Skip to main content

Oe1131

Page 1

Cerca de 80 por cento dos portugueses

bebe café diariamente

Cerca de 80 por cento dos portugueses consome café diariamente, sendo o expresso o tipo de café preferido. O consumo de café em Portugal ronda os 4,7 kg por pessoa/ano enquanto que nos países europeus se situa perto dos 6,4 kg por pessoa/ano, segundo os últimos dados da European Coffee Federation, divulgados pela Associação Industrial e Comercial do Café (AICC). À escala mundial, o café é a segunda matéria-prima mais comercializada, logo a seguir ao petróleo. A bebida tem por isso direito a dia mundial, assinalado a 14 de abril. Em média, os portugueses bebem 2,2 chávenas de café por dia, o que equivale a menos 35% do que a média europeia, contabilizou a associação nacional dos industriais e comerciantes do sector (AICC). A divergência acentua-se quando a comparação é feita com os países nórdicos, onde são consumidos dez quilos de café por ano, contra 4,26 quilos em Portugal. Embora nestes países o consumo de café seja geralmente mais diluído, o certo é que ingerem mais do que os portugueses. Na Finlândia, por exemplo, o consumo atinge cerca de 13 quilos por pessoa por ano. Em Portugal, a tendência aponta para o crescimento mais acentuado do consumo de café no lar (6%) face às vendas em restaurantes, cafés, bares ou hotéis.

Como o café começou…. De sabor inconfundível, esta bebida milenar, aperfeiçoada ao longo do tempo por segredos passados de geração em geração, ultrapassou fronteiras e transformou-se num ícone universal. Segurando uma chávena de café quente nas mãos, absorvendo todo o seu aroma e sabor, poucos serão aqueles que saberão da lenda que diz que esta bebida se deve à agitação fora do comum de umas cabras em torno de um arbusto com bagas vermelhas no sul da Península Arábica e à curiosidade do pastor, Kaldi. Apercebendo-se de que a única explicação para o comportamento das cabras seriam os frutos vermelhos, Kaldi decidiu experimentar alguns, tornandose, também ele, alvo do seu efeito estimulante. Seriam, no entanto, uns monges locais a explorar as potencialidades desta planta, a fim de lhes permitir manterem-se despertos durante longos períodos de oração. A novidade não tardou a espalhar-se a outros mosteiros, povos e culturas. Mais perto do que verdadeiramente terá acontecido e de acordo com algumas evidências do foro botânico, as primeiras plantas de café terão surgido na zona central da Etiópia, de onde foram levadas para o Iémen, que o cultiva desde o século VI. As primeiras casas a servir café em Meca e no Cairo (séculos VI e VII), preparado inicialmente com grãos não torrados, terão sido então responsáveis por despertar a paixão, que se alargaria a todo o mundo, por esta bebida intensa, aromática e inconfundível.

pub


10

pĂşblica: 9 de janeiro de 2014

publicidade


pública: 9 de janeiro de 2014 11

especial

Moído, torrado, descafeinado ou instantâneo?

De sabor inconfundível, esta bebida milenar, aperfeiçoada ao longo do tempo por segredos passados de geração em geração, ultrapassou fronteiras e transformou-se num ícone universal O século XV assiste à primeira plantação extensiva de café na Arábia (mais precisamente no Iémen), sendo os árabes os primeiros a torrarem e a moerem o café antes de o servirem. O consumo de café começa por estender-se ao longo de toda a Península Arábica, alargando-se, através do Império Otomano, até à Turquia, que inaugurou o primeiro café em Constantinopla corria o ano de 1475. Na Europa assiste-se à sua chegada no século XVII, trazido pelos mercadores venezianos, e na América chega em 1607, levado pelo capitão John Smith. Um ano depois inaugura-se a primeira casa de café em Viena de Áustria. Em 1690, os holandeses estreiam-se no cultivo e transporte de café no Ceilão e nas Índias Orientais, Sudeste Asiático. Duas décadas mais tarde, os franceses desenvolveriam um método de preparação de café feito a partir da infusão de pub

grãos torrados e moídos, regra geral num saco de linho, em água quente, deixando-o alguns minutos em repouso antes de servir. Estava, assim, aberto o caminho para o desenvolvimento de aparelhos destinados a uma cada vez melhor preparação de uma bebida que jamais deixaria de despertar paixões em todo o mundo. A primeira máquina de café expresso foi criada por Louis Bernard Babaut no início do século XIX. Em 1905, Desiderio Pavoni cria uma empresa – La Pavoni – para colocar no mercado a primeira máquina de café expresso comercial. Desde então, o desenvolvimento de máquinas para preparar café, nunca mais abrandou, não se poupando a esforços para servir uma chávena de café absolutamente deliciosa. No café propriamente dito, também não faltaram experiências e melhorias. O descafeinado é apresentado em 1903, sucedendo-se-lhe o instantâneo (inventado pelo químico nipónico-americano Satori Kato), fabricado em massa a partir de 1909, tendo atingido grande popularidade junto dos soldados americanos na I Guerra Mundial. pub


