Skip to main content

Especial Aniversário da Bacia de Campos 2017

Page 1

www.odebateon.com.br

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017. Ano XLIl, Nº 9371

Fundador/Diretor: Oscar Pires

O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

CONFIANÇA NO FUTURO

RETOMADA SUPERAÇÃO

REVITALIZAÇÃO


2 BACIA DE CAMPOS

O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

#

BACIADECAMPOS40ANOS

Passado e futuro de prosperidade AGÊNCIA PETROBRAS/JOSÉ CALDAS

Potencial, estratégia e expertise pautaram o desenvolvimento do país através dos 40 anos da Bacia de Campos

D

a estratégia de fortalecimento da política econômica nacional, baseada nas mudanças da matriz energética global, a Bacia de Campos prosperou através da coragem de cidadãos genuinamente brasileiros, altamente qualificados, desbravadores de um terreno inóspito que, em quatro décadas, foi suficientemente capaz de mudar a realidade, não apenas de Macaé, mas do Estado e do país. E dos esforços concentrados por equipes que ajudaram também a criar a Petrobras, surgiu o desenvolvimento das produções que projetaram o Brasil entre as principais nações petrolíferas do mundo. Da experiência vinda do Oriente Médio, o caminho do mar proporcionou ao país descobrir uma fonte de riqueza que, apesar de não renovável, tornou-se quase que inesgotável, mediante a descoberta do pré-sal, hoje considerado como a 'joia da coroa' do mercado do petróleo nacional. Mas, a gêneses da Bacia de Campos, é marcada pelo desafio superado pelo geólogo Carlos Walter Marinho Campos, responsável por atestar o potencial do Brasil de produzir 'ouro negro', hoje reconhecido como uma das principais fontes de investimentos para o mercado internacional de óleo e gás, co-responsável pela transformação de Macaé em um polo fundamental para a dinâmica das atividades de exploração e produção, não só do país, mas também do mundo. E o início de toda a evolução técnica e econômica do mercado nacional do petróleo estava a 124 metros de lâmina d’água, na região marítima próxima a limite territorial da ex-princesinha do Atlântico, hoje Capital Nacional do Petróleo. Em 13 de agosto de 1977 era iniciada a produção de petróleo na Bacia de Campos. O poço escolhido foi o 3-EN-1-RJS, no Campo de Enchova (terceiro campo descoberto, depois de Garoupa e Namorado), com vazão superior a 10 mil barris diários de óleo, através do Sistema de Produção Antecipada sobre a plataforma semi-submersível Sedco 135-D. O Sistema de Produção Antecipada de Enchova (SPA) representou para a Petrobras o primeiro marco tecnológico da produção de petróleo em mar, num trabalho em direção a águas cada vez mais profundas. Ao tornar possível o início da produção de óleo enquanto eram construídas as plataformas fixas, que depois seriam instaladas constituindo os sistemas definitivos, O SPA representou grande agilidade, flexibilidade operacional e economia para as operações no mar, já que reduziu o tempo gasto entre a descoberta de petróleo e o início da produção comercial. Quatro décadas de produção depois, a Bacia de Campos ressurge através do anúncio de uma nova grande descoberta: o pré-sal no Campo de Marlim-Sul, um potencial considerado pela Petrobras como altamente rentável e eficientemente capaz de produzir milhares de barris diários, através de sistemas de produção já bem instalados. Fonte do progresso, do desenvolvimento e das transformações que Macaé e o país viveram em 40 anos, a Bacia de Campos se mantém como um dos grandes pilares do mercado internacional de óleo e gás, referência e responsabilidade que se renovam no momento em que o futuro do petróleo está, definitivamente, em pauta. Márcio Siqueira - jornalista e editor de O DEBATE

