Opiniões www.RevistaOpinioes.com.br ISSN: 2177-6504
FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 16 • número 55 • Divisão F • mar-mai 2019
corrigindo a rota do sistema florestal
índice
corrigindo a rota do sistema florestal Editorial de abertura:
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Nelson Barboza Leite
Diretor da Teca e Deplan, Administrador da www.facebook.com.br/comunidadeDeSilvicultura e Coordenador do projeto Silviculturando-se
Centros de P&D:
15 17 19
Produtores de floresta: Germano Aguiar Vieira Diretor Florestal da Eldorado
José Maria de Arruda Mendes Filho Diretor da Lacan Florestal
Heuzer Saraiva Guimarães
Diretor de Negócios Florestais da Westrock
Yeda Maria Malheiros de Oliveira Pesquisadora da Embrapa Floresta
Luiz Carlos Estraviz Rodriguez
Professor de Economia e Plnj Florestal da Esalq-USP
Dagoberto Stein de Quadros
Professor Economia Florestal da FURB
Consultores:
22 24 26 28 30
Jefferson Bueno Mendes
Diretor da BM2C - Business Management Consulting
Leonardo Bonetti
Entidades e orgaõs:
32 34 37 38 42
Amantino Ramos de Freitas
Presidente da SBS - Sociedade Brasileira de Silvicultura
Aldo de Cresci Neto
Secretário Executivo da Frente Parlamentar de Silvicultura
Aline Tristão Bernardes
Diretora Exec da FSC Brasil - Forest Stewardship Council
Dárcio Calais
Assessor Técnico do Sindifer - Sind Ind Ferro de MG
João Paulo Mello Rodrigues Sarmento
Presidente da SBEF - Soc Bras dos Engenheiros Florestais
Diretor da Iniciativa Agronegócios
Laércio Couto
Vice-presidente da World Bioenergy Association
Joésio Deoclecio Pierin Siqueira
Vice-presidente da STCP Engenharia de Projetos
Reinaldo Herrero Ponce
Consultoria para área Florestal Madeireira
Editora WDS Ltda e Editora VRDS Brasil Ltda: Rua Jerônimo Panazollo, 350 - 14096-430, Ribeirão Preto, SP, Brasil - Pabx: +55 16 3965-4600 - e-Mail Geral: Opinioes@RevistaOpinioes.com.br n Diretor Geral de Operações e Editor Chefe: William Domingues de Souza - 16 3965-4660 - WDS@RevistaOpinioes.com.br nCoordenadora Nacional de Marketing: Valdirene Ribeiro Souza - Fone: 16 3965-4606 - VRDS@RevistaOpinioes.com.br nVendas: Lilian Restino - 16 3965-4696 - LR@RevistaOpinioes.com.br • Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nJornalista Responsável: William Domingues de Souza - MTb35088 - jornalismo@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Futuros: Julia Boniceli Rolo - 2604-2006 - JuliaBR@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Avançados: Luisa Boniceli Rolo - 2304-2012 - LuisaBR@RevistaOpinioes.com.br nConsultoria Juridica: Priscilla Araujo Rocha nCorrespondente na Europa (Augsburg Alemanha): Sonia Liepold-Mai Fone: +49 821 48-7507 - sl-mai@T-online.de nExpedição: Donizete Souza Mendonça - DSM@RevistaOpinioes.com.br nCopydesk: Roseli Aparecida de Sousa - RAS@RevistaOpinioes. com.br nEdição Fotográfica: Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nTratamento das Imagens: Luis Carlos Rodrigues, Careca - LuisCar.rodrigues@ gmail.com - 16 98821-3220 nFinalização: Douglas José de Almeira nArtigos: Os artigos refletem individualmente as opiniões pessoais sob a responsabilidade de seus próprios autores n Foto da Capa e do Índice: Florestas das Fazendas dos Fundos Florestais LACAN na Costa Leste do Mato Grosso do Sul nFotos das Ilustrações: Paulo Alfafin Fotografia - 19 3422-2502 - 19 98111-8887- paulo@pauloaltafin.com.br • Ary Diesendruck Photografer - 11 3814-4644 - 11 99604-5244 - ad@arydiesendruck.com.br • Tadeu Fessel Fotografias - 11 3262-2360 - 11 95606-9777 - tadeu.fessel@gmail.com • Acervo Revista Opiniões e dos específicos articulistas nFotos dos Articulistas: Acervo Pessoal dos Articulistas e de seus fotógrafos pessoais ou corporativos nVeiculação Comprovada: Através da apresentação dos documentos fiscais e comprovantes de pagamento dos serviços de Gráfica e de Postagem dos Correios nTiragem Revista Impressa: 4.000 exemplares nExpedição Revista eletrônica: 20.000 e-mails cadastrados - Cadastre-se no Site da Revista Opiniões e receba diretamente em seu computador a edição eletrônica, imagemn fiel da revista impressa nPortal: Estão disponíveis em nosso Site todos os artigos, de todos os articulistas, de todas as edições, de todas as divisões das publicações da Editora WDS, desde os seus respectivos lançamentos nAuditoria de Veiculação e de Sistemas de controle: Liberada aos anunciantes a qualquer hora e dia, sem prévio aviso. n Home-Page: www.RevistaOpinioes.com.br
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Opinions Magazine-India: Specific publication on agricultural, industrial and strategic issues of Indian regional market. Editorial language: English. Advertising language: English and Hindi n Business Researcher: Marcelo Gonçalez - +91 9559 001 773 - MG@RevistaOpinioes.com.br nMarketing Researcher: Eliete Aparecida Alves Goncalez - +91 9580 824 411 - EG@RevistaOpinioes.com.br n Chief Editor Assistant: Gabrielle Gonçalez - +91 9580 824 411 - GG@RevistaOpinioes.com.br nBusiness Journalist: Andréa Lage de Oliveira- +977 981 8816 164 - ALO@RevistaOpinioes.com.br
Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • Edimar de Melo Cardoso • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Roosevelt de Paula Almado • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Pedro Robério de Melo Nogueira • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Xico Graziano
PONSSE MANAGER:
PONSSE OPTI PROGRESS CONTROL: A aplicação executa automaticamente o apontamento eletrônico das atividades realizadas e permite obter relatórios de seu tempo efetivo de trabalho de maneira rápida, fácil e personalizada.
Aplicativo para uso em tablets e smartphones com foco no gerenciamento da frota de máquinas. Integra todos os departamentos diretamente envolvidos na operação.
PONSSE ECODRIVE:
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A garantia de dados precisos proporcionada por esta ferramenta não só torna a operação eficiente e segura mas promove a interação completa entre harvester e forwarder. Dados geográficos e volumétricos obtidos pelo sistema durante a colheita permitem que toda a madeira seja localiza e controlada.
PONSSE LATIN AMERICA - BRASIL R. Joaquim Nabuco, 115 – Vila Nancy Mogi das Cruzes/ SãoPaulo – BRASIL CEP 08735-120 Tel:+55 11 4795 - 4600
Sistema desenvolvido exclusivamente pela Ponsse para potencializar os movimentos da operação. Orienta o operador, em tempo real, a eliminar movimentos desnecessários, economizando combustível e aumentando a eficiência energética da máquina.
A logger’s best friend www.ponsse.com
editorial de abertura
O grito de alerta do setor florestal A criação do extinto IBDF, em 1965, seguida da Lei dos Incentivos Fiscais para reflorestamento, em 1966, são marcos importantes no desenvolvimento florestal do Brasil. O IBDF, apesar de muitas limitações, era o gestor do patrimônio florestal. Todas as questões de legislação, de comercialização, de proteção, de pesquisa, enfim, tudo que se tratasse de floresta estava sob a administração do IBDF. Havia restrições e dificuldades, mas todos sabiam quem era o responsável pelos assuntos florestais do País. Mesmo sem tanta tecnologia disponível e com recursos humanos e financeiros sempre aquém de suas atribuições, indiscutivelmente, todos conheciam o “locus institucional” do setor. Com os incentivos fiscais para o reflorestamento, a instituição se agigantou. Apesar de muitas polêmicas e abusos na aplicação dos recursos incentivados, para muitos a política de incentivos foi a grande alavanca para o crescimento e desenvolvimento dessa parte do setor. As estatísticas mostram a existência de mais de duas mil empresas em atividade, na época. E os programas de plantios anuais giravam em torno de 400.000 hectares. Até então, o reflorestamento era o setor florestal! É fácil perceber a movimentação e as demandas que se criavam e se multiplicavam. A pesquisa e a ciência florestal deram passos gigantescos, e as indústrias à base de madeira foram se consolidando com muita rapidez. Até o movimento ambientalista encontrou nos plantios de eucalipto e pínus as razões para se fortalecer e se multiplicar. O sucesso e envolvimento social, econômico e ambiental do reflorestamento, no entanto, apagou e inibiu o desenvolvimento de outras áreas do setor florestal. Foi um período de muito sucesso, mas gerou um mundo de polêmicas. Algumas com razões, e muitas só para atrapalhar e frear o crescimento das áreas plantadas. Abusos e erros de empresas “picaretas” deram força e razão aos movimentos adversos, e daí surgiram as primeiras entidades representativas em defesa da atividade. Para muitos, a continuidade dos incentivos e os resultados positivos alcançados pelos reflorestamentos bem-feitos e conduzidos por boas empresas só foram possíveis graças ao incansável trabalho das entidades representativas estaduais e nacionais na luta por soluções dos problemas institucionais que pipocavam a todo instante. Eram mais de trinta entidades representativas, nem sempre unidas, mas sempre atentas às limitações do setor.
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A cada mudança de Governo, era muito comum uma grande movimentação entre entidades de classe e lideranças profissionais, no sentido de reunir dados e informações e apresentar ou ressuscitar reivindicações para melhorias do setor. Esses movimentos eram bem expressivos e contavam com o apoio de todos os segmentos interessados. Com a extinção dos incentivos e, mais tarde, do IBDF, o assunto florestal foi segmentado em nível de Governo Federal e ficou fragilizado em termos institucionais. Perdeu-se o “locus institucional”. As dificuldades para se juntar as entidades representativas aumentaram a ponto de levar grande parte delas à extinção. Criou-se um vazio na representatividade setorial. Restaram as entidades providas de recursos financeiros de grandes empresas, e as reivindicações se restringiram a interesses bem específicos. As reivindicações, embora justas e necessárias, perderam muito da legitimidade. Pouco se avançava em reivindicações, e muitas se arrastam até os dias atuais. Nas últimas mudanças de Governo, o descrédito nas decisões governamentais e o interesse focado em segmentos específicos arrefeceram muito o ânimo e a disposição das lideranças profissionais. Uma pena, pois, com isso, o setor foi se enfraquecendo, em nível institucional, e muitos problemas foram se juntando e se desdobrando em consequências inevitáveis e prejudiciais. Há de se destacar que, nesse período em que tudo girava em torno do interesse do reflorestamento e seus usuários, o restante do setor florestal foi marginalizado e só se manteve vivo graças ao heroísmo de profissionais brilhantes, professores e poucos pesquisadores. Vivia-se um estranho paradoxo: um país rico em florestas nativas se destacava para o mundo por suas florestas plantadas. Mas há de se registrar que esse brilhantismo de alguns segmentos se deu pelo esforço, competência e crédito que tiveram diante das potencialidades naturais do Brasil. O setor de celulose é o exemplo de maior destaque, sem desmerecer o valor de outros segmentos industriais. Esses exemplos é que fizeram com que a silvicultura brasileira despontasse no mercado de exportações e o Brasil se transformasse em destaque internacional na ciência florestal, voltada à produtividade de florestas plantadas. Um sucesso indiscutível e que só merece elogios, respeito e admiração. No entanto, para muitos, o setor florestal brasileiro continua sendo só isso – autossuficiente, sustentável, independente e rico.
Opiniões Não há necessidade de muitas justificativas para se perceber que essa fotografia maravilhosa de parte do setor de florestas plantadas é, vergonhosamente, contrastante com a grande realidade do setor florestal brasileiro. Temos a maior e mais rica floresta tropical do mundo. Muito “badalada” pelo mundo todo, mas pouco aproveitada para benefícios dos brasileiros. Nossas pesquisas florestais que se destacam internacionalmente usam mais de 80% dos recursos disponíveis para estudar florestas plantadas para um universo industrial cada vez mais restrito. Pouco se fala de pesquisas com nossas espécies nativas, e os avanços alcançados no manejo de nossas florestas nativas ainda não teve o merecido e indispensável apoio dos governantes. Somos protagonistas em tudo que se trata de florestas plantadas e miseravelmente acanhados em tudo que se trata do restante de nossos recursos naturais. E foi, exatamente, com a sensibilidade desses contrastes que o movimento, que se realizava na chegada de novos governantes, desta vez, tomou rumo diferente. No momento, não dá para pedir só acertos daqui e dali, é preciso que se apresente de forma direta e sem rodeios, os descaminhos a que está submetido o setor. São rumos indesejáveis, que afetam mais de três milhões de brasileiros e matam o sonho de mais de mil e quatrocentos engenheiros que se formam todos os anos em nossas faculdades. Inibem o desenvolvimento de muitas regiões e afastam empreendedores que poderiam gerar empregos e mais riquezas a toda a sociedade, que mal conhece o que é setor florestal em toda sua abrangência. Dessa vez, não houve necessidade de grandes reuniões, discursos e pauta infindável. Usando-se dos meios modernos de comunicação, uma simples chamada através do WhatsApp, em poucos dias, reuniu mais de cem profissionais e, em pouco tempo, com umas trezentas mensagens,
A união de profissionais, no Silviculturando-se, deu o 'Grito de Alerta', com a esperança de que nossos governantes não protelarão, ainda mais, o crescimento e o desenvolvimento do setor florestal do Brasil. "
Nelson Barboza Leite
Diretor da Teca e Daplan - Gestão e Serviços Florestais, Administrador da www.facebook.com.br/comunidadeDeSilvicultura e Coordenador do projeto Silviculturando-se
foi possível retratar um pouco da realidade do setor e muito das principais dificuldades, que assustam os profissionais do País. Com o nome de Silviculturando-se, juntaram-se dados e informações, que possibilitaram que um grupo de profissionais pudessem elaborar uma carta-documento para ser entregue à Ministra da Agricultura. Longe de se esgotar e detalhar os problemas do setor, a carta deve ser entendida como um “grito de alerta do setor florestal”. Mostra as prioridades essenciais e indica a necessidade de se manter uma interlocução direta com todas as representações do setor. Sugere-se a adequação e a valorização do Serviço Florestal Brasileiro, para que possa exercer com eficácia suas atribuições de gestão de todo o setor. Lembra da inadiável implementação do Programa de Desenvolvimento de Florestas Plantadas e dá destaque à formação da Comissão Nacional de Políticas Florestais, onde todos os segmentos deverão ser representados. Nada de imposições constrangedoras e tudo de compartilhamento, colaboração e participação dos interessados. A motivação que gerou todo esse movimento é a convicção dos profissionais de que o setor florestal brasileiro pode se transformar numa excelente alavanca para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do Brasil. E que esse processo só acontecerá a partir do interesse e decisões políticas de nosso Governo. A união de profissionais, no Silviculturando-se, deu o “Grito de Alerta”, com a esperança de que nossos governantes não protelarão, ainda mais, o crescimento e o desenvolvimento do setor florestal do Brasil. n
produtores de floresta
corrigindo a rota Há algum tempo, o setor florestal brasileiro vem perdendo produtividade em suas florestas. Notam-se, nos relatórios de entidades que representam o setor, dados que apontam uma estagnação e até mesmo queda nos índices que medem essa produtividade, IMA – Incremento Médio Anual, ou m³ de madeira por ha por ano. Diversos fatores são apontados como responsáveis por esse fenômeno, como déficit hídrico, alteração do clima, pragas e doenças, plantio em áreas menos produtivas e outros fenômenos, como seca de árvore ainda não identificado, vento e incêndio. Por outro lado, o surgimento de materiais genéticos capazes de enfrentar tudo isso e manter o ritmo de aumento da produtividade ainda está distante, no máximo conseguimos manter o estado atual dos nossos povoamentos florestais.