12

pública: 9 de janeiro de 2014

especial pub

Muito sabor, grandes benefícios

pub

Estudos recentes sobre o café indicam que esta bebida chega a possuir mais fibra solúvel do que sumo de laranja comercializado, cabendo ao café instantâneo o primeiro lugar entre os seus pares. Não menos importante, a presença de antioxidantes em cada chávena ou bebida tomada ajuda a proteger o organismo e, entre outros benefícios, pode travar os processos degenerativos associados ao envelhecimento precoce. Se juntarmos a cafeína a estes antioxidantes, cada café tomado pode contribuir para a prevenção contra doenças cardiovasculares, cancerosas, asma, diabetes de tipo 2 e Parkinson. Nas mulheres, o café revela-se uma mais-valia acrescida a partir dos 65 anos, dado combater o declínio da memória que tende a fazer-se sentir nesta fase da vida. Apesar de tudo, moderação é a palavra de ordem. Evite o consumo excessivo de café que não deve ultrapassar a ingestão de 400-450 mg de cafeína diárias, equivalente a quatro ou cinco cafés (cada café tem aproximadamente 80 a 90 mg de cafeína). A dose que deve ser reduzida no caso de pessoas com hipertensão ou grávidas, por exemplo. Em caso de dúvida, aconselhe-se com o seu médico. Aqui, ficam algumas das vantagens que o café poderá ter na nossa saúde.

Vantagens 1. O café melhora o estado de alerta e concentração. 2. O café é rico em compostos antioxidantes, benéficos para a saúde, que oferecem proteção contra várias doenças como as doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro. 3. O consumo de café (4 ou mais chávenas/dia) pode diminuir o risco de desenvolver diabetes tipo 2. 4. A ingestão crónica de café pode reduzir o risco de demência 5. O consumo de café está associado a uma menor incidência das doenças de Alzheimer e de Parkinson. 6. O café melhora a memória quando existe deterioração cognitiva devido a alguma doença subjacente. 7. O consumo de café (4 ou mais chávenas/dia) pode diminuir o risco de desenvolver gota em 40%. 8. O café diminui a absorção de glicose (açúcar) no intestino podendo ajudar a controlar o peso. 9. O café protege o fígado diminuindo o risco de cirrose e cancro do fígado e ajuda ao bom funcionamento da vesícula. 10. Beber café em quantidades moderadas não é prejudicial para a saúde, pelo contrário, pode trazer muitos benefícios.

Portugueses devem duplicar consumo de café até 2021

De acordo com um estudo agora anunciado, dentro de dez anos cada português acabará por consumidor, em média, oito quilos de café por ano. Na atualidade, dados da Associação dos Industriais e Comerciantes do Café indicam que os portugueses bebem menos 35% de café do que a média europeia. No entanto, a acreditar no estudo “Tendências e Perspetivas Sociais no Consumo de Café em Portugal em 2021”, esse consumo deverá duplicar até 2021. O documento, de Tiago Oliveira, mestrado do IPAM - Instituto Português de Administração de Marketing, indica ainda que o consumo doméstico de café deverá crescer 20% e que as mulheres deverão igualar o consumo de café face aos homens. O perfil do consumidor português de café foi obtido através de inquéritos realizados a um painel de 28 especialistas na cadeia de valor do café e comportamento do consumidor, ligados às áreas académica, privada e pública. Para a maioria dos inquiridos, o preço do café deverá aumentar entre 26% a 34% ao longo dos próximos dez anos, sendo que três dos inquiridos perspetivaram um aumento mais acentuado, na ordem dos 53%, justificando-se com o facto de a chávena de café em Portugal ter dos preços mais baixos da Europa e com o aumento da pressão especulativa sobre as matérias-primas.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Oe1131 by Editave Multimédia - Issuu