendo oportunidades ambientais, econômicas, profissionais e tecnológicas. Eis, então, que eclode o chamado “mercado voluntário de carbono”, ;

Os profissionais, as empresas e o terceiro setor que atuam com florestas têm uma oportunidade de ouro em suas mãos. "

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Inventário de Carbono em Plantio de Restauração em Rondônia

mercado de carbono

tendo em vista o hiato criado entre a passagem não muito suave do Protocolo de Quioto ao Acordo de Paris. Nesse mercado voluntário, não existem metas nem entes governamentais ou organizações internacionais, como a ONU, regulando o mercado. Ele é privado e reputacional, ou seja, as organizações desenvolvem projetos e geram créditos de carbono, livremente, em qualquer país, e podem vendê-los a outras organizações que desejam compensar as suas emissões.

O objetivo não é cumprir regulamentos, e sim, posicionar-se adequadamente junto aos seus stakeholders. Esse mercado é o que opera com maior vulto, hoje, em todo o mundo, inclusive no Brasil, um dos seus protagonistas.

Nesse momento, vivenciamos a iminência da criação do mercado regulado brasileiro de carbono, mediante a aprovação pelo Senado Federal do Projeto de Lei (PL) 412, que institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) e dá outras providências. Nesse mercado nacional de carbono, os maiores emissores deverão calcular e reportar as suas emissões e remoções, bem como apresentar medidas de redução e compensação, transacionando créditos de carbono.

Mas e o sistema florestal como pode participar desse mercado nacional de carbono e, eventualmente, dos mercados regulados globais e do mercado voluntário de carbono?

Das mais variadas formas, desenvolvendo projetos e gerando créditos de carbono a serem consumidos pelos agentes que não conseguem reduzir as suas emissões de GEE, sejam elas reguladas pelos tratados internacionais, pela legislação brasileira, ou pelo mercado voluntário reputacional.

Para gerar créditos de carbono aptos ao mercado, o sistema florestal deve preconizar o desenvolvimento de projetos elegíveis, adicionais e de alta integridade. Eles devem promover benefícios reais, mensuráveis e de longo prazo, em comprometimento com a causa climática, além de promover outros co-benefícios sociais e ambientais, sobretudo às comunidades e à biodiversidade.

As tipologias de projetos mais relevantes para o mercado de carbono, na atualidade, são as chamadas NBS (Nature-Based Solutions), ou soluções baseadas na natureza, nas quais os projetos florestais se encaixam perfeitamente. Os projetos NBS, em contraponto aos projetos tecnológicos, como os energéticos, industriais e de resíduos, são altamente apreciados no mercado atualmente.

Inventário de Carbono em floresta de pinus no Paraná

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Entre essas tipologias de projetos, algumas merecem destaque:

• REDD+ ou Redução das Emissões por Desmatamento de Degradação Florestal: trata-se da evitação de emissões de GEE pela conservação de uma área florestal, seu manejo e incremento nos estoques de carbono;

• ARR – Florestamento, Reflorestamento e Revegetação: é a regeneração de uma área desprovida de vegetação florestal, seja por plantio convencional com mudas ou outras formas de regeneração (incluindo regeneração natural assistida) com o objetivo de incrementar os estoques de carbono pelo crescimento das árvores, promovendo a “remoção biológica” de carbono;

• Removal: trata-se do crescimento da vegetação nativa conservada com o fito de manter a sua dinâmica de regeneração. A lógica nesse caso é diferente dos projetos REDD+, cujo cômputo dos créditos de carbono é feito pelo montante evitado de GEE pelo desmatamento evitado. No caso de “removal” ou remoção de CO2, a geração de créditos de carbono decorre do crescimento da floresta;

• Blue Carbon: também conhecido como carbono azul, que evita a emissão de GEE ou promove a remoção de CO2 em áreas úmidas, como manguezais, pantanais, etc.;

• Outros: existe uma ampla gama de outros projetos de carbono que podem ser desenvolvidos. Exemplos: sistemas consorciados (iLPF –Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), substituição energética com biomassa, produção e aplicação de biochar (biocarvão), entre outros.

Enfim, o sistema florestal tem muitas oportunidades e um enorme potencial de contribuir com a mitigação climática, além de promover o bem-estar da humanidade, além, é claro, de gerar renda, empregos e divisas. Mais do que isso, o sistema florestal, mediante sua atuação no mercado de carbono, tem papel crucial de promover a sustentabilidade no longo prazo e, assim, a própria sobrevivência da humanidade.

Cabe, então, ao sistema florestal atuar, de forma incisiva, nesse enorme mercado que se configura. Os profissionais, as empresas e o terceiro setor que atuam com florestas têm uma oportunidade de ouro em suas mãos. Conquistar esse espaço é uma questão de se apropriar dessas oportunidades, transformando-as em abertura de novas frentes de negócios para o sistema florestal, sem fazer distinção entre florestas plantadas e nativas, florestas de produção de madeira (ou outros produtos) e para proteção ambiental.

Existem oportunidades para todos. n

compromisso para renovar a vida

Em 2021, a Suzano, referência global na fabricação de bioprodutos desenvolvidos a partir do cultivo de eucalipto, assumiu 15 compromissos alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Com esses compromissos, a empresa visava ampliar seu papel na cadeia de valor e na sociedade para promover mudanças significativas em sua forma de produzir, consumir e se relacionar com o mundo.

Alinhado ao ODS 15 – Vida Terrestre, o Compromisso “Conservar a Biodiversidade” visa conectar, até 2030, 500 mil hectares de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade nos biomas Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica. Serão três corredores ecológicos planejados para conectar os principais fragmentos de vegetação nativa da base florestal da Suzano com as demais áreas de conservação de propriedades particulares e Unidades de Conservação, abrangendo cinco estados – Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Pará.

O Brasil é um dos países com a maior biodiversidade do mundo e sofre com intensa pressão antrópica, como desmatamentos e incêndios em áreas naturais. Essas atividades levam à fragmentação e degradação da vegetação nativa e à redução da biodiversidade, com consequências não só para o equilíbrio biológico, mas também para os sistemas produtivos. Isso porque a simplificação da biodiversidade reduz os serviços ecossistêmicos prestados por ela, como polinização, regulação do ciclo da água e do clima, entre outros, impactando também a vida humana.

Os corredores ecológicos têm a função de aumentar a conectividade da paisagem e a área de vida disponível para as espécies. "

Por isso, queremos ser parte da transformação dessa realidade e assumimos tamanho compromisso. Os corredores ecológicos têm a função de aumentar a conectividade da paisagem e a área de vida disponível para as espécies. Isso melhora as condições ambientais e permite que as funções ecológicas e os serviços ecossistêmicos sejam mantidos e restaurados, aumentando a resiliência das comunidades de fauna e flora e também dos sistemas agrários em face às mudanças climáticas e atividades antrópicas.

Temos trabalhado desde 2021 com diversos atores ligados ao tema da biodiversidade, como institutos de pesquisas, organizações não governamentais nacionais e internacionais e parceiros privados, para desenvolver o planejamento estratégico das ações a serem realizadas ao longo dos anos.

Com apoio do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), a primeira versão do traçado do corredor foi definida considerando rotas de menor distância e menor resistência da matriz entre fragmentos prioritários para conservação, gerando assim corredores mais efetivos para o aumento da conectividade da paisagem. A extensão dos três corredores planejados é de mais de 1.000 km, com largura variando de 60 a 500 metros, a depender da adesão e interesse de produtores rurais que serão engajados.

Sabendo que a natureza não reconhece limites entre propriedades, os corredores passam tanto por áreas da base florestal da Suzano como também por fazendas vizinhas com produção agrícola diversa e sem relação com a companhia, ampliando ainda mais o desafio.

Coautora: Tathiane Santi Sarcinelli, Consultora de Meio Ambiente Florestal

Cerca de 60% da área dos corredores está em fazendas da empresa e os 40% restantes pertencem a mais de 500 propriedades e assentamentos rurais de diversos portes, formando um mosaico que integra áreas legalmente protegidas, em diversos estágios de conservação, e áreas consolidadas, com diversas culturas agrícolas (pastagem, cana, eucalipto, entre outras). Para o alcance do seu compromisso, a Suzano está atuando estrategicamente nos pilares Conectar, Engajar e Proteger, compondo seis linhas de ação:

1. implantar corredores de biodiversidade na escala da paisagem, conectando os fragmentos prioritários para a conservação, incluindo a restauração ecológica das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL) de propriedades da Suzano e seus vizinhos, bem como o monitoramento dessas áreas e da biodiversidade com DNA Ambiental (eDNA) e de insetos (iDNA), armadilhas fotográficas e gravadores autônomos;

2. implementar modelos biodiversos de produção em áreas fora de APP e RL sobrepostas ao corredor e que possuem importância chave para a conexão dos fragmentos nativos. Esses modelos buscam tornar a paisagem mais permeável para a fauna e flora, mantendo a produção agrícola e econômica de forma sustentável e serão delineados conforme o perfil dos proprietários rurais;

3. estabelecer modelos de negócio que gerem

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valor compartilhado para as pessoas, agregando valor à floresta em pé e aos manejos produtivos sustentáveis;

4. aliviar pressões antrópicas à biodiversidade, combatendo a degradação ambiental, como incêndios florestais, desmatamento e caça aos animais silvestres;

5. conservar populações de primatas ameaçados e palmeiras, espécies cuja proteção abarca a proteção de inúmeras outras espécies;

6. criar redes de Unidades de Conservação, implantando novas unidades em áreas privadas e fortalecendo UCs públicas já existentes.

O compromisso de biodiversidade será um grande desafio e demandará a formação e o fortalecimento de parcerias locais, regionais e mesmo globais, visando suporte para sua execução, validação e financiamento. Há uma série de benefícios legais e ambientais que os proprietários rurais poderão obter ao aderir ao compromisso e participar da conexão ecológica da paisagem. Com essa atuação externa, a Suzano pretende servir como uma alavanca para impulsionar a restauração ecológica em seu território de atuação, trazendo alternativas mais sustentáveis, conectando áreas prioritárias para conservação e atuando conjuntamente com atores locais e regionais.

Nossos agradecimentos a todas as equipes da Suzano e aos parceiros que trabalham para concretizar esse sonho e compromisso. n Clique aqui para acessar nossos Compromissos

ECOSSISTEMA JOHN DEERE

O verdadeiro poder das conexões produtivas.

Na John Deere Florestal, nossa tecnologia une o verde da floresta à inovação.

Conectamos trabalhadores, máquinas e floresta, atendendo às demandas de melhor gestão, sustentabilidade e responsabilidade. É assim que elevamos operações a um novo patamar.

Descubra a força do ecossistema John Deere.

o sistema agrossilvipastoril

a árvore acalma o planeta

Em uma cadeia de produção tão ampla e diversificada, como é o agronegócio, muitos ainda se questionam sobre a razão de investir no plantio de árvores para novos empreendimentos. Essa pergunta, embora comum, encontra uma resposta evidente na expansão contínua das fronteiras florestais globais e nos consideráveis investimentos no setor de celulose e papel, painéis reconstituídos, carvão vegetal siderúrgico e outros, mostrando ser uma opção lucrativa, mas que, além de tudo, oferece muitos benefícios.

Além de possibilitar o desenvolvimento de regiões remotas, melhorando a distribuição de renda por meio da geração de empregos, temos importantes contribuições ao meio ambiente. Com uma grande evolução nas últimas décadas, a silvicultura brasileira é uma atividade altamente agregadora que, associada ao avanço da tecnologia, tem utilizado boas práticas de conservação do solo, emprego de fertilizações mais calibradas, controle de pragas via soltura de inimigos naturais, prevenção e controle eficiente de incêndios florestais e plantio de clones cada vez mais adaptados a cada região, produzindo mais madeira por hectare e aumentando consequentemente o sequestro de carbono. Essas práticas resultam na utilização consciente do espaço agrário e da recuperação de áreas degradadas para a produção florestal. Esse processo não apenas atende às demandas do mercado, mas também desempenha um papel crucial na mitigação das mudanças climáticas. Comparado a outros países, vemos o Brasil se destacando como um dos polos de alta atratividade para produção de madeira para diversas finalidades, reunindo particularidades especiais que o diferencia

em termos de critérios e atributos necessários para investimentos no setor. Sua dimensão continental, com grande disponibilidade de terras, a riqueza e o acesso às águas, o privilégio do território ser contemplado com um grande período de irradiação solar, as condições climáticas, a produtividade do solo, uma cadeia logística razoável, a disponibilidade de mão de obra qualificada, e, na maior parte do país, regras de licenciamento ambiental claras e fatores políticos e econômicos de baixo riscos.

Conectado a isso, atualmente, as empresas de base florestal utilizam sistemas de certificação ambiental avançados. Por meio de auditorias rigorosas, essas certificações atestam as práticas sustentáveis em cada etapa da cadeia de produção florestal. Essas auditorias não apenas endossam, mas também ajustam os processos, garantindo sua conformidade com os padrões e referências globais de sustentabilidade. Esse comprometimento reflete a busca incessante por operações alinhadas aos mais elevados padrões ambientais em escala internacional.

Para tanto, conciliar a monocultura de árvores com a biodiversidade existente de cada região requer uma abordagem estratégica e cuidadosa que considere seus interesses econômicos, sociais e ambientais.

Vários cálculos apontam para uma demanda de cerca de 150 árvores para cada ser humano mitigar suas emissões de CO2 numa vida média de 70 anos. "

Germano Vieira e Dayana Seidel

Diretor Florestal e Especialista em Viabilidade de Projetos da Eldorado, respectivamente

Como exemplos de grandes projetos bem-sucedidos em suas implantações, podemos citar o estado do Mato Grosso do Sul, o qual possui grandes áreas do bioma cerrado, considerado também um hotspot mundial devido à sua rica biodiversidade, demonstrando ser possível a produção florestal e a preservação da biodiversidade local e os recursos naturais.

