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F A G R I C O O P Cooperativa Agrícola e dos Produtores de Leite de Vila Nova de Famalicão

Manuel Loureiro, presidente da Fagricoop, Cooperativa Agrícola e dos Produtores de Leite de Famalicão

“Não posso aceitar que se pague para não trabalhar” Manuel Loureiro, presidente da Fagricoop, Cooperativa Agrícola e dos Produtores de Leite de Famalicão, é um homem que conhece bem a agricultura e o trabalho que é feito, diariamente, pelos produtores do concelho. O dirigente, também ele agricultor, mostra-se crítico face à situação atual da agricultura nacional, onde muitos são aqueles que recebem dinheiro para não produzirem. Por isso, exige mais justiça para o sector. Sofia fia Abreu Silva

estávamos a ser tão mal pagos que muitos agricultores optaram por deixar cair a produção. As entidades que gerem todo o percurso do leite, como a Agros e a Lactogal, com a falta de leite, tiveram que obrigatoriamente subir o preço. No que concerne às matérias-primas, creio que foi a conjuntura que fez com que os preços descessem. Neste momento temos cerca de 110 produtores, mas já foram 130. Para se ter uma média de produção por animal acima dos 9 mil litros é preciso tratar bem os animais.

Como carateriza os produtores de Famalicão? Não há défice nenhum de formação nos nossos produtores. Somos associados da CONFAGRI e fazemos na cooperativa vários cursos de formação específica na atividade agrícola. Hoje, também o Ministério da Agricultura obriga os próprios agricultores a realizarem formação nas diversas áreas, como aplicação e manuseamento de produtos fitofármacos (herbicidas, fungicidas, inseticidas) gestão empresarial, cursos de inseminação artificial e também de técnicas de maneio animal. Portanto, de uma forma geral, todos têm uma formação específica na sua área de atuação e podem competir, ao mesmo nível, com colegas de outros países. Temos colegas que são licenciados, como professores, que exercem, além da sua atividade, a agricultura. E a maioria Esse equilíbrio conseguiu-se com uma dos novos agricultores são filhos de agrimaior capacidade reivindicativa dos pro- cultores, sendo que há uma experiência dutores? natural nessa atividade à qual se junta a Não, porque face aos grandes poderes te- formação nesta área. con ti nu a »»»»»»» mos pouca força. O que aconteceu foi que

OPINIÃO PÚBLICA: Na sua perspetiva, como acha que está a agricultura, em geral, no país? MANUEL LOUREIRO: Os produtores ligados à Fagricoop trabalham sobretudo com leite, quase 100%. E na questão da produção do leite, tivemos anos muito maus, com os fatores de produção a dispararem para preços terríveis, sendo que o leite esteve durante dois anos e meio a ser muito mal pago. Este desencontro entre o produto e fatores de produção sentiu-se na disponibilidade financeira dos agricultores. Entretanto, nos últimos meses fezse alguma justiça, o preço do leite subiu ligeiramente e os fatores de produção também baixaram qualquer coisa. Hoje, as coisas estão mais equilibradas e só pedimos que o cenário não piore.


II

pública: 20 de março de 2013

especial

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faturasse e criasse riqueza recebia subsídio. Eu não posso aceitar que se pague para não trabalhar e é isso que acontece com o pousio: dá-se dinheiro para não se fazer nada. Por isso chegamos ao Alentejo e vemos que não se produz, porque compensa.

Hoje fala-se muito no regresso à agricultura. A realidade diz isso mesmo? Eu acho que não. A agricultura só tem pernas para andar quando falamos de continuidade, ou seja, de pais para filhos. Não quero dizer com isto que as pessoas que vêm de outra área para a agricultura não sejam válidas, mas sabemos que estas pessoas estão habituadas a terem um horário de trabalho e férias, mas na agricultura isso não acontece. Não há dinheiro, não há ordenado, não há dias de descanso e a adaptação é muito difícil. Há os chamados “paraquedistas” que chegam, executam o seu projeto e depois abandonamno. 90% das pessoas que são de outra atividade fazem uma candidatura, submetem-na, recebem fundos comunitários, mantêm o projeto durante o tempo obrigatório de 5 anos e desistem. Afirmou, no passado, que os doutores estão metidos no gabinete e de agricultura nada sabem… O que deve ser feito para alterar essa realidade? Mantenho o que disse. O grande problema está instalado nas grandes estruturas da agricultura, em que administradores ganham 40 ou 50 mil euros por mês. Essas pessoas colocaram-se dentro dessas instituições e blindaram-se com estatutos, sendo nomeadas e não eleitas. Se todos estes processos não forem transparentes, nada mudará. Outra questão tem a ver com a política, porque eu não concebo a ideia de termos um advogado ou um professor universitário a gerir os interesses da agricultura. Esses dirigentes políticos pedem opinião à Confederação de Agricultores Portugueses, onde os diretores estão ligados aos maiores interesses nacionais a nível de subsídios e fundos comunitários. Quem não sabe tem a obrigação de arranjar quem perceba da área, mas o que nós vemos é alguém que vive em Trás-os-Montes e que vai estudar

Fala-se muito no esmagamento dos preços… Eu sempre disse que os centros comerciais e hipermercados destroem as cidades e o pequeno comércio. Os grandes grupos têm influência na parte comercial porque esmagam o preço, dado o volume de vendas. Isto é um ciclo, eu gostava de ver mais justiça neste percurso. Estamos a receber o leite a cerca de 39 cêntimos, mas já estivemos a receber a 28, ou seja pagávamos para produzir o leite. Durante este período difícil, houve gente da indústria que manteve os seus salários milionários.

