31ª FEIRA
ARTESANATO e GASTRONOMIA de
Programa Sexta - 29 Agosto 19h00 Abertura da Feira 22h00 Alberto Índio 1ª Parte com “Os Rosário” Sábado - 30 Agosto 16h00 Grupo Folclórico Danças e Cantares de Joane 21h30 Arruada e Concerto pela Banda de Música de Riba d’Ave Domingo - 31 de Agosto 14h00 - 20h00 “Portugal em Festa” - Programa da SIC
31ª Feira de Artesanato e Gastronomia decorre de 29 de agosto a 7 de setembro
Está aí o artesanato e a entrada é gratuita!
Segunda – 1 de setembro 21h30 Música Popular com Pentágono Show Terça – 2 de setembro 21h30 Espetáculo de Dança com a Academia Unidança 22h30 Espetáculo Musical - Made in School Band Quarta – 3 de setembro 21h30 Noite de Música Popular com Jonny Pereira e Pop Lux Quinta – 4 de setembro 15h00 Tarde Sénior com o Grupo Cultural Ramo de Oliveira 21h30 Noite de Fado Magina Pedro e Sara Sousa (vencedora do Concurso de Fado Amador de Famalicão) Sexta – 5 de setembro 22h00 Lucky Duckies 1ª Parte com Miguel Correia – participante no "The Voice Portugal"
É a novidade que marca a edição de 2014 da Feira de Artesanato e Gastronomia de Famalicão. Este ano a entrada é gratuita, à exceção de dois dias: 29 de agosto e 5 de setembro, datas em que acontecerão os concertos com os cabeças de cartaz da programação, sendo cobrados 2,5 euros de entrada. Nos restantes oito dias, a entrada no certame é livre o que, a par do melhor artesanato, da gastronomia tradicional e da doçaria de todo o país, é mais uma razão para visitar o certame, que decorre de 29 de agosto a 7 de setembro, como habitualmente no antigo campo da Feira. A animação também será uma constante, com a Câmara Municipal a apostar nos artistas da terra mas também em dois cabeças de cartaz: Alberto Indio e os Lucky Duckies. Mas a edição este ano promete trazer mais surpresas, a começar por uma nova disposição do espaço da feira e com um local de entrada diferente.
No total, a Feira de Artesanato e Gastronomia contará com cerca de centena e meia de expositores, entre artesão (muitos deles a trabalhar ao vivo) até aos restaurantes, tasquinhas e standes com o melhor da doçaria portuguesa. Este é já um certame que criou raízes em Famalicão e que atrai não só os famalicenses como muitos forasteiros. O ano passado a Câmara Municipal, entidade organizadora, calcula que tenham passado pela feira cerca de 100 mil pessoas. A Feira de Artesanato e Gastronomia decorre de segunda a quinta-feira das 18h00 às 24h00, à sexta-feira das 18h00 à 1h00, aos sábados das 14h00 à 1h00 e ao domingo das 11h00 às 24h00. Por sua vez, os restaurantes estarão disponíveis de segunda a quinta-feira das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 24h00. À sexta das 12h00 às 15h00 e das 19h00 à 1h00, ao sábado das 12h00 à 1h00 e aos domingos das 11h00 às 24h00 (no domingo, dia 7, encerra às 22h30).
Sábado – 6 de setembro 16h00 Rancho Folclórico Santa Marinha de Mogege 22h00 Concerto dos Rosamate Domingo – 7 de setembro 16h00 Associação de Tocadores e Cantadores ao Desafio Famalicense 18h00 Espetáculo de Dança com a Academia Gindança 19h30 Tuna Académica da Universidade Lusíada 22h30 Encerramento da Feira pub
18
pública: 28 de agosto de 2014
especial
Paulo Cunha, presidente da Câmara Municipal de Famalicão
“A nossa Feira é das melhores do país” O presidente da Câmara Municipal de Famalicão está certo de que esta será uma edição sem paralelo da Feira de Artesanato e Gastronomia. Em entrevista ao OP, Paulo Cunha fala das novidades prevista para este ano, concretamente a gratuitidade da entrada, e não tem dúvidas em colocar o certame entre os melhores no panorama nacional.
trazer mais gente a Vila Nova de Famalicão, vai chamar mais visitantes à Feira, e ajudará a consolidar a posição que a Feira de Artesanato e Gastronomia de Famalicão já ocupa no panorama regional e nacional.
