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BIOENERGÉTICA: cana, milho, açúcar, etanol, biogás, bioeletricidade, CBio, biohidrogênio e SAF
ano 23 • número 88 • Divisão C • Mai-Jul 2026















































Adriano Pires CBIE

Alexandre & Vinícius Embrapa

Caio Canaplan

Andréa Veríssimo UNEM

Ciro Sitta Sicoob Pro e Canaplan

Christian Lohbauer Cientista Político

Dagma & Luciano Embrapa Milho


Hugo UDOP

Luciano FGV-UNICA
Dib IDEA

João Botão & Roberta Pecege

Eduardo Lunardelli Produtor Rural

João Ulisses Agr.Cana

Acervo FS+Opiniões Índice: Mailson Pignata

Marcelo Schmid Grupo Index








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A guerra, o petróleo, a gasolina e o etanol
“A busca por energia é a busca pela sobrevivência.”
Daniel Yiergin
Globalmente, os combustíveis fósseis representam cerca de 86% da matriz energética global, com o petróleo perdendo um pouco do seu peso nela (+ 1/3), mas liderando os tipos de energias consumidas; o gás natural cresceu (hoje é ¼ do total consumido), e a demanda do carvão mineral subiu (+1%) com China e Índia puxando. O novo, mais visível, é na matriz elétrica onde os renováveis representam cerca de 1/3 do total demandado e a energia nuclear 8%, ambos performando 80% do crescimento da geração elétrica global. No Brasil, 50% da matriz energética é renovável e quase 90% da matriz elétrica é renovável.
Estrela global no tema energia, Daniel Yergin posiciona o petróleo não só como energia, mas como instrumento geopolítico. Naturalmente afloram os seus derivados – gasolina e diesel – e os biocombustíveis que o complementam ou substituem – etanol e biodiesel.

Essa lógica, cada vez mais atraente em um mundo que busca soluções aos combustíveis fósseis, também no momento vivido reforça a energia definindo o poder, mas o petróleo está novamente moldando a guerra.
Isso se clareia em 1973 (embargo do petróleo na Guerra Yom Kippur, gerando o 1º choque do petróleo), reacende em 1979 com a revolução iraniana (2º choque do petróleo), volta à cena entre 1980 e 1988 com a Guerra Irã-Iraque (busca de hegemonia). Em 2003, retorna com a Guerra do Iraque, seguido anos depois (2011) com a Primavera Árabe e a guerra civil na Síria; entre 2014 e 2019 o terrorismo do ISIS (Estado Islâmico), e já em 2019 com tensões no Estreito de Ormuz. Entre 2023 e 2026 caminham a guerra de Israel com blocos terroristas ligados ao Irã (Hammas, Hezbollah, Houthis) e a atual guerra com EUA, Israel e Irã, com o fechamento do Estreito de Ormuz novamente.
Foi no 1º Choque do Petróleo que o Brasil sofreu de forma crítica, com sua Balança de Pagamentos. Surgiu o etanol, na esteira do Proálcool (1975) que mostrou evolução no desenvolvimento de motores do Ciclo Otto e
O fato é que a energia volta ao centro da história nesse conflito atual. Essas tensões abrem novos espaços para alternativas como o etanol, que sai de um olhar sobre agronegócio e se torna estratégia global. "
Luiz Carlos Corrêa Carvalho, Caio Diretor da Canaplan
que o tornou protagonista em soluções (etanol anidro substituindo o chumbo tetraetila, e o hidratado substituindo a gasolina). Ou seja, 50 anos depois as coisas se repetem com motivações um pouco diferentes:
a) Primeiro na América Latina, os EUA capturam Maduro e esposa e fecham a torneira do petróleo venezuelano à China (vendido com grande desconto aos chineses);
b) Em seguida, tenta-se fechar a torneira do petróleo do Irã à China (mesmo motivo). Os ataques estariam justificados pelo perigoso perfil de elaboração de artefato nuclear pelo Irã;
c) EUA e Israel e ataques ao Irã e aos países “amigos” do Irã, via grupos terroristas citados, até o ponto em que a geografia do Irã assume a estratégia geopolítica com o Estreito de Ormuz, como feito antes... além disso com ataques do Irã a outros países árabes.
Nessa longa e repetitiva história, o Brasil, via Petrobras, faz e muda (refaz) a política de preços dos combustíveis, após o impressionante resultado, no período acima citado (50 anos), de país importador a exportador de petróleo.
A política mudou novamente no Governo Lula 3, de preços acompanhando o mercado internacional para, agora, maquiagem com redução de impostos, e outras mágicas para não acompanhar o mercado internacional. O fato é que chegou a faltar diesel em muitos locais e, ainda, uma “caça ao Posto” com preços mudados como no Governo Sarney se caçou gado nos pastos...
Tão logo os EUA anunciam com Israel uma pressão assustadora sobre o Irã, a arma principal desse país surge: fechamento do Estreito de Ormuz. As lições aprendidas (ou talvez ainda não) indicam, em síntese, que pontos de estrangulamento (os Estreitos) não são somente geografia. São também instrumentos de poder.
Durante esse momento, no tradicional evento CERAWeek 2026, realizado nos EUA, percebeu-se um olhar externo diferente para o Brasil. Afinal, o etanol substitui 45% da gasolina no Brasil e será ainda maior pelo potencial enorme da soma da cana-de-açúcar e do milho no crescimento da oferta de biocombustível e de alimentos. Essa integração deve se reforçar na medida em que essa guerra no Oriente Médio arrebenta a logística para importadores e muitos com enorme dependência dessa energia (e o Brasil com a bruta dependência de fertilizantes daquela região do planeta).
Um olhar mais profundo à atual guerra no Oriente Médio (que levou quase todos a esquecer
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a guerra Rússia-Ucrânia) mostra parceiros (EUA e Israel) com focos diferentes, e as consequências são aquelas que se viu 50 anos atrás. No entanto, há diferenças essenciais:
a) Na década de 1970, o petróleo representava quase 52% na matriz energética global; hoje é +1/3 dela;
b) Há uma relação forte entre a energia e os preços dos alimentos principalmente quando produtos agrícolas geraram biocombustíveis. No entanto, no momento, o impacto do aumento de alimentos não seguiu o petróleo pois há excelentes estoques de cereais no mundo;
c) A atual crise gera instabilidade global e local, pressiona empresas e governos e traz impactos como a reorganização das cadeias produtivas, reforça a importância dos renováveis na transição energética (que vinha sendo reduzida) e faz reviver a relevância de políticas de Estado aos combustíveis, não remendos criativos eleitorais.
Como salientado por Murilo de Aragão (O fim da Nova República, Veja, fev/26): “ no Brasil, construir consenso entre os Poderes (da República) é preciso, com a intermediação da pressão da sociedade civil e pelo imperativo eleitoral. O desafio reside em encontrar esse equilíbrio antes que a erosão se torne irreversível.”
Sem isso, será muito difícil a mudança dos rumos e o posicionamento protagonista do Brasil em alimentos e energias, em uma realidade geopolítica global sem a relevância das instituições globais, com extremadas posições ideológicas e religiosas, com constantes ameaças de uso de força e sanções em um desenvolvimento tecnológico com menos empregos e redução nas democracias pelo mundo.
Em momentos como o atual, novas tecnologias encontram espaço pela realidade estratégica proporcionada pela geopolítica. Os EUA se encaminham para 15% de etanol na gasolina, assim como a Argentina; a Índia caminha para 20% olhando para os 32% do Brasil (mistura); e outros países asiáticos buscam o mesmo. Ao mesmo tempo, frotas de navios se preparam para o etanol, e o SAF (combustível de aviação com biocombustíveis) deve sair do “papel” para uma escala global. O fato é que a energia volta ao centro da história nesse conflito atual. Essas tensões abrem novos espaços para alternativas como o etanol, que sai de um olhar sobre agronegócio e se torna estratégia global.
Os recentes conflitos geopolíticos reforçaram a centralidade da segurança energética no planejamento estratégico dos países. A intensificação de conflitos geopolíticos no cenário internacional, como a guerra entre Rússia e Ucrânia (que já ultrapassa quatro anos) e o recente confronto envolvendo Estados Unidos (EUA), Israel e Irã, tem provocado profundas repercussões nos mercados globais de energia. Esse contexto tornou evidente que a questão energética transcende a transição e a agenda climática. O mundo precisa de segurança energética. O petróleo permanece como principal fonte energética global, e sua oferta é altamente sensível a conflitos geopolíticos. O intenso impacto da guerra sobre o mercado de petróleo e combustíveis evidenciou a vulnerabilidade estrutural das economias dependentes de combustíveis fósseis. A guerra impacta diretamente cadeias globais de suprimento, elevando preços e gerando incertezas. Nesse contexto, a segurança energética passa a ser

prioridade, ao lado da segurança alimentar, dada a forte interdependência entre energia, fertilizantes e produção agrícola.
É nessa configuração que a transição vai dando lugar a um processo de adição e diversificação de fontes energéticas. Sistemas energéticos resilientes combinam fontes fósseis, renováveis e biocombustíveis, reduzindo riscos de desabastecimento. A diversificação, portanto, não é apenas uma agenda ambiental, mas uma estratégia de segurança nacional.
A guerra em curso entre EUA-Israel x Irã está promovendo uma escalada prolongada de instabilidade dos preços do petróleo, por envolver o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de 20% da energia mundial. São esses momentos de estresse no mercado de fósseis que abrem janelas de oportunidade para os biocombustíveis. Em um ambiente de oferta restrita, preços elevados e volatilidade persistente, alternativas como o etanol deixam de ser apenas instrumentos de descarbonização e passam a ocupar um papel central na segurança energética e no equilíbrio econômico dos mercados domésticos.
Políticas de subsídio aos combustíveis fósseis, como a gasolina, são inadequadas do ponto de vista econômico e estratégico. Embora possam aliviar temporariamente os preços ao consumidor, distorcem sinais de mercado e comprometem a sustentabilidade fiscal. "
Adriano José Pires Rodrigues Diretor-geral do CBIECentro Brasileiro de Infraestrutura
O Brasil possui vantagens comparativas relevantes, com uma das matrizes energéticas mais diversificadas do mundo, marcada pela forte participação de fontes renováveis. Segundo o Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional mais recente, as fontes renováveis compõem 50% da matriz, em razão do aumento da oferta interna de biomassa, eólica e solar, associado à queda de petróleo e derivados. A biomassa da cana-de-açúcar representa 16,7% do total, a maior participação entre as renováveis. O etanol é um dos pilares dessa estrutura. Sua produção em larga escala, infraestrutura consolidada e competitividade econômica conferem ao País grande vantagem comparativa.
É importante lembrar que o Brasil foi pioneiro no uso de etanol como combustível em larga escala, motivado por outro contexto da geopolítica do petróleo nos anos 1970. Após o primeiro choque do petróleo, em 1973 – onde o País chegava a importar cerca de 80% do combustível que consumia –, o Decreto nº 76.593/1975 instituiu o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). O novo choque do petróleo, em 1979, exigiu o fortalecimento do Proálcool.
Ao longo dos anos, a importância dessa política não impediu, entretanto, décadas de estagnação nessa indústria devido aos desequilíbrios de oferta e demanda no mercado, competitividade dos combustíveis fósseis, perdas no apoio governamental, seguido pela desregulamentação e retorno dos investimentos apenas nos anos 2000, impulsionados pela inserção da tecnologia de veículos leves flex fuel.
Atualmente, além do uso direto do etanol hidratado, a demanda pelo biocombustível é regulada via mandatos de mistura de etanol anidro à gasolina. E é a política de mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina C que reforça o posicionamento nacional no cenário global. Em agosto de 2025, o percentual da mistura passou de 27% para 30%, visando já aí reduzir a necessidade de importação de gasolina, contribuindo para o equilíbrio da balança comercial e para a segurança energética.

O movimento se apoia na Lei do Combustível do Futuro, que, além de autorizar a elevação do etanol na gasolina para até 35%, fomentou outros biocombustíveis estratégicos como o biodiesel e o biometano.
Pela lei, sancionada em 2024, o biodiesel, que hoje equivale a 15% do diesel comercializado nos postos, terá aumentos graduais até atingir 20% em 2030. Para além, foi criado o Programa de Incentivo ao Biometano, com metas de inserção do biocombustível no mercado de gás, visando a descarbonização da matriz energética. Já para 2026, há a meta de redução de 0,5% nas emissões, a ser cumprida por produtores e importadores de gás natural por meio da participação do biometano em seu consumo.
Em razão das incertezas do mercado de petróleo, outras economias do mundo estão apostando no aumento da mistura dos biocombustíveis para reduzir a dependência dos fósseis. Nos EUA, a liberação emergencial do aumento do teor de etanol misturado à gasolina, passando de 10% (E10) para 15% (E15), surge como uma resposta direta à pressão inflacionária trazida pelo aumento dos preços de combustíveis. A ideia consiste em ampliar rapidamente a oferta de energia no curto prazo sem onerar consumidores, utilizando um insumo doméstico abundante e já integrado à matriz energética norte-americana. É uma medida tática que evidencia o papel estratégico do etanol como amortecedor de choques de preço.
O uso do E15, historicamente restrito em determinados períodos do ano por questões climáticas, vem sendo progressivamente flexibilizado. Ainda que existam limitações logísticas e questionamentos sobre impactos indiretos, como o uso de milho e seus efeitos sobre a cadeia alimentar, o sinal econômico é claro: em momentos de crise, o etanol ganha protagonismo.
O volume de biocombustíveis usado no Brasil na mistura aos fósseis é uma estratégia construída há anos, que pode ser usada como uma ”carta na manga”, contra os choques externos de preços do petróleo, seus derivados e frete.
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No entanto, apesar de toda essa vantagem, o governo brasileiro está reagindo mal à guerra. Em tempos de crise, as ações são imediatistas e recaem sobre o lançamento de pacotes de subsídios aos fósseis. Tais subsídios desincentivam o uso de alternativas renováveis, além de comprometer recursos públicos.
Políticas de subsídio aos combustíveis fósseis, como a gasolina, são inadequadas do ponto de vista econômico e estratégico. Essas medidas, embora possam aliviar temporariamente os preços ao consumidor, distorcem sinais de mercado e comprometem a sustentabilidade fiscal. Em vez disso, instrumentos como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) poderiam ter sido utilizados de forma anticíclica.
Durante períodos de preços internacionais mais baixos, o governo poderia ter elevado a CIDE, acumulando recursos em um fundo de estabilização. Com esse “colchão financeiro” seria possível amortecer os impactos de choques de preços em momentos de alta, como os observados atualmente. A ausência dessa estratégia evidencia uma fragilidade na política energética brasileira, que carece de mecanismos mais robustos de gestão de riscos.
Diante do contexto, o incentivo ao etanol e a outros biocombustíveis deveria ocupar posição central nas políticas públicas. Além de reduzir a dependência de derivados de petróleo, o etanol promove o desenvolvimento regional, gera empregos no setor agrícola e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Nesse sentido, sua expansão está alinhada tanto com objetivos econômicos quanto ambientais.
A diversificação de fontes, aliada ao fortalecimento de alternativas como os biocombustíveis, constitui uma estratégia eficaz para enfrentar os desafios impostos por um cenário global, marcado por incertezas geopolíticas. O Brasil, ao explorar suas vantagens comparativas e aprimorar seus instrumentos de política energética, tem condições de se posicionar de forma estratégica no contexto internacional, garantindo segurança energética, competitividade econômica e sustentabilidade ambiental.

A guerra, o petróleo, a gasolina e o etanol
A escalada recente de tensões no Oriente Médio, marcada pela intervenção de Estados Unidos e Israel em território iraniano, recoloca o mundo diante de um velho dilema: a vulnerabilidade estrutural das economias ao preço do petróleo. Em um cenário de conflito no Golfo Pérsico, rota estratégica para o escoamento global de energia, os mercados rapidamente precificam o risco geopolítico. O resultado é conhecido: disparada das cotações internacionais, com o barril ultrapassando a marca dos 100 dólares. Esse movimento não apenas reflete a ameaça de interrupção na oferta, mas também incorpora a incerteza prolongada, elevando o custo da energia em escala global e pressionando cadeias produtivas inteiras, com efeito também no abastecimento de fertilizantes e no comércio de alimentos.
No Brasil, os efeitos desse choque são imediatos e sensíveis. A elevação do petróleo impacta diretamente os preços da gasolina e, sobretudo, do diesel — combustível essencial para o transporte de cargas e para a própria produção agrícola. Historicamente, governos brasileiros têm recorrido a mecanismos de contenção artificial de preços para mitigar os impactos inflacionários sobre a população.

Essas medidas, embora politicamente compreensíveis se fossem utilizadas pontualmente e no curto prazo, criam distorções relevantes.
Ao segurar preços internamente abaixo da paridade internacional, desestimulam importadores e comprimem margens de distribuição, o que pode resultar em riscos concretos de desabastecimento.
Esse risco se torna ainda mais evidente no caso do diesel. O Brasil depende de importações para cerca de 30% de seu consumo, o que significa que qualquer desalinhamento entre o preço interno e o mercado global pode inviabilizar economicamente a entrada do produto no País. Em um ambiente de preços elevados e oferta internacional pressionada, essa dependência externa expõe fragilidades estruturais. Caso o mercado não encontre incentivos adequados para importar, o País pode enfrentar gargalos logísticos, afetando desde o transporte rodoviário até a operação de máquinas agrícolas em períodos críticos de plantio e colheita.
Guerras modernas tendem a ser mais prolongadas, assimétricas e tecnologicamente difusas, reduzindo a capacidade de intervenção externa de produzir desfechos rápidos — como a eventual substituição do regime dos aiatolás por um governo mais alinhado ao Ocidente. "
Christian
Lohbauer
Doutor
em Ciência Política e Membro do Gacint/IRI/USP
É nesse contexto que o setor bioenergético brasileiro assume um papel estratégico de primeira ordem. A trajetória do etanol no País é singular no mundo. Desde o Proálcool, na década de 1970, o Brasil construiu uma base tecnológica, agrícola e industrial capaz de produzir biocombustíveis em larga escala, com elevada eficiência. Ao longo dos anos, o etanol deixou de ser apenas uma alternativa emergencial ao petróleo para se consolidar como componente central da matriz energética e da mobilidade brasileira, especialmente com a difusão dos veículos flex fuel.
Hoje, o etanol não é apenas uma solução ambientalmente mais limpa, mas também um instrumento de soberania energética. Em momentos de volatilidade internacional, como o atual, sua relevância se amplifica. Ao substituir parcialmente a gasolina, reduz a exposição do País às oscilações do petróleo e contribui para estabilizar preços internos. Além disso, sua produção está diretamente integrada ao agronegócio, gerando emprego, renda e desenvolvimento regional, especialmente no cinturão sucroenergético do Centro-Sul mas com novas fronteiras de produção abertas no Centro-Oeste com a extraordinária expansão da indústria de etanol de milho.
Apesar dessas vantagens, o setor ainda enfrenta desafios significativos. A competitividade do etanol frente à gasolina depende de uma combinação delicada de preços relativos, políticas públicas e condições climáticas. Em anos de petróleo barato ou de intervenção governamental nos combustíveis fósseis, o biocombustível perde espaço. Soma-se a isso a necessidade de investimentos contínuos em tecnologia, como o etanol de segunda geração, e em infraestrutura logística, para ampliar sua eficiência e alcance.
Diante do cenário geopolítico incerto e da recorrente vulnerabilidade associada ao petróleo, o Brasil deveria adotar uma estratégia mais consistente de valorização dos biocombustíveis. Isso implica não apenas evitar distorções que prejudiquem sua competitividade, mas também criar um ambiente regulatório estável e previsível, capaz de atrair investimentos e estimular inovação.

