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EFE Boletim Municipal - 042026

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RECOMEÇAR EM FAMALICÃO

EDITORIAL

MÁRIO PASSOS PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL

UM CONCELHO VIVO

Vila Nova de Famalicão é, por natureza, um concelho que não para. É essa energia contagiante que volta a preencher as páginas desta nova edição do efe, onde damos continuidade à missão de partilhar o pulsar do nosso território e o trabalho que, juntos, estamos a realizar.

Esta vitalidade que nos caracteriza manifesta-se, acima de tudo, na nossa capacidade de acolher. Ao assinalarmos quatro anos sobre o início do conflito na Ucrânia, damos voz a quem escolheu Famalicão para recomeçar. É inspirador ver como soubemos ser “família” para estes novos cidadãos, proporcionando-lhes não apenas segurança, mas as condições para voltarem a sonhar. A história destes rostos é hoje, também ela, parte da nossa história comum. Uma narrativa feita de resiliência e de esperança.

Mas a solidariedade caminha lado a lado com a estratégia. O dinamismo que vivemos nas nossas ruas é sustentado por um compromisso firme com o bem-estar de todos. Por isso, destacamos nesta edição os passos que continuamos a dar na modernização das

infraestruturas de desporto, saúde, segurança e ensino, bem como o reforço do apoio às nossas famílias e instituições sociais. O investimento que concretizamos nas nossas freguesias é o alicerce para um futuro que queremos mais justo, equilibrado e com maior qualidade de vida.

Que esta nova edição do boletim municipal seja um convite para desfrutar do que é nosso, para participar na vida da nossa comunidade e para celebrarmos, em conjunto, o privilégio de viver em Famalicão.

Um abraço amigo.

FICHA TÉCNICA DIRETOR MÁRIO PASSOS EDITOR CRISTIANA CARMO REDAÇÃO JORGE BARBOSA, RUTE NEVES E MÁRCIA GOMES FOTOGRAFIA DIANA CORREIA E LUÍS LOPES GRAFISMO E PAGINAÇÃO THERESA CAMPOS COLABORAM NESTA EDIÇÃO: JOÃO NASCIMENTO E NUNO MELO (OPINIÃO), AGRUPAMENTO DE ESCOLAS CAMILO CASTELO BRANCO, WAKE UP FAMALICÃO (FOTOGRAFIA) IMPRESSÃO LIDERGRAF - SUSTAINABLE PRINTING PROPRIEDADE CÂMARA MUNICIPAL DE VILA NOVA DE FAMALICÃO CONTACTOS PRAÇA ÁLVARO MARQUES 4764-502 VNF | 252 320 900 | CAMARAMUNICIPAL@FAMALICAO.PT | FAMALICAO.PT TIRAGEM 61 750 EXEMPLARES ISSN Nº 30518008 DEPÓSITO LEGAL Nº 438448/18 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA (ISENTO NA ERC AO ABRIGO DO DECRETO REGULAMENTAR 8/99 DE 09 JUNHO, ART.º12 N.º1 ALÍNEA B) RECOLHA E RECICLE O PAPEL USADO.

A SUBIR

POR MÁRIO PASSOS

VÂNIA MARÇAL

A vereadora da Proteção Civil de Vila Nova de Famalicão, Vânia Marçal, vai ser condecorada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil com a Medalha de Mérito de Proteção e Socorro, grau cobre e distintivo laranja. Um reconhecimento que valoriza o percurso iniciado em 2014 como Coordenadora Municipal de Proteção Civil e marcado pelo compromisso com a segurança e o serviço público. Parabéns pelo trabalho de excelência!

JOÃO PINHEIRO

O árbitro famalicense está no Campeonato do Mundo de Futebol, que decorre nos meses de junho e julho, nos Estados Unidos, México e Canadá, depois de ter sido escolhido pela FIFA. Um reconhecimento à sua brilhante carreira de arbitragem, que começou no Núcleo de Árbitros de Famalicão e o leva agora à elite mundial do futebol.

PAULO CUNHA

O eurodeputado Paulo Cunha foi nomeado relator para o Fundo de Investigação para o Carvão e o Aço. Esta função coloca-o no centro das decisões estratégicas para conciliar descarbonização e competitividade da indústria pesada na União Europeia. É uma responsabilidade de relevo e um orgulho para Famalicão.

CONTINENTAL MABOR

A celebração dos 80 anos de produção de pneus em Famalicão assinala o percurso de uma unidade industrial que se tornou uma referência económica da região. Desde 1946, a atividade da Continental Mabor tem sido um motor de dinamismo e inovação, moldando o crescimento e a identidade das comunidades não só de Ribeirão e Lousado, mas também de todo o concelho.

“

SERÁ, SEM QUALQUER DÚVIDA, O MELHOR

COMPLEXO DESPORTIVO DE ATLETISMO EM PORTUGAL

Domingos Castro

Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo em visita às obras do futuro Centro de Atletismo de Famalicão 02/04/2026

CÂMARA QUER NOVO

QUARTEL PARA A GNR DE FAMALICÃO

OPresidente da Câmara, Mário Passos, apresentou ao secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, o terreno que a autarquia tem sinalizado, na União de Freguesias de Famalicão e Calendário, para a construção do novo quartel da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Famalicão.

O representante do governo esteve recentemente no concelho para presidir à cerimónia de celebração dos contratos de cooperação interadministrativos entre o Município de Famalicão, a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna e a GNR, para a concretização de obras urgentes nos postos de Famalicão e Joane, com Mário Passos a lançar o desafio para que no próximo quadro da Lei da Programação das Infraestruturas e Equipamentos das Forças e Serviços de Segurança, o novo posto da GNR de Famalicão seja uma obra prioritária de investimento.

“Famalicão é cada vez mais relevante no contexto nacional, somos dos concelhos que mais contribui para a receita estadual, a demografia está a aumentar e esta é uma grande preocupação do executivo para que tenhamos um território cada vez mais seguro”, afirmou.

De resto, o autarca acrescentou ainda a disponibilidade para melhorar as condições da GNR em Riba de Ave,

apresentando ao responsável do governo o antigo quartel dos bombeiros como uma solução para também naquela vila reforçar as infraestruturas da força policial.

Dois projetos que Telmo Correia admitiu que podem vir a integrar a próxima Lei da Programação.

Para já, certa é a reabilitação dos atuais postos territoriais da Guarda Nacional Republicana em Famalicão e Joane, obras que estarão concluídas até ao final do ano e que vão resolver os problemas estruturais dos dois edifícios. Em ambos os casos, a autarquia vai assumir a posição de ‘dono de obra’, o que permitirá uma rápida execução dos trabalhos. Ao todo, os custos estão estimados em 421 mil euros, em larga parte para o posto de Famalicão (cerca de 400 mil euros).

O secretário de Estado da Administração Interna salientou que “este é um primeiro passo para resolver os problemas estruturais identificados há vários anos, que obrigam a uma intervenção urgente”. Telmo Correia assinalou ainda o papel do Município neste processo, considerando-o “um exemplo de cooperação institucional, determinante para a concretização destas obras que vão melhorar as condições dos militares e a qualidade do serviço que as forças policiais prestam às populações”.

2027 COM REDUÇÃO DE IMI

ACâmara Municipal de Famalicão está em condições de reduzir, em 2027, a taxa do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) que atualmente se fixa nos 0,335%.

O anúncio foi feito por Mário Passos, presidente da Câmara Municipal, no âmbito da discussão do Relatório de Gestão e Contas de 2025, aprovado no início de abril pelo executivo municipal.

O autarca fala numa “gestão rigorosa e responsável” e numa “almofada financeira robusta e confortável” que permitirá ao executivo não só reduzir a taxa de IMI em 2027, como também avançar com a execução de obras estruturantes para o futuro do concelho. Mário Passos acrescenta que o documento de prestação de contas referente a 2025 é bem exemplificativo do “caminho sólido” que tem vindo a ser percorrido na construção de um futuro mais coeso, inclusivo, sustentável e próspero para o concelho de Famalicão e é o reflexo “do empenho e do esforço desta Câmara Municipal, do seu executivo e dos seus colaboradores em dar resposta às necessidades e anseios dos famalicenses”. Olhando para os vários indicadores apresentados no relatório, nota para a taxa de execução da despesa na or-

dem dos 76% que é sobretudo o espelho do grande dinamismo do município. Aqui, realce para os mais de 41 milhões de euros (mais 102% face a 2024) em aquisição de bens de capital que resultam do investimento histórico que o concelho tem atualmente no terreno, nas mais diversas áreas de atuação. Destaque também para os mais de 15 milhões (aumento de 65%) em transferências de capital que resultam dos apoios atribuídos a entidades externas, como Juntas de Freguesia, IPSS e tecido associativo. No que diz respeito à execução da receita (93%), destaque para o aumento da receita fiscal proveniente sobretudo do Imposto Municipal sobre a Transmissão Onerosa de Imóveis (IMT), sinal da vitalidade económica do concelho e da dinâmica do mercado imobiliário, e para o aumento de 44% das transferências de capital explicado pela capacidade de captação de fundos comunitários que o município tem revelado. Ainda de acordo com o documento, em 2025 o Município registou um grau de autonomia financeira de 82,8%, e a diminuição da dívida à banca também se destaca, com a autarquia famalicense a recorrer a apenas 15.9% da sua margem absoluta de endividamento.

