Skip to main content

NO ENTANTO - EDIÇÃO ESPECIAL

Page 1


TANTO EN NO uma

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo da Ufes

nova perspectiva

EDIÇÃO ESPECIAL - FEVEREIRO 2025

Novos critérios afastam alunos da assistência estudantil

Verão

aumenta a procura

por práticas esportivas

Além da lotação das praias, o verão no Espírito Santo é marcado pelo aumento das atividades ao ar livre. Para incentivar a prática esportiva e promover a qualidade de vida, a Prefeitura de Vitória desenvolveu um projeto comunitário.

Página 11

Falta de café da manhã prejudica desempenho acadêmico

Página 3

Falhas de acessibilidade da Ufes dificultam permanência de PcDs

Página 6

A Pró-Reitoria de Políticas de Assistência Estudantil (PROPAES) publicou no dia 22 de outubro o edital de auxílio para o segundo semestre letivo de 2024 com a alteração da renda mínima per capita de 1,5 para 1 salário mínimo. A mudança ocorreu após a efetivação da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAE), conforme a lei n° 14.914, de 3 de julho de 2024.

Página 3

Estudantes do

campo

se capacitam em curso da Ufes

O curso de Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc) tem como objetivo formar profissionais habilitados na área do ensino. O curso pretende contribuir para a diversidade de ações pedagógicas e para a concretização.

Página 7

IA na universidade provoca debate sobre plágio Página 9

Incidência de mosquitos preocupa estudantes da Ufes

Página10

Editorial

Uma nova perspectiva

O jornal-laboratório NoEntanto, produzido pelos alunos do segundo período de Jornalismo, da Universidade Federal do Espírito Santo, apresenta apuração crítica e promove novos panoramas a partir de critérios de noticiabilidade de interesse público. Mostrar a realidade universitária e capixaba é a base do nosso aspecto jornalístico e contra-hegemônico. Ao reconstruir a antiga edição, os discentes, mesmo que iniciantes, seguem fielmente o processo de produção para transmitir uma informação eficaz: perceber, analisar, publicar e transformar.

Trazer à tona a verdade por trás da realidade estudantil, pautada em discursos dos próprios alunos, é também um papel importante na defesa dos direitos. Na perspectiva atual, a universidade pública carrega entraves, pouco evidentes, em infraestrutura, educação, inclusão, tecnologia, entre outras áreas. Para isso, editorias como as de Comunidade, Política e Economia são destaques em temas que envolvem o público graduando capixaba. Porém, não há limitações, matérias sobre cultura e entretenimento também mobilizam esta publicação.

Um discurso mais jovem, impactante e inovador constroi o projeto do jornal-laboratório NoEntanto. Dentro de um contexto acadêmico, juntamente com o orientador Rafael Bellan, os alunos conseguem expor sua criatividade na escolha de pautas, aprender nas práticas e desenvolver habilidades de cunho comunicativo. Na atual conjuntura, com as dificuldades que o Jornalismo carrega pela transformação digital e suas consequências, pensar em estratégias para o melhor consumo de informações é um desafio a ser encarado por nós.

A busca por uma abordagem crítica é necessária no âmbito social atual. Um jornalismo mais plural, que interage com diversos públicos e usa deles como referência para a construção de pautas, é característico desta edição. Logo, independentemente do meio escolhido para transmitir conhecimento, as novas formas de comunicação que utilizamos também asseguram discussões de problemáticas públicas, assim como as notícias de lazer e cultura. No entanto, com uma nova perspectiva.

Expediente

Editores

Pedro de Melo Pagotto

Beatriz Antony Roth

Conselho Editorial

Ana Elise Plaster Campores

Emilleny Ferreira Caldeira

Enio Heber Rocio de Moura

Nathalya Iviny Reis de Andrade

Pablo Henrique da Silva Rocha

Rubi Conde Ferreira

Repórteres

Ana Maria de Souza Vasques

Arthur Marques Pereira Lopes

Beatriz Horst Martins

Beatriz Pereira Silva

Carla Eduarda Dias do Carmo

Carla Magiero Sacconi

Cristal Esteves Peixoto

Davi Gomes de Souza

Emilly Rodrigues Gonçalves

Felipe Pinheiro de Oliveira

Izabelle Sampaio Rampinelli Ferreira

Joao Henrique Guimaraes da Cruz

João Victor Bassini e Silva

Kezia Franca Vieira

Lavinia Gallardo Pires Feregueti

Lavinia Ramos Da Silva

Layna Silva Cruz

Leonardo Lucas Gomes de Melo Cardoso

Lorenna Soneghetti Lyra

Luisa Aires Leal Areas

Maria Eduarda Teixeira Guedes

Maria Julya Da Costa Carvalho

Monique Ferreira De Oliveira

Pedro Rocha Gonçalves

Pollyana De Cassia Dos Santos Pereira

Priscilla Sales Borges

Rafaella Porto Da Luz

Raissa Cruz Barbosa

Tales Livramento Anjos

Thalita Tirza Sampaio

Thayna Bahia Barbosa Simões

Yasmin Paraguassu Coutinho Ferreira da Silva

Professor Responsável

Rafael Bellan

Diagramação

Ana Luisa Sancio, Bernardo Mont Mor, Camila Helmer, Carlos Raul Santos, Giulia Pin, Gustavo Aloquio, Igor Dadalto, Isabella Mota e Oliveira, Julia Lima, Julia Santos, Kayza Espirito Santo, Larissa Cors, Larissa de Moraes, Letícia Fortaleza, Luca Vicentini, Lucas Fioroti, Maria Eduarda Rincon, Maria Victoria Cecon, Matheus Brandao, Maylana Santana, Melissa Passos, Pedro Henrique Rodrigues, Pedro Henrique Oliveira, Pedro Lucas Martinuzzo, Sofia Ribeiro, Sophia Couto, Tayna Falqueto (estudantes de Design em Jornalismo) e Ruth Reis (professora responsável pela disciplina Design em Jornalismo)

No Entanto é um jornal laboratório produzido por estudantes do segundo período do curso de jornalismo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Endereço

Av. Fernando Ferrari, 514, Cemuni V, Campus Universitário de Goiabeiras, Vitória, 29075-910

Memórias de produção do NoEntanto: aprendendo jornalismo de verdade

Falta de café da manhã prejudica desempenho acadêmico

Rotina alimentar incompleta é pauta entre os alunos e representantes da Ufes

Para tratar da alimentação na Universidade Federal do Espírito Santo, os movimentos estudantis realizaram em dezembro uma reunião, junto à reitoria, com o intuito de reafirmar a importância da inserção do café da manhã no restaurante universitário e melhorar o desempenho acadêmico. Por afetar a rotina, alunos relatam fome no turno matutino. Disponível para todos os estudantes da Ufes, o Restaurante Universitário (RU) oferece apenas duas refeições por dia: almoço e jantar. No mês de novembro deste ano, o Movimento Estudantil “Correnteza”, resgatou a proposta que exige a implementação do café da manhã. “Reconhecemos a realidade dos estudantes, que muitas vezes enfrentam dificuldades para acessar uma alimentação essencial antes de suas aulas. Essa demanda trata-se de garantir condições mínimas de dignidade para eles”, disse integrante do movimento Linn Quemelli.

Com base em enquete realizada pelo No Entanto entre 50 alunos de cursos variados, foi indicado que 98% concordaram com a urgência dessa inserção. Entre eles, 46% indicaram que a proposta se relaciona, principalmente, com o estímulo à permanência. Melhorar a qualidade de vida dos estudantes foi próximo à unanimidade. O graduando em Educação Física Rafael Campos, do turno matutino, relatou já ter saído de sala mais cedo por fome e perdeu a lista de presença. “Por ser um curso que exige muito do meu condicionamento físico, estar sem comer atrapalha

Restaurante universitário recebe grande fluxo da comunidade.

bastante e às vezes não consigo me dedicar tanto nas aulas práticas por falta de energia. De barriga vazia o corpo não funciona”, relata. Segundo o nutricionista Rafael Moraes, a refeição matutina é considerada a principal do dia porque interrompe o jejum noturno, fornecendo ao corpo e ao cérebro os nutrientes necessários. Pessoas que fazem um café da manhã equilibrado têm maior capacidade de concentração e desempenho cognitivo. “Do ponto de vista técnico, fazer apenas duas refeições não é o suficiente, especialmente para os universitários que enfrentam rotinas intensas”. De acordo com o especialista, a

Funcionários preparam o RU, pela manhã, para abrir apenas no horário de almoço.

alimentação insuficiente pode levar a vários problemas, como a desregulação energética e impactos na saúde mental. “Quando não há investimento em segurança alimentar, não é só a saúde dos estudantes que está em risco, mas também o futuro do país”, explica Moraes. O diretor de gestão de restaurantes da UFES, Iury Pessoa, disse que as discussões acerca da mudança de gestão e planejamento do RU estão sendo realizadas com a comissão de planejamento interna do restaurante universitário. Já o plano de gestão do professor Eustáquio de Castro, atual reitor da universidade, firma o compromisso de aproximar as metas da assistência estudantil por meio do restaurante. “Até o final de 2025, provavelmente em outubro, é esse o nosso esforço, conseguir fazer com que tudo esteja pronto até 14 de setembro”, disse Pessoa.

Segundo o diretor, a possibilidade de mudança no panorama alimentar da universidade depende da transição entre o modelo de contratação das empresas que fazem o serviço e a nova gerência. “A gente está prevendo café da manhã, almoço e jantar, colocando todos os nossos esforços para que essa mudança aconteça.”, afirmou.

Foto: Izabelle Sampaio

Novos critérios afastam alunos da assistência estudantil

Exigências do novo edital dificultam a obtenção do auxílio por alunos que buscam permanência

A Pró-Reitoria de Políticas de Assistência Estudantil (PROPAES) publicou no dia 22 de outubro o edital de auxílio, programa que visa promover a permanência dos alunos na universidade, para o segundo semestre letivo de 2024. Entretanto, os critérios exigidos no documento vêm gerando discussões sobre a dificuldade do acesso a esse amparo devido à sua burocracia. O principal requisito analisado para a aprovação dos estudantes no programa é possuir renda per capta de até 1 salário mínimo, valor que sofreu alteração em relação ao edital anterior

que exigia renda de até 1,5 salário mínimo. A mudança ocorreu após a efetivação da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAE), conforme a lei n° 14.914, de 3 de julho de 2024, como explicado pela Diretora de Assuntos Estudantis da PROPAES, Deborah Provetti. “Como [a renda per capita] caiu para 1 salário, muitos estudantes nem tentaram [se inscrever no programa]”, comenta a diretora acerca da mudança.

Além dos estudantes que residem na Grande Vitória, muitos alunos que vêm de fora da capital e se inscrevem no pro -

Sede da Pró-reitoria de Assistência Estudantil (PROPAES), Campus de Goiabeiras

política

grama, passam por uma análise bem detalhada. Deborah conta que é analisada a profissão dos pais do aluno e, por meio de extratos bancários, busca entender como a família se organiza para manter o estudante na cidade, concluindo se ele realmente precisa ser assistido.

BUROCRATIZADO

muito complicado. Ela também comenta que utiliza frequentemente o Restaurante Universitário (RU), e que o auxílio ajudaria muito a arcar com mais essa despesa. “Se eu recebesse pelo menos o auxílio alimentação, já seriam duzentos reais a menos”.

O PROCESSO QUE

O ESTUDANTE

Alguns alunos relataram dificuldades para serem aprovados no programa, devido a complexidade em se encaixar nos critérios exigidos, que solicita uma documentação rigorosa e difícil de conseguir. Débora Shori, estudante que veio de Brasília para cursar administração na Ufes, não pôde finalizar sua inscrição para receber o auxílio, devido à grande quantidade de documentos que foram solicitados, e considera o processo como algo

NÃO CONSEGUE

ATENDER [AOS CRITÉRIOS]

professora

Mônica Lanes

Já Giuliany Carvalho veio da Bahia para cursar jornalismo, e também não conseguiu concluir a inscrição do auxílio, o que a fez desistir do curso. “Precisaria do dinheiro para me manter na cidade”, comenta, destacando que ser uma pessoa de fora não foi um critério levado em conta para análise, devido a grande concorrência com os alunos que são da cidade, além de relatar a dificuldade de acessar certos documentos solicitados.

Social da Ufes, Mônica Lanes, conta que muitos de seus alunos são assistidos pelo auxílio, porém os valores são muito baixos e não cobrem os gastos básicos que uma pessoa possui para se manter na universidade.

Ela já vivenciou situações em que um aluno não frequentava as aulas por falta de dinheiro para passagem de ônibus, e destaca que esse aluno não conseguiu se cadastrar no programa por problemas com a documentação exigida. Além disso, a coordenadora diz que a política de assistência é algo muito necessário mas extremamente difícil, expondo que certos critérios não são devidamente observados, como a questão dos alunos que se mudam ou que enfrentam longos trajetos diariamente para estudar. “Precisamos pensar em uma política que realmente tratasse da moradia dos estudantes aqui na região”, complementa, destacando que a permanência na universidade deve ser o maior objetivo do programa.

A coordenadora do curso de Serviço O reajuste no valor da renda deixa de fora alunos que se encaixariam no programa de amparo universitário

Foto: Maria Jullya Carvalho

Josimar Vieira é um dos alunos que encontra dificuldades de locomoção no Centro de Artes

Falhas de acessibilidade da Ufes dificultam permanência de PcDs

Estrutura precária prejudica rendimento e convívio de pessoas com deficiência

Os alunos da UFES, com deficiência, ingressam sem o conhecimento sobre os seus direitos. E parte dos assistidos não recebe suporte qualificado. Apesar da necessidade das políticas de inclusão e de uma estrutura específica para PcDs, a universidade possui barreiras arquitetônicas e administrativas, que dificultam o acesso e a permanência no ambiente acadêmico.

Segundo o relatório de gestão da Secretaria de Inclusão Acadêmica e Acessibilidade da Ufes, somente 2,32% do total de alunos matriculados são deficientes, sendo, no SISU/UFES, processo seletivo para ingresso, em média, uma vaga para esses cotistas. Após a entrada na instituição, a comunidade encontra prédios com fraca arquitetura acessível, restritos profissionais especializados, além de limitações nas cotas para esses alunos, que pouco são vistos nas salas de aula.

Há um debate da comunidade acadêmica sobre as ferramentas de acessibilidade, porém a Ufes enfrenta dificuldades de materialização.

Além dos estudantes, o ambiente também abrange docentes e técnicos PcDs. A Secretaria de Acessibilidade e Inclusão, a SIAC, em conjunto com a Superintendência de Infraestrutura, busca promover serviços e monitorias acessíveis em diversos setores, como na arquitetura, no instrumental, na atitudinal, na metodológica, na comunicação e no transporte. No entanto, o aluno de Economia, Josimar Vieira, questiona a efetividade dessas propostas de inclusão. “Em alguns lugares não tem rampa ou uma calçada boa, isso acaba sendo ruim pra mim e pro monitor que está comigo. Já ocorreu de eu tirar fotos reclamando da infraestrutura. No final não fui respondido e nem vi resultado”.

Dentre as assistências oferecidas, cons-

tam: o auxílio nas atividades da rotina acadêmica, a realização da mediação entre estudante, assistido e professor, a produção de materiais em libras e braille, o auxílio na utilização de tecnologias específicas e o acompanhamento nos percursos do campus. Para acessar essas monitorias, a busca precisa vir do próprio aluno, evidenciando a falha na proposta de acolhimento, um dos lemas da secretaria.: “Eu entrei na Ufes com cota de aluno deficiente e não sabia da existência da SIAC, não recebi nenhum tipo de acolhimento, nem de nada”, conta a aluna de Jornalismo Carla Dias. A graduanda declara que ainda não encontrou nenhum empecilho no ambiente universitário, por ter poucas limitações físicas, porém é necessário pensar nos que podem encontrar dificuldades. Em contato, a SIAC não respondeu até a finalização da matéria.

Foto: Cristal

Estudantes do campo se capacitam em curso da Ufes

Capacitação de estudantes campestres abre novas oportunidades na universidade

O curso de Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc) da Ufes tem como objetivo formar profissionais habilitados na área do ensino. Contudo, existem muitos obstáculos a respeito da efetivação da graduação, que se viabiliza por meio de políticas de permanência para os universitários do campo. A licenciatura funciona por meio da pedagogia da alternância, em que os estudantes passam um tempo na universidade e um tempo em suas casas no interior.

