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Aniversário Macaé 202 Anos

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SUPLEMENTO ESPECIAL Este suplemento é parte integrante desta edição.

Macaé (RJ), quarta-feira 29 de julho de 2015 Ano XL, Nº 8771 Fundador/ Diretor: Oscar Pires

Fotos: Kaná Manhães

Macaé


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Macaé, quarta-feira, 29 de julho de 2015

BICENTENÁRIO

Macaé celebra 202 anos alcançando dias melhores Capital Nacional do Petróleo se dedica a salvar o privilégio concedido por Deus ao se tornar referência econômica nacional Márcio Siqueira

KANÁ MANHÃES

marcio@odebateon.com.br

P

oucas são as cidades brasileiras capazes de reunir tantos superlativos, mesmo que antagônicos, mas suficientes para reescrever, pela terceira vez, a sua história de lutas, glórias e de tantas referências. Alçada ao posto de Capital Nacional do Petróleo, Macaé não sucumbe à crise que se instalou em todo o território nacional e chega aos 202 anos de emancipação política e administrativa com motivação de sobra para fazer acontecer novos e tantos dias melhores. Maior que suas adversidades e que seus desafios, o município que abraça milhares de pessoas de tantas raças, credos e culturas, se volta ao berço de toda a sua pujança para recompor as cinzas geradas por disputas econômicas internacionais, e por medidas políticas baseadas na corrupção, para renascer e, como uma fênix, alcançar voos ainda mais altos, apostando principalmente na sua maior riqueza: sua população. Presente no cotidiano de mais de 220 mil moradores, e importante para tantos outros milhões de brasileiros, a cidade encontra forças suficientes para superar também ataques de uma guerra geopolítica ainda baseada em uma estratégia arcaica e nociva para o país, apostando em sua representatividade política e administrativa para tornar projetos considerados como utópicos no passado, mas que hoje alcançam o patamar de faraônicos, medida e qualidade tão comum e essencial à cidade que se acostumou

Das riquezas extraídas das profundezas do mar, Macaé vive um novo marco em sua história de 202 anos

a conviver com a pujança do chamado ouro negro brasileiro. Motivo de orgulho para os filhos da terra, e objeto de paixão por muitos macaenses de coração, o município vive hoje um momento ímpar em sua história recente com o petróleo, não imaginado nem mesmo por aqueles que presenciaram o momento de sua transformação - de Princesinha do Atlântico, em Capital Nacional do Petróleo -, mas que vestem a camisa e se preparam para enfrentar a tempestade que surge em meio a tantos anos de bonança. Ainda em dívida com a memória deixada por grandes filhos ilustres, pioneiros na cultura, na política e no esporte, a cidade tenta resgatar também o que foi perdido, ou deixado em segundo plano, ao ser foco do progresso nunca visto antes na história do país, um exercício que precisa ser estimulado

ainda na formação das crianças e dos adolescentes, seja nas escolas públicas ou privadas. Por mais que as previsões para os próximos anos ainda seja de tempos difíceis, Macaé segue como uma das poucas cidades do país com capacidade econômica e competência política suficientes para construir um novo marco em sua história, o que depende diretamente da sua relação com empresas internacionais, mas que encontraram em suas terras um espaço também para chamar de lar. Com mais virtudes que pontos negativos, hoje a cidade capaz de transformar vidas, produzir riquezas, despertar inveja, mas acima de tudo, essencial à economia do país, recebe todas as reverências de uma população que abraça e está disposta a construir dias melhores para a melhor cidade do Brasil.

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AVANÇOS

Inaugurações marcam celebração dos 202 anos Município comemora avanços em propostas da saúde, educação e infraestrutura

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o celebrar 202 anos, Macaé ainda vive a eterna busca de oferecer qualidade de vida aos que nasceram na cidade, assim como aos que escolheram o município para viver, trabalhar e criar as suas raízes. Acompanhando a história macaense e festejando a data, a prefeitura vai entregar à população o Hospital Público Municipal Irmãs do Horto (anexo ao HPM), o Restaurante Popular da Aroeira e área de lazer em Imbetiba. Macaé se orgulha de ser essa terra próspera e pronta para acolher a todos. Vivenciando seu crescimento, o município se transforma a cada dia. De simples vila de pescadores e de pequena cidade de interior é, atualmente, uma cidade cosmopolita. Aliado ao vento maroto está o som de vários idiomas das pessoas que para cá vieram trazidas pela pujança do ouro negro, mesclandose aos nativos para construir a Macaé de hoje, pronta a vencer todas as demandas e continuar crescendo. Os desafios são muitos, mas Macaé tem energia suficiente para enfrentar todas as batalhas, contando com as forças da prefeitura e de sua população. As comemorações da data foram iniciadas na terça-feira, dia 21, quando o prefeito Dr. Aluízio Júnior (PMDB) participou da colação de grau da primeira turma do curso de Medicina da UFRJ - campus Macaé, que funciona na

SECOM

Prédio anexo do HPM representa o investimento do município na qualidade da saúde pública

Cidade Universitária. Trinta jovens - 16 mulheres e 14 homens - realizaram o sonho de ser médicos. A cerimônia aconteceu no salão nobre do Palácio Natálio Salvador Antunes.Continuando as comemorações, a prefeitura inaugura, às 11h desta quarta-feira (29), após o Desfile CívicoMilitar, a área urbanizada da Orla da Imbetiba, na Avenida

Elias Agostinho, quando serão entregues à população a Praça Antônio Alvarez Parada e o Anfiteatro Joserval Aves Coutinho, transformando a orla em área de lazer e cultural para crianças, jovens e adultos. Às 16h30, também hoje, será inaugurado o Hospital Público Municipal Irmãs do Horto. A prefeitura investiu,

