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Especial dia da mulher 2018 08 03 2018

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www.odebateon.com.br

CADERNO ESPECIAL

8 DE MARÇO

DIA INTERNACIONAL DA

Macaé, quinta-feira, 8 de março de 2018. Ano XLII, Nº 9509

Fundador/Diretor: Oscar Pires

MULHER

O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

FOTOS DIVULGAÇÃO

A CONQUISTA DO DIREITO AO VOTO FEMININO A luta pela cidadania: história do sufrágio universal no mundo PÁG.6

PESQUISA APONTA QUE 4 EM CADA 9 MULHERES NÃO SABEM O SIGNIFICADO DO DIA 08 DE MARÇO PÁG.7

IDOSA VAI CELEBRAR 112 ANOS E VIVE CERCADA DE CUIDADOS E CARINHO

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Avante, maravilhosas

MULHERES!!! PÁG.2


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ESPECIAL MULHER

Macaé, quinta-feira, 8 de março de 2018

O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

EDITORIA

Avante, maravilhosas mulheres!!!

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Parabéns, mulheres, pelas conquistas!!! E avante, macaenses, rumo a mais vitórias!!! Isis Maria Borges Gomes isismaria@odebateon.com.br

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esde aquele trágico dia de março de 1857, pode-se afirmar que muita coisa mudou. Vencendo muitos desafios, a mulher foi conquistando um lugar ao sol. Elas enfrentaram bravamente os desafios, derrubaram barreiras, vencendo obstáculos e conquistando o seu lugar na sociedade dominada pelos homens. A mulher conquistou o seu lugar no mercado de trabalho ao lado dos homens, mas ainda sofre com a discriminação, jornada dupla de trabalho, desvalorização profissional e violência doméstica. Ainda há muito a ser feito. O exemplo das grevistas norte-americanas incentivou todas as mulheres do mundo a prosseguir a sua luta. Se antes a ideia era apenas reduzir a jornada de trabalho, agora a lista das rei-

vindicações inclui igualdade de direitos, participação nas decisões mais importantes, controle da natalidade e autonomia sobre seu corpo, e maior respeito por parte da sociedade. Ao lado desses pedidos podese acrescentar direito à Educação e à Saúde para os filhos, enquanto as mães estão no horário de trabalho, e o fim da discriminação sobre o sexo feminino. Portanto, 8 de março é dia para pensar, repensar e organizar as mudanças em benefício da mulher e de toda a sociedade. Os outros 364 dias do ano são, certamente, para realizá-las. Neste Dia Internacional da Mulher, o jornal O DEBATE homenageia todas as mulheres profissionais, companheiras, filhas, mães e irmãs de todos. E agradece a força feminina do trabalho, o empenho na luta cotidiana, abrindo caminho para um futuro de igualdade e justiça.

ESPECIAL MULHER

EXPEDIENTE - CADERNO ESPECIAL MULHER • Propriedade: EJORAN - Editora de Jornais, Revistas e Agências de Notícias • Sede e Parque Gráfico Próprios. Rua: Benedito Peixoto, 90 Centro Macaé/RJ Tel. (22) 2106-6060 - CNPJ: 29699.626/0001-10 • Registrado na forma da lei • Diretor Presidente: Oscar Pires • Editor: Márcio Siqueira (marcio@odebateon.com.br) • Vendas de Publicidade: Juana Lima (juanalimadebate@odebateon.com.br) • Edição Gráfica: Felipe Neto (comercial@odebateon.com.br) e Marcos Vinícius (marcosvinicius@odebateon.com.br) • Fotos: Wanderley Gil e Kaná Manhães (fotografia@odebateon.com.br) • Acesse: www.odebateon.com.br • E-Mail: comercial@odebateon.com.br • A direção de O DEBATE não se responsabiliza e nem endossa os conceitos emitidos por seus colaboradores em ações ou artigos assinados, sendo de total responsabilidade do autor. • Filiado à ADJORI - RJ Associação dos Diretores de Jornais do Estado do Rio de Janeiro e à ADI Brasil • ANJ Associação Nacional de Jornais.


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LUTA

Luta marca a história da mulher Isis Maria Borges Gomes isismaria@odebateon.com.br

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dia 08 de março foi a data escolhida porque neste mesmo dia, no ano de 1857, centenas de operárias da fábrica de roupas Triangle Shirtwaist fizeram um mega protesto contra as más condições de trabalho, como redu-

ção na carga diária de trabalho (de 16h para 10), salários iguais aos dos homens (as mulheres que executavam o mesmo tipo de trabalho que os homens recebiam até um terço do salário deles), tratamento digno dentro do ambiente de trabalho, e de segurança das instalações. A manifestação teve uma resposta violenta. As operárias

foram trancadas na fábrica, que depois foi incendiada. Cerca de 130 delas morreram carbonizadas. O acontecimento ficou registrado na história da cidade como uma das piores tragédias. Nos anos seguintes, os protestos continuaram sempre no dia 08 de março, revivendo a morte das costureiras.

