BIOENERGÉTICA: cana, milho, açúcar, etanol, biogás, bioeletricidade, CBio, biohidrogênio e SAF
ano 23 • número 87 • Divisão C • Fev-Abr26
BIOENERGÉTICA: cana, milho, açúcar, etanol, biogás, bioeletricidade, CBio, biohidrogênio e SAF ano 23 • número 87 • Divisão C • Fev-Abr26
Caio Canaplan
Ana Paula Holón
Evandro Gussi Unica
Fernando Cullen São Martinho
Evaristo de Miranda Especialista
José Guilherme Orplana
Hugo Cagno Fº Udop
Figliolino XP
Luciano Rodrigues FGV Agro e Unica
Jucelino Bevap, Colombo e Santa Adélia
Marcelo Nishida FG/A Energia
Miguel Tranin Alcopar
Ricardo Varrichio e Rodrigo Oliveira RVC
Capa: Acervo Cerradinho
Índice: Acervo Cerradinho
Mário Campos Fº Siamig e Bioenergia
Luís Antonio Alcoeste
Plinio Nastari Datagro
Tarcilo Bioagência
Sergio Vale MB Associados
Tirso Faesp/Senar
Stuchi Especialista
Índice
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União para enfrentar desafios e continuar avançando
Resiliência é uma das marcas mais distintivas do setor sucroenergético brasileiro. Apesar de possuir um histórico de quase cinco séculos, o seu desenvolvimento em tempos modernos foi marcado pela diversificação da produção de açúcar na direção do etanol com o advento do Programa Nacional do Álcool, na década de 1970. O grande desafio era, naquela época, desenvolver um mercado novo e balancear a produção à demanda.
Na economia, como na Física, não há espaços vazios. Deslocar o tradicional consumo de gasolina pelo etanol trouxe desafios enormes. Na CNE – Comissão Nacional de Energia, durante os anos de 1985/86, discutiu-se muito quais seriam os limites de crescimento da demanda de etanol, à luz do sucesso de mercado das vendas de veículos a etanol, que chegaram a representar 92% das vendas totais de veículos de passageiros e comerciais leves nos anos 1980.
Ao longo do tempo, e superando vários obstáculos e com resiliência, em 2025 o setor
Algumas usinas de cana-de-açúcar têm demonstrado, não tão abertamente, preocupação com o ritmo de expansão da produção do etanol de milho e a possibilidade do mecanismo de ajuste de mercado através da alteração no mix de produção perder o seu efeito. "
Plinio Nastari Presidente da Datagro
sucroenergético brasileiro manteve a marca de 45,6%, percentual que já chegou a 48,4% em 2019. (veja figura 1)
Esse marco é extraordinário pois não há país em todo o mundo que tenha logrado atingir tal grau de substituição de combustível fóssil. A esse número se soma a substituição de 15% do diesel fóssil por biodiesel. A Lei Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) definiu cronograma para se atingir 20% de biodiesel (B20) até 2030, e definiu meta de mistura de etanol na gasolina de 35%.
SUBSTITUIÇÃO DE GASOLINA POR ETANOL ANIDRO
2 MIX DE PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ETANOL (ANIDRO
+ HIDRATADO), NO BRASIL
Um dos resultados mais marcantes da COP-30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática) realizada em Belém, no estado do Pará, em 2025, foi a proposta de quadruplicar a produção global de biocombustíveis sustentáveis, e o Brasil dá um enorme exemplo nessa direção.
Mas, na década de 1980, o grande fundamento do setor de açúcar no mundo não era o Brasil, era Cuba, que chegou a produzir mais de 8,5 milhões de toneladas do produto, e era também o seu maior exportador.
Na safra 1985/86, o Brasil produziu 7,82 milhões de toneladas e exportou 2,5 milhões de toneladas. Passadas quatro décadas, em 2025/26 a produção de Cuba caiu para apenas 120 mil toneladas, e passou a importar mais de 500 mil toneladas para abastecer o seu mercado interno.
O Brasil deverá encerrar a safra 2025/26 produzindo 36,63 bilhões de litros de etanol, dos quais
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10,04 bilhões de litros de etanol de milho, e 43,81 milhões de toneladas de açúcar, das quais 33,96 milhões de toneladas para exportação.
O Brasil diversificou sua produção sucroenergética não só com o etanol, mas também com a bioeletricidade, a extração de levedura, e mais recentemente o etanol de segunda geração, o biogás e o biometano, além da venda de bagaço in natura e em pellets . Na exportação de açúcar, o Brasil responde por ¾ do volume de açúcar em bruto comercializado no mercado livre mundial, e é hoje o seu mais relevante fundamento.
Essa resiliência foi conquistada em grande parte pela capacidade de o Brasil administrar o seu mix de produção, dependendo dos preços relativos de açúcar e etanol.
O Brasil sucroenergético não atua como uma força ou ação unificada. É a soma de decisões microeconômicas dos agentes em mercado. Esse fato distingue o setor sucroenergético brasileiro da maior parte dos outros países produtores, que tem mercados parcial ou totalmente isolados por barreiras comerciais de importação ou, ainda, preços administrados pelos governos, o que faz com que a ação de seus produtores seja influenciada ou determinada total ou em parte por essas políticas.
Alterações no mix de produção têm permitido aos produtores brasileiros arbitrarem os mercados de açúcar e de etanol (na verdade o preço da gasolina fixado pela Petrobras, que tende a seguir a paridade de importação na maior parte do tempo) e, consequentemente, têm trazido uma maior estabilidade nos preços do açúcar no mercado internacional ao atenuar o efeito de variações no balanço de oferta e demanda causados por questões climáticas e efeitos econômicos em outras partes do mundo.
Visão estratégica
A variação no mix de produção tem sido significativa, e seu impacto na oferta dos produtos também, considerando a escala de produção atingida pelo Brasil. A variação na oferta de etanol tem sido absorvida pelo mercado de etanol hidratado, que funciona como uma esponja capaz de absorver maior ou menor volume dependendo dos preços relativos entre etanol hidratado e gasolina (misturada com etanol anidro) aos consumidores.
A novidade é exatamente a crescente produção de etanol de milho e sua relativa competitividade com o etanol de cana, visto que seu custo é basicamente determinado pelos preços do milho, dos coprodutos DDG (Distillers Dried Grains - Grãos Secos de Destilaria)/DDGS ( Distillers Dried Grains with Solubles - Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) e óleo de milho, e da biomassa energética utilizada como energia para o processamento.
A produção de etanol de milho começou modesta, com 41 milhões de litros na safra 2014/15. Em 2025/26, a Datagro estima uma produção de 10,04 bilhões de litros e, considerando os projetos em construção e em planejamento já anunciados, projeta um volume de 27,0 bilhões de litros em 2034/35.
Algumas usinas de cana-de-açúcar têm demonstrado, não tão abertamente, preocupação com esse ritmo de expansão e a possibilidade de o mecanismo de ajuste de mercado através da alteração no mix de produção perder o seu efeito.
Sim, pode ser que o mix como sistema de ajuste perca parte de sua influência. Mas é preciso reconhecer que foi a expansão do etanol de milho que permitiu ao setor sucroenergético expandir a sua produção de açúcar, capturar o valor gerado com a expansão da sua exportação, ao mesmo tempo em que se manteve o volume consumido de etanol hidratado, e foi possível ampliar a mistura de etanol anidro na gasolina para 30% e projetar a possibilidade de se atingir 35%.
A competitividade do etanol de milho depende dos créditos gerados pelo DDG/DDGS e óleo de milho e do custo da biomassa. O desafio é manter o valor do DDG e do óleo em
níveis razoáveis, à medida em que amplia a oferta, e controlar o crescente custo da biomassa, que há seis anos era de 60 reais por metro cúbico de cavaco de eucalipto, e atualmente já chega a mais de 200 reais por metro cúbico em algumas regiões.
O sucesso do etanol de milho está intimamente ligado ao sucesso das exportações de carne bovina, mercado em que o Brasil se tornou em 2025 o maior produtor e exportador mundial. A abertura do mercado da China e de outros países estratégicos para o DDG brasileiro é, portanto, um fator a ser acompanhado.
Mas o que mais chama atenção é a possibilidade de o etanol atingir novos importantes mercados, como o da substituição do bunker fuel no transporte marítimo, e o seu processamento para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) através da tecnologia alcohol-to-jet.
Neste aspecto, o mercado mais promissor e de maturação mais rápida será provavelmente o do bunker . No curto prazo, apenas uma companhia marítima internacional seria capaz de absorver 3 bilhões de litros por ano. No conjunto, é um mercado potencial de 225 milhões de toneladas, ou 281 bilhões de litros por ano.
Para que o setor sucroenergético alcance esses novos patamares será fundamental a união de esforços entre os produtores de etanol de cana e de milho, até porque o modelo de produção de etanol misto, que combina cana e milho, é muito promissor ao viabilizar o uso de bagaço e palha de cana como biomassa para a industrialização do milho, além de usar equipamentos e utilidades já disponíveis no setor de cana, ampliando a safra e reduzindo custos fixos unitários.
Não está distante, portanto, o momento em que, no Brasil, o etanol substituirá mais de 50% do consumo de gasolina, e que a oferta interna de energia supere 50% de energia renovável observada em 2024.
Estes serão feitos extraordinários que irão elevar ainda mais o País como exemplo e campeão mundial na substituição de combustíveis fósseis por renováveis de baixa intensidade de carbono na avaliação do ciclo de vida.
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Agronegócio canavieiro: A margemApertemsumiuos cintos?
“A competitividade de longo prazo do sistema sucroenergético brasileiro depende de sua resiliência.”
(síntese de vários autores)
Certamente os produtores do agro brasileiro e, em especial, os do setor sucroenergético vivem em 2026 a sensação desagradável de uma “tempestade perfeita”. Isso se traduz sob os efeitos da queda dos preços dos produtos açúcar e etanol, de energia elétrica, a retração do sistema financeiro, ano de eleições majoritárias, temores com o El Niño que aí chega e pode impactar, no 2º semestre do ano, juros estratosféricos e dívidas sob total atenção.
Deve-se sempre lembrar que custos subindo e anos-safra (exceto 2023/24) com menores produtividades, pelos efeitos climáticos, estão testando a competitividade setorial.
Nesse ambiente, um olhar para fatores como a resiliência e a competitividade das empresas do setor naturalmente ganha enorme importância. Enquanto a resiliência se refere às ações de adaptação, entre outras, para absorver a pressão e ter respostas econômicas, a capacidade de competir guarda forte correlação com o uso de tecnologia e fundamental inovação, assim como a capacidade de obtenção de financiamentos menos onerosos e comercialização correta.
Quando nos referimos a 2026, vale olhar o ano de 2025 ou a safra 2025/26, com a queda dos preços de açúcar e etanol, a desvalorização dos preços dos CBIOs pela ação irresponsável de algumas Distribuidoras de Combustíveis que vinham mantendo liminares para a não compra obrigatória dos créditos de descarbonização, valendo ressaltar que recentemente tiveram suas liminares derrubadas pelo judiciário.
Em que dimensão estratégica estamos vivendo? Vive-se uma ruptura geopolítica, não uma transição, e, mais que isso, uma ruptura que leva a todos a névoa das perspectivas em ambiente incerto.
Certamente os produtores do agro brasileiro e, em especial, os do setor sucroenergético vivem em 2026 a sensação desagradável de uma 'tempestade perfeita'. "
Luiz Carlos C. Carvalho, Caio Diretor da Canaplan
Existiria uma alternativa crível à hegemonia dos EUA no Hemisfério Ocidental? A China e a Rússia oferecem transações, não sistemas. Pequim constrói infraestruturas, mas promove exportações subsidiadas e empréstimos opacos, enquanto extrai recursos. Moscou vende commodities e armas. Nenhuma das duas oferece uma estrutura política ou econômica à qual os estados da região possam aderir de forma significativa nem uma ideologia que a maioria escolheria emular.
Deve-se ter em mente que os EUA têm poder de permanência porque não estão tentando instalar um projeto político ou econômico estrangeiro na região das Américas e no Ocidente.
A China, como a outra superpotência industrial (produz aproximadamente um terço dos bens manufaturados do mundo e domina setores que vão da construção naval a veículos elétricos e baterias), vem mostrando alicerces desse poder que estão se deteriorando. A economia chinesa vem encolhendo em relação à dos EUA em termos de dólares desde 2021, sua população deverá ser reduzida à metade até o final deste século, a produtividade está estagnada há mais de uma década, e a dívida nacional atingiu 300% do PIB e continua crescendo rapidamente. A renda disponível média é de apenas US$ 6.000/pessoa, e a maioria dos trabalhadores sequer concluiu o ensino médio.
O problema fundamental da Rússia é que seus antigos países vassalos estão prosperando sem ela. Desde 1990, os ex-estados soviéticos que se democratizaram e aderiram à União Europeia cresceram mais do que o dobro da Rússia. Os russos eram cerca de duas vezes mais ricos que os poloneses em 1990, enquanto hoje os poloneses são aproximadamente 70% mais ricos que os russos.
A citação geopolítica vem do peso estratégico dessa realidade no desenvolvimento mundial, na inovação tecnológica e na necessária busca, pelo Brasil, da redução de dependências. No caso, insere-se o setor sucroenergético, pressionado por cotas de exportação pequenas aos EUA e à União Europeia para o açúcar, que vem perdendo taxa de crescimento anual de demanda, e, por outro lado, o etanol pressionado pela ojeriza norte-americana em relação à taxa de importação do Mercosul e carros flexíveis no Brasil dominantes (frota leve com 78% do volume total), mas que somente utilizam cerca de 40% de etanol nos seus motores.
A Índia segue subsidiando a produção e exportações, a Tailândia segue na linha de suporte ao produtor, e a visão de curto prazo de recuperação do mercado não é nada fácil.
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Para o longo prazo, no entanto, as perspectivas são favoráveis nos campos de agregação de valor, seja com a cana, seja com o milho, para transportes aéreos e marítimos na pressão da transição (ou melhor, adição) energética; na necessidade de enorme crescimento no uso de energias renováveis para os data-centers; tudo, sem dúvida, ligado às mudanças climáticas.
Em recente reunião do Fórum de Davos em janeiro de 2026, o 1º Ministro canadense, Mark Carney, descreveu o novo mundo após uma “ruptura”; o Presidente da Finlândia, Alexander Stubb, acentuou que as alternativas ao “sepultado” sistema multilateral seriam “esferas de influência, caos e desordem”. Nesse complexo novo sistema, como ter protagonismo, em estratégia público-privada de interesse do Brasil?
São 2 cenários possíveis: • um, com a reforma profunda do sistema multilateral; • outro, onde haverá uma nova diplomacia, agora transacional. Enquanto o primeiro modelo permite grandes movimentos globais coordenados (as ações em favor da redução das emissões de CO2 equivalente), onde o Brasil sucroenergético tem, de fato, grandes oportunidades com a transição energética e a oferta de alimentos e bioenergias, o segundo modelo obriga a uma enorme revisão nas ações, em ritmo de substituição de Regras Gerais por Acordos Condicionais.
Nesse caso, o setor privado sucroenergético deve se preparar para o novo. Serão negociações “caso a caso”, com concessões, parcerias, controles tecnológicos, sempre sob a realidade de correlação de forças entre os negociantes e contratos específicos muito trabalhados. Esse é o grande desafio, e estamos atrasados.
Sendo importante ator no cenário internacional de açúcar e de etanol, além de outros produtos bioenergéticos, o Brasil é ativo negociável e potencial berço para grandes investimentos internacionais. Sem margem, vem a gestão. Talvez, de fato, não vivemos algo tão disruptivo ao setor. Esse reposicionamento requer um olhar para o agro e seus produtos como “moedas geopolíticas”, sendo fundamental buscar acesso aos mercados, tecnologias e financiamento. Isso cobra, também, uma posição madura do governo federal, com olhos para “ensinar a pescar”.
Entre o assustador e crescente déficit público, e os desgastes diários entre os poderes da República, em 2026 teremos eleições majoritárias, Copa do Mundo de Futebol, o Brasil ainda com o comando da COP até a troca em novembro de 2026, sob um ambiente geopoliticamente incerto e negras nuvens políticas no Brasil. Apertar os cintos?
Assim como as safras, não existe uma crise igual a outra
Após 40 anos de atividade profissional no setor bancário, com uma parte expressiva do tempo dedicado ao agronegócio, em especial ao setor sucroenergético, eis que agora estamos diante de mais uma crise aguda, o que não devia ser novidade num setor sabidamente cíclico a nível mundial.
Assim como as safras, não existe uma crise igual a outra, e neste ponto esta crise atual vem carregada de alguns fatores sui generis.
Vamos abaixo relembrar nossas três últimas crises:
A do final dos anos 90, estávamos numa situação onde o carro a álcool tinha caído em desgraça junto ao consumidor, quando nem os usineiros o compravam. Com o sucateamento da frota, o consumo de hidratado
desabava, sendo que no final da safra 98/99 os estoques equivaliam a 6 meses de consumo. Lembro-me que naquela época meu chefe, Candido Bracher, ao ver os grandes números do setor, previu que os preços iriam a zero e quase foram – 15 centavos. O açúcar também não deixava por menos, e não me esqueço que, em 30 de abril de 2000, ele bateu míseros 3,92 centavos de dólar por libra-peso. Meus colegas de banco à época me diziam que se conseguisse sair dessa crise perdendo não muito dinheiro já seria uma grande vitória.
Felizmente, com a ajuda de São Pedro, que proporcionou naquele ano uma geada e seca, a produção do Centro-Sul desabou no ano seguinte, caindo de 270 MM para 214 MM de toneladas, o que fez com que os preços reagissem para níveis por volta de 12 cents.
Para alegria geral da Nação, algum tempo depois foi anunciado o lançamento do carro com motor flex que dava ao consumidor o poder de escolha do combustível na hora que fosse abastecer, uma vantagem enorme em relação ao carro somente a álcool.
O grande empresário Jorge Gerdau dizia que nunca devemos desperdiçar uma crise, pois são momentos muito ricos para se voltar para dentro das empresas, com o modo sobrevivência ligado, e buscar atacar todos os pontos de ineficiência existentes. "
Alexandre Enrico Silva Figliolino Consultor da XP para agronegócio
Os veículos flex imediatamente caíram no gosto do consumidor, se transformando num enorme sucesso de venda. Assim, dada a elevada competitividade do etanol em relação à gasolina, iniciou-se um vigoroso ciclo de crescimento com a instalação de inúmeras plantas greenfield em áreas disponíveis nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. A produção de cana deu um salto enorme atingindo número acima de 600 MM de toneladas.