Vejam os gráficos abaixo, que registram a melhoria do índice de biodiversidade nas áreas de APP e RL em 5 projetos na região Centro-Oeste do Brasil, antes e 5 anos após implantada a floresta de eucalipto.

Em análise aos dados do índice de diversidade de Mastofauna e Avifauna monitoradas, é observado que, para a maioria das fazendas avaliadas em 2022, houve um aumento no índice de diversidade em comparação com o monitoramento de 2017, sendo possível afirmar que o manejo florestal adotado pela empresa influencia positivamente a comunidade de animais e aves estudadas, reforçando a indicação de que os fragmentos das fitofisionomias do Bioma Cerrado estão em bom estado de conservação e em constante evolução.

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A silvicultura, muitas vezes, é associada à simples produção de madeira. Porém, ela revela-se como um sistema de produção multifacetado e crucial quando consideramos os seus impactos positivos.

Hoje, comprovadamente, sabemos que os plantios de árvores desempenham um papel fundamental na mitigação das mudanças climáticas, absorvendo dióxido de carbono da atmosfera, um dos principais gases de efeito estufa.

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Acima: Medição da emissão de Gases de Efeito Estufa e, abaixo: o monitoramento de recursos hídricos em empresa de base florestal.

AVIFAUNA – Shannon Wiener (2017 x 2022)
BRIOSA CAMPO LIMPO I e II LARANJA QUINHÃO
PERDIZES SANTA LUCIA DO SUCURIÚ
BRIOSA CAMPO LIMPO I e II LARANJA QUINHÃO
PERDIZES SANTA LUCIA DO SUCURIÚ

Estima-se que o plantio florestal com eucalipto sequestra, em média, até 170 toneladas de Co2 por hectare, além de servir de barreira contra pragas indesejáveis a produção agrícola, demonstrando um efeito positivo no ambiente ao seu redor, protegendo as áreas de preservação permanente e os recursos hídricos e as reservas de alto valor de conservação, melhorando a qualidade da biodiversidade dessas áreas.

Vários cálculos apontam para uma demanda de cerca de 150 árvores para cada ser humano mitigar suas emissões de CO2 numa vida média de 70 anos. Considerando esse cálculo correto, cada um de nós deveria plantar pouco mais de 2 árvores por ano. Ainda calculando e fazendo uma referência à silvicultura brasileira, 9,5 milhões de hectares plantados, nós cobrimos com folga essa demanda, significando que somos eficientes e sustentáveis.

Outro ponto importante no equilíbrio dessa equação de produção sustentável é, também, a implementação de sistema integrados, tais como a agrosilvicultura ou iLPF – Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Ela congrega sistemas agrícolas, pecuários e florestais em uma mesma área, com práticas de cultivo consorciadas, em sucessão ou em rotação, de forma que haja benefício mútuo para todas as atividades, e otimizando o uso da terra, aumentando a produtividade e mitigando a emissão de gases causadores de efeito estufa.

Também é notório que as áreas florestais plantadas contribuem para formação de corredores ecológicos estratégicos e eficazes, atuando como pontes entre os sistemas de produção e a conservação da biodiversidade, promovendo o fluxo gênico. Isto tudo evidencia que a presença de áreas florestais bem geridas não são apenas um investimento econômico, mas um compromisso com a saúde a longo prazo do nosso planeta e com suas diversas formas de vida.

Manter a saúde das florestas é crucial para um sistema de produção equilibrado. O controle de pragas e doenças, por meio do manejo integrado, garante a preservação da vitalidade dos ecossistemas. O controle biológico, através da liberação de inimigos naturais e do uso de espécies e clones resistentes, destaca-se pelos benefícios em relação aos métodos químicos. Este método baseia-se na identificação precoce, quantificação/classificação das ocorrências e implementação de diferentes abordagens de controle, considerando processos biológicos, físicos, químicos e comportamentais, assegurando a proteção ambiental e a segurança das pessoas envolvidas.

Sistema agrosilvipastoril no Mato Grosso do Sul
Uma composição típica de um plantio de eucalipto em áreas de

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de preservação no estado do MS

Monitoramentos, também, devem ser executados no sentido de avaliar as áreas naturais mais importantes para a conservação ambiental, além das áreas legalmente protegidas, e a sua dinâmica em função do manejo florestal, buscando sempre a melhoria contínua de processos, atividades e integridade ambiental dos recursos naturais.

Entre os processos estão a identificação e a recuperação de áreas degradadas, cujos objetivos é garantir o atendimento legal, em especial às áreas protegidas, como as Áreas de Preservação Permanente – APP, e as áreas de Reserva Legal – RL.

Outro ponto de grande importância, diretamente ligado à silvicultura, são os recursos hídricos. A implementação de monitoramentos efetivos para garantir a qualidade e a disponibilidade do recurso, realizada em seus pontos de captação e micro bacias em que existem manejos ou em áreas sob responsabilidade da cadeia de produção.

Áreas que visam garantir ou melhorar a qualidade de vegetação nativas também são estudadas para o estabelecimento das Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVC), tendo como focos o mapeamento e a qualificação de possíveis atributos, além de estudar a dinâmica da fauna e flora em relação às suas operações, garantindo, preventivamente, a identificação de qualquer distúrbio e/ou melhoria das medidas mitigatórias.

Assim, à medida que exploramos os diversos aspectos do verdadeiro valor da silvicultura, torna-se evidente que essa prática vai muito além da simples plantação de árvores. Do plantio inicial ao equilíbrio com a biodiversidade, o monitoramento ambiental e a gestão dos recursos hídricos, a silvicultura revela-se como uma aliada importante na construção de processos produtivos sustentáveis, integrando práticas inovadoras e, também, fortalecendo as bases sociais das comunidades envolvidas na cadeia produtiva, gerando bônus sociais que vão desde a geração de empregos até o apoio à educação ambiental.

Por fim, sabedores de que, apesar de também consumir oxigênio, uma árvore madura produz uma média de 120 kg de oxigênio por ano, correspondendo à metade do consumo anual de um adulto, e ocupando um papel fundamental na regulação do clima, podemos reafirmar que uma floresta bem plantada acalma o planeta e gera verdadeiro valor para a vida humana. n

biodiversidade e conservação

Nos últimos anos, a sociedade tem se tornado cada vez mais crítica com relação ao assunto responsabilidade ambiental. Além de acender um farol para que as empresas se posicionem conforme as necessidades de seus clientes, é fundamental que tenhamos ciência, como representantes das empresas e como pessoas físicas, da importância da permeabilidade da sustentabilidade na nossa jornada.

Nesse contexto, investidores, índices de mercado em sustentabilidade e as atualizações de legislações, cada um da sua maneira, direcionam as corporações para apresentarem sólida gestão ambiental pautada em metas e indicadores que demonstrem ações e resultados positivos na conservação da biodiversidade.

Um movimento recente de alto impacto na economia foi a publicação, em junho de 2023, do regulamento antidesmatamento da União Europeia, o EUDR. É um marco contra o desmatamento que exige de importadores europeus medidas de diligência que garantam que a aquisição de commodities, incluindo a madeira e derivados, não tenham relação direta ou indireta com o desmatamento após 2020, mesmo quando realizado legalmente. Essa regulamentação traz como destaque em suas considerações que o ritmo de devastação ambiental é alarmante e enfatiza que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), entre 1990 e 2020, se perderam em todo o mundo 420 milhões de hectares de floresta, ou seja, cerca de 10% das florestas que restam no mundo e o equivalente a uma superfície superior à da própria União Europeia.

O programa tem como estratégia principal gerar dados confiáveis para a tomada de decisões seguras que permitam monitorar e avaliar efetivamente o estado de conservação das nossas florestas. "

Vivemos um momento em que a performance ambiental das empresas e o debate sobre sustentabilidade migraram das discussões técnicas entre pequenos grupos dentro das organizações para fazer parte das estratégias de negócio. Esse é um assunto relevante e deve ser incorporado na cultura organizacional e nos valores das companhias para garantir a perenidade dos negócios.

A incorporação de temas ligados à sustentabilidade do negócio já é realidade na Dexco. Assumimos, na nossa Estratégia de Sustentabilidade 2025, metas que direcionam nossas ações: um dos compromissos estratégicos é assegurar o crescimento sustentável, mantendo o balanço positivo de carbono. Para isso, buscamos usar, de forma eficiente, insumos e matérias-primas, manejamos florestas de modo responsável e consideramos critérios socioambientais em nossa cadeia de fornecimento.

O setor florestal possui relevante papel na manutenção da biodiversidade, seja através da conservação de florestas e áreas nativas, ou na proteção e recuperação de APP - Áreas de Preservação Permanente. Ao todo, segundo dados da Indústria Brasileira da Árvore – IBÁ, o setor possui mais de 6 milhões de hectares destinados às áreas de conservação, fato que confere e valida a importante atuação e grande responsabilidade ambiental.

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e conservação

Nesse sentido, para a Dexco, cuidar dos ambientes em que operamos é primordial para a gestão responsável dos recursos naturais. Dito isso, a área florestal da Dexco desenvolve um programa de monitoramento e avaliação das áreas de conservação no Brasil, que somam mais de 40 mil hectares e estão divididas entre os biomas Cerrado, Mata Atlântica e Pampa, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O programa tem como estratégia principal gerar dados confiáveis para a tomada de decisões seguras que permitam monitorar e avaliar efetivamente o estado de conservação das nossas florestas. Para isso, investimos em três fontes principais de informação: (1) em projetos de pesquisa em biodiversidade, (2) na caracterização do estágio sucessional das áreas de conservação e (3) na avaliação da fragmentação e conectividade dos remanescentes florestais.

1. Os estudos sobre biodiversidade remontam à década de 1970, desde então mantemos parcerias com universidades, institutos de pesquisa e consultorias. Priorizamos pesquisas que contribuam para o conhecimento científico, para políticas públicas de conservação do meio ambiente, que gerem subsídios aplicáveis no tratamento de aspectos e impactos ambientais das operações florestais e contribuam para as certificações de manejo florestal e para os licenciamentos ambientais da atividade de silvicultura. Até o momento os estudos de fauna e flora já registraram mais de 14 mil indivíduos classificados em mais de 2,7 mil espécies que serviram como base para mais de 60 publicações científicas em periódicos nacionais e internacionais.

2. No processo de caracterização do estágio sucessional das áreas de conservação, realizamos o processamento digital de imagens de satélite e expedições a campo para avaliações mais criteriosas com a utilização de drones, quando necessário. Esse processo de classificação divide as áreas de conservação em classes que variam desde solo exposto até remanescentes de vegetação nativa em estágio avançado de sucessão e, com essa informação, definimos e entendemos quais estratégias devemos seguir. As medidas adotadas para locais com solo exposto, por exemplo, podem variar desde restauração passiva, bem como transposição de solos, plantio de nativas ou semeadura direta.

3. Na caracterização da fragmentação e da conectividade dos remanescentes de vegetação nativa, analisamos a distância entre áreas de conservação nos limites das fazendas, bem como no entorno e, a partir dessa informação,

Acervo: área de conservação em fazenda da Dexco, unidade de

ações são direcionadas para ampliar a conectividade. O objetivo é promover a conexão de áreas nativas, estratégia importante para mitigar os efeitos das pressões antrópicas e da própria fragmentação, facilitando a movimentação dos organismos entre os habitats e aumentando as chances de sobrevivência e desenvolvimento das populações de diferentes espécies.

Além das ações voltadas à conservação de áreas nativas, também destacamos duas importantes frentes de trabalho: o investimento na verificação de Serviços Ecossistêmicos e na definição de Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVC), ambos validados por auditoria externa e reconhecidos por padrões amplamente difundidos em escala internacional.

No âmbito de Serviços Ecossistêmicos, que são os benefícios que a natureza provê para sociedade e que refletem na melhoria da qualidade de vida das populações. Desde 2022, iniciamos um projeto de diagnóstico e reconhecimento do nosso impacto positivo na conservação da biodiversidade, no sequestro e armazenamento de carbono, na manutenção da qualidade da água e em serviços recreacionais.

Já na definição de atributos de AVC, nossa metodologia define quais locais apresentam valores ambientais ou sociais de caráter excepcional, ou de importância crítica, incluindo nessa avaliação a participação das comunidades locais e dos especialistas nas esferas ambiental e social. Quando atributos são identificados, são implantadas medidas adicionais e específicas de proteção e monitoramento.

Um resumo de nossas ações adotadas para a biodiversidade, com metas e indicadores alinhados à Estratégia de Sustentabilidade, está disponível em nosso site. Esse documento contém também o Índice de Impacto em Biodiversidade, uma forma de avaliar o impacto de nossas atividades. O índice prevê, por exemplo, métricas de desmatamento zero, de desenvolvimento ecológico das áreas de conservação, das ações de proteção florestal, do investimento no manejo florestal responsável, entre outras. Essas ações demonstram nossa responsabilidade ambiental e reforçam nosso papel na prática da sustentabilidade e da conservação da biodiversidade, valores importantes para alcançar o propósito de levar às pessoas soluções para melhor viver. n

Clique na imagem para acessar o relatório Biodiversidade: Gestão e Indicadores Dexco

Equipamentos desenvolvidos com foco em performance e tecnologia para o melhor aproveitamento na utilização dos recursos e processos.

conservação, preservação, restauração florestal e o compromisso com a sustentabilidade

Há 80 anos no Brasil e presente nas Américas, Europa e Ásia, a WestRock existe para inovar com ousadia e embalar de forma sustentável. Comprometidos em oferecer as melhores soluções em papel e embalagens de papelão ondulado, considerando a sustentabilidade como alicerce das nossas ações, nossos negócios e as operações integradas, contribuindo para, no que depender de nós, o planeta, seja de fato, um lugar melhor hoje e para as futuras gerações.

