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Portugal, Perspectivas econômicas da OCDE, dezembro 2020 (português)

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Portugal O PIB deverá cair 8,4 % em 2020 para voltar a recuperar de 1,7 % em 2021 e de 1,9% em 2022. A retoma inicial será principalmente apoiada pela procura não satisfeita. No pressuposto de uma melhoria da situação sanitária enquanto uma vacina se distribui, prevê-se que ocorra, subsequentemente, uma recuperação generalizada, sobretudo nos setores mais afetados, como o turismo e a hotelaria. A taxa de desemprego atingirá o máximo em 2021 e permanecerá acima do nível anterior à crise durante 2021-22. A dívida pública deverá atingir 139% do PIB até ao final de 2022. Prevê-se uma redução do défice orçamental em 2021-2022, à medida que a economia recuperar e forem levantadas algumas medidas extraordinárias de apoio. Para não fazer descarrilar a recuperação, o regresso à prudência orçamental só deverá ocorrer depois de a retoma estar plenamente em curso. A ampliação dos programas de aprendizagem ao longo da vida e o reforço da aprendizagem em contexto laboral podem facilitar a reafetação dos trabalhadores na economia. A promoção de instrumentos de mercado não geradores de dívida para empresas fortemente endividadas, mas viáveis, poderá aumentar o seu potencial de crescimento. Número de infetados pelo vírus volta a aumentar rapidamente O número diário de casos de infeção está a aumentar rapidamente. As tensões no sistema hospitalar são menos graves do que no surto da primavera, mas os grandes eventos públicos e os horários de abertura das discotecas e dos bares permanecem limitados. No início do mês de novembro, o governo voltou a impor um confinamento parcial. Declarou-se a «situação de calamidade» face ao aumento dos casos de COVID-19 e introduziu-se um cobre-fogo nas municipalidades com taxas elevadas de contaminação. Para além disso, os ajuntamentos na via pública foram limitados ao máximo de cinco pessoas, o uso de máscara tornou-se obrigatório em todos os espaços públicos e o teletrabalho foi fortemente aconselhado.

Portugal A recuperação da crise será lenta

As previsões apontam para mais perda de emprego

PIB real

Índice, 4T2019 = 100 105

Taxa de desemprego % da força de trabalho 11 10

100

9 95 8 90 7 85

80

6

2019

2020

2021

2022

0

0

2019

2020

2021

2022

5

Fonte: Base de dados Perspectivas Económicas 108 da OCDE.

PERSPECTIVAS ECONÓMICAS DE LA OCDE © OCDE 2020


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Portugal: procura, produção e preços 2017

Portugal:

2018

Preços correntes, em EUR bilhões

PIB a preços de mercado Consumo privado Consumo das administrações públicas Formação bruta de capital fixo Demanda interna final Variação de existências¹ Demanda interna total Exportação de bens e serviços Importação de bens e serviços Exportações líquidas¹ Itens de relatório Deflator do PIB Índice harmonizado de preços no consumidor Índice harmonizado do núcleo de inflação² Taxa de desemprego (% da força de trabalho) Rácio de poupança líquida das famílias (% do rendimento disponível) Saldo financeiro das administrações públicas³ (% do PIB) Dívida bruta do governo geral (% do PIB) Dívida bruta do governo geral, definição de Maastricht (% do PIB) Saldo da conta corrente (% do PIB)

195,9 126,5 33,7 32,9 193,1 0,9 194,0 83,7 81,7 2,0 _ _ _ _ _ _ _ _ _

2019

2020

2021

2022

Variação percentual, volume (preços de 2016)

2,8 2,6 0,6 6,2 2,9 0,3 3,2 4,1 5,0 -0,3

2,2 2,4 0,7 5,4 2,7 0,1 2,7 3,5 4,7 -0,5

-8,4 -7,3 -0,3 -4,2 -5,5 -0,4 -5,9 -21,3 -16,1 -2,3

1,7 1,1 3,5 0,1 1,3 0,0 1,4 3,6 2,5 0,4

1,9 2,8 0,7 2,5 2,3 0,0 2,3 5,8 6,9 -0,5

1,8 1,7 3,0 0,3 0,5 1,2 0,3 -0,2 -0,2 0,3 0,8 0,4 -0,2 -0,3 0,3 7,0 6,5 7,3 9,5 8,2 -2,5 -2,2 8,2 6,3 3,0 -0,3 0,1 -7,3 -6,3 -4,9 137,8 136,8 155,7 159,3 158,3 121,5 117,2 136,1 139,7 138,8 0,4 -0,1 -0,4 -0,6 -0,7

1. Contribuição para variações no PIB real, valor atual na primeira coluna. 2. Índice harmonizado de preços no consumidor, excluindo alimentos, energia, álcool e tabaco. 3. Com base na definição de contas nacionais. Fonte: Base de dados Perspectivas Económicas 108 da OCDE.

A recuperação tem sido díspar entre setores A atividade económica e os indicadores de confiança recuperaram no verão, mas o vigor da retoma apresenta diferenças entre setores. A atividade no setor da construção civil quase não foi afetada pelas medidas de confinamento adotadas. As vendas a retalho aumentaram rapidamente, tendo os pagamentos com cartão de crédito alcançado os níveis anteriores à crise em julho. O setor do turismo ainda não conseguiu recuperar completamente. O número de turistas em agosto foi 68 % inferior ao do mesmo período do ano anterior. O número de trabalhadores em regime de lay-off mantém-se elevado. Os indicadores de inquéritos evidenciam baixos níveis de falências, mas as insolvências aumentaram 64 % em agosto, face a igual período do ano anterior. O recente surge da pandemia reverteu a tendência de recuperação económica nos sectores dos transportes e do turismo no terceiro trimestre. Por fim, dados de alta frequência de compras com cartões de crédito demonstram que a procura interna começou a cair de novo com as novas restrições. No último trimestre do ano, o ressurgimento do número de infeções e a fragilização da procura externa, irão pesar nas perspetivas de recuperação.

O apoio político é significativo A política orçamental está a apoiar a economia com dois planos: o plano orçamental de médio prazo e o plano de recuperação económica de Portugal. O plano orçamental está fortemente focado na proteção dos rendimentos dos trabalhadores e na modernização do setor da saúde. As principais políticas de mercado de trabalho incluem aumentos salariais para os profissionais de saúde e os trabalhadores com rendimentos abaixo do limiar da pobreza, bem como uma majoração dos subsídios de desemprego. Ao PERSPECTIVAS ECONÓMICAS DE LA OCDE © OCDE 2020


46  mesmo tempo, o governo planeia prolongar o regime de apoio à manutenção dos contratos de trabalho depois de 2020. O plano de recuperação nacional aposta no apoio às empresas, no aprofundamento da digitalização e na intensificação dos esforços de investimento, em especial na área do combate às alterações climáticas. A execução eficaz do plano de recuperação nacional, acompanhado de reformas estruturais, contribuirá para reforçar a produtividade, criar postos de trabalho e melhorar os resultados ambientais. Por acréscimo, a política monetária acomodatícia e o alargamento da compra de ativos pelo Banco Central Europeu continuará a apoiar a procura agregada. O Instrumento de Recuperação da União Europeia (designado «Next Generation EU»), ao abrigo do qual Portugal deverá receber 13,2 mil milhões de EUR (3,8 % do PIB), ajudará a financiar as medidas orçamentais para 2021-22.

A atividade irá recuperar gradualmente De acordo com as projeções, a taxa de crescimento do PIB deverá alcançar 1,7 % em 2021 e 1,9 % em 2022, mas os níveis do PIB no final de 2022 permanecerão abaixo dos registados antes da crise devido aos efeitos duradouros da pandemia sobre o potencial produtivo da economia. O elevado grau de incerteza quanto à evolução da pandemia e o peso significativo do turismo no PIB reduzirão o ritmo da recuperação até que se distribui uma vacina efetiva. O investimento das empresas ganhará dinamismo, apoiado pelas baixas taxas de juro e pelo afluxo de fundos da UE. O défice orçamental e o rácio da dívida pública em relação ao PIB deverão manter-se em níveis elevados, atingindo este último 139% do PIB em 2022 (definição de Maastricht). Uma retoma do turismo e um crescimento dos parceiros comerciais a um ritmo mais lento do que o previsto limitarão ainda mais as exportações. Um crescimento fraco poderá ainda criar repercussões negativas sobre o setor financeiro por via de um crescimento significativo dos empréstimos não produtivos nos setores mais afetados, como o turismo. Os passivos contingentes resultantes dos empréstimos garantidos pelo Estado poderão também constituir uma carga adicional para a sustentabilidade das finanças públicas. Do lado ascendente, uma contenção eficaz da pandemia, o reforço da confiança e uma absorção mais célere dos fundos da UE poderiam ajudar a promover um desempenho económico mais robusto do que o esperado.

Outras políticas bem direcionadas podem facilitar a reafetação de recursos O Governo deve garantir que o levantamento gradual das medidas de apoio só ocorra quando a recuperação económica estiver a avançar a bom ritmo. Deve, ao mesmo tempo, abster-se de apoiar empresas não viáveis e assegurar que os recursos sejam encaminhados para as empresas mais produtivas, de modo a permitir uma progressiva reestruturação da economia. A promoção do acesso a financiamento baseado no mercado, nomeadamente por fundos próprios, pode ajudar a recapitalizar as empresas, reduzindo simultaneamente o endividamento excessivo. Dado que a presente crise debilitou as perspetivas a médio prazo do setor do turismo, importa adotar medidas que ajudem as empresas afetadas e os seus trabalhadores na transição para setores que prometam melhores oportunidades. Um sistema mais célere de resolução de litígios, uma maior eficiência do sistema judicial, mais oferta de programas de aprendizagem ao longo da vida, e o reforço da aprendizagem em contexto laboral no ensino e formação profissionais são também cruciais para a melhoria da reafetação de recursos. Por último, importa reforçar os serviços públicos de emprego. Face ao aumento esperado no número de desempregados, estes irão necessitar mais apoio na procura de trabalho em novas ocupações, setores e regiões.

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