As aulas da formação são focadas na educação popular, sendo menos conteudistas e mais práticas, proporcionando uma nova visão sobre o papel das comunidades do campo na sociedade brasileira. O estudante da graduação José Antônio Eller afirma que a Ledoc planta em seus estudantes uma visão crítica, e os faz entender seu papel na construção de uma sociedade mais justa para todas as pessoas, transformando o mundo

através da educação. Nesse sentido, o curso pretende contribuir para a diversidade de ações pedagógicas e para a concretização da educação do campo como direito humano e ferramenta de desenvolvimento social.

A Ledoc levanta diversas bandeiras sociais, uma delas é a da luta por alojamento estudantil na Ufes para seus alunos, visto que atualmente tudo o que possui são diárias pagas pela universidade em um hotel próximo ao campus. Além disso, os estudantes contam com entrada gratuita ao restaurante universitário, mas quando as aulas são nos sábados (dias sem funcionamento do RU) é necessário fazer a encomenda de marmitas. Porém, de acordo com a professora da graduação Fabiana Cherobin, alguns alunos já reclamaram de problemas alimentares a respeito da comida.

Quanto às alunas que são mães e não possuem rede de apoio, elas podem deixar suas crianças ao cuidado da Ciranda. O proje -

to da Ledoc visa a permanência dessas estudantes por meio do oferecimento de um espaço para seus filhos ficarem enquanto elas estão na aula, nesse local há brinquedos e materiais para que os pequenos passem o tempo.

A estudante e mãe Andreza Ornela de Jesus contou que a Ciranda é realmente útil para quem tem filho, e afirmou que as crianças possuem muita afinidade com os cirandeiros. A coordenadora do projeto, Rosali Rauta, explicou que os monitores da Ciranda são alunos bolsistas com capacitação para realizar esse trabalho e que possuem interesse em “estudar as infâncias”.

Por fim, em meio a dificuldades e lutas, José Eller declara que a Ledoc proporciona uma visão ontológica sobre o trabalho e os meios em que vive. “Lutando por uma educação libertadora, popular e democrática, o curso teve um impacto fortemente inovador e revolucionário em minha vida”.

Os filhos têm um espaço seguro para se divertir, possibilitando que as mães estudem sem preocupação. Crédito/Foto:

Foto: Pablo Rocha

Falta de recursos públicos impactam desenvolvimento tecnológico na Ufes

Centros de ensino dependem de investimento privado para suprir necessidades

Computadores sem funcionar já são rotina para diversos cursos

No dia 6 de novembro de 2024, a Universidade Federal do Espírito Santo assinou um contrato de licenciamento de tecnologia com a empresa Symbios, cujo serviço é a elaboração de aparelhos mecânicos que auxiliam na movimentação dos membros superiores. Essa parceria público-privada busca viabilizar o desenvolvimento da tecnologia, porém, essas colaborações costumam ser mais comuns

em determinadas áreas da universidade, como os investimentos no Centro Tecnológico por parte da Symbios. Em contrapartida, outros setores se encontram desamparados tanto pela esfera privada quanto pela falta de investimentos públicos.

Um funcionário da Superintendência de Orçamento e Finanças da UFES, que preferiu não se identificar, esclareceu que a busca por

investimentos privados é de responsabilidade de cada centro de ensino, sem um olhar por parte da universidade para as áreas que não possuem destinação de verba externa. Visto que o amparo público não é capaz de suprir as necessidades de todos os cursos, e não há um olhar aprofundado a respeito disso, essa situação gera disparidades.

A estudante do curso de arquitetura Ilse Ronceti conta que os prédios são antigos e as salas não possuem uma quantidade adequada de tomadas. “Já teve um caso de uma estudante queimar o próprio computador porque precisamos utilizar extensões para ligar nossos notebooks”.

Em meio a falta de assistência tecnológica, a escassez de infraestrutura também se faz presente, um exemplo recente é a interdição e suposta reforma do CEMUNI III devido ao risco iminente de desabamento causado pelas infiltrações. As principais consequências foram o atraso no início das aulas do segundo semestre e a demora na reorganização dos espaços de aprendizagem utilizados pelos alunos.

No entanto, a fonte na Superintendência de Orçamento e Finanças também apontou a existência de uma matriz que realiza cálculos baseados em informações como: quantidade de alunos, produção científica e números de professores para definir o rateio entre os centros de ensino. Confira o gráfico. Os cursos que já possuíam uma alta demanda e destinação de verba, como o Centro de Ciências da Saúde (CCS), continuaram a obter investimentos crescentes. Em contrapartida, áreas precarizadas como o Centro de Ciências Exatas (CCE), Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) e o Centro de Educação (CE) sofreram com quedas drásticas nos mesmos quesitos, demonstrando de maneira clara a hierarquização presente dentre os cursos. Dessa forma, a UFES possui um quadro geral dos gastos para cada curso, sendo possível prever quais necessidades não poderão ser acolhidas. Porém, não há nenhuma resolução para o problema.

Fonte: Memória de Cálculo
Foto: Lorenna
Lyra

ciência

A utilização das Inteligências Artificiais (IA´s) no âmbito acadêmico vem sendo revolucionária, mas também pode passar de aliada para inimiga em algumas ocasiões. Crédito/Foto: Priscila Borges

Com o avanço tecnológico, as pesquisas no ramo da Inteligência Artificial (IA) cresceram e adentraram o ambiente acadêmico de diversas formas. A utilização pode ser vista de forma positiva, ao facilitar o acesso à informação, mas também como negativa, pois pode representar a quebra da originalidade, a retirada da autonomia dos usuários e o plágio.

Instituições de ensino público começaram a adotar medidas para detectar o plágio e o uso de IAs. A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) adota a ferramenta, com o intuito de garantir a originalidade nos trabalhos acadêmicos. Entretanto, a utilização de programas como esse gera um grande debate, uma vez que as IAs nem sempre estão 100% corretas.

Uma pesquisa desenvolvida pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES) verificou a utilização de IAs e mostrou que 71% de sua amostragem utiliza a ferramenta em suas rotinas de estudos.

A estudante de Psicologia da UFES, Maria Clara Tavares, diz utilizá-las em seus estudos para síntese de texto ou explicação de trechos não compreendidos, mas nunca como fonte primária de um estudo. Ela diz ter cuidado com a questão do plágio, tendo a noção de que a IA não é uma ferramenta livre de erros.

A estudante conta, também, ter passado por uma situação na qual uma de suas professoras acusou a turma de ter utilizado IA´s na resolução de um trabalho. Mesmo com a acusação, Tavares explicou que afirmou não

IA na universidade provoca debate sobre plágio

O uso do verificador de originalidade baseado em inteligência artificial pelos professores gera debate a respeito de sua confiabilidade na comunidade acadêmica

ter utilizado a ferramenta à docente, mas que foi desacreditada e todos os integrantes do grupo tiveram suas notas zeradas.

Segundo a professora Amanda Noleto, doutora em Comunicação e professora na UFES, o uso de IA´s por parte dos alunos pode significar deslealdade, falta de ética ou desconhecimento dos direcionamentos e conteúdos ministrados em aula. “Todas as vezes em que eu desconfiei e submeti um trabalho à verificação de atividade de IA, eu comprovei. Nunca houve contestação do aluno”, explica.

Em 2024, o software de verificação de plágio Turnitin Similarity foi implementado na universidade, com fins de suporte para os professores. A ferramenta conta com uma base de dados de 99,3 bilhões de páginas da internet e arquivadas, além de 1,8 bilhão de trabalhos de estudantes e 89,4 milhões de publicações acadêmicas. O programa gera um relatório que aponta a quantidade de simila-

ridade do conteúdo com arquivos presentes na base de dados.

“A cada nova geração, as pessoas se tornam mais inseridas nessa realidade. Eu considero a existência desses elementos e avanços, eu os utilizo na medida do possível, onde me cabe, não fugindo dos parâmetros da ética”, aponta Amanda. Para ela, a presença das IAs na educação reflete a evolução tecnológica e não deve ser tratada como algo totalmente errado.