Estamos tratando de interdependência e transformação, ou seja, assumindo a responsabilidade de respeitar, valorizar e potencializar os preceitos mais nobres da ciência que se denomina Economia. Oferecer as melhores soluções em papel e embalagens de papelão ondulado requer como responsabilidade precípua a busca pelo recorrente aprofundamento, aprendizagem e evolução de maturidade nas diver-

sas perspectivas que caracterizam a cadeia de valor que se inicia nas operações de produção e suprimento da fibra para se transformar em papel e embalagens.

O plano de gestão tanto das operações de silvicultura quanto das demais operações inseridas na cadeia de produção e logística florestal se destaca como base dos negócios integrados da WestRock que, graças à sua condição de equilibrar porções geográficas de floresta plantada em nível equivalente ao de florestas nativas conservadas, tornou-se benchmarking para o mercado global de inciativas engajadas com as bandeiras do ESG –Environmental, Social, and Corporate Governance.

As plantações florestais, formadas por espécies dos gêneros Eucalyptus e Pinus, constituem a base de oferta de fibras para nossos negócios de papel e embalagens. Assim como as plantações agrícolas, esses plantios são demandantes de recursos sociais e serviços ambientais básicos, como solo e água e, como quaisquer atividades, promovem transformações sociais, ambientais e econômicas. Mas apesar do objetivo eminentemente positivo, quando não devidamente executados, são capazes de gerar impactos indesejados.

A WestRock reconhece e valoriza sua dependência das pessoas e de serviços ecossistêmicos, transformando essa condição em compromisso de desenvolvimento socioambiental. "

na WestRock produtividade

Portanto, nosso manejo florestal se apresenta como base do nosso negócio integrado, sendo direcionador do modelo de gestão do uso dos recursos sociais e serviços ambientais que nos entregam nosso principal diferencial competitivo, a maior produtividade florestal do mundo. Como não se concebe tomar nenhum atalho para atingir tal retorno, esse modelo de gestão de uso de recursos sociais e serviços ambientais se configura no Programa Florestal de Conservação, Preservação e Restauração da WestRock.

Nosso objetivo é garantir sustentabilidade promovendo capacidade de manutenção do equilíbrio social, ambiental e econômico. Conservação e preservação em nosso programa se concentram, respectivamente, na racionalização do uso dos recursos, enquanto se busca a máxima evolução da produtividade no sentido amplo (recorrentes ciclos de evolução social, performance ambiental e retorno econômico-financeiro), e proteção da degradação de Reservas Legais, das Áreas de Preservação Permanente e demais áreas de conservação.

Quando o foco é restauração, nosso compromisso está na efetiva identificação, no diagnóstico de desvios e desenvolvimento de planos de manejo que eliminem impactos negativos e promovam o restabelecimento do equilíbrio que conduz à restauração necessária.

Juntamente com o uso dos serviços ambientais, a vocação do nosso plano de manejo florestal sustentável está no capital humano, sem ele tudo mais fica frágil. A WestRock reconhece e valoriza sua dependência das pessoas e de serviços ecossistêmicos, transformando essa condição em compromisso de desenvolvimento socioambiental. Temos atuado nessa cadeia, aplicando significativos investimentos na educação e na capacitação profissional aos

níveis universitário, técnico, e com destaque na formação operacional que potencializa diversidade e inclusão.

Nosso programa de conservação e restauração é consequência da realidade de uso dos recursos demandados por nossa cadeia de valor. Ao longo dos últimos 60 anos, temos, consistentemente, investido em formação científica e em biotecnologia aplicada, tanto no processo de melhoramento genético de Pinus sp e Eucalyptus sp quanto em manejo silvicultural, visando à potencialização da produtividade florestal. Nessas últimas seis décadas, a produtividade de nossas florestas plantadas mais que duplicou, se posicionando hoje como referência mundial em Pinus taeda e Eucalyptus dunnii.

A produtividade se impõe como alicerce fundamental nos processos de conservação e preservação, reduz as bases de imobilização de terra para expansão de nossos negócios florestais e oferece cada vez maior adaptabilidade aos ecossistemas utilizados para cultivo de plantações florestais exóticas. É fundamental reconhecer que a competição que inquieta é pelo uso da terra, pois oportunidades de otimizar a produção por unidade de área são essenciais tanto para o retorno socioeconômico quanto

Plantios em mosaicos, relação harmônica entre conservação, preservação e produção
Evolução da Produtividade das florestas de Pinus taeda (m3/ha/ano)
Evolução da Produtividade das florestas de Eucalyptus dunnii (m3/ha/ano)

produtividade e meio ambiente

para os processos de conservação e preservação ambiental, incluindo a maior capacidade de sequestro de gases de efeito estufa.

A efetividade do plano de conservação, preservação e restauração ambiental requer permanente busca pelo constante aprofundamento, aprendizagem e evolução de maturidade

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nas diversas perspectivas que caracterizam a base de demanda da cadeia de valor florestal. Este aprofundamento, na WestRock, é consequência da capacidade de aprendizagem decorrente dos trabalhos caracterizados como “Análise de Performance”, incluindo avaliações de performance social, operacional, de qualidade e ambiental. O compromisso de conservar, preservar e restaurar é dependente da capacidade de caracterizar cenários, identificar abrangência e quantificar impactos para, então, desenvolver ações de recomposição do equilíbrio que garantem a sustentabilidade.

Esse trabalho de análise de performance é desenvolvido a partir de princípios, critérios e indicadores que consideram as interfaces sociais, ambientais e econômicas, as quais são capazes de avaliar a eficiência de todas as operações e quantificar desvios em relação aos padrões de equilíbrio estabelecidos.

É importante observar que, além do monitoramento de fauna, flora, recursos edáficos e recursos hídricos, como quantificadores da qualidade da relação plantações florestais exóticas e florestas nativas (serviços ecossistêmicos, em geral), a visão de consumo específico se firma com significativa relevância. Indicadores como quilometragem percorrida por tonelada de madeira produzida ou área (hectare) manejada, geração de resíduos por tonelada de madeira produzida ou área (hectare) manejada, além de outros relacionados ao consumo de fontes fósseis por unidade de produção de madeira, são essenciais para nos orientar rumo ao compromisso com as metas globais de redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

O alinhamento entre uma sofisticada biotecnologia aplicada à implantação e ao manejo de plantações florestais exóticas e à efetiva capacidade de monitoramento das relações entre esse manejo e os serviços ambientais demandados, o qual caracteriza as interfaces entre conservação, produção e restauração, é capaz de fazer essa relação equilibrada, equitativa e sustentável. Referenciando o famoso conto de Machado de Assis, “O empréstimo”, temos a vocação da produtividade no sentido amplo, “vocação da riqueza”, os custos relativos à produção e à conservação são consequência do investimento necessário ao contínuo processo de conhecimento das relações entre essas perspectivas, “vocação do trabalho”.

Inovar com ousadia é condição para liderança, assim como embalar de forma sustentável é consequência da propriedade conquistada com investimento e muito trabalho. n

Plantios clonais de Eucalyptus dunnii com 7 meses de idade
Plantios clonais de Pinus taeda com 22 meses de idade

da conservação à recuperação projetos ambientais

Ao longo dos últimos anos, o setor florestal brasileiro conquistou uma notável visibilidade pela evolução de suas técnicas de manejo, incluindo relevantes investimentos em programas e projetos de conservação ambiental. Rompendo as barreiras do atendimento básico de condicionantes ambientais e princípios das certificações, a Bracell Bahia vem construindo, há 10 anos, uma gama de programas ambientais para a manutenção e fomento à biodiversidade no litoral norte e agreste da Bahia. São nada menos do que oito programas ambientais, destinados à conservação da fauna, flora e dos recursos hídricos, incluindo iniciativas voltadas a promover a educação ambiental, especialmente, junto às comunidades vizinhas às unidades de conservação. Desde que foram criados, tais programas são continuamente aperfeiçoados com novas técnicas e tecnologias. Um movimento importante nesse sentido foi o Compromisso Um-para-Um, por meio do qual a Bracell se compromete a ajudar a conservar um hectare de floresta nativa para cada hectare plantado com eucalipto.

Um-para-Um

é o Compromisso por meio do qual a Bracell se compromete a ajudar a conservar um hectare de floresta nativa para cada hectare plantado com eucalipto. "

Esse compromisso, que conta com as parcerias dos governos estaduais, envolve áreas próprias e públicas. A meta da empresa é que a equiparação seja alcançada até 2025 em todas as áreas de atuação da Bracell na Bahia, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Outra medida importante é o lançamento do Bracell 2030, uma agenda estratégica de ESG com 14 novos compromissos e metas para os próximos sete anos, com pilares que envolvem ações pelo clima, desenvolvimento de paisagens sustentáveis e biodiversidade, crescimento sustentável e empoderamento de vidas.

Para ser mais específico, destaco o Programa de Monitoramentos da Biodiversidade para a Conservação da Fauna e Flora e o Programa de Regularização Ambiental, ambos iniciados em 2015/16, os quais assumiram um papel estratégico dentro da companhia. Por conta da importância que demonstraram ter, esses programas têm sido sucessivamente repaginados a fim de alcançar objetivos ainda mais ousados, de modo a contribuir, sempre mais e mais, para a melhor compreensão da relação entre o manejo florestal e a biodiversidade. ;

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Caburé (Glaucidium brasilianum).

A RPPN Lontra é um dos mais importantes fragmentos de vegetação nativa do litoral norte da Bahia.

projetos ambientais

Monitorar a fauna e a flora tem como principal objetivo entender os impactos do manejo florestal na biodiversidade e sugerir ações mitigadoras para reduzi-los. Desde 2019, o programa segue o mesmo delineamento amostral, obtendo um histórico de resultados referentes às comunidades faunísticas e florísticas do litoral norte da Bahia. Esse delineamento abrange oito áreas distribuídas nos biomas Mata Atlântica, Caatinga e enclaves de Cerrados, sendo que quatro delas são consideradas de alto valor de conservação, seguindo critérios da certificação. Nelas, até o momento, foram registradas 641 espécies da fauna e 336 espécies da flora, sendo 44 ameaçadas.

Observando os dados ao longo dos 5 anos, aferimos que não há impactos significativos nas variações nas comunidades por conta da dinâmica da paisagem manejada. A elevada biodiversidade da região demonstra numa curva do coletor que a riqueza continua aumentando, agora com menor intensidade, mas com espécies raras e ameaçadas sendo somadas ao gráfico. A manutenção do avistamento das espécies ameaçadas, endêmicas e migratórias é um importante indicador de conservação quando comparada às atividades desenvolvidas pelo nosso manejo.

Derivados do programa de monitoramento da biodiversidade, o Programa de Avistamento de Fauna e o cadastramento de Áreas de Solturas de Animais Silvestres (Asas) se tornaram importantes ferramentas para a manutenção da fauna local, educação ambiental, resgate e reintrodução de espécies nativas.

Destinado a todos os colaboradores próprios e terceiros da empresa, o Programa de Avistamento traz para essas pessoas implicações da conservação da fauna silvestre para o seu dia a dia. Mais de 2 mil animais foram registrados desde o lançamento do programa e melhorias vêm sendo adotadas, como a elaboração de um formulário inteligente para a captação e análise rápidas de dados.

Programas

Por sua vez, o Asas é um programa voluntário junto ao órgão ambiental que cadastra áreas conservadas para a reintrodução de espécies. A primeira área cadastrada foi a RPPN Lontra (Itanagra/BA), em 2021, e em seguida as Fazendas Reunidas Marcanair (Jandaíra/BA) e Cachoeira (Entre Rios/BA). Juntas, até o momento, essas três áreas já Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla).

A

Fazenda Cachoeira é cortada pelo Rio Sauípe, característica
Jiboia (Boa constrictor).
de conservação , reintrodução de espécies e fomento

Opiniões

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fomento a biodiversidade são ações estratégicas para a Bracell.

acolheram e deram uma nova chance de sobrevivência a mais de 700 animais silvestres, entre aves, mamíferos e répteis.

Produto inicial das condicionantes ambientais para nossa operação, o Programa de Regularização Ambiental (PRA) abrange dois importantes vetores: a restauração ecológica e a erradicação de espécies exóticas. Pensado muito além da regulação legal, o PRA vem recebendo amplas melhorias a partir de um raciocínio baseado na complexidade ecológica das florestas nativas.

Uma floresta restaurada precisa abordar uma rede complexa de interações fauna-flora com o ambiente. O delineamento utilizado favorece a dinâmica natural e seu potencial de resiliência. Nesse contexto, espécies funcionais para a alimentação, locais para refúgio, pousio e reprodução da fauna silvestre se tornam grandes aliados, enquanto a luta contra os fatores de degradação é sempre o maior desafio, juntamente com erosão, infestação de espécies exóticas, queimadas e invasão pelo gado.

Os aspectos avaliados no Programa de Restauração levaram a uma importante redução de custo por hectares, à qualidade superior das mudas e à escolha das espécies corretas, resultando em uma menor taxa de mortalidade. A erradicação de espécies exóticas com morte em pé, baseada na aplicação química local e controlada, reduziu os impactos na vegetação nativa e no custo quando, comparada ao corte raso dos indivíduos de pinus e eucalipto em meio à vegetação nativa. Até o momento, mais de 8.000 hectares foram restaurados graças aos esforços da Bracell Bahia, tendo ainda muitos desafios na manutenção dos fragmentos e controle dos fatores de degradação.

Apesar de se tratarem de iniciativas distintas, o Programa de Monitoramento e o Programa de Regularização Ambiental se complementam a todo momento. Por meio dos resultados das pesquisas de fauna e flora, é possível observar as espécies necessárias para o plantio de mudas e as interações a serem reconectadas no ambiente em restauração.

