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MURAL 84

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ROTA CÊNICA ILHA SC VEM AÍ FAMILY ADVENTURE: O PROJETO INOVADOR DO COSTÃO DO SANTINHO

OS – BEM VIVIDOS – 95 ANOS DA PONTE HERCÍLIO LUZ AS CORES DE FLORIPA NA ARTE DE GEORGE PEIXOTO O VALIOSO LEGADO DE RODRIGO DE HARO


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TRABALHANDO SEMPRE. E AGORA, VACINADOS!

H

abemus vacina! E a felicidade vem junto! Não dá, ainda, para relaxar, mas já é um começo: a luz que se acende no final do túnel, a primeira dose de uma esperança que se renova, a certeza de que a ciência e a saúde vencerão, a crença em um futuro próximo bem melhor. Com as coisas boas do pré-pandemia, e sem o que de mal ela nos trouxe. Dizer que as coisas não andam fáceis é “chover no molhado”. E dizer que a Mural está super feliz por entregar essa edição linda – nossa 84a! –, também não pode ser considerado uma novidade. Nós sempre ficamos felizes quando vemos o trabalho pronto para entregar aos leitores! Realização é a palavra que resume essa sensação! Então vamos lá, porque tem muita coisa boa para você ler... Se existe alguém que entende de rotas cênicas, esse alguém é o catarinense Ike Gevaerd. Sorte a nossa, agora ele está envolvido na criação da Rota Cênica Ilha SC, que vai organizar a apresentação de novas atrações para os caminhos de Floripa e de nossa bela Santa Catarina. Ele quer isso faz tempo, e parece que agora, finalmente, vai ter sucesso. Vai lá conferir a matéria – com entrevista – do Fernando Bond, e comece a sonhar, assim como a gente. Você não sabe o que é uma Rota Cênica? Leia a matéria e descubra. Ah! E o Rota Cênica Ilha SC já tem mascote: é o Biguá, uma ave bastante comum, simpática e talentosa. Tem matéria também sobre ele, ilustrada com lindas fotos da Cláudia Brasileiro, que fotografa pássaros pelo mundo. Demos uma passada no Costão do Santinho para conhecer o Family Adventure, um projeto que oferece atividades para toda a família e permite integrar corpo, mente e espírito, numa conexão deliciosa com a natureza. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, Florianópolis tem encantos, e utilizando como justificativa o aniversário da cidade (que foi em março), escolhemos quatro lugares especiais para homenagear a Floripa do nosso coração. Mas nem precisava de justificativa, não é? Ela merece! Outro aniversário que não poderia passar em branco é da Hercílio Luz, que aos 95 anos está cada vez mais senhora de si. A Lu Zuê falou um pouco sobre a Ponte, e numa sacada muito legal, a Juliana Wosgraus lembrou personalidades que nasceram junto com a Hercílio Luz, e republicou, também, trechos de uma entrevista gostosa que ela fez em 2011 com a dona Rosa Pereira Evangelista, que participou da festa de inauguração, em 1926, e lembrava até da música que foi feita para a ocasião. Estrela de nossa capa, Zena Becker passeou com a gente pelo Centro de Florianópolis e depois nos recebeu em casa. Conversamos sobre vida, família e sobre o amor que ela tem pela cidade que é seu lar há 50 anos. Ah! E sobre a disposição para trabalhar pela cidade, agora no movimento Floripa Sustentável, do qual é coordenadora. Tem tanta coisa boa nesta edição que fica difícil listar tudo. Mas seguimos...

foto LAURA SACCHETTI

EDITORIAL

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O André Sebben, repórter da Palavracom, produziu para a Mural uma matéria sobre o projeto Limpeza dos Mares, que em 23 etapas de ação, contando com o trabalho de voluntários, recolheu mais de 105 toneladas de resíduos do fundo do mar e de encostas de Santa Catarina. Vale a pena conhecer! O nosso repórter Formiga, que anda por lugares incríveis e descobre esportes sempre diferentes e encantadores, nos apresenta a canoa polinésia. Ele conversou com o Paulo Gatti, um multiesportista que tem a canoa e o remo como objetos pessoais e sagrados. Uma pergunta: você chegou a ver as cenas de um praticante de wingsuit atravessando a Pedra Furada (em Urubici), num voo a mais de 200 km/h? Ele é o Gabriel Lott! Quando conversou com a gente, o cara deixou no ar (literalmente!) a informação de que vêm por aí mais aventuras em terras catarinenses. E por falar em terras catarinenses, o Dario Lins nos apresenta uma lista de 14 belos cânions de nosso Estado. Lugares lindos... alguns bem conhecidos e outros nem tanto, mas todos convidativos! E depois de 20 anos, três dias consecutivos com ocorrência de neve em nosso Estado. As imagens são lindas! Terminamos o mês de junho finalizando esta edição, mas fomos surpreendidos pela partida do Rodrigo de Haro. Não havia como fechar a Mural 84 sem falar nele. O jornalista Moacir Pereira, autor do livro “Rodrigo de Haro, um poeta humanista”, nos brinda com um texto sensível e pessoal sobre o artista, apontado como um dos maiores eruditos de SC. Ainda com relação aos protagonistas das artes em nosso Estado, trazemos uma matéria muito legal sobre a obra colorida do artista plástico George Peixoto, que foi o primeiro artista convidado para expor na recém-inaugurada Galeria Itagaçu + Arte, num projeto coordenado pela produtora Chris Ribeiro. Nosso parceiro de longa data, o fotógrafo Eduardo Valente também conversou com a gente, e falou sobre seu trabalho, a paixão pelo jornalismo e a criação da agência iShoot, e a nossa colunista em terras europeias, Daniele Maia, fala sobre a exposição “Gabrielle Chanel. Manifeste de Mode”, que apresenta a genialidade da estilista. Como em todas as edições, Ana Carolina Abreu, Laura Sacchetti, Mariana Tremel Barbato e Roberta Ruiz, nos brindam com informação e dicas sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. Áreas diferentes, mas todas fundamentais para a gente viver bem. E murais de fotos – que saudade a gente sente das festas e grandes encontros –, inclusive com a comemoração dos 50 – bem vividos – anos de Orlando Fernandes. Boa leitura, e fique atento às novidades!


EXPEDIENTE

8 DIREÇÃO MARCO CEZAR EDITOR-CHEFE

TURISMO ROTA CÊNICA ILHA SC

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A ESTRELA DA PLACA E AÍ, VOCÊ CONHECE O BIGUÁ?

18

COSTÃO FAMILY ADVENTURE FAMÍLIAS E AVENTURA NA PRIORIDADE DO NOVO MUNDO

26

ENCANTOS DA ILHA QUATRO (LINDOS) CANTOS DE FLORIPA

34

ANIVERSÁRIO DA PONTE E ELA COMPLETOU 95 ANOS!

38

JULIANA WOSGRAUS ELES TÊM A MESMA IDADE

42

SUSTENTABILIDADE UNIDOS POR UMA FLORIANÓPOLIS SUSTENTÁVEL

52

MEIO AMBIENTE UMA FAXINA QUE DÁ GOSTO

56

FORMIGA RADICAL A CANOA POLINÉSIA

60

ESPORTE O CÉU (NÃO) É O LIMITE

68

ECO TRILHAS CÂNIONS DA SERRA CATARINENSE

74

MARCO CEZAR JORNALISTA RESPONSÁVEL MARCOS HEISE (MTb-SC 0932 JP) PLANEJAMENTO GRÁFICO AYRTON CRUZ LU ZUÊ COLABORARAM NESTA EDIÇÃO ANA CAROLINA ABREU ANDERSON RODRIGUES ANDRÉ SEBEN ANSELMO NASCIMENTO CARLOS BORTOLOTTI CARLOS STEGEMANN CLAUDIA BRASILEIRO DANIELE MAIA DARIO LINS EDUARDO VALENTE/ISHOOT FERNANDO BOND FLAVIO JORDÃO GABRIEL LOTT GABRIELA EVANGELISTA IDESIO LEAL JULIANA WOSGRAUS LAURA SACCHETTI LU ZUÊ LUÍS ROBERTO FORMIGA MÁRCIO HENRIQUE MARTINS MARIANA TREMEL BARBATO MICHELE CASTILHO MOACIR PEREIRA PAULO GATTI ROBERTA RUIZ SÉRGIO VIGNES IMPRESSÃO Maxigráfica | Curitiba/PR As opiniões expressas pelos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, o posicionamento da Revista Mural.

5 muralmarcocezar.com.br 0 contato@muralmarcocezar.com.br 1 48 3025-1551


82

INVERNO A NEVE CAIU!

86

HOMENAGEM O LEGADO ÍMPAR DE RODRIGO DE HARO

92

ARTE DECOR FLORIPA E ARTE NAS CORES

98

FOTOGRAFIA FOTOJORNALISMO NA VEIA

104

PELO MUNDO GABRIELLE CHANEL. MANIFESTE DE MODE

114

NUTRIÇÃO FEIJÃO ANSIEDADE

118

FISIOTERAPIA USO DA BOLA COM GESTANTES

119

SAÚDE BUCAL SORRIA

120

SAÚDE DESARMONIZAÇÃO FACIAL

122

MURAL GNB BONS MOMENTOS E GASTRONOMIA

ÍNDICE

9

CAPA ZENA BECKER

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COMEMORAÇÕES 50 ANOS BEM VIVIDOS

LOCAÇÃO PARQUE DA LUZ FOTOS MARCO CEZAR

48


fotos CARLOS BORTOLOTTI

TURISMO

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Novas atrações para os caminhos de Floripa


foto CARLOS BORTOLOTTI

foto MARCO CEZAR

TURISMO

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texto FERNANDO BOND fotos CARLOS BORTOLOTTI, DARIO LINS e MARCO CEZAR

V

ocê já imaginou percorrer os deslumbrantes caminhos da Ilha e, durante o percurso, poder curtir atrações como mirantes e paradouros, áreas de escape e descanso, trilhas, ciclovias, lugares para comprar a produção local, como artesanato e gastronomia? E além disso encontrar pelo caminho centros de visitantes, parques de campismo, estacionamentos – tudo isso com sinalização informativa e educativa? Algo assim como a famosa 49 Cenic Drive – criada em 1938 em São Francisco, na Califórnia –, um roteiro de experiências inesquecíveis para quem percorre as 49 milhas que dão nome a essa Rota Cênica conhecida em todo o Planeta. São caminhos e atrações muito parecidos com os da Ilha de Santa Catarina – e, afinal, se eles têm isso há 83 anos e fica cada vez melhor, por que nós manezinhos não podemos ter também e oferecer aos milhões de turistas que nos visitam anualmente? E tem mais um fator que conta muito a nosso favor: o “pai” das Rotas Cênicas no Brasil é catarinense, o ambientalista e empresário Ike Gevaerd, manezinho adotado pela Ilha, mas que hoje vive cercado por uma pequena floresta na vila de pescadores no Canto Grande, em Bombinhas. Nessa mini reserva da natureza, Ike cuida das gralhas, sabiás, garapuvus e paineiras, com a ajuda companheira da mulher, Clarice. E passa parte do dia trabalhando num estúdio incrustado nas pedras, que hoje é a sede home office da Biosphera Empreendimentos Ambientais. Um dos projetos que agora estão sobre a mesa de trabalho do Ike é o Rotas Cênicas SP, desenvolvido para estradas paulistas a pedido de outro catarinense, o secretário estadual de Turismo daquele estado, Vinícius Lummertz. Numa primeira etapa, as RCs estão sendo implantadas em quatro regiões e todas elas – Vale do Ribeira, Mantiqueira Paulista, Litoral Norte e Circuito das águas – já ganharam seus cadernos técnicos/masterplans.


Mas vamos voltar ao começo: o que são Rotas Cênicas? Segundo Ike, “são caminhos que já têm qualidades paisagísticas, naturais, culturais e geológicas – ou seja, construídas pelas mãos de Deus – que recebem discretas intervenções para proteger e valorizar essas características. Para resumir, transformar caminhos onde mal se veem coisas, em caminhos onde se fazem coisas, que é o slogan dos nossos projetos”. Ike Gevaerd começou a se interessar por Rotas Cênicas há mais de 20 anos. Nas viagens que fazia ao redor do planeta, sempre buscou focar nessas rotas e também nas estruturas e gestão de parques ambientais. Depois de conhecer e explorar, entre diversas outras, RCs na Nova Zelândia, Alemanha, França, Estados Unidos – onde está a famosa Rota 66, que liga Los Angeles, na Califórnia, a Chicago, Illinois – e na América do Sul, especialmente a Carretera Astral, que vai de Puerto Montt à cidade de Cochrane, na Patagônia chilena, Ike Gevaerd foi à Noruega em 2015. foto CARLOS BORTOLOTTI

foto DARIO LINS

foto DARIO LINS

TURISMO

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foto DARIO LINS

TURISMO

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Desde 2010, Ike Gevaerd vem lutando para colocar as Rotas Cênicas na pauta catarinense – e parece que agora, finalmente, vai ter sucesso. Numa primeira etapa, a Biosphera fez um caderno técnico/masterplan para a Serra Catarinense, o chamado “Caminho das Montanhas”, que envolvia à época – há seis anos –, oito cidades, com cerca de 400 quilômetros. Isso, agora, com Mané Ferrari à frente da Santur, parece que vai sair do papel – a Santur e a Biosphera assinaram um termo de cooperação técnica para apoio institucional ao trabalho. Amante incondicional de Florianópolis, Ike Gevaerd acredita que também em breve vai sair do papel o projeto Rotas Cênicas Ilha SC, tendo como referência a 49 Cenic Drive californiana. Para isso, já conta com apoio de entidades representativas da comunidade e está prospectando o setor produtivo em busca de interessados em apoiar o projeto. E a gente fica na torcida desse boa-praça, sempre atarefado entre garapuvus, projetos e sonhos de oferecer uma natureza preservada hoje e no futuro, para nós, nossos filhos e netos. foto OLAVO MORAES

foto MARCO CEZAR

Lá ele conheceu a exemplar Rede de Rotas Cênicas Turísticas que corta desde Jaren, no extremo sul do país, até Varanger, no norte, onde o território norueguês se encontra com a Rússia, a Suécia e a Finlândia. “Para conhecer as 18 Rotas Cênicas consideradas referência em todo o mundo, viajei por mais de 2 mil quilômetros durante um mês. Per Ritzer, o coordenador de comunicação das RCs junto ao Ministério dos Transportes da Noruega, foi meu cicerone e, depois da viagem, me disse que até aquela época, fui a primeira pessoa a fazer esse percurso completo.”


foto MARCO CEZAR

TURISMO

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ENTREVISTA | IKE GEVAERD, AMBIENTALISTA

“A Ilha já é uma Rota Cênica” Ike Gevaerd é um personagem de Floripa. Vindo do Vale do Itajaí – ele nasceu em Rio do Sul – fez parte das turmas que migraram, entre os anos 1970 e 80, para a Joaquina dos primórdios do surfe, das ‘galeras’ bronzeadas, rapazes de cabelos ao vento, moças de biquínis cada vez menores – sob a égide dos hinos e slogans da juventude da época, em busca de paz, amor e de uma vida mais despojada, junto à natureza. O cosmopolita Beto Stodieck era a mais perfeita tradução desta cidade e, com ele, muitos daquela geração tiveram um espelho para se posicionar com relação à política, meio ambiente, sexo e a muitas outras questões que ainda eram intransponíveis tabus. Ike Gevaerd escolheu o caminho da política ambiental – e assim foi um dos protagonistas

da fundação do Partido Verde, o PV, no Brasil e na América, sigla cujo ícone foi, sem dúvida, Fernando Gabeira. “Pouca gente dá importância aos movimentos que aconteceram de 70 até o final dos anos 90, mas foi naquele momento que o país amadureceu muitos dos sonhos que teve com o fim do regime de 64, em meados dos anos 80”, defende ele. E Ike também amadureceu, buscando o caminho da sustentabilidade na defesa do meio ambiente, quando poucos falavam nisso. Viajante inveterado, colecionador de lembranças, livros e memórias do Brasil e de todo o planeta, Ike encontrou nas Rotas Cênicas uma razão para continuar lutando. Sobre essa trajetória e o sonho da Rota Cênica na sua amada Ilha de Santa Catarina, ele fala à Mural.


foto CARLOS BORTOLOTTI

TURISMO

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RM | Para o outro lado, né? Gevaerd | Sim, outro bom caminho para ser realizado, tendo também a Ponte como ponto de partida, seguindo pela Beira-Mar Norte, passando pela Reta das Três Pontes, ou Avenida da Saudade, em direção ao Morro da Lagoa, onde do seu mirante podemos observar de longe a beleza, infelizmente hoje aviltada, do nosso cartão postal. Descendo a estrada, uma das mais belas da Ilha, chegamos ao Centrinho – e depois temos o primeiro contato próximo com a magia da Lagoa, passando pela ponte sobre o canal e um pouco adiante dobramos pela Osni Ortiga, em direção ao Campeche. Assim podemos continuar seguindo por caminhos exuberantes que cortam a Ilha de norte a sul, passando pelo Morro das Pedras, Armação, Pântano do Sul e Solidão. Muitas das suas belezas naturais ainda resistem, suas belezas cênicas estão ali para serem desfrutadas. Precisamos agora e sempre tratar com o carinho que merece este “pedacinho de terra perdido no mar”.

RM | Florianópolis é conhecida como “a cidade do não pode”. Você tem receio de que sejam criados obstáculos para a implantação das Rotas Cênicas? Gevaerd | Não temos que ter medo. Obstáculos sempre existirão e serão ultrapassados, pois este projeto irá valorizar as qualidades paisagísticas, naturais, culturais e geológicas que existem no percurso da estrada, e que se encontram propícias para receber intervenções que visam proteger e qualificar ainda mais essas características, fomentando o desenvolvimento econômico por meio do turismo e fazendo com que ela possa ser visualizada não só como um caminho, mas como parte do destino. Dificuldades não me amedrontam: quando secretário de Meio Ambiente de Balneário Camboriú, decidimos implantar o programa internacional de qualidade de praias, o Bandeira Azul, e recebemos críticas. O negócio é enfrentar e mostrar a importância desse tipo de programa para o futuro social e econômico de nossas cidades e região. Hoje, Balneário Camboriú detém três selos de Bandeira Azul, que são orgulho para a cidade e um exemplo para o Estado. foto MARCO CEZAR

Revista Mural | Na sua concepção, quais os caminhos da Ilha poderiam ser contemplados com Rotas Cênicas? Ike Gevaerd | A Ilha já é uma Rota Cênica maravilhosa. Começando pela ponte Hercílio Luz, passando pelo Centro Histórico, é um belo começo. Depois, em direção a Cacupé, Santo Antônio de Lisboa e Moçambique, vamos para o norte em direção a Jurerê até a Praia do Forte, depois Canasvieiras com sua nova praia, Ponta das Canas, Cachoeira do Bom Jesus, até a urbanizada e bela Praia Brava. Saindo da SC-401 em direção aos Ingleses, passamos pela Praia do Santinho e seus costões e sua pré-história contada nas inscrições rupestres. A rodovia que atravessa o histórico Rio Vermelho, cortando o parque que a separa da Praia do Moçambique, se junta à Barra da Lagoa, com seu canal que serve de entrada e saída para os ainda resistentes pescadores artesanais. Seguindo pela mesma estrada temos a Galheta e a Praia Mole, e então costeamos a Lagoa com vistas cinematográficas, chegamos à Joaquina de muitas histórias. Mas tem muito mais...


foto MARCO CEZAR

TURISMO

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RM | Você é um otimista com relação à implantação de Rotas Cênicas em SC, mas essa luta já vem de longe. Quem foram os atores que acreditaram nesse projeto? Gevaerd | Num primeiro momento, o Murilo Flores, que era secretário de Planejamento do Estado em 2015, e o Cássio Taniguchi, exprefeito de Curitiba, que fez parte do famoso grupo de arquitetos e urbanistas de Jaime Lerner, e que era responsável pelo planejamento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis. Ao mesmo tempo, o Vinícius Lummertz, que sempre foi um visionário e adotou práticas de inovação na gestão pública – e que era na época presidente da Embratur. Nunca desistimos do sonho, tanto assim que ele me convidou para ir implantar as Rotas Cênica no Estado de São Paulo. Aliás, um fato histórico importante: no dia 5 de abril foi publicado o primeiro Decreto do país, no Diário Oficial de São Paulo, tratando de Rotas Cênicas. Isso é uma vitória para a história do turismo brasileiro, da qual o ex-ministro Vinícius Lummertz é protagonista. Outro que abraçou a ideia foi o Mané Ferrari, hoje presidente da Santur, com quem a gente assinou um termo de cooperação que começa a sair do papel. Tem muito mais gente, técnicos, turismólogos, secretários municipais, representantes de entidades e conselhos ligados ao turismo. Para não cometer injustiças, em nome do Leandro Bertoli Neto – arquiteto, integrante da equipe técnica da Santur e professor, um aliado de primeira hora – vou agradecer a todos.