Pesquisas realizadas pela OpenAI (empresa responsável pelo ChatGPT), mesmo após atualizações constantes, mostram que as IAs ainda apresentam uma gama de limitações em sua capacidade de gerar materiais confiáveis. De acordo com os pesquisadores, as inteligências artificiais não têm conhecimento para produzir um resultado preciso e podem ocasionar respostas sem qualquer fundamentação sólida.

ChatGPT e DeepSeek ganham cada vez mais espaço nos textos dos alunos.

Foto: Priscila Borges
Foto:

Incidência de mosquitos preocupa estudantes da Ufes

Casos registrados de dengue em 2024 colocam comunidade acadêmica em alerta

A Ufes no bairro de Goiabeiras sofre com uma quantidade exorbitante de mosquitos que podem ser vetores de doenças. A escassez de investimento em infraestrutura da instituição cria um ambiente propício à reprodução destes insetos, colocando em risco a saúde da comunidade universitária.

Com a grande incidência de chuvas no verão, o acúmulo de água faz com que a proliferação intensifique, sendo esperado que os casos de doenças como a dengue aumentem consideravelmente em 2025. Segundo dados apresentados no site de monitoramento da dengue da prefeitura de Vitória, houve um aumento exponencial dos casos registrados de dengue no ano de 2024 em relação ao de 2023 no bairro de Goiabeiras.

O prédio de Arquitetura e Urbanismo (Cemuni III), recentemente interditado devido às intercorrências estruturais, tem sido palco de grande preocupação estudantil. Relatos indicam problemas estruturais no local,

como corredores alagados devido à falta de escoamento adequado, falhas na fiação elétrica que podem resultar em incêndios e acidentes, além de mofo e trincas nas paredes.

A estrutura do prédio é um exemplo dos locais da Universidade que carecem da estrutura necessária para evitar a proliferação do Aedes aegypti, pondo em risco a saúde acadêmica. A Ufes conta com ações de combate ao mosquito, mas a presença de insetos e pontos de foco de proliferação ainda são abundantes.

O estudante do curso de educação física André Melim relatou ter tido sintomas de dengue. A preocupação do aluno aumenta pois frequenta a Ufes durante a noite, horário de maior atividade dos mosquitos. Melim diz ter medo de contrair a doença novamente, contando apenas com repelentes para sua proteção. Apesar disso, acredita ser inevitável a grande quantidade de mosquitos na Universidade, pois há um manguezal próximo.

Porém, ele problematiza a falta de medidas tomadas pela reitoria.

As repórteres do jornal No Entanto entraram em contato com a superintendência de estrutura da Ufes, para esclarecer dúvidas sobre o ocorrido. O Assistente em Administração e Chefe da DGA/SI/UFES, Nathan dos Santos Kuster Pinheiro relata ter dificuldades para responder as perguntas pessoalmente. “Estamos com muitas demandas em curso aqui no setor e na Universidade que exigem colaboração de vários setores da SI. Creio que será mais fácil eu te responder um email do que separar espaço na agenda para uma entrevista”.

Foram enviados e-mails para o setor, que levantavam questões à superintendência da Ufes a respeito das medidas de prevenção e da eficiência dos métodos utilizados pela Universidade para combater a dengue. Também foi pedido um posicionamento oficial do setor, mas não foram obtidas respostas.

O Cemuni III é um exemplo da precarização estrutural da UFES que pode se tornar foco de proliferação do mosquito, evidenciando a falta de ações preventivas por parte da instituição.

Verão aumenta a procura por práticas esportivas

Atividades na areia ganham destaque e incentivam qualidade de vida

Alunos de futevôlei descrevem a prática esportiva como fonte para uma melhor qualidade de vida

Overão no Espírito Santo é marcado não só pela lotação das praias, mas também pelo aumento das atividades esportivas ao ar livre. Modalidades como futevôlei, beach tennis, vôlei de praia, treinamentos funcionais e corridas na areia têm ganhado destaque pelo entretenimento e os benefícios à saúde.

Segundo Acerola, como é conhecido um instrutor de futevôlei de Jacaraípe, na Serra, a procura pela prática de exercícios cresce significativamente nessa época do ano, envolvendo diferentes faixas etárias. “A popularidade do esporte é um grande atrativo para os jovens, enquanto os adultos mais ex-

perientes buscam uma melhor qualidade de vida”, ressalta.