A luta feminina Dia Internacional da Mulher Foi devido a este marcante acontecimento que o Dia Internacional da Mulher é comemorado neste dia. A primeira vez que a data foi comemorada deu-se no dia 28 de fevereiro de 1909, na cidade de Nova Iorque, que já fora palco de vários protestos em busca de melhores condições de trabalho e equiparação salarial com os homens. A iniciativa de reservar um dia especialmente para a mulher foi do Partido Socialista da América. No ano de 1910, aconteceu em Copenhague a primeira conferência sobre a mulher, dirigida pela Internacional Socialista. A data foi comemorada até o ano de 1920, depois caiu no esquecimento, sendo reavivada na década de 60. No ano de 1975, tido como o Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas começou a patrocinar o Dia Internacional da Mulher.

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A mulher conquistou o seu lugar no mercado de trabalho ao lado dos homens, mas ainda sofre com a discriminação, jornada dupla de trabalho, desvalorização profissional e violência doméstica Quando a data de 8 de março foi oficializada, o objetivo era não só comemorar como também debater sobre o papel da mulher na sociedade atual. O intuito é fazer com que a diferença entre elas e os homens diminuam e, quem sabe, um dia termine. As mulheres, em reuniões e conferências que são rea-

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lizadas no mundo todo, tentam acabar com o preconceito e a desvalorização. Mesmo com todos os avanços que o chamado “sexo frágil” conseguiu nas últimas décadas, elas ainda sofrem com salários menores, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional.

Queima de sutiãs marca a história Muitos movimentos e passeatas feministas foram realizados ao redor do mundo. No entanto, o episódio da queima de sutiãs em praça pública foi o mais marcante da história. Na década de 60, mulheres dos Estados Unidos e da Europa lutavam por sua emancipação. A simbologia deste gesto significava libertar-se da prisão, como se o sutiã fosse uma camisa-de-força. Elas queriam se livrar da organização social, que na época era mais machista que nos dias de hoje, que as aprisionavam. Elas procuravam

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colocar em prática seus direitos de cidadania, enquanto mulher, perante o homem e a sociedade. Na época, o exagero de queimar sutiãs nas ruas foi necessário para se fazerem notar e chamar a atenção da sociedade quanto às suas reivindicações. Atualmente, as mulheres que já conseguiram conquistar mais igualdade perante o homem em questões trabalhistas e políticas - querem continuar avançando e buscam chamar os homens a essa discussão, para compor um debate que é do interesse de todos.


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VIDA

Idosa vai celebrar 112 anos e vive cercada de cuidados e carinho Conhecida como Dodô, Dona Dolores vai completar 112 anos de idade e vive no Recanto dos Idosos Sagrado Coração de Jesus KANá MANHãES

Dona Dodô que vai comemorar 112 anos de idade

Isis Maria Borges Gomes isismaria@odebateon.com.br

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ons tratos, boa alimentação e muito carinho são responsáveis pela vida saudável de dezenas de idosos internos. Neste sentido, o Recanto dos Idosos Sagrado Coração de Jesus, instituição das mais respeitados de Macaé, mantém um trabalho altamente qualificado, merecedor dos mais efusivos elogios dos macaenses. E entre os internos da casa destaca-se a querida Dodô, que em 18 de maio deste ano completará 112 anos de idade, estando ainda lúcida e ligada em tudo que se passa ao seu redor. A mulher mais idosa do Recanto dos Idosos e talvez de Macaé vive cercada de aten-

ções especiais e muito carinho da equipe de profissionais que cuida dos internos, e da diretoria da entidade. Nascida em 18 de maio de 1906, Dona Dolores Maria da Conceição chegou ao Recanto dos Idosos em 30/12/2000, logo após a inauguração do empreendimento, permanecendo por lá justamente porque perdeu grande parte dos familiares - marido, todos os filhos, irmãos - restando apenas uma cunhada e netos. Nascida e criada em Macaé, ela conta que trabalhou durante muitos anos como lavadeira de um hospital da cidade. Chamada carinhosamente de Dodô, ela está lúcida, fala baixinho e se comunica muito bem com todos que a cercam. Outro dia, a cuidadora cortou

seu cabelo e ela reagiu dizendo que não gostou e que deixasse crescer. Recentemente, ela ganhou de presente um pijama, e logo pediu à Irmã que marcasse com o seu nome o presente, como habitualmente acontece por iniciativa das pessoas que cuidam dos idosos. A idosa escolhe a roupa que quer vestir

e seleciona os pratos que quer comer. A sua longevidade é atribuída ainda à vida saudável que leva, aos bons tratos que recebe e à boa alimentação. Dodô casou-se em 11 de março de 1995 com o Sr. Victalino Baptista de Campos, viúvo, nascido na cidade de Natividade da Serra (SP) em 24 de novembro

de 1926, ou seja 20 anos mais novo que ela. O casamento foi realizado em Macaé com regime de separação de bens, onde ela tinha 89 anos e ele 69 anos. Os noivos tiveram como testemunhas José Carlos Dias dos Reis, Nilca Costa dos Reis, João Batista Rezende e Maria Lúcia Rimas Rezende.


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CONQUISTAS

Principais Conquistas que marcaram a história da mulher - O político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres; ● 1792: Na Inglaterra, Mary Wolstonecraft escreve um dos grandes clássicos da literatura feminista - A Reivindicação dos Direitos da Mulher - onde defendia uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano. ● 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos, pouco antes de estourar a Guerra de Secessão. ● 1857: Nos Estados Unidos, no dia 8 de março, em uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, 129 operárias morrem queimadas numa ação policial porque reivindicaram a redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e o direito à licença-maternidade. Mais tarde foi instituído o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, em homenagem a essas mulheres. ● 1859 - Surge na Rússia - cidade de São Petersburgo - um movimento de luta pelos direitos da mulheres; ● 1862 - As mulheres tiveram pela primeira vez na história o direito ao voto nas eleições municipais na Suécia; ● 1865: Na Alemanha, Louise Otto cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs. ● 1866: No Reino Unido, em plena Revolução Industrial, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas. ● 1869 - É criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres; ● 1870: Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina. ● 1874: Criada no Japão a primeira escola normal para moças. ● 1878: Criada na Rússia uma Universidade Feminina. ● 1893: Na Nova Zelândia, pela primeira vez no mundo, as mulheres têm direito ao voto. ● 1901: O deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres. ● 1914 - Eugênia Moreira, primeira jornalista de que se tem notícia, aos 16 anos escreve artigos em jornais afirmando que “a mulher será livre somente no dia em que passar a escolher seus representantes”; ● 1919 - É construído o primeiro monumento a uma mulher - um busto, homenagem feita à Clarisse Índio do Brasil, que morreu vítima de violência urbana, no Rio de Janeiro; ● 1923: No Japão, as atletas femininas ganham o direito de participarem das academias de artes marciais. ● 1928 - As mulheres conquistam o direito de disputar oficialmente as provas olímpicas. O Barão Pierre de Coubertin - criador das Olimpíadas da era moderna e severo opositor à participação feminina - pede demissão do cargo de presidente do Comitê Olímpico Internacional; ● 1932 - O Governo de Getúlio Vargas promulgou o novo Código Eleitoral pelo Decreto nº 21.076, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras; ● 1945: Após a Segunda Guerra Mundial, a igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional, através da Carta das Nações Unidas. ● 1948: A holandesa Fanny Blankers-Koen, 30 anos, mãe de duas crianças, foi a grande heroína individual da Olimpíada, superando todos os homens ao conquistar quatro medalhas de ouro no atletismo. ● 1788

São criados os Jogos da Primavera, ou ainda “Olimpíadas Femininas”. No mesmo ano, a francesa Simone de Beauvoir publica o livro “O Segundo Sexo”, no qual analisa a condição feminina. ● 1951: Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual; ● 1962 - O presidente João Goulart sanciona a Lei nº 4.121 que ampliou os direitos da mulher casada no Brasil; ● 1974 - Na Argentina, Isabel Perón torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente. ● 1975: Na Argentina, comemora-se o Ano Internacional da Mulher. A ONU promove a I Conferência Mundial sobre a Mulher, na Cidade do México. Na ocasião, é criado um Plano de Ação. ● 1977 - A escritora Rachel de Queiroz torna-se a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras; ● 1982 - Macaé elege a primeira mulher vereadora: Miriam Reid; ● 1983: Nos Estados Unidos, Sally Ride é a primeira mulher astronauta. Voou na nave espacial Challenger. ● 1994 - Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro: o Maranhão. Foi reeleita em 1998. ● 1985: No dia 29 de agosto, foi criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) com a finalidade de promover em âmbito nacional, políticas que visem a eliminar a discriminação da mulher, assegurando-lhe condições de liberdade e de igualdade de direitos, bem como sua plena participação nas atividades políticas, econômicas e culturais do País. ● 1985 - Surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher - DEAM, em São Paulo; ● 2001: Na Alemanha, Jutta Kleinschmidt é a primeira mulher a vencer o Rali Paris-Dakar, na categoria carros. Considerada a prova mais difícil do planeta - seu desafio é atravessar o deserto - Kleinschmidt, com essa vitória, faz jus à força feminina, presente em todas as atividades do mundo atual. Em 23 anos de disputa, jamais uma mulher havia ganhado nessa competição. ● 2005: Na Alemanha, Angela Merkel foi eleita a nova chanceler alemã, a primeira mulher a ocupar o cargo na história do país. Ela foi aprovada para o cargo pelo Parlamento alemão, e teve 397 votos a favor, contra 202 contra. Houve 12 abstenções ● 1949:


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DIREITOS

A conquista do direito ao voto feminino A luta pela cidadania: história do sufrágio universal no mundo

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esde a Grécia e Roma antigas, cidadania e voto estão ligados. Apenas a alguns homens era concedida a condição de cidadão e apenas estes poderiam participar da esfera pública política. Do século XVIII em diante, o ideal ocidental da cidadania plena baseada nos princípios de liberdade, participação e igualdade para todas as pessoas serve como parâmetro para o julgamento da qualidade da cidadania em um país. O século XIX se caracterizou pelas lutas por direitos. Homens brancos e ricos já foram os únicos portadores de direitos civis, políticos e sociais. Percebendo essa estrutura de poder, a luta pelo sufrágio universal se dá pela busca do reconhecimento de todas as pessoas enquanto indivíduos cidadãos. Segundo Geneviéve Fraisse e Michelle Perrot, na obra “História das mulheres no Ocidente”, os movimentos feministas do século XIX e início do século XX buscavam a transformação da condição da mulher na sociedade através, principalmente, da luta pela participação na cena eleitoral. De fato, essa é uma das primeiras pautas dos movimentos de mulheres capaz de se difundir pelo mundo industrializado ou em industrialização. Na Europa, a luta das sufragistas se misturava à luta do movimento operário contra a exploração dos trabalhadores, atuando nos partidos de esquerda, socialistas e comunistas. A Nova Zelândia, em 1893, e a Finlândia, em 1906, foram os primeiros países a reconhecer o direito das mulheres ao voto. Na Grã-Bretanha, o movimento das mulheres conquistou o direito ao voto após a primeira Guerra Mundial. O exemplo das mulheres britânicas espalhou-se pela Europa. Em alguns países, como Suécia e Noruega, o número de eleito-

ras superou o de eleitores. Na Inglaterra, Mary Wallstonecraft já tratava dessa demanda em “Reivindicação dos direitos da mulher”, publicado em 1792. Mas o movimento pela participação política feminina chamou a atenção da opinião pública em 1903, as suffragettes fundaram o grupo Women’s Social and Political Union, que se organizou em quatro tipos principais de militância (técnicas de propaganda, desobediência civil, não violência ativa e violência física) e exerceu influência sobre outros movimentos de mulheres em quase todo o mundo ocidental. Nas Américas, a Constituição dos Estados Unidos, promulgada em 1787, só em 1919 definiu o direito de voto para as mulheres, através da Emenda Dezenove. O movimento sufragista nasceu com a luta contra a escravidão em meados do século XIX e teve grande impulso das sufragistas inglesas. As estadunidenses conquistaram o direito ao voto no início da década de 1920 por mudar sua abordagem - não mais falando sobre direitos femininos e feminismos, mas sim em direitos da raça humana e democracia - e por seu contato com as militantes inglesas. O Equador foi o primeiro país latinoamericano a permitir que suas cidadãs votassem, em 1929. Alguns anos depois, seria a vez das brasileiras. AS SUFRAGISTAS BRASILEIRAS

O dia 24 de fevereiro foi um marco na história da mulher brasileira. No código eleitoral Provisório (Decreto 21076), de 24 de fevereiro de 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, o voto feminino no Brasil foi assegurado, após intensa campanha nacional pelo direito das mulheres ao voto. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e

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Na foto, Carlota com Armando de Salles Oliveira, engenheiro e político brasileiro, interventor federal em São Paulo e depois governador eleito pela Assembleia Constituinte em 1935

discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo. Fruto de uma longa luta, iniciada antes mesmo da Proclamação da República, foi ainda aprovado parcialmente por permitir somente às mulheres casadas, com autorização dos maridos, e às viúvas e solteiras que tivessem renda própria, o exercício de um direito básico para o pleno exercício da cidadania. Em 1934, as restrições ao voto feminino foram eliminadas do Código Eleitoral, embora a obrigatoriedade do voto fosse um dever masculino. Em 1946, a obrigatoriedade do voto foi estendida às mulheres. A primeira mulher a ter o direito de votar no Brasil foi Celina Guimarães Viana. E isso bem antes do Código Eleitoral de 1932. Aos 29 anos, Celina pediu em um cartório da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para ingressar na lista dos eleitores daquela cidade. Junto com outras seguidoras, Celina votou nas eleições de 5

de abril de 1928. Formada pela Escola Normal de Natal, Celina aproveitou a Lei n? 660, de outubro de 1927, que estabelecida as regras para o eleitorado solicitar seu alistamento e participação. Em todo o país, o estado potiguar foi o primeiro a regulamentar seu sistema eleitoral, acrescentando um artigo que definia o sufrágio sem ‘distinção de sexo’. O caso ficou famoso mundialmente, mas a Comissão de Poderes do Senado, não aceitou o voto. No entanto, a iniciativa da professora marcou a inserção da mulher na política eleitoral. Cinco anos antes de aprovado o Código Eleitoral Brasileiro, que estendia às mulheres o direito ao voto, no sertão do Rio Grande do Norte, já ocorrera a eleição de uma prefeita. A fazendeira Alzira Soriano de Souza, em 1928, se elegeu na pequena cidade de Lajes, cidade pioneira no direito ao voto feminino. Mas ela não exerceu o mandato, pois a Comissão de Poderes do Senado impe-

diu que Alzira tomasse posse e anulou os votos de todas as mulheres da cidade isto porque a participação de mulheres na eleição fora autorizada excepcionalmente graças a uma intervenção do candidato a presidente da província, Juvenal Lamartine. Nas eleições de 1933, a médica, escritora e pedagoga Carlota Pereira de Queirós foi eleita, tornando-se a primeira mulher deputada federal brasileira. Ela participou dos trabalhos na Assembleia Nacional Constituinte, entre 1934 e 1935. Médica formada pela Universidade de São Paulo em 1926, com a tese ‘Estudos sobre o Câncer’ a Doutora Carlota organizou um grupo de 700 mulheres e junto com a Cruz Vermelha deu assistência a centenas de feridos que chegavam das frentes de batalha. Em 1950, fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas. TEXTO ORIGINAL EM: HTTPS://JORNALGGN.COM.BR


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PESQUISA

Pesquisa aponta que 4 em cada 9 mulheres não sabem o significado do dia 08 de março

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ais da metade das brasileiras (56%) já se sentiu em algum momento em desvantagem por conta do gênero e (32%) já sofreu violência física ou sexual O portal especialista em saúde e maternidade, Trocando Fraldas, realizou uma pesquisa nacional com 14 mil usuárias. O estudo aponta que 4 em cada 9 mulheres desconhecem a origem do movimento a favor dos direitos femininos, o que inclui o significado da data 8 de março, dia internacional da mulher. O que chamou atenção é que embora as mulheres mais jovens, entre os 18 e 24 anos, defendam e consideram importante os direitos femininos, foram as que mais apresentaram falta de informação histórica sobre o assunto. Outro dado preocupante é que mais da metade das brasileiras (56%) já se sentiu em algum momento em desvantagem por conta do gênero, independente da idade, região em que mora ou situação maternal. Existem interpretações distintas do feminismo de acordo com a idade. As adolescentes e jovens receberam as informações pela mídia e meios de comunicação que usam de situações cotidianas para validar essa importância e quase nunca informam sobre a origem histórica. No estudo, as mulheres que se consideram feministas possuem idade entre 40 a 44 anos e apontaram maior conhecimento histórico e a importância sobre a luta.

Para saber sobre os direitos femininos havia pesquisa e busca pela informação com qualidade. Hoje possuímos informação em quantidade e muitas que deturpam o significado do feminismo

e a sua importância para não só as mulheres, como para os homens. E toda informação que possuímos sobre os direitos femininos estãonosdeixandorealmentemais informados e engajados na causa?

A informação só faz a diferença se tivermos antes o conhecimento. A internet e o acesso rápido traz a falsa sensação de que somos bem informados, mas estudos como esse mostram que não.

Matéria e pesquisa na íntegra no seguinte endereço: HTTPS://WWW. TROCANDOFRALDAS.COM.BR/ ESTUDO-DIA-INTERNACIONALDA-MULHER

INFOGRáFICO: WWW.TROCANDOFRALDAS.COM.BR


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