NO PARQUE IBIRAPUERA ROBERTO PIVA
Nos gramados regulares do Parque Ibirapuera Um anjo da Solidão pousa indeciso sobre meus ombros
A noite traz a lua cheia
e teus poemas, Mário de Andrade, regam minha imaginação
r e t r a t o
Para além do parque teu em meu quarto sorri para a banalidade dos móveis Teus versos rebentam na noite como um potente batuque fermentado na rua Lopes Chaves
Por detrás Por detrás Por detrás de cada homem de cada sombra de cada pedra
O ventro traz-me o teu rosto Que novo pensamento, que sonho sai de tua fronte noturna?
É noite. E tudo é noite. É noite É noite É noite
nos pára-lamas dos carros nas pedras nos teus poemas, Mário!
exercitas
es
teu livro
estrelas
o
lagoa
anda agora a tua voz?
os músculos da tua alma, agora?
iluminados dividem a noite em dois pedaços palpo
onde as
se refletem
numa
escondido impossível
É impossível que não haja nenhum poema teu escondido e adormecido no fundo deste parque
fundo
Olho para os adolescentes que enchem o gramado de bicicletas e risos
Eu te imagino perguntando a eles? onde fica o pavilhão da Bahia? qual é o preço do amendoim?
A noite é interminável e os barcos de aluguel fundem-se no olhar tranquilo dos peixes Agora, Mário, enquanto os anjos adormecem devo seguir contigo de mãos dadas noite adiante
Não só o desespero estrangula nossa impaciência Também nossos passos embebem as noites de calafrios Não pares nunca meu querido capitão-loucura
Quero que a Pauliceia voe por cima das árvores suspensa em teu ritmo
ANA GABRIELA FRITZ LIVIA TOMASOVIC MILENE JACINTO VIRGINIA AIMEE