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No pr óx im o d i a 3 d e D ez em b r o assi nala -s e o Di a In te rnac i ona l d as Pe sso as c om De f ic i ên c i a. Por i s s o , f al a m os aq ui de pe s s o as po r t ad o r as d e de f ic iê n c ia e d a s in s t i tu iç õe s qu e t rab a lha m c om el as, num a te nt at iva d e lem b ra r o q ue p ara a lg uns é u m te m a es qu ec id o e pa ra d esm i st if ic a r o q u e pa ra al gu ns ai nd a é t ab u.

Instituições ligadas à deficiência querem mais

O caso de Pedro Miguel

Igualdade… mas pouca

Sofia Abreu Silva dades para Todos. "Sabemos que a igual2007 assume-se como o dade de oportunidades Ano Europeu da Igualda- para todos se trata de ude de Oportunidades para ma ambição utópica de Todos. Assume-se, ou pe- quem se preocupa com lo menos devia assumir- todos os que se colocam se, porque pelos vistos posicionados de um momuitas instituições fama- do mais desfavorável. No licenses que trabalham entanto, é louvável que com pessoas portadoras exista essa pretensão e de deficiência, como a AP- que a nível europeu se rePACDM (Associação Por- pensem medidas, se outuguesa de Pais e Amigos çam os mais vulneráveis e do Cidadão Deficiente se direccionem esforços Mental), o Centro Social com vista a uma sociedade Bairro e a Associação de mais justa para todos", Famalicense de Preven- declaram os seus responção e Apoio à Deficiência sáveis. (AFPAD) nem sequer notaPor seu turno, a APram a diferença em rela- PACDM não notou qualção a anos anteriores. quer efeito do facto de ter A AFPAD diz mesmo sido instituído o Ano Euroque as actividades do Ano peu da Igualdade de Europeu da Igualdade de Oportunidades. "Este ano Oportunidades não foram foi absolutamente codevidamente publicita- mum", pensa a direcção das, nem chegou à institu- da Associação, que obserição qualquer tipo de ini- va ainda que mais do que ciativa nesse sentido. falar de igualdade de O Centro Social de oportunidades, "importa Bairro afirma que, diaria- falar de responsabilidade mente, em todas as suas social, de cooperação, de acções ambiciona propor- solidariedade e de rescionar o melhor a todos, postas adequadas às neindependentemente des- cessidades reais dos indite ano se assumir como víduos". da Igualdade de OportuniAs instituições ligadas

Pedido de ajuda

à deficiência contam com o dinheiro dos protocolos da Segurança Social (SS), mas muitas vezes recebem mais utentes do que os protocolados com esse organismo. Assim, de uma forma geral, falta dinheiro às instituições para pagarem todas as suas despesas, por norma, muito elevadas. Uma carência assumida pelas várias equipas destes espaços que querem fazer mais. Além das dificuldades financeiras, há muitos obstáculos que é necessário ultrapassar, embora seja notório que muito caminho já foi percorrido. Todos os responsáveis apontam dificuldades no que toca ao acesso à formação profissional e na promoção dos direitos das pessoas com deficiência. Desejam uma sociedade inclusiva que dê às pessoas portadoras de deficiência ou de incapacidade, às famílias e às instituições possibilidades e certezas de que há condições para continuar a caminhar e a ajudar quem os solicite.

Precisamente no dia em que o OPINIÃO PÚBLICA decidiu fazer um Especial dedicado à Deficiência, chegou à nossa redacção um mail de uma mãe que pedia ajuda. Era Maria José, mãe do Pedro Miguel, com três anos, que desde o dia do seu nascimento sofre de uma paralisia cerebral. Maria José engravidou do seu terceiro filho com 38 anos, após 20 anos da primeira gravidez. "Já não contava com esta terceira gravidez, mas correu tudo bem até ao dia do parto. Nesse dia o bebé foi tirado a fórceps e tudo se complicou…", recorda. Na verdade, tudo mudou. O Pedro foi transferido do hospital de Famalicão para o Pedro Hispano, no Porto, e lá explicaram a Maria José que provavelmente a "falta de oxigénio na hora do parto levou a uma paralisia cerebral" do seu filho. O Pedro Miguel não conseguia segurar a cabeça, nem sentar-se, além de apresentar uma surdez profunda. Face a estas limitações, o Pedro usufrui, desde os 4 meses, do Serviço de Intervenção Precoce da Associação Famalicense de Prevenção e Apoio à Deficiência (AFPAD). Além disso, Maria José encontrou em Guimarães um médico, de Cuba, que tem trabalhado com o seu filho. "O Pedro quando nasceu parecia gelatina, não se segurava. Hoje, com esta fisioterapia, o meu filho controla melhor a cabeça, abre e fecha as mãos, mexe-se bem, já se vira de barriga para baixo… está muito melhor", relata, com satisfação. O primeiro passo é mesmo esse controle para que mais desenvolvimentos se possam concretizar, nomeadamente os implantes cocleares para que o Pedro Miguel possa ouvir e depois trabalhar a fala/comunicação. Contudo, esta fisioterapia que a família deseja que seja diária custa 30 euros por ses-

Pedro Miguel na fisioterapia

são, o que perfaz 720 euros por mês. Um valor difícil de gerir, pois Maria José deixou de trabalhar para estar com o Pedro e a família vive o salário do marido, que trabalha na Construção Civil. Precisamente, por isso, estes pedem ajuda "unicamente para os tratamentos do Pedro". Na verdade, face a este caso já houve reacções muito positivas, como o caso de uma associação que deu uma banheira ao Pedro, além da clínica "Cuidar Mais", em Riba d’Ave, que permite três sessões de fisioterapia por semana. A todas as ajudas, Maria José agradece com o mesmo carinho porque "se me dão, não preciso de comprar ou não tenho de gastar". O OP falou com o médico de Cuba que se disponibilizou a mostrar-nos o trabalho que faz com o Pedro. Assume que é apenas um médico, não é nenhum milagreiro e faz questão de sublinhar que não é por vir de Cuba que irá fazer com que o Pedro ande, pois está a fazer "apenas" o seu trabalho. O fisioterapeuta contanos que o caso do Pedro Miguel é delicado e há que ter a honestidade de dizer que ele pode ser "dependente durante toda a vida e poderá nunca vir a andar, mas isso não significa, nem determina que se pare com a fisioterapia e que não se esgotem todas as possibilidades". "Só trabalhando

é que se criam essas mesmas possibilidades. Era importante continuar pelo menos o tratamento durante mais um ano e meio ou dois anos para dizermos que se tentou, de facto. Uma pessoa que esteja muito doente também não deixa de fazer o seu tratamento", exemplifica. Sobre as principais mudanças do Pedro, o médico diz que ele "já distingue um terapeuta de outro, reconhece as pessoas, controla um bocadinho melhor a cabeça, já sorri e não está tantas vezes doente". O especialista sabe que a família é de poucos recursos, mas também explica que não pode ajudar todas as famílias que recorrem aos seus serviços. "É uma questão de transparência profissional", explica. Com efeito, os interessados em ajudar o Pedro podem fazê-lo através do NIB: 001800005540730700137 (Banto Santader Totta). Podem ainda conhecer o Pedro através do blog http://olharopedro.blog.com. Maria José disponibiliza ainda o seu número de telefone (919301406) porque afinal "não é fácil pedir e ninguém gosta de fazê-lo, mas por um filho faz-se tudo". "Nunca pensei que a minha vida desse esta grande volta, mas também nunca pensei em ter tanta força", diz.


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