Portfolio Mitsy Queiroz

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m i t s y q u e i r o z

Mitsy Queiroz [@mitsyqueiroz] 1988, Recife, Pernambuco.

Arsta e pesquisador em processos experimentais de fotografia analógica, interessado na opacidade da imagem latente e seus mistérios, encoraja as afirmações do erro como fenômenos de ruptura e gestão da liberdade. Suas prácas refletem sobre a percepção do tempo, a transformação dos corpos e a conexão com a pesca artesanal. Atualmente, observa as relações de parentesco interespécie entre peixes e gentes, os movimentos de migração destes e os encantamentos manifestados entre as águas e a terra.

Mitsy Queiroz é Mestre em processos criavos e sua abordagem muldisciplinar se destaca pelo envolvimento em prácas educavas e projetos colaboravos. Como arsta visual atua desde 2012 parcipando de mostras, salões, feiras de arte, programas de comissionamento de obras para galerias de arte e museus, residências arscas, projetos de financiamento público e parcipação em importantes acervos como o da Pinacoteca de São Paulo.

As ilhas alagadas do Pina, 2022.

As Ilhas Alagadas do Pina [2022] pesquisa do programa de comissionamento de obra Atos Modernos uma parceria da

Coleção Ivani e Jorge Yunes com a Pinacoteca de São Paulo
Acervo Pinacoteca de São Paulo
crédito: Levi Fanan

Deumaproduçãodesendoquenascecomocorpoque reaprende a nadar em águas salgadas para reconhecer seus parentescos humanos e não-humanos, surge a pesquisa As ilhas alagadas do Pina comissionada pela Coleção Ivani e Jorge Yunes em parceria inédita com a Pinacoteca do Estado de São Paulo no programa Atos Modernos coordenado pela curadora e pesquisadora transdisciplinar Horrana Santoz durante os anos de 2021 e 2022, decorrendo deste programa: interlocuções, formações, exposição, publicação e aquisiçãodasobrasaoacervodainstuição.

Para este projeto me dediquei a 10 horas/aula de natação em situações diversas para o despertar o repertório do meu corpo para um ser aquário vivo daquelemar.

As ilhas alagadas do Pina é uma pesquisa que começa no porto de jangadas da praia do Pina, local da fotografia mais anga da família, que apresenta meu avô materno sentado em seu barco de pesca em 1975 na mesma areia em que eu com dois anos de idade em 1990 sorrio para uma câmera fotográfica, posicionado em cima de uma jangada pela quarta geração. Deste ponto da praia, a pesquisa se propôs entender a geografia políca da colônia de pescadores artesanais Z1 - Pina, com o metro quadrado mais valorizado da cidade do Recife, pontuando na historiografia e nos bancos de imagem

fotográficos, quais aterramentos de memória que a modernidade promoveu desde a popularidade do banho de mar enquanto avidade de lazer e o advento das casas de veraneio que urbanizam em 1920 com a construçãodaspontesqueinterligamailhaaocentrodo Recife.

Hoje a Colônia Z-1 do Pina visa a garana do acesso ao território pesqueiro e a regularização fundiária da comunidadetradicionaldepescaemcontextourbano.

crédito: FitoAraújo

A pesquisa em sua etapa final compreendeu a residência no Laboratório Fotográfico de Gibo [ S ã o P a u l o - S P ] , especializado em revelação e ampliação analógica colorida [processamento C-41] em grandes dimensões.

A importância da residência se dá pelo pequeno quantavo de l a b o r a t ó r i o s a i n d a e m funcionamento, sobretudo na região Nordeste onde reside e se especializao arsta equipando o seu p

fotográficochamadoPiracema.

As ilhas alagadas do Pina [2022]

captura analógica médio formato ampliação analógica papel fotosensível Kodak Endura dimensões 100x100 cm Montagem em madeira Pau Ferro

Doado por Clarice Tavares

Esta obra foi exposta na Pinatoca de São Paulo

e Galeria Amparo 60

Acervo Pinacoteca de São Paulo
crédito: Danilo Galvão

As Ilhas Alagadas do Pina [2022] recursos de apresentação do processo criavo: caderno de invesgação, películas negavas e suas provas de contato

com apresentação do programa, textos da curadoria, apresentação dos arstas convidados, imagens de processo e textos autorais

Publicação do programa Atos Modernos

Pinacoteca de São Paulo
O relógio que trabalhava dentro d’água, 2022.

