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FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira
FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira
Mais de 4 Bilhões de pessoas ao redor do Planeta Terra falam uma das línguas nas quais a Revista Opiniões é escrita.
A biblioteca contendo os artigos publicados nos 23 anos de existência da Revista Opiniões, estão disponíveis em 7 idiomas com livre acesso, para todos os alunos e professores das universidades, para todos os pesquisadores de centros de P&D, para todos os funcionários e executivos das empresas produtoras e dos fornecedores dos sistemas florestal e bioenergético do mundo todo.
Over 4 billion people around the Planet Earth speak one of the languages in which Opiniões (Opinions) Magazine is written.
The library containing articles published during the 23 years of Opiniões Magazine's existence is available in 7 languages with free access for all students and professors at universities, for all researchers at R&D centers, and for all employees and executives of companies that produce and supply forestry and bioenergy systems worldwide.








Revista Opiniões: a revista mundial do agronegócio brasileiro.
Opiniões Magazine: The world magazine of Brazilian agribusiness.






















EDITORIAL DE ABERTURA:
08. Germano Aguiar Vieira, Eldorado
PRODUTORES DE FLORESTAS:
12. Cesar Augusto Valencise Bonine, Suzano
16. Fernando Palha Leite, Cenibra
20. Sergio Lopes dos Santos, Veracel
24. Thiago Petine, Bracell
28. Bernardo Alves Pereira, Vallourec
30. Vlademir Martarello e Juliana Tramontina, Adami
34. Benone Magalhães Braga, Aperam
38. Guilherme Zaghi Borges Batistuzzo, Bracell
42. Felipe Ribeiro Speltz, Suzano
44. Fabricio Amaral Poloni, ArcelorMittal
48. Luís Renato Junqueira e Thiago Spatti Braga, Sylvamo
52. Gustavo Torres Galvão da Silva, Gerdau
CIENTISTAS E ESPECIALISTAS
54. Guilherme Oguri, PCMAF do IPEF
56. Fabricio Gomes Oliveira Sebok, Bayer
58. Rudolf Woch, Apoiotec
62. Rodrigo Naime Salvador, Ihara
66. Alex Passos dos Santos, Maxitree
68. Gabriel de Carvalho Delalibera, FMC
70. Ronaldo Soares, Hexagon


























Como sabemos, o Sistema Florestal Brasileiro se destacou ao longo dos últimos anos como um dos mais bem-sucedidos do mundo, assim como todo o agronegócio do Brasil.
Temos uma aptidão natural para sermos competitivos, como clima e solos suficientes para nos colocar no topo do ranking florestal, e nosso avanço foi pavimentado não apenas por muito esforço técnico e científico como também por empreendedores que acreditaram no setor.
Também é certo dizer que tudo isso aconteceu nos últimos 120 anos, mais expressivamente nos últimos 50. Trata-se, portanto, de um período muito curto para dizer que já passamos por experiências suficientes, que já estamos maduros e não há mais nada o que fazer.
Em minha opinião, estamos vivendo um período de fortes mudanças nos aspectos científico, cultural, social, tecnológico e climático, que deverá nortear o setor para os próximos anos. No aspecto científico, temos aumentado nosso conhecimento da cultura de eucalipto e
pínus através de resultado de experiências e experimentações das empresas de base florestal; são mais de 10 milhões de hectares plantados em várias regiões do País.
Internalizamos, no setor, uma cultura de sustentabilidade, com forte viés ambiental e social, a não tolerância a nenhum tipo de racismo e segregação, e implantamos uma governança nas nossas empresas que garante o emprego de boas práticas administrativas e gerenciais.
No campo social, criamos indicadores para mostrar os efeitos de nossa organização nas comunidades onde atuamos, melhoramos nossos postos de trabalho, aumentando a segurança laboral, e criamos um ambiente de trabalho cada vez mais amigável.
Pegamos carona no pool de desenvolvimento tecnológico mundial dos últimos anos e passamos a utilizar bastantes soluções nas áreas de interpretação de imagens, telemetria, algoritmos para decisões diversas, equipamentos de mensuração, IoT e conectividade de campo. ;

o Sistema Florestal Brasileiro se destacou ao longo dos últimos anos como um dos mais bem-sucedidos do mundo, assim como todo o agronegócio do Brasil. "
Germano Aguiar Vieira
Diretor
Florestal da Eldorado
Assustamo-nos, mas aprendemos muito com as anomalias climáticas vivenciadas nos últimos anos, que ocasionaram expressiva redução de produtividade da floresta plantada, aumento de incêndios e pragas florestais, colocando em dúvida nossos protocolos de melhoramento e manejo florestal. Mas o que pode ser entendido como modernização do setor de florestas plantadas?
A modernização de um setor produtivo do agronegócio tem várias vertentes, mas, nesta abordagem, somente falaremos dos aspectos técnicos, deixando para outra oportunidade temas estratégicos, culturais e institucionais.
projeto florestal é o conhecimento detalhado do ambiente onde queremos plantar uma floresta, ou seja, o solo e o clima. Nesse caso, o estado da arte nos apresenta soluções específicas de análi ses física e química de solos, através de equipa
mentos de amostragem e também da utilização de imagens que resgatam o uso desse solo em diferentes épocas. Eficientes estações meteorológicas serão necessárias para nos apoiar com nosso manejo, além de uma boa análise no histórico climático da região, que pode nos dar informações importantes para estabelecermos o melhor manejo e o material genético adequado para cada local. O emprego de drones e VANTs também nos permite mapear com precisão nossas linhas de plantio, demarcarmos estradas/

Vários projetos de plantadeira e irrigadores mecanizados já estão em operação nas empresas, e outros tantos, em teste, para melhorar a atividade de plantio, aperfeiçoando os postos de trabalho da equipe e ainda aumentando a produtividade dos recursos utilizados.
Medições de florestas têm recebido aliados importantes, como metodologias de análise por redes neurais, imagens e tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging).
A colheita da floresta responde por um im -
Inventários de estoques e medições de madeira também receberam auxílio valioso de equipamentos e software para garantir a precisão necessária.
A conectividade no campo aliada a sofisticados sensores de telemetria antecipam as decisões de manutenção, aumentando a disponibilidade mecânica e a vida do ativo.
Tudo isso se resume a uma silvicultura muito mais eficiente do que tivemos alguns anos atrás, porém ainda estamos perdendo-
cia deve aportar mais tecnologia para um maior conhecimento da genética florestal, do clima, do solo, da planta e a interação
Na ilustração em destaque, podemos ver o estado da arte da modernização das atividades

Uma pauta tão importante como a evolução, ou a revolução, que o sistema florestal brasileiro sofreu nas últimas duas décadas poderia ser tema para algumas edições da Revista Opiniões. Aliás, se o leitor atento buscar edições anteriores, comprovará esse salto, seja no conteúdo e na amplitude dos temas, no porte dos anunciantes, na gama de articulistas convidados e na história que já foi contada.
Ou seja, o sistema se modernizou, e a pujança do setor florestal é sentida pelo peso que esse setor tem na economia, na geração e no compartilhamento de renda, na preservação da biodiversidade e no leque de biopossibilidades que as árvores podem prover, como costumamos falar na Suzano.
Mas, como nada vivo pode ser estático, temos alguns desafios, e o ”sistema” precisa constantemente se modernizar.
Nesse sentido, pretendo discorrer um pouco sobre o que chamo de ”início da cadeia”, mais especificamente no sistema de produção e comercialização de mudas florestais, que, na minha opinião, precisa de um olhar atento, seja pelos próprios produtores de mudas, do mercado consumidor (de grandes e médias empresas florestais até os clientes pessoa física), passando também pelo necessário sistema de regulação e fiscalização.
A produção e a comercialização de mudas são reguladas pela Lei de Sementes e Mudas, Lei Nº 10.711, editada em agosto de 2003 (importante citar que a primeira Lei Federal sobre o tema foi a Nº 4.727, de julho de 1965), sendo que sua concepção se deu num momento em que o setor de florestas plantadas já era muito relevante, mas não tão bem articulado como hoje. Além disso, uma característica importante dessa Lei é que ela nasceu muito mais focada na questão de regulação do mercado de sementes agrícolas e menos em mudas.


Parte desse foco inicial no setor agrícola, além da enorme pirataria de sementes que já existia na época, poderia se justificar pela aparente facilidade de controle, uma vez que o número de players é bem mais reduzido quando comparado com o mercado de mudas, que conta com uma dispersão geográfica e um número de espécies vegetais muito maiores que o mercado de sementes.
os investimentos em novos empreendimentos e em capacidades nas fábricas de celulose, energia e produtos de madeira voltaram a crescer. Só a Suzano está com um programa de plantio de 800.000 mudas por dia. É o maior programa que uma empresa já fez até hoje, no mundo todo. "
Cesar Augusto Valencise Bonine
Gerente Executivo de P&D da Suzano
Assim, considerando a relevância do agronegócio para a economia brasileira e algumas vulnerabilidades, como a citada pirataria de sementes, era urgente regular esse mercado, incluindo mecanismos de controle da produção e sistema de punição da ilegalidade. Esse legítimo movimento já era visto com "bons olhos", para a modernização necessária, para dar as garantias de que o sistema necessita.
Entretanto, quando colocamos lupa no maior mercado de mudas florestais, de pínus e eucaliptos, notamos uma primeira, grande e fundamental diferença em relação aos sistemas de culturas agrícolas: no caso das espécies florestais, temos um processo quase totalmente verticalizado, em que as empresas são desenvolvedoras e detentoras dos materiais genéticos, possuem estruturas próprias de produção de mudas, quase exclusivamente essa produção de mudas é voltada para o consumo próprio e, por fim, a madeira produzida visa atender e abastecer suas próprias fábricas. Esse modelo é completamente diferente da maior parte das sementes e mudas do agronegócio, onde se tem claramente atores distintos, inclusive com poder econômico e político bastante desbalanceado.
Um pouco posterior à elaboração da Lei de Sementes e Mudas, outra importante discussão sobre o tema se desenvolveu, culminando com a promulgação da Lei de Proteção de Cultivares (Lei Nº 9.456/1997). O objetivo, à época, era de garantir os direitos para quem investia em inovação e no desenvolvimento de novas cultivares vegetais, garantindo os direitos dos detentores dos materiais genéticos. Guardadas as devidas diferenças, podemos dizer que a proteção de cultivares equivale a patentes, porém voltadas a plantas.
A questão de proteção de cultivares traz uma segunda diferença entre espécies florestais e agrícolas: enquanto o mercado de sementes agrícolas busca retorno através de royalties, o mercado de mudas florestais procura, através da proteção dos cultivares, garantir vantagens competitivas para quem investiu 15 ou 20 anos e alguns milhões de dólares no desenvolvimento de cultivares superiores. Considerando apenas os componentes de verticalização dos negócios e o custo e o tempo até a proteção de cultivares, dá para presumir que são poucos os detentores de cultivares de pínus e eucalipto atualmente. Entretanto, como já aprendemos com vários articulistas que passaram pela Revista Opiniões, o setor florestal brasileiro continua crescendo. É bem verdade que andou de lado alguns anos atrás, mas os investimentos em novos empreendimentos florestais e novos aumentos de
capacidades nas fábricas de celulose, energia e produtos de madeira voltaram a crescer. Só a Suzano, em 2022, está com um programa de plantio de 800.000 mudas por dia. Isso mesmo! É o maior programa de plantio que uma empresa já fez até hoje, no mundo todo.
E de onde vem tanta muda?
Obviamente, as empresas se modernizaram e aumentaram suas capacidades de produção de mudas, mas, cada vez mais, são incluídos viveiros parceiros na cadeia de suprimentos de mudas. Além de estratégico e comercialmente viável, é também uma forma de compartilhar o valor gerado. E esse ponto, de incluir viveiros parceiros, carece de um olhar atento no quesito modernização.
Há alguns anos, as únicas preocupações sobre o mercado de mudas florestais eram a disponibilidade e, algumas vezes, a qualidade. A situação mudou radical e drasticamente. Uma primeira grande preocupação diz respeito à origem do material genético e se ele é protegido ou não. Alguns casos de violação da propriedade intelectual de cultivares de eucalipto vieram à tona nos últimos anos, e o sistema reagiu com robustos contratos de produção de mudas, que buscam garantir que os clones desenvolvidos por uma determinada empresa não sejam compartilhados com terceiros. Mas isso apenas não basta! Algumas empresas que terceirizam parte da produção de mudas criaram procedimentos baseados em controle de qualidade por análise de DNA, garantindo que recebem mudas dos clones certos. Isso gera um custo adicional para as empresas, mas existe a garantia de não ”comprar gato por lebre”. Esse ponto é muito sério, para evitar que uma empresa, por desconhecimento, compre mudas de clones protegidos de terceiros.
Outro ponto crítico diz respeito à sanidade das mudas. A qualidade, que antes era restrita a padrões visuais da muda (altura, homogeneidade e sanidade aparente), agora exige padrões de produção muito mais elevados, garantindo que as mudas sejam isentas de fungos, insetos, bactérias e vírus, que avançaram muito nas diferentes fronteiras florestais do País. Há casos de viveiros terceiros que servem como referência e modelo, até para muitas empresas do setor, mas isso não é regra.
A autorregulação do sistema de produção de mudas, que precisa de um suporte inicial do governo, também precisa se modernizar. Talvez falte muito pouco para que o principal insumo florestal, as mudas, seja tratado com a importância e o rigor que merece, mas já se avista uma articulação, trazendo luz ao tema. Aguardemos, para que a modernização comece do começo! n






Modernização pode ser entendida como a substituição de sistemas, métodos e equipamentos antigos por outros modernos, acompanhando a evolução e as tendências do mundo atual. Dentro desse conceito, será que realmente estamos conseguindo modernizar, de modo efetivo, o processo de produção de madeira de eucalipto no Brasil? Ou somente estamos adotando alguns modismos (aquilo que aparece e passa rapidamente, coisas de características efêmeras)? Provavelmente, as respostas a esses questionamentos vão ser elaboradas e justificadas seguindo duas vertentes, uma na forma de autoelogio corporativo, colocando o setor como referência absoluta sob todos os aspectos da modernização, e outra reconhecendo que houve modernização em vários aspectos, mas algumas estratégias não tiveram os êxitos esperados, havendo a necessidade de autocrítica e reconhecendo que readequações devem ser feitas para realmente seguirmos o caminho de uma modernização mais efetiva e abrangente.