Conhecer bem o ambiente presente na área de influência nos proporciona um conhecimento robusto sobre as comunidades e sua teia de interconexões na busca para contribuir para a manutenção de um ambiente complexo, dinâmico, resiliente e sustentável. n

silvicultura e biodiversidade

uma simbiose possível e necessária

Todas as formas de vida têm direitos iguais de viver, produzir suas descendências e manter seus processos naturalmente evolutivos. Esse direito é fundamental porque cada ser vivo cumpre um papel importante na complexa teia da vida. O respeito à vida de todas as espécies é genuíno e incontestável, sendo, portanto, suficiente para se justificar a adoção de ações para a conservação da biodiversidade.

O valor da biodiversidade não é nada subjetivo. A variedade de formas de vida é um pilar que sustenta e torna viável o funcionamento de nosso planeta. O manejo do ambiente para obtenção de bens de consumo deve considerar que é desejável atingir um equilíbrio entre a conservação da biodiversidade e a manutenção de processos produtivos agroflorestais. E isso deve considerar também a escala planetária, de forma que a produção agroflorestal contribua positivamente para manter os processos ecológicos que possibilitam o funcionamento equilibrado do planeta.

Simplificando, a relação com o ambiente deve ser de ganha-ganha. Os processos produtivos beneficiando a conservação e a conservação beneficiando os processos produtivos. Isso caracteriza a condição de

sustentabilidade ambiental na qual a biodiversidade é um pilar de sustentação. No processo de produção de madeira não é diferente, pois a silvicultura é uma atividade econômica que interage de forma muito significativa com as condições do ambiente. A silvicultura pode contribuir para a conservação da biota e ser beneficiada pelo equilíbrio ecossistêmico proporcionado pela presença da biodiversidade.

O manejo silvicultural favorece a conservação da biodiversidade por vários fatores intrínsecos ao cultivo de árvores e pela adoção de práticas sustentáveis, conforme os seguintes exemplos:

• por se tratar de um cultivo que forma uma matriz florestal, o que torna a paisagem mais permeável e com condições para ampla utilização pela fauna silvestre;

• por manter, de forma conectada, grandes extensões territoriais com remanescentes de vegetação nativa, formando mosaicos com florestas plantadas;

• por se tratar de um manejo de baixa intensidade, com operações intensificadas apenas a cada sete anos, aproximadamente, condição que favorece o estabelecimento de populações da fauna silvestre;

• alta remoção de carbono da atmosfera a partir da fotossíntese das florestas plantadas e manutenção de grandes estoques nas florestas nativas;

• baixa quantidade utilizada e pela forma segura de utilização de insumos tóxicos;

• adoção de práticas de conservação de solo e água;

• adoção de medidas para restauração de ecossistemas e da composição florística e faunística;

• adoção de práticas de manejo sustentável certificadas por organismos com legitimidade internacional.

A contribuição da biodiversidade para os processos produtivos é notável, todavia, ainda pouco conhecida e mensurada. Alguns processos são totalmente dependentes da biodiversidade, como a citricultura, a cafeicultura e a cultura do algodão, que dependem de polinização por organismos vivos que habitam os ecossistemas nativos.

a biodiversidade presente no solo cria um sistema vivo necessário ao adequado funcionamento dos processos de sustentação e nutrição das plantas e conservação de água. "

Na silvicultura, temos evidências de diversos tipos de controles biológicos de pragas pela biodiversidade. Já identificamos também que existe correlação direta entre áreas protegidas em bom estado de conservação e menores infestações de pragas. Como exemplo, já foram observadas predação de lagartas desfolhadoras por aves silvestres, por vespas parasitoides e por percevejos. Constatações como essas levaram a tomadas de decisão de não utilizar produtos químicos para realização de controle, evitando a contaminação do ambiente, o risco de contato com trabalhadores, além de custos com aquisição de produtos e com aplicação.

O oposto também tem sido constatado, frequentemente, ou seja, os danos causados pelas pragas são mais significativos nas fazendas onde as áreas ocupadas com plantações são mais extensas e contíguas. Além disso, nesses locais, as áreas destinadas à conservação ainda não estão plenamente restauradas, ou são pouco representativas em termos de quantidade, tanto no interior das fazendas quanto na vizinhança.

Importante mencionar também que a biodiversidade presente no solo cria um sistema vivo necessário ao adequado funcionamento dos processos de sustentação e nutrição das plantas e conservação de água. Um solo vivo é condição sine qua non para a produção agrícola e florestal sustentável e essa biodiversidade, que inclui inúmeros micro-organismos, anelídeos, fungos, artrópodes, micorrizas e muitos outros, é comumente esquecida ou pouco mencionada.

Essas informações ainda são genéricas e fundamentadas em poucos estudos em condições específicas, mas já atestam o valor da biodiversidade como sustentadora de um equilíbrio ecossistêmico necessário às atividades florestais. E, por ainda se conhecer pouco as nuances dos fenômenos que sustentam o desejado equilíbrio ecossistêmico, estudos científicos devem ser continuados e ampliados.

A busca com esses estudos é o aprofundamento do conhecimento acerca dos processos ecológicos naturais, objetivando o aprimoramento das técnicas de cultivo, considerando a biodiversidade como aliada. Essa busca deve resultar em melhores formas de conservar a biodiversidade e subsidiar o desenvolvimento de técnicas de manejo que considerem a biodiversidade como um elemento sustentador da produtividade florestal.

Não há a expectativa de se encontrar uma receita simplificada e adequada para grandes extensões territoriais. Os processos ecológicos são diferentes nas diversas condições de clima,

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solo e matriz vegetal regional. Todavia, poderá ser aplicável a adoção de métricas de paisagem como recomendações para um manejo equilibrado, considerando, por exemplo, percentuais mínimos de representatividade da vegetação nativa na paisagem, grau de conectividade entre as áreas com vegetação nativa, mosaico de idades e de diferença genética entre as espécies cultivadas, diminuição de área core das plantações por meio da criação de faixas com vegetação nativa ou fomentar a restauração florestal junto à vizinhança. Importante destacar que atuar junto à vizinhança pode ser uma estratégia necessária, notadamente naquelas condições em que predominam usos predatórios do solo, onde além de não haver a biodiversidade como aliada, a vizinhança traz ainda a ameaça de incêndios florestais, invasão de espécies exóticas e escassez ou excesso hídrico, por exemplo.

Por fim, num contexto de mudanças climáticas cientificamente comprovadas, quando está sendo aumentada a frequência de cenários catastróficos, como excessos e escassez de água, ocorrências de eventos de temperaturas extremas, condições que trarão riscos para as culturas, aumentar a resiliência dos ecossistemas por meio da conservação da biodiversidade deve ser considerada uma das estratégias para a sustentabilidade da produção florestal. n

Silvicultura favorecendo a biodiversidade por meio de corredor ecológico para espécie ameaçada de extinção e biodiversidade favorecendo à silvicultura com controle biológico de praga.

1. Muriqui-do-norte.

2. Percevejo predando lagarta desfolhadora.

Informe técnico

Formigas cortadeiras: o presente e o futuro do controle

Além do eucalipto, espécies comercias agrícolas como o citrus, a manga, o algodão, a mandioca, o milho, pastagem, diversas frutíferas e também espécies ornamentais como a roseira são afetadas pelas formigas cortadeiras.

Com isso, algumas medidas de manejo podem/devem ser tomadas para proteger as plantas do ataque.

Há alguns tipos de controle que podem ser aplicados para minimizar ou revogar o problema das formigas no campo, como alguns exemplos: o controle cultural que visa a movimentação do solo (aração e gradeação), cultivo com barreiras físicas com plantas atraentes as quais funcionam como armadilhas para as formigas; o controle mecânico, pouco utilizado e oneroso, uma vez que faz-se a remoção mecânica dos ninhos por meio de pás; o controle biológico com o uso de predadores naturais ou com patógenos como alguns estudos laboratoriais apontam o uso promissor de fungos patogênicos como dos gêneros Beauveria e Trichoderma; o controle alternativo, chamado também de biopesticidas, os quais utilizam espécies vegetais como a mamona, o gergelim, anil branco, ervilha branca, erva de rato, algumas espécies da família mirtácea, etc. E por fim, o mais eficaz e eficiente: o controle químico. Sendo este controle realizado com as iscas formicidas à base de sulfluramida por apresentarem ótima eficiência no controle da praga (desde que se proceda adequadamente o controle) e apresentam baixos riscos ambientais. Possuem ação por ingestão, são inodora, não repelente, letal em baixa concentração (0,3%) e apresentam ação tóxica retardada o que garante a dinâmica de contaminação de toda a colônia.

Como evolução tecnológica a aplicação pôde ser realizada de forma mecanizada, a qual consiste em uma máquina base (trator agrícola ou outro equipamento) com um aplicador de isca mecanizado acoplado (isqueira) mais tecnologia embarcada.

A isca formicida era o método de controle mais comum e eficiente, porém para empregá-lo de forma localizada ou mecanizada era fundamental que o solo estivesse seco!

migueiro à atividade algumas semanas após; insucesso que diminuem a sua efetividade além de superdosagens poderem a longo prazo acarretar em danos ao meio ambiente. Ademais, a falta de mão de obra de qualidade e em quantidade estar entre os problemas enfrentados no controle efetivo das formigas cortadeiras. Mas e para o futuro?

Sabe-se que, a evolução faz parte de todo processo. Saímos dos meios terrestres e passamos a utilizar o céu como ferramenta de auxílio nos plantios comerciais, com a utilização de drones aplicados no mapeamento de relevos em áreas; na aplicação de herbicidas, fungicidas e inseticidas em plantios comerciais agrícolas com aplicação precisa, localizada e de qualidade; na detecção e monitoramento de pragas e doenças agrícolas; nas falhas de plantio; na falta de irrigação ou adubação, na verificação de falhas no plantio, no georreferenciamento para observação de áreas desmatadas, no monitoramento de animais, nos estudos ecológicos, nos incêndios florestais, em zonas de difícil acesso, no mapeamento de clareiras, em inventários florestais e, recentemente em 2022 a ferramenta é aplicada no monitoramento de formigas cortadeiras com taxa de sucesso de mais de 80% na localização dos ninhos.

Com isso, espera-se, que em um futuro próximo a aplicação de iscas formicidas possa ser ainda mais efetiva com a utilização de drones no controle das formigas cortadeiras.

Será que vem novidade por aí?

desafios e mitos da recomposição produtiva em APP e RL no bioma Cerrados

Segundo dados publicados pelo Serviço Florestal Brasileiro, estão registrados quase 7 milhões de imóveis no Cadastro Ambiental Rural, onde, segundo o relatório do Panorama do Código Florestal Brasileiro da Universidade Federal de Minas Gerais de 2023, existem cerca de 20 milhões de hectares com passivos ambientais que precisam ser regularizados, sendo aproximadamente 16 milhões de hectares caracterizados como áreas de Reserva Legal (RL) e mais de 3 milhões de hectares em Áreas de Preservação Permanente (APP).

Muitos produtores rurais, incluindo pequenos produtores, já se manifestaram que gostariam apenas de cumprir a lei, já que mal tem tempo e conhecimento para executar as atividades agrícolas em curso na propriedade. A Lei Federal (12.651/12) prevê, em áreas de Reversa Legal, atividades de manejo sustentável que consistem na administração da vegetação natural visando obter benefícios econômicos, sociais e ambientais, e, ainda, respeitar os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo, podendo ser com ou sem propósito econômico.

Outra modalidade prevista são as atividades de baixo impacto, como a coleta de produtos não madeireiros, como sementes, castanhas e frutos, para fins de subsistência e produção de mudas, para o plantio de espécies nativas produtoras de frutos, como sementes, castanhas e outros produtos vegetais, e, ainda, a exploração agroflorestal e manejo florestal sustentável, comunitário ou familiar.

Tudo isso pode parecer de simples implementação do ponto de vista do legislador. Entretanto, se o produtor rural já tem dificuldades para administrar, apropriadamente, as atividades agrícolas na propriedade, temos que considerar não apenas como ele irá incluir essas atividades de gestão ambiental no seu dia a dia, mas, também, como criar condições logísticas e de conhecimento técnico para que ele incorpore esse entendimento em suas ações de recomposição produtiva na propriedade rural.

Como as atividades de manejo sustentável e de baixo impacto ambiental dependem da autorização do órgão competente, seria necessário criar procedimentos que facilitem sua incorporação no cotidiano da propriedade rural.

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Sabemos que os produtores rurais ainda não estão receptivos e preparados para implementar sistemas complexos de restauração. "

Juliana Baldan Costa Neves Araújo e José Felipe Ribeiro

Assessora Técnica da GIZ-Embrapa Cerrados e Pesquisador da Embrapa Cerrados, respectivamente

Uma das maiores bioempresas do Brasil, a CMPC acredita que é possível crescer e evoluir de forma sustentável, respeitando a natureza.

Esse posicionamento é reforçado no nosso novo conceito e se re ete em números que nos enchem de orgulho.

Isso requer ferramentas para desburocratizar a realização de práticas que ajudem a não descaracterizar a cobertura vegetal ao facilitar a conservação da vegetação nativa. A manutenção da diversidade com a utilização de espécies nativas locais e a condução adequada das espécies exóticas plantadas em consórcio, de modo acurado, devem favorecer a regeneração das espécies nativas consideradas na recomposição e, ainda, possibilitar retorno econômico ao produtor.

Quatro métodos são previstos na Lei 12.651/2012: a) condução de regeneração natural de espécies nativas, b) plantio de espécies nativas, c) o plantio de espécies nativas conjugado com a condução de regeneração natural de espécies nativas, e, finalmente, d) o plantio intercalado de espécies lenhosas perenes ou de ciclo longo exóticas com nativas de ocorrência regional em até 50% da área total a ser recomposta. Já temos informações técnicas suficientes para entender a realidade da propriedade rural e apoiar o produtor (ou responsável técnico) para preparar um bom Projeto de Recomposição de Áreas Degradadas ou Alteradas (PRADA) que atenda às necessidades pertinentes em termos ambientais e legislativos.