Este ciclo de crescimento, realizado numa velocidade muito elevada, fez crescer muito o nível de alavancagem das empresas. A principal fonte de financiamento dos investimentos era o BNDES, cuja liberação de recursos tinha de cumprir uma série de etapas. As empresas recorriam a empréstimos ponte de curto prazo, que vinham atrelados a derivativos alavancados. Quando o dólar disparou, fruto da crise dos mercados em 2008, o desastre foi total e agravou ainda mais a crise. O terreno ficou fértil para operações de M&A (Fusões e Aquisições, do inglês para Mergers and Acquisitions), que ocorreram aos montes com a entrada no setor de diversos grupos estrangeiros. Isso ajudou a resolver uma parte do problema, mas a crise era de tal forma aguda que foi necessário um esforço conjunto coordenado entre o BNDES e os grandes bancos privados para evitar uma crise sistêmica que estava se desenhando.
Alongamento de passivos, fusões e aquisições e a recuperação dos preços do açúcar nos anos de 2010 e 2011 fizeram com que o setor fosse se recuperando aos poucos.
Importante lembrar que a magnitude e a velocidade do crescimento foram de tal ordem que geraram uma série de problemas muito graves notadamente na área agrícola. O preço da terra se elevou, falta de mão de obra principalmente em área de fronteira, atraso na entrega de equipamentos, precário manejo varietal com a escassez de mudas e a rapidez com que se introduziu a colheita e plantio mecânico também foram uma fonte importante de problemas que, graças a Deus, hoje já estão todos superados. Aí entramos nos anos de chumbo da dupla dinâmica Dilma e Mantega (Presidente e Ministro da Fazenda, respectivamente) que levou ao congelamento de preços dos combustíveis com fins eleitorais e para segurar a inflação, causando enormes prejuízos ao setor sucroenergético.
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Visão estratégica Q
Citei três momentos importantes de crise pelo qual o setor passou num passado recente, para realçar que a vida é feita de vacas gordas e vacas magras; as crises vêm e vão embora de forma cíclica. Por isso, é muito importante que as empresas entrem num mau momento robustas do ponto de vista operacional e de estrutura de capital, pois nunca sabemos a duração e intensidade das crises e temos de ser resilientes e estar preparados para o pior.
Por isso que adoro e acho muito apropriado para o momento a metáfora do leão correndo atrás dos usineiros. Não precisa correr mais que o leão, mas não pode estar no pelotão de trás da corrida, no grupo dos menos resilientes, que serão os primeiros que o leão vai comer.
Cuidar dos atributos que conferem elevado nível de resiliência a uma empresa do setor sucroenergético é obrigação de todo gestor competente. Custos, despesas, eficiência agrícola e operacional com bons níveis de produtividade, tecnologia adequada, foco na inovação, mão de obra qualificada, estrutura de capital adequada, gestão de risco, etc.
Agora vamos falar do momento atual que, sem dúvida, é muito grave. Assim como não temos no setor uma safra igual a outra, as crises também guardam, cada uma, suas peculiaridades e a atual vem com alguns ingredientes inéditos.
Em relação ao preço do açúcar, era previsível que uma hora viriam preços ruins após uma sequência de anos positivos. Triste ver que os níveis de fixação dos produtores brasileiros para as safras 26/27 e 27/28 estão muito baixos quando deveriam estar mais altos que em anos anteriores pelo momento do ciclo.
Esses preços que hoje flutuam em níveis de 14 cents estão muito abaixo do custo de produção dos principais países produtores. Não havendo artificialismos exagerados, é de se esperar que em duas safras haja ajuste na oferta trazendo os preços para níveis mais próximos de 20 cents. Sendo o Brasil o low coast produções, não demora muito nossas usinas, pelo menos no que tange ao açúcar, vão estar operando com níveis de rentabilidade satisfatório.
Já em relação ao etanol, “o buraco é bem mais embaixo”, pois o etanol de cana enfrenta hoje a costumeira competição com o fóssil gasolina, bastante competitiva em função do
câmbio com real valorizado e petróleo em níveis comportados, apesar da volatilidade propiciada pela instabilidade geopolítica.
Mas, sem dúvida, a ameaça maior vem do etanol de milho, cuja indústria cresce a taxas assustadoras, já ocupando 27% do mercado e devendo chegar rapidamente a 50% do total. Estimamos que, nas condições atuais, na média o etanol de milho leve uma vantagem no custo de 80 centavos por litro. O maior limitante ao crescimento desta indústria é disponibilidade de biomassa, sendo essa uma grande vantagem das usinas flex que operam simultaneamente cana e milho e têm o bagaço da cana à disposição para gerar energia.
Acreditamos que, diante deste quadro, antes de acontecimentos que impliquem num aumento brusco de demanda com o combustível de aviação e o marítimo, o setor deverá, ano a ano, crescer seu mix açucareiro na medida que a demanda mundial apresenta ainda crescimento por volta de 1% ao ano, notadamente nos continentes asiático e africano, onde existe muito espaço para crescimento de renda per capita e consequente aumento de consumo de alimentos industrializados. Isto representa 1,5 ou 2,0 MM de toneladas a mais, sendo que o Brasil deverá atender a 70% desta demanda. Com isso, o etanol de cana terá seu papel diminuído tendendo a se tornar um subproduto mais ou menos como é o DDGs para o etanol de milho.
Com certeza, passada a crise, veremos muito investimento em etanol de milho junto às plantas de etanol de cana principalmente no Centro-Oeste e no Triângulo Mineiro e posteriormente até no estado de São Paulo. Outro evento bastante promissor para o setor será o biometano na medida que o mandato previsto na Lei do Combustível do Futuro entre em vigor.
Concluindo, gostaria de reafirmar minha confiança no futuro do setor sem desprezar a importância desta crise que estamos passando, sendo que o que não pode acontecer é as empresas morrerem no meio do caminho. O grande empresário Jorge Gerdau dizia que nunca devemos desperdiçar uma crise, pois são momentos muito ricos para se voltar para dentro das empresas, com o modo sobrevivência ligado, e buscar atacar todos os pontos de ineficiência existentes. Podem acreditar que ainda existe muito mato alto a ser cortado.
Gennesis é o programa de manejo da FMC que reúne um conjunto de tecnologias para proteger o potencial da sua cana desde o começo até a colheita. É a lavoura começando com mais sustentabilidade para alcançar a máxima produtividade.
Saiba mais em fmcagricola.com.br/cana/gennesis
A sustentável leveza da energia do agro
A agropecuária brasileira é líder mundial na produção de combustíveis sólidos (lenha, carvão), líquidos (etanol, biodiesel), gasosos (biometano, biogás) e “energéticos” (cogeração de eletricidade). A agroenergia economiza combustíveis fósseis e industrializa o Brasil. E segue desconhecida e é até combatida em narrativas ambientalistas e agrárias.
A agroenergia é sinônimo de cultivos tropicais, de ciclos de produção longos (+250 dias). Quanto mais longo o ciclo, maior a insolação recebida, a transformação pela fotossíntese e o acúmulo em energia química, como em cultivos plurianuais de cana-de-açúcar, mamona, dendê, mandioca, etc.
Aqui, a pesquisa agropecuária, com novas tecnologias, mesmo em cultivos de ciclo curto, viabilizou duas colheitas anuais no mesmo local: soja na primavera/verão e o milho de segunda safra no verão/outono.
Isso amplia a produção de alimentos a humanos e animais (farelo de soja, farinhas de milho, DDG, óleos de soja e milho...) e de energia (biodiesel de soja e etanol de milho), num “ciclo longo” e virtuoso de produção (150 a 180 dias): duas colheitas por ano na mesma parcela de terra. Alimento e energia, sem conflito.
Em clima temperado (EUA e Europa), baixas temperaturas e pouca insolação no outono e inverno limitam a fotossíntese de 90 a 120 dias
O uso de energias renováveis no Brasil é três vezes superior à média mundial (14,7%).
Ou seja, 85% da energia consumida pela humanidade é fóssil e poluente. "
Evaristo Eduardo de Miranda
Especialista em Agronegócio e Inteligência Territorial
e a uma única colheita anual de cereais, beterraba, canola... São pouco eficientes, quando se avalia o consumo e a produção de energia em todo o ciclo.
Em 2025, o caráter estratégico da agroenergia no Brasil está retratado na matriz energética, conjunto de fontes de energia para suprir as demandas de eletricidade, aquecimento e transporte: 50% da matriz energética brasileira é renovável e a maior parte vem da agricultura (33,3%).
O uso de energias renováveis no Brasil é três vezes superior à média mundial (14,7%). Ou seja, 85% da energia consumida pela humanidade é fóssil e poluente. Se o planeta multiplicar por três suas fontes renováveis de energia (solar, eólica, hidráulica, biomassa...), não alcançará o Brasil.
Nos países da OCDE, a situação é pior. A proporção de energia renovável é inferior à média mundial: 12,6% (AIE). Quase 90% da energia nos países desenvolvidos é de origem fóssil, emissora de CO2 e gases poluentes.
A agropecuária garantiu um recorde de 33,3% da matriz energética brasileira ou 104,6 milhões de toneladas equivalentes de petróleo.
Lideram a cana-de-açúcar, ao fornecer etanol para veículos, gás biometano e cogeração de energia elétrica com o bagaço (16,7%); as florestas energéticas (eucalipto) com lenha e carvão (8,5%); os óleos vegetais (soja e sebo de boi) no biodiesel e os resíduos agrícolas e florestais com licor preto, palha de arroz, cavacos, biogás... (8,1%) na geração de calor e energia elétrica.
Em 2024, a contribuição da cana-de-açúcar na matriz energética (16,7%) foi superior à de todas as hidroelétricas do País juntas (11,6%).
Lenha e carvão vegetal são produzidos por florestas energéticas plantadas (eucalipto) e utilizados desde siderúrgicas de ferro gusa e aço verde, diversos usos industriais, domésticos até pizzarias.
As siderúrgicas são grandes consumidoras de carvão vegetal. Maior produtor mundial, o Brasil produz mais de 24 milhões de metros cúbicos. Substitutos do carvão mineral, lenha e carvão vegetal contribuíram com 8,5% na matriz energética, quase o dobro dos aportes das energias eólica (2,9%) e solar (2,2%) juntas. No transporte, em 2025, o consumo de etanol no Brasil ultrapassou de 21 bilhões de litros. Além do etanol da cana-de-açúcar, o de milho não para de crescer: 8,2 bilhões de litros, um recorde para o setor. Para o ciclo 2025/26, a expectativa é de um aumento de 20%, capaz de superar 10 bilhões de litros.
O teor de etanol na gasolina passou de 27,5% para 30% (E30) desde agosto de 2025, por determinação do Conselho Nacional de Política Energética. O agro, pelo etanol ou sua adição à gasolina, contribui também para a melhoria da qualidade do ar nas aglomerações urbanas brasileiras.
Outro combustível renovável produzido pela agricultura é o biodiesel em uso nos ônibus, tratores e utilitários. As matérias-primas mais usadas são óleo de soja, gordura animal (sobretudo sebo bovino), em menor escala, outras oleaginosas (girassol, algodão, mamona e dendê) e óleos residuais.
O Brasil é um dos maiores produtores de biodiesel. Seu consumo crescente é favorecido pela adição deste combustível renovável ao diesel fóssil. A Lei Combustível do Futuro ampliou a demanda. Em 2025, o teor de biodiesel passou para 15% no diesel e chegará a 25% até 2035. Isso exigirá um volume de óleo de soja 296% superior ao utilizado em 2023.
Há 12 anos, a produção de biodiesel era de apenas 2,4 bilhões de litros. Em 2025, foram 9,6 bilhões de litros. A capacidade de esmagar
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soja da indústria passará para 72 milhões em 2027 e o processamento para mais de 11 mil toneladas/dia.
Serão realizados investimentos de R$ 52 bilhões em novas usinas e esmagadoras de soja. Muitos não se dão conta desse papel do agro no desenvolvimento industrial e no transporte de massa e carga. E ainda falam contra a cana, a soja e os bois em seus ilógicos discursos ecológicos!
Em 2024, biodiesel, licor negro e outros subprodutos da biomassa de uso energético agregaram 8,1% na matriz energética. Um valor superior, por exemplo, ao da participação do carvão mineral (4,5%).
Graças aos cultivos de ciclo longo, como a cana-de-açúcar, a eficiência da agroenergia é enorme. Para produzir 33,3% da oferta interna de energia, o setor agropecuário consome apenas 5,0% na matriz energética (diesel e eletricidade). O consumo de energia do agro é inferior ao de qualquer outro setor da economia. E esses setores não geram quase nada. Transporte é o maior consumidor: 33,2%; indústria, 31,7%; residências, 10,8%; e serviços, 5,3%. Até o setor energético tem consumo superior ao da agricultura, para gerar e distribuir energia: 8,5%.
A produção de etanol e biodiesel avança no Brasil com carros híbridos e hidrogênio verde. A médio prazo crescerá a participação do etanol na produção de combustível limpo de aviação, o SAF (Sustainable Aviation Fuel), e para navegação comercial (bunker fuel ) . Óleos vegetais estarão na produção de SAF, combustível naval e diesel verde (HVO).
A sociedade brasileira começa a descobrir essa dimensão da agricultura: gerar energia renovável, além de produzir alimentos e fibras. A agricultura e o setor florestal são máquinas movidas a energia solar, a não confundir com a energia fotovoltaica. A agropecuária tropical brasileira na produção e reciclagem (economia circular), com a cana-de-açúcar, é um exemplo de geração de energia limpa, verde e solar.
O papel estratégico do agronegócio na produção de energia renovável soma-se ao de alimentos e fibras. Paradoxo: a agroenergia é ignorada, criticada e até combatida, por dirigentes políticos e órgãos públicos federais, vocalizando ignorância e narrativas de ONGs ambientalistas locais e estrangeiras. Agricultores e pecuaristas brasileiros prosseguem em seus sonhos verdes e aguardam um projeto nacional e estratégico verdadeiro para o setor de agroenergia.
Invista na qualidade. Sempre!
A proximidade de uma nova safra traz mais do que o aumento natural de volumes. Ela eleva o nível de exposição da operação, amplia a pressão por prazos e exige decisões logísticas mais conscientes. Em ambientes industriais e agroindustriais, a logística deixou de ser apenas um suporte operacional para se tornar um fator direto de continuidade do negócio. Quando a produção não pode parar, cada escolha feita ao longo da cadeia de suprimentos impacta segurança, eficiência e resultados.
Nesse cenário, tratar a logística com método, previsibilidade e responsabilidade deixou de ser uma opção. Cada operação possui sua própria dinâmica, com lead times específicos, janelas rígidas, indicadores críticos e exigências técnicas que não se repetem. Ainda assim, decisões sem essa visão estratégicas são aplicadas, uma desconexão que eleva os riscos de forma significativa e afetam a performance.
Decisões logísticas e seus impactos ao longo do ciclo
No Transporte Rodov iário de Cargas, os desafios estruturais são amplamente conhecidos por quem vive a operação: escassez de motoristas, limitações de infraestrutura, complexidade regulatória, legislação e tributação, além dos custos crescentes com mão de obra. Embora avanços tecnológicos, veículos mais modernos e o uso crescente de dados tragam ganhos relevantes, o setor ainda convive com gargalos que exigem decisões cada vez mais responsáveis por parte dos embarcadores, como uma Torre de Controle on-line , mitigando riscos, apoiando as equipes e medindo as operações em tempo real.
Práticas como o leilão de frete, embora possam sugerir ganhos pontuais no curto prazo, não devem renunciar à qualidade e exigibilidades como: Cobertura securitária, DC- RC-TRC, armazéns, Seguro Ambiental, Seguro de vida dos colaboradores e processos que resguardem o embarcador de quaisquer riscos. Evitando impactos estruturais ao longo do ciclo operacional e enorme exposição aos riscos da Atividade. Redução da previsibilidade, limitação da capacidade de investimento em frota, segurança e tecnologia, além do aumento da exposição a falhas operacionais, são efeitos que, de forma direta ou indireta, recaem sobre o próprio embarcador, e, "o aparentemente barato" pode ser um grande
engano. E em períodos de maior demanda, esses impactos tornam-se ainda mais visíveis, afetando prazos, segurança e a estabilidade da operação.
Ao longo do tempo, decisões baseadas exclusivamente em preço tendem a fragilizar a cadeia logística como um todo, comprometendo grandes projetos e a capacidade de resposta justamente quando ela se torna mais necessária.
Cliente no centro: um modelo de gestão orientado à realidade da operação
Empresas que operam com maturidade logística compreendem a importância da qualidade e que decisões nesse campo precisam estar ancoradas em um princípio central: conhecer profundamente a realidade de cada operação. Na Telog esse entendimento se traduz em colocar o cliente no centro das decisões, não como discurso, mas como critério de gestão. Pois compreender as demandas específicas, os riscos, os indicadores críticos e os momentos mais sensíveis de cada cliente — especialmente em períodos de maior pressão operacional, como o início da safra — é o ponto de partida para a construção de soluções logísticas consistentes. A partir dessa leitura, processos são ajustados, rotas são redesenhadas, janelas são revisadas e níveis de serviços são calibrados conforme a necessidade real da operação. Para isso é necessário know-how e robustez, que permitam ao operador logísticos os movimentos sempre que necessários.
Essa proximidade permite antecipar cenários, mitigar riscos e garantir maior previsibilidade. Mais do que atender, trata-se de sustentar a continuidade operacional do cliente, permitindo que ele mantenha o foco em sua atividade principal: produzir com segurança, eficiência e sustentabilidade.
Qualidade, previsibilidade e preparação para ciclos mais exigentes
Gestão, tecnologia e disciplina operacional formam a base de uma logística preparada para ciclos mais exigentes. Monitoramento contínuo, inteligência embarcada, controle de jornada e velocidade, manutenção preventiva e corretiva estruturada, treinamentos constantes, planejamento integrado e uso consistente de dados, são elementos que sustentam operações maduras e seguras, retem talentos, perpetuam negócios e parcerias.
A aplicação consistente dessas práticas permite reduzir quilômetros rodados, menor consumo de combustível, emissões de poluentes e incidentes, além de aumentar a confiabilidade nos prazos e a tranquilidade durante a execução da operação. Também se traduz em um ambiente de trabalho saudável e seguro.
Certificações e processos operacionais reforçam essa maturidade. Mais do que conformidade, representam processos consolidados, cultura de prevenção e compromisso com a segurança e a qualidade. Não por acaso, empresas com alto nível de exigência escolhem parceiros que compartilham uma visão de longo prazo e entendem que qualidade não é diferencial, mas requisito básico, principalmente em ciclos mais exigentes.
Nos mercados de bioenergia, celulose e mineração, boa vontade não basta. A logística de grandes players envolve milhões em mercadorias, milhares de CTe-s, grandes responsabilidades. Desde a Capilaridade logística, frota adequada, presença constante e capacidade de resposta para atravessar ciclos intensos com estabilidade. Da gestão do pedido de compra, conectividade, modelos integrados de coletas com tecnologia embarcada, gestão de KPIS em tempo real, janelas programadas e frota própria, permitem reduzir falhas, evitar rupturas e garantir continuidade operacional o ano todo. Na Logística e Transporte, investir na qualidade não é uma escolha pontual, mas o cerne de um modelo de gestão orientado à longevidade do negócio.
Bioenergia sustenta 60% das renováveis no Brasil e deve encarar desafios à altura
Se alguém ainda trata a bioenergia como nicho, está equivocado. Um dado basta para recolocar o tema no centro do debate: cerca de 60% de toda a energia renovável consumida no Brasil tem origem na bioenergia produzida no campo, conforme demonstra a tabela em destaque. Quando a bioenergia avança ou enfrenta obstáculos, os impactos são sentidos em toda a matriz.
O Brasil chegou a esse patamar porque construiu, ao longo de décadas, uma combinação rara de vantagens competitivas: tecnologia, clima favorável, disponibilidade de terras, empreendedorismo no campo, políticas públicas, pesquisa e domínio da agricultura tropical. Foi assim que o País aprendeu a converter energia solar em biomassa com eficiência e escala incomparáveis. É a mesma base que nos transformou em potência exportadora de commodities agrícolas — e que, agora, sustenta um pilar central da matriz energética nacional.
Essa bioenergia não cabe em uma única “rota”. Ela está na cana e no milho transformados em etanol, bioeletricidade, biogás e biometano; na soja, no sebo e nos óleos vegetais que viabilizam o biodiesel; na lixívia (licor negro) que dá competitividade energética ao setor de papel e celulose; e na lenha e no carvão vegetal oriundos
O Brasil chegou a esse patamar porque construiu, ao longo de décadas, uma combinação rara de vantagens competitivas... Foi assim que o País aprendeu a converter energia solar em biomassa com eficiência e escala incomparáveis. "
Luciano Rodrigues
Coordenador do MBA em Agronegócio da FGV, Pesquisador do Observatório de Bioeconomia da FGV Agro e Diretor de Inteligência da UNICA
da silvicultura comercial, entre outras fontes. Esse conjunto retrata uma das principais virtudes desse sistema: diversidade e integração produtiva.
A evidência mais concreta dessa integração aparece fora do setor de transporte. Além da presença consolidada de etanol e biodiesel, a bioenergia do agro responde por cerca de 80% da energia usada na indústria de alimentos e bebidas, 70% em papel e celulose, quase 50% no setor de ferroligas e aproximadamente 40% em cerâmica, entre outros segmentos.
Sua influência, portanto, vai muito além de substituir combustíveis fósseis na bomba: ela se tornou parte estrutural da competitividade brasileira em atividades intensivas em calor e energia térmica.
No Brasil, a transição energética conecta o campo à engrenagem industrial de forma profunda — e ainda subestimada.
PARTICIPAÇÃO DA BIOENERGIA NA OFERTA INTERNA DE ENERGIA NO BRASIL
NÃO RENOVÁVEIS
cana-de-açúcar
e carvão vegetal (silvicultura energética)1
RENOVÁVEIS
Bionergia vinculada ao agronegóclo
renovável não relacionada as atividades agropecuárias
Outras fontes renováveis
(vegetação natural)
resíduos sólidos urbanos
NOTAS: Valores consolidados de 2023; 1. inclui gás industrial de carvão vegetal; 2. inclui as fontes de calor fotovoltaica e solar térmica.
Brasil: E100
Brasil: E50
Brasil: E30
Estados Unidos: E1
União Europeia: E6,5
China: E2
Brasil: E100
Brasil: E50
Brasíl: E30
Estados Unidos: E10
União Europeia: E6,5
China: E2
NOTAS:
: As linhas tracejadas representam os resultados para os intervalos obtidos na análise de sensibilidade das simulações
ICE: veículo com motor a combustão interna
HEV: veículo híbrido completo
PHEV: veículo híbrido recarregável
BEV: veículo elétrico a bateria
Berço ao portão
Poço à roda
Visão estratégica
Esse protagonismo, entretanto, não se consolida sozinho. Exigirá esforço proporcional ao tamanho do setor em um cenário de transformações institucionais, tecnológicas e geopolíticas.
Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que o País avançou mais do que costuma admitir quando o assunto é bioenergia.
Houve ampliação de mandatos de mistura, racionalização do tratamento tributário dos biocombustíveis, consolidação das metas de descarbonização no transporte via RenovaBio, além do programa de estímulo ao biometano e da agenda de descarbonização do mercado de gás.
Soma-se a isso o programa de SAF para o mercado doméstico a partir de 2027, o marco regulatório do hidrogênio de baixo carbono e o MOVER, que reforça o uso de análise de ciclo de vida nas diretrizes da indústria automotiva. O problema é que política pública não vira consumo imediato no Diário Oficial. Parte relevante da demanda esperada irá acontecer com regulamentação correta, governança estável e tempo de maturação.
Nesse intervalo, cresce o risco de descompasso entre oferta e demanda. No etanol, por exemplo, a expansão da oferta doméstica precisa ser absorvida pelo mercado de combustíveis — especialmente quando o açúcar recua e pressiona o mix das usinas.
Algo semelhante ocorre com insumos proteicos: a ampliação da oferta de DDG/DDGS (Distillers Dried Grains and Distillers Dried Grains with Solubles - Grãos Secos de Destilaria e Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) e de farelo de soja, associada respectivamente à expansão do etanol de milho e do biodiesel, exige coordenação para que novos volumes encontrem mercado sem destruir valor.
A bioenergia é um sistema híbrido que envolve agricultura, indústria, energia, clima e comércio exterior. Seu desafio não está na interconexão — aliás, essa é uma de suas maiores forças —, mas em gerir a complexidade: choques em alimentos, energia e políticas climáticas são transmitidos rapidamente, com efeitos em preços, margens e decisões de investimento.
Administrar essa engrenagem requer capacidade empresarial, estabilidade regulatória e coordenação institucional em um contexto internacional ambivalente. A escalada de disputas comerciais e geopolíticas — com tensões
entre grandes economias, guerra tarifária, quotas e revisões de acordos — tende a aumentar a volatilidade dos mercados agrícolas e energéticos. Para um país cuja bioenergia nasce do agronegócio e se conecta às commodities globais, isso significa conviver com ciclos conjunturais de instabilidade que testam caixa, governança e resiliência.
Ainda no plano externo, o cenário político e econômico pode impactar, mesmo que temporariamente, a ambição de descarbonização — e, quando a pressão climática esfria, combustíveis renováveis costumam estar entre os primeiros a perder prioridade.
Ao mesmo tempo, países sem as condições tropicais e a escala brasileira tendem a erguer barreiras “climáticas” para proteger sua indústria doméstica, deslocando o debate do carbono para a política comercial.
A transição tecnológica também tem produzido ruídos que precisam ser evitados.
No setor elétrico, por exemplo, a rápida expansão de solar e eólica elevou a intermitência e trouxe os cortes de geração (curtailment) para o centro do sistema, com desperdício de energia, custos adicionais de rede e necessidade de flexibilidade frequentemente socializados ao consumidor.
Na mobilidade, incentivos focados na tecnologia — e não no carbono evitado por quilômetro rodado — criam distorções: premia-se o rótulo e ignora-se o resultado.
Em várias legislações, descontos de IPVA associados a uma tecnologia específica podem penalizar rotas com descarbonização efetiva em condições brasileiras, como híbridos a etanol, que apresentam desempenho superior a outras opções tidas mundialmente como referência, conforme o gráfico em destaque. Quando o incentivo premia o rótulo, o sistema pune a eficiência.
Em síntese, é preciso reconhecer e comemorar o progresso observado até aqui. O desafio agora é garantir que o avanço normativo vire demanda; que a oferta não chegue antes do mercado; que estímulos sejam calibrados por resultado climático; e que o Brasil transforme sua vantagem tropical em padrão reconhecido internacionalmente.
Em tempos de turbulência global e oscilações de commodities, isso exige arrojo para atravessar ciclos curtos — e convicção para manter o rumo de longo prazo.
O campo na encruzilhada: como juros, fiscal e desmonte do seguro pressionam o agronegócio
Em meio à tempestade provocada no mundo por Trump, o Brasil parece navegar, ilusoriamente, em mar de tranquilidade desde o ano passado. Depois dos ataques de Trump não se aprofundarem e, pelo contrário, terem feito uma inacreditável aproximação entre Lula e ele, vivemos um cenário em que o Brasil colhe o fruto de anos de trabalho do setor privado em suas bases mais fortes: as commodities. Mas o dilema brasileiro é o de sempre: como continuar crescendo de forma robusta pela força das commodities , enquanto permanece com impeditivos claros na área fiscal. Os últimos dois anos têm sido um pouco o reflexo dessa dicotomia, com a economia crescendo, levando a mais demanda e, portanto, à inflação e aos juros, mas também o fiscal sendo um elemento relevante de pressão sobre os juros. A consequência para o setor agropecuário tem sido a ampliação da percepção de risco no crédito.
Essa percepção de risco ampliada, contudo, precisa ser lida em camadas. A inadimplência do crédito rural fechou 2025 em 6,5%, segundo dados consolidados pelo Banco Central (BC), um recorde da série histórica que se iniciou em 2011.
Sem seguro, o risco climático recai integralmente sobre o produtor: uma safra perdida pode significar anos de endividamento, e é exa tamente isso que se observa na escalada da inadimplência. "
Sergio Rodrigo Vale Economista-chefe da MB Associados
Nas operações contratadas a taxas de mercado, o quadro é ainda mais crítico: a inadimplência de pessoas físicas do agro encerrou o ano em 12%, contra 3,7% em 2024 e apenas 1,2% em 2023.
O salto é extraordinário, mas sua leitura exige uma ressalva importante. O próprio Banco Central reconhece, no Relatório de Política Monetária de dezembro de 2025, que a maior parte do aumento da inadimplência no Sistema Financeiro Nacional se deve "principalmente da mudança nas regras de contabilização, com a adoção do conceito de perda esperada", introduzido pela Resolução CMN 4.966.
No regime anterior, operações inadimplentes eram baixadas a prejuízo tipicamente após nove meses; agora, podem permanecer na carteira ativa por até 21 meses, a depender das garantias. Para o agronegócio, cujas operações frequentemente contam com garantias reais robustas,
Mas seria um erro parar nessa constatação. Os sinais de estresse real no financiamento do campo são muito claros. A concessão de crédito rural e agroindustrial caiu 16% no primeiro semestre de 2025, segundo o Boletim Agro da Serasa Experian: foram R$ 16 bilhões a menos que no mesmo período de 2024. Mais produtores buscaram crédito, com aumento de 11% nos contratos, porém com tíquete médio 22% menor: os bancos financiam mais gente, mas emprestam menos a cada um, num sinal claro de aumento na aversão ao risco das instituições financeiras.
No Banco do Brasil (BB), líder histórico do crédito rural, o impacto foi devastador: a inadimplência da carteira agro saltou de 2,2% no fim de 2024 para 6,1% em dezembro de 2025 levando a presidente do banco, Tarciana Medeiros, a afirmar que a inadimplência do agro havia crescido "em torno de 500% em relação à média histórica".
A perda esperada da carteira rural atingiu R$ 39,1 bilhões, o que equivale a 9,6% do total, passando a responder por mais da metade de toda a provisão para devedores duvidosos do banco.
O lucro anual do BB caiu 45%, para R$ 20,7 bilhões, o menor desde 2020, e o Plano Safra 2025/2026, embora anunciado com valor recorde de R$ 516 bilhões, trouxe as maiores taxas de juros já praticadas no crédito rural subsidiado: o Pronamp subiu de 8% para 10%, e as linhas para grandes produtores saltaram de 10% para 14%, consequência direta de uma Selic a 15% que elevou o custo de equalização pelo Tesouro a um recorde estimado de R$ 58 bilhões, segundo estimativas do setor.
A consequência mais visível dessa confluência de fatores de juros elevados, queda de preços das commodities em relação ao ciclo 2020-2022, eventos climáticos severos e crédito mais caro e escasso é a explosão dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio. Segundo dados da Serasa Experian, o setor registrou 565 pedidos no segundo trimestre de 2025, alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior número desde o início da série em 2021. No quarto trimestre, havia 493 empresas do agro em recuperação judicial, aumento de 67% em 12 meses. O cultivo de soja lidera a crise, com 217 empresas nessa situação ao fim de 2025, mais do que o dobro de um ano antes. O índice de recuperação judicial da agropecuária alcançou 13,53 por mil empresas ativas, o mais alto de toda a economia, num setor onde a média nacional é de 2,13.
Pela primeira vez desde o fim de 2023, os produtores que atuam como pessoa jurídica, justamente os de maior porte, superaram os de pessoa física nos pedidos de proteção judicial,
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o que sugere que a crise ultrapassou o universo dos pequenos e atingiu operações estruturadas. Diante desse cenário, o governo editou a MP 1.314/2025, que autorizou a renegociação de dívidas rurais, e o Banco do Brasil renegociou R$ 35,5 bilhões em 29 mil operações, dos quais R$ 32,2 bilhões em linhas a taxas livres. A medida provisória, no entanto, perdeu validade em fevereiro de 2026 sem ser votada pelo Congresso. Um agravante estrutural torna o quadro ainda mais preocupante: o desmonte silencioso do seguro rural. A área segurada pelo seguro rural no País despencou de cerca de 14 milhões de hectares em 2023 para 7 milhões em 2024 — uma queda de 50%. Em 2025, a trajetória se aprofundou: o governo bloqueou 42% do orçamento do PSR, reduzindo os recursos efetivamente disponíveis de R$ 1,06 bilhão para R$ 565 milhões, e a área coberta recuou para 3,2 milhões de hectares, segundo dados do Atlas do Seguro Rural — a menor desde 2015 e equivalente a menos de 4% da área plantada com grãos no País.
Sem seguro, o risco climático recai integralmente sobre o produtor: uma safra perdida pode significar anos de endividamento, e é exatamente isso que se observa na escalada da inadimplência. Enquanto um novo modelo não se materializa ou novos recursos aparecem, o setor que mais contribui para o superávit comercial, para o crescimento do PIB e para a própria desinflação permanece financeiramente desprotegido, absorvendo o custo de uma política monetária que responde a desequilíbrios que não são seus, sem a rede de proteção mínima que qualquer grande economia agrícola oferece a seus produtores.
O dilema aqui se aprofunda quando lembramos que em uma crise fiscal como a que vivemos, faltarão recursos em várias frentes. A necessidade de ajuste fiscal para 2027 demandará que o Congresso e o Executivo olhem com atenção às diversas necessidades dos setores. Entretanto, em um momento em que se demandará um ajuste no crescimento do salário-mínimo na previdência e na diminuição dos mínimos de educação e saúde, que hoje estão indexados ao PIB, será difícil que esse ajuste acabe não tendo de pegar, de forma linear, diversos segmentos, inclusive a agropecuária.
A expectativa é que o ajuste fiscal, minimamente acontecendo, poderá levar o BC a uma queda mais consistente dos juros, o que ajudará na descompressão do setor. Entretanto, cabe atenção, pelo menos nos próximos dois anos, quando a estrutura de custos pressionados, com receitas menos exuberantes, demandará maior atenção do setor.
Cogeração, curtailment e constrained-off
O paradoxo energético brasileiro
Como profissional do setor há mais de duas décadas, observo o Brasil com orgulho e inquietação. Orgulho de termos uma das matrizes mais renováveis do mundo. Inquietação ao ver um sistema com aparente sobreoferta de energia conviver com alertas crescentes sobre sua estabilidade. Como podemos ter tanto e estar tão vulneráveis?
A biomassa, como fonte geradora com despacho firme e geração síncrona, é um ativo estratégico cuja otimização é fundamental para a viabilidade econômica de uma matriz com crescente penetração de recursos variáveis como eólica e solar.
A crise de 2014-2015 permanece viva na memória do setor. O País à beira de um colapso energético. Os reservatórios do Sudeste abaixo de 20%. E foi o setor sucroenergético que respondeu com energia firme, injetada na rede no momento exato da necessidade.
Durante a crise, a geração de biomassa cresceu 23% em 2014 e 6% em 2015, atingindo picos de 4.061 MW em agosto, período que coincide com o pico de escassez das hidrelétricas. Uma história de resiliência que parece ter sido esquecida.
Hoje, o desperdício tem nome técnico: curtailment (corte deliberado quando o sistema não absorve a energia) e constrained-off (restrição operativa por gargalos na rede). Em 2025, aproximadamente 20% da geração eólica e solar foi descartada, representando prejuízo econômico de R$ 6,5 bilhões.
Em resposta, a ANEEL e o ONS implementaram um plano emergencial que restringe usinas de biomassa em períodos de carga mínima, buscando mitigar riscos da geração distribuída descontrolada. Contudo, a solução penaliza o ativo mais controlável.
Essa ineficiência reflete uma arquitetura de mercado que não remunera adequadamente os serviços ancilares necessários para integrar recursos variáveis. O problema é duplo e estrutural.
A primeira frente é a concentração geográfica de grandes usinas eólicas e solares no Nordeste, distante dos principais centros de carga (Sudeste e Sul), que gera excedentes massivos em períodos de alta disponibilidade. A segunda frente é a expansão não regulada de geração distribuída sem mecanismos adequados de controle de frequência e tensão.