Cristina Azevedo OPINIÃO PÚBLICA: Este ano a Feira tem entrada gratuita, à exceção de dois dias. Que razões estiveram subjacentes a esta decisão? PAULO CUNHA: A Feira de Artesanato e Gastronomia atingiu, ao fim de 31 anos, uma importância inquestionável na promoção de Vila Nova de Famalicão. É uma marca do nosso concelho e uma das mais conceituadas feiras do género em Portugal. Mas queremos mais! Queremos que a Feira seja ainda mais notada e por isso decidimos acrescentar algumas novidades à edição deste ano, nomeadamente, a entrada gratuita em oito dos dez dias do certame. Obviamente que esperamos que a medida se reflita no número de visitantes, mas trata-se acima de tudo de uma novidade de cariz social. Queremos que todos os famalicenses, independentemente da sua condição económica, tenham a oportunidade de conhecer o que de melhor se faz
no nosso concelho. Queremos que nos visitem em família, as vezes que bem entenderem, sem qualquer tipo de condicionante. As nossas famílias têm feito muito por Vila Nova de Famalicão e é também nosso dever proporcionar-lhes momentos de lazer e diversão. Os dois dias de bilheteira - a sextafeira de 29 de agosto e 5 de setembro
dida nas próximas edições da Feira, mas vamos ver como corre esta primeira edição sob este modelo organizativo. A única certeza que posso adiantar é que esta é a nossa vontade, partilhada também pelos visitantes e expositores da Feira, que já É uma medida excecional ou será há algum tempo manifestavam este para manter nos próximo anos? desejo. Estamos em crer que o reA nossa intenção é de manter a me- sultado só poderá ser positivo! Vai
– justificam-se em virtude dos espetáculos realizados. Esta opção tem a ver naturalmente com questões orçamentais, mas também com questões de segurança, relacionadas com a capacidade do espaço.
A entrada gratuita significa uma diminuição da receita de bilheteira. Isso tem impacto no orçamento do certame? De edição para edição, o orçamento da Feira de Artesanato e Gastronomia tem vindo a registar uma tendência de redução. Se em 2013 rondou os 196 mil euros, este ano situa-se nos 183 mil. Seria ingénuo da nossa parte pensar que a introdução da entrada gratuita e a consequente quebra de receita não se iria refletir no orçamento do evento, mas acima de tudo, temos de olhar para este esforço como um investimento na promoção cultural e turística de Vila Nova de Famalicão. Para além disso, esta quebra de receita acaba também por ser colmatada com o apoio dos empresários do nosso concelho, que este ano decidimos envolver na organização do certame. Esta é, aliás, outra das grandes novidades que a edição deste ano apresenta e que tencionámos manter daqui para a frente, não só na Feira de Artesanato, como também noutros eventos promovidos pelo município. Quero que todos os agentes ativos »»»»»»»»»» pub
especial
pública: 28 de agosto de 2014 19 pub
tinuar a estar muito bem representada pelas casas famalicenses e depois há um conjunto de nomes que voltarão a trazer para Vila Nova de Famalicão sabores de outros pontos do país. Para quem for “bom garfo” é quase que Outra das novidades da edição este ano é uma obrigatória uma visita à Feira de Artesanato e nova disposição do espaço na feira. Em que se Gastronomia de Famalicão. traduzirá essa mudança e qual o objetivo? Este ano decidimos alterar algumas questões A animação musical é outra das componentes relacionadas com o recinto da Feira. Em pri- da Feira e, aqui, há uma clara aposta nos armeiro lugar, mudamos o local de acesso ao re- tistas locais. Porquê? cinto, que agora passa a ser feito junto à en- A Feira de Artesanato, assim como outros trada do Mercado Municipal. A Feira ganha eventos culturais promovidos pelo município, uma entrada mais apelativa, localizada para- têm de ser uma porta aberta para os artistas lelamente a uma das avenidas mais movimen- e grupos locais. Os artistas famalicenses já detadas da cidade – a Avenida Marechal Hum- monstraram estar à altura de eventos como berto Delgado, o que nos leva a crer que atrairá este, e se a Feira tem como principal objetivo mais visitantes para o evento, especialmente mostrar o que de melhor se faz em Famalicão, os que não são de Vila Nova de Famalicão. Ou- seria descabido não aplicarmos este lema tra alteração a registar está relacionada com a também à animação. Mais uma vez temos um disposição dos expositores. Trata-se de um cartaz diversificado, que acredito irá trazer novo formato que convida as pessoas a faze- muita diversão e animação aos dez dias do rem um percurso diferente e a visitarem todo o certame. recinto. Acreditamos que estas alterações vão contribuir para uma visita mais simples, com- Em que patamar coloca, hoje a Feira de Artepleta e fluída e que serão, de certeza, benéficas sanato e Gastronomia de Famalicão a nível repara o conjunto do artesanato e da gastrono- gional ou mesmo nacional? É legítimo e meritório colocar a Feira de Artemia. sanato e Gastronomia de Famalicão no pataO ano passado já houve uma aposta nos cha- mar nacional. Já lá vão trinta e uma edições! É mados artesãos da nova geração. Será refor- uma das feiras mais prestigiadas e antigas do çada este ano? Com que objetivo? país e uma referência no mundo do artesanato A aposta na nova geração de artesãos mantém- português. Soma recordes de visitas ano após se na edição deste ano da Feira. Não podemos ano e continua a ser muito acarinhada pelo estar alheios à realidade em que vivemos e a público famalicense e por todos quantos nos Feira de Artesanato vai continuar a dar oportu- visitam por esta altura. Não tenho dúvidas de nidade aos jovens empreendedores, que pe- que é das melhores feiras do género em Porrante uma situação de desemprego, viram no tugal. artesanato uma forma de contornar a situação em que se encontravam. Esta é uma forma de E em termos locais, acha que é uma iniciativa divulgarmos o trabalho destes jovens artesãos do agrado dos famalicenses e por eles acarie de, ao mesmo tempo, reforçar a moderni- nhada? Sem dúvida! Trinta e um anos depois a Feira dade e criatividade ao certame. continua a ser muito acarinhada pelos famaPoder-se-á afirmar que em Famalicão a tradição licenses, que todos os anos não dispensam e a modernidade andarão de mãos dadas? uma visita à Feira. Tenho a certeza que este Definitivamente! Aos mais novos juntam-se os ano não será exceção e voltamos a ter as exmais experientes nestas andanças e esta con- pectativas em alta, contando com a visita de jugação de saberes e experiência tem sido muitos milhares de pessoas. É a nossa histófundamental para o sucesso do certame. É ria, as nossas tradições, a nossa cultura e o uma marca muito forte da Feira de Artesanato nosso património. A Feira é ela própria uma e Gastronomia, que continua a distinguir-se marca de Famalicão. É o reflexo da marca de das demais pela enorme diversidade de pro- bem-fazer que nos caracteriza e que, tenho a dutos apresentados. certeza, muito nos enche de orgulho. «««««««««« de Famalicão se associem cada vez mais às nossas atividades e que estejam cada vez mais comprometidos com o futuro do concelho.
Ao nível da gastronomia, há alguma evolução ou mantém-se semelhante às edições anteriores? No que toca à Gastronomia, a satisfação dos que nos visitam tem-nos levado a manter as nossas apostas no que diz respeito aos restaurantes e tasquinhas presentes na Feira. Como diz o ditado “equipa que ganha não se mexe”. A cozinha tradicional minhota vai con-
Na véspera do arranque do certame, que mensagem gostaria de deixar aos famalicenses? Que desfrutem ao máximo estes dez dias de Feira, que aproveitem para conhecer um pouco mais de Vila Nova de Famalicão, que revivam tradições e que aproveitem para descobrir entre família e amigos, novas artes e novos sabores. Tenho a certeza que esta será uma edição sem paralelo.
pub
20
publica: 28 de agosto de 2014
publicidade
publica: 28 de agosto de 2014 21
especial
Alberto Índio e Lucky Duckies são cabeças de cartaz mas programa é dominado por nomes famalicenses
Artistas locais voltam a fazer a festa dia 29 de agosto, e da banda Lucky Duckies, no dia 5 de setembro, são os grandes destaques da edição deste ano do evento, cujo programa de animação continua a ser marcado pela forte aposta nos artistas locais. Basta aliás olhar para o cartaz do certame para perceber isso mesmo. Desde o Pop-Rock dos Rosamate, à música popular dos Pentágono Show, passando pelo fado com as atuações de Sara Sousa e Magina Pedro, pelo folclore do Grupo Folclórico DanAlberto Indio atua esta sexta-feira ças e Cantares de Joane e do Rancho Folclórico de Santa Marinha de Mogege, até às atuações dos alunos das academias famalicenses Unidança e Gindança, aos sons estudantis da Tuna Académica da Universidade Lusíada, são muitos os nomes famalicenses que prometem proporcionar dias de festa e de muita animação aos visitantes da feira. Quanto aos cabeças de cartaz, “trabalho, dedicação, persistência, perseverança e paixão pela música” são os mandamentos de Alberto Indio. O músico portuense, de 33 anos, lanLucky Duckies trazem á feira os sons dos anos 50 e 60 çou, este ano, o segundo álbum, “Aqui mando Eu”, com o single “Quero-te Dizer” a ocupar os primeiros lugares nos tops de várias rádios nacionais. Já os Lucky Duckies são uma banda portuguesa estreada a 25 de abril de 1987 por Marco António. A banda, originalmente denominada Os Promusica, começou a ter grande repercussão em 1989, quando o fundador do projeto, com novos músicos, criou o novo nome que viria a tornar-se definitivo. Inspirada em artistas dos anos 50 e princípios da década de 60 do séOs famalicenses Rosamate culo XX, The Lucky Duckies têm Para além da arte e engenho dos da Feira de Artesanato e Gastro- pisado paulatinamente os melhores palcos do país e os prinartesãos e das delícias da gas- nomia de Famalicão. tronomia tradicional, também a Os concertos do músico Al- cipais casinos da Península Ibéanimação é um dos pratos fortes berto Indio, já esta sexta-feira, rica, da Europa e de Macau.
Gastronomia
Sabores regionais aguçam o apetite
Durante 10 dias, a Feira de Artesanato e Gastronomia de Famalicão promete colocar à mesa os sabores tradicionais da cozinha portuguesa e da doçaria nacional. Esta é, também, uma das componentes do certame que atrai os visitantes. São muitos os famalicenses que, ao longo do ano, esperam pela feira para “matar saudades” do pão-de-ló de Ovar, das amêndoas de Moncorvo, dos patéis de Tentúgal ou dos enchidos serranos. Mas também dos produtos de Famalicão, como os queijos, as compotas, o mel, os vinhos e os licores, a doçaria regional e até o chocolate artesanal. Como é hábito, na Feira também é possível almoçar, jantar ou até petiscar. Este ano, quatro restaurantes e cinco tasquinhas prometem encher o espaço com os aromas da boa cozinha portuguesa, que certamente irão abrir o apetite dos visitantes.
Tasquinhas Luciana Costa Campos (Pão com chouriço) Grupo Celeste Tasquinha do Gonçalves Tasquinha “A Malcriada” Tasquinha Amaury
Restaurantes Grupo Requinte (Vila Nova de Famalicão) Quinta da Ribeira (Macedo de Cavaleiros) Académico (Bragança) Temudu’s (Coimbra)
Dádiva de sangue à entrada da Feira No próximo domingo, dia 31 de agosto, a Associação de Dadores de Sangue de Famalicão promove uma “Colheita de Sangue” junto à entrada da Feira de Artesanato e Gastronomia de, aberta à população em geral. A recolha será realizada entre as 12 e as 19 horas pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST). pub
22
pública: 28 de agosto de 2014
Artesanato
especial
Manuel Campos Costa, 69 anos, Vermoim
A arte de “A cestaria bem-fazer com é a minha as mãos está paixão” em Famalicão A edição e 2014 da Feira de Artesanato e Gastronomia de Famalicão apresentará mais de uma centena de expositores, a grande maioria dos quais artesãos que estarão a fabricar os seus produtos no decurso da feira. Dos tapetes de Arraiolos aos bordados de Viana, passando pela olaria de S. Pedro de Corval e pelo vidro soprado da Marinha Grande, entre outros, é o país que se mostra em Famalicão através da arte de bemfazer com as mãos. O artesanato local estará naturalmente em destaque, com os artesãos famalicenses a ombrearem com os artesãos nacionais na conquista da atenção dos muitos milhares de pessoas que são esperadas no evento. De Famalicão, são mais de 50 expositores em áreas muito diversas mas com incidência nas artes ancestralmente associadas à região, como a cestaria, a cerâmica, a escultura em madeira e a tecelagem. Mas também os chamados artesão da nova geração mostrarão aquilo que são capazes de fazer, a sua inovação e o seu empreendedorismo. Abrindo um pouco o leque daquilo que os visitantes poderão encontrar, o OPINIÃO ESPECIAL, foi conhecer o trabalho de dois artesãos famalicenses, um que participa com os seus produtos desde a primeira edição do certame e outro, um jovem, que participa pela primeira vez este ano.
Manuel Campos Costa faz questão e trabalhar ao vivo na Feira
Manuel Campos Costa começou a trabalhar na arte da cestaria aos 14 anos, seguindo a pisadas da família. “Os meus avós já eram cesteiros, o meu pai viveu sempre da cestaria e eu herdei essa atividade, embora nunca fizesse da cestaria a minha profissão principal”, conta este artesão de Vermoim. Hoje, aos 69 anos, Manuel Campos Costa continua, como sempre, a fazer os seus cestos e afins, que, desde a primeira edição, há 31 anos, podem ser encontrados na Feira de Artesanato de Famalicão. “Não sou da abertura da feira, embora peças minhas tenham estado lá. A partir do terceiro ano comecei a ir… até hoje”, recorda o artesão, que faz questão de estar no stande a trabalhar ao vivo, nos dias em que decorre o certame. “Gosto de participar nas feiras para
mostrar aquilo que faço e que é a minha paixão, depois é também uma oportunidade para rever amigos que só encontro nesta altura”, explica Manuel Costa, para quem “há ainda muita gente que aprecia a cestaria, o problema é o poder de compra ser pouco”. O artesão confessa que nos últimos anos “tem vendido muito menos”, não só em Famalicão mas em outras feira em que participa. “A crise é generalizada”, completa. De resto, não se pense que o trabalho de Manuel Campos Costa se resume a cestos e cestas. A variedade de artigos é muito grande. “Como gosto muito da cestaria, nunca olho às horas que me leva uma peça e por isso estou sempre a inventar”. O artigo que produz é já basicamente para uso doméstico e decoração. Longe
vão os tempos em que se faziam cestos para a agricultura. “O plástico veio substituir tudo…” A arte de trabalhar a cana foi passando de geração em geração na família deste artesão, mas o ciclo pode agora quebrar-se porque Manuel Costa não deixa seguidores. “Se as pessoas quisessem aprender, teria muito gosto em ensinar, mas hoje em dia não dá para viver disto”. Além isso, é uma arte que “magoa muito as mãos”. “É muito difícil trabalhar com os dedos e vergar uma coisa que é rija”, explica. Por isso, os jovens até gostam de o ver trabalhar, mas quando se trata de experimentar “fogem logo”. Já Manuel Costa promete continuar a trabalhar, enquanto tiver forças, preservando assim uma das das artes ancestrais mais características de Famalicão. pub
especial
pública: 28 de agosto de 2014 23
António Soares, 25 anos, Joane
Jovem cria livros e cadernos que convidam à escrita A incursão de António Soares pelo artesanato surgiu há um ano e dois meses, apesar de ter nascido numa família de artistas. Os pais tinham um ateliê de pintura onde, desde miúdo, fazia alguns trabalhos. Aos 12 anos, saiu de casa para estudar fora e desligouse um pouco desse contexto e ficou mais ligado às letras. Depois de regressar a casa e ter tirado duas licenciaturas no âmbito das letras e das literaturas, o ano passado, António foi substituir o irmão num curso de restauro de livros e encadernação e ficou rendido. Sem emprego, este jovem de 25 anos, residente em Joane, decidiu empreender e dedicar-se a esta atividade que acaba por ir de encontro e um dos seus gostos pessoais que é a escrita. “Isto surge um bocado com a intenção e criar espaços criativos e inspiradores onde as pessoas possam escrever, porque eu próprio tenho essa necessidade”, explica. E esses espaços são os livros e cadernos feitos de raiz, à mão, por António Seara, que para aperfeiçoar o engenho fez mais formações e pesquiza na Internet, além de “chatear muita gente que já
percebe do assunto quer em Portugal quer no estrangeiro”. António Seara trabalha na tendência mais clássica da encadernação e criar cadernos e livros com capas duras e moles em pele, mais ou menos trabalhadas, envelhecidas à mão. O miolo, constituído por folhas em branco envelhecidas por si “para manter a traça rústica”, também é cosido à mão, tal como as lombadas. O jovem artesão aproveita também algum material para fazer colares com livros pequeninos, “um conceito diferente, que acaba por ser muito procurado porque os livros dão para escrever uma palavra, uma data ou símbolo que seja querido para as pessoas que o usem”. Pela primeira vez, António vai expor na feira de Artesanato de Famalicão, depois de já ter participado no “Vai-me à Venda” e em alguns mercados do Porto. “Vai ser a minha primeira grande experiência em termos de mercado”, refere, esperando que seja “uma experiência bastante gratificante, principalmente ao nível de divulgação. “É importante que as pessoas possam ver, perguntar e mexer nos produtos”.
De resto, em pouco mais de um ano, António já conseguiu uma carteira de clientes, graças à internet, que fez com que já tenha trabalhos em oito países diferentes. “Sabemos que escrever à mão caiu um pouco em desuso e, nesse sentido, foi um risco que corri. Mas, sobretudo o mercado estrangeiro acaba por ser compensatório”. O artesão mostra-se sobretudo surpreendido com a reação favorável que encontrou junto do público mais jovem. “Há casos de adolescentes que juntam dinheiro e depois vêm ter comigo para encomendar”, conta António, acrescentando que são um público bom, curioso e interessado, apesar de dizerem que os jovens perderam gosto pela escrita”. Agora, o público famalicense, e não só, terá a oportunidade de apreciar esse trabalho e dos livros e cadernos que daí resultam. Um trabalho que, segundo António Soares, “requer saber, criatividade e, sobretudo, paciência”. Por exemplo, só para coser um caderno de formato A5 pode ser necessário uma ou duas horas, consoante o tipo de papel.
António Soares vai expor pela primeira vez da Feira de Artesanato pub
especial
pública: 28 de agosto de 2014 23
António Soares, 25 anos, Joane
Jovem cria livros e cadernos que convidam à escrita A incursão de António Soares pelo artesanato surgiu há um ano e dois meses, apesar de ter nascido numa família de artistas. Os pais tinham um ateliê de pintura onde, desde miúdo, fazia alguns trabalhos. Aos 12 anos, saiu de casa para estudar fora e desligouse um pouco desse contexto e ficou mais ligado às letras. Depois de regressar a casa e ter tirado duas licenciaturas no âmbito das letras e das literaturas, o ano passado, António foi substituir o irmão num curso de restauro de livros e encadernação e ficou rendido. Sem emprego, este jovem de 25 anos, residente em Joane, decidiu empreender e dedicar-se a esta atividade que acaba por ir de encontro e um dos seus gostos pessoais que é a escrita. “Isto surge um bocado com a intenção e criar espaços criativos e inspiradores onde as pessoas possam escrever, porque eu próprio tenho essa necessidade”, explica. E esses espaços são os livros e cadernos feitos de raiz, à mão, por António Seara, que para aperfeiçoar o engenho fez mais formações e pesquiza na Internet, além de “chatear muita gente que já
percebe do assunto quer em Portugal quer no estrangeiro”. António Seara trabalha na tendência mais clássica da encadernação e criar cadernos e livros com capas duras e moles em pele, mais ou menos trabalhadas, envelhecidas à mão. O miolo, constituído por folhas em branco envelhecidas por si “para manter a traça rústica”, também é cosido à mão, tal como as lombadas. O jovem artesão aproveita também algum material para fazer colares com livros pequeninos, “um conceito diferente, que acaba por ser muito procurado porque os livros dão para escrever uma palavra, uma data ou símbolo que seja querido para as pessoas que o usem”. Pela primeira vez, António vai expor na feira de Artesanato de Famalicão, depois de já ter participado no “Vai-me à Venda” e em alguns mercados do Porto. “Vai ser a minha primeira grande experiência em termos de mercado”, refere, esperando que seja “uma experiência bastante gratificante, principalmente ao nível de divulgação. “É importante que as pessoas possam ver, perguntar e mexer nos produtos”.
De resto, em pouco mais de um ano, António já conseguiu uma carteira de clientes, graças à internet, que fez com que já tenha trabalhos em oito países diferentes. “Sabemos que escrever à mão caiu um pouco em desuso e, nesse sentido, foi um risco que corri. Mas, sobretudo o mercado estrangeiro acaba por ser compensatório”. O artesão mostra-se sobretudo surpreendido com a reação favorável que encontrou junto do público mais jovem. “Há casos de adolescentes que juntam dinheiro e depois vêm ter comigo para encomendar”, conta António, acrescentando que são um público bom, curioso e interessado, apesar de dizerem que os jovens perderam gosto pela escrita”. Agora, o público famalicense, e não só, terá a oportunidade de apreciar esse trabalho e dos livros e cadernos que daí resultam. Um trabalho que, segundo António Soares, “requer saber, criatividade e, sobretudo, paciência”. Por exemplo, só para coser um caderno de formato A5 pode ser necessário uma ou duas horas, consoante o tipo de papel.
António Soares vai expor pela primeira vez da Feira de Artesanato pub