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Notícias do Mar n.º 467

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Congresso “Navegar o Futuro” Aponta Caminhos para Simplificação, Investimento e Inovação

O Real Edifício de Mafra acolheu, a 30 de outubro, mais de 450 participantes para o I Congresso Náutico Internacional “Navegar o Futuro”, promovido pela Divisão Náutica da ACAP.

Oencontro reuniu representantes da administração central e local, empresas, portos, marinas, academia, associações e entidades do setor marítimo, num dia de trabalho dedicado a identificar bloqueios, propor soluções e definir prioridades para o desenvolvimento da náutica de recreio em Portugal.

Na sessão de boas-vindas, o Presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hugo Moreira Luís, trouxe uma intervenção orientada para o futuro e para o papel dos territórios costeiros na economia azul. Recordou investimentos recentes, como o Centro Náutico da Ericeira, para sublinhar

que as políticas locais para o mar devem ser estruturadas e assumidas como parte de uma estratégia nacional. Defendeu que “a náutica de recreio pode ser um motor de crescimento, de inovação e de sustentabilidade”, e organizou a sua intervenção em três convicções, o mar exige visão e ação, sustentabilidade e competitividade devem caminhar juntas e a cooperação entre entidades públicas e privadas é essencial para construir soluções sólidas. O autarca reforçou que o congresso deveria servir não apenas para refletir, mas para consolidar compromissos e caminhos comuns.

O Secretário-Geral da ACAP, Helder Barata Pedro,

Hugo Moreira Luís dá as Boas-vindas a Mafra

abriu os trabalhos com quatro pedidos ao poder político: reconhecimento da náutica de recreio como área estratégica, criação de um Plano Nacional a 20 anos, modernização das infraestruturas do mar e um programa de simplificação administrativa, o “Simplex Náutica”. A mensagem foi clara, o setor tem peso económico, social e territorial, mas precisa de enquadramento, visão e condições para crescer.

A intervenção seguinte, da Presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Carla Salsinha, ligou a náutica aos territórios e à criação de valor local, reforçando o papel da atividade na atratividade turística e na diversificação económica das comunidades costeiras.

Com este enquadramento político e estratégico, iniciouse um programa extenso, organizado em quatro painéis temáticos. O primeiro centrou-se na simplificação administrativa, destacando a necessidade de reduzir prazos, consolidar competências e criar mecanismos digitais eficazes para regular a atividade. O segundo painel analisou o estado das infraestruturas náuticas, identificando desafios de capacidade, manutenção, modelos de gestão e coordenação institucional, e reforçando a importância das marinas, portos de recreio e equipamentos de apoio para a economia azul. O terceiro painel trouxe ao palco a inovação, novos produtos, tecnologias sustentáveis, investigação aplicada, digitalização e projetos de base académica que mostram a vitalidade do ecossistema nacional. O quarto e último painel avançou para recomendações práticas, discutindo integração de processos, articulação entre entidades e soluções de médio e longo prazo para consolidar a náutica como setor estratégico.

Entre os momentos centrais do programa destacou-se ainda o keynote speaker do Congresso, Duarte Cordeiro, que abordou a sustentabilidade e o alinhamento da náutica de recreio com os objetivos de descarbonização. Assinalou que o setor enfrenta constrangimentos estruturais, em especial na área das infraestruturas e que a transição depende de atuação “ao nível da infraestrutura, financiamento para a transição, competências e cir-

cularidade”. Enquadrou ainda a atividade no contexto das políticas ambientais e energéticas nacionais.

A intervenção europeia de Philip Easthill, Secretário-Geral da European Boating Industry, apresentou uma visão europeia sobre tendências de mercado, novos públicos, crescimento do turismo náutico e desafios regulatórios. Realçou a importância da competitividade industrial, da colaboração entre Estados e

da articulação entre políticas públicas e empresas, enquadrando Portugal no contexto do setor europeu.

Com este conjunto de contributos, o Congresso lançou as bases para um novo ciclo de políticas, instrumentos e prioridades para o desenvolvimento da náutica de recreio e da economia azul em Portugal. A seguir, apresentamos os destaques dos painéis e os momentos mais relevantes que marcaram o Congresso.

Carla Salsinha do Turismo da Região de Lisboa abre os trabalhos
Helder Barata Pedro recebe os participantes em nome da ACAP

Painel I

Simplificação administrativa, um sistema pensado para desmaterializar que continua preso à redundância

Oprimeiro painel, moderado por Fernando Sá (ACAP), expôs de forma directa o principal bloqueio da náutica de recreio em Portugal, a distância entre o sistema legalmente concebido para ser digital, simples e previsível, e a realidade de procedimentos redundantes, demorados e frequentemente incoerentes. Empresas, DGRM e IRN concordaram no essencial, a simplificação prevista em 2018 não se concretizou e o actual modelo penaliza a actividade económica, os utilizadores e a competitividade do país.

Do lado das empresas, Dora Silva (Obe & Carmen) partiu de casos concretos para ilustrar como o BMar, inicialmente apresentado como balcão único digital, acabou por duplicar procedimentos. O requerente introduz o processo no BMar, mas depois a Capitania exige novamente os mesmos documentos e repete a verificação, transformando um sistema que deveria substituir o anterior num circuito paralelo. Em vez de eficiência, instalou-se

Simplificação Administrativa. Registos, licenças e digitalização

redundância administrativa, dois processos para o mesmo pedido, tempos mais longos, maior incerteza e mais custos.

A oradora deu exemplos de operações simples, como substituir um motor por outro de igual potência, que em Espanha se resolvem com factura e verificação técnica, enquanto em Portugal exigem autorizações, taxas e prazos que afectam a utilização da embarcação. Também relatou casos de ensaios e apresentações de modelos novos que fabricantes decidiram realizar em Espanha, apesar de produzirem os barcos em Portugal, porque o enquadramento nacional torna morosos processos, que noutros países são imediatos.

A comparação com Espanha surgiu repetidamente, ali coexistem uma matrícula europeia paga e um registo nacional gratuito para navegação interna, aqui, as taxas são mais elevadas e os tempos de decisão mais longos.

Já Stefania Balzer (Grupo Angel Pilot) reforçou que o

principal problema é a previsibilidade, os prazos variam, as empresas não conseguem informar clientes sobre datas de entrega de embarcações registadas e aptas a navegar, e a instabilidade afecta vendas e planeamento. Em casos extremos, há clientes que desistem da compra, outros recorrem a registos estrangeiros mais simples, como o regime polaco, que representa já cerca de 15% das embarcações de recreio no Porto de Lisboa.

Na vertente das propostas, as empresas defenderam uma aplicação plena da lei, nomeadamente no livrete eletrónico, e a criação de registos provisórios automáticos no BMar, após pagamento online, seria atribuída uma matrícula provisória que permitiria usar a embarcação enquanto decorre a verificação humana e a emissão do título definitivo. Esta solução aproxima-se das melhores práticas de sectores com maior maturidade digital.

