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Macaé (RJ), sexta-feira, 9 de maio de 2014, Ano XXXIX, Nº 8391
Fundador/Diretor: Oscar Pires
CADERNO DOIS O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ
Uma viagem de emoções entre a Macaé dos anos 70 Luiz Claudio Bittencourt lança a exposição ‘Fotogramas & Saudade - Macaé Década de 70’ nesta terça (13) Isis Maria Borges Gomes isismaria@odebateon.com.br
A
beleza da arte da fotografia aliada ao apoio às mulheres com diagnóstico de câncer e às emoções da Macaé do passado. Assim, acontecerá a noite da próxima terçafeira (13), quando será inaugurada a exposição: ‘Fotogramas & Saudade Macaé Década de 70’, de autoria do macaense Luiz Cláudio Bittencourt (Dunga), com todo o valor da venda das fotos doado para o grupo Mulheres em Luta do Movimento Negro Tribo dos Malês. A mostra acontecerá na Galeria Bia Café com Arte - Avenida Atlântica, 1690 Praia dos Cavaleiros -, prosseguindo aberta a visitação de 14 a 31 de maio. A exposição consta de 37 fotos tiradas por Dunga nos anos 70, que serão altamente apreciadas mostrando ao público um pouco da Macaé do passado, que deixou saudades e recordações nos corações dos macaenses. Segundo a curadora e diretora da Galeria Café com Arte, a artista plástica Beatriz Mignone, a data desta exposição foi escolhida cuidadosamente, no sentido de prestar homenagem a grande amiga Dona Laurita Santos Moreira, ex-integrante das Cigarras de Macaé, que faleceu recentemente e estaria aniversariando no dia 13 de maio. A artista acrecenta ainda que a mostra visa incentivar as artes no município, divulgando um talento artístico ligado a fotografia.
A presidente do Movimento Tribo dos Malês, Marilene Ibraim, ressalta que a renda do evento será para a compra de próteses e sutiãs a serem doados as mulheres com câncer de mama em Macaé e região. ‘FOTOGRAMAS & SAUDADE’
Recentemente, Luiz Claudio Bittencourt, o conhecido Dunga, lançou o livro ‘Fotogramas & Saudade - Macaé de 1975 a 1985’, em homenagem aos 200 anos de Macaé, apresentando as mais belas e expressivas imagens fotográficas da cidade. A obra ‘Fotogramas & Saudade’, com diagramação de Camila Moura Beppler, apresenta a cidade de Macaé, através de 190 fotografias abrangendo o período de 1975 a 1985. De acordo com Dunga, o livro ‘Fotogramas & Saudade’ é uma viagem por um tempo que não volta nunca mais, com pedacinhos de saudades recheados de emoção. Em preto e branco, a obra apresenta belas e saudosas imagens das oficinas da Leopoldina na Imbetiba, Praia de Imbetiba, Av. Rui Barbosa, Bar de Dona Aydê, trampolins da Imbetiba, casarões antigos e mais um tanto de patrimônios bem peculiares dos macaenses. Chamam a atenção as fotos que mostram momentos marcantes da história de Macaé, como a construção da base da Petrobras em Imbetiba; a Praia dos Cavaleiros ainda praticamente virgem; além de imagens aéreas revelando a beleza e simplicidade da Princesinha do Atlântico.
ARQUIVO
“São imagens que contam a história de Macaé: os transpolins da Imbetiba, onde muitos macaenses têm uma história de ralados ou quebrados; a Av. Rui Babosa onde bate uma saudade dos pães da Padaria Lima, e as Lanchonetes Xodó e Reizinho; e tantos outros pedacinhos que nos falam tanto da nossa Macaé do passado”, lembra Luiz Claudio. AS MIL FACES DE UM ARTISTA
Nascido em Macaé mais precisamente no Hospital São João Batista (pelas mãos da parteira dona Durvalina), Luiz Claudio Bittencourt revelou seus dons artísticos desde muito cedo. Ainda na infância foi aluno brilhante da Escolinha de Artes de Dona Maria José Guedes. Começou tocando violão e desenhando. Autodidata, o conhecido Dunga ganhou notoriedade como escultor, destacando-se ainda no mundo das artes nas áreas de desenho, literatura, música e fotografia. Segundo Dunga, a atividade de bancário atravessou o seu espírito sem perturbar-lhe a essência que se traduz em paixão por Macaé. Em 1976, Quando foi trabalhar como Bancário em São Paulo, foi apresentado à arte da fotografia por um japonês, e comprou o primeiro equipamento. Como escultor, o artista começou fazendo entalhe em madeira e granito. No desenho especializou-se em bico de pena. E sua vida gira também no mundo da literatura, da fotografia e da música. “Todas as artes
Uma das obras da exposição: ‘Fotogramas & Saudade Macaé Década de 70’
são as paixões de minha vida”, disse ele. “A minha primeira manifestação artística foi na infância, com esculturas em pequenos pedaços de madeira. Em seguida vieram o violão, a fotografia, impressões no granito, bico-depena, o gosto pelo escrever”, declara o artista. Dunga lembra que enfrentou
três grandes batalhas em sua vida. A primeira foi contra o tabagismo, a segunda foi contra o alcoolismo (cuja recuperação é devida ao Grupo Vida Nova de Alcoólicos Anônimos), e a terceira foi contra um câncer. Na sugestão dos 12 passos de alcoólicos anônimos e de uma doutrina herdada de seu avô Waldemiro Bittencourt, ele encontrou as
ferramentas certas para realizar a maior das esculturas que qualquer ser humano possa propor: a da sua própria alma. “Difícil, complicada, mais dura que qualquer tipo de granito, e que requer uma enorme paciência e perseverança. Acredito nas reencarnações e direciono minha vida pela crença na eternidade do espírito”, declara Dunga. “A minha primeira manifestação artística foi na infância, com esculturas em pequenos pedaços de madeira. Em seguida vieram o violão, a fotografia, impressões no granito, bico-depena, o gosto pelo escrever
Depoimentos e emoções No livro, Dunga revela que, em fevereiro de 1976, ele estava na Praia de Imbetiba fotografando, quando um senhor se aproximou dele e disse: “Fotografe tudo que puder, tudo que você achar que poderá vir a sofrer alterações. A
nossa cidade começou hoje a ir embora, e vem muita coisa por aí - boa e ruim!”. Esta pessoa foi Antônio Alvarez Parada, o Tonito, a quem o autor dedica o livro, seu vizinho e professor. “Agora três décadas após essas
fotografias serem feitas, venho mostrar o que achei importante eternizar em fotogramas e papel”, declara o autor, que acrescenta: “A memória tem que sobreviver para um dia poder contar a história.”