Pensando em resultados econômicos dos negócios baseados em produtos florestais, também estamos perdendo o jogo, exceção apresentada pelo setor de celulose, que mantém boa performance com bom equilíbrio em demanda e oferta, com preços competitivos; os demais setores, como siderurgia a carvão vegetal, painéis reconstituídos de madeira, madeira sólida e produtos não madeireiros, vêm mantendo uma performance frágil e com viés negativo. A consequência disso é um menor investimento em pesquisas florestais e o não enfrentamento dos problemas atuais de forma mais consistente. Outro fator relevante que vem contribuindo para a redução da produtividade florestal brasileira é a redução de pesquisas básicas nas universidades ligadas ao setor, parte disso, pelo sucateamento das universidades brasileiras e parte, pela necessidade Como corrigir o rumo do setor florestal brasileiro? A resposta mais honesta é “ainda não sabemos”, e acredito que a maioria das empresas privadas, instituições governamentais e outros profissionais ligados ao setor também estão buscando um caminho "
Germano Aguiar Vieira Diretor Florestal da Eldorado
Opiniões urgente de se conduzir pesquisa aplicada que objetiva uma resposta rápida para os problemas atuais, porém não garantindo um conhecimento robusto para um possível desdobramento desses problemas. Em resumo, o Brasil tem perdido competitividade devido à perda de produtividade florestal e também pelo aumento sistemático de seus custos de produção. Embora ainda se posicione como o principal produtor de floresta plantada de baixo custo no mundo, podemos dizer que um sinal amarelo está ligado e alerta o setor. E aí a pergunta que surge é: Como corrigir o rumo do setor florestal brasileiro? A resposta mais honesta é “ainda não sabemos”, e acredito que a maioria das empresas privadas, instituições governamentais e outros profissionais ligados ao setor também estão buscando um caminho para voltarmos a crescer e garantir melhores resultados para o setor de florestas plantadas, mas o fato é que todas as regiões do País estão se deparando com queda de produtividade significativa de seus maciços florestais. Em minha opinião, mantenho o diagnóstico de que o que nos trouxe até aqui não garante o nosso futuro, devido às grandes alterações ocorridas no mundo de forma muito relevante; o meio ambiente mudou, as demandas sociais são diferentes, o ambiente de negócio mudou e as tecnologias mudaram. Isso requer um cuidado na preparação do nosso futuro como silvicultor, mas deveríamos ver com atenção a nossa trajetória dos últimos 50 anos, o ambiente de trabalho que criamos nesse período levou o Brasil a crescer mais de 3 vezes a nossa produtividade e o nosso tamanho. Durante esse período, foram criadas importantes entidades de pesquisa florestal, como o IPEF, Instituto de Pesquisa e Estudos florestais, ligado à Esalq , a SIF, Sociedade de Investigação Florestal, ligada à UFV, mais de 70 cursos de engenharia florestal espalhados por todo o País. Criamos eventos florestais sistemáticos, que congregavam vários profissionais dos diferentes setores para troca de experiência, onde todos apresentavam suas descobertas e compartilhavam conhecimento sem EVOLUÇÃO DA PRODUTIVIDADE DE EUCALYPTUS NO BRASIL 45,0 40,0
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EVOLUÇÃO DA PRODUTIVIDADE DE PINUS NO BRASIL 45,0 38,3
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restrições, ou seja, criamos uma joint venture de conhecimento e víamos nisso uma colaboração justa entre as diversas empresas brasileiras. Com o passar dos anos, a comunicação entre empresas seguiu por um caminho diferente, onde redefinimos a posição da régua do conhecimento pré-competitivo, e os esforços passaram a ser feitos de forma isolada e muito mais protegidos. Vale a pena repetir o modelo? Talvez não, mas deveríamos dedicar algum tempo para pensar na evolução da produtividade média brasileira de pínus e de eucalipto e repensarmos onde deveria estar situada a divisão entre esforços pré-competitivos e competitivos. Vejam o clone I-144, cultivar de eucalipto mais plantado no País há vários anos e que define atualmente o patamar da produtividade Brasileira. Vindo do setor de carvão vegetal, esse material tem garantido, nos últimos anos, a mesma produtividade florestal, desafiando pragas, doenças e mudanças climáticas. Como sair do padrão I-144? Ainda não temos essa resposta, e clones com essa plasticidade são raros no mercado brasileiro. O que queremos então? Ocorre-me citar alguns pontos que, em meu entendimento, seriam importantes para corrigir a rota do setor florestal, independente do segmento de negócio: 1. Uma árvore mais produtiva, com mais fibra, com mais densidade e mais tolerante às alterações climáticas, poderia vir com um aumento do esforço coletivo do setor no aumento de nossa base genética, associado a estudos e experimentações mais assertivos para descoberta de raças locais bem adaptadas; 2. Avaliar a construção de um programa nacional para melhorar o controle de pragas florestais; 3. Melhoria na infraestrutura para o transporte rodoviário, hidroviário e ferroviário e redução dos custos portuários; 4. Eliminação ou redução de tributos em cascata que incidem ao longo da cadeia produtiva; 5. Melhoria na dinâmica de licenciamentos ambientais, tanto para processos normais da rotina florestal quanto para implantação de novos projetos. Além do crescimento como silvicultor, a maioria dos plantadores de florestas sempre usaram de boas práticas ambientais e sociais, e, por essa razão, possuímos grandes áreas certificadas com selos, como o FSC e Cerflor, e devemos preservar essa forma de conduzir o setor e manter o reconhecimento internacional de nossos produtos. n
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produtores de florestas
vivendo e aprendendo É impressionante a veracidade do dito popular “vivendo e aprendendo”. E não é diferente na silvicultura. Após mais de 40 anos plantando eucalipto, reunimos um grupo de “cabelos brancos e sem cabelos” para, num compromisso assumido na mesa de um bar, fazermos as melhores florestas de eucalipto das que já havíamos feito até então. Compromisso assumido, mãos à obra. Planejamento, estudos, análises, negociações, enfim, tudo meticulosamente analisado e pensado com toda nossa experiência e seguindo as melhores práticas silviculturais. Nada de exageros... Um feijão com arroz.
E a história se repetiu, porém, com uma maior preocupação, as pessoas precisavam fazer a diferença. Treinamento, treinamento, treinamento de todo o pessoal, boa remuneração e foco muito grande e rigor na qualidade, visando obter uma excelente floresta plantada de eucalipto. E assim está acontecendo. Já passamos da época em que a implantação de uma unidade industrial processadora de madeira contabilizava em seu projeto 90% de madeira própria em terras adquiridas ou arrendadas. As mudanças no mercado financeiro também estabeleceram mudanças no setor florestal, e a madeira, que, antes, tinha preços aviltados decorrentes de incentivos fiscais e de plantios sem fonte consumidora, entrou também como uma opção no mercado financeiro. Madeira a preço de madeira, remunerando investimentos de longo prazo. Mais do que nunca, o silvicultor, aproveitando das expertises do mercado financeiro, aprimorou controles, afinou planejamento e otimizou o retorno do investimento, trabalhando muito com redução de custo da madeira em pé. Fico a imaginar as dificuldades que dois grandes mestres, José Luiz de Magalhães Neto e Walter Suiter Filho, enfrentavam na década de 1970, para controlar investimentos e custos com as pouquíssimas ferramentas de controle da época. Hoje, mais do que nunca, o mercado oferece inúmeras ferramentas de controle além daquelas personalizadas, que são simples, práticas, amigáveis e eficientes.
Ainda vamos aprender muito no negócio florestal e poder aproveitar, sabiamente, da sombra produzida pelas florestas plantadas. "
José Maria de Arruda Mendes Filho Diretor da Lacan Florestal
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Opiniões Os controles, praticamente online para o universo florestal, passaram a ser um aliado de primeira linha, auxiliando, em muito, as tomadas de decisões e afinando prognoses volumétricas e financeiras. Madeira é o produto do negócio florestal, onde o nível profissional e o mercado fazem a diferença, que resulta em retorno financeiro favorável ao investidor. É bem significativa a presença de investidores no negócio florestal e, com certeza, o mercado norteará novas evoluções. É preciso ficar atento! É preciso atualizações! Também é preciso saber aplicar com muito profissionalismo o que há de melhor no mundo que é a silvicultura brasileira, sem nunca esquecer que pessoas precisam ser treinadas, respeitadas, remuneradas, além de cobradas na qualidade dos serviços realizados. O sucesso de um projeto florestal não está restrito apenas à silvicultura. Um projeto florestal da atualidade contempla a vontade política da região onde será implantado, a viabilidade das licenças e das autorizações, o envolvimento das comunidades do seu entorno, que também precisam ganhar com o projeto, a sua certificação,
que, inclusive, se constitui uma segurança a mais para o investidor, além de infraestrutura, para que a madeira chegue ao centro consumidor a valor competitivo, ou seja, um contexto complexo e necessário. As oportunidades de crescimento do negócio florestal nas regiões produtoras de madeira são evidentes. Regiões não tradicionais também já apresentam alguma potencialidade. Para o sucesso continuado das regiões tradicionais, bem como para que novas fronteiras se firmem como potenciais para o negócio florestal, mais do que nunca, a pesquisa florestal precisará marcar sua presença. Clones potenciais, práticas silviculturais, mecanização competitiva, otimização no uso de insumos, inovações, enfim, uma série de quesitos devem e precisam estar nas mãos do silvicultor. Para tal, o investimento e a inteligência precisam ser muito bem aplicados nos dias atuais, para que novas gerações mantenham o status do Brasil como o país da melhor silvicultura de floresta plantada de eucalipto do mundo. Ainda vamos aprender muito no negócio florestal e poder aproveitar, sabiamente, da sombra produzida pelas florestas plantadas. n
Florestas das Fazendas dos Fundos Florestais LACAN na Costa Leste do Mato Grosso do Sul
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produtores de floresta
Opiniões
momento de ruptura e transformação A pauta desta edição da Revista Opiniões, “Corrigindo a rota do setor florestal”, é esperada com grande expectativa e, certamente, se transformará em referência para as principais lideranças do setor, oferecendo reflexões e especialmente indagações que ampliem a visão das forças, riscos, oportunidades e demandas deste momento disruptivo que vivemos. Nós plantamos árvores, transformamos a paisagem de tal forma que nossas ações jamais passam despercebidas, seja pelo vasto verde e imponência das plantações florestais, seja pelo intenso movimento, sonoridade e presença dos processos que compõem nossa cadeia de valor no cotidiano das pessoas. Apesar do incansável trabalho socioambiental que o setor tem realizado ao longo de décadas, quando confrontado, verificamos a permanência de uma posição reativa, enquanto o momento requer reflexão que possa indicar a respeito de que aquilo pode ser verdadeiro e quais as oportunidades para a evolução do setor. Vale para qualquer segmento, mas, para o setor florestal, a dependência da natureza passou a ser percebida pela sociedade de forma ainda mais contundente. Goethe foi perfeito ao afirmar que “encontramo-nos cercados e acolhidos pela Natureza; incapazes de nos separarmos dela... Ela não tem linguagem nem discurso; mas cria línguas e corações, por meio dos quais sente e fala...”.
Goethe foi perfeito ao afirmar que 'encontramo-nos cercados e acolhidos pela Natureza; incapazes de nos separarmos dela... Ela não tem linguagem nem discurso; mas cria línguas e corações, por meio dos quais sente e fala...'. "
Heuzer Saraiva Guimarães
Diretor de Negócios Florestais da Westrock
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Dentre as mais importantes conquistas da sociedade, está a atenção e o aprofundamento acerca de todas as variáveis que compõem a equação da sustentabilidade. É consenso que, imediatamente, precisamos desenvolver e consolidar indicadores que nos ofereçam maior conhecimento sobre os limites da produção sustentável. Aí reside o grande desafio do sistema florestal, implementar inovações que garantam comunicação proativa e envolvimento dos stakeholders, uso de indicadores aplicados e desenvolvimento de modelos que realmente promovam e gerem percepção de melhoria de vida para as pessoas, garantia de conservação e preservação ambiental, além de efetivar performance capaz de manter o sistema em absoluta evolução. Nesse contexto, é fundamental que o setor florestal redesenhe sua cadeia de valor, redefina elos de cooperação, fortaleça bases de compliance para atuação cooperativa e, através da ativa interface que precisa construir com stakeholders representativos, desenvolva porta-vozes de credibilidade reconhecida junto à sociedade. Universidades e entidades de pesquisa precisam ter os vínculos de parceira com o setor florestal, ampliados e potencializados tanto para formação acadêmica quanto para desenvolvimento de pesquisa aplicada aos aspectos sociais, ambientais e econômicos da cadeia de valor da produção florestal.
produtores de floresta
Pinus taeda - Plantio monoprogênie de irmãos completos aos 7 anos, IMA52 aos 14 anos
Não menos relevante é a profunda revisão de agenda e estratégia de atuação das entidades representativas do setor no âmbito estadual e federal. O momento requer definição de prioridades, atuação cooperativa e absoluta agilidade na efetivação de ações que desmistifiquem percepções indevidas, reveja políticas que dificultam o desenvolvimento do setor e potencializem nossas vantagens comparativas enquanto fortalecem vantagens competitivas. A tecnologia está mudando tudo. As digitalizações, sistemas de análises avançadas e inteligência artificial, nanotecnologia, genética molecular, tecnologia da informação, estão prontamente disponíveis para conquistas inimagináveis. Portanto o momento requer domínio e uso de toda inteligência disponível para geração do conhecimento necessário para transformar esse desafio num novo ciclo de prosperidade do setor florestal. Somos um setor centenário, constituído por corporações sólidas e bem posicionadas no mercado nacional e internacional. Ao longo das dezenas de anos da construção desse exemplar segmento, quanto conhecimento se acumulou e como o setor tem utilizado tamanha base de informação? Tão grande quanto essa base é o desafio e a disposição em dividir para conquistar saltos de aprendi-
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zagem, agilidade e potencialização de retornos. A titularidade da terra é um tema importante e carece de premente avaliação, visando a correções que potencializem o seu uso, justamente porque é a produtividade que se impõe como pilar de retorno econômico e base da inclusão social nos próximos anos. A competição que inquieta é pelo uso da terra e parece ser muito mais desafiadora. Porém a base genética de nossas florestas plantadas é capaz de cobrir todas a condições edafoclimáticas reinantes nas fronteiras do setor florestal no País. A inteligência aplicada aos princípios de manejo da floresta plantada e seus reflexos na conservação de solos, água, fauna e flora são capazes de oferecer inovações de manejo muito superiores aos regimes desenvolvidos e aplicados até agora. Portanto, no curto e no médio prazo, o setor pode ser capaz de ampliar significativamente sua capacidade de oferta, considerando a mesma base plantada, além de consolidar sua já reconhecida efetividade na conservação e na preservação dos serviços ambientais. Voltemos à reflexão anterior... disposição e agilidade no desenvolvimento de modelos que fortaleçam a construção e uso do big data florestal, que, certamente, oferecerá os saltos de aprendizagem e de potencialização de retornos. n
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Opiniões
que sejamos sábios desta vez As florestas brasileiras desempenham um papel fundamentalmente importante, tanto para o desenvolvimento e conservação dos recursos nacionais quanto com relação à sua contribuição para o equilíbrio climático mundial. Ops! Só na frase acima, comum em citações e raramente refutada por especialistas, há uma gama de informações, definições e critérios – esses sim – questionados por representantes de diferentes vertentes do “sistema florestal nacional”. Notemos que a Revista Opiniões foi muito sábia ao usar um termo amplo, porque “setor florestal”, “área florestal” e outros termos podem representar apenas um segmento do espectro florestal, em ótica política ou ambiental. Assim, vejamos: se, para a definição de árvore, já temos um componente político (exclui plantas perenes frutíferas arbóreas?) ou biológico (exclui palmeiras e bambus?), que influi fortemente no escopo do “ambiente” florestal, o que diremos de uma floresta? Os conceitos para a definição de florestas, razões para seu enquadramento, sejam científicos, políticos ou filosóficos, merecem uma abordagem à parte. Mas, e resumidamente, o que é uma floresta? O que é uma floresta plantada e o que são plantações florestais?
