António Peixoto, presidente da Associação Comercial e Industrial de Famalicão (ACIF)
“Temos de pensar num centro urbano que favoreça a circulação de pessoas” No Especial dedicado ao comércio tradicional, entrevistámos António Peixoto, o presidente da ACIF, que nos fala do comércio famalicense e do espírito empreendedor existente, apontando caminhos para o futuro.
contribuições para a Segurança Social, apoio na elaboração de declarações de IRS e IVA, entre outros. Os associados têm ainda condições especiais na vasta oferta formativa da ACIF.
Sofi fia a Abreu Silva Como presidente da ACIF, como descreve, atualmente, o comércio tradicional em Famalicão? O comércio tradicional em Famalicão é marcado pelo comércio de pequena dimensão, sobretudo ligado à área da restauração. Há uma predominância do comércio a retalho, mas também não podemos esquecer a existência da indústria de grandes dimensões, sobretudo ligadas às áreas da alimentação, têxtil, metalomecânica, calçado, transportes, construção civil e obras públicas e da tecnologia. Em Famalicão existe uma grande variedade de oferta aos consumidores que poderão encontrar qualquer produto que procurem no comércio tradicional, satisfazendo as suas necessidades. A crise esta instalada há vários anos, como tem sido a luta dos comerciantes… A luta tem de ser feita diariamente. E embora a crise possa aguçar ainda mais algumas necessidades, os comerciantes famalicenses têm de saber superar-se e encontrar novas formas de negócio, não só em épocas de crise, como também quando o terreno parece mais favorável. Os comerciantes vivem muitas dificuldades no seu dia-a-dia, fazem muitos sacrifícios para manter o seu negócio vivo, sobretudo porque acreditam no que fazem e porque se trata do seu sustento. Quais os programas de apoio ao comércio que foram concretizados? A ACIF sempre promoveu programas que apoiaram o comércio, como por exemplo o Modcom. Mais recentemente, e enquanto entidade beneficiária, em ações promovidas pela Confederação do Comércio de Portugal (CCP), tem levado a cabo o projecto Dinamizar.
Está neste momento a decorrer a segunda edição deste programa, com a intervenção em 25 empresas, consistindo em apoio de formação e consultoria para os empresários e colaboradores. Em breve arrancará a 3ª edição do Programa Dinamizar e prevemos a intervenção em cerca de 75 empresas. Para além disso, desenvolvemos formações modulares destinadas à área do comércio. Quais as vantagens para os associados da ACIF? Neste momento, a ACIF tem cerca de 3 mil associados e podem recorrer a um conjunto de serviços e benefícios. Desde logo, o apoio jurídico, passando por consultoria económica/financeira, realização de processos de certificação de empresas, licenciamentos comerciais e industriais, serviços de processamento de salários, inscrições e tratamento de
nando como um polo atrativo de empresários. É claro que não se pode esquecer que o fecho de empresas de grande empregabilidade é também uma realidade, situação que origina depois a abertura de outras empresas de menor dimensão e sem representatividade Porque devemos optar pelo comércio tradi- significativa no número de trabalhadores abcional? sorvidos. Devemos privilegiar o que é feito na nossa terra, na nossa região, comprando muitas ve- Estamos no mês de Natal e esta é, com cerzes nas lojas de pessoas que são nossas ami- teza, uma ocasião muito especial para os cogas ou familiares. Dessa forma, teremos tam- merciantes... bém um atendimento personalizado, que vai Sem dúvida que é especial e a ACIF procura criar um ambiente mais acolhedor às comde encontro às nossas reais necessidades. pras no centro urbano, através da iluminação O que deve ser feito pela revitalização do co- de Natal e do som de rua, e fomentar as trocas mércio tradicional em Famalicão? comerciais recorrendo, como acontece este Para uma revitalização do comércio tradicional ano, a um Grande Sorteio de Natal que preé necessário pensar o centro urbano com con- meia os consumidores que privilegiem as dições que favoreçam a circulação de pes- compras no comércio da nossa cidade. soas. Nomeadamente oferecendo-lhes boas opções em termos de estacionamento, possi- Quais projetos para o futuro da ACIF? bilitando zonas de maior protecção contra o A ACIF tem já uma dimensão considerável, em calor e a chuva, designadamente com a uni- termos humanos e físicos, pelo que temos o formização dos toldos nas lojas, sinalizando dever, enquanto direção, de procurar seguir corretamente as ruas e as lojas existentes em um caminho de viabilidade a todos os níveis. cada artéria. Seria importante criar no centro O nosso grande eixo é a defesa dos interesses urbano um pólo de maior atractividade, por dos nossos associados e tudo e qualquer proexemplo cultural, capaz de criar uma dinâ- jecto futuro da ACIF deve ter essa ideia bem mica interessante e ao mesmo tempo conse- presente. guir atrair novos e potenciais consumidores vindos das cidades vizinhas. Um museu que reunisse todo o espólio e património único existente no concelho e se constituísse como uma verdadeira referência. Não podemos também esquecer a importância atual da indústria António José do Nascimento Pereira Peifutebol que movimenta muita gente à sua xoto é natural de Ruivães e empresário livolta e por isso seria muito positivo o conce- gado à área das Telecomunicações (22 lho ter um clube nas divisões profissionais. anos) e Seguros (32 anos), fundador das Por tudo o que isso significa para a imagem e empresas Avetel e OPS. Cumpre o seu terceiro mandato como presidente da dimensão da cidade. ACIF. Está ligado a várias instituições loMesmo em tempo de dificuldades, temos a cais, tais como Lion’s, Liga Portuguesa Contra o Cancro, Futebol Clube de Faabertura de empresas no concelho? Famalicão regista a abertura de novas lojas e malicão e Banda de Música de Famaliempresas todos os meses. Isso deve-se ao cão. Sempre praticou desporto nas mais espírito empreendedor dos famalicenses, mas diversas modalidades, tendo-se destatambém devido à grande dinâmica econó- cado no badminton e automobilismo. O mica e social que existe no concelho, funcio- golfe é a escolha preferida.
Perfil
pub
20
pĂşblica: 5 de dezembro de 2013
publicidade
especial
Gaste o necessário neste Natal A maior parte das famílias tem menos dinheiro para gastar neste Natal. A crise económica que se vive requer alguns sacrifícios, mas isso não significa que tenha de ser um Natal cinzento e sem presentes no sapatinho. A troca de lembranças continua a ser um dos pilares das tradições do Natal e os presentes não têm que ser forçosamente caros. Portanto, há que ter algumas dicas em conta: Faça o orçamento natalício: a esta altura do campeonato, começamos a pensar nos presentes de Natal, mas grande parte de nós ainda não se dedicou ao assunto. Se faz parte deste último grupo, não vale a pena desesperar. Saiba que o ponto de partida é o orçamento natalício: decida a quem pretende oferecer e, sobretudo, quanto é que pode gastar. Depois é só cumprir criteriosamente os objetivos traçados. Se já pensou nisto antes, provavelmente está em vantagem e já terá de parte algum dinheiro para comprar presentes. Quanto mais cedo, melhor: Muitas vezes o presente perfeito não é o mais caro, mas sim o mais difícil de encontrar. Quanto mais espaço temporal tiver para as compras, menos dinheiro irá gastar, pois tem tempo que sobra para escolher o melhor e mais em conta. Aproveite campanhas: o Natal sempre foi a altura por excelência para o comércio, por isso são muitas as lojas que mantêm campanhas com descontos durante esta época. Aproveite-as. Quer sejam descontos em lojas de roupa, telecomunicações ou beleza, vale a pena perder algum tempo a procurar o negócio certo para comprar os presentes certos ao melhor preço. No comércio tradicional há ainda a possibilidade de pedir um desconto.
Tome nota:
Para as compras que for fazendo, acrescente à frente de cada presente o dinheiro que gastou. Peça sempre uma fatura comprovativa da compra dos seus presentes. Informe-se sobre a existência de prazos para troca ou devolução de produtos mais alargados nesta quadra, preferindo produtos em que o prazo de devolução se estenda para lá da quadra natalícia. Guarde todos os talões de pagamentos com cartões multibanco ou cartões de crédito e confirme se os valores debitados coincidem no extrato bancário. É possível que nesta quadra fique mais desatento a estas questões, mas é também nesta alturas que mais enganos acontecem. Não perca de vista os seus cartões quando os entregar em lojas para efetuar pagamentos.