para Lisboa, acabando por chegar a ministro mas no Alentejo fazem o pousio e está o proe depois é ele quem decide, mas não conhece blema resolvido. Chegam a receber 300 mil euros por ano. Nós se fizermos pousio morrea realidade. mos à fome. O Alentejo é que faz as leis, apeEntão, a distância entre quem governa e quem sar de muitos políticos serem do Norte do é governado é muito grande… país. Nós, geograficamente estamos longe de Lisboa e não contactamos diretamente com Anuncia-se o fim das quotas leiteiras em 2015. quem decide. De certa forma, no que respeita Qual o impacto desta medida? à Agricultura, o Alentejo é que interessa, o Em termos práticos vamos continuar a ter o resto é paisagem. Todas as diretrizes, quer a subsídio à produção, que é feito por hectare, nível de fundos comunitários, quer a nível de o que é injusto. Por exemplo, dois agricultores subsídios, é tudo feito para o Alentejo e de- têm, cada um, um hectare de terra. Se um tipois o resto adapta-se. Não faz sentido fazer- rar 30 toneladas de milho e outro 60 tonelamos legislação que sirva o Alentejo, com os das, nada disso importa, pois o subsídio é o seus latifúndios, mas não serve o resto do mesmo. Não pode ser… Os subsídios devem país. Aqui temos de trabalhar a terra e fazer, ser dados conforme a produção e deviam ser no mínimo, duas culturas para a rentabilizar, controlados pela Autoridade Tributária. Quem

Falemos da Fagricoop, qual o papel da vossa cooperativa nesta região? Temos vários serviços ao dispor dos produtores, como a sanidade animal, análises, contraste leiteiro, inseminações e médicos veterinários. Além destes serviços, ajudamos as pessoas nos seus problemas, mesmo quando querem começar um projeto na agricultura. Se tudo isto fosse gerido por um particular, todos os serviços visavam o lucro, mas como somos uma cooperativa sem fins lucrativos, temos um papel de fornecer os serviços a um preço justo. Por outro lado, conseguimos que as empresas, de âmbito particular, que também vendem produtos aos produtores, não aumentem os seus preços e os agricultores acabam por pagar menos. Quais as perspetivas para a agricultura? Eu acho que esta atividade tem futuro e vamos ter agricultores de sucesso toda a vida, porque eles são muito teimosos e mostram uma garra fora do normal. Um agricultor luta até ao fim e quando fecha a sua atividade é sinal que já não tem outra solução. pub


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pública: 20 de março de 2013

especial

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faturasse e criasse riqueza recebia subsídio. Eu não posso aceitar que se pague para não trabalhar e é isso que acontece com o pousio: dá-se dinheiro para não se fazer nada. Por isso chegamos ao Alentejo e vemos que não se produz, porque compensa.

Hoje fala-se muito no regresso à agricultura. A realidade diz isso mesmo? Eu acho que não. A agricultura só tem pernas para andar quando falamos de continuidade, ou seja, de pais para filhos. Não quero dizer com isto que as pessoas que vêm de outra área para a agricultura não sejam válidas, mas sabemos que estas pessoas estão habituadas a terem um horário de trabalho e férias, mas na agricultura isso não acontece. Não há dinheiro, não há ordenado, não há dias de descanso e a adaptação é muito difícil. Há os chamados “paraquedistas” que chegam, executam o seu projeto e depois abandonamno. 90% das pessoas que são de outra atividade fazem uma candidatura, submetem-na, recebem fundos comunitários, mantêm o projeto durante o tempo obrigatório de 5 anos e desistem. Afirmou, no passado, que os doutores estão metidos no gabinete e de agricultura nada sabem… O que deve ser feito para alterar essa realidade? Mantenho o que disse. O grande problema está instalado nas grandes estruturas da agricultura, em que administradores ganham 40 ou 50 mil euros por mês. Essas pessoas colocaram-se dentro dessas instituições e blindaram-se com estatutos, sendo nomeadas e não eleitas. Se todos estes processos não forem transparentes, nada mudará. Outra questão tem a ver com a política, porque eu não concebo a ideia de termos um advogado ou um professor universitário a gerir os interesses da agricultura. Esses dirigentes políticos pedem opinião à Confederação de Agricultores Portugueses, onde os diretores estão ligados aos maiores interesses nacionais a nível de subsídios e fundos comunitários. Quem não sabe tem a obrigação de arranjar quem perceba da área, mas o que nós vemos é alguém que vive em Trás-os-Montes e que vai estudar

Fala-se muito no esmagamento dos preços… Eu sempre disse que os centros comerciais e hipermercados destroem as cidades e o pequeno comércio. Os grandes grupos têm influência na parte comercial porque esmagam o preço, dado o volume de vendas. Isto é um ciclo, eu gostava de ver mais justiça neste percurso. Estamos a receber o leite a cerca de 39 cêntimos, mas já estivemos a receber a 28, ou seja pagávamos para produzir o leite. Durante este período difícil, houve gente da indústria que manteve os seus salários milionários.