Um relógio cai no mar e connua funcionando. O relógio seria um peixe vivo, preso em armadilha no fundo mar ou as suas vísceras sobre a pia da cozinha? No pulso de quem perde o relógio num só mergulho e o reencontra três luas depois no mesmo lugar. De onde vem a força das correntes laterais que ajustam os seus ponteiros? Dos perdidos e achados que as águas mornas devolvem com brilho pela manhã, um relógio de pulsoquetrabalhavadentrod'água.

A obra apresenta um peixe de águas salgadas suspenso com as suas vísceras depositadas num aquário. Reflete consigo tanto a mecânica desse organismo e suas pulsões, como certo po de acúmulo da memória de todos aqueles que são com ele em uma espécie de elã vital, reunindo em tempoosvivos,mortoseosqueaindanãonasceram.

Ventania, 2023.

A espera é um fenômeno que possui muitas afinidades com o futuro. Ancorada no movimento daquilo que está por vir, contrai e dilata o presente das nossas expectavas, tendo pouca ou nenhuma influência sobre aquilo que se espera. Um pescador só lança sua isca ao mar depois de ler as nuvens e a interferência da lua no empilhamento das ondas, percebendo o refúgio dos cardumes que migram na troca das marés. Quando recebe o chamado desse apete, põe-se a esperar.

E quem espera intui o futuro. Não a espera febril do desespero em que o presente é dissolvido naquilo que ainda não é, mas a espera paciente, da presidência de um presente saboreado pelo retorno em si mesmo, expandido a cada curva que o tempo dá.

Na ambivalência da espera que é sem dúvida uma estrutura de liberdade, também cabe dentro dela o inesperado. A mordida é de um peixe agulhão ou dourado?

Jogamos nossa garateia para alcançar as profundezas de uma imagem que se releva imprevisível à supercie como o pulo de um peixe voador, suas barbatanas planam no ar por alguns segundos e a espera termina com a imagem que nos salta aos olhos. Observamos duas obras que tensionam a suspensão dos acontecimentos efêmeros, uma imagem espalma o recife na maré alta e a outra, levanta voo com um calendário de páginas vazias. A duração dessa espera se cumpre com um mergulho.

de captura analógica médio formato 120 50x50cm

Impressão Papel Algodão

Ventania [2022]
Fotografia

analógica médio formato 120 50x50cm

Impressão Papel Algodão

Ventania [2022]
Fotografia de captura
Ventania [2022]
Fotografia de captura analógica médio formato 120 50x50cm
Impressão Papel Algodão

O retorno do Camurim [2023]

Fotografia de captura analógica médio formato 120

Fuji Chrome com revelação cruzada C-41

Impressão em Canvas 60x60cm

Esta obra foi comissionada pela residência Territórios Pina promovida pela Christal Galeria

Caderno e obra em processo

obra etorno do amurim desenvolvida na residência erritórios ina um projeto da hristal aleria ecife, com curadoria de oana 'rc ima marca um momento importante da minha trajetória por alguns aspectos, seja pela estruturação de uma metodologia de pesquisa criava idealizada em três atos inspirados na pesca de linha artesanal; ou pela maneira que o conjunto das técnicas e a troca de saberes tradicionais foi aqui reconhecida, apresentando um mergulho profundo nas poécas do comportamento de migração dos peixes navos e suas correspondências territoriais, que nesse caso trouxe a espécie de peixe amurim que realiza uma jornada de migração das águas salgadas de volta ao mangue para se reproduzir. esta imagem estão implicados elementos de uma relação afeva, histórica e territorial, içando consigo uma linhagem de caboclos em busca das raízesdomanguedabaciadoina.

as avidades mais significavas

brevemente: . mbarcar em uma jangada na praia do ina por horas para compreender mais sobre a pesca artesanal de linha em alto mar; .

sviscerar um peixe na galeria e parlhar dessa carne em uma refeição conjuntasemtalheres;.ebatercomo colevodearstas,agentesdeculturae polícas públicas sobre processos criavos nos cenários de disputa territorial acendidos pela gentrificação; .outroscontornosdahistóriadomeu avô laudio e bisavô eófilo nas encruzilhadas que constuem a história defortalecimentodapescaartesanalna olônia-doina.

a página anterior, embarcação na io apibaribe tendo à frente a rasília eimosa onde se localiza a olônia ina e ao lado embarcação do po jangada em alto mar à km da costa litorâneaquebanhaoterritóriodoina.

esta página, uma imagem do processo de captura fotográfica nas raízes do mangue na bacia do ina, io

apibaribe, onde a espécie de peixe amurim encontra as condições ideais p a r a r e p r o d u ç ã o , d a d a s a s possibilidades de esconderijo e ataque facilitadas pelo bioma do mangue, assim como caboclos, indígenas e negros escravizados encontraram na lha do ina um refúgio das condições devidasofridasnoortodoecife.

Quando a caixa da noite foi aberta [2024]

Fotografia de captura analógica 35mm p&b

Revelação própria

►120x180cm impressão tecido oxford Montagem em suportes de ferro

►46x70cm impressão em RagPhotographique 310g moldura imbuia

Esta obra foi laureada no Prêmio

Pernambuco de Fotografia 2023/2024

Esteve exposta durante a Festa de São

Pedro nas vias públicas da Brasília Teimosa. Também foi exposta na Feira de Arte ARTE-PE 2024 com Galeria Boi.

Barbatana raiada [2024]

Fotografia de captura analógica 35mm p&b

Revelação própria

120x180cm impressão tecido oxford

Montagem em suportes de ferro

Esta obra foi exposta durante a Festa de São Pedro nas vias públicas da Brasília Teimosa.

O salto [2024]

Fotografia de captura analógica 35mm p&b

Revelação própria

120x180cm impressão tecido oxford

Montagem em suportes de ferro

Esta obra foi exposta durante a Festa de São Pedro nas vias públicas da Brasília Teimosa.

Reinado das águas [2024]

Fotografia de captura analógica 35mm p&b

Revelação própria

120x180cm impressão tecido oxford

Montagem em suportes de ferro

Esta obra foi exposta durante a Festa de São Pedro nas vias públicas da Brasília Teimosa.

As transformações entre os seres são parte das constelações da noite e nessa camada de mistério as encantarias não disnguem peixe, pássaro, cobra ou gente, pois é no trânsito desses encontros que os reinos se erguem na tentava de encontrar meios de subsistência nessas terras.

Neste movimento de expansão de uma paisagem que não se resume, observo a importância da relação de parentesco entre os seres que habitam as praias de mar e as praias de rio, no justo encontro das camadas da terra e da água, na falta de delineamento de suas substâncias, nas transmutações que acontecem no devir da densidade obscura dessas relações.

Como um cardume de peixes voadores, transformando barbatanas em asas, planando entre os céus e os mares. Pirapora, que significa “o pulo do peixe” em Tupi, lembra aqui o salto no escuro daqueles que são apaixonados pela intensidade da luz.

pesquisa adadores do undo faz um cruzamento das prácas e vivências dos pescadores do ina com as cosmologias de povos tradicionais sobre as narravas de transformação do eixe-ente, transparecendo bem as relações entre humanos e peixes que geralmente são atribuídas não somente à criação do mundo, mas também ao comportamento de muitas espécies de

peixes e todos os saberes que envolvem a pesca.

ssim, a pesquisa narra a aparição deste encantado que surge com a lua nova, durante os festejos de ão edro, saindo das profundezas do seu reino para anunciar a fartura do pescado, visitando de porta em porta os pescadores desta colônia com boas novas.

as referências que conduzem e se manifestam nesse processo criavo é imprescindível considerar que essa pesquisa está atravessada por bases do conhecimento ecológico, no reconhecimento dos ecossistemas aquácos em pesca artesanal e o sendo decolonial de habitar as águas, sublinhando, sobretudo, as relações cosmológicas que organizam os fenômenos da natureza,

afirmando o sendo das experiências de ser no mundo em relação de parentesco.

primeira exposição desta pesquisa ocorre durante os festejos de ão edro na colônia de pescadores ina, de maneira inerante entre vias públicas, praias e águas da rasília eimosa em sua tradicional barqueata de ão edro.

crédito: Marina Domar

Graduação em Pedagogia [UFPE/CAA] [2013]

Mestrado em Artes Visuais linha de pesquisa Processos Criavos [PPGAV/UFPE][2020]

FEIRAS

E MOSTRAS DE ARTE

Exposição Coleva Biografemas [SESC Teresópoles, RJ] [2024]

ARTE-PE com a Galeria Boi e Christal Galeria [Recife, PE] [2024]

[Exposição Coleva Pôr Defesa - Galeria Amparo 60 [Recife, PE] [2024]

Exposição Coleva Me Aguente - Galeria Boi [Recife, PE] [2023]

ARTE-PE Feira de Arte Contemporânea stand Galeria MAUMAU [Recife, PE] [2023]

Exposição Coleva Da diversidade Vivemos - Arte Plural Galeria [Recife, PE] [2023]

Exposição Coleva Raio a Raio - MAM-Rio e Solar dos Abacaxis [Rio de Janeiro, RJ] [2022]

I Salão de Beleza - MAMAM [Recife, PE] [2022]

Exposição Coleva Isto é um roçar de mãos? - MAMAM [Recife, PE] [2022]

Exposição Atos Modernos Pinacoteca de São Paulo [São Paulo, SP] [2021-2022]

Vídeo arte Primeiras Contrações [Plataforma Prácas Desviantes] [Lei Aldir Blanc] [2021]

SP-FOTO 2020 [São Paulo, SP] [2020]

SP-ARTE 360 com o colevo Nacional Trovoa [São Paulo, SP][2020]

Exposição Coleva Escrever Resistências: Corpos e Territórios Dissidentes - Mostra FlutuantesFesval Aldeia do Velho Chico [Petrolina, PE] [2010]

Exposição Coleva ENTREMOVERES_ Nacional TROVOA - Museu da Abolição [Recife,PE][2019]

Performance Dark Show nº 13 - Colevo OCUPIRA [Recife, PE] [2019]

Coleva EIXO 2018 - Fábria Bhering [Santo Cristo, RJ] [2018]

Exposição Coleva Transivo JF Foto’17 – Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage [Funalfa] – Museu Mariano Procópio [Juiz de Fora, MG] [2017]

Projeção Revista OLD – Valongo Fesval Internacional da Imagem [Santos, SP] [2017]

Exposição Coleva Galeria AIREZ 2017 – Circuito de Galerias da Bienal de Curiba 2017 [Curiba, PA] [2017]

VIII UNICO – Salão Universitário de Arte Contemporânea do SESC – inerância: Sesc

Casa Amarela [Recife, PE] e Sesc Petrolina – Galeria Ana das Carrancas [Petrolina, PE] [2016/2017]

INDIVIDUAL

Exposição Nadadores do Mundo [ruas e praias Brasília Teimosa, Recife - PE] [2024]

PRÊMIOS

Prêmio Pernambuco de Fotografia [2023/2024]

RESIDÊNCIAS

Territórios Pina - Christal Galeria [Recife, PE] [2023]

SESC Confluências [PE] [2018-2019]

COMISSIONAMENTO DE OBRA

Solar dos Abacaxis e MAM-Rio para exposição Raio a Raio [Rio de Janeiro, RJ] [2022] Programa Atos Modernos Pinacoteca de São Paulo com Coleção Ivani e Jorge Yunes [20212022]

ACERVO PÚBLICO

Pinacoteca de São Paulo

CINEMA

Co-direção com Fito Araújo no documentário Bio CabocloQuem nasce estrela nunca para de brilhar [2022]

Direção de fotografia no filme Aracá Ficção. Direção Abiniel João Nascimento. [2021]

Assistente de fotografia no filme Paola Documentário experimental. Curta metragem. Direção Ziel Karapotó. [2021] Direção do filme experimental Primeiras Contrações [2021]

FALAS PÚBLICAS

Territórios de Memória e Sonho para Interlúdica [2025] Poécas do Fracasso: uma introdução [2024]

Prelúdios da Imagem entrevista com o curador Guilherme de Moraes para Propágulo [2023]

Live Pinacoteca de São Paulo - Atos Modernos - Bate papo com o curador Thierry Freitas [2022]

Seminário Fotografia e Arte Lano Americana [UNICAP] Curso Superior de Tecnologia em Fotografia e MBA Cultura Visual. Mesa redonda «Imagem, corpo e experiência» [2021]

Live Trovoa SP e Secretaria de Cultura de São Paulo Gênero e Sexualidade [2020]

Live projeto Espelhos Fotografia Expandida Fotografia como corpo sensível [2020]

Roda de conversa O que pode um corpo? Lançamento Revista Outros Crícos #13 [2019] Imagem, performance e feminismos. Curso de Rádio e TV Universidade Federal de Pernambuco [2019] II Roda de diálogos: Quem vê close, não vê corre. Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães [2019] Fotografia Contemporânea 7ª FotoVídeo.

Curso Superior de Tecnologia em Fotografia. UNICAP [2018]

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