BACIA DE CAMPOS

ORGULHO DA HISTÓRIA E, de repente, 40 anos se passaram. Quando, em 13 de agosto de 1977, enquanto aquela jovem equipe de dedicados empregados (naquela época ainda não se usava a modernosa “colaboradores”) comemoravam a primeira produção de petróleo da Bacia de Campos, nenhum deles pensou que estavam fazendo história. Mas estavam. Uns já morreram, outros se aposentaram e um ou outro ainda continua na empresa. Aproveito, então, a abertura que me foi dada pelo nosso O DEBATE, para homenagear a todos eles, responsáveis que foram pelo impulso inicial do que é hoje a mais importante atividade econômica do Brasil: a produção de petróleo. Àquele grupo que não se dava conta da enorme importância do seu trabalho, estava, além das suas obrigações rotineiras, implementando desenvolvimento tecnológico, e, principalmente, treinando pessoas para dar continuidade aquele passo inicial. E, muito importante, afastaram de uma vez por todas o complexo de subdesenvolvimento que nos dominava, até então. A eles, pois, com quem tive a honra de conviver cotidianamente, com quem aprendi a ter orgulho dos feitos, sem perder a humildade para buscar e vencer novos desafios, os meus agradecimentos. Li em algum lugar que é triste quando a velhice nos faz ser história, fazer parte dela. Discordo. Pelo menos neste caso eu discordo. Eu estou muito feliz em ser personagem histórico da Bacia de Campos, o que me dá a certeza de que minha vida fez algum sentido e valeu a pena. Faria tudo novamente. Rio de Janeiro, 13 de agosto de 2017 Alfeu Valença Superintendente da Bacia de Campos de 1977 até 1986 Na década de 90, o diretor de O DEBATE Osca Pires, entrevistou Alfeu Valença, que após ocupar a superintendência da região de produção do Sudeste (RPSE), entre janeiro de 1982 e junho de 1986, em seguida, a do Departamento de Produção (Depro), de 1986 a janeiro de 1990, tornouse presidente da Petrobras em 1991.

EXPEDIENTE - JORNAL BACIA DE CAMPOS 40 ANOS É UMA PUBLICAÇÃO ESPECIAL • Propriedade: EJORAN - Editora de Jornais, Revistas e Agências de Notícias • Sede e Parque Gráfico Próprios. Rua: Benedito Peixoto, 90 Centro Macaé/RJ Tel. (22) 2106-6060 - CNPJ: 29699.626/0001-10 • Registrado na forma da lei • Diretor Presidente: Oscar Pires • Editor: Márcio Siqueira (marcio@odebateon.com.br) • Publicidade: Lena Fernandes (lenafernandes@odebateon.com.br) • Edição Gráfica: Felipe Neto (comercial@odebateon.com.br) e Marcos Vinícius (marcosvinicius@odebateon.com.br) • Fotos: Wanderley Gil e Kaná Manhães (fotografia@odebateon.com.br) • Acesse: www.odebateon.com.br • E-Mail: comercial@odebateon.com.br • A direção de O DEBATE não se responsabiliza e nem endossa os conceitos emitidos por seus colaboradores em ações ou artigos assinados, sendo de total responsabilidade do autor. • Filiado à ADJORI - RJ Associação dos Diretores de Jornais do Estado do Rio de Janeiro e à ADI Brasil • ANJ Associação Nacional de Jornais.


O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

#

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

BACIA DE CAMPOS

3

BACIADECAMPOS40ANOS

Renovação de contratos vai gerar investimentos Petrobras mantém estratégia em Marlim e Voador Gerente da UO-BC, Marcelo Batalha, aponta visão da Petrobras