Em relação ao respeito ao meio ambiente, às questões sociais, de governança, como práticas de valorização da segurança no trabalho, da diversidade, de inclusão e a incorporação da cultura do compliance no dia a dia das empresas do setor, sem dúvida aconteceram grandes avanços nos últimos anos, que devem ser valorizados e fortalecidos. Nesse caso, houve grande aderência dessas ações às tendências do mundo atual e, portanto, podemos considerar que houve modernização. Entretanto muitas das metodologias que estão sendo utilizadas para garantir incrementos na produtividade dos plantios e na redução dos custos de produção da madeira foram pouco efetivas, indicando que existe um grande espaço para ações de modernização direcionadas a reverter essas tendências.
Analisando a evolução da produtividade dos plantios de eucalipto no Brasil nos últimos anos e o comportamento dos custos de produção da madeira nesse período, uma conclusão plausível seria a de que foram adotados mais modismos, ou metodologias pouco eficientes, do que realmente implementando processos de modernização robustos e efetivos. Essa consideração pode ser feita a partir da análise das taxas de ganho de produtividade do eucalipto no Brasil, que têm sido nulas ou até mesmo negativas nos últimos anos.
Quando trabalhamos com produção vegetal, seja no setor agrícola ou florestal, se questões aparentemente básicas não estiverem muito bem resolvidas, o uso de máquinas e implementos de 'última geração' terá pouco efeito em contribuir para a real sustentabilidade do processo de produção de madeira. "
Fernando Palha Leite Coordenador de P&D Florestal da Cenibra
Essa tendência, juntamente com o incremento de gastos na produção, tem contribuído para aumentos consideráveis no custo da madeira entregue nas fábricas, comprovando que, sob esses aspectos, não houve “modernização” nesse período.
Reconhecendo a existência de lacunas de modernização relacionadas aos processos que controlam a produtividade dos plantios, várias metodologias adotadas atualmente deveriam ser mais questionadas e, posteriormente, melhoradas ou modernizadas. Como exemplos de estratégias ou métodos que devem ser repensados, podemos citar:
1. Metodologia para geração de clones comerciais. Considerando que o clone mais plantado no Brasil, atualmente, foi gerado há mais de 30 anos, pode-se deduzir que alguns programas de melhoramento não foram capazes, nesse horizonte de tempo, de desenvolver um material superior a este, provavelmente pela fragilidade das metodologias que estão sendo utilizadas com objetivo de gerar novos clones comerciais. Indicadores sobre o tempo de vida útil dos clones e a comparação do desempenho dos clones gerados nos programas das empresas com o desempenho dos clones de mercado podem servir para informar sobre a efetividade das metodologias atuais de geração de novos clones.
2. Manejo da física do solo. O entendimento do comprometimento da estrutura física dos solos nas áreas de cultivo ao longo das rotações, seus impactos na produtividade dos plantios e na conservação de solo e de água, assim como a adoção de métodos de manejo de solo que possam prevenir ou reverter esses impactos, também evoluíram muito pouco nos últimos anos. A utilização de equipamentos de baldeio de madeira com elevada capacidade de carga e a redução do tempo de rotação dos cultivos implicam imposição de pressões desses equipamentos ao solo bem acima da capacidade de suporte de cargas dos mesmos e com maior frequência, comprometendo sua estrutura e, consequentemente, as funções do solo dependentes desse atributo.
3. Métodos de recomendação de fertilizantes. Atualização dos valores de taxas de recuperação de nutrientes pelo eucalipto, de extratores utilizados em análise de solo compatíveis com a avaliação de fertilidade do solo para culturas perenes; ajustes de modelos de absorção de nutrientes ao longo da rotação e curvas de calibração de doses também não são muito comuns atualmente. O aumento significativo
do preço dos fertilizantes nos últimos anos reforça ainda mais a necessidade de aperfeiçoamento dessas metodologias e abre espaço para “modismos”, como o uso de fontes alternativas de fertilizantes de baixa eficiência agronômica, e para os fertilizantes “especiais”, de eficiência muitas vezes não proporcional ao preço desses produtos.
4. Metodologias imparciais e confiáveis para entendimentos da relação água-eucalipto. Esclarecimentos sobre os efeitos do uso do solo com culturas perenes na dinâmica do ciclo hidrológico e seus impactos a longo prazo na produtividade do eucalipto também vão direcionar a adoção de práticas de manejo mais modernas. Indicadores como a relação Precipitação pluviométrica/Evapotranspiração da cultura (ETc) são muito úteis em diagnosticar eventuais impactos do eucalipto e de outras culturas sobre componentes do ciclo hidrológico, permitindo fazer algumas inferências a respeito do impacto da cultura na dinâmica de reposição de água no perfil do solo e no abastecimento dos cursos de água.
5. Qualidade da madeira e seu potencial em otimizar o desempenho do processo industrial de produção de celulose branqueada. Pouco tem sido feito para ampliar e implementar efetivamente o conhecimento a respeito desse relacionamento. Na prática, em um cenário como o atual, de relativa escassez de madeira, fica difícil aproveitar o conhecimento disponível nessa área.
Trabalhos aprofundados e de qualidade nas áreas citadas acima são relativamente complexos, caros, demorados e de pouco efeito midiático. Entretanto as empresas que estão atuando seriamente nessas áreas provavelmente serão aquelas menos vulneráveis a modismos e com mais chance de estruturarem um processo de produção de eucalipto mais alinhado com as melhores práticas, que vão garantir a elevação das taxas de produtividade dos plantios e a redução dos custos de produção. Práticas que resultem em ganhos efetivos de produtividade e redução de custos sempre serão consideradas modernas.
Quando trabalhamos com produção vegetal, seja no setor agrícola ou florestal, se questões aparentemente básicas não estiverem muito bem resolvidas, o uso de máquinas e implementos de “última geração” terá pouco efeito em contribuir para a real sustentabilidade do processo de produção de madeira. Máquinas e equipamentos modernos não combinam com produtividade antiga.n
Áreas de interesse
Areas of interest
Edição Bioenergética
Bioenergy Edition
• Cana
• Milho
• Agave
• Macaúba
• Açúcar
• Etanol
• Biodiesel
• Biogás
• Biometano
• Bioeletricidade
• Mercado de Carbono
• Ração animal
Edição Florestal
Forestry Edition
• Celulose
• Papel
• Carvão
• Siderúrgia
• Painéis
• Madeira
• Produtos não-madeireiros
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O setor florestal brasileiro é um dos mais desenvolvidos do mundo, isso devido à sua alta produtividade, aos seus custos competitivos, aos avanços tecnológicos e às condições edafoclimáticas favoráveis à produção. A área de florestas plantadas para fins industriais no Brasil alcançou mais de 9,5 milhões de hectares, de acordo com a Indústria Brasileira de Árvores – IBÁ. O setor florestal vem de uma crescente demanda de madeira, com a chegada de novos empreendimentos e a expansão de base florestal visando atender à produção fabril para os seus diversos fins. Essa escalada tem fomentado a busca pelo aumento da tecnologia nos processos, com o objetivo de alcançar maior mecanização das operações florestais, sinergia de processos e aumento da competitividade.
A capacidade de modernização de uma organização é reconhecida como um fator-chave para o crescimento sustentado, a viabilidade econômica, o aumento do bem-estar e o desenvolvimento da sociedade. E inclui a capacidade de entender e responder às mudanças nas condições de seu contexto, de buscar novas oportunidades e também de alavancar o conhecimento e a criatividade das pessoas dentro da organização, sempre em colaboração com as partes externas interessadas.


Apesar dos importantes avanços, que proporcionaram solidez ao setor nas últimas décadas, temos ainda alguns desafios a serem superados. Destacamos, aqui, alguns deles: o desenvolvimento da mecanização na silvicultura e da automação das operações, a busca por uma eficiente matriz energética nas operações, a gestão integrada das informações e o importante papel da liderança nesse contexto de modernização cultural e tecnológica.
Em termos de mecanização das operações silviculturais, estamos vivendo um bom momento, com importantes projetos em desenvolvimento de plantadeiras e irrigadores, com o envolvimento de relevantes fabricantes. "
Sergio Lopes dos Santos
Coordenador de Inovação e Qualidade Florestal da Veracel
Coautoria: Italo Lima Nunes, Analista de Processos Florestais da área de Inovação e Qualidade da Veracel
Em termos de mecanização das operações silviculturais, estamos em um bom momento, com importantes projetos em desenvolvimento e operacionalização de plantadeiras e irrigadores, com o envolvimento de relevantes empresas fabricantes, com expertise e capacidade técnica, financeira e gerencial para fornecer ao setor, em breve, excelentes soluções. Vale ressaltar também o importante papel das universidades e dos institutos de pesquisa nesses programas de desenvolvimento, por meio de grupos temáticos de trabalho.
O desafio consiste em aliar a qualidade do plantio, a eficiência, o custo competitivo e a adaptabilidade das máquinas nos diversos tipos de terrenos e condições, atendendo aos critérios específicos de plantio de cada empresa, em suas respectivas regiões.
Outra tendência que se tem observado é o desenvolvimento da automação das operações florestais, como outros setores têm evoluído, a exemplo da mineração, com operações teleoperadas (autônomas ou semiautônomas), sobretudo no desenvolvimento de soluções tecnológicas visando levar segurança e produtividade a locais com alto risco de acidentes. Além das iniciativas dos grandes fabricantes de máquinas e implementos, algumas empresas nacionais têm se especializado no desenvolvimento dessas soluções.
Não podemos deixar de destacar a importante mudança da matriz energética das operações: motores mais eficientes, elétricos, híbridos, usando biocombustível, gás natural ou eletrificados, já são realidade nos pátios de madeira em diversas fábricas no Brasil. Na renovação das frotas operacionais, abre-se oportunidade para a mudança de matriz energética das máquinas, como escavadeiras, máquinas de preparo de solo e colheita florestal. Para o transporte de madeira, testes com caminhões elétricos têm demonstrado bons resultados em performance.
Essa mudança vem não só devido ao custo dos combustíveis, mas também está pautada na estratégia global visando à redução das emissões de carbono, tornando ainda mais sustentável o setor de florestas plantadas. Apesar da realidade de baixa cobertura de conectividade na totalidade das áreas florestais, o desenvolvimento de tecnologias de transmissão e apontamento traz melhorias técnicas e oportunidade para análise das operações florestais. Portanto, o gerenciamento digital das operações com o uso de dados, integrando diferentes plataformas, permite que os gestores acessem, monitorem e segreguem dados, obtendo informações de qualidade para a tomada de decisão. Com isso, a eficiência da operação é elevada, uma vez que, quando de posse de informações de qualidade, os riscos das operações são minimizados ou se podem tomar decisões em menor tempo.
A utilização de redes de sensores em uma máquina florestal, conectados a um sistema de coleta de dados, permite medir diversas variáveis importantes para todo o processo. Nesse contexto, para concretizar tais ganhos operacionais, é necessário mais que um bom sistema: o conjunto entre sistema, usuário e análise dos dados é fundamental para o sucesso de qualquer tecnologia. O treinamento e o aculturamento dos usuários formam um pilar fundamental para que dados de qualidade sejam integrados às bases dos sistemas de gestão. O monitoramento dessas informações, por meio de sistemas, auxilia as empresas com análises robustas, identificando novas necessidades, e pode aumentar a produtividade e gerar redução de custos. Tanto a telemetria quanto o apontamento eletrônico têm impactos positivos, reduzindo o tempo de resposta a diversos ofensores operacionais. Hoje, em diversas empresas, esses dados ficam englobados em centrais de controle e gerenciamento operacional.
Destacam-se ainda o importante avanço em termos de soluções para monitoramento dos ativos florestais, por meio de imagens de satélite, com aplicações práticas no acompanhamento do crescimento da floresta, a gestão da ocorrência de pragas, doenças e matocompetição, além de outras aplicações.
Em termos de novas soluções, temos cada vez mais startups voltadas para o setor florestal, apostando em soluções customizadas e inovadoras para diversas operações. Um dos focos é prospectar ideias e produtos inovadores ligados ao setor florestal, criando tecnologias para resolver problemas de áreas estratégicas que possam contribuir com soluções técnicas, economicamente viáveis e sustentáveis.
Uma oportunidade de desenvolvimento para as empresas privadas está em manter a rede de conexão ativa, fomentando o ecossistema de inovação com parcerias público-privadas, entre universidades, centros de pesquisa e unidades de desenvolvimento, auxiliando pesquisas, aceleradoras, incubadoras e startups em seus diversos níveis de maturação.
As empresas têm compartilhado suas dores com a aplicação de chamadas de inovação e colocando os desafios para as startups apresentarem soluções, que são avaliadas com base nos níveis de prontidão tecnológica (ou TRL - Technology Readiness Levels), conforme estratégia dos negócios florestais.
Vale ressaltar aqui a importância do papel da liderança no processo de modernização tecnológica.
Nas mudanças complexas, os líderes têm um papel diferente dos papéis tradicionais. O novo papel pode ser caracterizado como o de facilitador. Isso significa liderar por meio de visão, valores e ética.
Também significa criar um diálogo criativo e reflexivo com todas as partes interessadas. A liderança deve também insistir na responsabilidade coletiva pela mudança cultural e pelas mudanças estratégicas. O que fazer diferente para essas mudanças darem certo?
Um ponto vital é o patrocínio eficaz por parte da alta administração, com apoio visível e efetivo, durante toda a duração da iniciativa. Outro fator decisivo é contar com uma equipe experiente e confiável, que mantenha as boas relações internas de trabalho, e estabelecer uma rede de relacionamentos por toda a organização. A International Organization for Standardization (ISO) criou a ISO 56002 – também conhecida
como ISO de inovação ─, que sugere a aplicação de oito pilares na gestão das mudanças: abordagem por processos, liderança com foco no futuro, gestão de insights , direção estratégica, resiliência e adaptabilidade, geração de valor, cultura adaptativa e gestão das incertezas.
No processo de mudanças, está bastante clara e consolidada a necessidade de planos excelentes, bons sistemas e processos e de uma visão clara dos objetivos a serem alcançados. No entanto também é de extrema importância avaliar até que ponto a estrutura organizacional é benéfica à mudança. Às vezes, planos excepcionalmente organizados não são bem-sucedidos porque a estrutura organizacional não ajuda.
A liderança precisa explorar a visão periférica. Ressaltamos a importância de os líderes estarem sempre atentos e conscientes do que se passa ao seu redor. Isso significa observar mais do que o óbvio, o que faz barulho ou o que é diretamente visível. Ter consciência do que acontece nas extremidades e ser observador para os movimentos, mudanças e tendências, conversando e escutando o maior número possível de pessoas das mais variadas especializações. Fazer boas perguntas e manter uma postura receptiva dessas ideias.
Importante demonstrar compromisso em relação à realização do valor, mediante a identificação de oportunidades, por meio de insights exploráveis, com base nas necessidades e expectativas atuais ou futuras, e levando em consideração o equilíbrio entre oportunidades e riscos, incluindo as consequências de oportunidades perdidas, apetite ao risco e tolerância ao fracasso, possibilidade de conceituação, experimentação e prototipagem, envolvendo usuários, clientes e outras partes interessadas, para testar hipóteses, validar premissas, promover a perseverança e assegurar a implantação oportuna das modernizações tecnológicas. E também promover melhorias de processo e estabelecer uma abordagem para a gestão da inteligência estratégica, avaliando inclusive a necessidade de adquirir inteligência de fontes internas e ou externas.
Por fim, enfatizamos a importância de dedicarmos tempo para refletir. A liderança pode se beneficiar se reservar regularmente algum tempo só para refletir sobre o que está passando ao seu redor (os frutos da sua visão periférica), quais são as opções frente às estratégias e o momento do negócio. n
Assista ao vídeo para conhecer os benefícios:
Eficiente contra ervas de difícil controle em pré e pós-emergência e alta eficácia em folhas estreitas.
Utilizado na aplicação em pré-plantio ou em pós-plantio nas entrelinhas da cultura.
Glifosato e S-metolacloro: 2 melhores ativos em ação conjunta para redução dos custos de operação.

www.portalsyngenta.com.br
O setor de suprimento de madeira, dentre os que compõem todo o ciclo produtivo florestal, certamente foi o que recebeu o maior e mais rápido aporte de tecnologia em máquinas e equipamentos.
A colheita mecanizada foi a pioneira nesse setor, onde a escassez e o alto custo de mão de obra, aliados às grandes expansões fabris, à demanda de madeira e à melhoria nas condições de segurança do trabalho, fizeram com que grandes fabricantes de máquinas florestais desembarcassem aqui, na década de 1990, com suas opções vindas da Finlândia, da Suécia, dos Estados Unidos e do Canadá.
A customização foi imediata, principalmente para as operações com eucalipto sem casca, integradas a equipamentos da linha de construção civil, basicamente escavadoras hidráulicas, como máquina-base, a fim de reduzir custos de investimento e manutenção, visto que boa parte das áreas colhidas não possuíam restrições de relevo, e seu uso já era comum em outros setores. A mudança deu certo e, até hoje, esse conjunto apresenta ótima performance e custo-benefício, sendo que os principais fabricantes já possuem máquinas de esteiras totalmente projetadas para o trabalho florestal.
Devemos fortalecer a interação e a troca de conhecimento com outros setores, como a mineração, o setor agrícola e a construção civil, por exemplo. Precisamos evoluir muito nessa interação. Ir além das florestas. "
Thiago Petine
Gerente de Desenvolvimento e ProjetosSuprimento de Madeira da Bracell
Os equipamentos importados, e até alguns nacionais que surgiram no caminho, rapidamente se espalharam entre as médias e grandes empresas do setor, proporcionando melhor produtividade, menores custos operacionais, redução significativa da gravidade e da quantidade de acidentes e, principalmente, a garantia de escala de produção para o abastecimento de suas fábricas. Atualmente, até mesmo pequenas unidades já mecanizaram ou estão em processo.
Quase em paralelo com a colheita florestal, porém em escala menor, a modernização dos pátios de madeira foi também uma forte evolução no setor, trazendo também uma ampla diversidade de equipamentos, tendo em operação nas fábricas, especialmente de celulose, os mais variados sistemas. Da grua florestal convencional, passando pelos manipuladores sobre pórticos, até as imensas logstackers. Além disso, é possível dizer que todas as médias e grandes fábricas de base florestal na América Latina já possuem manipuladores elétricos e até híbridos em suas linhas de recebimento de madeira.