Somos a bola da vez e temos a oportunidade de apoiar a criação de estruturas fortes, sem o viés de visões ideológicas ou político-partidárias. "
Yeda Maria Malheiros de Oliveira Pesquisadora da Embrapa Floresta
A FAO (2018), em seu documento de orientação aos países para a elaboração de seus relatórios quinquenais do Forest Resource Assessment (no caso, FRA 2020), altera, em pouco, definições elaboradas e acordadas há décadas entre os países, não porque todos os indivíduos envolvidos concordem com as terminologias, mas porque há necessidade de se usar uma terminologia única, com a qual todos possam se referir às suas realidades reportando-as em conformidade. Mas, por que iniciei minha contribuição por esses aspectos, relacionados ao “componente florestal na paisagem brasileira”? Porque tais aspectos representam e sumarizam parte da nossa cultura, entranhada de contradições, principalmente no que se refere às florestas nativas e florestas plantadas. Mais que isso, também no que se refere ao Manejo Florestal Sustentável (MFS), tão propalado aos quatro ventos, mas com atividades proibidas em parte do nosso país (Lei da Mata Atlântica: componente madeireiro versus componente não madeireiro). O MFS, como um conceito dinâmico e evolutivo, tem como objetivo manter e reforçar os valores econômicos, sociais e ambientais de todos os tipos de florestas, em benefício das gerações presentes e futuras (Non legally binding Instrument on all types of Forests (Assembleia Geral das Nações Unidas, 2007).
Não preender. "
centros de P&D Com esse texto, quiz reforçar que nosso “sistema florestal” sofreu as influências de seu tempo, envolvendo crenças, influências e negociações de momento. Desde o Instituto Nacional do Pinho, passando pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (saudoso IBDF) – esses no Ministério da Agricultura – ou Plano Nacional de Florestas (PNF), Secretaria de Biodiversidade e Florestas (SBF), culminando com a criação do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), esses criados no âmbito do Ministério do Meio Ambiente... enfim, ao longo do tempo, criou-se uma dicotomia e uma necessidade de separação do joio do trigo (e com diferentes conceitos sobre o que seria joio e o que seria trigo). Tal problemática ficava ainda mais exacerbada quando se entrava no conceito das florestas nativas (naturais?), destinadas à produção ou conservação. Muito bem: agora, estamos em uma nova era, a era da construção do NOVO Serviço Florestal Brasileiro, agora vinculado ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Muito ainda vai ser discutido, com relação à sua organização ideal e o seu papel no que se refere às florestas brasileiras. Mas eu acho que temos tempo... levamos décadas separando o que só faz sentido unido, e agora existe uma real possibilidade de considerarmos a gestão florestal com um só foco: o do desenvolvimento sob o conceito do MFS. Todos, envolvidos com o componente florestal brasileiro, estamos ansiosos para participar, contribuir, enfim concretizar o sonho de termos um locus para “chamarmos de nosso”. Que isso seja construído no MAPA, com links muito claros e de fácil diálogo com as áreas florestais, que continuarão sendo gerenciadas pelo MMA (florestas em Unidades de Conservação, entre outras). Mas nunca nos esqueçamos de que grande parte de nossas florestas estão em mãos de empresas florestais e de prorietários rurais, sejam eles pequenos, médios ou grandes. É a eles que devemos parte das explicações sobre o imbróglio criado nas últimas décadas. Foram eles que sofreram para cumprir a legislação nacional, estadual e municipal, muitas vezes sem entender o porquê de determinadas proibições. Cá entre nós, parte dos responsáveis pela implementação de tais normas também teriam dificuldade em defender tantos “não” e tão poucos “sim”, quando se pensa que cada proprietário rural detém a posse da terra, mas não dos “bens intangíveis” necessários à sobrevivência humana. Mas a nova legislação florestal nacional (Lei 12.651/2012) trouxe o Cadastro Ambiental Rural (CAR), executado com êxito pelo SFB e os Programas de Regularização Ambiental (PRA),
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a serem executados em âmbito estadual. Está pavimentada a rota para o desenvolvimento rural brasileiro. Saímos da ótica apenas da propriedade (com seus aspectos relacionados a Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, por exemplo), para uma ótica de paisagem, em que tais classes de legenda, em um mapa, podem e devem ser vistos pela ótica da paisagem rural. Há espaço – e o espaço certo – para agricultura, pecuária, florestas nativas, florestas plantadas, florestas de produção, florestas de conservação, ambientes urbanos, etc. Que se formem pontes de interlocução e, importante, que passemos a ter um Sistema de Informações Florestais cada vez mais robusto e construído com informações primárias (aquelas obtidas pelo poder público, por meio de instrumentos como o Inventário Florestal Nacional – IFN, por exemplo). Muito das nossas convicções e até parte de nossa legislação são baseados nos conhecimentos históricos e informações locais ou regionais sobre um determinado aspecto. As informações secundárias (aquelas obtidas por outras fontes ou derivadas de informações primárias oficiais) são também bem-vindas, mas como complementação a um sistema oficial reconhecidamente confiável. Só assim poderemos reanalisar normas, critérios e decisões, adotados em nível nacional, que – eventualmente – precisam ser revisitadas. Também aqui expresso minha convicção de que, sem informação de boa qualidade, discutida e compartilhada entre os mais diversos interlocutores do “sistema florestal”, não teremos desenvolvimento. Temos que ter acesso ao que está sendo desenvolvido no mundo, seja tecnologia de ponta ou ideias criativas para a solução de velhos problemas. Mais que termos apenas acesso a tais informações pela internet, podemos conhecer seus autores, seus desenvolvedores ou apoiadores. Tal oportunidade acontecerá de 29 de setembro a 5 de outubro, no Centro de Convenções Expo Unimed, em Curitiba-PR. Trata-se do XXV Congresso Mundial da IUFRO (União Internacional de Instituições de Pesquisa Florestal). O IUFRO 2019 está sendo organizado pelo Serviço Florestal Brasileiro e pela Embrapa, em parceria com universidades nacionais e instituições públicas e privadas. Trata-se da primeira vez que teremos um evento desse porte na América Latina, já contando com mais de 4.000 resumos submetidos, oriundos de 114 países. Somos a bola da vez e temos a oportunidade de apoiar a criação de estruturas fortes, sem o viés de visões ideológicas ou político-partidárias. Temos os instrumentos, “clima favorável” (em todos os sentidos...) e pessoal altamente gabaritado para contribuir para esse novo momento florestal brasileiro. Que sejamos sábios desta vez. n
Opiniões
novos profissionais para o setor florestal:
como formá-los?
O Brasil precisa de profissionais especializados no manejo e gestão de recursos florestais? A resposta de qualquer pessoa que conheça o nosso país deveria ser um sonoro – “Sim”. Afinal, o País tem 67% do território coberto por florestas e campos naturais (segundo dados do MapBiomas, um projeto que mapeou as mudanças no uso da terra no Brasil entre 1985 e 2017). Temos também terras produtivas e disponíveis para plantios florestais que nos ajudam a atender à crescente demanda por fibras, madeira sólida, serviços ecossistêmicos e produtos não madeireiros.
A nossa riqueza florestal por si só já justificaria a alta demanda por profissionais florestais. Acontece que as aceleradas taxas de perda e de degradação dos recursos florestais e das terras agrícolas também nos fazem perceber que precisamos de profissionais florestais para reverter, mitigar e monitorar esses processos. Segundo dados da FAO de 2015, em apenas 25 anos (1990 a 2015), a área total com florestas no nosso continente encolheu três vezes mais depressa (9,5%) do que a redução observada no mundo (3,1%). Por outro lado, as florestas plantadas se expandiram no mundo de 167,5 milhões de ha, em 1990, para 277,9 milhões de ha, em 2015. Esse aumento de área variou muito entre regiões. Em todos os 20 países de maior área plantada (85% da área total), houve expansão dos plantios florestais. Mas, se compararmos a expansão de área brasileira (2,8 milhões de ha) com as expansões observadas na China (37 milhões de ha), no Canadá (11,2 milhões de ha), nos EUA (8,4 milhões de ha) e na Rússia (7,2 milhões de ha), vemos o quanto esses aumentos foram díspares e, considerado o nosso potencial, o quanto foi modesto o nosso crescimento no Brasil.
Um passo que considero essencial para sairmos da inércia que, cada vez mais, nos afunda na obsolescência da formação universitária convencional e pode nos pôr em marcha para novos rumos. "
Luiz Carlos Estraviz Rodriguez Professor de Economia e Planejamento Florestal da Esalq-USP
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centros de P&D A boa notícia é que não faltam cursos de nível superior formando engenheiros florestais no Brasil. Segundo dados disponibilizados pelo Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF), mantido pelo Serviço Florestal Brasileiro, existem hoje 71 cursos de Engenharia Florestal no Brasil. Bem distribuídos por todas as regiões (Centro-Oeste: 11; Nordeste: 11; Norte: 20; Sudeste: 15; e Sul: 14), parecem seguir mais a vocação florestal de cada região do que uma lógica demográfica. A má notícia é que eu não saberia dizer se, de fato, todas formam profissionais efetivamente capacitados para as prementes necessidades do setor florestal. A preocupação procede da constatação de que, após 35 anos atuando como docente, vejo, pelo lado do aluno universitário, jovens chegando à universidade deficientes nas ciências básicas (matemática, física, química) e na capacidade de se expressar e de sintetizar ideias; e pelo lado da universidade, programas desatualizados, infraestrutura insuficiente e métodos pedagógicos arcaicos. O resultado é a oferta de recém-formados que, na maioria, quando conseguem emprego, precisam passar por diversas fases de treinamento para que consigam atender a mínimas exigências. Outros se voltam para cursos de pós-graduação e especialização para suprir deficiências e se atualizar ou aprofundar em temas que não foram tratados durante a sua formação profissional. Enquanto diversos setores da economia contemplam o uso de veículos autônomos; de sistemas de tomada de decisão robotizados, ou controlados por programas de inteligência artificial; de comunicação a distância para reuniões virtuais; de cadeias de produção reguladas por princípios de IoT (internet of things); de monitoramento em tempo real por sensores os mais diversos (ativos ou passivos, móveis ou fixos, terrestres ou orbitais etc.); e de técnicas de visão computacional por fotogrametria digital ou por escaneamento a laser, para citar algumas, as nossas universidades ainda se baseiam em técnicas pedagógicas obsoletas, enclausuradas em salas de aula lotadas com alunos sentados por horas a fio em fileiras inertes, ouvindo apenas o saber de professores que, quando muito, é geralmente limitado a poucas áreas específicas nas quais se especializou. Professores e alunos nas universidades brasileiras, e em várias partes de mundo, parecem vítimas de um mundo que evoluiu mais rapidamente do que os sistemas universitários de ensino e formação profissional. Sistemas esses que os professores gostariam fossem formadores e que os alunos esperariam fossem transformadores.
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A obsolescência e a falência do atual modelo são evidentes quando, superada a barreira da língua, vemos que material e cursos, completos e nas mais diferentes habilitações, estão à disposição de qualquer pessoa, fora da universidade, a baixíssimo custo, e muitas vezes de forma totalmente gratuita. A experiência, o profundo conhecimento metodológico e a fonte de soluções criativas que, há poucas décadas, encontrávamos apenas em salas de aula e nos gabinetes docentes das melhores universidades brasileiras, hoje, viraram commodities e estão disponíveis na rede mundial de computadores integrados pela internet. Como transitar para processos de formação profissional na área florestal mais adequados e que inclusive permitam aos futuros florestais se adiantar, enquanto se formam, às demandas que encontrarão pela frente? Honestamente, não tenho uma resposta definitiva. Creio que são várias as estratégias possíveis, e a transição será lenta e gradual. Como professores responsáveis pela formação da nova geração de engenheiros e gestores florestais, o primeiro passo seria assumir a humilde posição de um coach que, pela experiência acumulada, é capaz de orientar os seus alunos na direção de fontes selecionadas de dados e de referências hoje disponíveis em qualquer laptop, smartphone ou tablet conectado à internet. É fato que essa facilidade com que se acessa informação deveria ser acompanhada por infraestrutura de laboratórios e de recursos materiais que permitissem reproduzir, testar e desenvolver novas soluções. Parcerias com empresas privadas, e parcerias público-privadas, de forma virtual ou presencial, poderiam, num primeiro momento, se integrar a uma rede de cursos e salas de aula para que professores pudessem orquestrar o efetivo contato dos alunos com a realidade fora dos muros da universidade. Dado o dinamismo atual, isso poderia, inclusive, evitar o desperdício de enormes investimentos públicos em mais laboratórios e infraestrutura que, em pouco tempo, se tornariam novamente obsoletos. O espaço é curto, o assunto é complexo e, se tiver interesse em discutir e oferecer sugestões, teria enorme prazer em ouvir e compartilhar “aflições” (meu e-mail é lcer@usp.br). Fica aqui apenas uma humilde sugestão. Um primeiro passo. Um passo que considero essencial para sairmos da inércia que, cada vez mais, nos afunda na obsolescência da formação universitária convencional e pode nos pôr em marcha para novos rumos. Sugiro que nós, professores e alunos, rompamos o círculo vicioso que leva professores a pretensamente fazer de conta que ensinam, enquanto alunos pretensamente fazem de conta que aprendem. n
Opiniões
as perspectivas no governo Bolsonaro Há muitas décadas, o Brasil vem tratando a sua economia com muito desrespeito. Arrisco a dizer que as premissas econômicas básicas, discutidas nas disciplinas de “Introdução à Economia”, nos cursos de Economia Brasil afora, de uma maneira ou de outra, foram negligenciadas pelos nossos governantes. Talvez até mesmo a “Matemática Básica” foi negligenciada, pois receita e despesa têm que resultar em um saldo positivo. Esse é o nosso problema básico, que é crônico. Por outro lado, somos uma sociedade anacrônica ainda “recheada de jeitinhos”. Diante dessa situação miserável, eis que surge, então, um deputado federal, Jair Bolsonaro, que, com uma estratégia de marketing “populista”, começa a esbravejar, via tribuna do Congresso Nacional, mas, principalmente, via redes sociais. Dentre uma enormidade de assuntos lançados nas redes sociais, alguns até que caíam bem ao setor florestal, me refiro às questões ambientais, à posse da terra, à segurança jurídica no campo e até ao pequeno produtor rural. É bem verdade que esse senhor pouco se posicionou quanto às nossas questões econômicas históricas. Note-se que, na campanha eleitoral para Presidente da República, esse senhor nunca foi enfático ao defender as necessárias privatizações, desestatizações, concessões, parcerias público-privadas, eliminação do déficit público, tudo ficou implícito na área econômica.
