Este Especial é dedicado a três equipas famalicenses que subiram de divisão. O Sporting Club Cabeçudense subiu à 3ª Divisão Nacional de Futsal, a Associação Desportiva Ninense jogará a próxima época na Divisão de Honra da Associação Futebol de Braga. Já o Barrimau Futebol Clube subiu à 1ª Divisão do Campeonato Concelhia da Associação de Futebol de Salão Amador de Famalicão (AFSA). Textos de Sofia Abreu Silva, José Clemente e Cláudia Teixeira
Considera Ricardo Costa, presidente do Sporting Clube Cabeçudense
“Surpreendemos tudo e todos” O Sporting Clube Cabeçudense fez história na vida da coletividade, ao subir à III Divisão Nacional de Futsal no passado dia 22 de Abril. Para Ricardo Costa, presidente do Sporting Clube Cabeçudense, esta subida a um escalão maior é o concretizar de um sonho. “Toda a gente conhece o meu amor à modalidade de futsal. Quando peguei nesta instituição foi sempre com o intuito de criar esta modalidade. Temos o futsal criado na nossa instituição há aproximadamente 3 anos e este foi sempre o sonho”, afirma. No início da época o grande objectivo do Cabeçudense não era a subida de divisão, mas sim tentar superar a classificação do ano transacto, o quinto lugar. “Competimos com equipas com uma estrutura completamente diferente, com muitos anos de modalidade, com outros apoios, mas surpreendemos tudo e todos. Fomos uns verdadeiros heróis, sobretudo devido ao querer, à vontade e à família que foi criada em torno deste grupo. A equipa técnica e os jogadores foram uma verdadeira família e fizeram um campeonato muito acima das nossas expectativas”, refere o dirigente. Sobre o trabalho que esta direcção tem desenvolvido, Ricardo Costa conta que o Cabeçudense sempre foi um clube humilde que não nunca teve possibilidades financeiras para “pagar o que quer que seja”. “Andamos aqui por amor ao clube. Temos um convívio fantástico e damos à equipa técnica e atletas condições para que possam treinar bem, desde equipamentos, transporte para deslocação aos treinos, mas financeiramente não conseguimos dar nada a nenhum jogador”, admite. O Cabeçudense possui duas horas por semana para treinar no Pavilhão de Delães, uma hora em cada dia, e isso acaba por limitar a equipa no seu nível competitivo, algo que Ricardo Costa gostava de ver alterado. “A Câmara tem-nos ajudado e a Junta também nos tem auxiliado, mas infelizmente na nossa freguesia não temos capacidade para ter um pavilhão. No futuro, vamos tentar jogar mais próximo da
nossa freguesia”, indica. Com o pensamento na III Divisão Nacional de Futsal, os objectivos do Cabeçudense passam por criar uma estrutura forte para não ser, como a maioria das equipas, a andar “no sobe e desce”. Na área financeira, Ricardo Costa assume que o clube vai manter a mesma posição: “Toda a gente que representa o clube sabe aquilo com que pode contar, com o nosso apoio a nível de infraestruturas, a nível financeiro não conseguimos oferecer mais, mas as pessoas gostam de jogar aqui e sentem-se bem, em família, e esse é o segredo”. Nesta ocasião memorável para o Cabeçudense, Ricardo Costa não esquece os que sempre estiveram ao lado da equipa. “Queria dar uma palavra de apreço a todas as pessoas, sócios e simpatizantes, não só da freguesia, que apoiaram esta instituição, porque acreditam nas pessoas e nesta família”.
Marco Paulo, treinador do Sporting Clube Cabeçudense
“Estes miúdos merecem tudo” Alegria e felicidade são as palavras escolhidas por Marco Paulo, treinador do Sporting Clube Cabeçudense, para designar o momento que o clube vive. “Estamos muito fortes, estes miúdos merecem tudo”, começa por dizer. O clube da freguesia de Cabeçudos garantiu a subida à III Divisão Nacional de Futsal no domingo, 22 de Abril, um objectivo que acabou por ser perseguido ao longo desta época pelo colectivo cabeçudense, embora não fosse uma prioridade no arranque do campeonato. No início, o Cabeçudense queria apenas superar a classificação alcançada no ano passado, o quinto lugar. A meta foi alcançada, segundo o técnico Marco Paulo, graças ao esforço dos atletas do clube. “Os miúdos fazem, ao longo da época, mais de 20 quilómetros para treinar às 11 da noite, pagam as despesas do seu próprio bolso, pagam o gasóleo. Eles merecem tudo e são uns campeões, com muita justiça”. O mérito do Cabeçudense está assente em muito trabalho. “Muito trabalho mesmo, porque não éramos candidatos a nada, o objetivo era fazer melhor que o ano passado”, sublinha o treinador.
Marco Paulo recorda que havia “equipas candidatas, que pagam aos treinadores e jogadores”, mas foi o Cabeçudense que se sagrou campeão “com inteira justiça, fomos melhores que os outros”. No entender de Marco Paulo a força da equipa está na amizade que é evidente entre todos dentro da colectividade. “É uma equipa de amigos, foi por isso que nos ganhámos”, declara. À semelhança do presidente do clube, Ricardo Costa, também o treinador Marco Paulo, considera este grupo de trabalho como uma família. “Toda a gente se conhece
há 4 ou 5 anos”, frisa. Esta união, na realidade, desde sempre se estendeu ao jogo dentro de campo. “É realmente uma família, aqui toda a gente já se conhece e todos os jogos são para ganhar. Sempre tivemos agressividade, no bom sentido, sempre puxamos uns pelos outros, mesmo aqueles que jogavam pouco, sempre puxaram por quem estava dentro do campo”, observa. Hoje, como no futuro, o Sporting Clube Cabeçudense tem definido a sua filosofia de estar e de jogar: “Todos juntos a lutar pelo mesmo objectivo sempre, e uns sempre a incentivar os outros”.
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