para Lisboa, acabando por chegar a ministro mas no Alentejo fazem o pousio e está o proe depois é ele quem decide, mas não conhece blema resolvido. Chegam a receber 300 mil euros por ano. Nós se fizermos pousio morrea realidade. mos à fome. O Alentejo é que faz as leis, apeEntão, a distância entre quem governa e quem sar de muitos políticos serem do Norte do é governado é muito grande… país. Nós, geograficamente estamos longe de Lisboa e não contactamos diretamente com Anuncia-se o fim das quotas leiteiras em 2015. quem decide. De certa forma, no que respeita Qual o impacto desta medida? à Agricultura, o Alentejo é que interessa, o Em termos práticos vamos continuar a ter o resto é paisagem. Todas as diretrizes, quer a subsídio à produção, que é feito por hectare, nível de fundos comunitários, quer a nível de o que é injusto. Por exemplo, dois agricultores subsídios, é tudo feito para o Alentejo e de- têm, cada um, um hectare de terra. Se um tipois o resto adapta-se. Não faz sentido fazer- rar 30 toneladas de milho e outro 60 tonelamos legislação que sirva o Alentejo, com os das, nada disso importa, pois o subsídio é o seus latifúndios, mas não serve o resto do mesmo. Não pode ser… Os subsídios devem país. Aqui temos de trabalhar a terra e fazer, ser dados conforme a produção e deviam ser no mínimo, duas culturas para a rentabilizar, controlados pela Autoridade Tributária. Quem

Falemos da Fagricoop, qual o papel da vossa cooperativa nesta região? Temos vários serviços ao dispor dos produtores, como a sanidade animal, análises, contraste leiteiro, inseminações e médicos veterinários. Além destes serviços, ajudamos as pessoas nos seus problemas, mesmo quando querem começar um projeto na agricultura. Se tudo isto fosse gerido por um particular, todos os serviços visavam o lucro, mas como somos uma cooperativa sem fins lucrativos, temos um papel de fornecer os serviços a um preço justo. Por outro lado, conseguimos que as empresas, de âmbito particular, que também vendem produtos aos produtores, não aumentem os seus preços e os agricultores acabam por pagar menos. Quais as perspetivas para a agricultura? Eu acho que esta atividade tem futuro e vamos ter agricultores de sucesso toda a vida, porque eles são muito teimosos e mostram uma garra fora do normal. Um agricultor luta até ao fim e quando fecha a sua atividade é sinal que já não tem outra solução. pub


IV

pública: 20 de março de 2013

especial

Alterações Climáticas

Consequências na produção de alimento O aumento do conhecimento e da consciencialização da sociedade sobre os efeitos nefastos das alterações climáticas na vida das populações, infraestruturas e equipamento, recursos naturais e ambiente são cada vez maiores. Os fenómenos de alteração climática e aquecimento global são cada vez mais evidentes nos últimos anos e, a curto prazo (próximos 20-30 anos), manifestar-se-ão da seguinte forma: aumento do nível médio das águas do mar, fenómenos climáticos extremos (vagas de frio e de calor, temporais, precipitação elevada num curto espaço de tempo), aumento da temperatura média anual (entre 2 e 4 ºC), redução da precipitação anual (entre 20 e 40%), aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera (entre 575 e 1000 ppm) e aumento da concentração de ozono troposférico. Estas alterações climáticas anteriormente descritas têm impactos negativos na agricultura, como por exemplo no aumento da incidência de radiação ultravioleta sobre pessoas, animais e plantas e nos recursos hídricos (qualidade da água, secas e inundações, abastecimento público e irrigação). As alterações nos padrões climáticos terão consequências sérias no desenvolvimento das culturas agrícolas e das populações animais, sendo esperado que tenham mais incidência nos países com clima Mediterrânico, que é o caso de Portugal. As condições de cultivo serão mais difíceis devido à escassez de água, alteração das datas de sementeira e de colheita habituais em cada região e aumento da poluição do ar (ozono e radiação ultravioleta). Por outro lado, espera-se o aumento da população mundial (atualmente 7 biliões de pessoas) para 9 biliões de pessoas em 2050, o que implica necessaria-

mente o aumento da produção de alimentos de origem agrícola e animal para satisfação das necessidades alimentares mundiais. Para a produção de mais alimentos será necessário mais energia/equipamento agrícola, adubos/fertilizantes, água para irrigação e área para cultivo que aquilo que é atualmente utilizado na agricultura. Em adição, com o aumento da população mundial serão precisas mais infraestruturas civis, equipamento social e habitação urbana para satisfação das necessidades e bem-estar das pessoas. Também, devido a uma cada vez maior consciencialização da sociedade para os problemas ambientais, conservação dos ecossistemas, biodiversidade e recursos naturais será esperada uma maior reclamação de áreas de terreno para esses fins, ou seja que não sejam utilizadas na agricultura ou construção. No curto prazo a agricultura terá um papel decisivo na sociedade, de satisfação das necessidades alimentares de uma população mundial que está a aumentar e em condições produtivas bastante mais difíceis que as atuais, devido à poluição, alterações climáticas e pressões sociais. Neste contexto, será necessário mais inovação tecnológica na agricultura, aumento da produtividade através do melhoramento genético (animal e vegetal) e substituição de culturas agrícolas por outras melhor adaptadas às novas condições, conjuntamente com a otimização do uso de fatores de produção (água, solo, energia, fertilizantes) por cada unidade de alimento produzido. José Luís Pereira, diretor do Departamento de Zootecnia, Engenharia Rural e Veterinária, Escola Superior Agrária de Viseu, Instituto Politécnico de Viseu pub


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pública: 20 de março de 2013 V


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pública: 20 de março de 2013