RM | As Rotas Cênicas e os parques ambientais transformaram tua vida numa grande aventura pelo planeta. Quais são os cenários marcantes dessa tua história? Gevaerd | Desde a década de 90 venho percorrendo o planeta em busca de experiências bem-sucedidas nos temas que envolvem turismo e meio ambiente, principalmente no que se refere a parques naturais e belas estradas. Dentre as inúmeras rotas percorridas, destaco as 18 Rotas Cênicas Turísticas da Noruega, um exemplo de planejamento e respeito ao patrimônio natural e cultural daquele país nórdico, que foi uma das referências para o desenvolvimento do projeto aqui no Brasil. Outra foi a Carretera Astral, no sul do Chile, onde fui a convite de Douglas Tompkins (in memoriam), o milionário verde, incansável batalhador pela conservação da Patagônia. Por meio da “Tompkins Conservation”, ele criou a Ruta de los Parques, considerada o caminho mais espetacular da América do Sul. As estradas que cortam as duas Ilhas da Nova Zelândia, as históricas estradas da Europa com suas paisagens e gastronomia, e a icônica Rota 66, que corta os Estados Unidos, país criador das estradas parques, que depois se transformaram em Rotas Cênicas, são apenas alguns dos exemplos e referências que há mais de duas décadas me fizeram pensar em implantar algo semelhante aqui no Brasil. E que, agora, estão se transformando em realidade. Ou seja: “Transformar caminhos onde mal se veem coisas em caminhos onde se fazem coisas”.


A ESTRELA DA PLACA

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Não se pode dizer que ele é dono de uma beleza diferenciada, que a plumagem se destaca entre a dos demais pássaros, que tem um “canto” delicado e mavioso, ou mesmo que é raro

E AÍ, VOCÊ CONHECE O BIGUÁ?


A ESTRELA DA PLACA

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texto LÚ ZUÊ fotos CLAUDIA BRASILEIRO

N

a verdade, pelo julgamento dos leigos, as patinhas com membranas o colocam na categoria de patos, e a ocorrência frequente em regiões à beira dos rios e litorâneas, o classifica como o “pardal do rio”. Ou seja: ele é um entre muitos! Mas apesar de se figurinha fácil em uma área que se estende do México à América do Sul, o Biguá – sim, é dele que estamos falando – tem lá seus encantos e suas “características peculiares”, e muito por causa delas, um dom natural para sair bem nas fotos. Resta alguma dúvida sobre isso depois de ver as imagens que ilustram essas páginas? Por ser quase que inteiramente negro (com atenção é possível observar uma discreta sobrancelha esbranquiçada), além dos nomes biguá-uma, imbuiá, mergulhão e cormorão, entre outros, o Biguá é também conhecido como corvo-marinho. Essa ave com chamativos olhos azuis vive em águas interiores e na orla marítima (não é lá muito chegado a se afastar da costa em direção ao alto mar), mas também adora ficar perto de lagos, banhados, represas, manguezais, ou mesmo na cidade, em parques com lagoas... ou seja: basta ter água e peixe que o Biguá está em casa.


A ESTRELA DA PLACA

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Excelente mergulhadora, a espécie é ágil e vai fundo para buscar seu alimento. Graças à ausência da glândula uropigial (que secreta uma substância que impermeabiliza as penas), o Biguá fica encharcado e mais pesado e o resultado dessa equação é simples: afunda com rapidez – estudiosos dizem que chega a 3,8m/s – e usa sua destreza para nadar em ziguezagues e fazer viravoltas, e extrema competência para voltar à tona vários metros adiante, com o resultado das investidas no bico exibidos como troféus (rende fotos lindas!) e, o melhor de tudo, sem gastos excessivos de energia, uma vez que não precisa bater as patas para executar as manobras. Predador de alta performance na captura de peixes, o nosso Biguá é quase um “torpedo” emplumado, que não tem dificuldades para ficar um bom tempo debaixo d’água, e em

questão de minutos consegue realizar sucessivos mergulhos, capturando dezenas de presas – principalmente peixes, mas também estão no cardápio moluscos, crustáceos e outros animais aquáticos. E são espertos, os danados, porque tanto podem caçar de forma solitária quanto em grupo, adotando uma estratégia de cerco, quando centenas deles se unem e seguem no mesmo sentido, bloqueando canais e enseadas e empurrando cardumes para a margem ou para as partes mais rasas dos rios e lagos. Depois, para secar as penas molhadas, dão um show em cima de pedras e estacas à beira d’água, com as asas abertas ao vento. Lembra do tal dom natural para sair bem nas fotos? Então, boa parte delas são registros desses momentos!


A ESTRELA DA PLACA

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MAGELLANIC CORMORANT

IMPERIAL CORMORANT

Igualdade na plumagem e nas tarefas Entre os biguás, não há diferença na coloração das penas dos machos e fêmeas: quando jovens, a plumagem é um pouco mais amarronzada (levemente mais clara na garganta), mas depois escurece e se uniformiza. Nos períodos de reprodução surgem penas brancas ao redor da garganta, tufos brancos atrás das regiões dos ouvidos, e as cores ficam mais vivas e brilhantes. É quando namoram que os biguás emitem um som alto e característico – algo como “óak” –, uma mistura entre o ronco de um motor e o grunhido de porcos. São monogâmicos, e a partir do acasalamento, as tarefas para garantir a perpetuação da espécie são democraticamente divididas: enquanto ele escolhe o local do ninho e traz o material, cabe a ela a construção efetiva. Os dois se dividem na missão de incubar os ovos (entre dois e quatro), que dura cerca de 25 dias, e depois disso, de alimentar e cuidar dos filhotes – que têm cor de fuligem – até as 11 semanas de idade. Passado esse período, os filhotes ganham o mundo. E um detalhe importante: como necessitam de águas limpas e bem povoadas para se alimentar, são considerados indicadores biológicos de poluição. Assim, por meio do acompanhamento de suas populações é possível monitorar a alteração da qualidade do ambiente, influenciada diretamente por atividades de degradação ambiental, como desmatamentos e uso de agrotóxicos.

RED-LEGGED CORMORANT


A ESTRELA DA PLACA

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Mascote de valor Em breve, um projeto turístico-editorial começa a circular, apresentando lugares inusitados e – é claro – belíssimos de nosso Estado. Alguns com certa fama, outros ainda restritos a pequenos grupos de pessoas ou pesquisadores, mas todos recantos que merecem ser conhecidos e que comprovam a beleza ímpar da natureza de Santa Catarina. O Rota Cênicas SC está “no forno”, mas já tem um mascote, que vai ilustrar material impresso, placas, banners e tudo o que se relacionar ao projeto: o Biguá! E por quê? Basta enumerar algumas de suas características e fica fácil entender. Ele é um entre muitos, sim, mas se destaca pelas suas características mais marcantes: o Biguá adora e se sente em casa em Santa Catarina, ama a natureza preservada, não tem medo de expor suas paixões, sabe trabalhar em equipe e, sobretudo, é muito bom no que faz! Estamos de olho! No Biguá e nas Rotas Cênicas de Santa Catarina.

Paixão pelos bichos e amor pela fotografia “O Biguá é aquela ave fácil de ser encontrada, que a gente chega nos lugares dizendo que não vai fotografar. E aí vem ele, faz alguma coisa diferente, e arranja um motivo para ser fotografado!”. A frase aí de cima é da fotógrafa Cláudia Brasileiro, uma paulistana de 44 anos, autora das fotos que ilustram nossa matéria sobre o Biguá. Apaixonada por bichos desde sempre, ela encontrou nos registros de aves um amor verdadeiro, que a ajudou a ser uma fotógrafa mais crítica e mais especialista, e também uma pessoa mais feliz e realizada. “Afinal, conheci muitos lugares lindos e pessoas legais viajando em busca das melhores fotos”, justifica. A atração pela fotografia começou ainda na infância, quando Cláudia apoderou-se da máquina que o pai havia comprado para fotografá-la – uma SLR analógica, daquelas com baioneta de rosca –, e começou a registrar os colegas da turma de hipismo treinando e saltando obstáculos. Mas o que mais gostava era de fotografar principalmente os cavalos. “Meu pai me explicou o básico sobre o uso da máquina, eu sabia usar o fotômetro, mas não conhecia técnicas de fotografia. Era uma coisa que fazia mais pelo gosto e um pouco de instinto. E aí convenci minha mãe a me pagar um curso de fotografia”, diz, lembrando que a primeira máquina que comprou era uma Lumix da Panasonic, e naquele momento já havia errado bastante, acertado bastante também, e queria aprender a usar melhor a própria câmera. Funcionária do Banco do Brasil há 20 anos, Cláudia lembra que resistiu muito para comprar uma câmera profissional DSRL, porque sabia que seria um caminho sem volta. “Eu pensava: vou morrer pobre, porque me conheço e vou querer comprar todas as lentes e acessórios”. E foi mais ou menos assim mesmo, especialmente depois de começar a fotografar aves!


A ESTRELA DA PLACA

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Tudo começou em 2011, quando partiu em viagem para a Patagônia para conhecer a Geleira Calafate. Com a máquina (sim, uma DSRL) em mãos e usando uma lente Sigma 150 x 500, naturalmente deixou o amor pelos animais falar mais alto, e sempre que via um pássaro pedia para o guia parar para registrar as imagens. Isso acontecia constantemente, e recebeu a dica de que se era tão fissurada pelas aves, deveria conhecer uma reserva chamada Laguna Nimez. “Eu fui, e me avisaram que tinha folders com as aves de lá, que existia observador de aves, e que havia pessoas que vinham até do Japão para fotografar uma espécie específica. Naquele momento eu pensei comigo: ‘Nossa, que gente louca!’. E desde então, cá estou eu, louca também, viajando para todo lugar em busca da espécie que quero encontrar”, explica.

Já em 2012 adquiriu uma lente 300 mm, e na sequência vieram uma câmera full-frame, uma lente 500 mm (adquirida com recursos do Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PRL) do Banco do Brasil, e mais tarde uma 600 mm, por necessidade. “A lente 500 é meu amor, minha companheirona, minha filha... Não dá para deixar sozinha nunca!”, brinca. “Sei que tem gente que fica feliz usando um celular, mas eu sou exigente demais com os resultados, perfeccionista, crítica e criteriosa, então o equipamento é muito importante para mim. Mas um detalhe: se a minha 500 não tivesse quebrado, eu não teria comprado a 600. Eu sou muito feliz com a 500, e é raro levar as duas na mesma viagem”, complementa a fotógrafa.


A ESTRELA DA PLACA

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E o que é necessário para fotografar animais? Cláudia é categórica: paciência e paciência. Mas de tipos diferentes: aquela paciência de saber esperar horas intermináveis para, por exemplo, fotografar uma ave no ninho; ou então, uma paciência misturada com determinação, que move a pessoa a andar à noite, horas seguidas por um terreno acidentado e escorregadio, debaixo de chuva, sendo picada por insetos, e no final não conseguir encontrar a espécie que procura. “Isso aconteceu comigo quando fui ao Peru para fotografar uma coruja. Cheguei a chorar pelo esforço. Ouvia o guia dizer: ‘vamos lá, são só mais 150 m’, e nesses 150 metros levei três picadas de vespa, de formiga, furei a mão em espinho de árvore. É preciso ter paciência de se frustrar, porque não consegui ver a coruja”, relembra. Projetos futuros? Claro que sim. E nada muito simples. Cláudia foi desafiada pelo marido – companheiro de aventuras – a fotografar todas as variedades de beija-flores existentes no mundo (eles só ocorrem na América). “Mas adaptei a meta para 2/3 do total, o que corresponde a 240 tipos. Se tudo der certo, então,

nossos próximos destinos serão um possível retorno para Equador ou Peru, e uma ida ao Caribe para fotografar alguns dos lindos beija-flores que existem lá”, planeja. E quanto aos biguás, Cláudia conta que uma das fotos estampadas aqui na Mural (aquela da ave com uma cobra no bico) dá o tom da declaração que abre esta matéria. “Eu cheguei no Ibirapuera decidida a nem olhar para os biguás. Estava fotografando os mergulhões e de repente me aparece um Biguá com uma vara na boca. No que ele jogou para o alto e deu para ver que era uma cobra, saiu todo mundo fotografando. Deu show!”. Além dessa, outras fotos que gosta são as do Biguá com a plumagem nupcial – que deixa o danado parecido com um Gremlim –, feita recentemente, e a de um casal fazendo a corte um para o outro. “Eles sabem como sair bem na foto!”, finaliza Cláudia. Ah! Aquela primeira câmera, que despertou nela o gosto pela fotografia, continua guardada em casa. Afinal, foi com ela que tudo começou!


COSTÃO FAMILY ADVENTURE

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Famílias e aventura na prioridade do novo mundo

FAMILY ADVENTURE

Inovador para o turismo em Santa Catarina, o projeto do Costão do Santinho é destaque na mídia nacional, já conta com a aprovação dos hóspedes e foi idealizado numa premissa de ouro do resort


COSTÃO FAMILY ADVENTURE

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A inspiração

inicial C Um mundo incrível de atividades de aventura que qualquer pessoa pode realizar para promover a integração entre corpo, mente e espírito, por meio da conexão à natureza, em uma das maiores reservas naturais particulares em área urbana do País

om o crescente desejo das pessoas em relação às experiências em um ambiente natural, o Costão do Santinho voltou-se a um de seus mais preciosos ativos: uma das maiores RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural) em área urbana do País – a do Morro das Aranhas –, com mais de 700 mil m² de Mata Atlântica preservada, e investiu na certeza de que naquele ambiente é possível fazer com que mais pessoas vivenciem algo que jamais se permitiram antes, praticando atividades realmente integradas à natureza. A essência do projeto é inspirada, também, no conceito do Arandu, vivenciado pelos povos Tupi-Guarani que habitaram a região litorânea de Santa Catarina há centenas de anos. Arandu, para as tribos Guarani corresponde a vivenciar a vida e todas as suas experiências por meio do contato intrínseco com a natureza, na visão de que nós somos a própria terra. Logo, se somos a terra, tudo isso que hoje forma o Morro das Aranhas – a começar pelas areias o se aglutinaram formando dunas, que se sedimentaram criando as rochas, que por sua vez foram pacientemente cobertas por matéria orgânica, permitindo o surgimento da flora e da fauna – também faz parte de nós e, de alguma forma, estamos conectados com tudo isso. A partir dessa premissa, o Projeto Family Adventure apresenta alternativas para uma pergunta simples: por que não voltar a essa essência e escutar, viver e sentir com atenção toda a natureza que sempre esteve no local?


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A natureza que não é apenas

uma vitrine O grande diferencial do Costão do Santinho é que os hóspedes podem contemplar mais do que uma paisagem paradisíaca ou aproveitar a privacidade de um refúgio de férias, pois a natureza não é apenas o quadro que se vê ao abrir a janela do quarto entre montanhas, mar e dunas. Ela está, sim, completamente integrada às experiências e programações oferecidas, em todos os momentos. Inclusive, é no Parque Ecológico particular do resort que é realizada uma das atividades de maior sucesso – integrada, aliás, ao Family Adventure –: o Costão Camp. O acampamento é oferecido a crianças e adolescentes que podem experimentar uma experiência real em meio à Mata Atlântica, realizando o circuito de sobrevivência, durante o qual aprendem a fazer filtro de água, nós e amarrações, e até fogo. Fogo que a propósito acompanha os aventureiros durante a noite antes de dormirem na barraca, na roda de histórias e também servindo para assar hot dogs e marshmallows. Todas as atividades acontecem dentro do perímetro do resort, com total segurança e com o acompanhamento de uma equipe treinada por nomes de referência na área. A ideia, segundo a equipe responsável pela atividade, é despertar no participante a vontade de conhecer ainda mais a natureza e eternizar em sua memória e sentidos as experiências vivenciadas num pedacinho da Mata Atlântica preservado no Norte da Ilha.

A vasta área com geografia variada permite a realização de sete trilhas diferentes, compreendendo o Santinho, Ingleses, Morro das Aranhas e Moçambique em seus roteiros. Pelo caminho, é possível encontrar inscrições rupestres e monumentos megalíticos – construções com grandes blocos de pedra – com a figura de rostos de primatas e homens, além de uma poltrona ritualística, também feita de pedra. Os mistérios são muitos, e as surpresas, inevitáveis. Para isso, basta mergulhar na aventura e exercitar um olhar atento à natureza. Desde o início do projeto, ficou perceptível que quem aceita o convite e vivencia o Costão em toda sua essência, adquire memórias que se tornam lembranças eternas.


COSTÃO FAMILY ADVENTURE

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As atividades Family Adventure: O Costão Family Adventure integra a programação de entretenimento do resort entre os meses de maio e setembro, oferecendo atividades de soft adventure, que permitem a pessoas sem experiência nenhuma na prática de esportes de aventura – ou com conhecimento mínimo –, experimentar essa vivência. E há alternativas para todas as idades: as crianças podem participar do acampamento, enquanto os adolescentes se aventuram com o sandboard nas dunas; enquanto o pai pratica o arvorismo, a mãe toma aulas de surfe. Ou então, toda a família participa de uma atividade única, reforçando os laços e valorizando a união. A proposta do projeto é exatamente essa: oferecer inúmeras alternativas, proporcionando o maior número possível de atividades em contato direto com a natureza.

da tranquilidade à adrenalina


COSTÃO FAMILY ADVENTURE

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Confira algumas das atividades do

Costão Family Adventure

Arvorismo

Sandboard

Surfe

Além de ser uma atividade desafiante, a vista sobre a copa das árvores no complexo de arvorismo do Costão é incrível, permitindo vislumbrar todo o empreendimento, mar, mata e dunas.

As dunas do Moçambique viram a atração principal quando a prancha aparece, e podem ser percorridas em pé ou sentadas. Depende do gosto e da habilidade do aventureiro.

Embora seja um dos esportes aquáticos que mais atrai as pessoas, poucas acreditam que podem praticá-lo. Mas no Costão, há instrutores que ministram aulas para todos os níveis, iniciando com as práticas na areia.

Parede de escalada

Stand up paddle

Adultos e crianças podem se aventurar em um desafio pessoal a subir pelas paredes, de acordo com capacidade e condições próprias, no ambiente do resort. Ou seja: sempre com segurança.

O SUP – como carinhosamente é apelidado esse esporte – conquista os corações de quem quer a sensação de caminhar sobre as águas, flutuando sobre o pranchão.

Caiaque

Tirolesa

Mergulho

A Marina dos Ingleses oferece a condição ideal para a prática desse esporte, com todo o suporte da equipe de entretenimento.

Descer em alta velocidade de uma árvore é uma experiência e tanto, com direito a sentir um inesquecível friozinho na barriga.

Os aventureiros aprendem técnicas que lhes permitem descobrir os tesouros secretos de uma biodiversidade incrível, sem qualquer investimento extra.


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Práticas que integram

corpo, mente e espírito De acordo com a administração do resort, além de oferecer um atendimento de padrão internacional na gastronomia e nas acomodações, a missão do Costão do Santinho é motivar seus hóspedes a cuidar do corpo, mente e espírito de forma integrada. Totalmente conectado a esse propósito, o Family Adventure oferece atividades consideradas de pura adrenalina, práticas perfeitas para o relaxamento e também oportunidades de contemplação integrativa no meio ambiente.

Trilhas Sete diferentes trilhas são oferecidas aos hóspedes, que podem contar com essa jornada em meio à natureza, não apenas para contemplar o cenário e o ambiente, mas também ouvir o conteúdo repassado pelos monitores de entretenimento, com detalhes da flora e da fauna locais. As incursões arqueológicas permitem conhecer ainda mais sobre as histórias dos sambaquis, tribos indígenas, colonizadores açorianos e seus legados.

