Caderno Dois WWW.ODEBATEON.COM.BR • MACAÉ (RJ), DOMINGO, 24 E SEGUNDA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2013 • ANO XXXVIII • Nº 8751 • FUNDADOR/DIRETOR: OSCAR PIRES
Lições sobre restauração no Solar dos Mellos
A Vice-Presidência de Acervo e Patrimônio Histórico dá continuidade ao projeto de Educação Patrimonial com aula aberta sobre restauração Isis Maria Borges Gomes isismaria@odebateon.com.br
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ando continuidade ao Projeto Educação Patrimonial, a Vice-Presidência Acervo e Patrimônio Histórico promoveu na manhã de quinta-feira (21) uma aula aberta sobre restauração, ministrada pelo escultor e restaurador José Carlos Liboredo. O evento aconteceu às 8h30 no Solar dos Mellos - Museu da Cidade de Macaé, onde foi inaugurada uma exposição de Liboredo, intitulada "A arte de lembrar". A realização faz parte do Festival Viva Cultura, que acontece até o dia 1º de dezembro, numa promoção da Fundação Macaé de Cultura. Na oportunidade, a Vice-Presidente de Acervo e Patrimônio Histórico, historiadora Gisele Muniz, fez a abertura oficial do evento, ressaltando a importância da preservação dos monumentos históricos da cidade, como forma de guardar a história e a memória macaense para as futuras gerações. “É nossa proposta revitalizar os monumentos dos espaços públicos como forma de torná-los referência histórica do município”, disse a vice-presidente. Gisele aproveitou o momento para apresentar uma frequentadora do Solar dos Mellos no tempo da última moradora Noêmia Mello, a dona Neri, que lembrou muitos episódios da casa da família Mello, inclusive dos doces feitos pelas irmãs da proprietária, com destaque para o banana-passa.
"A ARTE DE LEMBRAR"
A exposição “A Arte de Lembrar” consta de inúmeras peças utilizadas pelo restaurador na sua atividade de restaurador e escultor, e de reproduções de monumentos históricos, como o Obelisco da Praça Veríssimo de Mello. De acordo com a historiadora Gisele, o Chafariz da Praça Veríssimo de Mello, que se encontra em processo de restauração, é uma peça confeccionada em ferro fundido e seu burilamento conta com motivos marinhos: vegetação, concha e peixe. O monumento é datado no século XIX e tem autoria do artista plástico Sernes, inaugurado em 29 de julho de 1913.
ARTE DE PAI PARA FILHO Antes da abertura da exposição, o escultor e restaurador José Carlos Liboredo falou de sua atividade profissional e do desafio que ele assumiu, ao aceitar o trabalho de restauração dos patrimônios macaenses. Liboredo contou que a sua atividade é herança de família, como proprietário de uma fundição artística. “A arte foi passada dos meus avós para meu pai e depois para mim, trazendo uma carga enorme de emoções”, afirmou o restaurador, explicando ainda a produção de peças artísticas em metal, que é um
processo essencialmente artesanal. Segundo ele, a variedade de formas propostas pelo artista é um desafio à técnica do fundidor, que precisa desenvolver soluções específicas para cada peça. Fundição Artística passa por uma abordagem minuciosa ao transformar argila em bronze através de 15 procedimentos específicos.
O RESTAURADOR
José Carlos Liboredo é escultor, acadêmico, e ocupa a cadeira número 50 da Academia Brasileira de Belas Artes (ABBA). Ele é restaurador respeitado no cenário artístico nacional, sendo ainda possuidor de vários prêmios em exposições.
Educação Patrimonial segundo gisele, a proposta da Educação Patrimonial vem garantir a preservação dos mais belos e expressivos patrimônios históricos da cidade, como um convite especial ao povo macaense de cuidar dos patrimônios culturais do município, assumindo a parte que lhe cabe nesta responsabilidade de preservar a memória macaense. A vice-presidente lembra que o projeto traduz um chamamento à população no sentido de reunir es-
forços para preservar cada obra de arte existente em locais públicos de Macaé. “Estamos empenhados em mostrar a importância da educação patrimonial, que passa a ser uma ação conjunta a todos que se sentem responsáveis pela defesa permanente do patrimônio das artes e da cultura, como uma herança de todos os macaenses”, declarou Gisele, acrescentando que desde o início das atividades de restauração nenhuma obra foi pichada.