O ecógrafo portátil na reprodução bovina

especial

Parasitismo

e a produção de leite

A atual conjetura económica mundial tem colocado uma crescente pressão sobre as explorações produtoras de leite e carne, obrigando-as a tornar-se mais competitivas e eficientes. A comunidade veterinária nacional tem desenvolvido esforços para a melhoria da qualidade assistencial das visitas reprodutivas. E desses esforços, surgiu a aplicação da ecografia transrectal portátil como técnica de diagnóstico reprodutivo. Este método de imagem:

a) é de execução rápida, prática e de fácil aprendizagem para qualquer técnico veterinário; b) não é nocivo para o animal, sendo menos invasivo e traumático para o animal do que a palpação transrectal, reduzindo a incidência de abortamentos; c) permite a identificação precoce de animais não-gestantes, antecipando ressincronizações e reduzindo quer o número de inseminações artificiais por conceção quer o intervalo parto-conceção; d) fornece diagnósticos gestacionais mais precisos – sendo excelente aos 26-27 dias; com sensibilidade e especificidade de 44,8 e 82.3%, aos 21 e 25 dias de gestação, e de 97.7 e 87.7% aos 26 e 33 dias de gestação, respetivamente; e) possibilita a observação das estruturas reprodutivas bovinas e a deteção de patologias uterinas/ováricas (metrites, quistos foliculares e luteínicos, tumores, etc.); f) determina a viabilidade embrionária/fetal; g) permite o reconhecimento de gestações gemelares e a identificação do sexo fetal. A ecografia transrectal fornece informações mais precisas e completas comparativamente à palpação transrectal. É assim essencial para a tomada de decisões de maneio, o aumento da eficiência no desempenho reprodutivo da exploração do cliente produtor de leite e, por isso, o presente e o futuro. Balbino Rocha, médico veterinário da Fagricoop

As vacas produzem grandes quantidades de leite no início da lactação. A ingestão voluntária de alimento, medida pela ingestão de matéria seca (IMS), é raramente suficiente para satisfazer as necessidades energéticas dos animais, o que resulta num balanço energético negativo. Este défice energético tende a ser compensado pela mobilização das reservas corporais. Se o balanço energético negativo foi severo, ocorre uma maior mobilização das reservas corporais, o que origina uma “inactivação” do aparelho reprodutivo, com alteração do normal funcionamento dos ovários e o aumento de dias para o primeiro cio detectável/ primeira inseminação fecundante. O mau desempenho reprodutivo torna difícil aos produtores alcançarem o objectivo chave de uma exploração leiteira: um parto/vaca/ano. Segundo pesquisas efectuadas em matadouros dos Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Alemanha e Bélgica, 83-100% das vacas leiteiras de refugo estavam parasitadas com nemátodes gastrointestinais, com cargas moderadas ou elevadas, podendo atingir os 225.000 parasitas/animal. Atualmente é reconhecido que o maior efeito dos nemátodes gastrointestinais nos bovinos leiteiros

é a perda de apetite, logo de IMS, e a diminuição da absorção de nutrientes. Animais com cargas parasitárias moderadas terão um défice energético mais acentuado no início da lactação, com consequente diminuição da produção de leite e pior desempenho reprodutivo. Desparasitação e produção de leite Ensaios realizados de efectivos leiteiros, com a desparasitação no momento do parto, demostraram obtenção de melhorias na produção diária de leite - de +0,4 litros a 2,1 litros/vaca/dia – sendo maior o impacto em casos de parasitismo mais intenso. Também foi demonstrado que os animais desparasitados aumentam a IMS diária e, para além do aumento na produção de leite, verificouse melhoria no desempenho reprodutivo, nomeadamente num ensaio em novilhas de 1ª barriga, obteve-se um aumento de 20% na da taxa de gestão à 1ª inseminação e o intervalo parto-concepção diminuiu 13 dias. José Miguel Lopes Jorge, Médico Veterinário, diretor de Marketing e Serviços Técnicos; Merial Portuguesa Saúde Animal pub


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pública: 20 de março de 2013 VII


VIII

pública: 20 de março de 2013

especial

Fertilidade do solo da vinha

O desenvolvimento das videiras é estabelecido por factores genéticos e ambientais. Para além destes factores, as plantas precisam de nutrientes para manifestar o seu potencial genético de produção. Um solo fértil tem que oferecer à videira as seguintes condições: suporte mecânico, através de um bom desenvolvimento radicular, estrutura adequada de modo que haja uma livre circulação de ar e água assegurando uma boa capacidade de retenção de nutrientes minerais. Antes da instalação e durante o ciclo de vida de uma vinha é indispensável avaliar a fertilidade do solo e as suas características químicas e físicas, através de análises de terra. Quando estamos a instalar uma vinha é

importante criar reservas de nutrientes principalmente de fósforo e de potássio, e fazer a correcção do pH e aplicação de matéria orgânica para valores recomendados pela análise de solo. Quanto a adubação em fósforo e em potássio, são nutrientes muito pouco móveis, por isso é necessário incorporados em profundidade e em quantidades que garantam uma boa reserva. Os nutrientes mais valorizados na cultura da vinha são: azoto, fósforo, potássio, boro e o magnésio. Todos os outros nutrientes, também são muito importantes, se verificar a falta de algum destes, poderá hipotecar o desenvolvimento normal da videira. No caso de excesso poderá causar fito toxidades e/ou bloqueios de al-

