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Aniversário Macaé 201 anos

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O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé, terça-feira, 29 de julho de 2014

ESPECIAL 201 ANOS

História de Macaé construída através do olhar de lideranças políticas Desde a sua emancipação política e administrativa, a cidade já contou com a gestão de 35 gestores públicos Márcio Siqueira

marcio@odebateon.com.br

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o completar nesta terçafeira (29) 201 anos de emancipação política e administrativa, Macaé al-

cançou o patamar de Capital Nacional do Petróleo através da visão de homens que comandaram a administração municipal nesses dois séculos de atividades. Ao passar por períodos mar-

cantes, que envolveram o golpe da Ditadura Militar, a instalação de um parque ferroviária, a escolha da Petrobras pela consolidação dos primeiros investimentos voltados a exploração e produção de pe-

tróleo na Bacia de Campos, a briga pelo acesso aos recursos gerados pelos royalties e Participação Especial (PE), além de outros fatos contaram com o posicionamento importante de lideranças políticas ilustres

cuja memória está imortalizada através do papel cumprido a frente da prefeitura. Ao todo, 35 prefeito governaram a cidade desde 1913. Atualmente Macaé é administrada pelo prefeito Dr. Aluízio

Júnior (PV), eleito no dia 7 de outubro de 2012 alcançando uma cotação inédita de 65,62% dos votos válidos. Ao todo, o ex-deputado federal conseguiu 70.693 votos válidos. WANDERLEY GIL

HISTÓRICO

Galeria dos ex-prefeitos ● JOÃO Francisco Moreira Neto

● ALCIDES Francisco Ramos

● JUVENAL Barreto Junior (1937) ● TÉLIO Barreto (1937 a 1944)

(1913 a 1915) ● JOSÉ de Oliveira Lobo Vianna

● FERRY Jaccoud D'Azeredo (1944) ● OYAMA Muniz (1944 a 1945)

Júnior (1915 a 1923) ● JAYME Afonso (1923);

● ÁLVARO Teixeira da Assunção (1945 a

● JAYME Memória (1923 a 1924) ● SIZENANDO Fernandes de Souza

(1924 a 1927) e (1929 a 1930)

1946) e (1946 a 1947) ● ELIAS Agostinho (1946) e (1951 a

1955)

● FRANCISCO de Miranda

● JORGE Costa (1946) ● RONALD de Souza (1947)

Sobrinho (1927 a 1929) ● BENTO Costa Júnior (1930)

● JOÃO Alves Pedro Sobrinho (1947)

● ÁLVARO Rodrigues da Silva (1930

● MILNE Evaristo da Silva Ribeiro

a 1932) ● FLORIANO Castilho Saddock de Sá (1932 a 1935) ● DURVAL Coutinho Lobo (1935) ● IVAIR Nogueira Itagiba (1935 a 1936) e (1936 a 1937) ● RAUL Garnier da Silva (1936)

a 1959), (1963 a 1966) e (1971 a 1973) ● EDUARDO Serrano (1959 a 1960) e (1960) ● ANTONIO Otto de Souza (1960)

SIZENANDO FERNANDES

JOSE DE OLIVEIRA

JOAO FRANCISCO

1913 A 1915

(1947 a 1951) ● ANTONIO Curvello Benjamin (1955

1924 A 1927 E 192 9 A 193 0

1915 A 192 3

IVAIR NOGUEIRA

(1960 a 1961), (1973 a 1977) e (1983 a 1988) ● GERSON Maciel Miranda (1961 a 1962) e (1962 a 1963) ● ILTAMIR Honório Abreu (1962) ● ARISTEU Ferreira da Silva (1966 a 1967) ● CLÁUDIO Moacyr de Azevedo (1967 a 1970) ● ROMEU Pereira (1970 a 1971) ● NACIF Salim Selen (1982 a 1983) ● CARLOS Emir Mussi (1977 a 1982) e (1993 a 1996) ● SYLVIO Lopes Teixeira (1988 a 1992), (1997 a 2000) e (2001 a 2004). ● RIVERTON Mussi Ramos (2005 a 2008 e 2009 a 2012)

JUVENAL BARRETO

FRANCISCO DE MIRANDA

1927 A 192 9

TELIO BARRETO

FERRY JACCOUD

Prefeito Dr. Aluízio Júnior (PV) foi eleito em 2012 para cumprir mandato que segue até 2016

193 6

1937 A 19 4 4

1937

JORGE COSTA

RONALD DE SOUZA

19 47

19 4 6

ALCIDES FRANCISCO

19 6 0 A 19 61, 197 3 A 197 7 E 19 8 3 A 19 8 8

GERSON MACIEL

19 8 2 A 19 8 3

193 0 A 1932

19 4 6 E 19 51 A 19 55

RIVERTON MUSSI

2 0 0 8 A 2 012

19 62

CLAUDIO MOACYR

19 67

19 55 A 19 59, 19 63 A 19 6 6 E 1971 A 197 3

ARISTEU FERREIRA

19 6 6 A 19 67

CARLOS EMIR

197 7 A 19 8 2 E 19 93 A 19 9 6

ELIAS AGOSTINHO

ALVARO RODRIGUES

ANTONIO CURVELLO

ILTAMIR ABREU

NACIF SALIM

ROMEU PEREIRA

1970 A 1971

MILNE EVARISTO

19 47 A 19 51

19 61 A 19 62 E 19 62 A 19 63

19 4 4

SYLVIO LOPES

19 8 8

ANTONIO OTTO

19 6 0

BENTO COSTA

193 0

EDUARDO SERRANO

19 59 A 19 6 0 E 19 6 0

OYAMA MUNIZ

19 4 4 A 19 45


O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé, terça-feira, 29 de julho de 2014 WANDERLEY GIL

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Os primeiros registros dos Jesuítas em Macaé datam de 1634, no princípio foi fundada à margem do rio Macaé e próximo ao Morro de Sant´Anna uma fazenda agrícola

ESPECIAL 201 ANOS

Patrimônios históricos ganham realce em Macaé Com seus encantos e seu passado de tantos troféus, os patrimônios históricos macaenses são alvos de atenção especial Isis Maria Borges Gomes isismaria@odebateon.com.br

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Prefeitura de Macaé implantou nova iluminação dos prédios históricos macaense, começando pela Igreja de Sant’Anna Com seus encantos e seu passado de tantos troféus, os patrimônios históricos macaenses são alvos de atenção especial por parte da Prefeitura de Macaé. Recentemente, foi inaugurada a sua nova iluminação. Assim, os prédios históricos da Igreja de Sant’Anna, Solar dos Mellos, Igreja Matriz de São

João Batista, entre outros, receberam a novidade. A novidade chegou primeiramente à Igreja de Sant’Anna. A cerimônia de acionamento de sua iluminação aconteceu na própria Igreja de Sant’Anna, local onde nasceu a cidade de Macaé e que se chamou Vila de São João de Macaé. A solenidade de acionamento da iluminação foi abrilhantada pela participação dos alunos da catequese da Confraria de Sant’Anna, que apresentaram a peça ‘A Lenda de Sant’Anna’, contando a história da santa e o nascimento da cidade de Macaé.

Na ocasião, o presidente da Fundação Macaé de Cultura, Juliano Tannus Fonseca, ressaltou que a iniciativa visa dar maior valorização desses prédios como patrimônio histórico e cultural de Macaé. E acrescentou que a proposta é que os cidadãos possam conhecer um pouco mais sobre a história do município. IGREJA DE SANT´ANNA

Os primeiros registros dos Jesuítas em Macaé datam de 1634, no princípio foi fundada à margem do rio Macaé e próximo ao Morro de Sant´Anna

uma fazenda agrícola, que no correr dos anos ficou sendo conhecida como Fazenda de Macaé ou Fazenda do Sant´Anna. Na base do morro, entre este e o rio, levantaram um engenho de açúcar com todas as dependências e lavouras necessárias. Além do açúcar, produziam farinha de mandioca em quantidade e extraíam madeira para construções navais e edificações. No alto do morro foi construído um colégio, ao lado uma capela e um pequeno cemitério, que guarda até hoje os restos mortais de alguns Jesuítas. Em

1759, a fazenda foi incorporada aos bens da coroa pelo desembargador João Cardoso de Menezes, nesta ocasião os Jesuítas foram expulsos do Brasil, imposição feita pelo Marquês de Pombal. A Igreja de Sant´Anna foi fundada um século mais tarde, em 1896, e hoje é um patrimônio da cidade. LENDA DE SANT´ANNA

Conta a lenda que a Imagem de Sant´Anna foi encontrada por pescadores, numa das Ilhas do Arquipélago que lhe dá o nome (Ilha de Sant´Anna). Trazida para o povoado, a imagem teria

sido colocada no Altar Mor da Capela dos Jesuítas, desaparecendo misteriosamente no dia seguinte. Foi encontrada alguns dias após, na ilha e levada novamente à Capela. O fato repetiuse mais duas vezes. Na terceira fuga, concluíram os devotos que a Santa sentia saudades da ilha que era avistada do Altar da Capela. Desta forma reedificaram o templo, voltando sua fachada frontal para o ocidente onde a Santa não divisaria mais o mar e o arquipélago de onde viera. (Fonte: Centro de Memória Antonio Alvarez Parada)


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ESPECIAL 201 ANOS

Município conta com obra deixada por Niemeyer

WANDERLEY GIL

A sede da Prefeitura é uma das únicas obras de Oscar Niemeyer no interior do estado do Rio de Janeiro

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m 5 de dezembro de 2012 faleceu um dos maiores gênios da arquitetura mundial do século XX - Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho. No entanto, ele está imortalizado em diversas obras construídas por meio de seu traço marcante e, em Macaé, reside uma dessas obras: A sede da Prefeitura. Localizada na Avenida Presidente Sodré, conhecida como Rua da Praia, no Centro da cidade, de frente para o local, onde o Rio Macaé se encontra com o mar. Segundo dados históricos, o projeto consta oficialmente como iniciado no ano de 1985, mas sua contratação foi em 1983 quando o ex-prefeito Alcides Ramos imaginou, no seu terceiro mandato, edificar uma nova prefeitura com oito pavimentos no coração da cidade e uma edição de O DEBATE registrando o fato também foi colocada na pedra fundamental. Porém, o Plano Cruzado do governo Sarney, acabou levando a informações desencontradas e quando os pilares e vigas atingiam o quinto pavimento (um deles subterrâneo), o contrato

foi rescindido e paralisada a obra, foram cerca de 18 anos de exposição do "esqueleto", criticado pelos oposicionistas da época. Ele demorou a sair do papel por falta de verba do poder público, embora os royalties começassem a jorrar dinheiro nos cofres da prefeitura. Entre idas e vindas, a inauguração da sede aconteceu somente no mês de julho do ano de 2004, durante a terceira gestão do ex-prefeito Silvio Lopes. A sede possui cinco pavimentos, dentre os quais um subterrâneo em uma área de cinco mil metros quadrados. Segundo estimativas divulgadas durante a inauguração, o valor total da obra foi de R$ 9 milhões. Informações reveladas na época da inauguração apontam que são quatro pavimentos, além do andar térreo, terraço e subsolo, divididos da seguinte forma: o pavimento semi-enterrado possui 678,45 m2, onde foram instalados: garagem, arquivo geral, subestação, cisterna, hall de elevadores, geradores e sanitários de serviço; o pavimento térreo possui 1.096,79 m2, distribuídos em hall de

A Prefeitura está localizada na Avenida Presidente Sodré, conhecida como Rua da Praia

acesso principal, com salão de exposições e auditório com capacidade para 94 pessoas; os outros pavimentos possuem 619,52 m2 cada um, com distribuição livre para divisórias, copa e banheiros. A área total construída é de 4.410,79 m2. Toda história de Oscar Niemeyer mostra o tamanho da grandeza de seu trabalho. Nascido no Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1907, em Laranjeiras, Niemeyer formou-se em arquitetura e engenharia em 1934 pela Escola Nacional de Belas Artes. Filho de Oscar Niemeyer Soares e Delfina Ribeiro de Almeida. Casou-se aos 21 anos com Annita Baldo, com quem teve sua única filha, Anna Maria, falecida aos 82 anos. O arquiteto ficou viúvo em 2004 e, em 2006, casou-se com sua

ESPECIAL 201 ANOS WANDERLEY GIL

Diversos cursos gratuitos são oferecidos pelo Complexo Universitário que abrange a UFF, UFRJ e Femass

Cidade Universitária segue impulsionando a educação superior Em média, 20 cursos superiores gratuitos são oferecidos no município por meio da UFRJ, IFF, UFF, UENF e Femass não é novidade que Macaé nos últimos anos vem se tornando também referência quando o assunto é a educação superior. O município já oferece mais de 60 cursos de graduação, sendo aproximadamente 20 gratuitos por meio do Complexo Universitário que abrange a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ) e a Faculdade Professor Miguel Ângelo da Silva Júnior (Femass). Seguidos de outros oferecidos pela Universidade Federal do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) e

Instituto Federal Fluminense (UFF) e Instituto Federal Fluminense (IFF). A cidade também conta com instituições particulares como Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora (FSMA), Universidade Estácio de Sá, Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé (Fafima), Unigranrio, entre outras e os cursos variam desde a área de social até a de exatas, recebendo alunos de todas as partes. Matérias publicadas neste veículo de comunicação mesmo, apontam que nos últimos anos a cidade deu um salto impressionante na área dos cursos de qualificação, na educação básica, superior, na pesquisa e na extensão. E com tudo isso está deixando de ser apenas a Capital do Petróleo e se tornando também a Capital do Ensino. A educação

superior se tornou mais acessível à população, com milhares de jovens e adultos estudando gratuitamente no Campus Universitário, sem se deslocar de cidade, com ensino de qualidade e, acima de tudo, voltado para o cidadão macaense. E com tantos avanços, o município chega aos seus 201 anos tomado de grandes conquistas, importantes realizações e crescentes desafios. Só a UFRJ, por exemplo, oferece os cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas, Bacharelado em Ciências Biológica, Enfermagem e Obstetrícia, Farmácia, Medicina, Nutrição, Química, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção. Além ainda dos mestrados em Produtos Bioativos e Biociências (PPG-ProdBio) e Ciências Ambientais e Conservação (PPG-CiAC).

secretária, Vera Lúcia Cabreira. Niemeyer começou a frequentar o escritório de Lucio Costa ainda em 1934. Em 1936, participou da comissão formada para definir os planos da sede do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, sob supervisão de Le Corbusier, a quem assistiu, como desenhista, durante sua estada de três semanas na cidade. Entre 1940 e 1944, projetou, por encomenda do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, o conjunto arquitetônico da Pampulha, que se configura num marco de sua obra. Em 1947, foi convidado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a participar da comissão de arquitetos encarregada de definir os planos de sua futura sede em Nova York.