Caminhadas ecológicas As caminhadas ecológicas ficam ainda mais completas com a observação de aves e outros animais silvestres. Somente na área que compreende o Morro das Aranhas há mais de 50 espécies catalogadas. As crianças também podemter um contato ainda mais próximo com a natureza na Fazendinha, que fica dentro do Parque Ecológico, e oferece uma rica e educativa experiência.

Atividades de relaxamento Atividades como yoga e alongamento, realizadas em frente à praia ao nascer do Sol, podem ser perfeitas para quem deseja buscar complementar a experiência com relaxamento, cuidado com o corpo e controle da respiração.

Sem dicotomia: integrando o virtual com o real A tecnologia pode ser utilizada para integrar a natureza e não precisa ser sua antítese. Pensando nisso, a equipe de recreação do Costão do Santinho promove as atividades de forma que as crianças e adolescentes se divirtam conquistando os desafios e conferindo o desempenho pelo celular, utilizando atividades reais e o mundo virtual como meio. Com isso, pretende-se como resultado a integração da família, uma vez que os pais podem orientar e incentivar seus filhos nas atividades, enquanto os filhos dão suporte aos pais com a tecnologia.

Como funciona a extensão do Family Adventure no aplicativo do Costão As atividades disponíveis e sua pontuação são conferidas no aplicativo do Costão. Após se dirigir até o local e realizar o desafio, o QR Code referente àquela atividade é disponibilizado para quem participou. Com o celular, o hóspede faz a leitura do código e a atividade é registrada em seu passaporte. Ao final do período – as apurações acontecem às terças e sábados –, as pessoas que conseguirem maior pontuação têm seu desempenho reconhecido em um pódio temático e ainda ganham brindes do resort. A proposta é não determinar que se venha a um destino de férias e se deixe o celular num canto, mas sim utilizar o mundo virtual de forma a convidar os participantes a experimentarem algo além da tela, que movimente o corpo, que mostre o ambiente como uma complementação ao virtual e não como o oposto. Assim, fica mais fácil cativar a atenção do público que prefere a tela azul ao verde da natureza.


COSTÃO FAMILY ADVENTURE

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O chamado da natureza vem de dentro,

basta querer ouvir

O Costão Family Adventure está disponível para todos que se hospedarem no resort entre os meses de maio e setembro, já incluso no valor da diária com all inclusive, junto à programação regular. Ou seja: o Costão do Santinho oferece aos visitantes um patrimônio natural singular e uma equipe empenhada em oferecer as melhores experiências, que resultem em uma vivência inesquecível e, indo além disso, ressignificativa. Assim é a energia do Costão: só vivendo é que se entende.


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34 ENCANTOS DA ILHA

foto EDUARDO VALENTE

QUATRO (LINDOS) CANTOS DE FLORIPA Florianópolis fez aniversário dia 23 de março, e pela segunda vez, a data não foi marcada com festas e comemorações públicas texto LÚ ZUÊ fotos EDUARDO VALENTE e MARCO CEZAR

E

m 2020, ainda sob o impacto do início da pandemia e da necessidade de nos acostumarmos a viver com o tal “distanciamento social”, tivemos que encontrar formas particulares e alternativas de dizer “Parabéns!” para a nossa cidade. Foi tudo muito diferente do que sempre aconteceu, e parece que ficou faltando algo: as pessoas nas ruas, a alegria, o clima festivo, os shows e programações especiais... Foi um aniversário sombrio, e a esperança era que em 2021 fosse tudo diferente. Mas não foi! Este ano, os 348 anos de Florianópolis foram marcados por um feriado normal, com respeito ao decreto estadual para controle

da pandemia (que naquele momento atingiu níveis críticos em toda Santa Catarina, especialmente na Capital), e anúncio de pacote de obras pela prefeitura da Capital, especialmente revitalização de ruas, requalificação de praças, entrega de novas áreas de lazer, acessos a praias e decks. Muita coisa nova de presente para a cidade e para as pessoas. Também gostamos do novo, mas lembrando dos lugares onde o florianopolitano sempre gostou estar – seja para comemorar o aniversário da Capital, ou para viver a vida boa que ela nos propicia – a Revista Mural pinçou quatro “cantos” que têm a cara de Floripa, encantam pela beleza, pela história – ou por ambos – e mostram que nossa cidade é especial, independente da direção para a qual olhamos.


foto EDUARDO VALENTE

Lagoa da Conceição Na Ilha da Magia, o feitiço que encanta os olhos e arranja um lugarzinho no coração da gente fica ainda mais evidente na Lagoa da Conceição. Místico para uns, pitoresco para outros, impactante e inesquecível para todos. A surpresa começa já lá no alto do morro, quando a beleza da paisagem seduz. Não importa se é a primeira ou centésima vez que se vê, o efeito se repete. Ok! Sabemos que em janeiro deste ano a Lagoa sofreu muito com o rompimento de um lago artificial de tratamento de esgoto, que causou estragos em dunas e restingas e alterou a qualidade da água. Um desastre, com certeza, mas isso só serviu para confirmar o quão importante é a Lagoa da Conceição para a cidade e o lugar especial que ela ocupa no coração do florianopolitano.

É muito fácil encontrar motivos para ir até lá. Seja o casario antigo dos arredores, a variedade de “tribos” que convivem pacificamente no Centrinho, a diversidade gastronômica, a riqueza cultural, as dunas branquinhas que sempre criam uma paisagem diferente, ou mesmo a energia do lugar, que é única. Aliás, na Lagoa da Conceição até o tempo parece ter um ritmo próprio, e as pessoas se adaptam. Paraíso de quem curte atividades esportivas, tem espaço para quem escolhe a água, a terra ou o ar, seja na calmaria do stand up paddle e da simples caminhada, na energia das pipas do kitesurf ou no equilíbrio do slack line, cada um encontra seu lugar. E quando chega a hora de ir embora, bem lá no final da tarde – ou início da noite –, é bom escolher um lugar na beira da Lagoa, sentar na grama e ver o dia ir embora, não sem antes dar um show com os mais lindos pores do Sol que se pode observar. Mas é só um “Até breve!”, porque no dia seguinte, tudo começa novamente.

ENCANTOS DA ILHA

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fotos EDUARDO VALENTE

ENCANTOS DA ILHA

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Parque de Coqueiros Logo ali, depois de atravessar a ponte e chegar no Continente, temos uma mostra de um parque que caiu mesmo no gosto popular. Construído num local antes conhecido como Saco da lama, no período pré-pandemia – principalmente nos finais de semana – era até difícil encontrar vaga nos estacionamentos (que comportam cerca de 300 veículos), tamanha a quantidade de pessoas que escolhiam o parque como destino. Ficou um tempinho proibido para o público, mas aos poucos, com o relaxamento das restrições para utilização de espaços abertos, os frequentadores estão voltando. Tem pista para corrida e caminhada com 850 metros de extensão, academia ao ar livre, parque infantil, duas quadras de futebol de areia, campo de futebol suíço, quadra de vôlei de praia, quadra de basquetebol e espaço cercado para pets. Ou seja: opções para toda a família. O local é privilegiado e a infraestrutura vem recebendo cada vez mais incrementos, consolidando o Parque de Coqueiros como um dos destinos mais apreciados pela comunidade, seja por quem procura lazer, deseja praticar atividades físicas ou simplesmente quer passar um tempo ao ar livre, contemplando a natureza. E a natureza, aliás, é um capítulo à parte, pois ali, bem no extremo de um bairro com grande especulação imobiliária, há um mangue que resistiu às construções. Em maio de 2020, a partir de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) feito com uma construtora, o parque ganhou um deck com cerca de 150 metros para observação do mangue. De acordo com o inventário ambiental do local, só em relação às aves, há cerca de 80 espécies frequentes no local.

Praia do Forte Passando pela glamourosa e famosa Jurerê Internacional – que atrai olhares e rende comentários pelos edifícios e residências de alt(íssim)o padrão e pelos carros importados que desfilam pelas impecáveis avenidas, vamos chegar a um outro canto muito especial de Floripa. Cadastrada como sítio arqueológico protegido por Lei federal desde 1987, a Praia do Forte ganhou esse nome graças às ruínas do Forte São José da Ponta Grossa, uma fortaleza construída no século XVIII, que em conjunto com outros dois fortes – a Fortaleza de Santa Cruz, na Ilha de Anhatomirim, e a Fortaleza de Santo Antônio, na Ilha de Ratones Grande – formava um sistema de defesa em formato de triângulo na entrada da baía norte da Ilha de Santa Catarina, idealizada pelo Brigadeiro José da Silva Paes para defender a Ilha dos invasores. O nome da praia veio como herança, e é claro que traz consigo o peso da história, que por si só já é um ingrediente atrativo. Mas o que faz dela um “cantinho” especial é um conjunto de coisas, e se inicia no acesso único ao local, que é inclinado, estreito e sinuoso, e que por isso precisa ser feito com bastante cuidado. Mas lá em baixo, o que chama atenção é a simplicidade e tranquilidade de um lugar que abriga uma praia não muito extensa (não mais do que 400 metros), com uma faixa de areia branquinha e convidativa, com largura que varia entre dois e 15 metros. Se no início de sua história foi um local voltado à defesa e à pesca, hoje o que a caracteriza é o ambiente acolhedor e receptivo, além da vocação para a prática de atividades de recreação e esportivas. O lugar pitoresco fica praticamente de costas para o oceano, e tem à sua frente a vista para a Ilha de Anhatomirim e os morros de Biguaçu e Governador Celso Ramos. Completam o “pacote” as águas quentinhas, mansas e clarinhas. É ou não é um cantinho especial?


fotos MARCO CEZAR

ENCANTOS DA ILHA

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Ribeirão da Ilha Passear pela Freguesia do Ribeirão da Ilha é mergulhar nas origens açorianas. Apesar da passagem do tempo e do crescimento da cidade, os hábitos e os traços da cultura dos primeiros colonizadores dos Açores (que chegaram à região entre os anos de 1748 e 1756, segundo os historiadores) se mantêm vivos nos moradores, especialmente nos mais antigos. A forma de falar, os hábitos da culinária, a arquitetura ou mesmo a aura do ambiente, fazem do Ribeirão um “cantinho” à parte – e indiscutivelmente, encantador. Como lá no princípio da história da comunidade os acessos eram muito precários – e até mesmo pelas características dos açorianos – a relação com o mar sempre foi muito forte e presente na vida dos moradores do Ribeirão da Ilha, que faziam dele a principal via de acesso às outras regiões da Ilha e do Continente. Ainda hoje, especialmente fora da temporada e durante a semana, a rotina do bairro é bem pacata, com muita qualidade de vida. Lá não se vê prédios, e as casas do centro histórico e a praia calma compõem um lindo e especial cenário, não apenas para as fotos de turistas, mas também dos moradores de Florianópolis e região que escolhem o Ribeirão como destino para passear.

Não poderia ser diferente, afinal de contas, na gastronomia o Ribeirão da Ilha dá um banho! Se Florianópolis ostenta com orgulho o título de maior produtor de ostras do Brasil, por conta do tradicional cultivo de moluscos de reconhecida qualidade na região, o setor gastronômico se desenvolveu muito, e consolidou os restaurantes locais – a maioria de tradição familiar – como referência nacional nesse tipo de prato. Falou em Ribeirão da Ilha, lembrou de ostra. Ah! E quem gosta de aventura e contato com a natureza também tem opção. É lá da parte mais extrema do bairro que parte uma trilha que liga a localidade da Caieira da Barra do Sul à Praia de Naufragados. Depois de cerca de uma hora de caminhada, os aventureiros chegam a uma praia de areia branca, ondas fortes e água fria. Os mais de 700 metros da praia são limitados por costões de pedra (do Farol à direita, e do Frade, à esquerda). Vale a caminhada!


ANIVERSÁRIO DA PONTE

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E ELA COMPLETOU 95 ANOS!

Idade avançada? Esqueça desse detalhe, porque a Hercílio Luz está linda, viva e muito à vontade na missão de fazer parte do dia a dia da cidade


ANIVERSÁRIO DA PONTE

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texto LÚ ZUÊ fotos EDUARDO VALENTE

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o dia 13 de maio (ela é Taurina), nosso mais famoso cartão postal fez aniversário e ficou ainda mais “Senhora” de si. Com 821 metros de comprimento, 74 de altura e toneladas de aço, ela é o símbolo máximo de Florianópolis e segue arrebatando – cada vez mais – não apenas os corações dos manezinhos, mas o de qualquer um que a conheça. Não há como negar: ela é um patrimônio histórico, arquitetônico e cultural, mas sobretudo, é encanto puro! Seja sincero: você consegue imaginar Florianópolis sem a Ponte Hercílio Luz? Reconhecida como um marco da engenharia, a linda ponte – que carrega com competência o título de monumento – foi inaugurada em 1926 e por quase cinco décadas foi a única ligação entre a Ilha e o Continente (a Colombo Salles foi inaugurada em março de 1975). Castigada pela falta de manutenção por anos a fio, foi acumulando uma série de problemas em sua estrutura e passou por seguidas interdições. Dizem alguns que ela só não caiu porque é, realmente, Taurina raiz, ou seja: teimosa em sua essência! Mas essa parte (triste) da história, temperada por questões relacionadas ao tempo e aos prazos e valores investidos na reforma desde que foi assinada a primeira ordem de serviço para sua recuperação (em 2006), a gente já conhece muito bem. Fato é que ela foi “devolvida” aos catarinenses no dia 30 de dezembro de 2019 com uma grande festa que reuniu quase 200 mil pessoas (dados do governo do Estado). Era apenas uma prévia do que aconteceria nas semanas seguintes, quando mais de 1,1 milhão de visitantes fizeram da Hercílio Luz a protagonista de incontáveis milhares de fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais. Difícil mesmo seria encontrar quem não quisesse registrar o encontro – em muitos casos, reencontro – com a nossa ponte.

Desde então, os usos da Hercílio Luz vêm passando por alterações, e as limitações de tráfego pela estrutura vêm diminuindo e abraçando cada vez mais parcelas da população. No início, apenas pedestres e ciclistas tinham o privilégio de atravessar a ponte; já no final de janeiro de 2020, as primeiras linhas de ônibus, táxis e os veículos oficiais e de emergência passaram a ter autorização para circular por lá durante a semana; na sequência, transporte escolar e novas linhas de ônibus; por último, os carros particulares também receberam sinal verde, mas a princípio obedecendo a determinação de levar pelo menos dois passageiros por viagem. E no dia do aniversário da ponte, o governo do Estado anunciou a permissão da circulação de automóveis independentemente do número de ocupantes. Isso tudo durante a semana, porque nos finais de semana e feriados, a Hercílio Luz segue sendo território exclusivo para os pedestres e ciclistas, seja para a prática de atividades físicas ou simplesmente para contemplação. E ela segue, por isso, sendo muito bem aproveitada!


ANIVERSÁRIO DA PONTE

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Integrada também à cidade Se a relação entre a ponte e as pessoas vai “muito bem, obrigada!”, os projetos em estudo e em implantação visam preencher uma suposta lacuna e integrar cada vez mais a estrutura à cidade, reforçando a ideia de que “ela” faz parte da “nossa” vida. Mas vamos lá: faz mesmo... é monumento, é ponto de referência, é atrativo turístico... Justamente por isso, governo do Estado e prefeitura da Capital (responsáveis de forma conjunta pela estrutura em si e pelo seu uso) colocam em prática diversas ações que por um lado seguem um plano de ocupação urbanística harmônico que envolve todo o entorno da estrutura, e por outro, implementam linhas especiais de transporte coletivo, que firmam a Hercílio Luz como ponto central de conexão entre o Continente e a região central da Ilha, por exemplo. Isso, citando apenas uma das ideias. Assim, de certa forma a eterna “Ponte Velha” – quem é do tempo em que só existiam duas pontes vai reconhecer essa forma de tratamento – vai retomar com mais efetividade sua primeira e fundamental função: ligar Ilha e Continente.

Ela precisa ser bem cuidada! Disso, todos nós – além da prefeitura da Capital e do governo do Estado – sabemos. “É nosso dever cuidar, sempre com zelo e responsabilidade, para que a ponte permaneça por muitos anos a serviço dos catarinenses”, disse recentemente o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés. Mas, por mais absurdo que possa parecer, já houve roubos de parafusos e de fios e cabos de iluminação. Além desses “incidentes de percurso”, para não repetir os erros do passado a estrutura precisa de manutenção constante e especial como retoques, pintura, substituição de parafusos, troca de defensas danificadas, colocação de novas tachas e delineadores de sinalização, entre outros. E, claro, vigilância noturna. Para isso, o governo do Estado prepara um edital para a contratação de manutenção contínua da Hercílio Luz, que deve englobar, também, a realização de inspeções mensais e elaboração de relatórios periódicos. Tudo para garantir a devida conservação do patrimônio e, também, a segurança de todos que fazem uso dela. Que assim seja!


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fotomontagem ANDERSON RODRIGUES

JULIANA WOSGRAUS

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ELES TÊM A MESMA IDADE Fazem aniversário junto com nossa ponte, e foram testemunhas desse período da história


foto DIVULGAÇÃO

foto EDUARDO VALENTE

JULIANA WOSGRAUS

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texto JULIANA WOSGRAUS fotos EDUARDO VALENTE

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assinou contrato com a 20th Century Fox. E sua marca registrada foram as curvas exuberantes que a tornaram um dos maiores símbolos sexuais do século 20. Assim como as curvas parabólicas que sustentam nossa ponte e são um dos marcos da sua fama. fotomontagens ANDERSON RODRIGUES

ossa ponte cartão postal foi inaugurada em 13 de maio de 1926, e agora, restaurada mais uma vez, ganhou matéria especial nesta edição da Mural. A data marca ainda a Abolição da Escravatura no Brasil. Nos livramos desta vergonha 38 anos antes, apenas. E o que mais estava acontecendo no mundo no ano da inauguração da nossa Ponte Hercílio Luz? Fui bisbilhotar! Em 21 de abril, 23 dias antes da abertura oficial da primeira ponte ligando a Ilha de Santa Catarina ao continente, nascia em outra ilha, Londres, Inglaterra, Elizabeth Alexandra Mary, que se tornaria a Rainha Elizabeth II a partir de 1952. Majestade lá e majestade cá nascidas em datas próximas. Já do outro lado do Atlântico, 17 dias depois da inauguração aqui, em Los Angeles, Califórnia, nascia Norma Jeane Mortenson, imortalizada como Marilyn Monroe a partir de 1946, quando


foto EDUARDO VALENTE

JULIANA WOSGRAUS

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O ator e humorista Jerry Lewis também nasceu em 1926, assim como o revolucionário cubano Fidel Castro. Personalidades diferentes da mesma safra. Enquanto isso, naquele mesmo ano começava a ser construído o cartão postal marca registrada do Rio de Janeiro e do Brasil, o Cristo Redentor, que viria a ser inaugurado em 12 de outubro de 1931, no alto do Morro do Corcovado. O monumento, concebido pelo engenheiro Heitor da Silva Costa, teve a cabeça e as mãos feitas na França, pelo escultor Paul Landowski. Curiosidade: Landowski nunca visitou o Cristo e jamais esteve no Brasil. Outra curiosidade: a Golden Gate, em São Francisco, nos Estados Unidos, só começaria a ser construída em 1933 e foi inaugurada em 1937, também no mês de maio. foto DIVULGAÇÃO

foto YOUSUF KARSH

PONTE HERCÍLIO LUZ

JERRY LEWIS

GOLDEN GATE

FIDEL CASTRO


foto GABRIELA EVANGELISTA

JULIANA WOSGRAUS

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Uma rosa na inauguração da Ponte Hercílio Luz

Rosa Pereira Evangelista E

m 2011 entrevistei dona Rosa Pereira Evangelista, que estava para completar 100 anos e, ainda menina, esteve na inauguração da Ponte Hercílio Luz. Lembrava até da letra da música que foi feita para a ocasião. Aqui, o seu relato, assim como dicas valiosas de como viver muito, e muito bem. Um presente para todos nós, além de levar ao clima de como era Florianópolis na época da inauguração da ponte. Natural de Florianópolis, dona Rosa Pereira Evangelista nasceu em 3 de novembro de 1911. Morreu em 2012, dormindo, depois de ter se divertido e dançado na festa de 15 anos de uma bisneta. Do jeito que gostava, depois de uma bela comemoração em família. Uma grande família. Ela foi casada por 34 anos com Antônio Evangelista, e era viúva desde 1968. Teve quatro filhos – Marylene, Eda, Antônio e Carmen Lúcia –, 12 netos e 13 bisnetos. Confira um trecho da valiosa conversa.