MAIS SEGURANÇA PEDONAL NA ER206

AInfraestruturas de Portugal (IP) vai investir mais 1.3 milhões de euros no reforço da segurança pedonal do troço da Estrada Regional 206 (ER206) que liga Vila Nova de Famalicão a Guimarães, através da execução de mais passeios e da reparação dos passeios existentes.

A medida, que não estava prevista no projeto inicial da reabilitação da ER 206, atualmente em curso, surge depois dos vários apelos lançados pelo presidente da autarquia famalicense, Mário Passos, para que se aproveitasse a obra em curso para aumentar as condições de segurança que a via oferece aos peões.

No total serão construídos mais de 4700 metros de novos passeios e reparados mais de 7200 m² de passeios existentes.

A garantia saiu de uma recente reunião técnica que juntou o autarca famalicense e responsáveis da IP.

Do encontro resultou ainda o compromisso de reforçar a segurança pedonal da ER206 ao nível dos atravessamentos, com o reforço de passadeiras e iluminação pública. Em análise esteve também a criação de uma nova rotunda, logo após o cemitério municipal de Famalicão, no cruzamento de acesso a Gavião.

Recorde-se que a reabilitação integral da ER206 que liga Vila Nova de Famalicão a Guimarães arrancou em fevereiro do último ano, num investimento de 9 milhões de euros da IP e incide sobre um troço de 15 quilómetros. Além da beneficiação geral da estrada, ao nível do pavimento, da sinalização horizontal e vertical, dos equipamentos de segurança e dos sistemas de drenagem, a obra envolve a construção de novas rotundas, em detrimento dos entroncamentos existentes, no acesso à Estrada Nacional 309 e na Avenida Montes dos Combros, em Vermoim.

OBRAS NAS IPSS

ACâmara Municipal continua a apoiar as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho.

Recentemente, a autarquia aprovou a atribuição de uma nova tranche de apoios, desta vez dirigida a oito IPSS famalicenses, no valor de 304 mil euros. Os apoios destinam-se à conclusão de obras de construção, remodelação e ampliação das instalações do Centro Social e Cultural de S. Pedro de Bairro, do Centro Social da Paróquia de Joane e de Landim, da SOCIALELOOS - Associação Social de Fradelos e da ACIP - Ave Cooperativa de Intervenção Psico-social CRL. Vão beneficiar também o ACB - Associação Cultural Beneficente e Desportiva dos

Trabalhadores do Município, o Centro Social Paroquial de S. Miguel de Seide e a Associação Nascer do Sol de Mogege.

Recorde-se que esta não é a primeira vez que o executivo municipal aprova este tipo de apoios. Desde 2024, a autarquia já canalizou 2 milhões de euros para apoiar as IPSS na realização de um conjunto de obras estruturantes que lhes permitirão enfrentar os desafios de futuro com esperança e confiança e aumentar a sua resposta social, com a criação de 800 novas vagas de Creche, Centro de Atividades de Capacitação para a Inclusão, Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário.

372 CASAS FELIZES

OMunicípio de Famalicão está a apoiar 372 famílias do concelho no pagamento das rendas habitacionais, no âmbito do programa municipal “Casa Feliz”. Neste ano de 2026, este apoio já representa um investimento municipal na ordem dos 380 mil euros. O apoio é destinado a famílias que se encontrem em situação de carência económica e divide-se em quatro escalões - A, B, C e D - que equivalem a um apoio mensal durante 12 meses no montante de 125, 95, 65 e 50 euros, respetivamente.

Desde 2019, o Município de Famalicão já ajudou mais de 2 mil famílias a cumprirem no pagamento das rendas da habitação, num investimento superior

OPINIÃO

NUNO MELO

MINISTRO DA DEFESA NACIONAL

Num mundo mais incerto e perigoso, Portugal está obrigado a reforçar o pilar europeu de Defesa da NATO, contribuindo para a segurança coletiva e a preservação do nosso modo de vida.

É neste contexto geopolítico que, em democracia, estamos a realizar o maior investimento em todos os domínios de uma só vez – terra, mar, ar, espaço e ciberespaço -, mobilizando 5,8 mil milhões de euros através do Instrumento de Ação para a Segurança da Europa para aquisição de fragatas, veículos blindados, satélites, meios de defesa antiaérea, munições, radares e drones, entre outros equipamentos essenciais à modernização das Forças Armadas.

VAMOS FAZER ESTE CAMINHO JUNTOS

retorno para a economia nacional, mais empregos qualificados, melhores salários e a fixação de talento, contribuindo para a coesão territorial. A revitalização do Arsenal do Alfeite, a instalação de fábricas e linhas de montagem, a produção e exportação de satélites, são alguns exemplos concretos e virtuosos desta estratégia.

O “Fórum Económico Famalicão Made IN” surge, por isso, no momento certo, desafiando o tecido empresarial da região a olhar para a Defesa como uma oportunidade de negócio.

a 2 milhões de euros.

O processo de candidatura ao apoio à renda é apresentado através do registo na plataforma “Programa Casa Feliz - Apoio à Renda”.

Recorde-se que as recentes alterações ao Regulamento Municipal de Apoio à Renda vieram permitir que possam ser submetidos pedidos excecionais e devidamente fundamentados fora do período normal de candidaturas, que habitualmente decorre entre setembro e outubro. Estes pedidos excecionais podem ser submetidos ao longo do ano, têm efeitos a partir do mês seguinte ao da apresentação do pedido e vigoram até ao final do ano civil correspondente.

O objetivo é claro: dotar Portugal de Forças Armadas capazes de cumprir múltiplas missões militares e de apoio à população civil, dentro e fora de fronteiras. Os auxílios às populações afetadas pelas recentes intempéries demonstram como os militares são essenciais tanto em tempos de guerra como em tempos de paz. Investir na defesa não é só uma decisão lúcida - é também uma oportunidade que não queremos desperdiçar. A visão definida neste ciclo de investimento teve por isso em conta duas preocupações estruturantes: em primeiro lugar, Portugal não vai apenas adquirir equipamentos. Vai apostar em ciclos de vida. E, em segundo lugar, o governo quer garantir que as empresas nacionais serão envolvidas nestes projetos em toda a linha. O que equivale a dizer que as indústrias de defesa serão parte da produção, manutenção e modernização, assegurando um forte

Famalicão é um exemplo maior deste potencial - o terceiro concelho mais exportador do país e o mais exportador no Norte, com uma forte base industrial e tecnológica. Aqui encontramos centros de investigação e universidades de referência (casos do CITEVE e da Universidade do Minho). A isto soma-se um tecido empresarial diversificado, com empresas que vão do têxtil, vestuário e calçado aos polímeros, passando pela eletrónica, moldes, pneus, maquinaria diversificada ou lentes — setores com forte potencial de aplicação em tecnologias de duplo uso, com impacto civil e militar. Este é o desafio que lançamos aos empresários, autarcas e a todos os agentes do território. Poucos concelhos reúnem tantas condições — talento, empresas, capital, conhecimento e ambição -, como Famalicão e a sua região.

Neste caminho de forte investimento, o Ministério da Defesa Nacional tem no concelho de Famalicão um parceiro estratégico para liderar este desígnio. Vamos fazer este caminho juntos.

o tema “A Melhor Defesa é a Inovação”.

Nuno Melo é um dos oradores convidados do Fórum Económico Famalicão Made IN, que decorrerá a 29 de abril, na Casa das Artes de Famalicão, sob

CULTURA

25 ANOS DE CASA DAS ARTES

Há 25 anos, Vila Nova de Famalicão viu nascer um lugar onde as luzes se apagam para que a arte se acenda e onde cada aplauso ecoa como memória coletiva.

Mais do que um edifício, a Casa das Artes afirma-se como um dos principais motores culturais do concelho, abrindo portas ao teatro, à música, à dança e ao cinema. Ali, cada espetáculo é uma viagem de emoções partilhadas, onde diferentes gerações aprendem a escutar, sentir e imaginar.

Do grande auditório, que recebe as principais produções e espetáculos, ao pequeno auditório, que acolhe propostas mais intimistas, e ao café-concerto, que complementa a programação e o convívio entre o público e os artistas, foram milhares os espetáculos que por lá passaram e que permitiram criar memórias únicas aos mais de 1.5 milhões de espectadores que ali estiveram.