Em 1955, fundou, no Rio, a revista Módulo, e, no ano seguinte, a convite do então presidente da República, JK, começou a participar da construção da nova capital, cujo plano urbanístico foi confiado a Lucio Costa. Em 1958, Niemeyer foi nomeado arquiteto-chefe da nova capital e transferiu-se para Brasília, onde permaneceu até 1960. Em 1972, abriu um escritório em Paris. Autor de extensa obra no Brasil, Niemeyer realizou também grande número de projetos no exterior, como a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, em 1967; a Universidade de Constantine, na Argélia, em 1968; e a sede da Editora Mondadori, em Milão, também em 1968. Sobre as obras feitas em Brasília, Niemeyer disse: “Quem for a Brasília pode não

gostar dos palácios, mas não pode dizer que viu antes coisa parecida. E arquitetura é isso invenção”. Para o arquiteto macaense, Luís Vieira, Niemeyer foi o responsável por engrandecer a arquitetura brasileira. “A arquitetura hoje amanheceu de luto. Perdemos um revolucionário, dotado de uma capacidade singular em entender e influenciar várias gerações de brasileiros e de tantos outros povos de diferentes culturas mundo afora. Niemeyer foi o principal responsável pelo papel de destaque ocupado pela arquitetura brasileira. É sem dúvida uma perda inestimável não só para toda a classe de arquitetos, como para o País e também para o Mundo”, afirmou Luís Vieira, em 2012, após a morte de Niemeyer.


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MACAÉ 201 ANOS

O último presidente da chamada República Velha do Brasil era macaense Segundo dados históricos, Washington Luís era proveniente de família rica da cidade Marianna Fontes

marifontes@odebateon.com.br

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ão é só do petróleo que vem o reconhecimento de Macaé no cenário nacional. Antes de ser sede da Petrobras, a cidade foi berço do último presidente da chamada República Velha, Washington Luís Pereira de Sousa. O presidente nasceu em Macaé, no dia 26 de outubro de 1869 e segundo alguns dados históricos, proveniente de uma família rica da cidade. No período da sua adolescência, estudou no tradicional Colégio Pedro II, na cidade do Rio de Janeiro, em regime de internato. Aos 22 anos, em 1891, Washington Luís graduou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo. No ano seguinte foi nomeado promotor público de Barra Mansa. Porém, ele não ficou muito tempo no cargo, já que decidiu atuar como advogado na cidade de Batatais, interior de São Paulo. Durante seu tempo em Batatais, Washington Luís iniciouse na vida política. Em 1897 foi eleito Vereador da cidade, sendo também presidente da Câmara de Vereadores. Em 1898 e 1899 foi prefeito de Batatais. No ano de 1904, o macaense foi eleito deputado estadual por São Paulo, pelo Partido Republicano Paulista (PRP), participando da Constituinte paulista, que reviu a Constituição do estado. Já em 1906, Washington Luís abandonou o mandato para

assumir a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública. Depois de ser eleito mais uma vez para o cargo de deputado estadual, o ex-presidente tornou-se prefeito de São Paulo por cinco anos, de 1914 até 1919. Continuando a sua trajetória política, Washington Luís foi eleito presidente do estado de São Paulo, em 1920, para um mandato de quatro anos. Depois de ser eleito senador por São Paulo, Washington Luís venceu eleição direta e assumiu o cargo de Presidente da República, em 15 de novembro de 1926, chegando assim ao principal posto político brasileiro. Durante o período em que o macaense esteve no poder, enfrentou diversas adversidades, tanto políticas quanto econômicas. Ao longo da década de 20, a República Velha, que também era chamada de República do café-com-leite, sofria um grande desgaste devido a posição contrária da classe média urbana da época, dos movimentos tenentista e operário e das oligarquias dissidentes. Logo no início do seu mandato, Washington Luís viu uma situação um pouco mais favorável, pois teve fim as rebeliões tenentistas, com o término da Coluna Prestes. Mas, mesmo assim, ele se negou a assinar o pedido de anistia aos envolvidos nos levantes, inclusive aos “rebeldes de 1924” que deram origem à Coluna Prestes. Já no ano seguinte, com medo de outros possíveis levantes,

REPRODUÇÃO

Antes do petróleo, a cidade ficou conhecida por ser o local onde nasceu Washington Luís Pereira de Sousa

Washington Luís criou a Lei Celerada, em 1927, que impunha censura à imprensa e restringia o direito de reunião, levando para a clandestinidade o Partido Comunista Brasileiro, que havia sido reconhecido pelo governo no início do ano. Com o cenário político mais controlado, pensou-se que tudo estaria bem, mas com a crise de

1929, iniciada com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, o preço do café, principal item de exportação do Brasil no início do século passado, caiu exponencialmente no mercado internacional. Desta forma, o café que representava 70% das exportações brasileiras, perdeu valor e consequentemente afundou o país em um crise, já que com a

política de valorização do café, iniciada em 1906 com a assinatura do Convênio de Taubaté, o Brasil tinha grande reserva de café, tanto com os cafeicultores, quanto com o governo. Diante deste cenário, o governo estava em um turbilhão de problemas que foi agravado com a disputa pela sucessão presidencial. Mesmo enfra-

quecidos no cenário político brasileiro, Washington Luís e cafeicultores de São Paulo indicaram como candidato à eleição o paulista Júlio Prestes. Minas Gerais não concordava com essa escolha e junto com o Rio Grande do Sul lançou a candidatura de Getúlio Vargas, com o vice-presidente paraibano João Pessoa. O resultado da eleição terminou com vitória de Prestes, mas com suspeita de fraude. Para complicar ainda mais o cenário político, o vice de Vargas, João Pessoa, foi assassinado. Esse foi o estopim para um golpe contra o governo de Washington Luís. Militares se rebelaram nos quartéis e manifestantes tomaram as ruas do Rio de Janeiro, atearam fogo aos jornais fiéis ao Governo e exigiram a saída do presidente. Getúlio Vargas liderou uma conspiração e o presidente Washington Luís foi deposto em 24 de outubro de 1930, pelos chefes das forças armadas. Uma junta provisória de Governo assumiu o poder, composta pelos generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e pelo almirante Isaías de Noronha. O movimento ficou conhecido como “Revolução de 30”. Em 21 de Novembro de 1930, o presidente deposto embarcou para um longo exílio na Suíça, Portugal e Estados Unidos. Só retornou ao país em 1947 e não se envolveu mais em política. Dedicou-se ao estudo e a pesquisas históricas. Morreu em São Paulo em 04 de Agosto de 1957.


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WANDERLEY GIL

ESPECIAL 201 ANOS

Patrimônios históricos recebem garantia de preservação As Sociedades Musicais Nova Aurora e Lyra dos Conspiradores foram contempladas com certificado de tombamento Isis Maria Borges Gomes isismaria@odebateon.com.br

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hegou enfim a garantia de preservação e manutenção de alguns dos mais expressivos patrimônios históricos macaenses, perpetuando sua existência às futuras gerações. O tombamento das Sociedades Musicais Nova Aurora e Lyra dos Conspiradores foi realizado durante os festejos dos 200 de criação da Vila de Macaé. O ato de tombamento foi instituído, através da lei municipal 2445/2003, como reconhecimento do valor cultural dos prédios, integrando-se assim ao patrimônio histórico do município. A iniciativa foi da Prefeitura Municipal de Macaé, através da Fundação Macaé de Cultura. Para tanto, a equipe de gestão da Fundação Macaé de Cultura realizou várias visitas às sociedades musicais para conhecer sua realidade e mapear as necessidades e elaborar um plano de ação, que tem como primeiro ponto esse tombamento. Na ocasião, o presidente da Fundação Macaé de Cultura, Juliano Tannus Fonseca, disse que o Tombamento Municipal das Sociedades Musicais Lyra e Nova Aurora é um compromisso que a atual gestão assumiu com as centenárias bandas macaenses de que serão preservadas nas características físicas arquitetônicas de seus prédios, com elevado interesse histórico. Na época do Tombamento, a Vice-Presidente de Acervo e Patrimônio Histórico da FMC, Gisele Muniz, afirmou que o

tombamento das duas bandas centenárias é um ato de reconhecimento da atual gestão do elevado valor cultural e social das duas instituições centenárias da cidade. “As bandas macaenses devem ser preservadas em suas características e objetivos”, frisou Gisele. ATIVIDADES DA NOVA AURORA

A Sociedade Musical Nova Aurora apresenta uma trajetória de atividades de amor à música, ao oferecer aulas de música gratuitas para a comunidade. Além de emprestar os instrumentos para os alunos, a entidade tem um leque de opções de estudo dos seguintes instrumentos: percussão sinfônica, trombone, trompete, trompa, tuba, clarineta, flauta transversa e saxofone. E a Banda Sinfônica Nova Aurora se destaca no cenário artístico nacional, sob a batuta do Maestro Titular e presidente, Hélio Rodrigues. HISTÓRICO DA NOVA AURORA

Fundada em 8 de junho de 1873, a Sociedade Musical Nova Aurora se constitui num dos maiores patrimônios culturais de Macaé. Seu primeiro presidente foi o Sr. Manoel Guedes Junior. Em dezembro de 1882, em decorrência de uma crise social, alguns dos diretores deixaram a Nova Aurora e partiram para fundar a Sociedade Musical Beneficente Lyra dos Conspiradores. Hoje, ambas trilham o mesmo caminho e vivem os mesmos sacrifícios em prol da sobrevivência das bandas de WANDERLEY GIL

música de Macaé. Sob a regência do maestro Benedito Passos (Maestro Tinho), a Nova Aurora foi a Bi-Campeã do nosso Estado, e, em nível Nacional, no programa apresentado para todo o país pela Rede Globo ela ultrapassou os limites de Macaé para se tornar a Banda de Música do Rio de Janeiro. A Sociedade Musical Nova Aurora atualmente é presidida por Hélio Rodrigues, que também é o maestro da Banda Sinfônica, sendo o principal responsável pela modernização da banda de música. A Banda Sinfônica da Sociedade Musical Nova Aurora já se apresentou em varias cidades do Estado, inclusive na tradicional Sala Cecília Meirelles, e no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, além de realizar concertos nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. HISTÓRIA DE MACAÉ

A Capela de Santa Cecília, no interior da Sociedade, reforça o valor sócio-cultural e religioso da sede. No passado, no aniversário da entidade, pela manhã, o Coral Santa Cecília, acompanhado pela banda, recolhia pelas ruas da cidade contribuições para a capela. Esse dia era finalizado com um baile no Salão Nobre da Sociedade, que deu origem a muitos casamentos. A Festa da padroeira dos músicos, Santa Cecília, em 22 de novembro, também era um marco no calendário cultural da época. TRAJETÓRIA DE LUTA

A centenária Sociedade Musical Lyra dos Conspiradores faz parte integrante da história de Macaé, sendo berço do abolicionismo, numa luta contra a discriminação racial e em defesa da música. A Lyra entrou para a história de Macaé como um dos principais centros culturais e políticos do município, sendo berço de discussões que contribuíram com o desenvolvimento de um dos municípios mais importantes do país. E até os dias atuais, a Lyra dos Conspiradores mantém vivo este pedaço fundamental da história de Macaé. Por outro lado, a Lyra é responsável pela formação de ilustres artistas macaenses, que mostraram e mostram seus talentos pelos palcos de Macaé, todo o Brasil e pelo mundo afora.

BELA PÁGINA DA HISTÓRIA

A Lyra entrou para a história de Macaé como um dos principais centros culturais e políticos do município

A história da Lyra dos Conspiradores começou quando um grupo de músicos, totalmente

O ato de tombamento foi instituído, através da lei municipal 2445/2003

avesso à escravidão, decidiu se unir para fundar uma nova sociedade musical. Neste sentido, um grupo de abolicionistas não se conformava em apoiar a escravidão através de sua participação na Sociedade Particular Nova Aurora, na época um poderoso veículo de comunicação de massas, que insistia em não utilizar estas qualidades em defesa do escravo. Foi quando Luiz Francisco Quaresma, Cândido de Freitas Coutinho, Alfredo Amaral, Antônio José de Carvalho Torres, José Cyriaco e Joaquim Roza decidiram fundar a Sociedade Musical Beneficente da Lyra dos Conspiradores. No dia 25 de dezembro de 1882 nascia a Lyra, com o objetivo principal de conspirar contra a escravidão que envergonhava o Brasil. Seu estatuto foi o primeiro a desafiar a ordem social da época, estabelecendo que em seu quadro social e na banda de música fossem admitidos todos que o desejassem, sem distinção de sexo, religião, política ou cor.

Na época, Dom Pedro, através do escrivão da casa Imperial, mandou uma interpelação sobre suas atividades, acreditando que a entidade macaense estava conspirando contra a monarquia. Em resposta, os diretores da Lyra disseram que um grupo conspirou em segredo a criação de uma nova sociedade musical, diferente da Nova Aurora, e como o objetivo principal seria a música. No entanto, entre 1883 e 1888 a Lyra não fez outra coisa senão conspirar ativamente contra a escravidão, quer utilizando sua banda de música como força arregimentadora de massas, quer cedendo suas dependências para reuniões conspiradoras dos abolicionistas. Há, inclusive, quem afirme, mas não existe registro, que o sótão do prédio foi muitas vezes utilizado para esconder escravos fugitivos até seu encaminhamento posterior ao quilombo que existia nas proximidades de Quissamã. Em 1887, a Lyra finalmente adquiriu o terreno da sede, o

que acabou enriquecendo o movimento de resistência à escravatura. Nessa mesma época, o movimento abolicionista ganhou grande expressão e a sede da Lyra passou a ser alvo de várias tentativas de invasão, inclusive com lutas brutais. A mais séria delas aconteceu no dia 31 de julho, quando a Lyra recebeu o grande abolicionista Carlos Lacerda, que faria uma conferência na sede sobre liberdade. Como mostram os registros, os componentes da Lyra descobriram que um grupo estaria organizando um ataque ao abolicionista na estação ferroviária. Antes disso, eles conseguiram resgatar Lacerda do trem e o levaram para a sede da Lyra, onde houve o conflito. Conta-se também que os primeiros fundadores da entidade compravam os escravos mais velhos e depois davam a carta de alforria a eles. As lutas deste grupo não foram em vão, pois no dia 13 de maio de 1888 foi abolida a escravidão no Brasil.


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7 ARQUIVO

ESPECIAL 201 ANOS

Três Distritos que se tornaram cidades Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus deixaram de ser distritos de Macaé e conseguiram a tão sonhada emancipação Juliane Reis

Juliane@odebateon.com.br

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ntes de alcançar o status de Capital Nacional do Petróleo, a história econômica e cultural de Macaé foi construída por meio da participação de antigos distritos, que se transformaram em cidades por meio do processo de emancipação, e atuam hoje em parceria para o desenvolvimento do Norte Fluminense. Na relação estão os atuais municípios de Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus que conseguiram a tão sonhada emancipação e então deixaram de ser distritos de Macaé. O primeiro a conquistar sua independência foi Conceição de Macabu - um município localizado entre a serra e o mar na região norte do estado do Rio de

Janeiro, constituído por serras de altitudes que oscilam de 300 a 989 metros. A criação efetivou-se em 15 de março de 1952, quando foram desanexados os 5º e 10º distritos de Macaé (Conceição de Macabu e Macabuzinho), que passaram a constituir o 1º e o 2º distritos do atual município. Sua expansão econômica contou com rodovias e os trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina, que liga a capital ao norte do Estado, e o norte ao Espírito Santo. Em seguida foi a vez de Quissamã, que começou a sua luta por volta de 1952, quando aconteceu o primeiro encaminhamento à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de uma representação assinada por 1.166 eleitores reclamando a autonomia do então distrito de Macaé. Mas a resposta veio 38

anos depois (1989) e de 4º distrito de Macaé, Quissamã foi elevada a município. E por último está Carapebus. O município foi reconhecido como distrito de Macaé a partir de 1831, sendo o terceiro a alcançar a emancipação, seguindo os passos de Quissamã e Conceição de Macabu. O ano de sua emancipação foi 1995. O ato para consolidar a autonomia municipal aconteceu no Real Clube de Carapebus no qual foi desenvolvido um plebiscito no dia 13 de março de 1994, com o resultado a favor da emancipação, por uma maioria esmagadora de 3.497 contra 148 votos. Para oficializar, o Tribunal Regional Eleitoral aceitou o plebiscito em maio de 1995, e então instituiu definitivamente o município de Carapebus. ARQUIVO

Quissamã começou a sua luta por volta de 1952 e foi consagrado município em 1989 ARQUIVO

Conceição de Macabu foi o primeiro a conquistar a emancipação. A criação efetivou-se em 15 de março de 1952

Carapebus foi o terceiro a alcançar a emancipação, em 1995, seguindo os passos de Quissamã e Conceição de Macabu


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Macaé, terça-feira, 29 de julho de 2014

ESPECIAL 201 ANOS

Economia do petróleo impulsiona o crescimento territorial do município No decorrer dos últimos anos, novos bairros surgiram e outros passaram por transformações Marianna Fontes

KANÁ MANHÃES

marifontes@odebateon.com.br

E

m 201 anos, muita coisa mudou em Macaé, mas foram nas últimas décadas, após a chegada da Petrobras, que o crescimento da cidade foi tão significante. A cada dia que passa, a Capital do Petróleo vai se expandindo e, consequentemente, surgem novos bairros. Segundo a prefeitura, o último reordenamento territorial do município foi realizado no final de 2012. De acordo com ele, sugiram novas localidades, como, por exemplo, o Parque União, que compreende Jardim Carioca e Jardim Franco. Outros são tradicionais da cidade, como Imbetiba e Visconde de Araújo. Os próprios bairros tradicionais mudaram sua cara. Em meio as casas e prédios antigos, construções modernas vão nascendo, traçando novas características. O próprio cenário urbano também sofreu alterações e hoje é lembrado apenas pelas histórias dos moradores mais antigos e fotos da época. A Imbetiba, por exemplo, a orla que era considerada o ponto de encontro dos macaenses nas décadas de 70 e 80 sofreu uma grande obra de modernização, o que divide até hoje a opinião dos moradores. Mas esse é apenas um exemplo em vários. A Macaé antiga, onde a renda era quase toda oriunda da pesca, deu espaço à cidade do

O último reordenamento territorial realizado pela prefeitura em 2012 aponta o surgimento de novos bairros

petróleo. Caminhando pela cidade é possível ouvir diversos sotaques e línguas, isso porque o número de migrantes e imigrantes só cresce cada vez mais. Macaé reúne habitantes brasileiros, noruegueses, americanos, ingleses, entre outras

nacionalidades. Quanto a sua divisão geográfica, o município está dividido em Zona Urbana e Rural e Distritos e Subdistritos, que estão separados da seguinte forma: 1º Distrito - Macaé sede,

Divisão da zona urbana por áreas os bairros de Macaé, por razões de conveniência administrativa, ficam divididos em 11 (onze) Setores Administrativos, na seguinte forma: Setor Administrativo 01 - Cor Azul, englobando os bairros do Mirante da Lagoa, Lagoa, Imboassica; Bairro da Glória; Granja dos Cavaleiros; Cavaleiros; Praia do Pecado, Vale Encantado; São Marcos; Novo Cavaleiros; Cancela Preta e Jardim Vitória; Setor Administrativo 02 - Cor Amarelo, englobando os bairros do Riviera Fluminense, Novo Horizonte; Sol y Mar; Campo D`Oeste; Visconde de Araújo; Miramar; Praia Campista e Costa do Sol; Setor Administrativo 03 - Cor Verde, englobando os bairros Aroeira, Botafogo, Virgem Santa; Horto; Jardim

Santo Antônio (Jardim Santo Antônio e Nova Macaé), Malvinas. Setor Administrativo 04 Cor Vermelho, englobando os bairros do Centro, Imbetiba, Cajueiros e Alto dos Cajueiros; Setor Administrativo 05 - Cor Vinho, englobando os bairros da Barra de Macaé, Nova Esperança; Nova Holanda; Fronteira; Ajuda de Baixo; Ajuda de Cima e Parque União (Jardim Carioca e Jardim Franco); Setor Administrativo 06 - Cor Marrom, englobando os bairros do Parque Aeroporto, Parque Atlântico; São José do Barreto; Engenho da Praia; Lagomar e Cabiúnas; Setor Administrativo 07 - Cor Bege, abrangendo o Distrito do Sana; Setor Administrativo 08 - Cor Laranja, abrangen-

do o Distrito de Glicério; Setor Administrativo 09 - Cor Cinza, abrangendo o Distrito de Córrego do Ouro; Setor Administrativo 10 - Cor Azul Marinho, abrangendo o Distrito do Frade; Setor Administrativo 11 - Cor Branco, abrangendo o Distrito de Cachoeiros de Macaé; Setor Administrativo 06; 4º Subdistrito - Imboassica, abrangendo os bairros contidos no Setor Administrativo 01; 5º Subdistrito - Centro, abrangendo os bairros contidos nos Setores Administrativos 02, 03 e 04; 6º Subdistrito - Nova Cidade, abrangendo os bairros contidos no Setor Administrativo 03; 2º Distrito - Córrego do Ouro; 3º Distrito - Cachoeiros de Macaé; 4º Distrito - Glicério; 5º Distrito - Frade; 6º Distrito - Sana;

compreendendo: 1º Subdistrito - Barra de Macaé; abrangendo os bairros contidos no Setor Administrativo 05; 2º Subdistrito - Parque Aeroporto, abrangendo os bairros contidos nos Setores Administrativos 05 e 06; 3º Subdistrito - Cabiúnas,

abrangendo os bairros contidos no Setor Administrativo 06; 4º Subdistrito - Imboassica, abrangendo os bairros contidos no Setor Administrativo 01; 5º Subdistrito - Centro, abrangendo os bairros contidos nos Setores Administrativos 02,

03 e 04; 6º Subdistrito - Nova Cidade, abrangendo os bairros contidos no Setor Administrativo 03; 2º Distrito - Córrego do Ouro; 3º Distrito - Cachoeiros de Macaé; 4º Distrito - Glicério; 5º Distrito - Frade; 6º Distrito - Sana.


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ESPECIAL 201 ANOS

REBIO União: Pedaço de Mata Atlântica sobrevive em meio ao progresso Unidade de Conservação é reduto de diversas espécies da fauna ameaçadas de extinção Marianna Fontes

Wanderley Gil

marifontes@odebateon.com.br

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onsiderado um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do estado, a Reserva Biológica da União, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio, que corta os municípios de Macaé, Rio das Ostras e Casimiro de Abreu, é uma das principais áreas de preservação ambiental da região. Essa reserva foi criada através do Decreto de 22 de abril de 1998. O Art. 1º ressalta que o objetivo é assegurar a proteção e recuperação de remanescentes desse bioma e as espécies que vivem nela. De acordo com o § 1º, do Art. 2º, “ficam excluídos dos limites da Reserva Biológica os trechos da Rodovia BR-101 e da estrada de ferro que cortam a área, com as respectivas faixas de domínio, a subestação de energia, as redes de alta tensão, o oleoduto e o pátio ferroviário”. Este artigo diz que as empresas e órgãos responsáveis pelas vias de circulação, “deverão desenvolver suas atividades em estrita observância à legislação ambiental e às normas específicas, a serem estabelecidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA, não podendo expandir as suas atividades nos trechos que interferirem diretamente com a Reserva Biológica União”. Essa questão é um dos maiores motivos pelo impasse sobre a duplica-

Considerada uma Unidade de Conservação, a Reserva Biológica da União foi criada através do Decreto de 22 de abril de 1998

ção da BR-101 nesse trecho. Ao todo são 2.548 hectares de área preservada. Reduto de espécies da fauna e da flora, o local abriga diversos animais ameaçados de extinção, entre eles, papagaio-chauá, gavião-

pomba, preguiça de coleira, sabiá-pimenta, gato-maracajá, mico-leão-dourado, onça-parda, tiriba e tiriba-grande. Antes de dar origem a REBIO União, as terras integravam o imóvel rural “Fazenda União”,

ESPECIAL 201 ANOS

Cientista inglês Charles Darwin faz visita ilustre ao município de Macaé Wanderley Gil

Pai do Evolucionismo descansou em Conceição de Macabu, em expedição pelo Rio de Janeiro conhecido como o Pai do Evolucionismo, o cientista britânico Charles Robert Darwin (12 de fevereiro de 1809 - 19 de abril de 1882), responsável pela Teoria da Evolução das Espécies, esteve em Macaé no final do século XIX, em uma visita que, sem dúvidas, foi um marco para o município. Durante a sua expedição pelo Brasil, Darwin escolheu Conceição de Macabu, então território macaense, como seu refúgio de repouso para seguir sua viagem por 12 municípios fluminenses. A sua passagem por Macaé, em abril de 1832, inclui relatos do próprio cientista, relembrados em 2008, através do projeto Caminhos de Darwin, que refez o trajeto percorrido pelo evolucionista inglês em sua visita ao Rio de Janeiro. “(...) Dormimos na Venda do Mato, duas milhas (3,2 km) ao sul da foz do rio Macaé. Sentime indisposto a noite toda. Não foi preciso muita imaginação para figurar os horrores de adoecer em um país estrangeiro, incapaz de pronunciar uma só palavra e de obter ajuda médica (...)”, escreveu Charles Darwin em seu diário de bordo, revelando o seu desconforto quanto ao desgaste da viagem e dificuldade de comunicação. Exausto, o cientista encontrou em Conceição de Macabu as condições favoráveis para se recuperar e seguir viagem. Darwin permaneceu em Conceição de Macabu, na época território de Macaé, desde a noite de

Placa em homenagem a visita do cientista inglês é alvo constante de pichações

12 até 19 de abril de 1832, hospedado na Fazenda Sossego. Em outro relato, ele cita seu apreço pelas belezas naturais da cidade. "(...) Deixamos Sossego, cruzamos o rio Macaé e dormimos na Venda de Mato. À noite, caminhei pela praia e desfrutei da vista de uma arrebentação alta e violenta”, observou o Pai do Evolucionismo, segundo manuscrito publicado. A passagem de Charles Darwin pelos diferentes países por ocasião de sua viagem ao redor do mundo foi objeto de diversas pesquisas, entre elas o projeto Caminhos Darwin. Em 2009, comemorou-se o bicentenário de seu nascimento e os 150 anos do lançamento do livro "Origem das Espécies pela Seleção Natural". Muitos desconheciam a importância da sua estada no Brasil para o desenvolvimento da sua teoria ou sequer sabiam de sua passagem por terras brasileiras em 1832.

Com apenas 23 anos recémcompletados, Darwin conheceu o Brasil, em sua segunda parada após deixar a Inglaterra. Ele avistou os rochedos de São Pedro e São Paulo em 16 de fevereiro e Fernando de Noronha no dia 20 de fevereiro. Depois seguiu para a Bahia e daí para o Rio de Janeiro, onde chegou em 4 de abril e partiu em 5 de julho. Além da atual Capital, o trajeto de Charles Darwin pelo Estado do Rio incluiu cidades como Maricá, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Barra de São João, Macaé, Conceição de Macabu, Rio Bonito e Itaboraí, encerrando em Niterói. Em homenagem ao cientista, uma placa foi instalada próxima a sede da Prefeitura de Macaé. Mas, infelizmente, o que deveria ser uma lembrança desse marco histórico, hoje sofre com a ação de vândalos, sendo alvo constante de pichações.

que teve como dono, durante o século XIX, Joaquim Luiz Pereira de Souza, pai de Washington Luís (Presidente do Brasil entre os anos de 1926 e 1930). Em 1939, a Companhia inglesa “The Leopoldina Railway

Company Limited” adquiriu as terras com o intuito de fornecer lenha nativa para as antigas locomotivas movidas a vapor. Com a devastação causada, ocorreram os primeiros reflorestamentos, só que com

eucaliptos, árvores atípicas dessa região. Depois da crise financeira na década de 50, as terras voltaram a ser de domínio brasileiro. Em 1957, a Rede Ferroviária Federal S.A. ficou responsável pela administração da Fazenda União. Durante 39 anos, o plantio de eucalipto passou a ser uma forma de renda, já que eles eram utilizados como matéria-prima de peças para os trilhos das ferrovias. A preocupação com a preservação da parte ainda tomada pela Mata Atlântica começou em 1994, quando surgiram as primeiras famílias de mico-leãodourado. Esses animais foram remanejados no local através da técnica da Translocação. Após ser privatizada em 1996, a Rede Ferroviária Federal colocou a Fazenda União à venda. Na época, houve uma grande mobilização da comunidade científica nacional e internacional, ONG’s, Instituições Públicas da área ambiental e ambientalistas de várias nacionalidades, para que a área fosse protegida em forma de Unidade de Conservação (UC). Com a criação do Decreto que prevê a criação da REBIO União, uma das exigências é a retirada dos eucaliptos para a substituição por espécies nativas da Mata Atlântica. Dados divulgados pela Fundação SOS Mata Atlântica apontam que o desmatamento desse bioma cresceu consideravelmente nos últimos cinco anos. Atualmente, apenas 8,5% da cobertura original ainda resiste em todo o país.


