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VENEZUELA: OS IMPACTOS DAS SANÇÕES INTERNACIONAIS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS
Francis Mary Guimarães Nogueira
VENEZUELA: OS IMPACTOS DAS SANÇÕES INTERNACIONAIS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS
Uberlândia / Minas Gerais Navegando Publicações 2020
Navegando Publicações
www.editoranavegando.com editoranavegando@gmail.com Uberlândia – MG, Brasil Direção Editorial: Navegando Projeto gráfico e diagramação: Lurdes Lucena Arte da Capa: Alberto Ponte Preta
Copyright © by autor, 2020.
F8475 – NOGUEIRA, F. M. G.. Venezuela: os impactos das sanções internacionais nas universidades públicas. Uberlândia: Navegando Publicações, 2020.
ISBN: 978-65-86678-56-7 10.29388/978-65-86678-56-7
1. Venezuela. 2. Universidade Pública. 3 Educação. I. Francis Mary Guimarães Nogueira II. Navegando Publicações. Título. CDD – 370 CDU – 37
Índice para catálogo sistemático Educação
370
Editores
Navegando Publicações
Carlos Lucena – UFU, Brasil José Claudinei Lombardi – Unicamp, Brasil José Carlos de Souza Araújo – Uniube/UFU, Brasil www.editoranavegando.com editoranavegando@gmail.com Uberlândia – MG Brasil
Pesquisadores Nacionais
Conselho Editorial Multidisciplinar
Afrânio Mendes Catani – USP – Brasil Anderson Brettas – IFTM - Brasil Anselmo Alencar Colares – UFOPA – Brasil Carlos Lucena – UFU – Brasil Carlos Henrique de Carvalho – UFU, Brasil Cílson César Fagiani – Uniube – Brasil Dermeval Saviani – Unicamp – Brasil Elmiro Santos Resende – UFU – Brasil Fabiane Santana Previtali – UFU, Brasil Gilberto Luiz Alves – UFMS – Brasil Inez Stampa – PUCRJ – Brasil João dos Reis Silva Júnior – UFSCar – Brasil José Carlos de Souza Araújo – Uniube/UFU – Brasil José Claudinei Lombardi – Unicamp – Brasil José Luis Sanfelice – Unicamp – Brasil Larissa Dahmer Pereira – UFF – Brasil Lívia Diana Rocha Magalhães – UESB – Brasil Mara Regina Martins Jacomeli – Unicamp, Brasil Maria J. A. Rosário – UFPA – Brasil Newton Antonio Paciulli Bryan – Unicamp, Brasil Paulino José Orso – Unioeste – Brasil Ricardo Antunes – Unicamp, Brasil Robson Luiz de França – UFU, Brasil Tatiana Dahmer Pereira – UFF - Brasil Valdemar Sguissardi – UFSCar – (Apos.) – Brasil Valéria Forti – UERJ – Brasil Yolanda Guerra – UFRJ – Brasil
Pesquisadores Internacionais
Alberto L. Bialakowsky – Universidad de Buenos Aires – Argentina. Alcina Maria de Castro Martins – (I.S.M.T.), Coimbra – Portugal Alexander Steffanell – Lee University – EUA Ángela A. Fernández – Univ. Aut. de St. Domingo – Rep. Dominicana Antonino Vidal Ortega – Pont. Un. Cat. M. y Me – Rep. Dominicana Armando Martinez Rosales - Universidad Popular de Cesar – Colômbia Artemis Torres Valenzuela – Universidad San Carlos de Guatemala – Guatemala Carolina Crisorio – Universidad de Buenos Aires – Argentina Christian Cwik – Universität Graz – Austria Christian Hausser – Universidad de Talca – Chile Daniel Schugurensky – Arizona State University – EUA Elizet Payne Iglesias – Universidad de Costa Rica – Costa Rica Elsa Capron – Université de Nimés / Univ. de la Reunión – France Elvira Aballi Morell – Vanderbilt University – EUA. Fernando Camacho Padilla – Univ. Autónoma de Madrid – Espanha Francisco Javier Maza Avila – Universidad de Cartagena – Colômbia Hernán Venegas Delgado – Univ. Autónoma de Coahuila – México Iside Gjergji – Universidade de Coimbra – Portugal Iván Sánchez – Universidad del Magdalena –Colômbia Johanna von Grafenstein, Instituto Mora – México Lionel Muñoz Paz – Universidad Central de Venezuela – Venezuela Jorge Enrique Elías-Caro – Universidad del Magdalena – Colômbia José Jesus Borjón Nieto – El Colégio de Vera Cruz – México José Luis de los Reyes – Universidad Autónoma de Madrid – Espanha Juan Marchena Fernandez – Universidad Pablo de Olavide – Espanha Juan Paz y Miño Cepeda, Pont. Univ. Católica del Ecuador – Equador Lerber Dimas Vasquez – Universidad de La Guajira – Colômbia Marvin Barahona - Universidad Nacional Autónoma de Honduras - Honduras Michael Zeuske – Universität Zu Köln – Alemanha Miguel Perez – Universidade Nova Lisboa – Portugal Pilar Cagiao Vila – Universidad de Santiago de Compostela – Espanha Raul Roman Romero – Univ. Nacional de Colombia – Colômbia Roberto Gonzáles Aranas -Universidad del Norte – Colômbia Ronny Viales Hurtado – Universidad de Costa Rica – Costa Rica Rosana de Matos Silveira Santos – Universidad de Granada – Espanha Rosario Marquez Macias, Universidad de Huelva – Espanha Sérgio Guerra Vilaboy – Universidad de la Habana – Cuba Silvia Mancini – Université de Lausanne – Suíça Teresa Medina – Universidade do Minho – Portugal Tristan MacCoaw – Universit of London – Inglaterra Victor-Jacinto Flecha – Univ. Cat. N. Señora de la Asunción – Paraguai Yoel Cordoví Núñes – Instituto de História de Cuba v Cuba
A todo o povo venezuelano, pobre e empobrecido, que, há anos, enfrenta toda forma de caos em sua cotidianidade, resultado das inúmeras agressões imperialistas.
À Florisbella Guimarães Nogueira, minha mãe! (in memoriam)
À Beate Jungemann
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao Programa de Apoio à Pós-Graduação-PROAP/Capes pela publicação deste livro no formato digital. Agradeço à Unioeste, ao CECA e aos Colegiados de Pedagogia e ao Mestrado e Doutorado em Educação (PPGE), por aprovarem a realização deste Estágio de Pós-Doutorado. Meu agradecimento especial ao Centro Internacional Miranda, pela possibilidade institucional de poder realizar este Estágio de Pós-Doutorado. Agradeço, ao Dr. Luis Bonilla-Molina que supervisionou a pesquisa, e à Dra. Irama La Rosa, atual Diretora do Centro Internacional Miranda (CIM). Agradeço toda a alegria e a disposição da minha irmã Florisbela Maria Guimarães Nogueira Meyknecht, que me incentivou a retomar a produção teórica, enquanto discutíamos sua Tese de Doutorado. Agradeço a “torcida” dos meus irmãos Ayres Nogueira Júnior e Antonio Nogueira Neto para terminar o livro no prazo. E um agradecimento à revisora Jerusa Rachel Forner C. R. Pereira, porquê nenhum livro chega as prateleiras físicas ou virtuais sem o trabalho silencioso e indispensável dxs revisorxs.
Comenzar de nuevo ¿Hasta cuándo podremos tolerar esto? – preguntó M en la cocina, quizá intentando encontrar el eco que no había conseguido en la mesa. Mientras desayunábamos, había estado comentando sobre lo difícil que resultaría la cuarentena para muchas familias, en especial para aquellas que no podían asegurar las tres comidas diarias. Nuestra respuesta había sido el silencio. Ciertamente, no un silencio cómplice, como el de quie nes solo tienen ojos para mirar sus propios platos. Más bien un silencio doloroso, ape sadumbrado, pero silencio al fin. Recordé entonces aquella conversación con la mayor de mis hijas, en 2016, cuando por primera vez en mucho tiempo, al punto que no puedo recordar cuándo fue la última vez, algunos alimentos comenzaron a faltar en casa. Esta situación se parece mucho a la que ya vivimos en la década de los noventa – le comenté. No tienes por qué preocuparte por nosotros. De alguna manera lograremos salir adelante. Ya lo verás. Te acordarás de estas palabras. En cambio, muchos no podrán hacerlo. Son los que hoy, como ayer, vuelven a sobrevivir, y como ayer, en algún punto, ya no podrán hacerlo. Creer que esas vidas no tienen por qué importarnos, y creer que solo importa lo que hagamos con nuestras vidas: esa sería la peor de nuestras derrotas. Eso significaría que, después de todo lo vivido, por lo que hemos luchado todos estos años, no ha servi do de nada. Reinaldo Iturriza
SUMÁRIO
Prefácio María Egilda Castellano Agreda
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Introdução
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I - Contexto econômico, político e social da Venezuela (1990-2020). Apresentação sumária
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II - A situação educacional da Venezuela antes dos governos Chávez (1980-1990)
39
III - A emergência do sistema educacional bolivariano: dados relevantes
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IV - Aspectos das condições históricas da emergência do projeto universitário bolivariano
45
V - A organização do sistema educativo venezuelano na ley orgánica de educación (loe), de 2009
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VI - Análise das categorias e sub-categorias que expressam os impactos das sanções nas universidades públicas da RBV
51
VII - Sobre as sanções e os bloqueios
67
VIII - Considerações finais provisórias
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Referências
81
Anexos
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Anexo A – União Europeia reconhece Juan Guaidó como legítimo presidente do parlamento venezuelano
93
Anexo B – a tragédia da Venezuela
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Anexo C - Líneas generales del plan de dessarollo económco y social de la nación 2007 2013
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Anexo D - Executive Order – Blocking property and suspending entry of certain persons contributing to the situation in Venezuela
148
Anexo E – Após sanções dos EUA que impõem "bloqueio total", Venezuela interrompe diálogo de paz.
152
Anexo F – Maduro stoppt Verhandlungen mit Opposition
155
Anexo G – Trump-Regierung verhängt neue Sanktionen gegen Venezuelas Ölexport
157
Anexo H –Experte aus Venezuela kritisiert im Bundestag Sanktionspolitik der USA
159
Anexo I –Maduros Schulden setzen Guaidó unter Druck
161
Anexo J –Präsident oder Papiertiger?
163
Anexo K – Venezuelas mächtige Generäle und ihre Geschäfte
167
Anexo L – Listagem de todas as resoluções e informes do Grupo de Lima
171
Anexo M – Reunión de consulta de Ministros de Relaciones Exteriores
179
Anexo N – Venezuela: resposta do Conselho à crise
182
Anexo O – Venezuela: Conselho prorroga sanções até 14 de novembro de 2020
190
Anexo P – foreign terrorist entry into the United States
191 202
Anexo Q – EU Sanctions Map Anexo R – Thematic Restrictions: Chemical weapons, cyber-attacks, terrorism
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Anexo S - Contrato SilverCorp. USA. Inc. (Service Provider)
206
Anexo T - Brasil y EEUU sellan alianza y se enfocan en Maduro
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Anexo U - Economic Sanctions as Collective Punishment: the case of Venezuela
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PREFÁCIO
Como estudiosa e investigadora de la complejidad de lo social, y en su contexto, de los procesos educativos, me siento horada con la solicitud de la Dra., Francis Guimarães Nogueira, de redactar el Prefacio de su Libro: VENEZUELA: OS IMPACTOS DAS SANÇÕES INTERNACIONAIS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS. La Dra. Francis Guimarães se ha dedicado desde el año 2006 al análisis y comprensión de las transformaciones que vienen ocurriendo en la educación venezolana, y en especial de la educación universitaria, como consecuencia de las políticas diseñadas y puestas en funcionamiento por los gobiernos de la Revolución Bolivariana, dirigidas a la inclusión de todos y todas en una educación con calidad y pertinencia social, para lo cual la gratuidad hasta el nivel universitario es una condición indispensable, así como la formación de profesionales-ciudadanos, probos que conjuguen en su ejercicio conocimientos científico-técnicos, sociales, históricos, culturales, ambientales, con valores ético-políticos y estéticos, que le permitan una visión crítico-reflexiva de los procesos de construcción y difusión de conocimientos, la reflexión científica y la creatividad para solucionar problemas reales, así como, la capacidad para trabajar interdisciplinaria y transdisciplinariamente. Para garantizar la inclusión con calidad y pertinencia social, son también imprescindibles, la expansión de la educación universitaria en todo el territorio nacional, y la diversificación de programas y carreras, de allí, la creación de las Misiones Sociales entre las cuales destaca la Misión Sucre, cuyo propósito está dirigido a la Municipalización de ese nivel de la educación para facilitar a todos los sectores antes excluidos, su ingreso, prosecución y egreso, dando sí cumplimento a los artículos 102 y 103 de la Constitución de la República Bolivariana de Venezuela (1999), referidos al derecho a la educación. En su primera investigación en la República Bolivariana de Venezuela,, Francis Guimarães analizó tres de las Misiones Educativas, la Misión Robinson, la Misión Ribas y la Misión Sucre, y luego entre 2010 y 2011 realizó su primera investigación postdoctoral, esta vez dirigida a la indagación en algunas de las Universidades creadas en revolución: la Universidad Bolivariana de Venezuela y las Universidades Politécnicas Territoriales, surgidas de la transformación de los Institutos y Colegios Universitarios en Universidades de nuevo tipo, en el contexto de una nueva Misión Educativa, la Misión Alma Mater. En esta oportunidad su análisis se centró en las transformaciones curriculares puestas en práctica en dichas universidades, y su estudio se circunscribió a dos Programas de Formación de Grado: Hidrocarburos de la Universidad Bolivariana y Agroalimentaria de la Universidades Politécnicas Territoriales. Todas estas investigaciones contienen una visión crítica y reflexiva sobre lo que realmente ocurre en Venezuela como consecuencia de la intencionalidad de los gobiernos de los Presidentes Hugo Chávez Frías y Nicolás Maduro Moros dirigida a lograr transformaciones profundas en la educación en todos los niveles y modalidades, y en relación a la educación universitaria, se pretende que ésta de respuestas pertinentes a las necesidades del desarrollo científico-tecnológico, así como a aquellas que satisfagan los requerimientos productivos y de otra índole del pueblo venezolano, todo ello en el contexto de las ideas integracionistas y de unidad latinoamericana y caribeña, heredadas de nuestro Libertador Simón Bolívar. El interés de la Dra. Guimarães de continuar investigando sobre la Educación Universitaria en Venezuela, la llevó a proponerse el estudio, que hoy culminado, es el objeto de esta publicación: VENEZUELA: OS IMPACTOS DAS SANÇÕES INTERNACIONAIS 21
NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS. Se trata de una interesante, inédita y muy bien lograda investigación, que aborda por medio del análisis crítico de diversos documentos, las sanciones impuestas al país, por el Imperialismo Norteamericano, con la contribución de otros imperialismos e incluso de países de América Latina, que viven la misma situación histórica de dependencia, colonización y colonialidad que padece Venezuela desde el siglo XV aproximadamente, me refiero a los países que actúan en el llamado Grupo de Lima, y que siguen las directrices de los Estados Unidos de Norteamérica. En ese escenario de múltiples agresiones externas las Universidades de gestión pública de Venezuela, han sufrido diversas y diferenciales afectaciones, las cuales son objeto de una pesquisa profunda por parte de la investigadora. Los resultados de la pesquisa ponen al descubierto que las sanciones internacionales impuestas a la República Bolivariana de Venezuela por los gobiernos imperialistas y sus aliados, han tenido diversas consecuencias en el desarrollo académico de las Universidades de gestión pública, manifestadas en primer lugar en una crisis institucional que se expresa en: a) estrangulamiento o asfixia económica; b) escasez de materiales para el trabajo; c) racionamiento de servicios como luz, agua, acceso a internet, entre otros; d) dificultades para aumentar los salarios del personal docente, de investigación, administrativo y obrero, a fin de que éstos puedan responder a la inflación inducida que a la par ocurre, como parte del mismo bloqueo; e) dificultades para cumplir con los servicios destinados al bienestar estudiantil, tales como becas, ayudantías, actualización de bibliotecas, mantenimiento de subscripciones en revistas nacionales e internacionales; f) financiamiento a profesores y estudiantes para la asistencia a eventos nacionales e internacionales; g) emigración, también inducida, de profesores y estudiantes, entre muchos otros problemas derivados de las condiciones precarias que generan las sanciones y el bloqueo. Por otra parte, la oposición instalada en las Universidades llamadas Autónomas y en algunas de las Experimentales creadas antes de la Revolución Bolivariana, se resisten a poner en práctica las transformaciones curriculares que impulsa el gobierno, y siguen atadas a la lógica disciplinar, a la no integración de la docencia, la investigación y la extensión en el currículo, aduciendo que ello constituye una imposición del gobierno que cercena la autonomía universitaria; además, enfrentan decisiones como las del Tribunal Supremo de Justicia con respecto a las elecciones para elegir autoridades; y hacen críticas permanentes al Sistema Nacional de Ingreso a las Universidades, a la creación de nuevas instituciones en ese nivel de la educación y a cualquier acción o propuesta del gobierno hacia las universidades. Los análisis que hace la Dra. Francis Guimarães dejan claro que tanto los razonamientos con respecto a la crisis de las universidades de gestión pública en Venezuela, que hacen representantes de la oposición residentes en el país como los que viven fuera de él, sean venezolanos o no, así como de la mayoría de los actores de la izquierda nacional e internacional, no toman en consideración los efectos de las sanciones y el bloqueo a los que está sometida Venezuela, y dejan caer toda la responsabilidad en la gestión gubernamental, desde su punto de vista desacertada; posiciones que sin duda responden a una misma matriz ideo-política. Antes de entrar en el análisis de la educación bolivariana la autora hace un breve recuento de la situación de la educación en Venezuela a partir de la sexta década del siglo XX y hasta el inicio del siglo XXI. Efectivamente durante las décadas del sesenta y del setenta del siglo pasado, los gobiernos Social Demócrata y Social Cristiano que se alternaron en el poder entre 1958 y 1998 pusieron en práctica políticas dirigidas a la democratización y la modernización de la educación superior, así llamada hasta el año 2009, cuando a través de 22
la Ley Orgánica de Educación se renombra como Educación Universitaria. Las políticas de democratización y modernización de la educación superior se expresaron en las dos décadas señaladas, en el crecimiento matricular, la diversificación de carreras, la creación de las llamadas Universidades Experimentales no autónomas, controladas por los gobiernos de turno y opuestas a las ya existentes que se caracterizaban por la autonomía y el ejercicio de la democracia, además, a partir de la década del setenta se crearon los Institutos Universitarios de Tecnología y los Colegios Universitarios de ciclo corto, para formar Técnicos Superiores Universitarios y se dio cauce al crecimiento de la educación superior privada. A partir de la década del ochenta el advenimiento del neoliberalismo pone freno a la expansión de la educación de gestión pública, fortalece la educación privada, impone las políticas de selección y admisión para el ingreso a la educación superior, y a la par, las políticas de ajuste, a pesar de que no se logró su puesta en funcionamiento total, profundizaron las desigualdades y la exclusión social. Esta realidad constituye el escenario en el cual asume el poder Hugo Rafael Chávez Frías, como resultado de un proceso de elecciones libres y democráticas. A partir de ese momento, pueblo y gobierno iniciaron la construcción de una sociedad donde la transformación ética del Estado, la disminución de las desigualdades sociales, la inclusión de todos y todas en una educación con calidad y pertinencia, la seguridad social, el acceso a la salud, a la recreación y a la obtención de viviendas dignas, sean los objetivos a alcanzar mediante el esfuerzo y el trabajo creador de todos y todas mediante una convivencia en paz y armonía. No obstante, desde ese mismo momento y en especial a partir del año 2002 cuando tuvo lugar el primer intento de golpe de Estado contra el presidente Chávez, se ha venido impulsando una guerra multifacética e híbrida, a través de la cual se han ensayado todas las formas posibles de agresión al pueblo venezolano, con la finalidad de acabar con la Revolución Bolivariana. El análisis de todo este proceso lo realiza la Dra. Francis Guimarães, en su investi gación a fin de mostrar la veracidad de las agresiones que contra Venezuela ejecuta el imperialismo norteamericano apoyado por otros imperialismos y algunos gobiernos genuflexos de América Latina, así como la afectación que estas sanciones causan en las universi dades de gestión pública de Venezuela. Considero conveniente resaltar en este Prefacio, cuán importante es el análisis que hace la Dra. Guimarães de las categorías y subcategorías que expresan los impactos, en las universidades de gestión pública de la República Bolivariana de Venezuela, de las sanciones impuestas por los imperialismos, análisis hasta ahora silenciado por quienes han escrito documentos, artículos para revistas o prensa y otros medios de comunicación escrita, sobre la crisis de las universidades de gestión pública en este país. Por el contrario la mayoría de quienes han opinado sobre esta crisis, se la atribuyen a los gobiernos bolivarianos de Chávez o Maduro a quienes imputan el descuidar a las universidades autónomas y experimentales y favorecer a las universidades creadas durante la revolución. Nada más incierto. La Dra, Guimarães, estudia detenidamente cada una de las categorías y sub-categorías que a su juicio expresan los impactos de las sanciones en las universidades de gestión pública, y las opiniones de los distintos actores sobre las causas y los efectos de ellas en la Universidades, allí se puede observar las diferencias de opinión cuya base es sin duda la posición político-ideológica de cada uno. Reitero en primer lugar que se trata de una investigación inédita, de singular importancia para comprender la real situación de las universidades de gestión pública en la República Bolivariana de Venezuela, las verdaderas causas de su crisis, ello sin desmerecer los señalamientos que deban hacerse con respecto a la gestión interna de estas universidades. En 23
segundo lugar que se trata de la primera investigación que aborda este tema con la crudeza que amerita, y abre un espacio para otras investigaciones que puedan indagar in situ la realidad de las afectaciones en las universidades de gestión pública en Venezuela del bloqueo que los imperialismo perpetran, para impedir la construcción exitosa de la Revolución Bolivariana. Mi invitación es a leer y a reflexionar sobre los hallazgos evidenciados en esta investigación, que deja abierto un camino por recorrer para desde ellos propiciar tanto otras in vestigaciones como la búsqueda de salidas a los problemas detectados, así como el tejido de solidaridades entre los latinoamericanos y caribeños con conciencia de Patria para afrontar las agresiones de los imperialismo hasta vencer. Dra. María Egilda Castellano Agreda.
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INTRODUÇÃO O meu entusiasmo teórico-político pela Revolução Bolivariana remeto a 2006-2008. O primeiro estágio pós-doutoral, também na Venezuela, foi realizado entre 2010 e 2011. Nessa pesquisa, reorientei o tema para as universidades criadas por Chávez, de 2003 a 2009, intitulado: “As Inovações Curriculares da Educação para o Trabalho na Universidade Politécnica Territorial (UPT) e na Universidade Bolivariana da Venezuela (UBV)”. Optouse por analisar, àquela época, o Programa Nacional de Formação em Agro-alimentação, das Universidades Politécnicas Territoriais e o Programa de Formação de Graduação em Hidrocarburetos, das Universidades Bolivarianas. Entre 2006 e 2008, mencionado acima, a motivação foi investigar, também, as três Missões Educativas, pois era inédita, na história da educação escolar da América Latina e Caribenha – e mesmo dos Estados Unidos da América do Norte, com exceção de Cuba –, a implantação e implementação de uma política educacional de formação em massa – e presencial –, em todos os níveis escolares 1. A segunda pesquisa de pós-doutorado, realizada no Centro Internacional MirandaCIM-Caracas teve como motivação seguir pensando sistematicamente a educação universitária na Venezuela. Essa mesma disposição de continuar investigando a educação universitária na Venezuela, deu-se no segundo semestre de 2018. O objetivo geral inicial do Plano de Estudo deste Estágio seria o de “examinar os impactos da crise e asfixia econômica imposta pelas sanções à Venezuela, no governo Maduro (2015-2019)”, nas seis Universidades Politécnicas Territoriais (UPT), já pesquisadas no primeiro Estágio Pós-doutoral (20102011), para dar continuidade à primeira pesquisa do pós-doutorado. A compilação dos documentos demonstrou que não há dados e análises específicas em relação ao impacto da crise econômica, sobre a estrutura física e sobre o arcabouço pedagógico, das UPT. Entretanto, diante da precariedade das condições de transporte e de várias outras limitações, não me foi possível permanecer na Venezuela, em 2019: não havia condições de realizar a pesquisa de campo e, assim, necessitou-se reorientar parte do tema do percurso investigativo da pesquisa em tela. Por essa razão, foram revistos o objetivo geral e a meto dologia da pesquisa, além dos locais onde poderia continuá-la. Essa nova metodologia do trabalho centrou-se, a partir de daí, em fontes se cundárias bibliográficas, em fontes primárias documentais e jornalísticas. Tomada a decisão, o estudo fundamentou-se em bibliografias oriundas de diversas perspectivas políticas, teóricas e ideológicas, fora do Brasil. Essa solução teve sua origem na reper cussão internacional sobre a situação da Venezuela. E os dois outros países escolhidos aos quais me dirigi, deveram-se às condições mais favoráveis propiciadas pelas inves tigadoras, lá residentes, que me acolheram. Assim, a primeira escolha foi pela Univer sidade de Coimbra (CES), em Portugal, tendo como referência o Professor Boaventu ra de Sousa Santos, que vem publicando, em diversos meios de comunicação, suas análises sobre os acontecimentos no país em estudo, desde o Governo de Chávez. E também, optei por duas destacadas reportagens lusas, que faziam eco nesse país em razão da imensa colônia portuguesa, que vive em toda a Venezuela (Anexos A e B).
As aulas das Missões Robinsón, Ribas e Sucre eram ministradas via televisão, com monitores presentes e ofertadas três vezes por semana, no período noturno. Havia, também, a oferta dessas Missões aos sábados e domingos para aqueles que não podiam frequentá-las durante a semana. 1
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Na Alemanha, a Frei Universität-Berlin foi escolhida em razão da sua tradição em estudos latino-americanos, desde 1970, quando foi criado o Instituto de Estudos LatinoAmericanos (Institute for Latin American Studies (LAI)), que incorporou o Centro de Pesquisas Brasileiras, fundado há dez anos. No referido Instituto, apesar de muitos estudos sobre vários países da América Latina, o único trabalho que consta de suas produções sobre a Venezuela é o de autoria do Prof. Alejandro Márquez-Velázquez, cujo tema discute no geral, a situação econômica do país, intitulado The resource curse and political cycles in developing countries: Is there a connection? The case of Venezuela. Acessou-se também, alguns dados referentes às decisões políticas tomadas quanto às Sanções e Bloqueios do Bloco da União Europeia 2, em revistas e jornais alemães, 3 que versam sobre a situação da conjuntura econômica, social e política da Venezuela, mas que não tratam diretamente dos impactos das Sanções e Bloqueios nas Universidades Públicas venezuelanas. Em parte essas publicações anexas contribuíram em muito, para divulgarem o papel político da difusão mediática internacional contra o Governo Maduro, e a mitificar e mistificar o papel de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, e grande líder da oposição, asfixiando ainda mais, a RBV na configuração geopolítica daquele momento. Após a coleta de inúmeras bibliografias, reunidas no decorrer da pesquisa, tanto na Venezuela, durante o segundo semestre de 2018, como em Portugal e na Alemanha, se im pôs outro objetivo geral, alicerçado pelos dados apresentados nos diversos tipos de bibliografias. A hipótese, portanto, que será testada nesta pesquisa, afirma que as sanções e blo4 queios econômicas de toda ordem, e que têm suas origens, particularmente no Estado Norte-Americano, e posteriormente na União Europeia e nos países que lideram o Grupo de Lima – dentre eles a Colômbia e o Brasil como lideranças destacadas (Anexo L) –, são as responsáveis pela crise institucional, em sentido lato, das Universidades Públicas da Venezuela. Ressalve-se uma particularidade do Sistema Público Universitário da República Bolivariana da Venezuela (RBV)5, como resultado da polarização e dos embates permanentes, naquele país, contra e a favor do chavismo. Nesse enfrentamento, se fracionaram, de fato, as universidades públicas em duas categoriais alicerçadas pela ideologia da meritocracia: as Universidades Nacionais Autônomas e as Universidades Experimentais (sem autonomia), que já existiam antes dos governos Chávez e Maduro, apresentadas no Quadro 1, abaixo:
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De acordo com a mídia internacional, que não divulga dados exatos, afirma-se que são entre 50 e 60 países que apoiam Juan Guaidó. 3 A metodologia hemerográfica não foi eleita pela autora, por não ser a melhor ferramenta para análise do tema. 4 De acordo com o Direito Internacional Contemporâneo, as Medidas Coercitivas Unilateriais – MCUs “são chamadas de sanção pelos órgãos políticos que as aplicam, pela mídia e pela academia, estas medidas podem ser definidas como as aplicadas unilateralmente pelos Estados” (LISBOA, 2018, p.9). No caso das Sanções promovidas contra a República Bolivariana da Venezuela- RBV, de forma ilegal e ilegítima, coordenada pelos EUA, significa, de fato, agressão contra um país soberano, que não ameaça a paz de nenhum país e nem mes mo a segurança mundial (conceito utilizado pelo governo Venezuelano, que me foi informado quando da apresentação pública do Relatório em 20 de fevereiro de 2020). Agressão é um termo mais adequado, pois condiz com a realidade venezuelana. Mas, neste livro, utilizo o termo Sanções, por ser um termo corrente, como citado no início desta nota de rodapé. Está se utilizando o termo bloqueio, mesmo que na bibliografia econômica seja embargo econômico, financeiro e comercial. Mas, em razão da história dos embargos dos EUA contra Cuba, desde 1962, ficou conhecido como “bloqueo” (UPIS, 2020). Por esta razão política e acadêmica será utilizado e inclusive entendido, como concretização das Sanções.. 5 O nome, atribuído pela Constituição de 1999, à Nação Venezuelana, foi o de República Bolivariana da Ve nezuela (RBV). Portanto, a autora nominará este país de duas formas distintas: Venezuela ou RBV. 26
QUADRO 01 – Hierarquia das Universidades e Institutos antes do governo Chávez UNIVERSIDADES NACIONALES AUTÓNOMAS DE VENEZUELA Universidad Central de Venezuela (UCV) Universidad de Carabobo (UC) Universidad de Los Andes (ULA) Universidad de Oriente (UDO) Universidad del Zulia (LUZ) OUTRAS UNIVERSIDADES SEM DIREITO À AUTONOMIA - EXPERIMENTAIS Universidad Centro Occidental Lisandro Alvarado (UCLA) Universidade Experimental Nacional da Grande Caracas (UNEXCA) Universidad Nacional Experimental de Guayana (UNEG) Universidad de Los Llanos Centrales Rómulo Gallegos (UNERG) Universidad de Los Llanos Occidentales Ezequiel Zamora (UNELLEZ) Universidad Nacional Experimental del Táchira (UNET) OUTRAS UNIVERSIDADES SEM DIREITO À AUTONOMIA - EXPERIMENTAIS Universidad Nacional Experimental Francisco de Miranda (UNEFM) Universidad Nacional Abierta (UNA) Universidad Pedagógica Experimental Libertador (UPEL) Universidad Politécnica Antonio José de Sucre (UNEXPO) Universidad Politécnica de la Fuerza Armada Nacional (UNEFA) Universidad Rafael María Baralt (UNERMB) Universidade Simón Bolívar (USB) OS INSTITUTOS E OS CENTROS UNIVERSITÁRIOS-FORMAÇÃO TÉCNICA Centros Universitarios (CU) Instituto Universitário Tecnológico (IUT) Instituto Universitário Experimental Tecnológico (IUET) Instituto Universitário de Tecnologia Agro Industrial (IUTAI)
Fonte: Dados sistematizados pela autora. A hierarquia apresentada no Quadro acima demonstra as razões da posição orgânica à direita das Universidades Nacionais Autônomas, particularmente, quando da implantação do Sistema Universitário Bolivariano, que tentou impedir pelas vias do Conselho Nacional Universitário, o pagamento de taxas nessas universidades e a garantia do ingresso sem seleção, colocando em xeque o elitismo acadêmico. Esse acirramento ainda segue no ano de 2020, depois das novas reformulações no Sistema Nacional del Ingreso (SNI), promovida pela Oficina de Planificación del Sector Universitario (OPSU), Instituição responsável por exercer, planejar e organizar o Subsistema Educativo Universitário. Por outro lado, a quantidade de Universidades criadas pelos governos, principalmente o de Chávez, indica a disposição política de perseguir a universalização do acesso, (vide Quadro 2) com criação a partir de 2003 da Universidade Bolivariana/Misión Sucre e suas sedes, as Universidades Politécnicas Territoriais e as Universidades Especializadas, que estão direcionadas para a formação diversificada de trabalhadores. Todas essas universidades orientadas pelas Líneas Generales del Plan de Dessarollo Económico y Social de la Nación 20072013. Em outras publicações oficiais, aparece como Primer Plan Socialista (Anexo C). Nessa trajetória da exposição apresentada acima, formulou-se, então, o objetivo geral que pretende chegar a uma síntese mais próxima o possível da realidade dessas Universidades Públicas, ao se analisarem os impactos da crise econômica, promovida pelas sanções 27
e bloqueios às universidades públicas da Venezuela. O Quadro 2 abaixo, lista todas as Universidades Públicas da Venezuela e, portanto, o objetivo geral faz referência a todas elas, sem distinção. QUADRO 02 – Universidades Públicas da República Bolivariana da Venezuela 1
Centros Universitarios 33 Universidad Pedagógica Experimental Libertador Instituto Universitario de Tecnología Agroin2 34 Universidad Politécnica Antonio José de Sucre dustrial Instituto Universitario Latinoamericano de Universidad Politécnica de la Fuerza Armada Nacio3 35 Agroecología “Paulo Freire” nal Universidad Politécnica Territorial “Agroindustrial 4 Instituto Universitario Tecnológico 36 del Táchira” Instituto Universitario Tecnológico Experi5 37 Universidad Politécnica Territorial “Alonso Gamero” mental Universidad Politécnica Territorial “Andrés Eloy 6 Universidad Bolivariana de las Comunas 38 Blanco” Universidad Bolivariana de los trabajadores 7 39 Universidad Politécnica Territorial “Argelia Laya” “Jesús Rivero” Universidad Politécnica Territorial “Arístides Basti8 Universidad Bolivariana de Venezuela 40 das” 9 Universidad Campesina “Argimiro Gabaldón” 41 Universidad Politécnica Territorial “Brito Figueroa” 10 Universidad Central de Venezuela 42 Universidad Politécnica Territorial “Cecilio Acosta” Universidad Centro Occidental “Lisandro AlUniversidad Politécnica Territorial “De los llanos Jua11 43 varado” na Ramírez” 12 Universidad de Carabobo 44 Universidad Politécnica Territorial “Estado Bolívar” Universidad Politécnica Territorial “Federico Rivero 13 Universidad de los Andes 45 Palacio” Universidad de los Llanos Centrales “Rómulo Universidad Politécnica Territorial “Francisco Tama14 46 Gallegos” yo” Universidad de los Llanos Occidentales “Eze15 47 Universidad Politécnica Territorial “José Félix Ribas” quiel Zamora” Universidad Politécnica Territorial “Juan de Jesús 16 Universidad de los pueblos del Sur 48 Montilla” 17 Universidad de Oriente 49 Universidad Politécnica Territorial “Kleber Ramírez” Universidad Politécnica Territorial “Ludovico Silva 18 Universidad del Zulia 50 del Norte de Monagas” Universidad Politécnica Territorial “Luis Mariano Ri19 Universidad Deportiva del Sur 51 vera” 20 Universidad Experimental Indígena del Tauca 52 Universidad Politécnica Territorial “Maracaibo” Universidad Experimental Nacional da Gran21 53 Universidad Politécnica Territorial “Mariscal Sucre” de Caracas 22 Universidad Militar Bolivariana de Venezuela 54 Universidad Politécnica Territorial “Pedro Camejo” 23 Universidad Nacional Abierta 55 Universidad Politécnica Territorial “Puerto Cabello” 24 Universidad Nacional de Turismo 56 Universidad Politécnica Territorial “Russian” Universidad Nacional Experimental “Francis25 57 Universidad Politécnica Territorial “Valencia” co de Miranda” Universidad Nacional Experimental de Guaya26 58 Universidad Politécnica Territorial “Zulia” na Universidad Nacional Experimental de la Universidad Politécnica Territorial del Estado Barinas 27 59 Gran Caracas “José Félix Rivas” Universidad Nacional Experimental de la SeUniversidad Politécnica Territorial del Norte del Tá28 60 guridad chira “Manuela Sáenz” Universidad Nacional Experimental de las Ar29 61 Universidad “Rafael María Baralt” tes 28
Universidad Nacional Experimental del Táchi62 Universidad Simón Bolívar ra Universidad Nacional Experimental del Yara31 63 Universidad Venezolana de los Hidrocarburos cuy Universidad Nacional Experimental Sur del 32 Lago Jesús María Semprun Fonte: Gaceta Oficial de la República Bolivariana de Venezuela (dados sistematizados pela autora, a partir dos Decretos de fundação, publicados na Gaceta Oficial, das universidades acima listadas). 30
Ainda sobre a metodologia, apresenta-se a tipologia utilizada para diferenciar as críticas dos dois tipos de universidades públicas venezuelanas. As críticas à situação das universidades públicas, não têm sua origem apenas no setor de oposição ao Governo Maduro, que está política e ideologicamente à direita do governo, mas também se originam à esquerda, do governo Maduro. Essas argumentações têm sua origem em autores que, em parte, estiveram filiados ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Alguns desses autores mencionam em seus artigos que abandonaram o PSUV, mas não o Chavismo e a Revolução Bolivariana. Nesse sentido, as organizações de trabalhadores também se pronunciam, tanto as Federações ligadas ao PSUV quanto as Federações ligadas aos setores oposicionistas, pois constataram a crítica situação porque passam as Universidades Públicas. A formulação analítica das críticas da oposição não faz menção expressa à situação das Universidades criadas por Chávez e Maduro, a não ser para desqualificá-las. Parte dos julgamentos da oposição até admite a repercussão das sanções, pelas condições precárias das Universidades. A maioria desses autores e autoras, porém, desconsideram, ou simplesmente negam o fato de que a crise econômica, que impacta as universidades públicas, tem sua origem nas sanções e bloqueios econômicos. Assim, em referência à tipologia das críticas definidas acima, parte da bibliografia opina e/ou analisa as condições de deterioração das estruturas pedagógicas e materiais das Universidades Públicas em geral, enquanto outras se limitam a demonstrar a situação precária apenas das Universidades Autônomas Nacionais, desconsiderando as Universidades criadas pelos governos de Chávez e Maduro e, ainda, uma terceira parcela, se restringe a denunciar as consequências da situação problemática de apenas determinadas Universidades Autônomas. Essa tipologia de diferentes argumentações político-ideológicas tem seu fundamento na hierarquia meritocrática das Universidades criadas antes de Chávez e que fazem oposição ao governo desde Chávez (Quadro 01). O exame de todas essas bibliografias exigiu, também, uma metodologia de registro sequencial para orientar a exposição do livro. Apresentam-se as categorias, de forma hierárquica, dos conteúdos temáticos coletados, que têm como objeto a situação das Universidades Públicas, e a crise que as afeta. Esse processo de deterioração das Universidades não ocorreu imediata e mecanicamente, como resultado da primeira Ordem Executiva, de Barack Obama, em 2015, mas se instalou e se aprofundou drasticamente, na sociedade e nas Universidades Públicas da Venezuela uma crise institucional, com repercussão em todos os setores da vida acadêmica e de produção de conhecimento, que permanece até este início do segundo semestre de 2020. As categorias e subcategorias estão assim expostas no texto, nessa ordem: 1. A crise institucional das Universidades Públicas na República Bolivariana da Venezuela. 29
1.1 Estrangulamento do orçamento; 1.2 Ausência de condições de trabalho: falta de materiais de todo tipo para manutenção; falta e racionamento de luz e água; 1.3 Salários incompatíveis com a hiperinflação; 1.4 Emigração/migración de professores e estudantes; 1.5 Evasão/deserción de professores, estudantes e trabalhadores administrativos/obreros; 2. Autonomia Universitária para as Universidades Nacionais Autônomas; decisão del Tribunal Supremo de Juticia (TS); 3. Sistema Nacional de Ingresso (SNI); e 4. Criação de novas Universidades no governo Maduro. Ressalte-se que, antes da apresentação da análise do objeto central da pesquisa, acima definido, há um conjunto de dados e informações sobre o contexto econômico, político e social da Venezuela, as políticas educacionais em geral, anteriores e a partir dos governos Chávez. A pertinência dessa discussão, dados e análises, mesmo que sumárias se revela necessária aos leitores, para entendimento das bases do propósito do Estado Venezuelano de universalizar todos os níveis escolares, inclusive o nível da educação universitária. O conjunto dessas políticas direcionadas para toda a população excluída da Escola e de todas as outras políticas sociais, até então, foram alarmando as burguesias doméstica e internacional, que passaram a elaborar, por todos os meios mediáticos, uma campanha internacional agressiva contra os governos Chávez e, depois, os governos Maduro.
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I CONTEXTO ECONÔMICO, POLÍTICO E SOCIAL DA VENEZUELA (1990-2020). APRESENTAÇÃO SUMÁRIA A Venezuela se tornou um modismo, tanto acadêmico quanto jornalístico, até a morte de Chávez. Como parte da própria lógica, a moda cai no esquecimento e desaparece das “prateleiras” das livrarias, bancas e telejornais com o surgimento de um novo produto. Esse processo revelou que muitos acadêmicos, jornalistas e livreiros insistiam em uma crítica superficial e grosseira, embalada pela direita. O mote recaía sobre a Revolução Bolivaria na, os primeiros ensaios do socialismo do Século XXI, e da chancela à Chávez como o novo populista latino-americano, do século que se iniciava. Faziam também parte desse rol de críticas, os defensores de plantão da qualidade da educação escolar somente para as elites, contestando o projeto educacional bolivariano de universalização da educação escolar básica, e, particularmente, do livre ingresso, sem nenhum filtro meritocrático, no sistema de Universidades, criadas por Chávez. A Venezuela parecia ocupar o lugar de uma espécie de “núcleo radical”, em torno do qual estavam localizados regimes nacional-populares, ou de esquerda democrática, mais moderados e/ou mais novatos, que moldaram à inédita guinada à esquerda no continente. (STEFANONI, 2020).
No entanto, neste dramático momento histórico que vive esse país caribenho, parte da esquerda brasileira manteve posições políticas distantes do chavismo, mediante análises simplificadoras de que o problema estaria na cultura parasitária do petróleo, na crítica moral à corrupção – como se essa problemática, não fosse substrato da dinâmica interna do capital –, na centralidade do partido único – PSUV, na morte de Chávez, na violência urbana em Caracas, no desabastecimento de alimentos, e na incapacidade de gestão de Maduro. De certa forma, esse recuo de intelectuais e partidos de esquerda expressa as razões argumentadas, abaixo, no Portal Carta Maior: O que parecia ser a locomotiva (a Revolução Bolivariana) que puxava as forças transformadoras da América Latina foi se transformado em um sistema cada vez mais ineficiente e menos pluralista, e as sementes militaristas que ele continha desde o início acabaram capturando o processo político iniciado com o triunfo eleitoral no final de 1998. Nesse contexto, a Venezuela acabou sendo um peso político para a esquerda continental, cada vez mais usada pela direita para construir fantasmas de “venezuelização” em cada país onde forças as progressistas têm chance de triunfar. Como escreveu o economista Manuel Sutherland: “nesse cenário triste, a Venezuela é o melhor argumento para a direita mais retrógrada. Em qualquer âmbito midiático, eles se aproveitam da situação para assustar seus compatriotas com perguntas como: `quer socialismo? Vai para a Venezuela e veja a miséria!´. `Espera por mudanças? Veja como outra revolução está destruindo um país próspero!´. Pseudo analistas políticos afirmam que as políticas socialistas arruinaram o país e que a solução é uma reversão ultraliberal da revolução” (STEFANONI, 2020).
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Toda essa complexa realidade social venezuelana, que são fatos, acabaram minimizando e secundarizando a raiz central e principal dos problemas: o cerco econômico, financeiro, monetário e midiático à Venezuela, em nível internacional e nacional. Não que esses problemas estivessem ausentes nos governos Chávez, mas tomou dimensões maiores, com a primeira vitória de Maduro (2013) e a constatação de mais um fracasso da oposição. Assim, a primeira Executive Order de Obama, em março de 2015, já atingiu de forma muito severa a vida da população pobre e o início do fenômeno da população que veio se empobrecendo. As raízes dessa grave deterioração das condições de vida estavam radicadas no fenômeno da hiperinflação induzida pela quantidade imensa de dólares subsidiados, comprados por baixos preços6 e vendido no mercado negro a valores exorbitantes. A baixa do petróleo no mercado internacional refletiu-se na explosão do mercado interno do dólar (DolarToday7) e, consequentemente, na incapacidade do Estado em manter o poder de compra da população assalariada. Essa lógica nefasta teve seu início desde os últimos anos do governo Chávez, porém, sem o mesmo impacto social, pois o petróleo chegou a alcançar 120 dólares o barril, naquela época. Essa dinâmica cambial 8, por sua vez, deteriorou 9 mais ainda os salários, pois a relação entre salário-dólar today variava a cada dia. O governo, mediante a utilização do mecanismo para recompor a hiperinflação, aumentou os salários, em 2018, de três em três meses, associado ao ingresso de diversos bônus durante o ano. E, em 2019, houve várias reposições salariais. No entanto, essa política salarial não recompunha os valores dolarizados dos produtos, pois o ciclo vicioso continuava: com o aumento de salário, o
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As políticas cambiais vão sofrer muitas alterações na Venezuela, a partir de 2003. Chávez vai definir uma política de câmbio fixo, em razão da segunda tentativa de golpe, na passagem de 2002 até março de 2003, chamada de Paro Petrolero. A partir de então, a burguesia nacional e internacional irá acirrar sua “guerra” contra a Venezuela, com a velha – mas, eficiente – tática do desabastecimento, que vai recrudescer nos governos Maduro, a partir de 2013. Em fevereiro de 2014: “una tasa preferencial de 6,30 bolívares por dólar, que regirá a los elementos prioritarios (salud, alimentación e insumos para la producción en 11 áreas); y la tasa variable SICAD – Sistema Complemenatario de Divisas (ahora en 11,36 Bs. por Dólar) que servirá para comprar todo “lo demás: artefactos de computación, turismo, compra de boletos aéreos etc…” Exemplo de como os empresários, via política do governo Maduro, giravam a roda da inflação induzida...: “Veamos con un prototipo, el proceder NORMAL de toda tienda o importadora. DAKA compra un cuchillo a 1 $, con los costos de envío y demás, le sale en 4 $ en total. A 6,3 Bs. Por dólar el costo sería: 25,2 Bs. Si sumamos las ganancias y costos de comercialización, el cuchillo no se vendería por más de 50,4 Bs. Sin embargo, DAKA toma de referencia al dólar paralelo de la página que antes colocamos. Así las cosas, esos 4 $ (a 76 Bs. Por dólar) se convierten en 304 Bs., a ello se le agrega un margen de venta de 30% y dicha mercancía termina siendo vendida en 395 Bs. Ello arroja una jugosa ganancia bruta de alrededor de 1400%. To dos los comerciantes fijan de esa forma sus precios al haber una escasa oferta de los mismos y ser muy limitada la importación para no burgueses. Ello ocurre porque las empresas importadoras traen mucho menos mercancías de las que facturan, para apropiarse de los dólares y venderlos en el mercado paralelo (con una ganancia bruta de 1100%) o ahorrarlos en el extranjero.” (Disponível em: <(http://www.sinpermiso.info/textos/venezuela-las-nuevas-medidas-econmicas-del-gobierno-crtica-a-la-devaluacin-y-alternativas>. Acesso em: 30 abr. 2018). Em 20 de agosto de 2018, Maduro apresentou novo plano econômico, realizando uma reconversão monetária com a eliminação de cinco zeros da moeda. Agora denominada Bolívar Soberano (BsS), a moeda venezuelana será cotada com base no valor do Bitecoin, a moeda virtual lastreada no preço do barril de petróleo. Com o cerco naval dos Estados Unidos, que começou no primeiro dia de abril de 2020, baseado nas acusações fabricadas de que Nicolás Maduro comanda o narcotráfico, a pressão aumentou muito sobre a Venezuela, principalmente com a tentativa de invasão de mercenários norte-americanos, colombianos e venezuelanos, no Estado Vargas, Cidade de La Guaira, por mar. O objetivo central era o de capturar Maduro, fato confirmado pela divulgação pública do contrato da Empresa Silvercorp-USA (Anexo T) em posse dos dois mercenários estadunidenses. Mais uma ação golpista fracassou. Dia 3 de maio de 2020. 7 Trata-se de página eletrônica norte-americana Dolar Today publicada e controlada em Miami e na Colômbia. 8 Sobre as políticas cambiais dos Governos Chávez e Maduro ver: “OLIVEROS, Asdrúbal; ÁLVAREZ, Carlos Miguel. Venezuela: un balance del socialismo del siglo XXI. In: GUERRA, José; AVELEDO, Ramón Guillermo. La nueva economía venezolana: Propuestas ante el colapso del socialismo rentista. Caracas, Venezuela: Editorial Alfa, 2017. 606p. (Colección Trópicos, 126). Disponível em: <https://pt.scribd.com/read/374954854/Lanueva-economia-venezolana-Propuestas-ante-el-colapso-del-socialismo-rentista>. Acesso em 13 mar. 2019. 9 Esta lógica permanece até os dias atuais. 32
dolar today acionava automaticamente seu valor no mercado negro, e os salários voltavam ao mesmo patamar, ou muitas vezes mais depreciados. O círculo vicioso apontado acima vem desde o último governo Chávez. Os empresários importavam alimentos e remédios para obter dólares baratos, por meio da Comissão de Administração de Divisas (CADIVI), e posteriormente pelo Sistema Complemenatario de Divisas (SICAD). As formas mais utilizadas de burlar este sistema residiam principalmente na criação de empresas-fantasma montadas em Miami, e mesmo empresas legais usavam o expediente de ocultar parte desses produtos (expressão que ficou conhecida como acaparar). As consequências nefastas dessas operações criminosas resultavam na troca de dólares baratos, pelo valor do dolar today (dólar do dia), por Bolívares Fortes, “derramando” um volume imensurável de cash que implicava num descontrole cambial e monetário, promovendo cada vez mais a inflação, que culminou com a hiperinflação induzida, a partir de 2017. De acordo com Lander, o controle do câmbio criado para estancar a fuga de divi sas com políticas de câmbios diferenciados desde Chávez (...) “hizo que el manejo de las divisas se convirtiera en el principal eje de la corrupción en el país” (LANDER, 2016). En ese intento, el gobierno bolivariano crea un nuevo sistema cambiario que va a trabajar con dos precios: una tasa preferencial de 6,30 bolívares por dólar, que regirá a los elementos prioritarios (salud, alimentación e insumos para la producción en 11 áreas); y la tasa variable SI CAD (ahora en 11,36 Bs. por Dólar) que servirá para comprar todo lo demás: artefactos de computación, turismo, compra de boletos aéreos etc… Esto último representa una devaluación del 79% en una serie de bienes importantes… Más preocupante aún es la entronización del SICAD como mecanismo de distribución de divisas, por sus procedimientos discrecionales y escasamente transparentes, ello fomenta la corrupción y la ineficacia (SUTHERLAND, 2014, p.1).
Toda essa lógica do mercado de câmbio, descrita acima, alimentou as críticas internas e externas contra o governo Maduro e o cerco econômico e financeiro unilateral dos EUA e da União Europeia. As condições e alternativas econômicas para sair dessa “rodaviva” ficaram cada vez mais impraticáveis, pois todas as portas do mercado internacional financeiro foram “fechadas” para a Venezuela. De acordo com o consenso dos economistas de esquerda, vive-se na atualidade, a mais impactante e devastadora concentração do capital, pois sua internacionalização, em nível planetário, não tem nenhum precedente histórico dentro do modo de produção capitalista, e essa lógica sufoca ainda mais esse país. Apesar de todos esses problemas nevrálgicos da economia, Boaventura de Souza Santos (2018) alerta que os indicadores econômicos eram positivos até 2015. O “divisor de águas”, para a aceleração da crise econômica induzida, foi a já mencionada Executive Order, do governo Barack Obama (Anexo D), que abriu o caminho para as sanções futuras. A Venezuela vive um dos momentos mais críticos da sua história. Acompanho crítica e solidariamente a revolução bolivariana desde o início. As conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. Para o provar basta consultar o relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do índice de desenvolvimento humano. Diz o relatório: “O índice de desenvolvimento humano (IDH) da Venezuela em 2015 foi de 0.767 – o que colocou o país na categoria de elevado desenvolvimento humano – posicionando-o em 71º de entre 188 países e territórios. Tal classificação é partilhada com a Turquia”. De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 para 0.767, um aumento de 20.9%. Entre 1990 e 2015, a esperança de vida ao nascer subiu para 4.6 anos, o período médio de es33
colaridade aumentou para 4.8 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3.8 anos. O rendimento nacional bruto (RNB) per capita aumentou cerca de 5.4% entre 1990 e 2015. De notar que estes progressos foram obtidos em democracia, apenas momentaneamente interrompida pela tentativa de golpe de Estado em 2002, protagonizada pela oposição com apoio ativo dos EUA (SANTOS, 2018, p. 171).
A situação torna-se praticamente insustentável a partir de 2017, 2018 e, particularmente, 2019. Em agosto de 2018, a moeda perdeu cinco zeros, em um movimento de grande desvalorização para tentar segurar a hiperinflação. Houve políticas paliativas de esforço para resguardar as condições de segurança alimentar para uma grande parte da população. O Governo, com a criação do Carnet de la Patria (cartão digital), em 2016, procurou garantir proteção social a toda a população que precisasse ser assistida com alimentos, além da manutenção de diversos tipos de bônus. A cadeia de distribuição dos alimentos ocorre por intermédio dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), vinculados ao Sistema de Controle de Entrega de Alimentos Subsidiados (CEAS), e repassado para os Consejos Comunales, que os distribuem de casa em casa. No ano de 2018, de acordo com algumas fontes informais, a CLAP não chegava sempre para todos e nem de forma regular. Outra forma de proteção se deu via entrega do Plano de Alimentação Escolar (PAE), que atende parcialmente as Escolas Básicas do país. Nessa situação de emergência alimentar e de falta de remédios, o especialista em direitos humanos da ONU, Idriss Jazairy, em 31 de janeiro 2019, afirmou que as [...] Sanções econômicas estão efetivamente agravando a grave crise que afeta a economia venezuelana, somando-se aos danos causados pela hiperinflação e pela queda nos preços do petróleo. Este é o momento em que a compaixão deveria ser manifestada para o povo da Venezuela promovendo, sem restrições, o acesso a alimentos e remédios (ONU-BRASIL, 2019a).
Na tentativa de abrandar essa situação econômica, houve, por parte do governo Maduro, inúmeras tentativas de frear este nível de agressão alimentar e de falta de remédios, contra a população, por intermédio de mesas de negociação com os empresários locais, para manter os preços acordados em vigência nesses anos, mas que nunca foram respeitados. Além desses movimentos internos, ocorreu, também, uma última rodada de negociações protagonizada e mediada pelo embaixador de Relações Exteriores do governo norueguês, em 2019, que reuniu membros da oposição, liderada por Juan Guaidó, membros do governo e o próprio Maduro, e que foi posteriormente transferida para Barbados. Com mais uma sanção devastadora, chamada Sanção Total, anunciada em agosto de 2019, por Trump10 (Anexo E), contra a Venezuela, o governo americano cria mais uma crise econômico-diplomática e provoca a saída do Governo Maduro dessa última negociação internacional; mais uma vez não se chegou a nenhum resultado, pela quebra de acordo por parte dos EUA. US-Präsident Donald Trump hatte am Montag [05/08/2019] das gesamte Vermögen der venezolanischen Regierung in den USA einfrieren lassen. Caracas verurteilte das Vorgehen als "wirtschaftlichen Terrorismus" 11 (DER SPIEGEL, 2019a).
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As medidas referentes à chamada Sanção Total serão discutidas a posteriori. 34
Er sagte am Mittwoch die Reise einer Verhandlungs delegation auf die Karibik insel Barbados ab, wo am Donnerstag und Freitag Gespräche mit Oppositions vertretern geplant waren. Grund sei die "schwere und brutale Aggression" der US-Regierung gegen Venezuela, hieß es in einer Regierungs erklärung. 12 (DER SPIEGEL, 2019a). (Anexos F, G, H, I, J e K)
Com essas sistemáticas calculadas e diferentes formas de agressão, sob a liderança dos EUA, tentou-se dar uma aparência de legalidade a todas essas transgressões humanitárias, peticionando ao “Conselho de Segurança” da ONU, a ilegitimidade do governo Maduro; mas, foram derrotados com vetos da China e da Rússia. Portanto, no âmbito do direito internacional, todas as sanções e bloqueios unilaterais que vêm ocorrendo contra a Venezuela, desde 2015, são ilegítimos e ilegais. Derrotados pela decisão da ONU, Trump, o Bloco Europeu, o “Grupo de Lima” 13 (Anexo L) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) (Anexo M), forjaram uma suposta Ajuda Humanitária, sem a participação da ONU e da Cruz Vermelha Internacional (janeiro de 2019), que na prática se efetuaria como invasão das forças militares estadunidenses, colombianas e com ajuda estratégica do governo Bolsonaro, em solo venezuelano, para tentar impor, pela força das armas, o autoproclamado ou encargado presidente Juan Guaidó. Com o fracasso da invasão, assumido internacionalmente, outras formas de desestabilização interna começaram a eclodir em solo venezuelano. A sabotagem da estação de Energia Elétrica – responsável pelo “apagão”, em março de 2019, que assolou todo o país e, como consequência, determinou a falta de água e seu racionamento (que já vinham ocorrendo desde 2018) –, a interrupção do metrô e a suspensão de aulas, penalizaram ainda mais uma grande maioria da população, que agora experimenta, com o COVID-19, um martírio crescente. El apagón masivo de energía eléctrica mantiene a buena parte de Venezuela sumida en la os curidad. Desde el jueves siete de marzo por la tarde, el corte más largo y de mayor extensión territorial de la historia del país petrolero mantiene en vilo a los ciudadanos (BARBERENA, 2019).
Apesar do fracasso da “Ajuda Humanitária” e das desestabilizações em solo venezuelano, a União Europeia divulgou, em novembro de 2019, a prorrogação das Sanções até novembro de 2020. Cabe destacar que as decisões políticas das sanções da União Europeia foram datadas, inicialmente, desde 13 de novembro de 2017 (Anexo N) e, no dia 11 de novembro de 2019, atualizaram-se as sanções, estendendo-as até 14 de novembro de 2020 (Anexo O). Postura em alinhamento praticamente total ao governo Trump (Anexo P), tentando isolar cada vez mais a Venezuela. Estão assim definidas as novas cinco sanções para O presidente dos EUA, Donald Trump, congelou todos os bens do governo venezuelano nos Estados Uni dos, na segunda-feira [05/08/2019]. Caracas condenou o ato como "terrorismo econômico" (Tradução livre). 12 Na quarta-feira, [Nicolás Maduro] cancelou uma viagem da delegação de negociação à ilha caribenha de Barbados, onde conversas com representantes da oposição estavam programadas para quinta e sexta-feira. O motivo é a "agressão severa e brutal" do governo dos Estados Unidos contra a Venezuela, afirmou em um comunicado do governo. (Tradução livre). 13 O Grupo de Lima, criado em agosto de 2017, na capital do Peru, como mais um “braço” político da OEA, tem declara como objetivo, a retomada da democracia na Venezuela; não reconhecem a legitimidade do Presi dente reeleito em maio de 2018, Nicolás Maduro, mas reconhecem Juan Guaidó como presidente interino ou encargado, até os dias atuais. Dos 14 países que formam o Grupo, 10 pactuam com essa posição (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru) e três, não: Guiana, Santa Lúcia e México. 11
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2020 da UE: 1. exportação de armas; 3. restrição à entrada ou trânsito em seu território dos membros que compõem o Governo Maduro; e 4. proibição de exportar equipamentos que possam ser utilizados para a repressão interna. Entretanto, as que mais atingem a população: Sanção 2. congelamento de ativos e proibição de disponibilizar fundos; e a Sanção 5: é proibido exportar equipamentos, tecnologia ou softwares destinados principalmente ao uso no monitoramento ou interceptação, pelo regime venezuelano, da Internet e de comunicações telefônicas em redes móveis ou fixas na Venezuela, conforme listado no Anexo II do Regulamento (UE) 2017/2019. Também é proibido fornecer serviços de telecomunicações ou monitoramento ou interceptação da Internet e de assistência financeira e técnica relacionadas (Anexos Q, R e S). Apesar de todas essas afrontas concretas à soberania da nação venezuelana, os apologistas e mentirosos, ideólogos da extrema direita, insistem em publicar análises em diversos meios de comunicação, inclusive em artigos científicos, nas quais afirmam não considerar que as sanções econômicas são as causas da situação em que vive a grande maioria do povo venezuelano. O grande tema no Brasil e fora, há algum tempo, tem sido sobre os er ros de condução da política econômica de Maduro e sua incapacidade de romper com o cerco das Sanções. Apresento abaixo um fragmento do economista norte-americano que corrobora a nossa interpretação sobre a situação da Venezuela. Michael Hudson, em entrevista, em março de 2019, publicada pela página eletrônica The Sarker, afirma que nessas condições de sanções unilaterais, ilegítimas e indiscriminadas, o governo Maduro não tem muitas alternativas. The Saker: What in your opinion should Maduro do next (assuming he stays in power and the USA does not overthrow him) to rescue the Venezuelan economy? 14 (THE SAKER, 2019). Michel Hudson: I cannot think of anything that President Maduro can do that he is not doing. At best, he can seek foreign support – and demonstrate to the world the need for an al ternative international financial and economic system 15 (THE SAKER, 2019).
Para além das sanções que promovem bloqueios à economia do país em análise, usadas como estratégias de derrubada do governo Maduro, na sequência de fracassos da “Ajuda Humanitária”, os ataques passaram a ser arquitetados em diversas modalidades e ocorreram fora da Venezuela, para fragilizar ainda mais suas relações externas com outros países. Em 2019, no dia 13 de novembro, data em que o Brasil sediava a reunião dos BRICS, houve a invasão da Embaixada Venezuelana, em Brasília, por adeptos de Juan Guaidó e bolsonaristas, para expulsar os representantes legítimos de Maduro e impor, à força, a presença da representante escolhida por Guaidó e protegida por Bolsonaro, Sra. Maria Teresa Belandria, naquele encontro. Essa pendejada falhou em razão da participação ativa de movimentos populares do Brasil, que apoiam o governo Maduro, e da presença de deputados do PT e PSOL, que denunciaram para a imprensa nacional e internacional sobre os indícios de apoio do governo Bolsonaro, comprovados pela publicação, no mesmo dia, O Falcão: O que em sua opinião Maduro deveria fazer (supondo que permaneça no poder e os EUA não o derrubem) para resgatar a economia venezuelana? (Tradução livre). 15 Michael Hudson: Não consigo pensar em nada que o presidente Maduro possa fazer que ele já não esteja fazendo. Na melhor das hipóteses, ele pode buscar apoio estrangeiro – e demonstrar ao mundo a necessidade de um sistema financeiro e económico internacional alternativo (Tradução livre). 14
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no twitter16 de seu filho, Eduardo Bolsonaro, deputado federal; sua mensagem aprovava a invasão da Embaixada e a destituição dos diplomatas venezuelanos indicados por Maduro. Já é sabido que o governo brasileiro foi um dos primeiros a reconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela. Outro episódio, ainda, foi o da tentativa de expulsão de todos os diplomatas – o embaixador e os cônsules venezuelanos, num total de 34 autoridades – do território do Brasil, por documento enviado pelo Itamaraty, no dia 28 de abril de 2020. Entretanto, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, acatou pedido de habeas corpus, impetrado na sexta-feira, 1º de maio, pelo deputado federal Paulo Pimenta, que solicitou a suspensão do processo de expulsão. Em um intento bélico mais ousado, para supostamente capturar Maduro, e garantir a assunção de Juan Guaidó à presidência, em um esforço de retomada de seu protagonismo, perdido internamente, os golpistas estadunidenses organizaram uma invasão por mar com um contingente de 50 homens. Este grupo foi composto por mercenários que atuaram no Afeganistão e Iraque, com a tarefa de coordenar e treinar membros desertores das Forças Armadas Nacional da Venezuela (FAN) e paramilitares colombianos, sob o comando da empresa americana Silvercorp (Anexo T), que pagaria pela operação “clandestina”, aos recrutados, o valor de 15 milhões de dólares. A Operação, realizada em 03 de maio de 2020, batizada de Gedeón, foi liderada pelo próprio proprietário da Silvercorp, Jordan Goudreau, um ex-militar dos EUA, que atua como mercenário. Essa ofensiva, porém, acabou redundando em mortes de alguns invasores e na prisão de todos os outros envolvidos, e desvelando a trama que só veio a público com o conhecimento do contrato da Silvercorp, assinado por Juan Guaidó, por seu assessor Sergio Vergara e pelo empresário venezuelano, Juan José Rendón. Todos esses estratagemas, reconhecidamente utilizados por muitos presidentes norte-americanos em outras ações, nos permitem afirmar que, com o conhecimento de que a Silvercorp receberia 212 milhões de dólares por essa ação deflagrada contra Maduro, esse montante seria pago por algum fundo clandestino do governo Trump. Outro acontecimento, no dia 2 de abril, numa clara decisão geopolítica de Trump, foi o bloqueio naval dos EUA, no limite entre águas internacionais e as de jurisdição da Venezuela. O bloqueio com navios, aviões e helicópteros, de acordo com o governo estadunidense, seria para controlar o suposto narcotráfico EUA, comandado por Maduro Lembra as mesmas práticas do velho oeste do século XIX 17. Mas, na verdade este bloqueio naval também impediu a chegada de alimentos e remédios, inclusive para o tratamento do COVID -19. As únicas informações do “furo” desse bloqueio, divulgadas pela imprensa dizem respeito ao envio, pelo Iran, de quatro navios com gasolina e de uma grande embarcação alemã com remédios. No entanto, logo no início da pandemia na Europa, Maduro solicitou ao Fundo Monetário Internacional (FMI), cinco milhões de dólares, que seriam controlados pela Secretaria Especializada de Desenvolvimento, da Organização das Nações Unidas (PNUD-ONU), para fazer frente à pandemia na Venezuela. A resposta, previsível, deste organismo multilateral internacional foi negativa, em razão de seu aviltante conluio com o império estadunidense. Não obstante todos os cometimentos genocidas para banir Maduro, mas que, afinal, atingem grande parte da população venezuelana, se divulga mais um feito do governo Bolsonaro. No dia 22 de julho de 2020, enviou nova mensagem ao Congresso Nacional 16
Twitter: servidor norte-americano de micro blogs, assim chamados por serem limitados, atualmente, a envios – ou tweets – de 280 caracteres por mensagem. 17 Observa-se uma orquestração nessas medidas, pois uma semana antes do Cerco Naval, o Departamento de Justiça americano, publicou o prêmio de 10 milhões de dólares pela captura de Maduro. 37
(Anexo U), alterando a atual Política Nacional de Defesa (PND), aprovada no governo Lula. Essa nova minuta ameaça formalmente nossos vizinhos sul-americanos, pois o Brasil “poderá ver-se motivado a contribuir para a solução de eventuais controvérsias ou mesmo para defender seus interesses”. Como parte do conteúdo dessa mensagem, a solicitação de aumento do orçamento das Forças Armadas em 2% do PIB, o que equivale, nos dias de hoje, a 50 milhões de Reais. Há um entendimento consensual entre analistas de esquerda, de que, se aprovada pelo Congresso Nacional, a referida mensagem, tal como foi encaminhada, dará a Bolsonaro o aval institucional de que necessita para o início de outra política genocida, ou seja, uma guerra contra o povo da Venezuela. Nesse contexto sumário, acima, em que se revelam as características inescrupulosas da guerra híbrida e multidimensional contra a Venezuela, “gritam aos nossos ouvidos”, as palavras de Oscar Schémel: “Pretenden someternos, mediante el hambre y la enfermedad, con la aplicación de un bloqueo económico total que incremente el sufrimiento de los venezolanos” (ASÍ SOMOS, 2019). São tão incrédulos, na perspectiva humanista, esses acontecimentos relatados sobre a Venezuela, que a esquerda do mundo permanece calada e atônita diante de tanto arbítrio.
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II A SITUAÇÃO EDUCACIONAL DA VENEZUELA ANTES DOS GOVERNOS CHÁVEZ (1980-1990) Conforme Casanova (2008), o país viveu um período de expansão fácil da educação entre o final dos anos de 1950 e 1970, resultante dos altos lucros da extração do petróleo, que foram revertidos em Políticas Sociais, como as da educação pública. No entanto, com a crise da dívida externa, recessão econômica e novas políticas de desenvolvimento orientadas pelo Consenso de Washington, os anos de 1980 e 1990, ocorrerá o período da perda de impulso educativo. De acordo com o mesmo autor, no auge das reformas neoliberais houve crescimento demográfico e revelou-se a incapacidade do Estado em incorporar a população em idade escolar à escola, devido a problemas de infraestrutura e à disparidade na distribuição dos serviços educacionais públicos, marcados por segmentações organizacionais como: diferenciação na oferta, na escolaridade em todos os níveis, no desempenho e resultados educativos, nos desequilíbrios, e na distribuição territorial dos serviços, afetando principalmente a população fronteiriça, indígena e rural, que apresentavam índices mais altos de pobreza, o que gerou a desigualdade educativa (CASANOVA, 2008). Como vemos nos dados abaixo, não apenas a desigualdade educativa expressou a realidade desigual. Segundo Buxton (2003), o custo de vida aumentou 70,8% em 1994. E “Entre 1984 y 1995, el porcentaje de la población pobre aumentó de 36% a 66%, mientras el sector en pobreza extrema aumentó más del triple, de 11% a 36%” (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 1995 apud ROBERTS, 2003, p. 80)18. Em 1987, o gasto social chegou a 8% do PIB, e em 199419, alcançou 4,3% apenas (EVANS, 1998 apud ROBERTS, 2003)20. Em 1993, o gasto per capita do Estado estava 40% abaixo do nível de 1980, incluindo reduções reais acima de 40% em programas educativos, 70% em desenvolvimento habitacional e urbano, 37% em saúde e 56% em desenvolvimento social e participação (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 1995 apud ROBERTS, 2003)21. Conforme Roberts (2003), o progressivo empobrecimento e o aumento das desigualdades sociais levaram a uma crescente polarização da sociedade, fazendo reaparecer a divisão de classes que estava entorpecida pela distribuição de renda das décadas anteriores. Em 1989, 66,5% da população foi considerada pobre e 29,6%, em extrema pobreza (BUXTON, 2003). Nesse mesmo ano, a renda do petróleo, que sustentava 80% da economia do país, caiu para 50% devido à queda dos preços mundiais (BARROS, 2007). Para Naím (apud ELLNER, 2003, p. 35), o país “[...] experimentó durante los años 90 uno de los mayores incrementos de desigualdad en el mundo”.
REPÚBLICA DE VENEZUELA. Venezuela ante la Cumbre Mundial sobre Desarrollo Social. Caracas: Ministerio de la Família, 1995. 19 A crise do setor bancário ocasionou uma fuga massiva de capitais. Para atrair reservas internacionais, a moeda venezuelana foi desvalorizada, aumentando o custo de vida a 70,8% em 1994 (BUXTON, 2003). 20 EVANS, Ronald. Desnutrición en Venezuela: periodo 1990-1996. Caracas: Instituto Nacional de Nutrición, 1998. 21 REPÚBLICA DE VENEZUELA. Venezuela ante la Cumbre Mundial sobre Desarrollo Social. Caracas: Ministerio de la Familia, 1995. 18
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III A EMERGÊNCIA DO SISTEMA EDUCACIONAL BOLIVARIANO: DADOS RELEVANTES Em razão dos dados da realidade apresentados acima, uma grande parte da população conclamou com euforia a vitória de Chávez nas eleições de 1988, e legitimou o processo constituinte, em 1999. Dois dispositivos constitucionais são centrais: o Art. 2º, em que a “Venezuela se constituye en un Estado democrático y social de Derecho y de Justicia...” (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2000, p. 3) e o Art. 3º, que sintetiza a centralidade da educação escolar e do trabalho para que o Estado Soberano alcance os fins essenciais da Nação Venezuelana: El Estado tiene como fines esenciales la defensa y el desarrollo de la persona y el respeto a su dignidad, el ejercicio democrático de la voluntad popular, la construcción de una sociedad amante de la paz, la promoción de la prosperidad y bienestar del pueblo y la garantía del cumplimiento de los principios, derechos y deberes reconocidos y consagrados en esta Constitución. La educación y el trabajo son los procesos fundamentales para alcanzar dichos fines (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2000, p. 3, grifos nossos).
O legislador no Art. 3º, indica de forma contundente que a: “[…] expresión rectora del Estado en Educación, en cumplimiento de su función indeclinable y de máximo interés como derecho humano universal y deber social fundamental, inalienable, irrenunciable, y como servicio público que se materializa en las políticas educativas” (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2009, p. 4). Essa noção de Estado Rector, expressa o conceito de Estado Docente 22, concebido por Luis Beltrán Prieto Figueroa (2006), grande pensador liberal da educação venezuelana (1902-1993). A partir, portanto, dos dispositivos constitucionais da RBV, se conquistaram e efetivaram as bases jurídicas para a implantação das políticas, por meio da passagem da law in books and law in action (SERON; SILBEY, 2004, p. 33), ou seja, “da letra da lei” para a “lei na prática/na ação”. Nos anos que precederam a aprovação da Ley Orgánica de la Educación, de agosto de 2019, que revogou a Lei Orgânica de Educação de 1980, emoldurou-se uma nova estrutura legal para o funcionamento da educação escolar em todos os níveis. Na prática, todo o arcabouço educativo bolivariano, detalhado logo abaixo, funcionou em paralelo à Ley Orgánica de 1980. Vale ressaltar que todos os contornos legais dos governos de Chávez a Maduro para a educação escolar em todos os níveis foram orientados por “Programas e Planos governamentais para todos os setores da vida pública”. O primeiro Programa Econômico do governo Chávez, foi denominado de Transição 1999-2000; o segundo, Programa Econômico 2000 e o terceiro, Programa Econômico 2001. Posteriormente, 22
El concepto de Estado-Docente fue propuesto por primera vez en Venezuela por el maestro Luis Beltrán Prieto Figueroa (1946), en una conferencia dictada en la Escuela Normal Miguel Antonio Caro, para anunciar que el Estado debe ser el res ponsable supremo de la orientación general de la educación de la república. Ese modelo desarrollará una filosofía educativa para conformar la conciencia de los ciudadanos, y que fue denominada Humanismo Democrático (ZAMBRANO, Isidoro Valencia, Estado Docente. slide 2, Transcripción: Célia Cubas. SlideShare, 2007. Disponível em: https://slideplayer.es/slide/24092/>. Acesso em: 02 mar. 2019). 41
os Programas ganham status de Planos, orientando politicamente todos os setores públicos, a cada mandato de seis anos da presidência. Assim, os Programas e os Planos orientaram política e pedagogicamente as políticas educacionais, a partir de 1999, enraizadas na Constituição, e orientadas por aqueles Programas citados acima e pelo primeiro Plano de Desenvolvimento Econômico e Social da Nação 2001-2007 (PDES). O Estado venezuelano, mesmo sem revogar a Ley Orgánica de 1980, suplantou-a juridicamente mediante o artigo 103 da Constituição: “El Estado creará y sostendrá instituciones y servicios suficientemente dotados para asegurar el acceso, permanencia y culminación en el sistema educativo […]” (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2000, p. 37) Respaldado por Programas e Planos econômicos politicamente bem definidos, o Governo Chávez implantou Políticas Educacionais, planos, programas e projetos para dar respostas ao novo modelo político e social do país, para assegurar a inclusão, a permanência e a conclusão dos estudos em todos os níveis educativos, “[...] lo cual a implicado transitar hacia una educación emancipadora y dignificante” (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2007a, p. 34). Duas resoluções, de 1999, garantiram juridicamente o desenvolvimento dessas estratégias, em caráter experimental durante um período de três anos. A Resolução nº 179 (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 1999a) cria as Escolas Bolivarianas para atender à população estudantil dos níveis de pré-escola, primeira e segunda etapas da educação básica, sendo também utilizadas como centros de formação de adultos (JÁUREGUI, 2006). E a Resolução nº 177 (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 1999b) cria as Escolas Técnicas Robinsoniana, com enfoque na educação para o trabalho. Em 2003, essas escolas foram incorporadas ao novo mapa estratégico da educação bolivariana, denominada nos documentos oficiais de Sistema Educativo Bolivariano – composto pelos seguintes níveis: Proyecto Simoncito – Educação Infantil, em tempo integral, maternal de 0-3 anos e pré-escolar de 3-6 anos; Escuela Bolivariana – Educação Básica, educação em tempo integral da criança de 7-12 anos, correspondente ao 1º a 6º graus; Liceo Bolivariano – Ensino Médio, diversificado ou profissional, educação em tempo integral a adolescentes e jovens dos 13-18 anos; Educación Técnica Robinsoniana y Zamorana – Ensino Técnico, ensino médio profissional; Universidad Bolivariana de Venezuela – UBV, Ensino Superior; e Sistema Nacional Inclusivo de Misiones – Robinson (I Alfabetização, II Educação primária e promoção da leitura e III Capacitação de ofícios – para os que não se dispunham em avançar a outros níveis). Já a Misión Ribas prevê a continuidade escolar e o ensino profissional destinado aos aspirantes à graduação, e a Misión Sucre, ao Ensino Superior. Esse sistema da educação bolivariana começa a corrigir as distorções e a exclusão de todos os que estão à margem do sistema educacional na Venezuela (ZUCK, 2011, p. 194). Todas as políticas públicas de inclusão na saúde, nas artes (música, cinema e dança), nos transportes e no turismo e, enfim, na educação escolar, causavam sempre estrondosas críticas das elites e da classe média, que viveram dos lucros das diversas cadeias do rentismo petroleiro. Com a derrota del Paro Petrolero (novembro de 2002 a março de 2003), Chávez destitui toda a diretoria da Petróleos de Venezuela, S.A. (PDVSA) e toma o controle político-econômico da petroleira. Utilizando muito bem os símbolos, Chávez inaugura, em 2003, num dos prédios centrais desta empresa petroleira, a Universidade Bolivariana, que passa a ter, nesse edifício sua sede central. E também nesse dia, anuncia a criação da Missão Sucre para todos os jovens e adultos que não cursaram o ensino universitário, modelado e organizado mediante a ajuda de monitores, livros e televisão. A assiduidade consistia em aulas presenci42
ais três vezes por semana, ou ainda para aqueles que não pudessem cursar nesse formato era oferecido aulas aos sábados e domingos.
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IV ASPECTOS DAS CONDIÇÕES HISTÓRICAS DA EMERGÊNCIA DO PROJETO UNIVERSITÁRIO BOLIVARIANO Para dar consequência e coerência à metodologia descrita na introdução, este trabalho de pesquisa para examinar, de forma mediatizada os impactos da crise econômica, promovida pelas sanções e bloqueios, nas universidades públicas da Venezuela, apresenta sumariamente o projeto educação escolar na Venezuela, atravessada pela conjunção histórica da tensão entre a classe burguesa parasitária e o projeto econômico, político e cultural de Hugo Chávez, que Lander sintetiza de forma precisa. La principal fortaleza de la Revolución Bolivariana ha sido la extraordinaria capacidad que tuvo Chávez para sacar a los sectores populares de Venezuela de una situación de le targo, profunda desesperanza, desconexión y desconfianza total en las instituciones que tu viesen que ver con la política, ofreciéndoles un sentido de dirección, de pertenencia y de au toestima por la vía de procesos de organización popular de base extraordinariamente am plios. Estos procesos fueron promovidos por el Estado, pero fueron también productos del cambio más general en el clima político del país (LANDER, 2017, p.33).
Esta viragen de grande parte da população, a que se refere Lander, revela o ódio de classe dos diversos setores das elites, que se constituíram organicamente desde a derrubada do ditador Marcos Pérez Jiménez, que governou a Venezuela de 1952 a 1958, culminando no golpe de Estado de 11 de abril de 2002. Após a queda do ditador, em 1961, el Punto Fijo23 foi um acordo entre três partidos conservadores, em que, a partir de então, apenas dois deles vão deter o poder político, governando alternadamente até 1998: o Ação Democrática (AD) e o Partido Social Cristão (COPEI). A democracia representativa del puntofijismo, na década de 1960, vai reprimir e exterminar os movimentos de guerrilha e de qualquer voz discordante desses governos. Diferentemente da grande maioria dos Estados da América do Sul que, com a anuência e ajuda estadunidense, implantaram ditaduras militares sangrentas, a Venezuela já estava “ocupada” pelas grandes corporações estrangeiras do petróleo, onde reinava “a paz dos cemitérios”. A vitória de Hugo Rafael Chávez Frías nas eleições de 1998, e a aprovação inquestionável da nova Constituição de 1999, pela Assembleia Nacional e, também, por um Referendo popular, definiu o novo projeto educativo que se contrapôs substancialmente aos projetos educacionais e econômicos dos dois últimos governos da chamada 4ª República, na qual se implantaram as reformas neoliberais concretizadas nos Planos de Estabilização do FMI e nos Empréstimos de Ajuste Estruturais do Banco Mundial 24. Essas políticas atingiram drasticamente a economia em geral, no segundo mandato de presidente de Carlos Andrés Pérez (1989 a 1993) e também no segundo mandato do Presidente Rafael Caldera Rodríguez (1994 a fevereiro de 1999).
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Que inaugura a chamada 4ª República na Venezuela. Sobre o papel de controle do FMI e Banco Mundial sobre a crise da dívida externa nos países da América do Sul, ver: NOGUEIRA, Francis Mary Guimarães. Ajuda externa para a educação brasileira. Da USAID ao Banco Mundial. Cascavel, PR: Edunioeste, 1999. 24
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O start, o divisor de águas ou ruptura com as elites, ocorrerá a partir da derrota fragorosa, quando essa coalização puntofijista, associada à parte dos empresários e militares, assume o poder mediante golpe de Estado contra Chávez, em 11 de abril de 2002, como afirmei acima. Com parte dos militares fiéis a Chávez e a reação popular, exigindo nas ruas seu retorno ao Palácio Miraflores, parte dos golpistas fogem para Miami. Do resultado desse fenômeno, emerge a polarização, que se intensifica na medida em que a “rota” da Revolução Bolivariana dirigida por Chávez definiu que parte da renda petroleira seria dirigida à proteção social, particularmente aos mais pobres, por intermédio de todos os tipos de políticas públicas. Nessa reviravolta da conjuntura política, criam-se as condições jurídicas de implantação das reformas educativas (ZUCK, ALVES e NOGUEIRA, 2014). Por isso, afirma-se que as políticas educacionais universitárias não podem ser situadas fora da concepção da educação escolar bolivariana, em sua totalidade, e dos dispositivos constitucionais garantidos pela Constituição de 1999. A resposta da direita doméstica – já financiada e orientada pelos Estados Unidos desde o golpe de Estado, e sustentada por grande parte da burocracia, nas instituições do Estado, nos partidos de oposição e na Assembleia Nacional –, tem sido a de promover constantemente, distintas ações de sabotagem e críticas aos projetos e programas da Revolução Bolivariana. No entanto, no decorrer da primeira década do século XXI e no ano de 2012, a oposição, fragmentada pelas disputas internas, somou derrotas e derrotas nas urnas. Em fragmento de artigo de Claudio Katz, em 2017, publicado pelo CLASCO (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais), o autor demonstra as vitórias seguidas do chavismo nas urnas. No entanto, a direita, que apenas venceu um Referendo popular em 2007 e a eleição do Parlamento em 2015, de forma recorrente, a cada derrota, cantava: “fraude”, na tentativa de desestabilização política, a cada eleição vitoriosa pelo chavismo. Diferentemente, Chávez e Maduro, nas duas derrotas citadas acima, após a publicação oficial dos resultados, admitiram a derrota. O referido autor também relata e faz comparações entre as eleições vitoriosas do chavismo e as derrotas da oposição, mencionando, também, a difícil situação porque passa o governo Maduro, diante de tanta pressão interna e externa: De las 19 elecciones realizadas bajo el chavismo, los bolivarianos ganaron 17 y reconocieron de inmediato las derrotas restantes. En cambio la derecha nunca aceptó resultados adversos. Siempre denunció algún fraude o recurrió al boicot. Cuando triunfó en elecciones parciales exigió la inmediata caída del gobierno. En diciembre del 2015 obtuvieron la mayoría en la Asamblea Nacional y proclamaron el derrocamiento de Maduro. Intentaron varios desconocimientos posteriores, recurrieron a la instalación de diputados truchos y falsificaron firmas para el revocatorio. […] Es cierto que Maduro canceló el referéndum revocatorio, suspendió elecciones regionales y proscribió a políticos opositores. Estas medidas forman parte de una reacción ciega frente al acoso. Pero el líder chavista confronta con la hipocresía de mayor porte que exhiben los defensores de los regímenes electorales actuales 25 (KATZ, 2017).
Com a perspectiva anunciada acima, tenta-se captar as contradições de como estes fenômenos, que levaram à polarização e promoveram a crise econômica, envoltos con un olor de odio al chavismo, operam a complexa crise institucional e financeira das Universidades Públicas Venezuelanas. A distinção ideológica promovida pelos partidos de direita e pelas 25
Estes dados são referentes até o ano de 2017. Depois, houve eleições presidenciais em maio de 2018. A oposição golpista se nega a participar para posteriormente divulgar ao mundo a ilegitimidade do governo Maduro. 46
autoridades universitárias, entre as Universidades Nacionais Autônomas e as Universidades criadas, a partir de 2003, por Chávez, reinventava a cada embate político-social, uma nova campanha difamatória contra estas universidades, por meios jornalísticos impressos e televisivos, denominando-as de “universidades piratas”, paralelas, ou pior, de segunda classe, o que expressa toda a arrogância e prepotência dessa classe burguesa parasitária. Destaque-se que esta situação, de permanentes embates que eclodem entre as Universidades Chavistas e as Universidades Nacionais Autônomas, é resultado da hierarquia, própria da lógica das sociedades capitalistas, que se personifica nas diversas facetas da meritocracia. O governo Chávez, pós-golpe e Paro Petrolero – identificando o alinhamento das Universidades Nacionais Autônomas, e parte das Experimentais, à oposição golpista –, a partir de 2003, dará a tônica ideológica do bolivarianismo com a criação da Universidade Bolivariana e a Missão Sucre, a Lei Orgânica de Educação (2009) e as Universidades Politécnicas Territoriais. Essa ininterrupta disputa ideológica, também no campo da educação universitária, vai ser mais uma ameaça aos vários setores da direita, polarizando ainda mais a sociedade venezuelana26.
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Houve, em 2008 e 2009, manifestações de rua no processo de discussão da elaboração da Lei Orgânica de Educação. Dê um lado, os Conselhos Comunais, sindicatos e federações e, de outro, várias manifestações de rua da direita, que tiveram a consigna “quiten las manos de nuestros hijos”. 47
V A ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA EDUCATIVO VENEZUELANO NA LEY ORGÁNICA DE EDUCACIÓN (LOE), DE 2009 O Estado, avançando em seu projeto da Revolução Bolivariana e Socialista, publica o Proyecto Nacional Simón Bolívar – Plan del Desarrollo Económico de la Nación (2007-2013). Primer Plan Socialista. (Anexo C). Esse Plano vigente orienta a formulação da Ley Orgánica de Educación (LOE), aprovada na Assembleia Nacional, em agosto de 2009, expressando um novo ordenamento jurídico para a Educação Pública. Está disposto no Capítulo III, Título El Sistema Educativo, Art. 24, que a Educação Escolar Venezuelana está organizada segundo diretrizes e bases comuns: El Sistema Educativo es un conjunto orgánico y estructurado, conformado por subsistemas, niveles y modalidades, de acuerdo con las etapas del desarrollo humano. Se basa en los postulados de unidad, corresponsabilidad, interdependencia y flexibilidad. Integra políticas, planteles, servicios y comunidades para garantizar el proceso educativo y la formación permanente de la persona sin distingo de edad, con el respeto a sus capacidades, a la diversidad étnica, lingüística y cultural atendiendo a las necesidades y potencialidades locales, regionales y nacionales (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2009c, p.18).
Quanto ao Art. 25, Numeral 01 e 02, nele se define a organização do Sistema de toda a Educação Escolar. El subsistema de educación básica, integrado por los niveles de educación inicial, educación primaria y educación media. El subsistema de educación universitaria comprende los niveles de pregrado y post grado universitarios. La duración, requisitos, certificados y títulos de los niveles del subsistema de educación universitaria estarán definidos en la ley especial. b. El desarrollo institucional y óptimo funcionamiento de las misiones educativas para el acceso, la permanencia, prosecución y culminación de estudios de todas las personas con el objetivo de garantizar la universalización del derecho a la educación (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2009c, p.17).
No Art. 33, que trata sobre os Principios rectores de la educación universitaria, destaca-se palabras-chave, como carácter público, calidad, pensamiento crítico, democracia, solidariedad e igualdad de condiciones y oportunidades, estão os fundamentos da nova Venezuela, que emergiu a partir de 1998. La educación universitaria tiene como principios rectores fundamentales los establecidos en la Constitución de la República, el carácter público, calidad y la innovación, el ejercicio del pensamiento crítico y reflexivo, la inclusión, la pertinencia, la formación integral, la formación a lo largo de toda la vida, la autonomía, la articulación y cooperación internacional, la democra cia, la libertad, la solidaridad, la universalidad, la eficiencia, la justicia social, el respeto a los derechos humanos y la bioética, así como la participación e igualdad de condiciones y oportunidades. En el cumplimiento de sus funciones, la educación Universitaria está abierta a todas las corrientes del pensamiento y desarrolla valores académicos y sociales que se reflejan en sus 49
contribuciones a la sociedad (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2009c, p.19).
O conceito que atravessa os artigos acima, da LOE, emanam do papel reitor ou governador do Estado, determinado no disposto do art. 102, da Constituição da RBV, de 1999: “La educación es un derecho humano y un deber social fundamental, es democrática, gratuita y obligatoria. El Estado la asumirá con función indeclinable y de máximo interés en todos sus niveles y modalidades…”. Em consonância com a Constituição, a LOE irá garantir, em seu Art. 6, letra b “La gratuidad de la educación en todos los centros e instituciones educativas oficiales hasta el pregrado uni versitario” (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2009, p.05). No plano jurídico-político estava consolidada e vitoriosa a concepção de educação da Revolução Bolivariana. A gratuidade nas instituições oficiais se torna um imperativo legal.
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VI ANÁLISE DAS CATEGORIAS E SUB-CATEGORIAS QUE EXPRESSAM OS IMPACTOS DAS SANÇÕES NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS DA RBV A categoria de orçamento ou presupuestaria ganha relevância central, por ser a raiz dos outros problemas que assolam as Universidades Públicas da Venezuela. A categoria “crise institucional das Universidades Públicas da RBV”, hierarquiza primeiro, por ordem de importância, a subcategoria “Estrangulamento do orçamento”, definida na Introdução. Por essa razão se iniciam as análises por esta problemática, articulando na sequência da exposição, as demais subcategorias. […] desde el año 2009 comenzó a reducirse la asignación presupuestaria a las universidades, en especial a las autónomas, privilegiando a aquellas instituciones nacidas en revolución (KANCEV, 2018).
Em exposição no excerto acima, o prof. Dr. Tulio Ramírez, da UCV e Universidad Católica Andréz Bello (UCAB), denuncia que os governos Chávez e Maduro priorizam os orçamentos das Universidades criadas a partir de 2003. Parece-me que os dirigentes das Universidades Nacionais Autônomas e das Universidades Experimentais, em constante oposição, em razão da natureza político-ideológica do referido professor, propugnam que apenas as universidades Autonômas teriam a chancela da formação universitária. O orçamento estatal abrangeu, a partir de 2003, a Universidade Bolivariana e todas as suas Sedes, a Misión Sucre, que promoveu a municipalização do ensino universitário, com a criação dos Ambitos Locales de Educación Alternativa Socialista (ALDEAS), as UPT e as denominadas Universidades Especializadas. E seguem-se suas críticas: La crisis presupuestaria recurrente, agudizada por la giga inflación que vive nuestro país que afecta de manera directa a todas las actividades inherentes a la docencia, investigación y la extensión de las universidades venezolanas, incluyendo el mantenimiento de la infraestructura de las instalaciones universitarias (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018). […] alertó sobre la caída de la producción de conocimiento en el país debido a la “asfixia presupuestaria” a la que el Gobierno ha sometido en los últimos años a las universidades autónomas, así como al éxodo de profesores. […] datos disponibles en Scopus, un prestigioso repositorio de revistas arbitradas e indexadas , y analizados por Ramírez, reflejan que Venezuela pasó de generar 2.376 artículos en 2009 a 1.476 en 2016, lo que representa una reducción de 38% de la producción (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018). […] Venezuela disminuyó su contribución: de 4,23% de las publicaciones en 1999 a 1,06% en 2016, según datos de Scopus y el Banco Mundial. […] 80% de la producción científica en Venezuela nace en las Instituciones de Educación Superior (IES) y
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que de ese total, 90% se genera en las universidades autónomas (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018).
Em outro artigo publicado por vários autores vinculados às Universidades Autônomas, como LUZ, UC, ULA e as Experimentais UNERMB e UPTAEB, reafirma-se a crise orçamentária porque passam essas Universidades: Paralización casi total de la investigación y la extensión universitaria, por falta de presupuesto. Los financiamientos para la investigación otorgados por el FONACIT se redujeron a mínimos históricos y los pocos que se otorgan se hacen de manera discrecional atendiendo a una agenda no consultada con los investigadores del país (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018).
O professor Roberto López Sánchez, no entanto, que faz uma crítica à esquerda do governo Maduro, afirma que o orçamento das universidades UCV, LUZ, ULA, UC, UDO são estratosféricos. As críticas parecem confirmar as denúncias que vieram a público, em janeiro de 2020, do Vice-Rector Administrativo da UCV, em relação à corrupção na Reitoria desta Universidade, envolvendo diretamente a Rectora García Arocha: […] alcanzan a montos superiores al situado constitucional de casi todos los estados del país. Para muestra, el presupuesto anual de LUZ es superior al situado de las gobernaciones de Barinas, Mérida y Trujillo, sumados los tres. Ya quisiéramos nosotros, de llegar algún día a triunfar electoralmente y dirigir ya sea el decanato de una facultad o el mismo rectorado de LUZ, contar con ese trato preferencial que el gobierno le ha dado a los rectores burgueses. Si así llueve que no escampe; la rectora García Arocha, [UCV] y sus antecesores, dirán: "qué importa uno que otro insulto si al final me siguen dando más y más presupuesto para que yo lo administre a mi antojo y no rinda cuentas del mismo (SÁNCHEZ, 2015).
No contexto geral de falta de orçamento, ou má gestão e/ou corrupção denunciado acima, o presidente Maduro divulgou, em 22 de novembro de 2018, a criação de mais nove UPT em todo o país. Essa decisão causou descontentamento no meio acadêmico. A ViceReitora Acadêmica da Universidad Nacional Experimental Politécnica “Antonio José de Sucre” (Unexpo), Fraisa Codecido, questionou: Me gustaría preguntarle cómo e para qué si ya nosotros estamos aquí. Lo que necesitamos es que el Estado invierta en nosotros… (DURÁN, 2018). […] la Unexpo podría ampliarse a otras regiones en lugar de que el Gobierno tuviese que “comenzar de cero” con la apertura de otras instituciones (DURÁN, 2018). Deberían voltear a vernos y ayudarnos para que colaboremos con el desarrollo del proceso productivo del país”, dijo. La autoridad indicó que en Unexpo logran mantener sus laboratorios y talleres gracias a convenios con la empresa privada (DURÁN, 2018).
Nessa mesma direção, mas posicionado à esquerda, o professor Oscar Bravo pergunta: […] es necesario seguir inundando de universidades el país?...es indudable que genera mayores oportunidades para estudiar en una universidad venezolana, pero ¿ eso garantiza la calidad de la enseñanza?...¿no se solapan las actividades académicas entre las distintas universi52
dades?...¿Cuál sería la relación entre la UPEL y una universidad del magisterio?...¿y entre las universidades politécnicas territoriales y una universidad de las comunas?...¿cuales serían los programas de formación de grado o carreras de estas nuevas universidades?...(BRAVO, 2018).
O professor Cécil Gerardo Pérez, em junho de 2019, sobre o mesmo tema do orçamento, aponta um paradoxo e desmonta as críticas desses gestores e professores, quando demonstra a desigualdade de tratamento orçamentário do governo Maduro, em favor das Universidades Nacionais Autônomas e de seis Universidades Experimentais, e desfavorece as Universidades Bolivarianas. Essa crítica registra-se em seu artigo intitulado Ante el Congreso Constituyente de la Clase Trabajadora Universitaria, sobre a realização do Congreso Constituyente de Trabajadora/es Universitaria/os, en el marco del Congreso Constituyente de la Clase Obrera y el Frente Universitaria,, em que o autor apresenta nuevo mecanismo de asignación presupuestaria para superar a situação orçamentária dos trabalhadores das Universidades. […] Este es otro tema grueso en la política universitaria. Se debe establecer parámetros claros en la asignación presupuestaria a las universidades. Tomar en cuenta la matrícula estudiantil, tipo de carreras (o Programas Nacionales de Formación), número de docentes y por supuesto, investigación y extensión universitaria. No es posible que universidades autónomas que son 5, más las experimentales tradicionales que son 6 tengan un 70% del presupuesto de todas las universidades cuando apenas concentran un 20% de la matrícula universitaria del país. Y no es posible que las universidades (sobre todo las de AVERUO) que manejan más recursos al final del año tengan remanentes enormes producto de la no ejecución del presupuesto asignado y de los créditos adi cionales, contradiciendo de esa manera el discurso oposicionista de que el gobierno las tiene "asfixiadas" presupuestariamente (PÉREZ, 2018, grifos meus).
Reafirmo, os dados acima desqualificam as críticas oriundas da oposição, pois há uma distância abismal, referente à distribuição orçamentária, entre as Universidades Autônomas e algumas Universidades Experimentais, na relação estudante-orçamento, em comparação com as outras Universidades. Os dados apresentados por Pérez corroboram a crítica acima, do professor Roberto López Sanchez. Como resultado direto da situação orçamentária das Universidades Públicas, a categoria das condições de trabalho nessas universidades revela-se como um problema crítico diante da situação econômica do país. De fato, as consequências das Sanções são dramáticas, mas a oposição tem se prestado apenas a fazer as denúncias, sem estabelecer relações inequívocas entre as agruras que vivem cotidianamente as Universidades Públicas e a decisão política da autoproclamação de Presidente da Venezuela, de Juan Gerardo Guaidó Marquez, do partido Voluntad Popular (VP) – que nesse momento também presidia a Assembleia Nacional –, gerando mais desestabilizações internas e Sanções externas. O excerto abaixo, assinado por vários autores das Universidades Autônomas (LUZ, UC, ULA) e as Experimentais (UNERMB e UPTAEB), que já foram citadas acima, até admitem os impactos das Sanções na crise econômica, mas as secundarizam como se as medidas fiscais, cambiais e monetárias não estivessem subsumidas às regras macroeconômicas. E no segundo fragmento, na sequência, entoa o mesmo mantra, descolando todos os problemas de manutenção das universidades da situação econômica. Ao mesmo tempo, também é inconteste que a população em geral já percebe que o governo Maduro não tem logrado amenizar a situação dramática por que passa a população pobre e empobrecida dian53
te do preço dos alimentos, que ora se expressa na quase institucionalizada dolarização, na escalada hiperinflacionária, que nessa lógica, parece não ter fim, promovida pelo dólar em relação ao Bolívar Soberano. Es apremiante que el estado adopte medidas fiscales, cambiarias y monetarias, con carácter urgente, con la celeridad que el problema merece, en lugar de estarse regodeando en la tesis de la "guerra económica". Guerra que existe y es abierta, sobre todo en la última etapa con las medidas adoptadas por la administración Trump, pero que no puede seguir usándose como excusa para ocultar los déficits de política económica del Estado venezolano, para atender los efectos devastadores de la crisis que se ha desatado sobre el pueblo venezolano (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018). Dificultades cada vez mayores para el ejercicio de la docencia con los pocos alumnos que aún asisten a las universidades. Muchas aulas y laboratorios se encuentran sin condiciones mínimas para su uso docente, sin servicios de reproducción, sin aulas virtuales, sin equipos audiovisuales, sin aires acondicionados (esenciales en climas muy cálidos), sin servicios de internet dentro del área universitaria, sin reactivos químicos, equipos, transporte y demás materiales para las prácticas de laboratorio y salidas de campo de los estudiantes, bibliotecas desactualizadas […] (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018).
Nesse quadro atual, é parte dessa lógica a escassa alimentação, o aumento da pobreza e a presença de moradores de rua remexendo os lixos, cenário ausente nos governos Chávez. A tragédia da miséria expondo suas entranhas também nos espaços das universidades. Por que no âmbito das Universidades Públicas, esta realidade, não se faria presente? También se ha extendido en los espacios universitarios la inseguridad generada por la delincuencia que saquea los bienes de la institución y agrede a su comunidad incluso directamente en los salones de clase. Conduciendo a la paralización de actividades docentes, administrativas y obreras debido al hurto de materiales y equipos indispensables para su funcionamiento, tales como cables de electricidad, cajeras, bombas de agua, aires acondicionados (…) (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018).
Sobre a mesma temática, o professor Orlando Albornoz, direciona sua crítica à gestão e à negação da realidade, pelo ministro do MPPEUCT, quando este menciona em um de seus livros, intitulado Mitos, tabúes y realidades de las Universidades, Volumen I, Capítulo IX, as condições das Universidades Venezuelanas. Os questionamentos do referido autor datam de 2017, época em que o ministro, Jorge Arreaza Monserrat, não admitia todos os problemas pelos quais passavam as Universidades. E é fato que na situação de crise extremada, o Governo Maduro optou por não divulgar ou negar problemas sociais graves, resultantes das Sanções e Bloqueios, pois as políticas governamentais não tiveram efetividade contra a “guerra econômica”, naquele momento: En el caso actual el ministro y sus 31 vice ministros y los directores correspondientes expresan el discurso oficial propio de toda burocracia: no hay problema, ninguno. Esto es, no hay fuga de talento al exterior y al mercado laboral profesional, no hay empobrecimiento de las universidades autónomas que son las más productivas p.342/ p. 343 del país, en términos académicos, no hay disminución importante en los niveles de producción de conocimiento científico, el 28 % en la última década, no hay fallas en la planta física, en las bibliotecas y en la dotación de los recursos para el aprendizaje, esto es, no hay problemas, dicho esto en el momento en el cual, como se leerá en mi libro, las universidades venezolanas, probablemente, enfrenten pro54
blemas de una magnitud tal que en los próximos años el futuro está comprometido (ALBORNOZ, 2018, P. 329-330).
Com outros dados, mas sobre a mesma temática de que o Governo vem negando parte da realidade, o professor Cécil Gerardo Pérez, crítico à esquerda, reconhece que: Lo otro es la situación de las universidades que han entrado en una profunda crisis desde casi todos los ámbitos: académico, administrativo y salarial sin que el ministro haga nada. Sólo observa con una pasmosa negligencia ante lo que allí ocurre, mientras nuestras universidades se desploman en un abismo de incapacidad gerencial y de displicencia ministerial sin comparación alguna. Infraestructura deteriorada, programas curriculares sin cambiar desde hace años […] (PÉREZ, 2019b).
Mas, denuncia que as Universidades Nacionais Autônomas praticam uma série de irregularidades, pois não cumprem as decisões do Ministério e do órgão responsável pela vida acadêmica e administrativa das Universidades, a Oficina de Planejamento do Setor Universitário (OPSU): […] universidades desarticuladas de los planes de la nación, universidades violando disposiciones gubernamentales como las asignaciones de cupos, matrículas universitarias dolarizadas (las de gestión privadas), inobservancia de rendiciones de cuentas, anarquía en los pagos al personal universitario, paralizaciones continuas por falta de comedor, transporte, becas a tiempo para los estudiantes y los consabidos paros de gremios oposicionistas que impunemente afectan a la comunidad universitaria (PÉREZ, 2019b).
Com contribuições concretas, o mesmo autor, diante da conjuntura bastante preocupante em relação às condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras universitárias, propõe duas soluções objetivas e possíveis de serem realizadas: 2- Elevar los sueldos y las escalas salariales a 7 sueldos mínimos en función de la realidad económica venezolana, así como monitorear la realidad económica para adaptar el tema sala rial ante los cambios que ésta genere. 6- Liberar los ingentes recursos que hay en los fondos de jubilaciones que las universidades tienen represados en bancos sólo generando beneficios para el sector financiero y no para los trabajadores. Dichos recursos deben ser usados para las políticas de salud de los universitarios (PÉREZ, 2019b).
Sobre a situação dos salários, aponta o que representa, para professores de final de carreira, a hiperinflação: Hoy, abril de 2019, un trabajador universitario de máximo nivel (Profesor Titular a Dedicación Exclusiva, con doctorado) devenga un ingreso aproximado de 50 mil Bs. mensual o 25 mil quincenal que, ya sabemos, es insignificante ante la realidad de la hiperespeculación desatada en nuestra Patria por capitalistas usureros empeñados en volver sal y agua los salarios de los venezolanos (PÉREZ, 2019a).
E segue esclarecendo como o salário dos professores universitários ficou nivelado abaixo do salário mínimo: 55
Por otra parte, en el mes de julio pasado se había aprobado un acuerdo entre los gremios signatarios de la III CCU, el MPPEUCT y el MPPTrabajo en el que se aprobó que el incremento salarial de dicho mes sería de un 4,75% del sueldo mínimo. Los gremios tomaron dicho acuerdo para plantear que a partir de allí ese sería la base de los siguientes incrementos sala riales. Sin embargo, el ministerio comenzó a cancelar los nuevos incrementos en base al 1,5% del sueldo mínimo lo que ha generado una igualación "hacia abajo" de los salarios universitarios (PÉREZ, 2019a).
Mas, também admite os esforços do governo Maduro para tentar manter, mediante negociações com os empresários venezuelanos, os preços estipulados, tentando frear a escalada do dolar today ou negro. […] El presidente Nicolás Maduro ha hecho un esfuerzo supremo en la obtención de recursos para la Patria venezolana, así como ha tratado de mantener y ampliar las políticas sociales de protección a todo el pueblo venezolano. En algunas áreas esto se ha logrado, como la construc ción de viviendas y la política de los bonos sociales para grandes masas de nuestra población. Lamentablemente las políticas económicas no han dado los resultados esperados, siendo violada descarada e impunemente la política de precios acordados por los sectores empresariales y hoy el pueblo sucumbe ante los precios de los productos que no le permiten salir de la cuasi in digencia en la que se le mantiene. Los universitarios no somos una excepción, ya que sólo dependemos de nuestros ingresos como trabajadores y quedamos desprotegidos, en una intemperie social que cada vez más nos hunde en un abismo insondable (PÉREZ, 2019a).
E propõe que se abram as negociações, entre los Gremios y el Gobierno, o mais breve possível, após a IV Convención Colectiva Universitaria, para que sejam aprovadas as leis de proteção aos trabalhadores universitários, citadas acima. O professor Roberto López Sánchez, faz outra crítica pertinente, posicionado à esquerda do governo Maduro, apontando que a: II Convención Colectiva Universitaria. Desde finales del año pasado se ha estado repitiendo el mismo guión del 2013, cuando el retraso injustificado en la instalación de las discusiones del contrato colectivo favoreció el desarrollo de una larga huelga universitaria impulsada por los factores oposicionistas que dominan ampliamente los gremios y las principales autoridades de las universidades autónomas del país (SÁNCHEZ, 2015).
E discorre sobre o quanto a riqueza se concentrou, devastando o poder de compra do trabalho, a favor dos capitalistas e contra os trabalhadores. Uma distorção imensa causada pelas sanções, mas em parte permitida pelo Governo. Sin tener a mano cifras estadísticas (porque ahora el gobierno bolivariano parece que abolió las estadísticas públicas, una acción que es difícil de catalogar, pero que en todo caso es algo sumamente malo para la marcha administrativa del estado venezolano), es evidente que el sa lario de los trabajadores y las trabajadoras de Venezuela se ha pulverizado ante la gran inflación ocurrida en los últimos 3-4 años. De allí la urgencia que tienen los gremios universitarios por discutir sus reivindicaciones laborales (SÁNCHEZ, 2015). […] He visto como profesores de LUZ con 20 años de trabajo, renuncian a sus cargos y se van a trabajar a otros países como la vecina Colombia (…) La fuga de cerebros hacia otros
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países es un fenómeno acelerado que afecta incluso a la industria petrolera nacional (más de 300 ingenieros que ha renunciado en el último año) (SÁNCHEZ, 2015).
As consequências destrutivas das Sanções econômicas, que resultam em Bloqueios, fora dos parâmetros humanos, pressionam homens e mulheres a deixarem seu país, seus costumes, culturas e amigos, para buscar em outros países sua sobrevivência e de parte da família que permaneceu na Venezuela. É fato que muitos que partiram acusam o governo Maduro pela situação. Mas, essa situação não se atribui à direita e à “classe” média, que sempre sonhou o sonho dos americanos e partiram da Venezuela para fazer eco externo internacional contra o governo Chávez e depois também contra o governo Maduro. E para promover ainda mais as agressões mediáticas contra o presidente Maduro, os emigrantes e os que se evadem da de lá, têm sido comparados, nos EUA e no Brasil, a refugiados de guerra. Corrobora essa análise, Vijay Prashad, no Boletim Tricontinental, nº 5, de 2019: La angustia social conduce a la migración. El número total de migrantes en el mundo hoy es de al menos 68,5 millones. Esto hace que el país llamado Migración sea el 21o país más grande del mundo después de Tailandia y por delante del Reino Unido. La migración se ha vuelto una reacción global al colapso de países de un extremo a otro del planeta. La emigración de Venezuela no es exclusiva de ese país, sino que ahora es simplemente la reacción normal a la crisis mundial. Los migrantes de Honduras que van hacia el norte, a los Estados Unidos o los migrantes de África Occidental que van hacia Europa atravesando Libia son parte de este éxodo global (PRASHAD, 2019, p.7, grifos do autor, grifos meus). (…) el bloqueo explica la mayor parte de la crisis económica que afecta al país, que ha sido el principal causante de las migraciones , y argumenta que la actitud internacional, de atribuirle la totalidad de la culpa al Gobierno de Venezuela, tiene el mismo sentido que las excusas de los violadores echándole la culpa a la longitud de las faldas (UNIDAD DEBATES ECONÓMICOS, 2019).
O então Ministro da Educação Básica, Elías Jaua, foi o único do primeiro escalão do governo que admitiu a emigração de professores qualificados em sua pasta ministerial. El ministro de Educación de Venezuela, Elías Jaua, admitió que la migración está impactando al sector universitario al señalar que profesores y personal “calificado” han dejado el país en medio de la grave crisis económica que también está afectando, según dijo, a “todo el sistema educativo (EFE, 2018).
Como não se teve acesso aos dados governamentais quanto às emigrações, evasão de estudantes, professores e de pessoal técnico-administrativo, apresentam-se os dados da imprensa digital, específicos de determinadas universidades, ou mesmo informados genericamente. Ressalto que esses dados, que ecoam em todo o mundo, estão atravessados pelo caráter apologético da posição orgânica da direita; no entanto, não se desconsidera que parte seja verdadeira. Os excertos abaixo são de vários autores das Universidades Autônomas (LUZ, UC, ULA) e das Experimentais (UNERMB e UPTAEB), já citados acima, sobre esta temática, e da migración e deserción de professores e personal das Universidades: Deserción masiva de estudiantes, generada por la crisis económica que atraviesa Venezuela. Muchas familias ya no tienen ingresos para seguir costeando los estudios de sus hijos; muchos jóvenes han buscado trabajos diversos y dejado los estudios por esta… razón. También afecta 57
la enorme migración de jóvenes hacia países de Latinoamérica, los cuales han abandonado sus estudios universitarios sin haberlos culminado. De esta forma la matrícula universitaria ha descendido en más de un 50 % aproximadamente (…) (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018). Deserción masiva del personal docente y de investigación, profesionales, técnicos, administrativos y obreros, aunque en menor porcentaje que los estudiantes. En el caso del personal docente y de investigación, la migración hacia universidades de otros países del continente se produce en las áreas científico-técnicas y en el sector salud principalmente, tanto de profesores activos como jubilados (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018). La proporción de renuncias de profesores alcanza porcentajes superiores al 20 % de la actual planta docente, lo que unido a las jubilaciones (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018). Pérdida de varias generaciones de profesionales en todos los campos del conocimiento, con alta preparación y experiencia docente-investigativa, que será imposible sustituir en el corto plazo (salvo que regresen de nuevo al país). Particularmente la migración de profesores se desarrolla en las áreas más prioritarias para el desarrollo del país: ingeniería, ciencias básicas, salud, educación (SÁNCHEZ; PUENTES; MENESES et al., 2018).
Entretanto, as críticas de Cécil Pérez Sánchez também confirmam o problema da emigração, com argumentos referenciados na perda brutal da quantidade dispensada da força de trabalho: Estando en un proceso revolucionario de inclusión social y que pregona (y así se ha demostrado fehacientemente) Justicia, Equidad y Solidaridad como valores fundamentales, en el ministerio de Educación Universitaria se ha hecho lo contrario, reduciendo a la masa laboral, estimada en unos 300 mil trabajadores con incidencia en dos millones de venezolanos y venezolanas, a una situación de cuasi indigencia en materia salarial que también antes denunciamos (PÉREZ, 2019b).
Sobre a autonomia universitária das Universidades Nacionais Autônomas, pergunta-se: Para que autonomia, se os excertos abaixo expressam uma realidade de segregação, resultado em última instância, dos conflitos entre capital e trabalho? Outra questão emerge neste contexto: Há um equívoco teórico desde a Reforma Universitária de Córdoba, de 1908, sobre a diferença entra autonomia e soberania? As Universidades Públicas não têm status de soberania. A soberania nasce com o Estado-Nação, que deve garantir o direito de todos à educação universitária. A autonomia está sempre referenciada nos contornos normativos definidos, e que são, portanto, políticas de Estado. Para além desse argumento, o que existe e vem existindo, desde a promessa liberal de Escola Pública, Gratuita, Laica e Universal, tem sido a luta que a classe trabalhadora de todos os segmentos vem travando desde o século XIX, para que a promessa liberal se cumpra. Fato histórico inegável! Diante do quadro das emigrações, o governo Maduro recupera as cifras da Oficina de Planificación del Sector Uniersitario (OPSU), a respeito dos critérios nacionais de ingresso, antes do Governo Chávez até os dois primeiros anos do seu governo: De acuerdo con las cifras aportadas por el Ministerio del Poder Popular para la Educación Superior (MPPES), (2008), en las principales universidades oficiales, durante el periodo 58
1997-2000, entre el 99% y el 70% de los nuevos estudiantes inscritos provenían de los estratos I, II y III correspondientes al 20% de la población total venezolana, mientras que sólo en tre el 1% y el 30% de los estudiantes procedían de los estratos IV y V, correspondientes al 80% de la población, indicando que el sistema de ingreso a la educación universitaria, para ese primer periodo de la revolución, era excluyente (ALFONZO, SILVA, RADDATZ, 2016, p. 45).
Ingresso ao Sistema Nacional Universitário, de 1975 a 2007: Hasta el año 2007, inclusive, el ingreso a la EU venezolana se realizaba, principalmente, mediante tres modalidades: a) el Sistema Nacional de Selección y Admisión por el Consejo Nacional de Universidades/Oficina de Planificación del Sector Universitario, CNU-OPSU; b) las pruebas internas aplicadas por las universidades oficiales (…) El Sistema Nacional de Selección y Admisión es una modalidad oficial gubernamental que se creó en 1975 y fue instrumentada por el CNU-OPSU, con el fin de racionalizar el ingreso a la EU. La tesis fue dar a todos los aspirantes la oportunidad de demostrar la pertinencia de sus aspiraciones académicas con su vocación y aptitudes, para lo cual se fijaba un Índice Académico Mínimo que daba la posibilidad de que quedara un excedente de aspirantes por no reunir las condiciones mínimas de ingreso y no por falta de cupos (Comisión para la implementación de un Sistema Nacional de Selección y Admisión, 1978). Pero tal suposición se frustró, como consecuencia de la realidad nacional; es decir, el aumento de la demanda, en las últimas décadas, entre otras causas, ocasionó que la selección estuviera condicionada, exclusivamente, por el número de plazas disponibles en las Instituciones de Educación Universitarias (IEUs), ocasionando iniquidad en la admisión, lo cual tocaremos más adelante (ALFONZO, SILVA, RADDATZ, 2016, p. 46).
Os critérios adotados abaixo revelam a naturalização própria do pensamento e práticas classistas. Afinal, para a classe dominante a Universidade não pertence a todos e nem todos têm capacidade e aptidão. Son floros y mucho menos inteligentes! Em duas passagens a seguir, destaca-se a posição do autor Fuenmayor, com grifos nossos, que antes do governo Chávez emitia uma dura crítica à postura elitista das Universidades Autônomas, e hoje, como um intelectual orgânico da direita, critica a decisão da OPSU-SNI, que tenta romper com a segregação do acesso à Educação Universitária. a) En esta modalidad, se usaba como criterio de selección una combinación de una medida de la aptitud general del aspirante con las calificaciones promedios de sus estudios de bachillerato. En este sentido, se aplicaba una prueba de aptitud general denominada Prueba de Aptitud Académica (PAA), la cual estaba conformada por dos sub-pruebas: una de “comprensión de lectura” (componente verbal) y otra de “habilidad numérica”, aportando un 40% del denominado Índice Académico; es decir, un 20% por cada sub-prueba. Por otra parte, el 60% restante del mencionado Índice Académico, era dado por el promedio de las calificaciones de los cuatro primeros años del bachillerato. Ambas variables eran estandarizadas mediante una transformación de los puntajes a una escala T con una media aritmética de 50 y una desviación típica de 10. La selección de los aspirantes se basaba en su ubicación en una escala teóri ca de 20 a 80. El número de aspirantes seleccionados estaba determinado por el número de cupos de nuevo ingreso aprobado por las universidades y la posición ocupada por los aspirantes según su Índice Académico. Esto resultaba de un ingreso no mayor del 25% del número total de cupos de nuevo ingreso determinado por las universidades, aunado a que no todos los programas académicos de las diferentes IEUs recibían estudiantes con la misma proporción. Es destacable que en el año 1998, apenas llegó un 12.5% de los aspirantes recibidos por las uni 59
versidades a través de este mecanismo del universo total de nuevos ingresos (FUENMAYOR Y VIDAL, 2000, p. 273-291 apud ALFONZO, SILVA, RADDATZ, 2016, p. 47). b) La prueba interna impartidas por las universidades oficiales, es una modalidad de ingreso a la EU administrada por estas instituciones universitarias, que consistía en que el ingreso de los aspirantes se realizaba a través del cumplimiento de una serie de requisitos internos establecidos y regulados por las propias IEUs; de esta manera, a los aspirantes les era adjudicado un cupo según los resultados obtenidos en las denominadas pruebas internas que medían las habilidades verbal y numérica, el nivel de conocimientos específicos y la motivación del aspirante. Por esta vía ocurría la admisión a la EU de la mayoría de los aspirantes a nivel nacional, e incluso existían universidades cuya única vía de ingreso era ésta, ya que no aceptaban la admisión por la modalidad del Sistema Nacional de Selección y Admisión del CNU-OPSU, tal como ocurría con la Universidad Experimental Simón Bolívar. Cabe mencionar, que en estas universidades existen otras vías de ingreso, tales como las “Actas Convenios” (acuerdos internos entres los gremios y la autoridades rectorales de ese momento), aspirantes deportivos, artísticos, hijos de diplomáticos, etc., cuya proporción de cupos adjudicados era pequeña. Sin embargo, en los últimos años, el número de estos cupos adjudicados, por estas vías, ha ido en notable aumento, lo que llama a la reflexión y a una urgente revisión, debido al carácter privi legiado que reviste esta modalidad de ingreso: algunos pocos ocupan cada vez más plazas en las IEUs, y dando menos oportunidades de ingreso al resto de los aspirantes del país (ALFONZO, SILVA, RADDATZ, 2016, p. 48). c) Las pruebas internas por las universidades de gestión privada es otra modalidad de ingreso de los aspirantes, quienes estuvieron obligados a cumplir los mecanismos internos de admisión de cada institución, generalmente, mediante la realización de pruebas internas de carácter selectivo. Por supuesto, además, el aspirante debía disponer de suficientes recursos económicos para poder financiarse sus estudios. Es importante señalar que estos aspirantes estaban obligados a registrarse a la modalidad oficial gubernamental para la inscripción nacional y presentación de la PAA para poder optar al ingreso a la EU, independientemente de las modalidades o vías de ingresos existentes. Las dos primeras modalidades discriminan, socialmente, entre los individuos como producto de una mayor demanda de aspirantes en relación a la oferta de cupos por parte de las IEUs, por lo que resulta, obligatoriamente, que un significativo nú mero de aspirantes queden excluidos de la EU. Aunado a esto, se ha demostrado que las pruebas internas gestionadas por las IEUs discriminan mucho más que el propio Sistema Nacional de Selección y Admisión del CNU-OPSU, ya que la selección, por la vía de las pruebas internas, está fuertemente determinada por la condición socioeconómica, el tipo de plantel oficial o privado de proveniencia del aspirante y la zona geográfica de procedencia de los aspirantes (Fuenmayor y Vidal 2000; Fuenmayor, 2001; Fuenmayor, 2002). Finalmente, la tercera modalidad de ingreso, por las pruebas internas, de parte de las universidades de gestión privada es, claramente, discriminatoria porque depende, exclusivamente, de la condición socioeconómica del aspirante o de su familia para poder financiar sus estudios universitarios (ALFONZO, SILVA, RADDATZ, 2016, p. 48).
Assim se expressam, abaixo, os “amantes” da Democracia e da Liberdade, apoiadores de Juan Guaidó. O que propõem são políticas antipopulação, particularmente àqueles que ascenderam com o governo Chávez. Em razão da diminuição do peso do mérito no ingresso à universidade, estes acusam o governo Maduro de fazer demagogia e populismo. Desde el 2008 cuando el Consejo Nacional de Universidades CNU eliminó la Prueba de Aptitud Académica que permitía entrar en los centros de educación superior para estudiar 60
una carrera hasta el nuevo Sistema Nacional de Ingreso SNI establecido por la Oficina de Planificación Superior Universitaria OPSU, este año, mediante el cual se disminuye el peso del mérito académico, la finalidad es clara, “hacer demagogia y populismo con los estudios universitarios” en las instituciones educativas públicas 2019. (MULLER, 2015, grifos meus).
O ingresso se promove rompendo com a igualdade de oportunidades e tratando de forma desigual os desiguais. Essa política de ir à raiz da desigualdade de classe se transforma em uma terrível afronta às Universidades Públicas Nacionais Autônomas. […] El nuevo sistema modifica los porcentajes reduciendo a un 50% las notas, da el 30% al nivel socio económico del bachiller, brinda un 15% a la región donde cursó estudios el bachiller y un 5% a acciones extracurriculares. Lo que agrava la situación creada por el nuevo SNI es que el CNU dispondrá entre el 70% hasta el 100% de los cupos para entrar en las universidades públicas. Antes la OPSU disponía del 30% para utilizar entre los estudiantes registrados en la institución. A ello debe añadirse que de acuerdo con las autoridades universitarias el sistema es inauditable pues se desconocen las normas y métodos para proceder con la asignación (MULLER, 2015).
E insistem em confrontar a legalidade da Ley Orgánica de Educación (2009), que está no dispositivo caput, do Art. 6: “El Estado, a través de los órganos nacionales con competencia en materia Educativa, ejercerá la rectoria en el Sistema Educativo” (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2009. p. 5). Como señalan miembros de la Asociación Venezolana de Rectores Universitarios AVRU al aplicar otras variables en vez del promedio de notas y al suprimirse las pruebas de aptitud el rendimiento de los estudiantes universitarios ha tendido a bajar de manera alarmante. La presidenta de la AVRU, Cecilia García Arocha, aclaró que las casas de estudio mantendrán sus mecanismos de ingreso y que aún no han decidido si van a admitir o no a los seleccionados por la OPSU. “Bajo ningún concepto vamos a pisar el peine de convertirnos en los malos de la partida. Algunos de los jóvenes que vienen asignados por la OPSU tienen materias como castellano, biología y matemáticas exoneradas y nosotros queremos asegurar la prosecución del nivel académico” (MULLER, 2015).
E ainda, Desde 2014 SNI - privilegiando criterios no académicos en la decisión sobre el ingreso de estudiantes a las universidades. Como consecuencia de este sistema impuesto se amplió significativamente la brecha entre estudiantes con cupo asignado y estudiantes que, en efecto, consignaron los recaudos para formalizar su ingreso (QUINTANILLA, 2018).
Os voceros, lideranças das Universidades Nacionais Autônomas, não reconhecem a legalidade da LOE/2009, como se todo o debate – que gerou o inconformismo da direita, clamando nas manifestações a consigna “quiten las manos de nuestros hijos” –, ocorrido na Assembleia Nacional, em Consejos Comunales, Sindicatos e Federação de Professores, e com aprovação por maioria na própria Assembleia Nacional, fosse um mero libelo da Revolução Bolivariana.
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O profesor Tulio Ramírez, sentenció que entre 2004 y 2008 hubo “una desinstitucionalización del sector universitario”, caracterizada por la creación de nuevas instituciones controladas por el chavismo, la reforma de la Ley Orgánica de Educación (LOE) y el control del 100% de la asignación de cupos en las casas de estudio autónomas (KANCEV, 2018, grifos meus). La rectora de la Universidad de Carabobo, Jessy Divo de Romero, considera necesario que se denuncie ante la Fiscalía la nueva modalidad de ingreso a las universidades aprobada por el Consejo Nacional de Universidades, porque a su juicio ese organismo del poder público ha violado disposiciones constitucionales y de la Ley de Universidades. (FERMÍN, 2015).
As palavras proferidas pelo então presidente Hugo Chávez Frías, em 15 de fevereiro de 2006, ecoam em toda a pesquisa elaborada por membros da OPSU sobre o Sistema Nacional de Ingresso (SNI), e demonstram inequivocamente as armadilhas ideológicas que funcionam para que cada um, que não consiga ingressar nas Universidades Autônomas, sinta que o fracasso é seu e não da lógica meritocrática que o segrega; enfim da lógica da di visão de classes. […] reminiscencia del pasado, de la cuarta República, hay que terminar de limpiarlo, de desmontarlo; en el mismo Acto, el otrora ministro de Educación Superior, profesor Samuel Moncada, expresó que no hay posibilidad de que entren todos con ese sistema. Hay que cambiarlo, una de las primeras cosas que estamos pidiendo es la eliminación de la prueba interna que aplican las universidades (MPPCI, 2006). Además, el ministro Moncada manifestó que el cambio del sistema de admisión para ingresar a las universidades, era uno de los temas centrales de la discusión debido a su intrínseca injusticia, pues tan sólo 60 mil aspirantes eran admitidos al sistema de un total de 500 mil que solicitaban ingreso (ALFONZO, SILVA, RADDATZ, 2016, p. 49, grifos meus).
A “democracia” de classe da direita venezuelana, enraizada nas Universidades Nacionais Autônomas, desafia a Lei máxima da Educação daquele país e descumpre novamente o caput do Art.6, da LOE, que expressa claramente o papel da OPSU: El Estado, a través de los órganos nacionales con competencia en materia Educativa, ejercerá la rectoría en el Sistema Educativo (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2009, 5). La Sala Constitucional del TSJ ordenó, el 07 de julio de 2015, a las autoridades rectorales de estas universidades, respetar las asignaciones por el SNI, e instruyó, específicamente, a la Universidad Central de Venezuela (UCV) de abstenerse de actuaciones que estén en contra de los lineamientos del CNU y de la OPSU, puesto que esto conllevaría consecuencias jurídicas previstas por la legislación en caso de desacato (TSJ, 2015). Sin embargo, según datos de la OPSU, para abril de 2016, los rectores no han acatado, totalmente, tal sentencia, debido a que el porcentaje de inscritos en la población de bachilleres asignados por el SNI, de la OPSU, para los semestres o años académicos respectivos, ha sido bajo. Por ejemplo, la Universidad Simón Bolívar (USB); la Universidad De Oriente (UDO); Universidad de Carabobo (UC); La Universidad del Zulia (LUZ) y la Universidad Nacional Experimental del Táchira (UNET), no habían presentado los datos solicitados por la OPSU, mientras que la Universidad de Los Andes (ULA) fue del 28.7% y la Universidad Centroccidental Lisandro Alvarado (UCLA), había inscrito apenas el 45.1% de los asignados (ALFONZO, SILVA, RADDATZ, 2016, p. 57).
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Neste contexto de disputa ideológica para garantir ingresso universal a todos nas Universidades Públicas da RBV, as denúncias das elites venezuelanas sobre ausência de democracia, caem no vazio, pois há anos as Universidades Autônomas não cumprem o calendário de eleições e resistem em não cumprir a sentença do TSJ. Parece que a decisão política do Tribunal trata de tentar expor publicamente as irregularidades nas Universidades Nacionais Autônomas, por não realizarem as eleições nos prazos previstos pelas próprias Instituições. Assim, o Tribunal Supremo de Justicia (TSJ), mediante sentença nº 324, de 27/08/2019, impõe que cessem essas irregularidades, e que a autoridade máxima da UCV realize todos os encaminhamentos previstos, para que ocorram as eleições em todos os cargos eletivos, com prazo de seis meses para serem cumpridos. As críticas contra a decisão TSJ, por esses atores, que supostamente defendem a autonomia e a democracia, ocuparam grande espaço na imprensa e em las calles. Registro o “Pronunciamiento de las academias nacionales contra la inconstitucionalidad de un nuevo régimen electoral universitario y el cese de las funciones de las autoridades universitarias en fraude a la garantía constitucional de la autonomía universitaria” (BELLO, 2019). Tribunal Supremo de Justicia (…) (i) suspendió los efectos de los artículos 31, 32 y 65 de la Ley de Universidades, en franca violación de la autonomía universitaria […] […] Sin embargo, hoy la pretendida decisión No. 324 de 27 de agosto de 2019 de la ilegitima Sala Constitucional, con el pretexto de una motivación falsa, usurpó la autoridad de la Asamblea Nacional y alteró el artículo 109 Constitucional, dictando una medida cautelar de suspensión de efectos normativos de los aludidos artículos 31, 32 y 65 de la Ley de Universidades, sin que mediara petición al respecto de la nulidad ni de la suspensión de dicha normativa sobre el sistema electoral universitario vigente (BELLO, 2019).
Uma voz à esquerda expõe a crítica sobre o tema, cobrando do governo Maduro suas raízes populares: o professor Roberto López Sánchez. Pero también es cierta la grave situación jurídica de las universidades autónomas, cuyos procesos electorales están suspendidos por el TSJ y ya los rectores y decanos han cumplido el doble de tiempo para el cual fueron electos, y la cosa pica y se extiende.(…) El gobierno que surgió de la democracia participativa y protagónica no permite que esos derechos democráticos se ejerzan en sus universidades paradigmáticas, como la UBV y la Unefa (SÁNCHEZ, 2015).
Mas, a crítica à direita não reconhece que a Assembleia Nacional está em desacato, desde a decisão jurídica proferida pelo TSJ de remover os poderes da Assembleia Nacional da Venezuela, em 29 de março de 2017. Dessa forma, o Tribunal Superior de Justiça (TSJ) da Venezuela assumiu as atividades legislativas da Assembleia Nacional, em razão de irregularidades e fraudes eleitorais de três deputados do estado Amazonas, que seguem atuando no parlamento sem função parlamentar. Essa decisão do governo Maduro é parte do jogo de forças nesta guerra política para reafirmar sua decisão de governo legítimo e legal, como se vê: La decisión de la Sala Electoral del Tribunal Supremo de Justicia (TSJ) de fecha 27/08/2019 de imponer a la Universidad Central de Venezuela (UCV), la realización de elecciones para la escogencia de las autoridades universitarias, en un plazo máximo de seis me-
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ses, expresa una clara determinación del chavismo en concretar su hegemonía total sobre todas las instituciones del Estado que conservan su carácter de autónomas (PROVEA, 2019). Tal decisión del TSJ pretende imponer un reglamento electoral a la Universidad Central de Venezuela que es anticonstitucional e ilegal, pues violenta el artículo 109 de la Constitución Nacional y deroga olímpicamente los artículos 32,33, Y 65 de La Ley de Universidades que regulan la materia electoral en las instituciones de educación superior (PROVEA, 2019).
Há que esclarecer que pela posição ideológica dos apologetas da direita, de falsearem a realidade, omitem parte do Art. 109 da Constituição da RBV, que afirma que “Las universidades autónomas se darán sus normas de gobierno, funcionamiento y la administración eficiente de su patrimonio bajo el control y vigilancia que a tales efectos establezca la ley” (REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, 2000, p. 38 e 39). A Ley Orgánica de Educación (2009), estabelece em seu Art. 34, numeral 3, quem deve participar das eleições das autoridades nas Universidades Autônomas: “(...) profesores e profesoras, estudiantes, personal administrativo, personal obrero y los egresados y egresadas (...)”. Por essa razão, a UCV tentou impugnar no TSJ exatamente este artigo e seu respectivo numeral, mas não teve êxito. Portanto, a decisão jurídica deve ser cumprida, pois é a que está vigor, para além da discussão de que o TSJ substituiu ou não a Assembleia Nacional; trata-se do numeral 3, do Art. 34, citado no início do parágrafo, que amplia o caráter democrático das eleições nas Universidades Autônomas. Os vários autores do fragmento deste artigo abaixo, que pertencem às Universidades Autônomas (LUZ, UC, ULA) e às Experimentais (UNERMB e UPTAEB), parecem indicar uma posição crítica contra o Governo Maduro e também contra a tácita concordância das administrações das Universidades Autônomas, que están en componenda, para que não haja a realização de eleições para todas as autoridades; também os Sindicatos e os Grêmios Estudantis, seguem esta postura. Paralización absoluta de todos los mecanismos democráticos de participación de las comunidades universitarias en la conducción de cada institución. Mediante una componenda de facto entre gobierno y autoridades, las universidades autónomas no realizan elecciones para cuerpos rectorales y decanales desde hace una década. Las actuales autoridades fueron electas para un período de cuatro y tres años (rectores y decanos respectivamente), y ya se encuentran en su tercer y cuarto período consecutivo sin que se vislumbre ninguna propuesta de solución a esta irregularidad e ilegalidad que ha suspendido la democracia y aniquilado todos los espacios de participación dentro de las universidades (SÁNCHEZ, 2018). […] No existen espacios de participación democrática hoy en las universidades. No se reali zan desde hace una década las elecciones de rectores, decanos y tampoco de los principales gremios como FAPUV y FTUV (SÁNCHEZ, 2018).
E neste excerto abaixo, Sánchez, ao se referir às Universidades criadas a partir de 2003, demonstra seu preconceito, menosprezo e arrogância, colocando em xeque a capacidade acadêmica e administrativa dos reitores/reitoras indicado(a)s para rectorar essas Universidades. Cabe destacar que todas as Universidades Experimentais, mesmo antes do governo Chávez, não tinham o status de autônomas.
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En las universidades controladas por el gobierno la situación es peor, con autoridades impuestas que no reúnen requisitos mínimos para ser rectores y con relaciones laborales despóticas que imponiendo un pensamiento único proceden a despedir a todo docente que discrepe científicamente de las políticas del gobierno (SÁNCHEZ, 2018).
O reclamo da falta de autonomia de parte das Universidades Públicas da RBV e as contestações e manifestações – organizadas pela oposição orgânica de direita, nas Universidades Nacionais Autônomas, sobre o Sistema Nacional de Ingresso e a posição do TSJ quanto à exigência de eleições diretas na Universidade Central da Venezuela (Nacional e Autônoma) –, são parte de uma mesma tática constante de desestabilização para repercutir em nível local e internacional. Todos os excertos ou fragmentos de muitos autores e autoras, citados acima, que pertencem ao espaço da Educação Universitária Pública da RBV, sendo ou não partidários do governo, são parte das instituições do Estado. As evidências e os dados são muitos sobre as deficiências de orçamento, desdobram-se, como apontei acima, em outras mazelas no interior das universidades públicas. As condições de trabalho, precárias e insuficientes, promoveram a emigração e evasão de professores, estudantes e trabalhadores de todos os tipos de funções. Nesse emaranhado de complexa polarização de disputa política e ideológica, ganhou relevo a questão da autonomia das Universidades Nacionais Autônomas, quanto ao não cumprimento dessas Universidades, das regras do Sistema Nacional de Ingresso e, por último, pelas razões já mencionadas, da decisão do TSJ, para que a UCV cumpra com esta ordem judicial de realizar eleições diretas, em todos os níveis das autoridades universitárias, até 27 de fevereiro de 2020. O TSJ também definiu na Sentença nº 0324, a todas as outras dez universidades, se estiverem com os prazos de realização eleitoral vencidos, que o Conselho Nacional dessas Universidades deve propor um calendário para a sua realização. São elas: ULA, LUZ, UDO, UC, UCLA, UNEXPO, UNET, UPEL, UNA e USB. Tudo indica que estas universidades não cumprirão a decisão do TSJ, pois estando no final de janeiro de 2020, a “Asociación Venezolana de Rectores Universitarios Oposicionistas (AVERUO) no se han convocado los procesos electorales respectivos (…)” (PÉREZ, 2020).
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VII SOBRE AS SANÇÕES E OS BLOQUEIOS O exemplo do Chile, de Allende, quanto a intervenções, sanções, bloqueios e repressão econômico-social dos EUA e da direita interna, explicam uma grande parte da situação que a Venezuela vive depois de quase 50 anos. Neste sentido, Vijay Prashad, relembra as ordens de Nixon, orquestradas por Kissinger sobre como atuar no Chile, quando da vitória de Allende: El 15 de septiembre de 1970 el presidente de los Estados Unidos, Richard Nixon y el Asesor de Seguridad Nacional, Henry Kissinger, autorizaron al gobierno estadounidense a hacer todo lo posible para socavar al gobierno entrante del presidente socialista de Chile, Salvador Allende. Nixon y Kissinger, según las notas del director de la CIA, Richard Helms, querían «hacer que la economía gritara en Chile» y «no estaban preocupados [por los] riesgos involucrados». La guerra era aceptable para ellos siempre y cuando el gobierno de Allende fuera derrocado. (PRASHAD, 2019, p.1, grifos meus).
A citação acima nos remete à ditadura Militar mais sangrenta da América do Sul, e tudo indica que os EUA, independentemente de seu governante, aplicam nesse momento histórico, diferentes estratégias para agredir a Venezuela, para alcançar o mesmo objetivo, colocar as nações de “joelhos”. Importa esclarecer o caráter ilegítimo das Sanções Internacionais que impacta todos os setores da vida humana na Venezuela. É possível afirmar de acordo com Marco Tourinho, que a legitimidade, no caso dos EUA, foi aprovada internamente, pelo Congresso. O mesmo ocorreu na União Europeia. Mas são ilegítimas, explica o autor, mediante a necessária aprovação no Conselho de Segurança, onde Rússia e China não acompanharam a decisão dos outros membros: As sanções estão sempre em pauta porque são uma maneira eficaz e de baixo custo de mandar mensagem sobre alguma regra da comunidade internacional. Além disso, é uma decisão que pode ser tomada quase unilateralmente, com exceção do Conselho de Segurança da ONU [em que é necessária a aprovação de uma sanção por todos os membros] (RIVEIRA, 2017, grifos meus).
A ONU, Organismo Multilateral Internacional, de caráter humanitário, tem sido historicamente, desde a sua criação, um espaço interno de tensões nas suas diversas instân cias e Comissões. As tensões expressam sempre o embate entre as posições políticas hegemônicas e contra-hegemônicas ao capital. O Conselho de Direitos Humanos (CDH), formado pelo Comitê de Direitos Humanos, compõe-se de um corpo de especialistas independentes. De fato, isso não ocorre. Evidências mais recentes foram as Sanções unilaterais coordenadas politicamente pelos EUA, contra o Irã, a China a Rússia, a Coreia do Norte, e a Nicarágua (e Cuba, desde 1962). Nessa conformação política dos especialistas, notam-se perspectivas distintas quanto à Venezuela. O Relatório de Alfred Zayas, (2018), especialista independente para a Promoção da Ordem Internacional Democrática e Equitativa, publicado em 2013, não teve repercussão internacional. Zayas esteve na Venezuela e criticou duramente as Sanções unilaterais. 67
As restrições, que são ilegais, pois não foram endossadas pelo Conselho de Segurança da ONU, recaem mais pesadamente sobre as pessoas mais pobres da sociedade causando a morte por meio de escassez de alimentos e remédios, levando a violações dos direitos humanos e visando coagir a mudança econômica em uma “democracia irmã” (DRUMMOND, 2019). A Organização das Nações Unidas ignora até hoje [2 de março de 2019] o relatório sobre a situação da Venezuela apresentado em setembro [2018] pelo especialista independente sobre a Promoção da Ordem Internacional Democrática e Equitativa enviado pela própria instituição ao País sob bloqueio econômico dos Estados Unidos desde 2015. Primeiro emissário da ONU no país latino-americano em 21 anos, Alfred de Zayas acredita que suas conclusões não foram analisadas porque vão contra a narrativa dominante de que a Venezuela precisa de uma mudança de regime. Nem mesmo no Conselho de Direitos Humanos fez mais que breves considerações sobre o trabalho (DRUMMOND, 2019, grifos meus). “Quando eu afirmo que a emigração é em parte atribuível à guerra econômica travada contra a Venezuela e às sanções econômicas, as pessoas não gostam de ouvir isso. Eles só querem a narrativa simples de que o socialismo falhou e falhou com o povo venezuelano”, disse Zayas ao jornal britânico The Independent. [...] Zayas, [...] foi Alto Comissário do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas entre 1981 e 2003 e é especialista em legislação internacional (DRUMMOND, 2019). Em 23 de março de 2018, o Conselho de Direitos Humanos condenou medidas coercitivas unilaterais por 28 votos a favor, 15 contra e 3 abstenções porque as sanções econômicas podem causar morte, agravar crises econômicas, interromper a produção e distribuição de alimentos e remédios. Constituem um fator de pressão que gera a emigração e conduz a violações dos direitos humanos. O especialista menciona um exemplo: “A recusa da Colômbia em entregar remédios contra malária que haviam sido solicitados para combater um surto em novembro de 2017 na Venezuela, bem como a ausência de condenação da comunidade internacional, implica responsabilidade conjunta pelo agravamento da crise. Nesse caso, o medicamento anti-malária teve que ser importado da Índia (DRUMMOND, 2019, grifos meus).
Na mesma direção do Relatório de Alfred Zayas, o especialista independente indicado pelo Conselho de Direitos Humanos, Idriss Jazairy, em 08 de novembro de 2018, referindo-se às Sanções dos EUA ao Iran, critica de forma enfática as punições unilaterais daquele país. É possível afirmar que a sua manifestação alcança as Sanções contra a Venezuela. Há uma necessidade de que as diferenças entre Estados sejam resolvidas através de meios pacíficos, como defendido pela Carta da ONU, evitando expor civis inocentes a punições coletivas. Causar fome e doenças por meio de instrumentos econômicos não deveria ser aceito no século 21 (ONU-BRASIL, 2018; OFFICE OF THE HIGH COMMISSIONER FOR HUMAN RIGHTS, 2018).
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Como contraponto às análises acima, de especialistas independentes/ONU-Direitos Humanos, Michelle Bachelet, a alta-comissionada para os Direitos Humanos da ONU, esteve em visita à Venezuela, na segunda quinzena de junho de 2019. Participou de reuniões com ministros, com o presidente Maduro e líderes opositores. Posteriormente, em Genebra, Bachelet apresentou seu Relatório perante o Conselho que preside, denunciando graves acusações contra o Governo Maduro: […] numerosas violaciones y abusos de derechos humanos perpetrados por las fuerzas de seguridad y los colectivos armados progubernamentales, incluyendo el uso excesivo de la fuerza, asesinatos, detenciones arbitrarias, torturas y malos tratos en condiciones de detención, así como actos de amenaza e intimidación. (EL IMPARCIAL, 2019).
O governo Maduro, no entanto, contestou o referido Relatório de Michelle Bachelet, argumentando em 70 pontos 27, sua discordância e evidenciando a parcialidade da Alta Comissária da CDH, quanto a determinadas partes desse Relatório. O governo admitiu a presença de dois oficiais dos Direitos Humanos em solo venezuelano, concedendo acesso a todo o território, inclusive às prisões. No entanto, quase dois meses depois da visita à Venezuela, a própria Michelle Bachelet reconheceu as consequências nefastas das Sanções: “As sanções são extremamente amplas e fracassam em conter medidas suficientes para mitigar impacto sobre setores mais vulneráveis da população”, disse a alta-comissária. “Temo que isso terá implicações extensas especialmente sobre os direitos à saúde e à alimentação, em um país onde já há séria escassez de bens essenciais” (ONU-BRASIL, 2019b).
Já em 2020, com a mais grave crise sanitária desse século, os países sancionados unilateralmente pelos EUA, encaminharam uma carta ao Presidente da ONU, em março. Em abril, ele se pronunciou, mediante publicação do Relatório intitulado: “We are all in this Together: Human Rights and COVID-19 Response and Recovery” (GUTERRES, 2020). [...] Antonio Guterres pediu nesta quinta-feira (23/04) que sanções econômicas unilaterais sejam suspensas para que os países afetados por essas medidas coercitivas sejam capazes de enfrentar a pandemia do novo coronavírus (OPERA MUNDI, 2020).
Como o endurecimento das Sanções pelos Estados Unidos e União Europeia, em plena Pandemia, foi apresentado, em setembro de 2020, novo Relatório da CDH contra a Venezuela, denunciando inúmeros assassinatos extrajudiciais de 2015 a 2017. A Missão foi constituída por três especialistas independentes que, no Relatório todo, não mencionam as dificuldades e o esgarçamento social produzido pelas Sanções. A parcialidade, citada abaixo, torna-se grotesca quando omite todas as tentativas de invasão militar, de desestabilizações, de sabotagens promovidas de fora para dentro, com a cumplicidade e participação de Juan Guaidó e da direita
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Ver matéria sobre o Relatório, do jornal Brasil de Fato (RODRIGUES; NOGUEIRA, 2019), na qual Maduro contesta parte do Relatório de Michelle Bachelet. É oportuno dizer que não consegui o referido Relató rio em seu formato oficial. 69
golpista. E apesar de todos esses atos terem sido divulgados pela imprensa virtual e física em várias partes do mundo28. El Servicio Bolivariano de Inteligencia Nacional (SEBIN) tenía como objetivo identificado a la disidencia política y activistas de derechos humanos, así como a otros hombres y mujeres que se percibían como contrarios al Gobierno, mientras que la Dirección General de Contrainteligencia Militar (DGCIM) tenía como objetivo al personal militar y a personas civiles asocia das, presuntamente implicadas, en rebeliones o intentos de golpe de Estado (ACNUDH, 2020).
As críticas às Sanções, estampada na página “Outras Palavras” 29, encontram-se no Relatório “Economic Sanctions as collective punishment: The case of Venezuela”, dos economistas norte-americanos, Mark Weisbrot e Jeffrey Sachs (2019), que não pertencem à tradição da crítica da economia política e que, sem desconsiderarem as denúncias ao Governo Maduro, demonstram a faceta punitiva das Sanções que levam à morte parte população, tendo em vista seu impacto na economia-PIB da RBV, e apontam que haveria uma leve retomada da economia venezuelana se as sanções findassem. Segue abaixo excerto do documento do Center for Economic and Policy Research (CEPR) (Anexo V): Um estudo feito por Jeffrey Sachs e Mark Weisbrot para o Centro de Pesquisa Econômica e Política (Center for Economic and Policy Research), intitulado “Sanções como punição coletiva: o caso da Venezuela”, denunciou que o efeito combinado das sanções americanas de 2017 e de 2019, levam a projetar uma espantosa queda de 37,4% do PIB real da Venezuela em 2019, após uma queda de 16,7% em 2018 e de uma redução dos preços do petróleo em mais de 60% entre 2012 e 2016 (BENJAMIN; DAVIES, 2019). O impacto fatal das sanções é claríssimo na Venezuela, onde as punições econômicas já dizimaram uma economia que vinha se recuperando das quedas no preço do petróleo, da sabotagem da oposição, da corrupção e das más políticas governamentais. Um relatório anual conjunto sobre a mortalidade na Venezuela em 2018, feito por três universidades venezuelanas, concluiu que as sanções dos EUA foram as grandes responsáveis por pelo menos 40 mil mortes adicionais naquele ano. A Associação Farmacêutica da Venezuela reportou a falta de 85% dos medicamentos substanciais e básicos em 2018 (BENJAMIN; DAVIES, 2019).
Os Gráficos 01 e 02, abaixo, valida os excertos do Relatório acima, na medida em que apresentam os nomes e o percentual de cada país – responsáveis diretos pela situação da Venezuela.
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Ver os relatórios completos em: OPERA MUNDI, 2020 e ONU NEWS, 2020. Ver BENJAMIN; DAVIES, 2019. 70
GRÁFICO 01 – Medidas Coercitivas unilaterais por Estado ou grupo de Estados: 2014-2018
FONTE: REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, [2018 e 2020], p. 4.
GRÁFICO 02 – Tipos de medidas coercitivas unilaterais contra Venezuela 2014-2018
FONTE: REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA, [2018 e 2020], p. 6.
Os fundos da Venezuela, retidos e congelados por bancos internacionais, têm sua raiz na ilegitimidade das Sanções que ocorreram em 30 de abril de 2019 (Figura 01) e que perfaziam um total, em dólares, de 5.470.030.641 bilhões. Este valor, em euros, naquele momento equivalia a 4.883.083.944 bilhões (HINTERLACES, 2020).
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Figura 01 –Fundos da Venezuela retidos, congelados ou confiscados ilegalmente por bancos internacionais, em 30 de abril de 2019 (HINTERLACES, 2020).
Personagens como Juan Guaidó, Leopoldo López, Henrique Capriles Radonski, Corina Machado, Antonio Ledezma e outros, parasitas do capital rentista nacional, se apropriam das “doações” da USAID, resultantes dessa guerra híbrida e facínora contra o povo venezuelano. Depois da derrota de Trump nas eleições presidenciais americanas de 2020, apesar de todas as suas tentativas, clamando por fraudes dos democratas, o então presidente, no estertor de seu governo, em 04 de janeiro de 2021, por intermédio do Departament of the Treasury, Bradley T. Smith, Deputy Director, do Office of Foreign Assets Control, autoriza uma última regulamentação de uma sanção30. Essa medida expressa mais uma vez, a revanche que tem um “sabor amargo” contra o povo e o Governo Maduro, por não ter conseguido derrotar, executar e golpear a R.B.V. A nova regulamentação do Tesouro Americano, não reconhece as eleições democráticas da Asemblea Nacional de 06 de dezembro de 2020, reafirmando a legitimidade de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, e de forma extemporânea e truculenta, próprio dos impérios, somente reconhece a Asemblea Nacional de Venezuela instalada el 5 de enero de 2016, ao dar poderes, por meio da Oficina de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, em inglês), emitindo a Licença 31A, que autoriza transações financeiras realizadas por Juan Guaidó, ou por quem ele indique, para dispor, como queira(m), de todo o patrimônio pertencente à Venezuela, que foi sancionado e confiscado de forma ilegítima o está em poder do EUA31. O papel que caberá à oposição golpista na história futura da Venezuela será o de traidores da pátria, sustentados e apoiados financeiramente pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). A referida Agência, desde que foi criada no final da década de 1950, é um dos braços do Estado Americano, que tenta justificar aos olhos do mundo, sua face denominada oficialmente de humanitária (NOGUEIRA, 1999). Sempre vem à tona, no entanto, seu verdadeiro papel nas ingerências, invasões e gol30
Está havendo uma mudança de percepção do povo venezuelano como nos afirma Steve Ellner. “A medida que la administración Trump aumenta las sanciones y amenazas de acción militar, los venezolanos las rechazan cada vez más. La firma de opinión públicaHinterlaces publicó una encuesta en noviembre de 2017 que indica que el 72 por ciento de los venezolanos se opone a las sanciones, y otra en agosto de 2020 que muestra que la cifra había aumentado al 81 por ciento. Según esta última encuesta, el 80 por ciento de los venezolanos dice que el “papel de Estados Unidos ha sido negativo”(ELLNER, 2020). 31 Ver documento original do Tesouro Americano, mencionado, em: SMITH, Bradley T. 72
pes militares que ocorreram nos anos de 1960 a 1970 e ainda ocorrem na Venezuela e em outros países Latino-Americanos. Confirmam-se as informações que já haviam sido cogitadas em vários meios digitais: de que a suposta “Ajuda Humanitária”, estratégia usada para invadir militarmente a Venezuela, teve sua origem na USAID, e nos outros aparatos do Estado. Estampada em letras garrafais nos caminhões: “USAID from the American People”, preparou-se um show pirotécnico, em 23 e 24 fevereiro de 2019, entre a fronteira da Colômbia/Cúcuta com a Venezuela. Os que levavam a “Ajuda Humanitária” queimaram seus próprios caminhões, como foi confirmado pela imprensa contra-hegemônica. Mas, a mídia internacional, como parte do show pirotécnico culpou o governo Maduro, que, de fato, impediu a invasão militar norte-americana e de seus aliados, como Colômbia e Brasil. O Brasil, tem tido convenientes posturas ambíguas. Logo após este enfrentamento, a declaração pública do vice-presidente brasileiro na reunião do Grupo de Lima, em 25 de fevereiro, em Bogotá, sinalizou que o Brasil não participaria da invasão militar àquele país. Quase um ano depois, no dia 17 de janeiro de 2020, a Globovisión (televisão privada da Venezuela), no portal oficial da própria USAID, divulga a confirmação de que, por meio da ajuda humanitária, a USAID entregou 467 milhões de dólares a Juan Guaidó, desde 2017. […] Además, detalla que tras un acuerdo alcanzado en octubre de 2019, la USAID ha comprometido 128 millones de dólares para "ayudar" a Guaidó y la Asamblea Nacional "a seguir desarrollando planes para recuperar la economía e implementar servicios sociales durante una transición a la democracia" (GLOBOVISIÓN; LECHUGUINOS, 2020, grifos nossos). En el documento, publicado en diciembre, la agencia norteamericana reconoció también haber asignado fondos para "compensación, costos de viaje y otros gastos para algunos asesores técnicos de la Asamblea Nacional y la administración interina de Guaidó a través de fondos de asistencia" (GLOBOVISIÓN; LECHUGUINOS, 2020, grifos nossos). El informe, titulado "USAID en Venezuela", aclara que el organismo "no transfiere fondos" directamente a la administración de Guaidó, sino que "se otorgan de manera competitiva a organizaciones privadas a través de contratos, donaciones o acuerdos de cooperación". No obstante, no se detalla cuál fue el destino de los recursos (GLOBOVISIÓN; LECHUGUINOS, 2020, grifos nossos). Ya en septiembre del año pasado, la agencia estadounidense informó que entregaría 52 millones de dólares para apoyar al líder opositor, con el fin de "restaurar la gobernanza democrática" en el país sudamericano (GLOBOVISIÓN; LECHUGUINOS, 2020, grifos nossos). Recentemente, com o objetivo de tensionar a população venezuelana, publicou-se em, 25 de janeiro de 2020, uma suposta notícia falsa, em uma página da oposição. Tudo indica um Império acuado, e como um Estado do terror que acumula fracassos, ameaça novamente de invasão militar, a RBV, com o argumento de que o “perigo Maduro” se estende a todo o Continente, não só aos EUA. E mais, se justificaria a invasão, porque estaria na Venezuela, conforme a suposta notícia falsa, o maior traficante do mundo, Tareck El Aissami.
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La noche de ayer 25 de enero de 2020, Los Estados Unidos aprobaron una resolución para usar la fuerza militar en Venezuela. […] En una extensa reunión en el Pentágono, junto con varios líderes políticos y militares del país, el presidente Donald Trump anunció la decisi ón de aprobar el uso de la fuerza militar en Venezuela. […] Después de llegarse a un acuerdo, la reunión optó por categorizar al actual gobierno de Venezuela como un “Peligro para La estabilidad del continente” (MUNDO POLÍTICO, 2020). Indicó que se tomó esta decisión como medias humanitarias para frenar la gran pobreza, hambre y miseria que hace ya algunos años está azotando al país (MUNDO POLÍTICO, 2020). Además de estas razones, el presidente Trump dijo que los Estados Unidos tienen que intervenir en esta situación porque Venezuela aloja a uno de los Narcotraficantes más buscados del mundo, el cual es Tareck El Aissami (MUNDO POLÍTICO, 2020).
Toda essa política externa estadunidense relatada acima, de sanções, bloqueios, genocídios, torturas psicológicas e invasão, não causa estranhamento aos povos da América Latina e Caribe. Elliot Abrams, representante especial dos EUA para a Venezuela, é conhecido como um dos “arquitetos” das políticas de invasão estadunidense no Panamá, Guatemala, El Salvador e Nicarágua, na década de 1980. Ele declarou, em 20 de junho de 2019, ao Comité de Relaciones Exteriores de la Cámara de Representantes de los Estados Unidos, que é preciso conter o chavismo e, por esta razão, José Sant Roz, transcreve esta declaração e avisa: Prepárate Venezuela! "Esto de atacar al chavismo es sencillamente para nosotros una guerra de sobrevivencia y la imposición de una razón que debe prevalecer sobre las demás, porque de otro modo estaremos admitiendo y dando campo para que se nos destruya. ¿Imagínense, señores representantes, por un segundo que nosotros dejáramos gobernar a los chavistas sin ponerles trabas, sin hacerles la guerra, permitiéndoles hacer sus proyectos sociales sin tomar en cuenta nuestras empresas y socios, siendo que los valores nuestros han sido los suyos por casi dos siglos? Imagínense que le sigamos permitiendo tener toda clase de relaciones extrañas con todo ese mundo adverso a Estados Unidos, llenando a su pueblo de conceptos e ideas que van todos contra nuestros valores. Imagínenselo por un momento, señores representantes: esto conduciría a la debacle y a la perdición de la democracia en el hemisferio occidental, aquí mismo en nuestras entrañas. He ahí, la razón primordial por la cual ese tipo de régimen constituye una amenaza para la seguridad nacional de nuestro país, algo que ustedes lo deben saber muy bien. En esencia, de eso se trata la lucha que estamos librando contra este tipo de regímenes que pondrían en peligro nuestro propio destino, la paz mundial". Elliot Abrams recalcó en la Cámara de Representantes: "Nosotros, que somos los campeones de la democracia en el mundo, siempre hemos probado que el socialismo ha sido un fracaso en todos los lugares en donde ha tratado de imponerse, y por lo tanto no podemos permitir que en Venezuela eso sea la excepción. ¿Entonces vamos acaso a permitir que en Venezuela sea exitoso el socialismo, señores Representantes? ¿Pueden ustedes creer lo que eso provocaría en toda la región de América Latina?" Recalcó fehacientemente míster Elliot ante la cámara de Representantes: "¿Ustedes pueden imaginarse lo que representa construir tres millones de viviendas sin la participación de la empresa privada? ¿Cuál sería el destino de nuestro modelo si no intervenimos allí en los proyecto de salud o edu cación, en la formación de sus militares y en la adquisición de los elementos para su defensa?" En dos platos, aseveró Elliot Abrams ante el Comité de Relaciones Exteriores de la Cámara de Representantes…: ¿Vamos entonces a permitir que en ese país triunfe el socialismo, un sistema al que le hemos venido declarando la guerra desde que nos constituimos en democracia lí74
der del libre mercado? Elliot Abrams remató: "Por lo tanto, el que no esté con nosotros debe pasar por los más dolorosas privaciones, las más terribles inseguridades, las más penosas necesidades de todo aquello que durante tanto tiempo disfrutó teniéndonos por aliado y por el sos tén de sus costumbres, de sus hábitos y entretenimientos más preciados Cuando Salvador Allende tomó el poder, inmediatamente Henry Kissinger declaró al mundo que las nuevas acciones del gobierno de Chile serían del todo irresponsables. Que no se podía esperar nada bueno de un gobernante que no estaría en condiciones de acatar los consejos de Washington en política económica ni en política internacional. La prueba en este sentido que se le avecina a AMLO será definitiva para México (ROZ, 2019, grifos nossos).
As declarações Elliot Abrams são o espetáculo do horror, da ausência de humanidade, da amoralidade extrema e da covardia sem limites. O papel urgente, que a história impõe a todos os pensadores e militantes organizados, seria o de exterminar até as raízes, todos os Impérios!
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VIII CONSIDERAÇÕES FINAIS PROVISÓRIAS Na introdução da pesquisa apresentei a hipótese de que as sanções econômicas detalhadas na exposição do livro, oriundas principalmente do Estado Norte-Americano, da União Europeia, do Canadá e dos países que lideram o Grupo de Lima, como a Colômbia e o Brasil, são as responsáveis pela crise institucional geral que impacta o país e consequen temente as Universidades Públicas da RBV. A propósito, a hipótese se confirma, pois as Sanções e Bloqueios apresentadas desde 2015 fez reaparecer a face da pobreza, e da miséria material e cultural, nas complexas e conflituosas relações entre as Universidades Nacionais Autônomas, hierarquicamente organizadas pela lógica da meritocracia, base inegável das relações capitalistas, e as Universidades criadas pelo governo Chávez e pelo governo Maduro até o final de 2019. As Sanções e os Bloqueios não equalizaram as diferenças entre essas Universidades. Assim mesmo, arrisco-me a afirmar que essas universidades conceituadas e com um protagonismo acadêmico inequívoco, antes dos governos Chávez, foram perdendo a narrativa da naturalização do valor do mérito, pois no que chamavam de universidades paralelas e desqualificadas, não se impõem, até hoje, taxas ou propinas. Suas autoridades e grande parte dos professores fizeram uma escolha ao se aliarem aos golpistas em 2002, ao Paro Petrolero de 200/2003 e, por último, ao apoiarem Juan Guaidó e as Sanções econômicas. Desde lá, ao meu ver, passaram a fazer parte da cena política como mais uma organização partidária do antichavismo, do antibolivarianismo e da antiesquerda. Com o golpe e o Paro Petrolero que tentaram derrubá-lo do governo e do poder, Hugo Chávez, como excelente estrategista, capta politicamente que as Universidades Nacionais Autônomas, inicialmente, são inimigas do povo, e que o projeto de educação escolar gratuita, rumo à universalização nessas universidades, será boicotado. Por isso, cria, a partir de 2003, um conjunto de universidades, às quais Maduro dá seguimento, apesar das Sanções. As Revoluções populares que eclodiram na história da humanidade foram “cunhadas” e seladas por promessas de presença do povo na escola, assumindo sempre destaque e evidência, na composição política desses acontecimentos, o direito à educação escolar, guardada as devidas vertentes político-ideológicas, que motivaram essas conflagrações. A Revolução Bolivariana se coloca no mesmo patamar dessas revoluções populares. Mesmo em tempos neoliberais, na contramão da hegemonia do capital financeiro internacional, o governo Chávez implantou um projeto de democratização não só da educação escolar em todos os níveis, mas de todas as políticas públicas. Uma nova constituição de universidade pública nasce nesta trama social. Cria-se a Universidade Bolivariana da Venezuela (UBV) e a Missão Sucre, articuladas para pagar a dívida histórica da exclusão escolar. Este projeto educacional avança e o governo Bolivariano é reconhecido na América Latina como o segundo país a acabar com o analfabetismo. A UNESCO/ONU, em 2005, declara que a RBV conquistou, com a Misión Robinsón, o ser um “País livre do Analfabetismo”.
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Com mais uma derrota da direita, no Referendo Revocatório do mandato de Chávez, em 2004, e com consigna do Socialismo do Século XXI, lançado em 2005, por Hugo Chávez, no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, potencializa-se o clima do embate entre governo e oposição, ainda mais, em 2006, ano de eleições presidenciais. Chávez sai mais uma vez vitorioso com um percentual de 62, 84%. E mais, a participação de votantes foi de 75%, em um país em que não há obrigatoriedade do voto. O governo avança ainda mais no processo de democratização do acesso à Universidade com a criação da Misión Alma Mater, em 2009, e das Universidades Politécnicas Territoriais (UPT), que vão se organizar pedagogicamente para outro tipo de formação, ou seja, o da formação técnica em todas as áreas do conhecimento. Como resultado do avanço do Sistema de Ensino Universitário Bolivariano, a UNESCO divulgou que, no ano letivo de 2009/2010, a Venezuela ocupou o 5º lugar mundial e o 2º, na América Latina (atrás de Cuba, apenas), com taxa aproximadamente 2,5 vezes maior de acesso ao Ensino Universitário que a média regional, de 34%, naquele momento. Mais um dado internacional que respalda o projeto educacional bolivariano. Outro grande impacto negativo para as elites internas e para os EUA. O Governo Maduro parece apostar na contínua criação de Universidades, apesar das críticas mencionadas acima, em razão da situação da falta de recursos de que padecem as já existentes Universidades Públicas. Esta pode ser uma alternativa semelhante à realizada pelo governo de Fidel, em Cuba, no chamado Período Especial, guardada as diferenças substantivas entre RBV e Cuba. Com a pouca produção do Petróleo e o baixo valor desta commodity no mercado internacional, Maduro, em seu governo, criou treze UPT, sete sedes de Universidades Bolivarianas e uma Universidade Especializada. Há que destacar que, com todo o cerco e isolamento econômico contra a RBV, o país segue garantindo e ampliando a oferta gratuita ao ensino universitário e bolsas de Estudos, em convênio com a UNESCO/IESALC (Organización de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura / Instituto Internacional para la Educación Superior en América Latina y el Caribe), que tem sua sede em Caracas. Este é um fenômeno nunca visto, depois de Cuba. Parece-me importante destacar que mesmo antes do impacto das sanções e bloqueios econômicos às Universidades Públicas da RBV, já havia emergido a crise política como confronto ideológico entre as Universidades Autônomas e várias Universidades Experimentais, em relação às Universidades criadas pelos governos Chávez e Maduro. Principalmente as Universidades Nacionais Autônomas e a Universidade Católica Andrés Bello, de Caracas, operam um papel fundamental para tentar fortalecer todo o aparato, para manter Juan Guaidó como presidente autoproclamado, que tem um pífio respaldo popular na Venezuela, mas se mantém como presidente de uma Assembleia paralela-fake, reconhecida por Trump e União Europeia. Essa estratégia tenta preparar um caminho para outras tentativas de golpe interno, promovidas por diferentes desestabilizações, ou com uma nova invasão militar, para que Guaidó assuma ilegitimamente a presidência da República. De acordo com a hipótese, a explicação que mais se aproxima da realidade que vive a RBV, se fundamenta no pressuposto teórico-metodológico que examina a materialidade do processo de estrangulamento econômico-financeiro e monetário imposto pelas Sanções e Bloqueios, com efeitos e desdobramentos desastrosos na vida concreta das pessoas e nos espaços populares organizados, definidos pelo Estado ou para além e a despeito do Estado. Filiada ao pensamento crítico de que a materialidade se expressa no princípio do trabalho humano como força propulsora da reprodução da vida, ultrapassando o reino da necessidade para perseguir o reino da liberdade, se confirma a hipótese formulada, dentro 78
das condições objetivas dos instrumentos metodológicas que demarcaram os limites da análise. É certo que com outras ferramentas metodológicas virão a emergir novas contradições e mediações na relação entre as Sanções econômicas e as Universidades Públicas, nos governos Chávez e Maduro. Não há como negar fatos de ineficiências de gestão, tráfico de influência, enriquecimento pessoal, corrupção nas formas de câmbios, corrupção interna da burocracia interna e distorções como o fenômeno que emergiu com o grave desabastecimento de alimentos, remédios e insumos necessários à vida cotidiana. Parece-me que não se pode dissolver e apagar, “num passe de mágica”, em vinte anos, a cultura da sociedade venezuelana. A lógica capitalista em toda a sua crueza, se potencializa em nível exponencial nos últimos cinco, seis anos, com a decisão dos impérios, de destruição “a qualquer custo”, como afirmou Elliot Abrams, da experiência da Revolução Bolivariana, que ainda sobrevive no interior dos movimentos organizados em comunas e no movimento silencioso, de grande parte da população, de superar a fome, a falta de medicamentos, as longas filas de transporte público já escasso, a violência policial e a violência psicológica das desestabilizações. Todo este drama que vive a população pobre e a população empobrecida, chavistas ou não, é mostrado pelas câmeras, ao mundo, como um troféu, para acusar o “ditador” Maduro e não para responsabilizar as Sanções e os Bloqueios, que, de fato, produzem essas condições, que atravessam, também, as Universidades Públicas venezuelanas. Como a educação escolar e todo seu processo pedagógico compõe o campo da mediação, há outro campo que dirige e regula a mediação do ato pedagógico e da transmissão do conhecimento: seu presupuesto (orçamento). Com a economia em frangalhos, atinge-se a medula das Universidades: a vida acadêmica em todas as suas dimensões. A crítica à esquerda do governo Maduro tem posições firmes quanto à ausência de alternativas para a resolução dos problemas básicos por que passam todas as universidades públicas, no que diz respeito ao não enfrentamento das diferenças orçamentárias entre as cinco Universidades Nacionais Autônomas e as seis Experimentais tradicionais e em relação a todas as Universidades Bolivarianas, às Universidades Politécnicas Territoriais e às Universidades Especializadas. A relação orçamento versus percentual de estudantes tem um dado alarmante. As Universidades Nacionais Autônomas detêm 70% do orçamento total de todas as Universidades e têm apenas 20% dos estudantes. E, mais, a Universidade de Zulia, no estado homônimo, tem um orçamento maior que três estados: Barinas, Mérida e Trujillo. A Asociación Venezolana de Rectores Universitarios Oposicionistas (AVERUO), que detém a maior quantidade de recursos, não executa, até o final do ano, todo o orçamento remanescente e mais os créditos adicionais. No entanto, os professores e trabalhadores em geral destas Universidades enfrentam a deterioração da atenção à saúde, a emigração e eva são de professores e estudantes, e problemas de infraestrutura, como falta de água. Ainda sobre a crítica à esquerda do governo Maduro são elas as únicas que apontam soluções concretas para resolver a defasagem salarial grandíssima dos trabalhadores universitários como: Elevar los sueldos y las escalas salariales a 7 sueldos mínimos [...] Liberar los ingentes recursos que hay en los fondos de jubilaciones que las universidades tienen represados en bancos... Dichos recursos deben ser usados para las políticas de salud de los universitarios (PÉREZ, 2019c). Mas, também, a crítica à esquerda que se autodenomina chavistas, bolivarianos e socialistas admitem que o governo Maduro tem realizado um esforço supremo para obter recursos, para manter e ampliar as políticas sociais, para proteger o povo venezuelano, como com a distribuição das Caixas CLAP, que estão nestes últimos meses de 2019 e 2020, sendo distribuídas sem interrupção. Mas, a hiperinflação comandada pelo dólar Today “da mão invisível” co79
mandada pelos especuladores, segue seu caminho, de destruição da economia venezuelana, colocando em risco a vida de milhões de pessoas. Na Venezuela não há inação, ausência de ação, e de sujeitos políticos que perderam sua capacidade organizativa ao se encapsularem no individualismo que mata a razão do ser, como político. Quando estes sujeitos se identificam com Chávez e o chavismo, ainda existem sujeitos dotados dessa capacidade de ser político, tanto en la Comuna Socialista Altos de Lídice, como em outros muitos personagens anônimos que persistem, fazendo história, apesar de todas as tentativas de esgarçamento do tecido social para derrubar o Governo legal e legitimamente eleito. As sementes do povo organizado será realidade, com a retomada da integração dos povos latino-americanos e caribenhos, promovida, na década passada por Lula, Néstor e Cristina Kirchiner, Evo Morales, Rafael Correa, Fidel Castro e Hugo Chávez!
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ANEXOS
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ANEXO B - A trajédia na Venezuela
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Anexo C – Líneas generales del plan de desarrollo económico y social de la nación 2007-2013
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ANEXO S - Contrato SilverCorp. USA. Inc. (Service Provider)
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CONTRATO SILVERCORP https://albaciudad.org/wp-content/uploads/2020/05/Anexos-Contrato-SilverCorp-41-paginasespanol.pdf Acesso em 03 ago. 2020
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ANEXO T - Brasil y EEUU sellan alianza y se enfocan en Maduro El presidente de Brasil, Jair Bolsonaro, asistió este domingo en Miami a la firma de un acuerdo militar con Estados Unidos, que, según el jefe del Comando Sur (Southcom), Craig Faller, va a ayudar a enfrentar regionalmente amenazas como la que supone la crisis de Venezuela. “Es un acuerdo histórico”, dijo Faller, quien recibió a Bolsonaro en la sede del Southcom, en Doral, una ciudad vecina a Miami habitada mayoritariamente por venezolanos. Bolsonaro, que el sábado se reunió con el presidente de Estados Unidos, Donald Trump, en Palm Beach, es el primer presidente de Brasil que visita el Southcom, la institución responsable de las operaciones militares de EEUU en Latinoamérica y el Caribe. En la ceremonia quien habló en representación del Gobierno brasileño fue el ministro de Defensa, Fernando Azevedo e Silva, quien además fue el firmante del Acuerdo de Investigación, Desarrollo, Prueba y Evaluación (RDT&E). Bolsonaro y Azevedo se reunieron con Faller y otros militares estadounidenses antes de la firma para tratar de “las oportunidades y amenazas” regionales y de “cómo trabajar juntos”. El RDT&E suscrito hoy, que debe ser ratificado por los Congresos de los dos países para su entrada en vigor, facilitará la apertura del mayor mercado de defensa del mundo para la industria brasileña. Así, Brasil podrá recibir artículos excedentes de defensa y se beneficiará con la organización de maniobras conjuntas con Estados Unidos. CONTRA MADURO. Bolsonaro regresó a Miami después de haber participado en una cena de trabajo con Trump en el club Mar-a-Lago, en Palm Beach, con una agenda en la que, según fuentes de la Casa Blanca, estaban incluidos temas comerciales, militares y, principalmente, la crisis venezolana. “Brasil lo ama y Estados Unidos lo ama”, dijo Trump al recibirle en su mansión y a la vez club privado en Palm Beach. Un alto funcionario de la Casa Blanca anticipó a la prensa que ambos mandatarios iban a abordar la “maximización” de la presión al “estado narco” de Nicolás Maduro. Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul Para mais informações visite a nossa página: www.camara.leg.br/representacaomercosul 40 Según esa fuente, la presión está “rondando por el 60%” y se va a incrementar en marzo al “máximo” en alianza del Gobierno de Colombia y el resto de los miembros del Grupo de Lima, “para lograr la democracia” en Venezuela. “En los próximos días y semanas, habrá una escalada hacia la presión máxima que buscamos”, enfatizó. Fonte: <https://www.ultimahora.com/brasil-y-eeuu-sellan-alianza-y-seenfocan-maduron2873896.html> Acesso em 10 mar. 2020 file:///C:/Users/HP/Downloads/09mar2020.pdf
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É REINALDO CARVALHO
José Reinaldo Carvalho Jornalista, editor internacional do Brasil 247 e da página Resistência: http://www.resistencia.cc Governo Bolsonaro quer ir à guerra contra a Venezuela "O texto da Nova Política de Defesa será oficialmente apresentado ao Conselho de Defesa, em reunião no Palácio do Planalto, com a presença dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, e, em seguida, enviado ao Congresso, no próximo dia 22. Vale uma interpelação parlamentar, um amplo debate sobre o tema, a contestação das diretrizes belicistas que contém e a mobilização da sociedade em nome da paz", escreve o jornalista José Reinaldo Carvalho, editor internacional do Brasil 247 16 de julho de 2020, 11:58 h Atualizado em 16 de julho de 2020, 14:55 2.8K 99 Por José Reinaldo Carvalho, do Jornalistas pela Democracia - O Brasil foi surpreendido nesta quinta-feira, 16 de julho, com a notícia de que o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro e as Forças Armadas estão elaborando uma nova política de defesa que incorpora a possibilidade de guerra contra países vizinhos. O texto não menciona o alvo, mas o contexto demonstra que se trata de uma trama, mancomunada com o imperialismo estadunidense, para atacar a Venezuela. Trata-se de uma mudança chocante de orientação, porquanto documentos anteriores elaborados sob a coordenação do Ministério da Defesa traçando linhas para a atuação das armas nacionais, suas relações com a política externa e os objetivos permanentes do Estado nacional - documentos que no período dos governos progressistas se aperfeiçoaram como peças democráticas e expressão da soberania - foram concebidos com uma visão defensiva e solidária com o entorno geográfico do Brasil. Ressalvadas algumas situações históricas peculiares, em que vigoraram concepções militares de aliança com o inimigo da pátria, vinculação com a Escola das Américas estadunidense e a visão de segurança hemisférica e guerra fria, a tradição brasileira sempre foi a defesa da paz na região, sobretudo na América do Sul. Nos tempos republicanos, em apenas uma ocasião, em 1965, o Brasil praticou o desonroso ato de enviar tropas a outro país, a República Dominicana, obedecendo aos desígnios dos 248
Estados Unidos. Pouco mais de uma década antes, houve a tentativa malograda de enviar tropas à guerra na Coreia, o que suscitou uma campanha nacional em sentido contrário, dirigida pelo Partido Comunista do Brasil. Em tempos mais recentes, quando as preocupações estratégicas e militares incorporaram também um sentido de coordenação externa, o signo era positivo e progressista. Foi quando o Brasil se somou ao apelo de nações fraternas do subcontinente e constituiu, em 15 de dezembro de 2008, o Conselho de Defesa Sul-Americano, na cúpula extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Aquele Conselho foi auspiciado também pela Venezuela chavista. Oficialmente, foi brasileira a proposta de sua criação, após o exame com a Venezuela e outros parceiros de variantes como por exemplo a Organização do Tratado do Atlântico Sul (Otas), uma das propostas em debate, para caracterizar o antagonismo com o braço armado do imperialismo, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Meses antes, em abril de 2008, em visita à Venezuela bolivariana, o então ministro da Defe sa do Brasil, Nelson Jobim, disse que o Conselho Sul-americano de Defesa, "se limitará à integração em temas de defesa e não assumirá um caráter militar operacional na solução de conflitos". (BBCBrasil). "Segundo Jobim" - prossegue o despacho da jornalista Claudia Jardim para a BBCBrasil "o projeto não destoa da proposta do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que propunha a criação de uma Organização do Tratado do Atlântico Sul (Otas) para servir de contraponto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)". “Não há nenhuma pretensão operacional neste Conselho, e sim a necessidade de uma integração em questões de treinamento e de um conselho integral de defesa”, disse Jobim. A informação é preciosa também para lembrar o espírito de independência que animava a proposta: “Não temos nenhuma obrigação de pedir licença para os Estados Unidos para fazer isso”, afirmou o ministro. Um mês antes da visita à Venezuela, onde o ministro brasileiro se reuniu longamente com o Comandante revolucionário Hugo Chávez, o secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, questionou Jobim sobre como os Estados Unidos poderiam contribuir com o Conselho. O ministro civil brasileiro respondeu: "por enquanto, a colaboração que os senhores podem fazer neste momento é ficar à distância''. Talvez por isso, os generais que participaram da cogestão do golpe de 2016, respaldaram o governo Temer e hoje mantêm relação simbiótica com o governo de extrema direita de Bolsonaro nunca tenham dado importância ao Conselho Sul-americano de Defesa e prefiram nomear oficiais de alta patente para o Comando Sul estadunidense, com soldo pago aqui. Na semana passada, o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, disse que “nova mente, brasileiros pagando para um general brasileiro vir aqui e trabalhar para mim para fazer diferença em segurança” (Folha de S.Paulo) . Mas isto é outra história. O que importa discutir aqui e agora é o sentido da mudança operada na Política Nacional de Defesa e a ameaça velada de guerra à Venezuela. É uma mudança importante também se temos em consideração os princípios da política de paz adotados pela Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), à qual o Brasil não somente aderiu como foi um dos artífices de sua criação. Em 29 de janeiro de 2014, o Brasil foi signatário da Declaração de Havana, na Segunda Cúpula da Celac, como se pode constatar nos arquivos do Itamaraty. No ponto 53 da Declaração escreve-se: "Nos comprometemos a seguir trabajando para consolidar a América Latina y el Caribe como 249
Zona de Paz, en la cual las diferencias entre las naciones se resuelvan a través del diálogo y la negociación u otras formas de solución pacífica establecidas en el Derecho Internacio nal". Os comandos castrenses ainda não tinham transposto o Rubicão de propor oficialmente a associação do Brasil a aventuras militares dos EUA, como fazem subliminarmente agora com a nova Política Nacional de Defesa. Foi a partir da campanha eleitoral de 2018 e depois da posse de Bolsonaro, que o Brasil passou a visar a Venezuela como alvo de eventual intervenção militar. No início de seu governo, Bolsonaro e seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se expuseram ao ridículo de participar de uma contrafação de entrega de ajuda "humanitária" à Venezuela, em conluio com a embaixada estadunidense e representantes do golpista Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino do país bolivariano. Araújo apequenou o Itamaraty indo pessoalmente até a fronteira, participando da ação. Aqueles dias tensos estão frescos em nossa memória e ainda soam fortes as ameaças dos bolsonaristas de intervir militarmente no país vizinho, a que oficialmente o Exército se opôs. Naquela altura, os militares brasileiros sopesaram a situação. Olharam para o outro lado e perceberam que, embora vivendo uma situação socioeconômica difícil decorrente das sanções e boicotes, a Venezuela não descuidou da sua Defesa e dispõe de capacidade de combate. Os comandantes do Exército brasileiro devem ter considerado também as consequências nefastas de um esforço de guerra para a economia e a estabilidade nacional. Logo depois do malogro da operação "ajuda humanitária", o principal representante brasileiro na reunião do Grupo de Lima realizada em Bogotá em fevereiro de 2019 para discutir a questão venezuelana, não foi o chanceler Araújo, mas o general vice-presidente Hamilton Mourão, que mesmo defendendo uma linha política antidemocrática favorável à derrubada de Maduro, opôs-e à participação do Brasil em ações intervencionistas na vida política interna venezuelana, o que torna ainda mais chocante a formulação agora proposta para a Política Nacional de Defesa. O texto dessa nova política será oficialmente apresentado ao Conselho de Defesa, em reunião no Palácio do Planalto, com a presença dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, e, em seguida, enviado ao Congresso, no próximo dia 22. Vale uma interpelação parlamentar, um amplo debate sobre o tema, a contestação das diretrizes belicistas que contém e a mobilização da sociedade em nome da paz. O imperialismo estadunidense está em plena ofensiva continuada para golpear a Venezuela, derrocar seu governo por meio de um golpe ou mesmo da intervenção armada. O Brasil não pode nem deve associar-se a isto. No mês de maio, os EUA enviaram mercenários à costa venezuelana. Em junho, realizaram uma operação militar naval nas águas territoriais venezuelanas a pretexto de combate ao narcotráfico. Durante esta semana, está em curso nova operação naval nas proximidades do litoral da Venezuela, com a alegação de defender a "liberdade de navegação" e prosseguir a caça a narcotraficantes. No último sábado (11), o presidente estadunidense Donald Trump, em pronunciamento na Flórida, disse que "algo muito sério vai acontecer na Venezuela e os EUA estarão muito envolvidos". O titular da Casa Branca também anatematizou o governo bolivariano como um "sistema horrível" e avisou que continuará apoiando líderes golpistas. Decerto, os Estados Unidos continuarão sua saga inglória de intentos de liquidar a revolu ção bolivariana. Este é o fio da história desde 1998, quando Chávez venceu a primeira elei250
ção presidencial. Em 2002, os EUA instrumentalizaram o golpe de abril; na sequência e até 2003 insuflaram o "paro petrolero"; em 2004, depositaram esperanças no referendo revogatório; em todas as eleições presidenciais apostaram em candidatos da oligarquia e submissos a Washington; em 2014, promoveram as "Guarimbas"; em 2015 o presidente Obama emitiu uma ordem executiva sancionando o país sob a alegação de que representava uma "ameaça inusual à segurança nacional dos EUA". Desde o início de seu mandato Trump se ocupa em examinar "todas as opções à mesa". Já se vão mais de 20 anos desde que este pedaço da história começou. Tempos de uma en carniçada resistência, que foi nutrida por patriotismo, unidade, espírito de luta do povo, internacionalismo latino-americano e preparação militar. Um pedaço da história, apenas um pedaço, que deita raízes longevas, no início do século 19, quando Simón Bolívar levantou sua espada. Com certeza, a Escola Superior de Guerra e as academias militares ensinam esta história. Mestres e alunos fardados sabem que a liderança venezuelana é constituída de gente desta estirpe, que caracterizou também figuras como José de Francia e Solano López. Com a única diferença de que a Venezuela do século 21 não é o Paraguai de 1870. Fonte:<https://www.brasil247.com/blog/governo-bolsonaro-quer-ir-a-guerra-contra-avenezuela> acesso em: 20 jul. 2020
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ANEXO U – Economic Sanctions as Collective Punishment: the case of Venezuela
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1a Edição
Dezembro de 2020
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