Skip to main content

Notícias do Mar n.º 470

Page 1


boot Düsseldorf 2026

Dimensão Internacional Reforçada e Consolidação dos Sinais de Estabilização no Setor Náutico

Vista geral dos pavilhões da boot Düsseldorf 2026, que reuniu cerca de 1.500 expositores de 68 países

A boot Düsseldorf decorreu entre 17 e 25 de janeiro de 2026 no recinto da Messe Düsseldorf, afirmando-se como a maior feira mundial dedicada à náutica de recreio e aos desportos aquáticos.

Aedição deste ano reuniu cerca de mil e quinhentos expositores provenientes de 68 países, distribuídos por 16 pavilhões, apresentando mais de 1.000 embarcações, equipamentos técnicos, acessórios, destinos turísticos e soluções associadas à economia marítima.

Ao longo dos nove dias do certame, a organização registou mais de 200.000 visitantes oriundos de mais de 110 países. Cerca de um quarto do público deslocou-se do estrangeiro, confirmando o reforço da internacionalização. A meio da semana, já tinham passado pelos pavilhões quase 99.000 visitantes, com presença de profissionais e interessados de quase 100 países. A taxa de satisfação divulgada pela organização atingiu valores próximos de 95%, com a maioria dos visitantes a indicar ter cumprido os objetivos da visita. Diversos expositores reportaram negociações concluídas nos stands e vendas realizadas durante o evento, incluindo embarcações comercializadas no local.

Marius Berlemann, Diretorgeral da Messe Düsseldorf, afirmou que a edição de 2026 decorreu num ambiente de recuperação após anos marcados por instabilidade nos

Texto e Fotografia João Carlos Reis
Pavilhão 16 dedicado à vela, um dos centros de maior afluência do certame

mercados e ajustamentos na produção. O responsável destacou o retomar de conversas comerciais estruturadas e a reativação de encomendas. Também Petros Michelidakis, diretor da boot Düsseldorf, sublinhou o caráter internacional da feira e o papel do evento enquanto ponto de encontro central da indústria.

A edição de 2026 evidenciou o peso crescente da articulação entre indústria, política europeia e investigação, através de plataformas como o Blue Innovation Dock, organizado em cooperação com a European Boating Industry (EBI). Sustentabilidade, inovação tecnológica, circularidade de materiais e competitividade industrial estiveram no centro da agenda.

Estreias mundiais e lançamentos estratégicos marcam edição de 2026

A vela voltou a ocupar posição central no Pavilhão 16, concentrando várias estreias mundiais e modelos finalistas do European Yacht of the Year (EYOTY).

Entre as estreias absolutas destacou-se o Hallberg-Rassy 370, com 11,32 metros de comprimento total, boca de 3,75 m, deslocamento de 8 toneladas e plano vélico de 79,6 m². Equipado com dupla roda de leme e quilha de chumbo, o modelo posiciona-se no segmento de cruzeiro oceânico.

A nova marca Pure Yachts apresentou o Pure 42, primeiro modelo de série em alumínio, com 13,80 m de comprimento, quilha hidráulica variável entre 1,20 m e 3,0 m e deslocamento de 9,8 toneladas. Nomeado para o EYOTY, o modelo integra guinchos elétricos, bow thruster e eletrónica de navegação de série.

No segmento daysailer, o Saffier SE 28 Leopard introduziu um novo casco, opções de

motorização diesel ou elétrica e diferentes configurações de quilha, com deslocamento de 2,2 toneladas.

Entre as estreias na Alemanha e finalistas EYOTY estiveram modelos como o Dufour 48, Beneteau Oceanis 52, Lagoon 38, CNB 62, Excess 13 e o Jeanneau Sun Odyssey 415.

A presença de 25 associações de classe reforçou o dinamismo do segmento da vela.

No setor das embarcações a motor, a edição de 2026 concentrou um número elevado de world premières. Entre elas:

• Axopar 38

• Saxdor 460 GTC

• Greenline 42

• Frauscher x Porsche 790 Spectre

• Astondoa 577 Coupe

• Lasai 32KS (propulsão solar-elétrica)

• Highfield ADV9

• Gran Turismo 50

• Maxim Yachts – novo projeto

• Pearl 73 (projeto)

• Navan T30

Visita de imprensa e a estreia mundial do Navan T30

No dia 16 de janeiro, durante o Press Walk oficial da boot Düsseldorf 2026, realizou-se a apresentação mundial do Navan T30, no Pavilhão 3. O Navan T30 distingue-se por um layout focado na ergonomia, com bordos elevados e cockpit modular, configurável para lazer, convívio social ou pesca. A modularidade do espaço permite adaptar o convés a diferentes utilizações, refletindo uma tendência de versatilidade no segmento dos 9 a 10 metros.

A apresentação integrou o programa oficial de imprensa da feira, que antecedeu a abertura ao público.

Dragonfly 36, European Yacht of the Year 2026
Saffier Yachts – uma das estreias mundiais apresentadas na edição de 2026

Portugal na boot 2026:

Primeira presença governamental integrada no protocolo oficial da feira

Aedição de 2026 da boot Düsseldorf ficou marcada por um momento inédito na relação entre Portugal e a maior feira mundial de náutica de recreio. Pela primeira vez, um membro do Governo português integrou formalmente o programa oficial do certame e o respetivo protocolo institucional.

O Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Professor

Salvador Malheiro, participou na cerimónia oficial de abertura, realizada na manhã de 17 de janeiro, ao lado de representantes institucionais europeus e responsáveis da organização da Messe Düsseldorf.

A presença portuguesa assumiu particular relevância por ter sido integrada na agenda oficial da feira, num contexto de diálogo estratégico sobre o futuro da indústria náutica

europeia.

Participação no Blue Innovation Dock Após a abertura oficial, o Secretário de Estado participou na sessão inaugural do Blue Innovation Dock (BID), plataforma organizada conjuntamente pela boot Düsseldorf e pela European Boating Industry (EBI), instalada no Pavilhão 10. O BID afirma-se como fórum dedicado à economia azul, à competitividade industrial e à sustentabilidade do setor.

A sessão de abertura contou com intervenções de Petros Michelidakis, diretor da boot Düsseldorf, e de Robert

Marx, presidente da EBI. Seguiu-se uma entrevista a Dave Foulkes, CEO da Brunswick Corporation, centrada na evolução estratégica da indústria náutica global, inovação tecnológica e tendências de mercado.

Às 11h45 decorreu o painel de alto nível intitulado “Reforçar a competitividade e a inovação na indústria náutica europeia”, que reuniu:

• Salvador Malheiro, Secretário de Estado das Pescas e do Mar de Portugal

• Dave Foulkes, CEO da Brunswick Corporation

• Bruno Thivoyon, Chairman do Grupo Beneteau

• Marie-Agnes Strack-Zimmermann, Deputada ao Parlamento Europeu

• Felix Leinemann, Chefe de Unidade da Direção-Geral dos Assuntos Marítimos da Comissão Europeia

O debate centrou-se na necessidade de reforçar a capacidade industrial europeia, estimular o investimento em inovação e assegurar um enquadramento regulatório estável que sustente a produção em série e a competitividade global dos estaleiros europeus. A presença no painel de responsáveis da Brunswick Corporation e do Grupo Beneteau, dois dos maiores grupos internacionais da náutica de recreio (ambos com unidades de produção em Portugal), acrescentou uma dimensão concreta ao debate, evidenciando a ligação entre as decisões estratégicas europeias e o tecido industrial instalado no país.

O Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, referiu a economia azul e a inovação tecnológica como prioridades estratégicas para Portugal.

A participação portuguesa ocorreu num momento em que o setor enfrenta desafios estruturais, incluindo custos energéticos, ajustamentos nas

Catamarã YOT do Catana Group exposto no certame, reforçando o segmento dos multicascos motorizados
Princess X80 entre as embarcações de maior dimensão em exposição

cadeias de abastecimento, pressão regulatória e exigências associadas à transição tecnológica. Neste contexto, a articulação entre indústria e decisores políticos assume relevância acrescida, não apenas para garantir estabilidade e previsibilidade ao investimento, mas também para consolidar e eventualmente expandir a capacidade produtiva já existente em países como Portugal, onde a construção naval de recreio integra cadeias de valor internacionais e contribui para o emprego qualificado e para

Sanlorenzo, presença consolidada no segmento dos grandes iates

as exportações.

Enquadramento institucional e contactos de alto nível

A agenda oficial incluiu ainda um almoço de trabalho no Kurt Schoop Lounge, reunindo os intervenientes institucionais e representantes da indústria, permitindo aprofundar discussões sobre prioridades políticas e estratégicas para o setor náutico europeu.

Durante a tarde, o Secretário de Estado realizou visitas institucionais aos stands

da Brunswick (Pavilhão 3) e do Grupo Beneteau (Pavilhão 16), respetivamente o maior grupo mundial e o maior grupo europeu da náutica de recreio. Ambos mantêm presença industrial relevante em Portugal e desempenham um papel estruturante no mercado europeu.

A partir das 15h00 iniciouse a visita aos stands portugueses presentes na feira, reforçando o contacto direto com empresas e entidades nacionais em processo de internacionalização.

A participação portuguesa

Participação Portuguesa:

no programa oficial da boot Düsseldorf 2026 evidenciou uma abordagem mais estruturada à internacionalização do setor marítimo e náutico nacional, posicionando Portugal num fórum europeu onde se discutem política industrial, sustentabilidade, inovação tecnológica e competitividade global.

Durante a visita, Salvador Malheiro sublinhou que esta presença teve como objetivo afirmar a relevância da náutica de recreio e dos desportos náuticos na ação governativa. Referiu que Portugal pretende reforçar o posicionamento do setor, abrangendo construtores, promotores, operadores de marinas e utilizadores, e assumiu como prioridades a simplificação de processos administrativos, a agilização de procedimentos e a atração de jovens para a atividade náutica. O governante destacou ainda a importância de participar num painel que reuniu decisores políticos europeus e representantes de alguns dos maiores construtores mundiais, considerando o momento relevante para reforçar o compromisso nacional com o desenvolvimento da náutica de recreio.

Aedição de 2026 contou com a presença de mais de duas dezenas de empresas portuguesas. A participação portuguesa na boot Düsseldorf 2026 traduziu-se numa representação alargada e transversal do setor náutico nacional, integrando associações, marinas, entidades de promoção turística, operadores de mergulho, a rede das estações náuticas, empresas de serviços e órgãos de comunicação social.

A participação resultou de iniciativas diversas, algumas coordenadas institucionalmente, outras desenvolvidas de forma autónoma, refletindo um

Sunseeker, um dos grupos internacionais em destaque na área dos Superiates

ecossistema nacional com estratégias próprias de internacionalização, mas convergente na promoção do mar como ativo económico e turístico.

Associações e Infraestruturas Náuticas

A Associação Portuguesa de Portos de Recreio (APPR) marcou presença no certame, contando com a participação da sua Presidente, Isolete Correia, que acompanhou a visita oficial do Secretário de Estado das Pescas e do Mar aos expositores portugueses.

No plano das infraestruturas portuárias de recreio, estiveram representadas diretamente:

• Marina de Sines

• Marina de Cascais

• Marina de Vilamoura

• Marina de Albufeira

• Marina de Portimão

A Marina de Cascais, presença regular na boot Düsseldorf ao longo dos últimos anos, voltou a apresentar-se como porto de referência na costa atlântica, destacando as condições para a prática da vela, o seu campo de regatas reconhecido internacionalmente e uma infraestrutura com 650 postos de amarração, complementada por uma oferta diversificada de serviços em terra.

A Marina de Sines participou pelo segundo ano consecutivo na feira, reforçando o seu posicionamento como ponto estratégico de escala entre Tróia e o Algarve. Com capacidade para 182 embarcações até 25 metros e infraestruturas técnicas de apoio, incluindo doca seca, meios de elevação e área abrigada de fundeadouro, apresentou-se como porto de apoio relevante nas rotas nacionais e internacionais ao longo da costa portuguesa.

Ambas ocuparam espaços expositivos de 9m², localizados lado a lado no recinto, permitindo uma apresentação

complementar da oferta portuária portuguesa.

A presença destas infraestruturas em Düsseldorf enquadra-se numa estratégia de captação de tráfego internacional, promoção de escalas técnicas e posicionamento na náutica de recreio e charters. Num contexto europeu competitivo, a visibilidade em feiras de grande dimensão constitui um instrumento relevante para reforçar ligações a operadores, armadores e redes de distribuição internacionais.

Turismo Náutico e Atividades

MarítimoTurísticas

O segmento do turismo náutico e do mergulho teve uma

presença portuguesa estruturada, com destaque para os Açores e Madeira.

A Associação VISIT AZORES AE liderou a promoção do arquipélago enquanto destino atlântico de mergulho oceânico, biodiversidade marinha e observação de grandes pelágicos. Integraram igualmente a representação açoriana vários operadores: Azores Sub, Azzurro – Dive Academy Lda., Haliotis – Actividades Marítimo-Turísticas, Peter Keeping, Scubazores Divers, Octopus Atividades Náuticas, MantaMaria e Pico Islands Adventures.

A Madeira esteve representada através da Manta Diving Madeira Lda., reforçando a oferta nacional de mergulho

em águas subtropicais.

No segmento das viagens especializadas, participou a Arlindo Serrão – Viagens e Turismo, agência dedicada ao turismo de mergulho e natureza, com foco em programas estruturados para mercados internacionais.