Programas como o RenovaBio são passos importantes, mas precisam de continuidade e aperfeiçoamento.
Mais do que uma escolha econômica, trata-se de uma decisão estratégica. Ao fortalecer a indústria de etanol e outros biocombustíveis, o Brasil pode reduzir sua dependência de combustíveis fósseis importados, mitigar os impactos de crises internacionais e consolidar uma posição de liderança global em energia limpa, posição que já ocupa, mas que ainda não é percebida pela comunidade internacional.
Em um mundo cada vez mais sujeito a choques geopolíticos e pressões ambientais, essa vantagem comparativa pode se transformar em diferencial competitivo decisivo. Ao mesmo tempo, a própria natureza dos conflitos contemporâneos reforça a imprevisibilidade desse cenário: a resistência iraniana, apoiada no uso de drones de baixo custo e alta eficácia, tem imposto dificuldades operacionais às potências interventoras, frustrando expectativas de rápida mudança de regime.
Os ataques localizados em instalações petroquímicas de vários países da região do Golfo têm gerado consequências nefastas à produção de gás e produtos petroquímicos essenciais para a produção de fertilizantes nitrogenados e fosfatados que o Brasil é altamente dependente. A dificuldade de passagem de embarcações pelo estreito de Ormuz também dificulta a entrada de alimentos exportados para os países da região e para o Irã em particular, grande consumidor do milho brasileiro.
Essa dinâmica evidencia como guerras modernas tendem a ser mais prolongadas, assimétricas e tecnologicamente difusas, reduzindo a capacidade de intervenção externa de produzir desfechos rápidos — como a eventual substituição do regime dos aiatolás por um governo mais alinhado ao Ocidente. Nesse ambiente de incerteza prolongada, a busca por autonomia energética deixa de ser apenas uma vantagem e passa a ser uma necessidade estratégica para países como o Brasil, que podem encontrar no fortalecimento do setor bioenergético um caminho para maior estabilidade, segurança e desenvolvimento sustentável.

O setor bioenergético brasileiro avança entre pressão climática , O setor bioenergético brasileiro avança entre pressão climática , produtividade e demanda crescente por eficiência . Nesse produtividade e demanda crescente por eficiência . Nesse cenário, armazenagem segura e logística confiável deixam de ser cenário, armazenagem segura e logística confiável deixam de ser apoio e passam a ser estratégia . apoio e passam a ser estratégia .
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Quando o Brasil lançou o Programa Nacional do Álcool – Proálcool, em 1975, sob o impacto direto das duas crises dos choques do petróleo, o País vivia um momento de forte vulnerabilidade energética e de insumos agroindustriais.
A dependência por importação de petróleo e combustíveis fósseis colocava em risco o abastecimento e pressionava o mercado expondo a fragilidade de uma matriz energética excessivamente atrelada ao mercado internacional.
Naquela época, poucos poderiam imaginar que a “caipira” resposta adotada –baseada no estímulo à produção de etanol a partir da cana-de-açúcar – se transformaria, ao longo das décadas seguintes, numa das principais referências de políticas públicas de sucesso que já tivemos em nosso País e num dos pilares estratégicos da segurança energética, alimentar e ambiental do mundo.
Se no passado o etanol foi uma resposta a uma grave crise, hoje é parte da solução para um futuro mais seguro, sustentável e competitivo. Nunca na história esteve tão na moda usar biocombustíveis. "
Guilherme Nastari Diretor da Datagro
Ao integrar governo, produtores rurais, usinas e a indústria automobilística, o Proálcool criou as bases de uma nova cadeia produtiva. Não se tratava apenas de substituir parcialmente o consumo de gasolina ou diesel, mas de desenvolver uma alternativa local viável, escalável e economicamente competitiva.

O modelo brasileiro de produção de energia renovável em consórcio com a produção de alimentos descentralizada, barata e moderna transformou todo um grande setor da economia, trazendo renda e desenvolvimento em todo o País.
O sucesso do programa se deve muito ao fato de ser uma Política de Estado – e não de governo. Mas não podemos tirar os méritos de todos os elos da cadeia produtiva que estão nele envolvidos.
Ao longo do tempo, mesmo enfrentando oscilações de preço, mudanças de governo, de política econômica e períodos de menor incentivo, o setor sucroenergético demonstrou resiliência e capacidade de adaptação.
Com o avanço tecnológico, o etanol deixou de ser uma solução emergencial e passou a ocupar um papel central na matriz energética nacional. A introdução dos veículos flex fuel na frota brasileira em março de 2003 ampliou significativamente a autonomia do consumidor e consolidou o biocombustível como uma escolha cotidiana, e não apenas circunstancial.
Hoje, o Brasil é referência global na produção e uso de etanol, de cana e de milho, resultado de uma trajetória construída ao longo de cinco décadas.
O jovem Proálcool, com apenas 50 anos, virou um modelo viável para o desenvolvimento humano e tem a força e a responsabilidade de produzir protegendo o nosso principal ativo, que é o nosso planeta.
Há pouco mais de um mês, o mundo voltou a conviver com tensões geopolíticas intensas, sobretudo no Oriente Médio, região estratégica para o abastecimento global de petróleo. Os conflitos levaram ao fechamento do Estreito de Ormuz – por onde passa mais de 20% da produção global de petróleo – e, consequentemente, a um choque de oferta com impactos imediatos sobre os preços internacionais. Este choque é, de fato, muito parecido com aqueles da década de 70. Para países altamente dependentes de importações de petróleo e seus derivados,
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como gasolina e diesel, esse tipo de evento representa um risco sistêmico. O Brasil, inserido nesse contexto global, apresenta uma condição viável e comprovada.
A presença do etanol em larga escala na matriz de transportes funciona como um importante mecanismo de proteção a estas situações de mercado.
E não ficou somente no etanol, o sucesso do Proálcool fez com que nós desenvolvêssemos outros projetos de produção e consumo de biocombustíveis, como biodiesel e biogás.
Essa proteção se manifesta de diversas formas. Em primeiro lugar, há um efeito direto sobre a necessidade de importação de gasolina, que é estruturalmente menor graças ao uso do etanol. Em momentos de alta nos preços internacionais, isso significa menor pressão sobre a balança comercial e maior previsibilidade para o abastecimento interno.
Em 2025, em média no Brasil como um todo, cálculos da Datagro baseados em dados primários da ANP indicam que o etanol, anidro e hidratado, usado como combustível para transporte substituiu 45,6% de toda a gasolina consumida no País. Em alguns estados como Mato Grosso e São Paulo, o grau de substituição atingiu 67,2% e 58,9%, respectivamente.
Em segundo lugar, o etanol atua como um regulador de preços no mercado doméstico. Isto é, ao oferecer uma alternativa competitiva, ele limita repasses mais intensos ao consumidor final, contribuindo para suavizar choques inflacionários.
Outro aspecto fundamental é a previsibilidade produtiva. Diferentemente do petróleo, cuja oferta está concentrada em regiões geopoliticamente sensíveis, o etanol brasileiro é produzido internamente, com base em uma cadeia consolidada e amplamente distribuída pelo território nacional.
Na safra 25/26, o Brasil produziu 36,3 bilhões de litros de etanol de cana e de milho, sendo 22,0 bilhões de litros de etanol hidratado e 14,3 bilhões de litros de etanol anidro.
Na safra 26/27, a Datagro estima que a produção de etanol de cana e de milho supere 41,6 bilhões de litros, sendo 25,9 bilhões de litros de etanol hidratado e 15,7 bilhões de litros de etanol anidro.
Além da dimensão econômica e estratégica, o etanol se destaca pelos seus múltiplos benefícios ambientais, afinal, trata-se de um biocombustível renovável, com uma das menores pegadas de carbono entre as alternativas disponíveis para o transporte em veículos leves e pesados.
Seja produzido a partir da cana-de-açúcar, como tradicionalmente conhecemos, seja à base de milho, o uso de etanol reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa em comparação à gasolina, contribuindo de forma efetiva para o cumprimento de metas climáticas.
Em um mundo cada vez mais comprometido com a descarbonização, essa característica se torna um diferencial competitivo relevante. Enquanto países e empresas buscam soluções que conciliem segurança energética e sustentabilidade, o Brasil já possui uma resposta consolidada – há anos.
A experiência acumulada ao longo de décadas permite não apenas atender ao mercado interno, mas também ampliar a inserção internacional do etanol brasileiro como uma solução energética limpa.
Indo ainda mais além da questão da sustentabilidade e das emissões, a cadeia produtiva do etanol gera milhões de empregos diretos e indiretos, promovendo o desenvolvimento de diversas regiões do Brasil e estimulando o desenvolvimento de novas tecnologias agronômicas e industriais. Diante desse conjunto de benefícios, torna-se evidente a importância de criar novas políticas públicas visando
dar continuidade àquelas já existentes, reforçando cada vez mais o papel do etanol na matriz energética brasileira.
Entre as medidas possíveis e que podem ser aplicadas de maneira rápida, o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, conforme previsto na Lei Combustível do Futuro. Ao elevar a mistura obrigatória para 32 a 35%, damos um passo adicional na direção de uma matriz energética mais limpa, segura e menos dependente de combustíveis fósseis importados.
Esta nova instabilidade de fornecimento de energia e petróleo oferece ao Brasil uma enorme oportunidade para transformar esta crise em um vetor de desenvolvimento.
A diferença é que, desta vez, o País já possui um caso de super sucesso e que também criou um robusto arcabouço legislativo internacional.
O Proálcool mostrou que decisões estruturantes podem gerar benefícios duradouros e até inesperados. No início do Proálcool, o benefício pretendido era a redução da dependência energética. Os benefícios ambientais foram um bônus não previsto à época. Em um contexto global novamente marcado por incertezas, conflitos e volatilidade, o etanol reafirma seu papel como um dos principais ativos estratégicos do Brasil. Cabe agora aprofundar essa trajetória, ampliando sua participação, incentivando a inovação e consolidando o País como líder global da transição energética.
Se no passado o etanol foi uma resposta a uma grave crise, hoje é parte da solução para um futuro mais seguro, sustentável e competitivo. Nunca na história esteve tão na moda usar biocombustíveis.



As perdas de espessura em transportadores de grãos costumam ser atribuídas apenas ao desgaste mecânico. Mas, na prática, existe um fator ainda mais agressivo: a corrosão, mesmo no manuseio de materiais aparentemente “macios”, como os grãos de milho.
O agronegócio é a locomotiva da economia brasileira e, para manter esse protagonismo, o setor precisa enfrentar um desafio recorrente: a degradação precoce de equipamentos de processamento, transporte e armazenagem.
A cultura do uso de aços carbono e aços de alta resistência (AHSS) ainda é forte devido ao baixo custo inicial. Acreditava-se que aumentar a dureza do material seria suficiente para resistir ao impacto dos grãos. No entanto, estudos recentes de tribocorrosão, que analisam a interação entre eventos mecânicos e químicos, mostram que, em ambientes úmidos ou com presença de cloretos (comuns em fertilizantes), os aços carbono falham rapidamente.
Enquanto os aços carbono apresentam superfícies cobertas por óxidos porosos e taxas de corrosão até 700 vezes maiores em presença de cloretos, os aços inoxidáveis, como o ENDUR® 300 (aço inoxidável de alta resistência), mantêm sua integridade.

A substituição do aço carbono pelo aço inoxidável em equipamentos, como os redlers (transportadores de fundo reto), traz vantagens competitivas imediatas:
• Aumento da vida útil: o inox dura, no mínimo, três vezes mais do que o aço carbono.
• Redução de peso: é possível reduzir o peso do equipamento devido às propriedades mecânicas elevadas do aço inox, ENDUR® 300.
• Economia de manutenção: a redução de custos com intervenções e paradas pode chegar a 40%.
• Pegada de carbono: o uso do “aço verde” da Aperam, com ciclo de vida infinito e pegada neutra, alinha a produtividade à sustentabilidade.
• Visão econômica: o ROI além do CAPEX: o investimento inicial em aço inox pode ser até superior, mas o retorno sobre o investimento é nítido: o custo total de propriedade é significativamente menor do que o do aço carbono.
Para o agronegócio brasileiro, a adoção de soluções em inox não é apenas uma escolha técnica, mas uma estratégia econômica e ambiental para garantir que o “celeiro do mundo” opere com a máxima performance e o menor impacto possível.
Para saber mais sobre essa e outras aplicações, entre em contato conosco pelo e-mail eureka@aperam.com.
O setor bioenergético brasileiro inicia 2026 diante de um cenário que combina oportunidades relevantes com desafios estruturais cada vez mais complexos. Se, por um lado, temos uma perspectiva positiva de produção especialmente impulsionada pelo crescimento do etanol de milho , por outro, enfrentamos um ambiente geopolítico e operacional que exige planejamento, coordenação e capacidade de adaptação.
A dinâmica internacional segue pressionando cadeias produtivas e influenciando diretamente a competitividade do nosso setor. Tensões geopolíticas, oscilações nos preços de commodities e incertezas quanto às políticas energéticas globais impactam decisões estratégicas, investimentos e a previsibilidade do mercado.
Nesse contexto, o Brasil, como protagonista da transição energética, precisa reforçar sua posição com estabilidade regulatória, segurança jurídica e visão de longo prazo.


A recente escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã recolocou em evidência a importância da diversificação das fontes de energia em nível global. Nesse contexto, o Brasil reforça seu papel protagonista ao contar com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, resultado de uma aposta estratégica iniciada ainda na década de 1970, com o desenvolvimento do etanol — um combustível renovável, competitivo e genuinamente nacional. Internamente, o setor sucroenergético convive com desafios operacionais que vão desde o custo de produção até a necessidade de ganhos contínuos de eficiência. A ampliação da oferta de etanol, com destaque para o avanço do etanol de milho, traz uma nova configuração ao mercado. Ainda que a demanda apresente sinais de recuperação, ela permanece aquém de seu potencial, o que reforça a importância de políticas que estimulem o consumo e valorizem o papel estratégico dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.
A recente escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã recolocou em evidência a importância da diversificação das fontes de energia em nível global. "
Hugo Cagno Filho
Presidente da UDOPUnião Nacional da Bioenergia
Assim, vemos com bons olhos a sinalização do Ministério de Minas e Energia para, ainda nesse primeiro semestre, aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina C comercializada nos postos de combustíveis dos atuais 30% para 32%, o que já está autorizado pela Lei Combustível do Futuro.
O Brasil já tem hoje o maior blend de mistura de combustível renovável na gasolina em todo o mundo. Torna-se essencial ampliarmos os holofotes e mostrarmos ao mundo essa nossa expertise e o quanto é positiva para as questões ambientais e energéticas (diminuição da dependência de petróleo) e toda a sua consequência para balanças comerciais e para os impactos nas emissões de gases de efeito estufa.
Outro ponto central está na produtividade agrícola. Manter uma trajetória crescente nos canaviais é fundamental para sustentar a competitividade do setor. Isso passa, necessariamente, por investimento em tecnologia, inovação e manejo eficiente. A variabilidade climática, cada vez mais presente, impõe desafios adicionais, exigindo soluções cada vez mais técnicas e integradas. Em paralelo, e não menos importante, temos os desafios cambiais e discussões que podem impactar diretamente nossos custos, como os debates sobre a jornada de trabalho. Temas dessa natureza tendem a ganhar ainda mais relevância em um ambiente de maior sensibilidade política e eleitoral ao longo do ano.
Por tudo o que fora apresentado acima, temos convicção de que nosso papel, aqui na UDOP – União Nacional da Bioenergia, se fortalece. Acreditamos que o avanço do setor está diretamente ligado à construção de parcerias sólidas com centros de pesquisa, universidades e institutos tecnológicos. A conexão entre conhecimento técnico e aplicação prática no campo é determinante para superar gargalos históricos e avançar em produtividade e sustentabilidade.

Além disso, a troca de experiências e a disseminação de boas práticas entre os profissionais do setor são pilares essenciais. Em 2026, a Udop intensifica sua agenda de eventos técnicos e estratégicos, criando ambientes propícios para o compartilhamento de conhecimento e o debate qualificado. Iniciativas como o Fórum Udop Safra Segura, o 19º Congresso Nacional da Bioenergia e o 9º Seminário Udop de Inovações reforçam esse compromisso. Da mesma forma, projetos como o Udop Lab e a Expedição Udop ampliam o alcance das discussões e promovem a aproximação entre teoria e prática. Esses encontros vão além da atualização técnica. Eles representam espaços de construção coletiva, onde desafios são debatidos de forma transparente e soluções são desenvolvidas a partir da realidade vivida pelas unidades produtoras. Em um ambiente cada vez mais dinâmico, a capacidade de aprender com o outro e de adaptar rapidamente estratégias se torna um diferencial competitivo. O setor bioenergético brasileiro tem, historicamente, demonstrado resiliência e capacidade de reinvenção. No entanto, os desafios que se apresentam em 2026 exigem mais do que isso: demandam alinhamento, visão estratégica e ação coordenada. Precisamos avançar na agenda de inovação, fortalecer nossa representatividade institucional e ampliar o diálogo com a sociedade sobre a importância do setor para a segurança energética e a descarbonização da economia.
Temos diante de nós um ano desafiador, mas também repleto de oportunidades. A construção de um ambiente mais favorável ao crescimento do setor passa, necessariamente, pelo engajamento de todos os elos da cadeia. Na Udop, seguimos comprometidos em ser protagonistas nesse processo, contribuindo para que o setor bioenergético brasileiro continue evoluindo de forma sustentável, competitiva e alinhada às demandas do futuro.
O Brasil vive hoje um paradoxo de grandeza e vulnerabilidade. Embora o País ostente a liderança global em diversos quesitos produtivos, o setor permanece umbilicalmente ligado e extremamente dependente das linhas de crédito do Governo Federal. Esse modelo, consolidado sob o robusto guarda-chuva do Plano Safra 2025/26, divide-se entre o amparo à agricultura familiar e o fomento empresarial, mas traz consigo um custo invisível: a perda da autonomia estratégica diante das oscilações políticas de Brasília.
Navegar pelo ecossistema do crédito rural contemporâneo exige uma atenção redobrada, uma vez que o cenário de 2026 reflete uma transição rigorosa para a sustentabilidade monitorada e uma digitalização agressiva das garantias.
O produtor encontra-se em um campo minado de exigências burocráticas e técnicas. Se, por um lado, programas como o Pronaf oferecem taxas subsidiadas atraentes para o pequeno produtor, por outro, impõem limites de investimento modestos
A verdadeira maturidade do setor virá quando o sucesso do produtor não depender da vontade de um parlamentar ou da "boa vontade" de um fundo estatal, mas sim da sua capacidade de atrair investidores globais em um mercado livre e transparente. "
Luiz Philippe de Orleans e Bragança Deputado Federal
e uma complexidade documental que muitas vezes asfixia quem mais precisa de agilidade.
O risco inerente a essa estrutura é a dependência total dos subsídios públicos. Quando o governo enfrenta crises fiscais ou atrasa a equalização de juros, as instituições financeiras travam a liberação dos recursos, deixando o produtor desamparado no momento crítico do plantio.
Essa fragilidade é ainda mais acentuada no Pronamp, voltado ao médio produtor, que se vê frequentemente em um "limbo": sem o subsídio profundo destinado aos pequenos e sem o fôlego de capital dos gigantes para suportar quebras de safra sucessivas.