Quando chamado a responder, António Coelho Cân-

dido, Director-Geral da DGRM não relativizou o diagnóstico, classificou o estado actual como “inadmissível”. Recordou que o Decreto-Lei que criou o SNEM previa desmaterialização real, interoperabilidade entre DGRM, Autoridade Marítima e IRN, um livrete totalmente eletrónico e prazos definidos, objectivos que, sete anos depois, não foram cumpridos. A razão central, assumiu, foi a falta de preparação, não houve mapeamento exaustivo dos processos nem uma verdadeira articulação entre as entidades. Resultado, procedimentos que deveriam fluir digitalmente continuam a ser manuais, tarefas são executadas por entidades sem competência formal definida, e os prazos legais são sistematicamente ultrapassados. Ainda assim, a DGRM destacou um ponto de enquadramento, uma embarcação é um bem sujeito a regras de soberania e jurisdição marítima, com exigências distintas das de um veículo terrestre, mas isso não justifica a complexidade instalada. A prioridade agora é reconfigurar a arquitectura do sistema, clarificar competências, garantir que o BMar é a única porta de entrada e eliminar duplicações. O processo de mapeamento conjunto com a Autoridade Marítima e o IRN está em curso e deverá permitir que a informação circule internamente, sem repetição pelo utilizador. O responsável reconheceu também atrasos graves nas vistorias, defendendo uma revisão baseada em risco, se o Estado não tem meios para cumprir os prazos, deve ajustar as exigências à capacidade real.

Na intervenção seguinte, o Presidente do IRN, José Rodrigues da Ponte, esclareceu

a natureza registal da instituição, o registo nas Capitanias não é um registo civil de propriedade, mas uma classificação técnica para efeitos de uso e segurança. O papel do IRN é garantir a titularidade do bem, a existência de ónus e o histórico jurídico, permitindo que a embarcação funcione como activo com segurança jurídica. Explicou que, durante décadas, este registo foi residual e suportado em livros físicos, dificultando operações financeiras e transmissões. Com o novo sistema informático do IRN para embarcações e navios, a realidade

Painel II

mudou, passaram de cerca de 150–200 registos anuais para mais de 800 só em 2024, com vários serviços já disponíveis online, incluindo registo inicial, transmissões e hipotecas. A integração tecnológica com o BMar e o SNEM está praticamente concluída, faltando apenas validar a data de entrada em produção do novo modelo, em que o BMar continuará a ser o balcão único do cidadão, mas comunicará de forma automática com o IRN. O objectivo é que o utilizador não tenha de ir a uma conservatória e que todo o processo ocorra digitalmente.

O IRN reconheceu, porém, que a legislação de 2018 não clarificou suficientemente as fronteiras entre competências técnicas e competências de registo, criando zonas cinzentas que exigem revisão conjunta. Uma solução integrada, técnica, jurídica e digital, é, segundo o Presidente, a única forma de garantir simplificação verdadeira.

O painel encerrou com um ponto de convergência, todos os intervenientes concordaram que o sistema actual não cumpre a intenção original, mantém redundâncias, ultrapassa prazos, desincentiva

investimento e compromete a competitividade da náutica de recreio em Portugal. As empresas pedem previsibilidade, a DGRM compromete-se a reformular processos e tecnologia, o IRN acelera a sua transformação digital e propõe clarificação institucional. O debate funcionou menos como confronto e mais como compromisso público, a expectativa é que na próxima edição do Congresso a simplificação administrativa deixe de ser tema recorrente e passe a ser a base operacional para o crescimento da náutica de recreio em Portugal.

Infraestruturas Náuticas: entre a necessidade de investimento, modelos de gestão e integração territorial

No segundo painel do Congresso, moderado por Lourenço Saldanha da Gama (ACAP), reuniu Isolete Correia (APPR), Luís Vasconcelos (Lindley Marinas), Patrícia Bairrada (APRAM – Portos da Madeira) e Vítor Caldeirinha (Porto de Lisboa) para um debate centrado no futuro das infraestruturas

náuticas, marinas, portos de recreio, rampas de varadouro, equipamentos técnicos e serviços de apoio, deixando claro que a capacidade de Portugal acompanhar o crescimento da náutica de recreio depende, em grande medida, da forma como o país planeia, gere e moderniza estes espaços. A ideia

transversal, comum a todos os intervenientes, foi inequívoca, as infraestruturas não podem existir isoladas do território. Devem servir as comunidades, criar emprego local, oferecer serviços acessíveis e contribuir para a economia regional, evitando a perceção de elitização que ainda persiste em vários contextos.

Infraestruturas Náuticas. Desafios e Oportunidades

A Presidente da APPR, Isolete Correia, abriu o painel com um diagnóstico direto sobre aquilo que considera ser um entrave ao desenvolvimento das marinas em Portugal, a crescente fragmentação administrativa. Recordou que, até há poucos anos, a gestão e supervisão destas infraestruturas passava por entidades como a Docapesca ou por exemplo, as Administrações Portuárias de Lisboa e Sines. Hoje, a tutela recai sobretudo nas autarquias, criando um mosaico de procedimentos, interpretações e práticas que variam de município para município. Para Isolete Correia, esta dispersão tem consequências muito concretas, muitos municípios não dispõem de equipas especializadas para lidar com projetos complexos como os de marinas, os investidores enfrentam processos longos e opacos, que envolvem CCDR, APA, tutela e câmaras, e os estudos de impacto ambiental, absolutamente necessários, acabam por se

prolongar durante anos, mesmo quando existe vontade e capital privado disponível para avançar. Sublinhou que há projetos bloqueados há mais de duas décadas e defendeu a criação de uma entidade nacional que traga coerência e previsibilidade, não para recentralizar tudo em Lisboa, mas para criar enquadramento claro e estável.

A intervenção de Luís Vasconcelos, da Lindley Marinas, trouxe ao debate a perspetiva técnica e operacional. Explicou que as marinas são infraestruturas particularmente exigentes, estão expostas a ciclos agressivos de maré, intempéries e desgaste constante, exigindo manutenção regular e investimentos contínuos. Portugal, afirmou, tem falhado na atualização das infraestruturas existentes e precisa de políticas públicas que reconheçam a necessidade de modernização permanente, não apenas de novas construções. Chamou também a atenção para o facto de a ideia de que as marinas são espaços elitistas não corresponder à realidade, ali convivem proprietários, tripulações, operadores turísticos, utilizadores ocasionais, praticantes de desportos náuticos,

Painel III

Projetos Inovadores

Oterceiro painel do Congresso revelou, com particular clareza, como a inovação já está a reconfigurar o setor náutico em Portugal, trazendo para o mesmo palco a indústria, a tecnologia, o digital e a academia. Sob moderação de Francisco Galhoz (ACAP), o painel reuniu intervenções densas e concretas, que mostraram tanto o potencial como as fragilidades atuais.

A intervenção de Pedro Nunes, da Yamaha Motor Europe, foi profundamente ancorada

clientes de alugueres de curta duração e modelos emergentes de uso partilhado. É um ecossistema variado, que exige respostas igualmente variadas. E alertou que o setor enfrenta uma transição tecnológica acelerada, desde embarcações elétricas, a modelos de leasing, passando por sistemas de gestão digital e novos perfis de utentes, para a qual grande parte das marinas portuguesas ainda não está preparada, sobretudo no que diz respeito a capacidade elétrica, carregamento e áreas técnicas adaptadas.

Numa segunda intervenção, Isolete Correia aprofundou a ideia de que as infraestruturas náuticas são muito mais do que postos de amarração. Defendeu uma visão abrangente, postos em terra, rampas, gruas, áreas de manutenção, serviços técnicos, soluções para embarcações pequenas, médias e grandes. Sublinhou o impacto económico das tripulações de grandes embarcações, muitas vezes subestimado, e lembrou que sem uma oferta diversificada e integrada o país não conseguirá responder às diferentes tipologias de utilizadores. Reforçou que Portugal apresenta carências significa-

Lourenço Saldanha da Gama e Isolete Correia durante o Painel das Infraestruturas Náuticas

tivas em infraestruturas básicas que facilitam a vida aos nautas e que poderiam, com investimentos relativamente modestos, gerar grande valor económico e social.

