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Lenda da Ribeira do Inferno_5D

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Há muitos, muitos anos, numa noite fria e sombria de Halloween, às três horas da madrugada, algo surreal aconteceu no lugar do Foro, no Estreito de Câmara de Lobos. Conta-se que, naquela noite, um grupo de alunosmascarados decidiu explorar a ribeira, movidos pela curiosidade e pelo desejo de viver uma aventura aterrorizante.

Inicialmente, os jovens ouviram rumores sobre a existência de um buraco profundo, onde, alegadamente, habitava o diabo. Por esse motivo, resolveram investigar se aquela história seria verdadeira. Enquanto caminhavam, ouviram folhas secas estalarem e aperceberam-se que alguém os perseguia. A adrenalina tomou conta deles e foram ver de que se tratava. Era um gato preto que os seguia, sorrateiramente, e os conduziu até à ribeira. Quando lá chegaram, repararam que o gato olhava fixamente para o buraco que lá havia. Nesse mesmo instante, a ribeira começou a brilhar e emergiu uma criatura sobrenatural daquelas águas profundas: era uma figura alta, de dois metros, com a pele verde escamosa e peluda, os seus olhos, vermelhos assimétricos, faziam lembrar gotas de sangue. Tinha umas mãos gigantescas, unhas muito compridas e o dom de rodar a cabeça em qualquer ângulo. Os seus pés de elefante faziam estremecer a terra quando se movimentava. Além disso, exalava um cheiro nauseabundo. A sua expressão mostrava desagrado perante aquela visita inesperada.

Quem ousa invadir o meu território sagrado? – questionou a criatura, com voz grossa e aterradora.

Nós já estávamos de saída… não queremos incomodar! – exclamaram em uníssono, nervosíssimos, temendo pela própria vida.

Ora essa! Estava apenas a brincar! E que tal conhecerem o meu humilde buraco? – convidou a criatura. – Com direito a um lanchinho especial!

O grupo de jovens, ainda que desconfiando de tal estranha simpatia, aceitou o convite e acompanhou aquela figura misteriosa. Não demorou até perceberem que o lanche era, nada mais nada menos, que eles próprios, pois já

havia turistas amarrados de cabeça para baixo e uma fogueira acesa, pronta a cozinhar os presentes e os convidados. Perante aquele cenário horripilante, o grupo de jovens ficou apavorado e dispersou. Um deles conseguiu escapar e alcançou a igreja. O padre estava justamente a rezar o terço. O rapaz pediu-lhe, desesperadamente, ajuda:

Senhor padre, por favor, acuda-me! Os meus amigos estão em perigo!

O que se passou, meu filho? – perguntou ele, preocupado.

Eu e os meus amigos queríamos confirmar a existência do diabo na Ribeira do Inferno e acabámos por ser surpreendidos por um golpista, uma criatura sobrenatural maléfica que os mantém cativos.

Os dois logo se apressaram. O senhor Padre levava consigo uma mala com diversos utensílios: um crucifixo, uma bíblia e água benta. Ao chegar ao local, cruzaram-se com o gato preto e tiveram a brilhante ideia de o utilizar como engodo. Esconderam-se, então, por entre os arbustos e atiraram o gato para dentro da gruta. O vilão, ao aperceber-se da sua presença, tentou expulsá-lo. O felino não gostou da aproximação, saltou-lhe para cima e arranhou-lhe o rosto, deixando-o cego. No meio daquela barafunda, o padre ordenou a retirada e usou o crucifixo para destruir aquele ser maléfico

Para espanto de todos, o crucifixo conseguiu acabar com aquela ameaça.

O diabo, ao sentir a dor insuportável infligida pelo poder de Deus, acabou por não resistir e sucumbiu. Aquele buraco servia de passagem para o inferno e ele tentava colecionar vítimas para levar consigo.

Esta lenda mostra-nos que, por vezes, a curiosidade pode meter-nos em grandes sarilhos.

Fim
5.ºD

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