Isso é modernização e evolução tecnológica; cada solução, adequada à sua necessidade e momento.
O transporte de madeira certamente foi o que mais evoluiu nos últimos anos, saindo da sombra principalmente do transporte canavieiro. Até pouco tempo, as grandes implementadoras eram muito resistentes em soluções customizadas ao setor, inicialmente pela menor escala de demanda e pela dificuldade de adaptação das linhas de produção, o que abriu oportunidades para as pequenas e médias implementadoras inovarem e atenderem prontamente ao setor. A área florestal se tornou um nicho de alta especialização e demanda de tecnologia.
A evolução partiu da redução de tara com uso de ligas metálicas especiais e continua evoluindo até os mais modernos sistemas de segurança veicular. Nas unidades tratoras ou cavalos mecânicos, ainda estamos um pouco no rastro de outros setores, como mineração e canavieiro, porém já com alguma e crescente luz própria. Nesse caso, devido à forte similaridade de condições operacionais, não há dificuldades em compartilhar projetos, tendo, no momento, atendido, de forma satisfatória, à boa parte das soluções disponíveis no mercado – a combinação entre os implementos mais leves e a configuração mais adequada de cavalo mecânico ao percurso a ser utilizado, seja por diferenças em tipo ou percentuais de pavimentação e relevo predominante.
Tal estratégia propicia uma melhor eficiência energética ao conjunto, maior produtividade, além de ganhos em consumo de pneus e componentes mecânicos. A eletrificação de caminhões bem como a busca por outras fontes de combustível, como gás natural e biodiesel, têm tornado essa corrida “verde” cada vez mais ágil.
Na área de estradas e malha viária, evoluímos pouco em tecnologia e equipamentos. A grande modernização vem sendo em telemetria e apontamento eletrônico das atividades, proporcionando, agora, melhor controle da produtividade dos equipamentos e da gestão da frota. Precisamos evoluir ainda em tecnologias e técnicas construtivas, redução do uso de recursos naturais, como água e materiais de revestimento (argila, areia, cascalho, britas, etc.), e eficiência energética. Daí a importância de se aproximar de empresas especializadas e instituições de pesquisa.
Nessa linha de compartilhamento, o setor florestal possui muitas similaridades com outros de maior porte, como mineração, agrícola e construção civil.
Devemos fortalecer a interação e a troca de conhecimento com as empresas e as instituições ligadas a eles, pois é certo que sempre conseguiremos aproveitar algo novo que se pratica nesses setores para testarmos e aplicarmos em nossas operações. Por exemplo, o que a mineração faz para controlar poeira nos acessos, pátios e pilhas de estocagem de minério? O que o setor agrícola vem fazendo de bom ou novo na manutenção mecânica das grandes e modernas colhedoras de cana e grãos? O que a construção civil oferece de oportunidades em revestimentos de estradas? Precisamos evoluir muito nessa interação. Ir além das florestas.
Assim, evoluímos e modernizamos nossas máquinas e veículos, iniciamos o mundo “digital” com a comunicação de dados, uso de machine learning, automação de processos e emplacamos a eficiência energética como uma das principais metas de sustentabilidade do negócio. No entanto, hoje e nos próximos anos, estaremos com um dos maiores desafios do setor para seu pleno desempenho: pessoas qualificadas.
Passamos, hoje, por forte escassez de mão de obra para os mais variados níveis técnicos e de gestão. Faltam profissionais qualificados para os perfis técnicos da indústria e da manutenção automotiva, como também perfis operacionais direcionados ao trabalho em campo, como operadores de máquinas e motoristas de caminhão. A disputa entre empresas e até entre diferentes setores da economia tem intensificado o que já estava bem difícil.
Nesse contexto, cabe às grandes demandantes desses profissionais aprimorar os processos seletivos, buscando uma maior assertividade nas admissões e longevidade nas relações de trabalho, reduzindo turnover e aumentando a regularidade das operações. Pensando nisso, a Bracell inaugurará o Bracell Learning Institute, estrutura física e organizacional, que visa à qualificação contínua tanto dos seus colaboradores como dos moradores das comunidades e cidades circunvizinhas, a unidade de Lençóis Paulista, em São Paulo. É na prática a intensificação da regionalização da mão de obra e a busca por estabilidade.
A modernização das operações de suprimento de madeira está acelerada, surgindo, a cada dia, mais tecnologias e aplicações dedicadas ao setor florestal. Aproveitar todos esses avanços só será possível se investirmos ainda mais em qualificação de mão de obra e na sua retenção nas empresas e nas regiões de atuação. Será um grande desafio materializar essas inovações em ganhos de qualidade, produtividade e custo. n


Atualmente, o mercado florestal brasileiro está aquecido. Apesar do cenário pandêmico, projetos e expansões continuam se desenvolvendo no País e prometem grandes mudanças para incrementar a dinâmica do setor florestal. De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores – IBÁ, as empresas apostam em novas instalações e na ampliação de fábricas, gerando, consequentemente, um aumento de suas áreas de plantios florestais.


As expansões dessas empresas têm impactado o cenário do mercado florestal no Brasil. Isso gera uma grande necessidade de mão de obra, que está mais escassa a cada dia, tonando-se um desafio a contratação de novos funcionários. Muitos postos de trabalho rural apresentam limitações tecnológicas e baixo nível de mecanização. Isso contribui para o desinteresse de jovens trabalharem nesse setor. Assim, é premente introduzir estratégias de desenvolvimento operacional, envolvendo mais tecnologias e melhoria das condições dos postos de trabalho, como a mecanização e a automação dos processos florestais.
A escassez de mão de obra especializada representa, hoje, um importante desafio aos planos do crescimento da indústria florestal. "
Bernardo Alves Pereira
Gerente de Pesquisa e Manejo Florestal da Vallourec Florestal
PERCENTUAL DE HOMEM-HORA UTILIZADO EM CADA ATIVIDADE SILVICULTURAL PARA FORMAÇÃO DE UM HECTARE DE FLORESTA
Combate à formiga 14,0
Plantio manual 10,9
Roçada manual e desbrota 10,6
Capina química manual 9,3
Adubação de plantio 7,5
Capina manual 4,6
Adubação manual de cobertura 4,4
TOTAL 80,5
Roçada mecanizada 3,6
Subsolagem 2,3
Trituração de tocos 2,2
Capina química em área total 2,2
Aplicação mecanizada de herbicida 1,8
Adubação mecanizada de cobertura 1,6
Aplicação mecanizada de herbicida 1,5
Calagem 1,3
Gessagem 1,2
Combate mecanizado à formiga 0,8
Subsolagem TE 0,4
Gradagem 0,4
Rolo faca 0,2
Capina mecanizada 0,1 TOTAL 19,5
A mecanização da colheita florestal é recente em nosso país, visto que, a partir da década de 1990, iniciaram-se as importações de máquinas de alta tecnologia para essa área. Isso trouxe benefícios, como o aumento de produtividade, a melhoria das condições de trabalho e a redução de custos. Há, hoje, uma grande evolução nos equipamentos com tecnologia de ponta, como Feller, Havesters, Skidders, Forwarder, dentre outros. São equipamentos cada vez mais modernos e produtivos, que proporcionam um trabalho mais seguro, rentável e mais atrativo para os jovens que buscam seu desenvolvimento pessoal e profissional. As máquinas possuem tecnologia embarcada, com sistemas de telemetria que são enviados remotamente para o gestor, de forma automática, mantendo-o informado sobre a localização, horas trabalhadas do motor, produtividade, consumo de combustível, planos de manutenção preventiva, dentre outros recursos que contribuem para a gestão da disponibi-
lidade, do desempenho e dos custos de produção associados ao maquinário.
Já a silvicultura tem muito a evoluir no que diz respeito à mecanização, visto que, até o presente, tratores e outras máquinas agrícolas são adaptadas para essa área do setor florestal brasileiro. Contudo, alternativas revolucionárias surgem no mercado nacional, trazendo melhorias tecnológicas significativas ao segmento. Entretanto, grande parte dessas tecnologias ainda não é adaptada às áreas de reformas, não atingindo a mesma qualidade, produtividade e custo quando comparada às atividades realizadas de forma manual.
O gráfico em destaque apresenta o percentual de homem-hora utilizado em cada atividade silvicultural para formação de um hectare de floresta durante duas rotações (14 anos). Observa-se que, das 22 atividades realizadas, 14 atividades são mecanizadas e representam apenas 19,5% dessas horas. Em contrapartida, a menor parte das atividades, ou seja, oito, são realizadas de forma manual e correspondem a 80,5% das horas. De todas as atividades, as que mais necessitam de mão de obra são a irrigação (19,2%), o combate à formiga (14,0%) e o plantio (10,9%).
É evidente, no setor, um grande movimento em torno da mecanização das atividades de irrigação e plantio, e isso contribuirá para uma significativa evolução no nível de mecanização da silvicultura. Porém, ao mesmo tempo, cabe às empresas investir na qualificação das comunidades do entorno para que seja extraída delas a mão de obra para operação desses novos equipamentos e também investir mais em desenvolvimento, abrindo as portas para as startups , aproximando-se das universidades e dos grupos temáticos com foco na mecanização da área. Assim, com união de forças, as novas tecnologias serão direcionadas e adaptadas às diferentes condições silviculturais do País. A escassez de mão de obra especializada representa, hoje, um importante desafio aos planos do crescimento da indústria florestal. Ampliar o desenvolvimento da mecanização das atividades silviculturais torna-se estratégico, para que, num futuro próximo, possamos continuar manejando florestas e garantindo um ambiente mais atrativo para os jovens ingressarem no trabalho florestal rural. n
A modernização do setor florestal no Sul do Brasil perpassa por marcos ao longo da história. Para compreender a evolução que representou e representa ao setor, se faz necessário realizar um breve resgate histórico.
A extração de matéria-prima oriunda de florestas nativas garantiu o crescimento econômico e a manutenção das famílias colonizadoras no Sul do Brasil no início do século XIX. A partir dos anos 1960, com a criação dos incentivos fiscais, iniciou-se a introdução de espécies exóticas em escala comercial no território brasileiro. As espécies dos gêneros Pinus e Eucalyptus possibilitaram o desenvolvimento de plantios em escala crescente, criando alternativas que diminuíram a pressão sobre as florestas nativas.
No início das atividades de reflorestamento, as técnicas de exploração utilizadas tinham como principal característica a força humana e animal, fazendo uso de ferramentas rústicas e pouco precisas, como machado, serrotes e animais para tração e arraste. Gradativamente, ocorreu a introdução das motosserras e equipamentos agrícolas adaptados, dando início a uma escalada em busca de rendimento e produtividade.
Nos anos 1990, ocorreu a chegada dos primeiros equipamentos, desenvolvidos especialmente para o uso florestal, vindo de países europeus e dos Estados Unidos. A inserção desse novo aparato tecnológico evidenciou o início da mecanização florestal no Brasil. Esse avanço, embora sinalizando vantagens operacionais claramente perceptíveis no âmbito da produção florestal, foi marcado pelos altos custos e assistência técnica pouco especializada.
Assim, o acesso a esses equipamentos por empresas de pequeno e médio porte só se deu após alguns anos, à medida que se foram tornando mais acessíveis sob a óptica de investimentos e evoluindo na sua forma de produção, inclusive incorporando tecnologias nacionais.
Nesse sentido, um novo cenário se formou e fomentou o desenvolvimento de novas metodologias e, consequentemente, de novas tecnologias de produção, implantação e colheita. Contudo a evolução não ocorreu de maneira uniforme no setor. A colheita florestal evoluiu de maneira acentuada, enquanto a silvicultura, por exemplo, é, atualmente, carente de tecnologias operacionais mais desenvolvidas.
A colheita florestal conta, hoje, com um mercado que disponibiliza equipamentos projetados para o corte e a extração de madeira sob modelos altamente sofisticados, garantindo, do ponto de vista ergonômico, elevados níveis de rendimento operacional. A tecnologia embarcada nesses equipamentos, associada à telemetria, além de assegurar uma precisão nas classes de sortimentos, controle de produção e de manutenção, permite o monitoramento fiel das jornadas de trabalho e, por sua vez, da performance do operador, localização em tempo real do equipamento e transferência simultânea de dados aos respectivos centros de gestão operacional.
Do ponto de vista da silvicultura, a modernização ocorreu sobretudo no sistema de plantio, passando do sistema manual para um semimecanizado. Contudo, e embora assumindo uma escala não muito proeminente, a adoção de modelos de plantio mecanizado por meio de


Não se trata unicamente de passar do analógico para o digital. Se trata de tomadas de decisões rápidas, estratégicas, assertivas e ágeis, haja vista que podem ser tomadas em tempo real. "
Vlademir Martarello Engenheiro Florestal e de Segurança do Trabalho da Adami

plantadeiras florestais apontou para um avanço significativo no que diz respeito à qualidade do preparo do solo, à fertilização, ao plantio e à irrigação quando em áreas planas e moderadamente declivosas, haja vista que várias operações ocorrem simultaneamente em alguns modelos de plantadeiras. Esse fato tem sinalizado, também, um significativo avanço no microplanejamento direcionado à silvicultura de precisão. Na contramão, as nítidas diferenças verificadas e impostas pelo peculiar sistema de cultivo das espécies florestais, das condições de terreno e do tipo de intervenção silvicultural (plantio x reforma), algumas limitações devem ser superadas para atender aos mais variados sistemas de implantação, as quais fazem com que ainda muitos produtores e empresas optem pelo sistema manual de plantio.
O planejamento florestal, por sua vez, passou por uma reengenharia estrutural e estratégica nos últimos anos graças às ferramentas inovadoras no campo da capacidade computacional, obtenção de dados de sensoriamento remoto de alta resolução, desenvolvimento de técnicas de geoprocessamento e surgimento dos veículos aéreos não tripulados (VANTs). Essas tecnologias e ferramentas contribuíram para que passássemos dos mapas analógicos para mapas temáticos detalhados e atualizados no formato digital, disponíveis em tela de dispositivos móveis, com interfaces amigáveis e interativas com o usuário final. Não se trata unicamente de passar do analógico para o digital. Se trata de tomadas de decisões rápidas, estratégicas, assertivas e ágeis, haja vista que podem ser tomadas em tempo real.
No âmbito do inventário florestal, os equipamentos de mensuração seguiram a mesma evolução, juntamente com as metodologias de coleta e processamento de dados. Entretanto, ainda é predominante a necessidade de constantes planos de levantamento e mensuração de dados provenientes do campo, tornando essa prática relativamente onerosa. A utilização de dados LiDAR (Light Detection And Ranging) é o avanço mais recente no âmbito do inventário florestal. Inicialmente, as limitações inerentes a essa nova geotecnologia se deram devido ao alto custo de investimento, embora o avanço nesse campo do conhecimento e a aplicação desses dados assegurem uma viabilidade e acessibilidade cada vez mais amplas. O desafio dessa aplicação é garantir a precisão dos inventários florestais, quando comparados aos executados sob técnicas tradicionais.
Independente do ponto focal, a modernização é perceptível em toda a cadeia produtiva: do planejamento de implantação à logística de transporte, da produção de mudas à colheita.
A evolução contínua não pode ser atribuída principal e exclusivamente ao reconhecimento das demandas e necessidades do setor florestal, e sim paralelamente ao planejamento e ao desenvolvimento simultâneo e contínuo de pesquisas científicas aplicadas.
A pesquisa, quando desenvolvida e pensada, tendo como base as demandas oriundas dos processos produtivos, é a forma mais segura e eficaz para a busca de soluções e inovações. Isso é possível com os esforços conjuntos de instituições de pesquisas e da iniciativa privada. Vale destacar que essa evolução é construída gradativamente e, quando alicerçada sobre modelos de gestão da ciência, tecnologia e inovação, novas soluções são propostas no arcabouço da escalada em busca de modelos operacionais continuamente mais produtivos. Essa seria uma forma de atender aos anseios da indústria, sem deixar de lado a consciente preocupação que o setor florestal carrega em seu DNA: um modelo produtivo sustentável.
A modernização do setor florestal chega hoje ao nível da conectividade, onde tudo está conectado, e dados são transferidos em tempo real, de qualquer lugar. A internet das coisas (IoT), a telemetria e o sensoriamento remoto são tecnologias que estão transformando a forma de coletar, transferir e analisar informações. Nesse sentido, o setor florestal vem assegurando e ampliando seu espaço de atuação, cristalizando-se como setor significativamente competitivo e inovador.
Nesse cenário de avanço de métodos e tecnologias, torna-se claro e evidente que o setor florestal brasileiro segue alinhado com o que há de mais moderno no mercado, sempre atento às novas tendências e tecnologias disponíveis. Alguns exemplos que norteiam tais afirmativas são as recentes iniciativas de pesquisa e desenvolvimento em equipamentos semiautônomos, que permitem ganhos em produtividade, ou motorização elétrica, que visam à redução na emissão de poluentes. Como protagonistas, estão todos os profissionais florestais e de áreas multidisciplinares, que, por meio de parcerias estratégicas, permanecem cientes de que novos desafios estão por vir, mas com a certeza de que o setor está apto e preparado para vislumbrar um novo marco evolutivo. n