SECOM

Nas celebrações dos 202 anos de Macaé, a Imbetiba ganha um novo espaço de convivência

com recursos próprios, R$ 12 milhões na construção do hospital, que irá atender a crescente demanda da cidade. O atendimento neste local começará na segunda-feira, dia 3 de agosto. A unidade, construída anexa ao Hospital Público Municipal Dr. Fernando Pereira da Silva (HPM), contará com cem leitos, dobrando a capacidade

de atendimento do HPM atualmente com 120 leitos: o que representa um aumento de 36% no número de vagas públicas na cidade. No local serão oferecidos serviços de emergência, prontoatendimento e enfermarias adulto e pediátrica. Hoje, às 14h, será inaugurado o Restaurante Popular da Aroeira. O espaço está prepa-

rado para servir cerca de mil refeições por dia a R$ 1,00 cada, com atendimento das 10h às 14h. O funcionamento do novo restaurante começará na segunda-feira, dia 3 de agosto. A mostra "Tonito por Tonito: vida, ofício e obras" foi aberta na quarta-feira (23), no Solar dos Mellos, também comemorando o aniversário do município.


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DESENVOLVIMENTO

Logística é a palava-chave para o futuro da Capital do Petróleo Município busca apoio do Estado e marca nova fase de interação com representantes da União para avançar projetos no setor Márcio Siqueira

marcio@odebateon.com.br

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stratégia que garantiu a Macaé a instalação das três principais bases da Petrobras para as operações do petróleo no país, a 'logística' torna-se a palavra-chave para o futuro econômico e social do município. E ao celebrar os 202 anos de emancipação política e administrativa, a cidade segue a passos largos para consolidar projetos desenhados junto aos governos estadual e federal. No terceiro ano de governo, a atual gestão municipal foi capaz de concretizar projetos considerados como utópicos ao longo dos últimos anos. O segredo para alcançar novos objetivos está na construção de uma relação administrativa focada nos interesses econômicos do Rio de Janeiro e da nação. “O nosso foco sempre foi pautar, junto ao Estado e ao governo federal, projetos que surgiram a partir das demandas da indústria offshore. O objetivo é fortalecer a nossa vocação que é o petróleo, e que se manterá por muitos anos como a principal matriz energética do mundo. Temos o privilégio de concentrar grandes reservas de óleo bruto já descobertas no país e isso garante a Macaé muitos anos de prosperidade”, destacou o prefeito Dr. Aluízio Júnior.

KANÁ MANHÃES

ARCO VIÁRIO DE SANTA TEREZA

Primeiro investimento em logística anunciado pelo governo desde o início da atual gestão, a construção do Arco Viário de Santa Tereza foi consolidada a partir da publicação de homologação do processo licitatório, que definiu a empresa responsável pelo projeto orçado em mais de R$ 77 milhões. De acordo com a publicação oficial registrada pela secretaria de Obras, a empresa MJRE Construtora LTDA será responsável pela realização da terraplanagem, drenagem e pavimentação da estrada, bem como a construção de pontes e acessos, além da recuperação de passivo ambiental em área degradada da estrada, que interligará a RJ 168 (Estrada da Serra) com o Parque de Tubos. Os cerca de 10 quilômetros da nova estrada se tornará a principal rota para o acesso das carretas que transportam peças, vindas dos portos de Niterói e do Rio de Janeiro, em direção à principal base logística da Petrobras - o Parque de Tubos. OBRAS NO AEROPORTO

Considerado como um dos mais importantes modais para a logística offshore, o Aeroporto de Macaé receberá, após cerca de três décadas de expectativas, investimentos capazes de ampliar a capa-

Estrada de Santa Tereza será a principal rota para cerca de 700 carretas que cruzam a cidade todos os dias

cidade de operações de voos comerciais. Através de despacho assinado no último dia 6, a Secretaria de Aviação Civil (SAC) solicitou oficialmente à presidência da Infraero, em Brasília, a abertura do processo licitatório para a realização das obras de recuperação da pista de pouso e decolagem do

Aeroporto de Macaé. O procedimento garante a reserva de recursos alocados no Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), garantindo ainda a realização de intervenções previstas pelo Programa de Investimentos em Logística em Aeroportos. A definição inicial é de que as obras de recuperação elevem

de 8 para 19 o PCN (sigla em inglês), ou Número de Classificação de Pavimento, ampliando assim a capacidade de resistência da pista de 1.200 metros do Aeroporto para a operação de aeronaves de maior porte. Com isso, a pista do Aeroporto de Macaé passará a ter capacidade para a operação de aviões modelo ATR-72,

utilizado em voos comerciais em rotas que atendem os principais aeroportos do país. Para suportar pousos e decolagens deste equipamento é preciso uma pista com PCN de número 13. A recuperação da pista garantirá a elevação do número de passageiros transportados por voos comerciais em Ma-


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FOTOS: KANÁ MANHÃES

caé. Hoje, a aeronave operada pela Azul possui capacidade para 50 passageiros. Já o avião ATR-72 pode voar com cerca de 70 passageiros a bordo. TEPOR AINDA É ESPERADO

Alvo de ataques geopolíticos, a consolidação do Terminal Portuário de Macaé (Tepor) ainda é um desafio para a ad-

ministração municipal, que já recorreu ao governo do Estado para garantir a liberação da licença prévia para a realização das obras. Concebido com objetivo de atender as demandas da Petrobras para as operações das unidades de produção, deslocadas para a nova área da Bacia de Campos e para a região

da Bacia do Espírito Santo, o Terminal Portuário de Macaé (Tepor) ainda é o projeto capaz de viabilizar a construção de um modal importante para a infraestrutura em logística da cidade. O projeto do Terminal Portuário prevê a implantação de uma área de 400 mil metros quadrados no continente (em

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Demanda da indústria do petróleo fortalece projeto de construção de novo porto em Macaé

terra) com uma ponte ligando a uma plataforma marítima. Esta plataforma prevista no projeto, terá cerca de 90 mil metros quadrados com área para atendimento simultâneo de 14 embarcações “SupplyBoats” com calado operacional de até 10 metros e, portanto, capacidade de operação de to-

Obras no Aeroporto de Macaé ampliarão capacidade de operações de voos comerciais

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dos os tipos de embarcações envolvidas neste tipo de operação, sem a necessidade de utilização de práticos. A plataforma terá 1.630 metros de comprimento e será apoiada em pilares fixados a cada 17 metros, permitindo a passagem de toda fauna marinha como também de sedi-

mentos. A área no continente consistirá de estruturas de apoio à operação offshore. Após passar por duas audiências públicas, o projeto ainda depende da análise final da Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA). A definição sobre o licenciamento segue ainda sem previsão.


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TRANSPORTE

Ferrovia: glória do passado por locomover prosperidade no futuro Cravada no meio da cidade, malha ferroviária pode ajudar a construir novo capítulo na história da cidade na nova era do petróleo Márcio Siqueira

WANDERLEY GIL

marcio@odebateon.com.br

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sinalização sonora que marcava o encerramento do expediente do dia. O trânsito ditado apenas pelas milhares de bicicletas que conduziam homens desbravadores, responsáveis pela formação cultural e social da cidade cuja Praia da Imbetiba sediava ainda a base de manutenção das antigas locomotivas. Imagens que ainda estão preservadas na memória de macaenses das antigas, privilegiados por poder vislumbrar também o contraditório progresso do petróleo, ajudam a contar parte da importância da ferrovia na construção da sólida economia da cidade que hoje ajuda a movimentar o Estado, o país e o mundo. Principal meio de transporte para o deslocamento dos moradores da Princesinha do Atlântico para o Rio de Janeiro, a ferrovia responsável por trazer para a cidade a primeira unidade do Senai e tantos outros marcos presentes em seu cotidiano, passa a ser projetada como modal capaz de revolucionar a logística offshore, recuperando a sua importância e a sua identidade com o município que ainda é sinônimo de pujança e de riquezas. Mas antes que o projeto da Ferrovia Vitória-Rio seja realmente implementado, é pre-

Antigas locomotivas ajudaram a impulsionar o desenvolvimento da cidade na era pré-petróleo

ciso recuperar parte da história de construção da ferrovia que nasceu com o propósito de facilitar o escoamento da produção voltada ao açúcar e ao álcool. O INÍCIO DO PROGRESSO

Todo o escoamento da produção da cana-de-açúcar da região era feito através de embarcações saindo do Porto de Imbetiba. Com a construção

e entrega da Estrada de Ferro Macaé/Campos, o processo passou a ser realizado através do transporte ferroviário. O primeiro trecho da ferrovia, com 33 quilômetros de extensão, entre Imbetiba e Carapebus, passando por Macaé, foi inaugurado no dia 10 de agosto de 1874. Em 14 de junho de 1875 foi inaugurado o trecho até Campos dos Goytacazes, totalizando 96,5

Antiga malha ferroviária ainda faz parte do cotidiano da cidade, apenas como marca de um tempo áureo e esquecido

quilômetros de extensão. A inauguração da ferrovia resultou na maior rapidez e menor custo de operação, o que conduziu ao rápido declínio da importância do canal Campos-Macaé, que entrou em decadência. Segundo o historiador Ricardo Meirelles, a Estrada de Ferro, também chamada de E.F., fez com que houvesse uma mudança muito gran-

de em relação ao trabalho de produção e o deslocamento do que se produzia. “Isso porque o trem, sem dúvida nenhuma, era um transporte muito mais seguro, possibilitando transportar uma quantidade muito maior do que as embarcações suportavam. Além disso, o serviço era feito com maior rapidez e mobilidade, fazendo com que o porto fosse entrando num

período de decadência, perdendo sua força, deixando de ser, então, o centro econômico, já que toda produção açucareira era transportada via porto”, explicou. Meirelles ressalta ainda que essa mudança chamou a atenção para duas possibilidades naquela época, a manutenção do porto e ao mesmo tempo o escoamento pela ferrovia. “A ferrovia era uma novidade, algo que tinha uma grande força no que diz respeito ao transporte, principalmente quando se falava de segurança. As navegações sempre foram muito sujeitas a chuva, tempestade, apresentando um risco muito grande. Já com o trem, a probabilidade de acidente era muito menor. A partir deste momento começou a se jogar uma confiança e um investimento muito grande na ferrovia, onde não só era possível escoar a produção basicamente de açúcar, mas também fazer o transporte”, detalhou o historiador. Ricardo disse ainda que, até bem pouco tempo atrás a ferrovia era a principal alternativa. “Até a década de 60 a ferrovia era que nos ligava a Campos e ao Rio de Janeiro. Nós não tínhamos uma estrada que pudesse nos conduzir com segurança até o Rio, sendo que uma viagem naquele período chegava a durar de cinco a sete horas”, completou.


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EMANCIPAÇÃO

História de Macaé marcada por evolução de distritos a cidades Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus assumiram independência administrativa na época anterior à pujança do petróleo

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ntes de alcançar o status de Capital Nacional do Petróleo, a história econômica e cultural de Macaé foi construída por meio da participação de antigos distritos, que se transformaram em cidades por meio do processo de emancipação, e atuam hoje em parceria para o desenvolvimento do Norte Fluminense. Na relação estão os atuais municípios de Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus, que conseguiram a tão sonhada emancipação e, então, deixaram de ser distritos de Macaé. O primeiro a conquistar sua independência foi Conceição de Macabu - um município localizado entre a serra e o mar na região norte do estado do Rio de Janeiro, constituído por serras de altitudes que

oscilam de 300 a 989 metros. A criação efetivou-se em 15 de março de 1952, quando foram desanexados os 5º e 10º distritos de Macaé (Conceição de Macabu e Macabuzinho), que passaram a constituir o 1º e o 2º distritos do atual município. Sua expansão econômica contou com rodovias e os trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina, que liga a capital ao norte do Estado, e o norte ao Espírito Santo. Em seguida foi a vez de Quissamã, que começou sua luta por volta de 1952, quando aconteceu o primeiro encaminhamento à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de uma representação assinada por 1.166 eleitores reclamando a autonomia do então distrito de Macaé. Mas a resposta veio 38 anos depois (1989) e

de 4º distrito de Macaé, Quissamã foi elevada a município. E por último está Carapebus. O município foi reconhecido como distrito de Macaé a partir de 1831, sendo o terceiro a alcançar a emancipação, seguindo os passos de Quissamã e Conceição de Macabu. O ano de sua emancipação foi 1995. O ato para consolidar a autonomia municipal aconteceu no Real Clube de Carapebus, onde foi desenvolvido um plebiscito no dia 13 de março de 1994, com o resultado a favor da emancipação, por uma maioria esmagadora de 3.497 contra 148 votos. Para oficializar, o Tribunal Regional Eleitoral aceitou o plebiscito em maio de 1995, e então instituiu, definitivamente, o município de Carapebus.

WANDERLEY GIL

Conceição de Macabu foi o primeiro a conquistar a emancipação. A criação efetivou-se em 15 de março de 1952

Quissamã começou a sua luta por volta de 1952 e foi consagrado município em 1989

Carapebus foi o terceiro a alcançar a emancipação, em 1995, seguindo os passos de Quissamã e Conceição de Macabu


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SUCESSO

Benedito Lacerda: símbolo da música e da arte macaense Instrumentista e compositor, o artista iniciou sua carreira nos bares e rádios do município

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erço de artistas consagrados da música popular, Macaé celebra os 202 anos de emancipação políticas e administrativa sem deixar de reverenciar a memória de Benedito Lacerda. Instrumentista e compositor, Benedito Lacerda nasceu no dia 14 de março de 1903 e residiu no bairro Imbetiba. Aos oito anos de idade começou a aprender flauta. Iniciou as atividades musicais, em sua cidade natal, como integrante da Banda Nova Aurora. Aos 17 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde residiu no bairro Estácio. Para garantir o sustento, em 1922 ingressou na Polícia Militar, onde podia também continuar sua atividade musical, participando, de 1923 a 1925, da banda do batalhão. Para o sustento da família, Benedito Lacerda tocava em cinemas, bares, emissoras de rádio, residências, mas isto não lhe dava retorno suficiente para suportar com tranquilidade as despesas com o aluguel e suprir as necessidades de um chefe de família. Por isso, passou por momentos de sérias dificuldades chegando até mesmo a morar no porão de uma casa, no bairro do Catumbi. Foi parceiro musical de Aldo Cabral, Herivelto Martins, Bide, Ataulfo Alves, Wilson Batista, Ary Barroso, entre outros. Não podemos deixar de

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comentar a famosa dupla que formou com Pixinguinha, no início da década de 40. Destacou-se também pelas marchinhas de Carnaval e pela atuação como fundador da União Brasileira de Compositores e dirigente da Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música. Conta a história que Pixinguinha apareceu em um momento em que, mais uma vez, Benedito sofria com suas dívidas. Já fazendo sucesso com a música Jardineira, Pixinguinha lhe ofereceu parceria desde que Benedito abrisse mão de sua flauta para tocar o saxofone. Pixinguinha acabou sendo seu principal parceiro, ficaram juntos mais ou menos cinco anos, de 1946 a 1950, tempo suficiente para gravar 15 discos. Com isso, todo o lucro foi até que satisfatório, permitindo a Benedito pagar a maior parte de suas dívidas. E Benedito tirou a conclusão de que foi bom ter trocado a sua flauta pelo saxofone.

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HERANÇA DEIXADA POR BENEDITO

Naquela década, Benedito costumava tocar em um bar, atrás do Mercado de Peixes de Macaé. Atualmente, conhecido como 'Bico da Coruja', é um expoente do samba e do chorinho, considerado um ótimo lugar para se apreciar uma música de boa qualidade. Mesmo sem ter por objetivo tocar profissionalmente, um determinado grupo de amigos batizou o local com o nome 'Bico da Coruja', onde com o passar do tempo começou a ser solicitado para se apresentar em eventos. O bar virou referência de boa música e bom papo, amigos e clientes começaram a propor projetos musicais, aproveitando o clima do lugar. Local famoso pela boa música, o Bico da Coruja já existe há 30 anos e fica curiosamente localizado na Rua Benedito Lacerda, nome do macaense considerado um dos maiores ‘chorões’ de todos os tempos.

Benedito Lacerda nasceu no dia 14 de março de 1903 e residiu no bairro Imbetiba


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ESTUDOS

Memória de Tonito marca histórias do passado da Princesinha do Atlântico Ao ganhar exposição no Solar dos Mellos, trabalho do professor e historiador ajuda a resgatar parte importante da história de Macaé

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acervo deixado pelo professor Tonito, exposto no saguão principal do Solar dos Mellos, é um convite para viajar ao passado, em épocas quando o cotidiano de Macaé ainda não era movimentado pelas riquezas extraídas no além-mar. Através do resgate realizado pela vice-presidência de Acervo e Patrimônio Histórico, da Fundação Macaé de Cultura, parte da dedicação e das obras produzidas por Antônio Alvarez Parada pode ser conferida pela população, uma visita quase que obrigatória por aqueles que possuem verdadeiros laços com a cidade, sejam sanguíneos, ou por amor, forças que mobilizaram o trabalho de um homem que tornou-se o ícone da cidade, mesmo em tempos onde a cultura antiga de Macaé permanece esquecida à sombra do progresso. Macaense, nascido em 27 de dezembro de 1925, conhecido como Tonito, além de ensinar com sabedoria e impecável didática, ele se firmou como um dos raros responsáveis pela memória macaense por se tornar um cuidadoso colecionador, pesquisador e um ávido contador das histórias de sua cidade. Tonito foi um importante historiador macaense, que durante sua vida preocupouse em reunir e preservar documentos sobre a cidade, o que muito contribuiu e contribui

para a história do município e a memória do povo macaense. Seus livros - oriundos de suas pesquisas e dos contatos com as pessoas, que participavam de sua atividade de escritor - são fontes documentais da maior relevância para as pesquisas históricas. O historiador escrevia e editava livros, encontrando na imprensa um espaço privilegiado para a manifestação de ideias e opiniões sobre a cidade, o que o consagrou também como jornalista. Assim, recentemente, a vice-presidência de Acervo e Patrimônio Histórico editou o livro ‘Cartas da Província’, uma coletânea de todas as crônicas publicadas pelo O Fluminense, entre 1977 e 1978, onde Tonito relatava semanalmente os acontecimentos de Macaé, deixando de fazê-lo, como ele mesmo relata no final da obra em carta ao editor, por causa de censura em algumas situações, o que ele não admitia. Tonito foi fiel colaborador do jornal O DEBATE, onde publicou mil crônicas sobre a história de Macaé, sendo considerado exímio pesquisador. Tonito começou a lecionar como professor no Ginásio Macaense e na Escola Profissional Ferroviária Senai. Ministrava aulas de química, física e matemática. Mais tarde lecionou no Colégio Estadual Luiz Reid, onde trabalhou como professor até a data de sua morte, em 15 de

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Professor é considerado como um dos principais responsáveis pela preservação da memória de Macaé

março de 1986. No início de 1986, Tonito sofreu um problema cardíaco e precisou se internar para fazer uma cirurgia. Após a operação e recuperação, o professor planejava ir para Niterói visitar seus familiares, e depois voltaria para

Macaé. Cinco dias depois, Tonito recebeu alta médica, mas na hora da despedida, logo na saída do hospital, passou mal, teve uma trombose e morreu na hora. Segundo o historiador Ricardo Meireles, Tonito era bem-humorado, tranquilo,

tinha uma visão de mundo muito boa. “Ele amava a profissão, mantendo um relacionamento muito positivo com os alunos. Além disso, Tonito nutria paixão por Macaé e pelo Fluminense Futebol Clube”, conta. Ricardo ressalta, ainda, que

apesar dos 27 anos de sua morte, a presença do professor Tonito é muito forte na memória de ex-alunos. Engenheiros, arquitetos e professores (influenciados por ele) foram marcados pelo seu carisma. “Embora fosse professor de química, Tonito


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Memórias Curtas e Antigas de Macaé é uma das principais obras produzidas por Tonito

estudou a fundo a história de Macaé, pesquisando e buscando fatos que são referência para os estudiosos da cidade”, disse. TONITO PARADA E AS “COISAS E GENTE DA VELHA MACAÉ”

Quem tem ou teve a oportunidade de ler o livro do professor e historiador Antonio Alvarez Parada, editado em 1958 pela Edigraf , sob o título “Coisas e Gente da Velha Macaé”, consegue entender com exatidão o que representou e que importância teve a nossa Macaé no passado. Autor de várias outras obras com todas as edições esgotadas, o professor e historiador Antonio Alvarez Parada, nos idos anos de

1978 e seguintes, ele colaborou também com O DEBATE assinando a coluna “Mil Histórias Curtas e Antigas”, posteriormente impressa em dois volumes pela Petrobras, lançados em 1995 e 1996. Nas “orelhas” os relatos de Marcello de Ipanema, Bernadete Braga Lima, Adriana Bacellar Leite e Santos e de Othon Pires, ex-aluno do Senai. Prefaciado por Gilson Correa, Nelson Mussi, também ex-aluno de Tonito, registrou sua opinião e Detinha fez o agradecimento, enquanto o sobrinho e afilhado Cesário Alvarez Parada Junior, escrevia: “Em uma cidade do interior, com os recursos gráficos existentes através do jornal semanário O DEBATE, escre-

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ver crônicas sem cair na mesmice e sim tentando elevar o nível intelectual do que seria lido pela família macaense, só poderia partir de uma pessoa que no seu próprio interior era simplesmente uma história ou quem sabe a forma mais viva da cultura e da compreensão do ser humano”. Encontrado no Solar dos Melos, como também na Biblioteca municipal, os exemplares das várias obras de Tonito Parada e, principalmente a que estamos nos referindo, editada em 1958, quando ele, em textos não muito longos, conta “A Lenda de Santana”, “Jean de Léry e a primeira referência ao nome de Macaé”, “Gondomar e a Fundação de Macaé”, “Os Sete Capitães”, “A Igreja que uma promessa edificou”, “Bellegarde”, “A Fortificação da Cidade”, “Macaé de 1817, vista por Saint-Hilaire”, “O batisado de Benjamin Constant”, “O Quilombo do Carukango”, “D. Pedro II e os papagaios”, “Lendas e inverdades sobre Mota Coqueiro”, “Casculeiro, o esquecido”, “A inauguração e as primeiras atividades do Teatro de Santa Isabel”. “Vida, Obras e Morte do Chico do Padre”, “Uma visita da Princesa Isabel e do Conde D´Eu”, “A inauguração do telégrafo”, “O Pires da Bertioga”, “A Rua da Praia do Século XIX”, “Os leilões em Macaé”, “Agenor Caldas”, “Dona Irene”. Quem chegou a Macaé depois da Petrobras, e não conhece a história do município que, antes da emancipação, tinha como seus distritos Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus, deve pelo menos enraizar-se nos textos do professor Antonio Alvarez Parada que deu o exemplo como pesquisador registrando a nossa história. BIOGRAFIA DE TONITO

Primogênito de imigrantes espanhóis, o professor Tonito foi um dos pioneiros em pesquisas históricas de Macaé.

Nasceu em 27 de dezembro de 1925, lecionou química, física, espanhol e matemática no Colégio Macaense, no Colégio Estadual Luiz Reid e no Senai, onde também foi diretor. Fundou a Academia Macaense de Letras e escreveu o Hino da cidade, cuja música é do pianista Lucas Vieira. Tonito teve uma trajetória brilhante, casado há trinta e três anos com Maria Bernadete Castro Alvarez, Detinha como é mais conhecida, viveu sua vida muito feliz ao lado de sua companheira. Suas obras sobre a história de Macaé são: “Coisas e Gente da Velha Macaé” (1958), “ABC de Macaé” (1963), “Histórias da Velha Macaé (1980), “Imagem da Macaé Antiga” (1982) e “Meu Nome, Crianças, é Macaé” (1983), além de dois livros publicados após sua morte, “Histórias Curtas e Antigas de Macaé (1995). Nestes últimos há mil crônicas em dois volumes, textos publicados no jornal O Debate, no período de 1978 a 1985. Antonio Alvarez Parada também era colecionador. Manifestava na imprensa idéias e opiniões sobre a cidade. Outras obras inéditas aguardam publicação “Calendário Macaense ( jornal O Rebate - 1950), “Quem é quem nas ruas de Macaé” ( jornal A Cidade - de 1978 a 1980), “Setenta Anos de Poesia em Macaé (1860 a 1930) de 1979, Palácio dos Urubus - Um Breve Histórico ( jornal Macaé - 1980) e ”A Sociedade Macaense” (1978) Segundo a pesquisadora Larissa Frossard, a dedicação dele na construção da memória de Macaé tem tanta importância, que grande parte do arquivo e da documentação histórica do município foi organizada para constituir o acervo do Centro de Memória Antonio Alvarez Parada. “Este centro faz parte integrante do museu da cidade de Macaé, onde está o conjunto arquitetônico “Solar dos Mellos”, explica.

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Livro ABC de Macaé foi editado pelo professor Tonito na década de 60


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ADMINISTRAÇÕES

Emancipação conduzida por nomes fortes da política regional Gestão do município é conduzida por líderes responsáveis pela construção de uma das mais importantes cidades do país WANDERLEY GIL

GALERIA

Ex-prefeitos

Márcio Siqueira

marcio@odebateon.com.br

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memória de lideranças políticas que assumiram a responsabilidade de conduzir a administração de uma das mais importantes cidades do país pode não estar presente nas lembranças de muitos macaenses, porém, as suas obras ainda são fundamentais ao cotidiano dos mais de 220 mil moradores da Ca-

pital Nacional do Petróleo. Cada um a seu tempo, exprefeitos marcaram a trajetória de transformação social e de pujança do município em épocas bastante distintas. Independente do volume de recursos públicos em caixa, nomes de homens como Cláudio Moacyr de Azevedo ainda estão vivos no cotidiano da antiga Princesinha do Atlântico. Ao passar por períodos mar-

cantes, que envolveram o golpe da Ditadura Militar, a instalação de um parque ferroviário, a escolha da Petrobras pela consolidação dos primeiros investimentos voltados à exploração e produção de petróleo na Bacia de Campos, a briga pelo acesso aos recursos gerados pelos royalties e Participação Especial (PE), além de outros fatos contaram com o posicionamento importante de lideranças políticas ilustres

cuja memória está imortalizada através do papel cumprido à frente da prefeitura. Ao todo, 35 prefeitos governaram a cidade desde 1913. Atualmente Macaé é administrada pelo prefeito Dr. Aluízio Júnior (PV), eleito no dia 7 de outubro de 2012 alcançando uma cotação inédita de 65,62% dos votos válidos. Ao todo, o ex-deputado federal conseguiu 70.693 votos válidos.

João Francisco Moreira Neto (1913 a 1915) José de Oliveira Lobo Vianna Júnior (1915 a 1923) Jayme Afonso (1923 a 1924); Sizenando Fernandes de Souza (1924 a 1927) e (1929 a 1930) Francisco de Miranda Sobrinho (1927 a 1929) Bento Costa Júnior (1930) Álvaro Rodrigues da Silva (1930 a 1932) Floriano Castilho Saddock de Sá (1932 a 1935) Durval Coutinho Lobo (1935) Ivair Nogueira Itagiba (1935 a 1936) e (1936 a 1937) Raul Garnier da Silva (1936) Juvenal Barreto Junior (1937) Télio Barreto (1937 a 1944) Ferry Jaccoud D'Azeredo (1944) Oyama Muniz (1944 a 1945) Álvaro Teixeira da Assunção (1945 a 1946) e (1946 a 1947) Elias Agostinho (1946) e (1951 a 1955) Jorge Costa (1946) Ronald de Souza (1947) João Alves Pedro Sobrinho (1947) Milne Evaristo da Silva Ribeiro (1947 a 1951) Antonio Curvello Benjamin (1955 a 1959), (1963 a 1966) e (1971 a 1973) Eduardo Serrano (1959 a 1960) e (1960) Antonio Otto de Souza (1960) Alcides Francisco Ramos (1960 a 1961), (1973 a 1977) e (1983 a 1988) Gerson Maciel Miranda (1961 a 1962) e (1962 a 1963) Iltamir Honório Abreu (1962) Aristeu Ferreira da Silva (1966 a 1967) Cláudio Moacyr de Azevedo (1967 a 1970) Romeu Pereira (1970 a 1971) Nacif Salim Selen (1982 a 1983) Carlos Emir Mussi (1977 a 1982) e (1993 a 1996) Sylvio Lopes Teixeira (1988 a 1992), (1997 a 2000) e (2001 a 2004). Riverton Mussi Ramos (2005 a 2008 e 2009 a 2012)


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MUSEU

Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo: de Casarão a Câmara Municipal Márcio Siqueira

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ituado em um dos pontos mais importantes da cidade, o Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo resiste há mais de 176 anos, sendo hoje um dos mais importantes monumentos arquitetônicos de Macaé. Palco de manifestações políticas e populares que marcaram a história do município, recebendo atualmente o nome de uma das mais expressivas lideranças políticas que proporcionou à “Princesinha do Atlântico” projetos e investimentos que, na era da Capital do Petróleo, ainda fazem a diferença na rotina da população macaense, o prédio, prestes a se tornar um museu da política local, também merece reverência nesses 202 anos de Macaé. Há mais de um século registrando as discussões políticas realizadas pelo parlamento municipal, o Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo é considerado como um dos prédios mais antigos e preservados da cidade, perdendo apenas para o Forte Marechal Hermes. De acordo com informações do Acervo do Patrimônio Histórico de Macaé, ligado a Fundação Macaé de Cultura (FMC), o prédio foi construído em 1837 sob a responsabilidade do mestre de obras Filomeno Borges. A construção foi projetada para ser a residência oficial de Francisco Domingues, pai do Visconde de Araújo, que ainda

possuía parentes morando na então Vila de Macaé. Devido a imponência dos traços e a qualidade do material utilizado em sua elaboração, o prédio logo em seu início já era considerado como o mais belo e rico monumento da cidade. Segundo o projeto inicial, a entrada do prédio era voltada para o Pontal do Rio Macaé, um dos mais belos cenários proporcionados pela Princesinha do Atlântico. Já no final do século XIX, o prédio foi transformado em ponto de comércio de revenda de água mineral. O produto vinha diretamente do Solar Monte Elísio, casa de veraneio do Visconde de Araújo, hoje conhecido pela maioria da população macaense como Castelo, o prédio onde funciona o Instituto Nossa Senhora da Glória e a Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora. No ano de 1906, o local acabou se tornando oficialmente a sede da Câmara Municipal, que passou suas atividades para o prédio que abrigava, paralelamente, a biblioteca da cidade. A partir da realização das reuniões parlamentares, o prédio, cuja estrutura já era centenária, acabou apresentando ainda mais problemas em função da circulação intensa de moradores, que acompanham as reuniões da Câmara. Durante o seu governo, o prefeito Coronel Sizernando de Souza promoveu a primeira grande reforma no prédio,

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Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo passou por duas grandes reformas desde sua construção

para que fosse possível também concentrar as atividades administrativas da prefeitura. Para isso, em 1927, foi levantado o segundo pavimento voltado já para a Avenida Rui Barbosa. Após a morte do ex-prefeito

Cláudio Moacyr de Azevedo, no dia 04 de agosto de 1995 em São Paulo, a sede do Legislativo recebeu o nome do político macaense que atuou também na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Mais de um século depois

de se tornar sede da Câmara, o Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo passou por um grande processo de restauração, realizada pelo então presidente do Legislativo, o vereador Paulo Antunes, na época em seu quarto mandato à frente

do parlamento municipal. Hoje, com a construção do Palácio Natálio Salvador Antunes, nova sede do Legislativo, o Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo deverá se transformar em sede do museu da política macaense.

História do homenageado Cláudio Moacyr de Azevedo (1935-1995) nasceu em Macaé. Formado em Direito, atuou como advogado e foi também Procurador do Estado. Durante a década de 1960 foi secretário-geral da União Fluminense dos Estudantes e presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF). Em 1967, foi

empossado como prefeito de Macaé. Elegeu-se deputado estadual em 1970, sendo líder da oposição na Assembleia. Eleito pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para a Constituinte estadual, em 1974, foi líder do partido e depois presidente da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj), entre 1977 e 1978.

Foi novamente eleito pelo MDB em 1978 e tornou-se líder da bancada do bloco parlamentar do PP em 1980. Reelegeu-se em 1982 pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e foi líder do partido em 1985. No ano seguinte, passou a integrar o Partido Democrático Trabalhista (PDT), sendo eleito nesta legenda na legislatura de 1987.

Dois anos depois, exerceu a liderança da bancada do partido, mas em 1990 renunciou ao mandato para integrar o Conselho Estadual de Contas do Município. Presidiu o Conselho até sua extinção por uma emenda constitucional em 1991. Faleceu no dia 04 de agosto de 1995, em São Paulo, vitimado por problemas cardíacos.


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MEMÓRIA

Governo consolida ação social de Andrea Meirelles através de Restaurante Popular Projeto que será entregue nesta quarta-feira (29) levará o nome da ex-secretária e macaense ilustre Márcio Siqueira

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o consolidar a elaboração de um dos principais projetos de atenção social do município, a prefeitura presta hoje uma homenagem especial à memória da filha ilustre que partiu, de forma bastante repentina, neste ano, ainda deixando saudades nos corações de muita gente. Em um ato reverenciado e reconhecido pela secretaria municipal de Governo, a nova sede do Restaurante Popular Prato Cheio, construída na Aroeira, ganhará o nome da advogada, militante das causas sociais e ex-secretária municipal de Desenvolvimento Social, Andrea Meirelles, que faleceu em maio deste ano. “O Restaurante Popular é, para mim, a maior obra já entregue pelo prefeito Dr. Aluízio. Porque o espaço é o acesso à cidadania e à igualdade para muitos macaenses. Me recordo da luta incansável de Andrea Meirelles para inaugurá-lo. Esta é uma obra que mantém a sua memória viva para sempre. Andrea encarna tudo que esta obra necessitava: sentimento e transformação social. Palmas para a sua luz e sua história”, destacou o secretário municipal de Governo, Léo Gomes. A inauguração acontece nesta quarta-feira em solenidade agendada para as 14h. O novo restaurante possui

uma área de 1.055 metros quadrados. O grande salão é climatizado. O prédio conta ainda com sanitários para pessoas com deficiência, um espaço reservado de espera para idosos e uma área coberta na parte externa. O restaurante da Aroeira continuará a ser administrado pelas lojas maçônicas de Macaé, por meio de um conselho gestor e vai contar com uma equipe integrada com consciência social, composta por 30 trabalhadores treinados para realizar o atendimento. O empreendimento é resultado da parceria com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, responsável por 80% da verba utilizada. A prefeitura cedeu o terreno para a construção nos mesmos padrões do antigo restaurante. O projeto funciona em Macaé desde 2004, no prédio situado

na Rua da Praia. De janeiro até junho deste ano, foram servidas mais de 120 mil refeições. Durante o atendimento são detectados problemas sociais. Um grande número de casos tem sido alvo do trabalho do serviço social do restaurante, que busca ajudar quem realmente precisa. Enquanto as pessoas estão na fila para o almoço, a assistente social orienta mães sobre vacinações e cuidados com os filhos, encaminha casos para atendimentos psicológicos, de saúde e sociais na rede municipal. Dentre os encaminhamentos feitos pela assistência social do restaurante estão os seguintes: Benefício previdenciário do INSS, ambulatórios, empregos, Conselho Tutelar, Centro de Atendimento à Mulher, Conselho do Idoso, Farmácia Municipal, Fundação Leão XIII, entre outros.

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ASSESSORIA

Leonardo Gomes destaca proposta de reverenciar memória de Andrea através do projeto que será inaugurado hoje

Restaurante Prato Cheio marca trajetória de Andrea Meirelles à frente do Social no município


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SOCIAL

Patrimônios históricos tombados garantem preservação cultural Nova Aurora e Lyra dos Conspiradores representam luta social e dedicação a uma das mais belas artes da cidade

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om seus encantos e seu passado de tantos troféus, os patrimônios históricos macaenses ainda são referências de lutas e glórias de personagens importantes na construção da identidade social e cultural de Macaé. Hoje considerados oficialmente como 'tesouros' do município, as sedes da Sociedade Música Nova Aurora e da Lyra dos Conspiradores seguem preservadas e não destoam do atual cenário - de desenvolvimento e de progresso - alcançado pelo município nesses 202 anos de história. As sedes das duas instituições foram, oficialmente, tombadas como patrimônios históricos da cidade em 2013 durante os feste-

jos dos 200 de criação da Vila de Macaé. O ato de tombamento foi instituído, através da lei municipal 2445/2003, como reconhecimento do valor cultural dos prédios, integrando-se assim ao patrimônio histórico do município. A iniciativa foi da Prefeitura Municipal de Macaé, através da Fundação Macaé de Cultura. Para tanto, a equipe de gestão da FMC realizou várias visitas às sociedades musicais para conhecer sua realidade e mapear as necessidades e elaborar um plano de ação, que tem como primeiro ponto esse tombamento. NOVA AURORA

Fundada em 8 de junho de

1873, a Sociedade Musical Nova Aurora se constitui em um dos maiores patrimônios culturais de Macaé. Seu primeiro presidente foi o Sr. Manoel Guedes Junior. Em dezembro de 1882, em decorrência de uma crise social, alguns dos diretores deixaram a Nova Aurora e partiram para fundar a Sociedade Musical Beneficente Lyra dos Conspiradores. Hoje, ambas trilham o mesmo caminho e vivem os mesmos sacrifícios em prol da sobrevivência das bandas de música de Macaé. Sob a regência do maestro Benedito Passos (Maestro Tinho), a Nova Aurora foi a Bi-campeã do nosso Estado, e, em nível nacional, no programa apresentado para todo o país pela Rede Globo

ultrapassou os limites de Macaé para se tornar a Banda de Música do Rio de Janeiro. A centenária Sociedade Musical Lyra dos Conspiradores faz parte integrante da história de Macaé, sendo berço do abolicionismo, numa luta contra a discriminação racial e em defesa da música. A Lyra entrou para a história de Macaé como um dos principais centros culturais e políticos do município, sendo berço de discussões que contribuíram com o desenvolvimento de um dos municípios mais importantes do país. E até os dias atuais, a Lyra dos Conspiradores mantém vivo este pedaço fundamental da história de Macaé.

Por outro lado, a Lyra é responsável pela formação de ilustres artistas macaenses, que mostraram e mostram seus talentos pelos palcos de Macaé, todo o Brasil e pelo mundo afora. LYRA DOS CONSPIRADORES

A história da Lyra dos Conspiradores começou quando um grupo de músicos, totalmente avesso à escravidão, decidiu se unir para fundar uma nova sociedade musical. Neste sentido, um grupo de abolicionistas não se conformava em apoiar a escravidão através de sua participação na Sociedade Particular Nova Aurora, na época um poderoso veículo de comunicação de massas, que insistia em não utilizar

essas qualidades em defesa do escravo. Foi quando Luiz Francisco Quaresma, Cândido de Freitas Coutinho, Alfredo Amaral, Antônio José de Carvalho Torres, José Cyriaco e Joaquim Roza decidiram fundar a Sociedade Musical Beneficente da Lyra dos Conspiradores. No dia 25 de dezembro de 1882 nascia a Lyra, com o objetivo principal de conspirar contra a escravidão que envergonhava o Brasil. Seu estatuto foi o primeiro a desafiar a ordem social da época, estabelecendo que em seu quadro social e na banda de música fossem admitidos todos que o desejassem, sem distinção de sexo, religião, política ou cor.


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