A biomassa é mais que energia. É estabilidade. É a inércia rotacional que protege o sistema de um colapso em cascata. É soberania. Cada parafuso, cada turbina, cada emprego, é nosso. "
Marcelo Nishida Diretor da FG/A Energia
O cenário crítico emerge quando fatores de demanda se alinham desfavoravelmente: feriados prolongados, dias ensolarados com temperatura fria, domingos e períodos de baixa atividade econômica. Quando essas condições coincidem com alta geração eólica ou solar, a carga líquida do sistema atinge níveis críticos, acionando um plano emergencial de restrição.
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Nessas situações, o risco não é apenas o desperdício de energia, mas potenciais desligamentos programados de usinas de biomassa, reduzindo a inércia síncrona disponível exatamente quando o sistema está mais frágil.
A causa fundamental do problema é frequentemente negligenciada. A falta de crescimento econômico sustentado reduz o consumo de energia, perpetuando a condição de carga mínima. Crescimento econômico é condição necessária mas não suficiente: mitiga o problema de demanda mínima, mas não resolve o risco estrutural de regime hídrico baixo.
A contradição fundamental do plano emergencial é evidente: restringe a biomassa, que é controlável e fornece inércia síncrona, enquanto a geração distribuída permanece sem controle. O despacho da ANEEL autoriza restrições, mas não resolve o problema estrutural. Enquanto reguladores e operadores buscam soluções, a verdadeira causa raiz continua negligenciada.
No Centro-Sul, região de maior densidade econômica, encontra-se concentrada 90% da capacidade instalada em biomassa (18 GW), aglutinando geração e demanda. Este atributo geográfico reduz perdas de transmissão e aumenta a eficiência alocativa.
A biomassa oferece dois atributos complementares: geração síncrona que fornece inércia natural; e complementaridade hidrológica, com o setor de celulose oferecendo geração contínua durante todo o ano e o setor sucroenergético concentrando a safra no período seco (abril a novembro), quando os reservatórios de água atingem níveis críticos.
A biomassa é mais que energia. É estabilidade. É a inércia rotacional que protege o sistema de um colapso em cascata. É o controle de frequência e tensão que mantém os parâmetros operacionais dentro de limites seguros. É soberania. Cada parafuso, cada turbina, cada emprego, é nosso. O argumento central não é a substituição de fontes intermitentes por biomassa, mas a otimização econômica de um portfólio diversificado. Eólica e solar reduziram significativamente o custo marginal da energia.
LINHA DO TEMPO DA BIOMASSA
Contudo, a integração eficiente desses recursos requer investimentos crescentes em infraestrutura de transmissão, armazenamento e serviços ancilares. A biomassa, ao fornecer esses serviços de forma integrada e locacional, reduz o custo total de operação do sistema.
Evidência empírica: em 2025, mercados europeus com alta penetração de intermitentes (Espanha: 500 horas com preços negativos; Alemanha: 573 horas; Bélgica: preços atingindo €462/MWh) enfrentam custos crescentes de geração intermitente. Estes custos refletem a ineficiência de um sistema sem adequada remuneração de capacidade.
Para viabilizar a biomassa no longo prazo, é necessária uma reforma no desenho de mercado que separe explicitamente a remuneração de energia focando a potência disponível destes empreendimentos. Leilões de capacidade remuneram a disponibilidade de geração, garantindo viabilidade econômica. Separação de serviços ancilares permite precificar inércia, controle de frequência e tensão, criando receita adicional para geradores síncronos.
As medidas necessárias incluem: igualdade de tratamento para geração distribuída (seguir as mesmas restrições das usinas com modalidade operativa Tipo III), suspensão de novas outorgas e autorização de novas
operações em regiões críticas, reenquadramento de usinas de biomassa como despacháveis firmes, e reforma do desenho de mercado com leilões de capacidade.
O Brasil possui uma oportunidade histórica de demonstrar que é possível conciliar descarbonização com confiabilidade operativa através de uma matriz energética verdadeiramente integrada.
Não se trata de escolher entre eólica, solar ou biomassa, mas de otimizar o portfólio para que cada fonte contribua com seus atributos específicos. A biomassa não é um resquício do passado, mas um ativo estratégico para o futuro.
A pergunta que se coloca aos reguladores, operadores e investidores é fundamental: construiremos um desenho de mercado que remunera explicitamente os atributos técnicos necessários à confiabilidade, ou continuaremos a subsidiar implicitamente a integração de recursos variáveis através de custos ocultos de operação e investimento em infraestrutura, ao mesmo tempo em que restringimos o ativo que mais contribui para a segurança sistêmica?
A resposta determinará se o Brasil liderará uma transição energética verdadeiramente sustentável ou continuará a reagir a crises com soluções emergenciais.
PARADOXO ENERGÉTICO
Tributação do agronegócio
Parceria rural versus arrendamento rural: antigos e novos desafios
Falar sobre parceria rural e arrendamento rural é falar sobre uso da terra — um dos temas mais estratégicos (e sensíveis) do agronegócio brasileiro, especialmente no setor sucroenergético. Esses contratos concentram discussões que, em essência, desembocam na apuração de margens e custos agrícolas, com impacto direto no custo do açúcar e do etanol. Como se costuma dizer, o resultado se faz no campo.
Nos últimos anos, contudo, os contratos de parceria e arrendamento ganharam novo contorno estratégico — ainda que ancorado em desafios antigos.
O tema passou a enfrentar uma avalanche de fiscalizações, e o recado das autoridades fiscais e do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (tribunal que julga as impugnações apresentadas pelos contribuintes) tem sido claro: não basta denominar o contrato como parceria rural; é necessário comprovar, na prática, que ela existe.
Em linhas gerais, a parceria rural envolve cessão de uso da terra com partilha efetiva de riscos e resultados; o arrendamento, por sua vez, também é cessão de uso, mas com remuneração de natureza predominantemente locatícia. Assim, quando um contrato de parceria prevê receita predeterminada ou mecanismos que esvaziam a exposição ao risco, aumenta a probabilidade de descaracterização e requalificação como arrendamento.
O tema passou a enfrentar uma avalanche de fiscalizações (...) não basta denominar o contrato como parceria rural; é necessário comprovar, na prática, que ela existe. "
Ana Paula Malvestio
Sócia fundadora da Holón Consultoria em Governança e membro independente de Conselhos e Comitês
O impacto mais sensível dessa reclassificação recai hoje tão somente sobre a incidência do Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF: aquilo que era tratado como renda vinculada à atividade rural (5,5%), passa a ser tratado como renda de aluguel (27,5%).
A diferenciação entre esses contratos agrários é uma polêmica tão antiga quanto o próprio Estatuto da Terra que os disciplina. Trata-se de uma lei de 1964, regulamentada por decreto de 1966, alterada apenas uma vez, em 2007. Desde então, o cenário de exploração rural no Brasil mudou profundamente, e o tema carece de ajustes na disciplina e no regulamento para melhor aderência à realidade econômica atual.
Pelas regras vigentes, na parceria rural os frutos do empreendimento devem ser partilhados entre o parceiro proprietário e o parceiro agricultor, assim como os riscos, de forma isolada ou cumulativa: “(1) caso fortuito e força maior do empreendimento rural; (2) frutos, produtos ou lucros, nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais estabelecidos pelo Estatuto; (3) variações de preço dos frutos obtidos na exploração do empreendimento rural.”
É precisamente a interpretação — e, principalmente, a prova — dessa partilha de riscos, isolada ou cumulativa, que vem sendo crescentemente desafiada pelas autoridades fiscais.
O resultado tem sido um número relevante de Autos de Infração, os quais, uma vez impugnados, vêm gerando decisões contrárias aos contribuintes no âmbito do CARF.
Chama a atenção que, no passado, ainda que os contratos fossem, em muitos casos, estruturalmente semelhantes aos atuais, os questionamentos eram raros. Em 32 anos de atuação como especialista em tributação no agronegócio, acompanhei, na prática, apenas duas autuações com esse foco.
O que já era preocupante ganha agora um segundo vetor de complexidade: a recém-aprovada Reforma Tributária do consumo. A Emenda Constitucional 132/2023 redesenhou a tributação sobre bens e serviços ao instituir um IVA Dual — IBS (competência compartilhada entre Estados, Municípios e DF) e CBS (competência federal) — com a intenção de simplificar o sistema e tributar de forma ampla as operações onerosas com bens e serviços.
Por que isso se torna um novo desafio?
Porque o arrendamento (ou aluguel) — na medida em que configura cessão onerosa de uso de bem imóvel — passa a integrar, com maior nitidez, o campo de incidência do IBS/CBS.
A Lei Complementar 214/2025 prevê benefício expresso de redução de 70% nas alíquotas do IBS e da CBS para “operações de locação, cessão onerosa e arrendamento de bens imóveis”.
Ainda assim, permanece relevante a discussão sobre a alíquota total do IBS+CBS (a ser calibrada no período de transição) e, sobretudo, sobre os efeitos econômicos e operacionais dessa incidência em estruturas fundiárias do agro.
Nesse contexto, também merece atenção o enquadramento do produtor rural pessoa física: o produtor passa a ser considerado contribuinte do IBS/CBS quando sua receita bruta anual ultrapassar R$ 3,6 milhões (valor sujeito a atualização legal). Ultrapassado esse limite, torna-se contribuinte regular, assumindo obrigações acessórias, emissão de documento fiscal e recolhimento do imposto, com direito à apropriação de créditos.
Caso a receita bruta permaneça abaixo desse patamar, pode-se manter como não contribuinte, gerando crédito presumido ao adquirente pessoa jurídica. Como o tema ainda depende de normatização e regulamentação infralegal,
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permanece a dúvida sobre em que medida o crédito presumido preservará, na prática, a neutralidade da não cumulatividade ao longo da cadeia.
A reforma também introduz um ponto sensível para a gestão financeira: condiciona a apropriação dos créditos de IBS/CBS ao efetivo pagamento ou compensação do imposto, deslocando a não cumulatividade para uma lógica financeira. Na prática, o crédito deixa de ser meramente escritural e passa a depender de desembolso prévio, o que pressionará o capital de giro das empresas do agro. O descasamento entre pagamento e recuperação do crédito tende a agravar um gargalo de caixa especialmente em um cenário projetado de preços mais baixos nos próximos dois anos para o setor sucroenergético.
Vale destacar que o período de transição para o IBS/CBS iniciou agora em 2026, onde estamos no período chamado “ano-teste”, com cobrança simbólica de CBS 0,9% e IBS 0,1%, que não gerará desembolso ou custo efetivo, se cumpridas as regras fixadas em lei. Já em 2027 começa a vigência efetiva da CBS, com a extinção do PIS e da COFINS, e de 2029 a 2032 ocorrerá a fase de transição estadual/municipal, com coexistência e migração gradual de ICMS/ISS para o IBS, para que finalmente em 2033 ocorra a consolidação do novo sistema.
Diante de antigos e novos desafios, quando um contrato de parceria rural está vulnerável e pode vir a ser questionado e caracterizado como arrendamento, o setor pode estar diante de contingências relevantes referentes ao passado e aumento de custos, pressão de caixa, aumento de complexidade operacional no futuro, face à reforma tributária.
Esse tema sempre estratégico exige agora ainda mais atenção e antecipação. Vale que as empresas se perguntem, com objetividade:
1. O risco de parceria está descrito no contrato e é comprovável na execução?
2. A remuneração varia de forma compatível com o risco efetivamente assumido?
3. Há prestação de contas por safra e evidências concretas de participação nos riscos?
4. Os documentos e registros “conversam” entre si (contratos, notas, extratos, controles, declarações e registros contábeis)?
A partir dessas respostas, a necessidade de gerenciamento de riscos com plano de ação objetivo, contundente e executável torna-se inadiável. E isso é governança: procedimentos, controles, contratos e evidências, como pilares de sustentabilidade e perenidade, especialmente em tempos de elevada complexidade.
Escala 6 x 1
Em um contexto no qual o mundo do trabalho se reconfigura diante das demandas de produtividade e competitividade econômica, bem como da crescente preocupação com a qualidade de vida dos empregados, a duração do trabalho semanal volta a ocupar posição central entre os temas mais sensíveis e de grandes consequências sociais e econômicas no País.
O art. 7º, incisos XIII e XV da Constituição Federal de 1988 estabelece como direitos dos trabalhadores urbanos e rurais (1) a duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais; e (2) o repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.
É a partir desse marco constitucional que se consolidou, na prática, a forma tradicional de organização da jornada em seis dias de trabalho seguidos de um dia de descanso, a Escala 6x1. Tal arranjo, embora amplamente difundido, não constitui instituto jurídico autônomo, mas é resultado histórico da compatibilização entre limites constitucionais e exigências estruturais de setores que operam em continuidade, como saúde, comércio, vigilância e o agronegócio em geral, marcado pela sazonalidade da safra e muitas vezes pela operação industrial ininterrupta.
Demandas sociais relacionadas à saúde ocupacional e ao bem-estar social passaram a impulsionar o tema da escala 6x1, que ganhou repercussão e tem sido amplamente debatido nas mídias tradicionais e redes sociais. O debate inicial propôs jornadas de trabalho de 4x3 ou 5x2 motivadas especialmente por rotinas consideradas exaustivas por profissionais do varejo, como farmácias, lojas de comércio e outros estabelecimentos do varejo. Assim, um trabalhador concentraria a jornada de trabalho em alguns dias e teria folga de 2 a 3 dias na semana de forma consecutiva.
Entretanto, a proposta inicialmente veiculada ganhou proporções muito mais amplas, tendo sido acolhida no plano político e expandida com o objetivo de reduzir o limite máximo da jornada semanal de 44 horas previsto na Constituição Federal. Ainda que não sejam temas necessariamente vinculados, o debate sobre o fim da escala 6x1 passou a se concentrar na rediscussão do teto semanal de trabalho, reunindo em um mesmo conteúdo dois eixos distintos: (a) o limite semanal; e (b) o desenho da escala (4x3, 5x2).
Nesse contexto, no segundo semestre de 2025, surgiram propostas de reforma constitucional voltadas à redefinição dos limites
Escala 6 x 1: as empresas poderão ser compelidas a absorver custos, repassá-los nos preços ou reestruturar quadros de pessoal. "
Ricardo
Sócios da RVC Sociedade de Advogados
Varrichio e Rodrigo Gonzaga de Oliveira
máximos da jornada semanal que pretendem ampliar o descanso e reduzir a duração do trabalho, dentre as quais se destacam a PEC nº 8/2025 (Câmara dos Deputados) e a PEC nº 148/2025 (Senado Federal), dentre outras.
Ambas as propostas de alteração constitucional visam à redução da jornada máxima semanal de 44 para 36 horas. A PEC nº 8/2025 ainda prevê um modelo de escala de 4x3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), sem redução salarial.
Já a PEC nº 148/2025 também prevê redução escalonada ao longo dos anos (4 horas no primeiro ano e redução de 1 hora por semana nos demais anos até atingir 36 horas semanais), com a intenção de permitir adaptação progressiva do mercado de trabalho e mitigação de impactos imediatos sobre a organização produtiva.
A discussão assume maior relevo por figurar entre as prioridades anunciadas pelo Governo Federal para 2026, em um ambiente institucional de maior sensibilidade social, frequentemente intensificado em períodos pré-eleitorais.
A questão que se coloca é se a redução constitucional uniforme da jornada máxima semanal constitui o instrumento mais adequado para promover saúde e qualidade de vida no trabalho, diante da heterogeneidade estrutural do mercado brasileiro.
Do ponto de vista econômico-jurídico, a redução da jornada sem redução proporcional do salário eleva o custo do trabalho por hora. Tal incremento somente se mostra sustentável se acompanhado de ganhos equivalentes de produtividade. Do contrário, as empresas poderão ser compelidas a absorver custos, repassá-los nos preços ou reestruturar quadros de pessoal.
Em setores com demanda rígida de cobertura, a redução do teto semanal tende a induzir aumento de contratações, intensificação de negociações coletivas e maior complexidade na gestão de turnos, além de potenciais passivos decorrentes de falhas no controle de jornada.
No setor sucroenergético, os impactos tendem a ser especialmente sensíveis, uma vez que se trata de segmento marcado pela interdependência entre campo, transporte e planta industrial. A redução do limite semanal, sobretudo com preservação salarial,
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pode pressionar o custo de produção, exigir recomposição de equipes, rodízios e maior número de turnos, elevando despesas com adicionais, treinamento, transporte e alimentação.
Além disso, pode acelerar investimentos em automação, alterando o perfil ocupacional. Há também um custo invisível bastante conhecido pelo segmento sucroenergético ligado ao apagão de mão de obra capacitada em algumas regiões e os investimentos necessários para treinamento de novos profissionais operadores de máquinas e implementos agrícolas cada ano mais sofisticados.
Não estamos alheios ao entendimento de que a Constituição Federal também tutela a saúde do trabalhador e assegura a redução dos riscos laborais, além de reconhecer a saúde como direito social fundamental. Nesse sentido, em muitos segmentos econômicos já ocorreram negociações coletivas, com introdução de regras diferenciadas para atendimento das situações específicas do setor, que não se resumem apenas à redução de jornada de trabalho, mas também pela adequada estruturação das escalas e políticas rigorosas das condições e bem-estar de trabalho.
Ou seja, o sistema constitucional brasileiro foi construído sob a égide estrutural de mecanismos capazes de viabilizar negociações sobre condições específicas de trabalho que garantem os direitos fundamentais do trabalhador, sem que haja necessidade de alterações nas diretrizes constitucionalmente estabelecidas, em linha com o art. 7º, inciso XIII e XXVI da Constituição Federal.
Por isso, antes de se buscar alterar a Constituição Federal para reduzir o teto semanal da jornada de trabalho, nos parece mais adequado reconhecer que o tema exige regras compatíveis com a diversidade do mercado de trabalho brasileiro e com a forma de funcionamento de setores contínuos e sazonais.
Assim, a eventual revisão do teto semanal, especialmente quando associada à preservação salarial, poderia ser realizada em leis ou convenções por segmentos específicos, além de ser precedida de avaliação técnica de impactos setoriais, calibragem de prazos de transição e, principalmente, de fortalecimento dos instrumentos já consagrados de negociação coletiva e de gestão de jornada, que permitem acomodar particularidades produtivas sem desproteção do trabalhador.
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Crises expõem fragilidades, mas revelam c sucroenergético atravessou inflação, restr margens e choques econômicos, responde mecanização, produtividade, diversificaçã
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Crise: diagnóstico e caminhos para a superação
O setor sucroenergético brasileiro, hoje mais corretamente denominado setor de açúcar e bioenergia, volta a enfrentar um momento de crise. Como em outros ciclos históricos, não se trata de um evento isolado, mas da convergência de fatores econômicos, produtivos, regulatórios e tecnológicos que pressionam simultaneamente custos, preços e margens.