Da discussão emergiu um ponto que uniu todos os intervenientes, a importância da integração territorial e da coerência administrativa. Infraestruturas náuticas planeadas de forma isolada, sem articulação entre câmaras, ambiente, portos, concessionários, operadores turísticos e comunidades locais, geram conflitos, atrasos e perceções negativas. Quando articuladas com o território, tornam-se motores de desenvolvimento económico e social, capazes de transformar economias locais e de

projetar Portugal no contexto da náutica internacional.

O painel terminou com uma conclusão forte, Portugal possui condições naturais excecionais, um clima competitivo e operadores experientes, mas arrisca perder oportunidades se não resolver dois problemas essenciais, a falta de coerência administrativa e a necessidade urgente de modernização das infraestruturas. A náutica de recreio pode crescer de forma sustentável, gerar emprego qualificado e contribuir significativamente para o PIB, mas só se o país assumir as infraestruturas náuticas como um pilar estratégico da economia azul e não como um conjunto disperso de equipamentos isolados.

na história do associativismo náutico português e numa visão de futuro sustentada na digitalização. Antes de apresentar o MySea, Pedro Nunes recordou que o ano seguinte marcaria os 40 anos do Congresso dos Desportos Náuticos organizado pelo Notícias do Mar e da criação da APICAN, sublinhando o papel fundacional do associativismo na construção do setor.

Em seguida, explicou o MySea, descrevendo-o como um “agregador de informação

Francisco Galhoz e Pedro Nunes falam sobre o MySea

útil” tanto para nautas experientes como para quem ainda não iniciou o seu percurso

na náutica. O MySea é uma plataforma aberta, integrada no site da Yamaha, mas não

limitada aos seus clientes. Reúne lojas, concessionários, parceiros marítimo-turísticos, legislação, escolas náuticas, eventos, dicas ambientais, notícias e um roteiro náutico que inclui marinas, restaurantes, hotéis e acessos à água. A ideia é simples, mas estruturante, unificar informação dispersa e criar uma porta de entrada acessível ao mar.

Pedro Nunes insistiu que o objetivo não é apenas melhorar o serviço ao cliente, mas atrair novos utilizadores, sobretudo jovens que vivem em ambiente digital. Ligar o online ao offline, disse, é essencial para promover um turismo náutico “inteligente e saudável”. O MySea integra ainda conteúdos de sustentabilidade, alinhados com iniciativas que a Yamaha tem vindo a desenvolver, como o movimento

Clean the Sea, iniciado com Garrett McNamara e hoje coordenado com Miguel Lacerda. No capítulo da transição energética, o orador explicou que a Yamaha adotou uma estratégia ambiental para a Europa, a Sustainability 4+, que inclui metas de neutralidade carbónica em 2035 para as fábricas e 2050 para toda a cadeia de abastecimento. A aquisição da Torqeedo, que produz motores elétricos, foi apresentada como o maior sinal de que a marca se está a reposicionar para responder às exigências ambientais. Pedro Nunes concluiu garantindo que a Yamaha vê “com muita confiança” o futuro da náutica em Portugal, uma confiança reforçada, no Congresso, pela intervenção do Diretor-geral da DGRM.

Seguiu-se a intervenção de

Alain Afonso, da Brunswick, que aprofundou a perspetiva industrial. A Brunswick, um dos grandes players globais do setor, tem em Portugal uma operação de grande escala localizada em Vila Nova de Cerveira, onde já produz anualmente milhares de embarcações. Alain Afonso apresentou alguns dos produtos mais recentes, incluindo o motor V10 de 425 cv e novas funcionalidades de apoio à navegação, como sistemas de docking simplificado, explicando que o objetivo é democratizar o acesso, reduzindo a complexidade operacional e tornando a náutica mais simples e segura para todos. Destacou também os quatro modelos da gama Bayliner lançados este ano, V20, V20i, C21 e C21i. Revelou que a fábrica portuguesa lançou quatro novos modelos este ano e tem mais três em desenvolvimento, aos quais se soma a transferência de produção da Polónia de um modelo de maior dimensão. A expansão industrial em Portugal depende, afirmou, de demonstrar à sede global que o país reúne condições competitivas e previsíveis. Por isso, considerou essencial eliminar barreiras administrativas, acelerar aprovações e garantir estabi-

lidade regulatória. A produção náutica, afirmou, prova que o setor tem capacidade para aumentar o PIB e criar emprego qualificado, desde que exista um enquadramento que não penalize o crescimento. Foi com a intervenção de Gonçalo Dahlin Correia, do Técnico Solar Boat, que a sala entrou num registo de futuro imediato. Representando a geração emergente da náutica nacional, Gonçalo apresentou o São Gabriel 01, a sétima embarcação desenvolvida pelo grupo de estudantes do Instituto Superior Técnico. O projeto integra três áreas tecnológicas de ponta: hidrofoils, que na embarcação anterior já tinham permitido aumentos de eficiência energética na ordem dos 85% em condições favoráveis, um sistema de propulsão a hidrogénio, e um módulo avançado de navegação autónoma. Gonçalo explicou que a grande ambição da equipa é transformar a embarcação numa plataforma onde se teste e valide tecnologia que poderá ser aplicada tanto na náutica de recreio como na navegação comercial. A equipa desenvolveu algoritmos de desvio automático de obstáculos, atracação autónoma e pathfinding, sempre respeitando regras internacionais de navegação.

A ligação à Marinha Portuguesa foi também detalhada. O Técnico Solar Boat tem participado no exercício REPMUS nos últimos anos, testando a embarcação autónoma Sombrero 01 e respondendo a desafios como o mapeamento de portos e identificação de estruturas submersas. Gonçalo referiu ainda que ex-membros da equipa já integram projetos de desenvolvimento de embarcações autónomas na área da defesa, embora não tenha podido detalhar devido à natureza sensível desses programas. Contudo, apesar do reconhecimento institu-

Os Projetos inovadores estiveram em destaque no Congresso

cional, deixou alertas claros, a Engenharia Naval, exclusiva do Técnico em Portugal, forma profissionais muito procurados, mas as condições remuneratórias e de progressão fazem com que a maioria dos recém-graduados procure formação e emprego no estrangeiro. Segundo o orador, Portugal perde talento não por falta de capacidade científica ou industrial, mas por ausência de condições estruturais que permitam fixar estes jovens.

A resposta final veio de Rúben Eiras, do Fórum Oceano, que preferiu encarar este cenário não como desperdício, mas como “potencial por concretizar”. Sublinhou que empresas de referência mundial já estão instaladas em Portugal e que a nova geração, como demonstrado pelo Técnico Solar Boat, tem competências alinhadas com o que os investidores internacionais procuram, eletrificação, hidrogénio, hidrofoils, automação e navegação autónoma. O que

falta, afirmou, é resolver rapidamente problemas administrativos, regulatórios e de co-

ordenação institucional, para que este ecossistema passe da promessa à escala.

Potencial de Desenvolvimento da Náutica de Recreio em Portugal

Intervenção de Hermano Rodrigues | Diretor na EY-Parthenon

A apresentação de Hermano Rodrigues, Diretor na EY-Parthenon, trouxe ao congresso a leitura mais abrangente sobre o peso económico da náutica de recreio em Portugal e sobre o potencial de crescimento do setor. A intervenção assentou em três eixos, análise comparativa internacional, lacunas de informação e prioridades para um estudo robusto que permita orientar políticas públicas e investimento privado.

Condições naturais fortes, mas expressão económica reduzida

O orador começou por lembrar que Portugal reúne condições endógenas excecionais para o desenvolvimento da náutica de recreio, uma costa superior a 2.800 quilómetros (continente + ilhas), 37 marinas e

portos de recreio, 42 estações náuticas verificadas e mais de 73 mil embarcações registadas. Em 2023 existiam ainda 6.579 cartas de navegador de recreio, sinal de dinamismo crescente.

