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Macaé (RJ), sábado, 31 de maio de 2014, Ano XXXIX, Nº 8410

Fundador/Diretor: Oscar Pires

CADERNO DOIS O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Noite de arte e muito talento no Teatro Municipal de Macaé O Teatro Municipal de Macaé ilumina o cenário artístico com duas grandes atrações: o espetáculo ‘O Beijo no Asfalto’, às 19h; e show de Luiz Melodia às 21h Isis Maria Borges Gomes isismaria@odebateon.com.br

P

rossegue em clima de festa a temporada de grandes espetáculos gratuitos na cidade. É o Teatro Municipal de Macaé, que reabriu suas portas em alto estilo, iluminando o cenário artístico e preenchendo todos os vazios da vida

cultural no município. Assim, duas grandes atrações enchem de beleza a noite deste sábado (31), levando aos palcos o espetáculo ‘O Beijo no Asfalto’, de Nelson Rodrigues, às 19h; e o show de Luiz Melodia, às 21h. Tudo acontece por conta da Fundação Macaé de Cultura, em parceria com a Federação de Teatro Associativo do Estado do Rio de Janeiro (FETAERJ), realizando o Festival Viva Teatro, que vai rolar até o dia 14 de junho, levando ao palco as mais diversas atrações artísticas gratuitamente. Um homem casado beija a boca de outro homem que acaba

de ser atropelado. Estampado como manchete de jornal, o 'beijo no asfalto' torna-se o assunto mais comentado na cidade. Sexualidade, intrigas, ética na imprensa e crise familiar são os temas principais de 'O Beijo no Asfalto', peça de Nelson Rodrigues escrita para Fernanda Montenegro, que estrelou a primeira montagem em 1961. UNINDO TALENTOS

Encenado pelo Grupo CTI Comunidade Teatral de Irajá, a peça ‘O Beijo no Asfalto’ apresenta texto de Nelson Rodrigues, com adaptação e direção de Ribamar Ribeiro, tendo no elenco Almir Rodrigues, Fernanda Sabot, Giselle Flôr, Gustavo Araújo (Stand-in), Marcos Pinheiro, Rafael Balthazar e Victor Tavares. A classificação etária é de 16 anos e sua duração é de 60 min.

Luiz Melodia luiz carlos dos santos (Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1951), mais conhecido como Luiz Melodia, é um cantor e compositor brasileiro de MPB, rock, blues, soul e samba. Filho do sambista e compositor Oswaldo Melodia, de quem herdou o nome artístico, cresceu no morro de São Carlos no bairro do Estácio. Luiz Melodia foi muito influenciado pela Jovem Guarda, sobretudo Roberto Carlos. Começou sua carreira musical em 1963 com o cantor Mizinho, ao mesmo tempo em que trabalhava como tipógrafo, vendedor, caixeiro e músico em bares noturnos. Em 1964 formou o conjunto musical Os Instantâneos, com Manoel, Nazareno e Mizinho. Lança seu primeiro LP em 1973, Pérola

Negra. No "Festival Abertura", competição musical da Rede Globo, consegue chegar à final com sua canção "Ébano". Nas décadas seguintes Melodia lança diversos álbuns e realiza shows, inclusive internacionais. Em 1987 apresentase em Chateauvallon, na França e em Berna, Suíça, além de participar em 1992 do "III Festival de Música de Folcalquier" na França e em 2004 do Festival de Jazz de Montreux à beira do Lago Lemán, onde se apresentou no Auditorium Stravinski, palco principal do festival. É um ilustre torcedor do Vasco da Gama, tendo participado do Megashow comemorativo dos 113 anos do

clube, onde apresentou as músicas "Estácio, Eu e Você" e "Congênito".

‘O BEIJO NO ASFALTO’

O espetáculo ‘O Beijo no Asfalto’ conta a história de um homem que, após ser atropelado e prestes a morrer, pede a Arandir que lhe dê um beijo na boca. O fato vira notícia na imprensa sensacionalista e Arandir passa a ser alvo de preconceitos populares reprimidos. A peça traz a história de um homem que beija um atropelado agonizante na rua e é acusado publicamente de ser homossexual. O enredo parece simples, mas não é nada convencional, como é de se esperar ao se tratar de Nelson Rodrigues. A polícia, por sua

vez, começa a investigá-lo, supondo que o acidente tenha sido um assassinato. Além das temáticas características do autor, como repressão social, moral hipócrita e bloqueios sexuais, o drama mostra uma vida destruída por um jornal. Misturada ao retrato da imprensa sensacionalista, está a análise do comportamento abusivo de alguns policiais. Trata-se de uma ferrenha

crítica à sociedade da década de 60, sempre tão puritana para fora de seus portões; ao abuso de forças da polícia; a moral hipócrita da sociedade, a desconfiança, a mentira etc.


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