pública: 5 de dezembro de 2013 21
Já cheira a Natal no Minho: bacalhau, família e festa Por esta altura, já muitas famílias no Minho compraram o bom bacalhau para ter à mesa no Natal. O bacalhau é rei nesta festividade, juntamente com umas boas couves e um belo azeite português. Depois, esta noite congrega ainda os doces à moda antiga, desde as rabanadas, aletria, mexidos, bolo-rei… não esquecendo os queijos, os vinhos, os licores. Sobre a gastronomia minhota, o escritor português Ramalho Ortigão disse: “há só um banquete português que desbanca todos os jantares de Paris, mas que os desbanca inteiramente: é a ceia da véspera de Natal nas nossas terras do Minho”. Na realidade, no Minho gostamos de juntar a família toda e ter o melhor, que podemos oferecer, à mesa. Na noite de Natal, a lareira está, por norma, acesa e as conversas fluem, enquanto as crianças brincam. A meia-noite continua a ser anunciada em muitas localidades com foguetes e o repicar dos sinos, assinalando o nascimento do Menino Jesus. Aliás, os foguetes repetem-se no dia seguinte após a missa de Natal, bem como no Ano Novo. No dia 25 de dezembro, o almoço de Natal é muito recheado, e não falta a roupa-velha juntamente com um belo assado. A roupa-velha é um prato típico do norte de Portugal, em que se aproveitam os restos da consoada. Não se sabe a origem, mas o nome pode estar relacionado com o aspeto apresentado à mesa. É uma amálgama de cores e pedaços de bacalhau, couves, ovo, envolvidos em azeite e cebola picada. Depois do almoço, os doces voltam à mesa. Não se tira a toalha e a festa prossegue entre conversas….comida….e risos. pub
22
pública: 5 de dezembro de 2013
especial pub
Neste Natal escolha o comércio tradicional
pub
Apesar da abertura de muitos centros comerciais, há muitas pessoas que continuam a preferir fazer as suas compras nas ruas, cumprindo, uma espécie, de tradição. E, apesar da crise e das grandes superfícies, Famalicão consegue ter inúmeras lojas de comércio tradicional. O comércio tradicional é uma forma de compra e venda num ambiente de proximidade entre vendedor e cliente, a qual só se verifica em locais de pequena e média dimensão, onde vamos e compramos através de uma base sólida de confiança, tanto na qualidade como na escolha seletiva dos produtos. Nos espaços do comércio tradicional encontramos produtos mais distintos, por norma numa boa relação qualidade-preço. Há clientes que já se habituaram a fazer compras em determinado espaço, onde conhecem bem os produtos e sabem o que podem encontrar. Por outro lado, há muitas lojas e os funcionários que, conhecendo bem o gosto dos seus clientes, reservam peças específicas para depois lhes mostrar. No, fundo, no comércio tradicional vai-
se criando não só uma relação de compravenda, mas também de amizade que perdura por muitos anos. Ao comprarmos localmente estamos a comprar, muitas vezes, produtos produzidos pela nossa população, o que é um fator de emprego, estabilidade e prosperidade para as famílias do nosso concelho, o que contribui fortemente para a qualidade de vida. Ao mesmo tempo, o comércio tradicional absorve uma boa parte da mão-de-obra ativa da população local, representando, igualmente, um apoio fundamental ao setor turístico, preservando as zonas históricas do centro da cidade. O comércio tradicional oferece-nos algo diferente. Os clientes são mais mimados e há uma simpatia sincera. Além disso, são muitos os comerciantes que não se esquecem de fazer uma “atençãozinha” com um desconto, às vezes bem significativo. Nesta altura de Natal, desde os presentes para a família até à comida para colocar na mesa, é mesmo possível encontrar tudo nas lojas de rua. Ora, experimente!
Escolha a melhor gastronomia e doçaria
Começou o mês de dezembro e com ele chega também todo um conjunto de iniciativas com amigos e família. A nossa vida social aumenta significativamente neste mês, com jantares, almoços e lanches natalícios. Neste momento é melhor começar a pensar no que vai fazer para que tudo corra bem. Para fazer tudo sem stress, o melhor é mesmo começar a marcar tudo com antecedência para à última hora não ter que andar a correr. No caso de almoço e/ou jantar, escolha o restaurante da sua eleição e marque o dia que pretende para realizar o seu convívio. Não se esqueça de combinar com o restaurante o preço para cada pessoa e o que cada refeição inclui, como prato, bebidas ou sobremesa. Se preferir fazer em casa o seu convívio, pode fazer uma encomenda e ir buscar a refeição ao seu restaurante. É, sem dúvida, uma solução muito agradável e interessante. Se não há muito tempo para jantares ou almoços, pode marcar, nesta altura, um lanchezinho com os amigos. É sempre um momento de convívio para por a conversa em dia. Nesta altura do ano, as pastelarias são locais muito bonitos e cheios de coisas boas. É fácil encontrar algo que nos agrade, desde os doces habituais à doçaria tradicional desta época. Por exemplo, Famalicão tem ótimas casas de pastelaria, algumas com imensa tradição. Se preferir algo diferente, pode também determinar com a sua pastelaria a confeção de um bolo ou doces exclusivos para si e para os seus amigos.