A empresa Silentwind, associada a soluções de energia eólica para embarcações, integrou também a presença portuguesa, representando o segmento tecnológico ligado à eficiência energética.

Redes, Clusters e Estações Náuticas

A dimensão estruturante da náutica portuguesa esteve igualmente presente através

Frauscher em exposição, integrando o conjunto de estreias no segmento premium
MP12 da Marcopolo Adventure Yachts, World Première 2026

de redes e plataformas colaborativas.

A Fórum Oceano, enquanto entidade gestora do cluster do mar, marcou presença, com foco na internacionalização da Rede das Estações Náuticas de Portugal.

A participação desta rede evidencia a consolidação do modelo das Estações Náuticas enquanto instrumento de desenvolvimento territorial associado ao turismo ativo e ao desporto náutico.

António José Correia sublinhou a dimensão da feira e o seu impacto internacio-

nal, referindo que a presença portuguesa teve como objetivo promover o território náutico nacional, abrangendo tanto águas costeiras como interiores. Destacou ainda o envolvimento das empresas parceiras das atuais 45 Estações Náuticas de Portugal, número que deverá atingir 60 até ao final do ano e apontou a plataforma Nautical Portugal como instrumento agregador da oferta nacional.

A estratégia de promoção territorial integrada esteve particularmente visível na participação da Associação Tu-

rismo do Algarve (ATA), que coordenou uma presença conjunta da Estação Náutica de Albufeira, Estação Náutica de Vilamoura e Estação Náutica de Portimão.

A ATA assumiu uma abordagem agregadora, promovendo o Algarve enquanto destino náutico estruturado, sob uma lógica de unidade de marca e comunicação regional. Esta opção visou reforçar escala promocional, coerência estratégica e eficiência na presença internacional.

A organização da participação conjunta portuguesa

sublinhou que esta foi a nona presença estruturada de Portugal na boot Düsseldorf, considerando a feira um momento central da náutica mundial. Foi destacada a evolução progressiva do posicionamento nacional no certame, referindo-se que, em 2026, foi possível reunir numa área conjunta uma diversidade territorial abrangente, incluindo regiões insulares, litoral continental e águas interiores. Segundo a organização, a boot representa não apenas um espaço de networking, mas também uma plataforma de negócio efetivo, onde contactos estabelecidos podem traduzir-se em atividade comercial ao longo do ano. Regista-se igualmente a presença da Divisão Náutica da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, sócia da European Boating Industry (EBI). A delegação portuguesa, liderada por Fernando Azevedo de Sá, Presidente da Divisão Náutica da ACAP, acompanhou a visita oficial do Secretário de Estado das Pescas e do Mar e participou em momentos de articulação institucional e empresarial, incluindo contactos setoriais e o International Breakfast Meeting promovido pela EBI.

Uma presença diversificada num contexto internacional

A presença nacional em Düsseldorf, integrada num universo de cerca de 1.500 expositores de 68 países, mostrou a diversidade de entidades portuguesas, da promoção turística às infraestruturas, do mergulho à energia aplicada à náutica, refletindo a amplitude do setor marítimo nacional.

A Cônsul de Portugal em Düsseldorf, Elisabete Palma, presente no certame, destacou a evolução da representação nacional, referindo tratar-se da sua segunda participação e sublinhando a crescente

Dave Foulkes (Brunswick Corporation) durante a celebração do 40.º Aniversário da Quicksilver
Intervenção de Salvador Malheiro, Secretário de Estado das Pescas e do Mar de Portugal, no Blue Innovation Dock

uniformidade e diversidade da presença portuguesa. Considerou que a integração do Secretário de Estado nesta edição constitui um sinal da consolidação da aposta nacional na economia azul, manifestando satisfação pelo reforço institucional do setor no contexto internacional.

Num contexto em que a competitividade europeia esteve em debate no Blue Innovation Dock e em que a feira registou forte participação internacional, a representação portuguesa apresentouse com expressão institucional, empresarial e territorial.

Blue Innovation Dock:

Economia azul, sustentabilidade e competitividade europeia

Instalado no Pavilhão 10, o blue innovation dock (BID) voltou a assumir-se na boot Düsseldorf 2026 como a principal plataforma europeia de debate estratégico sobre o futuro da indústria náutica e da economia marítima. Organizado conjuntamente pela boot Düsseldorf e pela European Boating Industry (EBI), o fórum reuniu decisores políticos europeus, líderes empresariais, investigadores, representantes de associações setoriais e operadores do mercado. Ao longo dos nove dias da feira, o BID acolheu painéis, entrevistas, keynotes e apresentações técnicas centradas em três eixos estruturantes: competitividade industrial, transição sustentável e inovação tecnológica.

Competitividade industrial e enquadramento político europeu O arranque do programa ficou marcado pelo painel de alto nível dedicado ao reforço da competitividade da indústria náutica europeia, integrando representantes da Brunswick

Visita do Secretário de Estado às Marinas de Cascais e de Sines
Visita ao stand do Grupo Beneteau
Bruno Thivoyon, Chairman do Grupo Beneteau, durante o painel sobre competitividade europeia

Corporation, Grupo Beneteau, Parlamento Europeu, Comissão Europeia e Governo português.

O debate abordou a necessidade de:

• garantir estabilidade regulatória;

• reforçar a produção em série na Europa;

• apoiar investimento em inovação;

• manter capacidade industrial face à concorrência global;

• assegurar condições favoráveis ao financiamento e à exportação.

Circularidade, materiais e reciclagem de compósitos

Um dos blocos temáticos mais consistentes do BID centrouse na transição para modelos circulares na construção naval de recreio.

Sucederam-se sessões dedicadas a reciclagem de compósitos, inovação em materiais, reaproveitamento de resíduos industriais, integração de princípios de economia circular na construção de embarcações.

O tema da circularidade surge num contexto em que o setor enfrenta crescente pressão regulatória europeia e necessidade de adaptação às metas climáticas e ambientais da União Europeia.

Digitalização, inteligência artificial

e colaboração intersetorial

Outro eixo central foi a integração de tecnologias digitais e inteligência artificial no setor náutico.

A sessão “Cross-industry collaboration: boating meets AI and digital technologies” abordou aplicações práticas de IA na gestão de marinas, manutenção preditiva, otimização energética e experiência do utilizador.

O diálogo intersetorial incluiu contributos de especialistas em mobilidade, engenharia e tecnologia aplicada, refletindo uma tendência de convergência entre náutica, automóvel e soluções digitais.

Sustentabilidade,

proteção marinha e envolvimento da comunidade

A sustentabilidade esteve igualmente presente através da campanha “love your ocean”, desenvolvida em cooperação com a Fundação Alemã do Mar, e do prémio internacional “ocean tribute” Award, atribuído este ano à organização espanhola One Ocean Planet Foundation.

EBI reafirma papel estratégico da náutica europeia com o BID e o International Breakfast 2026

A edição de 2026 confirmou o Blue Innovation Dock como espaço estruturado de articulação entre indústria, política europeia e investigação aplicada. Num contexto em que a náutica de recreio enfrenta desafios energéticos, ambientais e competitivos, o BID posicionou-se como fórum técnico e político relevante.

A apresentação do EBI Economic Index 2026, no âmbito do International Breakfast Meeting realizado a 20 de janeiro, forneceu dados atualizados sobre tendências económicas, clima de investimento e perspetivas de mercado. O índice constitui uma ferramenta de acompanhamento regular da evolução do setor europeu da náutica de recreio, agregando informação proveniente das instituições europeias e da indústria.

O International Breakfast Meeting reuniu CEO de estaleiros europeus e responsáveis industriais, incluindo representantes da Saxdor Yachts, Cantiere del Pardo e Bavaria Yachts, num debate sobre produção, escalabilidade e posicionamento estratégico num mercado global em transformação.

Stand da Associação Portuguesa de Portos de Recreio (APPR)

World Premières e inovação de produto:

As embarcações que marcaram a boot 2026

Aboot Düsseldorf 2026 voltou a afirmar-se como palco privilegiado para a apresentação de novas embarcações e projetos estratégicos da indústria náutica internacional. Ao longo dos 16 pavilhões, a edição deste ano concentrou um número expressivo de estreias mundiais e lançamentos europeus, abrangendo vela, motor, multicascos, embarcações elétricas e soluções híbridas, refletindo tendências técnicas e comerciais do setor.

No segmento da vela, o Pavilhão 16 reuniu alguns dos principais construtores europeus, com particular destaque para modelos nomeados ao European Yacht of the Year (EYOTY). Entre as estreias mundiais esteve o HallbergRassy 370, com 11,32 metros de comprimento total, boca de 3,75 metros, deslocamento de 8 toneladas e um plano vélico de 79,6 m². O modelo apresenta cockpit de popa com dupla roda de leme, quilha de

chumbo e baupré integrado, posicionando-se no cruzeiro oceânico de médio porte, com foco na autonomia e na facilidade de manobra.

A nova Pure Yachts escolheu Düsseldorf para lançar o Pure 42, primeiro modelo de série do estaleiro, construído em alumínio e equipado com quilha hidráulica de calado variável entre 1,20 e 3,0 metros. Com 13,80 metros de comprimento e deslocamento de 9,8 toneladas, o modelo integra

soluções orientadas para cruzeiro de longo curso e performance, incluindo guinchos elétricos, bow thruster, piloto automático e eletrónica de navegação. A nomeação para o EYOTY reforçou a visibilidade do projeto no certame.

No segmento daysailer, o Saffier SE 28 Leopard apresentou um novo casco e diferentes configurações de quilha, com deslocamento de 2,2 toneladas e área vélica a partir de 40 m². A possibilidade de motorização diesel ou elétrica e a configuração interior com até quatro camas revelam a tendência para embarcações compactas com utilização versátil.

Entre as estreias na Alemanha e modelos finalistas do EYOTY estiveram o Dufour 48, o Beneteau Oceanis 52, o Lagoon 38, o CNB 62, o Excess 13 e o Jeanneau Sun Odyssey 415. A presença simultânea destes modelos no mesmo certame reforçou o posicionamento da boot como ponto de referência para o acompanhamento das evoluções do mercado de cruzeiro, tanto em monocascos como em multicascos.

No setor das embarcações a motor, a edição de 2026 apresentou um conjunto alargado de world premières que abrangeram diferentes segmentos, dos day cruisers aos iates de maior dimensão. A Saxdor Yachts apresentou o Saxdor 460 GTC, consolidando a estratégia do estaleiro finlandês no segmento dos 40 a 50 pés. A Axopar revelou a nova Axopar 38, reforçando a sua presença no mercado de embarcações de casco rápido com design orientado para utilização mista, lazer e performance. A Greenline escolheu Düsseldorf para a es-

Stand da Associação Turismo do Algarve (ATA), destacando o Algarve como destino náutico estruturado
Momento de diálogo no stand dos Açores, no Pavilhão do Mergulho

treia mundial da Greenline 42, modelo associado à propulsão híbrida e eficiência energética, dando continuidade ao posicionamento da marca eslovena no segmento sustentável. O lançamento do Frauscher x Porsche 790 Spectre destacou-se pela colaboração entre a construção naval e a engenharia automóvel, integrando soluções elétricas de alto desempenho. Também a Lasai apresentou a 32KS, embarcação solar-elétrica que reforça a aposta em propulsão alternativa no segmento premium.

No universo dos grandes iates, a Astondoa revelou o 577 Coupe, enquanto a Pearl Yachts apresentou o projeto Pearl 73. A Highfield Boats lançou a ADV9, ampliando a oferta no segmento dos semirrígidos de maior dimensão. O Grupo Beneteau e a Brunswick Corporation estiveram igualmente entre os protagonistas do certame, com atualizações de gama, celebrações institucio-

nais, incluindo os 40 anos da Brunswick, e forte presença comercial.

No contexto das estreias, a Navan T30, apresentada durante o Press Walk de 16 de janeiro no Pavilhão 3, ilustrou a evolução do segmento das embarcações versáteis de médio porte. Com layout ergonómico, bordos elevados e cockpit modular adaptável a lazer, convívio ou pesca, o modelo enquadra-se numa tendência de flexibilidade funcional e otimização de espaço, procurando responder a utilizadores que valorizam polivalência numa embarcação de cerca de 9 a 10 metros.

A concentração de estreias mundiais na boot Düsseldorf 2026 evidenciou não apenas a retoma do ritmo de lançamentos após períodos de ajustamento no mercado, mas também a diversificação tecnológica em curso. Propulsão elétrica e híbrida, eficiência energética, modularidade de layout, integração digital e oti-

Portugal no espaço Destinations & Boat Life, promovendo o turismo náutico nacional

mização de materiais surgem como vetores comuns a vários projetos apresentados.

A apresentação de novos modelos confirmou Düsseldorf

como um dos principais palcos internacionais para decisões comerciais, posicionamento de marca e afirmação tecnológica no setor da náutica de recreio.

Mergulho, destinos e experiência do público:

A dimensão turística e ativa da boot 2026

Para além da vertente industrial e comercial, a boot Düsseldorf 2026 voltou a afirmar-se como plataforma internacional dedicada ao turismo náutico e aos desportos aquáticos, combinando exposição de produto com experiência direta do público. Os pavilhões 11 e 12 concentraram a área dedicada ao mergulho, reunindo fabricantes de equipamento, operadores turísticos, centros de formação e destinos internacionais.