Revista Mural | A senhora estava na inauguração da Ponte Hercílio Luz em 1926? Dona Rosa Pereira Evangelista | Lembro-me como se fosse hoje. Inclusive da música que cantamos na inauguração. (Canta a música) “Festejaram a ponte formosa, orgulhosa te vemos subir, e subindo imponente e airosa, és o emblema do nosso porvir. Viva a Ponte Hercílio Luz”. Naquela época, já se dizia que a ponte iria dar problema porque parte da cabeceira estava assentada sobre um cemitério. Lembro-me de que poucos anos depois, durante a Revolução de 1930, o governo mandou tirar as madeiras da ponte para evitar a chegada dos revoltosos. Entre eles, inclusive, estava o Nereu Ramos. Mas não adiantou, porque eles chegaram. RM | Três coisas de que mais sente saudade da Florianópolis da sua infância e juventude? Dona Rosa | Tenho saudade do bondinho que era puxado por burros, fazia o trajeto Centro-Agronômica. Aliás, o ponto do bonde ficava em frente ao Miramar, outra coisa da qual sinto muita saudade e até hoje não sei como foram destruir uma coisa tão bonita. E, claro, sinto saudade dos familiares e amigos queridos que se foram. Sou de um tempo em que as pessoas se cumprimentavam e os vizinhos se conheciam.


fotos BANCO DE IMAGENS/CASA DA MEMÓRIA/FCF-FC

JULIANA WOSGRAUS

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RM | Seu lazer preferido? Dona Rosa | Passear. Gosto de caminhar, de passear, de estar nas ruas, ver o movimento. RM | Como faz para manter a mente ativa? Dona Rosa | Leio os jornais todos os dias. Estou por dentro das coisas que acontecem; não quero ficar uma pessoa alienada. Mas estou ficando cega e agora preciso de uma lupa para ler as notícias. Vejo também os telejornais e acompanho as tevês legislativas. O problema é que, além do problema de visão, já tenho há algum tempo dificuldade de audição. Todo o resto do meu corpo e da minha saúde vão bem, obrigada. RM | A vida é boa quando...? Dona Rosa | Quando a gente sabe viver com alegria, quando se entende que a tristeza também faz parte da vida.

RM | Uma dica que a senhora gostaria de dar aos mais jovens: Dona Rosa | Não percam tempo se preocupando com bobagem e aprendam a rir dos obstáculos que surgem ao longo da vida. Não esperem para serem felizes depois que resolverem determinado problema. Sejam felizes já, nesse caminho. E, assim, procurem viver essa vida tendo Deus como bússola. Com Ele, ao lado da família, a gente nunca se sente sozinho. RM | Como é a sua alimentação? Dona Rosa | Neste verão, na Cachoeira do Bom Jesus, uma argentina me perguntou: o que a senhora faz para viver tanto tempo, qual a sua dieta? Disse para ela que o segredo é não fazer dieta nenhuma. Um dia, dizem que manteiga faz bem para a saúde, depois dizem que a manteiga é ruim. Um dia, o ovo é bom e no outro dia é ruim. Então, na dúvida, eu como de tudo. Mas nada dietético. Coisas dietéticas me fazem mal. RM | Mas a senhora se cuida, vai ao médico regularmente? Dona Rosa | Vou, adoro. Eles me paparicam, todos me abraçam e me beijam e me elogiam. Esses dias, um deles me disse: “Se eu não for convidado para ir à festa dos seus 100 anos, não serei mais seu médico”. Disse para ele que não sei se vai ter festa, se os filhos vão preparar alguma coisa, mas espero que preparem porque eu adoro festa. RM | Se pudesse viver mais 100 anos, a senhora viveria? Dona Rosa | Claro! O céu deve ser muito bonito, mas não tenho nenhuma vontade de conhecê-lo por enquanto. Tenho mais curiosidade pela vida deste mundo aqui.

RUA FREI CANECA. DÉCADA DE 1920

RM | Uma frase: Dona Rosa | Eu rezo e aceito aquilo que não posso mudar.


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Aos 65 anos, a “grande dama de Florianópolis” – como define o amigo de longa data, o empresário Fernando Marcondes de Mattos –, Zena Becker, segue trabalhando intensamente pela cidade que escolheu como lar

ZENA BECKER

AMOR E TRABALHO POR FLORIANÓPOLIS


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texto LU ZUÊ fotos MARCO CEZAR

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ão poderia ser diferente... nem mais simples: “Eu amo essa cidade, e por mais lugar comum que possa parecer, quem ama cuida, quem ama quer o bem”, sentencia Zena. Nascida em Itajaí, ela chegou em Florianópolis aos 15 anos após perder o pai (a mãe havia falecido três anos antes), para morar com uma tia e estudar. Jovem ainda, Zena conta que trazia como exemplo de vida uma “veia colaborativa”. “Lá em Itajaí, meu pai era intendente do bairro onde morávamos, e nos ensinava que trabalhar juntos, pela comunidade, era a forma de realizar as coisas. O bom é que encontrei em meu caminho muitas pessoas boas, que pensavam da mesma forma que eu, e que amavam Florianópolis igualmente”, diz, citando o amigo Fernando Marcondes, a “quase gêmea”, Anita Pires, a amiga de vida e companheira de causa, Alice Kuerten, o publicitário Roberto Costa e o empresário Vinícius Lummertz, ex-ministro do Turismo e atual secretário estadual de Turismo em São Paulo. Graças aos grandes amigos, às valiosas parcerias e à infindável disposição para trabalhar, há cinco décadas Zena vem elevando o voluntariado em Santa Catarina a um patamar de profissionalismo, às vezes trabalhando na promoção de simples ações beneficentes, em outras oportunidades à frente de importantes instituições (entre elas a Apae de Florianópolis e a Associação FloripAmanhã) e até mesmo ocupando cargos públicos. Sim, cargos públicos, porque os resultados exemplares e destacados de seu trabalho a conduziram, por exemplo, ao cargo de secretária municipal de Turismo da Capital, durante a gestão do ex-prefeito César Souza Junior, e à coordenação do movimento Floripa Sustentável (veja matéria na página 52).

Generosa, ela credita os resultados sempre positivos de seu trabalho ao suporte técnico que sempre fez questão de ter para tomar decisões. “Isso foi uma coisa que Fernando, eu e Anita sempre fizemos questão de fazer: falar sempre a partir do auxílio de pessoas capacitadas, que entendem dos assuntos que abordamos. Não me permito falas vazias, falar por falar”, explica, justificando que é preciso trabalhar em sintonia com o exército que se forma em torno de um objetivo comum. Se a tal “veia colaborativa” veio de berço e foi o início de toda a caminhada, o amor por Florianópolis indicou as ações a tomar. Desde o primeiro momento em que chegou à Capital, Zena começou a cultivar a admiração pelos cantos e encantos da cidade. “Embora eu não seja uma pessoa que precise sempre tomar banho de mar, não posso viver longe dele. O mar me traz energia, diminui as tristezas, acalma... E aqui temos o melhor de tudo: somos uma cidade pequena, porém, com estrutura de capital, temos uma paisagem ímpar, o povo é acolhedor e o clima, extraordinário. O que mais a gente pode querer?”, pergunta. E na ponta da língua, ela tem lugares e cenários aos quais sempre dá posição de destaque: o pôr do sol em Santo Antônio de Lisboa, o vai e vem dos carros e pessoas na Beira-Mar Norte, as noites de Lua Cheia na praia Brava (“Você já viu? O mar fica prateado!”, justifica), a beleza natural da Praia do Santinho... e Zena segue enumerando pontos que quem conhece, admira. Mas apesar da admiração por Florianópolis, ela nunca fechou os olhos para o que identifica como demandas ou carências da cidade, e muito menos fugiu do que considera uma responsabilidade cidadã. “Eu quero uma cidade desenvolvida, sustentável e inclusiva. E acredito que Florianópolis precisa de uma gestão eficiente e de cidadãos participativos, que saibam que cada um tem que fazer


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a sua parte”, afirma. Foi assim, segundo relembra, que ela e as “pessoas boas” que encontrou pelo caminho começaram a trabalhar para ajudar a construir uma Florianópolis melhor. “Essa relação que desenvolvemos nos fez ultrapassar os limites do sonho e partir para as realizações necessárias para conquistarmos uma cidade melhor para todos, com mais oportunidades, qualidade de vida e inclusão de forma geral. É essa união que faz a força, supera interesses pessoais e pratica a cidadania e o amor pela cidade”, explica. Além disse tudo, Florianópolis é especial para Zena porque foi aqui que ela conheceu Raul Becker, e com ele formou uma família feliz. Juntos, tiveram três filhos (Samuel, Bianca e Ana Carolina), e viram a família crescer com cinco netos: a Ana Carolina, a Gabriela, o Davi, a Camila e a Catarina. Zena foi uma dedicada mãe e esposa, uma vó presente, mas nunca precisou deixar de se envolver em projetos que trouxessem benefícios para a cidade. Pelo contrário: tanto os filhos quanto o marido acompanhavam na medida do possível sua dedicação ao trabalho voluntário, e sempre deixaram muito evidente o orgulho que sentiam pelo que ela fazia. Aplaudiram e apoiaram a decisão de enfrentar o banco da universidade e concluir a graduação em Administração e Marketing aos 48 anos. E depois, focar ainda em uma especialização em Gestão da Comunicação. Também em família, as conquistas sempre foram comuns. Foi, inclusive, estimulada e impulsionada pelo marido que Zena aceitou voltar a coordenar a organização e realização da Feira da Esperança no ano de 2019, que após sucessivos fracassos estava em situação de ostracismo. Amparada no know-how de anos e nas parcerias sólidas que sua credibilidade sempre atrai, arregaçou as mangas e bateu um recorde de arrecadação: R$ 1.200.000,00 foram para o caixa da Apae naquele ano. E ela não economiza elogios ao marido. “Raul era assim. Anos antes já havia me dado muita força


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para assumir a Secretaria Municipal de Turismo, e sempre que eu me achava um pouco cansada – acontece com todo mundo, não é? – ele dizia: ‘O que decidires, vou te apoiar. Mas tens condições de fazer, e bem’. Ele foi sempre um grande parceiro, um companheiro maravilhoso, que se orgulhava das minhas ações e apoiava minhas decisões. E quando eu chegava tarde da noite em casa, literalmente acabada, sempre tinha tempo e disposição para sentar no sofá, conversar e massagear meus pés”, recorda. Há cerca de um ano e meio, Zena perdeu o companheiro de 44 anos. Engenheiro eletricista, engenheiro de telecomunicações e alto executivo da área, Raul Becker faleceu em janeiro de 2020, pouco antes do início da pandemia. “Foram 44 anos de casamento, os dois últimos muito focados na doença e recuperação dele. Fui muito feliz, muito amada e muito realizada, e é claro que senti demais a partida do Raul”, conta com serenidade. Mas ela já está a mil por hora, envolvida nos atendimentos da população e empresários que sofreram perdas provocadas pela pandemia. Existe um segredo para essa disposição. Ela mesma dá a explicação: equilíbrio. “Eu busco equilíbrio em tudo. Lá naquele início, a pandemia me forçou a ficar em casa e me deu a oportunidade de viver a fase inicial do luto com mais tranquilidade. Hoje, ela mostra que preciso continuar vivendo, por mim e por tudo aquilo no que acredito e quero realizar”, diz. Os famosos, lindos e expressivos olhos azuis seguem brilhando e encarando, de forma firme e confiante, o que vem pela frente. Plena, Zena Becker tem vontade – e muita disposição – para continuar vivendo intensa e alegremente, comemorando conquistas, aprendendo, ensinando e motivando quem queira seguir por esse caminho. Seja pela função social que desempenha ou pelas batalhas que trava para que a Grande Florianópolis prospere de forma sustentável e integrada, Zena Becker faz a diferença. E o melhor: sempre, aberta para o novo!


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UNIDOS POR UMA FLORIANÓPOLIS SUSTENTÁVEL A gente tem sorte de viver em Floripa, e essa é uma verdade absoluta! Mas que a cidade tem sorte por poder contar com quem a ama, ah!... isso também é inegável!


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texto LU ZUÊ fotos MARCO CEZAR

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lhando de longe, nossa cidade querida é perfeita: naturalmente linda, parece até que foi cuidadosamente desenhada, em um local escolhido a dedo. Conhecendo de perto, o encanto não diminui, mas fica mais fácil perceber as carências, necessidades, demandas da natureza, dos segmentos e das pessoas que aqui nasceram ou daquelas que não resistiram e escolheram viver aqui. Bom mesmo – e necessário – é que sempre existe quem sabe que é preciso e decide arregaçar as mangas para fazer a realidade mudar... não para si mesmas, mas para o coletivo e pela cidade. E quando, no lugar de cada um sair trabalhando por conta própria as pessoas decidem se reunir, entender os problemas, encontrar alternativas e buscar por objetivos comuns, os resultados são mais eficientes. Foi com essa premissa que surgiu o Movimento Floripa Sustentável, criado em 2016. Idealizado inicialmente por Fernando Marcondes de Mattos, Zena Becker, Roberto Costa, Carlos Leite, Anita Pires e Vinícius Lummertz (time de peso formado por pessoas habituadas a pensar no futuro da cidade e dispostas a contribuir), rapidamente a proposta foi conquistando adeptos (como os empresários Valério Gomes, Antônio e Walter Koerich, além de jornalistas, professores e outros profissionais), criando corpo, ganhando musculatura e expandindo a atuação. Pautado pela necessidade de agir e não apenas cobrar – não por acaso o slogan do movimento é “Paramos para pensar. Redescobrimos como Agir” – o Floripa Sustentável vem promovendo discussões e viabilizando ações em diversas áreas, seja em questões pontuais – como acontece desde o início da pandemia de Covid-19 –, ou quando

a abordagem se refere a temas amplos e bem complexos, como saneamento básico, mobilidade, plano diretor, turismo, entre outros. “O Floripa Sustentável é um guarda-chuva. Ele não é uma entidade oficial, mas sim um movimento que atualmente congrega 44 entidades, profissionais liberais de inúmeras áreas, técnicos, estudantes, cidadãos... enfim, quem quer o bem de Florianópolis, quer desenvolvimento com responsabilidade, quer inclusão social, encontra espaço no Floripa Sustentável”, explica Zena Becker, que coordena o movimento. Segundo ela, a proposta é debater ideias e projetar um futuro melhor, e agir para viabilizar um presente mais justo. “Havia uma necessidade muito grande de unirmos a cidade, cobrando participação e responsabilidade de todos os segmentos. Empresários, cidadãos e poder público precisam conversar, e era preciso unir os pontos”, afirma Zena, para quem Florianópolis nunca teve a oportunidade de presenciar uma união tão grande da sociedade como um todo. Os debates são o ponto de partida para definição de temas e áreas com demandas, além de estratégias de atuação. “Nesse período de pandemia, por exemplo, era necessário socorrer a cidade, atender cidadãos e empresas. Uma entidade apenas não conseguiria atuar em diferentes frentes, mas como grupo, conseguimos mobilizar muita gente e realizar muita coisa”, explica a coordenadora do movimento. Para ela, o melhor de tudo é que cada vez mais as pessoas estão demonstrando a disposição para agir. “Há alguns anos era tudo muito difícil, mas hoje já é diferente... A gente chama e as pessoas vêm. E Florianópolis criou uma cultura de colaboração absurda, maravilhosa. Os próprios empresários comentam que nunca estiveram tão preocupados e com vontade de fazer pela cidade, e sempre tem gente nova chegando”, conclui.


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Em busca de exemplos Ao mesmo tempo que reconhece a importância do debate, Zena Becker destaca a necessidade de se buscar, por meio deles, avanços efetivos. “Temos que agir com responsabilidade, sempre amparados em pesquisas e estudos mais técnicos, além de aprender com exemplos que dão certo. Tudo isso nos permite buscar o que é melhor para a cidade”, afirma. Em 2018, por exemplo, vários membros do movimento foram à Dinamarca em busca de referências sobre planejamento urbano, turismo, tecnologia e inovação, com o objetivo de desenvolver e criar uma Florianópolis mais humanizada. Em Copenhagen, a comitiva acompanhou uma palestra com o arquiteto Jan Gehl, que estuda o comportamento humano nas cidades há mais de 40 anos, e já prestou consultoria para os gestores de cidades como Londres, Melbourne, Sydney, São Francisco e Nova York. Autor de um documentário que mostra como cidades modernas repelem a interação humana, Gehl argumenta que é possível construir cidades de uma forma que leve em consideração necessidades humanas de inclusão e intimidade. “Florianópolis precisa de uma gestão pública eficiente, mas precisa também dizer o que ela quer ser: uma cidade turística, tecnológica, que respeita o meio ambiente... De qualquer maneira, ela precisa aprender, decidir e se reorganizar”, finaliza Zena Becker.

Sintonia nas ações Amigos de longa data, Fernando Marcondes de Mattos e Zena Becker sempre tiveram longas conversas sobre a Florianópolis do futuro. Natural por isso – e também pela influência e rede de amigos que ambos cultivam na cidade – que estivessem juntos no grupo que criou o Movimento Floripa Sustentável. Tão forte quanto o respeito e carinho que mantém pela amiga, é o reconhecimento que “Dr. Fernando” deixa explícito quando fala sobre o trabalho que Zena Becker vem realizando por Florianópolis há alguns anos, especialmente nas três últimas décadas. “Talvez ela seja hoje a mulher mais influente de Florianópolis, uma posição conquistada pela dedicação, altruísmo, caráter e desprendimento”, diz o empresário. Ele relembra o longo tempo que vêm trabalhando juntos em movimentos em prol da cidade, e a atuação dedicada de Zena na Apae, na organização FloripaAmanhã e, mais recentemente, no Movimento Floripa Sustentável, no qual ele próprio ocupa o cargo de presidente do Conselho. “E nunca pensou em tirar qualquer proveito próprio”, reforça Fernando Marcondes, para quem Zena Becker tem o knowhow necessário para coordenar o movimento. “Ao mesmo tempo em que ela tem uma visão muito ampla a respeito de desenvolvimento, a qualquer momento pode ligar para o número particular de qualquer empresário ou autoridade. Isso é muito importante para viabilizar ações”, argumenta. Isso, segundo o empresário, é fruto de muito trabalho, dedicação, estudo – “Sim, porque ela estuda amplamente questões como o plano diretor da cidade, o conceito de Cidade Criativa, a sustentabilidade”, diz – e credibilidade, que é uma conquista ímpar. “Zena está sempre olhando para a frente, para o desenvolvimento responsável, sustentável e inclusivo”, finaliza Fernando Marcondes de Mattos.


fotos MICHELE CASTILHO

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Projeto Limpeza dos Mares já recolheu mais de 105 toneladas de resíduos do fundo do mar e encostas de SC

UMA FAXINA QUE DÁ GOSTO


foto CARLOS STEGEMANN

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oram 23 etapas, um exército de voluntários e mais de 105 toneladas de resíduos retirados do fundo do mar e encostas de Santa Catarina. Tudo começou em 2014, quando a Associação Náutica Brasileira (Acatmar), sediada em Floripa, focou na situação ambiental de mostrar o quanto quem navega não quer fazê-lo em mar sujo – a ideia era desmistificar e mostrar que tipo de lixo é jogado no mar. O que encontrou foi desolador, diante da falta de consciência de todos. E, debaixo dessas águas, a desagradável surpresa de que muita coisa não deveria estar ali. De bitucas de cigarro a pneus. De geladeiras a aparelhos de televisão e brinquedos, além de metros de redes de pesca artesanal. Tudo escondido dos olhos mais atentos. “Sempre soubemos desse problema e resolvemos agir. Acabamos logo de início conseguindo detectar um descaso social com o mar”, afirma Michele Castilho, diretora da entidade, ressaltando que somente a limpeza seria inócua. “Se apenas recolhêssemos os resíduos, seria ‘enxugar gelo’. Daí a ideia de um trabalho de consciência social junto a escolas e comunidades de cada local onde realizamos a ação”, explica, ressaltando a importância da Marinha do Brasil. “Não poderíamos deixar de estar ao lado da Acatmar nesta iniciativa. Além de garantir a segurança da navegação, nossa missão também é conscientizar a população sobre a preservação”, aponta Alexandre Lopes Vianna, capitão dos portos de Santa Catarina. E foram muitos – e belos – locais contemplados: o canal da Barra da Lagoa, a Ilha do Arvoredo, a Ilha do Francês, Bombinhas, Guarda do Embaú, entre outros, receberam e acolheram o projeto, com o apoio do poder público, de empresas privadas e moradores locais, além de muitos mergulhadores voluntários,

que sempre estão a postos em cada iniciativa do Limpeza dos Mares. Patrocinador do evento, o Fort Atacadista também integrou a ação, parte de seu braço de responsabilidade social. Leandro Hommerding, gerente regional de marketing da empresa, explica a escolha do apoio. “Estamos muito presentes no litoral e é um orgulho integrar a causa”, diz. foto CARLOS STEGEMANN

texto ANDRÉ SEBEN (PALAVRACOM) fotos C ARLOS STEGEMANN e MICHELE CASTILHO


foto CARLOS STEGEMANN

Economia do mar Se a Acatmar surgiu para que todos deixassem de dar as costas para as águas – sejam do mar, rios, lagoas, lagos ou represas – com o objetivo de explorar o turismo e demais possibilidades econômicas e sustentáveis, essa conscientização ambiental era parte integrante do processo. “Enxergamos uma opção de crescimento, desenvolvimento, empregos e renda. Mas, para isso, despertar essa necessidade de acolhimento consideramos ser uma medida essencial”, revela Michele. Segundo ela, a construção da viabilidade do Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte, na Capital, tem tijolos da Acatmar e do Limpeza dos Mares.

Lagoa da Conceição tem solução? Apesar de várias edições do projeto Limpeza dos Mares na Lagoa da Conceição e no canal da Barra da Lagoa, o trabalho efetivo para ao menos amenizar o descaso desse ativo ambiental e turístico não chegou a uma solução definitiva. A tragédia que acometeu as águas da região, com o rompimento de um sistema da Casan, é reflexo de que pouco adiantou. “Ao menos conseguimos limpar – e muito – o que é depositado ilegal e irresponsavelmente”, contemporiza Michele Castilho, diretora da Acatmar. Além disso, a entidade sempre trabalhou com afinco junto às marinas associadas da região para que seus resíduos fossem destinados corretamente – ação essencial para as licenças ambientais destas empresas –, que é capitaneada pelo projeto Marina Legal. “Ao menos esse drama ambiental abriu os olhos do poder público para ações concretas, que começam a aparecer. Acredito que todos têm sua parcela de culpa por esta situação e continuamos proativos e dispostos a encontrar caminhos que salvem este paraíso ao alcance de todos. E vamos encontrar”, finaliza a otimista Michele Castilho. foto MICHELE CASTILHO

foto MICHELE CASTILHO

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A CANOA POLINÉSIA O crescimento do esporte e da satisfação de quem pratica


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texto LUÍS ROBERTO FORMIGA fotos PAULO GATTI e FORMIGA

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elocidade, estabilidade e muita performance na água é o que fica claro ao se ver uma Canoa Polinésia navegando, seja na canoa individual (OC 1), ou nas outras categorias por equipe, como na canoa OC 6, a maior delas, que é a utilizada por seis pessoas. OC é a abreviação de Ocean Canoe. Pelo nome ou pela sigla fica fácil de entender a origem e o potencial de navegação dessa embarcação. No Brasil, e mais precisamente em Florianópolis, SC, é nítido o crescimento desse esporte e o nível de satisfação de quem pratica. Trata-se de uma atividade outdoor, que cada vez se torna mais importante no mundo de hoje, onde as pessoas estão se isolando e ficando enfurnadas em frente ao computador, ou encurvadas em um mundo virtual apresentado por um telefone celular. Para entender um pouco mais sobre essa atividade a Revista Mural foi conversar com Paulo Gatti, 62 anos, um multiesportista casca grossa, que tem o remo e a canoa como objetos pessoais sagrados, e que representam seu estilo de vida.


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Skate com rodinha de ferro Conheci essa fera no final dos anos 70, aqui em Florianópolis, mais especificamente no Clube Doze de Agosto, no primeiro Campeonato Brasileiro de Skate. Gatti era da equipe South Shore, do RS. Competimos juntos naquele evento, que marcou o início da história do esporte no Brasil. Antes disso, Gatti jogava basquete e depois foi da primeira geração de windsurfistas, e tornou-se fabricante de pranchas no final da faculdade de Educação Física. Em 1983 trocou uma prancha por uma asa-delta com um francês, e começou a voar. Na sequência, Paulo Gatti virou triatleta. Foram vários anos dedicados à corrida, aos pedais e à natação, e aos voos de parapente, até que, em Saõ Paulo, na raia da Cidade Universitária, Gatti foi picado pelo bichinho do remo. É uma trajetória de vida multiesportiva que começou com o skate, ainda na época das rodinhas de ferro... um pouco depois do guaraná com rolha. (Rsrs)


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CANOA V6 UNLIMITED FULL CARBON

Templo sagrado Foi no laboratório do entrevistado que pude ver algumas relíquias esportivas, e o que há de mais moderno em um esporte ancestral. Gatti trouxe a tecnologia dos “composites” para a Canoa Polinésia aqui no Brasil. A fibra de carbono, as resinas epóxi e o PVC expandido – o Divinycell – garantem dureza, resistência â deformação e, consequentemente, mais hidrodinâmica nas embarcações.

CANOA OC 6 DE MADEIRA SENDO CONSTRUÍDA

Hoje, no Brasil a maioria das canoas são de fibra de vidro e madeira, mais pesadas e com menor performance. Gatti explica que a sua canoa V6 unlimited full carbon, para seis pessoas, é a primeira fabricada na América do Sul. Nesse “laboratório”, enquanto o incenso queimava, pude sentir o quanto filosófico e espiritualé essa atividade para quem entrou fundo no mundo da Canoa Polinésia. Como um templo sagrado, o lugar é ornamentado com objetos pessoais que poderiam ser comparados facilmente com as imagens de divindades, mas que na verdade são fotos esportivas, remos, pranchas, skates, tudo misturado de forma organizada com tintas, resinas e materiais de construção de remos e canoas. Ficou realmente claro para mim que remar em uma “Polinésia” é muito mais do que uma academia ao ar livre.


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NAPALI CHALLENGE 2011. KAIOLA TEAM, PRIMEIRO LUGAR MASTER

Espírito polinésio Foi em viagens ao Havaí que nosso entrevistado imergiu na filosofia desse esporte. Não somente técnica e força física são necessários para ser aceito nas comunidades havaianas desse esporte. A vibração, o olhar, a serenidade de um praticante forasteiro também são facilmente analisados pelos remadores locais. Sem esses “algo mais”, a possibilidade de interagir realmente com a cultura local desses remadores fica praticamente nula, explica Gatti. Ser aceito para competir em uma canoa com havaianos de um clube local é uma oportunidade totalmente diferente de “turistar para remar” no Havaí. Participar de eventos gigantes desse esporte, como The Battle of Paddle ou a travessia entre as ilhas de Oahu – Molokai, ultrapassa a experiência esportiva de endurance, onde o longo tempo de prática em uma prova e a exaustão física são características. É uma questão de devoção ao esporte, uma relação com a equipe, com o equipamento, com o mar e consigo mesmo. Espiritual, ressalta Gatti.

ESTADUAL HAVAIANO, KAUAI, 2013

MALIKO GULCH A FAVOR DO VENTO, MAIU, 2012


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Remo e arco e flecha Como um presente de índio, receber um remo, segundo os polinésios, é uma honraria. Da mesma forma que um índio brasileiro te presenteia com um arco e flecha, com os quais você pode caçar para sobreviver e alimentar sua família, o remo também tem essa conotação. O remo te leva ao mar, te possibilita pescar e te traz de volta para a terra com alimento. O suor e a energia acumulados nesses equipamentos são respeitados e sentidos por quem rema e são mais exemplos de como esse esporte transcende a níveis superiores.

OAHU 2011, COM JOHN PUAKEA

FAMÍLIA PUAKEA, PUAKEA FOUNDATION


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CANAL DA BARRA, PILOTO DE DRONE FILIPE SCHUUR

O desenvolvimento do esporte Gatti se emociona ao olhar a Lagoa da Conceição e revela que não iria morar em nenhum outro lugar do mundo por opção. A Lagoa é o paraíso também para quem rema. Aprender a remar na Lagoa é um privilégio: o lugar é mais que perfeito. Adquirindo-se nível técnico, é possível chegar facilmente ao mar pelo Canal da Barra. Isso tudo torna Florianópolis mais perfeita ainda para a Canoa Polinésia.

MAGIC ISLAND PADDLRES, LAGOA DA CONCEIÇÃO, 2021

Porém, Gatti tem preocupação com o aumento de praticantes. A falta de técnica e de conhecimento de muitos que estão se iniciando no esporte, ou estão envolvidos comercialmente com ele, podem ser perigosos. Manter o respeito ao esporte, à sua seriedade e às suas origens é fundamental. Remar é uma experiência multissensorial, que requer conhecimento e técnica para não se lesionar, conhecimento de mar e marés, de vento e meteorologia. Remar exige respeito. Aí sim, remar é curtição, prazer em uma linda atividade física e esportiva outdoor.


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O C ÉU (NÃO) O fascínio que a vontade de voar exerce sobre os homens não é recente. E entre todos os que olham para o céu e deixam a imaginação voar solta, existem aqueles que ficam só na vontade, aqueles que preferem apenas observar, aqueles que se contentam com viagens de avião... e existe o Gabriel Lott, para quem simplesmente voar, é pouco!


texto LU ZUÊ foto GABRIEL LOTT, CARLOS BORTOLOTTI E FLAVIO JORDÃO

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ovido por desafios, esse atleta de wingsuit (aquele em que o praticante “plana”, usando o traje com “asas de morcego”) nascido em Niterói (RJ), procura sempre o algo a mais. E encontra! Na última semana de maio, num lindo e ensolarado domingo, o mais recente “algo a mais” ele encontrou aqui em Santa Catarina, e deu show! Saltando de um helicóptero, Lott atravessou a fenda da Pedra Furada, que fica em Urubici – nos limites do Parque Nacional de São Joaquim –, a uma velocidade de 200 km/h e pousou, tranquila e suavemente, numa pequena clareira em meio a uma grande e densa mata, a cerca de 2,5 km do alvo principal. Da saída do helicóptero até o momento em que tocou chão não se passaram três minutos, mas pareceu uma eternidade para quem assiste a aventura. “Loucuraaaaaa!”, foi o grito que soltou quando tocou o chão. Alguém discorda? A ideia de fazer esse salto não é recente. Gabriel conta que em 2015, ele e o amigo Fernando Brito receberam uma foto da Pedra Furada e ficaram encantados. Quando souberam que ficava no Brasil, então, parecia um convite. “Não há como discordar que ela é linda! Na mesma hora pensamos: “Imagine passar por essa pedra voando!”, e ficamos com o lugar na cabeça”, conta o atleta. Pouco tempo depois, em junho de 2016, Brito realizava um salto na Pedra da Gávea (RJ) com mais dois amigos quando sofreu um acidente fatal. O projeto da Pedra Furada continuou nos planos de Gabriel Lott, até como uma forma de realizar, também, o desejo do amigo. “Continuei saltando, participei do campeonato mundial e somente agora eu consegui concluir o planejamento e obter todas as autorizações para que o salto fosse realizado de forma

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legal”, explica Lott, enumerando a necessidade de permissão para uso do espaço aéreo, do ICMbio (que administra o Parque) e do proprietário do terreno onde aconteceu o pouso. No total, mais de 20 pessoas estavam envolvidas na organização. Durante todo o processo de planejamento e execução, Lott contou o apoio de Flávio Jordão, líder da Fly Brothers, uma equipe que reúne os melhores atletas brasileiros de Wingsuit Base. E haja planejamento: o vão da Pedra Furada tem 6 metros de largura por 10 metros de altura, num local onde o vento é frequente e as nuvens quase sempre presentes. Considerando-se as condições e a velocidade, qualquer erro poderia ser fatal. E com o planejamento pronto, o ritual de Gabriel antes do salto é sempre o mesmo. “Eu mentalizo o salto inteiro várias vezes antes de realizá-lo”, diz. Simples assim. Essa não foi a primeira vez que Gabriel saltou aqui no Estado. Antes disso, ele já havia se aventurado no Cânion da Encosta do Espraiado. “Em 2020 eu recebi um convite do Lucas de Zorzi, que morava em Lages, para abrirmos novos pontos de salto na beira do cânion. Abrimos quatro, e um mês depois eu voltei, para mais um salto sobre o qual ainda não posso falar, porque ele faz parte de um projeto ainda não lançado”, comenta. Em outubro do ano passado, durante uma escalada nesse mesmo cânion, Lucas foi atingido na cabeça por uma pedra, e o ferimento foi fatal. Mais um amigo que se foi, e mais uma razão para Lott realizar a passagem pela Pedra Furada. “O Brito (Fernando) foi quem teve a ideia junto comigo e com certeza estaria aqui. Depois disso, o Lucas. Já tínhamos até combinado o salto. Então, essa realização é uma homenagem aos dois”, afirma. Algum novo desafio em mente? Claro que sim, e ele deixa o suspense no ar. “Tenho alguns, mas o principal, o que está me tirando o sono, é aí mesmo em Urubici. Vocês verão!”, conclui.


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Antes de chegar aqui... Inquieto e corajoso, Gabriel sempre foi adepto de atividades esportivas. Além de praticar diferentes modalidades de luta, aventurou-se no mountain bike e no mergulho, mas em 1997, aos 18 anos, quando foi servir ao Exército Brasileiro, ele escolheu entrar para a Brigada Paraquedista. Não deu outra! “O primeiro salto já foi incrível! Dali surgiu a paixão!”, relembra. O primeiro contato com o Base Jumping (quando os saltos de paraquedas são feitos a partir de pedras, penhascos, edifícios ou pontes) foi no ano seguinte, enquanto ele assistia vídeos de paraquedismo e viu alguns saltos dessa modalidade. Naquela época, a dificuldade de acesso a esse esporte era muito grande, mas a ideia ficou plantada na cabeça de Gabriel, como um desafio para o futuro. Foi nesse mesmo período, inclusive, que ele viu pela primeira vez um salto de wingsuit. “Eu estava morando na Inglaterra e saltando por lá, e em uma área de saltos chamada Skydive Hibaldstow vi um cara saindo do avião com um wingsuit. Lembro que achei legal, mas não me imaginei fazendo aquilo”, confessa. E até que demorou para tentar. Foi só em 2009, saltando de um avião, que Lott fez seu primeiro salto de wigsuit. Por incrível que pareça, sem qualquer conhecimento teórico ou treinamento prévio, usando o traje de um amigo (Tiago Cobra), ele resolveu tentar. “Foi horrível. Girei sem parar, mas fiquei com aquilo na cabeça. Sou daquele tipo de pessoa que pensa: ‘se alguém pode eu também posso’. Acabei comprando o traje dele!”, diz. Ao longo de um ano foram nove saltos, mas crítico com seu próprio desempenho, Gabriel confessa que aprendeu muito pouco durante esse tempo.

O Base Jumping continuava na cabeça! E a primeira experiência também veio meio que por acaso. Gabriel foi socorrer o basejumper canadense Rob Heron, que estava saltando de uma ponte próxima à cidade de Resende e havia ficado sem gasolina. Como forma de agradecer, Rob ofereceu o equipamento para que Gabriel experimentasse saltar da ponte. “No fundo acredito que ele achou que eu não fosse aceitar, mas aceitei na hora. A dobragem era dele e eu fui sem instrução alguma, mas não recomendo isso a ninguém. Deu tudo certo, mas se algo saísse errado eu não saberia o que fazer. Depois desse dia, fiquei louco com o esporte”, diz, sorrindo.


ESPORTE

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Com limitações financeiras para fazer cursos específicos, muito do que Gabriel aprendeu veio a partir da observação, tentativa, repetição. Segundo ele, fácil não foi, pois passou por vários sustos que poderiam ter sido evitados com as devidas instruções. Paixão não se controla, e um após o outro, os saltos foram acontecendo. Até que um dia, saltando com amigos na Pedra da Onça, no Espírito Santo, por brincadeira mostrou o traje de wingsuit que estava no porta-malas do carro. “Eles começaram a brincar, me desafiando a saltar da pedra com o traje. Mas eu levei a sério e fui. Era o meu 27o salto de Base Jumping, e eu só havia feito nove saltos de wingsuit do avião, ao longo de um ano. Novamente por pura sorte deu certo. Fiquei apaixonado e não parei mais. Saltei muito!”, conta Lott, explicando que foi na pedra que ele realmente aprendeu a voar de wingsuit. “Mas foi lá, também que aprendi, a duras custas, o que era errado”, completa. Realmente, os desafios movem esse atleta. E foi justamente por se sentir desafiado que Gabriel venceu uma das maiores provações de sua vida.

Sniper (atirador de precisão) de uma força policial de elite no Rio de Janeiro, no início de 2017 Lott foi atingido por um tiro de fuzil no tórax. A bala perfurou os dois pulmões, e provocou perda de musculatura e tecido ósseo. Foram vários dias na UTI, em estado grave. Pouco antes dessa ocorrência, ele havia sido convidado para participar do campeonato mundial de wingsuit, que aconteceria em outubro daquele ano, na China, e de uma hora para outra teve que encarar a possibilidade de nunca mais poder voar. “Meu braço ficou travado, eu não conseguia me mexer, e os médicos repetiam que eu não iria voltar a voar. Isso foi determinante para minha recuperação. Eu pensava: tenho que ir de qualquer jeito”, lembra. E foi. Não só foi, como conquistou o título precisão (modalidade na qual o competidor, a uma velocidade de 200 km/ hora, precisa atingir um alvo suspenso no ar). “Nesses 24 anos de paraquedismo e dez de Base jumping, tive a oportunidade de viver experiências maravilhosas ao lado de pessoas especiais, mas também já perdi grandes amigos. Infelizmente isso faz parte da vida, e tudo contribuiu para o meu crescimento espiritual e profissional”, finaliza Gabriel Lott.


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CÂNION DA PEDRA FURADA (ACIMA) E CÂNION DO ENCANO (ABAIXO)

Um relato visual da própria história, com cenários de tirar o o fôlego. Conheça e aventure-se em 14 cânions no Estado de Santa Catarina


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CÂNION DO FUNIL

texto e fotos DARIO LINS

A

Serra Catarinense possui imponentes cânions. Desfiladeiros profundos entre escarpas formadas pela atividade erosiva de um rio, ou fendas gigantes entre dois picos de montanhas formam esses cenários arrebatadores. A região dos cânions na Serra Catarinense abrange os municípios de Alfredo Wagner, Bom Retiro, Anitápolis, Grão Pará, Rio Fortuna, Urubici, Bom Jardim da Serra, Orleans e Lauro Muller. A vegetação na parte baixa das fendas é formada pela Mata Atlântica densa. Depois, a vegetação passa a ser Mata Atlântica ombrófila mista, com a presença marcante das floretas de araucária. Quando se chega na parte superior dos cânions predominam as matas nebulares, e no topo e borda dos cânions estão os extensos campos de altitude. Para entendermos a história geológica e como se deu a formação da Serra Geral e dos cânions, precisamos voltar mais de 240 milhões de anos.

Em alguns cânions e encostas o arenito é visível abaixo das diversas camadas de basalto, com exceção de alguns pontos onde sobraram monumentos geológicos de arenito, os quais foram moldados pela ação eólica dos milhares de anos. Assim, os cânions possuem uma relação direta com a história geológica da região. A formação dos cânions, rios e cachoeiras é o relato visual da própria história e de como tudo se formou ou foi moldado. A região passou de um imenso lago (240 milhões de anos) para deserto (150 milhões de anos), e do deserto para um gigantesco derrame vulcânico fissural (130 milhões de anos), que ocorreu em intervalos de milhares de anos, formando assim as camadas de rocha basáltica. E hoje podemos contemplar as belas paisagens, as quais são o resultado da ação do tempo de milhões de anos atrás. Convido você, leitor, a aventurar-se nesse roteiro dos cânions da Serra Catarinense, que abruptamente foram “criados” pelo caos e caprichosamente adornados pela “mãe natureza”.

CÂNION DO CAMPO NOVO


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Cânion do Portal, Bom Jardim da Serra Cânion do Funil, Bom Jardim da Serra O Cânion do Funil recebe esse nome por possuir uma formação rochosa que insurge do meio do cânion com a semelhança de um gigantesco funil virado. A grandiosidade e o cenário de encher os olhos nos fazem sentir pequenos em meio à imensidão de campos, escarpas e rochedos. Fica a 1.590 metros de altitude em seu ponto mais elevado.

Entre os cânions das Laranjeiras e do Funil está localizado o Cânion do Portal. Pouco conhecido e inexplorado, o nome é uma alusão ao Portal de Pedras, que se avista na grandiosa escarpa que insurge como um castelo no meio do cânion. Ao caminhar sobre um dos penhascos sentimos como se estivéssemos caminhando sobre uma ponte, indo para um lugar mágico, para um portal que se abrirá para outra dimensão. Os lindos campos em tom pastel, no inverno são adornados por cinturões verdejantes de florestas de araucárias, que recebem vida dos inúmeros riachos e nascentes formados pelos campos turfosos. Cada passo nesse local é mágico e encantador.

Cânion das Laranjeiras, Bom Jardim da Serra O Cânion das Laranjeiras é um dos destaques da região serrana. É o mais imponente e um dos mais belos espetáculos da natureza com uma paisagem exuberante. Com desfiladeiros estonteantes e lindas cachoeiras, o cenário é paradisíaco. Os belos campos de altitude adornados por pinheiros de araucária dão um charme às bordas do cânion. Seu nome “Laranjeiras” é uma referência à árvore Laranjeira-do-mato, também conhecida como Sapopema (Sloanea monosperma), espécie bastante presente nas matas do cânion.


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Cânion da Ronda, Bom Jardim da Serra O Cânion da Ronda não possui paredes tão verticais, mas é bem grandioso e oferece belas paisagens. Em sua parte superior fica o parque eólico de Bom Jardim da Serra, e à sua esquerda a Serra do Rio do Rastro. De fácil acesso, da sua borda a vista é ampla. Em dias de céu limpo é possível enxergar o litoral sul. O nome surgiu na época da passagem dos tropeiros pela Serra Catarinense. Eles vinham do Rio Grande do Sul e paravam nas bordas dos cânions para descansar. Enquanto os companheiros dormiam, um homem sempre ficava responsável por fazer a ronda, garantindo que o gado não se espalhasse pelos vastos campos à sua frente.

Cânion do Espraiado, Urubici O Espraiado é um grande cânion repleto de cachoeiras e belas paisagens no Campo dos Padres. É considerado um dos lugares mais bonitos do Brasil. Com paredões que ultrapassam 600 metros de altura, quem se aventura para subir até a borda dos penhascos tem uma vista linda de um ponto turístico icônico da Serra Catarinense.

Cânion dos Bugres, Urubici Pouco conhecido, este cânion revela uma das cachoeiras mais belas do Brasil. A cachoeira que cai no cânion tem 218 metros de altura. Suas águas saltam do Campo dos Padres entre profundos paredões de pedra rodeados de uma vegetação ainda intocada. Abaixo, forma-se um lindo poço, onde é possível nadar. Nos dias de céu azul, um arco-íris se forma sobre o poço, tornando o lugar ainda mais paradisíaco. No vértice do cânion fica a cachoeira do Rio das Cobras, um dos afluentes do Rio dos Bugres.


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Cânion da Pedra Furada, Urubici No cume do Morro da Igreja, a 1.822 metros, se tem uma das mais belas visões panorâmicas da Serra Catarinense. Encrustada numa escarpa do cânion está a Pedra Furada, o ícone máximo da região. O caos formou uma escultura em formato de “janela”, com uma abertura que mede 8 metros de largura e 12 metros de altura. A sensação de ver através do mirante ou entrar na pedra é estonteante, pois a experiência é de tirar o fôlego.

Cânion do Tesouro Guardado, Bom Retiro Cânion do Canoas, Urubici O Rio Canoas é o mais emblemático do Campo dos Padres. Um pequeno fio de água gelada nasce próximo ao Morro do Campo dos Padres, e serpenteia entre as coxilhas, desaguando na forma de uma belíssima cachoeira dentro do imponente e desconhecido cânion. A geologia da área revela ainda a sua grande e estratégica importância como ponto de recarga do aquífero guarani. Em ambos os lados das margens do cânion visualiza-se paredões de Arenito Botucatu, verdadeiros monumentos geológicos.

Na região mais selvagem e inóspita de Santa Catarina, na encosta do Morro do Campo dos Padres, também conhecido como Morro dos Jesuítas, com seus 1.790 metros de altitude, se encontra o desconhecido Cânion do Tesouro Guardado. Seu nome é uma alusão às histórias/lendas que permeiam os contos serranos, devido à passagem dos padres jesuítas, que no século XVIII se refugiaram no local em fuga das missões espanholas. No Campo dos Padres, aproveitaram a fortaleza das montanhas para guardar a salvo seus tesouros. Não se tem notícia de que até hoje alguém tenha encontrado algum tesouro perdido dos jesuítas. Porém, num lugar precioso assim, o tesouro é o próprio cânion.


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Cânion do Campo Novo, Bom Retiro

Cânion do Riozinho, Bom Retiro

O Rio Campo Novo é um dos principais afluentes do Canoas. Ambos são irmãos, nascem na mesma região e fizeram caminhos distintos, vindo a se encontrar no Vale, muitos quilômetros à frente. Da mesma forma, o rio que nasce nos campos de altitude fez seu caminho entre turfeiras, coxilhas e lajeados, e desagua no cânion desconhecido e inexplorado. Esse cânion é como uma artéria que traz vida por meio das suas águas para todo o vale abaixo do cânion.

Formado pelo Riozinho, esse cânion é praticamente desconhecido e, como os demais que estão na região do Campo dos Padres, apreciado apenas pelos praticantes de trekking. Sua formação é um verdadeiro mosaico, caprichosamente montado pela ação do tempo. Cenário perfeito, daqueles cinematográficos, que enchem os olhos e o coração de quem trilhar por esses magníficos campos!


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CÂNION PAPUÃ

Cânion Papuã e Costãozinho, Bom Retiro Esses dois cânions são formados por pequenos arroios e possuem fendas com passagens estreitas, semelhantes ao Cânion do Encano. Lugares paradisíacos com pequenos poços de águas cristalinas. A concentração de calcário faz com que as águas fiquem límpidas e em tom verde e/ou azul turquesa, conferindo ao lugar ainda mais beleza.

Cânion do Encano, Bom Retiro Imagine um lugar que somente existe nos filmes de fantasia. Esse lugar é real, é o Cânion do Arroio Encano. De uma beleza ímpar, as águas fizeram seu caminho há milênios, abrindo estreitas fendas entre os paredões de rocha. A gama de verdes prende os olhos pela beleza, e os imensos paredões pela imponência e poder. Visitar esse local é uma viagem fantástica e insólita nas entranhas da Terra.

SAIBA MAIS

CÂNION COSTÃOZINHO

Interessados em conhecer esses cânions incríveis da Serra Catarinense podem contactar a:

I @eco_trilhas_serra_catarinense D www.ecotrilhasserracatarinense.com W +55 49 99801-6193


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TER: 11h30 às 16h | QUA-SÁB: 11h30 às 22h30 | DOM: 11h30 às 17h

TER-SEX: 11h30 às 23h SÁB-DOM: 11h30 às 17h


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foto ANSELMO NASCIMENTO/2013

foto ANSELMO NASCIMENTO/2013

A NEVE CAIU!

E neste ano, veio com um brinde: por três dias consecutivos o fenômeno se repetiu em cidades catarinenses, provocando surpresa e encanto texto ALU ZUÊ fotos ANSELMO NASCIMENTO e FABI JORDAN

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primeira ocorrência foi no dia 28 de junho, uma segunda-feira. No meio da manhã, na localidade de Cruzeiro, no interior de São Joaquim, na Serra Catarinense, os flocos começaram a cair. É certo que a temperatura baixa e a umidade do ar já anunciavam que ela estava para chegar, mas quis o destino que justamente um grupo de trabalhadores vindos do Nordeste (que estão há pouco mais de um ano trabalhando na instalação de uma rede de energia elétrica na região) fosse um dos primeiros espectadores da nossa neve (sim, ela é nossa!). Nesse dia, a paisagem ficou branca também em Urupema (também na Serra Catarinense) e em Água Doce, na região Oeste de Santa Catarina. Chuva congelada, então... por todo o Planalto, Serra e localidades do Oeste.


As temperaturas baixas não consideraram os limites regionais, e o frio se espalhou por todo o Estado. Brrrrrr... Bons tempos esses de redes sociais, não é? Muita gente foi em busca da neve e não economizou no compartilhamento de imagens que mostraram a beleza de uma paisagem que não faz parte da nossa rotina, e também por isso, encanta! E como encanta, porque não há uma só pessoa que não volte a ser criança quando vê tudo branquinho, gelado e, mesmo assim, convidativo. Um dia depois, na terça-feira (29 de junho), a cidade de Bom Jardim da Serra registrou a menor temperatura do ano no País: -7,5ºC. Neve de novo! Lá veio a quarta-feira e, junto com ela, mais neve e paisagens brancas, quando várias localidades ficaram cobertas pelos esperados flocos brancos. De acordo com a Epagri/Ciran, na “virada” do dia 30 para o dia 1o de julho, a menor temperatura registrada na Grande Florianópolis foi em Alfredo Wagner (4,4ºC). Aos poucos o cenário foi “voltando ao normal”, mas o frio persistiu. Uma semana depois da primeira ocorrência da neve, no dia 5 de julho, pelo oitavo dia consecutivo o Estado registrou temperaturas negativas: -4,87ºC em Bom Jardim da Serra, -0,3ºC em São Joaquim, -2,6ºC em Urupema. Brrrrrr... de novo!

foto FABI JORDAN/2021 foto FABI JORDAN/2021

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foto ANSELMO NASCIMENTO/2013 foto FABI JORDAN/2021

foto ANSELMO NASCIMENTO/2013

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Ah! De acordo com a Epagri/Ciran, desde o ano de 2000 não havia registro de ocorrência de neve por três dias consecutivos em Santa Catarina. Ainda bem que as imagens não deixam dúvidas. Não é novidade, mas... Tudo bem que é só no auge do inverno, às vezes de forma rápida – tanto para chegar quanto para desaparecer –, quase sempre em poucos e seletos lugares... mesmo assim, a neve é nossa velha conhecida. Mas é difícil quem não se lembre daquele inverno de 2013, quando numa terça-feira, 23 de julho, o Morro do Cambirela – localizado em Palhoça, na Grande Florianópolis – ficou branquinho, branquinho. Nem foi preciso subir a serra para ver a neve. Até do bairro de Coqueiros, no Continente, era possível comparar o Cambirela a uma paisagem tipicamente europeia. Houve quem se referisse à região como “Alpes Catarinenses”. Aquele foi, certamente, um inverno atípico: especificamente naquela segunda-feira os termômetros marcavam entre 0°C e 1°C na grande Florianópolis. Entre os dias 22 e 25 de julho de 2013, as baixas temperaturas e a constante umidade do ar formaram a combinação responsável pela ocorrência de neve em distintas áreas do Estado. Foi único, foi lindo! Os registros fotográficos registram e confirmam, e a gente agradece!


A g o sm êtsod o Traga seu pet para correr livre pelos pomares de Pedras Rollantes e ainda saborear os deliciosos Biscoitos Tabarly

(48) 9 9189-9982 / (48) 9 9960-8899 www.pousadapedrasrollantes.com.br www.youtube.com/TVPedrasRollantes


cachorro solto

Na foto, Kitsune, que costuma curtir Pedras Rollantes com a Aline e o Hélio, os seus donos. Vale do Rio das Águas Frias – Alfredo Wagner / SC – 100 km da Capital. Com rígido protocolo de segurança contra a Covid-19.


O mês de julho começou com uma grande perda para Santa Catarina

O LEGADO ÍMPAR DE

RODRIGO DE HARO

foto MARCO CEZAR

HOMENAGEM

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foto MARCO CEZAR

HOMENAGEM

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foto MOACIR PEREIRA

os 82 anos, o poeta, pintor, desenhista, mosaicista, pensador e intelectual Rodrigo de Haro faleceu na manhã do dia 1º de julho, em sua residência na Lagoa da Conceição, recanto que escolheu como lar em Florianópolis. Primogênito do pintor catarinense Martinho de Haro, Rodrigo nasceu em Paris, em maio de 1939. Dois anos antes, o pai havia conquistado uma bolsa de estudos na Académie de La Grande Chaumière, na “Cidade Luz”. A estadia na capital francesa seria mais longa se não fosse o início da Segunda Guerra Mundial, que fez a família voltar às pressas para o Brasil. Rodrigo cresceu convivendo com quadros, pincéis e muitos livros, e pelas relações familiares, teve o privilégio de conviver com os maiores expoentes da arte e da cultura. O caminho que seguiu foi natural, e conforme ele mesmo contou durante uma entrevista realizada em 2008 à nossa colunista, Juliana Wosgraus, aos 15 anos já havia decidido que se dedicaria à pintura. “No final dos anos 1950

“AMIGO DE VIDA, MESTRE E PAI ESPIRITUAL” DE IDESIO LEAL, QUE CONVIVEU DURANTE ANOS COM O ARTISTA RODRIGO DE HARO

fui desenhar nos cafés, no Rio de Janeiro. Fui direto para a Gôndola, que era o ponto mais fervoroso dos artistas e pessoal de teatro. Lá tinha Paulo Autran, Tônia Carrero, e eu muito falante, criei um círculo. Com 17 anos fiz minha primeira individual, aqui, no TAC, que não vendeu nada na época. Guardei esse trabalho e mais tarde foi exposto em São Paulo. E desde então vivo da arte”, declarou Rodrigo, que sentenciou: “Eu entendo esta como a forma mais gratificante de vida, porque é associada à liberdade e à criação. Isso compensa tudo”. reprodução AYRTON CRUZ

texto LU ZUÊ fotos MARCO CEZAR


foto ACERVO AGECOM

RODRIGO E SÉRGIO BONSON

foto ACERVO AGECOM

RODRIGO DE HARO APRESENTA SEU MURAL EM VISITA COM AUTORIDADES, EM 1995 foto AYRTON CRUZ

Erudito por vocação, Rodrigo de Haro era membro da Academia Catarinense de Letras, e apontado por todos que o conheciam como uma pessoa fácil de ser bem quista. Despertava carinho e respeito não apenas pelas obras que podem ser admiradas em galerias, salas de colecionadores, bibliotecas, museus e espaços públicos – o que dizer sobre o mosaico que dá vida às paredes externas da Reitoria da UFSC –, mas também pelo comportamento amável e pela conversa que deixava fluir tranquilamente. Confira no texto escrito pelo jornalista Moacir Pereira – autor do livro “Rodrigo de Haro: Um Poeta Humanista”, lançado em 2018 pela editora Dois Por Quadro – o quanto de admiração ele conseguia despertar. Moacir atendeu a um pedido da Mural, e descreveu de forma sensível e pessoal o talento – em inúmeros áreas – de Rodrigo. Ainda na entrevista concedida a Juliana Wosgraus, o artista destacou o quanto gostava de estar perto do pai enquanto ele pintava, especialmente na casa da então tranquila e bucólica rua Altamiro Guimarães (nos arredores do Beiramar Shopping). “Eu gostava de brincar por trás do pai, usando as telas que ele pintava como cenários. Para mim eram telas enormes, mas depois vi que eram telas até pequenas”, contou. Impressões de criança, que ficam armazenadas na memória. A criatividade e disposição acompanharam Rodrigo até o final da vida. Ele era incansável, sempre produtivo, e – ainda bem – deixou um legado riquíssimo. Já faz falta!

foto DIVULGAÇÃO

reproduções AYRTON CRUZ

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texto MOACIR PEREIRA

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foto IDESIO LEAL

rtista genial, amigo leal e fraterno, poeta humanista, poder ilimitado na criação, paciente, atencioso, fala mansa, solidário, espírito altruísta, inteligência privilegiada, senhor do universo e amor por sua terra e sua gente. Estas algumas das características e virtudes do saudoso Rodrigo de Haro, um dos mais completos intelectuais que Santa Catarina conheceu em dois séculos. Impossível definir o extraordinário e único ser humano. Para escrever o livro “Rodrigo de Haro, um poeta humanista”, foram incontáveis as conversas, as entrevistas gravadas, as ricas visitas. Imagens que permanecem dos reveladores encontros em sua residência naquele efervescente centro de cultura, rodeado de livros de autores franceses, de clássicos espanhóis, CDs de música

erudita, prateleiras com os melhores filmes, cavaletes, vidros de tintas, pincéis, e aquela avidez incontida de pintar, de escrever, de criar sempre. Na infância, fruto da convivência familiar com a arte, a vocação pela poesia, a insuperável paixão pela leitura dos clássicos da literatura, virou menino prodígio. Transformou-se na adolescência numa das maiores expressões intelectuais de sua geração. Aglutinava amigos, artistas, produtores e expressões culturais para analisar e debater o que de mais moderno acontecia no Brasil e no mundo no cinema, teatro, música, literatura etc. Já adulto, desponta em Florianópolis, Santa Catarina e no Brasil, pela sensibilidade artística, pela erudição, inteligência e sabedoria, como poeta, intelectual, pensador, mosaicista e artista multifacetado, com uma trajetória de vida absolutamente mágica.

MOACIR PEREIRA NO ÚLTIMO ENCONTRO COM RODRIGO DE HARO

foto MÁRCIO HENRIQUE MARTINS / ASCOM FCC

Rodrigo de Haro: arte, criação e sabedoria

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foto AYRTON CRUZ

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Os extraordinários mosaicos falam por si e terão vida perene, como a “História da Criação”, na Reitoria da UFSC, o “Monumento a Santa Catarina”, na Praça Tancredo Neves, o “Mural de Santa Filomena”, no sítio do médico Marcelo Colaço Paulo, os filosóficos murais na Vinícola Francioni, em São Joaquim, entre centenas deles. Raro encontrar um ser humano tão especial, tão sensível e tão fantástico no poder criativo e tão incansável na produção artística e literária como Rodrigo de Haro. Ao longo de décadas, testemunhei o quanto era grande o seu coração e extraordinária a sua inteligência. Foi, sem favor, um dos maiores eruditos de Santa Catarina. reproduções AYRTON CRUZ

Não há crítico de arte, familiar ou amigo que identifique o número de pinturas e desenhos que Rodrigo de Haro produziu durante toda sua vida. Nem ele mesmo tinha esta estatística. Não teve vida acadêmica e frequentou muito pouco a escola para os padrões da vida moderna. Mas tornou-se um poeta, um artista e uma expressão cultura muito à frente de seu tempo. Santa Catarina conviveu com artistas que se projetaram no mundo cultural estadual e nacional. Raro encontrar algum tão completo como Rodrigo. Era uma usina nas maravilhosas pinturas com temáticas diferentes, insuperável nos desenhos, filosófico e indecifrável no mundo da poesia.


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FLORIPA E ARTE NAS CORES Manezinho da Ilha, nascido na região central da Capital, George Peixoto sempre teve talento para o desenho, e desde os tempos de colégio já participava da criação das peças gráficas para eventos


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texto LU ZUÊ foto SÉRGIO VIGNES E DIVULGAÇÃO

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arecia um sinal do que o futuro reservava, mas houve curvas nesse caminho. Primeiro artista a expor na recéminaugurada galeria Itaguaçu + Arte, no Shopping Itaguaçu (veja matéria correlata), Peixoto vem de uma família onde o talento para a arte sempre foi frequente – “Minha irmã, aliás, foi uma excelente pintora”, destaca – e muito embora ao longo de sua vida profissional essa vocação tenha sido essencial, foi só no ano de 2008, depois de se aposentar, que ele pode se dedicar totalmente às suas criações artísticas, com exposições individuais e coletivas.

Antes disso, apesar de que os planos iniciais fossem cursar Arquitetura (ideia abandonada porque na época o curso não era oferecido em Florianópolis), Peixoto entrou para a faculdade de Direito, mas não “se encontrou”, e já no terceiro ano do curso mudou totalmente os rumos da vida. “Felizmente me convidaram para trabalhar com propaganda. O Antunes Severo tinha acabado de fundar a Propague, sabia que eu gostava de desenhar, conhecia minha vocação e me convidou para trabalhar com ele”, conta. A partir daí, foram 45 anos dedicados a agências de propaganda como layout man, diretor de arte e diretor de criação, colocando a criatividade e a vocação em prática na produção de anúncios, identidades visuais, logotipos e das mais variadas peças gráficas para grandes empresas do Estado.