guns nutrientes. O azoto resulta da decomposição da meteria orgânica e da aplicação de adubos. Este nutriente é muito móvel. O azoto favorece o desenvolvimento da videira, fundamentalmente o tronco e as folhas. O excesso também é prejudicial, causando um vigor excessivo da videira aumentando o desavinho, atraso na maturação, dificuldades no atempamento e maior susceptibilidade ás doenças. O fósforo tem duas origens: a fertilização mineral e a degradação da rocha mãe. O fósforo é importante no desenvolvimento radicular e no aumento da capacidade de acumulação de reservas. Quanto ao potássio tem, também, as mesmas duas origens. Tem uma grande in-

fluência sobre o pH do mosto. Quando em excesso cria antagonismo com o magnésio. O potássio é importante durante a floração e na maturação do bago. Outro elemento é o boro, importante na frutificação. Em solos calcários e em solos arenoso apresenta situações de carência. É importante evitar excesso para evitar toxidade para as videiras. O magnésio é indispensável para as plantas, é constituinte mineral da clorofila. Pode ser aplicado via foliar ou através da aplicação de correctivos alcalinizantes com magnésio. Quanto ao pH, é fundamental corrigirmos para valores de 6 a 6,5. O pH mede o grau de acidez ou alcalinidade do solo. Na nossa região o pH é ácido, derivado da rocha mãe e da pluviosidade. Do ponto de vista agronómico, o conhecimento do pH do solo é fundamental uma vez que o comportamento dos nutrientes do solo depende do seu valor. A quantidade de calcário a aplicar depende do valor do pH do solo e do seu poder tampão, do teor e tipo de argila e do teor de matéria orgânica. Deve-se dar preferência ao calcário magnesianos. A matéria orgânica é um componente importante na fertilidade do solo, sendo necessária à manutenção de uma boa estrutura do solo, induzindo a formação de agregados mais estáveis que melhoram a circulação da água e do ar e aumenta a capacidade de retenção de água. Os fertilizantes são utilizados com o objectivo de manter ou de melhorar a fertilidade do solo. É importante que seja feita de forma correta, de modo que a sua eficiência seja máxima e evitar desequilíbrios entre nutrientes. Rui Pedro Ribeiro, Eng. Agrário, responsável técnico da Fagricoop pub


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pública: 20 de março de 2013 IX

A silagem de milho Como é do conhecimento de todos, desde a floração à colheita, a proporção dos diferentes componentes anatómicos da planta modifica-se: aumenta a proporção de grão e do caule e diminui a das folhas. Concomitantemente, ocorrem alterações na composição química de cada um dos componentes. No grão, aumenta o conteúdo em amido e diminui o conteúdo em água, dos açúcares solúveis em água e de proteína. Nos caules e nas folhas, aumenta o conteúdo de parede celular (fibra) e diminui o conteúdo em água, em proteína e açúcares. Em resenha, podemos dizer que, considerando a planta em conjunto, produz-se um aumento da quantidade de matéria seca por hectare e um aumento do conteúdo energético. Para eleger o momento mais adequado para realizar o corte do milho, deve ter-se em conta as alterações na planta ao longo do tempo, particularmente do grão. Para que a silagem de milho seja rica em energia é necessário recolhê-la num adequado estado de desenvolvimento do grão, pois este é o responsável por 60 a 70% da matéria seca da planta e possui o dobro da energia do que os caules e as folhas em conjunto. À medida que o grão vai amadurecendo (isto é, ao passar do estado leitoso ao pastoso e logo ao vítreo) aumenta a sua consistência, já que vai perdendo água e acumulando amido. Por isso, a última fase (grão vítreo, o grão é excessivamente duro e dificulta a fermentação). Além disso, também diminui a eficácia da operação de compactação para eliminação do ar. Pelo contrário, na primeira fase (grão leitoso), o grão tem demasiada humidade, por isso, durante o pro-

cesso de ensilagem, produz-se uma maior perda por efluentes (líquido que é eliminado da silagem) Claramente, podemos observar que, à medida que caminhamos para o final do ciclo vegetativo da planta, aumenta a matéria seca, aumenta a energia e diminui o teor de água. Portanto, geralmente, o estado óptimo para a realização da silagem é o grão leitoso-pastoso, quando aproximadamente 25% dos grãos se encontram no estado leitoso e os restantes, maioritariamente, no estado pastoso. Nesse momento, a planta do milho apresenta um conteúdo de matéria seca relativamente alto (30%), um bom conteúdo e distribuição de açúcares solúveis e, em conjunto, as condições ideais para a fermentação láctica. Como método prático, podemos verificar cada um dos estados do grão, através de um simples apertar do grão com os dedos. Depois da planta colhida, há que a colocar no silo e, para tal, existem algumas regras que gostava de referir, nomeadamente: Ajustar a velocidade de enchimento do silo de acordo com o conteúdo de humidade da forragem; Realizar uma boa prensagem da forragem; Fechar hermeticamente o silo (colocação de plástico e por cima, sacos com terra, pneus de automóvel, etc., de modo a não haver entrada de ar). Por fim, mencionar o facto de que o “picado” da forragem de milho deve ter uma dimensão de 0,60,8 cm, pois, com este tamanho, favorece-se a prensagem e, paralelamente, incrementa-se o consumo por parte dos animais. Eng. César Pires Trigo, TGCD Syngenta

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Fagricoop recebe prémio Valorfito

Joaquim Carneiro (secretário), Manuel Loureiro (presidente) e José Lima (tesoureiro)