O setor do mergulho apresentou uma oferta global que incluiu destinos do Mar Vermelho, Caraíbas, Sudeste Asiático, Mediterrâneo e Atlântico. Países como Egito, Indonésia, Filipinas e Turquia promoveram

programas estruturados de turismo subaquático, combinando cruzeiros de mergulho, centros certificados e propostas orientadas para biodiversidade e património submerso. Paralelamente, fabricantes internacionais de equipamento técnico e recreativo apresentaram novas soluções em fatos secos, sistemas de iluminação, computadores de mergulho e acessórios especializados.

O Dive Center manteve-se como um dos polos de maior afluência, integrando demonstrações técnicas, apresentações de produto e a entrega do Dive Award, distinção que já conquistou dimensão internacional. A torre de mergulho instalada no recinto voltou a funcionar como elemento de atração visual e prática, permi-

tindo experiências reais dentro da própria feira.

Neste contexto, Portugal apresentou-se com presença estruturada no segmento do mergulho e do turismo náutico. A Região Autónoma dos Açores, através da Associação Visit Azores, promoveu o arquipélago enquanto destino atlântico associado a águas profundas, biodiversidade marinha e contacto regular com grandes espécies pelágicas. Operadores como Azores Sub, Azzurro – Dive Academy, Haliotis, Octopus Atividades Náuticas, MantaMaria, Pico Islands Adventures e Scubazores Divers representaram diferentes ilhas e tipologias de operação, abrangendo mergulho recreativo, técnico e programas

orientados para observação de megafauna marinha.

A Madeira esteve representada pela Manta Diving Madeira, promovendo as características subtropicais das suas águas, zonas de mergulho costeiro e áreas marinhas protegidas. A presença portuguesa no segmento subaquático foi complementada pela Arlindo Serrão – Viagens e Turismo, agência especializada em programas de mergulho e natureza, reforçando a ligação entre destinos nacionais e mercados emissores internacionais.

Para além do mergulho, a boot voltou a apostar fortemente nas modalidades ativas. Nos diferentes pavilhões foi possível experimentar surf, paddle, canoagem e vela, num

ambiente controlado que recria condições de prática real. A iniciativa “boot for school” esgotou novamente, envolvendo alunos em atividades educativas na “Sala de Aula Marítima”, desenvolvida em cooperação com o Museu Aquazoo Löbbecke, combinando sensibilização ambiental e contacto prático com desportos aquáticos.

A campanha “love your ocean”, desenvolvida em cooperação com a Fundação Alemã do Mar, marcou presença com espaços informativos dedicados à proteção dos oceanos e iniciativas de sensibilização ambiental. O prémio internacional “ocean tribute” Award foi atribuído este ano à One Ocean Planet Foundation, de Espanha, reforçando a ligação entre atividade náutica e responsabilidade ambiental.

A boot Düsseldorf 2026 demonstrou, assim, uma dupla natureza, feira de negócios e plataforma experiencial. Enquanto nos pavilhões dedicados à construção naval se discutiam produção, inovação e competitividade, nas áreas de mergulho e turismo reforçava-se a dimensão emocional e ativa associada ao mar. Esta combinação contribui para explicar a elevada taxa de satisfação dos visitantes e a capacidade do evento em reunir profissionais, consumi-dores finais e praticantes de desportos aquáticos num mesmo espaço.

A dimensão turística estendeu-se ao espaço Destinations & Boat Life, onde operadores de charter, regiões costeiras e entidades de promoção apresentaram ofertas de férias a bordo, casas flutuantes, cruzeiros costeiros e navegação em águas interiores. Segundo a organização, muitos visitantes realizaram reservas diretamente no evento, sinalizando a importância da feira enquanto ponto de contacto entre procura e oferta.

Pavilhão do mergulho, tradicionalmente um dos mais concorridos da feira

Portugal esteve em destaque no programa: “Water Fun in Portugal by Nautical Portugal”

A dimensão turística e experiencial da boot 2026 contou também com participação portuguesa no programa da feira. A sessão “Water Fun in Portugal by Nautical Portugal”, integrada na programação da Destinations & Boat Life Bühne (Hall 13), apresentou Portugal como destino náutico estruturado, diverso e acessível durante todo o ano.

A apresentação esteve a cargo de Gonçalo Santos, Internationalization Coordinator da Fórum Oceano, que deu a conhecer o projeto Estações Náuticas de Portugal, uma rede nacional de 45 destinos certificados que articulam, num modelo integrado, portos, marinas, alojamento, gastronomia, operadores turísticos, atividades náuticas, natureza e cultura.

Com cerca de 1.800 km de costa, complementados por rios, estuários, lagoas e albufeiras distribuídos pelo território, Portugal reúne condições singulares de proximidade e diversidade geográfica. Esta combinação permite oferecer atividades náuticas ao longo de todo o ano, do surf e mergulho no oceano ao kayak, remo e turismo fluvial em águas interiores.

O conceito de Estação Náu-

ajustamento

Aboot Düsseldorf 2026 encerrou a 25 de janeiro com mais de 200.000 visitantes provenientes de mais de 110 países, registando um ligeiro aumento face à edição

tica assenta numa lógica de “one-stop destination”, garantindo coordenação local, padrões comuns de qualidade, segurança e sustentabilidade, e reduzindo a fragmentação da oferta. A sustentabilidade surge como eixo central do projeto, integrando gestão territorial, envolvimento comunitário e proteção dos ecossistemas, incluindo soluções como

e atividades na piscina indoor XXL do Hall 17

embarcações de propulsão solar em várias estações. Distribuídas de norte a sul, do Douro e do Minho ao Algarve, passando pelo Centro, Lisboa e Alentejo, as Estações Náuticas afirmam-se como plataformas abertas para turistas, operadores e parceiros internacionais, promovendo não apenas atividades náuticas, mas também enoturismo, gas-

tronomia, património e experiências culturais associadas à água.

A presença portuguesa no palco Destinations & Boat Life reforçou, assim, a vertente internacional e turística da boot 2026, enquadrando-se na forte procura por destinos náuticos sustentáveis e estruturados, evidenciada ao longo da feira.

anterior e reforçando o caráter internacional do evento. Cerca de um quarto do público deslocou-se do estrangeiro, incluindo visitantes de fora da Europa, o que constitui um in-

Conferências e apresentações diárias dedicadas ao setor da vela

dicador relevante para um setor fortemente orientado para exportação.

Ao longo dos nove dias, cerca de 1.500 fabricantes, comerciantes e destinos de

68 países ocuparam os 16 pavilhões do recinto da Messe Düsseldorf. A organização destacou uma taxa de satisfação próxima de 95%, com a maioria dos visitantes a indicar

Demonstrações

ter cumprido os objetivos definidos para a visita. Diversos expositores reportaram fecho de negócios nos stands e contactos comerciais qualificados, incluindo vendas concretizadas durante a feira.

O ambiente registado nos pavilhões foi descrito pela or-

ganização como um sinal de estabilização após anos marcados por oscilações na procura, constrangimentos nas cadeias de abastecimento e ajustamentos na produção. Representantes de estaleiros europeus referiram um retomar gradual da atividade

comercial, com reforço do interesse internacional e recuperação de encomendas em determinados segmentos.

A presença consolidada de grandes grupos industriais, como o Grupo Beneteau, Brunswick Corporation, Bavaria Yachts, Hanse Yachts, Saxdor Yachts, Ferretti Group, Azimut e Sunseeker, entre outros, evidenciou a importância estratégica da feira no calendário internacional do setor. A concentração de estreias mundiais, lançamentos de projetos e atualizações de gama reforçou o papel de Düsseldorf como plataforma de apresentação e decisão comercial.

A dimensão política e estratégica assumiu igualmente

relevo nesta edição. O Blue Innovation Dock, organizado em cooperação com a European Boating Industry (EBI), voltou a reunir representantes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e de governos nacionais, bem como CEO de grandes grupos internacionais. A discussão em torno da competitividade industrial, sustentabilidade, circularidade de materiais e digitalização enquadrou a náutica de recreio num debate mais amplo sobre economia azul e política industrial europeia.

Neste contexto, a participação oficial de Portugal, integrada no protocolo da feira e no programa do Blue Innovation Dock, assumiu significado institucional. A presença do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Professor Salvador Malheiro, na abertura oficial e num painel de alto nível dedicado à competitividade europeia sinalizou uma abordagem mais estruturada à internacionalização do setor marítimo nacional. Paralelamente, a representação de marinas, operadores turísticos, a rede das estações náuticas e entidades regionais de turismo reforçou a visibilidade do ecossistema português num dos principais palcos internacionais da náutica.

A edição de 2026 confirmou, assim, a boot Düsseldorf como ponto de convergência entre indústria, turismo, inovação tecnológica e política europeia. Num mercado que atravessa uma fase de ajustamento e redefinição de prioridades, a feira voltou a funcionar como indicador antecipado de tendências, espaço de negociação e plataforma de posicionamento estratégico.

A próxima edição está já agendada para 23 a 31 de janeiro de 2027, mantendo Düsseldorf como referência anual para a indústria global dos desportos náuticos e da náutica de recreio.

Canoagem para os mais novos e famílias
Gonçalo Santos durante a apresentação “Water Fun in Portugal by Nautical Portugal”
Atletas na Piscina XXL do Hall 17

Mais Bacalhau e Atum-rabilho

Bacalhoeiros portugueses

Este ano vamos ter mais bacalhau e atum-rabilho, menos peixe-espada preto e tamboril, as capturas são maioritariamente sustentáveis por Portugal, mas UE continua a permitir sobrepesca.

OGoverno admite impacto negativo no peixe-espada-preto e aponta acordos com França como forma de mitigar perdas para a frota de Sesimbra.

O ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, anunciou um acordo, alcançado em Bruxelas, para as quotas de pesca de 2026 que

permitirá a Portugal capturar “mais 800 toneladas de bacalhau, assim como um aumento de 747 toneladas na quota de atum-rabilho”. No entanto, para espécies como o lagostim, a pescada, o tamboril e o peixe-espada-preto haverá cortes na quota deste ano.

A falar no final de uma ma-

ratona negocial, José Manuel Fernandes afirmou que “o acordo alcançado após uma maratona de dois dias de negociações garante mais 800 toneladas de bacalhau e um reforço no atum-rabilho, mas admitiu também alguma frustração, uma vez que Portugal tinha uma enorme ambição para outras espécies”

No entanto, considera que “o resultado global é positivo”, afirmou o ministro, salientando que, apesar dos cortes, “as possibilidades de pesca são superiores às capturas que tivemos até agora”, o que, disse, permite “previsibilidade e estabilidade” para o setor.

Bacalhau
O ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes

José Manuel Fernandes frisou ainda que os números agora conhecidos não são definitivos, uma vez que “as negociações com a Noruega, que abrangem o bacalhau e outras espécies, ainda estão a decorrer”, aplicando-se, por exemplo, à quota de bacalhau, que ainda poderá aumentar.

Peixe-espadapreto

Entre as espécies mais penalizadas, o peixe-espada-preto foi apontado pelo secretário de Estado como um dos casos “mais problemáticos”. Salvador Malheiro detalhou que a proposta inicial previa um corte de 55%, associado ao acordo entre a União Europeia e o Reino Unido e às restrições à pesca de arrasto. O secretário de Estado salientou que o Governo iniciou de imediato contactos com a Comissão

Europeia e com França, para atenuar as perdas, que terão um impacto, segundo admitiu, em Sesimbra.

De acordo com o Executivo, as negociações iniciais com

Paris e com Bruxelas permitiram assegurar, desde já, uma transferência de “150 toneladas de peixe-espada-preto de França para Portugal”. Mas, segundo o secretário de

Estado, “mais importante do que isso, há um compromisso entre os dois países de que, ao longo do ano, esse reforço pode acontecer por várias vezes”

Pesca em cerco do atum
Atum-rabilho
Atum-rabilho nos Azores pescado à linha
Seca de bacalhau em Viana do Castelo
Bacalhau escalado

Peixe-espada preto

Salvador Malheiro reconheceu que esta espécie é decisiva para o porto de Sesimbra, garantindo que o Governo vai continuar a procurar minimizar o impacto dos cortes. “Para Sesimbra vamos ter de continuar a fazer este trabalho, mas temos essa boa notícia de já termos assegurado

150 toneladas e vamos, com certeza, assegurar muitas mais”, afirmou.

Tamboril

Quanto ao tamboril, espécie para a qual a proposta inicial previa um corte de 2%, Portugal ficou com uma redução de 1%. Salvador Malheiro afir-

mou que, “existem boas expectativas de vir a receber quota adicional de Espanha, através de trocas de quotas. Temos essa expectativa de podermos ter, por parte de Espanha, a cedência de tamboril, em condições extremamente favoráveis para nós”, afirmou, admitindo que essas trocas poderão envolver espécies cuja quota portuguesa é superior às necessidades de captura.

José Manuel Fernandes confirmou que Portugal já iniciou contactos com Espanha neste domínio e recordou que o país pode recorrer aos mecanismos de flexibilidade previstos na legislação europeia, incluindo a transposição de quotas não utilizadas de um ano para o seguinte. “Os swaps estão sempre disponíveis”, afirmou o ministro.