A fotografia económica mostra um setor em expansão: - 6.114 empresas ligadas à náutica de recreio, - cerca de 9.770 trabalhadores, - 556 milhões de euros de volume de negócios, - um ritmo de crescimento anual que, entre 2021 e 2023, ultrapassou os 20% em volume de negócios e 23% em valor acrescentado bruto.

Estes dados confirmam que o setor está a crescer e a gerar mais valor. No entanto, continuam muito distantes da escala dos principais mercados europeus.

Comparação europeia

revela potencial elevado, distância ainda maior No panorama europeu, Portugal surge na 12.ª posição em valor económico da náutica de recreio. A liderança pertence à Itália, que representa 13% do valor total da náutica na UE27, seguida de França, Alemanha, Países Baixos e Espanha. A discrepância é significativa, o volume gerado por Itália supera em muitas vezes o português.

Mesmo países mais comparáveis em dimensão, como os Países Baixos, têm um valor económico claramente superior. A comparação evidencia o principal défice português, a oferta ligada ao turismo náutico, onde o país permanece muito abaixo das possibilidades dadas pela sua geografia.

Na construção e reparação náutica, Portugal tem mostrado evolução, sobretudo

pela atração de investimento estrangeiro, mas no turismo náutico, marinas, serviços, operações, capacidade de atração internacional, o país ainda opera muito aquém do seu potencial.

Empresas pequenas, produtividade baixa e escala insuficiente

Hermano Rodrigues apresentou indicadores que ajudam a contextualizar esta distância: - as empresas portuguesas da náutica de recreio têm, em média, 1,6 trabalhadores, - o valor acrescentado por trabalhador situa-se nos 20 mil euros/ano, muito abaixo de Itália, França ou Espanha. Os números confirmam que há margem para crescer em escala, produtividade e valor económico, especialmente nas atividades ligadas ao turismo náutico, onde Portugal tem condições naturais

A Yamaha patrocinou e teve alguns motores em exposição A

superiores às dos países que hoje lideram o setor.

Faltam estudos robustos e dados consistentes

Um dos momentos mais marcantes da intervenção foi a constatação de que a náutica de recreio em Portugal continua a ser um setor pouco estudado. Existem poucos docu-

mentos, poucos diagnósticos e poucos dados integrados.

O orador foi claro, “Faltam estudos robustos para orientar políticas e atrair investimento.”

Além da escassez de informação nacional, também no contexto europeu a produção de conhecimento é limitada, apesar de existirem algumas referências relevan-

Painel IV

públicas existentes e da sua eficácia;

- benchmarking detalhado com países de referência;

- diagnóstico das tendências internacionais, nomeadamente o crescimento de modelos de uso partilhado, embarcações elétricas, serviços de alto valor, operação profissionalizada e integração tecnológica;

- construção de cenários e projeções;

tes, estudos sobre impacto económico, boas práticas de gestão de marinas e análises académicas sobre formação e atividades associadas.

Segundo Hermano Rodrigues, esta falta de base analítica dificulta a definição de políticas públicas, a construção de estratégias regionais e a capacidade de captar investidores internacionais.

A necessidade de um estudo nacional estruturado O orador apresentou a metodologia-base para um estudo completo da náutica de recreio em Portugal, um trabalho que permita identificar o setor, mapear atividades, compreender o impacto económico e construir recomendações.

Entre os elementos essenciais, destacou:

- uma caracterização fina das competências instaladas;

- levantamento das políticas

Debate final e recomendações práticas: governança, investimento e futuro da náutica

OPainel IV encerrou o congresso com um debate assumidamente político sobre o futuro da náutica de recreio e da economia do mar. Reunidos estavam o poder local, administração central, empresas e cluster: Hugo Moreira Luís (Presidente da Câmara

de Mafra), Marisa Lameiras (Diretora-Geral da Política do Mar), Hugo Bastos (Mystic Cruises) e Carlos Costa Pina (Fórum Oceano), moderados por Miguel Ferreira (ACAP). O ponto de partida foram os números da economia azul, que representa cerca de 6% do

PIB e onde o turismo náutico e costeiro tem um peso crescente. A pergunta que orientou todo o debate foi como transformar este potencial num setor mais previsível, acessível e competitivo.

Simplificação administra-

- definição de um plano de ação para os próximos anos. Segundo a estimativa da EY-Parthenon, um estudo desta magnitude poderia ser executado em 2 a 3 meses, com efeitos multiplicadores relevantes no curto prazo para o setor.

Escalar o setor, do diagnóstico à ação

A intervenção terminou com um apelo claro à construção de uma agenda coletiva para o setor, envolvendo empresas, Governo, autarquias e entidades reguladoras. A mensagem final centrou-se na necessidade de definir prioridades nacionais e de criar condições para que a náutica de recreio se torne um vetor estratégico da economia azul.

Para o orador, Portugal reúne todas as condições naturais e territoriais para estar entre os melhores da Europa, o que falta é informação consolidada, coordenação institucional e visão estratégica.

tiva: coordenação acima de tudo

Instado a indicar medidas de impacto imediato, o Presidente da Câmara de Mafra focou-se na forma como o Estado se organiza. A seu ver, o problema já não é a falta de legislação, mas a falta de coerência entre entidades, a indefinição de prazos e a distância entre o desenho legal e a aplicação prática. Defendeu que a simplificação deve ser

Ruben Eiras da Fórum Oceano foi um dos intervenientes
Duarte Cordeiro foi o Keynote Speaker

um exercício de coordenação institucional e não apenas de alteração normativa, insistindo na necessidade de colocar administração central, autarquias e autoridades setoriais “à mesa”, avaliando a exequibilidade real das normas. Sem esta articulação, alertou, os atrasos acumulam-se e travam projetos que o país afirma querer concretizar.

A visão da administração central: digitalização e interoperabilidade

Marisa Lameiras enquadrou o papel da DGPM na implemen-

tação da Estratégia Nacional para o Mar e na monitorização da economia azul. Reconheceu que a burocracia afeta também quem está dentro do Estado e defendeu a digitalização como instrumento de transparência, eficiência e confiança. Sublinhou que a interoperabilidade entre sistemas informáticos é condição necessária para qualquer “simplex” funcional. Assinalou ainda que a fragmentação institucional é real, há comissões sobre o espaço marítimo que chegam a reunir 20 ou 30 entidades com poder de veto, tor-

nando difícil avançar mesmo onde existe consenso político.

Coordenação política: Ministério do Mar e guichet único

Na intervenção seguinte, Carlos Costa Pina recuperou a proposta, já assumida pela Fórum Oceano antes das últimas eleições, da criação de um Ministério do Mar, não por razões partidárias, mas como instrumento de coordenação. Embora reconhecendo que tal não foi opção do Governo, insistiu na necessidade de um “guichet único” para os temas do mar, incluindo a náutica de recreio, que permita aos cidadãos e operadores tratar dos seus processos sem atravessar múltiplas camadas da administração. Defendeu igualmente que o país precisa de comparar sistematicamente os seus prazos, custos e modelos regulatórios com os de outros países europeus, assegurando competitividade na atração de investimento.

