Diminuição, em média, de 40 a 50% este ano
“Não foi um ano nada fácil para os viticultores”
Sofia fia Abreu Silva da floração choveu bastante e as temperaturas máximas foram Este ano, a Cooperativa de Coo- mais baixas que os anos anteperativa Agrícola de Famalicão riores. Frutivinhos prevê receber, em “Deparámos-mos, portanto, média, cerca de 200 toneladas com desavinho, ou seja, abortade uvas brancas (da casta Lou- mento da flor, que reduz a taxa reiro, Trajadura e Arinto) e 30 to- de vingamento e nos cachos em neladas de uvas tintas (da casta que se deu a floração deu-se baVinhão e Espadeiro) de 50 pro- goinha -problemas na fecundadutores. Segundo a enóloga Ga- ção - devido às baixas temperabriela Albuquerque estamos a turas da época, originando falar, em relação a 2011, “a uma bagos muito pequenos relativadiminuição, em média, na or- mente aos outros, onde ocorreu dem dos 40% a 50%”. uma fecundação sem probleGabriela Albuquerque ex- mas, o que reduz a taxa de renplica que os fatores que condi- dimento em mosto”, esclarece. cionaram esta diminuição de- Além disto, ocorreram diversos vem-se, essencialmente, a ataques de míldio, com a ocorfatores ambientais. As condi- rência de chuvas periódicas, e ções climatéricas no período de de oídio nos dias enublados, de inverno-primavera não ocorre- excessiva humidade relativa no ram com normalidade, houve al- ar. “Não foi um ano nada fácil ternância de períodos secos e para os viticultores”, considera a quentes, com frios e húmidos, enóloga Gabriela Albuquerque. fora das épocas normais. Isto fez Justamente, os fatores amcom que a videira rebentasse, bientais contribuíram para um de modo irregular, e não evo- atraso da maturação, em relação luísse normalmente, chegando a 2011, sendo, por isso, mais à época da floração em maio, tarde o início das vindimas. com ramos de dimensão mais “Nesta altura, ainda não podepequeno que o normal. Na altura mos comunicar o dia ao certo,
porque as análises feitas às diferentes castas, ao longo deste mês, é que determinarão a data com rigor. Contudo, prevê-se o início das vindimas para a terceira ou quarta semana de Setembro”, revela. Os cooperadores estão cada vez mais cientes que a qualidade é determinante. Apesar do ano difícil, obrigando aos produtores a um aumento de trabalho e de atenção às necessidades das suas vinhas, os resultados indicam um “aumento de número de produtores, ao longo destes últimos anos, a passar da classificação de uvas de classe B para classe A”. Nos produtores que renovaram vinhas ainda é cedo para resultados específicos, mas “certamente serão bons resultados visto que a renovação foi feita com atualização das técnicas de viticultura. Na realidade, Gabriela Albuquerque afirma que os produtores famalicenses são “dinâmicos, trabalhadores e abertos às sugestões dos técnicos”.
Mercado estrangeiro aprecia vinhos da Frutivinhos
Exportação é o caminho Os vinhos D. Sancho I, Adega verde e rosé, foram os vinhos da colheita de 2011. De acordo com Gabriela Albuquerque são “vinhos frescos, elegantes e aromáticos, especialmente o D. Sancho I”. Aliás, a aceitação dos vinhos da Frutivinhos é bastante positiva, o que acabou por se refletir no “crescimento das vendas nos clientes habituais e aumento de cliente novos”, esclarece a enóloga. Nos planos da Frutivinhos está o aumento do vinho engarrafado, em vez do vinho a granel, de forma a consolidar comercialmente o nome da cooperativa para o consumidor final. Caso contrário, diz Gabriela Albuquerque ,“a venda em granel está sujeita a mais especulações de preço e o consumidor não tem noção, da melhoria do trabalho executado”. A exportação é também uma questão muito importante para a Cooperativa, que tem dado passos concretos nesse sentido, nomeadamente, através da participação em feiras e workshops
internacionais; contactos telefónicos, de e-mail, envio de press kits e amostras para distribuidores, retalhistas e garrafeiras. Gabriela Albuquerque considera que o mercado estrangeiro gosta “de um vinho leve, fresco e elegante a um preço acessível fresco” – características que os vinhos verdes cumprem. Para a Frutivinhos, o objetivo, a curto prazo, é a preparação da nova campanha de forma a aumentar. ou pelo menos manter, os níveis de qualidade; a médio e a longo prazo é a introdução de novos produtos (vinhos de diferentes estilos) e também o desenvolvimento da estratégia de marketing e comercial. A enóloga diz que o maior desafio que se coloca aos produtos é estar atento à evolução do mercado, novas castas, novos estilos de vinhos. “Temos de estar atentos àquilo que os nossos concorrentes estão a fazer, para que possamos ir ao encontro das necessidades do mercado e fazer sempre mais e melhor”.
Frutivinhos apresenta frutos e hortícolas
A Frutivinhos trabalha com uma vasta gama de frutas e hortícolas provenientes da produção local. Neste momento receciona tomate, feijão-verde, courgette, meloa Fiesta, pimento verde e vermelho, couve coração, couve brócolo, couve-flor, limão, maracujá entre muitos outros. Neste caso, a engenheira agrária Sílvia Gomes explica que Frutivinhos organiza um calendário de produção entre todos os produtores, adaptando as qualidades de cada a um determinado produto, para que haja fornecimentos contínuos durante as respetivas épocas primavera/verão e outono/inverno. “Faz um acompanhamento durante o processo produtivo no campo, controlo, receção, embalamento, conservação e expedição para os diversos clientes”, descreve, acrescentando que os produtos da Frutivinhos podem ser encontrados facilmente em supermercados.