Entre as restantes espécies, o acordo permitiu reduzir o corte inicialmente proposto para o linguado, que passou

de 28% para 9%, permitindo uma quota de 307 toneladas, acima das capturas registadas em 2024. No goraz, o Governo vai eliminar em 2026 o corte previsto de 3%, utilizando o mecanismo de flexibilidade interanual, na sequência de um aumento de quota de 12%, já fixado para 2027. Questionado sobre se o acordo agrada mais a ambientalistas ou a pescadores, Salvador Malheiro afirmou que “de nada vale termos um mar completamente protegido, com recursos fantásticos, se depois tivermos um setor fundamental da nossa atividade económica sem poder funcionar”, acrescentando que tanto os pescadores como os defensores do ambiente têm vindo a reconhecer a necessidade de equilíbrio. “Procuramos defender os pescadores sem descurar algo que é fundamental, a conservação da biodiversidade e dos recursos marinhos”, frisou ainda.

Pesca do atum de vara
A proposta inicial previa um corte de 55%
Quanto ao tamboril, ficou com uma redução de 1%
Barco de pesca do peixe-espada preto

Notícias

Estudo Internacional Aponta como IA Pode Reforçar a Proteção dos Oceanos

Ecossistema marinho

Estudo internacional apresenta guia prático sobre como a IA pode reforçar a proteção dos oceanos. Notícias

Um estudo internacional em que participa Catarina Silva, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), apresenta, pela primeira vez, um guia prático para garantir que a inteligência artificial (IA) aplicada aos ecossistemas marinhos, desde câmaras instaladas em embarcações de pesca até modelos que preveem a saúde do oceano – seja clara, segura e válida.

A investigação, coordenada pelo centro AZTI – Marine and Food Research, publicada na revista Fish and Fisheries, defende que a IA não deve substituir, mas sim

reforçar, a aptidão humana de tomar decisões informadas sobre o oceano.

Os investigadores propõem um enquadramento baseado em três pilares para tornar a IA marinha fiável, ética e cientificamente robusta, num contexto em que a sua adoção cresce rapidamente, mas a regulação permanece fragmentada a nível global.

«Estamos a assistir a um aumento massivo na utilização de algoritmos de IA que processam os vastos fluxos de dados marinhos - desde câmaras e sonares, a observações por satélite –mas estes algoritmos muitas vezes não correspondem às expectativas», explica José A. Fernandes, especialista em IA do AZTI e autor principal do estudo, acrescentando que «a questão-chave é: quanta confiança podemos depositar nos algoritmos de IA? Dado que a IA já é uma realidade para o setor das pescas e da investigação marinha, só será útil se for fiável. O nosso trabalho estabelece como garantir essa confiança, combinando ciência, ética e envolvimento do setor»

O estudo alerta para riscos associados ao uso de IA, como erros causados por dados enviesados, falta de validação ou ausência de transparência,

Fundo de algas
A IA reforça e não substitui a nossa capacidade de tomar decisões informadas sobre o mar
Um Polvo

que podem comprometer decisões com impacto nos ecossistemas marinhos, comunidades piscatórias e políticas públicas.

O primeiro pilar do enquadramento aborda a viabilidade socioeconómica e legal, defendendo uma IA acessível a todo o setor marinho,

alinhada com a regulamentação europeia e desenvolvida com a participação direta das partes interessadas. O segundo pilar foca-se na governação ética dos dados, recomendando a aplicação dos princípios FAIR, CARE e TRUST para garantir qualidade, rastreabilidade, res-

peito pelas comunidades e preservação a longo prazo.

«Quando a IA é utilizada para orientar decisões que afetam ecossistemas marinhos e meios de subsistência, a acessibilidade, a transparência e a validação são essenciais», afirma Catarina Silva, coautora e investigadora do CFE/FCTUC.

«O nosso enquadramento fornece orientações práticas para garantir que a IA reforça a evidência científica e a confiança em todo o setor marinho»

O terceiro pilar centra-se na robustez técnica e na validação científica, defendendo

que os modelos de IA devem ser testados em condições reais, com dados independentes e comparações com medições no terreno, assegurando resultados fiáveis e úteis para a gestão.

O enquadramento traz benefícios para a investigação, para a gestão das pescas e para a sociedade, ao reforçar sistemas de apoio à decisão, promover a sustentabilidade, combater a pesca ilegal e apoiar uma economia azul responsável. Em Portugal, o guia pode apoiar a digitalização da economia azul, alinhando a inovação nacional com padrões internacionais de ‘IA de Confiança’.

«Regular a IA será um dos grandes desafios de governação da nossa vida», afirma Julian Lilkendey, biólogo das pescas no Leibniz Centre for Tropical Marine Research (ZMT), Alemanha, e autor sénior do estudo. «No oceano, onde dados e decisões moldam ecossistemas e sociedades, a IA deve servir como ponte entre o julgamento humano e a precisão das máquinas. Só alinhando governação ética, validação científica e inclusão social poderemos garantir que a IA reforça –e não substitui – a nossa capacidade de tomar decisões informadas sobre o mar»

Um Safio
Fundo de algas

Projeto “PortLab LXSET”

Portos de Lisboa e Setúbal Lançam um Laboratório de Inovação e Conhecimento

Os Portos de Lisboa e Setúbal lançam um laboratório de inovação e conhecimento, o Projeto “PortLab LXSET” que visa reforçar a formação e a colaboração entre toda a comunidade portuária.

Os Portos de Lisboa e Setúbal acabam de lançar o “PortLab LXSET”, um novo projeto estratégico que se afirma como um laboratório de inovação e conhecimento aplicado ao setor portuário e logístico,

enquadrado no projeto de âmbito nacional “Port Academy” e nos objetivos da estratégia Portos 5+.

O “PortLab LXSET” nasce como um ponto de encontro regular da comunidade portuária, com o objetivo de ligar,

Porto de Lisboa
Terminal de Contentores de Alcântara

ouvir e cocriar projetos comuns nas áreas da inovação, da sustentabilidade, da melhoria da eficiência operacional, das atividades logísticas e da ligação Porto-Cidade.

O projeto está aberto à participação das comunidades portuárias dos Portos de Lisboa e Setúbal, bem como de outros portos nacionais e de países de língua portuguesa, administrações portuárias, entidades ligadas ao setor, universidades, municípios, empresas e indústrias associadas à atividade portuária.

O “PortLab LXSET” estrutura-se em três eixos fundamentais:

- Formação contínua, dirigida a profissionais do setor portuário e logístico;

- Inovação e partilha de soluções, orientadas para os desafios atuais e futuros da atividade portuária;

- Estratégia, promovendo o debate e a reflexão alinhados com as transformações globais da logística, da mobilidade e da transição energética.

Assumindo-se como uma plataforma dinâmica de ino-

vação, formação e reflexão estratégica.

Este laboratório promove a colaboração entre entidades públicas, privadas e académicas, com o objetivo de reforçar a competitividade, a sustentabilidade e a modernização dos portos portugueses, posicionando os Portos de Lisboa e Setúbal como referências a nível europeu.

Assente nos princípios da inovação, colaboração, sustentabilidade, rigor e agilidade, o “PortLab LXSET” pretende

Porto de Setúbal
Porto de LIsboa
Terminal de Cruzeiros de Lisboa

Estratégia,

estimular a adoção de soluções disruptivas, fomentar a partilha de conhecimento e promover o alinhamento com as principais tendências globais do setor marítimo-portuário e logístico, nomeadamente a digitalização, a transição energética, a intermodalidade e a modernização das infraestruturas.

Este novo projeto traduz o compromisso dos Portos de Lisboa e Setúbal com uma visão de futuro partilhada, integrada e colaborativa, reforçando o papel do sistema portuário nacional como motor de desenvolvimento económico, inovação e sustentabilidade, em plena consonância com os eixos estratégicos do Portos 5+.

Porto de Setúbal
promover o debate e a reflexão alinhados com as transformações globais da logística
Promover a colaboração entre as várias entidades
Terminal do Porto de Setúbal

Pesca

Pesca Lúdica Embarcada

O Tempo Está a Mudar para o Nosso Robalo - Cap I

É minha opinião que para pescar robalos com sucesso é essencial conhecer e compreender em detalhe o seu comportamento alimentar.

Pescamo-lo pela boca, por aquilo que ele quer comer, logo saber sobre a sua alimentação é fundamental.

A dificuldade de conseguir ferrar um utilizando isco vivo é nula, afinal isso é aquilo que o peixe procura todos os dias, aquilo que lhe serve de alimento a cada instante.

Mas para quem pesca com artificiais e tem de ser capaz de reproduzir com um objecto

Este robalo lançou-se sobre um pequeno carapau que mordeu o jig. Não é perceptível na imagem, mas aqui ainda está no flanco direito do peixe, tendo caído a seguir

de plástico, vinil ou chumbo aquilo que o robalo encontra na natureza, crescem as dificuldades.

Mais ainda porque aquilo que queremos ter na ponta da nossa linha é um robalo adulto, forte, e... astuto.

No nosso país não nos podemos queixar da inclemência do tempo. Temos um clima temperado e isso faz com que o ciclo de crescimento do peixe seja relativamente rápi-

do.

Bem pior estarão os países nórdicos onde, não obstante o aquecimento global dar uma ajuda, ainda assim as temperaturas permanentemente baixas oferecem ao robalo condições de crescimento lentas. Para as costas norte de Inglaterra, por exemplo, estima-se que um robalo de 4,5 kgs tenha cerca de 20 anos de idade.

Em Portugal, e dependendo

da latitude em que seja pescado, esse mesmo peixe de 4,5 kgs terá entre 8 e 12 anos de idade. Aos 20 anos, um robalo nascido e criado nas nossas águas terá cerca de 11 kgs de peso.

Todos estes números podem variar, dependendo das condições de alimentação do peixe. Sabemos que no Algarve, de águas mais quentes, a taxa de crescimento é superior à do norte do nosso país.

Texto e Fotografia Vitor Ganchinho (Pescador conservacionista) https://peixepelobeicinho.blogspot.com

Robalo pescado com jig pelo meu amigo Carlos Campos, a quem mando daqui um abraço!

Todos procuramos robalos grandes!

Sendo um peixe que é conhecido pelo seu vigor, pela sua capacidade de nadar em águas muito revoltas, por ser capaz de cavalgar a ressaca e a espuma das ondas, ainda assim também podemos encontrá-lo em baixios e águas tranquilas. Logo, o sítio em si não define se vai haver ou não robalos.

Diria mais: é mais frequente que seja encontrado em locais rasos e estuários tranquilos. E se possível, perto da costa.

Porquê? Porque um predador tem antes de mais de seguir as suas presas e se estas procuram escapar-lhe nadando em poucos palmos de água, eles....

Os baixios, território de muito peixe miúdo, mas também de caranguejos, camarões, chocos, etc, são um local de peregrinação de robalos. E

por vezes de grandes robalos.

Podemos, se tivermos paciência e discrição, vê-los a fazer uma aproximação a uma vitima.

Aparecem-lhe com as barbatanas fechadas, tentando diminuir a silhueta, fazer-se discretos, e no último instante atacam velozmente, colocando tudo o que é o seu armamento bélico para fora.

Abrem as barbatanas para conseguir maior mobilidade, para travar e / ou mudar de direcção, os olhos focam naquilo que está à sua frente, e nesse momento nada mais conta: é tudo por uma presa.

Peixes grandes são sempre peixes velhos e cautelosos, sabedores, fartos de passar por situações de aperto.

Podemos enganá-los, mas se em águas baixas isso implica uma aproximação furtiva, uma abordagem cautelosa. Pode acontecer, mas o

mais comum é que um peixe de bom tamanho reaja negativamente à apresentação de uma amostra grande e pesada. O mais natural é que se afaste, assustado.

Quando muito próximos da costa, durante o dia, eles procuram entre as algas e vegetação submersa sobretudo pequenas presas, leves, discretas, e por isso, tudo o que sai do padrão causa medo, desconfiança.

Nestes casos, uma amostra pequena, menos de 8cm, leve, a não exceder os 7 a 10 gramas, sem pala, lançada não para cima mas sim nas proximidades do peixe, pode fazer a função.

Embora não seja incomum que se vejam em grandes cardumes em zonas profundas, e eu já os vi debaixo de água às centenas, quando os robalos caçam baixo, e se tiverem essa possibilidade, preferem fazê-lo a sós.

Penso mesmo que têm uma certa territorialidade, respeitam e fazem respeitar o seu território.

A sua atitude perante outros “concorrentes” é a de abrir as barbatanas, fazeremse maiores, mostrarem tamanho, numa demonstração de ameaça característica. Há um espaço que é seu. Em zonas intertidiais, o território entre marés, se estiverem numa área de mar descansada, alimentam-se em pouco mais de um palmo de água, sobretudo na entrada da maré cheia.

Irão sair uma hora após a maré alta, no início da vazante, quando a água começa a escapar-lhes debaixo do corpo. A saída de água é um sinal para o robalo de que nessa maré o que podia ser feito ...já foi feito.

Terminamos no próximo artigo.

Reparem no jig dentro da boca do robalo

Pesca Lúdica Embarcada

Robalo - Temperatura da Água e Alimentação - Cap II

Para quem pesca apeado, alguns desafios se levantam, mas nem tudo é negativo.

Em determinados momentos do ano, do mês e do dia, os robalos estão “colados” à praia, e se houver ondas e ressaca, eles estarão na rebentação.

Nessas circunstâncias, pescar de terra acaba por ser uma vantagem, assim se saiba tirar partido do facto de não estar numa embarcação a qual, forçosamente, irá emitir ruídos no meio aquático.

Ser sigiloso, discreto, é um dom e uma característica comum a todos os grandes pescadores.

Em zonas baixas, o pescador actua por aproximação, furtivamente, e tenta maximizar as suas capturas, mas aquilo que de melhor pode es-

perar no caso de robalos grandes são uma a duas capturas, não mais.

Eles aprendem muito depressa que há algo errado naquele presumido “peixe” que afinal é feito em plástico. Pior se temos águas limpas, com muita visibilidade.

Quanto mais “informação” eles têm, pior para nós.

A seguir há que sair e procurar outro lugar, umas dezenas ou mesmo centenas de metros mais à frente, onde se possa repetir a pesca.

Os pequenos exemplares de robalo podem ser encontrados perto da costa e são um pouco mais permissivos, por menos experientes, mas esses não são os robalos tro-

féu que tanto ansiamos.

Os grandes, os que brilham nas nossas fotos de telemóvel, aparecem junto à costa aquando dos preparativos para a desova, a ocorrer nos meses de Novembro e Dezembro, em locais de areão grosso ou recantos na pedra com areia no fundo, onde fazem covas e depositam os ovos.

Poucos peixes guardam a reprodução para Janeiro já que as temperaturas nessa altura do ano são muito baixas e convidam a descer na coluna de água, até às reconfortantes termoclinas da centena de metros de fundo.

Irão voltar na primavera, em Março / Abril, mais magros, quando os raios de sol come-

çarem a aquecer a primeira capa de água junto à costa.

A temperatura da água do mar é sem dúvida um dos principais factores a afetar a migração sazonal do robalo.

Também influencia a quantidade e qualidade de alimentação do nosso predador.

Os robalos pequenos tendem a comer camarões, lagostins e minhocas-da-areia, iscos miúdos, enquanto os robalos maiores se concentram principalmente em caranguejos, lulas, chocos e diversas espécies de peixes. Todos já os pescámos com carapaus, cavalas, sardinhas, apara lápis, galeotas, etc.

O conteúdo estomacal dos robalos maiores, para além

Texto e Fotografia Vitor Ganchinho (Pescador conservacionista) https://peixepelobeicinho.blogspot.com dos peixes acima referidos, é predominantemente composto por caranguejos costeiros, os ditos caranguejos verdes dos sapais, (no caso de serem robalos encostados a desembocaduras de rios e ribeiros) e, menos frequentemente, caranguejo pilado.

Estes últimos são uma dádiva do céu não só para robalos mas também para muitas outras espécies, porém não estão disponíveis em permanência, não são algo acessível todos os dias, aparecem na coluna de água.

Quando surgem, são cobiçados e perseguidos até não caber mais nada no estômago.

Não deixa de ser curioso que se encontrem poucas tainhas no estômago dos robalos, quando é uma das espécies mais comuns na nossa costa. Aparecem sim em exemplares de grande tamanho, e aí as

tainhas podem ter dimensões consideráveis.

Um robalo de 10 kgs engole viva uma tainha de 1 kg de peso, sem dificuldade. Vão vê-los a fazer isso nas noites de verão, na muralha do Clube Naval Setubalense, onde se juntam milhares de tainhas e ...alguns robalos. Desses, dos grandes....

Mas o comum é que se encontrem no estômago peixes longos e finos: as galeotas, os peixes-agulha, e até minúsculos safios.

Outro alimento muito apreciado são...as pulgas-do-mar. Os jovens robalos ficam loucos com elas, dão-lhes primazia. Se houver uma grande proliferação de pulgas na água, o robalo juvenil irá alimentar-se exclusivamente delas.

Larvas geradas em montes de algas em decomposição também lhes servem, e por isso a sua atenção a tudo o

que pode ser alcançado perto da linha superior da maré alta. O peixe segue a linha de maré até onde pode.

Não perdemos por, ao invés de chegar à costa e começar a pescar de imediato, tentar dedicar alguns minutos a tentar entender o que é nesse dia a presa preferida do robalo.

Debaixo das algas pode haver tiagem, pulgas-do-mar, muitos camarões e até caranguejos.

Um pontapé num tufo de algas pode ser importante. Toda a informação é útil, mesmo a que nos parece à primeira vista ...inútil...

Observar as águas rasas para ver se os robalos estão a alimentar-se, ajuda.

De qualquer forma, e quando pescamos apeados, caminhando sobre a areia da praia, devemos mover-nos com cuidado, pois eles podem estar

lá, por vezes muito mais perto da costa do que se imagina.

Um robalo pode estar a menos de um palmo de água....

Já quanto à sua vontade de morder, deixo-vos esta minha observação: quando temos frentes frias a passar na nossa zona de pesca, é natural que mais de metade dos peixes não esteja activa.

Isso reduz de alguma forma as nossas probabilidades de conseguirmos picadas, mas faz parte do jogo.

O que nos leva a um dado curioso: é verdade que nem todos os peixes se alimentam ao mesmo tempo, mas existe um relógio biológico que cria uma tendência, um padrão de actividade. Eu chamo a isso um ciclo de alimentação.

E nas nossas águas noto-o claramente a partir da terceira hora de enchente, até uma hora após o estofo da maré cheia. Nesse período tenho a

maior e melhor quantidade de contactos com o peixe. Ainda assim falamos de um espaço temporal de quatro horas, o que é bastante tempo.

Se não temos um intervalo de tempo mais curto, isso deve-se, na minha óptica, a que alguns peixes estão saciados “no momento”, outros estão a “meio-gás”, e outros a zero, o que leva a uma dis-

persão de contactos ao longo das horas.

Os peixes, na verdade, respondem a impulsos naturais, instintos primitivos, à fome! Se já comeram...está resolvido, mas quando ainda cabe algo mais, a busca continua.

Dificilmente poderia ser de outra forma: enquanto alguns peixes podem estar digerindo uma refeição completa, ou-

tros não tiveram sorte na sua prospecção de maré e ainda estão no ponto zero.

Há um desequilíbrio evidente. Muitos dos robalos que capturamos nada têm dentro.

Mesmo peixes com o estômago bem “forrado”, e dado o surgimento de uma oportunidade irresistível, não desdenham comer algo mais.

Quantos robalos ou pargos já pesquei nestas condições, de estômago e boca cheia?!...

Estômagos cheios não significam ausência de actividade, mas sejamos francos, é muito mais natural termos uma picada de um peixe faminto, ávido de comida, que o contrário.

Pescamo-los, na maior parte dos casos, ...pela fome.

Notícias Nautel

sMRT, Soluções de Sobrevivência Confiáveis

A Nautel apresenta as soluções de segurança desenvolvidas pela sMRT, rádiobalizas em unidades portáteis e fixas, os coletes salva-vidas SOLAS e para completar a nova App para gerir os seus dispositivos de salvamentos.

Nascida da adversidade, a sMRT fabrica e fornece dispositivos de localização de sobreviventes marítimos a marinheiros e tripulações de todo o mundo há 40 anos. Com uma tradição na área marítima comercial, o lema da sMRT sempre foi colocar o salvamento da pessoa que

caia a água em primeiro lugar em todas as suas decisões.

A sMRT orgulha-se de conceber, desenvolver e fabricar uma vasta gama de PLBs revolucionárias e soluções de segurança, para situações de homem ao mar, tanto para a indústria offshore como para aplicações recreativas.

As aplicações mais diretas encontram-se nos mercados das plataformas Eólicas offshore, energias “Oil&Gas” (ATEX) embarcações comerciais e de recreio, aquacultura e aeronáutica ligeira.

Rádiobalizas

A gama de rádiobalizas de socorro sMRT combina tecnolo-

gias reconhecidas pela indústria, incluindo 121,5 MHz, VHF DSC e AIS, para uma solução de alerta e localização rápida em caso de homem ao mar (MOB).

Disponível em unidades portáteis ou fixas, a gama de estações base sMRT inclui equipamentos de receção de 121,5 MHz, VHF DSC e AIS para permitir alertar, seguir e resgatar rapidamente alguma tripulação em caso de homem ao mar.

As unidades portáteis, com ativação manual e automática por água, após imersão durante 2 segundos, aumenta a velocidade e a eficiência da recuperação dos homens ao mar.

Unidades robustas e compactas que integram perfeitamente as tecnologias DSC de 406 MHz, AIS e VHF, garan-

unidades portáteis rádiobalizas, sMRT V300 e sMRT Shield+

tindo capacidades de alerta e seguimento abrangentes.

As unidades fixas monitorizam continuamente a frequência de socorro de 121,5 MHz, acionando instantaneamente um alarme sonoro potente quando deteta uma ocorrência de Homem ao Mar (MOB). Com um ecrã tátil digital intui-

tivo, permite uma operação simplificada e um rastreio em tempo real em situações de emergência.

A bússola integrada fornece dados de localização precisos, auxiliando a navegação até múltiplas vítimas para um resgate eficiente.

Coletes

Salva-vidas

A gama de coletes salva-vidas SOLAS da sMRT foi especificamente concebida para ser integrada com as rádiobalizas da sMRT, proporcionando uma solução completa de segurança em caso de queda ao mar.

Os coletes salva-vidas da sMRT com PLB integrado são de fácil utilização, ativam-se automaticamente e monitorizam a segurança da sua tripulação 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Os coletes são fabricados com a máxima qualidade e aprovados segundo as normas SOLAS 2010. Foram concebidos para uma utilização constante, com uma única fivela de fecho frontal e ajuste lateral. O design em forma de jugo permite um ajuste discreto e a cobertura reforçada em PVC garante uma baixa necessidade de manutenção.

Aplicação sMRT

Para complementar tudo isto a sMRT desenvolveu uma App para gestão das radiobalizas,

e que permite aos utilizadores testar, verificar e fazer a manutenção dos seus dispositivos, garantindo que estão prontos quando mais necessários.

Além das funcionalidades essenciais, como a verificação do nível da bateria, o histórico de testes e o emparelhamento do MMSI da embarcação, a aplicação móvel sMRT oferece uma série de outras funcionalidades.

Colete salva-vidas sMRT

Notícias da EMEPC

Cientistas Portugueses Batizam Monte Submarino GLÓRIA

Cientistas portugueses batizam monte submarino GLÓRIA, após expedição pioneira a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), com a colaboração do Instituto Hidrográfico (IH). Notícias

AEstrutura de Missão para a Extensão da Plataforma

Continental (EMEPC), com a colaboração do Instituto Hidrográfico (IH), apresentou a

designação “Monte Submarino GLORIA” para a elevação submarina visitada em

2021 durante a campanha iMirabilis, a bordo do navio RV Sarmiento de Gamboa. O processo de nomeação, iniciado em 2023, foi aprovado pela GEBCO - Subcomité de Nomes do Relevo Submarino em 2024 e concluído em 2025 com a incorporação do nome nas bases de dados internacionais.

Localizado no extremo norte da formação submarina Azores–Biscay Rise, o Monte Submarino GLORIA apresenta uma forma alongada na direção Este–Oeste, estendendo-se entre os 2000 metros (topo) e 3100 metros (base) de profundidade. Em 2021, a EMEPC explorou o flanco sul do monte com o veículo de operação remota -ROV Luso-,

Monte Gloria valorizado pela sua raiz latina
Monte Gloria estendendo-se entre os 2000 metros (topo) e 3100 metros

entre os 2450 e 2700 metros de profundidade, recolhendo imagens em alta-definição, parâmetros físicos da água e amostras geológicas e biológicas. Estes dados deram origem a uma publicação científica que abriu caminho para novas investigações sobre a geologia e biodiversidade deste monte submarino.

O nome GLORIA evoca o sonar lateral - Geological Long-Range Inclined Asdic –equipamento histórico, pioneiro no mapeamento geológico submarino, utilizado na análise detalhada da topografia do fundo do mar e dos processos tectónicos. Este nome foi, também, valorizado pela sua raiz latina, amplamente utilizado em diversas línguas e culturas.

Esta investigação levanta novas questões sobre a origem geológica do monte, assim como da biodiversidade nesta área, que apenas poderão ser respondidas através da recolha de mais dados no futuro.

A EMEPC é responsável

pela submissão e acompanhamento do projeto de Extensão da Plataforma Continental de Portugal que se encontra em avaliação nas Nações Unidas. No âmbito da sua missão, a EMEPC, realiza campanhas oceanográficas, pesquisa científica e recolha de amostras para apoiar o projeto, contribuindo para o conhecimento, conservação e uso sustentável dos recursos marinhos.

O ROV-Luso
Biodiversidade no Monte Gloria Localização, Navio e Rov Luso utilizado na descoberta
O Monte Glória
Fotografia: Nuno Sá

Notícias do Governo dos Açores Texto Governo dos Açores

Quota do Atum-rabilho Aumenta 21% em 2026, Valoriza Governo dos Açores

A quota de pesca dirigida ao atum-rabilho vai aumentar 21% em 2026, permitindo aos pescadores açorianos capturar 115 toneladas desta espécie de elevado valor comercial.

Este aumento resulta de um processo negocial entre os Governos dos Açores e da Madeira, através dos seus serviços regionais de pescas, e a Direção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, que permitiu aumentar a quota disponível em mais 20 toneladas, passando de 95 toneladas em 2025 para 115 toneladas em 2026.

Esta medida representa um reforço significativo das oportunidades económicas para o setor das pescas e para as comunidades costeiras dependentes desta atividade.

De acordo com o despacho da Direção-Geral dos Recur-

Pesca ao Atum

sos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, foi definida a repartição da quota nacional de atum-rabilho no Oceano Atlântico, a leste dos 45º W e no Mar Mediterrâneo, no âmbito do plano de pesca apresentado à Comissão Europeia. Para 2026, Portugal dispõe de uma quota total de 746,51 toneladas.

O aumento da quota destinada à pesca dirigida nos Açores e Madeira está em linha com a valorização crescente do atum-rabilho nos mercados internacionais, onde a espécie tem elevado valor comercial e procura, sobretudo na indústria alimentar de exportação.

O reforço das capturas poderá traduzir-se num maior rendimento dos armadores e dos pescadores açorianos, dinamizando economias locais e cadeias logísticas associadas, como a transformação, o transporte e o comércio.

A valorização do atum-rabilho nos mercados internacionais tem crescido

Além da pesca dirigida, o Despacho estabelece também a atribuição de 106,01 toneladas para pesca acessória a embarcações com portos de referência no continente, Açores e Madeira, garantindo maior flexibilidade operacional ao setor.

O Governo dos Açores defende que o contributo do atum-rabilho para a sustentabilidade económica das comunidades piscatórias deve ser acompanhado por uma

gestão responsável da pescaria por parte dos armadores, apostando na valorização máxima do preço desta espécie no mercado da primeira venda em lota.

Fotografia: Governo dos Açores

Notícias do Mar

Notícias do Governo dos Açores

Nova Aplicação RecFishing

A nova aplicação RecFishing já permite registo eletrónico de capturas para pescadores recreativos nos Açores.

OGoverno dos Açores informa que já se encontra disponível para ser descarregada, nas plataformas Play Store e App Store, a aplicação RecFishing.

Esta ferramenta digital foi concebida para assegurar o cumprimento da obrigatoriedade de registo diário de capturas por parte dos pescadores recreativos na Região, em conformidade com as recentes

alterações ao regulamento europeu de controlo das pescas.

A introdução desta obrigatoriedade decorre do Regulamento (UE) 2023/2842, que estabelece que os pescadores recreativos devem comunicar diária e eletronicamente as suas capturas, com especial enfoque em espécies sujeitas a medidas de conservação da União Europeia.

Atualmente, em Portugal, o regime de registo obrigatório abrange as seguintes espécies: Atum-rabilho (Thunnus thynnus), Espadim-azul (Makaira nigricans), Espadimbranco (Tetrapterus albidus), Espadim-preto (Tetrapturus georgii) e Robalo-legítimo (Dicentrarchus labrax).

Com a RecFishing, o processo de comunicação torna-se célere e acessível, garantindo que a atividade da pesca lúdica contribui para a recolha de dados científicos essenciais à gestão sustentável dos recursos marinhos.

Para o esclarecimento de dúvidas sobre o funcionamento da aplicação, os pescadores podem contatar o suporte técnico através do e-mail app_ pescaludica@dgrm.pt.

Questões adicionais sobre o exercício da pesca recreativa nos Açores devem ser remetidas para a Inspeção Regional das Pescas, através do endereço info.irp@azores. gov.pt.

Informações complementares e guias de utilização podem ser consultados no Portal da Inspeção Regional das Pescas e dos Usos Marítimos.

Navegando nas Minhas Memórias Crónica Carlos Salgado

Passado, Presente e Futuro

Como é sabido sem passado não há futuro e no que se refere ao nosso Tejo, passando pelo presente que estamos a viver, e sobretudo no ano de 2017 que foi o mais adverso ao estado da sua salubridade.

Há quem diga que o Tejo do passado não volta mais e nós estamos conscientes disso, mas não podemos conformar-nos que assim seja por sermos seus indefectíveis

amigos e como tal temos de continuar a pugnar mais para que ele tenha um futuro melhor, e foi precisamente por essa razão que tomámos a iniciativa de promover um grande debate plasmado no

programa dos trabalhos do Congresso do Tejo III para que os portugueses tenham Mais Tejo com Mais Futuro, o que assumimos como um Compromisso Nacional.

Como é que os portugueses podem conformar-se com aquilo que está bem patente aos seus olhos relativamente ao estado de saúde deveras preocupante em que o Tejo português se encontra, onde são bem visíveis os abusos e as agressões que o homem tem vindo a cometer-lhe causando vulnerabilidades e insuficiências no seu corredor fluvial, por um lado, mas por outro, esse homem não é capaz de evitar nem controlar as adversidades que a Natureza e não só, causou com os terríveis fogos que descontroladamente destruíram muitos milhares de hectares de floresta da Bacia Hidrográfica

O Tejo Internacional cuja margem da esquerda da imagem é portuguesa e a da direita é espanhola

do Tejo e as desgraças que daí resultaram.

A realização Congresso do Tejo III, cuja preparação do programa temático teve início no ano de 2015 e foi sendo baseado nas conclusões do Ciclo das 5 Conferências regionais preparatórias realizadas por esse rio acima durante um período de pré – Congresso que contou com a colaboração de alguns Municípios ribeirinhos e de algumas CIMS e que foi bastante profícuo.

Mas devido ao facto de desde essa altura terem vindo a surgir uma série de mais acontecimentos adversos ao Tejo como o aumento da poluição, a falta de água vinda de montante e com qualidade duvidosa, o que causou a insuficiência do caudal ecológico do rio em Portugal, agravado pela diminuição significativa da pluviosidade nas cabeceiras dos rios e dos seus afluentes de-

vido à alteração do clima provocada pelo aquecimento global do Planeta, o que resultou inevitavelmente numa seca extrema.

Tudo isto que aconteceu por razões que não podem deixar de ser devidamente apuradas, vide o relatório do Guarda Rios nas páginas seguintes a esta

crónica, sobre o que ele viu, ouviu e leu durante as suas viagens a sobrevoar o Tejo, tanto em Portugal como em Espanha, que deve ser tomado em consideração no Grande Debate sobre o Tejo porque não podemos de forma alguma encolher os ombros perante estas fatalidades ab-

dicando de querer saber os porquês, quem, como e o quando da sua origem e sobretudo fazermos questão em encontrar as possíveis soluções para mitigarem futuras situações destas, para que sejam tomadas medidas urgentes por quem negoceia os acordos e convénios, legisla e

deve defender as leis inclusivamente internacionais, com o objectivo de garantir a sobrevivência dos bens de que a humanidade depende para continuar a existir, particularmente os portugueses e os seus vindouros, estas são as causas principais da organização do Congresso do Tejo III.

O grande debate do congresso do tejo III é o sítio apropriado para

procurar avaliar as situações e encontrar as soluções possíveis, com rigor, realismo e verdade para que sejam tomadas em consideração para quem de direito passe a agir em conformidade.

O nosso belo Tejo, amplo e azul, tão abundante de águas como de tradições, por igual brilhantes, tão cheio de luz como de memórias, tão po-

voado de velas brancas como de recordações eternas.

Nada lhe falta ao belo rio azul do extremo ocidente para ser famoso entre os famosos, notável entre os notáveis. Grande pelo seu curso, pelo seu porto, pelas suas tradições histórica.

Pitoresco pelas suas margens e pelos seus castelos, que ou ressaltam do seio das águas, como o Almourol, ou as dominam do alto, como

Santarém. Belo pela cor, que tem o brilho e a pureza de uma safira, onde o famoso céu meridional espelha uma eterna apoteose de luz… Alberto Pimentel

Os fundadores da AATAssociação dos Amigos do Tejo em 1984 e alguns deles que criaram a Tagus Vivan em 2012 para dar continuidade à obra profícua de quase três décadas daquela AAT, que nos princípios dos anos sessenta do século passado subiram o Tejo nos seus barcos à vela a partir do estuário e conseguiram singrar para montante de Santarém e chegar até quase à ponte da Golegã-Chamusca e mais tarde desceram o rio num pneumático em 1990 desde a foz do afluente Erges, que marca o início do Tejo Internacional a montante e desceram o Rio até à foz tiveram o privilégio de ainda conhecer este Tejo descrito pelo Alberto Pimentel. É precisamente por isso que temos vindo a actualizar o programa deste Congresso para que não seja só mais um, porque estamos determinados a que ele marque a diferença e que para isso seja de sinal mais = Mais Tejo, por entendermos que o sinal mais significa valor acrescentado, algo melhor porque o Mais é uma mensagem mobilizadora de vontades, de mudança, de inovação, de transformação para melhor, de união de esforços, incentivador de diálogos e consensos, de estabelecer pontes, de obviar rupturas, de desafios para a implementação de melhores estratégias para corrigir, criar, arriscar, empreender enfim, dinamizar tudo aquilo que possa concorrer positivamente para melhorar e enriquecer o nosso Tejo, Mais Tejo, para além de procurar descobrir e encontrar as soluções para que ele tenha um futuro melhor, Mais Futuro

O Tejo a Pé

EVOA, Tesouro Escondido

O palco principal, as

Em meados de fevereiro, o Tejo a Pé revelou novamente a sua dimensão mais subtil, com o regresso ao EVOA - Espaço de Visitação e Observação de Aves, em Vila Franca de Xira.

Cerca de cinquenta participantes estiveram na Ponta da Erva, onde luz, água e silêncio compõem uma paisagem difícil de descrever. Fomos recebidos e acompanhados com uma simpatia rara, disponibilidade permanente e elevada competência técnica por parte da equipa do EVOA, cuja qualidade interpretativa tornou a experiência ainda mais rica. Muitos descobriam o espaço pela primeira vez e a surpre-

sa foi unânime: o EVOA é um tesouro escondido. Criado há cerca de 14 anos por uma parceria que inclui a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e a Companhia das Lezírias, o Espaço tornou-se uma referência em educação ambiental, ciência cidadã e estudo da avifauna do estuário do Tejo. Há um balanço inevitável: proteger habitats críticos para aves migratórias e, ao mesmo tempo, partilhar este património com a sociedade,

Garça Real Legenda para quê?
lagoas
Fotografia:
C. Municipal de Vila Franca de Xira

Antes do terreno a apresentação e explicações na Exposição

sobretudo com as escolas. O número de visitantes do EVOA é inferior a 10 mil por ano. Outros espaços europeus, diferentes, mas com a mesma vocação, recebem na ordem das centenas de milhar de pessoas anuais. Estas realidades merecem reflexão, sobretudo quando, passados estes anos, no EVOA, é evidente a necessidade de manutenção e conservação das extensas estruturas em madeira expos-

Pontos de observação das lagoas

Tranquilamente, três grupos, cada um com o seu guia, percorreram os caminhos junto às lagoas

tas ao sol, à salinidade e às intempéries.

Assim é o Tejo a pé: um grupo informal de amigos, conhecidos, ou não, que, há quase vinte anos, se reúne uma vez por mês para caminhar, transformando cada encontro num passeio convivial e tertuliante. Para participar, basta enviar um email a cupeto@uevora.pt

No fim, o habitual tempo de partilha e convívio, almoço

Fotografia:
C. Cupeto
Fotografia:
C. Cupeto

Notícias Nautiradar

Novo Controlador de Iluminação Mini IYS

A Nautiradar traz até si o novo controlador Mini IYS da BluefinLED, a mais recente inovação da marca, desenvolvida em parceria com a Raymarine para controlar todas as luzes subaquáticas da BluefinLED através do seu display multifunções/chartplotter Axiom da Raymarine, smartphone ou tablet.

ABluefinLED apresenta a sua mais recente inovação, com o controlador de iluminação Mini IYS. Através deste controlador, vai conseguir controlar todas as luzes subaquáticas da Bluefin, através do seu smartphone ou tablet e, fruto duma parceria desenvolvida com a Raymarine, vai poder controlar as luzes subaquáticas Bluefin LED diretamente através do seu display multifunções/chartplotter Axiom da Raymarine. O Mini IYS permite uma integração plug-andplay simplificada com todos os displays das gamas Axiom da Raymarine.

O controlador compacto

Mini IYS, oferece uma operação intuitiva e elimina toda e qualquer complexidade de controlo da iluminação subaquática. Ao contrário de muitos sistemas que requerem aplicações adicionais ou configurações complexas, o Mini IYS utiliza uma interface HTML5 segura e baseada na web. Qualquer dispositivo com web browser pode operar as luzes, sem necessidade de downloads ou software proprietário. O resultado é uma platafor-

ma preparada para o futuro, que pode crescer com a embarcação, adicionando novas luzes, integrando luminárias acima da água ou expandindo para controlos de bordo mais abrangentes, de acordo com as necessidades dos proprietários.

Com integrações adicionais a caminho, o Mini IYS marca o início de uma nova era no controlo da iluminação, na qual os proprietários de embarcações podem esperar instalações mais simples, interfaces mais inteligentes e maior compatibilidade. Ao liderar com a Raymarine, a BluefinLED está a estabelecer um forte precedente de como as marcas de eletrónica náutica podem colaborar para oferecer inovação que realmente melhora a vida na água.

Chris Harris-Marsh, Diretor Técnico da BluefinLED afirma: “Os proprietários desejam uma forma simples e elegante de controlar as suas luzes através dos sistemas em que já confiam. Com a Raymarine como a nossa primeira colaboração, o Mini IYS oferece exatamente isso.”

Na opinião de Darren Boden, Gestor Global de Produtos da Raymarine: “O sis-

tema operativo LightHouse dos plotters cartográficos Axiom oferece uma integração perfeita com uma vasta gama de dispositivos náuticos, e estamos muito satisfeitos por adicionar as soluções de iluminação da BluefinLED ao nosso catálogo de aplicações compatíveis com Axiom. Os proprietários de Axiom e BluefinLED podem agora experimentar como o controlo inteligente da iluminação pode ser fácil e intuitivo.”

Características

Chave:

- Instalação Otimizada: concebido para simplificar configurações na estação de governo e libertar espaço, especialmente

em pequenas embarcações;

- Integração Perfeita: conecta diretamente as avançadas luzes da Bluefin LED ao display multifunções da embarcação;

- Conetividade Simples: utiliza uma conexão Ethernet para

uma configuração rápida e fiável;

- Interface Intuitiva: apresentação gráfica nítida, simples de instalar e sem esforço;

- Aprovação Raymarine: compatível com todos os modelos Axiom.

Especificações

Mini Controlador de Iluminação IYS

- Fornece uma interface de gateway de controlo MFD que permite o controlo remoto da iluminação da embarcação a partir do leme.

- Conectividade Ethernet com MFD ou rede da embarcação.

- Suporta alimentação de 12/24 V CC.

- Ligação direta para qualquer luz DMX512.

- Controla todas as luzes de

mudança de cor da Série Signature e as luzes RGBW da Série Piranha com Mini IYSHUB DE 4 VIAS.

- Controle até 100 luzes por ligação DMX.

- Interface de 3 fios para mudança de cor, ligação Piranha

e Hub.

- Ligue até 4 luzes por hub de 4 vias, expansível para 4 hubs, o que significa que podem ser ligadas 16 luzes no total.

- Provides dimming. on/off strobing,sync to music & auto colour cycle.

- Controlo via Wi-Fi compatível com qualquer dispositivo com HTML, como smartphone, tablet ou PC.

- Caixa de proteção marítima IP67 com suportes integrados.

Para mais informações visite www.nautiradar.pt

Notícias do Porto de Setúbal

Alunos da Pós-Graduação em Logística

Marítima e Portuária da ESCE/IPS

Visitam Porto de Setúbal

A visita, que decorreu no passado dia 6 de fevereiro

Porto de Setúbal recebe alunos da Pós-Graduação em Logística Marítima e Portuária da ESCE/IPS.

OPorto de Setúbal recebeu a visita de oito alunos do Curso de Pós-Graduação em

Logística Marítima e Portuária da ESCE – Escola de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS),

numa iniciativa que teve como principal objetivo dar a conhecer a realidade operacional do porto, bem como os seus

projetos atuais e futuros.

A visita, que decorreu no passado dia 6 de fevereiro, enquadrou-se nos Eixos Estratégicos do Plano “Portos 5+”, nomeadamente nas áreas de Investimento e Crescimento; Descarbonização e Sustentabilidade; Intermodalidade e Conectividade; Digitalização e Automação; Integração e Segurança. principal objetivo dar a conhecer a realidade operacional.

Os alunos, maioritariamente profissionais do setor portuário, foram acompanhados pelo Presidente do Conselho de Administração da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), Vítor Caldeirinha, e participaram numa apresentação conduzida pelo Diretor do Negócio Portuário, Principal objetivo dar a conhecer a realidade operacional

Tiago Fernandes, durante a qual foram debatidos diversos temas estratégicos relacionados com a atividade portuária e os desafios do setor. A iniciativa incluiu ainda uma visita aos principais terminais do Porto de Setúbal.

Reforça a importância da ligação entre o Porto de Setúbal e a academia

Este momento reforça a importância da ligação entre o Porto de Setúbal e a academia, promovendo a partilha de conhecimento e a aproximação entre a formação académica e a realidade profissional. Além destas visitas, o Porto

de Setúbal, em conjunto com o Porto de Lisboa, dinamiza um programa abrangente de formações através do projeto PortSchool- PortHubLXSET by Port Academy, aberto à comunidade portuária.

O PortSchool tem como

objetivo promover a literacia marítimo-portuária e reforçar a relação dos portos com escolas, famílias e municípios, aproximando os portos ao território e à comunidade educativa, designadamente às universidades.

A visita enquadrou-se nos Eixos Estratégicos do Plano “Portos 5+”

Notícias do Mar

Notícias

Comemoração do 14º Aniversário do IPMA

IPMA e Câmara Municipal de Oeiras assinam contrato programa para a construção do biobanco azul.

OInstituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) assinalou, no passado dia 16 de janeiro, o seu 14.º aniversário, numa celebração marcada por momentos institucionais, científicos e culturais.

A comemoração que antecedeu a data oficial da cria-

ção do Instituto, em 2012, reuniu trabalhadores e convidados e refletiu mais um ano de partilha de conhecimento científico ao serviço da sociedade. O programa teve início na sede do IPMA, com a visita do Senhor Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Prof. Doutor Salvador Ma-

lheiro, e que foi recebido pelo Conselho Diretivo. Seguiu-se uma visita ao briefing com as entidades do sistema de proteção civil e aos centros operacionais de meteorologia, meteorologia aeronáutica e sismologia e tsunamis.

No âmbito da comemoração, destaca-se a assinatura

do contrato-programa do GENEMARE - Biobanco Nacional de Recursos Genéticos Marinhos, entre o IPMA e a Câmara Municipal de Oeiras (CMO), um projeto considerado “estruturante” pelo Senhor Secretário de Estado, que coloca o país “na linha da frente” na preservação e valorização dos

recursos biológicos marinhos. O projeto de cerca de 2M € milhões de euros será financiado pelo programa Mar 2030, no âmbito do apoio à aquisição de equipamentos, cabendo à autarquia de Oeiras um investimento adicional de 2M € para a construção do edifício.

O Genemare será uma infraestrutura crítica de apoio à economia azul, em particu-

lar nas áreas da biotecnologia azul, que aplica recursos genéticos marinhos a setores como a indústria farmacêutica, cosmética, biomateriais, têxtil ou rações, promovendo ainda a inovação, empregabilidade qualificada e o desenvolvimento de alternativas sustentáveis às matérias-primas de origem fóssil.

A celebração incluiu a visita

à obra do HUB AZUL Oeiras Mar, situado nas instalações do IPMA Algés, que contou com a participação do Presidente da CMO, Dr. Isaltino Morais, e de vários representantes de entidades ligadas ao mar. Em fase final de acabamentos, a infraestrutura promete transformar o campus numa área de forte desenvolvimento na interface entre a investigação e a economia azul,

em particular na área da robótica submarina, fomentando ainda a museologia, formação e literacia oceânica e reforçando a capacidade de projeção internacional do IPMA.

O programa comemorativo integrou ainda momentos culturais, como a homenagem ao poeta e antigo meteorologista do IPMA, José Blanc de Portugal, oom a leitura de poemas por parte da sua filha mais ve-

lha e neta, assim como a atuação da Orquestra de Jazz do Conservatório Nacional, sob a direção do professor Luís Cunha. Foram igualmente homenageados os funcionários mais antigos do Instituto e entregue o I Prémio Fátima Espírito Santo ao jovem investigador distinguido pelo melhor trabalho académico nas áreas da Meteorologia e do Clima.

As celebrações encerraram com um momento de convívio, assinalando os 14 anos de serviço público do IPMA enquanto instituto que integra as áreas da atmosfera, de sismos e tsunamis e do mar, reafirmando o seu compromisso com a ciência, o conhecimento e a sociedade, agora reforçado por uma aposta estratégica no futuro dos recursos genéticos marinhos.

Notícias do Instituto Português do Mar e da Atmosfera

Formação em ROV Defender

O IPMA realizou, entre os dias 26 e 30 de janeiro, uma formação especializada em operação do ROV Defender, destinada ao reforço das competências técnicas e operacionais da sua equipa na utilização de veículos operados remotamente. Notícias

Aformação integrou componentes teóricas e práticas, incluindo testes em ambiente controlado e testes de mar, permitindo uma abordagem a-plicada e alinhada com os desafios operacionais associados à monitorização e investigação do meio marinho. Com esta capacitação, o IPMA reforça a sua capacidade de resposta no cumprimento da sua missão, consolidando competências essenciais para a implementação de diretivas nacionais e europeias, nomeadamente no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), da monitorização das áreas marinhas

protegidas oceânicas e na aplicação da Lei do Restauro da Natureza.

Esta formação constitui um passo relevante no reforço da autonomia técnica do IPMA, contribuindo para uma atuação mais eficaz nas áreas da observação, monitorização e gestão sustentável do oceano.

O IPMA agradece à Marinha Portuguesa a disponibilização das instalações da Base Naval de Lisboa, bem como todo o apoio logístico prestado pela equipa de mergulhadores, que foram fundamentais para o sucesso da ação de formação.

ROV Defender

Robot subaquático concebido para um maior controlo, cargas mais pesadas e inter-

venções exigentes.

A configuração Defender, orientada para missões especiais, foi concebida para um controlo mais preciso da posição e orientação do veículo, cargas úteis mais pesadas e intervenções exigentes, como a desativação de munições não detonadas ou a limpeza de redes em explorações piscícolas em alto mar. Com sete propulsores, o Defender é capaz de se mover em qualquer direção e manter a inclinação ativa para orientar o veículo para cima ou para baixo. A adição de software de controlo e navegação de terceiros, como os da Greensea Systems ou da Seebyte, faz do Defender uma configuração popular para missões perigosas ou de elevada complexidade.

Concebidos e construídos a pensar na flexibilidade. O design modular permite uma fácil manutenção e uma integração perfeita com diversas ferramentas para uma solução personalizada para os se-

us desafios subaquáticos. O Defender, especialista em missões, oferece uma plataforma extremamente flexível e personalizável, que pode ser facilmente adaptada para missões específicas.

Notícias da

Construção do NRP Luís de Camões Avança com Assentamento do Primeiro Bloco

A cerimónia de assentamento do primeiro bloco do NRP Luís de Camões, o primeiro de dois Navios Reabastecedores de Esquadra e Logísticos destinados à Marinha Portuguesa, decorreu no dia 29 de janeiro, no estaleiro ADA Shipyard, em Tuzla-Istambul, na Turquia.

Acerimónia, presidida pelo Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e pelo Ministro da Defesa Nacional da Turquia, Yaşar Güler, contou com a presença do Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Jorge Nobre de Sousa, pelo Secretário das Indústrias de Defesa da Turquia, Haluk GÖRGÜN, entre outras entidades.

Durante a cerimónia o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, destacou que “investir na Marinha é investir na proteção de Portugal e dos portugueses” e que os futuros navios da Marinha são “um grande passo na modernização naval o que

vai permitir recuperar uma estratégia perdida há alguns anos”

O Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Nobre de Sousa, sublinhou que “a Marinha é um projeto em construção contínua e que receber navios novos é sempre um grande momento para Portugal”

Os novos navios da Marinha vão ter como principais funções o transporte e reabastecimento no mar de Unidades Navais com combustível para navios e aeronaves, água potável, carga sólida geral e munições, além de oferecer apoio logístico diversificado e funções hospitalares acrescidas

para situações de catástrofe.

Com 137 metros de comprimento e um deslocamento de 11 000 toneladas, estas unidades atingem uma velocidade máxima superior a 18 nós e contam com propulsão híbrida, combinando sistemas diesel e elétricos.

A guarnição será composta por 50 militares, dispondo ainda de alojamento extra para mais 50 elementos e capacidade temporária para mais de 100 pessoas, mostrando uma grande flexibilidade para diferentes tipos de missões.

Estes navios reabastecedores representam um passo estratégico para reforçar a autonomia e a capacidade

operacional da Marinha Portuguesa, garantindo maior flexibilidade em missões nacionais e internacionais.

A entrega do NRP Luís de

Camões está prevista para abril de 2028, estando previstos, até 2030, a entrega de 12 novos navios à Marinha Portuguesa.

Notícias da Marinha

Exercício REPMUS está de volta em 2026!

A Escola Naval recebeu na manhã de 9 de fevereiro, a Conferência Inicial de Planeamento do REPMUS 26, maior exercício do mundo dedicado à experimentação robótica de sistemas não-tripulados.

Na sessão de abertura, o 2º Comandante Naval e Diretor do exercício, Contra-almirante João Paulo Silva Pereira, destacou a importância dos Sistemas Marítimos Não Tripulados para a segurança global e para a geoestratégia. Estes sistemas já são essenciais na monitorização dos espaços marítimos, proporcionando vigilância persistente e permitindo que as nações acompanhem potenciais ameaças, tais como a pirataria e operações de contrabando, pesca ilegal e ameaças ambientais ou atividades navais hostis.

O REPMUS tem como objetivo explorar, analisar e aperfeiçoar conceitos operacionais

e tecnológicos, garantindo que as nossas forças permanecem preparadas para os desafios do futuro.

Os resultados deste exercício contribuem diretamente para melhorar o desenvolvimento de táticas, técnicas e procedimentos inovadores entre os países aliados e parceiros da NATO.

O exercício REPMUS 25 do ano passado foi um sucesso, com mais de 2.000 participantes de várias entidades nacionais e internacionais de 32 países, que se reúniram em Portugal para experimentar, testar e desenvolver as tecnologias que irão moldar o futuro da segurança e defesa marítima.

Notícias da Associação Nacional de

Francisca Veselko Qualificada Oficialmente para o WSL Championship Tour

A performance na mítica onda de Pipeline foi suficiente para Francisca Veselko se qualificar

A World Surf League (WSL) oficializou, a qualificação de Francisca Veselko para o Circuito Mundial (Championship Tour) de 2026. Após o 7.º lugar alcançado no Pipe Challenger, em Pipeline, no Havai, Kika consolidou o 4.º posto do ranking no circuito Challenger Series e garantiu matematicamente uma das sete vagas para a elite mundial feminina.

Aperformance de Kika na mítica onda de Pipeline foi suficiente para a campeã mundial júnior de 2023 garantir a chegada ao topo do surf feminino mundial. Embora a WSL não tenha oficializado logo a qualificação da surfista portuguesa, a boa notícia acabou por surgir um dia após o término do campeonato havaiano. Numa jornada final muito intensa nos pesados tubos de Pipeline, e com várias surfistas da elite mundial em prova, a armada lusa teve três representantes em ação, mas apenas Kika Veselko conseguiu superar algumas rondas, até à fase de todas as decisões, depois de Yolanda Hopkins e

Kika Veselko celebra a qualificação

Teresa Bonvalot terem sido eliminadas na ronda 2, tendo terminado ambas na 17.ª posição.

Francisca Veselko superou duas rondas até às meiasfinais, cedendo, depois, numa bateria dominada por duas surfistas do World Tour, que viriam a terminar nas duas primeiras posições deste campeonato. Com 4,07 pontos, Kika não conseguiu escapar ao 4.º lugar da bateria, onde a norteamericana Alyssa Spencer ficou na terceira posição, com 5,24 pontos, enquanto Erin Brooks (9.50) e Gabriela Bryan (7,17) seguiram em frente, Bryan acabaria por ser campeã deste evento, com Brooks a ser vice-campeã, à frente da campeã mundial em título, a australiana Molly Picklum, que foi terceira classificada.

Destaque ainda para a presença de Afonso Antunes na prova masculina em Pipeline, sendo eliminado na ronda 2. Afonso ocupa atualmente o 72.º posto do ranking, com 2500 pontos, a 1250 pontos de Frederico Morais, que é 65.º, e que falhou a presença no Havai. Ambos estão já arredados das contas da qualificação masculina.

Os 4545 pontos somados por Kika Veselko permitiram à surfista portuguesa reforçar o 4.º lugar do ranking, com 24510 pontos.

“Ainda nem acredito que me qualifiquei para o World Tour”, começou por dizer Francisca Veselko à Associação Nacional de Surfista. “Parece mesmo um sonho de uma miúda de 9 anos, com dois totós na cabeça, completamente apaixonada pelo mar, pelo surf e pela competição. Foi um longo caminho até aqui chegar, com muitas derrotas, mais do que vitórias, mas muita resiliência e muita dedicação. Espero que este feito ajude a nova geração a acreditar que é possível. Portugal é um país

pequeno, mas somos muito grandes. Já tínhamos a Yolanda qualificada e espero que isto faça todos acreditarem que é possível. Sem dúvida que nada disto tinha sido possível sem o apoio dos meus pais, dos meus patrocinadores e do meu treinador, o Rodrigo Sousa. Estou muito contente, um pouco sem palavras, mas orgulhosa do caminho que trilhei e de poder representar Portugal no Mundo”, frisou a surfista da Linha, de 22 anos.

Quem também está radiante com esta qualificação é o treinador Rodrigo Sousa, que acompanha Kika Veselko desde muito jovem. “É um orgulho muito grande ter acompanho a Kika em mais uma conquista. Atingimos um objetivo que tínhamos traçado desde os dias em que, ainda muito pequena, a empurrava nas melhores ondas. É tudo tão intenso e rápido, que penso que ainda nem percebemos bem o que aconteceu”, afirmou o técnico da campeã nacional de 2021 e 2023.

Depois de Yolanda Hopkins, atual líder do ranking do cir-

cuito Challenger Series, já ter conseguido a qualificação na etapa anterior, Kika aumenta, agora, o número de surfistas portuguesas que vão disputar o título mundial em 2026. Um feito histórico para o surf nacional, que nunca tinha visto uma surfista qualificar-se diretamente para o Championship Tour.

Mas Portugal pode ter ainda uma terceira surfista qualificada para o circuito mundial que vai ter início a 1 de abril, em Bells Beach, na Austrália. Com três das sete vagas ain-

da em jogo, Teresa Bonvalot, atualmente no 13.º posto do ranking e a pouco mais de 2 mil pontos do corte para o top 7, poderá juntar-se às compatriotas. Para tal, na etapa final do circuito Challenger Series, que irá acontecer entre 9 e 15 de março, em Newcastle, na Austrália, Teresa precisa de chegar, pelo menos, às meias-finais, ficando ainda dependente dos resultados de outras surfista, ou à final da prova australiana para também garantir a qualificação.

Fotografia: Tony Heff/WSL
Francisca Veselko no Pipe Challenger, no Havai
Francisca Veselko foi campeã mundial júnior de 2023

Notícias do Surf Clube de Viana

Experiência Internacional “Job Shadowing”

Surf Clube de Viana promove experiência internacional “Job Shadowing” em Las Palmas de Gran Canaria.

Durante cinco dias, dirigentes, treinadores e atletas do Surf Clube de Viana (SCV) participaram numa experiência internacional de job shadowing em Las Palmas de Gran Canaria. Esta iniciativa integra o Projeto Kapacity for Sport, desenvolvido pelo SCV e financiado pelo programa

Erasmus+ da União Europeia, com aprovação pela Agência Nacional Erasmus+ Juventude, Desporto & CES.

A mobilidade teve lugar entre 17 e 21 de novembro, após uma visita preparatória em outubro, e centrou-se na aprendizagem, partilha e integração de boas práticas nas áreas do surf, desportos náuticos e for-

mação marítima, sempre com o mar como ponto de encontro.

O “Job Shadowing” do SCV permitiu aos participantes observar e partilhar metodologias de ensino, gestão desportiva e sustentabilidade ambiental, num contexto intercultural e colaborativo.

Entre os principais objeti-

vos do projeto, destacam-se: Aprender novas práticas e metodologias no ensino do surf e dos desportos marítimos; Desenvolver competências técnicas, pessoais e interculturais em ambiente internacional; Reforçar a dimensão europeia do desporto e criar redes de cooperação com outras instituições; Promover a inclusão social, a diversidade e a sustentabilidade ambiental no desporto; Observar boas práticas de governança, ética e gestão de equipas e atletas; Reduzir a pegada ambiental das mobilidades e fortalecer a capacidade organizativa do SCV. O vereador na Câmara Municipal de Las Palmas de Gran Canaria, Pedro Quevedo, evidenciou a importância do trabalho desenvolvido e o fortalecimento da cooperação entre cidades: “Esta mobilidade de

Texto e Fotografia
Surf Clube de Viana
Visita ao Cluster Marítimo das Canarias
Receção na “Ciudad del Mar” do Ayuntamiento de Las Palmas, Gran Canaria

Viana do Castelo é mais um passo que consolida a relação entre as duas cidades e abre novas oportunidades para que as nossas sociedades desenvolvam projetos partilhados que nos ajudem a crescer e melhorar. Agradecemos o excelente trabalho realizado pelo Surf Clube de Viana e pela sua extraordinária equipa.”

O Diretor do Departamento de Educação Física da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, David Rodríguez, destacou a relevância da cooperação e da troca de conhecimento entre instituições: “Os profissionais do Surf Clube de Viana transmitiram-nos os seus conhecimentos e experiências nos projetos Erasmus+ Desporto e Voluntariado Europeu, na metodologia de ensino de surf adaptado e no resgate em ondas”

Por outro lado, tivemos também a oportunidade de assistir a uma palestra muito interessante sobre surf e sustentabilidade na Faculdade de Ciências da Atividade Física e do Desporto.

Durante a mobilidade, o treinador Joel Oliveira, convidado do SCV para dinamizar um curso de salvamento e resgate, reforçou a importância da partilha: “Foi um momento de aprendizagem bastante enriquecedor, tanto a nível pessoal como profissional.

Trabalhar em equipa, numa cidade diferente, mas com muitas semelhanças, permitiu-nos crescer e planear o futuro com estrutura, foco e compromisso com os valores que defendemos.”

A atleta do SCV Marta Paço, campeã mundial Para Surfing e participante da mobilidade, descreveu a experiência como “um marco” no seu percurso: “Durante uma semana intensa em Las Palmas, fortalecemos as relações entre os membros do SCV e reforçámos o sentimento de pertença, cooperação e partilha que caracteriza o grupo. Tivemos oportunidade de conhecer projetos inovadores centrados nos desportos de mar, estabelecendo contacto direto com realidades inspiradoras e

com impacto local. Surfar com o campeão mundial de bodyboard Armide Soliveres foi um momento memorável que jamais esquecerei e estou certa que vou fazer bodyboard mais vezes.”

O próprio Armide Soliveres elogiou a experiência: “Foi incrível partilhar ondas com a Marta, estar com ela no mar e desfrutar da conexão com a natureza.”

O projeto contou com a cooperação do Ayuntamiento de Las Palmas, Universidad de Las Palmas de Gran Canaria (ULPGC), Asociación de Escuelas de Surfing de Gran Canaria, Clúster Marítimo de Canarias (CMC), World Surf Cities Network (WSCN) e International Surfing Medicine Internacional (SMI).

O “Job Shadowing” reforçou

as capacidades do SCV na gestão de mobilidades internacionais e consolidou a sua rede de parceiros europeus. O clube destacou-se como promotor de práticas desportivas sustentáveis, formativas e inclusivas, alinhadas com os valores do programa Erasmus+.

Com este projeto, o Surf Clube de Viana reafirma o seu compromisso com a qualificação dos seus dirigentes, treinadores e atletas, o desenvolvimento sustentável do desporto de base e o reforço da cooperação europeia. As aprendizagens e intercâmbios realizados serão integrados nas futuras atividades do SCV, com foco em transformar o conhecimento partilhado em ações concretas de inclusão, sustentabilidade e inovação no desporto.

Intercâmbio Surf Clube de Viana com a Escola de Surfing Brisa
João Zamith e Marta Paço na conferência das World Surf Cities Network
Marta Paço e Armide Solivares Campeões do Mundo Para Surfing e Bodyboard

Notícias do Porto de Sines e do Algarve

Portimão a Crescer

Portos de Sines e do Algarve encerram ano exigente com Portimão a crescer. 2025 ficou condicionado por fatores determinantes que levaram a uma quebra nos volumes de movimentação total no Porto de Sines.

De destacar a excelente performance do Porto de Portimão, no segmento dos cruzeiros, registando um total de 56 escalas e 23.996 passageiros, o que correspondeu a um crescimento 40% e 70%, respetivamente, face ao ano transato. Estes resultados reforçam o posicionamento de Portimão face aos tráfegos do Mediterrâneo, nomeadamente no que diz respeito a navios de cruzeiro de média capacidade e do segmento luxo, promovendo a região do Algarve como marca de prestígio e destino privilegiado para o mercado dos cruzeiros.

Com um total de 42,1 milhões de toneladas, o Porto

de Sines encerrou o ano de 2025 com um decréscimo de 12% face ao ano anterior. Foram diversos os fatores que contribuíram para este resultado, desde logo condicionado pelas condições atmosféricas adversas que se fizeram sentir nos meses de Inverno de 2025, que levaram a um cenário atípico em Sines de impossibilidade ou muito condicionamento na operação de navios durante 26 dias.

No caso particular dos Granéis Líquidos, acresce a paragem técnica da Refinaria da GALP, no último trimestre do ano, que levou a um decréscimo da ordem dos 3 milhões de toneladas, face a 2024, totalizando o Terminal

de Granéis Líquidos um volume movimentado da ordem dos 18 milhões de toneladas. O ano de 2026, contudo, oferece boas perspetivas neste segmento, decorrendo a requalificação deste terminal, no sentido de adaptá-lo para a movimentação de novos combustíveis verdes, contribuindo desta forma para o aumento da capacidade operacional da infraestrutura.

Nos Granéis Líquidos, ainda a destacar a resiliência do Terminal de Gás Natural Liquefeito, que, apesar da forte pluviosidade registada em 2025 que condiciona a importação de GNL para produção de energia, registou índices de movimentação similares a 2024, garantindo o forneci-

mento de 96% das necessidades do país.

Ao nível da Carga Contentorizada, o Terminal de Contentores de Sines – Terminal XXI registou 1,7 milhões de TEU, correspondendo a um decréscimo de 10% face a 2024, resultado que não ficou alheio a alguma instabilidade laboral verificada em 2025. A situação ficou sanada no final do ano, perspetivando-se um cenário de estabilidade para o futuro. Neste segmento, de destacar o crescimento de 4% registado na carga Import/Export, impulsionando o tráfego com o hinterland e a oferta competitiva de Sines aos importadores e exportadores Ibéricos.

Director: Antero dos Santos - mar.antero@gmail.com - Tlm:91 964 28 00

Editor: João Carlos Reis - joao.reis@noticiasdomar.pt - Tlm: 93 512 13 22

Publicidade: publicidade@noticiasdomar.pt

Paginação e Redação: Tiago Bento - tiagoasben@gmail.com

Editor de Motonáutica: Gustavo Bahia

Colaboração: Carlos Salgado, Carlos Cupeto, André Santos, Hugo Silva, José Tourais, José de Sousa, João Rocha, Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, Federação Portuguesa de Motonáutica, Federação Portuguesa de Pesca Desportiva do Alto Mar, Federação Portuguesa Surf, Federação Portuguesa de Vela, Associação Nacional de Surfistas, Big Game Club de Portugal, Club Naval da Horta, Club Naval de Sesimbra, Jet Ski Clube de Portugal, Surf Clube de Viana, Associação Portuguesa de WindSurfing

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook