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Portugal-Perspectivas econômicas-OCDE-dezembro 2021

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Portugal As previsões apontam para um crescimento da economia de 4,8 % em 2021, de 5,8 % em 2022 e de 2,8 % em 2023. O PIB só deverá voltar a superar os níveis anteriores à crise em meados de 2022. Este crescimento robusto tem sido induzido, essencialmente, pela procura interna e será ainda impulsionado pela absorção dos fundos da UE. Espera-se que o atual aumento dos custos de produção seja transitório, resultando sobretudo dos preços da energia, sem alimentar pressões subjacentes sobre os preços, dada a ainda considerável capacidade produtiva não utilizada na economia. A política orçamental deverá manter-se favorável ao longo do horizonte de projeção, graças, principalmente, à absorção das avultadas subvenções do instrumento Next Generation EU. O rácio de empréstimos não produtivos (non-performing loan – NPL), embora diminuido, é dos mais altos da Europa, o que pode ser uma possível fonte de estresse financeiro. Uma vez que alguma realocação de atividades e empregos é inevitável após a crise do COVID-19, reforçar os regimes de insolvência poderia facilitar essa reafetação, ajudando simultaneamente a economia a lidar melhor com uma eventual vaga de insolvências de empresas e empréstimos não produtivos. Importa evitar uma reversão das reformas introduzidas no mercado de trabalho no passado, sob pena de se comprometer uma recuperação sustentável. A economia regista uma forte recuperação O PIB recuperou mais do que o esperado no segundo e terceiro trimestres de 2021, impulsionado sobretudo pelo consumo privado, tendo a maioria das restrições sanitárias sido levantadas. O número de casos confirmados de COVID-19 baixou significativamente, enquanto a percentagem de pessoas com a vacinação completa está entre as mais altas do mundo, situando-se acima dos 85 %. Tanto o índice de confiança dos consumidores como os dados das vendas a retalho sugerem que esta forte recuperação do consumo deverá manter-se no curto prazo. O sentimento empresarial no setor dos serviços continua a melhorar, ao mesmo tempo que o setor do turismo regista uma rápida recuperação, muito embora a partir de níveis extremamente baixos. Em contrapartida, verificou-se um abrandamento moderado da produção industrial nos últimos meses, em simultâneo com um forte aumento dos custos de produção que se deve, em grande medida, aos preços da energia e às restrições do lado da oferta, embora sem reflexos significativos nos preços ao consumidor.

Portugal A atividade turística recupera, mas ainda está abaixo dos níveis anteriores à crise¹

A dependência das empresas portuguesas à moratória de empréstimos foi significativa % de todos os empréstimos e adiantamentos

Índice 2018 = 100 120

35 30

100

2021T2 2020T3

25 80

20 15

60

10

40

0

0 2019

2020

2021

0

ISL LVA FIN SWE EST LTU NLD DEU AUT FRA SVK IRL POL BEL EU/EEA ESP HUN LUX GRC SVN ITA PRT

5 20

0

1. Número de noites passadas em estabelecimentos de alojamento turístico Fonte: INE, Portugal; e cálculos da OCDE baseados em Autoridade Bancária Europeia (2021) Risk Dashboard T2/2021.

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Portugal: procura, produção e preços 2018

Portugal: PIB a preços de mercado Consumo privado Consumo das administrações públicas Formação bruta de capital fixo Procura interna final Variação de existências¹ Procura interna total Exportação de bens e serviços Importação de bens e serviços Exportações líquidas¹ Por memória Deflator do PIB Índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) IHPC, excluindo alimentares e energéticos² Taxa de desemprego (% da população ativa) Rácio de poupança líquida das famílias (% do rendimento disponível) Saldo financeiro das administrações públicas³ (% do PIB) Dívida bruta das administrações públicas (% do PIB) Dívida bruta das adm. públicas, definição de Maastricht⁴ (% do PIB) Saldo da balança corrente (% do PIB)

2019

Preços correntes, em milhares de milhões de euros

205,2 131,9 34,8 36,0 202,7 - 8,7 194,0 83,7 81,7 2,0 _ _ _ _ _ _ _ _ _

2020

2021

2022

2023

Variação percentual, volume (preços de 2016)

2,7 3,3 2,1 5,4 3,4 -0,3 3,1 4,1 4,9 -0,4

-8,4 -7,1 0,4 -2,7 -5,0 -0,6 -5,5 -18,6 -12,1 -2,9

4,8 4,5 4,3 5,7 4,7 0,2 4,9 9,2 9,2 -0,2

5,8 4,6 2,9 8,1 5,0 0,0 4,9 10,5 8,0 0,8

2,8 1,9 1,3 8,5 3,1 0,0 3,1 4,6 5,3 -0,4

1,7 1,9 0,9 1,4 1,2 0,3 -0,1 0,8 1,7 1,1 0,4 -0,2 0,1 1,6 1,1 6,6 7,0 6,9 6,7 6,5 -2,2 3,5 2,4 -1,1 -2,0 0,1 -5,8 -4,3 -2,4 -1,6 136,1 157,5 155,7 150,6 148,2 116,6 135,2 133,4 128,3 125,8 0,4 -1,1 -1,0 -0,6 -0,9

1. Contribuição para variações no PIB real, valor atual na primeira coluna. 2. IHPC, excluindo alimentos, energia, álcool e tabaco. 3. Com base na definição de contas nacionais. 4. A dívida pública segundo a definição de Maastricht inclui apenas empréstimos, títulos de dívida, moeda e depósitos, exprimida pelo seu valor nominal em vez do seu valor de mercado. Fonte: Base de dados Perspectivas Económicas 110 da OCDE.

A política continuará a apoiar a economia A política orçamental deverá manter-se favorável em 2022 e 2023, embora a maioria das medidas de emergência contra a crise COVID-19 tenham sido removidas. Isso reflete principalmente a absorção das subvenções do Mecanismo de Recuperação e Resiliência da UE, estimando-se que estas venham a perfazer 0,6 % do PIB em 2021, 1,3 % em 2022 e 1,5 % em 2023. Recentemente, o governo também introduziu uma série de medidas para amortecer os efeitos negativos do aumento dos preços da energia, tais como subsídios aos combustíveis para residências e operadores de transporte público, bem como um controle das margens de comercialização dos combustíveis. A proposta de Orçamento do Estado para 2022 não foi aprovado pelo Parlamento e uma eleição antecipada terá lugar em 30 de janeiro de 2022. Como consequência, algumas novas medidas de estímulo previstas no projeto de Orçamento, como a redução do imposto sobre o rendimento das pessoas e o aumento dos salários na administração pública, não foram incorporados nas projeções. Em contraste, pressupõe-se que o investimento em infraestruturas públicas, que depende em grande medida de fundos da UE, será executado conforme planeado. As condições de financiamento manter-se-ão favoráveis, uma vez que a política monetária do Banco Central Europeu permanecerá acomodatícia. Com o levantamento gradual da maioria das medidas de emergência adotadas em resposta à COVID-19, também a moratória dos créditos bancários terminou em setembro de 2021.

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A sólida recuperação continuará, impulsionada pelo investimento De acordo com as previsões, a recuperação deverá manter-se robusta e será cada vez mais impulsionada pelo investimento. Antecipa-se uma absorção célere das subvenções do instrumento Next Generation EU em Portugal, visto que aproximadamente 60 % do montante total já foi contratualizado. O consumo permanecerá forte, ao passo que a taxa de poupança irá baixar à medida que se dissipa a incerteza causada pela pandemia. As exportações, cujo volume continua moderado neste momento, tardarão a recuperar plenamente e, apenas no início de 2023, deverão voltar a atingir os níveis anteriores à crise, já que o turismo continuará previsivelmente a ser afetado pelas restrições à mobilidade transfronteiriça. Caso as restrições venham a ser levantadas mais cedo do que o previsto, tal comportaria um risco ascendente para o turismo e a atividade económica. Não se prevê que o aumento dos custos de produção, induzido pelos preços da energia e pelas restrições do lado da oferta, comprometa as expectativas de inflação, que se mantêm moderadas dada a ainda considerável capacidade produtiva não utilizada na economia. O emprego irá crescer apenas lentamente, na medida em que o regime de apoio à manutenção dos contratos de trabalho permitiu preservar muitos postos de trabalho e a resposta das empresas, pelo menos na fase inicial, passou pelo aumento do horário de trabalho. As insolvências de empresas representam um risco significativo, pois o seu número poderá ser superior ao previsto, prejudicando a estabilidade financeira e agravando o desemprego. Esta poderá ser uma consequência do fim da moratória dos créditos bancários, já que a percentagem de empresas que recorreram a esta medida em Portugal foi de longe a mais elevada entre os países da Europa.

A política económica pode apoiar o crescimento sustentável Uma vez que a reafetação de algumas atividades e postos de trabalho será provavelmente inevitável, atendendo às mudanças de comportamento e de preferências das pessoas, o apoio governamental deve ser estritamente direcionado para empregos e empresas viáveis. O reforço dos regimes de insolvência poderá reduzir os obstáculos que impedem a reestruturação eficaz das empresas viáveis e dificultam o encerramento daquelas que não têm viabilidade. Este reforço passa por facilitar o recurso a processos extrajudiciais, o que também poderá aliviar o congestionamento dos tribunais, confrontados com uma eventual vaga de insolvências de empresas. Embora, em certos setores, sejam esperadas perdas significativas de postos de trabalho, noutros regista-se um aumento do número de vagas, que poderão não ser fáceis de preencher devido à inadequação de competências. Esta reafetação do emprego poderá ser facilitada através do reforço dos serviços públicos de emprego e de programas de melhoria e reorientação de competências. O governo deverá ainda evitar uma subida brusca dos custos de despedimento, a fim de não desencorajar a criação de emprego, e um rápido aumento do salário mínimo nacional, que reduziria as oportunidades de emprego para os trabalhadores pouco qualificados, em particular, e agravaria os custos da mão-de-obra, baixando a competitividade a longo prazo.

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