Márcio Siqueira

A

renovação dos contratos dos Campos de Marlim e Voador garante à Petrobras maior prazo de operações e novos investimentos para ampliar a produção de petróleo na Bacia de Campos. E isso pode garantir ainda que outras concessões sejam continuadas, mantendo a força das atividades do pós-sal, em suporte às estratégias de prospecção do pré-sal. Em entrevista concedida à equipe de O DEBATE, o gerenre geral da Unidade de Operações da Bacia de Campos (UO-BC), Marcelo Ferreira Batalha, aponta a visão da Petrobras sobre o futuro das atividades que sustentam hoje a parte mais antiga de produção do petróleo brasileiro. E a revitalização dos campos maduros é uma ação estratégica para a companhia. Nessa entrevista, Batalha confirma o início das operações dos Campos Tartaruga Mestiça e Verde, além de indicar que a proposta de redução dos royalties, sobre o óleo excedente dos campos em revitalização, é uma contribuição importante para que a companhia possa investir ainda mais nessa região. Qual a importância da Bacia de Campos para a estratégia da Petrobras em se reestruturar como empresa de geração de energia, através da ótica da revitalização dos campos maduros? - A revitalização dos campos maduros é uma das estratégias da Petrobras na Bacia de Campos. Nos últimos anos tem sido realizado um complexo trabalho de otimização operacional, aliando racionalização de custos e melhores técnicas de engenharia para manutenção da integridade física das instalações e aumento de eficiência operacional. Fizemos grandes investimentos em revitalização de nossas instalações de forma a garantir sua operação segura e, assim, estender a vida útil, prolongando o tempo de produção das concessões existentes. Em algumas concessões estamos com projetos de revitalização completa, como exemplo, o campo de Marlim. Nele tivemos o contrato de concessão renovado até 2052, permitindo à Petrobras o planejamento de novos investimentos na área para a continuidade de suas operações até o final do novo período contratual. A Petrobras manterá investimentos em novas operações de reservas situadas na Bacia de Campos? Os Campos de Tartaruga Verde e Mestiça já estão em operação?

- Sim. Nos próximos meses está previsto o início da produção nos campos de Tartaruga Verde e Tartaruga Mestiça através do FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes. A Petrobras já definiu quais contratos de concessão, em reservas dos campos maduros da Bacia de Campos, serão renovados junto a ANP? - A Petrobras obteve aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a prorrogação da vigência dos contratos de concessão dos campos de Marlim e Voador até o ano de 2052. Outras áreas estão em avaliação e possíveis prorrogações podem ser discutidas com a ANP. A proposta de redução da alíquota dos royalties do petróleo, prevista na resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), pesa na decisão da Petrobras de investir na revitalização do fator de produção dos campos maduros? - É evidente que uma redução na carga tributária contribui para o resultado positivo dos projetos em análise pela Petrobras. Em tese, esta redução pode ser fator decisivo para a economicidade de projetos de revitalização de campos maduros, possibilitando assim, a viabilização de novos investimentos nestas áreas. Quais são os números atualizados de plataformas/navios da Petrobras em operação na Bacia de Campos? - A Petrobras, na Bacia de Campos, conta atualmente com 53 plataformas. O que representa esses 40 anos da Bacia de Campos para a Petrobras? - Em 2016, a produção média mensal da Bacia de Campos ficou acima de 1,37 milhão de barris de óleo e cerca de 25,6 milhões de metros cúbicos de gás por dia, respondendo por 64% da produção nacional. Do volume total produzido na Bacia de Campos, 17,8% são provenientes do pré-sal. Nas bases terrestres da Bacia de Campos, encontra-se o maior conglomerado de armazenagem da companhia, que reúne 35% de todo o estoque da Petrobras no país, com atividade ininterrupta há mais de 35 anos. Por esses números tão significativos, pelo futuro promissor e por toda a sua história, trata-se de uma data de muita celebração para a Petrobras.


4 BACIA DE CAMPOS

O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

#

BACIADECAMPOS40ANOS

Fator de produção: investimentos e retorno rápidos Novo viés de operações reproduzirá

A BACIA DE CAMPOS OFERECE HOJE MUITAS ATIVIDADES QUE PODEM ACONTECER DE FORMA MAIS RÁPIDA

na Bacia de Campos estratégia que garantiu sobrevida a outras regiões petrolíferas do mundo

