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Brasil-Perspectivas econômicas-OCDE-dezembro 2021

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Brasil Projeta-se que o crescimento do PIB atinja 5% em 2021, mas desacelere para 1,4% em 2022 e 2,1% em 2023. O ritmo da campanha de vacinação acelerou e a atividade econômica, sustentada pelo consumo e pelo investimento privados, retomou com a diminuição das restrições. As exportações têm beneficiado da recuperação global e de uma taxa de câmbio mais fraca. No entanto, os gargalos na oferta, um baixo poder aquisitivo, as taxas de juros mais altas e as incertezas de política econômica desaceleraram o ritmo da recuperação. O mercado de trabalho tem se recuperado com um certo atraso e o desemprego permanece acima dos níveis pré-pandemia. A inflação aumentou significativamente nos últimos meses, levando o banco central a aumentar a taxa de juros de 2% para 7,75%. Projeta-se que o aperto contínuo da política monetária ao longo de 2022 contenha a dinâmica da inflação e mantenha ancoradas as expectativas de inflação. As reformas fiscais também podem desempenhar um papel importante na contenção das pressões inflacionárias. Reforçar as regras fiscais aumentaria a confiança do mercado sobre o compromisso do governo de manter finanças sustentáveis. Gastos públicos mais eficientes criariam espaço fiscal para políticas que estimulem o crescimento e um programa de proteção social mais inclusivo. O ritmo da recuperação está desacelerando A campanha de vacinação acelerou significativamente e, em meados de novembro de 2021, mais de 60% da população estava totalmente imunizada. A esse ritmo, toda a população adulta poderia estar protegida até o fim do ano. A taxa de ocupação em unidades intensivas caiu para o seu nível mais baixo desde janeiro de 2021 e a economia começou a recuperar com a diminuição das restrições de mobilidade, impulsionada pelo consumo accumulado e pelo investimento. Os serviços, em particular, têm aumentado todos os meses, entre abril e agosto, em uma média de 1,26%. No entanto, gargalos de suprimentos têm dificultado a recuperação da produção industrial, a qual permanece 3% abaixo dos níveis pré-pandemia. A aceleração da inflação está prejudicando a recuperação do atacado, do varejo e dos serviços. Um poder aquisitivo mais baixo e os juros mais altos interromperam a recuperação da confiança do consumidor e dos negócios, desacelerando o ritmo de recuperação da demanda doméstica.

Brasil 1 O PIB está se recuperando, mas o desemprego permanece acima do nível anterior à crise Variação homóloga (%) 15

A recuperação está perdendo força

% da força de trabalho 16

Produção industrial Vendas de varejo

Taxa de desemprego →

10

Serviços

15

← PIB

5

14

0

13

-5

12

-10

11

Índice janeiro de 2016 = 100 120

110

100

90

-15

2018

2019

2020

2021

2022

2023

10

80

0

2016

2017

2018

2019

2020

2021

70

Fonte: Base de dados Perspectivas Económicas 110 da OCDE; IBGE; e cálculos da OCDE. PERSPECTIVAS ECONÓMICAS DE LA OCDE © OECD 2021


 33

Brasil: Demanda, produção e preços 2018

2019

PIB a preços de mercado Consumo privado Consumo das administrações públicas Formação bruta de capital fixo Demanda interna final Variação de estoques¹ Demanda interna total Exportação de bens e serviços Importação de bens e serviços Exportações líquidas¹

6 999,8 4 520,9 1 393,3 1 056,2 6 970,4 4,7 6 975,1 1 022,2 997,5 24,8

Itens de relatório Deflator do PIB Índice de preços ao consumidor Deflator do consumo privado Saldo financeiro das administrações públicas (% do PIB) Saldo da conta corrente (% do PIB)

_ _ _ _ _

2021

2022

2023

Variação percentual, volume (preços de 2000)

Preços correntes, em BRL bilhões

Brasil

2020

1,4 2,2 -0,4 3,4 1,9 -0,1 1,7 -2,3 1,1 -0,5

-4,4 -5,5 -4,7 -0,7 -4,6 -0,9 -5,5 -2,3 -10,4 1,2

5,0 3,0 -0,1 16,5 4,5 1,1 5,7 12,2 16,9 -0,6

1,4 1,0 0,9 -0,1 0,8 -0,3 0,4 5,8 1,1 1,0

2,1 1,7 0,4 2,7 1,6 0,0 1,7 3,4 1,6 0,5

4,3 3,7 3,7 -5,8 -3,5

5,2 3,2 3,0 -13,6 -1,7

11,6 7,8 9,1 -7,8 -0,5

5,4 5,1 5,5 -7,0 -0,8

3,6 3,5 3,8 -6,5 -0,7

1. Contribuição para variações no PIB real, valor atual na primeira coluna. Fonte: Base de dados Perspectivas Econômicas 110 da OCDE.

Vários fatores contribuem para o aumento da inflação. Os preços internacionais das commodities e os custos logísticos e de transporte aumentaram. A demanda global está se recuperando, sustentada por estímulos fiscais nos principais parceiros comerciais, enquanto os obstáculos da cadeia de valor global prejudicam os ajustes na oferta e aumentam as pressões inflacionárias sobre mercadorias industriais. Além disso, a crise hídrica resulta em níveis de água cada vez mais baixos e contribui para o aumento dos preços da energia doméstica, já que dois terços do fornecimento desse serviço dependem da energia hidrelétrica, e da inflação dos alimentos. O consumo accumulado, apoiado por generosas transferências de renda do governo para as famílias de renda mais baixa durante a crise, tem feito a inflação dos serviços aumentar. A incerteza quanto às políticas econômicas e o aumento do risco fiscal também afetam o câmbio, elevando a inflação importada.

Brasil 2 Inflação subiu acima da meta, solicitando juros mais elevados Variação homóloga (%) 12

O saldo primário melhorou, mas os custos do serviço da dívida estão aumentando % 18

← Inflação (IPCA) ← Núcleo de inflação¹

10

Taxa de juro de referência (SELIC) →

% do PIB 0

15

-4

← Meta

8

12 -8

6

9

4

6

2

3

-12

Resultado fiscal nominal Resultado fiscal primário

0

2016

2017

2018

2019

2020

2021

0

-16

Saldo de juros

0

2016

2017

2018

2019

2020

2021

-20

1. O núcleo da inflação exclui energia e produtos alimentares. A área sombreada representa a banda de tolerância em torno do objetivo de inflação. Fonte: Base de dados Perspectivas Económicas 110 da OCDE; Banco Central do Brasil; e cálculos da OCDE. PERSPECTIVAS ECONÓMICAS DE LA OCDE © OECD 2021


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Os riscos fiscais aumentaram e o aperto da política monetária acelerou Em março de 2021, o Congresso aprovou uma nova rodada de auxílio emergencial em relação à COVID19, não sujeito à regra de teto de gastos, no valor de 1,4% do PIB e consistindo em transferências de dinheiro para famílias carentes, apoio ao emprego, incentivos de crédito e gastos com saúde. O plano de preservação do emprego terminou em agosto e o programa de apoio ao auxílio emergencial foi descontinuado em outubro de 2021. A consolidação fiscal teve início no fim de 2021 e espera-se que ela continue durante o período de projeção. As receitas fiscais primárias começaram a aumentar novamente à medida que a economia se recupera, também sustentada por uma inflação mais alta. O governo propôs um novo programa de bem-estar mais generoso, aguardando aprovação do Congresso. Para financiar o novo programa, o governo sugeriu uma reforma tributária que, entre outras mudanças, introduz um imposto sobre dividendos. No entanto, espera-se que essa reforma reduza, pelo menos temporariamente, as receitas fiscais em 2022. Além disso, as ordens de pagamento judiciais decorrentes de dívidas de entidades governamentais a pessoas físicas e empresas não financeiras, para indenizar danos e diferenças contratuais ou compensar desapropriações, atingiram mais de 1% do PIB. O governo planeja pagar apenas parte dessa dívida em 2022 e adiar os pagamentos restantes, aumentando a incerteza sobre sua capacidade de respeitar o teto de gastos nos próximos anos. O banco central acelerou o ritmo do aperto da política monetária para conter o aumento da inflação. A taxa de juros de referência era de 2% em março de 2021 e atingiu 7,75% em outubro. Espera-se que o banco continue de aumentar a taxa nos próximos meses. O aperto da política monetária e o aumento dos riscos fiscais estão elevando as taxas de juros e aumentando o serviço da dívida.

O crescimento vai retomar seu ritmo com a queda da inflação e a recuperação do mercado de trabalho A recuperação vai retomar o seu ritmo em 2022 à medida que os resultados do mercado de trabalho continuam a melhorar. O crescimento do emprego e a queda da inflação, devido às taxas de juros mais altas, apoiarão o rendimento disponível das famílias e sustentarão o crescimento do consumo privado. O investimento privado também deve se recuperar no fim de 2022 à medida que os gargalos da cadeia de suprimentos global desaparecem e o sentimento empresarial melhora. O endividamento das empresas não financeiras está num nível históricamente baixo, sugerindo que há espaço para expansão de crédito e maiores investimentos apesar das condições financeiras mais apertadas. As exportações continuarão se beneficiando da recuperação global. Existem riscos importantes de baixa para a previsão. A crise hídrica pode durar mais tempo e exigir racionamento de energia elétrica, resultando em inflação persistente e perspectivas de crescimento menores. A incerteza política prolongada e o aumento do risco fiscal podem minar a credibilidade das regras fiscais, desancorar as expectativas de inflação e reduzir o crescimento do investimento. Um crescimento mais fraco do que o esperado na China pode prejudicar o desempenho das exportações. Do lado dos riscos positivos, se a crise hídrica acabar em breve, os gargalos na oferta global desaparecerem mais cedo do que o esperado e os altos preços das commodities forem sustentados por mais tempo, o ritmo de recuperação pode ser maior do que o projetado.

A reforma das finanças públicas apoiaria a recuperação e aumentaria a resiliência Para financiar políticas que irão aumentar o crescimento potencial, mantendo uma posição fiscal sustentável, o governo precisa melhorar a eficiência do gasto público. Itens de gastos obrigatórios e regras de indexação limitam a capacidade do governo de responder a choques. Fortalecer o quadro fiscal,

PERSPECTIVAS ECONÓMICAS DE LA OCDE © OECD 2021


 35 incluindo as finanças subnacionais, aumentaria a confiança do mercado e o investimento privado, ao mesmo tempo que manteria baixos os custos do serviço da dívida. As reformas fiscais devem ser acompanhadas por reformas do mercado de trabalho e de produtos. Os programas de proteção social devem ser redesenhados para aumentar os incentivos ao emprego formal e tornar o crescimento mais inclusivo. Uma regulamentação mais favorável à concorrência aumentaria a produtividade, a competitividade das exportações e os padrões de vida. Políticas que promovem atividades ambientalmente sustentáveis aumentariam a resiliência aos choques relacionados com o clima. As considerações ambientais devem ser integradas de forma mais sistemática às políticas públicas, incluindo o planejamento do uso da terra. Os subsídios para atividades poluentes, como a produção de combustíveis fósseis e pesticidas, devem ser progressivamente reduzidos. A capacidade das agências encarregadas de monitorar e fazer cumprir as leis ambientais deve ser fortalecida.

PERSPECTIVAS ECONÓMICAS DE LA OCDE © OECD 2021


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