A prática de atividades na areia, apesar de desafiadora, oferece inúmeros benefícios. O terreno irregular e sua densidade exigem mais da musculatura, o que pode contribuir para o condicionamento físico. No entanto, é preciso cuidado. O professor Ryan Maldonado, graduando e mestrando em Educação Física, alerta para os riscos de lesões: “A preparação física é essencial para evitar sobrecarga corporal e problemas nas articulações, já que o terreno mais desafiador pode comprometer a eficiência muscular.”

Para incentivar a prática esportiva e promover a desejada qualidade de vida, a

Prefeitura de Vitória desenvolveu o projeto comunitário Escolinhas de Esportes, que inicialmente atendia crianças e adolescentes, mas foi ampliado para outras idades. “Nele conseguimos oferecer esportes como vôlei de quadra, vôlei de areia, basquete e natação, além de modalidades inéditas, como o hóquei de patins e o pickleball. Vitória é uma das poucas cidades do país com uma quadra pública para essas práticas”, destaca Sarah Marques, gerente da Secretaria de Esporte de Vitória. As inscrições para o projeto estão disponíveis no site da Prefeitura de Vitória. A iniciativa visa fomentar a prática esportiva, promover saúde e fortalecer a integração social na capital capixaba.

Foto: Emilly Rodrigues

Rodas de samba capixabas se tornam atração para turistas no carnaval

Roda de samba no Bar da Madeira, celebrando a expressão cultural, resistência e alegria

Os eventos de samba são opções populares de lazer na Grande Vitória

O Espírito Santo tem se consolidado como um destino vibrante para o Carnaval, e as rodas de samba locais vêm ganhando destaque entre as atrações que encantam turistas e moradores. Em meio ao crescimento dos blocos de rua e à diversidade musical da folia capixaba, os tradicionais encontros de sambistas se transformam em uma experiência cultural imperdível.

O Movimento Samba Itinerante, idealizado pelo sambista e compositor Axel Fernandez, faz parte da mobilização de valorização do ritmo no Espírito Santo. O evento tem como objetivo levar o samba de roda para diferentes pontos da capital capixaba, criando uma verdadeira "roda itinerante”, que resgata a história do ritmo e integra todos os participantes.

Com batucadas e repertórios que passeiam pelos clássicos de Cartola, Beth Carvalho e Zeca Pagodinho, as rodas de samba espalhadas por Vitória, Vila Velha e outros

municípios da capital atraem foliões em busca de um Carnaval autêntico e pulsante.

“O samba é a alma do Carnaval brasileiro, e aqui no Espírito Santo não é diferente. As rodas criam um ambiente de celebração e pertencimento, onde todos podem chegar, cantar e dançar”, comenta Pedro Andrade, organizador da tradicional roda de samba do Mercado da Vila Rubim.

Para atrair os turistas que visitam o estado durante o feriado, as rodas de samba vêm investindo em ações estratégicas, como maior presença nas redes sociais, parcerias com hotéis e até roteiros especiais que conectam diferentes pontos da cidade, desempenhando um papel relevante na economia local.

"A maior prova de que o samba versa com as questões econômicas do município é que, se a gente der um passeio pela cidade de segunda a segunda, veremos bares com alguém tocando, seja uma pessoa sozinha, com

banda ou em uma roda.", explica Vinicius Vasconcelos, Agente Cultural da Capixabices, plataforma que destaca eventos e artistas locais.

A gastronomia capixaba também se integra a essa proposta. Alguns eventos trazem pratos típicos, como a moqueca e a torta capixaba, para enriquecer a experiência. “Nada melhor do que um bom samba acompanhado de uma cerveja gelada com uma feijoada da Unidos da Piedade. Essa combinação tem conquistado turistas de vários estados”, brinca o sambista e vereador Jocelino Junior. Apesar do crescimento, os organizadores das rodas de samba destacam desafios, como a necessidade de mais incentivos culturais e espaços públicos adequados para os eventos. “Queremos que o samba capixaba tenha cada vez mais força e reconhecimento. O Carnaval é um momento de visibilidade, mas o samba precisa ser valorizado o ano inteiro”, ressalta Jocelino.

Foto: Emilleny Ferreira

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook