ENSAIOS FILOSÓFICOS JOÃO PAULO T. DIAS
ENSAIOS FILOSÓFICOS
João Paulo Tadeu Dias
ENSAIOS FILOSÓFICOS 1a Edição Eletrônica
Uberlândia / Minas Gerais Navegando Publicações 2019
Navegando Publicações
www.editoranavegando.com editoranavegando@gmail.com Uberlândia – MG, Brasil
Copyright © by autor, 2019.
J74 – Dias, João Paulo Tadeu. Ensaios filosóficos. Uberlândia: Navegando Publicações, 2019.
ISBN: 978-65-81417-02-4 10.29388/978-65-81417-02-4 1. Filosofia. I. João Paulo Tadeu Dias. II. Navegando Publicações. Título. CDD – 100 CDU – 10 Revisão: Lurdes Lucena
Índice para catálogo sistemático Filosofia
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Navegando Publicações
www.editoranavegando.com editoranavegando@gmail.com Uberlândia – MG Brasil
Editores Carlos Lucena – UFU, Brasil José Claudinei Lombardi – Unicamp, Brasil José Carlos de Souza Araújo – Uniube/UFU, Brasil
Conselho Editorial Multidisciplinar
Pesquisadores Nacionais
Pesquisadores Internacionais
Afrânio Mendes Catani – USP, Brasil Anselmo Alencar Colares – UFOPA, Brasil Carlos Lucena – UFU, Brasil Carlos Henrique de Carvalho – UFU, Brasil Cílson César Fagiani – Uniube, Brasil Dermeval Saviani – Unicamp, Brasil Elmiro Santos Resende – UFU, Brasil Fabiane Santana Previtali – UFU, Brasil Gilberto Luiz Alves – UFMS, Brasil João dos Reis Silva Júnior – UFSCar, Brasil José Carlos de Souza Araújo – Uniube/UFU, Brasil José Claudinei Lombardi – Unicamp, Brasil José Luis Sanfelice – Unicamp, Brasil Lívia Diana Rocha Magalhães – UESB, Brasil Mara Regina Martins Jacomeli – Unicamp, Brasil Maria J. A. Rosário – UFPA, Brasil Newton Antonio Paciulli Bryan – Unicamp, Brasil Paulino José Orso – Unioeste – Brasil Ricardo Antunes – Unicamp, Brasil Robson Luiz de França – UFU, Brasil Valdemar Sguissardi – UFSCar – (Apos.), Brasil
Alberto L. Bialakowsky – Universidad de Buenos Aires – Argentina. Alexander Steffanell – Lee University – EUA Ángela A. Fernández – Univ. Aut. de St. Domingo – Rep. Dominicana Antonino Vidal Ortega – Pont. Un. Cat. M. y Me –, Rep. Dominicana Carolina Crisorio – Universidad de Buenos Aires – Argentina Christian Cwik – Un. of the W. I., St.Augustine – Trinidad & Tobago Christian Hausser – Universidad de Talca – Chile Daniel Schugurensky – Arizona State University – EUA Elizet Payne Iglesias – Universidad de Costa Rica – Costa Rica Elsa Capron – Université de Nimés / Univ. de la Reunión – France Elvira Aballi Morell – Vanderbilt University – EUA. Fernando Camacho Padilla – Univ. Autónoma de Madrid – Espanha Francisco Javier Maza Avila – Universidad de Cartagena – Colômbia Hernán Venegas Delgado – Univ. Autónoma de Coahuila – México Iside Gjergji – Universidade de Coimbra – Portugal Iván Sánchez – Universidad del Magdalena –Colômbia Johanna von Grafenstein, Instituto Mora – México Lionel Muñoz Paz, Universidad Central de Venezuela – Venezuela Jorge Enrique Elías-Caro – Universidad del Magdalena – Colômbia José Jesus Borjón Nieto – El Colégio de Vera Cruz – México José Luis de los Reyes – Universidad Autónoma de Madrid – Espanha Juan Marchena Fernandez – Universidad Pablo de Olavide – Espanha Juan Paz y Miño Cepeda, Pont. Univ. Católica del Ecuador – Equador Michael Zeuske – Universität Zu Köln – Alemanha Miguel Perez – Universidade Nova Lisboa – Portugal Raul Roman Romero – Univ. Nacional de Colombia – Colômbia Ronny Viales Hurtado – Universidad de Costa Rica – Costa Rica Rosario Marquez Macias, Universidad de Huelva – Espanha Sérgio Guerra Vilaboy – Universidad de la Habana – Cuba Silvia Mancini – Université de Lausanne – Suíça Teresa Medina – Universidade do Minho – Portugal Tristan MacCoaw – Universit of London – Inglaterra Victor-Jacinto Flecha – Univ. Cat. N. Señora de la Asunción – Paraguai Yoel Cordoví Núñes – Instituto de História de Cuba v Cuba
DEDICATÓRIA Dedico este livro a minha irmã, Maria Janeth Dias (representando a família) pelo apoio, carinho e ensinamentos durante a vida.
PREFÁCIO O livro vem trazer novas vertentes e ou facetas de assuntos diversos, reunidos nesses pequenos “Ensaios Filosóficos” de maneira bastante singular, mostrando e discutindo pequenas lembranças, reflexões e pensamentos sobre os assuntos mais variados e corriqueiros da vida cotidiana. Não objetivo levar ao leitor a uma e definitiva conclusão, mas sim, força-lo a raciocinar e tirar suas próprias conclusões de acordo com as informações fornecidas e sua própria história de vida, suas experiências, costumes e cultura.
SUMÁRIO OBJETIVO CENTRAL DA OBRA
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NOTA AOS CARÍSSIMOS LEITORES E LEITORAS
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NAMASTÊ
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VOSSA MERCÊ
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MEMÓRIAS DE UM AGRICOLINO
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UM ETERNO INSATISFEITO
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NIRVANA
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FIOS DO MESMO TECIDO
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OPORTUNIDADE E ESCOLHA
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LEMBRAR DE MIM
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INTO YOUR EYES
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HYMN TO GOD
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AMOR
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CAMINHANTE E O CAMINHO
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NÃO ME DEIXE - NE ME QUITTE PAS
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QUOI DE NEUF
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METTRE LES VOILES
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AS QUATRO FASES DA ORAÇÃO
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A HERMENÊUTICA DAS COISAS
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SABER E SABOR
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MEDO, COMPAIXÃO E ESPERANÇA
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QUALIDADE VERSUS QUANTIDADE
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ESTADO DE CONSCIÊNCIA
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TO LOVE AND TALK
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COMPROMISSO E JURAMENTO
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PERTENCIMENTO E DOAÇÃO
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PRIORIDADE E TEMPO
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SER E ESTAR
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COM VOCÊ
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PERFECTUM
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FELICIDADE EPISÓDICA
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SERVIDÃO LABORAL VOLUNTÁRIA
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CERTA VEZ
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DÚVIDAS E ESCOLHAS
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WHAT’S REALLY MATTERS
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SABEDORIA E IGNORÂNCIA
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AMIZADES
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CORRUPÇÕES
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DIZERES
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EPITÁFIO
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RITOS FINAIS
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REQUIEM
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ENSAIOS
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OBJETIVO CENTRAL DA OBRA O objetivo geral e central da obra é abordar, levantar, reunir, ponderar e discutir sobre os mais diversos assuntos do dia a dia, contribuindo com o leitor de forma a favorecer um pensamento crítico-construtivo das diferentes temáticas que permeiam a vida cotidiana. Os “Ensaios Filosóficos” têm a premissa de reunir pensatas, ditos, textos ou ensinamentos clássicos ou consagrados pelo uso em diversos textos de forma a reforçar, corroborar, negar e até contradizer informações corriqueiras, dizeres e ditados populares e convidar o leitor a repensá-los de uma forma nova e talvez inesperada. Tais textos e pensamentos filosóficos devem ser olhados e abordados sob nova óptica de maneira a encontrarmos algo diferente e produtivo intelectualmente. João Paulo T. Dias
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NOTAS AOS CARÍSSIMOS LEITORES E LEITORAS Escrevi e escrevo para meu próprio intento e deleite, além de um ou outro amigo que possa se interessar. Longe de mim ter a pretensão de deixar algo escrito à posteridade, digno de cuidado e atenção. Entretanto, trago dúvidas e questionamentos, reflexões e ponderações sobre os mais diversos assuntos. Lamento e, de antemão, me desculpo se os vês fúteis, descabidos e sem importância. “Mea culpa!” Caso isso acontecer, lembre-se que meu objetivo foi estimular o interesse e pensamento sobre tais temáticas. Todavia, são um pouco de ideias que trago comigo, minhas experiências e vivências, boas ou ruins, mas genuinamente simples e puras. Escrevo e torno público esses dizeres sem significâncias para alguns, no entanto, singelos e sutis em determinados assuntos, que traduzem uma maneira de pensar. Levanto temas do dia a dia, corriqueiros, importantes e interessantes para deixar o (a) leitor (a) incomodado (a) e instigado (a) a refletir e assim, tirar suas próprias conclusões. O ser humano é um animal instintivo e pensante, que vive em sociedade e, por isso, sofre influência da moral coletiva, mas também tem sua vida particular e individual, portanto, sujeita à relações éticas. A reflexão da vida social ou individual traz consigo muitas questões que precisam e merecem serem ponderadas e estudadas. A filosofia contribui, e muito, para isso. Boa e proveitosa leitura! O autor.
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“NAMASTÊ!” “Namastê”, expressão escrita em sânscrito, língua antiga hindu que originalmente quer dizer algo assim: “O Deus que há em mim, saúda o Deus que há em você!”. Ou ainda, no yoga refere-se a uma posição de singeleza e humildade “Sou seu humilde criado”, dizem com respeito e, normalmente, com uma reverência, os diversos povos do subcontinente indiano como os próprios indianos, hindus, budistas e alguns outros povos da Ásia central. Venerar, agradecer e bendizer a Ele (Deus ou, segundo o hinduísmo, Brama “O Criador”, Xiva “Senhor da Criação” e “O Destruidor”, ou ainda, Vixenu “O Conservador” e seus vários avatares ou reencarnações, como Crixena e Buda) com tal expressão é de um gesto de beleza e simplicidade ímpar, ainda mais quando acreditamos que tal divindade não se separou da sua criação e harmoniosamente, repousa e vive com ela. A expressão remonta a ideia de que Deus na sua onipotência e onipresença habita e se regozija pacificamente com toda a criação, seja ela parte do universo, natureza, seres não vivos e vivos, com o homem e, que tudo que por sua infinita bondade e benevolência nos outorgou, como as faculdades mentais e o conhecimento para alterar e criar novas possibilidades. “Namastê” é e continuará sendo uma expressão singela e poderosa, independente da crença religiosa, fé e convicção no “Todo Poderoso, Deus”.
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VOSSA MERCÊ Oriundo do português clássico e tradicional de Portugal, “vossa mercê” era utilizado na norma culta de salões e palácios na Península Ibérica, sobretudo na terra de Cabral, durante a idade Média. O pronome de tratamento culto, aos poucos foi se descaracterizando na terrinha de Vera Cruz, “Brasilis” e caiu no gosto, ou melhor, no falar corriqueiro do brasileiro como “vós mecê” e, no fim, com o passar dos anos, acabou como “você”, mais informal e mais pessoal, por isso, mais utilizado e amplamente divulgado. Você tornou-se maneira popular de tratamento de pessoas em geral, desde os altos postos públicos até as pessoas mais simples e pitorescas do país. A meu ver, algo muito mais aceito e correto de tratar qualquer cidadão, pessoa ou ser humano independente do cargo ou posição de destaque que ocupe na vida profissional e comunitária. Você é ainda, um sinônimo de elegância e boa educação, além de ser uma forma mais generalizada de tratar outras pessoas. No mundo contemporâneo, mundo líquido (como diria Zigmund Baumann), apressado e com muitos afazeres cotidianos, muito provavelmente, o “vossa mercê” (do português culto e coloquial de Portugal), que depois passou a “vós mecê” e chegou a “você” (do português informal e pessoal do Brasil) pode vir a se tornar “cê” como no falar popular, ou ainda, como se usa nas mídias e redes sociais da internet uma abreviação ou sigla, como “vc”. A língua, de uma forma prosaica, é viva, de mudanças constantes e novas alterações ou atualizações com o passar do tempo.
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MEMÓRIAS DE UM AGRICOLINO AGRICOLINO?! Muitos anos antes de começar nossa estória, nosso herói já tinha passado muita coisa na vida, tinha sido criado à custa de muita labuta de sua querida mãe, que aos cinco anos de seu caçula, tinha decidido continuar sua vida sem o marido, devido a vida à dois ter lhe causado muitas desavenças e contrariedades. Fato este, desde cedo repercutiu na vida do menino que logo que começou a perceber a dupla jornada de trabalho da mãe, em casa para cuidar do filho e no emprego, em grande parte do dia, decidiu que iria estudar e trabalhar com o intuito de ajudar nas despesas do lar e ao menos, suprir suas próprias despesas e demandas da juventude. Depois de alguns anos, além do estudo, o menino, e agora, jovem, já tinha trabalhado como vendedor ambulante (de alho e outros temperos prontos, preparados em casa) com um amigo; como ajudante em uma empresa de lavagem de carros; ajudante de tapeçaria; pintura toldos e instalações elétricas de luminosos; e por fim, em uma empresa de lavagem, seleção e classificação de hortaliças (beterraba, cenoura, morango, dentre outras) que fazia o papel de intermediário entre os produtores e as centrais de abastecimentos (Ceasas) que, posteriormente, repassam as mercadorias para os consumidores. Provavelmente, por solidariedade ao sobrinho, seu tio apareceu com a ideia de o menino passar uma temporada em um colégio agrícola, em regime de internato e terminar seus estudos no ensino médio, além de ter uma formação técnica que lhe inspirasse um melhor emprego e, consequentemente, uma melhor situação financeira. Naquela época, era apenas um jovem de 15, bem vividos, anos. Em plena adolescência e vivendo no despertar da vida adulta com muito entusiasmo, sentiu o despertar de uma boa oportunidade passando entre seus olhos e mesmo com receio da situação desconhecida, decidiu investir todas as suas “fichas” (colocar toda a esperança) nessa nova empreitada e aceitar o desafio. Não, ele não estava sozinho nessa, uma prima distante tinha um filho, que também era bastante empenhado em continuar os, tão sonhados e difíceis, estudos. O primo era um menino criado no sítio, esperto ou como diz na minha terra no interior de Minas Gerais, matuto como ele só, porém sofrido pelo árduo trabalho no campo com os pais. Surgiu aí a oportunidade para os dois, até então, desconhecidos primos embarcarem. Contudo, para tudo tinham que ter seus conhecimentos avaliados e passar para uma prova de seleção. Os preparativos e entusiasmo inicial dos meninos com o novo lugar e com os prováveis novos amigos, só foram crescendo até o dia da prova.
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Quando foram chegando e avistando a ampla estrada rural que saia da rodovia e chegava até as instalações iniciais do colégio, foi só euforia. Estavam empolgados com tudo, desde o estábulo, de um lado da estrada de terra, que praticamente fazia divisa com os limites da rodovia, sendo separados apenas por uma faixa estreita de pasto, até os limites da ampla horta do outro lado da estrada. O início da subida da estrada passando, do lado esquerdo, pela pocilga onde ficavam alojados os porcos, a área destinada as ovelhas, a sala de ração, pelo galpão onde ficavam guardadas os equipamentos e implementos usados na “luta” diária da fazenda, pelo oratório de uma das denominações de Nossa Senhora (até hoje não sei qual, das muitas designações que recebe!), pelo conjunto de alojamentos femininos, pela marcenaria e em fim chegando aos apartamentos destinados aos alunos do primeiro e segundo colegial e/ou técnico. Subindo pelo lado direito, ficava o estábulo, os silos cilíndricos, o abatedouro, posterior a esse, se bifurcava a estrada em uma menor, saindo na criação de coelhos, aviário, onde ficavam as cabras, além das casas de alguns funcionários, mas continuando na estrada principal, após o abatedouro, seguia-se por um corredor arborizado até o conjunto de apartamentos dos novatos do primeiro e segundo ano. Nova bifurcação a estrada continuava em direção a entrada principal da secretaria e ao “famoso” trator de ferro que ficava como decoração em frente à escadaria em frente a secretaria. Pegando pelo outro lado da bifurcação da estrada íamos chegando de fronte aos apartamentos, que davam de frente a enorme caixa de água, suspensa por um conjunto de colunas de alvenaria e ao lado, uma sala de vídeo, interligado por um corredor enorme e coberto que dava para nossa biblioteca. Paralelamente a estas construções ficavam as salas de aula, um prédio interessante e um conjunto arquitetônico que lembrava mais um seminário que um colégio. No interior, formava uma forma retangular do conjunto de salas, como a sala do diretor, salas de aulas, sala de professores, secretaria e laboratórios. Ao centro um enorme jardim, com muitas rosas e as mais diversas plantas ornamentais que davam um toque especial ao ambiente. Uma das saídas laterais do prédio de aulas ia direto ao lado da caixa d’água e uma praça enorme de “chão” ou terra batida e no centro um jardinzinho minúsculo em forma circular com alguns bancos de alvenaria. De frente, ficava o almoxarifado e ao lado deste, o enorme refeitório. Todos os caminhos iam fatalmente dar no pavilhão de apartamentos destinado aos alunos do terceiro ano ou veteranos como gostavam de ser chamados. Como era de se esperar, os jovens estavam entusiasmadíssimos com tudo e a avaliação de seleção estava superada com louvor pelos dois primos, agora agricolinos. Agricolino é o termo usado para designar o habitante, ou melhor, o morador, mesmo que temporário, de uma colônia agrícola ou escola agrí-
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cola. Muitas vezes pode se referir a um tratamento pejorativo, por quem desconhece o assunto, aos moradores de uma região rural. Agricolino foi a designação que melhor reflete o que aconteceu a esses jovens, em começo de suas vidas e que nunca haviam saído de casa ou experimentado coisas tão diferentes e interessantes. Mas, mal sabiam as estórias e dificuldades que iam enfrentar... A história nunca acaba, apenas tem pequenas pausas para novas histórias começarem. Uma história complementa e completa a outra e vice-versa.
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UM ETERNO INSATISFEITO O célebre Guimarães Rosa uma vez disse: “O animal satisfeito dorme”. E eu completo “e o insatisfeito não dorme”, ou melhor, “dorme pouco”. Com o passar do tempo, passo a refletir mais, pensar mais, ponderar sobre coisas, pessoas e assuntos os mais diversos, cada vez mais e, consequentemente, a dormir menos (risos). Millôr Fernandes na sua sabedoria permeada de ironia já dizia: “Quem mata o tempo não é um assassino e sim, um suicida.”. Essa audácia, duradoura e, provavelmente, eterna insatisfação caminha comigo desde muito cedo. Costumo refletir e ponderar sobre tais coisas. Não se pode pretender passar pela vida e ver o relógio do tempo se mover sem fazer nada, sem deixar algo que marque outras vidas e pessoas, seja para refletir, raciocinar, discutir ou mudar visões e situações. Muitas pessoas se satisfazem com o cotidiano, com o trabalho, com a vida em família, com os amigos, com suas esposas ou maridos, filhos ou filhas e, se satisfazem principalmente com elas mesmas e com a situação que se colocaram. Não leem, não estudam, não se capacitam, não progridem, não inovam, não mudam de emprego ou de rotina e a vida, mesmo que segura e estável para muitos, se torna monótona e vazia. Essas pessoas se tornam incapazes de inovações, novos desafios, novas responsabilidades, novos pensamentos e novos amores. Quando nos satisfazemos nos relacionamentos, ou melhor, no amor, não nos dedicamos, não nos doamos, não melhoramos e não nos provocamos a mudar e alcançar algo mais. Estamos fadados à mesmice, a repetição, a monotonia, a exaustão e ao fim da relação. Recuso-me a ficar passivo e atônito e deixar o destino, a aleatoriedade ou casualidade direcionar meus atos e minha vida. Na bíblia dos cristãos, livro do Apocalipse segundo João, Deus diz (em tradução popular): “Porque tu não és nem quente, nem frio, hei de vomitar-vos”. A satisfação na família pode tornar as relações superficiais, formais, desprovidas de demonstrações de afeto ou carícias. Especialmente, quando se esta longe dos familiares e entes queridos, cada demonstração de companheirismo e afeto, ao se retornar para próximo, toma uma dimensão e importância ímpar. Exemplo disso é quando à noite, depois de um dia cansativo e estafante, um filho, um sobrinho ou uma criança que sinceramente te abraça, agradece por algo que talvez você julgue não tão importante, em primeira análise, torna-se de enorme importância ao dizer algumas palavras como: “Obrigado, te amo! Boa noite e dorme com Deus” e te dá um beijo carinhoso no rosto. O coração acelera, as palavras não saem, as pernas bambeiam, com os olhos marejados e ainda, um pouco descontrolado, diz:
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“Também te amo, meu filho! Boa noite e dorme com Deus”. Sai correndo em muita emoção e as lágrimas afloram de tal maneira que poucas vezes se vê. Insatisfação é isso. Lutar, pelejar, tentar todos os dias e de todos os modos participar e disfrutar, da melhor forma possível, desse momento que o tempo não apaga e das boas coisas da vida como a família e os amigos. No trabalho, a satisfação nos impede de buscar novos aprendizados, capacitações, inovações; nos coloca numa situação de conformismo, estagnação, término e acomodação; nos impede de crescer e de progredir. O insatisfeito busca um trabalho digno, bem remunerado e respeitado. Um eterno insatisfeito tem objetivos definidos, sabe o que quer e onde quer chegar. Se planeja, organiza e não desiste do que quer, independente dos percalços e problemas que são colocados na sua trajetória. Tem em mente algo maior, o ponto mais alto e luta para alcançar. Um eterno insatisfeito trabalha para melhorar, não só a sua vida, pois se assim o fosse, o egonarcisismo, o impediria de vislumbrar pessoas, coisas ou situações que ocorrem a sua volta e estaria fadado ao fracasso. Um eterno insatisfeito assume suas responsabilidades, civis e sociais, e está pronto para fazer algo em prol dos outros, dos mais necessitados e desprovidos de auxílio. Independente da atividade, o eterno insatisfeito estuda, prepara, se organiza e coloca em prática os seus conhecimentos, vivência, formação acadêmica e familiar, além de todas as suas faculdades mentais, intelectuais e formativas (ética, senso de justiça e solidariedade) a favor dele e dos outros. Por exemplo, o professor estuda, organiza, revisa e atualiza seu arcabouço teórico-prático de conhecimentos e procura ministrar sua melhor aula, de acordo com suas condições e de acordo com o que lhe é oferecido naquele momento. Um eterno insatisfeito sempre quer mudar, alterar, conhecer, viajar, aprofundar e atualizar suas informações e conhecimentos pré-existentes, além de buscar fazer diferente e melhor, pra ele e para os outros. Quero mais experiências, novidades, viagens, vivências. Quero crescer profissionalmente e pessoalmente. Quero mais vida! Quero mais e sempre mais. Eu sou a minha mais nova versão, em nova edição, revisada, atualizada e melhorada, de mim mesmo e ainda assim, insatisfeito, sempre insatisfeito.
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NIRVANA Por volta do século VI a.C., vindo dos rincões dos contrafortes do Himalaia, Buda no auge dos seus 80 anos de idade, desses, passou aproximadamente 45 anos dedicados a ensinar os preceitos de uma doutrina de esclarecimento. Buda, depois de renunciar a uma vida de prazeres onde seu nobre e rico pai despunha de todas as regalias para a família, triunfar sobre as tentações mundanas, alcançou sabedoria e a libertação final, o tão almejado Nirvana. Após difundir e converter milhares de pessoas com uma mensagem a todas as criaturas, Buda considerou cumprida e terminada sua missão de esclarecer as pessoas. De acordo com a estória, Sidarta Gautama e depois, nominado Gautama Buda “O esclarecido”, ao aceitar e comer um pedaço de carne de porco estragada de um leigo piedoso, adoeceu e deitou-se num parque para morrer. Conforme a fé budista, um estado, um objetivo supremo dos adeptos dessa crença, o nirvana (que literalmente quer dizer, “extinção”) alcançado a priori, posterior morte, proporcionaria uma libertação completa de desejos e aspirações mundanas, significando o fim de sucessivas reencarnações e que nunca mais, o crente teria que nascer de novo no mundo em busca de esclarecimento, sabedoria, redenção e ou salvação. Estranhamente e coincidentemente, a banda estadunidense de mesmo nome, Nirvana, cujo vocalista, Kurt Donald Cobain foi encontrado morto em sua casa em Seattle (Washington), aos 5 de abril de 1994, com fortes indícios de suicídio com uma espingarda. Após o trágico acontecimento, a banda terminou, ou melhor, diria que se extinguiu. Como diria uma das canções de maior sucesso da banda: “Where Did You Sleep Last Night”: [...] My girl, my girl, where will you go? I’m going where the cold wind blows In the pines in the pines Where the sun don’t ever shine [...] [...] Minha menina, minha menina, onde você vai Eu estou indo aonde o vento frio sopra Nos pinheiros, nos pinheiros Onde o sol quase nunca brilha [...]
No entanto, sucessos como “Smells Like Teen Spirit” (traduzido como “Cheira Como Espírito Adolescente”), “Come As You Are” (“Venha Como Você É”), “Heart-Shaped Box” (“Caixa Em Forma De Coração”), “Lithium” (“Lítio”), “Where Did You Sleep Last Night” (“Onde Você Dormiu A Noite Passada”) e tantos outros “singles” que não deixam a banca
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cair no esquecimento e ou se extinguir da memória dos seus inúmeros fãs e apreciadores de música. Como “Lithium”: I’m so happy ‘Cause today I’ve found my friends They’re in my head I’m so ugly But that’s okay, ‘cause so are you We broke our mirrors Sunday morning Is everyday, for all I care And I’m not scared Light my candles In a daze, ‘cause I’ve found God Yeah, yeah [...] Eu estou tão feliz Porque hoje eu encontrei meus amigos Eles estão na minha cabeça Eu sou tão feio Mas tudo bem, porque você também é Quebramos nossos espelhos Domingo de manhã É todo dia, porque eu não me importo E não estou assustado Acendo minhas velas Em transe, pois eu encontrei Deus Yeah, yeah [...]
Provavelmente, a redenção e ou salvação da própria banda estejam nas músicas do Nirvana.
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FIOS DO MESMO TECIDO Em texto atribuído ao chefe indígena Seattle, em 1855, e enviado ao então, presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Pierce, discorreu sobre fortes e proféticas palavras: [...] Isto sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. O homem não teceu a trama da vida; ele é meramente um de seus fios. Tudo que fizer ao tecido fará a si mesmo. (SEATTLE, 1855, Carta ao presidente dos EUA).
Tais afirmações ecoaram e enxovalharam o mundo dito “civilizado” com reflexões que vão muito além desse tempo. A obscenidade das ações humanas degradantes, em especial, com a natureza e com seus semelhantes pode tornar o sobreviver e o viver de todos os seres viventes, humanos ou não, dificultosos, penosos e até insustentável. Atividades biocidas como a destruição de florestas (principalmente, as tropicais, as quais concentram a maior biodiversidade planetária); a aniquilação sistemática de espécies animais e vegetais; a degradação dos ecossistemas (em especial, dos biomas megadiversos); a erosão genética, edáfica e hídrica; poluição ambiental e uso indiscriminado dos recursos naturais, além de outras formas altamente danosas a biosfera podem prejudicar a capacidade das gerações futuras de automanutenção ou autossustentação e, em última análise, extinguir toda a vida no planeta, incluindo a vida humana. Tudo está intimamente interligado, se relacionando e interferindo no ambiente, ecossistemas e na vida dos outros seres, como “fios interligados e interconectados em um emaranhado, na mesma trama do tecido”. Reflita sobre suas formas de enxergar as coisas, suas ações e posturas perante a natureza.
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OPORTUNIDADE E ESCOLHA A palavra oportunidade deriva do latim “Ob portus”. Romanos usavam a expressão para se referir ao vento oportuno que leva ao porto, lugar de segurança e tranquilidade, conforto e alegria. Também, “Ob portus” pode designar o ato de ir em direção a algo como o porto ou uma porta. “Portus” pode significar porta ou porto, uma saída, uma opção, uma alternativa, ou diria, uma oportunidade de escolha. Escolhas essas que permeiam o dia, o cotidiano e a vida. Que todos nós fazemos e temos que viver com suas consequências. Oriundos de Brasília-DF (Brasil), no ano de 1983, a banda Capital Inicial fez e faz sucesso com a canção “Não olhe pra trás”, do compositor e cantor Dinho Ouro Preto, que nas estrofes iniciais traz os dizeres: Nem tudo é como você quer Nem tudo pode ser perfeito Pode ser fácil se você Ver o mundo de outro jeito Se o que é errado ficou certo As coisas são como elas são Se a inteligência ficou cega De tanta informação Se não faz sentido Discorde comigo Não é nada demais São águas passadas Escolha outra estrada E não olhe, Não olhe pra trás Você quer encontrar a solução Sem ter nenhum problema Insistir se preocupar demais Cada escolha é um dilema [...] (CAPITAL INICIAL, 1983, negrito nosso).
Verdade!? Licença poética ou não, a realidade vai te dizer. Discorda (dis = prefixo de negação e “cordis” = sufixo latino referente ao coração) ou concorda (com = prefixo que significa junto, próximo, indicando que leva ao “cordis” = coração). Portanto, discordar representa o que retiramos de dentro de nós (do coração, especificamente) ou se concordar, o que leva pra dentro
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de nós (ao coração), o que fica marcado, fixado e aderido ao ser humano, depende de cada um. O fato é que as oportunidades acontecem, aparecem e as escolhas se apresentam, dilemas se mostram e temos que procurar o melhor caminho/estrada. Fernando Pessoa (Lisboa - Portugal, 1888-1935), em seu heterônimo de Álvaro de Campos, proferiu um dos mais célebres e emblemáticos poemas, “Na noite terrível” no qual escreve: [...] Se em certa altura Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita; Se em certo momento Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim; Se em certa conversa Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro — Se tudo isso tivesse sido assim, Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro Seria insensivelmente levado a ser outro também [...] (PESSOA, Fernando. Na noite terrível. In: BERARDINELLI, C. (Org.). Antologia poética. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2012. p. 276);
Seria tudo questão de oportunidade e de escolha, ou seria como diriam uns, adeptos de um mundo mágico e abstrato, casualidade e destino, onde muito pouco ou nada poderia ser feito e gerido pelo homem? Cada ser humano tem suas oportunidades e escolhas e por isso, deve aceitá-las e conviver com suas consequências? Ou ainda, é um misto do que podemos e devemos fazer para controlar, até certo momento, nosso destino e, posteriormente, deixar a cargo da eventualidade? Eu, pessoalmente, fico com a segunda opção, onde não admito atribuir a um mundo imaginário e abstrato, mitológico ou cosmológico, ilógico e questionável, as consequências das minhas oportunidades, escolhas apresentadas e consequências auferidas, sejam elas, favoráveis ou desfavoráveis, boas ou ruins. Coragem, sim, coragem é o que pode estar faltando a alguns, além de descomprometimento com suas escolhas e, portanto, com suas consequências. Faça sua reflexão sobre tais pensatas filosóficas e tire suas conclusões.
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LEMBRAR DE MIM Esse é um texto muito bem elaborado que revela a importância de um dos gestos mais sinceros e bonitos possíveis pelo ser humano, à doação de órgãos, tecidos e do próprio corpo em prol do bem de outra pessoa. Outro alguém que espera por um ato de extrema benevolência e solidariedade para acalentar suas dores, minimizar ou acabar com o sofrimento terreno. Fica aqui registrado meu respeito e admiração pelo escrito e, mais ainda, pelo ato de doação. João Paulo Tadeu Dias Tais linhas foram dissertadas por Robert Noel Test, em 1976, sob o título de “To remember me”, fragmento escrito originalmente em inglês e, posteriormente, traduzido de maneira livre para o português: Give my sight to the man who has never seen a sunrise, a baby’s face or love in the eyes of a woman. Give my heart to a person whose own heart has caused nothing but endless days of pain. Give my blood to the teenager who was pulled from the wreckage of his car, so that he might live to see his grandchildren play. Give my kidneys to one who depends on a machine to exist from week to week. Take my bones, every muscle, every fiber and nerve in my body and find a way to make a cripped child walk. Explore every corner of my brain. Take my cells, if necessary and let them grow so that, someday, a speechless boy will shout at the crack of a bat and a deaf girl will hear the sound of rain against her windows. Burn what is left of me and scatter the ashes to the winds to help the flowers grow. If you must bury something, let it be my faults, my weaknesses and all prejudice against my fellow man. Give my sins to the devil. Give my soul to God. If, by chance, you wish to remember me, do it with a kind deed or word to someone who needs you. If you do all I have asked, I will live forever. (TEST, 19761). Foi publicado pela primeira vez no The Cincinnati Post e, posteriormente, na coluna de Ann Landers, bem como, no Reader’s Digest.
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Dê minha visão ao homem que nunca viu um nascer do sol, a face de um bebê ou o amor nos olhos de uma mulher. Dê meu coração a uma pessoa, onde o próprio coração não causou nada, além de intermináveis dias de sofrimento. Dê meu sangue ao adolescente que foi puxado dos destroços do seu carro para que possa viver para ver seus netos brincarem. Dê meus rins para alguém que depende de uma máquina para existir, semana após semana. Tome meus ossos, cada músculo, cada fibra e nervo do meu corpo e encontre um caminho para fazer uma criança aleijada andar. Explore cada canto do meu cérebro. Tome minhas células e, se necessário, permita-as crescer muito para que, algum dia, um menino tímido e sem palavras, grite com o estalo de um morcego e, uma menina surda, ouça o som da chuva contra a sua janela. Queime o que restar de mim e jogue fora as cinzas para ajudar as flores crescerem. Se você enterrar alguma coisa, perdoe as minhas falhas, minhas fraquezas e tudo que prejudica ou vai contra meu companheiro homem. Dê meus pecados ao demônio. Dê minha alma à Deus. Se, tiver chance, desejo a você que se lembre de mim, faça disso um tipo de escritura ou testamento, ou ainda, palavra para alguém que precise de você. Se você fizer tudo que eu falei, eu viverei para sempre. (TEST, 1976 , tradução nossa2). Robert N. Test
Foi publicado pela primeira vez no The Cincinnati Post e, posteriormente, na coluna de Ann Landers, bem como, no Reader’s Digest.
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INTO YOUR EYES, I SEE... Into your eyes, I see hope. Hope for a better future. Hope to be one better man, one better person by my family, my parents, my brothers, my nephews, my fellow woman, my children, my friends, anyway, everyone who lives or share your lives with me. Into your eyes, I see one future full of happiness, wishes and dreams to be one better person and I see to an opportunity to share something, good, or bad, but always together to share and win an obstacle or difficulties. Victory, success, everything that can be expected from life. Every obstacle, every difficulty, everything finishes when you smile. When you sleep, I see you smile. When you stay a long time far for me and talk me by phone, I feel you laugh and because this, I feel so happy. Into your eyes, I see one world of possibilities, everything new and amazing. Thank you so much for exist and make for life so much nicer.
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HYMN FOR GOD I think about this for many years: what’s a better form of the pray to God. During many time I thought that the better form is singing a song of praise to God, a hymn. A hymn, the form more simple and honest of the pray to God. A hymn to venerate what is essential and important. The essential is invisible to the eyes (Into of the book “The little prince”(1943), Antoine de Saint-Exupery).
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AMOR Saulo de Tarso, na Sicília – Itália, de nascimento judeu romano, depois de muito perseguir os cristãos devotos de Jesus Cristo, “O Nazareno”, sofreu um acidente e, posteriormente, um milagre de cura pelas mãos dos mesmos cristãos devotados ao Cristo, que tanto perseguiu. Tomando de satisfação e gratidão enormes, Saulo de Tarso mudou seu nome para Paulo, ou melhor, Paulo de Tarso, buscando nova vida repleta de benevolência, caridade e amor ao próximo. O mesmo Paulo, apóstolo peregrino dos cristãos, escreveu diversas cartas, também chamadas de “Epístolas”, mensagens ou cartas direcionadas aos povos, até então, chamados de “bárbaros” ou “pagãos”. Uma das mais bonitas e difundidas foi a primeira Epístola de Paulo aos Coríntios (habitantes da cidade de Corinto, na Grécia) que fala do amor (1 CORÍNTIOS, 13:1-13): 1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. 2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. 3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. 4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. 5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; 7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8 O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; 9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; 10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. 11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. 12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. 13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes
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três, mas o maior destes é o amor.
Amor, palavra bonita e que diz muito. Um dos grandes compositores, interpretes e cantores do final século XX passado, Renato Russo com a sua sempre lembrada banda “Legião Urbana” na canção “Monte Castelo”, também canta o que é o amor: Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua dos anjos Sem amor eu nada seria [Refrão] É só o amor! É só o amor Que conhece o que é verdade O amor é bom, não quer o mal Não sente inveja ou se envaidece O amor é o fogo que arde sem se ver É ferida que dói e não se sente É um contentamento descontente É dor que desatina sem doer [Refrão] É um não querer mais que bem querer É solitário andar por entre a gente É um não contentar-se de contente É cuidar que se ganha em se perder É um estar-se preso por vontade É servir a quem vence, o vencedor É um ter com quem nos mata a lealdade Tão contrário a si é o mesmo amor Estou acordado e todos dormem Todos dormem, todos dormem Agora vejo em parte Mas então veremos face a face [...] (RUSSO, Renato, Albúm As quatro estações, 1989).
Reconhece algumas palavras ou ditos na canção? Coincidência ou não. O amor é uma das coisas mais faladas, relatadas, contadas e cantadas
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ao longo da história, em todas as épocas e em todas as idades. Todavia, o teólogo e filósofo cristão, Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho (354430) alerta e adverte de maneira muito enfática: “Ninguém ama o que lhe custa, ainda quando goste de o suportar, porque, apesar de se alegrar com o sofrimento, prefere não ter nada que sofrer. Nos reveses anseio pela prosperidade, e nas prósperas temo a adversidade”. ( HIPONA, 2002, p. 244 , tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina). Seria bom refletirmos no significado dessa palavra - AMOR - não só no contexto religioso ou da fé, mas no convívio social, familiar, comportamental e mesmo individual para cada um de nós. O amor pode ter significados distintos dependendo do contexto, da época e idade, contudo, a essência é a mesma. Reflita no significado do AMOR para você e sua vida.
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CAMINHANTE E O CAMINHO O poeta e prosista espanhol, Antônio Machado (Sevilha, 1875-1939) em um de seus textos mais conhecidos “Caminhante, não há caminho” discorreu sábias palavras: [...] Nunca persegui a glória Caminhante, são tuas pegadas O caminho e nada mais; Caminhante, não há caminho, Se faz caminho ao andar Ao andar se faz caminho E ao voltar a vista atrás Se vê a senda que nunca Se há de voltar a pisar Caminhante não há caminho, Senão sulcos no mar [...] (MACHADO, de Provérbios e Cantares, XXIX).
Nossa história, nossa vida, nossa trajetória, nosso caminho... tudo faz parte do que fomos, do que somos e do que seremos. O caminho se faz ao caminhar, ou como diz o poeta, ao andar, e percorrer estradas, trajetos, caminhos novos, diferentes e inusitados. O andarilho, o caminhante, o transeunte, o passante, aquele que persegue uma meta, tem um objetivo definido, mesmo que ainda não alcançado, persiste e com paciência e muito trabalho, tende a alcançar o almejado objetivo ou meta. Todavia, o importante não seja o fim, mas o caminho, as coisas que vemos, sentimos, aprendemos e melhoramos ao longo do, muitas vezes estafante e exaustivo, caminho. Quando olhamos para trás e percebemos o que passamos, o que foi feito, o quanto progredimos em um determinado objetivo/meta, temos a sensação de “dever cumprido”. Já parou para pensar o quanto crescemos como pessoas ou cidadãos ao longo da nossa trajetória? Hoje somos pessoas mais experientes, talvez mais pacientes e centradas, que refletem mais antes de agir e, por muitas vezes, evitamos cometer sérios equívocos.
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NÃO ME DEIXE (“NE ME QUITTE PAS”) Coucoi! Bonjour! Salut! Enchanté! Je m’appelle João Paulo T. Dias. Je habite a Minas Gerais, au Bresil. No, je ne suis pas français, Je suis brèsilien et Je parle portugais. Je suis celibataire et J’ai um peu plus de trente ans. Est-ce que Je travaille? Où est-ce que Je travaille? Oui, Je suis professeur et Je travaille à I’université. Pas mal! Na bonita e muito falada mundialmente, língua francesa, tem uma expressão interessante “Ne me quitte pas”, que significa “Não me deixe”. O compositor e cantor belga Jacques Brel (1959) entoa os versos da canção “Ne me quitte pas” que revela, já no início, muitas coisas: Ne me quitte pas Il faut oublier Tout peut s’oublier Qui s’enfuit déjà Oublier le temps Des malentendus Et le temps perdu A savoir comment [...] Não me deixe (ou abandone) Precisamos esquecer Tudo pode ser esquecido Que já tenha passado Esquecer os tempos De mal-entendidos E o tempo perdido Tentando entender [...] (BREL, 1959) .
Mas, não me deixe? Não me deixe, o quê? Não me deixe esquecer. Não me deixe esquecer o tempo. Não me deixe esquecer e deixar sem resolver mal-entendidos. Não me deixe perder tempo. Não me deixe sem entender. Não me deixe pensar besteiras. Não me deixe dizer bobagens. Não me deixe sair com pessoas medíocres, ruins ou com más intenções. Não me deixe fazer coisas horríveis ou ter atitudes mesquinhas e egoístas. Não me deixe apequenar as lutas e as vitórias alcançadas. Não me deixe impassível às vicissitudes da vida. Tudo o que nos apequena, desenobrece o corpo e acaba com a alma, pode nos deixar ego-narcisistas e destruir o que tem de mais puro, bonito e bondoso no ser humano, além de prejudicar todas as nossas
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relações de companheirismo, amizade, amor, carinho, afeto, compaixão e união entre as pessoas. “Ne me quitte pas” traz de volta um pedido, uma súplica para que os mais próximos (amigos, companheiros, amantes, familiares, filhos), não nos deixe cair nas amarras de nosso egoísmo, ganância, vícios e dissabores da vida cotidiana. Portanto, diga, peça, grite e faça-se ouvido “Ne me quitte pas” por alguém que tem um carinho especial por você e persiga um caminho de constante melhora. Au revoir!
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QUOI DE NEUF? (O QUE HÁ DE NOVO?) Salut! (Tudo bem!) Quoi de neuf ? Je vois ça d’ici... Ici et là! Je te présente au Brésil. Novidades? Eu nem consigo imaginar... Tá uma bagunça! Eu te apresento o Brasil. Em tempos de paralisações, greves e muita confusão. A população desguarnecida de orientação, gestão e administração eficiente, muitos cidadãos pedem a volta de uma intervenção militar (o que sem controle pode, aos poucos, se tornar uma ditadura). Non, bouge de lá! (Não, aqui não!) Na história recente do país, de 1964 a 1985, muitas pessoas passaram por intervenção militar, por muitos também considerada, uma ditadura extremamente agressiva, com cessação e cassação de direitos civis. Prova disso, foi à publicação do Ato Inconstitucional número 05 (A.I. 5) que revogava direitos civis e dava pleno poderes a quem estava no poder. Pra quem se interessa em pesquisar e estudar sobre o assunto, deixo minha humilde sugestão de bibliografia, o livro intitulado “Brasil: nunca mais”, que pode ser considerado um relato histórico dos acontecimentos, feito pelo arcebispo-emérito de São Paulo e, posteriormente, cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Na atualidade, com quase duas semanas de paralisação e protestos dos caminhoneiros (com certa razão, pelas condições ruins de trabalho e a alta carga tributária), as pessoas não encontraram alguns alimentos básicos como frutas, hortaliças e outros produtos como remédios e, é claro, combustíveis. O que, aos poucos, traz a sensação de desabastecimento, descontrole geral e perda de governabilidade. O país vive uma época de instabilidade civil e governamental, com a população exaurida por séculos de descaso com saúde, educação, segurança, além dos “frutos” do trabalho honesto da grande maioria da população, sendo aos poucos surrupiados por políticos corruptos que se sucedem no poder. A constituição (principal e maior lei de um país) em suas cláusulas pétreas estabelece o Estado de Direito e reza sobre a proteção e direito a alimentação, segurança, saúde e educação de qualidade a todos os brasileiros e demais cidadãos. Durante a Revolução Francesa (1789-1799), um período bastante conturbado da história mundial, com fome, cassação de direitos civis, repressão e muita violência, o povo adotou o lema “Liberdade, igualdade e fraternidade” (“Liberté, Egalité, Fraternité”) para tentar organizar o movimento em prol de algumas questões importantes para toda a sociedade da época. O Brasil, como uma das maiores democracias mundiais, deve se espelhar em tal expressão e tentar buscar uma solução pacífica, pensada e debatida, em prol do benefício mútuo (e não de uma classe específica), mas
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de toda sociedade. Attencion, Je t’ai a l’oeil! Ne donnez pas sa lange au chat! Garde la tête sur le épaules et la vie suit son cours. Atenção, eu estou de olho! Não desista! Mantenha a cabeça no lugar e a vida segue seu curso. À bientôt! Até logo!
