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Portugal Após uma queda acentuada em 2020, as projeções apontam para um crescimento do PIB de 3,7% em 2021 e de 4,9% em 2022. Prevê-se um aumento do consumo e uma redução progressiva da poupança à medida que a situação sanitária for melhorando e as medidas de confinamento forem sendo levantadas. O dinamismo da indústria transformadora e a absorção dos fundos da UE deverão sustentar o investimento e as exportações. O turismo e os serviços com maior interação pessoal recuperarão apenas gradualmente, até que a pandemia esteja totalmente controlada. A política orçamental deverá continuar a apoiar a economia até a retoma estar plenamente em curso, mas o apoio financeiro deverá ser encaminhado para as empresas em dificuldades que ainda tenham perspetivas de viabilidade. O desemprego aumentou, especialmente entre os trabalhadores pouco qualificados e os jovens, sendo necessário um reforço da capacidade dos serviços públicos de emprego nas áreas do apoio à procura de emprego e da formação. A execução célere do Plano de Recuperação e Resiliência, bem como a promoção de uma regulamentação favorável à concorrência, de ganhos de eficiência nos serviços públicos e do investimento verde serão fundamentais para uma recuperação sólida e sustentável. A terceira vaga do vírus atingiu duramente Portugal No início de 2021, Portugal enfrentou um dos piores surtos de infeções por COVID-19 a nível mundial. Os hospitais aproximaram-se da capacidade máxima, causando pressão sobre o serviço nacional de saúde. Em meados de janeiro, o Governo decretou um segundo confinamento a nível nacional com a duração de dois meses. Desde março, as medidas de confinamento têm sido progressivamente levantadas, à medida que a situação sanitária foi melhorando. O processo de vacinação tem sofrido constrangimentos provocados pelos atrasos no fornecimento de vacinas, à semelhança do que ocorreu noutros países europeus. De acordo com o plano nacional de vacinação, cerca de 70% da população deverá estar vacinada até agosto.
Portugal As exportações de serviços têm sido particularmente fracas
A recuperação será gradual
Variação homóloga (%) 30
Índice, 4T2019 = 100 110 Trajetória de crescimento atual
20
Trajetória de crescimento pré-crise¹
105
10 100
0 -10
95
-20
90 Bens
-30
Serviços
85
-40 -50
2016
2017
2018
2019
2020
0
0
2020
2021
2022
80
1. A trajetória de crescimento pré-crise é baseada na projeção das Perspectivas Econômicas da OCDE de novembro de 2019, com extrapolação linear para 2022 com base na tendência de crescimento em 2021. Fonte: Banco de Portugal; e Bases de dados Perspectivas Económicas 106 e 109 da OCDE. PERSPECTIVAS ECONÓMICAS DE LA OCDE © OCDE 2021
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Portugal: procura, produção e preços 2017
Portugal: PIB a preços de mercado Consumo privado Consumo das administrações públicas Formação bruta de capital fixo Procura interna final Variação de existências¹ Procura interna total Exportação de bens e serviços Importação de bens e serviços Exportações líquidas¹ Por memória Deflator do PIB Índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) IHPC, excluindo alimentares e energéticos² Taxa de desemprego (% da população ativa) Rácio de poupança líquida das famílias (% do rendimento disponível) Saldo financeiro das administrações públicas³ (% do PIB) Dívida bruta das administrações públicas (% do PIB) Dívida bruta das adm. públicas, definição de Maastricht (% do PIB) Saldo da balança corrente (% do PIB)
2018
Preços correntes, em milhares de milhões de euros
195,9 126,5 33,7 32,9 193,1 0,9 194,0 83,7 81,7 2,0 _ _ _ _ _ _ _ _ _
2019
2020
2021
2022
Variação percentual, volume (preços de 2016)
2,8 2,6 0,6 6,2 2,9 0,3 3,2 4,1 5,0 -0,3
2,5 2,6 0,7 5,4 2,8 0,1 2,8 3,9 4,7 -0,3
-7,6 -5,9 0,4 -1,9 -4,1 -0,6 -4,6 -18,6 -12,0 -2,9
3,7 3,6 2,1 3,7 3,3 0,0 3,3 10,4 9,1 0,3
4,9 4,0 1,3 6,9 4,1 0,0 4,1 9,4 7,1 0,8
1,8 1,7 2,4 1,0 1,3 1,2 0,3 -0,1 0,9 1,0 0,8 0,4 -0,2 0,8 1,0 7,0 6,5 6,8 7,4 7,0 -2,5 -2,1 4,1 1,5 -1,0 -0,3 0,1 -5,7 -4,8 -3,4 137,7 136,4 155,5 155,3 152,1 121,5 116,8 133,6 133,4 130,2 0,6 0,4 -1,2 -1,1 -0,4
1. Contribuição para variações no PIB real, valor atual na primeira coluna. 2. IHPC, excluindo alimentos, energia, álcool e tabaco. 3. Com base na definição de contas nacionais. Fonte: Base de dados Perspectivas Económicas 109 da OCDE.
O surto do vírus travou a recuperação Após uma retoma acentuada no terceiro trimestre de 2020, o crescimento do PIB abrandou. O segundo confinamento não teve um impacto tão forte na atividade como o primeiro, mas os serviços com maior interação pessoal voltaram a ser duramente afetados. Registando uma fraca atividade, o setor do turismo, que representa cerca de 8 % do PIB, enfrentou uma nova quebra nas receitas no início de 2021. A taxa de poupança aumentou, refletindo a baixa confiança dos consumidores e as restrições à mobilidade (12,8% no final de 2020 face a 7,1% no ano anterior). O mercado de trabalho tem evidenciado resiliência. O emprego diminuiu moderadamente no primeiro trimestre de 2021. Em fevereiro de 2021, durante o confinamento, o número de trabalhadores abrangidos pelo regime de layoff simplificado foi de cerca de um terço do registado em abril de 2020. Contudo, o total de horas trabalhadas e o emprego dos jovens e trabalhadores temporários diminuiu de forma significativa face aos níveis registados antes da pandemia.
O apoio proporcionado pelas políticas deverá manter-se forte A política orçamental deverá continuar a apoiar a economia em 2021, até a retoma estar plenamente em curso. Em março de 2021 foi anunciado um pacote de medidas de apoio, que contempla moratórias fiscais, subsídios às empresas dos setores mais atingidos, novas linhas de crédito com garantias do Estado e a prorrogação, até setembro de 2021, dos regimes de redução temporária dos períodos normais de trabalho. A implementação do Plano de Recuperação e Resiliência da UE, que prevê 13,9 mil milhões
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38 de euros em subvenções para o período 2021-2026, deverá acelerar em finais de 2021, impulsionando o investimento público para 3% do PIB em 2022 (face a cerca de 2% em 2020). Simultaneamente, as políticas de apoio à economia, incluindo a moratória pública dos empréstimos bancários, serão progressivamente retiradas no segundo semestre de 2021, fazendo aumentar os custos do serviço da dívida e afetando a capacidade de investimento das empresas e das famílias.
O crescimento vai acelerar se a pandemia for controlada Prevê-se uma retoma da atividade, em linha com o levantamento progressivo das medidas de confinamento e a recuperação do turismo, especialmente com origem nos países europeus, durante a época estival de 2021. Com a vacinação a avançar a bom ritmo e os apoios da UE a chegarem à economia, o crescimento do PIB deverá alcançar os 4,9% em 2022. Apesar do mais elevado endividamento e do fraco nível de capitalização das pequenas empresas, prevê-se que o investimento privado recupere gradualmente, beneficiando das baixas taxas de juro, da melhoria dos indicadores de confiança e dos fundos europeus. A retoma da atividade e o levantamento progressivo das medidas relacionadas com a COVID-19 contribuirão para a redução do défice orçamental, mas a dívida pública deverá manter-se acima dos 130 % do PIB (definição de Maastricht). A recuperação dependerá da capacidade de contenção da pandemia tanto no território nacional como no dos principais parceiros comerciais, dada a elevada dependência do turismo. Uma vaga de insolvências de empresas, nomeadamente quando terminar a moratória pública, poderá pesar sobre o investimento e a oferta de crédito, pelo aumento que induz no nível de empréstimos não produtivos (NPL), já de si elevado para os padrões da OCDE. O aumento das responsabilidades contingentes por força do amplo recurso às garantias do Estado representa um risco para os desenvolvimentos orçamentais no futuro. Por outro lado, uma absorção mais rápida e bem orientada dos fundos da UE poderá elevar o potencial económico para níveis superiores ao previsto nas presentes projeções, fomentando a despesa promotora de crescimento.
A utilização eficaz dos fundos da UE é fundamental para uma recuperação sólida e sustentável A elevada dívida pública exigirá o retorno a uma política orçamental prudente logo que a recuperação esteja plenamente em marcha. Ao mesmo tempo, Portugal deverá aproveitar a oportunidade que o Plano de Recuperação e Resiliência lhe oferece para levar a cabo reformas estruturais com vista a um crescimento mais sólido, mais verde e inclusivo. Importa aplicar uma combinação de instrumentos de financiamento, incluindo quase-capital, empréstimos participativos e subvenções a fundo perdido, para apoiar empresas que, apesar de enfrentarem restrições no acesso ao crédito, continuam a ser viáveis, especialmente depois de terminar a moratória pública. Os custos burocráticos e as barreiras regulamentares à concorrência devem ser reduzidos, em particular no setor dos transportes, para o qual estão previstos avultados investimentos públicos e onde a inovação pode contribuir para a diminuição da pegada de carbono. É necessário intensificar o apoio aos jovens afastados do sistema de ensino e do mercado de trabalho, designadamente através do reforço dos mecanismos de contacto e acompanhamento desses jovens e das ações de formação. A recuperação ganharia também um novo impulso com a implementação de reformas para a modernização da administração pública, incluindo medidas que promovam a digitalização do Estado, melhorem a eficiência do sistema judicial e reforcem o quadro institucional de garantia da integridade.
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