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A lenda da Boa Morte_ 5.ºE OK

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A lenda da Boa Morte

Em tempos muito antigos, num dia cinzento e gélido de Halloween, aconteceu algo arrepiante na localidade da Boa Morte, pertencente à freguesia da Ribeira Brava, na ilha da Madeira. O povo ainda hoje recorda essa história marcante que deu nome àquele sítio.

Conta-se que um grupo de sete campistas ouviu histórias sobre o sino da capela, que tocava sozinho, exatamente à meia-noite, e sobre as velas que acendiam, misteriosamente. Por esse motivo, os jovens resolveram investigar. Enquanto caminhavam pelo trilho, encontraram um lavrador que os advertiu de forma hostil:

Meus meninos, não se aproximem dessa capela abandonada! Há almas que não devem ser perturbadas!

Ó senhor, quem é que iria acreditar nesse disparate atualmente? –respondeu um dos campistas, rindo, nervosamente.

Enquanto o grupo se dirigia ao local do acampamento, cantarolavam, felizes, ignorando completamente o aviso do lavrador. Tiveram um jantar animado: fizeram um churrasquinho, assaram marshmallows e contaram histórias de terror ao redor da fogueira, até adormecerem.

À meia-noite, enquanto dormiam profundamente, o sino começou a tocar sozinho, ecoando pela noite.

Valha-me Deus! Ouviram isto?! – exclamou um campista, assustado.

Os restantes campistas acordaram sobressaltados e resolveram explorar aquele lugar medonho. Ao longo do trilho, foram intercetados pelo lavrador, que também tinha despertado, e ia ao encontro deles para lhes pedir ajuda para desvendar o mistério

Ao chegarem à capela, as velas acenderam-se subitamente, como que por magia. A porta abriu-se lentamente e uma figura misteriosa, envolta numa luz sombria, surgiu à porta: era uma criatura baixa, com os olhos grandes e verdes que brilhavam no escuro. Tinha um nariz e uma boca minúsculos, tal como as suas mãos, pequenas e delicadas Os campistas recuaram, apavorados

Não fujam! Não vos quero fazer mal! – tranquilizou-os, com um ar amigável. – Em vida, fui uma boa pessoa, mas tive uma morte trágica, transformei-me num fantasma e refugiei-me neste lugar sagrado.

Queres contar-nos o que aconteceu? – sugeriu o lavrador, com voz acolhedora.

Eu era um rapaz como vocês: campista. Todos dormiam, eu estava com insónias e decidi ir até um miradouro apreciar a lua cheia. Enquanto me deliciava com aquele espetáculo da natureza, fui surpreendido por um lobisomem e caí pelo vale abaixo.

Se nos unirmos, podemos libertar-te desse trauma e ajudar-te a descansar em paz – prometeu o lavrador.

Com coragem e espírito de união, o lavrador ordenou que todos dessem as mãos, se juntassem em oração e gritassem em uníssono “QUE A LUZ DE DEUS TE GUIE!”. De repente, o fantasma sorriu e desapareceu, deixando na capela um rasto de silêncio. Desde então, o lugar passou a chamar-se Boa Morte, em memória da alma que finalmente pôde descansar em paz.

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