A Lei 12.651 tem regras diferenciadas para essa recomposição, dependendo do tamanho da propriedade rural. Em termos nacionais, 90% das propriedades são menores que quatro módulos fiscais, responsáveis por cerca de 24% da área agrícola do Brasil, enquanto os 10% restantes de propriedades são responsáveis por cerca de 76% da área. O PRADA deve considerar as atividades necessárias para escolher corretamente a melhor proposta de recomposição e estimar os custos do projeto da forma mais realista possível, de modo a garantir viabilidade financeira e técnica das ações de implementação e manutenção. A depender do potencial de regeneração da área, estabelecido na etapa de diagnóstico do passivo ambiental e da técnica utilizada para recomposição, os custos da restauração podem ser elevados. Dessa maneira, a restauração produtiva surge como alternativa para amortização dos gastos realizados para intervenção e, ainda, como possibilidade de geração de renda aos produtores.

Os sistemas agroflorestais sucessionais e os plantios produtivos e biodiversos com espécies nativas apresentam-se como solução tecnológica para a recomposição da vegetação nativa. Entretanto, ao optar pela restauração produtiva, é necessário que o produtor esteja ciente das demandas e exigências específicas desses

Área de experimento de recomposição produtiva utilizando espécies

Cerrados - Fazenda Entre Rios, em Brasília-DF, por Tamilis Rocha

Opiniões

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modelos de produção, principalmente, no que diz respeito à mão de obra.

A implementação de modelos restauradores deve alinhar as expectativas e a aptidão produtiva do produtor às demandas do sistema, pois se sabe que os sistemas agroflorestais demandam maior quantidade e intensidade de mão de obra para atividades de manejo e colheita. Além disso, a escolha das espécies é fundamental, considerando critérios socioambientais e econômicos, pontos de venda, canais de comercialização, beneficiamento, agroindústrias, etc.

A vegetação de referência é o objetivo final a ser atingido, e dessa maneira, as espécies que irão compor o sistema devem conseguir garantir e contribuir para recompor essa vegetação para poder atingir os parâmetros ecológicos estabelecidos nos Programas de Regularização Ambiental (PRA) e normativas estaduais. Os modelos financeiros conduzidos no projeto FIP Paisagens Rurais são compostos por dois centros de custos: 1) controle dos fatores de degradação; 2) plantio/semeadura em áreas florestais e savânicas.

Para controle dos fatores de degradação, os custos, como aceiramento, controle de gramíneas, controle de forma e recuperação do solo, variam de R$2.120,00 a R$7.225,00 por hectare no ano de implementação, enquanto nos anos de manutenção (ano 1 e ano 2) os custos reduzem para R$1.120,00 a R$2.736,00/ha. No plantio, os custos com mudas mostraram-se superiores aos cenários utilizando semeadura direta. Em média, os cenários com mudas foram de R$18.778,00/ha, enquanto os modelos de semeadura direta foram de aproximadamente R$9.416,54/ha. Os modelos com plantio de mudas e semeadura direta apresentaram média de R$18.886,00/ha. Na restauração produtiva, é essencial amortizar os elevados investimentos e contribuir para geração e diversificação da renda do produtor rural.

Sabemos, entretanto, que os produtores rurais ainda não estão receptivos e preparados para implementar sistemas complexos de restauração. Entendemos, ainda, que a cadeia produtiva da recomposição de vegetação nativa é composta por diversos elos, envolvendo os setores de produção de mudas, sementes e as estratégias técnicas e modelos propriamente ditos. Se alguns desses elos já estão estabelecidos e consolidados (disponibilidade do conhecimento científico), em contrapartida, ainda faltam políticas públicas e programas de acesso ao crédito para seu estabelecimento e pleno funcionamento. n

programas de conservação e restauração florestal

o programa de CRF na Irani

O momento exige muita reflexão sobre a importância deste tema, em meio a uma avalanche de notícias vinculadas às mudanças do clima e aos principais fatores que afetam o nosso meio ambiente. Cada vez mais, entendemos que o assunto deve fazer parte da nossa essência, estando em sinergia com os processos e em equilíbrio com os nossos modelos de gestão.

Conforme o IBÁ (2022), nosso setor florestal planta, colhe e replanta em uma área de 9,94 milhões de hectares, manejadas com as mais modernas técnicas amplamente apoiadas em ciência e tecnologia. Além das áreas produtivas, nosso setor também conserva, simultaneamente, outros 6,7 milhões de hectares de florestas nativas, sendo 71% compostos por áreas de Reserva Legal (RL) e os demais 29% por Áreas de Preservação Permanente (APP).

Números robustos que demonstram a importância do setor florestal na economia brasileira e de tantos outros países que absorvem nossa gama de produtos, que vão de cristais de nanocelulose utilizados em condutores elétricos a espessantes e estabilizantes utilizados na composição de diversos alimentos.

Fundamental para a manutenção e conservação do meio ambiente, nosso setor florestal também é responsável pela gestão direta ou indireta de 100 mil hectares de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), distribuídas em diversos Biomas, bem como, também, somos responsáveis por mais de 180 mil hectares de áreas identificadas como de alto valor de conservação (AAVC).

O setor também atua centrado na capacidade ecofisiológica das árvores de remover e estocar gás carbônico da atmosfera na formação da sua biomassa. São 1,82 bilhões de toneladas de dióxido de carbono estocados nas florestas produtivas e 2,98 bilhões de toneladas em florestas naturais.

Quanto à diversidade, mais de 8,3 mil espécies da nossa biodiversidade foram registradas em áreas pertencentes ao nosso setor florestal, representando 35% de fauna e 65% de flora.

São diversos os temas com os quais o setor florestal contribui significativamente para a melhoria do nosso meio ambiente, ora criticado pela falta de informação por alguns públicos, porém, “não abalado”, e com a certeza de que está no caminho certo.

Inspirados pela conexão que temos com a natureza, na Irani Papel e Embalagem buscamos constantemente suprir as necessidades atuais sem comprometer as das gerações futuras. Há mais de 80 anos, abraçamos e embalamos a vida, carregando itens do cotidiano das pessoas, movidos pela certeza de que, juntos, desenvolvemos o nosso futuro!

Nosso programa de conservação e restauração florestal consiste em um modelo comprometido com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, estando eles na essência das nossas atividades. Com a manutenção do certificado de manejo florestal FSC, desde 2008, garantimos que nossas operações florestais seguem premissas baseadas em diversas práticas sustentáveis.

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Além dos conhecidos, nossa gama de produtos vão de cristais de nanocelulose utilizados em condutores elétricos a espessantes e estabilizantes utilizados na composição de diversos alimentos "

Mangueiras e Componentes Hidráulicos

Conheça nossos produtos e serviços para os setores:

FLORESTAL + PAPEL E CELULOSE

X-CODE

O sistema de codificação e identificação de magueiras montadas

Código alfanumérico que fornece informações técnicas sobre suas mangueiras montadas;

Simplifica o processo de resposição em manutenções;

Acesso ao software de gerenciameno de mangueiras my.HANSA-FLEX.

MÓVEL (MHS)

SERVIÇO HIDRÁULICO

Sempre disponível para minimizar seus tempos de máquina parada

Atendimento 24 horas por dia e 7 dias por semana; Técnicos experientes e treinados; Oficina móvel independente de fonte de energia externa e equipada com uma grande variedade de mangueiras e componentes hidráulicos.

Na composição de nossas florestas em Santa Catarina, 45% correspondem às áreas produtivas compostas por plantios de pinus para produção de papel e eucalipto para geração de energia, 6% correspondem às nossas áreas de infraestruturas necessárias ao processo produtivo e 49% correspondem às áreas de florestas nativas monitoradas, conservadas e constantemente enriquecidas. 25% do total de nossas áreas é composto por áreas de Reserva Legal (RL) e, em 2018, criamos a RPPN Professora Yara C. Nicoletti. A unidade de conservação particular conta com uma área de 285 hectares, sendo dedicada às ações de educação ambiental, possibilitando aos visitantes uma vivência em todos os aspectos que a floresta de araucárias pode oferecer. É uma experiência enriquecedora que demonstra a importância das ações de sustentabilidade da Irani.

As ações de educação ambiental desenvolvidas envolvem escolas das comunidades onde temos a atuação de colaboradores e prestadores de serviços com objetivo de estreitar relações e disseminar informações sobre as ações de preservação ambiental, além de fortalecer o canal de comunicação com nossos stakeholders

A partir dos conceitos e atributos de Alto Valor de Conservação (AAVC), desenvolvidos pelo FSC, foram identificados 3.150 hectares com características excepcionais de biodiversidade, formação de paisagem, ecossistemas raros e ameaçados de extinção.

Inseridas no Bioma Mata Atlântica e caracterizadas como Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucárias), mantemos monitoramentos dos atributos de biodiversidade das florestas nativas.

Para os levantamentos de flora, estudos foram iniciados em 2009 e até 2022, e já foram identificadas mais de 120 espécies, dentre elas, 11 estão na lista de espécies ameaçadas de extinção.

Nos levantamentos de fauna, os estudos iniciaram em 2008, dentre as espécies já identificadas nas áreas da Irani, as tabelas mostram as espécies que estão em categorias de risco de extinção, a partir de dados de população, distribuição geográfica e ameaças definidas pela IUCN e pela lista nacional e estadual (SC).

Além dos estudos direcionados à flora e à fauna, também, são mantidas pesquisas voltadas à identificação de aves, com resultados significativos e com a presença de espécies vulneráveis e em perigo, como: macuco, gavião-miudinho, sabiá-cica, pavó, caboclinho-de-barriga-preta, entre outras.

Formação de Mosaicos Florestais
Visitantes conhecendo a RPPN – Reserva Particular do Patrimônio

Na identificação de anfíbios, os resultados foram semelhantes, identificando espécies como o sapinho-de-barriga-vermelha e a perereca-de-vidro, também presentes na lista de espécies vulneráveis e em perigo.

Dentre as iniciativas para conservação e restauração florestal na Irani, também, é mantido um viveiro destinado à produção de mudas florestais nativas. O cultivo busca garantir mudas para o uso em projeto internos de recuperação de áreas degradadas em apoio a comunidades e escolas, bem como, apoio às ações de restauração e eventos ambientais promovidos pela comunidade local. Atualmente o viveiro conta com cerca de 40 espécies, em 2022, foram doadas aproximadamente 9 mil mudas nativas.

Para a formação da base florestal, as áreas são plantadas formando mosaicos com as Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL), o que garante a conservação da biodiversidade por meio da formação de blocos e corredores ecológicos. Esse sistema facilita o fluxo gênico da flora e da fauna entre os remanescentes florestais.

As operações florestais buscam atender às melhores práticas, planejadas, previamente, por equipe multidisciplinar, elaborando o Microplanejamento Operacional, em que são levantadas diversas informações relacionadas à saúde e à segurança, aspectos operacionais, malha viária, produtividade, influência às comunidades de entorno, bem como, as informações relativas ao meio ambiente e possíveis impactos causados pelas opções, nesse caso, realizando sua identificação, controle, minimização e mitigação de possíveis impactos ambientais.

Com o objetivo de promover maior segurança florestal, no ano de 2020, foram instaladas 2 torres, que, através de monitoramento 24 horas, identificam possíveis focos de fumaça. Esse sistema possibilitou uma maior agilidade no tempo de resposta dos brigadistas da companhia, reduzindo, dessa forma, perdas de patrimônio e emissões de CO2 para a atmosfera.

Sustentabilidade, para nós, é um modelo de gestão que equilibra o desenvolvimento econômico, social e ambiental. O equilíbrio e a sinergia entre esses pilares produzem resultados duradouros e admiráveis. O compromisso com a sustentabilidade está em toda a nossa cadeia de negócios: nasce a partir das florestas e se completa com a atuação nas comunidades próximas, o que promove a busca por uma vida socialmente justa. n

Patrimônio Natural – Professora Yara C. Nicoletti

silvicultura e sistemas agroflorestais

Sistemas Agroflorestais (SAFs) são sistemas de produção onde espécies arbóreas são plantadas em conjunto com outras culturas (agrícolas, hortaliças ou frutíferas) e/ou animais. Representam uma abordagem inovadora e promissora para enfrentar os desafios enfrentados pela agricultura contemporânea e para contribuir para a restauração florestal. Apesar de desafios específicos, as vantagens significativas em termos de sustentabilidade ambiental, resiliência agrícola e benefícios econômicos destacam o potencial dos SAFs como uma importante ferramenta na construção de um futuro mais sustentável. A integração de práticas agroflorestais deve ser incentivada e adaptada para atender às necessidades específicas de diferentes regiões e comunidades.

O sucesso dos SAFs reside na compreensão das habilidades, experiências e metas individuais dos agricultores. Uma avaliação das aptidões e interesses é essencial para moldar estratégias que se alinhem com as características únicas de cada produtor. O envolvimento direto dos agricultores no planejamento é fundamental, garantindo que as decisões reflitam as necessidades e desejos individuais. Isso promove aceitação e comprometimento.

O sucesso dos SAFs reside na compreensão das habilidades, experiências e metas individuais dos agricultores. Uma avaliação das aptidões e interesses é essencial para moldar estratégias "

A assistência técnica é essencial e desempenha o papel de oferecer orientação e capacitação, além de acompanhar a implantação e manutenção das atividades dos SAFs. Dessa forma, os agricultores podem realizar ajustes, conforme necessário, garantindo a eficácia e sustentabilidade ao longo do tempo.

Podemos mencionar que as principais vantagens dos SAFs são:

1) diversificação de cultivos: incluindo alimentos, frutíferas, produtos madeireiros e não madeireiros. Essa diversidade pode complicar a comercialização, uma vez que diferentes produtos podem ter demandas de mercado distintas;

2) conservação do solo: a presença de árvores em sistemas agroflorestais ajuda a prevenir a erosão do solo, protegendo-o contra a degradação;

3) ciclagem de nutrientes: a interação entre as árvores e as culturas cria um ciclo de nutrientes mais eficiente, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos;

4) sequestro de carbono: as árvores armazenam carbono em sua biomassa, contribuindo para mitigar as mudanças climáticas e promovendo a sustentabilidade ambiental; ;

5) resiliência a mudanças climáticas: a diversificação de culturas e a presença de árvores conferem maior resiliência aos agricultores diante das mudanças climáticas. Os SAFs são capazes de se adaptar melhor a condições adversas, contribuindo para a estabilidade da produção.;

6) diversificação de renda: a presença de árvores de valor comercial em sistemas agroflorestais oferece oportunidades de diversificação de renda para os agricultores;

7) envolvimento comunitário: promovem a participação ativa da comunidade na gestão e manutenção dos sistemas. Agricultores tornam-se co-criadores do ambiente agroflorestal, fortalecendo os laços comunitários e incentivando a responsabilidade compartilhada;

8) acesso a mercados sustentáveis: produtos provenientes de SAFs, muitas vezes cultivados de forma sustentável e orgânica, podem atrair consumidores conscientes. Agricultores envolvidos em SAFs têm a oportunidade de acessar mercados diferenciados e obter preços mais altos para seus produtos.

E as principais dificuldades para adotar SAFs são:

1) conhecimento específico e complexidade de manejo: a gestão de sistemas agroflorestais pode ser mais complexa em comparação com práticas agrícolas convencionais, demanda conhecimento técnico específico, desde o planejamento até a manutenção, sendo necessário conhecimento mais amplo e habilidades específicas para otimizar a interação entre as diferentes espécies. A capacitação técnica é essencial para capacitar os agricultores na implementação e gestão eficaz de SAFs. Programas de treinamento e assistência técnica podem ajudar a superar as barreiras relacionadas ao conhecimento;

2) tempo de estabelecimento: a transição de sistemas agrícolas convencionais para SAFs pode demandar tempo, já que as árvores precisam de um período para amadurecer e começar a oferecer benefícios significativos;

3) concorrência por recursos: a competição por luz, água e nutrientes entre árvores e plantas cultivadas pode ocorrer, especialmente durante os estágios iniciais do sistema;

4) comercialização: a comercialização de produtos agroflorestais pode ser mais desafiadora devido à diversidade de produtos e à necessidade de encontrar mercados específicos. A falta de cadeias de suprimentos

SAF com cacau e açaí aos 8 anos, em Tomé Açú, PA
Importância do planejamento

consolidadas pode representar um desafio para os agricultores.

A formação de cooperativas permite que os agricultores unam forças na comercialização de produtos agroflorestais. A cooperação facilita a negociação de preços mais justos e a entrada em mercados maiores. As certificações podem valorizar os produtos agroflorestais. Agricultores certificados podem acessar mercados que valorizam a sustentabilidade, promovendo práticas agrícolas responsáveis.

Os SAFs, quando integrados com a participação ativa dos agricultores e estratégias eficazes de comercialização, oferecem uma solução holística para os desafios enfrentados pela agricultura moderna. Ao proporcionar benefícios econômicos e sociais, os SAFs não apenas fortalecem a resiliência dos agricultores, mas também contribuem para a restauração florestal e a construção de sistemas alimentares mais sustentáveis e inclusivos.

O caminho para a adoção generalizada de SAFs passa pela capacitação dos agricultores, cooperação comunitária e a criação de mercados sustentáveis que valorizem a diversidade e a sustentabilidade.

A viabilidade financeira dos SAFs requer uma abordagem holística, incorporando estratégias que abordem desafios específicos.

A diversificação inteligente, a integração eficiente nas cadeias de valor, a busca de certificações adequadas e a adoção de tecnologias inovadoras são fundamentais para garantir o sucesso econômico a longo prazo.

Ao alinhar práticas sustentáveis com estratégias financeiras sólidas, os agricultores podem colher os benefícios econômicos e ambientais dos SAFs.

A superação dos desafios de comercialização em sistemas agroflorestais exige uma abordagem multifacetada que envolva produtores, consumidores, governos e parceiros comerciais. Ao focar em estratégias que abordem a diversidade de produtos, a falta de cadeias de suprimentos consolidadas e a conscientização do consumidor, os agricultores em SAFs podem fortalecer suas posições no mercado. Além disso, medidas como certificação acessível, estratégias de marketing inovadoras e parcerias estratégicas podem contribuir para criar um ambiente comercial mais favorável para produtos agroflorestais, incentivando assim a transição para práticas agrícolas mais sustentáveis. n

Primeiros SAFs implantados na Amazônia Ocidental, 1991

Floresta

Juntos, construímos um legado. Agora, vamos construir

Somos Envu, uma nova empresa com 50 anos de experiência

Envu é uma nova visão para uma empresa com meio século de história no segmento de saúde ambiental, que detém um sólido portfólio de produtos comprovados e reconhecidos.

Em cada uma de suas linhas de negócio, a Envu concentra seu trabalho na química e além, colaborando com os clientes para criar soluções que funcionarão hoje e no futuro.

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espécies arbóreas nativas

espécies nativas para restauração florestal

O tema “A real riqueza da silvicultura” é inspirador, levando à reflexão do caminho percorrido até o momento, quando o cultivo de florestas passa a ser estratégico para economia, oportunizando ganhos sociais e ambientais ao nosso país. No contexto mundial, o status positivo ocorreu em resposta às condições ambientais do Brasil, o know-how na silvicultura do gênero Eucalyptus, e a evolução no cultivo dos gêneros Pinus, Corymbia, Acacia, Khaya e Tectona. Isso, alinhado à legislação e ao interesse das empresas, enfatizando as certificadas, imprime o padrão de responsabilidade que deve servir de referência para outros setores do agronegócio nacional.

Em outra perspectiva, a riqueza da silvicultura também está atrelada a mais de 7.000 espécies arbóreas nativas de usos múltiplos potenciais, as quais apresentam comportamento específico conforme o ambiente. Dentre as centenas de espécies mais conhecidas em termos de uso e cultivo, citam-se Ilex paraguariensis, Araucaria angustifolia, Anacardium occidentale, Bertholletia excelsa, Virola sunimensis, Copaifera langsdorffii, Handroanthus heptaphyllus, Cedrela odorata, Hymenaea courbari, utilizadas na alimentação, fitoterápicos, cosméticos e madeira.

Outros milhares ainda apresentam incógnitas quanto ao seu real potencial e, consequentemente, sobre sua silvicultura, apesar de certamente apresentarem benefícios indiretos.

Nesse sentido, busca-se conduzir o leitor à reflexão de alguns fatores importantes no contexto do título proposto: a) na COP21, o Brasil assumiu o compromisso de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares até 2030, como benefícios à economia de baixo carbono; b) o território nacional apresenta ambientes contrastantes distribuídos entre as latitudes 5ºN (RR) - 33ºS (RS) e as longitudes 34ºW (PB)73ºW (AC), cujas variações do clima, topografia e solo determinam a presença e abundância das espécies; c) a proporção do componente arbóreo nos biomas e regiões fitoecológicas é caracterizada pela existência e comportamento das espécies, de modo que algumas se distribuem no espaço de forma mais restrita (ex. Neltuma affinis, Swietenia macrophylla), intermediária (ex. Myrocarpus frondosus, Blepharocalyx salicifolius) ou ampla (ex. Cedrela fissilis, Anadenanthera colubrina); d) as espécies apresentam padrões de tolerância à disponibilidade de luz incidente e outras características, que as classificam em grupo sucessional (pioneira, secundária inicial, secundária tardia, clímax); e) a biologia reprodutiva das espécies determina as populações genéticas.

A princípio, analisando o incentivo às práticas de restauração no Brasil, percebe-se que as ações estão restritas às regiões específicas e por motivos variados, como força política de determinados grupos internacionais e nacionais, ocorrência de desastres ambientais e, em alguns casos, por demandas legais.

Em outra perspectiva, a riqueza da silvicultura também está atrelada a mais de 7.000 espécies arbóreas nativas de usos múltiplos e potenciais, as quais apresentam comportamento específico conforme o ambiente."

Coordenadora do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria

Nessa perspectiva, as cobranças são regionalizadas, e não em âmbito nacional, desestimulando que os diversos setores da economia atuem no sentido de “conservar e recuperar o que detém a posse”. Por outro lado, também é necessário reconhecer que houve avanços, em resposta ao esforço conjunto de universidades, instituições de pesquisa, empresas, associações e organizações não governamentais. Isso permitiu a elaboração de diretrizes gerais importantes, mas que devem ser adaptadas conforme o ambiente (local específico), ou seja, não existe uma lista de espécie com uma “receita de como fazer”.

Assim, inicialmente, é preciso avançar na compreensão sobre as espécies florestais nativas e seu cultivo para fins ambiental e/ou produtivo, em termos regionais e não generalizados. Além disso, é relevante direcionar esforços para a seleção de árvores matrizes em áreas maiores, com o apoio de órgãos públicos em unidades de conservação, bem como, aumentar o número de matrizes compondo os lotes de sementes, o que proporcionará sementes e mudas com maior variabilidade genética.

Na figura em destaque é apresentado um esquema sobre a silvicultura e considerações necessárias à restauração. Partindo da porção superior esquerda, observa-se uma condição da floresta já compreendido pela silvicultura, a qual indica a floresta que se pretende manter (conservar) ou atingir (restauração ecológica). Esse entendimento expressa a base inicial para seleção de espécies e sua representatividade quanto à densidade (ind./ha), frequência (distribuição na área), dominância (m 2/ha), entre outras características autoecológicas.

Na sequência, são apresentadas as questões mais limitantes da silvicultura que devem ser detalhadamente observadas antes da execução da restauração. No caso, uma série de atividades predispõe a disponibilidade das sementes: fenologia de frutificação (quando e como coletar, por quanto tempo), agilidade no processamento dos frutos, seguido do

Esquematização de aspectos relevantes na seleção de espécies para restauração, com indicativo da etapa de execução: menos limitante (verde) ou mais limitante (vermelho).

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uso ou armazenamento. Em termos de disponibilidade de mudas, é importante consultar previamente os viveiros da região, pois o investimento de produção é alto e muitas espécies são produzidas diante demandas, pois dependem da disponibilidade de sementes, dos percentuais e uniformidade de emergência. Finalmente, o estabelecimento das plantas para efetiva restauração ecológica, apresenta limitações na fase inicial pós-plantio, o que está associado às condições do clima e extremos meteorológicos.

Nessa última fase, destaca-se a importância de identificar o nível de alteração ou degradação da área, a posição geográfica e as principais variações climáticas, de modo a selecionar espécies mais tolerantes à cobertura inicial e planejar as intervenções pós-plantio. No Sul, destacam-se condições extremas, onde as geadas podem comprometer inclusive espécies pioneiras nativas, consideradas adequadas à restauração na região (Turchetto et al., 2020, In: Journal of Environmental Management). Extremos meteorológicos durante verões quentes, também, têm reduzido o estabelecimento de mudas, principalmente, em regiões mais continentalizadas, fato que demanda a identificação de espécies tolerantes ao estresse hídrico (Stahl, 2024, no prelo).

Nesse contexto, o entendimento da complexidade de cada etapa permite identificar as lacunas e valorizar a restauração não como ação isolada, mas como resultado de várias atividades interligadas. A silvicultura de espécies arbóreas nativas, apesar de ser uma linha de estudos encantadora, representa um desafio contínuo para os profissionais que buscam a efetiva conservação das florestas por longo prazo.

Finalmente, é fundamental destacar a grandiosidade daqueles que assumem o desafio, parabenizando pesquisadores, professores, empresas e cidadãos que participam de ações de restauração e reflorestamento. Destaco àqueles que desejem cultivar espécies nativas, independentemente do objetivo (produção, obtenção de crédito de carbono ou ambiental), a importância do olhar acurado à seleção das espécies, com planejamento prévio para obtenção de mudas, bem como a condução da área após o plantio. n

Informe técnico

A Silvicultura e a Terceirização de Serviços Florestais

A silvicultura brasileira embasada em ciência e tecnologia gera uma quantidade enorme de benefícios sociais e ambientais que dão suporte à sustentabilidade da atividade.

Nada, no entanto, é tão flagrante e abrangente quanto à geração de empregos. É uma riqueza imensurável da silvicultura brasileira. Fala-se em milhões de empregos em milhares de empresas e propriedades rurais de todo o Brasil. E tudo originado de uma exitosa política pública dos anos 60/70 – os incentivos fiscais para reflorestamento. E, utilizando-se basicamente de eucalipto e pinus.

Atualmente, a cadeia produtiva dessas espécies é imensa. A madeira, em suas mais diferentes formas, está na vida das pessoas e para as mais diferentes utilidades, o que dá sustentação ao mercado, ao nível nacional e mundial. E para esse mercado, que só cresce e se diversifica, há de se plantar, manejar, colher e cuidar todos os dias com máquinas e equipamentos, com ciência e, acima de tudo, com gente. E para todos os níveis e especializações. Um mundo cada vez maior de oportunidades e capacitações profissionais que se ampliam e enriquecem a cadeia produtiva. Para os grandes empreendedores, a maior riqueza de seus negócios está “entre as orelhas” de seus profissionais com olhar e foco nas florestas que plantam todos os dias.

" Para os grandes empreendedores, a maior riqueza de seus negócios está 'entre as orelhas' de seus profissionais com olhar e foco nas florestas que plantam todos os dias. "

Nelson Barboza Leite e filhos, Alexandre e Daniel

Diretor da Teca, Daplan e Administrador da www.facebook.com.br/comunidadeDeSilvicultura

Qualquer empreendimento que tenha a madeira como sustentação de seus processos industriais pode agigantar-se, diversificar-se, mas não pode afastar-se dos cuidados imprescindíveis às suas florestas. Há quem diga que o sucesso e sustentação de grandes indústrias são previsíveis pela qualidade de suas florestas. Desde o início das atividades de reflorestamento nos anos 70, a geração de empregos só cresceu. Apesar de inúmeras polêmicas, algumas justificáveis, em todos os municípios em que a silvicultura surgiu e se desenvolveu a geração de empregos cresceu, as pessoas saíram da marginalidade social e se dignificaram. Há de se registrar, também, que a qualidade do emprego na silvicultura sempre se destacou pelo pleno atendimento de boas condições aos seus colaboradores.

Essa postura deve muito aos processos de certificação florestal e que, presentemente, abrangem a grande maioria das empresas florestais. Fala-se em milhões de empregos em toda a cadeia produtiva, envolvendo empregos diretos e indiretos. Não há dados estatísticos a respeito da forma de empregabilidade em que se encontram os colaboradores florestais, mas há estimativas indicando que nas atividades de campo, pelo menos, em regiões de grande concentração de trabalhos florestais – da produção de mudas à madeira nas indústrias – cerca de 80% dos colaboradores florestais estão representados por centenas de empresas que prestam serviços contratados.

É a terceirização que na silvicultura tem uma representação significativa e que passa, dessa forma, a representar um dos principais pilares da silvicultura brasileira. Tratar da seleção e qualidade dessas empresas, do treinamento de seus colaboradores, além de exigir evolução e profissionalização, é um grande desafio da sustentabilidade da atividade. Há de se incentivar e apoiar a integração e a institucionalização dessas empresas, a formação de cooperativas, de associações representativas, enfim, há de se dar legitimidade e meios que

garantam continuidade a essas empresas que dão sustentabilidade aos empregos na silvicultura. Constituem a essência da cadeia produtiva florestal e elas haverão de merecer os cuidados necessários para evolução e melhorias organizacionais.

A terceirização abrange todas as fases do processo produtivo. Há terceiros muito bem estruturados que representam, dignamente, a própria contratante. São terceiros exemplares que nada devem aos seus contratantes em organização empresarial e tratamento de seus colaboradores. Mas há, também, e, muitas vezes, disputando o mesmo espaço no mercado, empresas sem estrutura operacional e sem conhecimento das adversidades de campo se colocando à disposição dos interessados. É nesse momento, que cabe a seleção e valorização dos melhores terceiros. É aqui que as boas contratantes podem colaborar, e muito, com a melhoria da terceirização.

Em minha vida profissional, tive o privilégio de passar por diferentes atividades – em instituições de pesquisas, serviço público, empresas, consultoria e entidades representativas –e, atualmente, como consultor para “gestão de negócios e gente” num terceiro, a Teca – Serviços Florestais. Com certeza, tem sido uma das mais ricas experiências da vida profissional, pelas lições de todos os dias, pela convivência com pessoas e de muita experiência operacional e pela enorme satisfação da companhia dos filhos Alexandre e Daniel, profissionais da referida empresa.

Atua, basicamente, no Mato Grosso do Sul, onde tem tido oportunidade de colocar em prática, no dia a dia, alguns conceitos que a empresa prega como sua filosofia de trabalho e de vida – qualidade, responsabilidade socioambiental e respeito aos colaboradores.

A empresa conta com o apoio de um grupo de consultores especializados em diferentes assuntos. Tudo para que se possa atender da forma mais adequada seus contratantes.

Assim, conhecemos e vivemos a terceirização. E participando dessa estrutura especializada na formação e manejo de floresta com qualidade operacional, cultivando o respeito entre colaboradores e contratantes, foi que passamos a ter convicção de que o desenvolvimento profissional da terceirização é o caminho para se dar sustentação à geração de empregos na silvicultura e, acima de tudo, que esse exército de colaboradores possa atuar de forma efetiva na formação de florestas de boa qualidade.

a mudança de restauração

paradigmas

A partir do final da década de 1980 e início dos anos 90, começaram a surgir demandas e projetos de restauração florestal, inicialmente, voltados para a recuperação de matas ciliares de reservatórios hídricos. Em comum, esses primeiros projetos de restauração florestal, que sem dúvida foram de extrema importância para o desenvolvimento da ciência e prática da restauração florestal no Brasil, tiveram o uso de conceitos e técnicas da silvicultura tradicional.

A maioria desses projetos pioneiros tomou como base e fundamentação teórica o paradigma clássico da sucessão, procurando reproduzir um estágio final, ou seja, o clímax dos ecossistemas, com o plantio de espécies com ocorrência nas florestas em estágio avançado. Para isso, tudo precisava ser muito previsível e de certa forma “engessado” com muitas regras e definições padronizadas de espaçamentos, número de espécies, etc.

A partir do avanço das pesquisas em sucessão ecológica, a restauração florestal passou, nas últimas duas décadas, a ganhar uma conotação mais

flexível, seguindo o paradigma contemporâneo em que o importante é garantir o avanço do processo, o ganho de diversidade com o tempo, a recuperação das funções do ecossistema e o aproveitamento do seu potencial de autorrecuperação ou resiliência.

Nessa nova abordagem da restauração florestal, a regeneração natural passou e vem sendo cada vez mais valorizada nos projetos, visando não apenas à redução dos elevados custos de implantação e manutenção do reflorestamento com plantio em área total, mas também procurando imitar os processos ecológicos que garantem o avanço natural da sucessão ecológica.

Cabe destacar que no contexto da restauração em larga escala, como os grandes projetos que envolvem a restauração ao nível de paisagem e até de territórios, uma heterogeneidade de

Nessa nova abordagem da restauração florestal, a regeneração natural passou e vem sendo cada vez mais valorizada nos projetos, procurando imitar os processos ecológicos que garantem o avanço natural da sucessão ecológica. "

Sebastião Venâncio Martins

Laboratório de Restauração Florestal (LARF) do Dpto de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa

situações é normalmente encontrada, desde áreas com elevado potencial de regeneração natural, em que o simples cercamento é suficiente para o retorno da floresta, até áreas de pastagens de baixa resiliência, ocupadas por gramíneas exóticas agressivas como a braquiária (Urochloa decumbens) e com remanescentes de florestas nativas ausentes ou muito isolados e degradados, nos quais o plantio de mudas em área é a melhor opção.

Entre esses dois extremos existem situações intermediárias, em que é mais viável adotar a regeneração natural assistida (RNA), na qual se aplicam ações de estímulo da regeneração natural, como o coroamento e a adubação de cobertura de regenerantes em pastagens, a implantação de núcleos de mudas e de sementes, o controle de espécies invasoras inibidoras da sucessão, entre outras.

Nesse cenário atual da restauração florestal, nos projetos que desenvolvemos no LARF – Laboratório de Restauração Florestal da UFV, procuramos sempre seguir a flexibilização das ações, direcionar técnicas mais adequadas para cada situação de degradação e de potencial de regeneração.

No contexto da mineração, como exemplo da aplicação tanto de regeneração natural, como da regeneração natural assistida e do plantio em área total, podemos citar o grande projeto da Fundação Renova na bacia do rio Doce, que conta com parceria do LARF-UFV em pesquisas e orientações técnicas.

Nesse, que é um dos maiores projetos de restauração florestal em larga escala do Brasil, diferentes cenários foram identificados com base no uso do solo e do potencial de regeneração, possibilitando definir com precisão as áreas destinadas ao plantio em área total, bem como aquelas em que a regeneração natural apenas ou a sua condução (RNA) são suficientes.

Situação parecida, que também conta com a parceira do LARF, é o grande programa da Vale de restauração florestal de áreas atingidas por rejeitos e de áreas compensação em Brumadinho, MG, no qual contribuímos com pesquisas de monitoramento da restauração florestal de plantios em área total, mas também com técnicas de nucleação como a transposição de topsoil e técnicas de engenharia natural ou bioengenharia de solos, via experimentos de revegetação de margem do rio Paraopeba, com plantio de estacas vivas.

Multilingual Edition

Ainda na mineração, cabe destacar as iniciativas em pesquisas e inovações realizadas pela Companhia Brasileira de Alumínio –CBA-, na Zona da Mata mineira, em parceria com o LARF desde 2011. Através desse grande projeto, temos realizado pesquisas de monitoramento da restauração florestal realizada pela empresa, tanto em áreas mineradas como em áreas de compensação, mediante vários indicadores, como regeneração natural, fertilidade do solo, biodiversidade de flora e fauna, análise da cobertura florestal através de imagens, entre outros.

Além disso, várias inovações foram produzidas ao longo desses 12 anos de parceria, merecendo destaque o plantio de mudas altas (com altura média de 2 m) em larga escala, o que tem possibilitado a rápida formação de copas e cobertura do solo, superando a competição com a braquiária e reduzindo custos de manutenção, além de promover a atração da fauna, uma vez que muitas mudas já são plantadas com flores e frutos.

Como exemplo de case de sucesso com aplicação da regeneração natural assistida e outras técnicas alternativas, podemos citar o importante projeto de restauração florestal realizado pela CMPC Celulose Riograndense, no qual o LARF contribui também desde 2012. Nesse projeto, que envolve hortos florestais da empresa em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, a parceria CMPC/LARF possibilitou a conversão do sistema de restauração florestal com plantio em área total para o plantio de núcleos de mudas, que resultou em expressiva redução de custos e na ocupação das APPs por espécies nativas regionais em poucos anos.

Nessa parceria, também, levamos para o RS a técnica do resgate de plântulas, que já usávamos em MG nos projetos com mineradoras. Assim, atualmente, a quase totalidade das mudas de espécies nativas dos núcleos implantados nas APPs pela empresa é proveniente do resgate de mudas do sub-bosque de talhões de eucalipto. Portanto, podemos concluir que a restauração florestal de áreas mineradas, APPs e áreas de compensação não deve ser “amarrada” a uma só técnica, pois existe um cardápio de diferentes opções, sendo que a tomada de decisão deve levar em contas vários aspectos, como o estado de degradação, o recurso financeiro disponível, a resiliência local e o nível de paisagem, entre outros. n

“A CENIBRA que me acolheu ainda muito jovem e me proporcionou grandes conquistas em aprendizados, amizades e crescimento.”

Analista de Recursos Humanos

silvicultura de espécies nativas para restauração socioprodutiva na Amazônia

No contexto global, o termo “restauração florestal” ganhou projeção a partir do lançamento da iniciativa denominada “Década da Restauração, feita pela Organização Mundial para Agricultura (FAO), em 2020”. Desde então, termos como “restauração ambiental”, “restauração ecológica”, “restauração florestal”, ou até, “silvicultura de plantações” têm sido empregados para diversas situações. Conceitualmente, esses termos têm sido bem explorados na literatura pertinente.

A “restauração ambiental” visa recuperar ecossistemas degradados e melhorar a regulação hidrológica, proteção do solo e promoção da biodiversidade. É utilizada para “reconstruir” funções e serviços ecossistêmicos de áreas mineradas, habitats aquáticos e manguezais degradados, ou de áreas após incêndios. A “restauração ecológica” busca restabelecer as condições naturais próximas ao estado original. Envolve reintroduzir espécies nativas, restaurar habitats naturais e processos ecológicos naturais, podendo ser aplicada em áreas degradadas por atividades antrópicas e nascentes suprimidas.

“Restauração florestal” e “silvicultura de árvores nativas plantadas” podem promover o desenvolvimento rural mais sustentável. "

Silvio Brienza Júnior e Jorge Alberto Gazel Yared Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental e do Instituto Iniciativa Amazônia, respectivamente

ESPÉCIES FLORESTAIS E AMBIENTES POTENCIAIS PARA PLANTIO NA AMAZÔNIA

Nome

Condições de Plantio

Vulgar Científico Pleno Sol Enriquecimento Sistema Agroflorestal Capoeira Mata

Andiroba Carapa guianensis xxxx xxxx xxxx

Araracanga Aspidosperma alba xxxx xxxx xxxx

Castanha-do -

-Pará Bertholletia excelsa xxxx xxxx xxxx

Cupiúba Goupia glabra xxxx xxxx

Fava amargosa Vataireopsis speciosa xxxx xxxx xxxx xxxx

Fava bolota Parkia gigantocarpa xxxx xxxx xxxx xxxx

Freijó cinza Cordia goeldiana xxxx xxxx xxxx

Ipê amarelo Handroanthus serratifolius xxxx xxxx xxxx

Jutaí-açu Hymeneae courbaril xxxx xxxx

Marupá Simarouba amara xxxx xxxx

Mogno brasileiro Swietenia macrophylla xxxx(1) xxxx xxxx xxxx

Morototó Didymopanax morototoni xxxx xxxx xxxx

Parapará Jacanda copaia xxxx xxxx xxxx

Paricá Schyzolobium parahyba xxxx xxxx xxxx xxxx

Quaruba

verdadeira Vochysia maxima xxxx xxxx xxxx

Tatajuba Bagassa guianensis xxxx xxxx xxxx

Tachi-branco Tachigali vulgaris xxxx

Ucuúba Virola surinamensis xxxx xxxx xxxx xxxx

(1)Plantios em baixa densidade e associados a outras espécies florestais

A “restauração florestal”, como segmento da restauração ecológica, foca em restaurar a estrutura de florestas, as funções ecológicas, a biodiversidade, os processos biogeoquímicos, a proteção do solo e os serviços ecossistêmicos associados. A “silvicultura”, por sua vez, é a prática de plantar, manejar e colher árvore com objetivos comerciais.

“Restauração florestal” e “silvicultura de árvores nativas plantadas” podem promover o desenvolvimento rural mais sustentável.

Neste artigo, desejamos abordar especificamente o que chamamos de restauração florestal socioprodutiva, que integra a restauração florestal com benefícios socioeconômicos, ou seja, o viés social é adicionado para promover a criação de empregos, a melhoria das condições de vida de comunidades locais com fortalecimento de economias regionais.

Conhecimentos e tecnologias da Embrapa na Amazônia podem apoiar a abordagem socioprodutiva de adequação ambiental de estabelecimentos rurais, destacando seleção de espécies nativas, sistemas de plantio, manejo de florestas antropizadas e zoneamento topoclimático de espécies para indicação de áreas mais adequadas de plantio.

Algumas espécies nativas da Amazônia têm mostrado aptidão em diversos sistemas produtivos. Um exemplo clássico é a castanha-do-brasil, uma excelente espécie para plantios homogêneos a pleno sol, plantio misto associada às outras espécies florestais ou em sistemas agroflorestais.

A sua madeira é adequada para a indústria madeireira, mas o seu uso principal é a produção de frutos, até porque é uma espécie protegida por lei. Outras espécies, como paricá, tachi-branco e quaruba-verdadeira também apresentam potenciais em diferentes contextos, como reflorestamentos, sistemas agroflorestais e enriquecimento de áreas de manejo de florestas naturais.

A escolha do sistema de plantio de espécies nativas está intimamente ligada ao sucesso do seu uso. Com a falta de domesticação para a maioria das espécies, observa-se que algumas são mais propícias para plantios homogêneos a pleno sol, enquanto outras se destacam em sistemas de sombra ou agroflorestais. Alguns exemplos de silvicultura socioprodutiva bem-sucedidos destacam o enorme potencial tanto de espécies quanto de sistemas de produção. Para plantios mistos a pleno sol, um sistema de produção florestal energético-madeireiro foi idealizado com base nas espécies castanha-do-pará, andiroba, paricá e tachi-branco para proporcionar retornos a cada 6 anos, com colheitas de madeira podendo alcançar até 670m3/ha, incluindo desbastes intermediários e corte final. Além disso, as produções de sementes e óleos também contribuem para otimizar a receita.

O enriquecimento de capoeira, ou plantio sob sombra, foi testado com espécies florestais de valor econômico, plantadas em linhas alternadas. Com diferentes taxas de sobrevivência e de crescimento, os resultados mais relevantes foram observados para fava timbaúba, tatajuba e morototó. Caso plantadas em conjunto, essas espécies podem produzir entre 200-230 m3/ha, aos 27 anos de idade.

Os sistemas agroflorestais são aplicáveis a diversas escalas produtivas. Em área de agricultura familiar na região de Santarém-PA, foram plantadas culturas anuais e fruteiras perenes com as espécies freijó e mogno-brasileiro. Aos 27 anos, o volume de madeira foi de 131 m3/ha para o freijó e 21 m3/ha para o mogno.

de espécies nativas

INDICAÇÃO DE ESPÉCIES FLORESTAIS PARA PLANTIO NO ESTADO DO PARÁ E SEUS RESPECTIVOS INTERVALOS DE DEFICIÊNCIA HÍDRICA NO SOLO (MM) (BONENTE, 2012)

MAPA DE ZONEAMENTO TOPOBIOCLIMÁTICO

PARA TACHI-BRANCO (MARTORANO ET AL., 2016) NO ESTADO DO PARÁ

Além disso, a área exibe composição florística diversificada composta pelas espécies plantadas e pela regeneração natural acompanhante. Esses resultados são relevantes para a restauração florestal socioprodutiva de áreas de agricultura familiar.

No manejo de florestas naturais antropizadas na Amazônia Oriental há uma única e inovadora experiência em escala empresarial, focada no sistema de enriquecimento e adensamento de clareiras da exploração florestal e critérios de colheita para árvores com DAP ≥ 25 cm.

O planejamento da exploração e a introdução de novas espécies no mercado industrial de madeira permitiram projetar ciclos de colheita economicamente viáveis de até 30m3/ha, a cada 10 a 12 anos, apesar de ser um período inferior ao estabelecido pela legislação vigente.

Esse método de manejo mantém a diversidade da floresta e proporciona retornos econômicos em prazos mais curtos, contribuindo para a conservação da floresta em pé.

O zoneamento topoclimático ajuda a identificação de áreas mais adequadas para o plantio de diferentes espécies e já está disponível para as espécies tachi-branco e paricá. Constatou-se também que as espécies ipê e parapará possuem grande plasticidade, podendo ser plantadas desde a Amazônia mais chuvosa (áreas em azul no mapa de clima) até em regiões com chuvas menos frequentes (arco do desmatamento).

Os desafios da silvicultura de espécies nativas na Amazônia são proporcionais à magnitude da região. Após 45 anos de pesquisas da Embrapa na Amazônia, os resultados podem orientar investimentos.

Entretanto, para alcançar escala piloto-comercial é necessário superar barreiras, como a disponibilização de sementes e a produção de mudas de qualidade, o financiamento e créditos compatíveis com a escala temporal dos sistemas produtivos, assim como, capacitação e assistência técnica, entre outras. n

MAPA DE CLIMA DA AMAZÔNIA POR KÖPPEN MODIFICADO POR LUCIETA G.

corredores ecológicos

os corredores ecológicos e as novas estratégias de restauração florestal

A busca por novas estratégias para a conservação ambiental tem sido tratada e discutida em todo o mundo. Nesse contexto, os corredores ecológicos estão, cada vez mais, despontando como alternativa viável para a manutenção da biodiversidade.

A premissa dos corredores é reunir as áreas que separam fragmentos florestais ou Unidades de Conservação, considerando o uso do solo no planejamento das paisagens. Eficazes, os corredores são criados com base em estudos sobre o deslocamento de espécies e a distribuição de suas populações. A partir das informações obtidas, eles são orientados, visando direcionar a fauna, minimizando, assim, os impactos ambientais das atividades humanas.

Eficazes, os corredores ecológicos são criados com base em estudos sobre o deslocamento de espécies e a distribuição de suas populações. "

Virgínia Londe de Camargos

Gerente de Meio Ambiente e Gestão Integrada da Veracel Celulose

Como exemplo, podemos citar a região de atuação da Veracel, no sul da Bahia, onde os maiores remanescentes de vegetação estão localizados, predominantemente, nas áreas com menor potencial agrícola, seja pelo tipo de solo ou pelo terreno inadequado para fins agropecuários. Com isso, houve uma fragmentação da vegetação nativa da região, algo que afetou diretamente a rica biodiversidade local. Acredita-se que, em alguns casos, o reflexo dessa fragmentação pode ter sido a extinção de diversas espécies. O processo de restauração florestal é muito importante para a união das áreas remanescentes. Ao religar essas áreas, a formação de florestas

permite o restabelecimento da conectividade, propiciando o fluxo da fauna e da flora por meio desses corredores e, consequentemente, também, incrementará a variabilidade genética das espécies, auxiliando em sua perpetuação no espaço e no tempo.

Porém, para ampliar o sucesso do processo, a implementação de corredores precisa ser acompanhada de outras estratégias de conservação, como os monitoramentos de fauna e flora, de forma que aquela restauração possa ser realmente efetiva e ampliada ao longo dos anos.

Um exemplo da implementação de corredores com outras estratégias é o Programa de Restauração da Veracel, que foi criado em 1994, e já restaurou mais de 8 mil hectares. Seu objetivo é restaurar áreas de propriedade da empresa, formando corredores ecológicos e conservando matas ciliares, nascentes e solo.

Além disso, o Programa propicia a conservação ambiental e a ecologia de paisagem local, uma ferramenta valiosa para entender as questões relacionadas à conservação da biodiversidade, ao manejo de recursos naturais e ao planejamento do uso da terra. Isso permite que a empresa tenha insights importantes para a tomada de decisões sustentáveis.

Atualmente, a meta da companhia é restaurar 400 hectares de áreas de Preservação Permanente (APP), de Reserva Legal (RL) e de áreas de Proteção Adicional (APAD). As APADs não são usadas para o plantio de eucalipto devido às determinadas características que restringem a operação, como uma declividade da área. Ainda assim, não são áreas que devem ser destinadas à obrigação legal de reflorestamento.

A empresa usa diferentes metodologias de restauração e, mais recentemente, adotou técnicas de nucleação, uma estratégia que possibilita o aumento da biodiversidade local ao obedecer aos estágios naturais da sucessão ecológica de uma floresta nativa. Isto é, em vez de plantarmos árvores em toda a área de uma vez, começamos em alguns lugares estratégicos e permitimos que a floresta se espalhe naturalmente.

Essa metodologia permite plantar 5, 9 ou 13 espécies com distanciamentos preestabelecidos dentro dos núcleos e entre os núcleos. À medida que as árvores

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crescem nesses pontos de nucleação, suas sementes se espalham naturalmente para outras áreas ao redor, e mais árvores começam a crescer. Isso cria gradualmente uma floresta.

Outra estratégia implementada pela Veracel foi um sistema de avaliação da qualidade da restauração.

Esse ponto contribui para a melhoria do processo, ao aplicar indicadores de manejo do eucalipto nas operações de restauração ecológica e, sobretudo, nos monitoramentos e na gestão da qualidade das operações da empresa. Alguns indicadores (índice de sobrevivência, índice de diversidade, índice de crescimento, etc.) são fundamentais para medir a eficácia da restauração e atuar no tempo certo para a correção de possíveis desvios, aumentando o sucesso e eficiência do processo.

Ainda no caso do eucalipto, o plantio em mosaico colabora para a conservação ambiental, pois a plantação também funciona como um corredor, mesmo que temporário, para que as espécies se desloquem de um fragmento florestal para outro.

Para o sucesso dessa iniciativa, é importante realizar a colheita da madeira também em mosaico, uma vez que não se deve deixar uma extensa área sem cobertura vegetal para não causar o isolamento das espécies durante o período de plantio e de crescimento de novas árvores. Na Veracel, não cortamos mais que 500 hectares de eucalipto de maneira contínua, para podermos sempre manter esses corredores temporários.

Outro ponto importante a se considerar é o controle de químicos na restauração, um fator que gera muita discussão. Muitas áreas estão inseridas em pastagens, onde a resiliência é baixa, e o enfrentamento da competição com as gramíneas é determinante para a sobrevivência e o crescimento das mudas, assim como, para a regeneração natural de espécies arbustivas e arbóreas nativas. Por se tratar de áreas destinadas à conservação ambiental, tem-se questionado o uso de herbicida e formicida nos processos, principalmente, em áreas de APP e RL.

Existem inúmeros produtos seguros utilizados na silvicultura de eucalipto, mas ainda faltam estudos sobre a efetividade ;

em plantios de espécies nativas e falta a aceitação pelos órgãos ambientais.

A legislação é muito restritiva, e os produtos utilizados nem sempre atendem aos quesitos de plantios de diferentes espécies nativas. Por outro lado, não utilizar herbicidas, além de menos eficiente, torna a restauração extremamente cara, visto que o controle de ervas daninhas tem de ser feito de forma manual (roçada) e, muitas vezes, mais de uma vez, devido à rebrota das ervas daninhas, sendo menos eficaz do que no caso do herbicida.

Pensando em uma solução, em 2022, a Veracel realizou um experimento com uso de uma bioisca, uma alternativa ecológica e natural, em substituição aos formicidas químicos. O resultado foi bastante promissor e, agora, em 2023, estamos ampliando o uso para a verificação de sua eficácia na utilização em larga escala. No processo, alguns desafios foram identificados, como conseguir fornecedores que atendessem à demanda necessária do produto para atingirmos a meta anual do programa de restauração.

Como ainda estamos em fase de testes, pretendemos usar nossos espaços de relacionamento para a alternativa ser mais estudada pelo setor florestal na restauração de fragmentos, de modo que a produção dessas bioiscas possam ser ampliadas.

Mesmo com essas novas técnicas, ainda há uma grande margem para a evolução na gestão dos processos de restauração ecológica, sobretudo, na estruturação de indicadores operacionais e de qualidade na adoção de novas práticas de manejo. Há também oportunidades para a utilização de novos insumos sustentáveis e ecologicamente recomendados, entre outros possíveis pontos de melhora.

Apesar de o processo de restauração ter se iniciado na década de 1940 com o primeiro Código Florestal, apenas nos últimos 30 anos passamos a ouvir mais sobre esses métodos. Ainda assim, percebemos que, como sociedade, seguimos engatinhando e aprendendo com os erros e acertos.

Quando falamos de restauração, é certo que não existe um protocolo ou uma

Acervo Veracel Celulose, fragmentos da Mata Atlântica se conectando

receita de bolo que pode ser amplamente utilizada, tendo em vista que cada área é única, e todos os fatores ambientais precisam ser considerados, como índices de precipitação, tipos de solo, proximidade com os fragmentos, o bioma em que a área está inserida, dentre outras características.

Além disso, somente os estudos fenológicos das espécies nativas, isto é, o estudo das diferentes fases de crescimento das plantas, tanto vegetativas quanto reprodutivas, não são suficientes para nortear a definição de espécies nativas, nas questões de adaptação, floração, dispersão de sementes etc. É necessário ir além e trazer cada vez mais novas estratégias que ampliem o nosso conhecimento e a efetividade de nossas ações.

Outro pronto que vale ressaltar é que a onda da restauração está somente começando. O crédito de carbono é uma opção que está vindo com muita força, incentivando produtores rurais a restaurar áreas de sua propriedade e a lucrar com os créditos gerados.

Seria a consolidação prática do tão falado Pagamento por Serviço Ambiental (PSA), um conceito que envolve recompensar financeiramente indivíduos, comunidades ou organizações que desempenham um papel ativo na preservação e na melhoria dos serviços ecossistêmicos. A regulamentação do mercado de carbono abrirá portas para ampliação da restauração no Brasil.

Com base nesses dados, podemos concluir que a formação de corredores ecológicos e as inovações nas estratégias de restauração florestal desempenham um papel crucial para a conservação ambiental, unidos, possuem imenso potencial para o processo de restauração ecológica e a preservação da biodiversidade, algo essencial para o nosso futuro e com papel fundamental na mitigação das mudanças climáticas.

O processo de restauração é contínuo e, apesar de a Veracel e outras empresas do setor florestal estarem na vanguarda de muitas dessas tendências, precisamos continuar dispostos a aprender, a inovar e a contribuir para a construção de um futuro mais verde. n

Segundo os registros do Google Analytics, dos leitores da Revista Opiniões depois

4 Bilhões de pessoas do Planeta Terra falam uma

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• Milho

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