Celebrar os 25 anos da Casa das Artes é, por isso, celebrar a vitalidade cultural de Vila Nova de Famalicão e reconhecer o papel de um espaço que continua a inspirar, desafiar e aproximar a comunidade através da arte.

UM PALCO INCLUSIVO

Em Famalicão, as portas da cultura abrem-se para todos. A Casa das Artes iniciou o ano de 2026 com a oferta de espetáculos acessíveis a pessoas com deficiência visual e auditiva.

Esta medida coloca a Casa das Artes na Rede de Teatros com Programação Acessível (RTPA), apresentando uma oferta regular de espetáculos com audiodescrição e/ou com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.

A iniciativa permite que todos os públicos possam sentir, partilhar e vivenciar experiências culturais, reforçando a ideia de que a cultura não conhece barreiras. “É a concretização da verdadeira missão de um espaço público. A Casa das Artes é um espaço de todos, para todos”, refere, a propósito, o seu diretor, Álvaro Santos.

Refira-se que a RTPA conta com o apoio do BPI e da Fundação “la Caixa” e é coordenada pela Acesso Cultura, uma associação cultural portuguesa, sem fins lucrativos, dedicada a promover o acesso físico, social e intelectual à cultura para todos, focando-se na inclusão de pessoas com diferentes necessidades.

FUTURO EM CENA

No passado mês de fevereiro, a Casa das Artes viu aprovado o apoio à sua programação, com um financiamento de 800 mil euros para a concretização de projetos para os próximos quatro anos.

A candidatura foi apresentada pelo teatro municipal famalicense, no âmbito da Rede de Teatros e Cine-teatros Portugueses (RTCP), e mereceu o valor máximo concedido pela Direção Geral das Artes (DGArtes) – Ministério da Cultura.

Este financiamento permite à Casa das Artes continuar a sua missão de criar, apresentar e partilhar cultura de qualidade e acessível a todos, promovendo um ecossistema artístico em Vila Nova de Famalicão.

1 5 MILHÕES DE ESPECTADORES

2500 ESPETÁCULOS

2500 FILMES EXIBIDOS

PRÓXIMOS

ESPETÁCULOS

CINEMA

KILL BILL: TODA A OBRA SANGRENTA DE QUENTIN TARANTINO

23 DE MAIO_16H00

PEQUENO AUDITÓRIO

TEATRO

DON JUAN

08 E 09 DE MAIO_21H30

GRANDE AUDITÓRIO

Acessibilidades: Lingua Gestual Portuguesa e Legendagem

MÚSICA

MARTA REN & ORQUESTRA DE JAZZ DE ESPINHO

16 DE MAIO_21H30

GRANDE AUDITÓRIO

MIGUEL ARAÚJO

29 E 30 DE MAIO_21H30

31 DE MAIO_18H00

GRANDE AUDITÓRIO

DANÇA ONLY DUOS

COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO

22 DE MAIO_21H30

GRANDE AUDITÓRIO

Os bilhetes podem ser adquiridos presencialmente na Casa das Artes ou online em www.bol.pt Toda a informação em www.casadasartes.org

À CONVERSA COM...

CATARINA AZEVEDO

CIENTISTA E INVESTIGADORA

DO LABORATÓRIO DA CAMILO ÀS “SUPERCÉLULAS”

QUE DESAFIAM O CANCRO

Sentada num banco do laboratório de biologia da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, Catarina Azevedo parece estar em casa. Foi nestas bancadas, entre tubos de ensaio e microscópios, que a jovem cientista famalicense, de 29 anos, desenhou os primeiros contornos de uma carreira que hoje se mede através de descobertas de vanguarda.

Ex-nadadora de competição, habituou-se desde cedo à disciplina do cronómetro, uma resiliência que transportou para a ciência. O seu percurso é um roteiro de excelência. Licenciada em Bioquímica e mestre em Ciências da Saúde pela Universidade do Minho, iniciou o caminho de investigação no Porto, no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde. O doutoramento, recentemente concluído, levou-a a centros de elite mundial como a Universidade de Pittsburgh, nos EUA, Basileia, na Suíça, e Erlangen, na Alemanha.

No centro de tudo, está a missão ambiciosa de reprogramar o sistema imunitário através de “supercélulas” geneticamente modificadas, capazes de identificar e destruir tumores sólidos, como o cancro colorretal.

Regressar à Escola Secundária Camilo Castelo Branco para esta entrevista é um gesto simbólico. Que memórias guardas destas salas e até que ponto sentes que este laboratório foi o “embrião” da cientista que és hoje?

Traz de volta muitas memórias. Foi aqui que tive o primeiro contacto com o ambiente de laboratório e a primeira vez que usei um microscópio. Diria que foi aí que comecei a ganhar o gosto pela ciência e esta paixão por descobrir novas terapias para ultrapassar problemas de saúde atuais, como o cancro.

Sentes que a tua história pode servir de exemplo para os alunos que hoje estudam nesta escola e que, talvez, pensem que a “grande ciência” só se faz longe daqui?

Espero que as novas gerações vejam isto como um exemplo de que também se faz boa ciência e se descobrem coisas importantes aqui em Portugal.

Claro que as colaborações com outros países são fundamentais e permitem-nos avançar, mas é possível fazer ciência de qualidade no nosso país.

O teu nome esteve em destaque pela criação de “supercélulas” capazes de enfrentar cancros sólidos. Em que ponto se encontra esta investigação e quão próximos estamos de ver estas terapias nos hospitais?

As “supercélulas” consistem em usar as células T - que são células imunes dos próprios pacientes - e fazer uma alteração genética para alterar os açúcares à sua superfície, retirando um escudo que as torna menos potentes. Atualmente, estamos numa fase de estudos pré-clínicos. Os próximos passos passarão por ensaios clínicos, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Estimo que possa demorar entre 5 a 10 anos até estar disponível para os pacientes nos hospitais.

Por que razão as células CAR-T, que têm tido sucesso em cancros do sangue, são tão difíceis de “treinar” para atacar tumores sólidos como o cancro colorretal?

Nos linfomas e leucemias, conseguimos atacar especificamente as células malignas através de uma proteína que elas expressam. Nos tumores sólidos, é difícil encontrar uma proteína na superfície que seja expressa por todas as células do tumor. Além disso, há dificuldade de as células chegarem ao local do tumor e, quando chegam, ficam “exaustas” devido aos mecanismos imunossupressores do tumor, que as impedem de manter a sua função.

Se tivesses de explicar a um aluno que ocupa hoje o teu antigo lugar neste laboratório, como descreverias a “chave” que estás a tentar criar para derrotar o cancro?

Explicava-lhe que a “chave” está na superfície da célula. As nossas células são cobertas por uma camada de açúcares que chamamos de glicanos e, dentro de um tumor, as células T apresentam uma camada de açúcar muito mais complexa que lhes tira a função. O que fizemos foi tentar remover este escudo de açúcares, mostrando à superfície açúcares mais simples que estão associados a uma função mais potente e com maior capacidade de eliminar as células tumorais.

Foste nadadora de competição. Sentes que a tua disciplina de atleta é a tua maior aliada quando os resultados no laboratório tardam em aparecer ou uma experiência falha?

Sim, a natação deu-me bases e muita resiliência. Os resultados no laboratório são demorados e exigem muitas validações antes de passarem para os pacientes. Quando algo falha, é preciso olhar para o protocolo, tentar perceber o que falhou e, muitas vezes, repetir ou repensar a nossa hipótese. É um processo longo que exige capacidade de sacrifício.

Passaste por centros em Pittsburgh, Basileia e Erlangen. Comparando com essas realidades, qual é o maior obstáculo que enfrentas hoje em Portugal para levar as tuas ideias dos ensaios clínicos para o hospital?

O financiamento é o ponto crucial, quer seja para os projetos, quer seja para os próprios contratos de trabalho dos investigadores. Sinto que em Portugal a boa ciência fica muitas vezes “do lado da bancada” e não há tanta translação para a clínica. Ou seja, falta-nos implementar mais ensaios clínicos porque conseguimos, por exemplo, fazer a fase 1, mas as fases seguintes são difíceis. Devíamos importar a facilidade em pegar na investigação e aplicá-la diretamente no tratamento.

Depois do sucesso das “supercélulas”, qual é o teu próximo horizonte na investigação?

Ainda há muito para explorar nestas células CAR-T, especialmente para percebermos o mecanismo do que estamos a alterar e como melhorar a aplicação aos tumores sólidos, que representam 90% de todos os cancros. O objetivo é continuar a explorar este potencial para que se torne realmente uma terapia eficaz nesta luta.