A

Márcio Siqueira

retomada do mercado nacional do petróleo segue como, primeiro plano, as oportunidades de altos níveis de produção do pré-sal, considerado hoje como a 'joia da coroa' do expressivo potencial geológico já descoberto no país, e que desperta grande interesse do segmento internacional de óleo e gás. No entanto, o declínio das operações de reservas do pós-sal, concentradas especialmente nas fontes de origem das atividades da Bacia de Campos há 40 anos, criam hoje um cenário positivo e ideal de oportunidades para empresas que já contribuiram com o resgate da sobrevida de outras regiões petrolíferas do mundo, um importante viés para a cadeia produtiva offshore, não só de Macaé, mas de todo o Estado do Rio de Janeiro. Com retorno rápido de investimentos, elevar o fator de produção dos chamados 'campos maduros' é considerado hoje, pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços do Petróleo (Abespetro), como uma de várias operações que ainda podem ser desenvolvidas na Bacia de Campos, potencial que traduz hoje o sentimento da indústria sobre o caminho da “retomada”. “A Bacia de Campos oferece hoje muitas atividades que podem acontecer de forma mais rápida, com um retorno de investimento significativo, através da elevação do fator de produção dos campos maduros. É algo que já aconteceu em outras regiões petrolíferas do mundo e que agora traz para o Brasil uma grande oportunidade de desenvolvimento de novos projetos”, avalia o diretorpresidente da Abespetro, José Firmino. Hoje, na visão da indústria internacional do petróleo, a Bacia de Campos possui potencial de produtividade por vários anos. E os investimentos projetados pelas companhias que formam a Abespetro para a região, representa a verdadeira guinada capaz de superar a fase de declínio, tanto de produtividade, quanto de negócios na área em operação mais antiga do país. “A chegada de novas operadoras estenderá a vida útil da Bacia de Campos que ainda tem muitos anos de atividades. Com um ambiente adequado e seguro, tanto na parte regulatória, quanto na parte de consolidação de negócios, o futuro será bastante otimista para essa região”, considera Firmino. A especialização (expertise) adquirida pela cadeia produtiva de óleo e gás local, ao longo dos 40 anos de produção da Bacia de Campos, cria também o ambiente favorável para que a proposta de revitalização dos campos maduros se concretize. “Todo o sistema de operação do mercado do petróleo no país nasceu na Bacia de Campos. E isso criou um conteúdo local vocacional que é extremamente importante para a consolidação desse novo viés do mercado nacional.

Muito tem que se desenvolver nos campos maduros. E essa experiência ajuda a ampliar o interesse das empresas de operar na revitalização desses campos”, afirma Firmino. De coadjuvante a foco central de investimentos internacionais Com o direcionamento do mercado nacional do petróleo para as operações do pré-sal, a Bacia de Campos passou a ocupar uma posição de 'segundo plano', tanto na visão estratégica da política energética nacional, quanto para o desenvolvimento de projetos da Petrobras. Porém, essa visão tende a mudar através do interesse das empresas internacionais de óleo e gás em compartilhar operações, para elevar o fator de produção dos campos maduros. “A Bacia de Campos ficou em uma posição de coadjuvante com o desenvolvimento do pré-sal. Mas, ao concentrar um enorme potencial de operações, se mantém como base estratégica para a produção do petróleo no país”, afirma José Firmino. E, no olhar da Abespetro, o avanço da 'agenda do petróleo', em discussão entre a indústria offshore e o governo federal, passa a criar um momento propício para a restruturação das operações da Bacia de Campos. “Temos muito potencial de operações e um longo caminho de muito trabalho, de desenvolvimento de projetos e de atividades que irão restruturar o mercado do petróleo nacional”, afirmou o gerente-executivo da Abespetro, Gilson Coelho. ASSESSORIA ABESPETRO

Gilson Coelho, gerente executivo da Abespetro

ASSESSORIA ABESPETRO

José Firmino, diretor-presidente da Abespetro


O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

BACIA DE CAMPOS

5


6 BACIA DE CAMPOS

O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

#

BACIADECAMPOS40ANOS

Agenda do petróleo muda perspectiva do setor do petróleo AGÊNCIA PETROBRAS

Marco regulatório e licenciamento ainda precisam avançar para garantir efetivação de investimentos