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“METTRE LES VOILES” (IR EMBORA) ...Sur ma route... Tu vais bien? Oui, Je suis très bien! Je’ai trouvé um nouveau travail ça va mettre du beaurre dans le épinards! Je me sui mice à traveiller dans à l’uniniversité. Mais, Je suis épuisé est Je me mets au vert... Je a mis les voiles. Au revoir! (...No meu caminho...Você está bem? Sim, muito bem! Eu tenho um novo trabalho que vai melhorar economicamente minha vida. Eu comecei a trabalhar na universidade. Contudo, estou esgotado e vou sair de férias... Vou embora. Adeus!). Para muitos, um sacrifício justificado, é o que ocorre nas atividades laborais cotidianas, com pessoas que gostam e precisam trabalhar. A máxima popular “se matar de trabalhar” nunca esteve tão na moda e parece chancelada pela sociedade que acha que é “perfeitamente normal”, um pai ou mãe de família, que sai de madrugada e só retorna tarde da noite do seu tão almejado trabalho. A sociedade capitalista, consumista e neurótica com o “mundo líquido” de Bauman, cada vez se desliga mais de valores morais como respeito mútuo, humildade, solidariedade e caridade. Um cidadão que mesmo saudável e bem, pode estar se enganando buscando sucesso econômico e reconhecimento, mas se exaurindo, se esgotando com a sobrecarga de trabalho, como por exemplo, no caso do professor (no preparo de aulas, estudo e atualização, atividades avaliativas e burocráticas, reuniões - muitas quase intermináveis -, orientações, pesquisa e extensão, gestão, coordenação e tantas outras atribuições, que hoje, o profissional é pressionado e obrigado a cumprir), só restando mesmo, o período de férias no campo ou, mesmo na cidade, longe das atividades repetidas e cotidianas. Psicologicamente, alguns transtornos mentais ou doenças relacionadas à atividade laboral (trabalho) estão acometendo cada vez mais pessoas, como é o caso da ansiedade, estresse, dificuldade de concentração, perda de memória, exaustão psíquica e, consequentemente, exaustão corpórea, além de depressão e doenças cardiovasculares, o que em casos severos pode ocasionar o afastamento do trabalhador por tempo indeterminado. O professor (educador), médico, taxistas, executivos, pilotos de aviões, policiais/bombeiros e militares, dentre outros, estão entre as profissões mais extenuantes e desgastantes. Medidas atenuantes, paliativas e corretivas podem ser tomadas como melhores condições de trabalho, treinamento/capacitação, remuneração e reconhecimento pelo poder público e sociedade. Além de remodelagem de encargos trabalhistas, diminuição da burocracia, assistência psíquico-terapêutica/médica preventiva e curativa, bem como, uma política trabalhista e previdenciária respeitosa e coerente com a situação dos profissionais. Tais
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medidas poderiam evitar a saída de bons profissionais, mão-de-obra altamente qualificada e tecnificada, dessas áreas para outros países, além da mudança de ramo profissional dessas pessoas, ou ainda, danos irreversíveis à saúde do trabalhador. Pense nisso e faça sua parte na construção de uma sociedade mais respeitosa e justa.
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AS QUATRO FASES DA ORAÇÃO A vida é composta de distintas e sequentes fases, uma posterior a outra, onde nossa consciência toma forma. Nós nascemos, passamos pela infância, adolescência, fase adulta, senescência (ou por algumas pessoas caracterizada e chamada como velhice) e morte. Os seres vivos nascem, crescem, se desenvolvem, amadurecem e perecem. De distintas e sequentes fases também é composta minha prece ou oração. A prece, normalmente noturna, dirigida à Deus, independente do local é endereçada ao Criador e Senhor de todas as coisas vivas e não vivas. Cotidianamente, a maioria das pessoas se sente acolhidas, protegidas, descansadas, calmas e com uma sensação de bem-estar em igrejas e ou templos, mesquitas, sinagogas ou outra construção humana de caráter religioso, de acordo com sua crença ou religião. Eu também me sinto bem nesses recantos e lugares, no entanto, fico mais à vontade, de maneira mais sincera e consciente das minhas convicções religiosas em contato com a natureza. Seja no entorno de um lago, riacho ou rio, monte, morro, colina ou montanha, na floresta ou mesmo na cidade, procuro me cercar de elementos naturais, me concentrar e admirar o céu, as estrelas e suas constelações, além de toda a escuridão do firmamento. Lá, em algum lugar, concentro e dedico uma singela prece ao Todo Poderoso. Tradicionalmente, a oração é dividida em quatro fases distintas, assim mencionadas: 1. Preparação; 2. Agradecimento; 3. Perdão e; 4. Benção. Na fase 1, preparação, como crente, cristão e católico faço orações como fui instruído desde de criança por minha mãe, e seguidamente, pela doutrina da religião ao longo da vida, como de costume com a Ave Maria, Oração do Credo, e principalmente, o Pai Nosso (a meu ver, a mais importante). Na fase 2, agradecimento, torno o ato da oração mais pessoal e único (talvez, a partir daí mais verdadeiro, com mais sentido e significado pra mim). Agradeço pela dádiva da vida, pelos lugares que passei, pelas pessoas que encontrei, pelos amigos que fiz, enfim, por toda experiência do viver, conviver e se relacionar, pelas coisas que vivi, ouvi e aprendi nessa trajetória. Agradeço pelo dia de hoje, pelo alimento, pela família e amigos, pelo conhecimento adquirido, pelas coisas que vi, senti e vivi. Na fase 3, perdão, humildemente e sinceramente peço perdão das minhas faltas, pecados e omissões, erros, ilusões, desacertos, pelas vezes que fui
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fraco em ações e descasos com o que achava certo, correto e digno. Perdão pelo ego-narcisista, pelo amoral, autoritário, pretencioso, desinteressado e preguiçoso ser que vive dentro de cada um de nós. Na fase 4, benção, suplico encarecidamente as benesses do Criador, mas não diretamente para mim e, sim, para a família, mãe, pai, irmãos, filhos, sobrinhos, esposa/namorada/companheira, agregados e amigos a muito tempo deixados pelos caminhos da vida, mas jamais esquecidos e nunca menosprezados. Saúde, paz, fortaleza na fé e nos corações para superar dificuldades encontradas no trajeto. Peço que, se for da Sua vontade, benevolência e eu for merecedor, que “me dê sabedoria, ilumine e abençoe minha mente para que tome as melhores decisões, atitudes e possa fazer o melhor para mim e para os outros. Potencialize os dons e me ajude a ajudar outras pessoas, me torne melhor, mais solidário, amigo, paciente, humilde e seja benevolente, hoje e sempre.” Apascenta à minh’alma, edifica meu espírito e dirige meu caminho. Liberta-me do cárcere do egoísmo, da vida mesquinha e da falta de amor. Guia-me, Tu que está a destra de Deus. Amém.
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A HERMENÊUTICA DAS COISAS A filosofia tradicional considera hermenêutica como diferentes formas de interpretação. Haja vista, que existem diversas interpretações para acontecimentos, fatos e ou coisas que acontecem no nosso dia a dia. Para facilitar o entendimento, a hermenêutica das coisas é vista, por exemplo, quando um juiz coordena um julgamento e tem que conhecer os diferentes pontos de vista do mesmo acontecimento. Em síntese, diferentes vertentes ou versões da mesma história. O ponto de vista da acusação e o ponto de vista da defesa de um réu e suas respectivas testemunhas contrárias ou favoráveis devem ser ouvidas para, então, decidir o melhor para os envolvidos e para a sociedade. Na vida quase tudo tem dois lados ou como no dito popular “duas faces da mesma moeda”, ou melhor ainda, diferentes interpretações dependendo do ponto de vista ou de quem conta e reconta um fato. A hermenêutica dos acontecimentos pode estar no vendedor de balas no sinal do semáforo que comercializa sua mercadoria, não tem firma reconhecida, não tem segurança e que, pouco recolhe de impostos, que para uns, incomoda, atrapalha o trânsito fluente e seguro, mas que para outros, só busca um meio de viver ou sobreviver do seu trabalho árduo, desgastante física e psiquicamente, mas que ainda assim, um trabalho digno, valoroso e recompensador. A hermenêutica das coisas está no trabalho honrado e digno do professor, por muitos (especialmente, alguns da classe dos poderosos e políticos) desvalorizada, desmotivada, com recursos escassos, pouco ou nada reconhecido, além de mal remunerado. No entanto, para outras pessoas é a base das demais profissões, o baluarte, o esteio, a alavanca propulsora de uma nação forte, ordenada, digna, progressista e que enobrece seus cidadãos, auxiliando na busca de excelência e qualidade na educação, alimentação, saúde, segurança, moradia, infraestrutura, cultura, esporte e lazer. A hermenêutica dos fatos está nos jovens que trabalham durante o dia e ou à noite, muitas vezes por falta de oportunidades ou com poucas opções, falta de perspectivas, que precisam auxiliar nos compromissos e gastos cotidianos da família que conta com pouca renda. Entretanto, ao trabalhar propicia condições de aprendizado prático e técnico, auxilia no desenvolver e desabrochar da possibilidade de uma profissão futura, mesmo que, diriam uns, o mais favorável seja ser jovem e fazer coisas comuns para sua idade, estudar e se dedicar aos estudos no momento adequado, e depois sim, aprender e desenvolver uma profissão, um ofício futuro. A hermenêutica das pessoas está no ato de falar, entender e compre-
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ender um fato e com o passar do tempo, discorrer, reconhecer e professar outra forma de interpretar o mesmo fato, de maneira mais madura e coerente. As coisas mudam, se ressignificam e se alteram. O pensador e filósofo grego, pré-socrático, Heráclito de Éfeso professou: Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Assim, tudo é regido pela dialética, a tensão e o revezamento dos opostos. Portanto, o real é sempre fruto da mudança, ou seja, do combate entre os contrários. (HERÁCLITO, aproximadamente 540 a. C. - 470 a. C.).
A hermenêutica das coisas está em tudo, basta olhar com mais atenção e ter a sua própria interpretação do mundo a sua volta. Deixo essa mensagem de reflexão aos meus queridos alunos, logo mais, meus respeitáveis, honrados e admiráveis colegas, para que sua interpretação não obscureça seus sentidos e endureça seus corações para as coisas que o mundo vos apresenta. Faça sua parte para torná-lo melhor, mais justo e solidário. Lembrem-se que poucos tiveram as oportunidades, opções e perspectivas que vocês tiveram. Trabalhar e estudar, ter uma profissão honrada e digna merece ser celebrado. Paulo Freire (1921-1997), patrono da educação no Brasil desde 2012, dizia: “Precisamos ter esperança, mas tem que ser esperança do verbo esperançar. Por que tem gente que tem esperança do verbo esperar. Esperança do verbo esperar, não é esperança, é mera espera.” (Fragmento de Josias Vargas “Sir Josias Holmes”. In: CORTELLA, M. S. A vida é muito curta para ser..., 2017, grifo nosso). Parabéns, sucesso, tudo de bom e que Deus acompanhe vocês, seus familiares e amigos! São os votos de quem tem muito carinho por todos. Obrigado!
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SABOR E SABER Saber e sabor ou sabor e saber? Que nenhum sequestro semântico seja feito de forma a mudar o sentido das palavras, essas duas palavras aparentadas tem origem etimológica ou linguística similar. Estudando a origem das palavras, etimologicamente, saber e sabor têm origem no latim. Saber, do latim sapere significa literalmente “ter gosto, exalar um cheiro, um odor, perceber pelo sentido do gosto”; no sentido figurativo, “ter inteligência, ter juízo, conhecer alguma coisa, compreender, ou ainda, saber”. A palavra sabor, do latim sapore refere-se “a gosto, sabor característico de alguma coisa, coisa de bom gosto, odor, perfume, gosto, ação de provar”. Saber e sabor têm algo de autenticidade, de genuíno, que ligam e convergem em si mesmas; indicam qualidade, condição ou caráter de autêntico na semântica de saber e sabor. O saber ou o gosto pelo conhecimento acompanha muitos de maneira a buscar incansavelmente algo mais; algo mais duradouro; algo até então incompreensível e, aos poucos tornar juízo, conhecedor de algo. A busca incessante pelo saber pode trazer gostos desconhecidos e torná-los apetecíveis. O sabor, a degustação agradável pode tornar o processo do saber uma experiência rica e com demasiado bons gostos nas suas nuances. Saber e sabor podem ter a mesma raiz linguística, no entanto, a dupla pode tornar-se mais palatável a ação de provar, apreciar e deglutir o conhecimento, conhecimento seletivo, diverso e necessário. Saber e sabor podem se relacionar com outra palavra oriunda do latim e que complementa muito bem o sentido das demais. Recordar. Re-cordis, donde se deriva recordação, aquilo que volta a passar pelo coração (cordis), aquilo que se leva ao coração, algo que se guarda dentro de si como o saber e o sabor das coisas boas da vida, como o abraço apertado e sincero de um amigo ou o beijo afetuoso/carinhoso de uma criança que se quer bem. Algo que se recorda e saboreia, devagar, lentamente, como uma gostosa sobremesa feita pela mãe. Algo que tem que ser cativado, apegado e reconhecido pelas demais pessoas para que recordem (re-cordis) das coisas simples e importantes da vida. O célebre e afamado escritor Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), autor da obra literária mundialmente conhecida “O pequeno príncipe” (The little prince) discorreu e deixou a emblemática e legítima sentença dita pela raposa ao pequeno príncipe, aqui em tradução livre: “O essencial é invisível aos olhos.” (SAINT-EXUPÉRY, 1943, cap. 21, p. 61, tradução nossa). E mais a frente no diálogo, a raposa dirige mais uma sentença ao príncipe: “Tu
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te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” (SAINT-EXUPÉRY, 1943, cap. 21, tradução nossa). Você é livre para decidir pelo livre arbítrio o que leva ao seu coração, o que guarde dentro de si. Portanto, é responsável direto pelos seus efeitos e consequências, seus saberes e sabores. Pense e reflita no apego aos seus legítimos gostos, sabores e saberes.
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MEDO, COMPAIXÃO E ESPERANÇA Certas palavras, em certa medida abstratas, podem tomar significados diversos e interessantes. Uma delas é a palavra virtude que orienta uma possibilidade, algo que ainda não aconteceu, algo imaginário ou de certa forma virtual. Possibilidade que pode ou não acontecer, a possibilidade do desabrochar, desenvolver de algo, uma capacidade ou habilidade inerente ao ser humano. Outras palavras interessantes e, em determinados casos, consideradas virtudes são o medo, a compaixão e a esperança. O medo pode ser uma virtude, assim como a coragem. A compaixão pode ser uma virtude, a indiferença e a insensibilidade em determinados casos também. A esperança pode ser uma virtude, bem como a descrença e a desesperança, desde que sirvam de reforço a algo ou alguma atitude (ação) positiva. Todos esses termos tomam importância de acordo com a situação, o contexto inerente à vida humana. A coragem, insensibilidade ou a desesperança pode tornar o ser humano adaptado e resistente a situações-problema à qual o homem está exposto no ambiente, na vida. O neurologista e psicanalista Sigmund Freud (1856-1939), no seu livro “Além do princípio de prazer” (1920) traz alguns conceitos importantes para a temática sobretudo com relação ao que difere o susto, a angustia e o medo: Susto, medo e angustia são expressões empregadas erroneamente como sinônimas; elas podem ser bem distinguidas entre si quanto à sua relação com o perigo. “Angustia” designa certo estado como a expectativa do perigo e a preparação para ele, ainda que seja desconhecido; o “medo” exige um objeto determinado para o qual a pessoa sinta medo; “susto”, porém, designa um estado em que a pessoa entra quando está em perigo sem estar preparada para ele; o susto acentua o fator surpresa. (FREUD, 1920, p. 52).
O medo faz parte da vida. O medo pode ser considerado um instinto e ou sensação consciente, onde o ser humano se coloca em estado de alerta (se prepara), receio ou perigo, tanto fisicamente e psiquicamente. No sentido considerado virtude, o medo é uma resposta do organismo a uma situação adversa e que coloca o ser alerta e preparado para enfrentar, digna e serenamente, determinada situação atípica. Por exemplo, quando temos medo que alguém, da qual se tem afeto, carinho e admiração, não esteja bem, no caminho natural e correto, bem
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como, estar doente, nervoso, ansioso, preocupado, cansado, desanimado, estressado e com tantos adjetivos que cabem à situação, algo está mal. O melhor que temos que fazer é nos solidarizarmos pelo outro e ter compaixão. A compaixão pode ser considerada um sentimento de empatia, uma faculdade de compreender emocionalmente e fisicamente o outro, um sentimento de piedade para com o outro, que intrinsecamente motiva solidariedade. Uma ação de ajuda mental, física e emocional a quem sofre. Um impulso altruísta de se colocar na situação de outrem e de alguma forma diminuir a dor e a angústia alheia à vontade de outros. Separando e entendendo a palavra compaixão temos “com-paixão”, “com”, quer dizer junto e “paixão”, entusiasmo ou amor intenso (algumas vezes até irracional e, por isso, pode se tornar irresponsável e leviano). Amor intenso de forma racional, responsável, sereno, constante e consistente, com (junto) e pelo outro. A esperança vem de forma derradeira reforçar a compaixão e combater o medo. A esperança é um estado abstrato de crença otimista (positivista) da mente que se baseia na expectativa de fatos, eventos ou circunstâncias favoráveis ao indivíduo, ser humano, bem como, outros seres humanos ou fatos da vida. Se bem me lembro, certa vez em casa com minha mãe, estava eu a fazer algo tranquilo e desinteressado, curtindo o momento de lazer e descanso, quando vejo minha mãe trabalhando, com um lenço ou pano amarrado à cabeça, atenta e alegre, como poucas vezes a vi, por algum motivo que não me recordo, estava a fazer algum quitute delicioso na cozinha (como, aliás, é coisa de mãe, atenciosa, preocupada e carinhosa com a família) e cantarolava, cantarolava muito. Eu parei, fiquei atento, escutei e admirei a canção: “Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor. Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor.” Pense e repense na relação harmoniosa que pode e deveria haver entre o medo, a compaixão e a esperança. Tenho esperança que as coisas melhorem! Devaneio ou pensamento ético e otimista de quem age para buscar soluções e ou alternativas na vida?
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QUALIDADE VERSUS QUANTIDADE Qualidade! Qualidade determina a essência ou natureza de um ser ou coisa. Qualidade em quem, em quê, do quê? Qualidade atributo humano. Qualidade pode determinar um grau ou nível de excelência. Quantidade reflete em uma propriedade de magnitude, algo ou coisa que pode ser determinado, medido, avaliado, mensurado, numerado, contado, algo em maior ou menor proporção. Vale mais qualidade ou quantidade? Depende do contexto... A qualidade (atributo humano positivo) no amor, no compartilhamento, no carinho, no afeto, na convivência familiar, no respeito e dedicação aos filhos, no trabalho bem feito, na vida em sociedade mais solidária ou fraterna. A quantidade (e neste caso, maior quantidade) de tempo compartilhado e convívio dispensado de corpo, mente e alma a aqueles que se tem amor, carinho, afeto, respeito e dedicação como a família e aos amigos, também é importante e mais cedo ou mais tarde pode fazer falta e a diferença na vivência. Tanto quantidade quanto qualidade é importante e merece nossa devida atenção e equilíbrio. Parece mesmo estar aí à palavra-chave dessa difícil escolha que permeia nossa vida. Qualidade não é, necessariamente, o contrário de quantidade (qualidade versus quantidade), mas sim, qualidade (positiva e benéfica) deve permear em quantidade (propriedade de magnitude referente à maior e melhor) as relações humanas sadias, respeitosas, pacíficas, verdadeiras e recíprocas no convívio (viver junto) entre todos.
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ESTADO DE CONSCIÊNCIA O estado de consciência é inerente ao homem. Digo mais, o estado de consciência e a capacidade de raciocínio lógico são inerentes à espécie humana. O estado de consciência inalterado facilita intrinsecamente a capacidade de pensar e raciocinar do ser humano nas mais diversas situações da vida cotidiana. Algumas situações-problema como dificuldades no convívio familiar, pressões profissionais e dilemas pessoais podem ser, conscientemente e racionalmente, atenuados ou resolvidos. No entanto, o contrário também é verdadeiro. Situações-problema podem ser potencializadas e, consequentemente, pioradas, tornando-se de difícil solução. Tal situação pode ocorrer quando, de alguma forma, se altera o estado de consciência humana. Um exemplo clássico remete ao uso de drogas lícitas (tais como o álcool e diversos medicamentos psíquicos) ou ainda, drogas ilícitas (bem como a maconha, ópio, cocaína, heroína, crack e outros tantos narcóticos). O álcool em doses homeopáticas e ínfimas, esporadicamente pode ter efeito benéfico sobre o organismo humano, especialmente no sistema cardiovascular e motor do ser humano. Todavia, quantidades excessivas e corriqueiras podem causar dependência ou vício, alterar o estado de consciência e raciocínio, dificultar o entendimento, prejudicar o movimento, atrapalhar a saúde física e psíquica da pessoa, além de atrapalhar demasiadamente as relações humanas na família, na profissão e pessoalmente. A bebida alcoólica pode ser tomada e apreciada (com bom gosto) e moderação, no entanto, qualquer excesso pode torná-la um desgosto desapreciável. Independentemente do tipo de produto, lícito ou ilícito, o uso desse tipo de artifício em demasia pode ter efeito viciante, provocar certo estado de satisfação e, em determinados casos, êxtase, alegria desenfreada e até euforia. Não obstante, sensações passageiras, vazias, instantes alienadores, combinações enganatórias, às vezes, até vexatórias. Alegrias passageiras, brevidade de felicidade, necessidade e ou dependência, desequilíbrio, instante apequenador, desesperador e, em alguns casos, trágicos (como nos tantos acidentes com motoristas alterados e veículos descontrolados). Horizonte incerto, horizonte nebuloso, daqueles enganados e iludidos por substâncias que degradam e degeneram o ser humano. Apoio da família e dos amigos, compreensão e muito diálogo, acompanhamento e cuidados médicos especializados, além de políticas públicas sérias, responsáveis e bem elaborados, com projetos de governo podem ser o caminho para escapar ou sair dessa situação. O estado de consciência lógico e inalterado proporciona ao indivíduo aproveitar ao máximo suas potencialidades, habilidades e convívio social. O
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estado de consciência racional permite respostas mais acertadas a situações do dia a dia. O estado de consciência equilibrado nos possibilita ponderação no pensamento e nas decisões corriqueiras do cotidiano, de maneira benéfica a todos que vivem e convivem em sociedade.
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TO LOVE AND TALK Once Mahatma Gandhi (1869-1948) said: “Let your life speak to us”. To speak is a sign of simplicity and love for one another. Jesus Prayer (referred to as Jesus of Nazareth or Jesus Christ) recommended: “Love one another as I have loved you”. Many people take lived without yourself worry with the others people. Any people have a different trouble of the others people, they live and thinking different. Whatever, the comprehensive respect would be the first factor in our community. Understanding the differences between one another and respectively, comprehensive your life. To talk about this means to invite your friend and or familiar, or your community and let flow your own understood in one dialogue of the friendship and respect amiable. To speak and refer to the celebrated phrase of Gandhi: “Let your life speak to us”.
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COMPROMISSO E JURAMENTO O juramento do grego Hipócrates (460 a.C. - 370 a.C.) estabelece um compromisso ético e de valor aos médicos (a original, depois traduzida em Lausana em 1771, ratificada em 1948 pela Declaração de Genebra e a atualização em 1968, 1983 e 2017) revela nas suas premissas: Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes. Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva. Conservarei imaculada minha vida e minha arte. Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam. Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados. Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça. (HIPÓCRATES, sem data, traduzida em 1771)
A valoração de tal compromisso firmado e confirmado pelos profissionais da área da saúde torna-se uma descrição de preceitos de caridade, solidariedade, honestidade, arte e ciência de salvar vidas, independentemen-
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te do gênero, cor de pele, classe social e financeira, afinidade ou empatia pessoal. A disponibilidade para discutir que tipo de compromisso ou juramento se deve fazer no meio onde se vive e, mais do que isso, respeitar esse compromisso e/ou juramento começa, permeia e termina numa escolha social. O compromisso é uma atitude moral de escolha própria do indivíduo que vive racionalmente e que deveria fazer o bem da sociedade. O compromisso, obrigação assumida, comprometimento ou pacto entre diferentes partes, tentando favorecer a convivência humana. Juramento é a confirmação, a afirmação de um compromisso, de um fato ou promessa de um indivíduo ou grupo feita perante alguém ou algo (coisa ou símbolo) de importância e valor moral para o indivíduo ou grupo social. O estabelecimento de compromissos (como no casamento, a troca de alianças e o compromisso firmado perante o padre, sacerdote, juiz, familiares, amigos e, dependendo da crença, até Deus) e, consequentemente, o juramento feito e confirmado, seja profissional, fraterno, afetivo ou amoroso se caracteriza pelo seu sentido e valor intrínseco. O médico faz um dos juramentos mais simbólicos, importantes e bonitos entre as diferentes carreiras profissionais e afirma um compromisso social ético. A fidelidade a esse compromisso de valor, hoje em dia, poderia estar na moda!
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PERTENCIMENTO E DOAÇÃO A gente não é de ninguém! A gente não pertence a ninguém! Nós não somos nem de nós mesmos! Não temos o controle de nada. Na verdade, nós temos pouquíssimas coisas que podem ser controladas, planejadas, projetadas ou organizadas por nós mesmos. Já escutei isso muitas vezes... Acaso ou circunstâncias do meio? Indescritível, imponderável e ou inexoravelmente inexplicável!? Sorte ou situações sem controle? Ações reflexivas, direcionadas e planejadas podem interceder de modo favorável ao indivíduo, de acordo com seu desejo (de algo que se falta, que se precisa, necessita ou em prol do que se quer), mas o resultado é imprevisível. Realmente, a grande maioria das coisas acontece de maneira incontrolada. No entanto, podemos direcionar nossas atitudes ou ações de maneira a favorecer o que se deseja, independente do acaso, circunstâncias do meio, do indescritível, imponderável ou inexplicável, sorte ou situações sem controle. Tudo pode acontecer, mas podemos agir de maneira a favorecer e a potencializar nossos desejos. Nas relações humanas também pode ser assim. Quando conhecemos alguém especial, que nos faz falta e no decorrer da vida, nos completa, nos anima, nos incentiva e nos alegra profundamente, isso pode trazer um sentimento, naquele ou naqueles instantes, de felicidade intensa. O gosto por estar junto (em companhia da outra pessoa), a afinidade na conversa (mesmo que em algumas vezes pensem diferente, mas se respeitem), alegrias nos encontros, partilha nos momentos de celebração, solidariedade nos momentos difíceis, isso sim, forma uma convivência sadia. Gosto no deitar e dormir junto, compartilhar a cama e sonhos. Ficar alegre com o cabelo da amada no rosto, o cheiro doce da pele, o segurar e acariciar das mãos dadas, o carinho na pele, as pernas sobre o corpo do companheiro (que adora o que acontece, mas não se mexe para não acordar e não terminar aquela situação, mesmo que esteja com uma enorme vontade ir ao banheiro no meio da noite). No decorrer da noite, os pés se encontram, se entrelaçam, os pés dela sobre os pés dele, movimentos e carícias tão alegradores que não quer que acabe nunca. O bem-estar no acordar junto e a primeira coisa a ver seja uma pessoa com cabelos embaraçados, corpo amassado e olhos preguiçosos, que se partilhou uma noite fabulosa e, posteriormente, pensar que maravilha estar aqui e participar da vida com essa outra pessoa. No entanto, algumas situações e ou desentendimentos, o que também não temos controle, são circunstâncias do meio e podem acontecer. As pessoas são diferentes, tem experiências diferentes e consequentemente, pensam diferentes. Independente do acontecido, o respeito, a humildade e a autoavaliação nos levam a
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reflexão e, por ventura, ao pedido de desculpas. A gente não é de ninguém! A gente não pertence a ninguém! O pertencimento nas relações humanas, por vezes, pode ser confundido na sua definição. O pertencimento é referente àquilo que faz parte de algo ou alguém, tornar-se propriedade ou é atribuída com sentimento de posse de algo ou alguém. Todavia, o significado do pertencimento pode ser referido e relacionado com doação. Doação é a ação ou ato (atitude que envolve escolha) de dar algo próprio a outrem ou outros (como cônjuge, filhos, pais e amigos). A diferença é que nas relações humanas não somos pertencentes, como coisas ou objetos, mas nos doamos, livre e conscientemente, de corpo, mente, alma e tudo que é possível numa relação afetuosa e amorosa entre os seres humanos. Tais relações amadurecidas, sem cobranças, desejos ou aspirações mútuas, sem esperar nada em troca, envolvendo somente o sentimento de alegria no participar, acompanhar, dividir, partilhar, repartir ou compartilhar com o outro, como por exemplo, ocorre na amizade simples e sincera. O compartilhamento deve se comunicar com o companheirismo de maneira terna e tornar o exercício da convivência duradoura e reconfortante a todos. O disfrutar desse tipo de relação traz ganhos inerentes ao processo de compartilhamento e convivência. Não o pertencimento, mas a doação deve ser a constante. O gosto pela presença, o jeito e trejeitos do parceiro ou parceira, o cheiro, a conversa, os pensamentos, as alegrias e tristezas da vida nos dão a possibilidade de disfrutar e crescer enquanto pessoa. A vida solidária, a vontade de querer ajudar e alegrar o outro pode trazer mais satisfação do que a própria e narcísica vontade de satisfazer os próprios desejos e ambições pessoais. O livre arbítrio ou a escolha deve ser inerente ao ser que vive e convive em sociedade, nas relações pessoais e interpessoais. A escolha é condição sine qua non para a doação. Tudo pode acontecer e não sabemos ou entendemos o que acontece, mas podemos fazer a nossa parte na história e aumentar as possibilidades favoráveis na vida. A doação sobrepõe, e muito, o pertencimento nas relações humanas.
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PRIORIDADE E TEMPO Nos dias contemporâneos, as pessoas se dizem sem tempo... Sem tempo para fazer o que foge da sua rotina, sem tempo para fugir da árdua repetição laboral, sem tempo para fazer muita coisa que, se pensa ou se diz importante como cuidar da saúde, praticar uma atividade física ou um esporte, aprender algo novo, estudar, se dedicar e conviver com quem é imprescindível tal como o pai, a mãe, filhos, cônjuges (esposa ou marido) ou amigos. O tempo pode ser tratado de maneira bastante singular pelo psiquismo e ou psicanálise. As partes fundamentais do psiquismo são: consciente e inconsciente. O consciente é todo aquele que tomamos conhecimento em um dado momento. O inconsciente, o contrário, não pode ser evocado voluntariamente sem ajuda de técnicas poderosas como o hipnotismo e a psicanálise. Sigmund Freud (1856-1939) conhecido como o “pai da psicanálise”, em seu livro “Além do princípio de prazer” (1920) traz brevemente o tema do tempo: [...] os processos psíquicos inconscientes são em si mesmos “atemporais”. Antes de mais nada, isso significa que não são ordenados temporalmente, que o tempo nada modifica neles, que não se pode aplicar a eles a representação do tempo. Essas são características negativas, que só podemos esclarecer por meio de comparação com os processos psíquicos conscientes. (FREUD, 1920, p. 82) .