As empresas: o impacto diário da falta de previsibilidade

Hugo Bastos trouxe a dimensão prática do problema através de exemplos ilustrativos. No abastecimento de com-

bustível, explicou que a utilização de gasóleo isento depende de procedimentos com a GNR que, em alguns portos, só opera em dias úteis, dificultando abastecimentos ao fim de semana, precisamente quando a procura turística é maior. Quanto aos pagamentos de serviços públicos, descreveu circuitos internos lentos que fazem com que um pedido iniciado numa sextafeira só avance vários dias depois, propondo a criação de contas-correntes ou sistemas de caução para armadores. Referiu ainda dificuldades no registo de contratos de construção naval, dependentes de números gerados por sistemas estatais ainda não operacionais, e divergências entre alfândegas de portos distintos, que aplicam critérios diferentes a situações equivalentes. A mensagem foi simples, há melhorias possíveis com pequenas alterações legais e melhor coordenação.

Infraestruturas: segurança jurídica, concessões e capacidade instalada Entrando no tema das infraestruturas, o painel recordou que existem cerca de 75.000 embarcações registadas para apenas 13.000 postos de amarração, e que a última grande marina construída foi a Douro Marina, em 2012. Projetos como a Marina de Setúbal acumulam anos de procedimentos. Foram apontados exemplos de potencial subaproveitado, a ria de Aveiro, Faro, várias docas de Lisboa e o porto de pesca da Ericeira, que poderiam integrar usos mistos com náutica de recreio.

Hugo Bastos destacou dois fatores que travam investimento, a complexidade do licenciamento, com cerca de 30 entidades envolvidas em alguns processos e a falta de previsibilidade nas concessões. Defendeu que, sem

Philip Easthill deu as Perspectivas da Indústria Europeia
Hermano Rodrigues apresentou Potencial de Desenvolvimento da Náutica de Recreio em Portugal

horizontes temporais claros e regras estáveis, é impossível montar planos de negócio robustos. A extensão para 75 anos do prazo máximo das concessões portuárias foi vista como positiva, mas insuficiente se não vier acompanhada de segurança jurídica. Sublinhou ainda que marinas e infraestruturas só são financeiramente viáveis quando integradas com outros usos, imobiliários, comerciais ou de serviços, como acontece noutros países. Comparou também modelos fiscais, referindo que taxas reduzidas na Grécia convivem com forte dinamismo económico na área marítima e que, em Espanha, navios que operam em Portugal deslocam-se para abastecer em condições mais favoráveis.

Democratizar a náutica: acesso, formação e cultura marítima

Carlos Costa Pina abordou a necessidade de democratizar o acesso à náutica. Portugal, com vasta costa e importantes recursos fluviais, continua a ter um número reduzido de embarcações de recreio. Sugeriu que autarquias, incluindo as do interior, tenham um papel mais ativo na promoção da náutica enquanto prática desportiva e educativa, e defendeu a integração de desportos náuticos nos currículos escolares. Na sua visão, o aumento da procura social estimularia o investimento em infraestruturas, serviços e indústria associada.

Marisa Lameiras reforçou esta perspetiva, destacando que a economia do mar cres-

ce acima da média nacional e cria emprego qualificado, sobretudo entre os jovens. Sublinhou que a sustentabilidade deve ser simultaneamente económica, social e ambiental, e que a náutica pode ser uma ferramenta de valorização territorial se enquadrada com critérios claros de planeamento.

Governança e execução: gabinete técnico e foco no terreno

Na reta final, regressou o tema da coordenação. Foi debatida a criação de um gabinete técnico interministerial dedicado ao mar e à náutica, com mandato claro, capacidade de decisão e foco na execução, e não na produção de mais normas. A ideia mereceu abertura dos presentes, mas com a condição de não criar mais burocracia.

As empresas foram taxativas, o setor não precisa de mais leis, mas de decisões claras, prazos respeitados e

regras previsíveis. Foram citados exemplos que mostram o desfasamento entre discurso e prática, como linhas do PRR que excluem águas interiores ou portos ainda sem capacidade para fornecer energia em terra a navios preparados para operar com ligação elétrica.

O Painel IV terminou com convergência entre atores distintos, é indispensável reforçar a articulação institucional, criar instrumentos de coorde-

nação como um guichet único ou gabinete técnico, garantir segurança jurídica para investimento, consolidar a digitalização com interoperabilidade real e democratizar a náutica enquanto prática social e económica, mas acima de tudo, é necessário passar da intenção à execução. O setor já não precisa que lhe digam o que fazer, precisa que o país faça efetivamente aquilo que está previsto.

Prémio Farol 2025

Uma estreia com significado profundo

O

Congresso ficou marcado pela primeira entrega do Prémio Farol, distinção criada pela Divisão Náutica da ACAP para reco-

nhecer personalidades que, ao longo da sua carreira, contribuíram para afirmar a náutica de recreio e a cultura marítima em Portugal. O

O Debate final deixou Recomendações práticas

prémio nasce com o propósito de dar visibilidade a quem tem sido “farol”, na ação, na persistência e na capacidade de mobilizar setores que vivem do mar e para o mar e por isso mesmo, não poderia ter começado com nomes maiores.

Nesta edição inaugural, o Prémio Farol distinguiu Antero dos Santos e António José Correia, duas figuras cuja influência ultrapassa instituições e décadas. A entrega da distinção esteve a cargo de Garrett McNamara, num momento que juntou simbolis-

Uma plateia atenta e participante

mo, reconhecimento público e emoção genuína na sala. A apresentação de Antero

dos Santos foi feita com uma simplicidade carregada de sentido e um dos momentos

mais intensos do Congresso:

“Este prémio é um reconhecimento, mas a verdade é que o homenageado não precisa dele para ser reconhecido. Todos vocês o conhecem. É amigo de muitos, mentor de alguns. E fez pela náutica algo único em Portugal. Desde o primeiro momento procurou dinamizar, dar visibilidade e afirmar um setor que tanto precisa de ser visto para poder crescer. O fundador do jornal Notícias do Mar, e amigo de tantos aqui presentes, Antero dos Santos.”

No instante em que Antero

Sessão de Encerramento

Salvador

de Estado das Pescas e do Mar

Asessão de encerramento ficou marcada pela intervenção do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, que iniciou a sua participação associando-se à homenagem prestada através do Prémio Farol. Destacou a capacidade de António José Correia para aproximar setores tradicionalmente separados, como a náutica, a pesca e a conservação marinha, reconhecendo-lhe um papel agregador e uma visão prática sobre a convivência entre atividades que, por vezes, são vistas como concorrentes. Sublinhou, a propósito, que “a náutica pode conviver com a pesca, e a pesca pode

dos Santos foi chamado ao palco, a sala levantou-se inteira. Um aplauso entusiástico, prolongado e espontâneo percorreu o Claustro Sul. Não foi apenas respeito, foi reconhecimento coletivo por alguém que, durante décadas, deu voz ao mar, às comunidades costeiras, aos clubes, aos praticantes e às histórias que fazem a náutica viver para lá das estatísticas. Foi, para muitos participantes, o momento mais emotivo de todo o Congresso e a prova de que o Prémio Farol nasceu com propósito sólido e justo.

conviver com a biodiversidade marinha, desde que todos remem para o mesmo lado” Abordou também o tema da embarcação Crioula, uma referência histórica para a região de Aveiro. Assumiu publicamente o empenho pessoal em encontrar uma solução para a sua requalificação, admitindo que o programa EEA Grants, referido durante o congresso, poderá não ser o instrumento adequado para financiar este tipo de intervenção. Revelou, contudo, que após o Conselho de Ministros desse mesmo dia discutiu o assunto com os Ministros do Ambiente e da Defesa, garantindo que existe abertura para identificar uma via de financiamento entre os três ministérios. Comprometeu-se a trabalhar para tornar o projeto uma realidade.

Garrett McNamara fez as honras do Troféu Farol
Antero dos Santos recebe o Troféu Farol
António José Correia foi um dos Homenageados do dia

Antes de entrar no discurso formal, Salvador Malheiro deixou uma nota sobre o que ouviu ao longo do dia: registou as preocupações e reforçou a importância da “discriminação positiva” para setores que criam valor, defendendo que se deve premiar quem investe, quem trabalha e quem contribui para o desenvolvimento económico do mar.

Um setor com peso crescente na Economia Azul No discurso oficial, o Secretário de Estado destacou o papel da náutica de recreio e das atividades marítimo-turísticas dentro da Economia Azul portuguesa, sublinhando que se trata de um setor relevante na geração de valor, emprego e atratividade territorial. Reforçou ainda que a náutica é, pela sua natureza, uma das formas mais diretas de ligação dos cidadãos ao mar, elemento identitário da história marítima do país.

Com base na Estratégia Nacional para o Mar 20212030, Salvador Malheiro lembrou que a náutica de recreio está identificada como área prioritária de intervenção e alinhada com objetivos europeus e internacionais ligados ao mar, à inovação e à sustentabilidade.

Infraestruturas, regulamento e previsibilidade O Secretário de Estado reconheceu os desafios levantados ao longo do congresso, sublinhando a necessidade de consolidar infraestruturas, ajustar o quadro regulamentar e garantir previsibilidade e agilidade administrativa.

Assumiu que esta visão é partilhada pelo Governo e

que qualquer impulso à economia azul deve ser equilibrado com outras atividades marítimas e com a conservação da natureza. Nesse sentido, apontou que Marinas e Portos de Recreio devem ser planeados de forma integrada, respeitando comunidades piscatórias e ecossistemas. Destacou exemplos considerados positivos:

- Rede de Estações Náuticas – evidência de como a oferta náutica pode estar alinhada com a valorização dos territórios.

- Projeto de Porto Brandão – apoiado pelo EEA Grants e citado como caso de requalificação que cruza funcionalidade, sustentabilidade e potencial turístico.

- Convivência de usos na Ericeira – onde náutica de recreio, surf e pesca tradicional coabitam num mesmo ecossistema costeiro.

Reduzir burocracias e melhorar a coordenação

Salvador Malheiro reconheceu que os constrangimentos administrativos e operacionais apontados ao longo do dia exigem coordenação

A organização do Congresso ACAP

entre entidades públicas. Admitiu que há margem para melhorar e que o Governo está a trabalhar para acelerar processos e garantir condições de investimento mais previsíveis.

Salientou que a ACAP e as associações do setor têm desempenhado um papel importante ao apresentar propostas e identificar prioridades e assegurou que o Governo acolhe e analisa essas contribuições à luz das políticas públicas para o mar.

Uma mensagem de continuidade

O Secretário de Estado encerrou a sessão com uma nota

de incentivo ao diálogo entre Estado e setor privado, afirmando que Portugal dispõe de litoral, conhecimento técnico, empreendedores e instituições capazes de reforçar a posição do país como nação marítima.

Convidou todos os participantes a continuar a apresentar propostas e contributos pragmáticos e felicitou a ACAP pela organização do Congresso.

Terminou com uma mensagem de continuidade e ambição, “Que venham mais edições deste Congresso Internacional da Divisão Náutica da ACAP. E sempre a Navegar o Futuro.”

Convidados, oradores e organização do Congresso ACAP

Um momento de reflexão e debate sobre a náutica de recreio

OI Congresso Náutico Internacional “Navegar o Futuro” foi um importante momento de reflexão e debate

sobre a náutica de recreio em Portugal, ao reunir um conjunto alargado de agentes públicos, privados, institucionais e go-

vernativos em torno de prioridades comuns. Ao longo do dia tornou-se evidente que o setor tem condições para crescer, mas enfrenta obstáculos que só poderão ser ultrapassados com coordenação, previsibilidade e decisões consistentes.

A discussão em Mafra deixou evidente que um grande

bloqueio à evolução da náutica de recreio continua a ser a máquina administrativa. A distância entre o modelo previsto na lei, digital, integrado, eficiente, e a prática diária, redundante, lenta e imprevisível, compromete a competitividade das empresas e desmotiva o investimento. Empresas, DGRM e IRN convergiram num ponto essencial: é urgente um “Simplex Náutica” que entregue um verdadeiro balcão único digital, capaz de reduzir burocracias, cumprir prazos e restaurar confiança.

Em paralelo, tornou-se claro que o país precisa de uma política de infraestruturas para o mar que vá além de intervenções pontuais. Marinas, portos de recreio, rampas, serviços técnicos e equipamentos de apoio formam a espinha dorsal da atividade. Sem modelos de gestão estáveis, segurança jurídica e visão de longo prazo, Portugal não conseguirá captar o investimento necessário para modernizar e ampliar a capacidade instalada, nem evitar que oportunidades migrem para destinos mais competitivos.

Outro eixo forte do congres-

so foi a inovação. Empresas tecnológicas, grupos académicos e fabricantes mostraram que a náutica nacional já está a produzir soluções elétricas, plataformas digitais, embarcações de alta eficiência e sistemas autónomos. Há talento, conhecimento e capacidade industrial, falta garantir que o enquadramento administrativo, fiscal e as infraestruturas acompanham o ritmo desta transformação. A inovação existe, precisa agora de condições para escalar.

Os dados apresentados pela EY-Parthenon ajudaram a enquadrar esta evolução. Revelaram um setor com peso crescente, mais de seis mil empresas, cerca de dez mil trabalhadores e um volume de negócios superior a 500 milhões de euros, mas ainda sem a base estatística necessária para orientar políticas públicas com horizonte de vinte anos. Demonstraram também que, apesar das condições naturais e geográficas, Portugal continua distante dos países europeus mais fortes na náutica, sobretudo na capacidade de transformar costa e recursos em valor

económico. Esta dimensão europeia foi aprofundada pela intervenção de Philip Easthill, da European Boating Industry, que sublinhou tendências, novos públicos, turismo náutico, descarbonização, competitividade industrial, e mostrou onde o país pode posicionarse se ajustar o enquadramento regulatório e acelerar processos.

Ao longo do dia, uma conclusão ganhou força. O futuro da náutica dependerá menos de novas leis e mais da capacidade de as fazer cumprir. Coordenação entre entidades públicas, interoperabilidade digital, estabilidade regulatória nas concessões, mecanismos de financiamento adequados, integração com o território e uma articulação mais direta entre políticas públicas e dinâmicas empresariais foram apresentadas como condições de base. Em suma, o setor pede menos dispersão e mais execução, e Mafra mostrou que existe vontade coletiva para avançar nesse caminho.

O congresso ganhou um momento particularmente significativo com a entrega do Prémio Farol 2025. A distinção

As Estações Náuticas estiveram bem representadas no Congresso

atribuída a Antero dos Santos e António José Correia trouxe ao encontro uma dimensão humana, histórica e identitária. Recordou que o desenvolvimento da náutica em Portugal não se faz apenas de regulamentação, investimento e estratégia, mas também de pessoas que, criaram projetos, mobilizaram comunidades, promoveram o mar e ajudaram a construir uma cultura náutica que hoje permite avançar com mais ambição.

A sessão de encerramento consolidou a linha comum que atravessou o dia. Salvador Malheiro, o Secretário de Estado das Pescas e do Mar reforçou que a náutica deve ser tratada como parte integrante da estratégia nacional para o mar, afirmando que é preciso “potenciar a náutica e fazer dela uma âncora da nossa estratégia”. O apelo à integração institucional, à previsibilidade e ao foco na execução sintetizou o que vários oradores tinham defendido desde a manhã.

O Congresso encerrou com um diagnóstico partilhado. Portugal tem condições naturais excecionais, conhecimento técnico, capacidade empresarial e projetos inovadores que o colocam numa posição favorável para crescer na náutica de recreio, mas também ficou claro que o futuro dependerá da capacidade de simplificar processos, modernizar infraestruturas, coordenar entidades e criar um ecossistema onde empresas, investidores, utilizadores e comunidades possam avançar com segurança e clareza. O desafio que se segue é transformar consenso em implementação. Navegar o futuro, como repetido ao longo do dia, exige agora sistemas que funcionem, decisões atempadas e políticas alinhadas com a ambição que o setor demonstrou neste primeiro encontro internacional.

“Navegar o Futuro”

A Yamaha marcou presença no 1.º Congresso Náutico Internacional, promovido pela ACAP – Associação Automóvel de Portugal, que decorreu no passado dia 30 de outubro, no Claustro Sul do Real Edifício de Mafra.

O congresso reuniu mais de 450 participantes

Sob o tema “Navegar o Futuro”, o congresso reuniu mais de 450 participantes e contou com quatro painéis de debate, que abordaram temas como a simplificação administrativa, a modernização das infraestruturas náuticas, os projetos inovadores e a sustentabilidade do setor.

Durante o evento, destacouse a importância de criar um Plano Estratégico Nacional para a Náutica de Recreio a 20 anos, um “Simplex Náutica” e um plano nacional de modernização das infraestruturas do mar, como bases para o crescimento sustentável de um setor que já representa mais de 500 mi-

O Congresso decorreu no Claustro Sul do Real Edifício de Mafra

lhões de euros em Portugal e emprega cerca de 10.000 pessoas.

“Portugal tem todas as condições para ser um dos melhores países europeus na náutica de recreio. Falta apenas simplificação de processos e modernização das infraestruturas” - Referiu Fernando Sá, presidente da Divisão Náutica da ACAP.

Yamaha apresentou o projeto MySea no painel “Projetos Inovadores”

A Yamaha marcou presença com um stand dedicado, onde foram expostos três motores representativos da evolução e inovação da marca, o Yamaha F150, o Torqeedo XP (solução elétrica de última geração) e o histórico P-7, o primeiro motor Yamaha.

Além da presença expositiva, a Yamaha foi convidada a participar no Painel III – Projetos Inovadores, onde

apresentou o seu mais recente projeto digital: MySea. O MySea é uma plataforma pioneira em Portugal que

pretende digitalizar e democratizar a experiência náutica, funcionando como um ponto de encontro entre utilizadores,

Na Sessão de Boas Vindas, Helder Barata Pedro, Secretário-geral da ACAP
A Yamaha foi convidada a participar no Painel III – Projetos Inovadores, onde apresentou o seu mais recente projeto digital: MySea

concessionários, escolas náuticas e parceiros do setor.

“O MySea nasce para aproximar mais pessoas do mar e criar uma comunidade ativa de utilizadores –a Tribo Yamaha – unindo informação, serviços e experiências num só lugar” - Destacou Pedro Nunes durante a apresentação.

O projeto assenta em cinco pilares

fundamentais de inovação:

1- Digitalização da experiência náutica – criando um ponto de contacto online acessível a todos.

2- Sustentabilidade e consciência ambiental – promovendo boas práticas e projetos como o CleanTheSea.

3- Ecossistema colaborativo – ligando concessionários, marcas de barcos, marítimoturísticas e escolas náuticas.

4- Turismo inteligente e saudável – através de roteiros náuticos que agregam marinas, hotéis, restaurantes e acessos à água.

5- Transição azul – fomentando uma economia azul sustentável e a ligação entre o online e o mar real.

Aberto ao público em geral, o MySea é uma plataforma viva e em constante evolução, reforçando o compromisso da Yamaha com a inovação e a sustentabilidade.

Navegar o Futuro com confiança, visão e ação No encerramento do congresso, foi reforçada a necessidade de promover a inovação, sustentabilidade e colaboração entre entidades públicas e privadas para desenvolver o setor.

A Yamaha Motor Europe já definiu metas ambiciosas neste sentido:

- Neutralidade carbónica nas fábricas até 2035;

- Descarbonização total da cadeia de abastecimento até 2050;

- Criação de um Fundo Global de Sustentabilidade para apoiar startups ambientais e acelerar a transição verde. Com a sua presença no Congresso e o lançamento do MySea, a Yamaha reafirma a sua visão: Navegar o Futuro com ação, promovendo uma náutica mais digital, sustentável e próxima das pessoas.

Yamaha marcou presença com um stand dedicado
Pedro Nunes, Marine Manager da Yamaha Motor Europe, NV Sucursal em Portugal
Salvador Malheiro, Secretário-Estado das Pescas e do Mar discursou na sessão de encerramento

A Sardinha Recuperou

A sardinha recuperou e agora as descargas atingem 32.000 toneladas, o estado atual deste recurso apresenta sinais de manutenção da recuperação observada nos últimos anos.

Oestado da sardinha continua a recuperar e as descargas atingiram cerca de 32.000 toneladas, o que corresponde a um valor estimado de 39 milhões de euros, superior ao de 2024.

Depois de desovar a sardinha emagrece, fica mais barata nas lotas e pescasse para abastecer as fábricas de conservas.

Quando as sardinhas trazem ainda ovas, estas são também enlatadas e são consideradas por muitos apreciadores o “caviar português”.

“O estado atual do recurso apresenta sinais de

manutenção da recuperação observada nos últimos anos, refletindo os esforços de gestão sustentável adotados por Portugal e Espanha”, adiantou o Ministério da Agricultura e Mar.

A Comissão de Acompanhamento da Pesca da Sardinha esteve reunida e, segundo dados da Direção-geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), as descargas nacionais atingiram, até 15 de outubro, 32.000 toneladas.

Em causa está um valor estimado de 39 milhões de euros, mais cinco milhões de euros em relação ao valor total da campanha de 2024.

Para o corrente ano, o limite de capturas para Portugal foi fixado em 34.406 toneladas.

“A Comissão de Acompanhamento da Pesca da Sardinha sublinha que as

decisões sobre o plano de gestão e os limites de captura para o próximo ano serão tomadas com base na

melhor informação científica disponível, mantendo o compromisso de garantir a sustentabilidade do recurso,

o equilíbrio do ecossistema marinho e a viabilidade socioeconómica do setor”, referiu.

Notícias

Notícias do Porto de Sines

É Preciso um Master Plan para Sines

Pedro do Ó Ramos defende a elaboração de “master plan” para Sines, um planeamento estratégico integrado, capaz de dar resposta à dimensão excecional dos investimentos.

Pedro do Ó Ramos

OPresidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), Pedro do Ó Ramos, participou no XI Congresso da AGEPOR – Associação dos Agentes de Navegação de Portugal, integrado no painel “Os Portos Portugueses e o Mar”, que reuniu os presidentes das administrações portuárias nacionais.

Na sua intervenção, Pedro do Ó Ramos sublinhou a necessidade de um planeamento estratégico integrado para Sines, capaz de dar resposta à dimensão excecional dos investimentos previstos para a região, estimados em cerca de 24 mil milhões de euros.

«Sines está a fervilhar.

Porto de Sines

Não podemos perder tempo neste planeamento» referiu «Temos de planear o seu futuro de forma estruturada, com uma visão integrada que vá além da habitação. O desafio é garantir um enquadramento territorial e social que acompanhe os investimentos, cri-ando condições para o desenvolvimento económico e humano». Disse o Presidente da APS.

O Presidente do Porto de Sines destacou os projetos industriais, energéticos e logísticos atualmente em curso e em fase de captação, abrangendo áreas como o hidrogénio verde, o aço verde, os combustíveis sustentáveis e a transição digital do setor portuário.