De forma sutil e acertadamente, seu economista, hoje Ministro da Economia, Paulo Guedes, se mostrou um grande conhecedor das Políticas Fiscal, Monetária e Cambial. Este desdobrava-se para defender uma política econômica liberal e enfatizava a necessidade de melhorarmos a nossa produtividade. Após a posse, além de Paulo Guedes, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, incluiu no governo um componente importante: o de apoio da “Polícia Federal, Ministério Público Federal e setores do judiciário”, dessa feita representado pelo Ministro da Justiça, Sérgio Moro. Ainda na estruturação do ministério, surge o componente militar, que defende a ordem e o progresso, além dos bons costumes. Esse componente está, e deve continuar, na retaguarda. Ainda se deve destacar que governo inicia-se com o apoio dos Grupos “BBB” no parlamento, bancada da Bala, da Bíblia e do Boi. Pode-se afirmar que, tanto na constituição do ministério como na estruturação da necessária base parlamentar, não há correlação política que assuma a agenda econômica de Paulo Guedes, o que nos leva a concluir que estamos em uma situação de alto risco. Pois bem, estruturado o governo, vamos ao diagnóstico econômico. Como “engenheiro florestal”, me arrisco a postar, e em poucas linhas, ainda em ordem sequencial de grandeza, o diagnóstico da situação econômica do Brasil. Qual seja: • necessidade de equilíbrio das contas públicas; • alto e crescente endividamento público; • alta e estável taxa de desemprego; • PIB decrescente, com risco de 2018, e talvez 2019, ser exceção; • PIB per capita
Não podemos esperar resultados diferentes agindo da mesma forma. Estamos em situação de risco, é hora de nos desamarrarmos do Estado. Temos que aproveitar este momento, e este governo somente tem que nos dar as condições de estudar, trabalhar e empreender. "
Dagoberto Stein de Quadros
Professor de Economia Florestal da Universidade Regional de Blumenau - FURB
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centros de P&D ainda mais decrescente (2011 a 2017); • inflação razoavelmente baixa, porém com leve crescimento nos primeiros meses de 2019; • taxa de juros estável e baixa, quando comparadas com nosso passado recente; • carga tributária alta, tanto na folha de pagamento, como na produção e na comercialização; • baixa utilização da capacidade instalada de alguns setores produtivos; • baixa ou inexistente capacidade de investimento governamental. Não precisamos de mais problemas econômicos. No entanto, mesmo o Governo Bolsonaro cortando gastos federais de forma exemplar nos primeiros meses de governo, parece-me que se está apostando na aprovação da Reforma da Previdência como sendo a única medida para solucionar a maioria dos nossos problemas econômicos. Novamente com o jogo político em plena posta marcha no Congresso Nacional, estamos diante de uma outra situação de risco. Não bastasse essa situação, o mercado internacional nos observa, nos analisa e só investirá fortemente aqui se tivermos estabilidade política e, por consequência, estabilidade econômica. No fundo, parece que nos falta credibilidade, se é que um dia a tivemos. Mas o que isso tudo tem a ver com o setor florestal nacional? Bem, não devemos nos esquecer de que o setor florestal foi alavancado, há aproximadamente 50 anos, pela Lei de Incentivos Fiscais ao Reflorestamento. Também não devemos nos esquecer de que grandes grupos internacionais foram chamados a investir em projetos de base florestal no Brasil. Na mesma época, alguns grupos nacionais inseriram-se no setor, muitos com benefícios creditícios. Esses fatos, de certa forma, expressam que o setor florestal se desenvolveu com sua base econômica sustentada pelo Estado. Por outro lado, muitos negócios florestais surgiram, dessa vez com pouco, ou até nenhum, subsídio governamental. Inúmeros são os empreendimentos viáveis economicamente, temos grandes exemplos nacionais e até internacionais. Também é fato que temos grandes profissionais, grandes pesquisadores, grandes empreendedores no setor. Temos muitos exemplos. Atualmente, estamos diante de vários problemas, pois nos falta mão de obra qualificada nas prestadoras de serviço, nos falta tecnologia no desenvolvimento de máquinas e equipamentos, temos processos de licenciamentos ambientais extremamente burocráticos, temos que nos livrar das amarras governamentais. Pasmem, ainda temos a necessidade de registro de motosserras, muito utilizadas nos sistemas manuais e semimecanizados de colheita. Estamos diante de, dessa vez verdadeiros, “apagões florestais” regionais.
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Opiniões Por que ainda estamos diante dessas situações? Provavelmente porque negligenciamos, em cada muda, em cada hectare, em cada desbaste, em cada corte raso, em cada transporte, em cada indústria e em cada comercialização, a oportunidade de construir um setor florestal brasileiro produtivo, no real sentido da palavra, de forma que este atenda às demandas nacionais e amplie a nossa base de exportação, repito, sem as benesses do setor público. Claro que não negligenciamos o nosso desenvolvimento correto e de forma unânime, mas deixamos muita coisa ser estruturada de forma errada no nosso setor. Faltou-nos posicionamento político. Pois bem, como ficam as perspectivas econômicas do investidor independente? Entende-se que o termo independente tenta demonstrar a necessidade de se ter um setor florestal sem amarras governamentais, sem benesses fiscais (política fiscal) e creditícias (política monetária) e, por que não acrescentar, sem benesses à exportação (política cambial). Todas setoriais, é claro. Temos que pôr fim aos subsídios governamentais. O nosso país quebrou e quebrou por causa desse tipo de política. O reflorestamento tem que ser compreendido como um negócio independente do setor público, seja ele de capital nacional ou internacional. Chegou a hora de: • as universidades melhorarem suas funções de ensino, pesquisa e extensão. Agora, elas devem ajudar a alavancar a economia, com mais produtividade e a partir da base teórica da inovação; • a inovação se dar a partir do “Triângulo de Sábato”, onde o Estado, as universidades e as empresas devem andar juntas. Entende-se por empresa do setor florestal um escritório de engenharia florestal de um recém-formado até uma grande corporação de base florestal; • a ciência, a técnica e a arte de executar andarem juntas. De nada adiantam projetos de pesquisa esplêndidos, desenvolvimento tecnológico high tech, se, na prática, não se aplicam. Precisamos projetar florestas com base em tecnologias úteis e produtivas; • o profissional da engenharia florestal se inserir no mercado de trabalho com a visão de empreendedor e não de “empregado”; • os investimentos florestais terem resultado econômico e em todos os níveis. Não podemos esperar resultados diferentes agindo da mesma forma. Estamos em situação de risco, é hora de nos desamarrarmos do Estado. Temos que aproveitar este momento, e este governo somente tem que nos dar as condições de estudar, trabalhar e empreender. Por um setor florestal independente do Estado e muito mais independente dos governos, seja ele qual for. n
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estratégia para criação de valor Neste artigo, que discorre sobre “uma nova rota para o cluster de florestas plantadas”, apresentaremos, primeiramente, um breve histórico da evolução do setor, seguido de uma discussão sobre seu contexto e, finalmente, as recomendações sobre o que entendemos serem os ajustes necessários para que o setor tenha um novo ciclo virtuoso. Vamos iniciar cada uma dessas partes com “palavras-chave”, para o leitor ter uma ideia da mensagem. UMA HISTÓRIA DE SUCESSO, MAS...: Não vou gastar o precioso tempo do leitor enumerando os indicadores do setor brasileiro de base florestal, todos disponíveis do site da Ibá. Mas é importante destacar que nossa área plantada com florestas saiu praticamente do zero, em meados da década de 1960, para aproximadamente 7,9 Mha, em 2018. Pessoalmente, acredito que essa base seja maior e esteja mais próxima da área informada pelo IBGE, que é de 9,85 Mha. Essa base florestal possibilitou construirmos uma indústria de base florestal expressiva em termos globais. Mais especificamente, somos o 1º produtor de celulose de fibra curta (19,6 Mt/ano), o 9º produtor de papel (10,3 Mt/ano), o 8º produtor de painéis reconstituídos e o maior produtor de carvão vegetal para fins industriais (5,5 Mt/ano). Por dispor tanto do mercado interno quanto externo, ambos expressivos, a indústria de base florestal é muito resiliente. Prova disso é que as exportações brasileiras crescem a uma taxa de 8% ao ano desde 2003.
Recentemente, por iniciativa do nosso amigo e mestre Nelson Barbosa Leite, criou-se um grupo aberto de profissionais do setor, o Silviculturando-se, para elaborar uma proposta de política e ação para o setor florestal. Com mais de 100 profissionais, o grupo não teve dificuldade em atingir 90% de consenso "
Jefferson Bueno Mendes
Diretor da BM2C - Business Management Consulting
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Apesar de nossa posição de destaque em termos mundiais, devemos avaliar o passado para corrigir erros e identificar oportunidades de melhoria. O Uruguai fez isso ao analisar a experiência alheia – brasileira e argentina. Seu programa de desenvolvimento florestal tem sido um sucesso, com destaque para o zoneamento de solos, as zonas de exportação e um investimento mais eficaz (hectares plantados por 1.000 US$). Em um breve período de tempo, nossos vizinhos conseguiram viabilizar duas plantas de celulose e uma terceira deve estar operacional por volta de 2024. Claro que houve também insucessos, como a não viabilização de uma indústria de processamento mecânico, deixando a silvicultura refém da indústria de celulose e das exportações de toras. Em relação ao Brasil, também tivemos uma série de contratempos. Por exemplo, o Mato Grosso do Sul somente entrou para o cenário florestal na segunda onda silvicultural. Poderíamos ter uma razão maior entre “área plantada” e “capital investido”. O mercado de madeira, principalmente o de Eucalyptus, caracteriza-se por um desequilíbrio expressivo devido ao poder de barganha da indústria. Há importantes “polos florestais” sem indústrias, “sites industriais” com déficit estrutural de madeira e muitas regiões com significativa demanda silvicultural sem “plantios”. Há três anos, estimamos que, aproximadamente, 1 milhão de hectares de plantios florestais estavam “destruindo o valor investido”; hoje, temos evidências claras que confirmam essa estimativa. Especificamente em relação à indústria de base florestal, sua contribuição para a balança comercial brasileira tem sido muito significante há muitos anos (12% somente em 2017), a despeito de ser significativamente menor que as principais indústrias exportadoras, como a agroindústria e a de metais.
Opiniões Entretanto, apesar do seu potencial estratégico, sem puxar a brasa para a nossa sardinha, o Brasil não tem uma política efetiva para fomentá-la. Os grandes players (celulose e painéis reconstituídos) são autossuficientes, porém as dezenas de milhares de pequenas indústrias (serrados, compensados, laminados, móveis e carvão) sempre estão “vendendo a janta para comprar o almoço”. Tenho certeza de que teríamos crescido muito mais se houvesse ação política. Vejam que não estou falando de incentivos, subsídios e medidas protetivas. Estou falando de ação diretiva. O ETERNO RETORNO: Olhando o passado, tanto o distante quanto o recente, com um alcance de 35 anos, tempo em que labuto no setor, o meu sentimento é de déjà vu. A história se repete de tempos em tempos. Gosto de dizer que, se a TV repetir um “Jornal Nacional” de um ano atrás, poucas pessoas vão perceber. No nosso setor, ocorre o mesmo. A cada governo, seja na esfera estadual ou federal, estamos sempre tentando viabilizar uma visão estratégica, uma política florestal, uma instituição governamental responsável e uma gestão competitiva e plural. Regra geral, essas ações resultam em promessas, planos e... nenhum ou pouco resultado. Não falo isso para criticar o nosso segmento. Ao contrário, o trabalho de muitos dos envolvidos tem sido excepcional. Mas, talvez, o problema seja o “modo”. Há uma máxima que diz que sempre alcançaremos os mesmos resultados se repetirmos a mesma abordagem. Novamente, enfatizo que as indústrias de celulose e de painéis reconstituídos cuidam de seu destino, mas as demais não. Pior ainda é a situação dos silvicultores, sem o mínimo poder de barganha. Nos últimos oito anos, os preços de madeira praticamente não se moveram, em termos nominais. Houve, sim, perda real, apesar da desvalorização cambial e do significativo aumento do preço da celulose no mercado internacional nesse último ano e meio. Além disso, os impactos cambiais também atingiram fortemente a indústria não integrada de papel. O aumento dos custos da matéria-prima celulose impactou fortemente a saúde dessa indústria. THE ECONOMY, STUPID: O que precisamos fazer para mudar o quadro desenhado acima não é o problema. Recentemente, por iniciativa do nosso amigo e mestre Nelson Barbosa Leite, criou-se um grupo aberto de profissionais do setor, o Silviculturando-se, para elaborar uma proposta de política e ação para o setor florestal como um todo. Com mais de 100 profissionais, o grupo não teve dificuldade em atingir 90% de consenso e produzir uma proposta consistente e que reflete as necessidades do setor. Entretanto acredito que a principal questão, como disse, não é definir “o que” fazer, isso temos feito há mais de três décadas, mas definir “como” viabilizar as ações.
Se a experiência passada prevalecer, acredito que estamos fadados a um “eterno retorno ao ponto de partida”. É preciso não esquecer que tivemos um Ministério da Pesca (e Aquicultura), mas, mesmo tendo 60% de nosso território coberto por florestas, não temos ainda um Ministério Florestal. Precisamos pensar fora da caixinha. Nesse contexto, meu ponto focal é a economia. Por isso usei a frase, de 1992, de James Carville (“É a economia, estúpido.”), então assessor de Bill Clinton, candidato à presidência dos Estados Unidos, como mensagem ao povo americano quanto a uma das três prioridades de governo. No nosso caso, acredito que devemos priorizar o desenvolvimento industrial como mola propulsora da cadeia produtiva do setor florestal: suprindo o mercado consumidor à direita (interno e externo) e criando demanda por madeira (silvicultura) à esquerda. Assim, poderemos reverter rapidamente o processo de queima de valor pelo qual a silvicultura brasileira não integrada está passando. Temos matéria-prima disponível para muitas novas indústrias, equivalente a 1 milhão de hectares. E, se investirmos também na modernização do atual parque industrial, obsoleto há muitos anos, teremos ainda a oportunidade de aumentar de forma expressiva a capacidade produtiva existente. Acredito que viabilizar uma ação industrial somente irá requerer um pequeno orçamento e uma pequena equipe multidisciplinar e focada. Acredito ainda que essa ação iria contar com o apoio de muitos segmentos complementares à cadeia produtiva florestal, bem como veríamos a resistência ilógica à silvicultura diminuir significativamente à medida que estaremos trabalhando na ponta da cadeia que gera valores e empregos no curto prazo. Há várias iniciativas como essa bem-sucedidas em outros países, normalmente fundamentadas em parcerias público-privadas, focadas na “exportação florestal”, conduzidas por pequenas equipes motivadas e com apoio “político” dos ministérios afins ao setor florestal. Vamos aprender com eles para evitar erros e identificar os atalhos. Também é fato que a ação industrial deverá priorizar o desenvolvimento da nova indústria de base florestal, como estão fazendo os países europeus e os Estados Unidos – eles estão realizando altos investimentos no desenvolvimento de novas tecnologias e de produtos para atender às necessidades e às prioridades do século XXI e XXII. Essa nova indústria vai disponibilizar novos mercados para os países pioneiros. Por outro lado, também vai reduzir ou eliminar vários mercados tradicionais. Vamos embarcar nesse navio? Ou vamos continuar a vender produtos de baixo valor agregado e ficar excitados com a oportunidade de exportar toras para a Ásia? n
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nova classe de ativos para investidor comum? Findas as eleições para o cargo majoritário do País e a eleição dos novos membros do Congresso Nacional, vislumbra-se um horizonte com diversas oportunidades e desafios para o Brasil. À luz do resultado das urnas, nota-se um anseio da maioria da população por mudanças significativas na condução econômica e política com relação ao que vinha sendo praticado pelos governos anteriores. Os responsáveis pela condução da política econômica atual, todos alinhados com a escola liberal de Chicago e tendo em Paulo Guedes seu maior expoente, têm na reforma da previdência seu maior desafio no que tange ao equacionamento de médio e longo prazo para as contas públicas do País. A aprovação da reforma da previdência, concomitante a uma política de diminuição do Estado com um programa vultoso de concessões e privatizações das centenas de empresas estatais, nos guiará para um futuro de juros de longo prazo convergentes com os juros praticados mundialmente e definitivamente inserirá o País na rota dos investidores mundiais. Juros baixos de longo prazo darão previsibilidade aos investidores no que tange à tomada de decisão de novos investimentos, bem como induzirão os detentores da poupança privada atual a migrarem para investimentos de maior risco para atingirem suas metas de rentabilidade. A cultura do “CDI” (Certificado de Depósito Interbancário), ainda reflexo dos períodos hiperinflacionários e da cultura de curtíssimo prazo tende a se arrefecer, e as mais diversas classes de ativos tendem a se precificar por parâmetros cada vez mais condizentes com as características intrínsecas aos setores em que atuam.