O peso das contrapartidas e a armadilha da conformidade
As novas linhas de crédito, como a do RenovAgro sucessor do Plano ABC+ , embora tragam prazos extensos de até 12 anos para práticas de baixa emissão de carbono, impõem um monitoramento via satélite constante. Qualquer inconformidade ambiental detectada pode resultar no vencimento antecipado da dívida, transformando o financiamento em uma ameaça latente à continuidade da operação. O crédito, portanto, deixou de ser apenas um recurso financeiro para se tornar uma ferramenta de controle estatal sobre a gestão da propriedade.
Essa lógica estende-se aos investimentos em infraestrutura, como o PCA para armazéns e o Proirriga. Embora permitam ao produtor mitigar secas ou escolher o melhor momento para a venda de grãos, o elevado custo de implementação dessas estruturas gera um endividamento de longo prazo perigoso. Em cenários de queda drástica no preço das commodities , a estrutura física simplesmente não se paga no curto prazo, colocando em risco o patrimônio acumulado por gerações.
A dependência não é apenas financeira, mas normativa. O cumprimento rigoroso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) tornou-se condição sine qua non para o acesso ao crédito. O produtor que planta apenas um dia fora da janela estabelecida perde o direito ao seguro e ao financiamento. Somado ao uso crescente das Cédulas de Produto Rural (CPR), onde o risco reside na entrega física da safra sob pena de a dívida dobrar em caso de quebra , o cenário desenha uma armadilha de conformidade que limita a capacidade de inovação e risco do empreendedor rural.
A falha de visão das entidades e o vício do lobby
O problema central, contudo, transcende os formulários bancários e reside na esfera política. Atualmente, as associações e entidades que compõem o
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agronegócio, apesar de possuírem uma representação parlamentar expressiva de cerca de 341 deputados, a chamada “bancada do Agro”, não lutam pela verdadeira independência do setor. Em vez disso, focam seus esforços em um ciclo vicioso de lobby por juros menores, subsídios maiores e isenções fiscais. É uma visão tacanha que ignora a oportunidade histórica de emancipação através do mercado de capitais.
Essa postura política cria um componente perigoso no Legislativo: a votação em bloco por interesses imediatistas de crédito muitas vezes serve de moeda de troca para a aprovação de medidas prejudiciais ao País, os chamados "jabutis". Enquanto o agro apoia parlamentares que "parasitam" suas demandas, o setor continua refém da saúde fiscal do Governo Federal e de cortes orçamentários súbitos que podem paralisar linhas de crédito em plena atividade.
A grande oportunidade negligenciada é a estruturação de um mercado de capitais robusto para empresas do agronegócio. Precisamos de um sistema que facilite a abertura de capital para empresas médias, permitindo que elas busquem financiamento junto a bancos privados, nacionais e internacionais, de forma direta. Uma vez que o capital é aberto e a governança é estabelecida, o horizonte do negócio muda completamente, desonerando os bancos públicos e eliminando a necessidade de barganha política por recursos.
Principais votações e "jabutis" Um ponto crítico de sua análise é a existência de votações onde, sob o pretexto de defender o setor, parlamentares acabam inserindo "jabutis" (temas estranhos ao projeto principal) que mencionei anteriormente e podem prejudicar a imagem internacional do agro ou aumentar a dependência política.
• A "armadilha" dos subsídios e do Centrão: Conforme apontado em discussões do setor, há uma crítica
recorrente a parlamentares que focam excessivamente em lobby por juros menores e subsídios imediatos em vez de independência financeira. Isso cria um ciclo de dependência do governo e abre margem para o Centrão usar a pauta do agro como moeda de troca para interesses paroquiais.
• MP 1303/2025 e questões tributárias: Em 2025 e início de 2026, a bancada mobilizou-se contra o aumento de impostos e a tentativa de tributação de instrumentos como LCA e LCI. Contudo, críticos apontam que, em algumas dessas negociações, votou-se a favor de medidas que aumentam a complexidade regulatória em troca de alívio fiscal temporário.
• A questão do mercado de capitais: Existe uma divisão interna. Enquanto a liderança técnica defende a migração para o mercado de capitais (CRA/LCA), uma ala da bancada atua para manter a regulamentação que dificulta a abertura de novas bolsas de mercadorias no Brasil, protegendo cartéis instalados em vez de democratizar o acesso ao crédito para o médio produtor.
Risco identificado
A maior ameaça ao agro dentro da própria bancada é o voto em bloco por conveniência política. Como destacado em análises do setor, cerca de 300 deputados podem votar a favor de um projeto do agro que contenha um "jabuti" destrutivo para a economia nacional apenas para garantir a manutenção de uma linha de crédito específica.
A reconquista da soberania sobre a precificação
É inadmissível que o Brasil, sendo líder mundial na produção de diversas commodities , ainda não tenha o poder de estabelecer seus próprios preços. Atualmente, a precificação é ditada pela Bolsa de Chicago ou por outros mercados externos. Isso ocorre porque, internamente, enfrentamos uma regulamentação que beira a proibição da abertura de novas bolsas de valores, mantida por
interesses de cartéis e controle político. A liberalização para a criação de novos mercados de capitais específicos para o agro é uma urgência que não pode mais ser adiada.
A resistência a esse movimento vem, em parte, de quem se beneficia da manutenção do status quo . Grandes cartéis não desejam ver o pequeno e o médio agricultor prosperarem através da capitalização em mercado de capitais próprio, pois isso democratizaria o crescimento e retiraria o poder de controle das mãos de poucos. A verdadeira independência exige que o agro pare de cobrar subsídios e passe a cobrar liberdade de mercado.
Enquanto os grandes empresários rurais já começam a diversificar, buscando 40% de seus recursos via Mercado de Capitais (como CRA e LCA) ou operações de Barter, a base do setor ainda clama por socorro governamental. É necessário promover, em alto e bom tom, que a única saída saudável, sustentável e independente é o mercado de capitais amplo e de fácil entrada. O Brasil precisa de um plano nítido de liberalização que permita ao agro ser o senhor do seu próprio destino econômico.
O fim do cordão umbilical
O agronegócio brasileiro está diante de um novo "7 de setembro" — um grito de independência que ainda não foi plenamente dado. Continuar atado ao orçamento federal é aceitar a condição de gigante com pés de barro, cuja sustentabilidade financeira pode ser derrubada por uma canetada em Brasília ou por uma crise fiscal alheia ao campo. A verdadeira maturidade do setor virá quando o sucesso do produtor não depender da vontade de um parlamentar ou da "boa vontade" de um fundo estatal, mas sim da sua capacidade de atrair investidores globais em um mercado livre e transparente. É hora de o agro deixar de ser um pedinte de subsídios para se tornar, definitivamente, o protagonista soberano da economia nacional e mundial.


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O Brasil convive, há décadas, com uma contradição que se aprofunda a cada safra, a cada crise climática, a cada oscilação de mercado e a cada ciclo político: de um lado, o país real, que planta, colhe, produz, exporta, emprega e sustenta parcela expressiva da economia nacional; de outro, o país das decisões centralizadas, muitas vezes distante da realidade concreta vivida no campo. É a distância entre o Brasil de Brasília e o Brasil do Campo — uma separação não apenas geográfica, mas sobretudo política, econômica e estratégica.
Enquanto nos gabinetes da capital federal se sucedem debates de curto prazo, disputas orçamentárias e contingenciamentos que comprometem a previsibilidade das políticas públicas, no interior do País produtores rurais enfrentam desafios imediatos e permanentes: juros elevados, crédito restrito, insegurança climática, custos crescentes de produção, gargalos logísticos e ausência de uma visão nacional de longo prazo para o setor agropecuário. O resultado é um cenário de insegurança para quem produz e de perda de competitividade para o Brasil.
O setor agropecuário brasileiro não pode continuar sendo tratado apenas como solução emergencial para equilibrar contas externas, sustentar o PIB ou amortecer crises econômicas. O agro precisa ser entendido como um eixo estruturante do projeto nacional de desenvolvimento.
O agro precisa ser entendido como um eixo estruturante do projeto nacional de desenvolvimento. Isso exige mais do que discursos de ocasião ou medidas pontuais anunciadas a cada Plano Safra. "
Presidente da Faesp - Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo
Isso exige mais do que discursos de ocasião ou medidas pontuais anunciadas a cada Plano Safra. Exige a construção de um verdadeiro Projeto Brasil, sólido, plurianual e blindado das oscilações político-eleitorais.
É preciso reconhecer que o campo brasileiro é heterogêneo. Convive nele a agricultura altamente tecnificada e integrada aos mercados globais com a pequena produção rural, que responde por parcela significativa do abastecimento interno, da geração de empregos e da permanência das famílias no interior. São justamente os pequenos e médios produtores, maioria numérica no País, que hoje sofrem de forma mais aguda os efeitos das altas taxas de juros e do endividamento crescente e são aqueles que garantem a segurança alimentar. Nos últimos anos, muitos desses produtores foram empurrados para uma situação financeira delicada. A elevação do custo do crédito, somada ao aumento dos preços de insumos, à volatilidade cambial e aos impactos climáticos severos, comprometeu a capacidade de investimento e até mesmo de manutenção da atividade produtiva. Em muitas regiões, o produtor rural já não luta para expandir; luta para sobreviver.
Por isso, o primeiro pilar de um projeto de longo prazo para o agro brasileiro deve ser a previsibilidade dos recursos públicos, com orçamento assegurado e não sujeito a contingenciamentos.

Não é razoável que programas essenciais ao crédito rural, ao seguro agrícola, à pesquisa e à assistência técnica fiquem reféns de cortes fiscais repentinos. O campo trabalha com planejamento de meses e anos. Plantio, manejo, colheita, comercialização e investimento em tecnologia exigem horizonte claro. Não há produção eficiente quando a política pública opera na lógica da improvisação.
O crédito rural, nesse contexto, precisa deixar de ser apenas uma ferramenta de financiamento sazonal. Taxas compatíveis com a realidade do produtor, especialmente do pequeno e médio agricultor, são fundamentais. Juros elevados transformam o crédito, que deveria ser instrumento de crescimento, em fator de endividamento crônico. O resultado é um ciclo perverso: o produtor toma recursos para custear a safra, enfrenta margens apertadas, sofre com clima ou mercado, não consegue honrar os compromissos e inicia a próxima temporada ainda mais fragilizado.
Outro eixo indispensável é o fortalecimento do seguro rural em condições acessíveis. Não há agro moderno sem gestão de risco. Em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais evidentes, secas prolongadas, geadas fora de época, excesso de chuvas e eventos extremos deixaram de ser exceção para se tornarem parte do planejamento da atividade. O produtor não pode continuar exposto sozinho a riscos sistêmicos dessa magnitude.
O seguro rural precisa ser ampliado, subsidiado de forma estável e desenhado para atender principalmente ao pequeno produtor, que hoje frequentemente encontra barreiras de custo e cobertura. Sem esse instrumento, uma única perda de safra pode significar o encerramento de uma atividade construída ao longo de gerações. Mais do que proteção individual, trata-se de segurança alimentar, estabilidade econômica regional e preservação da capacidade produtiva nacional.
Ao mesmo tempo, o País precisa avançar em programas de fomento às cadeias produtivas, com olhar regionalizado, criterioso e cuidadoso, e com foco na agregação de valor. O Brasil não pode se limitar ao papel de grande fornecedor de commodities. É preciso estimular a agroindustrialização, a diversificação produtiva e a integração entre produção primária, indústria, logística e mercados consumidores. Cada cadeia grãos, pecuária, leite, frutas, café, cana, hortifrúti, fibras, florestas plantadas demanda políticas específicas,
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articuladas com infraestrutura, armazenagem, energia, conectividade e qualificação profissional. Um projeto nacional para o agro não se resume ao crédito: ele precisa contemplar toda a jornada da produção ao mercado.
Nesse sentido, ganha centralidade o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. O sucesso histórico do agro brasileiro sempre esteve ligado à ciência. A tropicalização de culturas, o avanço genético, a mecanização, a agricultura de precisão, a biotecnologia e o manejo sustentável são frutos de décadas de pesquisa. No entanto, a continuidade desse processo depende de financiamento permanente e visão estratégica.
A tecnologia no campo não deve ser vista como privilégio de grandes propriedades, mas como instrumento de democratização da produtividade. Irrigação eficiente, sensores, conectividade, genética, manejo inteligente de solo e sistemas integrados podem elevar a renda do pequeno produtor, reduzir perdas e aumentar a sustentabilidade ambiental.
E aqui reside um ponto central: a construção de um projeto de longo prazo para o agro é, antes de tudo, um projeto de país. O Brasil não será plenamente desenvolvido sem integrar sua vocação produtiva a uma estratégia nacional consistente. Isso significa romper a lógica da descontinuidade administrativa, em que cada governo reinicia prioridades e reescreve políticas sem continuidade institucional.
O Brasil de Brasília precisa ouvir mais o Brasil do Campo. Precisa compreender que o produtor rural não pede privilégios, mas condições mínimas de previsibilidade para trabalhar. O que está em jogo não é apenas a rentabilidade do setor, mas a segurança alimentar, o equilíbrio da balança comercial, a geração de empregos e o desenvolvimento regional.
A distância entre os dois Brasis só será reduzida quando a política pública deixar de tratar o agro como pauta circunstancial e passar a reconhecê-lo como política de Estado. O País precisa decidir se continuará administrando crises, safra após safra, ou se terá coragem de construir, finalmente, um horizonte de décadas.
O campo brasileiro já demonstrou sua capacidade de produzir, inovar e sustentar a economia. Falta ao Brasil institucional fazer a sua parte: planejar, investir e garantir estabilidade. Um projeto Brasil para o agro não é apenas desejável. É urgente, estratégico e indispensável para o futuro da nação.






Além de todas as mazelas comuns à vida de todos os brasileiros, a turma do campo tem algumas só para chamar de suas. É por isso que, para poucos segmentos da sociedade brasileira, a frase do ex-presidente americano Ronald Reagan é tão relevante: “O Governo não é a solução para seus problemas; o Governo é o problema ".
Em ano em que se escolhem futuros governantes, a boa tradição indica que é chegada a hora do setor rural colocar na mesa suas demandas, que não são poucas nem efêmeras. Afinal, dizem respeito a milhões de famílias brasileiras que tiram seu sustento da terra e que representam um treminhão de votos.
Inúmeras instituições elaboram programas de governo com proposições técnicas para solucionar deficiências, ou mesmo inexistência, de políticas públicas. Os temas geralmente tratados são o Plano Safra, seguro para catástrofes climáticas, logística
e infraestrutura, regularização fundiária, pesquisa e extensão rural, segurança pública, entre outros.
No entanto, a falta de paz promovida pelo Estado brasileiro à vida do produtor rural não diz respeito somente àquilo que o Estado não faz ou que deveria fazer melhor; diz respeito, acima de tudo, àquilo que o Estado faz e não deveria. É esse o maior problema do agro brasileiro.
Por que o Estado faz o que não deveria? E como se reverte esse quadro?
As respostas residem na análise de quais interesses são atendidos quando o Estado brasileiro legisla, regulamenta, promove políticas públicas e, em última instância, julga.


O Estado brasileiro existe para atender ao interesse coletivo dos 210 milhões de brasileiros. Se não é específico a grupos de interesses, mas genérico a todos os brasileiros, estamos falando do “interesse nacional”. Sendo nacional (todos os brasileiros), então não contempla interesses internacionais.
O agro está presente em todos 5.571 municípios brasileiros, não somente na produção, mas no abastecimento e, mais importante, no consumo. É o pequeno agro e o grande; o micro e o gigante. É agro dos grãos, do leite e dos lácteos, das florestas – industriais ou nativas – das frutas; da horticultura: da alface, do tomate ou da batata; da granja de aves ou de suínos; da carne bovina.
Cerca de 10 milhões de pessoas trabalham diretamente na agropecuária, demais 18,5 milhões trabalham em outros elos das cadeias do agronegócio e todos os 210 milhões de brasileiros, sem exceção, são consumidores. "
Eduardo Lunardelli Novaes
Produtor Rural
Há o agro do produtor, do vaqueiro, do tratorista, do braçal, do agrônomo, do veterinário, do contador, do vendedor de insumos, do caminhoneiro, do industrial, do bancário, do cartorário, enfim, do frentista e do caixa do supermercado.
Cerca de 10 milhões de pessoas trabalham diretamente na agropecuária, demais 18,5 milhões trabalham em outros elos das cadeias do agronegócio e todos os 210 milhões de brasileiros, sem exceção, são consumidores. O interesse nacional é, portanto, o interesse de todas essas pessoas, indistintamente; e somente delas e de mais ninguém.
O executivo federal roga para si um "papel estratégico e estruturante”, através da implementação de políticas públicas e de um volume descomunal de regulações infralegais. Na estrutura do governo atual, são pelo menos três ministérios que atuam diretamente sobre os destinos do agro, além do MAPA, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: um para “povos tradicionais”; outro para meio ambiente; e o terceiro, para atender a um segmento artificial, criado com viés exclusivamente político, a “agricultura familiar”.
Se o MAPA, que teoricamente supervisiona e promove a produção e abastecimento, atende ao interesse nacional, os demais servem para quê?
Para atender a grupos de interesse. Não para atender a pessoas de “povos tradicionais”, que têm CPF como qualquer brasileiro, ou “agricultores familiares”, que são tão agricultores como qualquer agricultor, muito menos ao “meio ambiente”; mas para atender a organizações para-estatais, privadas ou mesmo estrangeiras, que criam pautas específicas, sequestram parcelas da sociedade brasileira, abocanham enormes nacos do Estado e usufruem, assim, de poder fenomenal, via de regra, em detrimento do agro e do interesse nacional.
Grupos de interesses, como os de países estrangeiros que concorrem comercialmente com o agro brasileiro, como a França e os Estados Unidos, ou países eminentemente petrolíferos, a exemplo da Noruega, que se imiscuem em nossas áreas de vegetação nativa; como organizações não governamentais, que geralmente recebem financiamento público e privado, nacional ou estrangeiro, para serem supostamente alocados a outros grupos de interesses – minorias – mas raramente o são; e por fim, amplos setores do funcionalismo público, cujas funções, a rigor, sequer deveriam existir.

Vejamos como isso se manifesta, não somente através da atuação do executivo, mas do Estado como um todo.
Não há produção rural moderna fora da economia de mercado, que, por sua vez, não existe sem direito de propriedade. Assim, para controlar o uso e ocupação do solo brasileiro, esses diversos grupos de interesse atuam contra a propriedade privada, lançando mão de inúmeras práticas de caráter marxista.
A forma mais violenta de ataque à propriedade privada é a estatização. Demarcações de unidades de conservação, de terras indígenas ou quilombolas, em muitos casos sem que haja sequer indenização (expropriação), e desapropriações para reforma agrária são sempre precedidas pelo fomento, leniência e glamourização de invasões de terras, da violência no campo e da disseminação deliberada de desinformação. Cerca de 30% do território nacional é estatal, e crescendo. Se por um lado os brasileiros são impedidos de explorar esse gigantesco estoque de recursos naturais, o que beneficia nossos concorrentes, por outro, esses recursos são explorados economicamente por pequenos grupos e, na maior parte das vezes, por organizações criminosas, de fato e de direito.
O processo de dominação e exploração por parte desses grupos não para na estatização, já que avança sobre o que sobra, por meio da relativização do direito de propriedade. A regulação e fiscalização ambiental, trabalhista e fundiária, hoje integradas com o sistema de crédito, atuam frequentemente em harmonia contra o produtor rural nos executivos, legislativos e judiciário. São exercidas com tamanha competência, ainda que muitas vezes ilegalmente, que, se fossem adotadas na saúde pública, o Brasil seria campeão mundial na área.
É fundamental que se produzam propostas técnicas para as dificuldades enfrentadas pelo agro brasileiro, mas desde que estejam certas. Não existe política pública que deva ser analisada, sem antes se identificar a quais interesses servem. E, para que estejam certas, é necessário se garantir que somente o interesse nacional, e somente ele e em qualquer circunstância, seja objeto daquela iniciativa.
Dito isso, refaçamos a pergunta:
O que Estado faz e não deveria?
Tudo o que seja alheio ou antagônico ao interesse nacional, definido como o interesse coletivo dos 210 milhões de brasileiros, indistintamente.
A convivência do etanol de cana e do etanol de milho
Historicamente, o Brasil consolidou sua liderança na produção de biocombustíveis fundamentada na cana-de-açúcar. Contudo, a última década marcou o início de uma transformação estrutural com a ascensão do etanol de milho. O que antes poderia ser visto sob uma ótica de competição, hoje se revela como uma estratégia de complementaridade produtiva. A convivência entre o etanol de cana e o etanol de milho não é apenas desejável, mas essencial para que o Brasil atenda à crescente demanda interna e se posicione como o grande provedor de soluções para a descarbonização global.
De acordo com os dados do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 (PDE 2034) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o mercado brasileiro de etanol deve experimentar uma expansão vigorosa. A oferta total de etanol tem potencial para atingir cerca de 48 bilhões de litros até 2034, com uma taxa de crescimento anual de 3,8%.
Neste cenário, a EPE aponta que o etanol de cana-de-açúcar mantém sua relevância absoluta, continuando como a principal fonte de suprimento; enquanto o etanol de milho deve ganhar escala rapidamente,
projetando-se que responda por aproximadamente 30% da oferta total em 2034. Essa dinâmica mostra que o crescimento de uma fonte não ocorre em detrimento da outra. Pelo contrário, o milho permite que as usinas (muitas vezes operando em modelo flex) mantenham a produção ativa durante a entressafra da cana, otimizando ativos industriais, reduzindo custos fixos e garantindo a segurança de suprimento ao mercado ao longo de todo o ano.
Além do consumo tradicional do ciclo Otto, novas avenidas de demanda estão se abrindo, o que reforça a necessidade de aumentar a produção. A Lei do Combustível do Futuro e programas como o ProBioQAV introduzem metas para o SAF (Sustainable Aviation Fuel). Estima-se que a demanda por SAF no Brasil possa alcançar bilhões de litros até a próxima década, dependendo das rotas tecnológicas adotadas (como a Alcohol-to-Jet – AtJ, que utiliza o etanol como matéria-prima). Somado a isso, o setor de transporte marítimo busca alternativas para reduzir emissões, colocando o etanol e o metanol verde no radar como substitutos sustentáveis aos combustíveis fósseis.



A oferta total de etanol no País pode atingir entre 45 e 58 bilhões de litros em 2035, sendo que o etanol de milho deve responder por 42% dessa oferta; e o de cana-de-açúcar, pelos outros 58%. "
Vinícius Cambaúva e Marcos Fava Neves Professores da Harven Agribusiness School



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Essas "novas fronteiras" garantem que, mesmo com a eletrificação parcial da frota leve, a demanda por biocombustíveis de alta qualidade continue escalando, exigindo o máximo esforço produtivo tanto da cana quanto do milho.
No mercado brasileiro, o desenvolvimento do etanol de milho tem sido pautado por alguns fatores, destacando:
1. a disponibilidade de matéria-prima (milho), que garante a base produtiva; 2. o mercado potencial regional para o etanol, que sustenta a demanda pelo biocombustível; 3. o mercado consumidor de coprodutos, como ração animal, que agrega valor ao processo; 4. a disponibilidade de biomassa para a indústria, importante para eficiência energética; e 5. o apoio de políticas públicas, que influencia diretamente a expansão e competitividade do setor. Isso demonstra que o etanol de milho tem fortalecido a oferta e consumo de etanol em regiões do País onde, antes, ele estava pouco presente.
No campo, as duas matérias-primas apresentam suas vantagens competitivas. Enquanto a cana-de-açúcar apresenta produtividade superior de biomassa, com rendimentos médios entre 80 e 100 toneladas por hectare, o milho de segunda safra produz entre 7 e 10 toneladas por hectare. Por outro lado, na indústria, o milho é significativamente mais eficiente na conversão em etanol. Cada tonelada de milho gera entre 360 e 420 litros de etanol, enquanto a cana produz entre 70 e 90 litros por tonelada. Ao final, a cana-de-açúcar entrega, em média, 5.600 litros de etanol por hectare; e o milho, 2.800 litros por hectare.
Se, por um lado, a cana-de-açúcar apresenta mais eficiência por área, por outro, o milho brasileiro é produzido em sistema de sucessão ao cultivo da soja, em 2ª safra (ou cultivo intermediário), o que traz grandes vantagens no quesito de pegada de carbono e outros indicadores de sustentabilidade. Olhando para o futuro, estudos da EPE, Empresa de Pesquisa Energética, mostram que a oferta total de etanol no País pode atingir entre 45 e 58 bilhões de litros em 2035, sendo que o etanol de milho deve responder por 42% dessa oferta; e o de cana-de-açúcar, pelos outros 58%. No milho, a produção de etanol deve alcançar 22 bilhões de litros em 2035, segundo projeções da UNEM – União
Nacional do Etanol de Milho. Isso representa mais do que dobrar o nível atual em cerca de dez anos, consolidando o etanol de milho como um dos principais vetores de crescimento do setor de biocombustíveis no País. Já o etanol da cana deve alcançar 35 bilhões de litros em 2035. Isso indica um crescimento relativamente limitado frente aos níveis atuais — algo na ordem de até cerca de 20% a 30% no período.
A integração entre as duas cadeias produtivas confere ao Brasil uma resiliência única. Enquanto a cana-de-açúcar oferece uma eficiência energética e captura de carbono já consagradas, o milho traz flexibilidade logística, produção descentralizada e o aproveitamento de coprodutos valiosos, como o DDG/DDGS, que já é uma das matérias-primas proteicas da indústria de nutrição animal.
Enquanto o imbróglio “biocombustível versus alimento” perde força, o setor demonstra que a produção da integrada, tanto da cana-de-açúcar como do milho, entregam produtos que vão além do biocombustível; e que reforçam a oferta de alimentos e a busca pelo combate à fome e pela segurança alimentar global.
Nós sempre questionamos a falta de industrialização e agregação de valor das commodities agrícolas brasileiras. Por que, então, não valorizar as duas cadeias que veem investimentos relevantes para captura e compartilhamento de valor, contribuindo para o desenvolvimento regional do Brasil?
É claro que o mercado é competitivo, mas nós não estamos diante de uma partida com adversários e/ou inimigos. O futuro do agronegócio brasileiro não é sobre escolher entre o etanol de cana ou de milho, mas sobre priorizar a segurança energética, o desenvolvimento e a soberania do Brasil.
Ao somarmos as forças dessas duas matérias-primas, consolidamos o Brasil, não apenas como um produtor de combustível, mas como uma potência de biorrefinarias globais, prontas para alimentar e mover o mundo de forma sustentável. Em tempos de conflitos geopolíticos globais, onde nossa população ainda sofre pelas altas do petróleo e impactos nos combustíveis, priorizar o nosso etanol é garantir uma vida melhor e mais oportunidades aos brasileiros.

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As vantagens e desvantagens da maior produção
O Brasil reúne condições raras para ampliar sua produção de etanol e transformar esse avanço em uma vantagem estratégica. Poucos países combinam, ao mesmo tempo, escala agrícola, experiência produtiva e capacidade de gerar energia renovável em grande volume.
Em tese, portanto, produzir mais etanol deveria ser apenas uma boa notícia: reforça a segurança energética, ajuda a descarbonizar a matriz e reduz a vulnerabilidade do País a choques externos ligados ao petróleo.
Mas a expansão da oferta, por si só, não garante um setor mais forte. Para que o crescimento seja saudável, ele precisa estar apoiado em duas bases simultâneas: uma produção agrícola capaz de sustentar o aumento de volume com eficiência e um mercado consumidor suficientemente robusto para absorver essa oferta sem destruir preços e margens.
É justamente aí que está o ponto central do debate. O problema não é crescer. O problema é crescer sem coordenação entre campo, indústria e consumo.
O problema não é crescer. O problema é crescer sem coordenação entre campo, indústria e consumo. "
Martinho Seiiti Ono CEO da SCA Brasil
Quando a produção avança mais rapidamente que a demanda, o que deveria ser sinal de força pode se transformar em desequilíbrio. O excesso de oferta pressiona preços, comprime margens e amplia tensões dentro do próprio setor.
Esse risco aparece ainda com maior clareza no momento em que o etanol de milho ganha escala no País. Sua expansão é relevante e positiva e deve ser vista como parte da solução, não como uma ameaça natural à cana. Cana e milho podem — e devem — conviver. As usinas de cana seguem como espinha dorsal histórica do setor, próximas dos grandes centros consumidores e apoiadas em uma longa trajetória de eficiência produtiva. Já o milho reforça a oferta, agrega valor às regiões produtoras de grãos e ajuda a reduzir a sazonalidade, ampliando a disponibilidade de etanol ao longo do ano.
O erro está em transformar essa complementaridade em disputa. A oposição verdadeira não é entre cana e milho, mas entre uma expansão produtiva acompanhada pela formação de mercado e uma expansão que ocorre sem demanda suficiente.


Se o consumo não cresce, qualquer aumento expressivo da produção tende a gerar sobreoferta, independentemente da matéria-prima.
Nesse ambiente, até ganhos estruturais podem se converter em pressão competitiva excessiva e fragilização econômica de parte da cadeia.
Isso não significa ignorar os desafios específicos de cada rota. No caso do etanol de milho, o crescimento traz gargalos logísticos evidentes.
Boa parte da nova produção se concentra no Centro-Oeste, enquanto o maior mercado consumidor continua no Sudeste. Isso exige transporte por longas distâncias e eleva a importância de investimentos em infraestrutura, armazenagem e distribuição.
Além disso, a viabilidade dessa rota também depende de condições adequadas para cogeração e do bom aproveitamento econômico dos coprodutos. Já no caso da cana, o desafio central continua sendo agrícola.
A força da bioenergia começa no campo. Sem renovação de canaviais, mecanização eficiente, manejo adequado, controle de pragas, fertilidade do solo e ganhos consistentes de produtividade, a indústria pode até ampliar capacidade, mas não terá matéria-prima em condições ideais para sustentar o crescimento.
Por isso, discutir o futuro do etanol brasileiro exige olhar com atenção para a base agrícola. O financiamento é parte decisiva dessa equação.
Quando o crédito fica mais caro, mais curto ou mais seletivo, os investimentos mais estruturantes tendem a ser adiados. E, no setor sucroenergético, adiar investimento no campo significa comprometer a produtividade futura.
A modernização das propriedades, a renovação de lavouras e a adoção de novas tecnologias não podem depender apenas da capacidade de adaptação dos grandes grupos.
Se o acesso ao capital se estreita, os efeitos aparecem na competitividade e na sustentabilidade da oferta ao longo do tempo.
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Ao mesmo tempo, não basta produzir bem. É preciso construir mercado. E esse talvez seja o ponto mais negligenciado na discussão pública sobre bioenergia no Brasil. O País ainda convive com entraves conhecidos para ampliar o consumo de etanol fora das regiões onde ele já é mais consolidado. Em muitos estados, a tributação reduz sua competitividade frente à gasolina.
Em outros, a logística encarece a entrega e limita a regularidade da oferta. Há também regiões em que a presença do etanol na bomba ainda é insuficiente para transformar o combustível em escolha real para o consumidor. Em outras palavras: o Brasil discute muito como produzir mais, mas ainda discute pouco como fazer esse volume chegar com competitividade, previsibilidade e capilaridade ao mercado final.
Esse é o ponto decisivo. A bioenergia se fortalece não apenas quando a usina produz mais, mas quando o consumidor consegue acessar esse produto em condições vantajosas.
Isso exige uma agenda que vá além da porteira e da indústria: harmonização tributária, melhoria da infraestrutura logística, expansão da rede de distribuição, maior presença comercial em regiões menos desenvolvidas para o etanol e comunicação mais clara sobre suas vantagens econômicas e ambientais. Sem isso, a ampliação da oferta corre o risco de gerar apenas um setor mais pressionado, e não um setor mais forte.
O Brasil tem, de fato, uma vocação singular para liderar a bioenergia. Mas transformar potencial em força duradoura depende de coordenação. A oferta precisa crescer com base agrícola sólida. A cana e o milho precisam ser tratados como rotas complementares. E o mercado consumidor precisa avançar no mesmo ritmo da produção. Quando esses vetores caminham juntos, o etanol deixa de ser apenas uma promessa de expansão e se consolida como instrumento real de segurança energética, desenvolvimento regional e transição para uma matriz mais limpa.
"A história começa com uma gramínea tropical e está sendo redesenhada pela combinação com outra."
O Brasil está vivendo uma nova revolução do etanol. Ela acontece na otimização das plantas de cana-de-açúcar e no silêncio das terras planas do Centro-Oeste, dentro de silos de grãos que agora alimentam destilarias, e em mapas que mostram usinas brotando em lugares onde, há dez anos, ninguém apostaria uma safra. A história começa com uma gramínea tropical e está sendo redesenhada por outra.
Cana-de-açúcar e milho compartilham um segredo fisiológico: o metabolismo fotossintético C4 — uma estratégia bioquímica que lhes permite converter energia solar em biomassa com eficiência significativamente superior à das culturas C3, como soja, trigo e arroz. Para o leigo, a tradução é direta: elas produzem mais matéria orgânica por hectare, com menor desperdício de água e energia.

Para o negócio da bioenergia, isso significa competitividade estrutural que culturas, como a beterraba açucareira europeia simplesmente, não conseguem replicar. É aqui que a semelhança termina e a divergência começa a moldar territórios.
A cana-de-açúcar encontrou no Brasil um dos poucos ambientes edafoclimáticos do planeta verdadeiramente ideais para seu desenvolvimento. As regiões tropicais e subtropicais de cultivo no País reúnem uma combinação rara: alta disponibilidade hídrica e temperaturas elevadas durante o período de crescimento vegetativo, seguidas por uma fase mais seca e amena que favorece a concentração de açúcares antes da colheita. Essa sequência — úmido para crescer, seco para amadurecer — não é encontrada em qualquer lugar. O Centro-Oeste americano não a tem. A Europa não a tem. O Sudeste Asiático a tem de forma parcial. Por isso, a cana não é uma cultura verdadeiramente global: ela é radicalmente competitiva justamente onde essas condições existem. E o Brasil as tem em abundância.

Cana-de-açúcar e milho compartilham um segredo fisiológico: o metabolismo fotossintético C4 — uma estratégia bioquímica que lhes permite converter energia solar em biomassa com eficiência significativamente superior à das culturas C3, como soja, trigo e arroz. "
Coordenador do Núcleo de Bioenergia no Observatório de Bioeconomia e no Centro de Estudos do Agronegócio da FGV. Diretor de Inteligência Estratégica, Competitividade e Regulação da UNICA
O milho segue uma lógica inversa. Sua genética foi domesticada e adaptada durante milênios para funcionar em diferentes climas e latitudes. Mas foi no Brasil que ele encontrou uma inovação sem paralelo no mundo: a segunda safra em larga escala — a antiga "safrinha". Ao integrar soja e milho no mesmo ano agrícola, o Centro-Oeste e, depois, outras regiões do País, criaram uma oferta crescente de grãos sem necessidade de abrir um único hectare. O que começou como adaptação agronômica regional, tornou-se um dos maiores saltos de produtividade do agronegócio mundial.
A logística continua sendo um dos principais pontos de fricção do agronegócio brasileiro — e foi ela, paradoxalmente, que catalisou a expansão do etanol de milho. Transportar grãos de Sorriso ou Sinop até o Porto de Santos custa caro e depende de rodovias congestionadas e de uma malha ferroviária ainda insuficiente. Industrializar o milho localmente, transformando-o em etanol e em proteína animal na forma de DDG — os grãos secos de destilaria —, passou a fazer sentido econômico. As usinas flex, capazes de processar tanto cana quanto milho, ou exclusivamente voltadas ao grão, começaram a surgir no Centro-Oeste há menos de dez anos. Hoje elas já respondem por quase 30% da produção nacional de etanol.
O mapa mostrado na próxima página que emerge desse processo é revelador. As novas unidades produtivas estão fortemente concentradas no Centro-Oeste — Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul — e avançam, especialmente, sobre o oeste de Minas Gerais, o Matopiba e, potencialmente, o Sul do País. Essa distribuição não é aleatória: ela coincide com as regiões de maior produção de milho, evidenciando a consolidação de um novo eixo de expansão baseado em lógica distinta da que criou o parque industrial paulista. São Paulo continua sendo o principal produtor de etanol do País, com infraestrutura madura, tecnologia de ponta e escala sem paralelo. Mas sua participação relativa no total nacional vem diminuindo — não porque São Paulo produza menos, mas porque o restante do País produziu muito mais. A concentração geográfica da produção, que chegou a representar mais de 60% da oferta nacional, cede espaço a um modelo progressivamente mais distribuído, conforme demonstra o gráfico da próxima página.
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Para entender por que essa dispersão geográfica é mais do que uma curiosidade cartográfica, é preciso recorrer a um economista que nunca ouviu falar em cana-de-açúcar: Harry Markowitz. Em 1952, o jovem economista americano publicou um artigo no Journal of Finance — "Portfolio Selection " — que mudaria para sempre a forma como o mundo pensa sobre risco. A ideia central é elegante: um ativo não deve ser avaliado pelo seu risco individual, mas pela sua contribuição ao risco total de um portfólio. Diversificar não é apenas prudência — é matematicamente eficiente. Markowitz recebeu o Nobel de Economia em 1990 por esse insight, que sete décadas depois é trazido aqui para aplicação na dinâmica estrutural de produção de etanol no Brasil. Na bioenergia, uma seca, uma geada fora de época ou uma praga que se alastra pode promover variações significativas na oferta e no preço. A solução, como Markowitz previu no contexto financeiro, é distribuir. A Agência Internacional de Energia — criada exatamente após o choque do petróleo de 1973 — consolidou esse princípio de maneira análoga para a energia: a segurança de suprimento exige, entre outros aspectos, a diversificação de fontes. Um portfólio diversificado de opções energéticas oferece proteção contra incertezas futuras. A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 transformou esse argumento teórico em lição dolorosa para a Europa, que havia apostado quase tudo no gás natural de um único fornecedor. A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz replicam cenário semelhante. O Brasil, guiado em boa medida pela lógica do mercado, parece estar seguindo o caminho certo.
A tentação de colocar cana e milho em lados opostos de uma disputa é compreensível, mas equivocada. Os dois sistemas produtivos têm vocações distintas e, quando combinados, se fortalecem mutuamente. A cana oferece vantagens que o milho simplesmente não consegue replicar. O bagaço — subproduto do processamento — alimenta caldeiras e turbinas que movem toda a usina, com sobra de eletricidade para vender à rede. Essa autossuficiência energética confere ao etanol de cana uma intensidade de carbono dramaticamente baixa em comparação com qualquer concorrente fóssil — e também com o etanol de milho americano, que depende de gás natural no processo industrial.
A cana ainda oferece outra vantagem singular: a flexibilidade entre açúcar e etanol. Quando o preço do açúcar sobe no mercado internacional, a usina redireciona parte da moagem, facilitando o gerenciamento de risco de preço. Esse mecanismo interno é, na linguagem de Markowitz, um hedging estrutural incorporado à própria biologia do negócio.
Mas a cana tem limites. É perecível — não pode ser armazenada após o corte. Exige processamento imediato e coordenação logística milimétrica entre campo e indústria durante os meses da safra. Pesa muito, custa caro para transportar e não vai longe, o que a aprisiona geograficamente às regiões onde pode crescer com competitividade. O milho opera de forma quase oposta. O grão pode ser armazenado por meses em silos, transportado por centenas de quilômetros e processado ao longo do ano inteiro, sem a espada temporal da safra. Isso confere às destilarias de milho uma previsibilidade operacional que as usinas de cana não têm.
A produtividade do milho por hectare vem crescendo de forma consistente há décadas, sustentada por avanços genéticos e tecnológicos que ainda têm muito espaço para evoluir. O DDG, coproduto de alto valor proteico muito demandado pela indústria de carnes, adiciona uma fonte relevante de receita ao negócio. O ponto fraco, porém, é simétrico ao ponto forte da cana: as plantas precisam de fontes externas de biomassa para o processo térmico, o que pode complicar a equação de carbono e eleva custos, enquanto a viabilidade econômica fica parcialmente refém do preço do DDG. Nenhum dos dois sistemas, isolado, é perfeito. Juntos, eles cobrem as fraquezas um do outro. O que está acontecendo na geografia da bioenergia brasileira é uma transformação estrutural — descentralizada, guiada por sinais de mercado mais do que por política pública explícita. Nos anos do Proálcool, nas décadas de 1970 e 1980, a produção de etanol era praticamente sinônimo de São Paulo, com uma concentração que beirava o monopólio estadual. A partir dos anos 2000, o Centro-Oeste começa a surgir no mapa, inicialmente como extensão da fronteira canavieira — Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ganham relevância, junto com Minas Gerais e o Oeste Paulista.
A expansão da frota de veículos flex-fuel, hoje tecnologia majoritária nos automóveis licenciados no País, cria demanda suficiente para justificar investimentos em novas regiões. Nos anos mais recentes, o salto qualitativo vem do milho.
Mato Grosso, que praticamente não existia no mapa do etanol há dez anos, emerge como um dos vetores mais dinâmicos do crescimento recente da oferta — com modelo agroindustrial distinto, players diferentes, integração com cadeias de proteína animal e uma lógica que já começa a ser replicada em outras regiões do País.
O resultado é um sistema mais equilibrado, mais resiliente e mais complexo. São Paulo continua sendo o coração do setor, com tecnologia, infraestrutura e escala que nenhum outro estado consegue replicar no curto prazo.
Mas agora o coração bate junto com outros órgãos — e o organismo, como um todo, é estruturalmente mais saudável.
A expansão do etanol de milho, a descentralização geográfica da produção canavieira, a multiplicação de modelos agroindustriais — cana pura, milho puro, flex — são respostas intuitivas e racionais à lição de Markowitz. Não há nenhum plano mestre. Não há documento governamental que tenha planejado esse redesenho.
Ele emergiu da interação entre disponibilidade de matéria-prima, incentivos econômicos, desafios logísticos e oportunidades de mercado.
E isso, curiosamente, o torna mais robusto – porque não depende de um único tomador de decisão para funcionar. Exige, contudo, esforço para garantir uma produção sustentável – independente da matéria-prima – e políticas públicas que sustentem um ambiente de negócios adequado à interiorização do desenvolvimento do País.
Entre a cana e o milho, o Brasil está construindo, talvez sem perceber, a matriz de bioenergia mais robusta e diversificada do mundo.
Duas gramíneas unidas pela mesma física fotossintética e separadas por tudo o mais – e é exatamente essa diferença que as torna, juntas, tão poderosas. O Brasil não escolheu entre a cana e o milho. Escolheu os dois. E essa escolha se mostra cada vez mais surpreendente.

DA CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DE ETANOL NO BRASIL ENTRE 2019 E 2026
CAPACIDADE (m3/Dia)
1 MIL 2 MIL 3 MIL 4 MIL 5 MIL
PERÍODO DE INSTALAÇÃO DA UNIDADE PRODUTORA
UNIDADES INSTALADAS ATÉ 2017
UNIDADES INSTALADAS DE 2018 EM DIANTE CONSTRUÇÃO EM ANDAMENTO*
MATÉRIA-PRIMA USADA NA PRODUÇÃO DO ETANOL CANA-DE-AÇÚCAR
MILHO FLEX
OUTRAS MATÉRIAS-PRIMAS

EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO DE ETANOL (CANA E MILHO) EM CADA ESTADO BRASILEIRO 1974/1975 a 2025/2026

A Telog | Especialista é a operadora logística referência na gestão de suprimentos e MRO para a agroindústria nacional. Com mais de 25 anos de atuação, ancora seu trabalho em tecnologia, processos robustos e comprometimento genuíno com os resultados de cada cliente.
A agroindústria brasileira opera em um dos ambientes mais exigentes do mundo. Um desempenho dessa magnitude exige, na mesma proporção, uma cadeia logística à altura: integrada, confiável e preparada para sustentar o ritmo de quem não pode parar.
Mas o que significa, na prática, ter uma logística verdadeiramente integrada? Significa que cada etapa da cadeia de suprimentos, desde o momento em que um pedido de compra é gerado até o instante em que o material chega ao seu destino e é devidamente armazenado, está sob controle, com visibilidade em tempo real e com um único parceiro responsável pelo resultado. Para a agroindústria, que opera com prazos rígidos e processos interdependentes, essa integração não é um diferencial. É uma necessidade.
A Telog foi construída dentro desse universo. Ao longo de mais de 25 anos de atuação, a empresa desenvolveu profundo conhecimento sobre as particularidades da agroindústria brasileira: os ciclos de safra, as exigências dos grandes centros produtores, os desafios das operações de manutenção e reparo em plantas de alta complexidade. Esse conhecimento se traduziu em um modelo de negócio que vai muito além do transporte de cargas.
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A partir do momento em que a nota fiscal é emitida, o sistema E-Track, portal de rastreabilidade da Telog, captura automaticamente as informações diretamente da base de dados do Sefaz e já aciona as equipes de coleta nas regiões fornecedoras. Com mais de 80 rotas fixas e filiais estrategicamente posicionadas nos principais polos de fornecimento do país, os materiais são coletados com agilidade e direcionados aos centros de distribuição para consolidação antes de seguirem às plantas dos clientes.
Toda essa movimentação pode ser acompanhada pelo cliente em tempo real, do início ao fim, com informações precisas sobre status, localização e prazo de entrega. Transparência que gera confiança. Confiança que gera parceria.
Mas a jornada não termina na chegada do caminhão. A Telog também oferece assessoria e alocação de mão de obra especializada para o recebimento e armazenamento dos materiais dentro das plantas dos clientes. É a cadeia completa, gerida por um único parceiro, com responsabilidade integral sobre cada etapa do processo.
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Em uma operação de alta demanda, a informação vale tanto quanto a carga transportada. Por isso, a Telog investiu na construção de uma estrutura tecnológica robusta, capaz de monitorar todas as operações simultaneamente, 24 horas por dia, todos os dias do ano.
A Torre de Controle 4.0 da empresa acompanha em tempo real o desempenho de toda a frota, a jornada dos motoristas, o cumprimento dos prazos pactuados e os indicadores de qualidade de cada operação. Qualquer desvio é identificado e tratado de imediato, antes que se transforme em um problema para o cliente.
Indicadores de desempenho são analisados continuamente, garantindo que cada compromisso assumido seja cumprido com precisão. Para o gestor da agroindústria, isso significa menos tempo gerenciando fornecedores e mais tempo focado no que realmente importa: a produção.
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Para grandes playe rs dos segmentos de bioenergia, celulose, mineração e agronegócio, esse conjunto de certificações não é detalhe. É critério de escolha. Empresas com alto nível de exigência não abrem mão de parceiros que compartilham os mesmos padrões de qualidade e responsabilidade.

Um dos pilares que sustentam a cultura da Telog é a visão de que cada cliente é único. Por isso, os projetos logísticos são desenvolvidos sob medida, levando em conta as especificidades da operação, o perfil dos fornecedores, as janelas de entrega e os indicadores de desempenho que realmente fazem sentido para aquele negócio. Equipes dedicadas atuam junto às operações dos clientes, presencialmente quando necessário, garantindo que o SLA pactuado seja cumprido com consistência.
Essa proximidade se reflete em parcerias duradouras. A Telog não busca contratos, busca relações de confiança construídas ao longo do tempo, onde o crescimento do cliente é também o crescimento da empresa. Como frisa o CEO Ricardo Amadeu: "A valorização da nossa gente é a base da companhia." Uma empresa que cuida das pessoas que a compõem naturalmente cuida também das pessoas que a escolhem.
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Milho e cana: expansões, retrações da nova fronteira
A produção de milho no Brasil vem passando, nas últimas décadas, por mudanças profundas tanto na forma como é produzida quanto nos territórios onde se expande. Ao mesmo tempo, ocorre uma mudança funcional: o grão ganha relevância crítica na matriz energética, estabelecendo um elo indissociável entre a produção agrícola e as biorrefinarias nacionais.
Um dos sinais mais claros dessa transformação está na mudança do calendário produtivo. O milho de primeira safra vem perdendo espaço de forma gradual. O ponto de virada ocorreu na safra 2011/12, em que, segundo a Conab, o milho safrinha atingiu 39,1 milhões de toneladas, ultrapassando os 33,8 milhões de toneladas da safra de verão uma inversão que alterou definitivamente a dinâmica de abastecimento e logística do País. Atualmente, o milho safrinha não é complemento; ele é protagonista, com projeção para cerca de 108 milhões de toneladas (78% do volume nacional). Desde então, o milho de verão ficou mais concentrado em regiões específicas — especialmente no Sul ou direcionado a usos como silagem.
Mais do que expandir área, o sistema soja-milho aumentou a eficiência produtiva. Estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideram esse movimento, reunindo escala, tecnologia e forte inserção no mercado externo.

Estima-se que estes quatro estados na safra 2025/26 produzam o equivalente a 56% do volume total da produção de grãos de milho do Brasil. Destaque para Mato Grosso com produção estimada de 53 milhões de toneladas de grãos, correspondendo sozinho a 38% do volume total de 138 milhões de toneladas. Enquanto isso, o Sul mantém produção relativamente estável e as regiões Norte e Nordeste começam a ganhar espaço, com destaque para o Matopiba (um "estado" brasileiro formado pelo Mato Grosso, Tocantins, Piauí e Bahia), que se firma como nova fronteira agrícola.
Essa reorganização da produção abriu caminho para uma mudança igualmente relevante no setor industrial: a expansão das biorrefinarias de milho. Em poucos anos, o cereal passou a ter peso crescente na produção de etanol. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética – EPE, a participação do milho nesse mercado, que era de cerca de 2% em 2018, deve se aproximar de 37% em 2025.
Hoje, o Brasil conta com 33 usinas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, além de outras 13 em construção, operando tanto no modelo dedicado ao milho ( full) quanto em sistemas integrados com a cana-de-açúcar (flex).
O milho safrinha atingiu 39,1 milhões de toneladas, ultrapassando os 33,8 milhões de toneladas da safra de verão. Deixou de ser complemento, ele é agora protagonista. "
Alexandre Ferreira da Silva e Vinícius Pereira Guimarães Pesquisador e Chefe Geral da Embrapa Milho e Sorgo, respectivamente
No último relatório de acompanhamento de safra realizado pela Conab para cana-de-açúcar e setor bioenergético, realizado em novembro de 2025, há expectativa para a produção próxima de 10,1 bilhões de litros de etanol de milho sendo 6,8 bilhões de hidratado e 3,3 bilhões de anidro. Para isso, será necessário processar cerca de 22,95 milhões de toneladas de milho, o que representa algo em torno de 16,6% da safra nacional estimada. Com rendimentos industriais entre 380 e 440 litros por tonelada de grão, o País já opera em patamares comparáveis aos sistemas mais eficientes do mundo.
Além do etanol, as biorrefinarias ampliam significativamente o valor agregado do milho ao gerar coprodutos relevantes, como DDG (Dry Distiller Grain , Grãos Secos de Destilaria) e óleo de milho. Esses insumos têm papel importante em cadeias como nutrição animal, biodiesel e combustíveis sustentáveis de aviação, reforçando a conexão entre agricultura, energia e indústria.
A localização dessas plantas acompanha, em grande medida, a própria geografia da produção. O Centro-Oeste, especialmente Mato Grosso, concentra a maior parte das unidades, beneficiado pela proximidade da matéria-prima. Ainda assim, começa a surgir um movimento de expansão para outras regiões, incluindo o Matopiba e parte do Sul do País, como Paraná e Santa Catarina.
Essa interiorização das biorrefinarias tende a estimular a produção local de grãos. A redução dos custos logísticos e a maior previsibilidade de demanda criam um ambiente favorável à intensificação produtiva. No Matopiba busca mitigar déficits regionais de combustíveis e viabilizar a exportação de subprodutos via portos do Arco Norte. No Sul, está mais associado à demanda da cadeia de proteína animal, reduzindo custos relacionados a nutrição através da oferta local de DDG/DDGS e diminuindo a logística de insumos vindo de outras regiões.
Mas essa expansão não ocorre sem desafios. Em regiões como o Matopiba, a produção enfrenta maior irregularidade de chuvas e, muitas vezes, solos mais frágeis. Nessas condições, depender de uma única cultura aumenta o risco. Por isso, a diversificação dos sistemas produtivos passa a ser uma estratégia importante para dar estabilidade ao fornecimento de matéria-prima.
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Há ainda um ponto mais estrutural: a crescente dependência do milho para abastecer as biorrefinarias aumenta a exposição do sistema à variabilidade climática. Como boa parte da produção vem da segunda safra, que depende das chuvas no final do ciclo, em anos com clima desfavorável podem comprometer a produtividade e afetar diretamente o abastecimento industrial. Além disso, a concentração da produção em poucas regiões amplia o impacto de eventuais quebras de safra.
A expansão para novas fronteiras, como o Matopiba, embora estratégica, ocorre em ambientes de maior incerteza. Isso reforça a importância de medidas de mitigação, como diversificação de culturas, uso de matérias-primas complementares e ajustes no manejo.
É nesse ponto que o sorgo granífero ganha relevância. Por ser mais tolerante ao estresse hídrico e se adaptar melhor a solos mais frágeis, o sorgo se apresenta como uma alternativa viável em ambientes onde o milho enfrenta maiores limitações. Dada a similaridade na composição, o sorgo oferece uma linha de suprimento complementar sem a necessidade de alterações significativas nas plantas industriais.
Olhando à frente, as projeções seguem positivas. O Plano Decenal de Energia (PDE 2035) indica uma produção total de cerca de 50 bilhões de litros de etanol no Brasil, com o milho respondendo por aproximadamente 16,3 bilhões de litros. Esse crescimento deve vir, principalmente, de ganhos de produtividade, expansão da segunda safra e recuperação de áreas de pastagens degradadas — um modelo que permite crescer sem pressionar novas áreas. Estima-se que a conversão de cerca de 6,7 milhões de hectares seja suficiente para atender a essa demanda.
No fim das contas, o que se observa é uma mudança de escala e de função do milho no Brasil. A produção se desloca, se intensifica e se conecta cada vez mais com a indústria. O grão deixa de ser apenas um componente da cadeia alimentar e passa a ocupar posição estratégica em um sistema mais amplo, que envolve energia, proteína animal e insumos industriais. Ao consolidar o modelo de biorrefinarias, o Brasil não apenas exporta grãos, mas exporta sustentabilidade e tecnologia embarcada. É esse sistema robusto, resiliente e integrado que coloca o nosso País em posição de destaque na nova economia bioenergética global.
O etanol de milho e os subprodutos
O agronegócio brasileiro vivencia transformações estruturais profundas. Em meio às flutuações globais impulsionadas por conflitos geopolíticos e incertezas no mercado de energia exemplificadas pelo barril de petróleo Brent rompendo a barreira dos 100 dólares em abril de 2026, com uma alta acumulada superior a 33% no último mês —, o etanol consolida-se não apenas como protagonista da matriz energética, mas como indutor de uma nova bioeconomia.
Neste cenário, o Brasil assiste à sinergia entre o consolidado etanol de cana-de-açúcar e o crescimento vertiginoso do etanol de milho.


Longe de representarem modelos concorrentes, essa integração otimizou o uso de ativos industriais por meio das plantas flex. Estas unidades operam com cana na safra principal e com milho na entressafra, aproveitando o balanço energético do bagaço para a geração de vapor e eletricidade em ambas as operações. Contudo, a expansão do milho não revolucionou apenas o setor de combustíveis; ela está transformando o mercado de insumos por meio dos Brazilian Distillers Grains (DDG e DDGS) e do óleo de milho.
Origem e evolução técnica
Para compreender o atual cenário mercadológico destes coprodutos, é fundamental resgatar as suas origens. Pesquisando nos manuais do US Grains & Bioproducts Council (entidade norte-americana que desenvolve mercados de exportação para a cevada, o milho e o sorgo norte-americanos, além de produtos relacionados, incluindo os grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS) e o etanol),
Em cada tonelada de milho processada, a indústria obtém em torno de 440 litros de etanol, 212 kg de DDG/DDGS, e 19 kg de óleo de milho. "
Andréa Veríssimo
Diretora de Relações Internacionais e Comunicação da UNEM –União Nacional do Etanol de Milho
aprendemos que a produção de coprodutos de milho remonta ao século XIX e foi inicialmente atrelada à indústria de bebidas alcoólicas.
As destilarias de whisky, que usavam primordialmente o milho para produção da bebida, acabavam vendendo os resíduos da destilação para fazendas de gado de corte e leite próximas.
Até a década de 1950, os grãos úmidos de destilaria eram considerados principalmente um ingrediente proteico que substituía parcialmente outros insumos proteicos, quase exclusivamente em rações para bovinos. A adesão ao produto em dietas de suínos e aves ocorreu apenas no final da década de 1990.
Entre as décadas de 1970 e 1980, grandes instalações de moagem úmida (wet milling) foram construídas nos Estados Unidos para produzir etanol como aditivo para a gasolina. No entanto, foi o aperfeiçoamento da tecnologia de moagem a seco (dry-grind) que catalisou a atual disponibilidade global.
No processo de moagem a seco, o milho é triturado e misturado com água e enzimas na etapa de liquefação e sacarificação, que converte o amido em glicose. Em seguida, adiciona-se levedura ( Saccharomyces cerevisiae ) para fermentar os açúcares, transformando-os em etanol e dióxido de carbono. Após a destilação do etanol, o resíduo líquido (conhecido como vinhaça) é centrifugado, separando a fração sólida (o Wet Cake) da vinhaça fina. Quando o Wet Cake é seco de forma pura, obtém-se o DDG ( Distillers Dried Grains ). Quando o xarope concentrado (proveniente da evaporação da vinhaça fina) é reincorporado ao Wet Cake antes da secagem, obtém-se o DDGS ( Distillers Dried Grains with Solubles ), que possui teores mais elevados de gordura e energia.
Como o amido (que representa cerca de 70% do grão) é consumido na produção do álcool, os demais nutrientes — proteína bruta, extrato etéreo (óleo), fibras e minerais (como o fósforo) — ficam concentrados em até três vezes no coproduto final.
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Além do valor nutricional, o impacto ambiental é positivo. A produção integrada permite que o grão de milho seja aproveitado em sua totalidade: o amido vira energia (etanol) e os demais componentes tornam-se alimento de alto valor biológico. Isso reduz a pressão por novas áreas de pastagem e otimiza a conversão alimentar nos confinamentos.
A produção no Brasil
Dez anos atrás, havia no Mato Grosso uma produção excedente de milho de segunda safra, produzido enquanto cultura intermediária, e que dependia de políticas públicas de aquisição de produtos como o PEP e PEPRO para sua comercialização. A indústria de etanol de milho surge como um demandante deste grão de forma contínua e garantida, permitindo o avanço deste setor sobre áreas já ocupadas pela soja, sem necessidade de abertura de novas fronteiras agrícolas.
O Programa Proálcool, instituído no Brasil em 1975, criou uma demanda garantida por etanol no Brasil, por meio do mandato de mistura obrigatória de etanol à gasolina e pela ampla existência de veículos com motores flex-fuel, que podem ser abastecidos com etanol ou gasolina. O programa deu os alicerces, sem os quais a indústria de etanol de milho dificilmente teria tido o sucesso meteórico que vemos hoje.
Todos estes fatores criaram uma tempestade perfeita de oportunidades para a industrialização de grandes excedentes exportáveis de milho, sobretudo no Centro-Oeste. O movimento impulsionou uma economia circular que integra diversas cadeias de produção de alimentos e biocombustíveis, gerando valor agregado, empregos, renda e impostos — aproveitando uma matéria-prima com baixa demanda interna, distante dos portos e dos centros consumidores, em uma região ainda carente de infraestrutura logística e de armazenagem.
No Brasil, consideramos que a produção comercial de etanol de milho iniciou-se de forma efetiva em 2017, no Estado do Mato Grosso, quando a primeira empresa de produção de etanol a partir do milho (full) iniciou suas operações.
O setor de etanol de milho consolidou sua sinergia com a cana-de-açúcar por meio das plantas flex, que otimizam a produção e o balanço energético ao alternar as matérias-primas entre safra e entressafra. Essa expansão mitiga riscos climáticos na lavoura de cana, garante a manutenção do mandato de 30% de mistura na gasolina e permite que o setor sucroenergético priorize a produção de açúcar em momentos de preços favoráveis sem comprometer a oferta de combustível.
O crescimento do setor de etanol de milho no Brasil tem sido exponencial: a produção de biocombustível a partir de cereais saltou de modestos 230 milhões de litros na safra 2016/17 para cerca de 9,97 bilhões de litros na safra 2025/26, um avanço formidável de mais de 4.234%. O milho tornou-se um pilar estratégico para a segurança do abastecimento nacional.
Projeções indicam que até 2027 a projeção de etanol suba para quase 12 bilhões de litros, impulsionada pela construção de novas biorrefinarias no Centro-Oeste, Nordeste e Sul do País.
Em cada tonelada milho processada, a indústria obtém em torno de 440 litros de etanol, 212 kg de DDG/DDGS, e 19 kg de óleo de milho. Da mesma forma, projeta-se que a oferta comercial do DDG/DDGS aumente das atuais 4,9 milhões de toneladas, em uma mesma proporção. Essa abundância afeta diretamente as planilhas de custos do produtor rural. Em paralelo aos debates constantes sobre os insumos agrícolas tradicionais e biológicos utilizados para a proteção e o desenvolvimento das lavouras, o DDG e o DDGS atuam na ponta final da cadeia como insumos nutricionais de altíssimo valor. Eles substituem parcialmente ingredientes tradicionais e mais onerosos — como o milho em grão (fonte de energia), o farelo de soja (fonte de proteína) e o fosfato bicálcico (fonte de fósforo) — na formulação de dietas para bovinos, suínos e aves. Além disto, o DDG/ DDGS pode ser utilizado na ração de peixes e de animais de companhia (cães e gatos).

Produção e armazenagem de DDG/DDGS


A adoção ampla desses coprodutos reduz a dependência de outros insumos proteicos, oferecendo um alívio fundamental aos custos de produção da proteína animal.
A internacionalização e o marco da China
O trabalho de promoção comercial estruturado pela UNEM em parceria com a ApexBrasil elevou as exportações de DDG/DDGS de meras 802 toneladas em 2021 para quase 880.000 toneladas em 2025.
O convênio engloba ações como branding , participação em feiras internacionais, rodadas de negócios, apresentações do produto em parceria com as embaixadas do Brasil no exterior, e projetos imagem, que trazem jornalistas internacionais para conhecer o setor aqui no Brasil.
O marco mais recente e significativo foi a abertura do mercado chinês. Consolidada em 2026, a entrada do Brasil no maior parceiro comercial do agronegócio nacional quebra a hegemonia histórica dos fornecedores norte-americanos. Este avanço prova que a qualidade e a segurança fitossanitária do coproduto brasileiro atendem aos padrões mais rigorosos do mundo.
Considerações finais
O atual cenário do DDG e DDGS simboliza a eficiência máxima no uso de recursos. Ao processar o milho em usinas de última geração, o Brasil não disputa espaço com a produção de alimentos; pelo contrário, produz energia limpa e gera um ingrediente de alimentação animal super premium.
A maturidade regulatória e a expansão da infraestrutura logística, herdada e aprimorada a partir da experiência do Proálcool, são os passos definitivos para consolidar a liderança brasileira.
O Brasil não é mais apenas uma potência bioenergética; é uma força irrefutável na nutrição animal sustentável global, provendo soluções inovadoras que equilibram segurança energética e segurança alimentar.
O
Há biomassa florestal disponível para abastecer a crescente demanda da indústria de etanol de milho?
A produção nacional de etanol de milho vem crescendo de forma vertiginosa no Brasil: de 0,8 bilhão de litros produzidos na safra 2018/19 para impressionantes 8,2 bilhões de litros na safra 2024/25, representando um aumento de 10 vezes em apenas seis anos.
O avanço da produção do etanol é fomentado por um conjunto de virtudes, que passa pela expressiva disponibilidade de matéria-prima — alicerçada no uso do milho de segunda safra —, pela altíssima eficiência das indústrias, pela rentável fabricação de coprodutos como o óleo de milho e o DDG e, naturalmente, pelas demandas doméstica e global crescentes.

Com tantos aspectos positivos, o Brasil é hoje o segundo principal produtor mundial de etanol de milho, atrás dos Estados Unidos.
Qual é então o principal entrave para a indústria continuar a crescer e, quem sabe, se tornar o principal produtor mundial?
Na última edição do Teco, principal evento da indústria nacional de etanol de milho e cereais, que aconteceu no final de 2025, em São Paulo, foi realizada uma enquete com os cerca de 300 participantes com a seguinte pergunta: “Na sua visão, quais os principais desafios para o futuro do setor?”. A resposta da enquete destacou preocupações intrínsecas à cadeia produtiva, como rentabilidade e custos, além de preocupações com a economia e mercado.
O aquecimento acelerado do mercado de etanol de milho e da demanda por biomassa fará com que o agronegócio aprenda a máxima que a indústria de base florestal já repete há anos: 'a madeira mais cara que existe é aquela que não está no pátio de minha indústria'. "
Marcelo Leoni Schmid Diretor do Grupo Index
Porém, o maior desafio estrutural apontado pelos presentes para a continuidade do crescimento da indústria reside fora da cadeia produtiva do milho: a biomassa.
Diferentemente do etanol de cana-de-açúcar, cuja cadeia possui no próprio bagaço uma fonte de biomassa para geração de calor nas caldeiras, a produção a partir do milho não gera resíduos energéticos suficientes, tornando indispensável a busca por uma fonte externa de energia térmica.
A biomassa para fins energéticos possui diversas formas e naturezas, podendo ser tanto de origem florestal, como cavaco de florestas plantadas ou nativas, resíduos de operações florestais e industriais (serragem, casca), ou de origem agrícola, como bagaço da cana, palha de cana e casca de arroz, entre outras.
As biomassas podem ser também classificadas em biomassas dedicadas, ou seja, onde a cultura é implantada para fins de produção da biomassa, e em biomassas não dedicadas, onde a biomassa é resultado residual de outra operação, como, por exemplo, o caroço do açaí ou o bagaço da cana.
Quando se avalia a oferta de biomassa no Brasil visando o abastecimento energético de qualquer tipo de operação é necessário ter em mente que a oferta de biomassas não dedicadas depende primordialmente da saúde da indústria que dá origem ao seu produto principal, enquanto as biomassas dedicadas dependem apenas do sucesso da cultura em si.
Nesse sentido, é claro perceber que o cultivo do eucalipto para fins energéticos é a solução perseguida pelo mercado, pois é a forma de biomassa mais eficiente para garantir previsibilidade, controle de produção e sustentabilidade.
É nesse ponto que o mercado se depara com um gargalo: as principais regiões produtoras de milho no Brasil não coincidem com os polos tradicionais de cultivo de eucalipto, conforme mostra o mapa na página seguinte.
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O estado de Mato Grosso exemplifica bem esse problema: concentrando mais de 70% da produção nacional do biocombustível e abrigando 13 das 27 usinas operacionais no País, a produção estadual média de 4,2 bilhões de litros exigiria cerca de 200 mil hectares de florestas plantadas. Contudo, a área plantada de eucalipto no estado hoje é próxima de 150 mil hectares. Consequentemente, mesmo na hipótese teórica de que toda a madeira plantada existente em Mato Grosso fosse direcionada exclusivamente para as caldeiras das usinas, já haveria déficit no suprimento.
Para manter as indústrias operando e suprir o vácuo de insumo energético, a solução encontrada em Mato Grosso foi a utilização do cavaco proveniente da supressão de florestas nativas. Segundo estudos realizados pelo Grupo Index, cerca de 70% da demanda energética do estado é atualmente suprida pelo cavaco oriundo de florestas nativas.
Porém, a dependência de matéria-prima nativa ameaça diretamente um dos maiores atrativos comerciais do etanol de milho brasileiro no mercado global: a sua vantagem ambiental, pela baixa pegada de carbono quando comparada ao biocombustível nos Estados Unidos, onde é processado a partir de fontes fósseis.
Além do risco reputacional, a legalidade do uso de florestas nativas para produção de biomassa é questionável: o Código Florestal de 2012 proíbe expressamente o uso de vegetação nativa como fonte de energia para grandes indústrias, porém, em 2022, a Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso flexibilizou essa regra por meio de uma instrução normativa.
Embora a biomassa oriunda de florestas nativas seja uma solução para atender à demanda energética atual, ela não irá perdurar.
O dilema da falta de biomassa enfrentado em Mato Grosso expõe uma característica da atividade florestal que
já trouxe problemas similares em outras regiões do Brasil: cada start-up de fábrica faz com que a demanda dê um salto, da noite para o dia: entre os anos de 2021 e 2024, o consumo de biomassa pelas usinas do estado mais que dobrou, passando de 3,4 milhões para 7,4 milhões de metros cúbicos.
A oferta, por outro lado, não cresce no mesmo ritmo; afinal para que uma floresta de eucalipto esteja disponível ao consumo como biomassa são necessários, em média, seis anos.
A falta de florestas para uso como biomassa não é exclusividade do estado de Mato Grosso. O segundo principal produtor de etanol de milho hoje é o estado de Goiás, com sete usinas em operação e algumas em etapa de projeto. Da mesma forma que Mato Grosso, Goiás é um estado onde o plantio florestal não é atividade tradicional, com apenas 140 mil hectares de plantio.
A situação é a mesma também em outros estados e regiões onde a cultura do milho está se expandindo e a indústria do etanol chegando, mas não existem plantios de eucalipto em grande escala, como Tocantins, oeste da Bahia, Piauí e Pará.
Existem também usinas de etanol de milho em estados tradicionalmente de base florestal, como é o caso de Mato Grosso do Sul, com três usinas na região sul.
Embora possua a segunda maior área de plantio de eucalipto do Brasil, com mais de 1,5 milhões de hectares, a biomassa não é um recurso amplamente disponível no estado, pois a base de florestas plantadas atende à imensa demanda da indústria de celulose, com três grandes fábricas em operação, outra em construção e outras duas anunciadas.
O Paraná, outro estado de grande base florestal, tem situação semelhante: com uma usina de etanol de milho em operação, outra em construção e uma terceira anunciada, possui talvez a mais rica e diversificada cadeia produtiva com base em madeira plantada do País, com indústrias de celulose, painéis, serrarias entre outros.
PRODUÇÃO DE MILHO E EUCALIPTO NO BRASIL PRINCIPAIS MUNICÍPIOS PRODUTORES

MUNICÍPIOS COM MAIORES ÁREAS DE MILHO
MUNICÍPIOS COM MAIORES ÁREAS DE EUCALIPTO
MUNICÍPOS COM MAIORES ÁREAS DE MILHO E EUCALIPTO


Ou seja, a concorrência pela biomassa é grande, pressionando o preço de mercado e colocando empresas em uma difícil encruzilhada entre pagar o valor que o mercado pede – e aumentar seus custos de produção – ou verticalizar a produção de biomassa, desviando o foco do core business que é produzir etanol e não madeira.
O estado crescente da produção de etanol de milho no Brasil torna flagrante o fato de que os novos projetos precisam incorporar o suprimento de madeira como uma variável primária desde sua etapa de viabilidade.
O alto risco atrelado ao desabastecimento pode determinar que a melhor estratégia corporativa avance obrigatoriamente do modelo de compra externa ( buy ) para um modelo de estruturação e produção de base florestal própria ( make ), mantendo-se assim as premissas de viabilidade de transporte e raio logístico.
A consolidação do agronegócio tendo na indústria de etanol de milho seu principal segmento como um novo player do setor de base florestal é um fato a ser celebrado.
Embora o ingresso desse segmento aqueça a concorrência por biomassa e incomode players tradicionais, ele injeta vitalidade, demanda e oportunidades em uma cadeia produtiva que certamente se beneficiará diretamente deste “sangue novo”.
O agronegócio dá origem a novas demandas por silvicultura e produtividade em regiões inéditas e desafiadoras, representando um movimento capaz de impulsionar uma nova era de dinamismo e expansão para o setor de base florestal.
O aquecimento acelerado do mercado de etanol de milho e da demanda por biomassa fará com que o agronegócio aprenda a máxima que a indústria de base florestal já repete há anos: " a madeira mais cara que existe é aquela que não está no pátio de minha indústria".
Crédito competitivo para os tratos agrícolas
O produtor rural brasileiro vive, em 2026, um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. A combinação de queda nos preços das commodities , pressão de custos, juros elevados e incertezas externas, como conflitos que impactam diretamente o preço e a disponibilidade de diesel e fertilizantes, somadas a um ambiente interno sensível, marcado por ano eleitoral, aumento da inadimplência no País e no agro.
No setor sucroenergético, não é diferente: margens mais apertadas e fluxo de caixa pressionado tornam o cenário mais desafiador. Ainda assim, o crédito segue exercendo papel fundamental no suporte à produção, embora em um ambiente mais seletivo e exigente.
É importante destacar que o sistema de crédito ao agro evoluiu de forma relevante nos últimos anos. Cooperativas e instituições financeiras estruturaram linhas mais aderentes às necessidades do setor, aumentando o leque de linhas que disponibilizam recursos para custeio e investimentos. No entanto, o cenário econômico atual trouxe novos desafios. O crédito segue disponível, mas, em muitos casos, sua competitividade tornou-se limitada frente à realidade econômica do produtor.
Observa-se uma forte expansão de fontes alternativas de financiamento. O estoque de títulos privados do agronegócio atingiu aproximadamente R$ 1,36 trilhão em fevereiro

de 2026, conforme o Boletim de Finanças Privadas do Agro publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (março/2026), representando crescimento de 223% em relação a 2022. Esse avanço foi impulsionado principalmente por instrumentos como CPR, LCA e CRA.
No mesmo relatório, com base em dados da Comissão de Valores Mobiliários, B3 e Anbima, destaca-se também a evolução dos Fiagros, que somavam 220 fundos em janeiro de 2026 — crescimento de 122% em relação a 2024 — com patrimônio aproximado de R$ 48 bilhões.
Esse movimento evidencia a entrada do mercado de capitais no financiamento do agro. No entanto, surge um novo desafio: alinhar a expectativa de retorno desses instrumentos com a realidade econômica de quem está na produção. Em um ambiente de juros elevados, essa equação se torna mais apertada, reduzindo a competitividade do crédito. Em alguns casos, observa-se inclusive um desvio de foco, com estruturas mais voltadas a captar oportunidades em operações imobiliárias do que ao financiamento produtivo, principalmente em casos de crédito mais estressado.
Em paralelo, a necessidade de capital no setor canavieiro permanece elevada, especialmente para a renovação dos canaviais e para os tratos culturais das soqueiras.
Produtores mais eficientes e organizados tendem a ampliar competitividade, acessar melhores condições de crédito e capturar valor em um ambiente mais seletivo. "
Ciro Mendes Sitta
Membro do Conselho de Administração do Sicoob Pro e Consultor da Canaplan

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São investimentos intensivos, com retorno diluído ao longo do tempo e altamente dependentes de produtividade. Em um ambiente de margens comprimidas, a decisão de investir passa a ser mais criteriosa e, muitas vezes, postergada.
O acompanhamento de safra realizado pela consultoria Canaplan mostra que a safra 2025/26 registrou aumento da idade média do canavial colhido nas usinas da região Centro/Sul, evidenciando uma redução no investimento em renovação dos canaviais.
Outro fator relevante é a heterogeneidade do setor. Existem produtores exclusivamente dedicados à cana, enquanto outros operam modelos diversificados, integrando culturas como soja, milho, amendoim, além da pecuária.
Essa diversidade pode gerar ganhos operacionais, mas também exige maior nível de governança e gestão financeira — aspecto que ainda representa um ponto de evolução para parte dos produtores.
Essa heterogeneidade se reflete diretamente nos resultados. Dados da consultoria Canaplan, referentes à safra 2025/26, indicam diferenças de até 40% na produtividade média entre grupos de usinas dentro de uma mesma macrorregião, padrão que também pode ser observado entre fornecedores de cana-de-açúcar. Essa dispersão impacta diretamente a capacidade de geração de caixa, estrutura de alavancagem e, consequentemente, o risco de crédito.
No caso específico da cana-de-açúcar, há ainda uma particularidade relevante, principalmente no estado de São Paulo, onde grande parte da expansão de áreas ocorreu sobre o modelo de parceria e arrendamento. Diante do elevado custo da terra, muitos produtores optaram por não imobilizar capital em áreas próprias. Na prática, isso eleva o desembolso recorrente com arrendamento, pressionando o fluxo de caixa e aumentando a dependência de capital de terceiros. Esse fator amplia a sensibilidade do setor às condições de crédito.
Diante desse cenário complexo e heterogêneo, iniciativas que incentivem maior governança, gestão de riscos e organização financeira dos produtores são fundamentais para ampliar o acesso a crédito mais competitivo.
Nesse contexto, cooperativas e associações desempenham papel estratégico. A proximidade com os produtores permite uma avaliação mais precisa do risco e a construção de soluções mais aderentes à realidade local. Um exemplo relevante é o Crédito Rural Verde, desenvolvido em parceria entre a Socicana (Associação dos Produtores de Cana de Guariba) e a Cooperativa de Crédito Sicoob Pro.
A iniciativa atende a produtores participantes de programas de governança e sustentabilidade, como o Top Cana (desenvolvido pela própria associação) e a certificação Bonsucro, financiando custeio e renovação de canaviais com taxas até 20% inferiores às linhas tradicionais. O lastro está em um fundo estruturado pela cooperativa de crédito na modalidade “RDC Verde”, com recursos dos próprios cooperados. O projeto foi reconhecido internacionalmente ao vencer o Bonsucro Inspire Awards 2024, na categoria Melhor Iniciativa da Cadeia de Valor, evidenciando seu potencial como modelo inovador de financiamento sustentável.
Medidas regulatórias também buscam am pliar a oferta de crédito mais acessível, como a Resolução CMN nº 5.216/2025, que estendeu às cooperativas de crédito a obrigatoriedade de di recionamento de parte dos depósitos à vista ao crédito rural com taxas subsidiadas no âmbito do Plano Safra. Ainda assim, o volume dessas linhas permanece limitado frente à demanda do setor.
Em síntese, o crédito segue sendo um pilar es sencial para o setor canavieiro, cumprindo papel relevante no financiamento da produção e novos investimentos. O desafio atual está em sua com petitividade frente a um ambiente de margens comprimidas e maior percepção de risco.
Do lado dos produtores, avançar em gover nança e gestão de risco é parte da solução. No entanto, a melhoria estrutural depende também de um ambiente macroeconômico mais favorá vel, que permita a redução consistente das taxas de juros em nosso País, um desafio complexo em ano eleitoral, mas também uma janela de oportunidade de mudanças. Até lá, o setor segue operando sob pressão, equilibrando decisões de curto prazo com a necessidade de preservar a sustentabilidade produtiva das próximas safras. Ao mesmo tempo, é justamente em cenários co mo este que surgem oportunidades relevantes: produtores mais eficientes e organizados ten dem a ampliar competitividade, acessar melho res condições de crédito e capturar valor em um ambiente mais seletivo.

























Clima e produtividade: impacto conjuntural, não ruptura:
O clima teve papel importante no desempenho da safra 2025/26. A entressafra foi marcada por chuvas irregulares, déficit hídrico em momentos críticos e temperaturas elevadas, condições que fragilizaram o canavial e limitaram o potencial produtivo no início do ciclo. Durante a colheita, o excesso de chuvas em meses-chave também prejudicou o avanço operacional e a qualidade da matéria-prima, pressionando o ATR.
Ainda assim, a leitura da produtividade exige perspectiva. Parte da redução observada decorre dessas adversidades climáticas, mas outra parte reflete a base elevada de comparação deixada pela safra 2023/24.
Em termos práticos, 2025/26 parece uma queda quando vista isoladamente, mas representa, em grande medida, um retorno a níveis mais próximos do padrão recente do setor.
Custos: pressão persistente e menor diluição:
Se a produtividade se normalizou, os custos não acompanharam o mesmo movimento. Com o custo por hectare 2,8% mais elevado e a menor produtividade no campo, o custo operacional da tonelada colhida avançou 5,1%, atingindo R$ 175/t.
A tabela Custos de Produção Agrícola, na página ao lado, apresenta os principais custos de produção da cana-de-açúcar por estágio produtivo na comparação entre as safras 2024/25 e 2025/26.


Na safra 2025/26, as pressões de aumento de custos foram puxadas sobretudo pelos fertilizantes, enquanto o diesel – com o reajuste do ICMS no início do período – elevou os custos das operações mecanizadas e do transporte. O câmbio ainda depreciado também contribuiu ao encarecer os insumos importados. Ao longo dos meses, a valorização do real trouxe algum alívio, mas insuficiente para reverter esse quadro.
Os desdobramentos recentes no mercado externo sugerem otimismo para os preços, com a valorização global dos combustíveis sustentando melhores condições para o açúcar. "
João Botão e Roberta Vedana
Diretor e Analista de Inteligência de Mercado da Pecege, respectivamente
CUSTOS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA (R$/Tonelada) DA CANA-DE-AÇÚCAR PRÓPRIA CENTRO-SUL – SAFRAS 2024/25 E 2025/26

Nota: Os dados de 2023/24 e 2024/25 correspondem ao fechamento da safra; os valores de 2025/26 referem-se à prévia de fechamento. Os custos de transporte referem-se a um raio de 25km.
CUSTOS AGROINDUSTRIAIS (R$/Tonelada)
SAFRAS 2024/25 E 2025/26

A tabela seguinte apresenta, para os mesmos períodos-safra, os Custos Agroindustriais em reais por tonelada, que atingiram aproximadamente R$ 220/ton na safra, com alta de 0,3% em relação ao ciclo anterior.
Embora as usinas tenham reduzido os custos de processamento de açúcar, etanol e energia (-4,9%), esse ganho foi mais do que compensado por pressões no campo.
Pressão de custos e queda nos preços do açúcar comprimem margens na safra 2025/26:
A safra 2025/26 foi marcada por uma compressão relevante das margens no segmento de açúcar, em um contexto de queda expressiva dos preços internacionais. Mesmo com estratégias de fixação que amorteceram parcialmente esse movimento, a combinação entre preços mais baixos e custos ainda pressionados resultou em retrações significativas de rentabilidade: a margem do açúcar cristal branco recuou 22,6%, enquanto o açúcar VHP apresentou queda ainda mais intensa, de 35,0%.


No etanol, o movimento foi distinto. A restrição de oferta, combinada a um mix mais açucareiro e a fatores regulatórios que sustentaram a demanda – como o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%, com vigência a partir de agosto de 2025 –, contribuiu para a elevação dos preços e a recomposição das margens.
O etanol anidro registrou expansão de 54,8% na margem, enquanto o hidratado apresentou ganho de 10,6%, evidenciando uma dinâmica mais favorável ao biocombustível no período, ainda que insuficiente para compensar integralmente as perdas observadas no açúcar.
Perspectivas para a safra 2026/27: Para a safra 2026/27, as perspectivas indicam avanço na moagem de cana-de-açúcar, sustentado por condições climáticas mais favoráveis, o que deve contribuir para a recuperação da produtividade, melhor aproveitamento industrial e alívio no custo por tonelada.
Ao mesmo tempo, espera-se nova pressão em vetores relevantes de custo, como diesel e fertilizantes, cujos preços –especialmente de ureia, MAP e cloreto de potássio – devem registrar aumento em 2026, refletindo a elevação do gás natural no mercado global, gargalos logísticos e cenário geopolítico conturbado. Esse movimento tende a sobrepor a redução dos custos unitários decorrentes do ganho de escala esperado para a safra.
A maior oferta de matéria-prima deve ampliar a participação do etanol no mix, diante da menor atratividade do açúcar, embora a produção açucareira deva se manter próxima à do ciclo anterior.
Apesar disso, os desdobramentos recentes no mercado externo sugerem otimismo para os preços do ciclo recém-iniciado, com a valorização global dos combustíveis sustentando, potencialmente, melhores condições para o adoçante.
Nesse contexto, a rentabilidade seguirá condicionada ao equilíbrio entre custos e preços médios mais baixos, com a eficiência operacional assumindo papel decisivo nesse ajuste.

As perguntas que a gente ouve dos produtores de cana-de-açúcar são sempre as mesmas, dentre elas as mais frequentes são: “Por que nossa produtividade não cresce? Qual é o meu potencial de produtividade agrícola? O que está acontecendo, pois creio que estamos fazendo tudo certo?”
Será que estão mesmo?
As principais causas das baixas produtividades agrícolas registradas desde 2010, no Centro-Sul do Brasil, são conhecidas de todos que militam no setor: compactação das linhas de cana, falhas no stand desde a formação dos novos canaviais, ataque de pragas de solo, variedades ruins ou mal alocadas, arranquio de touceiras pela colheita mecanizada e tratos culturais deficientes.
Para todos esses problemas, o setor possui soluções, que passam obrigatoriamente por gestão, investimentos em
tecnologia e a qualidade de serviços. Ressalte-se que tudo que leva a ganhos de produtividade vai influenciar no custo final da tonelada de cana. Estamos nos referindo às produtividades de colmos, às operações agrícolas mecanizadas e ao desempenho das pessoas nas mais diversas funções.
Estes são três componentes totalmente interligados, que precisam estar constantemente evoluindo, pois os seus resultados se refletem nos rendimentos de toneladas de cana obtidas por unidade de área e no custo de produção agrícola.
Porém, há muitos outros fatores que ocorrem de forma rotineira e muitas vezes, até simultaneamente, que precisam ser administrados, pois são tão importantes como a relação dos principais problemas já destacados.
Em geral, devido à intensa rotina no cotidiano das empresas, eles podem passar despercebidos dos produtores.


Hoje, poucos “conversam” com a cana, talvez não estejam conseguindo se comunicar, porque não a conhecem de fato. Quando está com fome, quando está com sede, quando está estressada, quando está doente, quando está pronta para colheita etc. "
Dib Nunes Junior CEO do Grupo IDEA
São eles: formação de canavial fora da melhor “janela de plantio”, ou seja, fora de época; colheita de cana antes da idade mínima indicada para corte; desconhecimento do ambiente de produção; atraso no timing na realização de tratos culturais; manejo errado da palha depositando-a sobre a linha de cana; redução de adubação sem critérios; falta de correção de solo em profundidade; adoção de variedades sem validação local adequada; colheita mecanizada com velocidade acima do recomendado; erros no quebra lombo, que interfere na altura do corte mecanizado; falta de acabamento nas cabeceiras dos talhões; elevados índices de perdas visíveis e invisíveis na colheita, adoção de equipamentos agrícolas inadequados, mudas de má qualidade com doenças, pragas e idade avançada; falta de combate às manchas foliares; falta de controle de florescimento e isoporização; novas tecnologias implantadas sem consolidação; matocompetição persistente com gestão deficiente no controle de plantas daninhas; pouca experiência dos profissionais de comando, entre outros pontos de perdas de produtividade agrícola.
Quanto estamos perdendo em cada um desses itens? Sabe-se que ocorrem perdas, mas quanto? Poucos sabem, por isso esses problemas são recorrentes.
Ressalte-se que, atualmente, um grande problema é a ausência dos responsáveis EVOLUÇÃO
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pela produção agrícola no campo, importante para analisar o comportamento da cana, orientar as operações corretamente e exigir a qualidade dos serviços.
Hoje, poucos “conversam” com a cana, talvez não estejam conseguindo se comunicar, porque não a conhecem de fato. Quando está com fome, quando está com sede, quando está estressada, quando está doente, quando está pronta para colheita etc.
Por outro lado, nos momentos de caixa baixo os gestores de planilhas econômicas deitam e rolam, sugerindo fazer reduções sem critérios, extremamente comprometedores para as produtividades presentes e futuras. Empresas que têm as melhores produtividades e são geridas com base em qualidade de serviços e metas tangíveis e frequentes suportam melhor os períodos de crise.
Poderíamos citar vários exemplos: quem ainda não recebeu uma ordem desse tipo: “corta 20% da adubação”, sem qualquer critério, ou ainda “corta pela metade”! E assim vai... E na mão de obra: “é preciso cortar 15% da mão de obra,
senão a conta não fecha” ou “manda embora, depois a gente vê”. Somente quem tem informação técnica e experiência de outras crises, com históricos bem construídos, saberá exatamente onde realizar cortes.
Um dos maiores erros que ocorre numa empresa canavieira é quando se decide pelo corte de investimentos em plantio, não realizando as reformas de canaviais com baixa produtividade. Muitas empresas, por problemas de caixa, tomam essa decisão visando suportar os períodos de crise.
Entretanto, as consequências virão já no ano seguinte, pois a área de reforma dobra, bem como a necessidade de investimentos na formação de novos canaviais.
Este atraso na reforma somente será recuperado em três anos, se tudo se normalizar, a menos que o problema de caixa seja solucionado de imediato, com injeção de capital pelos acionistas.
Basta que a crise de preços de açúcar e etanol se estenda por mais um ano que a empresa terá reflexos negativos em queda de receita, devido à redução de matéria-prima para moagem, manutenção de áreas de arrendamento com baixa produtividade, e como consequência terá um aumento nos custos de produção.
Daí em diante, será uma bola de neve morro abaixo, pois a empresa terá de investir muito mais nos anos seguintes para recuperar o atraso nas reformas dos canaviais improdutivos, além de ter de gastar mais no combate a pragas de solo e plantas daninhas, que se multiplicam nas áreas não reformadas. Pode ser o começo de uma duradoura crise, que certamente levará a uma possível recuperação judicial ou até mesmo à falência.
Empresas com baixa produtividade e custo de produção de cana elevado são as mais afetadas em momento de crise. Mas, como é possível enfrentar essa situação no momento em que o setor trabalha no vermelho?

As principais atitudes para suportar a pressão de baixos preços e caixa baixo devem passar pelo seguinte: rever contratos com fornecedores; renegociar taxas de juros e prazos com bancos; rever a política de comercialização de açúcar e etanol; adiar investimentos na indústria e só fazer a manutenção básica; fazer uma revisão de prioridades para estimar as necessidades de caixa; rever a política de cargos e salários; devolver áreas improdutivas ou muito distantes; trocar produção de cana com a empresa vizinha para encurtar as distâncias; calcular a moagem ideal para atingir o EBITDA desejado com apuração do break even point ; apurar os principais itens de gastos separando-os entre prioritários e adiáveis; encurtar a safra para maximizar o ATR e a produtividade agrícola; porém, é preciso não realizar cortes profundos em tratos culturais, não deixar de reformar canaviais improdutivos e evitar cortes nos insumos essenciais.
Ressalte-se que as produtividades mínimas necessárias para fazer frente aos compromissos de uma agroindústria devem estar ao redor de 85 t/ha, ou seja, cerca de 12 toneladas por hectare acima da média do Centro-Sul do Brasil.
Quem já atingiu o seu máximo potencial produtivo ou ainda não chegou perto dessa média, tem de identificar onde ainda é possível melhorar ou terá sérios problemas de caixa.
Certamente vai se arrepender de algumas políticas ou gestões que apenas se preocupam com as planilhas financeiras, em um negócio onde 75% dos custos de produção estão no campo.
Quem não fez a lição de casa corretamente quando a situação estava mais favorável, agora terá de correr atrás do prejuízo, mas quem operava em melhor situação, vai passar por essa crise e certamente ficará mais forte.
Qual é o seu potencial de produtividade agrícola? O que é preciso para alcançá-lo?


As doenças são um dos principais problemas fitossanitários para a produção de milho no Brasil, podendo reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos desde a semeadura até a pós-colheita. Diversos gêneros de fungos, nematoides, vírus e bactérias representam risco para a cultura, sendo os principais: Pantoea ananatis (mancha branca), Exserohilum turcicum (helmintosporiose), Bipolaris maydis (mancha de Bipolaris), Puccinia polysora e Puccinia sorghi (ferrugem polissora e comum), Cercospora zeae-maydis (cercosporiose), Stenocarpella macrospora (mancha de macrospora), além de patógenos dos gêneros Fusarium, Stenocarpella, Aspergillus, Penicillium e Colletotrichum graminicola, causadores de podridões de colmo e de grãos.
Entre os vírus de maior risco estão o Sugarcane mosaic virus (SCMV) e o Maize dwarf mosaic virus (MDMV-B), transmitidos por pulgões, além do Maize rayado fino virus

(MRFV) e do Maize striate mosaic virus (MSMV). Os dois últimos, transmitidos pela cigarrinha Dalbulus maidis, juntamente com os molicutes (bactérias) Spiroplasma kunkelli e Phytoplasma candidatus asteris, compõem o complexo de enfezamentos — que se tornou, nos últimos anos, a doença de maior impacto na produtividade do milho brasileiro.
Os vírus apresentam risco para a produção de bioenergia por não haver produtos para controle direto, sendo transmitidos por insetos, o que exige o manejo integrado de pragas e doenças para alcançar efetividade. Entre as viroses, o SCMV infecta cana, sorgo e milho, importantes matrizes bioenergéticas no Brasil. Portanto, também é necessário estar atento ao sistema produtivo onde as três culturas estarão inseridas.
Para nematoides e fungos de solo, o tratamento de sementes está disponível e não deve ser ignorado. Normalmente, nematoides não causam problemas severos para o milho e o sorgo, mas é importante escolher híbridos que reduzam as populações, especialmente dos gêneros Pratylenchus e Meloidogyne, para evitar o aumento populacional em culturas subsequentes, como soja e cana-de-açúcar.
Enquanto o padrão do MAPA tolera até 6% de grãos ardidos, o limite de muitas usinas é de 2%, e teores elevados de micotoxinas podem resultar na devolução da carga. "
Dagma Dionísia da Silva Araújo
Pesquisadora da Embrapa Sorgo e Milho
Coautor: Luciano Viana Cota, Pesquisador da Embrapa Sorgo e Milho
Os patógenos podem infectar as plantas em diferentes fases do ciclo da cultura, de forma isolada ou em conjunto, exigindo atenção ao momento em que a doença ocorre e ao início dos sintomas para uma melhor eficiência no controle. Por exemplo, o controle químico da helmintosporiose, que se desenvolve na fase vegetativa, é mais eficiente se a primeira aplicação for realizada entre 40 e 50 dias após a semeadura (DAS), comparado a aplicações tardias (60-75 DAS). Outras doenças, como a mancha branca, a cercosporiose e as ferrugens, também se iniciam na fase vegetativa; porém, a fase crítica coincide com a maior demanda de fotoassimilados pela planta, a partir do VT/florescimento.
Assim, aplicações na fase vegetativa (V8-V10) reduzem o inóculo inicial, mas haverá necessidade de pelo menos mais uma aplicação, uma vez que o período residual médio dos produtos é de 14 a 21 dias (dependendo da doença, da molécula, da formulação e das condições climáticas). Vale reforçar que o desenvolvimento das doenças depende da quantidade de inóculo, do clima e do nível de suscetibilidade dos híbridos. Veja infográfico na página seguinte.
Enquanto para as doenças citadas anteriormente as perdas se concentram na produtividade, no caso de patógenos de grãos que produzem micotoxinas, o prejuízo atinge os subprodutos da extração de etanol, o DDG e WDG, que possuem alto valor para a indústria de nutrição animal. Os patógenos reduzem o amido que seria convertido em etanol, competem com as leveduras e alteram o pH, a composição química e a densidade dos grãos, criando um ambiente desfavorável à fermentação. Destacam-se os fungos Fusarium verticillioides (produtor de fumonisinas) e F. graminearum, (produtor de zearalenona e deoxinivalenol) e espécies de Aspergillus (produtoras de aflatoxinas, ocratoxinas). No Brasil, as fumonisinas, zearalenona e aflatoxinas são as micotoxinas mais comuns no milho.
Em pesquisa realizada pelo LAMIC entre 2017 e 2020, a presença de micotoxinas em DDGS foi detectada em mais de 98% das 186 amostras analisadas. Dessa porcentagem, 59,9% apresentavam uma única micotoxina, 29,9% apresentavam duas e 9,1% mais de duas. As fumonisinas (B1 e B2) prevaleceram em mais de 97% das amostras, com médias de 3.207 μg/kg e 1.243 μg/kg, respec-
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tivamente. Aflatoxinas foram detectadas em 32,3% (média de 1,47 μg/kg), zearalenona em 18,01% (média de 18,2 μg/kg) e DON em 12,9% (média de 59,6 μg/kg).
Observou-se a concorrência de aflatoxinas e fumonisinas em 32,07% das amostras. Exceto para as fumonisinas, um número considerável de amostras apresentou níveis abaixo do limite de quantificação.
O controle de micotoxinas é vital para a segurança alimentar e o comércio internacional. Na matriz bioenergética, a contaminação desafia a viabilidade do DDG, cujas exportações para mercados exigentes, como a China, dependem do cumprimento estrito de padrões sanitários globais.
Alguns pontos devem ser considerados para reduzir os riscos de doenças na produção de bioenergia:
1. Conhecer as condições favoráveis aos patógenos e hospedeiros alternativos, monitorando as lavouras para uma tomada de decisão assertiva.
2. Semear, sempre que possível, cultivares resistentes. A resistência genética é, para muitas doenças (como viroses e enfezamentos), a única estratégia disponível.
3. Controlar plantas voluntárias (tiguera), que servem como ponte verde para patógenos e pragas, inclusive vetores pulgões e D. maidis.
4. Evitar plantios sucessivos com uma única cultura, o que favorece o aumento do inóculo e a pressão de seleção.
5. Realizar o tratamento de sementes e o controle químico quando houver pressão de doenças.
6. Evitar o atraso na colheita para reduzir podridões de colmo, de grãos e o acúmulo de micotoxinas.
Enfim, para o produtor, o desafio é manter a sanidade para evitar perdas em quantidade e qualidade de grãos. Enquanto o padrão do MAPA tolera até 6% de grãos ardidos, o limite de muitas usinas é de 2%, e teores elevados de micotoxinas podem resultar na devolução da carga.
Para a usina, o desafio é compreender como o sistema de produção no campo afeta o rendimento de etanol e a qualidade do DDGS. A melhor estratégia é jogar junto.
Em suma, o desafio do produtor é preservar a sanidade do milho para evitar perdas em produtividade, na qualidade dos grãos e na remuneração paga pela indústria.

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O agronegócio brasileiro é consolidado como referência em eficiência produtiva, alcançando safras recordes de milho destinadas ao suprimento do mercado interno, à produção de bioenergia e à exportação. Contudo, a despeito do acesso a tecnologias avançadas, como inseticidas mais modernos, eventos transgênicos e o crescimento do uso de bioinsumos, a persistência de falhas no controle de insetos-praga nas lavouras estabelece um paradoxo para o setor: por que, apesar do acesso a tecnologias de ponta, falhas básicas no controle de insetos-praga ainda ocorrem com frequência nas lavouras de milho? A compreensão desse cenário exige a análise do manejo de pragas não como um sistema estático, mas como um processo dinâmico, condicionado pela capacidade biológica de adaptação dos insetos às estratégias de controle desenvolvidas pela pesquisa científica. Além das múltiplas interações dos elementos biológicos, destacamos também os fatores ambientais e operacionais que desafiam os modelos tradicionais de manejo.

Nesse contexto, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), praga-chave da cultura, exemplifica a resiliência biológica em condições de campo. Embora as biotecnologias Bt expressas em milhos transgênicos sejam amplamente adotadas, a espécie demonstra rapidez na seleção de indivíduos resistentes, com registros de perda de eficiência às proteínas Cry1Ab, Cry1F, Cry2Ab2, Cry1A105 e mesmo Vip3Aa20.
Fenômeno análogo é observado no controle químico, que dispõe de aproximadamente 400 produtos registrados no Brasil, abrangendo grupos como Diamidas (Clorantraniliprole), Piretroides (Alfa-Cipermetrina), Organofosforados (Acefato e Clorpirifós), Carbamatos (Metomil), Espinosinas (Espinosade) e Benzonilureias (Diflubenzurom). A eficácia desse arsenal, entretanto, é mitigada pela resistência dessa praga, que às vezes pode ser múltipla a diferentes ingredientes ativos, conforme documentado pelo Arthropod Pesticide Resistance Database (APRD, 2026). (www.pesticideresistance.org).
O sucesso no manejo fitossanitário não virá de uma "molécula milagrosa", mas sim da integração de diferentes ferramentas: feromônios, controle biológico, biotecnologia e controle químico. "
Simone Martins Mendes e Priscilla Tavares Nascimento Maia
Pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo e Fitotecnista da EPAMIG - Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, respectivamente
A adaptação de S. frugiperda é favorecida por sua amplitude de hospedeiros, o que chamamos de “plasticidade alimentar” que, segundo Montezano et al. (2018), compreende mais de 350 espécies de plantas, incluindo culturas agrícolas como soja, arroz, trigo e algodão. Esse lepidóptero apresenta elevada plasticidade ecológica, sendo capaz de utilizar plantas daninhas como hospedeiras alternativas, em capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) por exemplo, a lagarta completa seu ciclo de desenvolvimento de forma equivalente à observada em plantas de milho. Além disso, também se alimenta de outras espécies amplamente distribuídas em sistemas tropicais de cultivo, como braquiárias ( Urochloa spp. ).
Essa amplitude de hospedeiros favorece a formação de “pontes verdes”, possibilitando a manutenção contínua das populações ao longo do tempo e resultando em pressão de infestação persistente entre safras. Por outro lado, existe uma ampla diversidade de ferramentas disponíveis para o Manejo Integrado de Pragas (MIP) no campo, incluindo feromônios, que podem ser aplicados em área total, uma estratégia chamada confusão sexual e ferramentas de controle biológico com uso de insetos benéficos, como predadores e parasitoides.
O uso de parasitoides do gênero Trichogramma é uma realidade, atualmente auxiliada pela liberação via drones. Existem no mercado também várias opções de bioinseticidas à base de bactérias do gênero Bacillus, vale observar que cepas diferentes podem ter eficácias diferenciadas, sendo importante observar essa questão para uma escolha assertiva.
Outro grupo de microrganismos utilizados para S. frugiperda são os baculovírus, que se destacam pela elevada especificidade e eficácia. Nesse sentido, a adoção de uma única estratégia de manejo configura-se como abordagem limitada e potencialmente ineficiente, uma verdadeira armadilha para o produtor. A integração de múltiplos métodos de controle é
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eficaz, uma vez que reduz a dependência de táticas isoladas e contribui para a sustentabilidade e eficiência dos sistemas de produção agrícola.
A subutilização do MIP e o uso exaustivo de moléculas sem rotação de modo de ação de inseticidas, somados à repetição de biotecnologias, aceleram a seleção de indivíduos resistentes e provocam desequilíbrios no agroecossistema.
Um efeito direto da redução ou eliminação de inimigos naturais, como tesourinhas e parasitoides, é a emergência de pragas secundárias. Surtos de populações de pulgões (Rhopalosiphum maidis) relatados na safra 2025/2026 em diversas regiões produtoras do País ilustram esse desequilíbrio, onde a ausência de controle biológico natural propiciou a explosão populacional dessa praga, considerada secundária.
Frequentemente, a ausência de monitoramento técnico e o uso apenas de critérios logísticos (calendários) para a aplicação de defensivos levam aos problemas supracitados. Assim, a retomada do monitoramento e a diversificação de táticas de controle apresentam-se como medidas fundamentais para garantir a sustentabilidade e a produtividade do sistema agrícola.
A visão integrada no manejo de pragas tem sido validada por estudos conduzidos na Embrapa Milho e Sorgo (Maia et al., 2025), no contexto do controle da cigarrinha-do-milho ( Dalbulus maidis ), importante vetor de patógenos associados ao complexo dos enfezamentos na cultura do milho, incluindo fitoplasmas, espiroplasmas e o vírus do rayado fino.
A pesquisa demonstrou que a sustentabilidade do manejo depende da sinergia entre diferentes métodos, mas que é possível mesmo para uma praga transmissora de patógenos, com grande complexidade para o manejo. Os principais achados desse estudo trazem diretrizes que precisam ser observadas pelos produtores de milho:




1) A utilização de híbridos de milho com resistência genética aos patógenos do complexo (molicutes e fitoplasmas) é o pilar central. O estudo mostrou que híbridos resistentes suportam melhor a pressão de infestação, mas não podem "trabalhar sozinhos”;
2) A aplicação de bioinseticidas à base de fungos, como Beauveria bassiana, Isaria fumosorosea e Metahizium anisopliae, apresentou resultados promissores. O estudo destaca que esses agentes biológicos são ferramentas para reduzir populações de cigarrinha, atuando de forma complementar aos tratamentos químicos tradicionais. Os resultados mostraram compatibilidade da utilização conjunta dos agentes biológicos de controle (M. anisopliae e B. bassiana), com eficácia comparável à de inseticida químico, tanto no controle do inseto transmissor, quanto na redução da incidência das doenças associadas.
A adoção integrada de métodos de controle foi o ponto alto do trabalho, a integração entre a genética do híbrido e o controle biológico, táticas de controle que reduziram drasticamente a necessidade de intervenções químicas pesadas. O sucesso no manejo fitossanitário não virá de uma "molécula milagrosa", mas sim da integração de diferentes ferramentas: feromônios, controle biológico (micro e macro-organismos), biotecnologia e controle químico.
Soma-se a isso o resgate do monitoramento de pragas para fundamentar a tomada de decisão. Aplicação respeitando os níveis de controle e preservando os inimigos naturais é a melhor forma de garantir a sustentabilidade e a rentabilidade da produção de milho a longo prazo.




A síndrome da murcha tem-se consolidado como um dos principais desafios fitossanitários da cana-de-açúcar nos últimos anos. No entanto, sua interpretação ainda é frequentemente simplificada, sendo associada exclusivamente à presença de patógenos ou a fatores isolados, como déficit hídrico. Na prática, trata-se de um complexo multifatorial, cuja intensidade está diretamente ligada ao ambiente de produção e, principalmente, à época de colheita na qual a lavoura é submetida.
Do ponto de vista etiológico, a murcha está associada à presença de fungos como o Colletotrichum falcatum, Fusarium spp., Phaocytostroma spp, que colonizam os tecidos vasculares da planta e comprometem o fluxo de água e nutrientes. Os sintomas observados em campo incluem redução de vigor, falhas de brotação, diminuição do diâmetro de colmos, murchamento de colmos e, em situações severas, morte de perfilhos.
Entretanto, a simples presença desses patógenos não explica a variabilidade de ocorrência da doença entre áreas.

Em condições semelhantes, é comum observar talhões com níveis muito distintos de severidade, o que evidencia o papel central do ambiente e do momento de colheita na predisposição da planta.
Nesse contexto, a colheita em épocas desfavoráveis, especialmente em ambientes restritivos, tem-se mostrado um dos principais fatores de risco para intensificação da síndrome. Quando determinadas variedades são colhidas fora da sua janela ideal, a planta é exposta a condições que comprometem a sua capacidade de “resistir” ao ataque, aumentando sua vulnerabilidade à colonização por patógenos oportunistas.
Esse efeito está diretamente relacionado à fisiologia da cultura. A cana colhida sob condições adversas apresenta menor capacidade de reorganização metabólica e de emissão de novos perfilhos, criando um ambiente favorável para o avanço de patógenos já presentes no sistema. Dessa forma, a murcha passa a ser mais uma consequência do desalinhamento entre ambiente, variedade e época de colheita do que um problema isolado de sanidade.
O estresse hídrico, por sua vez, atua como um fator agravante importante, mas não deve ser interpretado como causa primária. A seca intensifica os efeitos da murcha ao reduzir vigor da planta e limitar sua capacidade de resposta, mas sua presença isolada não
Em condições semelhantes, é comum observar talhões com níveis muito distintos de severidade, o que evidencia o papel central do ambiente e do momento de colheita na predisposição da planta. "
João Ulisses de Andrade Diretor da Agr.Cana Consultoria Produtiva
explica a ocorrência da doença. Esse ponto é fundamental para evitar interpretações pontuais que não atacam a origem do problema. Além das perdas em produtividade, a síndrome também impacta a qualidade da matéria-prima. A degradação dos tecidos e o comprometimento fisiológico da planta reduzem o acúmulo de sacarose, afetando diretamente indicadores industriais como ATR e contribuindo para a queda na eficiência do processo industrial.
Diante desse cenário, o manejo de murcha deve ser baseado em uma abordagem integrada. Estratégias isoladas tendem a apresentar baixa consistência quando não associadas a um ajuste mais amplo do sistema produtivo.
Na prática, os melhores resultados têm sido observados em áreas onde há:
• alinhamento entre variedade e ambiente de produção;
• ajuste da época de colheita para reduzir exposição a condições restritivas;


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• melhoria das condições físicas e nutricionais do solo;
• e uso estratégico de ferramentas biológicas.
Entre essas ferramentas, destaca-se o uso de microrganismos do gênero Bacillus, especialmente em aplicações no corte de soqueira/ vinhaça localizada/plantio. Esses microrganismos contribuem para a colonização radicular, auxiliam na supressão de patógenos e favorecem a retomada do desenvolvimento inicial da cultura. Em condições favoráveis, aplicações complementares no período úmido podem potencializar os resultados.
Por fim, é importante reforçar que a síndrome da murcha deve ser encarada como um indicador de desequilíbrio do sistema produtivo, e não como uma doença isolada. O avanço no seu manejo depende de decisões mais estruturais, especialmente relacionadas ao planejamento da colheita e à adaptação das variedades aos diferentes ambientes de produção.


No mundo estão catalogadas mais de 100 doenças em cana-de-açúcar, embora as mais importantes sejam cerca de 10 em cada país, num dado momento.
Historicamente, elas foram muito importantes como fatores de restrição ao bom desenvolvimento dessa cultura e, ao mesmo tempo, para a evolução científica e tecnológica do setor ao desafiar os cientistas para desenvolverem métodos eficazes de controle. Neste aspecto, o desafio maior secularmente tem sido a criação de variedades resistentes ou tolerantes através do melhoramento genético. Aliás, esta atividade surgiu mesmo pela necessidade imposta por sérias doenças há mais de um século e segue sendo um dos objetivos maiores dos programas mundiais de melhoramento genético dessa cultura.
Apesar do constante esforço dos geneticistas em criar variedades resistentes, as doenças são muito resilientes e sempre teimam em aparecer nas lavouras, em forma endêmica, com certo dano, e outras em forma epidêmica, de efeito impactante. Dessa forma, além do esforço da pesquisa, que, aliás, sempre respondeu à altura, não se pode prescindir de medidas preventivas ou mesmo de controle direto durante a condução da lavoura.
Vale aqui fazer um breve histórico de doenças que tiveram grande impacto na cultura canavieira mundial e, mais especificamente, no Brasil.

Instigados por uma séria doença que afetava os canaviais em Java, hoje Indonésia, os geneticistas pioneiramente visualizaram que uma medida necessária seria a criação de híbridos resistentes. Isso aconteceu ainda antes do final do século 19, portanto quase 150 anos passados. De 25 a 30 anos depois de um resiliente trabalho surgiram os primeiros híbridos comerciais, e esse modelo serviu de modelo para outros programas que surgiram subsequentemente nos principais centros açucareiros do mundo. Apenas de passagem vale mencionar que simultaneamente já existiam alguns outros centros realizando trabalhos semelhantes como, por exemplo, em Barbados, e, no Brasil, amadores criaram as primeiras variedades brasileiras a partir de sementes coletadas no campo. O leitor encontrará detalhes dessa história nos vários livros (ou capítulos de livros) relacionados ao tema, inclusive num recente deste autor.
Quando os novos híbridos de Java estavam sendo amplamente distribuídos a outros centros canavieiros do mundo, descobriu-se que uma outra doença estava sendo disseminada, o Mosaico, causada por um vírus. Essa doença causou prejuízo enorme, o maior da história canavieira. Novos híbridos resistentes de Java e da Índia passaram a ser rapidamente distribuídos e, associando-se a produção de viveiros de mudas saneadas, como também com híbridos resistentes de outros países, conseguiu-se debelar o mal.
As doenças são muito resilientes e sempre teimam em aparecer nas lavouras, em forma endêmica, com certo dano, e outras em forma epidêmica, de efeito impactante. "
Sizuo Matsuoka Cientista
Surgiu, então, uma outra doença: o Carvão, um fungo que se disseminou em vários países, chegando ao Brasil na década de 40 do século passado, e em vários países das Américas a partir de meados da década de 70.
Apesar dessa epidemia mundial ter causado grande alarde, não se tem notícia de perdas diretas significativas, a não ser a necessidade de substituição varietal (que sempre causa inicialmente um impacto negativo), exceto perdas pontuais em alguns canaviais no Centro-Sul brasileiro, onde havia a predominância da variedade NA56-79. Este autor especula que o controle do Carvão, especialmente em São Paulo, causou mais perda indireta do que a própria doença (vide o livro recente anteriormente mencionado).
Ao final dessa década uma outra doença fúngica chegou às Américas, a Ferrugem Marrom, e, ao Brasil, na segunda metade da década de 80. Variedades suscetíveis tiveram de ser rapidamente substituídas por outras parcial ou totalmente resistentes. Por fim, um outro fungo se disseminou no mundo na primeira década deste século, a Ferrugem Alaranjada, que chegou ao Brasil ao final daquela mesma década. Também o recurso foi a substituição de variedades.
Os exemplos acima comprovam a importância das doenças e a necessidade de contínua produção de novas variedades. Felizmente no Brasil contamos com diversos programas de melhoramento, assim garantindo que em eventuais epidemias o setor possa contar com esse recurso de substituição varietal forçada. Porém, ainda temos as doenças endêmicas. Aquelas duas ferrugens são hoje endêmicas e existem outras que também sempre causam danos.
A escaldadura-das-folhas é uma doença muito danosa, mas tem sido bem controlada através de variedades resistentes. Outras são a Podridão Vermelha propriamente dita ( Colletorichum falcatum ) e, outra muito comum, a Podridão de Fusarium, que igualmente causa avermelhamento do colmo, internamente. Esta geralmente está associada à broca, e a primeira pode ou não ter essa associação. Inclusive, o agente causal da primeira, o Colletorichum , foi recentemente identificado como o causador de uma murcha que tem afetado bastante alguns canaviais.
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Também existe o Raquitismo-da-soqueira, uma doença traiçoeira, pois não causa nenhum sintoma externo, mas prejudica a planta sistemicamente. É uma bactéria que se reproduz e se acumula nos vasos do xilema, causando oclusão, e assim impedindo o fluxo normal da seiva. Com isso, resulta baixo fluxo de seiva nutricional para as folhas, prejudicando consequentemente a fotossíntese. Variedades muito suscetíveis são inviabilizadas para cultivo, e, nas demais, o controle se faz pela produção de mudas sadias, prática que é adotada por muitos produtores, ainda que em nível insuficiente.
Ainda uma outra doença bacteriana que tem afetado canaviais de algumas variedades é a Estrias vermelhas, cujo controle só pode ser feito por variedades resistentes; uma doença muito semelhante a esta é a Falsa Estrias Vermelhas. Outras doenças que podem eventualmente causar algum dano são, por exemplo, o Pokkah Boeng, causado também pelo Fusarium, a Mancha Parda, a Mancha Ocular, a Mancha Anelar, entre outras.
No dia a dia das lides na lavoura, uma dificuldade presente é a correta identificação de doenças, ainda mais que os sintomas podem ser confundidos, inclusive com os de outras anomalias, sejam elas nutricionais, de toxicidade de produtos químicos, de efeito ambiental e genéticos. Para auxiliar nessa tarefa, este autor lançará brevemente um “Guia de identificação de doenças da cana-de-açúcar”.

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Opiniões Magazine: The world magazine of Brazilian agribusiness.

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Se sua empresa é produtora ou fornecedora do sistema florestal, mostre sua marca.
O Anuário de Sustentabilidade da Revista Opiniões tem o objetivo de registrar as centenas de ações sociais e ambientais, anualmente realizadas pelas empresas de base florestal por todo o Brasil, em favor de seus empregados e de toda a população das cidades que vivem no seu entorno.
O Guia de Compras é a vitrine ideal para apresentar a marca, os produtos e os serviços da sua empresa para este público.
• Fechamento: 24 Jun 2026
If your company produces or supplies products for the forestry system, highlight your trademark. The Forest System Sustainability Yearbook from Opiniões Magazine aims to record the hundreds of social and environmental actions carried out annually by companies in the forestry sector throughout Brazil, benefiting their employees and the entire population of neighboring cities.
The Buyer's Guide is the ideal showcase to present your company's trademark, products, and services to this audience.
• Deadline: 2026, June 24
Opiniões Opiniões Opiniões
do sistema florestal brasileiro & 2026

2025 anuário de sustentabilidade







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2025 anuário de sustentabilidade Guia de Compras das empresas de base
do sistema florestal brasileiro & 2025








fornecedora
O Anuário de Sustentabilidade do sistema Sucroenergético tem o objetivo de registrar as centenas de ações ambientais e sociais, anualmente realizadas pelas empresas produtora de etanol, açúcar, bioeletricidade, biogás, biometano, biohidrogênio, por todo o Brasil.
O Guia de Compras é a vitrine ideal para apresentar a marca, os produtos e os serviços da sua empresa para este público.
• Fechamento: 23 Set 2026
If your company is a producer or supplier of bioenergy systems, highlight your trademark. The Sugarcane Energy System Sustainability Yearbook, of Opiniões Magazine, aims to record the hundreds of environmental and social actions carried out annually by companies producing ethanol, sugar, bioelectricity, biogas, biomethane, and biohydrogen throughout Brazil.
The Buyer's Guide is the ideal showcase to present your company's trademark, products, and services to this audience.
• Deadline: 2026, September 23
2025 anuário de sustentabilidade
do sistema florestal brasileiro & 2026

Imagine if you found out that the doctor you're going to have heart surgery with the next morning graduated 20 years ago as the top student in his class at the best medical school in the country. Pretty good, right?
However, in the last 20 years, he hasn't read any books, attended any conferences, or regularly read specialized magazines in his medical field. Would you have the surgery done in peace?

In our field, how many technologies have been developed and implemented in these two decades as state-of-the-art, only to be replaced after some time by a new, much more effective and efficient option, which would take the place of the previous one, until it too was replaced by an even newer one?
How many pests and diseases have appeared, disappeared, and some have even returned? How many techniques have been replaced in the last 20 years?
No knowledge is truly eternal. University is always up-to-date, but only until the day you graduate. Books, likewise, are up-to-date until the day they are published. The options that are continuously updated are conferences and regular publications in the fields.
Knowing this scenario and what it has come to represent in these 23 years of operation for universities, research centers, and companies in the agricultural and forestry sectors, Opinions Magazine decided to open free registration so that all students, professors, and scientists from all agricultural knowledge courses from anywhere in the world can receive all of our publications.
All articles in Opinions Magazine are published in 7 languages: Portuguese, Spanish, English, French, Chinese, Arabic, and Hindi, covering the languages spoken by an incredible number of over 4 billion people.
The goal is for the student, from the very first day of class, to participate in the business world into which they will integrate in a few years, already possessing up-to-date knowledge of what is being discussed, evaluated, and implemented in companies.
Many of the executives and scientists who write for Opinions Magazine today have stated that they have been reading our editions since they were still students at universities.
Expanding the Continuing Education project, we have also decided to open free registration to all employees in the technical, agricultural, industrial, and administrative areas of companies that produce and supply forestry and bioenergy systems from anywhere in Brazil and the world.
Access to targeted information is the most efficient way to unify and update knowledge among all employees in management positions, as well as to prepare employees on the rise to assume these positions. This is the most natural way to generate Continuing Education.
To start receiving regular, free issues of our magazines, simply send an email with the information below:
• To: Jornalismo@RevistaOpinioes.com.br
• Subject: Free Continuing Education
• Please provide only:
- Your name
- Professional email address
- Personal email address
William Domingues de Souza Editor-in-Chief of Opiniões Magazines
WDS@RevistaOpinioes.com.br
WhatsApp (only): +55 16 99777-7799
Imagine se você descobrisse que o médico com o qual você vai fazer uma cirurgia cardíaca na manhã seguinte se formou há 20 anos como o melhor aluno da sua classe, na melhor faculdade de medicina do País. Muito bom, não?
Entretanto, nos últimos 20 anos, ele não leu nenhum livro, nem participou de nenhum congresso, nem teve por costume ler regularmente revistas especializadas da sua área médica. Você faria a cirurgia em paz?

No que se refere a nossa área, quantas tecnologias foram desenvolvidas e implantadas nessas duas décadas como o estado da arte e, depois de algum tempo, substituídas por uma nova opção, muito mais eficaz e eficiente, que tomaria o lugar da anterior, até ser igualmente substituída por uma mais nova ainda.
Quantas pragas e doenças apareceram, desapareceram, e algumas até voltaram? Quantas técnicas foram substituídas nesses últimos 20 anos?
Nenhum conhecimento é definitivamente eterno. A faculdade está sempre atualizada, mas tão somente até o dia da sua formatura. Os livros, igualmente, até o dia da sua publicação. As opções que são continuadamente atualizadas são os congressos e as publicações regulares das áreas.
Conhecendo esse cenário e o que passou a representar nesses 23 anos de operação para as universidades, centros de pesquisa e empresas do sistema agrícola e florestal, a Revista Opiniões decidiu abrir inscrições gratuitas para que todos os estudantes, professores e cientistas de todos os cursos de agroconhecimento de qualquer parte do mundo, passem a receber todas as nossas publicações.
Todos os artigos da Revista Opiniões têm textos publicados em 7 idiomas, quais sejam: português, espanhol, inglês, francês, chinês, árabe e hindi, cobrindo a língua falada pelo incrível numero de mais de 4 Bilhões de pessoas.
O objetivo é fazer com que o estudante, desde o primeiro dia de aula, passe a participar da vida empresarial na qual se integrará, em alguns anos, já com atualizado conhecimento do que está sendo discutido, avaliado e implantado nas empresas.
Muitos dos executivos e cientistas que hoje escrevem na Revista Opiniões declararam que liam nossas edições desde quando ainda eram estudantes nas universidades.
Ampliando o projeto de Educação Continuada, decidimos também abrir as inscrições gratuitas para todos os funcionários das áreas técnicas, agrícolas, industriais e administrativas das empresas produtoras e fornecedoras dos sistemas florestal e bioenergético de qualquer parte do Brasil e do mundo.
O acesso à informação dirigida é a mais eficiente forma de unificar e atualizar o conhecimento entre todos os funcionários em cargos de comando, bem como preparar os funcionários em ascensão para assumir estes cargos. Esta é a mais natural forma de gerar a Educação Continuada.
Para passar a receber regular e gratuitamente as edições de nossas revistas, basta enviar um e-mail com os dados abaixo:
• Para: Jornalismo@RevistaOpinioes.com.br
• Assunto: Educação Continuada Gratuita
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William Domingues de Souza Editor-chefe das Revistas Opiniões
WDS@RevistaOpinioes.com.br Celular e WhatsApp: +55 16 99777-7799
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According to Google Analytics records, the large blue area shows the location of readers of Opiniões Magazine after we started publishing it in 7 languages. 4 billion people on Planet Earth speak one of the languages in which Opiniões magazine is written. Sign up to receive Opiniões Magazine regularly and free of charge, anywhere in the world. We are an indexed magazine with 23 years of activity. Send an email to Jornalismo@revistaopinioes.com.br

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