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Apesar do talento reconhecido, Peixoto faz questão de ressaltar que não tem “técnica de pintura”, e que sempre produziu seus trabalhos a partir dos desenhos com tinta preta sobre papel branco, que depois eram coloridos, sempre com cores fortes e muito intensas. “Isso tem tudo a ver comigo. Sou uma pessoa muito positiva, muito para cima. E vivendo nessa Ilha maravilhosa, cheia de cores, não poderia ser diferente”, justifica o manezinho, totalmente apaixonado pela cidade. Já há algum tempo, para colorir suas obras Peixoto usa a computação gráfica, colocando em prática o que define com uma junção entre artes plásticas e artes gráficas. “Sou um artista plástico? Sou. Sou um artista gráfico? Também sou. Posso dizer que hoje as minhas soluções são mais gráficas, mas no final essas duas manifestações formam um conjunto, que é arte”, explica. E arte, é uma coisa que George Peixoto considera essencial para a vida, e para reforçar sua certeza, utiliza frases do poeta, escritor e ensaísta, Ferreira


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Gullar (“A arte existe porque a vida não basta”) e do filósofo Frederic Nietzsch (“Sem arte vive-se de realidade”), que traduzem em palavras o sentimento de vazio que se instala nas pessoas quando não se tem acesso a qualquer tipo de manifestação artística. “As duas dizem basicamente a mesma coisa, mas são muito verdadeiras. A arte nos encanta, e existe para a gente aguentar a realidade!”, sentencia. E parece que nunca essas frases foram tão verdadeiras. Aos 82 anos, desde o início da pandemia Peixoto está isolado, vivendo na casa de um filho, na Lagoa da Conceição. O apartamento na região central de Florianópolis está fechado. Recluso, o artista não deixou de produzir. Segundo ele, quase tudo está inacabado, apenas no traço preto, à espera das cores... São trabalhos que ele planeja concluir quando voltar para o Centro – “em segurança”, como faz questão de frisar. Mas também se aventurou em experiências diferenciadas. “Tendo suporte, a gente vai fazendo, vai criando. Aqui na casa do meu filho tinha um muro branco, que transformei num mural...”, diz, sorrindo.


ARTE DECOR

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Há muito tempo trabalhando com licenciamento de obras de arte para produzir objetos de decoração na linha home têxtil (almofadas e jogos americanos, por exemplo) Chris Ribeiro construiu uma sólida relação com o universo artístico catarinense e com seus expoentes. “Não tenho formação técnica, mas lido com amor e paixão na arte, e fiz grandes amizades”, conta a empresária e produtora cultural. Envolvida em diversos projetos, Chris vinha num ritmo acelerado de trabalho até o início da pandemia, quando foi preciso pisar no freio. Essa foi uma realidade que atingiu diretamente as pessoas que trabalhavam com arte e eventos, mas aos poucos, as adaptações e soluções alternativas vêm criando novas oportunidades. “Eu tinha uma conversa anterior à pandemia com a administração do Shopping Itaguaçu, amparada na proposta de levar para lá eventos de arte. Este ano, as propostas evoluíram e firmamos uma parceria de assessoria de marketing cultural, e a primeira ação foi abrirmos uma galeria de arte em um espaço adequado”, conta Chris. Assim, no início de junho, foi inaugurada a Galeria Itaguaçu +Arte, e como primeira atração, Chris trouxe uma coletânea de obras de George Peixoto. “Conheço bem o Peixoto, gosto muito dele como pessoa e como artista. Sabia que ele estava em isolamento, mas liguei e perguntei o que ele tinha para expor”, conta Chris, explicando que a seleção em exposição na galeria apresenta trabalhos remanescentes de três exposições já realizadas pelo

Saiba mais

Itaguaçu + Arte

artista (CirculaCor, Quadratura da Cor e Quadrarte) entre os anos de 2011 e 2019. Segundo a produtora cultural, trata-se de uma belíssima retrospectiva, que vai permitir ao público apreciar e conhecer um pouco mais sobre o trabalho de Peixoto, que nos remete à Pop Art dos anos 60. Segundo Chris, a cada mês acontecerá uma nova exposição, haverá um artista diferente apresentando suas obras ao público. “O Itaguaçu realmente abriu um importante espaço, e assim viabilizou a divulgação e valorização dos artistas catarinenses e, simultaneamente, traz mais cultura e lazer para dentro de seu ambiente”, explica, acrescentando que o Itaguaçu + Arte é apenas uma das iniciativas planejadas para esse novo momento do Shopping, que em 2022 completa 40 anos. “Planejamos muitas e diferentes ações voltadas para cultura. Pensamos em música, possivelmente teatro, dança e outras manifestações, que estarão em um cronograma de atrações. O que queremos é consolidar o Shopping Itaguaçu também como como um ambiente de entretenimento e cultura. Eu estou me sentindo muito realizada, muito feliz com essa oportunidade”, finaliza Chris Ribeiro.

Fique por dentro das novidades do Ateliê Chris Ribeiro: https://www.ateliechrisribeiro.com/


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FOTOGRAFIA

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Com uma bagagem variada e admirável, o fotógrafo Eduardo Valente torna-se referência no Estado e no Brasil com a criação da agência iShoot


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texto LU ZUÊ fotos EDUARDO VALENTE

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orothea Lange, uma fotógrafa norte-americana, disse, certa vez: “Não é por acaso que o fotógrafo se torna um fotógrafo, assim como o domador de leões se torna um domador de leões”. Há 14 anos, o manezinho Eduardo Valente passava o dia em frente ao computador, envolvido com linguagens de programação, códigos, criação e atualização de sites. Ele trabalhava em uma agência fotográfica – onde dinâmica é a tônica –, mas vivia entre quatro paredes, e literalmente cansou de ficar parado. “Eu era responsável por alimentar o site com as pautas diárias – um trabalho repetitivo – e percebi que por meio da fotografia poderia estar fazendo diversas coisas, em lugares diferentes. Foi quando comprei minha primeira câmera e comecei a fotografar. Primeiro para a mesma agência onde já trabalhava, mas algum tempo depois passei a trabalhar com agências de São Paulo e Rio de Janeiro”, explica. Definitivamente, não foi por acaso.

Atualmente com 30 anos, Valente pode afirmar com segurança que tem uma bagagem variada e admirável, e um equipamento de respeito. Trabalha com a marca Nikon, mas diz que pode vender tudo, pois migrar para um sistema novo é algo que está em seus planos. “Mas ainda não decidi e estou pensando entre Sony, Canon ou mesmo Nikon. Tem tempo ainda”, afirma. E tempo é uma coisa que Eduardo Valente sabe aproveitar bem! Já trabalhou em jornal, para agências nacionais e internacionais, por seis vezes teve seu trabalho publicado no livro “O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro” – edições 2012, 2015, 2016, 2017 e 2018, e de uma edição especial que será lançada no segundo semestre deste ano –, registrou de manifestações populares, acidentes e catástrofes, a shows musicais e competições esportivas de diferentes modalidades. E desde julho de 2020, é proprietário da agência iShoot, que apesar de “jovem” já se tornou referência em fotografia aqui no Estado e no Brasil.


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Eduardo Valente é daquelas pessoas que gosta de valorizar as experiências que teve, e credita a elas e ao constante aperfeiçoamento o sucesso profissional. “Lá no início, na agência, me acostumei a trabalhar sozinho. Você sai, fotografa, edita e sobe o material para o servidor, tudo em tempo real. Meu trabalho foi ganhando visibilidade, e em 2013 veio o convite para integrar a equipe do jornal Notícias do Dia. Uma nova experiência, muito diferente, mas também muito boa”, conta. Durante três anos, Valente conviveu com a prática de sair sempre acompanhado com repórteres – às vezes cinco diferentes no mesmo dia, em pautas variadas –, e só “baixar” o material no final do trabalho. “Foi uma experiência muito boa, pois em pautas onde existem personagens você consegue escutar a entrevista e depois fotografar. Isso permite que você faça uma imersão na história da pessoa, e parece que as fotos acabam fluindo mais facilmente”, avalia. Com certeza, esse tempo no jornal diário agregou muita experiência para o profissional, e influenciou a forma como passou a trabalhar quando retornou para o atendimento a agências (o que aconteceu em 2016). Vieram nesse período trabalhos para as principais agências nacionais – Estado, O Dia,

Globo, D.A Press, Folhapress, Lance e Gazeta – e internacionais – AP, AFP, EFE GettyImages –, além da assessoria fotográfica esportiva na StaffImages. Por conta disso, fez cobertura da Copa América 2019, Copa do Brasil, Copa Sul América e Taça Libertadores. Nesses eventos era necessário um olhar apurado para não perder detalhes e, entre outras coisas, garantir visibilidade aos patrocinadores. “A cobertura da Copa América, por exemplo, foi uma experiência única, pois tive acessos que nenhum outro fotógrafo além dos que estavam no staff tinham, como vestiários, gramado, a bola do jogo, corredores de entrada ao campo. Mas era um trabalho imenso, e lembro que chegava por volta das 9 horas no estádio, e só ia embora três ou quatro horas após a partida”, relembra. Além do esporte, os espetáculos e shows musicais também estão no portfólio de Eduardo Valente, e segundo explica, rendem sempre excelentes imagens, pois a luz é toda pensada e projetada para evidenciar momentos e efeitos específicos. “Já cobri shows de bandas e artistas como Kiss, Guns N’Roses, Motorhead, Amy Winehouse, Creedence, Paul McCartney, Scorpions, Halloween, WizKhalifa etc.”, conta.


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Jornalismo na veia Seja no jornal diário ou atendendo as agências, Valente acostumou-se a receber pautas, e não as escolher, selecionando assuntos. Mas ele é taxativo: dois temas são os seus preferidos: esporte e o que no jornalismo se define como “Hard News”: a notícia quente, factual, que muitas vezes exige coragem. “Nesses casos, a adrenalina sobe quando chegamos e começamos a fotografar um protesto, por exemplo, uma operação policial ou mesmo “furos jornalísticos” do cotidiano. Lembro que na época dos atentados aos ônibus em Florianópolis eu passava madrugadas acordado; esperava o início dos ataques e saía para fotografar”, diz o profissional. Até por conta desse gosto pela notícia imediata, já viu e precisou fotografar acidentes graves e catástrofes naturais, e tudo o que vem junto dessas pautas: tristeza, morte e destruição. “É algo muito complicado de se fazer, mas acho que a maneira mais coerente de fazer meu trabalho é respeitando as pessoas e fotografando a situação de forma que consiga registrar o fato sem prejudicar ou constranger pessoas. Apesar disso, nem sempre é possível”, lamenta Eduardo.


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Reinvenção O ano de 2020 trouxe a pandemia e, com ela, a mudança de hábitos. Na época, Eduardo Valente trabalhava como freelancer para uma agência de São Paulo – a FramePhoto – e ao contrário do que seria normal num momento de instabilidade econômica que tomou conta do País e do mundo, decidiu abrir sua própria agência. “Eu estabeleci como meta me tornar uma referência aqui no Estado de Santa Catarina e criei a iShoot (www.ishoot.com.br – @agenciaishoot). Como eu já tinha bastante contatos das agências nacionais e internacionais com as quais trabalhei por muito tempo, entrei em contato com os editores e consegui firmar parcerias. Fomos crescendo, consolidando nossa posição no mercado do Estado e, rapidamente começamos a expandir a agência”, explica. Em pouco mais de um ano, a iShoot possui mais de 750 pautas cadastradas no sistema próprio, todas produzidas diariamente por

Eduardo e também pelos fotógrafos da agência – atualmente são 58 profissionais ativos, espalhados por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Acre, Bahia, Chicago (EUA), Auckland (NZ) e Madrid (ES). “E seguimos expandindo”, avalia o fotógrafo. “E minha meta é conseguir deixar essa empresa se mantendo como referência, e assim que essa pandemia maluca acabar, poder viajar o mundo fotografando. Mas também, caso não acabe, vou viajar fazendo a cobertura dos acontecimentos relacionados a ela, que são muitos”. Recentemente, esteve dentro da UTI do principal hospital de combate ao coronavírus em Florianópolis, e acabou contraindo a Covid-19. Durante cerca de 20 dias ficou isolado em casa, com sintomas muito fortes. “Inclusive, achei que precisaria de assistência hospitalar para internação, mas no final deu tudo certo! Consegui vencer a doença, mas foi um perrengue de longos dias passando mal. Mas agora estou bem e sigo firme e forte, fotografando muito e dando meu melhor para registrar os principais acontecimentos do Estado”, finaliza.


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Toda a genialidade do mundo da moda em uma exposição em Paris


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abrielle Chanel. Manifeste de Mode”, exposição organizada pelo Palais Galliera, que celebra sua reabertura após dois anos de trabalho, com o apoio da Maison Chanel, destaca o nascimento e a evolução do estilo da estilista, as características de seu trabalho, o surgimento de seus códigos e sua contribuição para a história da moda. Parte da herança de Chanel na Rue Cambon e de vários museus internacionais está reunida em mais de 350 peças que datam de 1910 a 1971. Essa exposição sem precedentes reconfirma a influência duradoura

de Gabrielle Chanel, que transformou para sempre a moda aos olhos das mulheres. É incrível e muito difícil de acreditar, mas é a primeira grande exposição dedicada ao gênio de Gabrielle Chanel, a designer mais revolucionária do século 20. E foi preciso uma pandemia global para finalmente torná-la realidade em 1o de outubro de 2020. O Palais Galliera acolheu “Gabrielle Chanel. Manifeste de Mode”, a primeira retrospectiva parisiense dedicada ao trabalho da designer que imaginou um novo visual e revolucionou o mundo da moda, acessórios, perfumes, beleza e joias finas. Um olhar sobre sua verdadeira história e suas contribuições emblemáticas para o mundo da moda.

“É o material que faz o vestido e não os ornamentos que podem ser adicionados a ele.” Gabrielle Chanel

COCO CHANEL (1883-1971). TERNO BRANCO DE TRÊS PEÇAS EM JERSEY DE LÃ DEBRUADO COM JERSEY MARINHO E GOLA. VOGUE FRANCE, MARÇO DE 1958. FOTOGRAFIA DE HENRY CLARKE (1918-1996). IMPRESSÃO DE GELATINA-PRATA. GALLIERA, MUSEU DA MODA DA CIDADE DE PARIS

foto HENRY CLARKE

texto DANIELE MAIA @DMHLUXURY fotos DIVULGAÇÃO

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foto HENRY CLARKE

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pretos com um luxo austero. Lembranças dos vestidos usados em sua adolescência no mosteiro de Aubazine. Na coleção também encontramos vários exemplos do famoso petite robe noire, consagrado, em 1926, pela US Vogue. foto SIPA/LAURENT VU

A viagem desta exposição começa com a abertura de sua boutique em Deauville, em 1912, e a criação do biquíni, em 1916. Os primeiros modelos criados por Gabrielle Chanel utilizando técnicas masculinas, mas também tecidos mais macios como tweed ou jersey (Marinière). Roupas que refletem a funcionalidade e a sobriedade do guarda-roupa masculino e, em particular, a elegância de Étienne Balsan, o primeiro amor de Coco Chanel, o homem que a introduziu no belo mundo da moda. Há também vestidos monocromáticos brancos, beges, azuis meia-noite e


foto SIPA/LAURENT VU

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foto ANDRÉ KERTÉSZ

Continuando esta imersão no universo de Gabrielle, encontramos peças que mais identificam a Maison no imaginário coletivo. São modelos que mademoiselle Chanel lançou nos anos 60, em seu retorno à cena parisiense, após 14 anos de fechamento da Maison devido à guerra na França. O traje, com uma jaqueta macia, leve como um cardigan, e uma saia comprida que repousa sobre seus quadris, data de 1954. O ano seguinte foi dedicado a famosa bolsa 2.55, com corrente no ombro. A partir de 1957 foram os sapatos bicolores, solicitados a Raymond Massaro, em cor bege para alongar a perna, e com uma “biqueira” preta para fazer o pé parecer menor.


foto SIPA/LAURENT VU

foto KOLLAR FRANÇOIS

Os 100 anos do icônico No 5 A Maison Chanel lançou um colar de diamantes de 55 quilates para o centenário de seu mais famoso perfume, o No 5. A joia fabulosa – que foi criada especialmente para celebrar o centenário da fragrância – foi lapidada em formato octogonal, fazendo alusão direta ao frasco do perfume, pesando cerca de 55 quilates, contornado por mais de 104 diamantes redondos e outros 42 no centro do colar. Criado em 1921, o No 5, primeiro perfume da Maison, tinha uma composição radicalmente diferente. Ao contrário das fragrâncias geralmente encontradas na época, não tinha um aroma específico. Assim como os vestidos de Chanel, esse perfume também foi construído, a partir de uma fragrância misteriosa e abstrata. Gabrielle Chanel chama Ernest Beaux para criar “um perfume de mulher com cheiro de mulher”, raro e poderoso. O perfumista lhe propõe uma composição visionária que apela para um uso inédito dos aldeídos. Mademoiselle aprova a versão da amostra número 5 da fragrância e decide guardar este número como um talismã. O frasco e a embalagem do Chanel No 5 traduziram a alma inovadora de Gabrielle. Ao contrário dos recipientes ornamentados na época, o frasco de Chanel era quadrado com linhas reticentes e angulares, representando a Place Vendôme. Sua resposta aos nomes florais e evocativos foi a abstração de um número, seu número da sorte. A caixa de papelão branco com bordas pretas era minimalista, e a pureza do desenho gráfico era revolucionária para sua época. foto DIVULGAÇÃO

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foto EDWARD STEICHEN

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foto ED FEINGERSH

A MODELO ELIZABETH MILLER VESTINDO UM SUÉTER DE JERSEY ESCURO E UMA SAIA BRANCA PLISSADA ENVOLTÓRIA, UM LENÇO TRICOLOR, TUDO DA CHANEL, E UM CHAPÉU COM FITA TRICOLOR, DA REBOUX, EM 1928

foto DIVULGAÇÃO

A natureza irreverente dessas escolhas espelhava a criatividade de sua abordagem da moda. Concebido como uma extensão do vestuário e ponto correspondente para apontar sua visão de modernidade, Chanel fez do No 5 sua assinatura. Para esse novo produto, ela escolheu um frasco radical, ornamentado com uma etiqueta branca e um cabochão facetado. Em 1986, Jacques Polge, perfumista da marca desde 1978, reinterpreta a divisão olfativa de seu antecessor para apresentar uma versão mais ampla do No 5: a Eau de Parfum. O Chanel No 5 era o perfume mais vendido do mundo quando Marilyn Monroe fez uma confissão íntima, que o transformou em uma lenda para sempre. “Apenas duas gotinhas de Chanel No 5”. Foi com esta provocativa frase que, durante uma entrevista, Marilyn Monroe descreveu o que vestia para dormir e imortalizou o perfume da maison francesa.

A ATRIZ MARILYN MONROE SE PREPARA PARA ASSISTIR À PEÇA “CAT ON A HOT TIN ROOF” APLICANDO SUA MAQUIAGEM E O PERFUME CHANEL No 5, EM 24 DE MARÇO DE 1955, NO AMBASSADOR HOTEL, EM NOVA YORK


foto SIPA/LAURENT VU foto SIPA/LAURENT VU

foto RICHARD AVEDON

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GABRIELLE CHANEL AND SUZY PARKER, EM 1959

E-book da exposição A exposição “Gabrielle Chanel. Manifeste de Mode” é uma rica experiência em um universo atemporal e impressionante de Coco Chanel. Mas como estamos vivendo uma pandemia, com viagens e eventos cancelados, eu, Dani Maia, tive a ideia de seguir a tendência mundial das marcas de luxo e lancei o e-book da exposição para divulgar gratuitamente para minha audiência um pouco do esplendor dessa imersão. É importante dizer que para isso contei com o apoio da minha assessora de comunicação, a jornalista e publicitária, Márcia Ávila, para produzir o nosso e-book, um material que conseguiu traduzir com muita elegância o universo Chanel da exposição organizada pelo Palais Galliera, em Paris. O e-book pode ser adquirido enviando um e-mail para dmaia@dmhluxury.com ou por Direct, via Instagram: @dmhluxury.com DANIELE MAIA Correspondente Europa: Revista Mensch e Revista Mural Owner DMHLuxury – Luxury Consulting Tél.: 06 51 11 66 60 Instagram: @dmhluxury @tourartdelatable


NUTRIÇÃO

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FEIJÃO

Nosso queridinho de todo dia! textos ANA CAROLINA ABREU fotos DIVULGAÇÃO

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enho aqui até fazer um protesto em nome do feijão. Diante de tantas dietas e informações, acho que ele anda abandonado por muita gente. O feijão está entre os primeiros na lista de desejos de quem vai morar fora ou sente saudades de uma comidinha local. Mas hoje em dia ele é muito menos consumido do que há algumas décadas atrás. Muitos torcem o nariz para o feijão, seja porque tem carboidrato (quase igual ao arroz), porque pode ficar calórico ou porque na vida atual muita gente deixou de lado, preferindo alimentos mais industrializados.