“

ESPERO QUE AS NOVAS GERAÇÕES PERCEBAM

QUE TAMBÉM SE FAZ

BOA CIÊNCIA EM PORTUGAL

CATARINA AZEVEDO

PROTEÇÃO CIVIL

Achegada da primavera marca o arranque de um ciclo decisivo no combate à vespa velutina. Entre ações de sensibilização e operações de extermínio com recurso a tecnologia de precisão, o Serviço Municipal de Proteção Civil antecipa-se à proliferação da espécie invasora. No terreno, as equipas de intervenção dão continuidade a um trabalho que, só no último ano, desativou cerca de 1900 ninhos.

Embora o calendário já assinale abril, o balanço das atividades realizadas, em março, durante o Mês da Proteção Civil revela uma estratégia municipal focada na prevenção. As ações decorreram em diversas escolas e juntas de freguesia, onde os técnicos do serviço municipal capacitaram alunos, professores e população em geral para a identificação da espécie. Anabela Silva, técnica do Serviço Municipal de Proteção Civil, sublinha a importância de distinguir a invasora das espécies nativas, como a Vespa Europeia ou a Vespa Comum. “A Vespa Velutina é mais escura do que as outras, tem a extremidade das patas amarelas”, explica, notando que esta diferenciação por parte da população ajuda a filtrar os alertas e a otimizar os recursos do serviço.

Este conjunto de iniciativas tem registado uma elevada adesão, com forte envolvimento dos participantes em workshops dedicados à construção de armadilhas para o controlo da espécie. Durante as sessões práticas, os cidadãos aprendem a personalizar os dispositivos utilizando o amarelo, a cor que mais atrai o inseto, transformando uma tarefa manual num exercício de literacia ambiental.

OPERAÇÃO E MÉTODOS DE EXTERMÍNIO

Paralelamente à sensibilização, as equipas operacionais mantêm um ritmo de intervenção elevado. Segundo Manuel Pinheiro, coordenador municipal de Proteção Civil, só em 2025 foram exterminados cerca de 1900 ninhos no concelho. O serviço estabelece como meta um tempo de resposta de 48 horas após o reporte, priorizando situações em zonas habitacionais.

A eficácia do serviço assenta na rapidez e na utilização de meios adequados à complexidade de cada cenário. “Normalmente, quando temos um ninho situado a mais de 30 metros do solo, recorremos a uma arma de ar comprimido”, explica o responsável, sublinhando que “esta técnica permite projetar o biocida com precisão em locais de difícil acesso, enquanto ninhos mais baixos são tratados através de injeção direta com canas apropriadas”. Manuel Pinheiro destaca ainda o compromisso com o bem-estar da população e garante que o serviço tenta ser “o mais rápido possível, até pelo alarme que causa”.

Uma das principais mensagens deixadas pelas autoridades é o alerta para o perigo que esta espécie acarreta. Manuel Pinheiro é taxativo quanto à necessidade de profissionalismo nestas operações. “Devido aos riscos associados, este trabalho exige formação técnica específica. Por segurança, os cidadãos não devem intervir de forma autónoma”, aconselha. Ao contrário das vespas comuns, a Velutina, que entrou em Vila Nova de Famalicão em 2014, é descrita como “mais agressiva”, sendo capaz de perseguir uma ameaça por centenas de metros em ataques coordenados. Além do risco para a saúde pública, está em causa o impacto na biodiversidade, nomeadamente na predação da Abelha Melífera. Como as larvas da vespa são carnívoras, as obreiras capturam abelhas para as alimentar, comprometendo a polinização e a produção de mel. Esta realidade vem reforçar a necessidade de um combate contínuo e rigoroso, como o que o Município de Famalicão tem levado a cabo.

GUIA DE IDENTIFICAÇÃO E

REPORTE

Vespa Velutina

Corpo escuro, extremidade das patas amarela.

Ninho Ativo

Cor clara, intacto e com movimento de entrada e saída.

Ninho Inativo

Mais escuro, com favos à amostra e sem movimento (não requer intervenção).

Como reportar

· Serviço Municipal de Proteção Civil: 252 317 336

· Pataforma nacional do ICNF

“Stop Vespa”

· Junta de Freguesia, que encaminhará o alerta para a Proteção Civil.

APRENDA A FAZER UMA ARMADILHA ARTESANAL

Materiais Necessários

1 garrafão ou garrafa de 1,5 litros; 2 garrafas de 0,33 litros; atrativo (misturar num garrafão de 5 litros: 3 litros de água, 1 kilos de açúcar e 50 gramas de fermento padeiro).

1. Corte o terço superior das duas garrafas pequenas (a parte do gargalo).

2. No garrafão, faça dois pequenos cortes em forma de cruz.

3. Encaixe nesses cortes as partes superiores das garrafas pequenas, criando um funil voltado para o interior. Isto permite que a vespa entre, mas não consiga sair.

4. À volta do gargalo, faça pequenos furos (com cerca de 5 a 6 mm) para permitir a saída de outros insetos que possam ser atraídos.

5. Pinte as entradas de amarelo, que é uma cor atrativa para as vespas.

6. Coloque o atrativo no interior da armadilha.

7. Pendure a armadilha a cerca de 1,5 metros do solo, de preferência em arbustos ou árvores com flor.

NOTA Coloque as armadilhas preferencialmente na primavera, até ao final de maio, período em que é possível capturar as vespas fundadoras.

X2

RECOMEÇAR EM FAMALICÃO

Noite de 24 de fevereiro de 2022. Pouco passava das cinco da manhã quando ecoaram as primeiras explosões que, numa ação concertada, atingiram alvos estratégicos em várias cidades ucranianas. A Rússia anunciava um ataque à vizinha Ucrânia e o que até então tinha sido tratado como uma possibilidade distante materializou-se de forma abrupta: a invasão russa à Ucrânia estava em marcha e a ofensiva rapidamente deixaria de ser apenas mais uma tensão geopolítica para se tornar numa guerra aberta no coração da Europa.

Nas horas que se seguiram, o mundo assistiu, em tempo real, à escalada do conflito. Sirenes ecoavam pelas ruas, famílias corriam para abrigos improvisados e quem podia fugia apressadamente para as fronteiras para deixar o país. Foi assim com milhares de ucranianos, em especial mulheres e crianças, que deixavam os maridos para trás, voluntários à força, para uma guerra que não queriam.

Esta é também a história de Nataliya Proskurnikova e de Katheriyna Zavhorodnia, mulheres, mães, a quem a guerra e a necessidade de proteger os filhos obrigaram a fugir. Vila Nova de Famalicão viria a ser a sua nova casa e, quatro anos depois, a situação passou de temporária a permanente.

Nataliya Proskurnikova trabalhava na secretaria da escola onde os filhos, Andrii e Daria, estudavam. O marido era procurador. A família havia-se mudado para os arredores de Kiev em 2014. Entretanto nasceu Yehor, o mais novo da família. Uma vida que corria simples, mas com os sonhos a serem cumpridos. “Nasci em Odessa e o meu marido em Dnipro, mas foi trabalhar para Kiev e foi aí que, finalmente, comprámos uma casa que estávamos a concluir quando a guerra começou”, conta Nataliya, que está com os filhos em Famalicão desde 8 de março de 2022. “Vivíamos perto do aeroporto, onde caíram as primeiras bombas”, relata ao voltar àquela noite fria de fevereiro que marcou o começo do conflito.

A decisão de sair daquele cenário foi muito rápida. “Esperámos dois dias para decidir o que fazer. Mas os bombardeamentos, o escalar da invasão e o medo, rapidamente nos fizeram perceber que tínhamos de garantir a segurança dos nossos filhos”. O marido Oleksander ficaria na Ucrânia para defender a pátria.

Famalicão e Portugal viriam a ser o destino. “A minha sogra vive cá há muitos anos e quando a guerra rebentou ligou-nos para virmos para Famalicão, onde teríamos paz e segurança”.

Nataliya conta que foi um momento doloroso. “Trabalhámos muito para construir uma família e a vida estava estável. Deixar tudo para trás foi muito duro”, conta. A viagem foi feita de Kiev até à fronteira com o marido. “Separámo-nos na linha com a Polónia e chorámos muito abraçados naquela despedida”. É um momento marcante que o filho mais velho, Andrii, também recorda. “Tivemos muito medo e foi

“
SÓ HAVIA DOIS LUGARES NO AUTOCARRO E, ATÉ LÁ CHEGAR, PASSEI POR MOMENTOS DE MUITO MEDO.
KATHERIYNA ZAVHORODNIA

muito triste deixar todas as nossas coisas para trás”. Aquele momento marcava o início de uma longa viagem de carro que os traria até Famalicão. Estão longe de casa há mais de quatro anos. A segurança do filho foi também o motivo pelo qual Katheriyna Zavhorodnia decidiu deixar a Ucrânia. Vivia com o marido, Oleksander, e o pequeno Herald, com quase três anos, em Mykolaiv, uma cidade no sul da Ucrânia, próxima do Mar Negro. Trabalhava numa empresa de gasodutos e estava feliz a ver crescer o filho. A guerra mudou-lhe o destino. “Ainda aguentámos duas semanas, porque a cidade estava segura e na expetativa de que tudo acabasse rapidamente, mas quando começaram os tiroteios à volta de Mykolaiv tivemos de fugir”, conta, de semblante fechado. O primeiro plano de Katheriyna era seguir para a Roménia, mas durante essa viagem um telefonema do pai mudou-lhe o destino e trouxe-a para Famalicão.

“Tenho aqui uma cunhada, que soube que estava a ser organizada uma viagem de autocarro para recolher quem da Ucrânia tivesse família aqui em Famalicão e o meu pai convenceu-me a vir para cá”. Foi um momento de sorte que não esquece. “Só havia dois lugares e até chegar ao autocarro passei por momentos de muito medo, debaixo de bombardeamentos e com o receio de ficar retida nos postos de controlo militares”. A fronteira com a Polónia passou-a a pé, numa longa caminhada durante horas, carregando o filho, ora ao colo, ora pela mão. O frio entrava pelos ossos, mas nem isso a fez parar. À volta, via outras mães, outros filhos, uma corrente humana de sobrevivência. Recorda que “só trouxe uma mala com roupa e os documentos”. Em Mykolaiv deixou o marido, entregue à guerra que não pediram. Nunca mais estiveram juntos e só as chamadas telefónicas vão atenuando a saudade.

OLEKSANDER MARIDO DE NATALIYA PROSKURNIKOVA NA UCRÂNIA

“

AS PESSOAS FORAM MUITO AFÁVEIS. AJUDARAM-NOS COM

ROUPA, COMIDA E NO ACOLHIMENTO NOMEADAMENTE COM

FAMALICÃO, O LUGAR

QUE

SE FEZ CASA

Katheriyna é uma das muitas cidadãs ucranianas que viajaram para Famalicão em março de 2022, depois de uma missão solidária que viajou até à Polónia para buscar familiares de cidadãos ucranianos residentes no concelho.

Na ocasião, a solidariedade dos famalicenses para com o povo ucraniano foi exemplar. O Município, através do Centro de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM), ativou um Posto de Atendimento ao Cidadão Ucraniano para esclarecer, encaminhar e apoiar quem chegava ao território.

O CLAIM é, de resto, um espaço de acolhimento em várias dimensões: apoio jurídico, psicológico, educativo, social e outros, de forma a que o acolhimento dos migrantes seja o mais integrador possível. Com pessoal técnico preparado para prestar a melhor informação e acompanhamento, este espaço presta apoio em áreas como a regularização da situação migratória, pedidos de nacionalidade, reagrupamento familiar, habitação, emprego, Segurança Social, saúde, educação, empreendedorismo, apoio ao associativismo e retorno voluntário. No último ano, o CLAIM realizou cerca de 5000 atendimentos a cidadãos estrangeiros de diferentes nacionalidades. Aquando do eclodir do conflito na Ucrânia, Juntas de Freguesia, Instituições Particulares de Solidariedade

Social, empresas, escolas e outras instituições foram pontos de recolha de bens, numa resposta de solidariedade extraordinária.

Katheriyna expressa uma enorme gratidão. Portugal era um país seguro, acolhedor, longe do som das bombas. Um lugar onde poderiam recomeçar. Quando chegou, foi recebida por voluntários. Com sorrisos e abraços. Palavras numa língua estranha, mas carregadas de boa vontade. Foi acolhida no seio de uma família famalicense que lhe abriu as portas de casa ao longo de oito meses. “Chegámos aqui sem nada e foram dias e momentos muito difíceis. Não conhecia a língua, não sabíamos onde iríamos ficar, não sabíamos o que fazer… Chorei noites seguidas”, recorda.

Foi através das aulas de Português Língua de Acolhimento (PLA), promovidas pelo município, que Natalyia e Katheriyna tiveram o primeiro contacto com a língua portuguesa.

O projeto é mais uma resposta sólida à integração dos estrangeiros que escolhem o território para viver. Uma ação concreta de promoção da diversidade e inclusão social, consolidando o compromisso do município em criar condições para que os migrantes possam desenvolver competências linguísticas e culturais indispensáveis para a sua integração na sociedade, profissional e cívico, contribuindo para a prevenção da discriminação em função da origem e promovendo a igualdade.

Apesar das dificuldades iniciais, hoje já estão mais familiarizadas com nossa língua. “Já percebo algumas coisas, mas é mais difícil falar”, diz Katheriyna. Atualmente desempregada e a viver com o filho na vila de Ribeirão, continua a procurar trabalho até porque vê longe o fim da guerra e não pensa voltar. O filho Herald já frequenta a escola e a segurança que aqui tem para o seu crescimento fazem-na querer ficar. A casa onde viviam na Ucrânia está intacta,

KATHERIYNA ZAVHORODNIA COM O FILHO HERALD

mas nas conversas com o marido as notícias não são boas. A guerra continua a ser muito intensa e Katheriyna só anseia que marido se junte a ela e ao filho “para recomeçar a vida em paz e segurança” em Vila Nova de Famalicão, lugar que está a tornar casa. “Foi um começo difícil, mas agora estou a habituar-me. As pessoas têm-nos ajudado muito, vou fazendo algumas amizades e talvez possa ficar”, diz. Os primeiros tempos também não foram fáceis para Nataliya Proskurnikova e os seus três filhos, embora sinta que a família está cada vez mais integrada. As crianças frequentam a escola desde que chegaram e já falam a língua portuguesa. Diz que aqui tudo é diferente. “A língua, o cheiro e até a comida é diferente”. Agora estão adaptados. “Até já provámos a francesinha”, refere em jeito de brincadeira. Desde que chegou, Nataliya agarra-se ao que pode para ter uma vida mais tranquila. Faz bolos e limpezas. A família conseguiu mudar-se para um pequeno T1 e ter o seu espaço. O marido já os visitou em Portugal e, nestes quatro anos, também eles voltaram à Ucrânia por duas semanas. “Tenho uma família muito grande e não resistimos a regressar para matar saudades. Estivemos na nossa casa e foi emocionante”, recorda. Foi uma visita curta. Só lá permaneceram dois dias por falta de segurança. “Kiev é bombardeada quase todos os dias e não é seguro estar lá”. Andrii, Daria e Yehor estão completamente integrados e na escola foram bem acolhidos. As aulas de

apoio e o cuidado dos professores ajudaram. O futebol e o badminton que os filhos praticam também facilitaram a integração. O mais velho, Andrii, com 16 anos, já equaciona ficar por cá. “Estou a frequentar o curso de desporto e uma vez que o ensino aqui é bom, gostava de ficar, porque aqui terei mais oportunidades”, diz, sob o olhar atento da mãe que não esconde as saudades de casa. “Tenho muitas saudades de casa, do marido, da família que ainda lá está”. A primeira retaguarda em Portugal foi a sogra, mas não esquece o apoio que recebeu de toda a comunidade famalicense. “As pessoas foram muito afáveis. Ajudaram-nos no início com roupa, com comida e no acolhimento, nomeadamente, com toda a informação disponibilizada pelo CLAIM da Câmara Municipal que ajudou a nossa integração”. Ao fim de mais de quatro anos em Portugal, o futuro é ainda uma incerteza. “O meu marido é militar e não antevê o final. Resta-nos ficar, viver e esperar que a paz volte à Ucrânia”, remata com a esperança em dias melhores. A história destas famílias repete-se na pele de muitos ucranianos que escolheram Vila Nova de Famalicão para ser casa e abrigo. Aqui encontraram a possibilidade de continuar em frente, sem nunca esquecer o que ficou para trás: as pessoas, os lugares e a madrugada em que tudo começou

CENTRO LOCAL DE APOIO À INTEGRAÇÃO

DE MIGRANTES

O CLAIM - Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes de Vila Nova de Famalicão é uma estrutura de referência no apoio à população migrante do concelho e porta de atendimento aos cidadãos estrangeiros.

Está situado no Edifício Lusíada, loja 224, junto aos Paços do Concelho, e pode ser contactado através dos telefones 252 320 900 ou (+351) 932 018 305 e através do e-mail claim@famalicao.pt.

NATALIYA PROSKURNIKOVA COM OS FILHOS YEHOR, ANDRII E DARIA

TERRITÓRIO

UM CONCELHO DINÂMICO

Valorizar as freguesias é, acima de tudo, valorizar a comunidade. É criar melhores condições de vida para todos os famalicenses, é impulsionar o desenvolvimento local e construir bases sólidas para o nosso futuro coletivo.

MEIO MILHÃO PARA AS FREGUESIAS

Desde o início do ano, o executivo municipal de Famalicão já aprovou a atribuição de um conjunto de apoios financeiros às freguesias num total de 590 mil euros.