A diferença, desta vez, é que o setor chega a esse cenário após um período recente de forte recuperação financeira, investimentos relevantes e ampliação de capacidade produtiva, o que torna o ajuste mais complexo e, ao mesmo tempo, mais urgente.
Nos últimos anos, os preços internacionais do açúcar atingiram patamares elevados, impulsionando resultados robustos, redução de endividamento, remuneração ao acionista e retomada de investimentos. Paralelamente, o etanol se beneficiou de um ambiente de petróleo valorizado, câmbio favorável e preços elevados da gasolina no pós-pandemia,
sustentando margens mesmo diante de um processo inflacionário relevante nos custos de produção.
Esse processo inflacionário, no entanto, deixou marcas profundas. Insumos dolarizados, como fertilizantes e defensivos, tiveram aumentos expressivos, assim como custos internos relacionados à mão de obra, máquinas e equipamentos. Atualmente, o custo de implantação de um hectare de cana-de-açúcar varia entre R$ 13 mil e R$ 18 mil, um patamar extremamente elevado para uma cultura de ciclo longo, cujo retorno é diluído ao longo dos cortes. Esse novo nível de custo redefine as decisões de investimento e a gestão agrícola do setor. Ao mesmo tempo, ocorreu uma transformação estrutural com a consolidação do etanol de milho. Embora não seja uma novidade, essa indústria ganhou escala nos últimos anos e já responde por cerca de 30% da produção nacional de etanol, com perspectiva de crescimento adicional.
A crise existe. O desafio agora é transformá-la em um catalisador de ajustes estruturais que garantam competitividade, sustentabilidade e relevância ao setor de açúcar e bioenergia no longo prazo. "
Mário Campos Filho
Presidente da SIAMIG Bioenergia e da Bioenergia Brasil
Esse movimento contribuiu para a manutenção da oferta do biocombustível mesmo em períodos de maior direcionamento do mix da cana para o açúcar, alterando de forma estrutural o equilíbrio entre oferta e demanda.
Chegamos, assim, a 2026 em um cenário desafiador. Os preços internacionais do açúcar retornaram a níveis deprimidos, reflexo clássico dos ciclos das commodities: preços elevados estimulam aumento de capacidade produtiva, resultando em excesso de oferta e posterior queda de preços. Paralelamente, observa-se uma desaceleração do crescimento da demanda global. Se antes se falava em taxas próximas de 2% ao ano, hoje as projeções giram em torno de 0,5%, com incertezas adicionais relacionadas a mudanças nos hábitos alimentares, à disseminação de medicamentos que reduzem a ingestão calórica e à popularização de dietas de baixo consumo de carboidratos.
No mercado de etanol, a pressão também é evidente. A combinação de maior oferta, tanto da cana quanto do milho, com reduções no preço da gasolina, influenciadas pela queda do petróleo, limita a sustentação de preços. Além disso, a abertura de mercados internacionais para o etanol brasileiro, embora promissora, ainda não ocorreu na velocidade necessária para absorver o excedente doméstico.
A esse quadro soma-se um fator macroeconômico crítico: o elevado nível da taxa de juros no Brasil. Juros altos penalizam fortemente um setor intensivo em capital. Empresas mais alavancadas passam a operar prioritariamente para honrar despesas financeiras, reduzindo sua capacidade de investimento e aumentando o risco de deterioração operacional.
Mais recentemente, o debate sobre o fim da jornada de trabalho no regime 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, ou até 36 horas, adicionou uma nova camada de risco. O setor canavieiro é um dos maiores empregadores do País, especialmente em municípios pequenos e médios, e opera, durante a safra, em regime contínuo, 24 horas por dia. Alterações abruptas nas regras de jornada, sem ganhos equivalentes de produtividade, tendem a elevar significativamente os custos operacionais, pressionando ainda mais um setor já fragilizado. Trata-se de um debate legítimo, mas que precisa considerar
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as especificidades produtivas e sociais do setor, sob pena de gerar desemprego, perda de competitividade e fechamento de unidades. O diagnóstico, portanto, é claro: trata-se de uma crise de margens, resultante da combinação de preços baixos, custos elevados e elevada incerteza regulatória e macroeconômica.
Diante desse cenário, a agenda de soluções deve ser pragmática e estruturada em três eixos: demanda, produtividade e estratégia setorial. No campo da demanda, é fundamental ampliar o consumo de etanol sem recorrer exclusivamente à redução de preços. No mercado interno, isso passa pela ampliação da mistura de etanol anidro na gasolina, atualmente em 30%, com potencial legal para atingir 35%, pela maior penetração do etanol em regiões onde sua participação ainda é limitada e por estratégias de comunicação mais eficientes. No mercado externo, o desafio é geopolítico e institucional: inserir o etanol brasileiro nas políticas de descarbonização e blends de outros países, além de acelerar sua inserção em outros modais de transporte, como o marítimo e o aéreo, com base em critérios robustos de sustentabilidade e rastreabilidade.
No mercado de açúcar, o Brasil, como maior produtor e exportador mundial, tem papel central no reequilíbrio global. Reduzir a produção de açúcar de forma consistente não é sinal de fragilidade, mas de liderança responsável. A flexibilidade de mix da cana-de-açúcar é uma vantagem estratégica que deve ser utilizada de forma coordenada.
No eixo da produtividade, o foco precisa deixar de ser o aumento pontual da produção e se concentrar na redução do custo por tonelada ao longo do ciclo da cultura. Isso implica repensar sistemas de plantio, aumentar a vida útil dos canaviais, reduzir a queda de produtividade ao longo dos cortes e utilizar tecnologias como agricultura de precisão, inteligência artificial e manejo climático como ferramentas permanentes de decisão. Cada corte adicional economicamente viável representa uma diluição relevante do custo de implantação e maior resiliência financeira. A crise existe. O desafio agora é transformá-la em um catalisador de ajustes estruturais que garantam competitividade, sustentabilidade e relevância ao setor de açúcar e bioenergia no longo prazo.
A resiliência que move o Brasil há cinco séculos
Chegamos a 2026. O Brasil inicia um novo ciclo, cercado por incertezas globais, transformações tecnológicas, mudanças climáticas cada vez mais intensas, cenário geopolítico instável, economia em xeque com uma taxa de juros elevada, apagão de mão de obra, discussões sobre turnos de trabalho e crescente assistencialismo, dentre tantos outros desafios.
Em meio a tudo isso, o sistema sucroenergético brasileiro segue de pé firme, produtivo e confiante, mas igualmente desafiado em seu limite.
Há mais de cinco séculos, o setor enfrenta crises de toda ordem: econômicas, políticas, ambientais e, algumas vezes, até morais. Mas, em cada uma delas, o resultado foi o mesmo — saímos mais fortes, mais modernos e mais relevantes para o País.
Falar em resiliência é reconhecer a nossa capacidade histórica de sobreviver e evoluir. Falar em competência é compreender que não se trata apenas de resistência, mas de inteligência coletiva, técnica apurada e visão de futuro.
Ao longo de nossa trajetória, o setor da cana-de-açúcar foi muito além do engenho colonial. Tornou-se um sistema bioenergético robusto, diversificado e estratégico, que alia agricultura de precisão, biotecnologia e inovação industrial de ponta.
Há pouco tempo, fora o açúcar, produzíamos apenas o álcool — hoje, etanol. E mesmo assim, em tempos desafiadores, chegamos a vendê-lo por preços inferiores ao custo de produção. Vivemos períodos, desde o lançamento do Proálcool, em que quase enterramos nossa galinha dos ovos de ouro. Mas sobrevivemos.
Há mais de cinco séculos, o setor enfrenta crises de toda ordem: econômicas, políticas, ambientais e, algumas vezes, até morais. Mas, em cada uma delas, o resultado foi o mesmo — saímos mais fortes, mais modernos e mais relevantes para o País "
Hugo Cagno Filho
Presidente UDOP - União Nacional da Bioenergia
Em outros momentos, vimos o bagaço valer mais do que a cana em pé — surreal! Ainda assim, cada adversidade foi superada com criatividade e espírito empreendedor. A cada novo obstáculo, o setor respondia com soluções próprias, reinventando-se em tecnologia, produtividade e sustentabilidade.
De fato, não foi o Estado nem o mercado que salvaram o sistema sucroenergético — fomos nós mesmos. Com a força de nossos trabalhadores, o conhecimento de nossos técnicos e a coragem de nossos líderes, atravessamos os períodos mais turbulentos sem perder o rumo.
Transformamos as usinas em polos tecnológicos, as lavouras em laboratórios vivos e os subprodutos em novas fontes de energia e receita.
E aqui peço vênia para abrir um parêntese importante nessa narrativa. Entidades como a UDOP, a qual tenho a honra de presidir, foram de crucial importância para nossa sobrevivência. Desde a década de 1980, criamos fóruns para discutir soluções tecnológicas, aprimorar sistemas de produção e amplificar as boas práticas de nossas associadas — sempre com o espírito do compartilhamento e foco em conexões seguras e benéficas a toda a cadeia.
Com foco no ser humano, enquanto muitos discutiam se o açúcar e o etanol vinham do campo ou das usinas, nós já sabíamos: eles vêm das mentes e mãos habilidosas de um exército de trabalhadores que ajudaram a moldar o atual estágio de evolução de nossas empresas.
Graças a essa visão e a muito trabalho , hoje podemos afirmar com orgulho que, de um simples engenho, o setor se tornou um sistema energético completo e integrado, exemplo para muitos países do globo.
Se antes tínhamos o carro a álcool, agora temos o avião e o navio movidos a etanol. E não é exagero dizer que o biocombustível brasileiro é um dos pilares da transição energética global. O etanol, o biogás, o biometano e a bioeletricidade projetam o Brasil como líder mundial de uma matriz mais limpa, segura e sustentável.
E o que podemos esperar para a safra 2026/2027?
O desafio, agora, não é apenas sobreviver. É liderar. É ocupar o espaço que conquistamos com tanto esforço e mostrar que somos, sim, o setor que pode ancorar a transição energética do planeta.
Para isso, precisamos continuar investindo em ciência, capacitação e políticas públicas que valorizem a bioenergia nacional. Precisamos de estabilidade regulatória, estímulo à inovação e de um ambiente econômico que reconheça o papel estratégico do setor na descarbonização da economia.
Tenho defendido há anos que vivemos uma gangorra desafiadora, sempre colapsando no teto das 600 milhões de toneladas de cana-de-açúcar colhidas e processadas no Centro-Sul do Brasil.
Basta observarmos nossos números dos últimos anos. Alguns chamam até de “a maldição das 600 milhões de toneladas”. Parece que toda vez que atingimos essa marca, nos vemos em crise e recuamos à centena anterior, levando de dois a três anos para nos recuperarmos — e, igualmente, rompermos a marca para depois voltar a cair.
Essa constatação nos traz uma lição clara e desafiadora: quando conseguiremos, de fato, melhorar a produtividade de nossos canaviais, há décadas estagnada?
O fator novo dessa equação é a “concorrência” do etanol de milho, que trouxe estabilidade à produção do biocombustível, mas também desafios significativos, especialmente diante de uma demanda ainda aquém de nossa oferta.
É imperativo unirmos forças — cana e milho para alavancar o consumo de etanol tanto dentro quanto fora do Brasil. Só assim poderemos garantir nossa sustentabilidade diante desse cenário desafiador.
A frota flex do Brasil do ciclo Otto ainda apresenta consumo de etanol retraído em muitos estados. Hoje, sete estados brasileiros são responsáveis por 80% do consumo nacional. Mas, e os outros 19 estados e o Distrito Federal? Onde estamos errando ao não os incentivar a consumir nosso etanol?
Esses 19 estados, segundo levantamento da SCA Brasil, representam 41% da frota de veículos leves do País. Potencial de expansão temos de sobra. Falta, agora, criarmos mecanismos e políticas que estimulem esse consumo.
Outro desafio importante recai sobre a abertura de mercado internacional para a mistura de etanol na gasolina. Esse avanço esbarra, no entanto, na crescente predileção de muitas nações pelos motores elétricos em substituição aos motores a combustão. Mas há espaço para ambos.
Além disso, precisamos conquistar mercados promissores no médio prazo, como o biobunker (motores de navios a etanol) e o SAF (combustível sustentável de aviação). Sozinhos, esses segmentos poderiam consumir quase toda a produção mundial atual de biocombustíveis.
Com todos esses desafios de mercado, enfrentamos ainda um problema sério: o apagão de mão de obra qualificada um desafio urgente para o setor. E, nesse ponto, volto a destacar o papel da UDOP como entidade referência em capacitação profissional.
A velocidade das transformações tecnológicas exige novas competências, e é por isso que iniciativas como o Projeto Qualifica, desenvolvido em parceria entre a UDOP e o
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Senai, são tão importantes. Formar pessoas é garantir o futuro da bioenergia. Sem gente preparada, não há revolução verde possível. Do campo à indústria, da gestão à pesquisa, estamos construindo um novo capítulo da nossa história. O Brasil tem a cana, o clima, o conhecimento e a capacidade de inovar. E, mais do que isso, tem um setor que não se rende, que insiste em acreditar no poder do trabalho e na força de uma energia que nasce da terra.
A verdade é que a nossa trajetória sempre foi movida por crises — mas, sobretudo, por superações. O sistema sucroenergético não teme o futuro, porque já o está moldando. A bioenergia é a resposta brasileira aos desafios climáticos e energéticos do século XXI. E é com essa convicção que seguimos, mais uma vez, prontos para enfrentar o que vier.
Não importa qual seja o desafio — nós vamos vencê-lo!
Porque resiliência e competência são, desde sempre, as marcas registradas do nosso setor.
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Crises e superações
O nosso setor nasceu devido a uma crise.
Em 1975, em razão da crise do petróleo, houve a criação do Proálcool, colocando o Brasil como referência mundial na produção de álcool.
Após um período de crescimento e elevado aumento de novas áreas de canaviais e tecnologias, ficamos diante da crise de 1989, na qual ocorreu uma grande demanda de açúcar, acarretando consequentemente na queda da produção de etanol, gerando um desabastecimento generalizado em nosso País.
O referido cenário gerou reflexos muito negativos e ruins para o setor, uma vez que ocasionou a insegurança dos consumidores pela falta do etanol, o que resultou na queda das vendas de veículos movidos a álcool.
Os anos 2001 e 2002 também foram extremamente complicados para o setor, ocasião em que houve a liberação dos preços e comercialização do etanol anidro e hidratado, que eram até então controlados pelo governo, que arbitrava mensalmente os preços.
Com a liberação da comercialização, o etanol passou a ser vendido diretamente às distribuidoras.
... Depois de ter esperado por mais de seis horas e de ter oferecido o etanol a R$ 0,15/litro, me responderam que já tinham oferta a R$ 0,10/litro. Triste realidade."
Isso gerou uma violenta queda do preço, pois a aquisição era realizada por poucas distribuidoras, que forçaram uma grande redução do valor do etanol, uma vez que anteriormente era pago com a arbitração do governo o equivalente a R$0,41/litro e passou a ser pago pelas distribuidoras até R$0,07/litro.
Recordo-me de um episódio em que a cooperativa que eu administrava necessitava de recursos para fazer a folha de pagamento e fui pessoalmente a determinada distribuidora na tentativa de conseguir melhores preços.
Depois de ter esperado mais de seis horas e de ter oferecido o etanol a R$ 0,15/ litro, me responderam que já tinham oferta a R$ 0,10/litro. Triste realidade.
Não aceitei e tive que vender outros produtos da cooperativa para honrar a Folha de Pagamentos dos funcionários e produtores.
Miguel Rubens Tranin Presidente da Alcopar
Mas a exemplo das outras crises, o setor sempre foi muito resiliente e competente. Com esse espírito foi criado a Brasil Álcool, e com a união na comercialização do etanol nacional em bloco e o alinhamento dos preços, conseguimos melhorar os preços. Um belo exemplo associativo.
Com esse espírito criamos no Paraná a CPA, Central Paranaense de Álcool, que fazia a comercialização de 80% da produção do Estado, gerando bons frutos ao setor no Estado do Paraná. Além disso, a CPA, posteriormente, além de comercializar, passou a estocar e armazenar etanol e açúcar pela construção de tanques e armazéns junto com acesso ferroviário e rodoviário com muita eficiência, surgindo a CPA Trading e Armazéns Gerais, a qual nos atende até hoje.
De 2004 a 2008, o setor cresceu muito no Brasil expandindo a mais estados, muito alavancados, momento histórico que demonstrou a grande capacidade de superação dos empresários. Porém, não durou muito tempo.
Por influência da crise financeira global iniciada em 2008, a qual prejudicou vários setores e gerou a maior crise do nosso setor, tivemos muitos pedidos de recuperação judicial e falências – vivemos momentos extremamente difíceis. Destaca-se que no Brasil fecharam mais de 100 empresas. No Paraná fecharam 10 empresas. E novamente com muito trabalho o setor se superou.
Tivemos ainda uma crise em 2022, final de uma pandemia mundial. Aí sim, vimos o maior movimento e a união do setor nacionalmente, juntamente com o setor automotivo e o de autopeças, numa iniciativa grandiosa que gerou o MBCB – Movimento de Baixo Carbono Brasil, verdadeiramente um movimento tão sonhado, onde as montadoras focaram na produção de veículos flex e híbridos a etanol, com várias empresas focadas no combustível alternativo, combustíveis renováveis em veículos leves e pesados. Exatamente neste ambiente, com foco de não emissão de carbono, foi criado o
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RenovaBio, programa nacional onde um CBio equivale a uma tonelada de carbono evitada. O estímulo que faltava para mais uma vez demonstrar a resistência setorial, buscando retribuir todos investimentos e esforços feitos para reduzir a emissão de Gases de Efeito Estufa.
Com isso e com bons preços do açúcar, o setor se recuperou bastante. Todavia, em 2024, mais uma vez em decorrência do clima seco, extremamente severo, com situações de apenas 30% a 40% da precipitação histórica, houve grandes prejuízos à produtividade das lavouras de cana de açúcar. O que salvou a safra naquele ano foram os investimentos em renovação da lavoura que foram capazes de resistir mais a essas adversidades.
Salienta-se que, sempre na busca de alternativas de superação, vem em paralelo a produção de etanol de milho, que cresceu muito não só no Brasil, tomando parte do mercado e com perspectiva de crescimento muito grande e competitivo. Surgiram as chamadas usinas flex , associando a biomassa da cana para gerar a energia necessária para produção de etanol de milho.
Ainda na visão de buscar novos mercados e cenários para o setor sucroenergético, há que se fazer um trabalho conjunto, se reinventando, aproveitando a sinergia milho/cana com otimização das indústrias com ganhos mútuos.
Além disso, devemos buscar o aumento da mistura de etanol anidro à gasolina e melhorar a eficiência do etanol nos veículos a combustão e aprimorar o uso do combustível renovável em navios, aviões e veículos pesados. Novos mercados e estímulos ao consumo do etanol. Inclusive em outros países.
Certamente as crises não terminaram. Mas o importante é a busca da superação. Pois as crises são passageiras e temos de ser o exemplo para as gerações futuras. Na vida, cada um escreve a sua história.
O setor com certeza tem uma grande história para contar.
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O amadurecimento institucional da climáticapolíticabrasileira
O mundo aprendeu, desde Paris, que promessas climáticas precisam de lastro. Não bastam discursos ou documentos assinados em cúpulas internacionais. É preciso criar mecanismos que funcionem na prática, que possam ser medidos, verificados e que façam sentido econômico. O Brasil entendeu isso. E construiu o RenovaBio.
A força do programa está na sua honestidade técnica. Enquanto outros países trabalham com médias estimadas ou modelos computacionais genéricos, o Brasil escolheu o caminho mais difícil: medir, usina por usina, quanto carbono cada litro de biocombustível efetivamente evita.
A conta é simples e rigorosa: gramas de CO2 por megajoule de energia, auditados um a um.
... transformar a vocação bioenergética brasileira em política de Estado, ancorada em ciência, eficiência e previsibilidade jurídica. Não é pouco. "
Esse rigor trouxe uma descoberta importante. O etanol brasileiro, produzido tanto de cana-de-açúcar quanto de milho, tem intensidade média de 22 gramas de CO2 por megajoule, número que coloca o País na vanguarda global.
A Agência Internacional de Energia reconhece o Brasil como referência mundial em biocombustíveis, com projeção de crescimento sustentado até 2030. Não é sorte da natureza. É resultado de eficiência: usinas que queimam biomassa para gerar energia, processos otimizados, ciência aplicada ao campo e à indústria.
Evandro Gussi Presidente da UNICA
O coração financeiro do sistema é o CBio, o crédito de descarbonização. Cada tonelada de CO2 evitada gera um crédito negociável.
A lógica é inversa à da punição: em vez de taxar quem polui, o programa remunera quem melhora.
Quanto mais limpo o biocombustível, mais créditos a usina recebe. É um incentivo que funciona porque fala a língua da economia real.
Os números comprovam. Em oito anos, mais de 330 empresas foram certificadas — 95% da produção nacional de etanol. A intensidade de carbono caiu 10% no período. Entre janeiro e julho de 2025, foram emitidos 37,9 milhões de CBios.
No primeiro semestre, as negociações movimentaram R$ 2,88 bilhões na bolsa. Não são métricas vazias. É dinheiro que remunera eficiência ambiental e financia inovação. Como toda política estruturante, o programa enfrentou resistências. Algumas distribuidoras buscaram escapar das obrigações ambientais por meio de liminares judiciais.
A estratégia era clara: substituir a compra de créditos por depósitos judiciais, operando à margem do sistema, enquanto concorrentes cumpriam as regras. Era tentativa de transformar vantagem competitiva desleal em argumento jurídico.
As instituições brasileiras reagiram. Em fevereiro de 2026, o Superior Tribunal de Justiça, a pedido da Advocacia-Geral da União, suspendeu liminares, reconhecendo risco de 'grave lesão à ordem e à economia públicas'.
A decisão foi categórica: interferências judiciais em políticas de alta especificidade técnica comprometem a previsibilidade do mercado e fragilizam o núcleo regulatório do programa. Antes disso, o Supremo Tribunal Federal já havia declarado, por unanimidade, a plena constitucionalidade do RenovaBio.
O Tribunal de Contas da União reconheceu seu alinhamento aos compromissos internacionais. O Congresso Nacional aperfeiçoou a legislação, aumentando fiscalização e penalidades para inadimplência.
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Essa convergência institucional importa. Segurança jurídica não é detalhe burocrático, é condição para investimentos de décadas em um setor que exige capital pesado e planejamento de longo prazo. Ao blindar o RenovaBio jurídica e regulatoriamente, o Brasil sinaliza ao mundo que leva a sério suas políticas climáticas.
Há outro ponto crucial: a integridade do mercado. Programas com metas obrigatórias só funcionam se todos cumprem. Quando alguns operam fora do sistema, destroem a isonomia concorrencial e desestimulam quem investe em eficiência. Transparência nas medições e fiscalização rigorosa são o que separam uma política séria de um teatro regulatório. O RenovaBio investe nisso.
O programa nasceu como resposta climática, mas virou estratégia industrial. No mundo de hoje, consumidores e investidores querem rastreabilidade e dados confiáveis sobre emissões. A experiência brasileira virou referência internacional.
A Agência Internacional de Energia aponta o RenovaBio como modelo de política baseada em intensidade de carbono, ao lado do Low Carbon Fuel Standard da Califórnia. Países da Ásia, América Latina e Europa estudam o desenho brasileiro, não por diplomacia, mas porque funciona.
A transição energética não acontece por decreto ou boa vontade. Exige métricas precisas, incentivos bem calibrados e instituições que não mudam de ideia a cada governo. O RenovaBio mostra que é possível juntar sustentabilidade, lógica econômica e protagonismo global.
O Brasil tem vantagens naturais, tecnologia agrícola de ponta e parque industrial robusto. Mas vantagens não se transformam em liderança sozinhas. É preciso política pública consistente. O RenovaBio oferece esse arcabouço.
Mais que uma resposta a problemas urgentes, o programa é uma escolha de futuro: transformar a vocação bioenergética brasileira em política de Estado, ancorada em ciência, eficiência e previsibilidade jurídica. Não é pouco. É o tipo de construção institucional que países levam décadas para consolidar e que o Brasil conseguiu fazer funcionar.
Crises como oportunidades
Em meio a um cenário global marcado por incertezas econômicas, instabilidades geopolíticas e eventos climáticos extremos, o setor agropecuário nacional tem reafirmado seu papel como uma das bases mais sólidas da economia brasileira.
Não se trata apenas de números expressivos de produção ou de recordes sucessivos de exportação, mas de uma capacidade estrutural de adaptação que se consolidou ao longo dos anos. A resiliência do agro brasileiro não é fruto do acaso; ela é resultado de investimento contínuo em tecnologia, profissionalização da gestão e abertura estratégica de mercados.
Nos últimos anos, a sucessão de crises colocou à prova a robustez do setor. A pandemia de Covid-19 desorganizou cadeias globais de suprimento, elevou custos logísticos e impôs restrições operacionais inéditas.
Ainda assim, a agropecuária foi reconhecida como atividade essencial e manteve o abastecimento interno e os fluxos de exportação. Enquanto outras áreas da economia retraíam de forma abrupta, o campo seguiu produzindo, sustentando empregos e contribuindo decisivamente para o superávit da balança comercial.
Logo em seguida, o conflito no Leste Europeu expôs a vulnerabilidade brasileira na dependência de fertilizantes importados. A disparada nos preços e o risco de desabastecimento pressionaram custos e margens. O impacto foi imediato, mas a reação também. Produtores intensificaram práticas de manejo mais eficientes, ampliaram o uso de insumos biológicos e diversificaram fornecedores. O debate sobre a necessidade de ampliar a produção nacional de fertilizantes ganhou centralidade, revelando que as crises também funcionam como catalisadoras de mudanças estruturais.
Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas deixaram de ser uma projeção futura para se tornarem realidade cotidiana. Secas severas, geadas fora de época, enchentes e ondas de calor têm afetado diferentes regiões produtoras. A variabilidade climática eleva o risco e exige planejamento mais sofisticado. A resposta do setor tem sido a incorporação acelerada de tecnologias como agricultura de precisão, monitoramento via satélite, sementes mais resistentes e sistemas integrados de produção.
A força do agro brasileiro reside em sua capacidade de aprender com as crises. Cada desafio recente — sanitário, climático, geopolítico ou econômico — revelou vulnerabilidades, mas também impulsionou avanços. "
Tirso de Salles Meirelles
Presidente do Sistema Faesp/Senar
O avanço da ciência tropical, conduzido por instituições de pesquisa e universidades, tem sido fundamental para ampliar a produtividade sem expansão desordenada da área cultivada. A volatilidade econômica também compõe esse cenário desafiador. Oscilações cambiais influenciam tanto a competitividade das exportações quanto o custo dos insumos importados. Taxas de juros elevadas encarecem o crédito rural, instrumento vital para custeio e investimento. Ainda assim, o agro mantém dinamismo, sustentado por demanda externa consistente e por uma estrutura produtiva cada vez mais profissionalizada.
Grandes produtores, cooperativas e pequenos agricultores vêm incorporando práticas de governança, planejamento financeiro e gestão de risco com maior rigor. Programas como a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), trabalham a questão produtiva desde a preparação da terra até a comercialização dos produtos, ensinando os produtores a valorarem todos os componentes da produção.
É preciso reconhecer que a resiliência do setor não elimina suas fragilidades. Gargalos logísticos persistem, encarecendo o transporte e reduzindo a competitividade. A infraestrutura de armazenagem ainda é insuficiente em diversas regiões. O seguro rural, praticamente inexistente no País, carece de maior abrangência, especialmente diante do aumento dos eventos climáticos extremos. Além disso, a imagem do agro no cenário internacional é frequentemente tensionada por debates ambientais e pressões regulatórias.
Nesse ponto, a sustentabilidade deixa de ser apenas um discurso e passa a ser imperativo estratégico. O mundo exige cadeias produtivas rastreáveis, livres de desmatamento ilegal e alinhadas a metas de redução de emissões. O Brasil possui vantagens comparativas importantes: ampla experiência em plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta, uso de biocombustíveis e recuperação de áreas degradadas. Transformar essas práticas em ativos reputacionais e comerciais é um desafio que depende de articulação entre setor privado, governo e sociedade. As perspectivas para o futuro são promissoras, mas condicionadas à capacidade de avançar em inovação e infraestrutura. A digitalização do campo tende a se aprofundar, com expansão da conectividade rural, no caso de São Paulo, uma promessa do governador Tarcísio de Freitas, e maior integração de dados ao longo das cadeias produtivas.
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Startups do agronegócio ampliam o acesso a crédito, seguro e soluções tecnológicas, democratizando ferramentas antes restritas a grandes produtores. A biotecnologia, a edição genética e os insumos biológicos devem ganhar ainda mais espaço, reduzindo dependências externas e impactos ambientais.
No plano internacional, a demanda por alimentos continuará crescendo, impulsionada pelo aumento populacional e pela elevação da renda em países emergentes. O Brasil, detentor de vasta área agricultável, disponibilidade hídrica e conhecimento técnico acumulado, tem condições de ampliar sua participação no comércio global. Contudo, essa expansão precisará estar ancorada em critérios ambientais rigorosos e em compromissos claros com a preservação dos biomas.
Também será decisiva a estabilidade institucional. Políticas públicas previsíveis, crédito acessível, investimento em pesquisa e melhorias logísticas são fatores que determinam competitividade no longo prazo. O Plano Safra, os programas de inovação e os instrumentos de gestão de risco devem evoluir para atender a um setor cada vez mais complexo e integrado ao mercado global.
A força do agro brasileiro reside em sua capacidade de aprender com as crises. Cada desafio recente sanitário, climático, geopolítico ou econômico revelou vulnerabilidades, mas também impulsionou avanços. O setor demonstrou que não apenas resiste às adversidades, mas se transforma a partir delas. A resiliência, nesse contexto, não significa imobilismo; significa adaptação contínua.
O futuro exigirá equilíbrio delicado entre expansão produtiva, responsabilidade ambiental e inclusão social. Pequenos e médios produtores precisam ser integrados às cadeias de valor com acesso a tecnologia e crédito. A inovação deve caminhar lado a lado com políticas de redução de desigualdades regionais. Somente assim o crescimento será sustentável em sentido amplo.
Diante das incertezas que ainda se desenham no horizonte global, uma certeza permanece: o setor agropecuário nacional continuará sendo protagonista.
Se souber transformar desafios em oportunidades, fortalecer sua imagem internacional e aprofundar seu compromisso com a sustentabilidade, o agro não apenas manterá sua resiliência, mas consolidará seu papel como motor estratégico do desenvolvimento brasileiro nas próximas décadas.
O produtor no centro da estratégia sucroenergética
A resiliência do produtor de cana não é fruto do acaso nem apenas de resistência individual. Ela é construída sobre fundamentos econômicos, institucionais e humanos. Em um cenário de custos elevados, juros altos, escassez de mão de obra e maior concorrência no mercado de etanol, a pergunta central deixa de ser apenas “como resistir” e passa a ser: o que, de fato, garante continuidade e capacidade de atravessar ciclos?
Na nossa visão, a resiliência se sustenta em bases claras. Neste momento, a mudança não é só conjuntural, mas, em alguns termos, estrutural. Por isso, devemos sair diferentes dessa vez.
A primeira é eficiência produtiva consistente. O produtor resiliente conhece seus números com precisão. Sabe seu custo por hectare, seu custo por tonelada e seu ponto de equilíbrio. Trabalha com planejamento varietal, manejo adequado do solo, controle rigoroso de insumos e redução de perdas na colheita.
Produtividade não é apenas meta técnica; é estratégia de sobrevivência. Cada tonelada adicional com qualidade dilui custos fixos e amplia a margem em momentos de preços baixos.
O próximo passo, portanto, não é apenas sobreviver à crise. É sair dela mais profissional, mais organizado e mais estratégico. Crises passam. Estruturas permanecem. "
José Guilherme Ambrósio Nogueira
CEO da Orplana - Organização das Associações de Produtores de Cana do Brasil
Sem dados, somos somente pessoas com opinião. A segunda base é gestão financeira disciplinada. Ciclos de baixa são inevitáveis no setor sucroenergético. O que diferencia quem atravessa de quem sucumbe é organização.
Fluxo de caixa projetado, controle de endividamento, análise criteriosa de investimentos e uso responsável do crédito
tornam-se ainda mais decisivos em períodos de juros elevados. Resiliência exige capacidade de atravessar adversidades sem comprometer o patrimônio construído ao longo de gerações.
A terceira base é organização coletiva e governança da cadeia. O produtor isolado tem menor capacidade de negociação e menor acesso a informações estratégicas.
A atuação institucional qualificada fortalece o elo agrícola e amplia previsibilidade nas relações contratuais. A cadeia sucroenergética é interdependente: quando o produtor está fragilizado, todo o sistema perde eficiência. Nesse momento, estar na sua associação de fornecedor de cana e junto à Orplana auxilia na estratégia e nos riscos do produtor.
Ainda nesse ponto, é fundamental que as usinas enxerguem o produtor como parceiro estratégico, e não como simples fornecedor de matéria-prima. A sustentabilidade econômica do campo é condição para a estabilidade da indústria.
Relações baseadas em transparência, previsibilidade e compartilhamento equilibrado de riscos fortalecem toda a cadeia. O produtor precisa ser visto como investidor de longo prazo, responsável pelo ativo mais relevante do sistema: a cana no campo.
A quarta base é política pública consistente. O setor sucroenergético tem papel estratégico na matriz energética brasileira. Políticas bem estruturadas criam sinalização positiva ao mercado.
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No entanto, o produtor precisa de previsibilidade regulatória, ambiente competitivo equilibrado e reconhecimento da importância do elo agrícola. Política pública não substitui gestão, mas cria condições para investimento e planejamento de longo prazo.
Por fim, há um elemento que permeia todos os demais: trabalho. Muito trabalho. Resiliência não se constrói apenas com discurso ou expectativa de melhoria de mercado. Ela nasce na rotina da propriedade — no acompanhamento diário de indicadores, na revisão constante de custos, na negociação firme, na liderança da equipe e na capacidade de adaptação.
O que garante a resiliência do produtor de cana é a combinação de gestão profissional, organização coletiva, políticas públicas adequadas, relações equilibradas com a indústria e dedicação constante. O que faz a resiliência acontecer é a decisão de agir estrategicamente mesmo sob pressão.
O setor já enfrentou ciclos adversos e os superou com união e racionalidade. A diferença, mais uma vez, estará em reconhecer que a força da cadeia começa no campo.
O próximo passo, portanto, não é apenas sobreviver à crise. É sair dela mais profissional, mais organizado e mais estratégico.
Crises passam. Estruturas permanecem.
E o produtor que construir estrutura agora será o protagonista do próximo ciclo de crescimento.
Visão dos produtores
Conforto nunca foi nosso habitat
Chegamos a 2026. Para quem observa o setor sucroenergético de fora, pode parecer apenas mais um ano no calendário. Para quem vive o setor por dentro, representa mais um capítulo de uma longa história escrita sob pressão, incerteza, criatividade e, sobretudo, resiliência.
É sabido — e comprovado empiricamente — que o sistema bioenergético brasileiro sempre conviveu com crises de toda ordem: de preço, climáticas, regulatórias, de crédito, de imagem. Ainda assim, até hoje, saiu-se bem de todas elas. Não ileso, é verdade. Mas mais forte, mais preparado e mais sofisticado.
Além da resiliência, há um atributo que merece igual destaque: a competência. Houve um tempo em que, fora o açúcar, produzíamos apenas etanol. Vivemos situações folclóricas — tipo vender etanol abaixo do custo ou bagaço valendo mais que cana em pé, deixando o usineiro coçando a cabeça quanto ao
A cada safra, um novo “desafio existencial”. Em vez de nos derrubar, cada crise nos obrigava a evoluir. Da simplicidade dos engenhos, tornamo-nos um respeitado sistema energético integrado, com tecnologias avançadíssimas e biotecnologia de ponta. Ontem, carro a álcool; hoje, avião e navio movidos a etanol. Sobrevivência virou protagonismo.
Não importa o desafio: historicamente, nós o vencemos. A pergunta agora é: qual é ele?
O primeiro vetor é na agricultura. A inteligência artificial deixa de ser futurista para virar condição de competitividade: modelos preditivos otimizam insumos, solo, clima hiperlocal e manutenção de equipamentos como um personal trainer para o canavial, prevendo pragas em 95%, cortando químicos em 30% e rendendo 15% mais.
Em paralelo, desenvolvimento genético reduz imprevisibilidade das safras. Variedades resilientes a estresses hídricos, térmicos e fitossanitários viram gestão de risco essencial. CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats), uma tecnologia revolucionária de edição genética que age como
Se o passado ensinou algo, é que prosperamos na adversidade. Em 2026, mais do que resistir, será preciso acelerar e manter a disciplina. Resiliência como armadura; competência como bússola; inovação como combustível do próximo ciclo de crescimento sustentável. "
Jucelino Oliveira de Sousa Presidente do Conselho da Bevap, Santa Adélia e Colombo
uma "tesoura molecular", eleva sacarose em 15%, corta volatilidade em 40% — teremos em breve uma cana "super-heroína" que rirá do El Niño.
Mas outros desafios multiplicam-se. Aproxima-se 2027, com polarização e modelo de Estado incerto — esquerda, direita ou circo? Preparemo-nos para um ambiente regulatório menos amistoso.
Novo cenário tributário revisa contratações de insumos e serviços, mudando a mentalidade operacional, e não podemos nos esquecer das incertezas macro de sempre: qual serão os juros e câmbio em 5-10 anos? Selic teimosa em 12% trava capital; dólar R$ 6,00 impulsiona, real forte comprime. Previsão: juros 9-11%, câmbio R$ 5,20-5,80.
Aqui, ponto sensível: chegou a hora de separar os homens e mulheres dos meninos e meninas. Últimos anos de preços remuneradores e safras estáveis “acostumaram mal” o setor — disciplina relaxou, eficiência virou discurso.
Com preços baixos e volatilidade, gestão de custos, produtividade, eficiência e controle de despesas são imperativos. Ter liquidez para suportar solavancos é fundamental — caixa para 12-18 meses, já que não
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podemos cortar o açúcar na dieta do setor, que cortemos as gorduras.
Se há boa notícia, é que crises nos organizam. Conforto nunca foi nosso habitat — ironicamente, isso nos tornou experts em mares turbulentos. Em 2026, brindamos à resiliência: sairemos mais fortes, sempre com uma piada pronta e um futuro mais doce.
Há ainda transformação estrutural relevante: consolidação da agenda ESG como eixo estratégico. Sustentabilidade deixou de ser discurso e virou premissa de financiamento e acesso a mercados. Créditos de carbono e bioeletricidade ampliam receitas e exigem governança sólida. O mundo enxerga o Brasil como potência renovável, com o setor no centro desse movimento.
A integração entre indústria e campo ganha nova dimensão com digitalização e uso de dados. Eficiência vira requisito básico. Quem dominar custos e tecnologia atravessará ciclos com menos sobressaltos.
Se o passado ensinou algo, é que prosperamos na adversidade. Em 2026, mais do que resistir, será preciso acelerar e manter a disciplina. Resiliência como armadura; competência como bússola; inovação como combustível do próximo ciclo de crescimento sustentável.
A antifragilidade urgente do sistema bioenergético
Chegamos a 2026, e o sistema sucroenergético brasileiro se encontra novamente em momento crítico e de desafios. A trajetória do setor é uma epopeia de superações, prova viva de que a força não reside na ausência de crises, e sim na capacidade de se fortalecer e evoluir a partir delas.
O convite para refletir sobre a “resiliência e competência” de nosso setor me leva a um conceito ainda mais profundo: a antifragilidade pragmática que moldou e, agora, impulsiona a resposta urgente do setor sucroenergético à crise de mercado atual.
Por décadas, forjados na volatilidade, crises como etanol vendido abaixo do custo ou o bagaço valendo mais que a própria cana não são novidades. Cada safra trouxe seus desafios: políticas energéticas valorizando energias fósseis, flutuações cambiais, crises econômicas, adversidades climáticas e mercadológicas. Para muitos, seriam golpes fatais; para nosso setor, foram catalisadores.
Essa sucessão de crises e estressores contínuos fez-nos mais fortes. Não se trata apenas de resistir, como a resiliência sugere.
A antifragilidade pragmática é como um sistema imunológico que se fortalece a cada infecção. Vivenciamos um processo de transformação e aprimoramento contínuo.
A trajetória do setor é uma epopeia de superações, prova viva de que a força não reside na ausência de crises, e sim na capacidade de se fortalecer e evoluir a partir delas. "
Luís Antonio Arakaki
Diretor Presidente da Alcoeste Bionergia
O sistema sucroenergético se reinventou, se adaptou e se beneficiou da própria desordem. Essa é a essência da antifragilidade pragmática: a capacidade de criar, se fortalecer, melhorar e evoluir a partir de crises, transformando a volatilidade em progresso dos processos produtivos.
A “competência e o pragmatismo” do sistema sucroenergético são o motor dessa antifragilidade, na incessante busca por inovação, que nos tirou da condição de um simples engenho para alçar a posição de um respeitado sistema sucroenergético global. Essa competência é multifacetada desdobrando-se em diversas frentes.
1. Produtividade agrícola e a biotecnologia: diante da pressão sobre preços do açúcar e etanol, o foco fundamental da produtividade agrícola é a primeira linha de defesa. Universidades e centros de pesquisa intensificam o desenvolvimento de varietais da cana aprimoradas para resistir a pragas e otimizar a
produtividade e sacarose sob estresse hídrico. A biotecnologia é outra aliada permitindo explorar o potencial máximo de cada ciclo; a agricultura de precisão, VANTs, sensores, inteligência artificial, máquinas autônomas são cruciais para otimizar o uso dos insumos e diluir o custo de produção, buscando a máxima eficiência agora por metro quadrado, protegendo a atual e futuras produtividades. A seleção varietal mais tolerante a colheita e plantio mecanizados, secas, pragas e doenças é estratégia para extrair valor de condições adversas assegurando sustentabilidade da produção.
2. Eficiência industrial e economia circular para diluição de custos: Os processos industriais com gestão em tempo real com laços fechados e IA integrados para diluir custos fixos. Abraçar uma filosofia de “zero resíduo” é uma estratégia de sobrevivência. O bagaço antes com custo de descarte é aproveitado na bioeletricidade, e excedentes injetados na rede nacional, inclusive para os veículos elétricos (EVs), são cruciais para geração de receita adicional e diluição de custos. A vinhaça é hoje um biofertilizante valioso, aplicado nas lavouras via fertirrigação, fechando o ciclo de nutrientes e reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos. A levedura, a parede celular e o extrato abrem novas fronteiras para aditivos alimentares, rações animais e outros usos de alto valor agregado, diversificando as fontes de receita e minimizando o impacto ambiental.
3. Diversificação e valor agregado estratégico, novas análises de produtos e mercados: A dependência exclusiva do açúcar e do etanol, especialmente em anos de preços internacionais desfavoráveis, e o crescimento do etanol de milho são um risco que o setor não pode mais se dar ao luxo de correr.
A busca por novas e disruptivas análises de produtos e mercados é urgente. Para um portfólio diversificado de produtos e soluções além do etanol de primeira geração, deve-se pensar ativamente sobre plantas com flexibilidade para produção de etanol de milho e o etanol celulósico de segunda geração, flexibilidade de produção de bioeletricidade com a fotovoltaica, biogás, biometano, bioplásticos, biocarvão (biochar), dióxido de carbono, papel e compensados de bagaço, bioquerosene de aviação (SAF) e muito mais. Essa diversificação não é apenas uma estratégia de mercado, é uma manifestação da antifragilidade pragmática, pois reduz a vulnerabilidade a flutuações de um único produto e cria múltiplas fontes de valor a partir da mesma matéria-prima, garantindo a
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perenidade do negócio em diferentes cenários econômicos e regulatórios.
A história do “carro a álcool” evoluiu para a realidade do navio e avião a etanol; aliás, o etanol há muito tempo é um SAF de primeira geração movendo os Ipanema da Embraer, sobrevoando nossos canaviais, demonstrando a escalabilidade e a versatilidade da nossa solução energética. Isso não é mera sorte; é o resultado de um ecossistema de inovação que aprendeu a se alimentar da instabilidade. As secas impulsionaram a eficiência hídrica, as variações de mercado forçaram a otimização e a diversificação. Cada perturbação foi o gatilho para a evolução.
Além dos ganhos diretos em produtividade e sustentabilidade, a antifragilidade pragmática do setor sucroenergético brasileiro se traduz em um impacto socioeconômico profundo. O setor é o maior empregador do agronegócio, gerando milhões de empregos e contribuindo para o desenvolvimento local. Ao fornecer uma fonte de energia renovável e limpa, o setor contribui significativamente para a segurança energética do País para o cumprimento das metas climáticas globais, posicionando o Brasil como líder mundial em bioeconomia e sustentabilidade.
Mas, qual é, de fato, o desafio que nos espera em 2026? Não é mais o desafio de “vencer” uma crise específica, pois sabemos que elas são a nova normalidade. O verdadeiro desafio é manter e aprimorar essa mentalidade anti- frágil pragmática. É não cair na complacência, é continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento, é fomentar a cultura de inovação que nos permitiu chegar até aqui. É reconhecer que a incerteza é o nosso campo de jogo e que a volatilidade é nossa aliada mais poderosa. Novos horizontes, como a produção de hidrogênio verde como mais um produto e a integração com outras fontes de energia renováveis, exigirão essa mesma capacidade de se adaptar, prosperar e renascer em ambientes de constante mudança.
O setor sucroenergético brasileiro não apenas resistiu às tempestades; aprendeu a dançar com elas, transformando turbulências em energia propulsora. Em 2026 e nas décadas seguintes, nossa resiliência e competência serão testadas constantemente, mas nossa antifragilidade pragmática nos assegurará que sairemos ainda mais fortes, liderando a transição energética global e construindo, a depender de nosso setor, um mundo melhor e mais sustentável a partir da própria imprevisibilidade.
Competência técnica em um cenário de desafios
Ao analisarmos as projeções para a safra 2026/27, no âmbito do setor sucroenergético, a sensação para quem vive o chão de fábrica e a gestão de processos e projetos industriais é de estar diante de uma equação complexa, na qual as variáveis externas pressionam as constantes operacionais.
Não estamos falando apenas de mais um ciclo de moagem; trata-se de um ano que tende a testar a maturidade da nossa engenharia industrial no setor, nossos times da operação e a robustez dos nossos ativos industriais. As projeções indicam uma "tempestade perfeita" no lado da oferta e dos preços, cenário recorrente em ciclos do setor, exigindo que a resposta das usinas não seja emocional, mas sim estritamente técnica e pautada na excelência operacional.
O cenário macroeconômico desenha-se desafiador. As estimativas mais recentes de consultorias especializadas e os dados de mercado apontam para mais um ano de forte moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul.
Uma safra robusta, com muita cana a ser moída, que impõe um teste de estresse logístico e industrial. Paralelamente, a consolidação do etanol de milho é uma realidade irreversível e exponencial, inundando o mercado com biocombustível e alterando a dinâmica de precificação.
Como se não bastasse a pressão de oferta interna, o cenário global impacta a rentabilidade.
A "bala de prata" para 2026 não será uma nova tecnologia disruptiva, mas sim o retorno aos fundamentos da engenharia de processos química e mecânica: fazer o básico com perfeição absoluta. "
Fernando Cullen Sampaio Gerente de Tecnologia e Processos Industriais da São Martinho
Em cenários de mercado amplamente discutidos, a combinação do preço do petróleo (Brent) pressionado e um dólar mais fraco em determinados períodos tende a reduzir o preço da gasolina ao consumidor, comprometendo a competitividade natural dos biocombustíveis na bomba. Soma-se a isso a possibilidade de excedente global de açúcar em análises sobre mercado global. Para a engenharia de processos no setor, a conclusão é clara: a margem de contribuição não virá do mercado; uma parcela relevante virá de dentro das plantas industriais, tonelada a tonelada, por meio de eficiência de conversão termodinâmica e mecânica, aproveitando ao máximo o potencial energético do bagaço, priorizando os rendimentos de conversão do Açúcar Recuperável Total (ART) disponibilizado na cana em açúcar, etanol e levedura, com o menor custo possível.
Neste contexto, a engenharia de processos assume o protagonismo. A "bala de prata" para 2026 não será uma nova tecnologia disruptiva, mas sim o retorno aos fundamentos da engenharia de processos química e mecânica: fazer o básico com perfeição absoluta.
O primeiro pilar de sustentação é a Gestão de Ativos e a Disponibilidade Física. Com a expectativa de grande disponibilidade de cana para processamento na safra, o custo de oportunidade de uma parada não programada é proibitivo.
A confiabilidade de equipamentos críticos, como caldeiras de alta pressão, turbogeradores, conjuntos de moenda e equipamentos-chave envolvidos nos processos produtivos, deve ser tratada como prioridade técnica. A manutenção precisa transitar definitivamente do modelo corretivo/preventivo para a engenharia de confiabilidade e preditiva avançada, visando disponibilidade em patamares de excelência. Adicionalmente, o custo de manutenção passa a ser outra variável crítica a ser considerada na equação.
Entretanto, rodar a planta sem parar não é suficiente; é preciso rodar com estabilidade e eficiência máxima. Aqui entra a expertise da Engenharia de Processo, na otimização dos balanços de massa e energia, na definição dos melhores padrões operacionais e do gerenciamento das rotinas da operação. Em margens comprimidas, cada kg de vapor por tonelada de cana, cada kg de ART convertido, cada MWh adicional disponível para venda contam e fazem a diferença.
A integração térmica da planta deve ser revisitada, assim como os padrões operacionais. É necessário um plano de safra muito bem elaborado e otimizado, integrando áreas operacionais, administrativas e comerciais, além da definição de um sistema de gestão da rotina para garantia de que o realizado esteja sempre aderente ao planejado. Pequenos projetos de adequações de processo focados em recuperação energética e hídrica, redução de perdas determinadas e prevenção das indeterminadas são investimentos setoriais relativamente simples e de retorno muito rápido.
A recuperação de fábrica (transformação da sacarose disponível em açúcar ensacado) deve ser monitorada em tempo real, não apenas para registro histórico, mas para correção imediata de desvios de processo, independentemente do mix planejado. O rendimento fermentativo, muitas vezes subestimado em ciclos com maior viés açucareiro, volta a ser o "coração" da rentabilidade industrial. É a microbiologia e a cinética química garantindo que o açúcar não se perca em subprodutos indesejados.
É fundamental, também, desmistificar o papel da Indústria 4.0 e da Automação Avançada. Frequentemente vendidas como a solução final, elas são ferramentas habilitadoras, e não o fim em si. Sensores IoT, Gêmeos Digitais e Otimização em Tempo Real (RTO) só agregam quando o processo físico-químico já é estável e bem projetado.
A tecnologia digital deve servir para reduzir a variabilidade do processo, permitindo que
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operemos mais próximos aos limites termodinâmicos e mecânicos dos equipamentos, com segurança. O investimento deve ser inteligente, priorizando automação que garanta estabilidade e segurança de processo, instrumentação analítica confiável e sistemas que entregam dados acionáveis para decisões de balanço da planta. E no centro de todas essas ações é fundamental um plano de capacitação, sensibilização e cuidado com as pessoas. Tecnologia de ponta com times não treinados e engajados não entrega resultado.
Já olhando para o médio e longo prazo, a resiliência do setor passa pela evolução da usina para biorrefinaria. A operação, engenharia de projetos, inovação e novos negócios precisam atuar em conjunto para integrar novas tecnologias e processos a sites existentes. Como exemplo, a flexibilidade trazida pelas plantas flex (cana e milho) exige uma gestão energética sofisticada, visto que o balanço de vapor e energia elétrica muda drasticamente. A integração não é apenas física, é operacional.
Além disso, novos vetores de valor como o biometano e os combustíveis sustentáveis (SAF, etanol de segunda geração, biometanol, hidrogênio, entre outros) deixam de ser "projetos de P&D" para se tornarem unidades de processo que exigem engenharia pesada.
O biometano, em particular e já uma realidade, representa a conversão da matéria orgânica disponível na vinhaça em receita nobre, preservando as suas características de fertirrigação na vinhaça digerida, mas sua implementação requer domínio de processos de biodigestão, purificação de gases e compressão, áreas onde a engenharia química tradicional se encontra com a engenharia de óleo e gás. Estamos falando de plantas químicas acopladas, operando em sinergia.
Portanto, ao encararmos 2026, a mensagem setorial deve ser de confiança na competência técnica que o nosso segmento tem de sobra. O sistema sucroenergético brasileiro é, sem dúvida, o mais eficiente do mundo, uma referência, tendo passado por décadas de aprimoramento em engenharia de processo. A superação dos desafios de preços e oferta virá da capacidade das nossas equipes de engenharia, manutenção e produção em extrair o máximo rendimento de cada molécula com o menor custo possível. A resiliência não é sorte; é o resultado de um balanço de massa e energia muito bem trabalhado e aplicado, de uma manutenção bem planejada e executada e de uma gestão que entende que o lucro se constrói no detalhe do processo industrial. Estamos preparados.
A convivência entre o etanol de cana, o açúcar e o etanol de milho
O sistema sucroenergético brasileiro tem-se mostrado bastante resiliente desde o Proálcool (Programa Nacional do Álcool) em 1975, com o objetivo de superar a crise do petróleo no início dos anos 70.
Já passaram mais de 50 anos e a prova maior desta resiliência é que estamos aqui discutindo como serão os próximos 50 anos do setor sucroalcooleiro.
Nascido de um simples aditivo à gasolina, em um tempo que não tínhamos dólares suficientes para cobrir as nossas compras externas, hoje estamos discutindo a utilização do etanol como combustível sustentável de navios e aviões, a produção do biometano e muitas outras aplicações, além das já conhecidas na indústria.
Hoje produzimos alimentos em larga escala, somos o maior produtor e exportador mundial de açúcar e o segundo maior produtor mundial de açúcar e um dos maiores geradores de bioeletricidade a partir do bagaço da cana-de-açúcar, e somos um dos pilares da matriz energética renovável do País.
Sua importância transcende o setor agrícola, impactando diretamente a economia, o meio ambiente e a segurança energética nacional.
Somos um setor naturalmente resiliente e já provamos que temos capacidade de nos adaptar e resistir a crises econômicas, ambientais ou políticas, pois somos uma indústria com diversificação de produtos
Apesar de termos uma frota de veículos leves constituída por 80% de veículos flex, temos apenas 25% da frota utilizando etanol, devido aos altos custos tributários e logísticos em diversos estados. "
Tarcilo Ricardo Rodrigues
Diretor da Bioagência de Fomento de Energia de Biomassa
com grande flexibilidade industrial que nos permite reagir de forma rápida e eficaz às variações de demanda e preços dos mercados internacionais.
Investimos constantemente em variedades de cana resistentes a pragas, firmas de plantio e colheita e estamos dedicando tempo e conhecimento para nos adaptar às mudanças climáticas e fortalecer a sustentabilidade agrícola.
Temos um papel importante para enfrentar crises globais pois somos produtores de alimento e energia, que são extremamente importantes para produzirmos respostas às crises globais, de forma constante, segura e sustentável.
A nossa competência está ligada à capacidade de gerar valor econômico, empregos, distribuição de renda, interiorização da produção com excelência ambiental, mantendo competitividade em escala global.
Mesmo com todos os nossos problemas, ainda temos o menor custo de produção entre todos os demais produtores mundiais.
Geração de energia a partir da própria biomassa, que além de utilizada na fabricação de nossos produtos constitui-se em importante supridor de energia na matriz de eletricidade brasileira.
O uso do etanol como combustível em larga escala no País contribui de forma decisiva à redução de emissões de gases de efeito estufa e consolida o setor como referência em bioenergia limpa.
Mantemos pesquisas para a produção do etanol de segunda geração (a partir da celulose da cana) que ampliam e diversificam o potencial energético e redução de resíduos.
O etanol brasileiro é reconhecido como um dos biocombustíveis mais sustentáveis do mundo, com potencial de abrir espaços em mercados que buscam valorizar os biocombustíveis e reduzir a pegada de carbono.
Este mercado vem sendo atacado por governos e grandes empresas ligadas aos combustíveis fósseis, e esta é uma batalha dura, mas que mais cedo ou mais tarde não se tornará uma opção, mas sim uma necessidade, suportada pelos eventos extremos
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de clima, vistos em todas as partes do mundo, provocados pelas mudanças climáticas.
Os desafios são muitos, com os quais já convivemos há muito tempo. Temos uma indústria que demanda muito custo de capital. Os investimentos de implantação e de manutenção são sempre vultosos e convivemos com taxas de juros elevadíssimas há muitos anos, demonstrando a nossa grande resiliência para nos mantermos em pé e crescendo.
Formação de mão-de-obra qualificada, redução de custos e gestão profissional para competirmos em igualdade são problemas que já foram maiores no passado recente, mas que não devem ser deixados de lado, principalmente em tempos de crise de oferta, como estamos vivendo agora.
Somos tarifados nos principais mercados de etanol e açúcar ao redor do mundo, o que comprova a nossa grande competitividade, mas limita o nosso crescimento.
As mudanças climáticas podem afetar a nossa produtividade agrícola e redirecionar as áreas produtivas. Temos de investir em variedades mais resistentes a essas mudanças.
Temos um elemento novo que certamente nos acompanhará pelos próximos anos que é a produção do etanol a partir do milho.
Esta produção quebra um dos mecanismos de ajuste de demanda e preços clássico do setor sucroalcooleiro brasileiro, com a nossa grande capacidade de flexibilizar a produção entre açúcar e etanol.
Não há correlação direta entre os preços do açúcar e do milho, e desta forma quando temos preços ruins de açúcar pelo excesso de oferta mundial, o Brasil funciona como um regulador da produção, ao reduzir a oferta de açúcar e aumentar a oferta de etanol e, desta forma, voltar a equilibrar o mercado de açúcar.
O aumento da oferta de etanol, em decorrência da redução da produção de açúcar, implica em preços menores para o etanol, para podermos aumentar a demanda pelo biocombustível e acomodarmos a oferta adicional de etanol.
Como os preços do milho não têm correlação com os preços do açúcar, estamos
vendo neste momento um incremento da oferta de etanol de milho, em uma velocidade maior que o mercado de combustíveis pode absorver sem reduzir severamente os preços relativos do etanol.
Isso faz com que a estratégia das usinas em reduzir a produção de açúcar para criar um contraciclo seja menos eficiente, pois temos um aumento da oferta de etanol maior proveniente do milho, que prolongará o ciclo de baixa do etanol, reduzindo a eficácia do processo.
Como os custos de produção de etanol de milho são menores que os de etanol de cana, somente preços muito baixos provocariam uma redução na oferta de etanol de milho e inibiriam a execução de novos projetos.
Estes preços reduzidos do etanol por um período mais longo podem afetar principalmente as usinas de cana-de-açúcar menos competitivas, levando a uma redução do setor.
Por outro lado, há oportunidades que ainda precisam ser mais bem exploradas, mas o fator tempo pode ser decisivo, uma vez que a oferta aumenta de forma acelerada, com os novos projetos de etanol de milho.
Temos um grande mercado de carbono no Brasil, com a criação do RenovaBio. Programa muito bem construído em sua lógica de redução das emissões de gases do efeito estufa, mas que vem sendo combatido na esfera judicial, criando distorções e insegurança entre os agentes de mercado.
Sua solução tem-se mostrado complexa e difícil com diversos atalhos jurídicos impetrados por uma parte relevante de distribuidores de combustíveis.
Estamos lutando arduamente contra essas distorções e acreditamos que devemos fazer algumas mudanças de ordem operacional e reforço legislativo para que possamos dar sequência a este importante mecanismo de valorização dos biocombustíveis e mitigação dos efeitos nocivos dos combustíveis fosseis, que fortaleçam a imagem do Brasil como líder em energia renovável.
Num futuro não muito distante temos boas perspectivas para o setor sucroenergético,
como a reforma tributária a ser implantada no mercado de combustíveis, que trará uma isonomia tributária para o etanol em todo território nacional, tornando o etanol bastante competitivo com a gasolina.
Isto deve disseminar o uso do etanol em todo o Brasil e favorecer a instalação, principalmente de usinas e etanol de milho, em boa parte do País.
Apesar de termos uma frota de veículos leves constituída por 80% de veículos flex, temos apenas 25% da frota utilizando etanol, devido aos altos custos tributários e logísticos em diversos estados.
A utilização do etanol como matéria-prima para a produção do combustível sustentável de aviação (SAF), contida nas diretrizes do Projeto de Lei Combustível do Futuro, já aprovado, cria uma perspectiva bastante positiva de médio e longo prazos e uma boa oportunidade de investimento para todo o setor.
Dentre os pontos aprovados nesta lei, está a possibilidade de elevarmos a mistura de etanol anidro na gasolina em até 35%.
A utilização do etanol como combustível de grandes navios também se desponta como uma alternativa viável, com uma implantação mais simples que o SAF.
Novos programas de mistura de etanol na gasolina ao redor do mundo também podem contribuir para que a nossa indústria continue viva e na sua trajetória de crescimento.
O sistema sucroenergético brasileiro é muito resiliente e competente, como já provou em diversas crises desde a sua consolidação, e está pronto para manter relevância global e atrair investimentos.
Sua força está na flexibilidade produtiva, na sustentabilidade, na inovação tecnológica e na força da sua gente, que nunca desistiu mesmo nos momentos mais críticos ao longo de sua história.
Estamos prontos para os próximos 50 anos, para consolidarmos ainda mais a nossa posição mundial, superar barreiras comerciais e investir em soluções que respondam às mudanças climáticas e às novas demandas energéticas, com a energia de quem está começando agora.
Um novo produto do sistema sucroenergético
CO2: uma oportunidade 2
O programa de etanol no Brasil começou seu desenvolvimento com objetivo de substituir o petróleo na década de 1970 por questões econômicas.
O aumento de produtividade e incentivos fiscais garantiram sua competitividade até agora. Porém, a volatilidade do preço do barril de petróleo e a estagnação da produtividade vêm reduzindo a competitividade do etanol produzido a partir de cana-de-açúcar.
A valoração dos créditos de carbono associados à queima de combustível renovável, pagos por programas como o RenovaBio, pode alavancar a competitividade, mas depende normalmente de políticas públicas que envolvem vários interesses econômicos e não são de fácil implantação e manutenção.
Outra alternativa para aumento de competitividade é a utilização de subprodutos do processo de produção agrícola e industrial. O uso de subprodutos como vinhaça e torta de filtro na substituição de fertilizantes já é uma realidade implantada há bastante tempo, e o bom gerenciamento desses recursos pode ter retorno econômico.
A utilização de biomassa excedente para produção de energia elétrica teve seu início promissor na década de 1990, mas a expansão do mercado esbarra, hoje, nos baixos preços da energia elétrica renovável, principalmente pelo barateamento da energia produzida por usinas eólicas e solares.
O excedente de biomassa também pode ser utilizado para aumentar a produção de etanol no processo de etanol celulósico.
O dióxido de carbono (CO2) é um subproduto da queima de combustível (biomassa) e da produção de etanol (fermentação) que pode ter um papel interessante nas opções de produção da indústria, principalmente por ser um produto biogênico renovável.
O CO2 pode ser utilizado como matéria-prima para produção de ureia, biocombustíveis, polímeros e solventes; muitas pesquisas vêm sendo conduzidas para desenvolver o uso de CO2 para produção de metano e metanol. "
Antonio Alberto Stuchi Consultor especialista em tecnologias do setor sucroenergético
PRODUÇÃO DE CO 2 - MÓDULO
DE CANA
Biogás
Combustíveis
• Metano
• Metanol
• Gasolina/diesel/ combustível de aviação
Combustível fóssil
Biomassa
Processo Industrial Depósitos subterrâneos
Ar
Aumento de Rendimento
• Estufas
• Algas
• Ureia/fertilizante
Solvente
• Recuperação avançada de petróleo
• Descafeinação
Produtos químicos
• Intermediários químicos (metano, metanol)
• Polímeros (plástico)
Materiais de Construção
• Agregados (material de preenchimento)
• Cimento
• Concreto
Existem algumas vantagens para viabilizar o CO2 como produto comercial, como alta qualidade do CO2 produzido na fermentação que reduziria muito o custo de produção quando comparado ao CO2 obtido da queima de biomassa.
A sazonalidade da produção, o preço alto do produto no mercado interno e a logística são as principais desvantagens.
A primeira ilustração mostra o potencial de produção de CO2 por milhão de tonelada de cana.
A produção de E2G (Etanol de Segunda Geração) considerada foi de 33.408 m³ de etanol anidro produzido a partir de bagaço excedente e 50% da palha remanescente na área de colheita.
Conversão (uso direto)
• Lavagem a seco
Fluido de transferência de calor
• Refrigeração
• Sistema de potência supercrítico
Outros
• Alimentos e bebidas
• Soldagem
• Usos Médicos
O biogás produzido no processo 1G é de 13.216.247 Nm³ de biogás (7,268.936 Nm³ de metano), proveniente da vinhaça e torta de filtro. O biogás do E2G, proveniente da vinhaça, é de 10.174.300 Nm³ de biogás (5.595.885 Nm³ de metano).
O CO2 produzido na fermentação do etanol tem concentração muito alta, superior a 95%, na biodigestão está na faixa de 50% e esta é uma vantagem muito grande se compararmos com o CO2 que vem da queima de biomassa, que tem concentração próxima a 14%. O custo de purificação e compressão do CO2 proveniente da queima de biomassa ou carvão está na faixa de US$100 por tonelada e é reduzido para perto de US$50 por tonelada quando o gás vem da fermentação com concentração mais alta.
Um novo produto do sistema sucroenergético
Esta pode ser uma vantagem definitiva para viabilizar o uso do CO2 biogênico produzido na indústria sucroalcooleira.
A principal desvantagem do CO2 na indústria do álcool, a sazonalidade, vem sendo mitigada nas indústrias que estão implantando o etanol 2G, que tem um período de produção previsto de 300 dias por ano.
Outra possibilidade é a indústria de etanol de milho, que normalmente não tem o limite da sazonalidade e tem alguns modelos de negócio operando com a produção de 1G, principalmente no período de entressafra da cana-de-açúcar.
Custos competitivos e suprimento de produto constante sinalizam para o mercado a possibilidade de uma alternativa de suprimento de CO2 renovável para substituir o produto que vem da indústria petroquímica.
A segunda ilustração deste artigo mostra os principais usos do CO2 na indústria.
O CO2 presente no ar ou produzido por processos químicos, bioquímicos e principalmente pela queima de combustíveis, depois de passar por um processo de purificação e compressão, pode ser utilizado diretamente ou convertido em outros produtos.
O CO2 pode ser utilizado como matéria-prima para produção de ureia, biocombustíveis, polímeros e solventes; muitas pesquisas vêm sendo conduzidas para desenvolver o uso de CO2 para produção de metano e metanol que são produtos primários na indústria química e de combustíveis.
O uso direto do CO2, por outro lado, já é bem desenvolvido, e o consumo vem aumentando nos últimos anos. A IEA (2019) projetou um consumo mundial para 2025 de 250 Mt CO2 e um crescimento de demanda de 1,7% ao ano.
Os principais usos são: ureia (57%), recuperação de poços de petróleo EOR (34%), bebidas (3%), alimentos (3%), soldas e metais (2%), outros (4%).
O uso de CO2 tem potencial para apoiar o desenvolvimento de produtos e serviços com menor pegada de CO2 e contribuir para a redução de emissões.
Também pode ser um complemento para a ampla implantação de CCS ( Carbon
Capture and Storage ), que a IEA sempre destacou como uma parte crítica do portfólio de tecnologias necessárias para atingir as metas climáticas.
No entanto, o uso de CO2 não pode substituir o armazenamento de CO2 na entrega das reduções de emissões muito significativas necessárias para atender às ambições do Acordo de Paris, pois em muitas aplicações o CO2 retorna para a atmosfera.
Isso reflete a esperada escala menor de muitas oportunidades de uso de CO2, e seu escopo muito limitado para emissões negativas. É importante mencionar que, em alguns casos, uma parte ou a totalidade do CO2 fica retida nas aplicações como na otimização de produção dos poços de petróleo ou quando é utilizado na fabricação de produtos que podem ter uso muito prolongado como plásticos ou materiais para construção estrutural.
A captura e injeção de CO2 associada à indústria de energia renovável ( Bioenergy Carbon Capture and Store - BECCS) é uma alternativa para a redução de gases do efeito estufa.
Como o CO2 injetado neste caso vem de fonte renovável, isto é, biomassa que já capturou CO2 da atmosfera, pode produ zir energia ou combustíveis com emissão de carbono negativa.
O Brasil tem um significativo poten cial para a estocagem geológica de CO2. Possui bacias sedimentares que têm bom potencial para armazenar CO2 onshore offshore . Os maiores produtores estacionários de CO2, energia, refinarias de petróleo, açú car e etanol, cimento e indústria química estão na região Centro-Sul do País, próxi mos das bacias sedimentares adequadas para armazenamento do CO2 (KETZER et al, 2014).
A proximidade do parque industrial do etanol de regiões com condição geológica favorável para injeção de CO2 também pode ser um fator importante na viabilização dos projetos, pois diminuirá em muito o investimento em equipamentos para transporte do CO2, assim como o consumo de energia.
2026 | BRASIL
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Imagine se você descobrisse que o médico com o qual você vai fazer uma cirurgia cardíaca na manhã seguinte se formou há 20 anos como o melhor aluno da sua classe, na melhor faculdade de medicina do País. Muito bom, não?
Entretanto, nos últimos 20 anos, ele não leu nenhum livro, nem participou de nenhum congresso, nem teve por costume ler regularmente revistas especializadas da sua área médica. Você faria a cirurgia em paz?
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No que se refere a nossa área, quantas tecnologias foram desenvolvidas e implantadas nessas duas décadas como o estado da arte e, depois de algum tempo, substituídas por uma nova opção, muito mais eficaz e eficiente, que tomaria o lugar da anterior, até ser igualmente substituída por uma mais nova ainda.
Quantas pragas e doenças apareceram, desapareceram, e algumas até voltaram? Quantas técnicas foram substituídas nesses últimos 20 anos?
Nenhum conhecimento é definitivamente eterno. A faculdade está sempre atualizada, mas tão somente até o dia da sua formatura. Os livros, igualmente, até o dia da sua publicação. As opções que são continuadamente atualizadas são os congressos e as publicações regulares das áreas.
Conhecendo esse cenário e o que passou a representar nesses 23 anos de operação para as universidades, centros de pesquisa e empresas do sistema agrícola e florestal, a Revista Opiniões decidiu abrir inscrições gratuitas para que todos os estudantes, professores e cientistas de todos os cursos de agroconhecimento de qualquer parte do mundo, passem a receber todas as nossas publicações.
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O objetivo é fazer com que o estudante, desde o primeiro dia de aula, passe a participar da vida empresarial na qual se integrará, em alguns anos, já com atualizado conhecimento do que está sendo discutido, avaliado e implantado nas empresas.
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O acesso à informação dirigida é a mais eficiente forma de unificar e atualizar o conhecimento entre todos os funcionários em cargos de comando, bem como preparar os funcionários em ascensão para assumir estes cargos. Esta é a mais natural forma de gerar a Educação Continuada.
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Imagine if you found out that the doctor you're going to have heart surgery with the next morning graduated 20 years ago as the top student in his class at the best medical school in the country. Pretty good, right?
However, in the last 20 years, he hasn't read any books, attended any conferences, or regularly read specialized magazines in his medical field. Would you have the surgery done in peace?
Education
In our field, how many technologies have been developed and implemented in these two decades as state-of-the-art, only to be replaced after some time by a new, much more effective and efficient option, which would take the place of the previous one, until it too was replaced by an even newer one?
How many pests and diseases have appeared, disappeared, and some have even returned? How many techniques have been replaced in the last 20 years?
No knowledge is truly eternal. University is always up-to-date, but only until the day you graduate. Books, likewise, are up-to-date until the day they are published. The options that are continuously updated are conferences and regular publications in the fields.
Knowing this scenario and what it has come to represent in these 23 years of operation for universities, research centers, and companies in the agricultural and forestry sectors, Opinions Magazine decided to open free registration so that all students, professors, and scientists from all agricultural knowledge courses from anywhere in the world can receive all of our publications.
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The goal is for the student, from the very first day of class, to participate in the business world into which they will integrate in a few years, already possessing up-to-date knowledge of what is being discussed, evaluated, and implemented in companies.
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