A Fagricoop foi recentemente premiada relativamente ao ano de 2013 com o Prémio Valorfito “Crescimento Litoral Norte”. Este prémio é atribuído à empresa que mais cresceu em termos de recolhas de embalagens para a fitofármacos, no âmbito do programa do Sistema Integrado de gestão de embalagens e resíduos em agricultura. A atribuição deste prémio vem reconhecer o esforço que a cooperativa tem vindo a fazer ao longo dos anos, não só tendo em vista o cumprimento da legislação em vigor, mas sobretudo nas suas preocupações com a preservação do meio ambiente. Prova disso são o incentivo às entregas das embalagens dos produtos fitofarmacêuticos pelos nossos associados, a promoção/divulgação de práticas agrícolas amigas do ambiente, ações de formação e o apoio técnico nas áreas do manuseamento e aplicação de produtos fitofármacos. Este reconhecimento da Fagricoop como uma empresa amiga e promotora de um meio ambiente saudável marca a diferença relativamente a outros concorrentes cuja preocupação se centra nas vendas e no lucro com as mesmas. No futuro, estão a ser dados passos para que a totalidade dos resíduos/embalagens produzidas pelo setor agrícola (embalagens de grande dimensão) passem elas também a ser recolhidos e recicladas. A Valorfito, em parceria com as entidades do setor estão a trabalhar nesse sentido, incluindo a Fagricoop.


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pública: 20 de março de 2013

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especial

pública: 20 de março de 2013 XI

Existem várias vantagens dos adubos com molécula DMPP (3,4 – Dimetilpirazol fosfato):

Fertilizante eficiente na cultura do milho

Actuação da molécula DMPP (3,4 – Dimetilpirazol fosfato), no processo de Nitrificação

Melhor aproveitamento do azoto pela cultura. O azoto estabilizado desses adubos permanece no solo, disponível durante um longo período de tempo (8 a 12 semanas); Poupança na aplicação de adubos de cobertura: economia de tempo e dinheiro; Ótimo rendimento e qualidade do milho: um nível adequado de azoto no solo ao longo do ciclo da cultura é a garantia para a obtenção de um ótimo rendimento e qualidade da colheita; Os problemas ambientais originados por uma incorreta gestão da fertilização azotada originaram, nas últimas décadas, o aparecimento de uma série de técnicas que contribuíram para a melhoria da eficiência da utilização do azoto nas culturas. Entre essas técnicas encontrase o uso de Inibidores de Nitrificação como o DMPP (3,4 – Dimetilpirazol fosfato), usado na formulação de alguns adubos. Mas, o que são inibidores da nitrificação? Os inibidores da nitrificação são compostos que, adicionados aos fertilizantes, atrasam a oxidação bacteriana do azoto amoniacal (NH4+) a Nitrito (NO2-) (primeiro passo da nitrificação) durante um certo período de tempo, mediante a inibição da atividade das bactérias Nitro-

somonas presentes no solo. Assim, o azoto aplicado permanece durante um período de tempo na forma amoniacal (NH4+), permitindo que fique retido no complexo argilo-húmico do solo, evitando-se as perdas de azoto na forma de nitrato (NO3-). Alguns adubos contêm na sua formulação o DMPP, um inibidor de nitrificação que se distingue pelas seguintes características: permanece ativo no solo num período de 8 a 12 semanas; é altamente seletivo para as bactérias Nitrosomonas; não provoca fitotoxicidades; e permanece adsorvido no complexo argilo-húmico do solo, pelo que não se perde por lavagem.

Redução da contaminação das águas por nitratos: ajuda a reduzir as perdas de nitratos por lixiviação, diminuindo assim a contaminação das águas subterrâneas e satisfazendo as exigências da Portaria 83/2010 relativas à proteção das zonas vulneráveis. Os adubos compostos, para além do azoto amoniacal estabilizado, contêm sempre uma fração do azoto na forma nítrica, constituindo um efeito Starter. Com a aplicação deste tipo de adubos, de que é exemplo o ENTEC®, simplifica-se a aplicação de azoto à cultura do Milho, reduzindo o número de aplicações e tornando o período de aplicação mais flexível.

Tiago Duarte, técnico dos Adubos Deiba pub


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pública: 20 de março de 2013

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O conceito Twin Rows na sementeira O sistema de sementeira conhecido por Twin Rows ou Linhas Pareadas baseia-se no conceito de um melhor aproveitamento do espaço pelas plantas, tanto em superfície foliar como radicular. Ao querermos aumentar as produções, aumentamos a densidade de sementeira, o que influencia de forma negativa a competição entre plantas. A partir de 80 000 plantas por hectare em sementeira convencional (70-75cm entre linhas), a competição entre plantas começa a ser grande. Para semear 100 000 plantas por hectare de forma convencional, a dis-

tância entre grãos é inferior a 14 cm, e a competição entre plantas será muito grande principalmente nos primeiros estados de desenvolvimento do milho, uma vez que os sistemas radiculares das plantas estão muito próximos uns dos outros. A competição ocorre também pela luz solar. Com este sistema de Twin Rows ou linhas pareadas, pretende-se que o espaço utilizado pelas plantas seja maior, o que leva a que a competição entre elas diminua e aconteça num estado de desenvolvimento mais tardio e por isso, menos prejudicial. pub