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ESPECIAL 201 ANOS

Construção da Ponte Ivan Mundim uniu ainda mais a cidade Estrutura ligando a Barra de Macaé ao Centro foi fundada em janeiro de 1978 Marianna Fontes

WANDERLEY GIL

marifontes@odebateon.com.br

F

undada no dia 25 de janeiro de 1978, a Ponte Ivan Mundim, popularmente conhecida como a Ponte da Barra, veio para unir ainda mais a cidade. Antes, o acesso do Centro a bairros como Barra de Macaé e Parque Aeroporto era feito pela ponte antiga, ao lado da atual, que hoje funciona como passagem apenas para pedestres. A inauguração reuniu uma multidão e contou com a apresentação da banda do antigo Colégio Cenecista Professor Antônio Caetano Dias. Segundo o relato de alguns moradores que presenciaram esse momento, desde a construção, o nome escolhido foi uma homenagem ao engenheiro da ponte, Ivan Mundim, que faleceu antes da sua inauguração e não pôde ver o seu trabalho finalizado. Ao longo dos seus 36 anos, uma das questões que é aguardada até hoje é a duplicação da ponte, que sofre com os congestionamentos todos os dias, principalmente nos horários de pico. A travessia já não comporta o crescente fluxo de veículos. Diariamente, são milhares de carros, motos, caminhões e ônibus trafegando pela região. A execução da obra, que teria como proposta desafogar o conturbado trânsito que chega ao Centro da cidade, foi uma promessa feita pelos

Inauguração da nova ponte no final da década de 70, reuniu milhares de pessoas, entre políticos e munícipes

governos municipal e estadual há seis anos, porém até hoje essa medida não foi colocada em prática. Na época, a previsão era de que a duplicação da ponte custasse em torno de R$ 20 milhões.

Quem passa todos os dias pelo local, diz que essa medida é uma urgência para Macaé, tendo em vista o crescimento da cidade. “A cidade está crescendo cada vez mais e muita gente está migrando para esses bairros

ESPECIAL 201 ANOS

Em 1912 Macaé inaugurou a Fábrica de Fósforos Veado Naquele tempo, a fábrica proporcionava oportunidades de emprego a muita gente em Macaé 1912. Esse foi o ano em que foi inaugurada em Macaé a Fábrica de Fósforos Veado, na Avenida Rui Barbosa, hoje conhecida como Calçadão da Rua Direita. O empreendimento pertencia ao Coronel Antônio Martins da Costa, dirigida por ele e por seu genro, Dr. Paulino Monnerat, então Promotor Público. De acordo com dados históricos, naquele tempo, a fábrica proporcionava oportunidades de emprego a muita gente em Macaé, especialmente às mocinhas e aos meninos. O futuro do estabelecimento parecia promissor,

quando em 1930, a grande empresa foi adquirida pela Companhia Brasileira de Fósforos, que procurava estabelecer um truste em todo o país. Segundo os historiadores, a Companhia já tinha a intenção de fechar a Fábrica de Fósforos Veado pelo simples motivo de eliminar a concorrência, e assim foi feito, a Companhia Brasileira ficou, inclusive, com a matériaprima e com a maquinaria. E para comemorar o fechamento da empresa, foi oferecido um banquete exatamente às 20h para convidados especiais, como o governador da época, Oliveira Botelho, e o seu vice, João Guimarães. Por algum tempo, o enorme casarão ficou fechado, criando cupins e ratos, até que o Sr. Manoel Guilherme Taboada o

adquiriu do Coronel Costa pela importância de 35 contos de réis, que valeriam hoje cerca de R$ 2 milhões. O objetivo do capitalista português, há tanto tempo estabelecido em Macaé com sua empresa Taboada & Cia, e com “A Construtora”, era a construção do moderníssimo Cine-Teatro. O local, que por 18 anos foi casa da marca mais famosa de fósforos daquela época, deu lugar ao belíssimo Cine Teatro Taboada, também considerado um marco na cultura fluminense. Ainda segundo a história, a Fábrica de Fósforos funcionava do lado da Fábrica Lynce, cujos seus criadores foram o famoso Farrula, juntamente com Lacerda Agostinho. No local hoje funciona as Lojas Americanas, paralelamente ao Hotel Palace, inaugurado em 1932.

ESPECIAL 201 ANOS

Cine Teatro foi inaugurado em 1935 A inauguração aconteceu em um domingo de Páscoa após o período de construção entre 1930 e 1933 Ao longo desses 201 anos, Macaé coleciona diversas histórias. Construções, inaugurações, espaços que sem dúvida fizeram parte da vida das famílias que ajudaram a construir o município que hoje é conhecido como a Capital Nacional do Petróleo. De acordo com dados históricos, após a Fábrica de Fósforos Veado, surgiu o Cine Tatro Taboada, de estrutura bastante moderna para a época. O local era de uma estrutura extraordinária. As

obras que deram origem ao Cine começaram em 1930, logo após a venda da Fábrica. De 1932 para 1933, as obras foram finalizadas e no ano de 1935 aconteceu a tão esperada inauguração do famoso Cine Teatro Taboada, em um domingo de Páscoa. Ainda segundos os dados, o arquiteto e construtor foi Joaquim Murteira, e de acordo com informações, o ambiente era de extrema elegância e requinte, conhecido por toda região por ser muito luxuoso, composto por inúmeros camarotes, um palco de 15 metros de abertura com 10 metros de profundidade. Dados apontam que o local era um ambiente extremamente bem frequentado pelas autoridades e personalidades macaenses, além das tradi-

cionais famílias do município. Houve uma grande visão dos investidores ao iniciarem a construção, representando um grande desenvolvimento para a cidade. Só em 1982, após quase 50 anos de funcionamento, o Cine Teatro foi fechado, mas antes disso, o último filme exibido foi a “A Lagoa Azul”. O local foi fechado sem maiores motivos. O pipoqueiro chegava todos os dias, como de costume, para vender suas pipocas e um dia, ao parar em frente ao Cine, notou que estava tudo fechado. Passado algum tempo, a classe cultural de Macaé se revoltou e realizou uma manifestação na Praça Washington Luís, e marcando presença em grande quantidade, estavam os jovens do município.

mais distantes. Eu moro no São José do Barreto e venho todo dia para o trabalho. A ponte é a principal opção de acesso ao Centro e não comporta mais a grande quantidade de veículos que passam por ela diariamen-

te. Dependendo do horário, você fica um bom tempo parado. O ideal seria a duplicação, mas não sei como isso seria feito”, relata Valéria Ramos. Apesar de estar situada no território de Macaé, a Pon-

te Ivan Mundim faz parte da extensão da rodovia estadual RJ-106 (Amaral Peixoto), que interliga a BR 101 à Região dos Lagos, cortando quase que ao meio parte do trecho urbano da cidade.


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ESPECIAL 201 ANOS

Rio Macaé é responsável pelo abastecimento da cidade Despejo de efluentes e a favelização nas margens estão entre os fatores que comprometem o recurso hídrico Marianna Fontes

marifontes@odebateon.com.br

U

m rio que compreende cerca de 1.766 km2 e abrange grande parte do município de Macaé e parcelas dos municípios de Nova Friburgo, onde estão localizadas as nascentes, de Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Conceição de Macabu e Carapebus sendo que, aproximadamente, 82% da superfície da bacia está no município de Macaé. Assim é o Rio Macaé, que há décadas vem lutando pela sobrevivência, em especial, na tão conhecida Capital do Petróleo. Ele é um importante recurso hídrico responsável por abastecer diversos municípios, mas está se tornando um rio contaminado por efluentes. Estudos sobre a qualidade da água vêm sendo feitos por pesquisadores do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé (Nupem) nos últimos anos. O objetivo é realizar o enquadramento do Rio Macaé aos índices de qualidade das águas como o CONAMA 357, obter dados de vazão e da disponibilidade hídrica para realizar balanços de oferta e demanda de água ao longo da bacia visando a gestão do ambiente. De acordo com as pesquisas mais recentes, os resultados preliminares indicam que de uma maneira geral o Rio Macaé pode ser considerado Classe 1, segundo o CONAMA 357 até a porção na linha azul, sendo um rio com boa qualidade. Porém, a porção da foz do rio que recebe boa parte do esgoto não tratado da cidade é classificada como classe 2, 3 e 4, dependendo da presença da água do mar ou do rio, que dilui ou concentra os efluentes da cidade. “Posteriormente, os dados de vazão irão ser comparados com o consumo de água pelas diversas partes da bacia determinando o balanço entre oferta e consumo. Os dados de vazão e qualidade da água serão utilizados para o cálculo dos fluxos de carbono, nitrogênio e fósforo indicando áreas na bacia que retêm ou exportam estes nutrientes sendo mais ou menos suscetíveis a eventos de poluição. Por fim, estes dados irão determinar o funcionamento e os processos hidrológicos da bacia do rio Macaé durante períodos de chuva e seca indicando formas de gestão do recurso fluvial”, esclarece um dos pesquisadores. Eles falam também do que seria necessário para a sobrevivência e despoluição do rio. Entre os fatores apontados estão o saneamento básico reduzindo a emissão de esgoto doméstico e controle das

WANDERLEY GIL

emissões da pecuária e agricultura preservando a composição química das águas do rio; plantação da mata ciliar do rio e preservar todos os fragmentos florestais da bacia pois dados atuais mostram que a vegetação florestal aumenta a umidade aumentando a quantidade de ocorrência de chuvas. Zoneamento ecológico e econômico da bacia estipulando áreas de preservação do recurso natural e áreas para urbanização, agricultura pecuária, etc.

Apesar de ser responsável pelo abastecimento de água na cidade, o Rio Macaé segue ameaçado e assoreado

CELEBRAÇÃO

Desfile cívico-militar acontece na Imbetiba esta terça-feira (29) será marcada pelo desfile cívico de 201 anos de fundação da vila de Macaé. A programação será às 10h, na Avenida Elias Agostinho, na Imbetiba. A concentração será na Avenida Agenor Caldas, que fica no mesmo bairro. Este ano, o tema principal do desfile será “Direitos humanos e boa convivência”. A expectativa é que um público de quatro mil pessoas participe do evento. O desfile será aberto com a revista da tropa feita pelo prefeito de Macaé, Dr. Aluízio, e o comando do Forte Marechal Hermes, às 9h45. Para melhor atender às crianças, será montado ao lado do palanque oficial uma tenda específica para receber representações do segmento da Educação Infantil, acompanhados de pais e professores. Também haverá espaço direcionado aos idosos e pessoas que apresentam deficiência. O desfile cívico-militar será focado nas cores azul e branco. A programação contará com representantes das corporações do Forte Marechal Hermes, 9°Grupamento de Bombeiros Militar, da Guarda Civil Municipal e Defesa Civil, 32º Batalhão da Polícia Militar, Banda dos Veteranos, Guarda Civil Municipal, Marinha do Brasil e Capitania dos Portos. Também vão fazer parte do evento as secretarias de Mobilidade Urbana, Educação e Saúde, Escola Municipal de Artes Maria José Guedes, Apae, Coordenadoria da Terceira Idade e Associação Macaense do Deficiente Auditivo (Amada). Na lista também estão o Instituto Politécnico, Lions Clube de Macaé, Lira dos Conspiradores e Moto Clube de Macaé. O evento contará com sete pelotões, que vão abordar temas que visam fortalecer vínculos necessários ao exercício da cidadania em ambientes como escola, casa e trânsito.

LAGOA DE IMBOASSICA

Importante recurso hídrico luta pela sobrevivência Recentemente Esane e Secretaria de Ambiente apontaram iniciativas que já foram tomadas e destacam a construção de ETEs nesta terça-feira, 29 de julho, Macaé completa 201 anos de história, de crescimento, em especial após a chegada da Petrobras na cidade. Mas, não são apenas dados positivos que retratam a história do conhecido município que de Princesinha do Atlântico ganhou o titulo de Capital do Petróleo. A falta de saneamento

básico na cidade é apontada por profissionais e até mesmo população de modo geral como uma grande problemática na cidade. A Lagoa de Imboassica, por exemplo, até então considerada um verdadeiro depósito de esgoto, segundo o órgão municipal parece estar começando a viver uma nova era. Há um ano, quando procurada pela redação do Jornal O Debate, a Prefeitura informou que a preservação do ambiente e o saneamento básico estavam recebendo atenção do governo municipal e a previsão era de que até o final de 2016, todo o município conte com 100%

do esgoto tratado adequadamente. Já em junho, mês em que se comemorou o Dia do Meio Ambiente, a secretaria de Ambiente e a Empresa Pública Municipal de Saneamento (Esane), através de seu presidente Marcos Roberto Muffareg, ressaltou que a meta continua e resultados já começaram a ser alcançados, iniciando pela construção e ativação de ETEs evitando, assim, o lançamento de dejetos na Lagoa de Imboassica. Muffareg explicou que para atender a área central, até o final desse ano está prevista a conclusão da obra da ETE Centro (iniciativa da Esane

e Odebrecht Ambiental) que está sendo construída na Linha Verde e próximo ao sambódromo. “A estação terá cinco módulos, cada um com capacidade de captar e tratar 100 litros de esgoto por segundo (100l/s) e atender a 50 mil habitantes. Pode até não parecer muito com base no número de habitantes do município, mas é um começo e um grande passo para essa questão do saneamento na cidade. Essa ETE vai atender todo o Centro da cidade, começando de parte do São Marcos até a subida da Ponte Ivan Mundin, abrangendo as localidades de Miramar, Vis-

conde de Araújo, Sol y Mar, Cajueiros, Imbetiba, Riviera, Cancela Preta, Novo Cavaleiros, entre outras”, disse Muffareg. Ele disse ainda que grande parte da comunidade de todo entorno da Lagoa já está com rede. “Nossa parte a gente fez, que foi instalar a rede, agora cabe a cada morador fazer a ligação em suas residências. Não basta apenas ações da Prefeitura, a população também tem que fazer a sua parte. E com todas as redes ligadas, vamos lutar para combater os lançamentos clandestinos. O decreto 070 determina às pessoas, aos moradores a fazerem suas

ligações”, ressaltou. E quanto a Lagoa Imboassica, na época o até então secretário de Ambiente disse que o governo tem feito investimentos com as construções de várias ETEs, algumas já em funcionamento. O Mirante da Lagoa, Jardim Guanabara, Praia do Pecado e parte do São Marcos e Vale dos Cristais, por exemplo, já estão com rede jogando para a ETE do Mutum, com isso cerca de 70 a 80% da população do entorno da Lagoa Imboassica, segundo o secretário, já estão aptos a receber as ligações e jogar o esgoto para a ETE Mutum.


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ESPECIAL 201 ANOS

Ypiranga Futebol Clube: do passado glorioso à decadência Prédio que abrigou bailes e apresentações culturais que reuniram a sociedade macaense, hoje segue à mercê da ação do tempo Márcio Siqueira

marcio@odebateon.com.br

D

os tempos áureos da Princesinha do Atlântico, no período em que o cotidiano da cidade era conduzido no mesmo ritmo das ondas do mar, na brisa da maré, o Clube Ypiranga era o sinônimo de festa para a sociedade macaense. Porém, apontado como uma das “vítimas do progresso”, hoje a sede de tantas programações importantes para a cidade, que chegou a receber também presos políticos na Ditadura Militar, torna-se mais um prédio histórico da cidade que tenta resistir ao tempo, esquecido em meio ao ritmo acelerado da Capital Nacional do Petróleo. Mas, antes de ser reconhecido por seus bailes e pelas conquistas em esportes como futebol de salão, basquete e vôlei, o prédio situado na Avenida Presidente Sodré abrigou o Clube do Abaetés, fundado pelo fazendeiro Manequinho Paes. Segundo historiadores e moradores antigos da cidade, o Abaetés foi fundado pelo fazendeiro depois de um desentendimento com a direção do Tênis Clube, do qual era sócio. A história conta também que a ideia de Manequinho era criar em Macaé um moderno cassino de jogos e roletas, mas em 1945 o general Eurico Dutra, então presidente do país, baixou um decreto proibindo jogos de azar, decreto que dura ainda até hoje. Diante do impedimento do governo, o Abaetés tornou-se

um clube onde eram realizados suntuosos bailes de formatura, frequentado pela alta sociedade macaense. No entanto, com o passar do tempo, a manutenção do Clube acabou sendo inviável e o prédio foi vendido para Lacerda Agostinho que, em 1926, fundou o Ypiranga Futebol Clube. Em pouco tempo, o salão principal tornou-se o espaço dos principais bailes realizados em Macaé, já a quadra construída nos fundos da propriedade tornou-se o berço do futebol de salão na cidade, marcando assim o início do período e glória de sucesso do time que tinha como rivais o Fluminense e o Americano, de Campos dos Goytacazes. Com o passar do tempo, a quadra recebeu uma proteção e virou berço também de times vitoriosos de basquete e de vôlei. O espaço serviu de palco também para apresentação de grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB) como Ivan Lins e Roberto Carlos, além de concursos para escolhas de Miss Macaé. Anos depois, o Ypiranga recebeu a rádio ZYP-21- Rádio Princesa do Atlântico, que tinha auditório e realizava programas de calouros, comandados nos finais de semana pelo apresentador Carlos Couto. Na área, eram realizados também bailes de carnaval, por volta da década de 80. Com a descoberta do petróleo e o início das atividades da exploração na Bacia de Campos, a

ARQUIVO

Devido à ação do tempo e a falta de manutenção, o prédio do Clube Ypiranga apresenta problemas em sua estrutura

cidade se modernizou e teve seu eixo de atividades sociais deslocado para a região praiana, sobretudo a Praia dos Cavaleiros. Mesmo assim, alguns dos sócios proprietários de títulos do Ypiranga continuaram a frequentar, pelo menos, a quadra poliesportiva para praticar futebol de salão. Já o salão,

que no passado foi palco para o início de relacionamentos que duram até hoje, acabou se transformando em espaço para bailes de músicas modernas como funk e forró. Nesse período, a beleza de um dos prédios mais importantes de Macaé acabou sendo substituída por paredes descascadas, racha-

das e com infiltrações. Mesmo com as pequenas reformas estruturais realizadas pelas últimas diretorias do Clube, os salões do Ypiranga perderam o glamour. Hoje, o prédio da Avenida Presidente Sodré, tornou-se um verdadeiro “elefante branco” ao lado da imponência da Câmara de Vereadores. Até o fim de

2012, o prédio chegou a abrigar a equipe responsável pela elaboração da programação alusiva à celebração dos 200 anos de Macaé, comemorados em 2013. Apesar do prédio do Ypiranga ser hoje estranho aos olhos da atual juventude de Macaé, ainda vive um triste e decadente imbróglio.


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Canal Macaé-Campos: marco para a economia e o progresso Estrutura foi criada como rota de comércio e hoje registra impactos ambientais gerados pelo progresso

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strutura que marcou a rota comercial entre áreas que registraram progresso, através da agricultura e da pecuária, o Canal MacaéCampos tornou-se ao longo dos últimos 40 anos o símbolo do progresso gerado sem o planejamento público necessário para evitar danos ambientais no município. O Canal corta os municípios de Campos dos Goytacazes, Quissamã, Carapebus e Macaé. É considerado como uma das maiores obras de engenharia do país da época do Império. O seu percurso, com uma largura média de 15 metros, estendia-se por 106 quilômetros, sem contar os diversos canais de derivação. Considerando-se apenas a extensão, é o segundo canal artificial mais longo do mundo, sendo superado apenas pelo Canal de Suez (163 quilômetros), e superando o Canal do Panamá (82 quilômetros). A ideia foi de José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho, bispo de Olinda, nascido em Campos dos Goytacazes, trazida a público na obra "Ensaio Econômico sobre o Comércio de Portugal e suas Colônias" (Lisboa, 1794), no qual sugeriu a construção de um canal que unisse os rios Macaé e Paraíba do Sul, passando pelos rios Ururaí e Macabu (que deságuam na lagoa Feia), e pelas lagoas de Carapebus. Este foi o trajeto posteriormente adotado. Em 1833, a Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes encaminhou uma representação ao então presidente da Província do Rio de Janeiro sobre a utilidade de um canal "... por onde pudessem sair em qualquer tempo os produtos agrícolas do município e outros gêneros de consumo." O 1º barão e Visconde de Araruama tornou-se o grande incentivador da obra quando, em 1836, publicou a "Memória sobre a abertura de um novo canal para facilitar a comunicação entre a cidade de Campos dos Goytacazes e a vila de S. João de Macaé". Ali, afirmava que a construção de um canal "... contribuiria para o dessecamento dos pantanais da região, para a fluência das águas estagnadas, para o transporte por via fluvial e para a substituição do porto de São João da Barra, com foz perigosa, pelo de Macaé". Ao mesmo tempo, utilizou a sua influência política para convencer ao governo provincial a realizar as obras que iriam beneficiar diretamente as suas propriedades. Embora seja frequentemente referido que o barão e visconde

WANDERLEY GIL

O Canal corta os municípios de Campos dos Goytacazes, Quissamã, Carapebus e Macaé

de Araruama concebeu o projeto, o seu próprio filho, João José Carneiro da Silva, barão do Monte de Cedro, atribuiu a ideia ao bispo de Olinda citado e também a José Silvestre Rabelo. O projeto do canal, datado de 1837, é de autoria do engenheiro inglês John Henry Freese. A sua construção foi autorizada por lei da Assembleia Provincial do Rio de Janeiro em 19 de outubro do mesmo ano. O canal foi concebido principalmente como uma hidrovia para transporte do açúcar produzido na região de Quissamã e Carapebus, que até então era transportado até o porto de Imbetiba (Macaé) por carros de bois ou por via marítima através da lagoa Feia, do canal das Flexas e da barra do Furado. As demais opções naturais de transporte marítimo passavam pelo rio Paraíba do Sul ou pelo porto de São João da Barra, mas tinham percursos mais extensos e não atendiam às fazendas em Quissamã e Carapebus. De qualquer modo, o transporte marítimo de carga em pequenas embarcações, desde a barra do Paraíba do Sul ou da barra do

Furado (canal das Flexas) até ao porto de Imbetiba, era arriscado. A barra do Paraíba do Sul era especialmente temida pela quantidade de acidentes. Complementarmente, o canal serviria para sanear a região pantanosa de Quissamã, na época infestada por mosquitos transmissores da febre palustre, contribuindo para a drenagem de brejos, aumentando a superfície de terras cultiváveis, a ser aproveitada no cultivo da cana-de-açúcar ou como campos de pastagem. Charles Ribeyrolles, na sua obra "Brésil pittoresque", listou vinte lagoas que foram inteiramente drenadas com a construção do canal e outras mais profundas, como as lagoas do Jesus, Paulista e de Carapebus, que foram esvaziadas parcialmente. O próprio barão e visconde de Araruama foi contratado para a empreitada. A comissão do governo provincial, encarregada do projeto, era composta por ele e por seu irmão, o 1º barão de Ururaí, que a presidia. O primeiro engenheiro responsável pelas obras foi o tenentecoronel Ernesto Augusto César Eduardo de Miranda.

Início das obras as obras se iniciaram oficialmente em 1º de outubro de 1844, estendendo-se até 1861, utilizando a mão de obra de escravos africanos. O contrato exigia que o canal tivesse 30 palmos à flor d'água (cerca de 6,60 metros de profundidade), o que causou o desmoronamento de certos trechos, onde demandou o seu alargamento. Estima-se que a obra tenha custado dois mil contos de réis. Em 1847, o imperador D. Pedro II fez uma viagem para conhecer a próspera região Norte-Fluminense e, especialmente, para inspecionar as obras do canal, tendo se hospedado na Casa da Fazenda Quissamã, pertencente ao barão e visconde de Araruama. No ano de 1858, apesar de ainda em obras na vizinhança de Macaé, já era utilizado para o transporte de mercadorias e de passageiros. As embarcações utilizadas eram balsas de toras de madeira, tabuados, pranchas e canoas. Relata-se

que o canal era percorrido por balsas com mais de 100 braças (220 metros) de comprimento, empregando de 30 a 40 remadores. Computou-se o tráfego de 60 pranchas grandes e pequenas, algumas com até 100 braças (220 metros) de comprimento e 13 palmos de boca (2,86 metros de largura). Nos trechos em que ainda transcorriam obras, as cargas e os passageiros tinham que passar por baldeação em carros de boi ou no lombo de animais. O barão e visconde de Araruama, além da execução das obras, também foi contratado para efetuar a conservação do canal nos trechos que passavam a ser utilizados. O contrato de conservação expirou em 1858 e o governo abriu uma licitação para renová-lo. A única proposta apresentada foi de autoria do barão e visconde de Araruama que, assim, foi recontratado para mais um período de conservação. O canal tinha toda a sua ex-

tensão aberta à navegação em 1861, porém, somente em 1872 passou a ser navegado por uma embarcação a vapor (o "Vapor Visconde"), que transportava carga e passageiros, além das embarcações tradicionais movidas a remos e varas. Em sua primeira viagem, o vapor Visconde partiu de Campos no dia 19 de fevereiro de 1872 rebocando uma prancha com 11 passageiros e levou quase dois dias completos para chegar à Macaé. O uso desta hidrovia entrou em declínio após 1874 com o início da operação da Estrada de Ferro Macaé e Campos, que oferecia maior rapidez e menor custo de operação. No século XX, a partir de 1935 foram promovidas várias obras de dragagem que incorporaram o canal a uma rede de canais e comportas utilizada para drenagem e despejo de esgotos na Baixada Campista. A extensão total dessa rede é de 1.450 quilômetros.


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KANÁ MANHÃES

O Parque conta com 44km de praias e 18 lagoas costeiras de rara beleza. Além de diversas espécies da fauna e da flora

Município engloba parte de uma das UC mais bem preservadas do país Apesar de contar com apenas 1% do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, investimentos estão sendo feitos na UC na área que abrange a cidade Juliane Reis

Juliane@odebateon.com.br

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onhecida como a Capital Nacional do Petróleo, Macaé conta com ótimas opções para quem deseja um lugar de lazer no meio da natureza. Entre as belezas naturais que ajudam a compor a história do município estão o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba considerada uma das unidades de conservação (UC) mais bem preservadas do país. Este ano a unidade que foi criada em 1998 completou o 16º aniversário. Além de Macaé, que comporta 1% da área,

o parque engloba os municípios de Carapebus (34%) e Quissamã (65%) e é composta por 44km de praias e 18 lagoas costeiras de rara beleza. Desse total, 16 são permanentes e duas são sazonais (dependem de quando chove para aparecer). Além das 18 lagoas, os dados institucionais do Parque apontam ainda que há centenas de pequenos brejos, cada qual com sua característica físico-química da água e, consequentemente, com diferente vegetação e animais. E tem mais, ao longo de toda sua extensão, esse pequeno espaço intocado é reduto

de diversas espécies da fauna e da flora. A sua vegetação é considerada de fundamental importância para todo equilíbrio ecológico. Dentro dele é possível encontrar os seguintes tipos de vegetação: moitas, aquática, pós-praia e florestas pantanosas e periodicamente inundadas. A vegetação em moitas compõe aproximadamente 40% da total do parque. Ela é formada por plantas arbustivas em um solo arenoso com poucas ervas de pequeno porte. No meio delas é possível encontrar plantas resistentes a ambientes secos, como, por exemplo, a Palmeirinha

Juruba, as Bromélias e os Cactos. A unidade também tem uma rica vegetação aquática, que corresponde a 7% do parque. São plantas associadas a baixa oxigenação do solo, devido ao alagamento, ou com características que favorecem a flutuabilidade. E próxima a costa marinha, encontra-se a vegetação póspraia, que é possível ser vista em apenas 1% do parque. Elas são plantas herbáceas, rasteiras, altamente resistentes ao vento e ao sal que vem do mar. Elas ajudam a conter os impactos na costa terrestre, entre eles, a contenção do movimen-

to das areias. Em meio a tantas características, o Parque também é considerado uma das Unidades de Conservação do Brasil com maior número de pesquisas científicas em desenvolvimento e para atender cada vez os anseios dos visitantes a unidade vem recebendo investimentos. Em junho deste ano, na área pertencente a Macaé foi inaugurado o Complexo de Visitação. O espaço ainda segue em obra e a previsão é de que tudo seja concluído ainda no final deste mês. O projeto é fruto de um Termo de Ajustamento de

Conduta (TAC) entre o MPF, ICMbio, NUPEM, Transpetro e a Petrobras - assinado em 29 de junho de 2011. O espaço conta com Área administrativa, Auditório para 70 pessoas, Lanchonetes, Loja de souvenir, Hall de exposições, Guarita de vigilância, Vestiários, Sala para brigadistas e guarda ambiental, Garagem para os carros e barcos da unidade, Torre de observação de incêndios, Ciclovia, Estacionamento, Quiosque e Ambulatório. Interessados em conhecer a Unidade devem agendar as visitas pelo e-mail: parnajurubatiba@icmbio.gov.br.


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KANÁ MANHÃES

Ao longo desses mais de 400 anos, o Forte viveu ciclos distintos e acompanhou movimentos sociais, políticos e econômicos da região Norte Fluminense

ESPECIAL 201 ANOS

Forte Marechal Hermes: 401 anos de história Espaço foi criado aproximadamente 200 anos antes da emancipação política e administrativa de Macaé e é considerado como um dos maiores patrimônios da cidade

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esta terça-feira, Macaé, cidade conhecida como a Capital Nacional do Petróleo completa 201 anos de emancipação política e administrativa. E em meio às comemorações, um importante patrimônio histórico não poderia ficar de fora. Trata-se do Forte Marechal Hermes que este ano completou 401 anos. Ao longo desses mais de 400 anos, o Forte viveu ciclos distintos e acompanhou movimentos sociais, políticos e econômicos da região Norte Fluminense. Sua instalação ocorreu em 16 de março de 1613 e foi motivada pela necessidade da Coroa Espanhola de povoar a região. E com a ameaça de ser de-

sativado por diversas vezes ao longo da sua história, a construção, que já serviu de cenário para o filme que contou parte da história de um dos personagens mais importantes da história de Macaé, Mota Coqueiro, hoje é símbolo da força e da disciplina militar, atraindo os olhares de visitantes, e despertando o interesse de crianças, jovens e adultos. Segundo dados históricos, a história do Forte Marechal Hermes da Fonseca começou muito antes que a de Macaé. O Forte foi construído no início do século XVII, mais precisamente no ano de 1613 e se divide em duas fases: a primeira com início em 16 de março de

1613 com a instalação do Forte Santo Antônio de Monte Frio, e termina com a sua desativação em 19 de novembro de 1859, e alguns acharam muita coincidência com a praga rogada por Manoel da Mota Coqueiro antes de seu enforcamento, porque não só essa fortificação foi desativada, como outras do Estado do Rio de Janeiro, por ordem do então Ministro da Guerra, o Coronel reformado Sebastião do Rego Barros "por não serem satisfatórias suas condições defensivas e muito onerosa ao Tesouro Nacional a sua conservação". E não é só isso, os anos se passaram e o segundo ciclo

“Abraço ao Forte” um dos movimentos populares mais importantes de Macaé aconteceu em 1995: o Abraço ao Forte. A história começou quando o 10º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado no Forte Marechal Hermes da Fonseca foi ameaçado de extinção pelo Comando do Exército, que estava prestes a fechar as suas portas. Na época, a especialização do Forte era Artilharia de Costa e com o plano de modernização do Exército, essa doutrina seria extinta. O comando militar ha-

via assinado o documento que colocava à venda o local onde ficam as instalações do Forte. O motivo era que este grupo não seria mais necessário, haja vista que a costa é muito extensa e o avanço tecnológico permitiu barcos mais velozes e melhores técnicas navais, e o Forte não seria o suficiente para a defesa da costa. Além do mais, sua utilidade havia sido maior na época em que o porto tinha uma grande importância, quando as vias marítimas eram mais usadas. Por isso, foi resolvido tornar a

artilharia de costa inoperante. Para evitar a venda do Forte, o então prefeito Silvio Lopes Teixeira, encaminhou à Câmara um projeto de Lei para votação de urgência, o qual visou o tombamento do acervo cultural e histórico daquela unidade militar, e celebrar o convênio com a União, segundo o artigo 1º da Lei nº 9.636/98, visando promover a preservação do sítio onde a instituição está localizada. A proposta era proteger a área do entorno e a edificação.

econômico de Macaé gerado pelas construções do Canal e da Ferrovia Macaé-Campos e pela lavoura cafeeira nos Distritos Serranos, fez com que o porto voltasse a ter uma enorme importância comercial no fim do período imperial. Foi então, no ano de 1893, que o Presidente da República, Marechal Floriano Peixoto, concluiu sobre a "necessidade de se fortificar, para proteger um porto, como o de Macaé, tão vizinho à Capital da Nação e de tão fácil acesso", motivando, assim, a inauguração do Forte Marechal Hermes, em 15 de abril de 1910 pelo Ministro da Guerra, o Exmo. General José Bernardino Bormann, na

presença do Marechal Hermes da Fonseca, presidente eleito da República e demais autoridades civis e militares. O presidente eleito e sua comitiva foram recebidos pelo Coronel José de Lima, neto de Caxias, seguindo, posteriormente, de carruagem, até o local da inauguração. O porto era de extrema importância na época da canade-açúcar, o comércio do café estava no seu início e o sal que era produzido em Cabo Frio eram todos comercializados através do porto de Macaé, que se tornou na época o 6º porto mais utilizado do Brasil. Os engenheiros que realizaram o projeto do Forte,

ajudaram na criação da cidade de Macaé e durante esses 393 anos, o Forte participou e fez história, estando em movimentos sociais, políticos e econômicos da região. Hoje considerado como um marco, o Forte representa as conquistas alcançadas pela cidade, suportando os ataques e os desafios e com isso a 9ª Bateria de Artilharia Antiáerea (Escola) - Forte Marechal Hermes - é a única organização militar representante do Exército Brasileiro na Guarnição, sendo por isso, fiel depositária dos ideais militares de servir à pátria e incólume baluarte de todas as tradições da poderosa Artilharia.


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ESPECIAL 201 ANOS

Teatro Municipal de Macaé é reinaugurado em grande estilo Reforma deixa o Teatro Municipal de Macaé impecável, sendo entregue à população Isis Maria Borges Gomes

WANDERLEY GIL

isismaria@odebateon.com.br

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pós um longo período fechado para reformas, o Teatro Municipal de Macaé reabriu suas portas apresentando todos os requisitos de uma boa casa de espetáculo: beleza, modernidade e total segurança. Assim, o Teatro retornou à cena macaense, depois de ter cumprido todas as normas estruturais de segurança e de produção técnica. Neste sentido, a entrega do Teatro Municipal de Macaé aconteceu no mês de maio, durante cerimônia oficial presidida pelo Prefeito Dr. Aluízio Santos, reservada para autoridades, classe artística, imprensa e amigos da cultura. Em seguida, ainda na noite de reinauguração, houve a apresentação do espetáculo ‘Tempo de Amar’, contando com a participação dos atores Nathalia Timberg, Du Moscovis, da cantora Zélia Ducan, do cartunista André Dahmer, da cantora lírica Letuce, e da bailarina Carolina Bianchi. Na ocasião, o presidente da Fundação Macaé de Cultura, Juliano Tanus Fonseca, informou que foram cumpridas todas as exigências feitas pelo Ministério Público e pelo Cor- O Teatro retornou à cena macaense, depois de ter cumprido todas as normas estruturais de segurança e de produção técnica po de Bombeiros, visando imEm janeiro de 2010, foi en- novos camarins, que foram mo- Cia de Teatro), (O Judas em Sá- mi; quadro de debates, com a plantar um eficiente sistema preventivo de incêndio, além viado o projeto do sistema de biliados e decorados, para ofe- bado de Aleluia (COMBITea- mediação do professor Julio de concluir as obras de reforma prevenção de incêndio e pânico recer mais conforto aos artistas. tro), Cidade do Sorriso; shows Diniz, da PUC-RJ e com o ator ao Corpo de Bombeiros, mas o e restauração do prédio. de Luiz Melodia, Tony Garrido; Milton Gonçalves; Mostra de "Nosso maior desafio até laudo para a autorização da re- VIVA TEATRO Danilo Caymmi e Estela Caym- Esquetes e batepapo ao final A reabertura do teatro foi aqui acaba de ser superado forma só foi enviado pelo órgão e pela primeira vez o Teatro no mês de abril do mesmo ano. marcada por uma intensa proMunicipal de Macaé será aber- A partir daí, as obras de refor- gramação, que transcorreu to totalmente legalizado, com ma estruturais daquela casa de durante todo o mês de maio todo conforto e segurança”, espetáculo foram iniciadas, no e início de junho. O tema desdeclarou o presidente, acres- sentido de que fossem executa- ta novidade foi ‘Viva Teatro’, centando que esta é hora de das todas as obras de adequação como forma de dar um desdocelebrar a abertura do Teatro às normas de Segurança do Cor- bramaneto ao projeto Festival Viva Cultura, que promoveu um com a classe artística e toda po de Bombeiros. mês inteiro de atrações para tosociedade macaense. “Por isso dos os gostos, durante o mês de lançamos o projeto Viva Tea- A NOVA INFRAESTRUTURA Juliano esclarece que o Tea- novembro do ano passado, pela tro, durante um mês inteiro de grandes espetáculos culturais, tro ganhou portas antichamas passagem do Dia da Cultura (5). Assim, o grande público pôde que acontecerão gratuitamen- com maçanetas de antipânico, te no Teatro Municipal de Ma- poltronas, carpetes e cortinas desfrutar do Teatro Municipal, ignifugados, sistema central aplaudindo as mais diversas cae”, concluiu. de climatização; o maquinário atrações artísticas de uma proO FECHAMENTO DO TEATRO cênico foi substituído por outro gramação, destacando-se as Em 5 de maio de 2007, o de avançada tecnologia, cons- seguintes apresentações: peça Ministério Público instaura tando de quatro varas cênicas teatral “Ciúme”; show da cantoprocedimento preparatório automatizadas com travas de ra Alcione; peça Roberto Zucco referente a irregularidades do segurança; os corredores estão (Grupo da EMART); espetácuTeatro Municipal de Macaé, mais espaçosos, para permitir a los Por Gentileza (Mimos Braapontando, inclusive, a falta rota de pânico e fuga (em caso sil), Vestido de Noiva (Grutta de alvará de funcionamento de acidente). Para atender esta Teatral), O Juiz de Paz (Fio Cia do Corpo de Bombeiros, den- norma, foram retiradas algumas Teatral), O vaqueiro que não tre muitos outras normas de poltronas, ficando atualmente sabia mentir (Cutucurim), O segurança não atendidas. Mas o 322 lugares. quarto de Bianca (Interferênteatro só foi fechado para obras O presidente explica ainda cia), Minha alma é nada depois em dezembro de 2009. que o Teatro conta ainda com dessa história (Os Ciclomáticos

com o diretor Paulo Marcos de Carvalho; teatro infantil com Bia Bedran; show da cantora Adriana Calcanhoto; show de João Bosco.


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Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo passou por duas grandes reformas desde sua construção

ESPECIAL 201 ANOS

Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo: símbolo da política macaense Situado em um dos pontos mais importantes da cidade, o Palácio já foi palco de atos políticos e populares que marcaram a história Márcio Siqueira

marcio@odebateon.com.br

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ais que um marco arquitetônico, em virtude dos belos desenhos, o Palácio Cláudio Mo-

acyr de Azevedo surge como o símbolo maior da política macaense ao sediar, em parte dos seus 177 anos de história, as atividades de dois poderes fundamentais à gestão da Princesinha do Atlântico de

outrora: o Executivo e o Legislativo. Situado em um dos pontos mais importantes da cidade, o Palácio já foi palco de atos políticos e populares que marcaram a história do muni-

Cláudio Moacyr de Azevedo: ícone da representação política cláudio Moacyr de Azevedo (1935-1995) nasceu em Macaé. Formado em Direito, atuou como advogado e foi também Procurador do Estado. Durante a década de 1960 foi secretário-geral da União Fluminense dos Estudantes e presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF). Em 1967, foi empossado como prefeito de Macaé. Elegeu-se deputado estadual em 1970, sendo líder da oposição na Assembleia. Eleito pelo

Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para a Constituinte estadual, em 1974, foi líder do partido e depois presidente da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj), entre 1977 e 1978. Foi novamente eleito pelo MDB em 1978 e tornou-se líder da bancada do bloco parlamentar do PP em 1980. Reelegeu-se em 1982 pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e foi líder do partido em 1985.

No ano seguinte, passou a integrar o Partido Democrático Trabalhista (PDT), sendo eleito nesta legenda na legislatura de 1987. Dois anos depois, exerceu a liderança da bancada do partido, mas em 1990 renunciou ao mandato para integrar o Conselho Estadual de Contas do Município. Presidiu o Conselho até sua extinção por uma emenda constitucional em 1991. Faleceu no dia 04 de agosto de 1995, em São Paulo, vitimado por problemas cardíacos. Cláudio Moacyr foi empossado prefeito de Macaé em 1967

cípio, recebendo atualmente o nome de uma das mais expressivas lideranças políticas que proporcionou a Macaé projetos e investimentos que, na era da Capital do Petróleo, ainda fazem a diferença na rotina da população macaense: o ex-prefeito e ex-deputado estadual Cláudio Moacyr de Azevedo. O prédio, prestes a se tornar um museu da política local, passou por diversas obras de restauração e deixou, no início do segundo semestre deste ano, de ser a sede das reuniões semanais, assim como os trâmites cotidianos do parlamento municipal. O Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo é considerado como um dos prédios mais antigos e preservados da cidade, perdendo apenas para o Forte Marechal Hermes. De acordo com informações do Acervo do Patrimônio Histórico de Macaé, ligado a Fundação Macaé de Cultura (FMC), o prédio foi construído em 1837 sob a responsabilidade do mestre de obras Filomeno Borges. A construção foi projetada para ser a residência oficial de Francisco Domingues, pai do Visconde de Araújo, que ainda possui parentes morando na então Vila de

Macaé. Devido a imponência dos traços e a qualidade do material utilizado em sua elaboração, o prédio logo em seu início já era considerado como o mais belo e rico monumento da cidade. Segundo o projeto inicial, a entrada do prédio era voltada para o Pontal do Rio Macaé, um dos mais belos cenários proporcionados pela Princesinha do Atlântico. Já no final do século XIX, o prédio foi transformado em ponto de comércio de revenda de água mineral. O produto vinha diretamente do Solar Monte Elísio, casa de veraneio do Visconde de Araújo, hoje conhecido pela maioria da população macaense como Castelo, o prédio onde funciona o Instituto Nossa Senhora da Glória e a Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora. No ano de 1906, acabou se tornando oficialmente a sede da Câmara Municipal, que passou suas atividades para o prédio que abrigava, paralelamente, a biblioteca da cidade. A partir da realização das reuniões parlamentares, o prédio, cuja estrutura já era centenária, acabou apresentando ainda mais problemas em função da circulação intensa de moradores, que

acompanhavam as reuniões da Câmara. Durante o seu governo, o prefeito Coronel Sizernando de Souza promoveu a primeira grande reforma no local, para que fosse possível também concentrar as atividades administrativas da prefeitura. Para isso, em 1927, foi levantado o segundo pavimento voltado já para a Avenida Rui Barbosa. Após a morte do ex-prefeito Cláudio Moacyr de Azevedo, no dia 04 de agosto de 1995, em São Paulo, a sede do Legislativo recebeu o nome do político macaense que atuou também na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Mais de um século depois de se tornar sede da Câmara, o Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo passou por um grande processo de restauração, realizada pelo então presidente do Legislativo, o vereador Paulo Antunes, na época em seu quarto mandato à frente do parlamento municipal. Hoje, com a construção do Palácio Natálio Salvador Antunes, nova sede do Legislativo, o Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo deverá se transformar em sede do museu da política macaense.


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Palácio Natálio Salvador Antunes: marco arquitetônico da Câmara Nova sede do Legislativo municipal cria marco ao modernizar administração do parlamento municipal Márcio Siqueira

WANDERLEY GIL

marcio@odebateon.com.br

A

s obras foram inauguradas no dia 27 de dezembro de 2012, em uma das solenidades mais aguardadas nos últimos anos. O então presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Antunes (PMDB), que conduziu a administração do Legislativo municipal durante o mandato de 2009/2012, fez história ao entregar o Palácio Natálio Salvador Antunes. Considerado como o novo marco arquitetônico de Macaé, o Palácio Natálio Salvador Antunes é dividido entre as Alas I e II. A fachada recebeu a "pele espelhada", que dá o ar moderno ao prédio. De acordo com o projeto apresentado pelo ex-vereador Zezinho Crespo, o palácio recebe o nome do ex-presidente da Câmara, Natálio Salvador Antunes. Na Ala I estão concentrados os setores de departamento de compras, sistema de comunicação, tesouraria, diretoria, controle interno, licitação, banheiros para cadeirantes e protocolo geral da Câmara. Já na Ala II estão a sala de documentos, histórico, telefonia e a sala reservada para a exposição de documentos históricos, entre eles o de fundação da cidade de Macaé. A Ala II abrigará também as salas da administração do prédio, patrimônio, secretaria, Comissões I e Comissões II, cerimonial, arquivo geral, arquivologista, Tribunal de Contas do Estado (TCE), arquivo contábil, digitalização de documentos, assessoria de

comunicação, recursos humanos, banheiros, depósito de materiais, serviços gerais, refeitórios e manutenção. Na área superior do prédio, os vereadores conheceram as duas salas de apoio que antecedem a entrada do salão nobre Dr. Carlos Augusto de Paula (Dr. Carlão), com capacidade para receber 450 pessoas, além da área reservada para eventos, equipada com uma cozinha. No outro setor do segundo pi-

Presidente do Legislativo responsável pela construção do novo palácio

so estão situados dois banheiros e o plenário Nacif Salim Selem, com capacidade para receber 200 pessoas. O salão tem espaço para 23 vereadores, equipada com a área para a Mesa Diretora, além do púlpito para os discursos dos parlamentares. Em meio a toda imponência da construção, a inauguração da nova sede da Câmara de Vereadores de Macaé marcou também homenagens a políticos ilustres que contribuíram com o proces-

Ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Natálio Salvador Antunes foi homenageado Memória de ex-viceprefeito de Macaé está imortalizada no Salão Nobre do Palácio

Figura marcante da política municipal, Nacif Salim Selem dá nome ao plenário do Legislativo

so de transformação do município, de Princesinha do Atlântico, à Capital Nacional do Petróleo. Ao se tornar um dos marcos arquitetônicos da cidade, o Palácio imortaliza também a memória de três políticos nativos da cidade que, em momentos distintos da história de Macaé, representaram o município em fases marcantes: Natálio Salvador Antunes, Nacif Salim Selem e Dr. Carlos Augusto de Paula. Natálio, que dá nome à nova

construção, atuou na Câmara de Vereadores, presidindo o parlamento municipal há mais de 30 anos. Já Nacif, ex-vereador, expresidente da Câmara de Vereadores, ex-vice-prefeito e exprefeito, atuou no parlamento municipal na década de 70. Seu nome batiza o plenário que recebe os 17 vereadores que representam a população macaense. Dr. Carlos Augusto, ou Dr. Carlão, ex-vereador, ex-depu-

Palácio da Câmara levou cerca de três anos para ficar pronto

tado estadual e ex-vice-prefeito, por dois mandatos, foi homenageado ao dar nome ao Salão Nobre do novo palácio. Ao reconhecer a importância da preservação da identidade do município, o novo palácio possui uma ala em sua entrada destinada a armazenar documentos históricos, como o que registrou a fundação de Macaé como cidade, que permanecerá exposto para apreciação de visitantes.


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O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ

Macaé, terça-feira, 29 de julho de 2014

ESPECIAL 201 ANOS

História de Motta Coqueiro ainda intriga a população nos dias atuais Algumas pessoas acreditam que fazendeiro teria sido o último condenado à forca no país Daniela Bairros

danielabairros@odebateon.com.br

U

ma das histórias mais conhecidas de Macaé é rodeada de mistérios e chama uma grande atenção de todos, a de Manoel da Motta Coqueiro. Muitos dizem, e acreditam, que ele teria sido o último enforcado no Brasil, em agosto de 1855, mas de acordo com alguns historiadores, depois de Motta Coqueiro mais duas pessoas foram enforcadas. A única diferença é que essas duas pessoas não eram conhecidas publicamente como ele. Dizem que Motta Coqueiro vivia do que plantava e colhia em sua fazenda. Ele era casado com Úrsula das Virgens Cabral e possuía cinco vastas propriedades rurais, entre elas, a fazenda do Bananal, situada no atual município de Conceição de Macabu, que na época fazia parte da Freguesia de Nossa Senhora das Neves, que hoje conhecemos como Macaé. Motta Coqueiro e Úrsula eram quase sempre listados entre os fazendeiros ricos de Macaé, mas mesmo assim, o casal não estava entre os mais importantes da região. Em 1847 eles foram convidados a participar de uma festa realizada em Quissamã, onde Motta Coqueiro chegou a cumprimentar o Imperador Dom Pedro II. A festa foi feita para 300 convidados, o que para a época era conside-

rado um número muito grande. O que chamou a atenção, foi que Motta Coqueiro foi convidado para a ocasião, mesmo não sendo um dos grandes fazendeiros do município. FILHA DE COLONO ENGRAVIDA DE MOTTA COQUEIRO

Com o fim do tráfico negreiro e a Lei Eusébio de Queirós, assim como vários outros fazendeiros da época, Motta Coqueiro iniciou a prática do regime de parceria com colonos livres. Em uma de suas fazendas foi chamado para trabalhar o meeiro Francisco Benedito da Silva, que levou sua família junto. O que se sabe é que, uma das filhas do colono, que se chamava Francisca teve um caso amoroso com Motta Coqueiro, e após este envolvimento ela ficou grávida. Sabendo do que havia acontecido, o pai de Francisca buscou vantagens junto ao patrão, pedindo dinheiro por conta da gravidez de sua filha. A partir deste momento, vários conflitos surgiram entre os dois. Francisco chegou a agredir Motta Coqueiro com a ajuda de amigos. 1852: COLONO DE MOTTA COQUEIRO E FAMÍLIA ASSASSINADOS DENTRO DE CASA

Em 1852, numa noite chuvosa, o colono Francisco Benedito e toda sua família foram mortos a golpe de facões por um

grupo de bandidos, escapando somente Francisca, a filha grávida. Além da chacina, os criminosos ainda colocaram fogo na casa. Contam que naquele dia chovia bastante e o fogo não se alastrou, o que provocou um cenário chocante, onde os corpos não foram totalmente queimados, ficando expostos. Foram ao todo oito pessoas assassinadas, sendo o colono, sua esposa e mais seis filhos, três adolescentes e três crianças. Após o crime, Motta Coqueiro foi considerado o mandante da chacina e era chamado de monstro, ficando conhecido como “A Fera de Macabu”. O mais impressionante disso tudo é que, ele em nenhum momento disse se foi ele ou não, simplesmente não se defendeu da acusação. Este mistério, esta coisa enigmática é que dá o sabor a essa história. O que foi especulado na época foi a possibilidade de ter sido sua esposa Úrsula, a mandante do crime, já que se sentiu traída e não aceitava o que o marido havia feito. Mesmo assim, Motta Coqueiro foi preso como principal suspeito dos assassinatos. Para intensificar ainda mais todo esse mistério, é que ele teve a possibilidade de fuga quando foi transferido para Campos dos Goytacazes. Fazendeiros de Campos e pessoas da mesma classe social de Motta queriam fazer com que ele não fosse punido e deram a ele a

Motta Coqueiro foi acusado de ser o mandante da chacina que matou Francisco Benedito e toda sua família

oportunidade de fugir, pegando um navio para sair do Brasil, mas ele se recusou e ficou preso aguardando o julgamento. 1855: CONDENAÇÃO E EXECUÇÃO EM PRAÇA PÚBLICA

Em agosto de 1855, Motta Coqueiro foi julgado e condenado pelo crime. Muitas coisas estranhas aconteceram em seu julgamento, uma delas foi o fato de que escravos nunca poderiam testemunhar contra os seus senhores, mas

no julgamento dele uma das escravas de Motta Coqueiro testemunhou contra ele, o que contribuiu e muito para sua condenação. Após ser condenado, Motta Coqueiro voltou a Macaé para a execução, que aconteceu na Praça da Luz, onde hoje está situado o Colégio Estadual Luiz Reid. Motta Coqueiro saiu da Rua Dr. Télio Barreto, onde ficava o Paço Municipal, foi andando com a Guarda Vigilante até o local de execução e foi enforcado em praça pública, na presença de milhares de pessoas. Uma condenação dessas naquele tempo era uma coisa muito exposta, um acontecimento onde todos tinham que comparecer. Muitos dizem que, antes de ser enforcado, Motta Coqueiro teria jogado uma maldição na cidade, dizendo que Macaé teria 100 anos de não progresso. Por conta desta lenda, muitas pessoas acreditam que de fato esta maldição deu certo. Quando a Petrobras chegou na cidade, coincidiu com os 100 anos. Mas se pegarmos a história de Macaé, antes da Petrobras, já havia um progresso cultural e econômico acontecendo. Embora não tenha nenhuma documentação que comprove isto, os historiadores dizem que é provável que o corpo de Motta Coqueiro tenha sido enterrado nos arredores onde hoje é o Cemitério de Santana.

ESPECIAL 201 ANOS

Nos 201 anos de Macaé, Mapa da Violência destaca posição de 408º no ranking Nacional Em comparação a outras cidades do interior do estado, posição de Macaé é favorável, na avaliação de autoridades na próxima terça-feira, dia 29, Macaé completa 201 anos. Apontada nos últimos cinco anos como uma das cidades mais violentas do Brasil, a cidade conseguiu, mais uma vez, reduzir os índices de homicídios no município. A informação foi divulgada pelo Mapa da Violência 2014, estudo que aponta redução do número de mortes violentas na cidade. Elaborado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), o mais recente Mapa da Violência

no Brasil, concluído no final de junho, leva em conta os indicadores de morte violenta de 2012. Na avaliação de autoridades que atuam no setor de Segurança Pública, a taxa de Macaé, no momento, é estável. De 42,4 homicídios para cada 100 mil habitantes, a taxa está em 42,2. Segundo o Secretário de Ordem Pública de Macaé, Edmilson Jório, em comparação a outros municípios do interior do Estado do Rio de Janeiro, a situação de Macaé, é favorável. Em dezembro do ano passado, o município ocupava a 248ª posição no ranking, segundo o Mapa da Violência, passando atualmente, a ocupar a 408ª colocação. Os estudos do Mapa da Violência começaram em 2007

e apontavam Macaé como o quinto município mais violento do País em homicídios entre jovens de 15 a 24 anos de idade. Para o secretário, o trabalho que vem sendo desenvolvido na redução da violência local continua sendo positivo. "Embora não tenhamos um avanço significativo nos indicadores da taxa, mas pelo menos, em comparação com outras cidades do interior do estado, constata que o trabalho está sendo eficiente. Macaé é uma cidade que cresce com a ocupação populacional e mesmo assim temos conseguido controlar", ponderou. A expectativa agora, na avaliação de Edmilson Jório, é que com o processo de pacificação, iniciado em maio com a implantação de novos Módulos KANÁ MANHÃES

Macaé ocupa atualmente a posição de 408º no ranking do Mapa da Violência

de Polícia Pacificadora nas comunidades Malvinas e Nova Holanda , é que o município continue evoluindo no controle da violência. "Nosso índice de 42,2 homicídios para cada 100 mil habitantes ainda está muito acima da média nacional, mas pelo menos temos a consciência tranquila de que o trabalho está sendo bem feito. Já estivemos no quinto lugar no ranking nacional e hoje estamos na 408ª colocação. Completamos 45 dias do processo de pacificação. Tivemos apenas o confronto da última quinta-feira (17) envolvendo traficantes de policiais militares. Foi o primeiro confronto intenso depois da pacificação

na Malvinas. Foi um resultado positivo da pacificação, já que os próprios moradores denunciaram a presença de traficantes na comunidade e estamos conquistando, dentro do processo, a população. Tivemos sim, nas primeiras três semanas após o início da pacificação, o aumento da migração da violência para fora das comunidades, ou seja, roubo de veículos, roubos a transeuntes, mas acredito que esses indicadores, aos poucos, estão sendo controlados com a presença policial nas ruas", ressaltou. Jório atribuiu o resultado de Macaé na 408ª posição no ranking do Mapa da Violência à coordenação dos empregos

de todas as forças de segurança. "Acredito que o passo primordial para que Macaé venha a cada ano evoluindo efetivamente, está na combinação de forças. Atualmente, a prefeitura oferta serviços públicos às forças de segurança. Não adianta reduzirmos indicadores se a sensação de insegurança continua alta, ruim. O processo de pacificação, ampliação do sistema de vídeomonitoramento, com instalação de mais oito câmeras, melhora a sensação de segurança. Mas acredito também que as forças de segurança só têm êxito com a colaboração da população, tanto denunciando, quanto trabalhando para defesa de todos".


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ESPECIAL 201 ANOS

Monumento do século XIX é pouco conhecido pela população em Macaé Relatos de populares dizem que o Farol de Imbetiba já foi point da cidade na década de 70 Marianna Fontes

WANDERLEY GIL

marifontes@odebateon.com.br

A

pesar do grande crescimento nos últimos anos, Macaé ainda preserva um rico patrimônio histórico e arquitetônico. Um exemplo disso é o Farol de Imbetiba, também conhecido como Farol Velho e Farolito. Esse monumento, que foi construído ainda no século XIX, fica localizado em uma área de rochas, na Praia de Imbetiba. Sem ser restaurado há mais de uma década, atualmente o monumento sofre um grande processo de deterioração. A sua fachada é alvo constante de pichações, o que reforça a situação de abandono desse que é uma das lembranças históricas da cidade. As rochas no entorno também sofrem com o vandalismo. A pichação geralmente acontece de maneira impune, já que o local é isolado da agitação da cidade, mas tal ato é considerado um crime, previsto na Lei 9.605/98. De acordo com o Art. 65, a pessoa que for pega em flagrante pichando ou danificando edificações ou monumentos urbanos pode sofrer uma pena com multa e detenção, que varia de três meses a um ano. O artigo é claro e diz que “se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do

Apesar do valor histórico, o Farol de Imbetiba sofre atualmente com o abandono, sendo alvo de pichações

seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de 6 (seis) meses a 1 (um) ano de detenção e multa”. Mas não é só o vandalismo que pode ser presenciado no local.

Uma grande quantidade de lixo foi encontrada entre as rochas e no meio da vegetação de restinga. Esses resíduos são geralmente deixados por frequentadores. Os resíduos deixados na areia

acabam sendo levados para os oceanos através de correntes de vento e do mar, quando a maré fica alta. Um dos maiores riscos que esses resíduos podem causar é

a morte de animais marinhos, que sofrem grandes consequências por ingerir sacolas plásticas e diversos outros materiais. Vários estudos no mundo inteiro mostram a grande quantidade

de lixo encontrado nos estômagos dos animais. Duas das espécies que mais sofrem são as tartarugas e as toninhas (golfinho ameaçado de extinção), que confundem o plástico com algas. Muitos morrem sufocados e acabam surgindo na costa, casos que já foram presenciados em Macaé nos últimos anos. Apesar disso, o monumento está localizado em um ponto estratégico, fazendo contraste com uma das vistas mais bonitas da cidade. Segundo o relato de quem nasceu aqui, antes da chegada da Petrobras na década de 70, o farol era um dos pontos mais frequentados da cidade, inclusive sendo um dos lugares preferidos para atividades ao ar livre, como piqueniques. Com a chegada da Petrobras, o local teria sido fechado, restringindo o acesso das pessoas. Depois de alguns anos, a empresa resolveu restaurá-lo, urbanizando a área e abrindo novamente para o público. Hoje em dia, muitos cidadãos ainda não tiveram a oportunidade de conhecer esse pequeno pedaço de Macaé, escondido em meio às rochas. A sua preservação é fundamental para manter viva a história da cidade e, quem sabe, torná-lo novamente um ponto turístico frequentado pela população e pelas pessoas que visitam a cidade.

ESPECIAL 201 ANOS

Ao completar 201 anos, um breve relato sobre a colonização de Macaé O município foi crescendo ano após ano, prosperou e em 1846, Daniela Bairros

danielabairros@odebateon.com.br

a história da emancipação de Macaé teve início em 1813 quando, em homenagem a Dom João VI, recebeu o nome de Vila de São João. De acordo com informações do secretário de Acervo do Patrimônio Histórico, professor Ricardo Meirelles, ele nunca esteve no município para receber a honra. O município foi crescendo ano após ano, prosperou e em 1846, Macaé deixou de ser uma simples vila que vivia no regime monárquico para viver no regime republicano. No entanto, de acordo com o historiador Ricardo Meirelles, isso ocorreu em 1874, quando o município passou a ser uma comarca, com Justiça e Fórum. “Por algum tempo a cidade ficou estacionada, pois apesar de ter entrado no regime republicano, ainda vivia com hábitos da monarquia. Vale ressaltar que nessa época o forte da nossa economia era a cana-de-açúcar e na ocasião tínhamos até o Porto de Imbetiba para escoar a produção”, informou. Apesar de ter a permissão de viver em um regime republicano, o município de Macaé passou a ter uma estrutura política com prefeito e com a existência da Câmara Municipal, em 1899, pois segundo os registros históricos da época, existia um pouco de resistência para se colocar em prática o regime republicano. A história registrou como o primeiro prefeito de Macaé, o juiz de Direito João Francisco Moreira Neto. No entanto, segundo o historiador Ricardo Meirelles, essa informação ainda está sendo verificada se é verídica ou não. O professor Ricardo Meirelles informa que havia uma certa desavença entre Alfredo Backer

e Nilo Peçanha que não aceitava muito os símbolos utilizados na época pela república. “Em 1910, por ordem do governador também conhecido na época como presidente da província, Alfredo Backer, se Macaé não utilizasse a organização proposta pela república seria punido e não teria nenhum ofício, bem como pedidos solicitados de melhoria”, contou. Outro fato marcante na história do município foi a vinda do presidente Washington Luiz em Macaé. Macaense, ele esteve presente em 1927 na inauguração da usina de luz em Glicério, onde o evento contou com a presença de ilustres políticos da época. O historiador conta que figuras ilustres na história do Brasil estiveram em Macaé, como o imperador Dom Pedro II, o filho de Duque de Caxias e Álvaro Marins, desenhista conceituado na época que fez várias revistas e caricaturas. Além do aspecto político, o historiador Ricardo Meirelles destaca que Macaé sempre foi muito importante para a economia do país. “Nossa cidade passou por todos os ciclos econômicos. O açúcar, café, criação de gado e agropecuária. Nós sofremos também em 1929, quando aconteceu a grande crise mundial com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque que afetou o mundo todo. Na ocasião, o presidente Getúlio Vargas determinou que várias plantações de café fossem queimadas e Macaé também sofreu com essa ordem”, destacou. Macaé, depois de tantos fatos históricos que marcaram a sua trajetória de emancipação, ainda continua crescendo e recebendo pessoas de todo o mundo, principalmente com a implantação da Petrobras no município no ano de 1978. E da antiga Macaé, pacata e de histórias curiosas, hoje quem vive aqui pode viver em uma cidade onde o antigo convive com a modernidade em perfeita harmonia.

INÍCIO DA COLONIZAÇÃO

O início da colonização da Área ocorreu em 1627, quando a Coroa Portuguesa concedeu aos Sete Capitães, militares portugueses que lutaram na expulsão dos franceses da Baía de Guanabara, as terras entre o Rio Macaé e o Cabo de São Tomé. O núcleo inicial de Macaé progrediu apoiado na economia canavieira, em torno da antiga Fazenda dos Jesuítas de Macaé (1630), constituída de engenho, colégio e capela situada no Morro de Santana. Até fins do século XVII, no entanto, os esforços de colonização de Macaé não surtiram efeito, mantendo a cidade desprotegida. Em 1725, piratas franceses chegaram a se estabelecer no Arquipélago de Santana, de onde passaram a saquear o litoral. Com a expulsão dos jesuítas, a partir de 1759, a região passou a receber novos imigrantes, proporcionando o surgimento de novas fazendas e engenhos, o que motivou sua emancipação, o que se deu com a edição de Alvará de 29 de julho de 1813, sob o nome de São João de Macaé, cujo território foi desmembrado dos atuais municípios de Cabo Frio e Campos. Sua instalação deuse em 25 de janeiro de 1814. No período imperial, a vila evoluiu rapidamente, favorecida pela posição geográfica de maior acessibilidade ao Norte Fluminense, passando à categoria de cidade em 1846. O alicerce da economia de Macaé foi, por muitos anos, o cultivo da cana-de-açúcar, que respondeu por um crescimento demográfico expressivo nos séculos XVIII e XIX. O município chegou a desempenhar o papel de porta de entrada e saída do Norte Fluminense, favorecido pela ligação com Campos dos Goytacazes, através da construção do canal Macaé-Campos, com 109 quilômetros de extensão, para auxiliar o escoamento da produção, que era transportada até o Rio de Janeiro a partir do Porto de Imbetiba, chegando

a operar, até 1875, com cinco barcos a vapor. A partir desta data, o transporte da produção regional se fez a partir de via férrea, o que provocou um novo impulso na economia de Macaé. Hoje, a rodovia desempenha a função de ligação entre ambas. Até o início do século XX, a economia do município se fundamentava na produção da canade-açúcar, do café, na pecuária e na extração do pescado. No período republicano, a cidade foi mantida como sede do município de Macaé, embora tenha sofrido várias alterações na malha distrital. Os distritos de Conceição de Macabu e Macabuzinho vieram a constituir o município de Conceição de Macabu, em 1952; Carapebus e Quissamã ganharam autonomia municipal mais recentemente.

WANDERLEY GIL

Pela cidade, algumas construções ainda conservam traços do século passado


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KANÁ MANHÃES

Ao todo são 23 quilômetros de litoral, divididos em nove praias: Pecado, Cavaleiros, Campista, Imbetiba, Forte, Barra, Aeroporto, Barreto e Lagomar

ESPECIAL 201 ANOS

A Capital do Petróleo também é conhecida como Princesinha do Atlântico A cidade de Macaé conta com nove praias que atraem os banhistas durante todo o ano Marianna Fontes

marifontes@odebateon.com.br

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lém de Capital Nacional do Petróleo, Macaé também é conhecida como a “Princesinha do Atlântico”. Ao todo são 23 quilômetros de litoral, divididos em nove praias: Pecado, Cavaleiros, Campista, Imbetiba, Forte, Barra, Aeroporto, Barreto e Lagomar. Considerado o point dos praticantes de esportes, a Praia do Pecado é ideal para a prática de surf, kite surf e bodyboad, sendo o local escolhido para os campeonatos dessas modalidades. Além disso, essa praia também atrai muitos banhistas, que lotam as areias nos finais de semana, feriados e período de férias. Próximo dali fica outra praia também muito famosa, a dos Cavaleiros. Ela é famosa pela rica variedade gastronômica. É possível sentar à beira-mar e desfrutar da culinária japonesa,

italiana, brasileira, entre outras variedades. Para os amantes de corrida e caminhadas ao ar livre, o calçadão atrai muitas pessoas no início da manhã e final da tarde. Com cerca de 1500 metros de extensão, o vôlei de praia, futvôlei e outros esportes são praticados ali. É também no Cavaleiros que se concentra grande parte dos hotéis da cidade, reunindo as maiores bandeiras do mundo. Mas de todas as praias, essa é uma das que sofreu a mudança paisagística mais drástica em Macaé. Depois de uma forte ressaca que atingiu o litoral macaense em 2011, o calçadão teve parte da sua estrutura danificada. Durante dois anos, foram várias promessas de início das obras de reforma, porém, na prática isso só começou de fato no segundo semestre do ano passado. A grande inauguração está marcada para esta terça-feira (29). O novo projeto urbanístico da

orla inclui a construção de postos salva-vidas novos, banheiros (feminino e masculino), reconstrução do deck de madeira, a recuperação do passeio com pedras portuguesas, urbanização e paisagismo e manutenção da iluminação pública. Colada nela está a Praia Campista, que é menos frequentada por ser mar aberto. Ela é utilizada para a pesca, que é considerada a segunda maior atividade econômica do município. Com apenas 500 metros, a Praia do Farol tem águas calmas e claras. Ela está localizada junto a uma encosta rochosa onde estão as ruínas do velho Farolito. É possível ver tartarugas marinhas, espécies ameaçadas de extinção, nadando no local. Antes do Cavaleiros, nas décadas de 70 e 80, a praia mais popular de Macaé era a Imbetiba. A chegada do progresso à cidade fez com que ela sofresse constantemente com o

Arquipélago de Sant'Anna além das praias, o litoral macaense também conta com o Arquipélago de Sant´Anna, localizado apenas a 8 km da costa. Ao todo, são três ilhas: Ilhote Sul, Santana e Francês (única liberada para visitação), que são rodeadas pelas águas verdes e transparentes do Oceano Atlântico. Considerada uma Área de Proteção Ambiental (APA), as ilhas são compostas por uma extensa biodiversidade e formam um Parque Municipal, protegidas pela Lei Municipal nº 1216/89, e regulamentado pelo decreto 018/2011. A existência de animais como o sanhaço, sabiá-da-praia, canários, fragatas, galinhas-d'água, preás, pacas e o sagui diversificam a fauna do local. Mas quem pensa que para visitar é só pegar um barco e ir, está enganado, e pode cometer uma grave infração. Para proteger essa região, proporcionando à população uma opção de lazer sustentável, a Secretaria de Ambiente criou regras para a visitação. Para isso foi criada a Instrução Normativa, que faz parte da Lei Complementar Municipal 027/2011 (Código Municipal de Meio Ambiente). Essa Instrução visa regular as visitas à ilha do Francês e também fiscalizar o uso indevido de objetos, como churrasqueira, som, entre outros, no local.

Essa Instrução Normativa foi feita para regulamentar o uso. Não foi para proibir, apenas cria algumas restrições, já que antigamente muitas pessoas faziam o mau uso do local, degradando ambientalmente e colocando todo o ecossistema em risco. Caso as pessoas não atendam essa Instrução, elas estarão sujeitas a Lei Complementar Municipal 027/2011. Nesse caso, poderão ter equipamentos e utensílios apreendidos e ainda sofrer algum tipo de multa por crime ambiental. As Instruções para quem deseja visitar a ilha do Francês são: o limite de visitantes na

ilha é de 200 pessoas por vez; é proibida a prática de qualquer tipo de esporte nas praias; as embarcações só têm autorização de aproximar até 15 metros das praias para embarque e desembarque; não é permitido o acesso de animais de estimação; o horário de visitação é das 8 às 18 horas; não é permitido ao visitante o ingresso nas praias do arquipélago portando objetos de vidro, aparelhos de sons, churrasqueiras, barracas de acampamento, produtos que possam causar incêndio e óleos bronzeadores e cada pessoa é responsável pelo recolhimento de seus dejetos.

problema de balneabilidade. Quando está liberada para o banho, é nas suas águas que os praticantes de natação da “Academia dos Anormais” se exercitam. Já as praias do Forte e da Barra sofrem constantemente com a poluição. Esse problema

ocorre por conta dessas praias estarem situadas onde o Rio Macaé desagua, trazendo resíduos e esgoto sem tratamento. O crescimento desenfreado das últimas décadas fez com que Macaé perdesse muitos pontos quando se trata da questão ambiental. Apesar disso, é co-

mum flagrar pessoas, inclusive crianças e jovens, tomando banho nessas águas, o que é desaconselhável. Já as praias do Barreto e Lagomar são consideradas de mar aberto, sendo pouco frequentadas, apesar de serem bairros com alto índice populacional.


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