“As Juntas de Freguesia desempenham um papel essencial na promoção do desenvolvimento territorial. Por isso, continuaremos a disponibilizar-lhes recursos para que possam concretizar os investimentos que consideram prioritários para as suas comunidades”, refere Mário Passos.

Recorde-se que só em 2025, a autarquia famalicense disponibilizou cerca de 14 milhões de euros para as freguesias, desde apoios financeiros, verbas livres e transferências de competências.

UNIDADE DE SAÚDE DE GONDIFELOS VAI CRESCER

A Câmara Municipal vai arrendar o edifício contíguo à Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Gondifelos, primitindo a sua ampliação e reorganização, com mais gabinetes, consultórios e espaços de apoio.

A medida, aprovada pelo executivo, reforça a ambição desta unidade de saúde em evoluir para uma Unidade de Saúde Familiar.

O espaço será alvo de obras de adaptação e permitirá mais do que duplicar a área existente.

Esta aposta contínua na proximidade e na melhoria das infraestruturas reflete o compromisso da Câmara Municipal em manter a trajetória de excelência que coloca o concelho na vanguarda da prestação de cuidados de saúde primários em Portugal.

Atualmente, o território da ULS do Médio Ave (Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso e Trofa) apresenta uma percentagem de utentes sem médico de família de 0.7%, bastante inferior à média nacional - 14,9%.

CAMINHADAS PERCORREM TERRITÓRIO

A riqueza histórica, religiosa, arqueológica e natural do trilho “Caminhos do Ave” esteve em destaque na 17ª Caminhada Concelhia.

No passado dia 11 de abril, centenas de famalicenses percorreram o desafiador itinerário de 15,4 quilómetros que atravessou as localidades de Riba de Ave, Oliveira de S. Mateus, Oliveira de Santa Maria e Pedome.

Pelo caminho, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a Capela de S. José, a Igreja de S. Mateus e o Mosteiro de Oliveira Santa Maria e subir ao Monte de Santa Tecla, proporcionando panorâmicas únicas sob o território.

Uma tarde de convívio, desporto e muita descoberta, numa iniciativa organizada pelo Município de Vila Nova de Famalicão, através do pelouro do Desporto.

BRUFE TEM NOVO

PARQUE INFANTIL

A freguesia de Brufe passou a dispor de um renovado espaço de lazer, com a requalificação do Parque Infantil da Aldeia Nova.

A obra representa um investimento municipal de 78 mil euros e teve como principal objetivo a valorização do espaço público, com especial enfoque nas famílias e nas crianças.

O novo equipamento integra diversas valências lúdicas adequadas a diferentes faixas etárias, garantindo condições de segurança e diversão. Foi igualmente criado um espaço de convívio, promovendo o encontro intergeracional e o reforço do espírito comunitário.

MAIS ESTACIONAMENTO NA CIDADE

O parque de estacionamento junto à Estação Rodoviária apresenta agora melhores condições para quem chega ao centro da cidade. O espaço, de utilização gratuita, ganhou uma nova vida, após uma intervenção municipal que ultrapassou os 200 mil euros.

A requalificação trouxe mudanças visíveis: iluminação reforçada, organização mais eficiente do espaço e acessos pensados para todos, tornando o parque mais seguro e funcional no dia a dia dos famalicenses. Onde antes cabiam 76 viaturas, passam agora a estacionar 99, num aumento de capacidade de 30%.

RECOLHA DE BIORRESÍDUOS CHEGA

ÀS VILAS DE JOANE, RIBEIRÃO E RIBA DE AVE

O serviço de recolha porta-a-porta de biorresíduos foi alargado às vilas de Joane, Ribeirão e Riba de Ave. O projeto, que até ao momento estava limitado ao perímetro urbano da cidade, passa a funcionar nestas três localidades com recolhas agendadas para as terças e sextas-feiras, a partir das 21h00. Para o efeito, foram distribuídos gratuitamente contentores específicos de diversas capacidades, adaptados às necessidades dos cidadãos.

Com um investimento previsto de quatro milhões de euros nos próximos dez anos, o Município de Vila Nova de Famalicão espera superar as atuais 2.400 toneladas anuais de resíduos orgânicos domésticos separados na origem, diminuindo assim a carga poluente enviada para aterro.

O concelho mantém ainda circuitos específicos para grandes produtores, setor da restauração e cemitérios. Nas freguesias, onde a recolha porta-a-porta ainda não está disponível, a estratégia municipal continua a focar-se na compostagem comunitária e na distribuição de compostores individuais acompanhados de formação técnica para os interessados.

ANTES
DEPOIS

REFOOD: HÁ UMA

DÉCADA A ALIMENTAR A ESPERANÇA EM FAMALICÃO

O que começou com um grupo de amigos, é hoje uma operação rigorosa com mais de duas centenas de voluntários. Entre o resgate de toneladas de comida e o combate ao isolamento, a Refood de Vila Nova de Famalicão prova diariamente que a fome não se combate apenas com pão, mas com humanidade.

Todos os dias, pelas 18 horas, enquanto a cidade ensaia o regresso a casa, no centro operacional da Refood, localizado na Rua da Estação, inicia-se o ciclo de trabalho que atravessa o anoitecer e só termina à meia-noite. As carrinhas da associação preparam-se para percorrer hipermercados, restaurantes e padarias. O objetivo é resgatar o que a sociedade rotulou como “excedente”, mas que para 480 famalicenses, incluindo 152 crianças, é a garantia da próxima refeição. A história do núcleo não se escreve apenas com números, mas com a persistência de quem viu o projeto nascer “do nada”. Em outubro de 2014, um grupo de amigos lançou a semente e Susana Fonseca, voluntária desde a primeira hora, recorda os tempos em que a estrutura atual era apenas um projeto embrionário. “Eu distribuía pão, bolos e algumas refeições no meu próprio carro, porta a porta”, conta. Antes da abertura oficial, a logística era artesanal, movida pela urgência de quem conhecia as carências da comunidade. Após mais de um ano de trabalho árduo para estabelecer parcerias, o centro de operações abriu oficialmente portas, a 14 de fevereiro de 2016. Hoje, Susana faz parte de uma equipa que é “uma família dentro da família”, onde o trabalho diário é alimentado por um “profundo sentido de partilha e pela capacidade de se colocar no lugar do outro”, transformando cada entrega num gesto de puro humanismo.

A ENGRENAGEM DO “DESPERDÍCIO ZERO”

Gerir uma estrutura 100% voluntária exige o rigor de uma engrenagem suíça. “Nós apontamos tudo, pesamos a comida, registamos de onde vem e guardamos. Nada se perde na triagem. O que é próprio para consumo humano é separado por categorias e o que resta é encaminhado para os animais”, explica Ângela Gomes, coordenadora do núcleo. Segundo a responsável, a eficácia da Refood reside precisamente neste “processo milimétrico”, onde o controlo rigoroso precede a entrega.

A sustentabilidade financeira é o outro lado da moeda. Com quatro carrinhas a circular diariamente, os custos de manutenção e combustível são o maior desafio. “Não há um cêntimo que nos fuja do olho”, garante Ângela Gomes, que destaca a transparência total na gestão das verbas, provenientes na sua maioria da Câmara Municipal, mas também de doadores privados.

Para quem recebe, a Refood é muito mais do que um banco alimentar. Entre as centenas de rostos que diariamente cruzam o centro operacional, está o de Maria (nome fictício) que encontrou na associação a estabilidade que o mundo exterior lhe negava. Com uma vida marcada por provações, foi no núcleo de Famalicão que encontrou o seu principal pilar de sobrevivência. A Refood foi a mão estendida no momento de maior isolamento. “São pessoas que não apontam o dedo, que não julgam”, disse ainda com gratidão e revela que as breves conversas durante a entrega das refeições são o seu balão de oxigénio. “Às vezes uma pessoa acaba por desabafar e sai daqui mais leve”. RAIO X

UM CONCELHO MAIS

JUSTO E SOLIDÁRIO

O objetivo que, há cerca de uma década, uniu aquele grupo de amigos permanece intacto: tornar Vila Nova de Famalicão um concelho onde todos têm um papel ativo na justiça social. O trabalho pode ser invisível para quem passa na rua, mas é vital para quem luta todos os dias por um novo começo. Como resume a coordenadora Ângela Gomes, a missão da Refood termina onde começa o verdadeiro acolhimento. “Uma palavra de conforto pode mudar a vida de uma pessoa e aqui a luta contra o desperdício alimentar transformou-se, acima de tudo, numa lição diária de dignidade”.

DADOS DE MARÇO

254

VOLUNTÁRIOS

480

BENEFICIÁRIOS

35 FONTES DE ALIMENTOS

24.235 KG EXCEDENTES RECOLHIDOS

30 884

REFEIÇÕES DISTRIBUÍDAS

ÂNGELA GOMES COORDENADORA REFOOD FAMALICÃO

EDUCAÇÃO ENSINO PROFISSIONAL UMA ESCOL(H)A DE FUTURO

Durante décadas, o ensino profissional foi visto em Portugal como uma segunda escolha. Uma ideia persistente, mas cada vez mais distante da realidade.

Hoje, num contexto económico em rápida transformação, o ensino profissional afirma-se como uma resposta concreta às exigências do mercado de trabalho. Um relatório recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sublinha que “concluir o ensino secundário através de cursos profissionais aumenta significativamente as oportunidades de emprego, sobretudo quando as competências adquiridas estão alinhadas com as necessidades das empresas”.

A mudança não é apenas teórica. O ensino profissional contribui para reduzir o abandono escolar e apresenta uma taxa de empregabilidade na ordem dos 72%. Mais do que estatísticas, estes dados refletem que num tempo marcado pela transformação digital, pela transição energética e pela crescente automação industrial, as empresas procuram profissionais capazes de executar, de pensar de forma crítica e que dominem ferramentas tecnológicas. O famalicense Amadeus Dinis, presidente da ANESPO - Associação Nacional de Escolas Profissionais e diretor da Escola Profissional CIOR é taxativo: “Estes jovens estão preparados para esses desafios e para ter grandes desempenhos profissionais”. Outro dos trunfos está na proximidade ao tecido empresarial. Estágios, formação em contexto de trabalho e programas constantemente atualizados permitem acompanhar o ritmo da inovação tecnológica e garantir uma formação ajustada à realidade.

FAMALICÃO, UM

TERRITÓRIO EXEMPLAR

A ideia de que o ensino profissional é uma alternativa secundária vai perdendo espaço para uma nova realidade. Em Famalicão, esta via assume-se como um verdadeiro motor de desenvolvimento: mais qualificação gera mais emprego, que por sua vez impulsiona o crescimento económico.

Um diagnóstico recente, realizado junto de 154 empresas do concelho, revela um mercado de trabalho em crescimento, com uma procura expressiva por técnicos qualificados e intermédios. Uma evidência que resulta de um território fortemente marcado pela indústria transformadora, mas também pelo di-

namismo dos setores do comércio, serviços e áreas tecnológicas emergentes.

Um dos dados mais reveladores do estudo aponta para o que está por vir: cerca de 86% das empresas prevê recrutar nos próximos cinco anos, reforçando a necessidade de novos profissionais com competências práticas e tecnológicas.

Perante este contexto, o ensino profissional surge não apenas como uma resposta educativa, mas como uma peça central na estratégia de desenvolvimento local. “É necessário fazer um alinhamento mais fino e mais profundo da oferta formativa e adequar essa oferta com as necessidades que as empresas de cada uma das regiões apresentam”, acrescenta Amadeu Dinis.

Foi precisamente essa visão que o presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Mário Passos, passou ao secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, Adriano Moreira, que esteve recentemente em Famalicão. O edil sublinhou a importância da qualificação e do ensino profissional como resposta à escassez de mão-de-obra especializada. “Queremos adequar perfis às necessidades e assim garantir empregabilidade e qualificação especializada para as empresas”. Perfis como técnicos de logística, comerciais, administrativos ou especialistas industriais - da soldadura à automação - estão entre os mais procurados. E muitos destes profissionais têm origem no ensino profissional.

Para dar resposta a esta procura, o concelho está a investir na modernização da formação. Com apoio do Plano de Recuperação e Resiliência, foram asse-

gurados mais de 9 milhões de euros para oito Centros Tecnológicos Especializados instalados nas escolas, equipados com tecnologia de última geração e ccapazes de replicar ambientes empresariais reais.

A conclusão está prevista para 2026, mas o objetivo é claro desde já: reduzir a distância entre o que se aprende e o que o mercado exige.

DO ENSINO PROFISSIONAL À INVESTIGAÇÃO: O PERCURSO DE LUÍS MIGUEL MATOS

Aos 33 anos, Luís Miguel Matos, não hesita quando olha para trás: foi no ensino profissional que tudo começou. Hoje, Professor Auxiliar na Universidade do Minho e investigador na área da Inteligência Artificial, construiu uma carreira marcada pela excelência científica e pela ligação ao mundo empresarial. Mas a decisão que moldou esse percurso surgiu cedo, ainda no final do 9.º ano.

Com uma afinidade clara pela tecnologia, escolheu um caminho diferente do tradicional. Em vez do ensino científico-humanístico, optou pelo curso profissional de informática na Escola Padre Benjamim Salgado, em Joane. A razão era simples: “queria aprender fazendo. Procurava uma via que me permitisse transformar o interesse em competências concretas”, recorda.

Ao longo do curso, Luís Miguel Matos encontrou um ensino orientado para a prática, onde a programação, os sistemas de informação e a resolução de problemas reais eram o centro da aprendizagem. Mais do que conteúdos, o ensino profissional deu-

-lhe ferramentas. O pensamento computacional e a capacidade de dividir problemas complexos em partes mais simples, tornou-se uma base essencial, que mais tarde facilitaria o seu percurso académico.

”No ensino Profissional estuda-se muito, mas com uma especificidade e foco diferentes. Enquanto os cursos científico-humanísticos oferecem uma base mais generalista, que, por vezes, pode gerar indecisão sobre o futuro, o ensino profissional dota o aluno de uma identidade profissional clara permitindo desenvolver, desde cedo, competências especializadas, revelando-se uma excelente plataforma tanto para o mercado de trabalho como para o sucesso no Ensino Superior”.

CURSOS PROFISSIONAIS

Famalicão é o município do Ave com mais alunos no Ensino Profissional. A taxa de alunos que escolhem a via profissional no concelho é de 46%, valores acima da média nacional (40%). Neste ano letivo de 2025/26 há 94 turmas com alunos a frequentar o ensino profissional. Ciências Informáticas, Metalurgia e Metalomecânica, Comércio, Eletricidade e Energia, e Eletrónica e Automação são os suscitam maior interesse nos alunos.

Hoje, como docente e investigador, defende uma aprendizagem baseada em projetos e desafios reais, aproximando os estudantes daquilo que encontrarão no mercado de trabalho. “A melhor forma de aprender é aplicar”, sublinha.

Para os jovens que hoje enfrentam a escolha após o 9.º ano, deixa um conselho claro: “O ensino profissional não limita, abre portas”. Pode levar diretamente ao mercado de trabalho ou servir de base sólida para estudos superiores.

O seu próprio percurso é prova disso. Do ensino profissional ao doutoramento, da sala de aula ao laboratório de investigação, construiu um caminho sem barreiras. “Voltaria a fazer a mesma escolha”, afirma, sem hesitação.

CTE - AS NOVAS ESCOLAS DO ENSINO PROFISSIONAL

No total Famalicão vai receber 8 dos 16 CTE a instalar no Ave, que representam a captação de 9.7 milhões de euros de financiamento do PRR. Esta concentração de recursos - 50% da dotação regional - é um testemunho da proatividade municipal. Os CTE representam um salto qualitativo sem precedentes, dotando as escolas de equipamentos de vanguarda que anulam o hiato tecnológico entre o contexto de aprendizagem e o contexto real de trabalho.

LIGAÇÃO ENTRE MUNICÍPIO, ESTABELECIMENTOS DE ENSINO E EMPRESAS

Através do programa Valoriza-te, o Município, as escolas e as empresas têm desenvolvido diversas ações para que os alunos possam fazer uma escolha vocacional esclarecida. Iniciativas como o Programa Concelhio de Intervenção de Carreira, a Feira de Ensino Secundário, as Talks sobre a Formação Profissional, os Opendays Empresas, os Miniestágios, as Sessões sobre competências de Empregabilidade, o Concurso A Minha PAP é Empreendedora, e o Mercado de Emprego e Formação, entre outras, fomentam e aproximam os jovens das empresas e da realidade do mercado de trabalho.

AMADEU DINIS PRESIDENTE DA ANESPO

EVOCAR A HISTÓRIA, SEMPRE: A MEMÓRIA COMO COMPROMISSO

A História de um País é como um caminho que leva à sua atual definição. É por essa História – e pela sequência de eventos ao longo do tempo –que uma nação se molda e adquire a sua identidade, os seus valores. E a cada geração que passa, há a possibilidade de acrescentar capítulos a essa História, revelando-se, tantas vezes, novas circunstâncias políticas, sociais e económicas.

Há, destarte, elemento que acompanha todo este percurso e se revela indissociável da própria História: a construção de uma memória comum. É essa memória que dá continuidade ao percurso de uma nação ao longo do tempo, consolida identidades e preserva e perpetua experiências partilhadas e acontecimentos marcantes.

Daí que, ano após ano, a Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão continue a assinalar condignamente alguns destes momentos, que, pela sua relevância em determinado período, se eternizaram na memória comum, ajudando-nos a compreender o caminho que nos trouxe até ao presente. É esta, também, a beleza da História, que tanto nos ensina: transformar o instante em legado, tornando intemporais os momentos decisivos.

Tem sido assim com a evocação de datas fundamentais na História contemporânea de Portugal, como o 25 de abril de 74 ou o 25 de novembro de 75, mas também, a nível municipal, com o reconhecimento e valorização da memória institucional, expressos na inauguração da Galeria dos Ex-Presidentes da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão, em abril de 2025.

Neste particular, celebra-se, no presente ano, o 50.º aniversário das primeiras eleições legislativas em Portugal após a aprovação da Constituição da República de 1976.

Com o 25 de novembro de 1975, a aprovação da Constituição da República Portuguesa (a 2 de abril de 1976) e as eleições legislativas de 25 de abril de 1976, deu-se a transição definitiva para um regime democrático civil constitucional, em que o poder e os Governos passaram a resultar exclusivamente da legitimidade eleitoral e não de pretensões revolucionárias. Foi clara e inequívoca a vontade popular resultante daquele ato eleitoral livre: a afirmação de um regime democrático pluralista, assente na legitimidade eleitoral e no funcionamento pleno das instituições democráticas.

Tudo quanto hoje, mais do que nunca, merece ser evocado, relembrado, comemorado. Não apenas como um momento decisivo da nossa História, mas como afirmação dos valores que continuam a sustentar a Democracia.

Evocar, relembrar e comemorar estas datas é expressar manifestamente o desejo de não retrocesso. É um exercício de memória comum que não se esgota na evocação do passado, mas que se afirma como compromisso de futuro.

Pugnarei, enquanto Presidente do Órgão, para que a Assembleia Municipal possa continuar a honrar a memória daqueles que, escolhidos pelos seus conterrâneos, serviram a causa pública, fazendo-o dignamente. É nesse exemplo, nessa memória, que também me motivo a acrescentar um contributo próprio, escrevendo novos capítulos neste percurso comum.

Fá-lo-ei, como até aqui, convocando as gerações mais jovens a participar neste exercício de memória, para que, pela sua ação, os valores democráticos continuem a ser preservados e afirmados. Famalicão é, também nisto, um exemplo!

DE A a Z

ASSEMBLEIA MUNICIPAL

PRESIDENTE

Manuel João Fernandes Nascimento

1ª SECRETÁRIA

Susana Patrícia Silva Ferreira

2º SECRETÁRIO

Rui Miguel Pereira Santos

DEPUTADOS MUNICIPAIS

GRUPO MUNICIPAL DO PSD

Jorge Paulo Silva Oliveira

Daniela Filipa Machado Torres

Pedro Jorge Sousa Santos

Paula Maria Rodrigues Costa Azevedo

Fernando Lucas Simões Vilela

Maria de Fátima Santos Azevedo

Rui Miguel Pereira Santos

Maria Orminda Moreira Marques

João Pedro Sampaio Araújo

Teresa Cristina Barbosa Peixoto

Paulo António Veloso Pereira Silva Reis

João Miguel Ramalho Fontes

Maria Antónia Pereira Oliveira

Susana Patrícia Silva Ferreira

GRUPO MUNICIPAL DO CDS-PP

Manuel João Fernandes Nascimento

Ana Raquel Correia Carvalho

Francisco Amaro Campos Oliveira

Domingos José Carneiro Freitas

Carmen Rodrigues Araújo

Hugo Miguel Sousa Machado

GRUPO MUNICIPAL DO PS

Jorge Joaquim Domingues Costa

Paulo César Gonçalves Marinho Pinto

Sandra Susana Neves Santos

Luís António Ferreira Miranda Silva

Márcia Filipa Roriz Nunes

Laetitia Lopes Costa

António Joaquim Ferreira Silva

Davide Jorge Ribeiro Azevedo Silva

Alexandra Maria Santos Moreira

António Manuel Leitão Macedo Varela

Rui Manuel Matos Carvalho

Carla Sofia Santana Afonso Ribeiro Faria

Paulo Jorge Marques Costa

Manuel Martins de Carvalho

GRUPO MUNICIPAL DO CHEGA

João Pedro Rodrigues Fonseca Castro

Teresa Margarida Faria Castro Borges

Camilo Manuel Maia Pinheiro

Teresa Adélia Campos Pinto

GRUPO MUNICIPAL DA IL

Miguel Fidalgo Martins Teixeira Nunes

GRUPO MUNICIPAL DA CDU

Tânia Daniela Carvalho Silva

PRESIDENTES DE JUNTA

Rui Costa; Agostinho Fernandes; Carlos Gomes; Rosa Areal; Francisco Sá; Manuel Branco; Manuel Soares; Francisco Gonçalves; Francisco Carneiro; Adelino Costa; António Pinho; Carlos Carvalho; Alberto Fernandes; Rui Faria; Joel Oliveira; Paulo Campos; Jorge Ferreira; Manuel Serafim; Bárbara Sá; Gustavo Lemos; António Pereira; Carlos Valente; António Faria, Alexandra Silva; José Pereira; Francisco Oliveira; Cláudia Araújo; Leonel Rocha; Duarte Veiga; Ricardo Pinto; Jorge Cruz; Liliana Ribeiro; Bruno Domingues; Ana Freitas; Agostinho Gomes; Ricardo Mendes; Jaime Silva; Bruno Cunha e Edgar Pinto.

GPS: FAMALICÃO

ONDE COMER?

RESTAURANTE SARA BARRACOA

No coração de Vila Nova de Famalicão, onde a história se cruza com o quotidiano da cidade, encontra-se um verdadeiro refúgio da tradição gastronómica portuguesa - a Sara Barracoa.

Dos rojões ao cozido à portuguesa e da vitela assada ao famoso cabrito, cada prato reflete o saber antigo e os sabores típicos do Minho, preparados com cuidado e autenticidade.

Num ambiente acolhedor e genuíno, a tradição mantém-se viva, preservando a essência da cozinha portuguesa e o espírito de convívio que a torna única.

MORADA

Praça Dona Maria II 448

4760-111, Vila Nova de Famalicão

CONTACTO

ONDE DORMIR?

WAKE UP FAMALICÃO

Junto a uma das mais emblemáticas praças famalicenses, o Wake Up Famalicão desperta a cidade para novas formas de receber. Entre linhas contemporâneas e memórias do passado, cada espaço conta uma história e convida a abrandar o ritmo, sem perder a energia urbana, num edifício reabilitado que oferece estúdios confortáveis e recheados de personalidade.

MORADA

Praça 9 de Abril 208

4760-109, Vila Nova de Famalicão

CONTACTO

+351 936 220 903

O QUE FAZER?

EM MAIO, “VAI À VILA!”

Em maio, as ruas ganham cor, os aromas multiplicam-se e o coração da cidade transforma-se num ponto de encontro cheio de vida. É neste cenário que o “Vai à Vila” invade a Praça D. Maria II, convidando todos a sair, descobrir e celebrar o melhor que a comunidade tem para oferecer.

O mês de maio arranca com o Mercado Botânico, nos dias 2 e 3, onde a natureza inspira cores, aromas e ideias. Segue-se o Mercado da Festa da Flor, de 8 a 10 de maio, que promete encher a cidade de beleza e tradição. A Festa da Integração, a 16 e 17 de maio, traz consigo momentos de encontro, diversidade e comunidade. Logo depois, o Mercado da Saúde, de 18 a 20 de maio, convida a cuidar do corpo e da mente. A encerrar, o Mercado do Produto que é Nosso celebra a autenticidade e o talento local, do dia 22 ao 24.

Experiências que transformam o espaço público num ponto de encontro vibrante, onde há sempre algo novo para ver, provar e sentir. Em maio, “Vai à Vila”!

PRÓXIMOS EVENTOS

FESTA DA FLOR 08 a 10 de maio

13 WAYS TO LET OFF STEAM ARTE CIRCENSE 09 de maio

XXVI FAMALICÃO-JOANE DESPORTO 17 de maio

DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS 18 a 23 de maio

FESTAS ANTONINAS

05 a 13 de junho

2. EDITORIAL 3. DIXIT 4. ATUALIDADE 6. CULTURA: 25 ANOS DE

CASA DAS ARTES 8. À CONVERSA COM... CATARINA AZEVEDO 10.

PROTEÇÃO CIVIL: VESPA VELUTINA 12. RECOMEÇAR EM FAMALICÃO

16. TERRITÓRIO: UM CONCELHO DINÂMICO 18. RAIO-X: REFOOD 20.

EDUCAÇÃO: ENSINO PROFISSIONAL 22. DE A a Z: ASSEMBLEIA MUNI-

CIPAL 23. GPS: FAMALICÃO

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EFE Boletim Municipal - 042026 by Município de Famalicão - Issuu