E

Márcio Siqueira

ntre todas as transformações registradas no cenário offshore nacional, nesses dois anos de discussões sobre o futuro da participação do Brasil no mercado internacional, as definições sobre a 'regra do jogo', que pautará o futuro dos contratos de concessão para produção de reservas da Bacia de Campos, ainda é um tema aberto na 'agenda do petróleo', debatida pela indústria junto ao governo federal. Mesmo com pendentes, a restruturação das atividades offshore no país é a grande aposta das principais empresas que atuam no setor global de óleo e gás, responsáveis por efetivar a projeção da Bacia de Campos como uma das principais áreas de produção do mundo, criando em Macaé um polo offshore capaz de consolidar também as operações do pré-sal. Essa análise sustentam as estratégias das empresas integradas a International Association of Drilling Contractors (IADC), que acreditam no potencial da Bacia de Campos, tanto na revitalização dos campos maduros, quanto nas novas atividades garantidas pelos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Nesse contexto, o secretário do capítulo da IADC no Brasil, Leandro Luzone, aponta as expectativas das empresas internacionais que ajudam a recompor o mercado do petróleo brasileiro, como um dos mais prósperos do mundo. Qual a importância estratégica da Bacia de Campos para as operações das empresas que integram a IADC?

a retomada da indústria? E qual o potencial da Bacia de Campos para que a retomada aconteça? - Ainda há uma grande queixa em relação à questão regulatória e ambiental. Além disso, na esfera local dos municípios, os gargalos infraestruturais dificultam e encarecem a produção para todas as indústrias do setor. Acreditamos que, com a superação desses obstáculos, a Bacia de Campos tem tudo para voltar a crescer e contribuir com a retomada da indústria como um todo. Outro ponto favorável, foi a recente notícia informada pela Petrobras sobre a descoberta de nova reserva de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos, localizada na área do Campo de Marlim Sul. Esse campo é mais um motivo para se acreditar na importância econômica da Bacia de Campos para as empresas que aqui operam e pretendem operar. Na questão social, a IADC já prepara a edição deste ano do evento de premiação de segurança, para gerentes e engenheiros de plataformas e naviossondas? Qual é o objetivo do evento? - Atuamos com visão social em todas as nossas atividades, apoiando instituições carentes e iniciativas de desenvolvimento estudantil, técnico e intelectual. Além disso, observamos atentamente as necessidades de segurança das operações para toda a indústria. Com essa premissa, realizamos anualmente a Cerimônia de Premiação em Segurança, que visa reconhecer e premiar as sondas e instalações de perfuração e produção que alcançaram os altos padrões de segurança estabelecidos pela IADC. Este ano, as unidades serão premiadas na cerimônia que será realizada no dia 02 de dezembro, na qual os gerentes de base receberam os troféus de premiação em nome das empresas que representam. Como é um evento aberto ao público, todos os cidadãos macaenses estão convidados a participar para prestigiar essas empresas e pessoas que contribuem para o crescimento de Macaé e de toda a região. Leandro Luzone, secretário do capítulo do IADC no Brasil DIVULGAÇÃO

- A Bacia de Campos ainda representa grande parte da produção nacional. É a partir de Macaé que ainda se monitora remotamente os dados importantes da produção em grande parte das unidades marítimas do país. A importância estratégica da região da Bacia de Campos, sobretudo na cidade de Macaé, pode ser constada pela permanência das empresas nos últimos anos na cidade, mesmo com essa fase de retração e desafios que a indústria enfrenta. Além do potencial de produção de petróleo, ainda temos a refinaria de Cabiúnas, que é um dos grandes vetores na geração de óleo e gás. A IADC acredita na restruturação das operações da Bacia de Campos? O que precisa mudar hoje no mercado do petróleo nacional para facilitar essa questão? - Algumas demandas da indústria já foram atendidas, como a abertura da exclusividade de exploração pela Petrobras e a flexibilidade do conteúdo local. Os leilões que já estão ocorrendo também confirmam o interesse das empresas estrangeiras em explorar a região. Várias questões conseguiram avançar e outros ainda estão em processo. O governo começou a entender que a indústria do petróleo é fundamental para o Brasil voltar a crescer, porque ela representa grande parte do PIB nacional. Com essas ações, a IADC acredita no aquecimento da economia pretolífera na região, com a retomada de empregos para o setor e de toda a cadeia de serviços. Quais são as dificuldades que as empresas da IADC identificam hoje para


O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

BACIA DE CAMPOS

7


8 BACIA DE CAMPOS

O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

#

BACIADECAMPOS40ANOS

Expertise da indústria de Macaé viabiliza retomada KANÁ MANHÃES

Evolução da produção na Bacia de Campos foi alcançada graças ao desenvolvimento da cadeia offshore local

A

Márcio Siqueira

A cadeia de fornecedores instalada em Macaé e na região possui, hoje, a expertise necessária para dar suporte à consolidação da principal pauta da 'agenda do petróleo nacional': a retomada dos negócios offshore através da revitalização dos campos maduros. Com a evolução de métodos criados para encarar as adversidades que marcaram os 40 anos de produção da Bacia de Campos, e a parceria com empresas internacionais que compartilharam tecnologia para prestar os serviços demandados pela principal operadora do petróleo no país, a Petrobras, a cadeia produtiva de óleo e gás de Macaé viabiliza o que a indústria aponta hoje como o caminho direto para a consolidação de investimentos que podem criar, em um prazo bastante curto, contratos que irão gerar milhares de postos de trabalho. Hoje, a revitalização dos campos maduros representa a continuidade da produção do petróleo nacional, mantendo a posição de destaque do Brasil no mercado internacional, sem que toda essa "responsabilidade" caia sobre a Petrobras que tenta agora recuperar forças para tornar o pré-sal a sua principal fonte de restruturação. De forma estratégica, a Petrobras desmobiliza investimentos em campos que estão em operação há décadas na Bacia de Campos, cujo percentual de barris de petróleo chega próximo ao limite do fator de produtividade. Com isso, a companhia mira no início de produção de áreas do pré-sal, e concentra investimentos para arrematar blocos que serão leiloados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em setembro. No entanto, os campos maduros cujo fator de produtividade chega ao limite definido pela Petrobras, torna-se uma mina de oportunidades de negócios para o mercado, diante do interesse das outras operadoras do petróleo no mundo. Pelo mapeamento da própria indústria, hoje grandes empresas que operam petróleo em diversas partes do país possuem interesse nesses campos maduros desmobilizados pela Petrobras. Com tecnologia ofertada pelas prestadoras de serviço, baseadas em Macaé, as operadoras conseguem elevar o fator de produção dos campos maduros, e oferece à Petrobras uma oportunidade de negócio de "risco baixo". O que a indústria defende hoje é que a Petrobras compartilhe a concessão desses poços maduros, permitindo que as grandes operadoras invistam na elevação do fator de produção, com a garantia da tecnologia e da expertise adquirida pelas prestadoras de serviços que formam o topo da cadeia de fornecedores de Macaé. Com um aval da Petrobras, e com a anuência das agências do governo fede-

ral que regulamentam as operações do petróleo no país, parte de um investimento estimado em US$ 500 bilhões poderia ser aportado, de forma imediata, nas operações dos campos maduros da Bacia de Campos, gerando oportunidades de emprego suficientes para tapar o déficit de 40 mil postos de trabalho perdidos pela região do 'emirado do petróleo fluminense' em três anos. Hoje, esse 'contrato de risco' para a revitalização de campos maduros faz parte do planejamento estratégico da Petrobras, de acordo com especialistas do setor. E isso pode ajudar a tornar essa proposta realidade o quanto antes. Essa discussão passa a ser o legado deixado pela nona edição da Brasil Offshore, realizada neste ano, que supera uma visão meramente empresarial, e passa a ser o caminho capaz de garantir a Macaé um novo, e imediato ciclo de prosperidade.

Oportunidades de Mercado Além da revitalização dos campos maduros, outras oportunidades de negócios geradas pela nova dinâmica do mercado do petróleo nacional são mapeadas pelas empresas que ajudaram a manter a produção da Bacia de Campos nesses 40 anos. Pautas como os leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP), agendados para 2017-2019, e o processo de descomissionamento de unidades da Petrobras, são debatidas de forma constante nas reuniões da Rede PetroBacia de Campos, instituição Rede Petro: comitê avalia oportunidades de negócios que há 13 anos trabalha para criadas na Bacia de Campos e outras áreas do mercado do petróleo nacional identificar oportunidades e aprimorar a qualidade da cadeia de fornecedores do setor de óleo e gás

ASSESSORIA REDE PETRO


O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

BACIA DE CAMPOS

9


10 BACIA DE CAMPOS

O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

#

BACIADECAMPOS40ANOS

Leilões projetam bilhões de investimentos AGÊNCIA PETROBRAS/HELMUT OTTO

Exploração de óleo e gás na Bacia de Campos garante três anos de 'upgrade' para a indústria offshore

A

Márcio Siqueira

sequência de rodadas de licitação para concessão e partilha de áreas de exploração e produção do petróleo no país, definida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para 2017-2019, garante o upgrade aguardado pela cadeia produtiva de óleo e gás da Bacia de Campos, cujas reservas do pós-sal e do pré-sal projetam para a região o atrativo de bilhões de investimentos, a consolidação de milhões em negócios e a abertura de milhares de postos de trabalho. Fator destacado durante a nona edição da Brasil Offshore, realizada em junho, o fim do hiato de oito anos sem a realização de rodadas que garantem a participação das operações do petróleo mundial nas atividades offshore do país, representa também o potencial da indústria de garantir a revisão da política energética nacional, assunto que deixa as salas de reuniões dos Ministérios de Brasília e passa a ocupar as conversas que ocorrem entre instituições empresariais de Macaé, e até no dia a dia da própria população. De acordo com o estudo 'Oportunidades do Setor de Petróleo e Gás Natural do Brasil - Rodadas de Licitações 2017-2019', elaborado pela ANP, reservas com grande concetração de óleo e gás já descobertas na Bacia de Campos, serão incluídas em duas das três rodadas de licitação, com blocos em regime de concessão, e em duas das quatro rodadas do sistema de partilha de áreas do pré-sal. Responsável hoje por 64% da produção do petróleo registrado pela Petrobras, a Bacia de Campos segue como a principal área de operações offshore do país, alcançando em 2016 a produção de 1,5 milhão de barris/dia e 27 milhões de metros cúbicos de gás/dia. Segundo o estudo da ANP, a Bacia de Campos oferecerá já na 14ª rodada de licitação agendada para o dia 27 de setembro deste ano, blocos que concentram petróleo no pós-sal e no pré-sal, um dos mais disputados para as grandes operadoras do petróleo no mundo. Além disso, a Bacia de Campos terá blocos para serem ofertados na 16ª rodada de licitação agendada pela ANP para o terceiro trimestre de 2019. Específico para o pré-sal, a Bacia de Campos participará da 2ª rodada de partilha, que será promovida pela ANP em outubro deste ano. Na disputa, a Bacia de Campos oferecerá áreas no Campo de Tartaruga Verde, localizado na posição sul, a aproximadamente 125 quilômetros da costa de Macaé. Nessa mesma região, a Petrobras anunciou durante a Brasil Offshore que iniciará a operação de extração dos primeiros barris de óleo antes do final do ano. A 3ª rodada de partilha, que também inclui a Bacia de Campos, acontecerá em outubro. Na avaliação da ANP, a sequência de todos os leilões programados para 2017-2019 indica a projeção de US$ 80 bilhões de investimentos no mercado offshore brasileiro. E grande parte desse dinheiro está focado nas operações da Bacia de Campos. Além disso, as rodadas projetam ainda a chegada de cerca de 20 sondas de perfuração operando simultaneamente, o que traz para a cadeia produtiva de óleo e gás local a garantia de novos contratos. De acordo com dados da Petrobras, 53 plataformas seguem em operação atualmente na Bacia de Campos. Há também a previsão de início de operação de mais de 10 plataformas no Campo de Libra, que alcança a Bacia de Santos.

o de mais de 10 plataformas no Campo de Libra, que alcança a Bacia de Santos.

Retorno imediato Além dos leilões da ANP, a proposta de revitalização dos campos maduros, ampliando o fator de produção de reservas em operação há décadas, garante uma sobrevida à Bacia de Campos e uma resposta mais imediata para a indústria do petróleo, em geração de negócios. Sob essa ótica, o mercado do petróleo nacional vive hoje grandes novidades que estimulam ainda mais a participação de grandes empresas offshore no mundo, na região que concentra a produção do petróleo brasileiro há quatro décadas. E como atrativo para a consolidação desses novos negócios, a proposta de redução da incidência dos royalties passa a ser concreta, através de resolução publicada pelo Conselho Nacional de Políticas Energéticas (CNPE), vinculado ao Ministério de Minas e Energia. Agora, está fixado que todo o petróleo extraído a partir do aumento do fator de produção dos campos maduros, a taxação dos royalties será de 5%. De acordo com a resolução, a taxa de 10% para 5% dos royalties será aplicada sobre a "curva incremental", ou seja, sobre o 'óleo novo' que será extraído das reservas que já atingiram um nível de declínio de produtividade significativo. Na visão do presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), o prefeito Dr. Aluízio (PMDB), todos os critérios e parâmetros para a retomada da indústria do petróleo, na Bacia de Campos, já foram definidos. "Nós queremos cuidar da Bacia de Campos. E isso nos exige repensar o conceito dos royalties que pode ser um combustível importante para provocar a retomada da indústria e garantir a geração de mais postos de trabalho", enfatizou o prefeito de Macaé.

KANÁ MANHÃES

Dr. Aluízio, presidente da Ompetro


O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

#

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

BACIA DE CAMPOS

11

BACIADECAMPOS40ANOS

Projeção de R$ 200 milhões em negócios A

Márcio Siqueira

o traduzir o potencial das operações de óleo e gás registradas na Bacia de Campos, a Brasil Offshore reproduz também o ambiente de negócios responsável por transformar Macaé em polo nacional de suporte às atividades de exploração e produção, concentrando grandes empresas do setor, além das prestadoras de serviços e companhias que representam a base da cadeia produtiva do petróleo. E ao ajudar a consolidar os cenários de superação e de retomada, a nona edição da feira ajudou a injetar ânimo nas companhias que ainda apostam na restruturação do mercado do petróleo nacional, vencendo a crise e enxergando um novo caminho de prosperidade, através da visão otimista. Em 2017, a Brasil Offshore trouxe como política institucional a necessidade de construir um novo ambiente de negócios para o segmento, reforçando as características técnicas da feira, concentrando debates e ambientes que facilitaram o netwoorking entre representantes de empresas que puderam compartilhar experiências, histórias, conhecimento e, especialmente, proposta de compras e de contratações de serviços, pautados na restruturação das operações na Bacia de Campos. Efeito desse momento ímpar para o mercado do petróleo nacional, foi a projeção de mais de R$ 200 milhões em negócios, consolidada através das rodadas promovidas pelo Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), junto ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN). Essa projeção foi confirmada na última semana, pelo gerente de eventos da Reed Exhibitions Alcântara Machado, Daniel Pereira, que atualizou também dados expressivos sobre a nona edição da Brasil Offshore, realizada em julho

deste ano. Com a participação de 551 marcas expositoras, sendo 76 empresas internacionais, a Brasil Offshore reuniu 52,3 mil visitantes, sendo 8% deste total estrangeiros que representaram companhias interessadas em participar das novas operações da Bacia de Campos. KANÁ MANHÃES

Brasil Offshore reuniu 52,3 mil visitantes, sendo 8% deste total estrangeiros


12 BACIA DE CAMPOS

Macaé (RJ), sábado, 12 domingo, 13 e segunda-feira 14 de agosto de 2017

O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Especial Aniversário da Bacia de Campos 2017 by O DEBATE Diario de Macae - Issuu