Não há como o setor produtivo se desenvolver e competir globalmente com as taxas de juros praticadas no País. Não há nação saudável do ponto de vista financeiro pagando os juros reais que o Brasil pratica há décadas. "
Leonardo Bonetti
Diretor da Iniciativa Agronegócios
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Não há como o setor produtivo se desenvolver e competir globalmente com as taxas de juros praticadas no País. Não há nação saudável do ponto de vista financeiro pagando os juros reais que o Brasil pratica há décadas. A poupança do País deixará gradativamente de financiar um Estado paquidérmico para financiar o setor produtivo. No âmbito mundial, nota-se também uma mudança muito grande de paradigma dos grandes investidores e das grandes fortunas no que diz respeito à decisão de alocação de capital. Há uma preocupação crescente dos novos atores no impacto que seus investimentos terão, em aspectos sociais, econômicos ou ambientais, os chamados impact invest (investimentos de impacto). Sai o retorno financeiro exclusivamente como parâmetro de retorno nos investimentos e entra em cena o chamado "capital de propósito". Esse capital vislumbra não somente retornos financeiros, mas também visam impactos positivos no contexto onde estão inseridos e no mundo, de forma geral. No Brasil, esse movimento já existe e ganha robustez a passos largos. E sob esse prisma, classe de ativos, que hoje é restrita aos grandes investidores, tende a se popularizar e ganhar as prateleiras das mais diversas plataformas de investimento, que há muito vêm mostrando seu poder de capilarização junto a uma gama cada vez maior de investidores.
Opiniões E, entre essas novas classes, uma que tem todas as condições para se popularizar é o investimento florestal. Hoje, os maiores atores dessa indústria são os fundos de pensão e os grandes investidores. Os fundos de pensão veem no plantio de florestas, com a respectiva aquisição de terras em lugares estratégicos, uma das formas de se obter o retorno atuarial que se prontificam aos seus cotistas. Já as grandes fortunas veem nessa classe de ativos uma oportunidade ímpar de diversificação de portfólio de investimento, objetivando um maior equilíbrio, diversificação de risco e aquisição de produto descorrelacionado dos demais ativos que usualmente compõem suas carteiras (investimentos imobiliários, financeiros, juros, títulos privados, etc.). O investimento em floresta plantada captura movimentos econômicos antagônicos do País. Caso a condução econômica, fiscal e política fique comprometida, o cambio se apreciará, e as indústrias de celulose, por exemplo, que têm 70% dos seus custos em real e 90% das suas receitas em dólar, tornam-se ainda mais competitivas, permitindo pagar mais pelo seu insumo primordial que é a floresta. Caso o cenário seja mais promissor, e é com esse cenário que trabalhamos atualmente, haverá um incremento do Produto Interno Bruto, com retomada de atividades dependentes dessa melhora, como a construção civil, por exemplo, aumentando, assim, o consumo de madeira como insumo para chapas, laminados e indústria moveleira. Aliado a esses fatores, o Brasil apresenta grandes vantagens competitivas no setor de florestas plantadas (e me aterei somente a esse segmento), se comparadas aos outros atores internacionais. Enquanto a produtividade de uma floresta de eucalipto no Brasil é de 37m3/ha/ano, na China, é de aproximadamente 29m3/ha/ano, no restante da América do Sul, é de 27m3/ha/ano, e, na Europa, não chega a 10m3/ha/ano. Traduzindo essa dinâmica para efeito caixa das empresas de celulose, por exemplo, o custo em US$/tonelada produzida reflete-se da seguinte forma: Brasil: US$ 237; USA: US$ 454; China: US$ 427; países ibéricos: US$ 337; e Chile/Uruguai: US$ 327. Há algum tempo, os fundos de investimento detectaram que a demanda pelo ativo "madeira" será uma constante para suprir esses mercados e vem se posicionando na compra de terras nas mais diversas regiões do País. Tal posicionamento leva em conta tanto a valorização dessa terra ao longo do tempo como o acesso a mercados diversificados, as condições
regulatórias e ambientais apresentadas e a mitigação do maior número de variáveis de produção possível. Nesse prisma, o estado do Mato Grosso do Sul figura como o principal destino desses investimentos, quando pensamos em florestas plantadas de eucalipto, pois lá se encontra o maior polo de celulose do mundo, um dos poucos lugares no planeta que comungam dois grandes players, Eldorado Brasil S/A e Suzano S/A, disputando os mesmos ativos; condições ambientais e regulatórias bem satisfatórias quando comparadas a outras regiões do País; proximidade a outros centros consumidores (estado de São Paulo); além de existir um histórico de silvicultura na região, onde grande parte do custo de aprendizagem já foi pago ao longo do tempo. Aliado a isso, o estado apresenta uma grande oferta de áreas de pastagem, em muitos casos degradadas, tendo como atividade econômica a pecuária extensiva, apresentando ainda preços acessíveis ao investimento florestal. A simples adequação ambiental e fundiária dessas áreas, somada à transformação de terras improdutivas em produtivas e a eventual “clusterização” desses maciços, é vetor de apreciação dos investimentos. Nessas áreas, após a transformação com florestas plantadas, temos ainda diversos produtos e serviços não madeireiros que são muito pouco explorados e que, na maioria dos casos, são tratados como upsides futuros do investimento florestal. Nas áreas do grupo Iniciativa Agronegócios, pioneiro em tornar o investimento florestal acessível a pessoas físicas, essas questões são levadas muito a sério. As áreas apresentam um sequestro de carbono na ordem de 12.000 kg de carbono/ha/ano, faz-se a recomposição das Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente, e não somente o abandono das áreas para regeneração natural, fora a contratação exclusiva de mão de obra local, gerando, dessa forma, os impactos positivos que, aliados ao retorno financeiro, farão o investimento florestal ser cada vez mais difundido como classe de ativo relevante aos investidores presentes no mercado nacional. Espera-se dos novos dirigentes a formação de uma política nacional para o setor, com o desenvolvimento de instrumentos jurídicos que permitam a securitização dos ativos, flexibilização da compra de terras por grupos estrangeiros e informações sólidas e consistentes do mercado florestal em âmbito nacional, observando as peculiaridades das mais diversas regiões e suas vocações. Esses fatores, somados ao dinamismo da iniciativa privada, permitirão que o mercado florestal se torne acessível aos pequenos poupadores. n
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Opiniões
extração de tocos de eucaliptos para energia Segundo relatório de 2017 da Indústria Brasileira de Arvores – Ibá, o Brasil possuía, naquele ano, 7,84 milhões de hectares plantados com eucaliptos, apresentando uma taxa de crescimento da área plantada com esse gênero de 2,4% a.a. nos últimos 5 anos. Dentre os estados com a maior área plantada de eucaliptos no País, destacam-se Minas Gerais, com 24%, São Paulo, com 17%, e Mato Grosso do Sul, com 15%, com uma tendência para este último, dentro em breve, superar os demais. Desde o início de sua introdução no Brasil, a capacidade de brotação dos tocos remanescentes das árvores, após a colheita, levou as empresas florestais a optarem pelos sistemas de talhadia simples e talhadia composta no manejo dos povoamentos desse gênero, em detrimento do sistema de alto fuste. Dessa maneira, durante muito tempo, o sistema silvicultural adotado no Brasil para o manejo e a condução das plantações de eucaliptos foi o de talhadia simples, com o primeiro corte realizado entre cinco e sete anos de idade e dois cortes subsequentes da primeira e segunda brotação dos tocos, num ciclo total de quinze a vinte e um anos, quando, então, os plantios são reformados e novos clones são plantados. Em face desse sistema adotado pela maioria das empresas florestais do Brasil, é possível encontrar, ainda hoje, áreas imensas de reflorestamentos com eucaliptos onde a presença de tocos na área dificulta sobremaneira o preparo da mesma para um novo plantio. A necessidade de se mecanizar algumas operações de plantio e de manutenção dos povoamentos levou a maioria delas a plantarem nas entrelinhas dos plantios originais ou na mesma linha de plantio, entre os tocos, resultando em um número cada vez maior de tocos por hectare. A busca de uma solução para esse problema passou, inicialmente, pelo desenvolvimento de equipamentos que tinham como objetivo a destruição mecânica desses tocos, sendo que vários deles se encontram operando com sucesso no Brasil. No entanto a crescente demanda por biomassa para energia em nosso País estimulou os setores acadêmicos e empresariais a buscarem novas soluções, que permitissem também o aproveitamento dos tocos e das raízes maiores a eles ligadas, para a produção de biomassa para energia. Um estudo dessa técnica, em nível de mestrado, foi realizado na Esalq-USP, em Piracicaba, em 2013, envolvendo o uso de uma escavadora munida de uma pinça,
Esse novo sistema de destoca e aproveitamento dos tocos para produção de biomassa para energia representa mais uma inovação no setor florestal brasileiro e vai facilitar o preparo das áreas para a renovação das plantações de eucaliptos no Brasil. "
Laércio Couto
Vice-presidente para a América do Sul da World Bioenergy Association
comparando-a com uma serra tubular adaptada em um trator agrícola. No setor privado, duas empresas em parceria, uma do Paraná e outra de São Paulo, desenvolveram um conjunto de pinças hidráulicas instaladas em uma escavadora, mais pesada, que, ao lado de gruas e picadores, realizaram a extração de tocos de eucaliptos em uma área piloto em São Paulo. Os tocos extraídos foram processados em cavacos para energia, separando-os das partículas do solo que acompanhavam as raízes, por meio de peneiras, deixando o site em condições adequadas para o estabelecimento de novas plantações. As empresas florestais estão estudando a possibilidade de utilizar esse novo sistema na remoção dos tocos de eucaliptos de suas áreas, após as operações de colheita, o que lhes permitirá uma redução substancial no custo da implantação e da manutenção dos novos plantios, bem como gerar uma receita adicional com a produção de biomassa para energia. Não há dúvidas de que novos desenvolvimentos deverão ocorrer nessa área específica, visando, sempre, reduzir o custo dessa operação. O equipamento recentemente desenvolvido e testado consegue extrair de 6 a 8 tocos por minuto, dependendo do diâmetro dos mesmos e do tipo de solo onde o povoamento foi estabelecido. Em terrenos arenosos, é possível obter um rendimento maior e uma menor contaminação dos cavacos por partículas do solo. Pode-se dizer que a extração dos tocos de eucaliptos em uma área a ser renovada apresenta uma série de vantagens, tais como: a) possibilidade de aproveitar o mesmo alinhamento de plantio anterior; b) custo mais baixo do que o do rebaixamento mecânico dos tocos; c) eliminação dos custos com aplicação de herbicidas usados para eliminar brotação indesejada dos tocos nas áreas renovadas; d) possibilidade de se usar tratores de pneus nas operações na área destocada, em substituição aos tratores de esteira; e) descompactação do solo; f) permitir o cultivo mínimo; g) aumentar a produtividade física do povoamento como resultado da maior penetração de águas de chuvas no solo; h) geração de uma receita extra com a produção de 20 a 30 toneladas de cavacos de tocos por hectare. Esse novo sistema de destoca e aproveitamento dos tocos para produção de biomassa para energia representa mais uma inovação no setor florestal brasileiro e vai facilitar o preparo das áreas para a renovação das plantações de eucaliptos no Brasil. n
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o maior problema
do setor florestal no Brasil:
inexistência de gestão O setor florestal brasileiro é, talvez, um dos mais importantes na contribuição ao adequado desenvolvimento econômico, social e ambiental do Brasil. Nas florestas nativas, segundo a AIMEX, observa-se um franco decréscimo nas atividades de uso das mesmas, causado, principalmente, pela pressão ambientalista que contesta a exploração dessas florestas no Brasil, especialmente na região tropical. Assim, esse segmento exportava, no início deste século, mais de US$ 1 bilhão, com mais de 4 mil unidades industriais, gerando emprego para mais de 500 mil Muitos fatos têm demonstrado que, apesar das definições de competências definidas nos instrumentos legais de criação dessas instituições, inexiste a adequada gestão nas mesmas. "
Joésio Deoclecio Pierin Siqueira Vice-presidente da STCP Engenharia de Projetos
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pessoas, desenvolvendo ciência e tecnologia em manejo florestal que até hoje são consideradas exemplos para o mundo. Hoje, o volume de exportação não ultrapassa os US$ 200 milhões, e o número de empresas não chega a mil, com empregos permanentes em torno de 100 mil. Apesar de sua importância, esse setor continua vivendo a crise do eterno conflito entre o marco regulatório rígido e a sua aplicabilidade com as características de cada região ou estado da federação, e isso colabora, de forma significativa, para limitar e/ou impedir a
Opiniões melhoraria da contribuição desse setor à qualidade de vida da sociedade brasileira. Ou seja, inexiste gestão institucional no setor. Os resultados positivos obtidos originam-se da competência de gestão do setor privado (vide “A excelência da gestão do negócio florestal”, Revista Opiniões, Ano 15, Nº 52, junho 2018, págs. 18/19). Outro ponto negativo é o fato de se referirem ao setor florestal como se fossem somente as florestas plantadas e seus resultados econômicos e financeiros. Esquecem as florestas nativas, que são, talvez, as mais importantes na geração de bens e benefícios para a sociedade como um todo. Esquecem, ainda, que foram essas florestas que propiciaram o desenvolvimento do Estado brasileiro desde seu descobrimento. Inúmeros fatos demonstram como a exploração dessas florestas conduziu à viabilidade da colonização e da ocupação de todas as regiões no Brasil. Assim, como explicitado, o problema principal vincula-se diretamente à inexistência de gestão, ou locus de gestão, onde é perfeitamente perceptível a inexistência de formulação, controle, implementação e monitoramento das políticas públicas e seus instrumentos que regulam e permitem a efetiva contribuição desse setor ao desenvolvimento do Brasil. Ou seja, não existe o adequado controle sobre essas ações, e mais, o locus atual é, literalmente, pulverizado em três instituições que apresentam níveis inaceitáveis de sombreamento nas atividades necessárias à gestão do setor florestal, levando, praticamente, ao caos administrativo e institucional. Para tanto, basta consultar os sites do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, criado pela Lei 7.735/89; do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, criado pela Lei 11.516/07; e do Serviço Florestal Brasileiro -SFB, instituído pelo artigo 54, da Lei 11.284/06. Muitos fatos têm demonstrado que, apesar das definições de competências definidas nos instrumentos legais de criação dessas instituições, inexiste a adequada gestão nas mesmas. São inúmeros os exemplos dessa ineficiência, tanto no que se refere ao setor florestal como um todo como também nas relacionadas com os aspectos da adequada administração do meio ambiente e das unidades de conservação em nível federal. Nesse caso, observa-se que a maior restrição é a que impede, e fortemente, o próprio desenvolvimento do setor, e tem como causa principal a forma
de gestão das ações de comando e de controle exercidas pelo Estado brasileiro, onde os responsáveis pela coordenação da política florestal (independentemente do nível, federal, estadual ou municipal), preferem barrar qualquer ação vinculada ao desenvolvimento a exercer sua função de contribuir para a adequada execução das atividades relacionadas com uso racional das florestas brasileiras. Exemplos dessa postura são facilmente observados nos processos de implantação de florestas e de indústrias em vários estados do Brasil. Outra situação recorrente é a que se relaciona com a efetividade dos planos de manejo florestal em regime de rendimento sustentado, em florestas nativas, onde cada vez mais as limitações são estabelecidas para dificultar a utilização dessas florestas na geração de bens e serviços fundamentais à melhoria das comunidades que vivem no entorno dessas formações florestais. Não importa que as florestas no País representem mais de 50% da área territorial, nem que contribuam com mais de 1,5% do Produto Interno Bruto Nacional, e muito menos pela sua importância como fator gerador de renda, emprego e melhoria da qualidade de vida das populações, especialmente as que vivem no meio rural, e nem mesmo como fator principal de fixação do homem no campo. Esses fatos não têm a mínima importância política, econômica, social e ambiental para a construção de uma gestão que possa decuplicar os números florestais no Brasil. Ao contrário, esses fatos são importantes ao gestor público para justificar os investimentos em ações de comando e de controle voltados ao rigoroso controle das atividades produtivas desse setor, levando e ampliando as dificuldades com geração de trabalho, renda e conforto social às populações que vivem no entorno dessas formações florestais. Assim, a melhor solução de gestão para o setor está, neste momento, vinculada à estruturação do Serviço Florestal Brasileiro como o locus do setor florestal. Essa instituição poderá, sem dúvidas, adotar uma forma de gestão que transforme e efetive o potencial florestal brasileiro na geração de bens e benefícios ao Brasil. Essa decisão implementada e com maior participação do setor produtivo conduzirá, com certeza, ao uso mais adequado do potencial dos recursos florestais brasileiros, com respostas econômicas, sociais e ambientais em bases sustentáveis, e o Brasil, ao ápice no cenário global do uso adequado das florestas. n
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as florestas plantadas
e a construção de casas de madeira
As florestas plantadas no Brasil estão entre as que apresentam as mais altas produtividades no mundo. Há florestas plantadas sobrando em algumas regiões. A indústria de madeira sólida, principalmente as serrarias processadoras de madeira de florestas plantadas, está em crise. No estado de São Paulo, muitas serrarias estão paradas. O Brasil tem grande demanda por moradias, e a madeira é um ótimo material para a construção de casas por ser um bom isolante térmico. O que está faltando? O uso de um sistema construtivo, prático e eficiente que permita o uso de peças de madeira serrada de dimensões relativamente pequenas. Um sistema construtivo em madeira usado em muitos países do mundo e que utiliza, principalmente, peças de madeira de pequena seção transversal está disponível em domínio público. Esse sistema, que foi criado no início do século XIX como balloon frame, evoluiu para o atual sistema platform. O manejo de florestas para uso múltiplo vem sendo discutido há longo tempo e tem por base a agregação de valor por meio de seleção do material a ser plantado, levando em consideração condições edafoclimáticas, espaçamento e operações
de manejo, como desrama e desbaste seletivo. Desse modo, a partir do segundo desbaste, haveria material com valor e condições para uso em construções de casas de madeira. O uso de madeira serrada em construções poderia alavancar o valor da madeira e, consequentemente, viabilizar o manejo das florestas para uso múltiplo. Após desenvolvimento de normas técnicas específicas, hoje, a Caixa Econômica Federal fornece financiamento para casas construídas pelo sistema wood frame. Nos Estados Unidos, na década de 1830, na região de Chicago, Illinois, havia falta de casas, falta de madeira de grandes dimensões e falta de carpinteiros. Para resolver essas dificuldades, foi criado um sistema construtivo que utiliza basicamente peças de pequenas dimensões e uniões sem encaixes, produzidas a partir de toras de qualquer dimensão e facilitando a construção por não exigir mão de obra especializada. Esse sistema é conhecido como wood frame, balloon ou platform. A indústria de base florestal, na maioria dos países desenvolvidos, é dividida em vários segmentos, sendo que as partes mais valiosas das árvores, isto é, as toras maiores, mais retas e com menos nós, são destinadas à indústria de madeira sólida, tanto serrada como laminada. Toras menores, galhos e resíduos dessas indústrias são utilizados por setores de celulose, painéis e energia. Um sistema de construção adequado e acessível poderia aumentar a demanda de madeira serrada e, como consequência, criar novos caminhos para o setor florestal, principalmente para os pequenos e médios produtores. "
Reinaldo Herrero Ponce
Consultoria Independente para área Florestal Madeireira
Opiniões Nos Estados Unidos e no Canadá, a principal peça estrutural do sistema de construção balloon ou platform é o 2”x4”, duas polegadas por quatro polegadas nominais. Na realidade, após secagem e aplainamento, as medidas finais são 1,5 polegada (3,81mm) por 3,5 polegadas (8,89mm). Trata-se de uma commodity. Muitas serrarias – conhecidas como stud mill – produzem somente essa bitola, geralmente a partir de toras de coníferas de pequenos diâmetros. O stud é o montante, peça vertical, da estrutura da parede. No Brasil, o stud pode ser obtido de florestas de pínus ou eucalipto, em rotações relativamente curtas. As florestas plantadas no Brasil são, em geral, de espécies exóticas, principalmente dos gêneros Pinus e Eucalyptus. Apesar das variações das madeiras entre as espécies. A maioria é adequada ao sistema de construção wood frame. No Brasil, a carpintaria tradicional, geralmente de origem europeia, é baseada em peças de grande secção transversal. Esse tipo de construção exige encaixes, muitas vezes complexos, que demandam tempo e carpinteiros experientes. Quando os carpinteiros não são bem treinados, em geral os resultados são péssimos. É comum se encontrarem falsas tesouras ou treliças, onde os componentes que deveriam ter funções de tração e compressão, de acordo com sua posição, são deformados por flexão. Além da necessidade de carpinteiros experimentados, esse tipo de construção demanda madeira de grandes dimensões transversais, portanto provenientes de toras de diâmetros relativamente grandes. Florestas plantadas podem produzir toras de diâmetros adequados para isso, após 12 ou 20 anos, dependendo da qualidade do sítio e do manejo florestal. Em contraste, conforme já mencionado, o sistema wood frame usa peças de pequenas dimensões transversais que podem ser obtidas de florestas plantadas em ciclos semelhantes aos das florestas que fornecem matéria-prima para as indústrias de celulose e painéis. O sistema balloon foi posteriormente modificado para o sistema denominado platform, com o objetivo de facilitar a construção e de melhorar o desempenho no caso de incêndios. No entanto a base do sistema continua a mesma, as paredes são portantes, servindo de apoio tanto ao madeiramento do telhado como base dos pisos superiores e escadas. A diferença entre o sistema balloon e o platform existe apenas em construções com mais de um piso; em construções de um só piso são iguais. Pesquisando o assunto, verifica-se que a formação um mestre carpinteiro no Japão, país com grande tradição em construções de madeira e na arte de encaixes, leva dez anos. Em 2010, em Ribas do Rio Pardo-MS, em três dias, ensinei, na prática, o básico do sistema platform, e os treinandos conse-
guiram construir uma obra com dois pisos e 200 m2 de área útil, toda obra feita em madeira de Pinus tratada com CCA. Outro exemplo da aplicação do sistema platform é a construção, em 1994, com madeira de eucalipto, de um prédio de 270 m2 dentro do Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP), Cidade Universitária, São Paulo. Esse prédio, com salas para alunos pós-graduados, foi construído com madeira de eucalipto, incluindo fundações, estruturas de piso, telhado e paredes e fechamento externo de todas as paredes e todas as esquadrias, portas e janelas. As paredes internas e a face interna das paredes externas foram cobertas com painéis de gesso acartonado, de modo a melhorar o isolamento acústico. As fundações foram toretes de C. citriodora tratados com creosoto. O prédio foi projetado por professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP). E construída por carpinteiros e ajudantes do Agrupamento de Processamento Industrial da Madeira do Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT. Esse prédio ainda está ótimas condições de uso. Um exemplo de eficiência desse sistema construtivo é demonstrado pela tradicional empresa americana Sears Roebuck, que, entre 1908 e 1940, forneceu a clientes de vários estados norte americanos mais de 70.000 casas. Verificando-se documentos da época, pode-se ver que não se tratava apenas de pequenas casas, mas algumas poderiam ser chamadas de mansões. Os materiais das casas eram enviados por ferrovia com os respectivos manuais de construção. As madeiras eram cortadas nas dimensões finais e incluíam a estrutura das casas, bem como coberturas e elementos de decoração. Muitas dessas casas ainda estão sendo habitadas. A madeira de florestas plantadas tem como característica fundamental a sustentabilidade ambiental e social. Além de absorver CO2 da atmosfera – cada tonelada de madeira sequestra 1,8 t de CO2, libera 1,3 t de O2 e absorve energia radiante equivalente a um aparelho de ar condicionado de 12.000 BTUs funcionando durante 2,3 meses. A floresta plantada protege os recursos hídricos e gera emprego e renda em regiões onde a terra tem menor valor. Concluindo, o manejo de floresta plantada para uso múltiplo tem como objetivo a agregação de valor; seu produto com maior valor são as toras para serraria ou laminação. A serraria é a mais democrática indústria de base florestal; pode ser iniciada com investimentos relativamente pequenos e gera emprego e renda. Um sistema de construção adequado e acessível poderia aumentar a demanda de madeira serrada e, como consequência, criar novos caminhos para o setor florestal, principalmente para os pequenos e médios produtores. n
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entidades e orgãos
hora de acordar o gigante Um megapaís: Por suas características geográficas, econômicas e populacionais, o Brasil ocupa posição de destaque no cenário internacional. Sua área de 8,5 milhões de quilômetros quadrados o coloca como o quarto maior país em extensão territorial contínua; seu PIB de US$ 1,8 trilhão o classifica como a nona economia mundial; com cerca de 210 milhões de habitantes, é o quinto país mais populoso do planeta. É o maior produtor de suco de laranja, café, proteína animal e celulose de fibra curta; é o segundo maior produtor de soja e algodão; o terceiro de milho e de feijão. Segundo declarações do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na 4ª Assembleia Ambiental das Nações Unidas (UNEA), em Nairóbi, Quênia, em março de 2019, “com apenas 30% de seu território usado para produção agrícola, o Brasil é o segundo maior exportador agrícola e alimenta cerca de 20% da população do mundo; com 64% de seu território ‘protegido por lei’, o Brasil é o país com a maior área protegida do mundo”. As florestas: Em área de terras florestais, os quase 500 milhões de florestas nativas do País ficam atrás apenas da Federação Russa, que possui 815 milhões de florestas. Com mais de 85% de seu imenso território localizado acima do Trópico de Capricórnio, terras férteis e regime de chuvas adequado na maioria das regiões, o Brasil detém uma inequívoca vocação para o crescimento de árvores. Mas, por inúmeras razões, a utilização desse enorme potencial florestal para o desenvolvimento econômico, social e ambiental da nação tem sido muito abaixo do que se poderia esperar. Uma honrosa e brilhante exceção é a produção de celulose de fibra curta (eucalipto), resultado Em 50 anos, a produtividade média dos plantios de eucalipto passou de 15 m3/ha/ano para mais de 40 m3/ha/ano, com algumas áreas excepcionais superando a marca de 100 m3/ha/ano. "
Amantino Ramos de Freitas
Presidente da SBS - Sociedade Brasileira de Silvicultura
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da capacidade empresarial dos industriais brasileiros e dos ganhos de produtividade alcançados nas últimas décadas. Em 50 anos, a produtividade média dos plantios de eucalipto passou de 15 m3/ha/ano para mais de 40 m3/ha/ano, com algumas áreas excepcionais superando a marca de 100 m3/ha/ano. Em 2018, o Brasil produziu 21 milhões de toneladas de celulose, correspondente a 12% da produção mundial total, inclusive de fibra longa. E pensar que, por muito tempo, fomos importadores dessa commodity e, tal como o relatório do geólogo americano Walter K. Link no início da década de 1950, que afirmava que não tínhamos petróleo, e se dizia que era impossível obter papel de qualidade a partir de madeiras tropicais. Os plantios florestais ocupam 7,85 milhões de hectares (0,92% da área do Brasil), sendo 5,67 milhões de ha com eucalipto, 1,58 milhão de ha com pínus e 600.000 ha com outras espécies, sobretudo paricá, teca, cedro-australiano e mogno africano. O plantio de árvores no Brasil tomou forte impulso a partir de 1966, com a promulgação da Lei Federal 5.106, que estabeleceu uma política de incentivos fiscais ao reflorestamento. Durante 20 anos, os contribuintes do imposto de renda, tanto pessoas físicas como jurídicas, puderam aplicar parte do imposto devido em projetos de reflorestamento. Mais de 3.000 empresas se registraram no antigo IBDF, Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal,
Opiniões precursor do IBAMA, para desenvolver dezenas de milhares de projetos envolvendo uma área total de cerca de 5 milhões de hectares. À medida que tais projetos atingiam maturidade e geravam receita, sua continuidade passou a não depender mais de recursos do governo. Os incentivos fiscais também propiciaram o surgimento de programas de pesquisas cooperativos entre empresas e universidades que foram os principais responsáveis pelo aumento significativo da produtividade das florestas plantadas. Produção florestal: Contudo, se o desenvolvimento de florestas plantadas é uma história de sucesso, a utilização econômica das florestas nativas tem sido um misto de desafios e de frustrações. A produção de madeira de espécies nativas, basicamente as da região amazônica, tem sido caracterizada pelo desmatamento ilegal e se reduziu drasticamente a partir de 2009, quando foi estabelecido um controle mais rigoroso por parte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Naquele ano, a produção foi de, aproximadamente, 16 milhões de metros cúbicos, caindo para seis milhões de metros cúbicos a partir de 2014. Interessante notar que, dos 2,5 milhões de metros cúbicos exportados anualmente pelo Brasil – 1,7% das exportações mundiais –, 84% são de madeira de coníferas e apenas 16% de madeiras tropicais. As exportações de madeira serrada da Áustria, cuja área não chega a 1% da área do Brasil, são mais que o dobro das exportações brasileiras. Convém ressaltar que grande parte da área florestal do País, 311,6 milhões de hectares (37% do território nacional), está cadastrada como florestas públicas, sejam da União, dos estados ou dos municípios. Essas áreas incluem 246,3 milhões de hectares destinados a uso comunitário [terras indígenas, reservas de desenvolvimento sustentável, reservas extrativistas e assentamentos públicos], uso sustentável [florestas nacionais (FLONAs), áreas de proteção ambiental públicas (APAs), florestas estaduais (FLOTAs), hortos e estações experimentais estaduais], proteção integral [estações ecológicas, parques nacionais, reservas biológicas e áreas de relevante interesse ecológico públicas] e ainda áreas militares; os outros 65,3 milhões de hectares são de florestas não destinadas, glebas arrecadadas pela União ou pelos estados. Atualmente, existem seis FLONAs sob contrato de concessão florestal pelo SFB em dois estados, Pará e Rondônia, com uma área total de mais de um milhão de hectares. Esses contratos envolvem dez empresas, que devem manejar a floresta de forma sustentável durante 40 anos. A produção e a exportação de compensados também estão baseadas em florestas plantadas, no caso, fundamentalmente florestas de pínus. Em 2016, o Brasil produziu 2,7 milhões de metros cúbicos desse produto, cerca de 1,7% da produção mundial,
sendo que 84% desse total foi exportado – equivalente a 7,5% da produção mundial. A migração das indústrias de base florestal de madeiras nativas para madeira plantada se deve aos entraves burocráticos, sobretudo à morosidade na aprovação dos Planos de Manejo Florestal (PMF) e dos planos de operação anual (POA) – que nem por isso ficam melhores – e às enormes dificuldades para regularização fundiária das propriedades. A certificação florestal, que poderia ser um caminho facilitador para atender às exigências dos órgãos controladores, tem funcionado melhor para as florestas plantadas do que para as nativas. Existem casos em que empresas certificadas pelo Forest Stewardship Council (FSC), sistema de certificação criado em 1993 e reconhecido internacionalmente, foram autuadas pelo IBAMA por desencontro de informações. Na Bolívia, por exemplo, as empresas certificadas têm tratamento diferenciado por parte da fiscalização. Por outro lado, a tendência recente de se certificar as florestas também com vistas ao pagamento de serviços ambientais poderia representar fonte de renda adicional para a utilização econômica de florestas nativas. Aproveitamento da Reserva Legal: Um aspecto relevante no aproveitamento das florestas nativas é a oportunidade decorrente das exigências do Código Florestal aprovado em 2012, Lei 12.651 de 25/05/2012, que obriga os proprietários rurais a manterem uma cobertura mínima de vegetação nativa, denominada Reserva Legal (RL), que é de 20% na mata atlântica, 35% no cerrado e 80% na Amazônia. A utilização econômica dessa área pode representar receita adicional para o proprietário da terra, desde que se escolham espécies adequadas e mudas de boa qualidade. O processo de melhoramento genético que levou ao aumento de produtividade dos reflorestamentos com espécies exóticas deve ser repetido com as espécies nativas, levando à sua “domesticação”. As medições do desenvolvimento de 23 espécies nativas plantadas no Parque Estadual Alberto Loefgren (Horto Florestal), bairro da Cantareira, São Paulo, em comemoração aos 500 anos do descobrimento, mostrou uma altíssima variabilidade do comportamento entre indivíduos da mesma espécie após 15 anos de implantação. Alguns exemplos: o DAP das 16 árvores de jequitibá branco (Cariniana estrellensis) variou entre 6 cm e 40 cm, com média de 17,2 cm; a altura variou entre 4 m e 20 m, com média de 11,6 m. Para os 18 exemplares de pinheiro-do-Paraná (Araucaria angustifolia), as diferenças foram ainda mais expressivas: DAP variando entre 5 cm e 33 cm – média de 16,7 cm, e altura entre 1,5 m e 21 m – média de 11,9 m. Ao todo, foram plantadas cerca de 500 mudas numa área aproximada de um hectare. Os recursos florestais do Brasil são gigantescos, mas o gigante precisa ser acordado. n
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entidades e orgãos
Opiniões
cavaco de madeira como fonte energética A geração de energia termelétrica que utiliza cavaco de madeira é um dos instrumentos fundamentais para a sustentabilidade do nosso território nacional e consequente estabilidade do sistema energético, hoje dependente, em grande parte, de fontes instáveis e não renováveis. O eucalipto se mostra viável no caso de plantios dedicados apenas para a geração de energia a cavaco de madeira ou mesmo equilíbrio de estratégia de plantio, visando atingir não somente esse mercado como outros consumidores da mesma espécie (por exemplo, a indústria da celulose). O pínus apresenta atratividade distinta, pois apenas a madeira fina como fonte de matéria-prima tem se mostrado economicamente interessante. Mesmo assim, há o desafio na otimização do custo para a transformação no cavaco. O manejo de floresta nativa para transformação da árvore em cavaco é um desafio possível. Mas, por força de especificidades do sistema energético brasileiro e a localização das florestas nativas, essa é uma atividade que merece melhor análise técnica e um artigo específico para tanto. Portanto, para efeito do presente artigo, haverá foco apenas na geração de energia proveniente do cavaco de madeira do eucalipto. Para todas as hipóteses, o respeito às leis é mandatório, e a certificação é sempre recomendável.
Para o silvicultor, a geração de energia por cavaco de madeira é extremamente eficiente, pois o custo com logística é mínimo. Aqui está o ponto nevrálgico do tema. Pela perspectiva do agricultor, a floresta é uma complementação de sua renda, sem competir com sua atividade fim. Além disso, a floresta serve como equilíbrio financeiro quando se verificam perdas ou ineficiência na colheita, geradas pela mudança climática ou mesmo otimização do uso do solo em locais de baixa produtividade. A indústria voltada para equipamentos que geram energia e operam termelétricas a cavaco de madeira será também beneficiada, com expressiva geração de receita, uma vez a constante instalação e operação da mesma. A geração de emprego será natural. Para o órgão responsável pelo planejamento e desenvolvimento do sistema energético brasileiro, a fonte aqui referida é totalmente confiável e condensa qualidades técnicas e sustentáveis. Todas irrefutáveis. Trata-se de energia renovável, que fixa o homem no campo e não depende de fatores externos para gerar energia de forma contínua e constante. O plantio de árvore fixa carbono na natureza durante sua fase de plantio, e trata-se de atividade que gera energia de forma contínua e sem intermitência.
O Brasil precisa estar inserido nesse contexto e se tornar exemplo ao mundo de como é possível associar sustentabilidade a resultados econômicos positivos. "
Aldo de Cresci Neto
Secretário Executivo da Frente Parlamentar de Silvicultura
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ORGANIZAÇÃO | ORGANIZER:
entidades e orgãos A análise econômica é igualmente favorável, seja para o silvicultor ou para o País. Não há exposição cambial na matéria-prima, ou mesmo no setor industrial, e seu custo é reduzido se comparado com outras fontes energéticas. Ou seja, favorece a balança comercial e gera lucro ao produtor rural. Sustentabilidade e economia são certeza, desde que desenvolvidas de forma pragmática. O Prêmio Nobel de Economia de 2018 corroborou esse entendimento na escolha do trabalho dos economistas americanos William Nordhaus e Paul Romer, por integrar a mudança climática e a inovação tecnológica no crescimento econômico. O Plano Decenal de Expansão de Energia brasileiro foi taxativo na priorização de fontes de energia renováveis, com o crescimento econômico apoiado em matrizes limpas, conforme a Política Nacional sobre Mudanças do Clima. A meta é que o Brasil venha a ter 48% de sua geração de energia em fontes renováveis até a próxima década. Ocorre que, para essa fonte energética ser uma realidade, há necessidade de mudanças relevantes por parte dos órgãos competentes. O mercado regulado se mostra atratativo, desde que sejam ofer-
tadas garantias de consumo de energia expressiva (pelo menos setenta por cento de sua capacidade instalada) para cada unidade termelétrica instalada. Ou seja, geração de energia na “base do sistema”, e não por disponibilidade. Os leilões precisam ser adequados aos silvicultores no que se referem a preço, prazo e concorrentes, levando-se em conta o tempo de colheita e os custos dessa atividade. Relembrando que os custos da silvicultura são extremamente competitivos, se comparados com outras fontes renováveis e, principalmente, não dependem de subsídios internos ou externos, inexistindo exposição cambial. O Brasil tem aproximadamente 9 milhões de hectares plantados de árvores, e esse setor econômico movimenta R$ 19 bilhões anuais. Essa fonte energética irá representar um aumento significativo de plantio de árvores, maior geração de receita e demanda de mão de obra rural. Além disso, haverá natural equilíbrio financeiro aos silvicultores, que enfrentam a queda do consumo da sua cultura nos últimos anos. O Brasil precisa estar inserido nesse contexto e se tornar exemplo ao mundo de como é possível associar sustentabilidade a resultados econômicos positivos. n
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Gestão Florestal
Opiniões
setor florestal:
protagonista para o desenvolvimento sustentável Quantas pessoas vocês acham que seriam necessárias para proteger o que seria a 6ª maior nação do mundo em extensão territorial? Não, não estamos falando da Austrália, ou da Índia. Estamos falando da Amazônia Legal, que, no Brasil, tem cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados e 22 milhões de habitantes em dez estados e mais de 770 municípios. O Brasil possui o maior remanescente de floresta tropical do mundo e é, economicamente, um dos principais players do agronegócio. Se o Brasil tem dimensões continentais, as nossas florestas têm o tamanho e a complexidade de um país. Estima-se que 69% da floresta tenha potencial produtivo. Ou seja, acabar com o desmatamento depende de como fomentaremos a economia florestal. A biodiversidade das florestas brasileiras nativas suporta várias atividades econômicas e possui potencial multiuso para diferentes indústrias, como madeireira, alimentícia, cosmética e farmacêutica. Fazer o bom uso do conhecido “maior abrigo da biodiversidade do mundo”, com milhões de espécies animais, vegetais e serviços ecossistêmicos,
é mais do que ser sustentável. É permitir a manutenção de diversas comunidades locais e garantir a preservação. Mesmo ainda bem distante de sua “plena capacidade”, e diante de um cenário de crise econômica, o setor florestal brasileiro tem experimentado forte expansão, de 3,4% em 2017. Tal resultado gerou e gera milhões de empregos diretos, indiretos e pelo chamado efeito-renda e arrecada bilhões de reais em impostos para o setor público brasileiro. Beneficiam-se direta e indiretamente das atividades florestais mais de 3 milhões de brasileiros. Tudo isso prova o potencial de nossos recursos naturais e a extraordinária capacidade de empreendimentos. Imaginem só o que acontecerá − porque precisa acontecer − quando todos os governos − federal, estadual e municipal − derem a devida atenção à causa. A floresta em pé precisa ser valorizada − e valorada − como deve. O reconhecimento institucional do setor florestal é uma reivindicação que se arrasta há anos, com inúmeras perdas de oportunidades. Não há nenhuma justificativa plausível para ainda haver desmatamento, porque já existem áreas
O Brasil é um país com vocação florestal e que, até hoje, deu pouca atenção a esse setor, em especial em relação ao desenvolvimento da economia de base de florestas nativas. Não dá mais para escutar que o uso produtivo e responsável das florestas é sinônimo de desmatamento. "
Aline Tristão Bernardes
Diretora Executiva da FSC Brasil - Forest Stewardship Council
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entidades e orgãos abertas suficientes, em estado de degradação e que poderiam comportar projetos produtivos − agrícolas ou florestais −, mas que, infelizmente, ainda não são utilizadas. A ausência de políticas públicas estruturadas tem nos deixado no "passado". Um bom começo é entrarmos na agenda de prioridades institucionais de nossos governantes. Para isso, é necessário começar reunindo informações estratégicas consistentes e organizadas para mapear o planejamento florestal brasileiro. Precisamos ter referências sobre áreas, produção e consumo de produtos madeireiros e não madeireiros, além do monitoramento dos mercados nacional e internacional. Infelizmente, a falta de dados estatísticos confiáveis, o desconhecimento do posicionamento global de mercado e a precariedade das políticas públicas para o setor são fatores que pesam negativamente. Quando enumeramos desafios do setor, podemos destacar alguns temas que, se pensados e tratados política e culturalmente, poderão beneficiar o setor florestal e o País como um todo. A começar pela desmistificação de que manejo florestal para produção é a mesma coisa que desmatamento. Não é! As plantações florestais, além de gerarem benefícios econômicos para os territórios onde estão implantadas, bem manejadas, geram impactos sociais e ambientais importantes e significativos. No caso do manejo de florestas nativas, existem informações confiáveis que áreas sob controle e monitoramento por processos de verificação e de melhorias contínuas de gestão podem funcionar como barreira ao desmatamento. Para fazer o negócio florestal funcionar corretamente, é preciso compreender suas especificidades. Por exemplo, uma empresa certificada que faz móveis rústicos de madeira nativa não pode ter uma mesa apreendida porque o fiscal “acha” que aquilo é uma tora. É preciso estruturar os processos de licenciamento e execução das atividades florestais, incluindo as ações de fiscalização e controle de produtos oriundos de madeira nativa em portos, aeroportos, etc. A questão fundiária é outro tema espinhoso que não pode ser ignorado. É fundamental que se propicie segurança jurídica para os empreendimentos florestais, mas sem prejudicar os direitos à terra dos povos tradicionais, indígenas e pequenos produtores. Todos eles devem ser vistos com outros olhos, porque vivem das florestas e cuidam delas há séculos. Também é imprescindível investir em infraestrutura de transporte terrestre e portuário. Afinal, precisa ser mais barato escoar a produção do Norte para o Sudeste do que para a Holanda. Compras públicas têm que cobrar a procedência dos produtos de origem florestal para aquecer o mercado dos
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que já fazem certo – e sufocar os que não fazem. Implementar, de fato, a política para Pagamento de Serviços Ambientais (PSA) e investir em pesquisa e inovação, igualmente, fazem parte da solução ou do longo caminho que ainda temos que trilhar até a economia verde. Muito além da madeira, as florestas são consideradas a principal solução para demandas futuras – e crescentes – de alimentos, fibras e energia. Floresta bem manejada significa dinheiro e desenvolvimento territorial responsável. Subentende-se como bem manejada a capacidade dos empreendedores – sejam pequenos, médios ou grandes, de observar e cumprir os compromissos legais, sociais e ambientais. A consciência ambiental se fortalece, porque sustentabilidade não é mimimi. O desenvolvimento sustentável é aquele que se mantém. Daí que programas de comunicação e de promoção comercial do setor florestal e de seus produtos, enfatizando seus benefícios sociais e ambientais, fazem parte da mudança. O manejo de floresta nativa tropical é uma atividade econômica com grande capacidade de geração de receita, criação de empregos e arrecadação de impostos; além, claro, de ser uma poderosa arma no combate ao desmatamento e, consequentemente, à mudança climática, conciliando conservação e produção. A indústria florestal precisa ser compreendida de forma sistêmica e holística. Como vetor de desenvolvimento territorial. Mais do que uma potência agrícola, temos que nos tornar expressão internacional no mundo florestal. É preciso que exista um fomento adequado para o cultivo, o manejo e a utilização de florestas nativas e exóticas, viabilizando, por exemplo, o desenvolvimento de técnicas sobre novos e inovadores usos para a madeira, um material renovável e ambientalmente benéfico. Produção e conservação são compatíveis. O Brasil é um país com vocação florestal e que, até hoje, deu pouca atenção a esse setor, em especial em relação ao desenvolvimento da economia de base de florestas nativas. Não dá mais para escutar que o uso produtivo e responsável das florestas é sinônimo de desmatamento. Muito pelo contrário. Floresta precisa ser, porque, de fato, é vista com seriedade por economistas, empresários, administradores, consumidores. Como tentei deixar claro neste texto, é tema para ser discutido nas áreas Ministeriais da Fazenda, do Trabalho, da Educação, da Justiça, da Infraestrutura, do Meio Ambiente. Tema para ser discutido na sua empresa e dentro da sua casa. Manejo de florestas não pode ser visto como tabu, mas sim como uma ferramenta potencial para desestruturar as verdadeiras fontes de degradação – do solo, das águas, das comunidades, dos territórios, que é o contínuo uso irresponsável de nossos recursos naturais pelo desmatamento. n
Opiniões
o contexto florestal brasileiro O desenvolvimento econômico de países com base em atividades sustentáveis, e, dentre elas, com destaque, o segmento florestal, constitui uma alternativa concreta que vem sendo discutida e proposta desde a década de 1950 pela Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), da ONU. A premissa torna-se particularmente verdadeira quando aplicada ao crescimento da economia dos países em desenvolvimento. O Brasil é um dos poucos países com ampla disponibilidade de áreas antropizadas utilizáveis para a silvicultura e onde se registra a maior produtividade florestal do mundo, o que resulta em combinação quase perfeita dos fatores de produção. Mesmo tendo o nome de uma árvore, o Brasil só percebeu suas imensas potencialidades florestais a partir da Lei 5.106/1966, que concedia incentivos fiscais para reflorestamento. O período de aprendizagem com espécies exóticas já cultivadas foi relativamente curto. A sinergia entre melhoramento genético e fertilização florestal possibilitou uma silvicultura competitiva em solos de baixa fertilidade. Portanto os citados maiores rendimentos florestais do mundo não resultam apenas das condições naturais favoráveis, mas também de um persistente trabalho dos pesquisadores, com o indispensável apoio logístico e financeiro das empresas de base florestal. Importante observar que o progresso florestal brasileiro não se limitou apenas à silvicultura. Aliás, não teria nenhum sentido a produção de uma matéria-prima tão nobre que não tivesse usos industriais.
Além do uso tradicional na produção de carvão vegetal, cresce, a cada dia, o consumo da madeira imunizada e da madeira serrada originárias de plantações florestais, porém a grande “descoberta” brasileira foi a celulose de fibra curta, em cuja produção o País se posiciona como altamente competitivo. O Brasil já é o segundo maior produtor mundial de celulose, com 19,5 milhões de toneladas em 2018, aqui incluída também a celulose de fibra longa. E a demanda mundial vai continuar crescendo, e esse é o momento de o Brasil valer-se de sua competitividade, principalmente na fibra curta. Entraves ao desenvolvimento florestal O uso racional dos recursos naturais – renováveis ou não – deve ser uma preocupação constante de governos e de todo cidadão consciente e responsável. No entanto, com o justificável propósito de inibir a ação predatória do homem sobre a natureza, o Estado assumiu uma postura de comando e de controle sobre as operações florestais que se mostra totalmente contrária a uma gestão eficiente e produtiva. Tratando-se de vegetação nativa, é compreensível que essa fiscalização seja rigorosa, porém, sobre as florestas plantadas, a excessiva ação fiscalizadora acaba trazendo um forte
não é raro que pequenas e médias empresas estejam migrando da lenha para o gás natural – trocando um insumo renovável e ambientalmente amigável, por outro finito e poluente – simplesmente para fugir da burocracia "
Dárcio Calais
Assessor Técnico do Sindifer - Sind Ind Ferro do Estado de MG
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entidades e orgãos desestímulo aos novos plantios e às operações florestais em geral. Há exigências tão abusivas que se concretizam como uma punição ao empreendedor florestal. Eis por que não é raro que pequenas e médias empresas estejam migrando da lenha para o gás natural – trocando um insumo renovável e ambientalmente amigável, por outro finito e poluente – simplesmente para fugir da burocracia. Na Suécia, um país de clima temperado, o consumo de madeira como energia direta é, proporcionalmente, maior do que no tropical Brasil. Em Minas Gerais, um setor injustamente criticado é a siderurgia a carvão vegetal, cujo suprimento sustentável depende de extensas áreas de florestas plantadas. Ora, como se sabe, todo vegetal em fase de crescimento retira gás carbônico da atmosfera através da fotossíntese, e, pela sua extensa superfície foliar, as árvores realizam-na com particular eficiência. Num sistema de produção sustentável de carvão, para cada hectare de floresta em fase de colheita, existem seis hectares em fase de crescimento, captando gás carbônico e liberando oxigênio. Na produção, por exemplo, de uma tonelada de ferro-gusa, o balanço de massa demonstra numericamente as vantagens ambientais do biorredutor renovável. Os resultados se resumem no demostrado neste quadro: Produção de ferro-gusa*1 t Absorve
Libera
Via biomassa
890 kg CO2
Via coque
990 kg
O2
203 kg
O2
1.750 kg CO2
Mesmo utilizando um insumo renovável e benéfico ao meio ambiente, o consumidor de carvão vegetal está sujeito a uma legislação rigorosa e a uma fiscalização implacável. Além de contribuir decisivamente para a redução dos gases do efeito estufa, a siderurgia a carvão vegetal brasileira – única no mundo – constitui também um fortíssimo fator de inclusão social, na medida em que gera empregos na área florestal tanto para cientistas e técnicos de todos os níveis como também para trabalhadores menos qualificados. Em Minas Gerais, apenas a produção e o transporte do carvão vegetal consumido pela metalurgia verde (ferro-gusa, aciarias integradas e ferro ligas) geram um total de 26.300 empregos diretos. E o futuro? “O futuro a Deus pertence”, pelo menos é isso que a sabedoria popular ensina quando adverte sobre a insegurança de qualquer previsão, ainda que bem fundamentada. No entanto, em se tratando de seu futuro florestal, é certo que o Brasil vai continuar em sua carreira de sucesso. Para tanto, algumas correções de rumo tornam-se urgentemente necessárias.
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• Licenciamento ambiental: na implantação de um projeto florestal, a área de efetivo plantio ocupa, no máximo, 55% da área bruta da propriedade. Reserva Legal e APPs cobrem, em média, 40%. Os 5% restantes ficam para as áreas de serviço. O que se pleiteia aqui não é a desobediência às leis nem o desrespeito ao meio ambiente, e sim a aplicação do bom senso e da justiça no licenciamento dos empreendimentos florestais. Uma vez atendidas àquelas exigências básicas, deve-se considerar que os povoamentos homogêneos também têm importantes funções ambientais, inclusive na proteção indireta aos remanescentes nativos. • Excessivo comando e controle: se o objetivo das leis é o de proteger o meio ambiente, então a fiscalização deve se concentrar na supressão não autorizada da vegetação nativa e na movimentação da madeira (nativa) comercializada. A madeira originária de florestas plantadas, notadamente dos gêneros Eucalyptus/Corymbia e Pinus, é facilmente identificável visualmente, e todo o carvão produzido em Minas Gerais origina-se de madeira cultivada. Não se justifica, portanto, autorização do Estado para a colheita de florestas plantadas nem documentos específicos (GCA) que acobertem o transporte de carvão vegetal. • Madeira sólida: a exaustão e o distanciamento das fontes nativas de madeira sólida, bem como as justas restrições legais impostas a elas, indicam claramente que ela virá necessariamente de florestas cultivadas. E, mais uma vez, o Brasil apresenta-se como forte competidor nesse segmento. Conforme já foi mencionado, é bem amplo e crescente o uso de madeira tratada para diversos fins, porém o produto valioso para uso nobre será a madeira serrada originária de povoamentos conduzidos para esse fim. Aliás, aí está um grande motivador para as pesquisas da silvicultura das essências nativas. Há ensaios preliminares que indicam potencialidades de essências seminobres, tanto em crescimento quanto em forma do fuste. Observação importante: para que sua madeira seja usada em serrarias, uma árvore, nativa ou exótica, deve ter, no mínimo, 20 anos de idade. Conclusão: A fotossíntese é a maior indústria química da Terra. Os bilhões de toneladas de carvão mineral e petróleo soterrados durante milhões de anos originaram-se – direta ou indiretamente – da energia solar captada pelos vegetais. E essa energia é particularmente farta nos trópicos. O Brasil, que já é um grande produtor de grãos, pode se tornar também um grande fornecedor mundial de derivados da floresta, com um mínimo de impacto ambiental. Para tanto, aguarda-se uma política adequada para esse setor. Exportar produtos florestais equivale a exportar energia solar acumulada pelas árvores através da fotossíntese. n
Opiniões
corrigindo a rota do sistema florestal A importância florestal no Brasil inicia-se com a sua descoberta, principalmente com a exploração do pau-brasil pela Coroa Portuguesa, devido ao seu alto potencial madeireiro e sua característica única, a sua coloração para o fornecimento do corante avermelhado, muito utilizado na Europa; até então, a Coroa Portuguesa se interessava apenas pelo extrativismo, e eis que, em 1811, surge a criação do Jardim Botânico, destinado à climatação de plantas e à elaboração de estudos da botânica econômica da flora brasileira. Até então, eram poucas as iniciativas do País em regular o setor, período em que a questão florestal não recebe a devida atenção por parte da União, mesmo se considerar que, em 1921, há a criação do Serviço Florestal Brasileiro. Uma das primeiras inciativas de regular o setor vem com a instituição do Código Florestal de 1934, na busca de se trazer um ordenamento às atividades florestais no Brasil, que, até então, não recebera a devida atenção, mesmo considerando seu inquestionável potencial produtivo econômico. Após essa época, temos, então, a criação de organismos, com o objetivo primaz de buscar a estruturação do setor, como o Instituto do Pínus e o Instituto do Mate, no âmbito do Ministério da Indústria e Comércio, mais com o viés econômico do que de se encarregar da Política Pública de Florestas. Verifica-se que, realmente, o setor florestal brasileiro começa a receber as devidas importâncias na década de 1960, com a instituição do Código Florestal de 1965 e a criação do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal - IBDF, em 1967.
O setor florestal no Brasil passa a se estruturar, a partir do momento em que profissionais verificam a sua importância, principalmente focados no fornecimento de dormentes para a estrada de ferro. Nota-se que os ensinos até então no Brasil não propiciavam aos profissionais os conhecimentos necessários da formação em ciências florestais. Então, na década de 1960, o presidente Juscelino Kubistchek cria, em Minas Gerais, a Escola de Floresta, sendo transferida depois para a cidade de Curitiba. A partir dessa fantástica percepção, o setor começa, então, a se estruturar, iniciando com a formação de profissionais capacitados, bem como o surgimento das empresas de base florestal sustentável.
É fundamental a retomada do rumo, que, com planejamento e segurança, irá trazer ao Brasil um lugar de destaque na economia mundial, podendo se tornar, em poucos anos, o maior exportador de madeira sustentável do mundo. "
João Paulo Mello Rodrigues Sarmento
Presidente da SBEF – Soc. Brasileira dos Engenheiros Florestais
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entidades e orgãos As escolas recém-criadas formam, então, parcerias fundamentais com as escolas americanas e alemãs, trazendo seus mestres para desenvolver as ciências florestais no País, pois, até então, os ensinos de agronomia não atendiam a todas as necessidades de uma ciência autônoma e com características específicas, que é a florestal. Aproveitando a criação de vários institutos de pesquisa junto às universidades, como o Instituto de Pesquisas Florestais – IPEF e a Sociedade de Investigações Florestais – SIF, ligados, respectivamente, à Escola Superior Luiz de Queiroz – Esalq-USP e à Universidade Federal de Viçosa - UFV. Não satisfeitas com a evolução das ciências florestais no Brasil, as empresas de base florestal criam em seu corpo técnico importantes laboratórios, com altos investimentos em pesquisas, e, articuladamente com as universidades, desenvolveram o conhecimento no setor com uma velocidade ímpar. Vários estudos a partir daí se solidificam e engrandecem o desenvolvimento do setor, tirando o Brasil de uma produção máxima, no caso das florestas de produção (pínus e eucalipto, por exemplo), entre 5 e 15 m3/ha para 35 a 40m3/ha, em média. Ainda na sua fase de estruturação, o Brasil, em 28 de fevereiro, cria o Instituto de Desenvolvimento Florestal - IBDF, pelo Decreto-Lei nº 289, que “destina-se a formular a política florestal bem como a orientar, coordenar e executar ou fazer executar as medidas necessárias à utilização racional, à proteção e à conservação dos recursos naturais renováveis e ao desenvolvimento florestal do País, em conformidade com a legislação em vigor”, passando a ser uma instituição que dá as diretrizes e passa a controlar todo o setor. Essas medidas tiram o País de um lugar de usuário de florestas nativas para um grande produtor florestal, ameaçando, então, a hegemonia de países com base na economia florestal, como Canadá, Estados Unidos e Finlândia. Nesse período, o setor atinge números reais de produção que preocupam todos os demais países, pela sua capacidade de gerar tecnologias na área de produção, podendo, de forma organizada, ser o principal produtor de floresta no mundo. Mas, como tudo não são flores no Brasil, o setor florestal deu uma guinada negativa, passando a não obter mais do governo a importância devida. Esse fato começa a se formalizar a partir do momento em que se extingue o IBDF e se cria o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – Ibama em 1989. O Ibama, que é a junção de 4 órgãos, passa a assumir muito mais a posição ambientalista, conservacionista, punitiva e fiscalizatória do que a busca pelo desenvolvimento sustentável com os setores que estavam regulados pelos demais órgãos.
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Opiniões Essas mudanças institucionais deixaram uma lacuna significativa, pois as estruturas existentes do antigo IBDF, que davam as orientações ao setor florestal, passaram a não ter mais funções e, pior, passaram a ser sucateadas, pois o foco institucional é o comando e o controle, braços fortes da atual política ambiental do País. Passamos, então, ao momento ruim do setor florestal, quando não se tem uma referência e não se escutam seus clamores, ocorrendo, então, uma inércia nunca vista antes, que perdura até os dias de hoje. Apresentam-se, agora, algumas propostas de resgate do setor, na inicial reforma administrativa que o Governo Federal se propõe fazer. Não se verifica que esteja ideal, mas é o início para atingirmos novamente a hegemonia do setor, em que se tem uma referência, mas acreditamos estar no caminho. É interessante, nos dias atuais, que o Serviço Florestal Brasileiro torne-se uma autarquia, não só em sua legalização, mas que haja o fortalecimento institucional e que venha realmente a ser um órgão responsável por toda a política florestal concentrada em sua estrutura organizacional, para que o setor volte a ter uma referência de política florestal. Deve-se dar a esta autarquia o devido apoio implementando uma política florestal consistente e desenvolvimentista, dentro dos parâmetros de sustentabilidade socioambiental, considerando o setor florestal como um todo, estruturando seus departamentos, ordenando as áreas de florestas nativas, como nos casos das concessões e manejos florestais, bem como nas áreas das florestas de produção. Não se pode deixar à míngua um setor que tem a pujança do setor florestal sem a devida importância, totalmente desestruturado dentro do governo e sem uma política consistente com a importância que representa. O setor florestal tem uma área de florestas plantadas com mais de 7 milhões de hectares, gerando nas exportações brasileiras em torno de 6% de todas as exportações do País (US$ 14,1 bilhões), apresentando um saldo positivo na balança comercial de US$ 12,9 bilhões. Em 2017, arrecadou mais de R$ 11,8 bilhões. Por fim, o setor representa aproximadamente 2% do número de empregos do País, ainda mais representativo porque a maioria da sua mão de obra é rural. Diante de tamanha importância, não pode o setor continuar a ser desrespeitado e desprestigiado como vem sendo nas últimas décadas. É fundamental a retomada do rumo, que, com planejamento e segurança, irá trazer ao Brasil um lugar de destaque na economia mundial, podendo se tornar, em poucos anos, o maior exportador de madeira sustentável do mundo. n
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