Os princípios agronómicos deste tipo de sementeira são: O siste ma Twin Rows p er mi te um mai or d e se nvolvi me nto rad ic ular, j á q ue este cre sci me nto é si m étrico, sabendo que quando uma raiz da planta de m ilho “ toca” a raiz d e outra planta, o crescim e nto é i n t e r r o mp i d o. Ao p e rm itir as p lantas possuíre m um mai or sis te ma rad icular, este siste ma aprove ita uma pe rce nt a g e m ma i o r d e ca d a h e c t a r e d e s ol o. E s t u d os r e a l i z a d o s n os E s t a d o s U n i d o s e A r g e n t i n a a f i r m a m q ue o siste m a conve nc ional ap e nas e x pl ora 14% d o solo, e nq uanto que na se me nte iras e m linh as p aread as , h á u m ap rove itame nto de 45% . As Twin Rows maximizam o aproveitam ento da luz e contribuem para a d iminuiç ão das perdas d e água p or e va poraç ão di re ta. N o e stado d e 7 folhas do m i lh o e m se m e n te ira conve nc io na l, a pe nas 30% d a l u z q u e i n c i d e s o b r e a s u p e r f í ci e, é ca p t a d a p e las p lantas, nas Twin Rows, ess e val or atinge 9 0% d a luz cap tad a. Este fac to contri bui tam b é m para m e lh orar a comp e tiç ão ent re o m ilh o e as infe sta nte s, pois o som bre am en to sobre estas é tam bé m m aior. O siste ma Twin Rows m elhora a estabilidade e re s i s t ê n c i a a a c a ma , j á q u e a u m e n t a e m 6 % o d i â m e t r o d o ca u l e . O conce ito Twin Rows não exige uma m udança rad ic al nas m áqu inas agr ícolas util izadas n esta c ul tura. A colh ei ta é re alizada com u m cab e çote conv e n c i o na l d e 7 2 c m . A s d u as l i n h as p a r e a d as p as sa m c o m o s e f o s s e m a p e na s u m a p o r c a d a d ente . O s em ead or, esse sim, d eve ser próprio para a se m ente ira de Twin Rows, se nd o tam bé m conve n ie nte u tilizar u m jogo d e rodas est rei tas para as operaçõe s c ulturais (aplicaç ão de herbicida, sachas e outras ). carlos Martin Esteban, Departamento Tecnologia e Desenvolvimento da Monsanto Luis Miguel Iribarren Martinez, assessor agronómico Dekalb


pública: 20 de março de 2013 XIII

especial

Conselhos

desparasitação do seu cão

Período seco:

o sucesso da lactação

A desparasitação interna e externa do seu cão é indispensável para o seu bem-estar. Existem dois tipos de parasitas: • externos: pulgas, carraças, mosquitos, flebótomos e moscas - que se alimentam do sangue do animal e transmitem doenças graves, como a Leishmaniose Canina, a Dirofilariose ("verme do coração") e um conjunto de doenças designadas por “Febre da Carraça" na linguagem comum; • internos como os nemátodos: vermes redondos, vulgarmente designados por lombrigas – e os céstodos – vermes achatados designados por ténias, que se transmitem pela ingestão das formas infectantes, a partir da terra e alimentos contaminados, ou durante a gestação ou pela amamentação; estes parasitas são verdadeiros espoliadores de alimento e nutrientes e podem originar inflamações e cólicas intestinais. Face a todas estas “ameaças” é importante proteger o seu animal. Com a ajuda do seu Médico Veterinário, elabore um protocolo de prevenção ou tratamento, tendo em conta o ciclo de vida do parasita. Hoje em dia, existe no mercado uma grande variedade de desparasitantes - champôs, pós, coleiras, pipetas e comprimidos, e que pode ser adquirida na FAGRICOOP. Estes produtos têm modos distintos de acção, agindo sobre os vários tipos de parasitas, internos e externos.

A desparasitação interna deve:

1. iniciar-se às 6 semanas de idade e, em caso de necessidade, ser antecipada; 2. após a primeira desparasitação, ser repetida em intervalos de 2 a 4 semanas até pelo menos os 6 meses de idade; 3. ter uma periodicidade anual, estabelecida pelo seu Médico Veterinário, tendo em conta vários fatores: modo de vida do animal, estado de gestação (no caso das fêmeas) e co-habitantes humanos e animais.

Atualmente, a pauta anual de desparasitação interna mais usada é a cada 3 meses, 4 vezes ao ano, ou seja, 1 por estação. A desparasitação externa deve ser mensal, dado a maioria dos parasitas apresentar um ciclo de vida de aproximadamente um mês. 1. Faça a desparasitação interna e externa simultaneamente: alguns tipos de ténias utilizam as pulgas como hospedeiros intermediários. O não cumprimento desta regra pode levar a uma nova infestação de parasitas num curto intervalo de tempo; 2. Faça uma higiene rigorosa dos locais de defecação do seu cão: no dia da desparasitação e nos dois dias seguintes, limpe cuidadosamente os locais onde o seu cão defeca. As fezes emitidas após as desparasitações são muito infectantes, pois contêm ovos de parasitas em quantidades abundantes. 3. Desparasite todos os animais co-habitantes em simultâneo! 4. Desparasite as fêmeas gestantes: deve prestar particular importância à adequada desparasitação de fêmeas gestantes. Existem inúmeros parasitas que podem ser transmitidos das cadelas às crias, através do leite ou mesmo durante a gestação, através da placenta. 5. Desparasitação é independente da clínica: nunca baseie a frequência da desparasitação pelos sintomas ou pela visualização de parasitas nas fezes. Frequentemente, o parasitismo ocorre sem qualquer sinal ou sintoma; 6. Nem todos os desparasitantes são iguais : consulte o seu Veterinário na escolha do desparasitante adequado. Alguns desparasitam para ténias, outros para lombrigas. Uns são de largo espectro, uns mais adequados para cachorros e outros para adultos;

A fase de secagem é muitas vezes negligenciada, sendo uma espécie de “parente pobre” no que diz respeito ao maneio em muitas explorações leiteiras. Dado o atual contexto social e económico do setor leiteiro nacional, há que otimizar todas as fases de modo a tirar o máximo rendimento dos efetivos, sendo que um ótimo maneio, neste período, é o que garante uma lactação de sucesso. O objetivo da secagem é a regeneração das células secretoras do úbere, esgotadas devido a um largo período de produção de leite, para preparar uma nova lactação. Ao mesmo tempo, durante este período, pretende-se “dar descanso” metabólico ao organismo (nomeadamente ao fígado) para iniciar uma nova fase de produção, que se pretende que seja em quantidade e de qualidade. Nesta fase, completa-se também o desenvolvimento da cria, que se deseja que nasça na plenitude das suas condições. Resumidamente, pode considerar-se o período seco como uma fase de descanso e preparação para uma lactação seguinte perfeita. Em termos nutricionais, o objetivo deverá ser cobrir o conjunto de necessidades inerentes ao animal, com o máximo consumo de matéria seca mas atendendo a que não en-

gorde, por forma a evitar que se produza acumulação excessiva de gordura a nível hepático. A forragem seca (preferencialmente palha ou feno) deve ser parte fundamental do plano alimentar (45 kg/vaca/dia), devendo estar bem picada para a facilitar a máxima ingestão. Pode-se completar o bolo com silagem de milho (limitada a

um máximo de 8 kg/vaca/dia) e/ou silagem de erva, bem conservada e não demasiado húmida. Esta deve também ser limitada, dado que contém determinados ácidos na sua composição que podem ser percursores de corpos cetónicos no sangue; além de que, normalmente, também contém altos níveis minerais (cálcio e potássio) que podem predispor o aparecimento de hipocalcemias (clínicas ou subclínicas) que, por sua vez, podem originar retenções de placenta e, consequentemente, metrites. A alimentação deverá complementar-se com um concentrado, de forma a cobrir as necessidades proteicas, energéticas e de vitaminas e minerais, fundamentais para garantir um bom estado imunitário da vaca e da cria. No que respeita às instalações, estas devem incluir cubículos suficientes (relação 1:1), com cama cómoda, e bebedouros com água limpa. Nesta fase, há que ter em atenção o estado podal, devendo ser realizados pedilúvios periódicos de modo a prevenir dermatites digitais e interdigitais, que podem provocar a redução da ingestão de alimento e uma maior incidência de patologias no pós-parto (retenções placentárias, metrites e cetoses). A observação da condição corporal das vacas secas deverá ser prática comum, pois altos níveis de condição corporal nesta fase traduzem-se num maior número de casos de retenções, metrites, cetoses e deslocamentos. Existe, assim, uma necessidade por parte dos produtores de reforçar a atenção durante o período seco, pois as instalações, o maneio e a nutrição nesta fase têm uma responsabilidade importante no sucesso da lactação seguinte. Rui Alves, Eng. Agrónomo, Técnico da Sorgal

Nutrientes recomendados durante a secagem e durante o pré-parto em vacas leiteiras (adaptado de FEDNA, 2009)

7. Não espere 100% de eficácia: existem desparasitantes mais eficazes que outros, mas nenhum é 100% eficaz para todos os parasitas. Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades! Ser dono de um cão implica uma enorme responsabilidade pelo bem-estar do animal e dos que o rodeiam. Balbino Rocha, médico veterinário da Fagricoop

Necessidades energéticas e proteicas das vacas secas, em função da paridade (adaptado de FEDNA, 2009)


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pública: 20 de março de 2013

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especial

Condições genéticas

que afetam a produtividade do rebanho leiteiro

Coeficiente de Consanguinidade para Holstein Calculados em dezembro de 2013

pública: 20 de março de 2013 XV

Fagricoop acolheu colóquio sobre milho

Com o aumento da informação disponível sobre o genoma dos bovinos de leite, os investigadores continuam a identificar novos genes recessivos que afetam diretamente a produção. Destes genes recessivos, é de salientar é de salientar os Haplotypes, que em 2011 estavam 5 Haplotypes identificados, e agora recentemente foram descobertos mais 4 que afetam diretamente a fertilidade. Haplotype é uma sequencia de DNA num cromossoma, inerente ao pai ou mãe, e que é responsável pelas mortes embrionárias, atrasos na prenhes e abortos. Estes são os Haplotypes identificados: HH1;HH;HH3;HH4;HH5; JH1;BH1;BH2; e AH1. O aparecimento destes genes recessivos é uma consequência do aumento da consanguinidade dentro das raças puras de leite, que pelo constrangimento das famílias disponíveis para reprodução conduzem ao agravamento da saúde animal e consequente perda de rendimento. Em baixo demonstra-se a evolução da consanguinidade ao longo do tempo, reconhecendo que a fasquia dos 5% de consanguinidade afeta a rentabilidade.

Fonte: Council On Dairy Cattle Breeding

A Monseeds, em colaboração com a Fagricoop, realizou no passado dia 13 de março, nas instalações da cooperativa um colóquio subordinado ao tema “Soluções Dekalb para a campanha de milho 2014”. O colóquio, apresentado pelos técnicos da Monseeds, contou com a presença de cerca de três dezenas de produtores de leite, e visava essencialmente apresentar as soluções Dekalb para a sementeira do milho que se avizinha, bem como mostrar alguns resultados relativos aos ensaios com milhos realizados na campanha anterior. pub


XVI

pública: 20 de março de 2013

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