O feijão faz parte do grupo das leguminosas, junto com a lentilha, a ervilha, o grão de bico, a quinoa e a soja. E por fazer parte deste grupo é justamente uma excelente fonte de aminoácidos. Como sabemos, nenhuma proteína vegetal é completa de forma isolada. Precisamos fazer associações para garantir uma ingesta adequada. O que faz dele uma melhor opção é justamente seu perfil de aminoácidos e as fibras presentes. Com isso, os níveis de saciedade são bem maiores quando comparados a outras fontes de carboidratos, e nosso intestino ainda agradece. Muitas das fibras presentes no feijão são justamente as que melhoram a produção de ácidos graxos de cadeia curta, importantes para o equilíbrio da nossa microbiota. E antes que alguém fale que não come feijão, justamente porque fica estufado ou com excesso de gases, saiba que na maior parte das vezes isto se deve à rafinoses e aos fitatos, ou fatores anti-nutricionais presentes presentes. E, sim, podemos evitar. O pré-preparo do feijão é importante para minimizar estes “efeitos colaterais” e também para otimizar a absorção dos nutrientes.


Não podemos esquecer que o feijão é uma boa fonte de ferro, zinco e magnésio, nutrientes fundamentais em mais de 300 vias bioquímicas no nosso organismo. Além das vitaminas do complexo B, em especial o ácido fólico, importante não só para as tentantes e gravidinhas, mas para prevenção de inúmeras doenças cardiovasculares.

O feijão é bom, sim, e deve fazer parte do nosso dia a dia. Temos uma variedade enorme de feijões, e em cada canto do País, temos um tipo e uma preferência. Seja ele preto, carioca, branco, vermelho, fradinho, azuki de corda, fava, cada um tem uma característica própria que nos permite abusar da criatividade na hora de preparar, funcionando muito bem em saladas, sopas, bolos, hambúrgueres e bolinhos.

Dica para o pré-preparo: Deixar de molho de 12 a 24 horas e trocar a água no mínimo 4x. A água pode ser morna. Utilizar limão, folhas de louro ou bicarbonato também pode ajudar.

Hambúrguer de feijão Ingredientes • 2 xícaras de feijão preto cozido • 2 xícaras de quinoa em grãos cozida • ½ cebola roxa picada • 2 colheres (chá) de páprica defumada • ½ xícara (chá) de salsinha picada • 1 xícara de semente de girassol tostada • 2 dentes de alho picados • 1 colher (chá) de azeite de oliva extra virgem • Sal e pimenta Modo de preparo • Bata todos os ingredientes no processador e com uma colher modele em formato de hambúrguer ou bolinhos. Leve para assar (200ºC) por 15 min ou até dourarem. Você também pode fazer na frigideira com um fio de azeite.

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Como a nutrição pode te ajudar texto ANA CAROLINA ABREU fotos DIVULGAÇÃO

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m meio a tudo que estamos vivendo é impossível não falar sobre esse tema. Estamos em tempos difíceis, nos quais o mundo está sendo tocado, seja em âmbito pessoal, profissional, financeiro, físico ou emocional. São mudanças, perdas, incertezas e muitos questionamentos que nos tiram da nossa zona de conforto e, com isso, a ansiedade tende a aparecer cada vez mais forte. Posso dizer hoje que não há um dia no consultório em que eu não receba pacientes precisando controlar a ansiedade, com sintomas que variam entre taquicardia, insônia, dores no corpo, alergias, compulsão alimentar ou perda de apetite, e vários outros. Mas como controlar ou amenizar algo que muitas vezes está longe do nosso controle? Por onde começar, já que as causas

da ansiedade são multifatoriais, e ela já existia antes de vivermos esta pandemia? Precisamos entender que a ansiedade pode ser desencadeada por alterações hormonais, fatores genéticos, deficiências nutricionais, maus hábitos e, claro, neste momento por doenças, experiências traumáticas e também pelo medo. Bom, vamos lá! Acredito que o primeiro passo é justamente perceber o que está acontecendo, entender que sintomas físicos podem sim ser causados pela nossa mente inquieta, observar quais são os gatilhos e buscar ajuda. Sei que muitas vezes quando nos deparamos com esses sintomas tendemos a ficar preocupados, pensando sempre no pior. A comida muitas vezes é uma fuga, e dificilmente em um momento como esse, as escolhas são por alimentos saudáveis Mas quero tentar explicar um pouquinho do que acontece no nosso corpo.


Quando falamos em ansiedade, sabemos que a serotonina vai ser um dos principais neurotransmissores envolvidos nesse processo. Vou tentar colocar de forma bem simples: nossa serotonina é produzida no intestino e no cérebro. Na cascata de serotonina precisamos de triptofano, 5htp e vitaminas como cofatores. Então, bora lá! Se o triptofano é um aminoácido que conseguimos por meio da alimentação, se o intestino é responsável por 90% da produção de serotonina e ainda precisamos de magnésio, vitamina B6, zinco, vitamina C, ferro e vitamina B3 para que tenhamos a serotonina, não tem como falar que sua alimentação e seu estilo de vida não vão interferir na ansiedade. Por isso podemos afirmar que nosso intestino é o segundo cérebro, e precisamos prestar atenção no que comemos e em como está nossa digestão. Se você apresenta distensão, intestino preso, gases, fezes sem forma ou de bolinha já é um sinal de que sua saúde pode ficar comprometida. Estudos mostram que dietas de alto índice glicêmico podem agravar ainda mais esse quadro. Então, nada de tentar aliviar a ansiedade com um prato de brigadeiro. Pode ser um alívio momentâneo, mas a longo prazo só vai piorar. A suplementação com vitaminas antioxidantes (A, C e E) melhora os sintomas de ansiedade e depressão. O Ômega 3 também é fundamental – no mínimo 1g ao dia. Do ponto de vista nutricional podemos buscar recursos na forma de suplementos, estratégias alimentares e horários corretos para

cada nutriente. Gosto muito de utilizar o 5htp (precursor direto de serotonina) na forma sublingual, que já é absorvido diretamente sem interferir na via gástrica. Uma dieta balanceada e suplementação podem fazer muita diferença! E não quero puxar a sardinha pro meu lado, mas filtrar tudo que te perturba, praticar atividade física, fazer terapia, aprender a respirar ou meditar, manter uma rotina, utilizar óleos essenciais e preparar-se para uma boa noite de sono, são alguns dos pilares para reequilibrar o organismo, e nada funciona de forma isolada. Buscar de forma holística e integrativa esse apoio para nosso corpo e mente é fundamental.

Respire Que fique bem claro que aqui quis trazer apenas um pouco do meu conhecimento e dividir um pouco da minha experiência. Vejo o quanto podemos melhorar os sintomas quando associamos os tratamentos, sejam eles com medicamentos ou não. Busque o que estiver ao seu alcance e pense sempre no que você pode fazer hoje para melhorar. Um passo de cada vez. Pare, respire, faça boas escolhas e lembre que o que se leva desta vida é a vida que se leva!

Então aqui vai um resuminho do que pode ajudar: • Dieta de baixo índice glicêmico. • Nutrientes antioxidantes, como Ômega 3 e vitaminas A, C e E. • Suplementar magnésio, vitamina B6, vitamina B3 e zinco. • Alimentos ricos em triptofano (proteínas animais, leguminosas, sementes, spirulina). • Avaliar níveis de vitamina D (ideal acima de 40) e suplementar quando necessário. • Consumir chocolate com alto teor de cacau. • Consumir chás (de boa qualidade) verde, branco, tulsi, cúrcuma, gengibre, camomila, melissa, canela, lavanda. • Cuidar do intestino consumindo alimentos prebióticos e suplementando probióticos. • Fitoterápicos na forma de extrato ou tintura. Griffonia simplicifolia, Crocus sativus, Scutelaria lateriflora, Whitania somnifera e Melissa Officinalis são são algumas das opções.

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FISIOTERAPIA

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Pensou em trabalhar com gestante, pensou em bola

USO DA BOLA COM GESTANTES texto ROBERTA RUIZ foto DIVULGAÇÃO

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as por que a bola é tão usada? Quando trabalhamos com uma gestante temos alguns objetivos, entre eles preparar esse corpo para o trabalho de parto. E preste atenção! Eu disse corpo, e não só assoalho pélvico. Uma das causas de insucesso de um parto e o desfecho em uma cesárea chama-se fadiga materna. Sim! A mãe cansa e é aí que, juntamente com outras técnicas, entra a bola. A bola é um recurso barato, acessível, de fácil transporte e está disponível em quase todas as maternidades. Quase toda mamãe pode ter uma para chamar de sua, e vale lembrar que depois, o bebê vai adorar ser embalado com o quicar da bola. Então, quando a gestante me pergunta se ela deve comprar uma bola, minha resposta é sim! Ela será útil em diversas situações, mas não é obrigatório, pois na sua fisio irá usá-la em consultório. Mas o que ela faz de tão relevante? A bola permite que a mãe se mantenha ativa, economizando energia. Ela pode fazer movimento de quicar sentada na bola, isto auxilia tanto na descida do bebê como na dilatação do colo do útero; seu uso ajuda na mobilização pélvica, que também influencia na descida do bebê e contribui para o alívio da dor; e serve como apoio em várias posturas, como de quatro e semi-ajoelhado, por exemplo. Além do trabalho realizado com a gestante sentada na bola, existem inúmeros exercícios nos quais a mesma funciona como suporte dos braços, o que também economiza energia.

Sempre uso com minhas pacientes o exemplo do pote de biscoito: ao encher o pote, damos uma mexidinha para os biscoitos descerem e conseguirmos colocar mais. No caso da gestante, nesse momento queremos mobilizar a pelve, auxiliar na descida do bebê para encaixar e dar início ao período expulsivo. Nessa época de pandemia, quando caminhar pelo corredor do hospital e subir e descer escadas não é mais permitido, a bola vai auxiliar muito na manutenção dessa mamãe ativa no parto. Vale ressaltar que o uso da bola é um recurso certificado e creditado, com vários trabalhos científicos comprovando sua eficácia. Ou seja, pode usar sem medo: ela é realmente eficaz! Eu acredito que todo trabalho deve ser consciente. Não adianta usar a bola sem entender o real motivo desse recurso. Sempre falo que quando a mente sabe, o corpo trabalha muito melhor! Então, agora você já sabe o porquê. Bora se manter ativa! ROBERTA RUIZ Fisioterapeuta – Crefito 38.482. Pós-graduada pela USP em Fisioterapia Respiratória. Instrutora de Pilates pela Physio Pilates Polestar (USA). Pós-graduada em Fisioterapia Pélvica – Uroginecológica Funcional (Inspirar). Formação em RPG e Terapias Manuais-Maitland (AUS). Formação em podoposturologia (palmilhas posturais). Proprietária do Espaço Integrata – www.integratafisio.com.br. Integrata Pilates e Fisioterapia Pélvica F Rua Gravata, 75 – Campeche – Florianópolis/SC C @integratafisio 1 (48) 99140-1810 0 roruizfisio@gmail.com


SAÚDE BUCAL

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SORRIA Odontologia preventiva garante saúde bucal plena

texto LAURA SACCHETTI (CRO-SC 12391) fotos BANCO DE IMAGENS

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eu cartão de visita. Você já ouviu falar que a saúde começa pela boca? Além de manter a boa aparência – um belo sorriso é o melhor cartão de visita – ter dentes saudáveis contribui para uma boa mastigação e, consequentemente, com uma melhor digestão e absorção dos nutrientes. A odontologia atual consiste em ser preventiva, e não somente curativa. A população em geral procura somente o dentista quando está com dor, sinal de que o problema já é bastante grave. Se a população brasileira tivesse o hábito de visitar o dentista para consultas frequentes, o índice de desdentados seria bem menor. Hoje temos diversas formas para reabilitar os pacientes que tiveram perda de um ou todos os elementos dentais. Um dos tratamentos para reabilitação oral são os implantes dentais. O implante dentário é um pino de titânio que substitui a raiz do dente perdido. Essa substituição pode ser unitária, parcial ou total. Por ser fixo, o implante devolve a segurança, autoestima e confiança para o paciente mastigar, conversar e sorrir. Uma dúvida frequente é o tempo que o tratamento vai levar. Em média, após a cirurgia do implante ser realizada, deve-se aguardar de 3 a 6 meses para poder realizar a prótese sobre implante, sendo esse o tempo médio para que o implante possa osseointegrar (fixar no osso). Porém, existem situações que o procedimento é concluído em até 3 dias. Chamamos de implante com carga imediata, muito utilizado nas cirurgias de protocolo. Outra situação é quando necessita repor esteticamente o dente perdido e então é realizada uma prótese provisória sobre o implante imediatamente após a cirurgia. Por isso a importância de uma avaliação prévia e exames radiográficos para planejamento de cada caso. LAURA SACCHETTI

Centro Executivo Maxim’s, Av. Rio Branco, 354, 6.o andar, sala 602 – Centro – Florianópolis/SC. 1 (48) 3225-1082 / 99130-2077 0 laurasacchetti.implante@gmail.com C @dralaurasacchetti

SAIBA MAIS PROTOCOLO Quando há perda de todos os elementos e é fixada uma prótese total sobre 4 a 8 implantes. PARCIAL Quando há perda de alguns elementos, podendo fixá-los em prótese parcial.

UNITÁRIO Quando há perda de um elemento, prótese é fixada sobre um implante.

OVERDENTURE Quando há perda de todos os elementos, a prótese total é encaixada sobre dois implantes, podendo removê-la para higienização.


SAÚDE

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DESARMONIZAÇÃO FACIAL texto DR.A MARIANA TREMEL BARBATO (CRM/SC: 10877/RQE: 6741) fotos MARCO CEZAR

É possível reverter e corrigir casos malsucedidos de harmonização facial

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ocê já ouviu falar em harmonização facial, MD codes ou aplicação de várias seringas de ácido hialurônico em uma mesma sessão? Com certeza já deve ter ouvido e visto alguns casos malsucedidos após técnica malfeita. Mas você pode evitar que um procedimento estético seja malsucedido ou até mesmo remover o excesso de preenchedor. A valorização da imagem com a popularização das redes sociais, o envio de selfies e a utilização de filtros embelezadores antes de publicar foto ou vídeo, aumentaram a procura por esses procedimentos, onde volumizar os lábios, aumentar as bochechas e contornar a mandíbula virou quase uma “receita de bolo”. Claro que quando bem feito e em pequena quantidade, o efeito do preenchimento é o embelezamento. Contudo, o que infelizmente temos observado, é o exagero por parte de alguns profissionais e pacientes. Com o uso de preenchimentos em excesso (várias seringas em uma única sessão) temos nos deparado com pacientes que perderam seu formato de rosto e modificaram suas feições.


SAÚDE

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Como evitar esse resultado desagradável? Para valorizar a beleza e individualidade de cada paciente a dermatologia conta com diversos procedimentos. O preenchimento é apenas um deles. Tecnologias como laser, ultrassom microfocado e bioestimuladores de colágeno rejuvenescem e conseguem diminuir a necessidade de preenchedores. Preencher é sim um ótimo recurso, que traz um resultado quase que imediato e deve ser utilizado para refinamento de sulcos, marcas de expressão ou correção de algo que realmente traga prejuízos na estética do paciente. Nada melhor que o ácido hialurônico para um queixo sem projeção, para corrigir olheira profunda e suavizar sulcos no rosto, por exemplo. Mas para isso, podemos utilizar quantidades pequenas de produto e se necessário colocar em mais de uma sessão para evitar o mau resultado.

Em caso de desarmonização (preenchimento malfeito) é possível reverter o resultado do preenchedor? Quando o preenchimento é feito com ácido hialurônico, este pode ser degradado. A hialuronidase é uma enzima que pode dissolver o preenchimento com ácido hialurônico malfeito ou em excesso. Para a retirada ainda mais precisa, contamos com o recurso do ultrassom de pele para que possamos delimitar a área do preenchedor e injetar a enzima no local correto e na quantidade necessária. Não existe nenhum problema em procurar procedimentos estéticos. Muito pelo contrário: se existe esse recurso para o embelezamento e melhora da autoestima, temos, sim, que aproveitar as opções que a modernidade nos oferece. O que é inadmissível é aplicar o mesmo protocolo em todos os pacientes, não valorizando traços individuais. Portanto, é de suma importância a busca de profissionais experientes, que valorizem a naturalidade, se possível associando procedimentos, para evitar rostos “inflados“ e caricatos que estão super comuns no nosso meio. A conversa com o profissional, a escolha do produto, a realização do procedimento num local seguro e a exposição das suas expectativas são fundamentais antes de qualquer intervenção, por menos invasiva que pareça. MARIANA TREMEL BARBATO Rua Ferreira Lima, 238, 6.o andar, Florianópolis Z (48) 3223-6891 e 99933-7000 I dramarianabarbato


MURAL GNB

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BONS MOMENTOS E GASTRONOMIA Grupo Novo Brasil com todo o sabor da gastronomia exclusiva fotos DIVULGAÇÃO

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s casas do Grupo Novo Brasil trazem todo sabor da gastronomia exclusiva para Jurerê Internacional com o Acqua, Ammo Beach e Donna e no Centro da Capital com o Art’s Gastronomia e Música. Os chefs Hugo Olaechea e Sara Sanchez prepararam novidades para os menus de inverno, com sugestões especiais que deixam os momentos nas casas ainda mais inesquecíveis. Os restaurantes estão recebendo o público seguindo todas as recomendações obrigatórias para oferecer uma experiência gastronômica com todo conforto e segurança, permitindo aproveitar todos os momentos em família e com os amigos.

PAULA, GUIDO BOABAID, MARIA CECÍLIA E MARCOS MACIESKY

RENATO CARIONI, JOÃO AMIN E ANA GEQUELIN

ANA E WALTINHO KOERICH

BRUNA REIS


MURAL GNB

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CAROL LOBATO

GIBÃO

RUI E MELISSA CARRAVETTA

IZABELA RAMOS

JANA MOTTA

NADINE ALBA E ELISA FREITAS

LETÍCIA E RAFAEL KUERTEN

ROBERTA ANTONIETI

LORENA FERNANDES DA LUZ

THAIZ LONDERO E DINA NOEBAUER

TATIANA CALTABIANO E LESLIE HANAH FRANCO BOLDRIN

SIDNEY SAMPAIO

LUCAS MORAES

EDUARDA PEIXOTO

SABRINA KOERICH E RODRIGO DAUX


COMEMORAÇÕES

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50 ANOS BEM VIVIDOS E por isso, Orlando Fernandes comemorou com amigos fotos MARCO CEZAR

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arceiro de muitos, pessoa que gosta de viver a vida e comemorar as boas novas tendo por perto aqueles que ama, o empresário Orlando Fernandes reuniu um grupo de amigos para festejar uma conquista para lá de especial: os 50 anos de vida. Ao lado da família, ele curtiu cada instante com um sorriso especial no rosto, deixando transparecer a alegria de quem sabe que já fez muito, e a certeza de que ainda tem muito para fazer. Parabéns, Orlando! A Mural bate palmas para gente feliz como você!


COMEMORAÇÕES

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COMEMORAÇÕES

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ANO 20

Rua Joe Collaço, 1.034, Santa Mônica, Florianópolis/SC E rossi@rossicabeleireiros.com.br D www.rossicabeleireiros.com.br F RossiCabeleireiros I rossicabeleireiros

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