Se processos psíquicos inconscientes não sofrem influência do tempo, provavelmente, os processos psíquicos conscientes como o pensamento, organização de ideias, reflexão ordenada e coerente sofrem influência do tempo, sendo temporais. Por que não aproveitar o tempo de maneira consciente em prol de algo produtivo, enriquecedor e benevolente? O dia continua o mesmo desde os primórdios, o mesmo dia comportando as mesmas vinte e quatro horas. No entanto, atualmente, nos colocamos tantos afazeres, obrigações, atividades sociais ou redes sociais e, tantas outras coisas e informações que acabamos percebendo que acabamos, ao final do dia, sobrecarregados e fatigados com informações demasiadas e temos a impressão que há pouco tempo. Será mesmo que tantas informações são necessárias e primordiais ou prioritárias na nossa vida? Provavelmente, não. Tudo pode ou não ser sim, questão de prioridade e seleção do que é realmente importante pra você. O tempo, ou melhor, a divisão de afazeres e tarefas desnecessárias consome nossa energia vital e pode nos deixar com
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estresse, fatigados e desmotivados. A prioridade do que fazer, quando e com quem fazer depende das escolhas e objetivos na vida pessoal, familiar e social. Quando convidamos alguém especial, seja familiar, cônjuge, filhos, amigos ou uma pessoa que se tem um bem querer para praticar uma das necessidades mais primordiais e básicas dos seres vivos, que é comer um alimento, o ato de comer sem dúvida é importante, mas talvez, o encontro ou o reencontro, a companhia, a conversa, a amizade, a troca, o comprometimento, o companheirismo e o carinho, seja, antes de tudo, um ato de respeito e amor ao próximo. Talvez, o primordial não seja o alimento em si, mas o fato de estar junto, partilhando e compartilhando (com=junto), convivendo num momento tão especial, com alguém especial. Estar com o outro implica em estar de corpo e mente presente, se dedicando e se deliciando com a companhia, jeitos e trejeitos, manias, objetivos, aspirações, experiências e ideias da companheira ou companheiro e, tornar aquele momento, um instante de alegria e felicidade extrema, ainda que fugaz, passageiro, irrepetível e derradeiro no tempo. Talvez, seja a hora de dizer: “Quando estou com você, estou só com você” para a pessoa amada, membros da família, amigos queridos e quem represente algo importante e, consequentemente, prioritário na sua vida. Talvez, esteja na hora de uma mudança de prioridade e, portanto, de comportamento frente a outras pessoas. Em tempos de internet, celulares, computadores, redes sociais, aplicativos de mídia eletrônica e jogos, os mais desenvolvidos e tecnológicos, que podem nos trazer entretenimento, diversão, lazer, facilitar o trabalho e algumas relações humanas, mas que em algumas situações, servir de ferramenta de discussão, atrito e discórdia, nos tirar o foco e nos deixar dispersos. Dispersos e desatentos nas relações humanas, amizade, família, sociedade. Talvez, esteja na hora de deixar de ser ou agir com sectários, de maneira separada, individualizada, apartada, divididos ou divergidos de quem é prioridade na nossa vida, para sermos convergidos ao companheirismo, convivência e partilha responsável, digna e fraterna da vida cotidiana. Mudança de prioridade implica em critério, seleção, organização, gestão e divisão de tarefas diárias, além da partilha mais igualitária e justa dos afazeres do dia a dia. A prioridade e o tempo devem caminhar juntos, de braços dados, como dois namorados e convergir para o mesmo ponto, um mesmo caminho. Se algo é realmente prioritário, encontramos tempo pra ele.
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SER E ESTAR Primeiro a pessoa é, depois ela está. Já dizia o sempre lembrado sucesso de William Shakespeare (1564-1616), a peça do príncipe dinamarquês Hamlet (ato 3, cena 1): Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre Em nosso espírito sofrer pedras e setas Com que a fortuna, enfurecida, nos alveja, Ou insurgir-nos contra um mar de provocações E em luta pôr-lhes fim? Morrer… dormir: não mais. (SHAKESPEARE, entre 1599 e 1602, primeira cena do terceiro ato, grifos nossos).
Ser ou não ser. Em primeira análise, pode estar cheio de significados. Não tem relativismo, tem realismo e até, diriam uns, fatalismo. A vida é breve, passa, se dilui e finda. Pense, eu sou antes, e depois sim, eu estou. Ajuda a entender e a buscar um pouco da nossa essência enquanto seres humanos e a compreender minúcias da nossa existência, enquanto ainda temos o existir. O que sou me define como pessoa, o que penso, o que acho, como me visto, com o que me alimento, como reflito, como atuo, como respondo as diferentes questões do dia a dia. Posteriormente, estou, sim, corresponde a uma situação momentânea, passageira, que pode mudar. Sem conjecturas, sem achismos, sem devaneios, mudar e se transformar. A ideia é original e singular, mudar e se transformar, no tempo e no espaço. A vida sempre muda independente da nossa vontade. Ou melhor, pouquíssimas coisas estão ligadas a nossa vontade, no nosso controle, mas podemos favorecer acontecimentos melhores. Uma das vertentes que podemos favorecer é lutar para ser uma pessoa mais humana, consciente, justa, ética, socialmente responsável e profissionalmente engajada. A mente pode trabalhar a nosso favor, contudo, depende de reflexão, entendimento e persistência. O ser deve vir primeiro, em relação ao estar e, com certeza, claramente, antes do ter, na vida pessoal, familiar, profissional e social.
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COM VOCÊ Há muitas coisas bonitas e boas no mundo, mas a melhor delas está aqui, com você. É estar com você. Com alguém especial e se sentindo especial.
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PERFECTUM Perfectus, ou ainda, perfectum, etimologicamente significa feito até o final, completo, traz a noção de acabado, a completude, na origem da língua latina. Nós, seres humanos, somos realmente feitos até o fim? O ser humano nasce, cresce, amadurece, envelhece e morre. Nesse espaço de tempo (timing, expressão muito usada em inglês), referido ao tempo quando alguma coisa acontece, normalmente no presente, aproveitando e aprendendo o pretérito (passado) e possibilitando um futuro favorável, somos falíveis. Portanto, não. Não somos perfeitos (perfectum) buscamos com o tempo, a experiência e a revisão de erros do passado, repensar, refazer e ressignificar a vida até a morte ou até o momento derradeiro. Não obstante, busca-se serenidade e sabedoria nas decisões e ações do cotidiano, principalmente com o passar do tempo e da idade adulta. Algo que necessariamente deveria acontecer, mas não obrigatoriamente e factívelmente, acontece. Não obstante, nós, seres humanos, somos infectum (palavra também oriunda do latim) palavra que conferiria à ideia expressada na noção do inacabado, incompleto e, por isso, se fazendo, crescendo, aprendendo, refazendo, reaprendendo com os erros e, utopicamente, buscando a perfeição, que necessariamente não ocorre. A vida é um aprendizado, uma escola, onde erramos, corrigimos e reaprendemos. A vida nos possibilita educação continuada e contínua por toda a nossa vida. Não menospreze, diminua ou apequene a vida, e dê o devido valor que ela merece.
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FELICIDADE EPISÓDICA Felicidade episódica é algo inerente a vida de qualquer pessoa, um acontecimento, algo que tem valor, que ser celebrado e aproveitado em todas as suas nuances. A felicidade, sua intensidade e emoção são episódicas, pois dependem de circunstâncias, que podem variar de pessoa para pessoa, acontecimentos, encontros e desencontros, ausência ou presença de algo ou alguém que movem (emocionam) cada ser humano de um jeito, de uma forma distinta e individual. A felicidade pode acontecer numa eventualidade, ser de maneira transitória e ou passageira. A felicidade pode ocorrer em determinada circunstância, ser descontínua e, por isso, tão densa, intensa e de ocorrência esporádica. Não obstante, deve ser experimentada, degustada e aproveitada em toda completude que o momento propicia. Somos seres incompletos, indefinidos, se fazendo, errando, refazendo e aperfeiçoando com as experiências e acontecimentos da vida e, por isso, também possuímos satisfação indefinida, com pequenos e esparsos instantes de felicidade. Antônio Abujamra (1932-2015), ator, diretor, dramaturgo e apresentador de televisão, de grande cultura erudita e popular, fraseava: “A felicidade é uma ideia velha”. Talvez, por sua circunstância passageira, passada e diriam uns, velha, deva ser valorizada e aproveitada na sua totalidade. Não devemos perder nossa capacidade de nos maravilharmos com essa “ideia velha”. A lembrança ou recordação (algo que se leva ao coração = cordis, em latim) pode nos dar consciência da falta da felicidade em muitos momentos e reavivar (tornar viva) recordações de momentos de pura felicidade. O conhecimento da felicidade só pode ser alcançado a priori, posteriormente, devido a falta e reflexão de sua finitude. Tais momentos felizes e episódicos findos, que acontecem vez ou outra, é que tornam a vida e a convivência humana prazerosa e digna de ser vivida, com decência e ética. Vale a reflexão!
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SERVIDÃO LABORAL VOLUNTÁRIA Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) em seu “Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens (Discours sur l’origene et les fondements de l’inégalité parmi les hommes)”, de 1755, apresenta de maneira bem clara o homem selvagem em sua condição de vida natural na natureza, humilde e sem regalias, e o homem, dito civilizado, crescido na sociedade e compara: O homem selvagem, quando acabou de comer, está em paz com toda a natureza, e é amigo de todos os seus semelhantes. Se, algumas vezes, tem de disputar seu alimento, não chega nunca ao extremo sem ter antes comparado a dificuldade de vencer com a de encontrar em outro lugar sua subsistência; e, como orgulho não se mistura ao combate, ele termina por alguns socos. O vencedor come, o vencido vai procurar fortuna em outra parte, e tudo está pacificado. Mas, no homem da sociedade, é tudo bem diferente; trata-se, primeiramente, de prover o necessário, depois, ao supérfluo. Em seguida, vêm as delícias, as imensas riquezas e depois súditos e escravos. Não há um momento de descanso. O que há de mais original é que, quanto menos as necessidades são naturais e prementes, tanto mais as paixões aumentam, e o que é pior, o poder de as satisfazer. De sorte que, após longas prosperidades, depois de haver devorado muitos tesouros e desolado muitos homens, meu herói acabará por arruinar tudo, até que seja o único senhor do universo. Tal é, abreviadamente, o quadro moral, senão da vida humana, pelo menos das pretensões secretas do coração do homem civilizado (ROUSSEAU, 1755, p. 100).
O homem simples e humilde é tido como selvagem, nos primórdios preocupava-se mais, quase que exclusivamente, com sua subsistência e, sanada esta, posteriormente, com a procriação e preservação da espécie. Encontrando na natureza todos os meios para prover sua vida, sem necessidades de supérfluos, e claro, sem responsabilidades e obrigações para com a sociedade e a vida em grupo. Já, o homem nascido e criado em sociedade, tido como civilizado, satisfaz suas necessidades básicas com a subsistência (alimentação) e, quase que imediatamente, tenta suprir outras coisas, tais como desejos, sonhos, expectativas e méritos, todos estes associados ao orgulho e a paixões no supérfluo. A busca de riquezas, posses, escravos (condição vexatória e totalmente predatória) ou até súditos (hoje em dia, denominados muitas vezes de empregados) onde não se encontra momentos de descan-
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so e repouso em hora alguma do dia. O empregado é acionado, quase que instantaneamente, a qualquer hora do dia ou da noite, e convocado pelo supervisor, chefe, patrão, coordenador ou diretor a participar de reuniões intermináveis, cumprir tramites burocráticos enormes e até desrespeitosos, em pouquíssimo tempo, além de exercer outras atividades no trabalho, sendo cobrado por determinação, empenho, qualidade e prosperidade. O homem moderno, dito civilizado, nos dias atuais acostumou-se a servidão, escravização por novos senhores, supervisores, chefes, patrões, coordenadores, diretores ou qualquer superior hierárquico na rotina de trabalho diário. Tão rápido e laboriosamente nos dedicamos e acabamos uma atividade, mais depressa e compulsivamente, nos dedicamos a outra, e mais outra, e outra, assim sucessivamente. Voluntariamente, nos colocamos a mercê de mais e mais trabalho, uma servidão laboral voluntária e cotidiana. Achamos anormal e nos assustamos com a degradação física, moral, intelectual e psíquica causada por vícios diversos, como as drogas lícitas, tal qual o álcool e uso abusivo de medicamentos, e drogas ilícitas, bem como a maconha, cocaína, morfina e heroína, podendo levar o dependente à um suicídio voluntário e a morte. No entanto, achamos normal, perfeitamente aceitável e, até louvável, o desgaste laboral e a sobrecarga de trabalho, usando a expressão usual “estou me matando de tanto trabalhar”. Por mais que gostamos de trabalhar em uma determinada área e nos sentimos gratificados com a atividade realizada de maneira exemplar, o vício e a compulsão pelo trabalho podem se tornar um transtorno psíquico ou favorecer diversos, tais como dificuldade de se relacionar com outras pessoas, estresse, ansiedade, depressão, dentre outros. Atualmente, uma expressão e gíria em inglês tenta nominar o vício em trabalho como “workaholic”, que deve ser acompanhado por médico especialista no assunto e seriamente tratado. A sociedade nos condiciona a essa forma de pensar e agir, além da exacerbada influência das informações veiculadas pela internet e mídias ou redes sociais onde somos voluntariamente “convidados” ou “chamados” via propaganda massiva a essa servidão laboral exagerada. O homem simples, tido como selvagem, encontrava paz na natureza e tinha suas atividades de subsistência. Contudo, com certeza, encontrava tempo para descansar, meditar ou raciocinar e se recuperar. Não seria a hora de esquecermos o egoísmo e qualquer outra forma de orgulho para darmos uma parada e buscar o sentido bucólico do descanso, “ócio produtivo” diriam uns, bem como, admirar as coisas boas da vida e a natureza? O que pensar!?
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CERTA VEZ Certa vez conheci uma mulher que ao entrar na sala irradiou uma beleza sublime com seu olhar e sorriso que fiquei estarrecido. Um sorriso tão espetacular que nos meus piores dias, mais tristes e escuros dias da existência cotidiana, me lembro e me animo, me alegro e me levanto, me energizo. Tal experiência de excelência de encontro e de conviver traz profundos sentimentos de bem-estar. No encontro e nos variados reencontros, o prazer de estar com ela, o olhar, o conversar, o partilhar, o comer, o dormir, o carinhar e no carinhar, o acordar e perceber o quão importante e especial essa pessoa se tornou é surpreendente. Uma pessoa importante (que importa, que se leva pra dentro, pra dentro do coração). Durmo pouco, mas durmo bem, durmo bem ao lado daquela que é (pra mim) a mais bela mulher que os meus olhos fatigados já viram. Tão bela fisicamente, seu corpo semidesnudo na parcial penumbra da noite, sua forma, seu cheiro, seu jeito tão unicamente e perfeitamente seu. Sentimentos vêm à tona e tornam um simples, bem-feito e cotidiano café da manhã, algo ainda mais prazeroso se compartilhado (com = junto e partilhar = dividir, repartir) com ela. Tão bela e admirável mentalmente, suas falas, ideias, sua maneira de conversar, discutir fatos e acontecimentos. Tão respeitável moralmente e socialmente. Tão diferente e evoluída espiritualmente, suas reflexões filosóficas do desconhecido, suas questões transcendentais, sua busca interna da Palavra verdadeira, acolhedora e redentora de Deus. Uma alma admirável, mesmo enquanto ser humano vivente, por vezes falho, inconstante e incompreensível, mas ainda assim, parte maravilhosa do Todo, Único e Criador. Certa vez me encantei e, ainda me encanto por ela, essa pessoa tão especial e inigualável.
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DÚVIDAS E ESCOLHAS A melancolia, o abatimento, as incertezas, as dúvidas, a falta de motivação, as agruras cotidianas, a labuta diária, a hipocrisia, o autoritarismo desenfreado, a sede de poder, o rebaixamento e opressão do semelhante, tudo isso me entristece. Entristece-me, pouco ou nada poder fazer, e quando realmente posso fazer algo, faço pouco ou muito pouco do que poderia ou deveria fazer. As escolhas na vida nos colocam em caminhos incertos, obscuros, nebulosos e que nos deixam, muitas vezes, com a eterna dúvida se tomamos o caminho certo, o trajeto correto, a rota acertada nas decisões feitas e, agora, derradeiras, visto que já é passado. Já ficou com a dúvida pairando na mente? Já se perguntou se realmente fizemos o que era certo, moralmente aceitável e socialmente justo? Às vezes, nos perguntamos se nas encruzilhadas da estrada da vida tomamos as melhores decisões. Em certos momentos, nos distanciamos dos que mais amamos, como familiares e amigos, por tantos e demasiados anos, que fica difícil em certas horas não se questionar e duvidar. Será que vale a pena? Nas oportunidades surgidas de construir nova família, casar e ter filhos, tornar-se responsável por outros e se deliciar com o amar e ser amado ou, sendo, talvez, mais realista, viver e conviver com uma parceira ou parceiro, alguém que saiba dividir, respeitar e compartilhar todos os momentos bons, mas principalmente, os ruins, pois estes últimos sim, são a maioria na vida. Se ponderar e raciocinar, descobriremos que tomamos as decisões que, de acordo com o que escutamos, conversamos, aprendemos e pensamos, ao longo da nossa experiência de vida, achamos que seriam as mais favoráveis para nós e, é claro, para os outros que convivem conosco. Pessoalmente, sempre pensei em fazer o melhor e tentar ajudar outras pessoas fazendo o que gosto e o que consigo fazer de mais proveitoso, de acordo com as habilidades desenvolvidas ao longo de anos. Contudo, fico desgostoso com as disputas políticas desrespeitosas e desleais, briga de interesses e de egos, profissionais que oprimem colegas e funcionários, autoritarismo exacerbado e descontrolado, ego-narcisismo e ânimos demasiadamente exaltados. Eu, só quero construir algo melhor na sociedade e na atividade que escolhi, exercer com responsabilidade e colocar todas as habilidades em favor do próximo. O emprego das qualidades individuais em prol do bem-comum deveria ser condição sine qua non para o bem-viver em sociedade. Mas, e se por motivo qualquer, tivéssemos escolhido outro caminho,
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outra rota, outro trajeto, outra forma de ver o mundo? Seguramente, nunca saberemos, pois é uma abstração irreal e imaginária. Tudo poderia acontecer de outra forma, boa ou ruim, favorável ou desfavorável, dependendo da óptica ou do ponto de vista. Só resta a constatação de que teremos que viver com a eterna dúvida. Como diria Agostinho de Hipona (ou Santo Agostinho, para muitos cristãos), que viveu de 453 a 430 d. C., em seu livro “Confissões” (escrito por volta do ano de 397-400) escreveu que só existe: “presente das coisas passadas”, o “presente do presente” e o “presente do futuro”. Ou ainda, “lembrança presente das coisas passadas”, “visão presente das coisas futuras” e “esperança presente das coisas futuras”. O presente existe, o passado só existe no presente na lembrança ou memória, e o futuro só existe no presente na imaginação, esperança ou expectativa. Ou ainda, na conclusão desta análise, Agostinho propõe uma nova terminologia: O que agora claramente transparece e que nem há tempos futuros nem pretéritos. É impróprio afirmar que os tempos são três: pretérito, presente e futuro. Mas talvez fosse próprio dizer que os tempos são três: presente das coisas passadas, presente das presentes, presente das futuras. Existem, pois, estes três tempos na minha mente que não vejo em outra parte: lembrança presente das coisas passadas, visão presente das coisas presentes e esperança presente das coisas futuras. Se me é lícito empregar tais expressões, vejo então três tempos e confesso que são três. (HIPONA, tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina, 2002, p.284).
O espirituoso Fernando Pessoa (1888-1935, com o heterônimo de Álvaro de Campos) no poema “Na noite terrível”, também apresenta a dúvida e a situação da escolha de maneira bem peculiar e elaborada no texto que revela: Na noite terrível, substância natural de todas as noites, Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites, Relembro, velando em modorra incômoda, Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida. Relembro, e uma angústia Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo. O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver! Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão. Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte. Todos os meus próprios momentos passados pode ser que
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existam algures, Na ilusão do espaço e do tempo, Na falsidade do decorrer. Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei; O que só agora vejo que deveria ter feito, O que só agora claramente vejo que deveria ter sido — Isso é que é morto para além de todos os Deuses, Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver ... Se em certa altura Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita; Se em certo momento Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim; Se em certa conversa Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro — Se tudo isso tivesse sido assim, Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro Seria insensivelmente levado a ser outro também. (PESSOA, F. Na noite terrível. In: BERARDINELLI, C. (Org.). Antologia poética. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2012. p. 276).
Sobretudo em noites terríveis, tão naturais como muitas em nossas vidas... há muito o que pensar! Uma escolha sempre é uma escolha, invariavelmente e independentemente da forma que ela aconteça. Mesmo optando por não fazê-la, ela se apresenta de diferentes formas.
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WHAT’S REALLY A MATTER? DOES NOTHING ELSE MATTER? Many people think that money, the power, the work command your life. It’s will be?! When we died not doing anything, only recordations we can get on here. If want good, it’s any better. Perhaps, you think about this? Your family, husband, and wife, sons, friends, all they’ll have good recordations of you. Research peace, make to well and help the others persons to grow, learn and yourself improve. One life full nails, problems and mistakes can improve with good practices, solidarity and love in the heart. That God and Holy Ghost bless you, your family and friends but think about this now and not to make yesterday that can to make today. In true, anythings matters especially that you make in life. In the wonderful song of rock/metal group “Metallica” – “Nothing Else Matters” reveals very well: “So close no matter how far Couldn’t be much more from the heart Forever trusting who we are And nothing else matters Never opened myself this way Life is ours, we live it our way All these words I don’t just say And nothing else matters. Trust I seek and I find in you Every day for us something new Open mind for a different view And nothing else matters Never cared for what they do Never cared for what they know But I know So close no matter how far It couldn’t be much more from the heart Forever trusting who we are And nothing else matter. Just do it! Many arms. (Nothing Else Matters, METALLICA, 1991)”
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SABEDORIA E IGNORÂNCIA Agostinho de Hipona (Santo Agostinho, de 354-430 d.C.) com sua retórica convincente nos convida no livro “Confissões” a pensar filosoficamente na questão da sabedoria e da ignorância: “A sabedoria e a ignorância são como os alimentos úteis ou nocivos. Podem nos ser apresentados com palavras polidas ou com rudeza de forma, como bons e maus alimentos nos podem ser servidos em pratos finos ou grosseiros.” (HIPONA, tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina, 2002, p. 102 ). A perspicácia de S. Agostinho nos intriga e provoca o questionamento. A sabedoria e a ignorância podem ser apresentadas sob diferentes formas e ou vertentes diferentes; mas, o que é mais valorável, qualquer forma de conhecimento ou saber, ou ainda, a ignorância apascentadora? A razão nos coloca questões e reflexões sobre tal temática, de maneira a incutir um pensamento lógico, ordenado e crítico. Agostinho, p. 223, na mesma obra referida “Confissões” nos provoca: “[...] a razão – juiz que julga o que os sentidos lhe anunciam.” (HIPONA, , tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina, 2002, p. 223). A razão pode indicar que o saber é criterioso, focado e bem escolhido, além de demandar tempo, atenção e disciplina. A informação é, muitas vezes, aleatória, dispersa e praticamente instantânea (nos dias atuais, especialmente com as mídias sociais, televisivas, radiofônicas, jornalísticas, internet, dentre outras). O valor que damos ao saber, ao conhecimento específico, criterioso de fontes confiáveis e conseguido com muita meditação e dedicação pode ser um fator decisivo nas relações pessoais, interpessoais e profissionais. Pessoalmente, a busca de conhecimento e sabedoria deve ser uma busca afunilada ao longo dos anos de experiência, estudo, pensamentos e reflexões, se modificando e acumulando com o passar do tempo. A ignorância – para muitos uma benção apascentadora – pode ser um fator favorável e um aliado na busca de conteúdo criterioso, focado, especificamente escolhido e contribuir para organização e gestão do tempo, dedicação e disciplina na busca do saber. Especialmente, a ignorância de informações inúteis e diversas, ao qual estamos expostos no dia a dia, o tempo todo. Contudo, a ignorância não deve ser confundida com a falta de informação, descuido com os acontecimentos do dia a dia e a despreocupação com a sociedade e com o mundo onde vivemos. Tanto a sabedoria quanto a ignorância podem nos ser apresentadas de maneira rebuscada, empolada ou fina, no entanto, o contrário também é verdadeiro. A questão é o que queremos ou desejamos e a escolha que fazemos a cada momento, desde as pequenas coisas corriqueiras do dia a dia , as
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grandes e importantes decisĂľes que influenciam e modificam nossas vidas, de quem convive conosco e dos nossos concidadĂŁos.
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AMIZADES A perícia arguta no vocábulo, a eloquência e a dialética convincente marcaram a retórica de Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho (354-430 d. C.) para os teólogos e cristãos católicos. No célebre livro “Confissões” revela alguns pensamentos e nos faz algumas convocações filosóficas: “O tempo não descansa, nem rola ociosamente pelos sentidos: pois produz na alma efeitos admiráveis” (HIPONA, 2002, p. 83-84 ). E falando dos bons companheiros e amigos continua: Havia neles outros prazeres que me seduziam ainda o coração: conversar e rir, prestar obséquios com amabilidade uns aos outros, ler em comum livros deleitosos, gracejar, honrar-se mutuamente, discordar de tempos a tempos sem ódio como cada um consigo mesmo, e, por meio desta discórdia raríssima, afirmar a contínua harmonia, ensinar e aprender reciprocamente qualquer coisa, ter saudades dos ausentes e receber com alegria os recém-vindos. Destes e semelhantes sinais, que, procedendo do coração dos que se amam e dos que pagam amor com amor, manifestam-se no rosto, na língua, nos olhos e em mil gestos cheios de prazer, como se fossem gravetos, inflamam-se os corações e de muitos destes se vem a formar um só. (HIPONA, 2002, p. 83-84 , tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina).
No entanto, o homem precisa e procura conviver com outros seres e com outros seres humanos de maneira harmoniosa e benevolente. O homem é um ser sociável, que vive e convive com os seus, que necessita conversar e até discordar (algumas vezes) para pensar e repensar e dialogar, crescer, aprender e ensinar com os demais. A recíproca é verdadeira, “dos que se amam e dos que pagam com amor” manifestam e demonstram isso em tudo o que são e em tudo que fazem, nos rostos, línguas, olhos, gestos. A amabilidade e a cumplicidade entre amigos são coisas a muito tempo versadas, estudadas, contadas e discorridas por filósofos, antropólogos, estudiosos e pesquisadores das relações humanas e, principalmente, de uma das mais características relações, que é a amizade. O filósofo francês da Renascença, Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) escreveu nos seus “Ensaios” sobre a amizade uma das mais bonitas e sinceras declarações do porquê de ser um amigo (explicando a amizade de juventude com o também filósofo, humanista e escritor francês Étienne de La Boétie): “Parce que c’était lui ; parce que c’était moi” (Porque era ele; porque era eu).
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A essência da frase de Montaigne está contida na canção “Porque era ela, porque era eu” de Chico Buarque de Holanda e tornou-se um hino dedicado ao simples e verdadeiro amor. Montaigne arremata sobre a amizade de um homem e uma mulher: Por certo, se se pudesse formar com uma mulher, livre e voluntariamente, semelhante ligação (como de amizade), em que não apenas a alma provasse plena satisfação mas também o corpo encontrasse prazer, em que cada qual assim se entregasse por inteiro, a amizade seria mais perfeita e total (MONTAIGNE, Escrito inicialmente em três volumes de 1580, 1588 e 1588, p. 97).
Etienne de La Boétie (1530-63) tem uma definição interessante para a amizade: A amizade é uma palavra sagrada, uma coisa santa, que só existe entre pessoas que buscam o bem e está fundamentada na estima recíproca. A amizade se conserva, não tanto pelos benefícios que possamos trocar entre nós, mas sobretudo pela convivência honesta. O que faz um amigo confiar no outro é o conhecimento de sua integridade. A garantia da amizade são a bondade, a confiança mútua e a fidelidade. A amizade é impossível onde há crueldade, deslealdade e injustiça. Quando homens cruéis se reúnem, trata-se de um complô e não de um encontro amistoso. Não há amor entre eles, mas apenas medo uns dos outros. Não são amigos, mas cúmplices.” (LA BOÉTIE, 1563, p. 17-18).
A amizade sincera e verdadeira faz crescer, florescer e frutificar uma convivência honesta, benéfica e duradoura. A amizade possível advém da bondade, caridade, lealdade e justiça mútua entre os seres humanos. Entretanto, Agostinho ressalta e completa de maneira a concluir sobre a verdadeira amizade: É isto o que se ama nos amigos. De tal maneira se amam que a consciência humana se julga culpada, se não ama a quem lhe paga amor com amor, ou se não paga com amor a quem primeiro a amou, só procurando a pessoa do amigo sinais exteriores da benevolência. Daí esse luto quando alguém morre, as trevas de dores, o coração umedecido pela mudança da doçura em angústia e a morte dos vivos pela perda da vida dos mortos.
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Feliz o que Vos ama, feliz o que ama o amigo em Vós, e o inimigo por amor de Vós. Só não perde nenhum amigo aquele a quem todos são queridos n’Aquele que nunca perdemos. E quem é esse, senão o nosso Deus, o Deus que criou o céu e a terra e os enche porque, enchendo-os, os criou? Ninguém Vos perde, a não ser quem vos abandona; e, se Vos deixa, para onde vai, para onde foge, senão de Vós manso, para Vós irado? Onde é que não encontra no seu castigo a vossa lei? “A vossa lei é a verdade”, e “Vós a própria verdade” (Sl 118, 142). (HIPONA, 2002, p. 84, , tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pin).
A perícia na apresentação dos argumentos marca a retórica agostiniana e conclui de maneira efusiva, com ardor e veemência nos dizeres sobre a verdade de Deus e da verdadeira amizade. Reflita sobre tudo isso e tire suas próprias conclusões.
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CORRUPÇÕES Pequenas corrupções estão arraigadas no cotidiano de muitas pessoas da nossa sociedade. Atos como estacionar em vaga de pessoas idosas ou com algum tipo de deficiência (física ou motora, psicológica ou cognitiva), tentar subornar ou ludibriar o guarda de transito, furar a fila do banco ou do supermercado, registrar o ponto para o colega faltoso no trabalho, apresentar atestado médico falso no trabalho ou na escola, falsificar a carteirinha de estudante, colar na prova da escola, vender ou comprar produtos falsificados, dentre muitos outros exemplos são encontrados na sociedade contemporânea. Diriam uns, “atos não tão sérios e graves” e ou, pior ainda, “todo mundo faz”. O respeito ao código moral e ético de uma sociedade, ou melhor, do convívio (viver junto) com outras pessoas, faz parte sim, de uma sociedade séria, justa e honrada, com respeito às leis e aos seus cidadãos. Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) nasceu em Estagira, Macedônia, discípulo de Platão e pesquisador científico de forte rigor metodológico, atuando em diversas áreas do conhecimento, proferiu ensinamentos admiráveis sobre moral, tais como: [...] há duas espécies de virtude, a intelectual e a moral. A primeira deve, em grande parte, sua geração e crescimento ao ensino, e por isso requer experiência e tempo; ao passo que a virtude moral é adquirida em resultado do hábito, de onde o seu nome derivou, por uma pequena modificação dessa palavra. (do grego: ethos, e sua derivação ethiké. N. do T.). (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Livro II, 1, p. 40).
E ainda: “[...] a virtude moral é uma disposição de caráter relacionada com a escolha, e a escolha é um desejo deliberado [...]” (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Livro II, 1 , p. 129). E arremata: Sendo, então, os fins aquilo que desejamos, e os meios aquilo sobre o que deliberamos e que escolhemos, as ações relativas aos meios devem concordar com a escolha e ser voluntárias. Ora, o exercício da virtude relaciona-se com os meios; portanto, a virtude também está ao nosso alcance, da mesma forma que o vício. Com efeito, quando depende de nós o agir, igualmente depende o não agir, e vice-versa, ou seja, assim como está em nossas mãos agir quando isso é nobre, assim também temos o poder de não agir quando isso é nobre, do mesmo modo temos o poder de agir quando isso é vil. (ARIS-
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TÓTELES, Ética a Nicômaco, Livro II, 1 , p. 65) . O pior dos homens é aquele que exerce a sua deficiência moral tanto em relação a si mesmo, quanto em relação aos seus amigos; e o melhor dos homens não é o que exerce a sua virtude em relação a si mesmo, mas em relação ao outro, pois esta é a tarefa difícil. (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Livro II, 1 , p. 105) .
Um conhecido axioma ou premissa popular diz que “aquele que é correto nas pequenas coisas, certamente será nas grandes” conforme o evangelho cristão de Lucas, capítulo 16, versículo 10 “Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é desonesto no muito.” O ditame é sábio ao esclarecer e propagar tal verdade. Num país tão invadido, denegrido, dilacerado e contaminado com tantos casos escabrosos de corrupção, como o que está se encontrando no Brasil da atualidade, pode ser algo iniciado e desencadeado pela permissividade com as pequenas corrupções do dia a dia de muitos cidadãos irresponsáveis e desrespeitosos com a boa convivência coletiva. Casos escandalosos de desvio e ou sonegação de milhões (ou bilhões) em moeda corrente do país, sendo sorrateiramente e mesquinhamente retirados dos cofres públicos e, consequentemente, da saúde, educação, alimentação, saneamento básico, segurança pública, dentre outros serviços essenciais da população tomam todos os jornais. A corrupção e seus efeitos diretos e indiretos aumentam as filas dos hospitais; prolongam demasiadamente pedidos de exames vitais à manutenção da boa saúde; prejudicam a criação e manutenção de creches, asilos e centros de convivência; retiram recursos de manutenção e custeio de escolas e universidades; diminuem verbas básicas de assistência a alimentação básica da população mais pobre; agravam programas de infraestrutura e saneamento básico (principalmente água e esgoto) das cidades; exaurem os servidores da segurança pública e sucateiam equipamentos e máquinas indispensáveis a tal serviço; além de causar indignação e comoção pública da população pelo descaso com o dinheiro dos impostos, falta de agilidade e soluções concretas para estancar e solucionar o problema da corrupção. Agostinho (Santo Agostinho ou Agostinho de Hipona, 354-430 d. C.) em um dos seus livros mais famosos “Confissões”, trabalha a ideia de corrupção: De fato, a corrupção é nociva, e se não diminuísse o bem, não seria nociva. Portanto, ou a corrupção nada prejudica – o que não é aceitável – ou todas as coisas que se corrompem são privadas de algum bem. Isto não admite dúvida. Se, porém,
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fossem privadas de todo o bem, deixariam inteiramente de existir. Se existissem e já não pudessem ser alteradas, seriam melhores porque permaneciam incorruptíveis. Que maior monstruosidade do que afirmar que as coisas se tornariam melhores com perder todo o bem? (HIPONA, Confissões, p. 155, tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina, Petrópolis, 18. ed., 2002).
A corrupção é nociva e priva a sociedade de “algum bem”. Em verdade, diversas vertentes do bem comum são prejudicadas por essa forma de câncer que, desde as pequenas corrupções do dia a dia até aos casos escandalosos de corrupção, corrompem, corroem e denigrem aos poucos as virtudes positivas e honestas da sociedade e, com o passar do tempo, sem educação e orientação, bem como, sem reformas e leis severas colocam a sociedade em estado de indignação e os serviços essências em estado precário e, em alguns casos, terminal. A esperança e a pressão no empenho dos cidadãos para a construção de uma sociedade consciente e educada em virtudes morais e éticas para um bem maior coletivo, além da apuração criteriosa, julgamento justo e punição severa dos casos de corrupção deve ser uma busca constante de todos. Aristóteles acrescentar e enfatiza na sua reflexão: Mas é preciso acrescentar “em uma vida inteira”, pois uma andorinha não faz verão, nem um dia tampouco; e da mesma forma um só dia, ou um curto espaço de tempo, não faz um homem feliz e venturoso. (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Livro I, 7, p. 27).
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DIZERES Desculpe, minha humilde vontade sucumbe aos meus medos e te escrevo pra te dizer, desculpe. Desculpe, mas deveria te dizer isso olhando nos seus maravilhosos olhos, mas me falta coragem. Contudo, me sobra carinho, me sobra afeto e amor pela pessoa que apareceu na minha vida, eu nem estava esperando, e me provocou os mais diversos, diferentes e bonitos sentimentos, com seu fantástico sorriso. Deveria pedir perdão a vida toda a você pelos meus erros e, provavelmente, vou. Entretanto, sinto falta da tua companhia, da tua voz, do teu olhar, do teu sorriso, da tua forma de falar, da tua forma de questionar e da tua forma de pensar. Tua companhia me acalma e me deixa relaxado, contente e realizado. Entendo e respeito sua forma de pensar, mesmo que, às vezes, duvide ou não concorde, mas acho que conversar é a mais apropriada solução e com isso podemos pensar, nos questionar e até mudar. O conhecimento ou o saber não é imutável, inquestionável e está em constante aprimoramento, mudança e atualização. Compreendo que sofreu com suas experiências passadas, que quem ama sofreu dificuldades e dissabores. Foi esquecida, magoada e até rejeitada. O medo de ser magoada novamente, ou pior, de magoar e fazer sofrer quem se ama pode ter te dominado e te colocado num estado de alerta, sempre. Teu desejo de viver e ter diferentes experiências ou viveres pelo mundo não te deixa viver e aproveitar o momento presente e as alegrias de uma boa e sadia convivência. Não estou aqui para cercear ou limitar sua liberdade, mas para compartilhar e conviver com você e tudo o que a vida nos apresenta, nos bons e maus momentos. Todos precisamos de orientação e afeto. Também, tenho necessidade de desenvolver - como você - meu lado emocional, psicológico e, principalmente, espiritual. No entanto, as coisas acontecem num tempo determinado e, talvez, somente talvez, eu precise entender, aprender, me questionar e me descobrir e, somente assim, com o tempo descobrir o caminho da alma, na forma que se apresentar. Meu coração é teu, e, completamente teu. Sinto sua falta como se estivesse perdido uma parte de mim, um braço, uma perna ou um órgão vital. Adoro e quero te abraçar, viver e conviver com você e com os teus. Amo-te de uma forma que nunca imaginei que fosse acontecer. Tenha paciência e me ajude a melhorar com você, com as nossas crianças e com o relacionamento com o mundo. Deixe-me conviver e aprender com você a ser uma pessoa melhor, um homem mais carinhoso e amoroso, um ser humano mais digno, um cidadão mais responsável.
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EPITÁFIO Desde tempos remotos, as pessoas se preocupam com o seu epitáfio, uma frase ou expressão deixada como recordação e consolo aos que, por enquanto, vivem. Visto que, essa é uma condição momentânea, passageira e a morte, derradeira, definitiva, um ponto final, ainda que, diriam uns, possa haver reencarnação ou outra vida, de outra forma. O que dizer do epitáfio ou o que escrever na lápide...? Questão interessante. De certo modo, o célebre escritor brasileiro, do Rio Grande do Sul, Mario Quintana pode ter dado a melhor das respostas: “Eu não estou aqui”. Mas, se “eu não estou aqui”, eu estou aonde? Com quem? Fazendo o quê? Qual é a minha função ou motivo para estar onde estou? E, como cheguei onde estou? Estou onde queria ou onde deveria? Fiz as escolhas certas e nas horas certas para chegar aonde cheguei e da forma que cheguei? Muitas questões, poucas respostas, contudo, muito que pensar, refletir, mudar e agir. Lembre-se que tudo na vida é passageiro, incluindo a própria vida e que tudo que decidimos fazer, ou os caminhos que decidimos percorrer, nos leva a algum lugar. Toda a ação correspondendo a uma reação ou resultado diferente, conforme a situação vivida. Nossos pensamentos, declarações, ações e decisões influenciam a nossa vida e a de outros ao redor. Como jogar uma pedra no lago, as ondas se propagam no entorno, em maior ou menor intensidade, até percorrer toda a superfície da água e espalhar seu efeito. Todavia, não seja tão importante saber quando ou pra onde iremos, com quem encontraremos, fazendo ou não algo, a função ou motivo de estar ali, se chegou a algum lugar onde queria ou deveria, se foi questão de escolha, se existe algo ou não existe nada depois. Entretanto, o importante seja o caminho, as distancias percorridas, com quem e o modo como viveu, o que fez de produtivo, os exemplos e atitudes favoráveis deixadas, as lembranças boas, virtudes e conhecimentos ensinados, as coisas que deixou posteriormente aos outros, qual foi à obra ou legado deixado postumamente. Hoje, talvez, e só talvez, seja mais importante lembrar aos outros e escrever na lápide como epitáfio: “O que fica é a obra, o resto é história”. História de vida vivida, vida passada, vida compartilhada, vida trabalhada, vida aproveitada, no sentido mais amplo do aforismo latino “Carpe diem” de Horácio (Itália, 65 a.C. - 8 a.C.). Aproveitar o dia, aproveitar a vida, não de maneira descabida, desregrada e desmedida, mas de maneira a aproveitar a companhia dos bons e verdadeiros amigos, da família e daqueles que mais se importam conosco, dos queridos e fraternos companheiros. Aproveitar a vida fazendo um esforço cotidiano nas pequenas e nas grandes coisas de maneira a produzir e ou criar algo novo e melhor, deixar algo duradouro e
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valioso para nós e para os outros. Sendo artesão, seja um excelente artesão; sendo agricultor, seja um agricultor de excelência; sendo professor, seja um criativo e maravilhoso professor; sendo um industrial, desenvolva e organize de maneira inovadora e empreendera sua indústria; sendo um construtor, seja um dos melhores construtores; sendo um cozinheiro, fascine e delicie os outros com seus alimentos bem preparados e servidos; enfim, sendo um profissional de qualquer área ou atuação, faça e faça bem feito, mostre seu diferencial, inventividade ou capacidade de executar uma tarefa com excelência. Assim também, na vida familiar e social, afetiva e fraterna, individual ou coletiva.
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RITOS FINAIS Depois de muito refletir, cheguei à conclusão que pouco, ou melhor, nada tem de vantagem ou benefício aquele que, depois de morto, recebe os ritos finais e os préstimos de um grande e pomposo velório, cortejo fúnebre ou enterro. Pouco resta a fazer. O respeito, o consolo e os pêsames ficam a cargo dos parentes e amigos mais próximos e íntimos. A preocupação desmedida com funerais onera, ou no mínimo, causa grandes despesas desnecessárias aos familiares, enquanto o ente falecido nada se beneficia e se satisfaz com o pleito, uma vez que, o falecido nada sente, nem se ressente sobre o assunto. Testemunhos públicos de suas façanhas, vitórias e virtudes nada repercutem no destino derradeiro do homem. A posteridade resta a lembrança, especialmente aos mais próximos, o exemplo de honradez e dignidade, além da obra (coisas boas que ficaram) postumamente. O defunto, o cadáver, se me couber a opinião, pode ser honrado desde que não haja exagero de gastos e lamentações, fazendo-se recordar nos seus feitos meritórios, além das boas ações. Isso sim, pelo menos serve de bons exemplos aos mais novos e aos que ficam. É temerário o exagero ou o desespero, pois só podem trazer à tona mais angústia, tristeza e sofrimento. O entendimento e a soberania do povo fiel aos seus costumes e ao carinho pela pessoa humana, enquanto viva, lamenta a morte e, consequentemente o defunto, e honra-o com o desvelo e o cuidado com seu corpo ou restos mortais. Todavia, o cadáver já não se beneficia de tais bens e presentes, não fica contente ou se regozija com tal zelo. Bens adquiridos, reputação, reconhecimento, honrarias e poder não acarretam vantagens ao ser que não vive. Ocupações e preocupações supérfluas não povoam sua mente e seu corpo sem vida. A temperança e o equilíbrio chegam sorrateiros e imperceptíveis, mas quando aparecem acalmam, tranquilizam e apoiam numa vida que realmente pode valer a pena e ter um objetivo, uma meta maior e benéfica. A esperança de um futuro glorioso repousa apenas nos que vivem. Pra aquele que tem fé, as bênçãos celestes são estendidas aos restos mortais na sua tumba, enquanto o espírito repousa no Criador. A Divina Providência tem seus desígnios, desconhecidos dos vivos. O Santo Espírito apascenta e conforta, toda e qualquer alma.
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REQUIEM A expressão latina “Requiem aeternam” designa um início de uma prece religiosa e refere-se ao “Descanso eterno”. Tal expressão é endereçada como uma oração ou desejo de paz infinita aos mortos em uma celebração religiosa. Os ritos finais e, posteriormente, a despedida, o adeus, as condolências ou os pêsames fazem parte de uma série de ritos fúnebres há muito e muito tempo utilizados pelos seres humanos durante a despedida derradeira de seus entes queridos. Toda e qualquer civilização humana, sempre se distinguiu de outras espécies e se reuniu em sociedade em função de celebrações fúnebres e cemitérios, desde os primórdios das civilizações. Ritos e cerimonias, preces e rituais sempre estiveram presentes no desabrochar das sociedades antigas e atuais. Os fiéis defuntos, especialmente da igreja Católica, recorrem a Missa de “Requiem” usando uma forma muito particular de celebração do Missal Romano. O austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, 1756 – Viena, 1791) compôs uma de suas obras-primas, deixada incompleta, denominada “Requiem” in ré minor, que se segue com a “Lacrimosa”, que mostra o grande talento e a fabulosa música clássica que, independente da época, perdura e é uma grande prece a todos os desencarnados. Ao sabor do tempo, ecoa suas notas e nos delicia com tal hino ou prece funesta. O homem, distinto de outros animais, acompanha e enterra seus entes queridos, na maioria das vezes, acompanhado dos mais diversos ritos litúrgicos e sagrados, na esperança de dar conforto, tranquilidade e compreensão aos que ficam e, alento, descanso e satisfação ao finado defunto no seu encontro com o Supremo. Crente ou não, religioso ou agnóstico, ou mesmo, ateu, em alguma coisa se acredita e se tem esperança de que algo ainda não acabou, findamos a vida terrena e iniciamos outra, ou não? O “Descanso eterno” que tantos esperam pode ter chegado? Ou ainda, iniciado uma nova jornada no caminho da transcendência? Muitas questões e pouquíssimas ou nenhuma resposta que, provavelmente, nunca poderão ser respondidas, haja vista, ninguém mortal que tenha morrido ter voltado a vida como se conhece. Não obstante, a proposta do “Requiem” ainda ecoa e é válida. Ademais, segue “Requiem” e arremata “Lacrimosa”: Lacrimosa dies illa Qua resurget ex favilla Judicandus homo reus. Huic ergo parce, Deus: Pie Jesu Domine, Dona eis requiem. Amen. (MOZART, 1791) .
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Pode-se traduzir de maneira livre, como sendo algo assim: Dias de lágrimas aqueles Em que ressurgirão das cinzas O homem para ser julgado Então, tende piedade dele, ó Deus: Ó misericordioso, Senhor Jesus Concedei-lhe o repouso. Amém. (MOZART, 1791, tradução nossa).
Dizem deixada incompleta. Imagine se tivesse acabado de compor tal obra! Me rendo e me curvo perante as grandes obras e, entre elas, “Requiem”, que sim, é eterna.
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ENSAIOS Ensaio é a multiplicação livre e espontânea de meditações sobre assuntos ou matérias pré-existentes, pré-estabelecidas ou pré-formadas própria do gênero literário ensaio. Este trabalha com múltiplas aproximações fragmentadas relativas a introspecção, meditação e autoconhecimento.
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Esperamos que este livro contribua para o debate político e filosófico sobre a educação. Afirmamos que caso seja infringido qualquer direito autoral, imediatamente, retiraremos a obra da internet. Reafirmamos que é vedada a comercialização deste produto.
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A5 Dezembro de 2019
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