Prevenção, controle e combate a incêndios







// Mochilas Flexíveis e Bombas Costais

// Soprovarredor


Conjuntos de Combate para Pick-up Tanques flexível e rígido (CAFS e PRO)


// Ferramentas e Acessórios
Esta edição da Revista Opiniões Florestal traz uma pauta real e relevante para o negócio florestal nacional. A modernização do sistema florestal brasileiro é debatida e explorada em qualquer ambiente estabelecido do setor, seja ele acadêmico, empresarial, de negócios, e assim por diante. Inegáveis foram os avanços alcançados em mecanização e modernização das atividades florestais nas últimas décadas, mas ainda existem áreas e operações que carecem de um movimento mais contundente nesse sentido.
Ao refletir diante de tal realidade, inevitavelmente retorno nove anos atrás, quando ingressei no setor florestal. Engenheiro mecânico de formação e egresso do setor siderúrgico – de onde muitas das tecnologias, processos e equipamentos são trazidos prontos e formatados do estrangeiro –, me deparei com um setor pujante cuja evolução e patamar de então, se sustentavam em iniciativas e projetos muitas das vezes desenvolvidos localmente, por representantes da esfera florestal nacional. Exemplificando, mas não se limitando a eles, o progresso em melhoramento e variabilidade genética que hoje abastece a produtividade e sanidade da nossa produção florestal é oriundo de estudos e esforços conduzidos por agentes locais do setor florestal (Exemplo: clone AEC-0043, primeiro clone comercial de Corymbia do Brasil).
A vanguarda mundial em tecnologias de alta produtividade e rendimento para conversão da madeira em carvão vegetal só aconteceu por termos vocação inovadora e a imperativa necessidade de trilhar esse caminho, já que não há produção de carvão vegetal no mundo que se compare à brasileira "
Benone Magalhães Braga Gerente Executivo da Aperam BioEnergia
A mecanização e modernização de atividades de silvicultura e colheita como conhecemos hoje só foi possível graças a ações e adaptações conduzidas por players também do setor florestal brasileiro (Exemplo: desgalhador florestal, com reais ganhos em produtividade e segurança). A vanguarda mundial em tecnologias de alta produtividade e rendimento para conversão da madeira em carvão vegetal só aconteceu por termos vocação inovadora e a imperativa necessidade de trilhar esse caminho, já que não há produção de carvão vegetal no mundo que se compare à brasileira (Exemplo: Forno FAP-2000, primeiro e maior forno retangular copa plana do mundo).
Diante dessa reflexão e constatação, fica claro que a chave do potencial transformador necessário para se fecharem as lacunas em modernização e mecanização ainda presentes no sistema florestal brasileiro está nos principais atores desse mesmo setor.


E qual seria a chave para destravar todo esse potencial transformador?
Bom, diversas são as possibilidades, mas ouso aqui listar três chaves nas quais enxergo, particularmente, grande potencial:
1) Atuação multilateral entre representantes do setor florestal (academia/produtores/ fornecedores), num esforço conjunto para diagnosticar as necessidades comuns, que



carregam consigo um maior potencial de impacto, bem como para direcionar as ações e recursos que se propõem a solucionar essas necessidades identificadas;
2) Iniciativas de Inovação Aberta que exponham vácuos tecnológicos, não somente para os agentes que já navegam no ambiente florestal rotineiramente, mas também para indivíduos e organizações externas, que trazem consigo não apenas muita tecnologia, mas também uma visão nova do problema, completamente livre de vieses. Já vemos hoje movimentos nesse sentido (Exemplo: Forest Insight - SIF, Radar - IPEF, etc.), que, com o tempo, certamente desencadearão o fluxo de muitas soluções transformadoras para a indústria florestal;
3) Programas internos que fomentam, investem, premiam e destravam o potencial inovador que existe dentro de cada organização ou instituição, afinal, qualquer uma delas é formada por pessoas, e pessoas que conhecem como ninguém os problemas do dia a dia, por sempre se depararem com eles e, justamente por isso, carregam consigo todo o ferramental necessário para endereçar uma solução prática e viável. Como diria o poeta, os melhores problemas para serem resolvidos são os problemas de sempre!
Certamente as três possibilidades mencionadas anteriormente, acompanhadas de outras ações que também se propõem a atender ao mesmo objetivo, carregam consigo suficiente energia para tirar da inércia e movimentar as forças necessárias à resolução de qualquer problema e/ou lacuna existente em nossas florestas.
Concluindo, pondero e proponho a todos vocês, caros leitores, um verdadeiro call to action. Enquanto setor, como estamos encontrando consensos e canalizando esforços e recursos nas iniciativas que irão, de alguma maneira, elevar o patamar de modernização e, consequentemente, o patamar de competitividade e sustentabilidade da indústria florestal como um todo? Enquanto organização, o quão abertos estamos a modernas correntes de inovação externas, muitas das vezes não ortodoxas, que carregam consigo grande potencial transformador? Enquanto indivíduos, o quão dispostos estamos a tomar nosso papel de protagonista da mudança e carregar a chave que vai abrir e modificar completamente os horizontes de modernização da indústria florestal brasileira nos próximos anos?
Realmente, a chave está em nossas mãos! n






A silvicultura brasileira atua em uma área de 9,55 milhões de hectares para fins de produção, sustentando uma cadeia industrial que gera uma receita bruta de R$ 116,6 bilhões, o que corresponde a 2,7% do PIB nacional e gera próximo a 2 milhões de postos de trabalhos diretos e indiretos, representando uma área semelhante aos plantios de cana-de-açúcar, de 8,3 milhões de hectares.
Dessa forma, é de se esperar que a tecnificação entre as áreas se equiparem. Porém não é o que se nota em muitas situações. Por mais que a variedade de equipamentos seja grande na cultura agrícola, é possível identificar um significativo desenvolvimento, principalmente nos últimos anos, de equipamentos de alta qualidade, especificidade e produtividade para diversas operações. Portanto, percebe-se um desenvolvimento de toda a cadeia de operações na fabricação de equipamentos para essa área.
Ao longo dos anos, a mecanização da silvicultura se desenvolveu por meio de adaptações desta e de outras culturas agrícolas. Tratores para esse fim atendem, de certa maneira, a algumas atividades silviculturais, atuando em áreas de implantação, sem resíduos lenhosos. Com a maior representatividade de áreas de reforma, a presença de tocos e resíduos dos ciclos anteriores geram condições desfavoráveis para a boa performance dessas máquinas.
Assim, a situação comum, após a aquisição de um trator, é leva-lo para uma oficina onde será “blindado” para o trabalho no meio silvicultural. Além de aumentar o prazo de entrega do produto final, a sobrecarga de proteções ocasiona dificuldades operacionais para o processo de manutenção em campo. Esses são alguns fatores que fomentam a necessidade dos sonhados tratores florestais.


Adaptações de máquinas é comum na silvicultura. Ainda não chegamos ao estado da arte de termos tratores Purpose Built, porém muitos fabricantes planejam e executam projetos de implementos voltados para a silvicultura. Diversos são os subsoladores, por exemplo, que estão sendo planejados e produzidos em série para o uso silvicultural de fato. No entanto a baixa escala é outro fator que dificulta a produção de um projeto específico, diminuindo sua disponibilidade no mercado.
Os drones estão se mostrando eficientes, atuando na aplicação de herbicidas e no combate a pragas, sendo uma boa alternativa para a mecanização em áreas declivosas ou desfavoráveis às atividades tradicionais "
Guilherme Zaghi Borges Batistuzzo Gerente de Desenvolvimento Operacional da Bracell
Monitoramento, controle e análise dos dados das operações de campo só é possível com soluções completas de processamento customizado, avançado e automatizado.
Monitoramento
Remoto e em tempo real de todas as atividades executadas pelas máquinas no campo.

Controle
Das atividades em campo, armazenamento do histórico e telemetria para acompanhamento de desempenho.
Análise
Da informação através de relatórios, consolidação numérica e geográfica das operações florestais.
















Conheça as soluções florestais da Hexagon

As especificações e customizações para o atendimento de cada demanda dificulta a padronização e a produção em escala. Isso contribui para que a principal fonte de desenvolvimento florestal venha de pequenos ou médios fabricantes. Há, de fato, a necessidade de tantas especificações para cada demanda? Como a demanda pode ser estruturada de maneira mais estratégica para projetos de longo prazo e que permitam a produção em escala?
Nesse ponto, parcerias entre empresas florestais e fornecedores precisam ser intensificadas para a criação de uma estratégia comum. Uma ação facilitadora é a atuação de programas que aproximam o fornecedor de um pool de empresas. Exemplo desse tipo de parceria pode ser vista no Programa Cooperativo de Mecanização e Automação Florestal (PCMAF – IPEF), que possui 12 empresas associadas trabalhando na busca por soluções de mecanização e desenvolvimento silvicultural.
Com boa tecnologia, fornecedores oriundos da Europa, América do Norte e outros países da América do Sul estão entrando no mercado brasileiro para suportar esses desenvolvimentos. Muitos projetos, porém, têm um certo viés em função de sua origem e não atendem, de forma precisa, à demanda da silvicultura nacional. Isso gera necessidades de adaptações que acabam sendo feitas por empresas locais, dificultando o desenvolvimento do projeto ou a continuidade da operação devido à indisponibilidade de peças e suporte especializado. Mais uma vez, a importância de unir o mercado e buscar soluções que propiciem escala para o desenvolvimento de demandas e ofertas que facilitem a entrada de novos fornecedores é vital para a modernização tecnológica do setor.
Novas tecnologias disruptivas, como o uso de drones, têm se intensificado no meio florestal. Esses equipamentos estão se mostrando eficientes, atuando na aplicação de herbicidas e no combate a pragas, tanto do ponto de vista qualitativo quanto econômico, sendo uma boa alternativa para a mecanização em áreas declivosas ou desfavoráveis às atividades tradicionais, sejam elas manuais ou tratorizadas. Com baixa disponibilidade de mão de obra rural e as novas revisões de normas regulamentadoras do trabalho nessa área, o custo das atividades manuais se tornou muito elevado. Nesse contexto, essa tecnologia surge como uma boa oportunidade de mecanização e automação de atividades florestais, de forma segura, econômica e sustentável, otimizando o gasto energético para suas aplicações.
Também há novos equipamentos atuando em operações multitarefas que surgiram para proporcionar ganhos de produtividade, custos e sustentabilidade, pelo fato de conjugar atividades em uma mesma máquina. Essas configurações só são viáveis em projetos cuja premissa seja manter ou melhorar os parâmetros de qualidade das operações. Equipamentos de preparo de solo que realizam diversas atividades concatenadas (subsolagem, adubação de base, limpa trilho, destorroamento, aplicação de pré-emergente e marcação de covas); formas alternativas de cultivo de solo, como enxada rotativa atrelada à subsolagem e à aplicação de fertilizante; implementos que realizam a fertilização de cobertura conjugada com controle de matocompetição (linha e entrelinha) são exemplos de resultados de parcerias bem-sucedidas entre o desenvolvimento da necessidade do cliente com a expertise e os recursos de engenharia do fornecedor.
A modernização não deve ser vista apenas no campo da mecanização, mas também nos recursos humanos que atuarão na operação, na manutenção e no gerenciamento das atividades. A capacitação profissional deve acompanhar o desenvolvimento tecnológico. Mecânicos e operadores precisam estar cada vez mais engajados e capacitados para a utilização de equipamentos eletrônicos, tanto para a operação quanto para a detecção de falhas e a execução das manutenções de forma precisa.
Com a atuação da tecnologia embarcada, há uma maior geração de dados que precisam ser processados e interpretados (gerar produtos) para tomadas de decisões assertivas.
As informações devem ser geradas em campo, transmitidas, processadas automaticamente e analisadas em tempo real em uma central de operações. Nossas estruturas de transmissão de dados, processamento e gerenciamento estão, de fato, prontas para trabalhar em tempo real com o que é gerado no campo? Nossas pessoas estão preparadas para isso?
A cadeia de operações de formação de florestas está se modernizando, trazendo as necessidades de investimento tecnológico, financeiro e de capacitação, que demandam ações estratégicas para proporcionar rupturas tecnológicas compatíveis com sua importância. O cenário demanda investimentos robustos visando obter retornos consistentes e sustentáveis. O futuro das operações de silvicultura não é simplesmente mecanizado, deve ser inclusivo, engajador, integrado, dinâmico, autônomo e sustentável.n


P
Discos de corte para Feller: conforme modelo ou amostra
Discos especiais conforme desenho

Detalhe de encaixe para ferramentas de 4 lados
• Disco de corte com encaixe para utilização de até 20 ferramentas, conforme possibilidade devido ao O externo.
• Diâmetro externo e encaixe central de acordo com a máquina
P Usinagem de peças conforme desenho ou amostra: Eixos, acoplamentos, roscas sem-fim transportadoras, roletes e tambores para esteiras transportadoras, tambores para pontes rolantes, cilindros hidráulicos e pneumáticos e outros.





O setor florestal brasileiro vem se desenvolvendo a cada ano, seja em área plantada ou conservada, com aplicações tecnológicas que têm diversas alavancas de performance na cadeia produtiva, do campo à indústria de base florestal.
No relatório da IBÁ, divulgado em 2021, no Brasil, são plantadas mais de 1 milhão de árvores comerciais todos os dias, atingindo uma área de 9,55 milhões de hectares para fins industriais e outros 6 milhões de áreas de conservação. Esse balanço tem um potencial de estoque de mais de 4,5 milhões de toneladas de CO2.
Diante desse crescimento exponencial com a expansão de novas fábricas de celulose e a entrada de novos players no País, vem crescendo muito a demanda por áreas com florestas comerciais para abastecimento e garantia do plano de produção dessas plantas.

Somente no Mato Grosso do Sul, existe a projeção de aumento de produção de celulose de mais de 6 milhões de toneladas/ano.
Com esse cenário promissor para toda a cadeia produtiva florestal, por muitas vezes, vem se exigindo das operações de silvicultura, colheita e logística a busca por excelência operacional em suas atividades e processos maximizando a produção e qualidade das madeiras produzidas.
O mercado de celulose mundial está cada vez mais rigoroso com a qualidade dos produtos nas suas mais diversas aplicações, desde embalagens, cosméticos, fibras de tecido com nanocelulose ao tissue. Acompanhando essa exigência do setor, a qualidade da matéria-prima também deve seguir o mesmo critério na floresta, onde os desafios com o impacto da casca da madeira nos processos industriais são enormes.
Atualmente, está sendo desenvolvido e aplicado o uso de análise de câmeras por meio de modelos que foram desenvolvidos com um banco de imagens onde a IA consegue realizar a identificação na carga de madeira o que é casca e o que é tora. "
Felipe Ribeiro Speltz Consultor de Processos Industriais da Suzano
Eles geram custos altos com manutenção e afetam a disponibilidade de equipamentos no preparo de cavaco e máquinas de papel, consumo de químicos no branqueamento e cozimento até a desclassificação de lotes por sujidade e teor de areia.
Esse equilíbrio entre produção e qualidade passa por alguns pilares que sustentam essa balança e dependem de monitoramento e acompanhamento da qualidade para evitar impactos nos processos de produção das fábricas de celulose.
Entre cada processo das atividades da cadeia, podem ser aplicadas ferramentas de avaliações que vão desde uma análise visual das toras com comprimentos-alvo, diâmetros mínimo e máximo, tortuosidade, qualidade no descascamento, danos mecânicos, ataques de pragas, queimadas, entre outros. Os resultados dessas avaliações são de suma importância para o direcionamento das ações junto aos times de desenvolvimento e colheita, visando a ajustes em equipamentos, capacitação operacional, escolhas de máquinas e cabeçotes mais adaptados para a aplicação, com foco na produção e qualidade.



Resultado da análise de casca na caixa de carga com IA
Como essa etapa de monitoramento emprega equipes que precisam estar se deslocando até as áreas de colheita, que são muito pulverizadas e acabam gerando custos, o setor está passando por uma revolução tecnológica, onde estão sendo desenvolvidas ferramentas de avaliações automatizadas. O uso de inteligência artificial (IA) com objetivo de sistematizar o processo e gerar informações em tempo real com rastreabilidade vem reduzindo esse investimento, aumentando a capacidade de análise em forma de senso dos caminhões recebidos nas fábricas.
Atualmente, está sendo desenvolvido e aplicado o uso de análise de câmeras por meio de modelos que foram desenvolvidos com um banco de imagens onde a IA consegue realizar a identificação na carga de madeira o que é casca e o que é tora.
Todo esse processo foi criado no ambiente Digital & Analytics, com a colaboração de startups que apoiaram no desenvolvimento do modelo construído a partir de mais de 2.000 imagens em uma rede “colab”. Assim, foi possível gerar uma melhor assertividade do software com a calibração das medições manuais, visando a uma correlação alta do resultado da análise da Inteligência Artificial na mensuração do índice de casca na carga.
Essa informação pode ser gerenciada pelo time de logística inbound para o direcionamento e tratativa dessa carga no primeiro momento, evitando que as cargas com alto índice de casca sejam consumidas. Estruturalmente, é gerada a informação de qual local essa madeira foi transportada e, consequentemente, colhida, dando rastreabilidade ao time de desenvolvimento e excelência operacional para que realizem as devidas ações de correção.
Com a aplicação dessa ferramenta via POC (prova de conceito), foi possível observar a redução no teor de casca do cavaco que alimenta o digestor, garantindo um gerenciamento da qualidade da madeira nos processos industriais, reduzindo os custos e evoluindo nos elos da cadeia produtiva florestal. n
Atuo no setor florestal há vinte anos e vejo o momento que vivemos com grande entusiasmo e otimismo. Compartilharei adiante um pouco do meu olhar sobre o setor e uma perspectiva sobre a modernização do sistema florestal brasileiro.
A cadeia produtiva florestal contribui de maneira significativa para a economia brasileira, sendo competitiva em nível mundial, escoando seus produtos para todos os continentes. Em 2020, as exportações do setor bateram quase US$ 10 bilhões, representando cerca de 5% de participação no total das exportações nacionais. Internamente, contribui para o desenvolvimento econômico descentralizado no País, tendo gerado R$ 12 bilhões em tributos federais, mais de 2 milhões de postos de trabalho diretos e indiretos em uma cadeia produtiva longa e ramificada no entorno dos 10 milhões de hectares plantados no Brasil.
O sistema florestal brasileiro é composto por uma série de atividades que formam uma cadeia de produtividade complexa, algumas que evoluíram mais e outras menos nos últimos anos. Para a madeira que abastece a indústria de base florestal, muitas etapas são necessárias, desde o melhoramento genético das espécies, a produção das mudas em viveiros, o preparo do solo e plantio, a fertilização das florestas, o controle de pragas, a colheita florestal, entre outras atividades acessórias que auxiliam na gestão florestal.
O desenvolvimento do setor de florestas plantadas teve forte contribuição de Navarro de Andrade no início do século XX, mas foi na década de 1970, através dos incentivos fiscais ao reflorestamento, que houve um forte crescimento dos maciços florestais, principalmente com essências exóticas dos gêneros Eucalyptus e Pinus. Nesse período, houve uma busca por tecnologia, conhecimento, e, assim, começaram a surgir as primeiras escolas de engenharia florestal. Também surgiram incentivos para pesquisas com foco em encontrar materiais genéticos que conferissem produtividade e qualidade na produção da madeira. Nessa época, os plantios comerciais utilizavam sementes com torrões de solo, as atividades operacionais eram majoritariamente realizadas de forma manual, a colheita com motosserras, baldeio de madeira com muares, e produtividades florestais baixíssimas comparadas com os números de hoje. ;


ao contrário da revolução que aconteceu na agricultura, com equipamentos de alta performance customizados às culturas, na silvicultura, operamos ainda com equipamentos da agricultura adaptados, o que resultou em uma condição de alta demanda de mão de obra. "
Fabricio Amaral Poloni
Gerente-geral de Operações da ArcelorMittal BioFlorestas

• A Angicos Brasil Tecnologia deu um salto na pesquisa tecnológica de ponta na silvicultura brasileira
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Houve um movimento intenso para importar sementes, principalmente de Eucalyptus e Pinus, originárias da Austrália e Indonésia, principalmente, que viriam, mais tarde, formar a base genética das espécies introduzidas, possibilitando grande evolução dos programas de melhoramento genético no Brasil.
No fim da década de 1980, chegou o fim dos incentivos fiscais, e o setor teve que se reinventar. Começava, ali, um novo ciclo de desenvolvimento, onde o setor privado necessitou buscar maneiras de modernizar o sistema florestal para suprir a demanda de um parque industrial instalado e em ritmo de crescimento.
Um avanço importante para o setor surge na década de 1990, quando a clonagem comercial utilizada para Eucalyptus foi divisor de águas na produtividade de florestas e na qualidade da madeira produzida no Brasil, técnica que hoje está difundida entre produtores florestais e chega a alcançar 98% dos plantios de Eucalyptus no Brasil.
Nessa mesma época, a biotecnologia iniciou seu desenvolvimento, buscando materiais genéticos adaptados às condições de clima, solos, aplicação da madeira, com foco em ampliar a vantagem competitiva do nosso país na produção de floresta de rápido crescimento.
A modernização dos equipamentos utilizados nas operações da silvicultura brasileira também vem acontecendo, tomando como referência a forte evolução que aconteceu na colheita e no baldeio florestal, iniciada no hemisfério Norte e introduzida no Brasil no fim do século passado. Porém, ao contrário da revolução que aconteceu na agricultura, com equipamentos de alta performance customizados às culturas, na silvicultura, operamos, no princípio deste século, ainda com equipamentos da agricultura adaptados à silvicultura, o que resultou em uma operação muito demandadora de mão de obra. Isso começou a mudar no fim da década passada, com o desenvolvimento de equipamentos especializados com alto nível de mecanização e automação. Algumas atividades se desenvolveram mais, como a subsolagem utilizando marcação de linhas a partir de tecnologia embarcada nas máquinas; e outras menos, como o plantio das mudas florestais. A utilização do drone também tem sido um avanço em algumas operações.
Um levantamento sobre o nível de mecanização na silvicultura brasileira realizado pelo IPEF foi publicado em 2021. O retrato (2020) é que o nível geral de mecanização na silvicultura das empresas que cultivam Eucalyptus foi aproximadamente 50%, o que não mudou mui-
to desde 2018, segundo critérios estabelecidos no levantamento, contemplando as atividades de preparo do solo, plantio, adubação, controle de formigas cortadeiras, controle de matocompetição e irrigação. Contudo, é importante ressaltar o avanço que houve em algumas dessas operações nos últimos dois anos. O plantio avançou 9 pontos percentuais, chegando perto de 10% em 2020. O preparo de solo avançou 19 pp e chegou perto dos 100% do nível de mecanização no mesmo período.
Na colheita e no baldeio florestal, houve um avanço enorme em relação ao passado com as operações manuais e semimecanizadas, no que tange à produtividade, consumo de combustíveis, capacidade em acessar áreas acima de 40 graus de inclinação. Um feller buncher, por exemplo, tem capacidade para colher, hoje, cerca de 600 árvores por hora; harvesters e fowarders com sistema de guincho têm capacidade para explorar, com segurança e alta produtividade, plantios em locais de difícil acesso.
Muita coisa evoluiu e se modernizou no sistema florestal brasileiro, mas ainda há uma longa jornada a se percorrer. Temos grandes desafios pela frente. Uma escassez de mão de obra especializada no campo, sem contar o alto custo. Vivemos em um planeta com mudanças climáticas em curso, além do avanço em competitividade dos outros players em nível doméstico e mundial. Em contrapartida, também temos uma oportunidade nas mãos, melhorar continuamente a performance do setor e monetizar o valor que o setor agrega em sua atividade-fim desde sempre, captura do CO2 da atmosfera para formação da madeira.
Diante dessa oportunidade, acredito que temos algumas frentes para avançarmos ainda mais, como o nível da mecanização das operações silviculturais, a exemplo do combate à formiga, plantio e irrigação. Outra frente importante é a biotecnologia. Esperamos ter clones adaptados aos impactos advindos das mudanças climáticas, mais produtivos, menos sensíveis às pragas e mais customizados para os processos industriais que os demandam; e, quem sabe, avançar na tão polêmica transgenia dos materiais genéticos florestais. Temos muito espaço ainda para o uso de informações de satélite e inteligência artificial, seja nos sistemas de planejamento e otimização florestal, seja na automação das operações silviculturais.
Enfim, avançamos, mas podemos muito mais! Vejo o momento com grande entusiasmo, uma virada de chave na história do setor florestal brasileiro. n

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É fato que a silvicultura brasileira se destaca mundialmente como modelo de desenvolvimento, pesquisa, inovação e produtividade; avançamos muito no manejo de florestas comerciais nas últimas décadas e, mesmo alavancado por tantos avanços, os desafios atuais não são mais simples do que os do passado.
A Sylvamo surgiu a partir da separação dos negócios de papel da International Paper, passando a figurar no mercado como uma empresa stand alone de capital aberto. Essa mudança tem permitido à Sylvamo focar em seu propósito e, por meio de pessoas engajadas e práticas ESG, produzir o papel de que as pessoas precisam, para se educarem, comunicarem e entreterem. Essa transição chegou em um momento oportuno e tem contribuído para atuarmos de forma mais ágil e efetiva em diferentes assuntos, incluindo aqueles que convergem para a modernização da silvicultura.
É impossível falar de modernização do sistema florestal sem passar pelo tema da mecanização, que é um dos pilares para que o setor continue buscando ganhos de produtividade e eficiência em seus manejos. Também é impossível falar sobre mecanização sem comparar as áreas de colheita e silvicultura, estando a primeira na vanguarda quando o assunto é inovação e

tecnologia embarcada, muitas vezes à frente até mesmo da agricultura convencional. Já quando falamos em mecanização da silvicultura, um certo grau de dificuldade deve ser considerado, pois ainda depende de equipamentos adaptados e disponibilidade de mão de obra. Tais dificuldades podem ser atribuídas a alguns fatores, se destacando as condições e locais de cultivo do eucalipto, como terrenos irregulares, com a presença de buracos, obstáculos, linhas de tocos de ciclos anteriores, e tudo isso camuflado pelos resíduos florestais, além de, frequentemente, encontrarmos, em uma única área, condições completamente distintas no que tange à declividade, tipo de solo e fatores ambientais.
Outro fator importante é a diferença de técnicas de manejo adotadas pelo setor, que dificulta a padronização de equipamentos e impacta o desenvolvimento de novos produtos pelos fornecedores. Vem daí a grande quantidade de adaptações atribuídas à silvicultura, afinal, é praticamente impossível um equipamento padrão ter eficiência em todos os cenários adversos citados. Dessa forma, não se pode esperar a mesma velocidade da mecanização experimentada pela colheita e pela agricultura, pois o ponto-chave desse avanço foi a padronização das necessidades.
a diferença nas técnicas de manejo adotadas pelo setor florestal dificulta a padronização de equipamentos para a silvicultura e impacta o desenvolvimento de novos produtos pelos fornecedores. "
Luís Renato Junqueira e Thiago Spatti Braga
Gerente de Pesquisa Florestal e Engenheiro de Desenv. Operacional da Sylvamo, respectivamente
Considerando esse cenário, devemos buscar a padronização das operações de silvicultura? Utilizando como exemplo a atividade de preparo de solo, que atingiu certo grau de padronização nos últimos anos, temos visto a oferta de subsoladores florestais crescer, que, hoje, praticamente não demandam grandes modificações para operar. Por outro lado, talvez seja essa mesma “despadronização” que tenha levado o setor a atingir seus níveis de produtividade e eficiência de hoje, tratando cada particularidade ambiental com um manejo distinto, extraindo, assim, o máximo de cada área.
Portanto, acreditamos que deva haver um equilíbrio nessa balança e que o setor deve buscar pelos pontos de convergência, seja apoiado pelos programas cooperativos entre empresas e universidades ou firmando parcerias com redes de inovação aberta, demonstrando ao mercado suas demandas e potencial de consumo. Nos últimos anos, a Sylvamo tem realizado grandes avanços na prevenção e no combate a incêndios florestais, problema que assola não só as empresas de base florestal, mas o País em si, e tem sido tema central em discussões pelo mundo. Através de novas tecnologias, como a utilização de câmeras de observação em torres, algoritmos de inteligência artificial, redes de comunicação e dados satelitais, garantimos maior agilidade e eficiência das brigadas. Uma vez em campo, as brigadas contam com novos produtos e equipamentos, como químicos retardantes e supressores, que potencializam o efeito da água, caminhões desenvolvidos para essa finalidade, equipamentos de ação rápida e drones para o planejamento e acompanhamento das ações. Tais avanços refletem a preocupação da Sylvamo em preservar e combater a prática de queimadas, impactando positivamente as comunidades em que estamos inseridos. Ademais, temos avançado consistentemente no processo-chave, da prevenção dos incêndios pela criação de modelos de risco cada vez mais acurados e precisos, baseados em processamento e análise de dados espaciais e informações históricas, para guiar ações de prevenção a incêndios. Além dos avanços destacados acima, relacionados a equipamentos e estruturas, queremos chamar a atenção para outros aspectos dentro da silvicultura, que também se desenvolveram nos últimos anos, como o atual portfólio de produtos disponíveis para atividades relevantes, de controle de pragas, doenças e plantas daninhas, e percebemos claramente um aumento na quantidade de opções para o manejo desses agentes nos últimos anos.
Em relação ao controle de plantas daninhas, saímos de um cenário de uso praticamente exclusivo e baseado no glifosato, para sua substituição parcial em usos específicos. É claro que o glifosato ainda se mantém como a principal molécula no controle de plantas daninhas em eucalipto e, sabemos também o quão é difícil sua completa substituição, mas a gama de produtos registrados nos últimos anos tem permitido que outras alternativas, como os graminicidas, ocupem determinados nichos e permitam aplicações inclusive sobre as plantas do eucalipto.
Essa seletividade à cultura trazida pelos graminicidas também permite a utilização de outros equipamentos e a conjugação com outras moléculas, como o caso de alguns pré-emergentes. Concomitantemente à chegada de novas opções de pós-emergentes, também vieram novas moléculas e modos de ação para pré-emergentes, o que, além de aumentar o rol de ferramentas disponíveis para o silvicultor, também contribui para um mercado mais acirrado e competitivo.
Em relação ao controle de pragas e doenças, avançamos também a partir do registro de novas moléculas, o que possibilitou ao setor eliminar adaptações de bula de outros cultivos, sobretudo, para produção de mudas em viveiros florestais. De forma complementar, o conhecimento científico construído em parceria com universidades e centros de pesquisa foi chave em muitos desses processos, nos auxiliando, desde a criação e o acompanhamento de pleitos de registro junto ao Ministério da Agricultura, até o desenvolvimento de técnicas e metodologias genuínas aos cultivos florestais, possibilitando que os produtos registrados e equipamentos desenvolvidos pudessem ser utilizados em seu máximo potencial.
Diversos desafios ainda estão por aí para serem resolvidos, sejam eles regionalizados ou dores de todo um setor produtivo.
Na Sylvamo, não nos esquecemos de todas as conquistas e os avanços realizados até hoje, mas acreditamos que o caminho à frente será cada vez mais dinâmico, desafiador e inconstante, e que a modernização da silvicultura não passa somente pelo desenvolvimento de novos equipamentos, mas também compreende um ambiente multidisciplinar, onde redes de inovação aberta, startups , academia e diferentes área do conhecimento deverão andar juntas com a iniciativa privada, para solucionarmos, de forma ágil e responsável, os novos desafios que, certamente, teremos à frente. n

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A modernização florestal é uma realidade no campo e vem se especializando no Brasil desde a chegada dos primeiros equipamentos da agricultura. Com isso, os avanços tecnológicos vêm trazendo ao meio rural maiores condições para o planejamento, segurança, desenvolvimento das operações, aumento da produtividade, maior conectividade e redução dos custos.
Antigamente, os equipamentos destinados à agricultura eram rudimentares. No decorrer dos últimos anos, alguns avanços tecnológicos foram marcos históricos, como o desenvolvimento do primeiro arado de lâmina produzido com madeira e o machado na colheita. No início do século XX, a mecanização e o conhecimento científico
Todavia a conectividade rural no Brasil é um grande desafio. De acordo com dados do IICA, a maior dificuldade no campo é a obtenção de um sinal de internet de qualidade, havendo áreas onde ele não existe. "
Gustavo Torres Galvão da Silva
Especialista em Desenvolvimento Operacional da Gerdau
começaram a mudar o cenário no meio rural. Os animais que puxavam o arado e as carroças com madeiras deram lugar às máquinas movidas a motores de combustão.
Com o passar dos anos, os equipamentos mecanizados destinados à agricultura foram sendo utilizados nas grandes produções florestais, a fim de trazer otimizações às plantações. Todavia ainda não eram adequados o suficiente e também não havia grandes recursos logísticos para reposições de peças importadas. No entanto, com o avanço tecnológico, a mecanização chegou também aos pequenos e médios produtores, que se beneficiaram da tecnologia para aumentar suas produções.


Segundo levantamento realizado pelo IPEF, Instituto de Pesquisa e Estudos Florestais, em 2021, os tratores agrícolas representam 77% da frota em grandes empresas, os tratores florestais 20% e os tratores de esteira, pouco mais que 2%. Considera-se que, na maioria dos casos, os tratores agrícolas necessitam de adaptações para, principalmente, cumprirem as normas de segurança e apresentarem maior disponibilidade mecânica no campo.
Apesar de a mecanização em algumas atividades, como colheita e transporte de madeira, ter evoluído significativamente, outras, como a silvicultura, ainda encontram grandes desafios. Hoje, a indústria de equipamentos agrícolas identificou um nicho de mercado na silvicultura e de colheita, apresentando soluções e equipamentos para o setor florestal, como máquinas de colheita sendo operadas remotamente; plantadeiras com inteligência artificial; irrigação automatizada de forma localizada – que identifica as mudas em tempo real –; uso de drones para pulverizações, iscas formicidas, soltura de inimigos naturais, monitoramento, avaliações de qualidade, entre outros.
Embora os impactos positivos na produção florestal e na agricultura tenham sido notáveis, criou-se um contingente de pessoas que perderam sua força de trabalho no campo, buscando, assim, novas oportunidades nos maiores centros urbanos, o que impactou conjuntamente as produções florestais. As pessoas que migram não tendem a voltar ao trabalho de campo ofertado pela silvicultura, e isso se deve às condições de trabalho encontradas, como exposição ao sol e à chuva. As empresas já têm sentido esse impacto por meio do absenteísmo.
Com isso, as organizações estão investindo no desenvolvimento operacional, a fim de migrar as atividades manuais para operações mecanizadas ou, ainda mais, automatizadas.
No levantamento realizado com 17 empresas florestais, o IPEF identificou que 48,5% das atividades de silvicultura são mecanizadas, 45% das atividades florestais são manuais, 6%, semimecanizadas e apenas 0,14%, automatizada.
Dessa forma, ainda se torna necessária a disponibilidade de mão de obra especializada no campo para operar máquinas florestais e realizar manutenções. Para suprir isso, as empresas florestais têm buscado capacitar cada vez mais os profissionais.
Olhando para o futuro, o rápido processo de desenvolvimento tecnológico, permeado pelo uso da inteligência artificial e acompanhado por avanços disruptivos das ciências na fronteira do
conhecimento, transformará os sistemas florestais com maior eficiência. No novo contexto, passaremos a utilizar veículos autônomos, drones e robôs com sensores nas produções florestais. Isso dará entrada a um grande volume de dados e será impulsionado pela potência dos sistemas computacionais e pela conectividade, levando transformações significativas na forma de se manejarem os cultivos florestais.
Todavia a conectividade rural no Brasil é um grande desafio. De acordo com dados do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a maior dificuldade no campo é a obtenção de um sinal de internet de qualidade, havendo áreas onde ele não existe.
A conectividade pode trazer ganhos significativos para o desenvolvimento operacional, como o auxílio no sistema de piloto automático, interpretação das análises climáticas, o que, consequentemente, evitará perdas e possibilitará um trabalho de forma mais otimizada. Essa conexão entre os dispositivos juntamente com coleta e armazenamento em tempo real geram um grande volume de informações relevantes para a análise de dados apurada, capaz de prever cenários em relação à produção.
Além disso, o uso de sensores e telemetria vem sendo cada vez mais frequente. Eles fornecem uma série de informações sobre temperatura, umidade, ar, solo, além de obtenção de dados, através de GPS e monitores embarcados. Dessa forma, colaborando com a alimentação de um banco de dados mais robusto, podem auxiliar cada vez mais o avanço na produção florestal, através de comparativos retroativos e predição com base em informações ambientais.
Com o avanço das tecnologias, softwares para monitoramento remoto também têm sido aprimorados, a exemplo dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG), que permitem o mapeamento de grandes áreas, a identificação de falhas operacionais, além de fornecerem informações correlacionadas para o planejamento florestal que permitem a melhoria nas operações.
Com a internet das coisas (IoT), a interconexão de dispositivos e máquinas florestais trazem ao mercado opções, como trator conectado à plantadeira, que estará conectada ao pulverizador, à adubadora e assim por diante. Todas as modernizações atreladas ao Big Data permitem a transformação de dados isolados para informações úteis à produção no campo. Isso provoca uma sinergia e otimiza os processos florestais cada vez mais. n
Em 2016, em minha primeira reunião como coordenador junto às 12 empresas filiadas ao Programa Cooperativo sobre Mecanização e Automação Florestal (PCMAF), pertencente ao Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), a principal pauta era a definição das grandes linhas de pesquisa em que o programa atuaria a partir daquele dia.
A decisão foi unânime: focar na mecanização dos processos silviculturais. Consequentemente, a colheita e o transporte não estariam entre as grandes linhas de pesquisa. A justificativa para essa decisão era clara, uma vez que a colheita e o transporte estavam – e ainda estão – em um nível de mecanização muito superior às atividades silviculturais de plantio e irrigação, por exemplo. Desde então, o programa vem acompanhando de perto os desenvolvimentos tecnológicos e as tendências de mercado, principalmente, dessas duas atividades e, mais atualmente, da automação de viveiros.
Na edição número 62 da Revista Opiniões, em coautoria com o Prof. Saulo Guerra (líder científico do PCMAF/IPEF e docente da Unesp), escrevemos sobre a evolução dos sistemas de irrigação pós-plantio existentes no Brasil. Essa edição foi publicada no final de 2020, e, relendo a matéria, notei que não houve muito avanço tecnológico até os dias de hoje. Arrisco a dizer, inclusive, que não surgiram novos equipamentos para a mecanização da irrigação pós-plantio. Obviamente, não conheço todos os desenvolvimentos em curso, porém, entre momentos de reuniões, coffebreaks de eventos e visitas às empresas, os comentários de colegas corroboram a minha percepção. Questiono o motivo, ou motivos, de não vermos novas ações em busca da mecanização dessa operação tão importante e recorrente quando comparada com a mecanização do plantio, que é mais complexa, e temos diversas novas ações.
Será que estamos focando no plantio e “deixando de lado” a irrigação? Será que está faltando investimento para reconhecimento da muda (visão computacional) com o objetivo de automatizar a irrigação? Enfim, deixo a reflexão.


Por outro lado, presenciamos o momento com a maior quantidade de modelos de plantadoras mecanizadas sendo desenvolvidas e algumas já comercializadas. Novamente, fazendo uma comparação com um artigo escrito para a Revista Opiniões, dessa vez, uma publicação sobre a pesquisa e o desenvolvimento do plantio florestal escrita pelo Prof. Saulo e o Sr. José Carlos de Almeida (Diretor da JFI), na edição número 57 (set-nov/2019), praticamente todos os equipamentos citados pertenciam ao mesmo fabricante.
Será que estamos focando no plantio e 'deixando de lado' a irrigação? Será que está faltando investimento para reconhecimento da muda (visão computacional) com o objetivo de automatizar a irrigação? Enfim, deixo a reflexão. "
Guilherme Oguri Coordenador do PCMAF do IPEF
Além dos fabricantes nacionais, hoje vemos grandes players internacionais investindo em plantadoras e, até mesmo, adquirindo empresas especializadas em plantio mecanizado. Recordando que há 10 anos tinha praticamente uma ou duas empresas, hoje consigo contar pelo menos 9 fabricantes investindo em plantadoras.
Como sempre discutimos no PCMAF, será muito difícil termos um único modelo de plantadora que consiga operar de forma satisfatória e em ritmo operacional, independente da condição da área (tipo de solo, relevo, declividade, tipo de manejo etc.). Alguns modelos conseguem se destacar em áreas menos “exigentes”, como áreas planas e de implantação, o que permite realizar o plantio de até 3 mudas simultaneamente. Outros modelos se mostram mais eficientes em áreas declivosas, principalmente os cabeçotes de plantio instalados em escavadoras hidráulicas.
Temos notado que, independentemente do fabricante e do modelo, existe uma variável que possui alta influência no desempenho do plantio mecanizado e que não pode ser ignorada, que é a qualidade da muda. Na verdade, não existe apenas uma variável e sim diversas variáveis que influenciam a sua qualidade, como a altura, a tortuosidade, a qualidade do substrato, entre outros.
Justamente devido a essa influência da muda no plantio mecanizado, fomentamos uma discussão em torno da padronização da qualidade de mudas, ou seja, como melhorar os processos de produção das mudas que serão utilizadas em plantios mecanizados? O modelo de produção de muda atual vai atender à demanda de qualidade dos sistemas mecanizados?
Naquela reunião que citei no início do texto, foi estipulada uma linha de pesquisa sobre automação de viveiros, porém poucas ações foram feitas, até um passado recente. Por isso, o IPEF iniciou um projeto visando fomentar o desenvolvimento de novos equipamentos que permitam a sua introdução em viveiros estabelecidos, sem que haja um grande distúrbio no ritmo operacional atual. Por outro lado, há máquinas adaptadas de outras culturas com alto nível de automação que utilizam inteligência artificial e visão computacional para os processos
de seleção de mudas e estaqueamento, por exemplo. Acreditamos que esses equipamentos necessitam de uma atenção especial ao longo do seu desenvolvimento e que é necessária a participação de profissionais de diversas áreas do conhecimento, dada a sua complexidade tecnológica. Essas ações visam dar o foco necessário que os viveiros florestais merecem, uma vez que é a fonte do nosso recurso florestal.
Acredito que de nada adiantará discutirmos sobre plantio mecanizado, irrigação automática, drones, visão computacional e inteligência artificial aplicada aos plantios florestais se não olharmos com carinho para a evolução dos nossos viveiros.
Para concluir, tenho a percepção de que a modernização do sistema florestal brasileiro vai muito além de máquinas e automações. Temos, nas universidades, disciplinas que “modernizam” os futuros engenheiros florestais? Estamos atualizando os profissionais no mesmo ritmo em que atualizamos as nossas máquinas? Em suma, precisamos refletir e agir. n


A modernização do sistema florestal normalmente é relacionada com robôs, alta tecnologia embarcada, veículos autônomos e voadores, inteligência artificial, monitoramento e tomadas de decisões de forma remota, Big Data e muitos outros exemplos que seriam aplicados à silvicultura. Com isso, é nítida a evolução tecnológica de toda a cadeia ao longo do tempo, suprindo, assim, as demandas silviculturais, mantendo o Brasil como líder em produtividade das florestas plantadas e garantindo competitividade à cadeia. No entanto estaríamos nos restringindo se considerarmos apenas a alta tecnologia como algo que referencie a modernização do setor; desde muito tempo, adaptações do setor agrícola têm impulsionado as atividades florestais. O processo evolutivo é dinâmico e elástico, oscilando ao longo do tempo.
O que é moderno hoje se tornará obsoleto em um futuro próximo, mas isso o torna ainda mais relevante para a modernização do sistema florestal brasileiro, pois todo o aprendizado gerado durante sua operacionalização será utilizado durante o processo de geração de novas tecnologias. "
Fabricio Gomes Oliveira Sebok Gerente de Desenvolvimento de Produtos na Bayer
Parafraseando Platão e um outro filósofo, “a necessidade é a mãe da invenção e a inovação sempre surge em momentos de crise”; o tema nos alerta de que devemos, primeiro, identificar os gargalos para depois solucioná-los. Adaptações relativamente simples, como as barras protegidas, ou também conhecidas como


conceição, podem trazer maior aderência e modernização do que robôs que ainda são impraticáveis no campo, justamente pelo fato de estarem diretamente solucionando um problema claro, que seria a falta de mão de obra e o risco de fitotoxicidade causado pelos herbicidas não seletivos.
Entretanto, nem sempre é fácil ou simples identificar esses gatilhos. Como exemplo, nem sempre se teve tão claro o quanto as plantas ruderais que infestam os plantios florestais seriam daninhas ao desenvolvimento da floresta plantada, muito menos que isso dependeria do posicionamento, intensidade da infestação e tempo em que estariam competindo. E, ainda, que diferentes sítios responderiam de formas diferentes devido às condições ambientais e das espécies ou clones implantados nas áreas.
Quando foi compreendido que havia a necessidade do controle dessa vegetação de forma mais efetiva para evitar a matocompetição, foram buscadas soluções, como a prática do fogo, que tornava a área livre de infestações, apesar de outros danos que causava, mas não deixava de ser algo moderno para o momento.
Concomitantemente, outras formas adaptadas da agricultura também eram empregadas, como o preparo intensivo do solo com a aração e gradagem, práticas que, sem sombra de dúvidas, foram revolucionárias para o setor. Ao longo do tempo, foram introduzidos os herbicidas agrícolas, que permitiram maior agilidade e menor dependência de mão de obra no controle do mato. Posteriormente, foram sendo registrados produtos com recomendações florestais, sendo introduzidos os herbicidas pré-emergentes, que trouxeram ainda mais modernidade ao manejo, reduzindo as intervenções e os custos no manejo.
O emprego e a oferta de herbicidas não ocorreram por acaso, mas são fruto da necessidade de soluções eficientes para as dificuldades de mão de obra no combate às plantas daninhas e a oportunidade das indústrias químicas em trazer suas soluções para o setor florestal. Ao longo dos últimos anos, a quantidade de produtos químicos ou biológicos florestais vem aumentando, o que demonstra que o setor tem ganhado força, visibilidade, e, por que não, modernidade. Segundo o portal eletrônico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Agrofit, existem em torno de 314 produtos químicos e biológicos registrados para a proteção de florestas no Brasil, dos quais 218 são herbicidas.
Tendo em vista que, até pouco tempo, as opções herbicidas registradas não passavam de poucas, estamos vivendo um momento de abundância. Entretanto, apesar de esse número aparentar diversidade, a quantidade de diferentes moléculas herbicidas e misturas registrados não passa de 37, e apenas 10 ingredientes-ativos representam 90% dos produtos registrados para o setor, sendo: glifosatos (56%), glufosinato (8%), clorimurom-etílico (7%), flumioxazina (5%), sulfentrazona (3%), isoxaflutol (2%), carfentrazona-etílica (2%), oxifluorfem (2%), quizalofope-P-etílico (2%) e triclopir-butotílico (2%) ─ ainda que os 10% restantes representem moléculas, formulações e misturas mais recentes, com alta tecnologia agregada.
De qualquer forma, os produtos herbicidas são compostos pelo ingredientes-ativos, adjuvantes e inertes, que garantem estabilidade e os requisitos necessários para sua eficiência na aplicação, controle e segurança. E, assim, para extrair todo o benefício dessas tecnologias, não basta ter a melhor escolha do produto, mas que sejam feitos também levantamentos fitossociológicos das plantas daninhas, que sejam utilizados equipamentos adequados e regulados, posicionamentos corretos e o momento adequado de aplicação. Ou seja, a inovação e o conhecimento devem caminhar juntos para que não seja uma modernização apenas aparente e frágil.
É importante que todo profissional florestal se sinta parte dessa modernização do sistema florestal brasileiro e se dedique na compreensão dos problemas enfrentados e na busca por soluções inovadoras. Apesar de ser complexo e dependente de ações conjuntas, o setor busca um mesmo objetivo, que é a eficiência na produção sustentável florestal. Exemplos como os pulverizadores autopropelidos, aplicações de produtos defensivos via drones, eucaliptos geneticamente modificados garantindo tolerância a herbicidas, mapeamento da infestação de forma remota, inventários remotos, tudo isso já é parte da silvicultura moderna, aquela que busca maior precisão e eficiência.
Definitivamente, a modernização é algo dinâmico, que sempre se atualiza, conforme as necessidades encontradas. O que é moderno hoje se tornará obsoleto em um futuro próximo, mas isso o torna ainda mais relevante para a modernização do sistema florestal brasileiro, pois todo o aprendizado gerado durante sua operacionalização será utilizado durante o processo de geração de novas tecnologias. n
Quando fui convidado a abordar o tema modernização do sistema florestal, pensei logo na inovação do manejo de plantas daninhas, por dois motivos: o primeiro é o fato de cerca de 30% dos custos de implantação ou reforma de florestas estarem relacionados a ele; o segundo (e mais óbvio) é que se trata da minha área de atuação há mais de 30 anos.
Relembrando a evolução tecnológica nesse período, e creio que alguns dos leitores se unirão a mim, gostaria de remeter à segunda metade dos anos 1980, quando ainda se usava capina manual com enxadas para livrar as mudas transplantadas da competição com as plantas daninhas. Mais recentemente, porém, vemos a adoção de técnicas de geoprocessamento para mapear a presença de plantas daninhas com o uso de satélites e ainda aplicações com drones de pulverização.
Pois bem, de lá pra cá, o que mudou? Qual o estado da arte do desenvolvimento tecnológico no manejo de plantas daninhas? E, mais do que isso, quais os cami nhos esperados para o futuro?
É comum que se veja inovação como um grande passo, uma mudança de tec nologia revolucionária que abrirá novos caminhos e soluções nunca vistos. E isso não está errado, mas representa apenas um dos modelos possíveis, de uma ino vação tida no mercado como radical, em que se adota uma nova tecnologia em um
a inovação mais estratégica pode estar na capacidade de se manter o olhar curioso e aberto à descoberta, captando novos ângulos e oportunidades a cada situação que se apresente. "
Rudolf Woch Diretor da Apoiotec
novo mercado ou para um novo uso. Mas, embora importante no processo, é um modelo mais raro.
Existe, também, a aplicação de novas tecnologias para executar ações ou usos já conhecidos, no que comumente se reconhece uma inovação disruptiva. Como exemplo, podemos indicar a pulverização de herbicidas (uso já bem conhecido) com drones de pulverização (nova tecnologia).
Mas as tecnologias bem conhecidas não deixam de ter seu papel no processo de modernização, às vezes de modo decisivo.
Vamos a um exemplo: com o aumento da pressão de pragas e doenças florestais, as desfolhas têm crescido nos últimos anos em várias regiões no Brasil. Sempre que isso ocorre, há uma mobilização intensa no manejo das pragas, o que é natural. Por outro lado, a desfolha permite o aumento de radiação solar em pontos da floresta antes fechados, o que favorece o aparecimento de plantas daninhas. Com isso, a floresta, que já sofreu com o ataque de pragas, passa a sofrer competição com plantas daninhas.


A recombinação de conhecimentos de fisiologia vegetal, dinâmica de plantas no ambiente, características físico-químicas dos herbicidas disponíveis no mercado e tecnologia de aplicação com barras curtas proporcionam novas soluções para controle em pré-emergência de daninhas em florestas altas. Ou seja, um novo uso para tecnologias conhecidas.
A lei 13.243 (2016), do novo marco legal da ciência, tecnologia e inovação, propõe uma definição para extensão tecnológica que, em termos mais amplos, valida o emprego incremental de tecnologias já conhecidas em usos também já conhecidos.
O uso de controladores eletrônicos de pulverização, que permitem ajustes de pressão em tempo real, para manter as taxas de aplicação, apesar de variações de velocidade, é um bom exemplo de inovação incremental. É uma tecnologia disponível já há bastante tempo, contudo ainda se vê muito no campo o acionamento de pulverização com o ligar e desligar de bombas, que aumentam as variações, piorando a qualidade. Pontos ainda mais simples, como sistemas de agitação bem dimensionados, também são exemplos de tecnologias dominadas, com espaço para inovações incrementais.
Peço licença para citar um comentário de Luis Gabatelli, subeditor da HSM Management, em um artigo de setembro de 2021. Ele fala da necessidade de articular inovação com a proposta de criação de cadeia de valor, de acordo com as suas entregas. Concordo: é preciso pensar a inovação considerando a cadeia de valor e também a sustentabilidade.
A inovação sempre é feita de pessoas para pessoas, ou seja, todo o produto ou processo é usado para atender a uma necessidade do ser humano. Então, me sinto à vontade com o conceito de que, para avançar em todos os modos que discuti, a inovação deve ser tratada como uma transformação cultural e social, o que traz um paradoxo: a tecnologia em geral é o meio para o avanço, contudo a inovação tem menos a ver com a tecnologia e mais com relacionamento, experiência e mudança de modelo.
Em alguns trabalhos de construção de Procedimentos Operacionais e Instrução Técnica, nos últimos anos, pude presenciar que, de fato, as pessoas abraçam o que criam e ninguém cria nada sozinho. Quando os projetos têm a participação de todos os envolvidos –e, por que não dizer? – , comprometidos com os procedimentos e instruções, a sua adoção é mais rápida e fácil.
Estamos andando a passos largos com novos modelos de inovação disruptivos, como a transformação digital, o Agro 4.0, a internet das coisas, uso de drones, monitoramento remoto, geotecnologias e manipulação de dados em ambientes de nuvem – que popularizou o uso de inteligência artificial em várias áreas. Além de tecnologias com produtos biológicos, microrganismos ou seus exsudados, melhorando de modo significativo a região da rizosfera.
Nesse cenário, é preciso implantar uma transformação cultural criando uma jornada não com um fim, mas com vários, identificando as necessidades das pessoas. Quais atividades executam? Quais são os problemas do dia a dia? Quais ganhos esperam com a inovação?
Tenho trabalhado em alguns pontos da cadeia produtiva com resultados animadores. Aqui vão dois exemplos para pontuar os novos caminhos. O primeiro é o uso de produtos biológicos, através dos quais microrganismos são inoculados no solo ou raízes do eucalipto, criando relações simbiontes e trazendo resultados, como a disponibilização de fósforo não lábil ou incremento da taxa de sobrevivência em condições de déficit hídrico. O segundo está em revisitar as sequências de atividades na implantação das florestas, com objetivo de aumentar a capacidade de armazenamento de água nos sistemas produtivos. Essa estratégia está ligada às mudanças climáticas, tendo em vista que a distribuição de chuvas pode ser modificada, também impactando a dinâmica de plantas daninhas e herbicidas.
A inteligência artificial associada a geotecnologias e sensores remotos possibilitarão, em breve, definir melhores tratamentos para controle de plantas daninhas e redução do uso de herbicidas e custos para seu controle.
O manejo integrado de plantas daninhas passa a ter um sentido ainda mais amplo, e o processo de inovação deve ser encarado com olhar acurado, pensando na cadeia de valor e sustentabilidade.
E, para quem se pergunta “o que tudo isso tem a ver com Galileu?”, agora eu respondo: de fato, ele não inventou o telescópio. Mas foi aquele que o apontou para o céu, e, com muita paciência, observou o movimento dos planetas ao redor de uma estrela. E, a partir de então, esse campo da ciência seria completamente transformado, com impactos até hoje, séculos mais tarde. Encerro, assim, com este pensamento: a inovação mais estratégica pode estar na capacidade de se manter o olhar curioso e aberto à descoberta, captando novos ângulos e oportunidades a cada situação que se apresente. n






A silvicultura é uma “indústria à céu aberto” e, portanto, está exposta às mais variadas condições ambientais que podem comprometer a viabilidade da atividade. Os diversos fatores que podem afetar a produtividade estão assim classificados: fatores determinantes, aqueles inerentes à espécie, clone cultivado, qualidade do solo, stand de plantio; fatores indutores, aqueles que podem incrementar o potencial produtivo, como fertilizantes, irrigação, e; fatores redutores, aqueles relacionados a pragas, doenças e plantas daninhas, que podem comprometer o potencial de produção do cultivo.
O bom manejo cultural atua de forma ativa sobre esses três fatores, buscando a máxima produtividade, entretanto, para isso, é necessário ferramentas especificamente desenvolvidas para atender a cada necessidade.
No momento de implantação de uma floresta de eucalipto, vemos a indústria selecionando os clones mais adequados para cada ambiente de produção, realizando um bom preparo e fertilização da área a receber as plantas de eucalipto, porém o controle de plantas daninhas até então sofria com a falta de herbicidas especificamente desenvolvidos para a demanda florestal. A forte parceria entre silvicultura e indústria de insumos tem mudado esse cenário. A silvicultura brasileira tem recebido diversas novas tecnologias para facilitar o manejo de mato na cultura e pode inovar seu manejo com ganhos logísticos, econômicos e ambientais.
Um sistema de produção é como uma máquina em que aportamos insumos, e, após o seu processamento, colhemos o produto desejado, mas também colhemos “resíduos” indesejáveis do processo. O grande desafio é “engenhar” sistemas de produção cada vez mais eficientes

que possam reduzir os impactos negativos (resíduos) e aumentar a produção desejada. No sistema de produção florestal, especialmente na etapa de implantação, um produto indesejável presente são as plantas daninhas em níveis populacionais crescentes e apresentando resistência a alguns herbicidas.
Como a silvicultura não contava com muitas opções para o controle de plantas daninhas, herbicidas de ação pós-emergente sempre foram as opções mais utilizadas, e, nessa modalidade, se permite o aumento do banco de sementes, devido à possibilidade de as plantas presentes entrarem em fase reprodutiva antes de serem controladas. Além disso, o uso de agroquímicos de curto residual associado a inúmeras aplicações aumentam a pressão de seleção e o risco de resistência, tornando o manejo cada vez mais caro e ineficiente.
Em função da parceria existente na busca de soluções reais, a indústria florestal está prestes a se livrar desse problema. Foi possível desenvolver duas novas ferramentas que poderão suprir adequadamente a demanda de controle de plantas daninhas durante a implantação com um número 50% menor de aplicações e uma eficiência de controle acima de 90%. Essa importante parceria de desenvolvimento traz para o Sistema Florestal Brasileiro herbicidas de ação pré-emergente no controle das principais plantas daninhas gramíneas e folhas largas, presentes na produção florestal com uma boa seletividade de posição para o eucalipto e um período de controle que pode variar de 90 a 120 dias. Essa inovação substitui 4 operações de controle de plantas daninhas por apenas duas e mantém a cultura em condições de crescimento e expressão de seu máximo potencial produtivo. ;
A silvicultura é uma 'indústria à céu aberto' e, portanto, está exposta às mais variadas condições ambientais que podem comprometer a viabilidade da atividade. "
Rodrigo Naime Salvador Consultor de Desenvolvimento de Produtos Ihara




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2005
2005
Nosso início, trabalhando com desenvolvimento relacionado à tecnologia de drones para o Ministério da Defesa do Brasil.

2010 - 2012
2010 - 2012
Nosso início, trabalhando com desenvolvimento relacionado à tecnologia de drones para o Ministério da Defesa do Brasil.
Em cooperação com a IMA, introduzimos tecnologia de drones para a indústria florestal brasileira, por meio de mapeamento.
2016
Em cooperação com a IMA, introduzimos tecnologia de drones para a indústria florestal brasileira, por meio de mapeamento.
Passamos a ter como alvo as culturas extensivas tropicais, e a desenvolver soluções para o controle biológico em grande escala de pragas e doenças a partir de drones.

Planejamento: Ordem de pedido a partir de um clique
2016
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2019 A VOA é criada.
2021
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Fomos considerados pela segunda vez consecutiva uma das 10 melhores Agtechs do Brasil para a 100 Open Startups.


Monitoramento: Controle de qualidade e rastreabilidade do serviço

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A inovação tecnológica desenvolvida partiu do envolvimento com pesquisadores e consultores atuantes na área florestal e os setores de pesquisa e desenvolvimento das empresas produtoras de eucalipto no Brasil. A partir da identificação do problema da falta de alternativas para o controle das plantas daninhas, iniciou-se uma intensa etapa de pesquisa para avaliar a dosagem adequada, época de aplicação mais favorável, principais plantas controladas e seletividade à cultura. Nessa etapa, foram realizados mais de 100 tratamentos diferentes, alocados em todas as principais regiões produtoras do Brasil, como Rio Grande do Sul, Paraná,

Os resultados foram catalogados, analisados cuidadosamente para se obter uma conclusão do posicionamento de manejo de plantas daninhas. Através do ingrediente ativo “Pyroxasulfone”, desenvolvido em parceria com a silvicultura para o controle pré-emergente das plantas daninhas, ocorrerá, gradativamente, uma diminuição no “banco de sementes” do solo e uma redução da pressão de seleção e do surgimento de espécies resistentes, além de assegurar uma floresta sem matocompetição e com menores riscos de incêndio, portanto mais competitiva. Esse desenvolvimento e parceria não param nessa etapa, já que buscamos a melhoria contínua. Melhores ferramentas, melhor aplicabilidade, resultados mais eficazes e produtividade crescente. Além do controle de plantas daninhas, o desenvolvimento busca contribuir para o manejo de pragas, como lagartas e o terrível psilídeo-de-concha; busca também alternativas para o controle de formigas e outras demandas que venham a ser identificadas. Nossa crença é: “Acreditamos que, através de uma conduta ética, humilde e engajada, podemos superar e surpreender as expectativas das partes interessadas”. Assim, a produção continuará dando passos consistentes na competitividade internacional e no equilín

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Recordo-me do meu ingresso como profissional no setor florestal, lá pelos idos de 2001. À época, ainda com meu mestrado em andamento, no qual me dedicava à avaliação silvicultural de clones de Eucalyptus spp. por macro e micropropagação, imaginava as diferentes possiblidades de aplicação da tecnologia de propagação vegetativa no setor florestal, incluindo mudanças no processo de produção de mudas.
A empresa na qual eu tive a oportunidade de começar a colocar em prática todos os ensinamentos adquiridos na universidade passava por uma modernização de seu viveiro de produção de mudas florestais, adotando o uso das modernas barras de irrigação, trazidas do setor de plantas ornamentais, dentre outras novidades, fonte constante de inovação e tecnologia que, com empenho dos profissionais do setor, transformavam-se nas “adaptações” à produção de mudas.
Um grande fórum de discussão multidisciplinar precisa ser formado, no intuito de se pensar em conjunto sobre a modernização dos viveiros florestais, assunto que, volta e meia, retorna à mesa de debates. "
Alex Passos dos Santos Diretor da Maxitree Florestal
De lá para cá, pude presenciar inúmeras tentativas, em diferentes empresas e viveiros comerciais de produção de mudas, de se transformar o conhecimento tácito dos viveiristas em procedimentos, com a automação do processo sempre que possível. Cheguei a participar de um projeto multidisciplinar que visava ao manejo da irrigação em pleno sol


por meio da instalação de sensores nos tubetes, que emitiam sinais sonoros quando o teor de umidade do substrato apresentava-se abaixo do esperado, para que o responsável pela irrigação pudesse acioná-la. Esse projeto não obteve o sucesso esperado, sendo a operação mantida pela avaliação visual e pelo conhecimento do responsável pelo processo.
O que se nota ao longo de todos esses anos foram, em sua maioria, tentativas frustradas de se modernizar e automatizar os viveiros de produção de mudas. Deparei-me, em diferentes viveiros, com centrais computadorizadas de controle dos minijardins clonais, casas de vegetação e áreas de pleno sol, que, mal haviam sido instaladas, tornaram-se obsoletas, estando ainda nas mãos do bom e velho viveirista as rédeas da produção de mudas, impactando diretamente a sua qualidade, sendo praticamente impossível a manutenção de um padrão.
Um dos poucos cases de modernização de um viveiro de produção de mudas nessa caminhada foi apresentado na edição nº 62 da Revista Opiniões, com o artigo intitulado a “Automação de Viveiros Florestais - A Era dos Dados a Favor da Silvicultura”, no qual o autor refere-se ao projeto do novo viveiro, recém-instalado na cidade de Três Lagoas (MS), como “Fábrica de Mudas”, que, como descrito por ele, teve início em 2009, com as primeiras prospecções e ideia de desenvolvimento, e teve seu startup operacional em março de 2017.
Um ano antes da startup desse viveiro, aconteceu uma das reuniões do recém-criado Programa Cooperativo sobre Mecanização e Automação Florestal (PCMAF), pertencente ao Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), no qual foi decidido, pelas empresas participantes, que o PCMAF focaria na mecanização dos processos silviculturais.
Com a criação do programa cooperativo e as discussões sobre o tema, o número de fabricantes que iniciaram e deram continuidade aos investimentos em plantadoras só aumentou. Mas o que a produção de mudas pelos viveiros florestais tem a ver com a modernização no plantio? A resposta remete diretamente à qualidade de mudas e à sua influência na operação do plantio mecanizado. E, para o tema “produção de mudas”, como podemos definir a “qualidade”, num cenário em que cada empresa possui seu viveiro de
produção de mudas, em boa parte obsoleto, utilizando basicamente a mesma estrutura de 20 anos atrás, ou quem sabe até mais antigo?
Em alguns casos, possui diferentes viveiros ou adquire muda do mercado e a envia para o plantio. Acrescente a isso o fato de que cada lote de mudas produzidas apresenta pelo menos três diferentes padrões de qualidade.
Diante desse cenário, como atender às demandas dos equipamentos, levando-se em consideração que cada plantadora desenvolvida ou em desenvolvimento tem sua peculiaridade e, para cada uma delas, características específicas das mudas são necessárias?
Imprescindível ressaltar que um ponto em comum entre as plantadoras com as quais já tive a oportunidade de ter algum tipo de contato é que esses equipamentos realizam o plantio das mudas por gravidade. Então, quando falamos dos requisitos de qualidade da muda para o plantio mecanizado, não podemos deixar de considerar a altura total da muda (substrato + parte aérea), o diâmetro do coleto, a tortuosidade do caule, o número de ramificações e de pares de folhas, a estruturação do substrato e o peso da muda. Via de regra, essas são características que, separadamente ou em conjunto, podem ser responsáveis pelo entupimento da plantadora, não atingimento da profundidade ideal e falhas de plantio, dentre outros problemas operacionais, quando não estão de acordo com o padrão definido como o da “muda ideal”.
Um grande fórum de discussão multidisciplinar precisa ser formado, no intuito de se pensar em conjunto sobre a modernização dos viveiros florestais, assunto que, volta e meia, retorna à mesa de debates. Em se pensando na operacionalização das plantadoras, faz-se necessário estabelecer os requisitos de qualidade das mudas, definir quais parâmetros realmente impactam o momento do plantio e de que forma conseguir que os viveiros atendam a essas demandas com qualidade. Fica claro o quão complexa é essa cadeia e a caminhada que o setor florestal ainda tem pela frente para que a modernização dos plantios florestais aconteça de forma efetiva.
Minha intenção, ao escrever algumas considerações para este artigo, é chamar a todos para uma reflexão sobre o tema e gostaria de finalizar citando o filósofo Mario Sérgio Cortella, que diz: “jamais seja incapaz de renovar seu próprio conhecimento”. n
Em constante desenvolvimento tecnológico, o setor de florestas plantadas observa pontualmente incrementos significativos de produtividade, em relação à média nacional, em plantios ao redor do País. Isso muito se deve ao domínio de alguns desafios no processo, os quais nos chamam bastante a atenção. A matocompetição, com certeza, é um desses desafios: além de ter representatividade significativa nos custos de implantação da floresta – em torno de 30% do custo total –, também pode ser responsável por perdas de até 80% na produtividade total, devido à competição gerada nos dois primeiros anos, o que nos insere num cenário de alta viabilidade desse manejo, ficando evidente a importância e toda a atenção dedicada ao controle de plantas daninhas nos plantios florestais.
Dada a continentalidade do Brasil, a complexidade no manejo das plantas invasoras cresce ainda mais com as diferentes condições climáticas, alta diversidade nas espécies de plantas daninhas (algumas delas com resistência ou tolerância a herbicidas tradicionais), características do solo e diferenças no manejo. Além disso, pudemos observar, nos últimos anos, algumas situações atípicas em relação ao clima – regime térmico e hídrico –, que podem ser atribuídas a um processo de mudança climática de ordem mundial.
Viemos acompanhando, nos últimos anos, um grande movimento na indústria de defensivos para proporcionar um maior número de ferramentas e produtos para o controle de plantas invasoras, principalmente na cultura do eucalipto, onde, no passado, tínhamos apenas 2 princípios ativos registrados. Atualmente, já contamos com 24 ingredientes ativos
Vimos, nos últimos anos, um grande movimento na indústria de defensivos para proporcionar um maior número de ferramentas e produtos para o controle de plantas invasoras, principalmente na cultura do eucalipto, onde, no passado, tínhamos apenas 2 princípios ativos registrados. "
Gabriel de Carvalho Delalibera Desenvolvimento de Mercado Florestal da FMC Agricultural Solutions
disponíveis, entre pré e pós-emergentes. Essa gama de ferramentas é de extrema importância e nos abre diversas possibilidades de melhoria na performance e no custo do manejo de plantas daninhas em florestas plantadas.
E como vou fazer para entender e utilizar, da melhor forma, essas ferramentas? De fato, existe uma série de fatores que devem ser analisados, e o primeiro deles é conhecer as características dos produtos que estão disponíveis, seu comportamento no ambiente e sua performance residual, no caso dos pré-emergentes.
Em segunda avaliação, definimos o momento e o objetivo da aplicação; depois, se será em pré ou pós-plantio e, posteriormente, se o controle será em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. Isso posto, é hora de analisar a época do ano em que será realizado o manejo.
Uma dica importante é a divisão do ano em quatro períodos distintos, que deve acontecer da seguinte forma: período úmido (plena chuva), semisseco (transição para época seca), seco (ausência de chuva) e semiúmido (transição para a época chuvosa).


Todas essas análises citadas em conjunto com a avaliação da área que será manejada, levando em consideração a cultura de interesse, o estágio de desenvolvimento das plantas, principais espécies e características do solo, também são de extrema importância para a tomada de decisão.
Analisando amplamente, estamos diante de oportunidades no manejo, a exemplo: é observada, nos últimos anos, a franca expansão da utilização de herbicidas pré-emergentes com ação residual prolongada na implantação e na manutenção das florestas, ou seja, com população de plantas daninhas abaixo do nível de dano econômico.
Bem posicionado, esse manejo proporciona reduções significativas na quantidade de operações e intervenções realizadas na floresta, o que traz um ganho, não só de produtividade, mas também na questão da sustentabilidade, que incluem a otimização direta dos recursos humanos, hídricos e combustíveis, além da evidente oportunidade de diminuição dos custos com o manejo de plantas daninhas. A evolução nos trouxe essas grandes oportunidades e, hoje, podemos dizer que o futuro do manejo da matocompetição está em nossas mãos.
Uma coisa é fato: primeiro de tudo, é preciso saber posicionar corretamente cada uma dessas ferramentas, para que possamos explorar o melhor de cada uma delas. Produtos bem posicionados no momento, alvo e condições de aplicação proporcionam o resultado operacional desejado e a performance que condiciona uma floresta limpa e livre dos prejuízos da matocompetição.
E o futuro?
Com a alta velocidade da evolução na silvicultura digital, em breve, já poderemos ver uma série de iniciativas para identificação, mapeamento e programação de controle das plantas daninhas através de imagens de satélite ou até mesmo de Aeronaves Remotamente Pilotadas – RPAs. Já estamos vendo esse movimento acontecer, e será mais uma ferramenta para nos auxiliar em tomadas de decisão no manejo de plantas daninhas. Além disso, as modalidades de aplicação vêm evoluindo rapidamente também, a entrada dos drones nesse cenário já é uma realidade, além de outras iniciativas, como equipamentos de ultrabaixo volume, que podem aparecer como soluções para melhoria de performance operacional, maior diminuição de custos e impactos ambientais das aplicações. n

A digitalização já chegou à floresta. A cada dia, mais e mais processos sofrem incorporações de softwares e hardwares, produzindo uma infinidade de informações. Apesar de possuirmos um terreno totalmente inexplorável e com uma gama quase desconhecida para adquirirmos novos conhecimentos, ainda temos alguns desafios a serem vencidos.
A área de colheita absorveu a tecnologia escandinava, introduzindo harverters, forwarders, skidders e clambunks, saindo de uma atividade que utilizava como base motosserras, descascadores, autocarregáveis e caminhões com baixa capacidade de carga. Quando falamos da implantação de florestas, essa atividade segue os passos do processo evolutivo e tecnológico ainda da agricultura, que, por sua vez, sempre está um passo à frente quando falamos de inovação.
Existem alguns motivos pelos quais essa diferença temporal ocorre: • O ciclo curto da maturação e comercialização de produtos agrícolas leva a uma análise de investimento e resultados com maior velocidade. • O grande interesse dos fabricantes de máquinas agrícolas nesse mercado, devido à alta demanda de produtos. • Uma gestão mais vertical, o que muitas vezes facilita a tomada de decisão e agiliza a aquisição e adoção de novas tecnologias, pois há poucos envolvidos no que tange aos riscos do investimento. Segundo a Fenabrave (2021), a comercialização de máquinas agrícolas foi de 58.733 unidades, com um acumulado dos últimos 5 anos em 239.094 exemplares. Estima-se que o mercado florestal represente apenas entre 1% e 3%, o que explicaria o desinteresse dos fabricantes.
A adaptação de implementos agrícolas para o setor florestal não é uma tarefa simples, pois existem características de cada setor que determinam a robustez, a qualidade, a engenharia de construção e o nível tecnológico. "
Ronaldo Soares Gerente-geral Florestal da Divisão de Agricultura da Hexagon
A busca de dados já é um grande desafio. Temos menos de uma dezena de grandes fabricantes na área e uma centena de fabricantes de menor escala, que competem ferozmente com o budget do setor de silvicultura. A grande fatia de mercado está concentrada nos pequenos fabricantes. A silvicultura, no que abrange a implantação de floresta até sua colheita, compartilha do mesmo problema, independentemente da parte do mundo em que se esteja.
As empresas procuram encontrar soluções locais, que é aquele prestador de serviços que geralmente atende ao setor metal mecânico ou a pequenos fabricantes de implementos e que se deslumbra com essa oportunidade de ampliar os seus negócios. Motivados pela operação de silvicultura em desenvolver soluções, normalmente dão um primeiro passo através de um protótipo e, após várias tentativas de erros e acertos, conseguem raramente transformá-lo em um produto comercial universalizado.
Algumas empresas subsidiam esses processos, tanto financeira quanto tecnicamente, pois há uma necessidade de conhecimento operacional técnico-científico silvicultural para suportar esse desenvolvimento. Embora isso ocorra, já conseguimos observar, ao longo dos anos, que não é suficiente para suportar essa iniciativa. Temos, então, uma deficiência de recursos financeiros e, por consequência, nível técnico de fabricação e projeto construtivo por parte desses fornecedores de solução, o que reflete em equipamentos com baixo nível de padronização e tecnologia, embora todo esforço e motivação tenha sido empregado.

As próprias incertezas ou pedidos customizados de uma mesma empresa, ou empresas vizinhas com uma demanda operacional muito similar, acabam dividindo ainda mais esse pequeno setor de fornecedores, competindo pelo mesmo recurso e mercado. Não é incomum, numa mesma empresa, encontrarmos na operação 30 ou mais equipamentos que, embora tenham sido fabricados por um ou dois fornecedores, tenham entre si diferenças tão significativas, tanto que, para a introdução de tecnologia, se faz necessária uma alteração e adaptação substancial. Fato este que onera os custos, toma tempo e, muitas vezes, inviabiliza até mesmo a implantação nesse equipamento. Facilmente, teria sido resolvido com um projeto fabril padronizado e tecnológico.
A adaptação de implementos agrícolas para o setor florestal não é uma tarefa simples, pois existem características de cada setor que determinam a robustez, a qualidade, a engenharia de construção e o nível tecnológico. Dentre essas diferenças, podemos citar o número de horas utilizadas/ano/equipamento, as condições de terreno, como a existência de tocos e resíduos, a topografia e a própria terceirização.
Na dinâmica desse desafio, temos 4 atores principalmente envolvidos:
1. As empresas de celulose e derivados de madeira: As empresas do segmento florestal, por sua concepção, têm o foco baseado no seu produto final, destinando a maior parte dos seus recursos para esse fim. Um dos fatores que podem influenciar nessa redução de investimentos do início de uma implantação florestal é, provavelmente, o ciclo longo, mais de 6 anos. Essa longa espera por colheita traz à tona muitas incertezas ao investidor sobre garantias de retorno. Dúvidas difíceis de serem respondidas, em função das variáveis, como clima, pragas e doenças, escolha genética e situação política e econômica.
2. Prestadores de serviços: Quando falamos de prestadores de serviços, também o seu core business está em metas de implantação e manutenção de florestas, não tendo tempo, nem recursos ou pessoal habilitado para o desenvolvimento de máquinas; contudo se vê, em função das dificuldades já expostas, a necessidade quase sine qua non de sobrevivência se aventurar por esses caminhos de desenvolvimento e fabricação. O resultado nem sempre é o esperado e, geralmente, tem-se o mesmo problema dos pequenos fabricantes de implementos.
3. Pequenas empresas de implementos: Os pequenos fabricantes, mas não menos importantes e entusiastas do setor, são verdadeiramente o esteio da mecanização e modernização
da floresta. Seu tamanho e capacidade técnica estão diretamente interligados com o aporte financeiro a eles dedicado. Embora, nos últimos anos, tenha se observado a entrada de novos fabricantes, também vemos muitos fabricantes tradicionais saindo do setor, desmotivados com a falta de investimento. Aqui, estamos falando não apenas de recurso financeiro, mas também de conhecimento técnico. Em outros lugares do mundo, como Europa, EUA, Canadá, entre outros, já se utiliza comumente o padrão ISOBUS de comunicação, que permite a integração trator e implemento independente da marca, ampliando a coleta de dados da operação. O mercado estabelecido, padronizado dos grandes fabricantes de máquinas e implementos no Brasil, ainda não conseguiu implementar, de forma maciça, o ISOBUS, devido à legislação e padronização das fábricas. Então, imagina o quão tardio isso irá ocorrer nos pequenos fabricantes.
4. Grandes fábricas de máquinas agrícolas e colheita florestal: Os grandes fabricantes, principalmente os de tratores, harvester e forwarders, tentam desenvolver produtos baseados nos bons resultados e valores agregados da colheita florestal. Porém desenvolver soluções inovadoras, mesmo com um mercado limitado, não é uma tarefa tão fácil, e essa ação é insuficiente para a tão desejada floresta 4.0 acontecer. O que é necessário entender é que a velocidade de demanda de mercado corre sempre à frente dos investimentos, e isso se agrava no tempo em que estamos vivendo, na era da informação, do agora.
Então, qual a solução para vencermos esses desafios? Não existe uma ação individual, nem uma resposta simples, mas acreditamos que uma sinergia maior entre os envolvidos, grupos de estudos específicos, universidades e especialistas com recursos financeiros e técnicos adequados encontrariam a resposta.
Por fim, o que podemos observar é que a distância tecnológica entre os setores agrícola e florestal tem diminuído a cada ano. Parte disso acontece em função dos grandes investimentos que estão ocorrendo no setor florestal, com novas fábricas e ampliação da produção. Até mesmo a própria competitividade no setor e a disponibilidade de informação que temos nos dias de hoje, em apenas um click na palma da nossa mão, conseguimos verificar em qualquer setor ou parte do mundo o que está acontecendo em novidades e inovação, fazendo com que isso contribua muito para reduzir este gap tecnológico entre os dois setores, impulsionando o setor florestal para um novo patamar. n


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ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira
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