Pedro do Ó Ramos tem vindo a defender que esta vaga de investimento exige um “master plan” para Sines, que articule as dimensões portuária, urbana, habitacional e ambiental, assegurando que o crescimento económico se traduz em valor sustentável para o território e para o país. Durante a sua intervenção no XI Congresso da AGEPOR,

o Presidente da APS destacou igualmente os projetos previstos para Sines, no âmbito do Plano Portos 5+, e que envolvem, nomeadamente, a Expansão do Terminal XXI e lançamento do novo Terminal Vasco da Gama, a melhoria das acessibilidades ferroviárias e rodoviárias ao Porto de Sines, bem como o reforço da capacidade operacional

Cais do Terminal XXI
Terminal XXI de Sines

ao nível do LNG, no que diz respeito ao abastecimento de navios e de projetos de combustíveis verdes (metanol e amónia), entre outros.

Por fim, Pedro do Ó Ramos referiu o trabalho em curso nos portos do Algarve, com particular enfoque em Faro e Portimão. Em Faro, salientou que vai retomar o processo de transferência de competências para o Município com o novo executivo que tomou posse esta semana, enquadrado na estratégia nacional de integração porto-cidade, visando a requalificação de áreas sem vocação portuária e a melhoria da articulação urbana.

Já em Portimão, anunciou o aumento de cerca de 40% no número de passageiros de cruzeiros desembarcados em 2025, resultado do reforço das operações e da colaboração institucional com a Câmara Municipal. A APS vai investir na melhoria das acessibilidades marítimas e nas dragagens, potenciando o desenvolvimento económico e turístico da região.

Porto Sines
Terminal XXI do Porto de Sines

Notícias

Estudo da Univesidade do Minho,

Departamento de Biologia

Sistemas Multifunções com GPS Preciso, no Apoio ao

Mapeamento de Habitats

Este estudo explora o potencial dos sistemas multifunção do fabricante HUMMINBIRD como ferramenta especializada e economicamente viável para melhorar os mapas batimétricos e apoiar o mapeamento de habitats ao longo de uma zona costeira no norte de Portugal.

Este estudo foi realizado no norte de Portugal, numa zona costeira onde a disponibilidade de batimetria de alta

precisão é limitada a zonas pontuais do território continental português (ex.: na proximidade do porto de Viana do Castelo). Para este traba-

lho foi escolhido um pequeno recife visando comparar os dados do estudo com os dados batimétricos detalhados do projeto COSMO; uma for-

mação rochosa a cerca de quatro milhas náuticas (MN) da costa, com aproximadamente 18 km de extensão e profundidades que variam entre 40 e 75 m, foi também utilizada para comparar os dados do estudo com o mapa-base da EMODNET, que é atualmente o único conjunto de dados amplamente disponível para o espaço europeu.

Este estudo foi composto por duas abordagens distintas:

A primeira teve como objetivo comparar os resultados obtidos com o sistema multifunções HUMMINBIRD HELIX 10 (GPS/Chartplotter/Sonda/ Sonar Lateral) com um mapa produzido por equipamento especializado de levantamento batimétrico (projeto COSMO), a fim de avaliar a sua utilidade na geração de informação cartográfica;

HUMMINBIRD HELIX 10 (GPS/Chartplotter/Sonda/Sonar Lateral)

Mapa da área de estudo. Mapa base EMODNET da área entre Viana do Castelo e Esposende, Portugal (https://EMODNET. ec.europa.eu/), com a localização da área abrangida pela batimetria de alta resolução do projeto Programa de Monitorização Costeira para Portugal Continental (COSMO) (APA, 2020). Linhas tracejadas: localização das duas áreas referidas no texto. As coordenadas estão em metros e foram obtidas pela operação “Curvas de Nível” utilizando o mapa base EMODNET. A área preta contínua à direita da figura representa o continente. Coordenadas de acordo com o Datum

EPSG:4326 - WGS 84

A segunda visou avaliar a coerência entre a carta batimétrica de referência da EMODNET (amplamente utilizada nas águas europeias) e os resultados obtidos com o equipamento Humminbird HELIX 10 (CHIRP MEGA SI + GPS G2N). O estudo fornece uma análise abrangente do potencial e das limitações das sondas de especificações de consumidor final (consumer-grade fish finders) em comparação com equipamentos profi-

Imagem COSMO da área estudada. A imagem foi visualmente melhorada com um filtro de sombreado. As indicações das curvas de nível estão em metros e foram obtidas pela operação “Curva de Nível” utilizando o mapa base COSMO. A área pontilhada representa o afloramento rochoso, designado como “área central” neste estudo

ssionais para mapeamento batimétrico. Sublinha-se que, embora os dispositivos de consumo não possam substituir totalmente o equipamento profissional, representam uma solução extremamente valiosa

para aplicações ecológicas, especialmente em contextos com recursos limitados, em que dados batimétricos detalhados não estão disponíveis ou cuja aquisição é demasiado onerosa.

Ilustração do protocolo do levantamento batimétrico. A - 1ª passagem; pontos de dados utilizados: 1704; B - 2ª passagem; pontos de dados utilizados: 3060; C - 3ª passagem; pontos de dados utilizados: 3887; D - Trajetórias aleatórias adicionadas entre junho de 2020 e maio de 2023; pontos de dados utilizados: 9336

Mapas de curvas de nível gerados pelo Reef Master 2.0 utilizando os pontos cumulativos disponíveis após cada passagem, conforme descrito na Ilustração, sobrepostos ao DEM COSMO, com visualização melhorada por sombreado. Os originais georreferenciados estão disponíveis no material suplementar

Salienta-se que a intenção não é validar tecnicamente o sonar de acordo com normas hidrográficas (ordens IHO), mas sim realizar uma avaliação ecológica prática voltada para o

mapeamento de habitats marinhos , em que o produto final (o modelo digital de elevação em grelha –DEM) é o que mais importa para as aplicações pretendidas. Reforça-se que o estu-

Diferenças de elevação entre o DEM de referência e o DEM de teste (ENODNET, 100 m/pixel); B) Contagem de pixéis das diferenças entre o DEM de referência (ENODNET, 100 m/pixel) e o DEM de teste. Classe 1: Diferenças de elevação inferiores a −10 m; Classe 2: Diferenças de elevação entre −10 m e -5 m; Classe 3: Diferenças de cota entre -5 m e -3 m; Classe 4: Diferenças de cota entre -3 m e 0 m; Classe 5: Diferenças de cota entre 0 m e 3 m; Classe 6: Diferenças de elevação entre 3 m e 5 m; Classe 7: Diferenças de elevação entre 5 m e 10 m; Classe 8: Diferenças de cota superiores a 10 m.

Representação 3D dos mapas da de curvas, obtida com recurso aos algoritmos internos do ReefMaster (triangulação de Delaunay com interpolação sobre as faces dos triângulos, segundo o autor do software), com uma ampliação vertical de 6,5 unidades aplicada para facilitar a visualização. Para melhor visualização da morfologia do terreno, a orientação dos mapas foi inclinada a 90° (o Norte aponta para a direita).

do aborda explicitamente os desafios de custo-benefício e de disponibilidade de dados na investigação ecológica e na conservação marinha.

A primeira abordagem, que comparou a sonda de uso comercial com o equipamento profissional de levantamento batimétrico, confirmou que, embora os detalhes finos captados por levantamentos profissionais sejam inigualáveis, as formas gerais do terreno e as características topográficas principais foram bem representadas. A acumulação de pontos de dados melhorou significativamente a precisão dos mapas, demonstrando que é possível produzir ma-

pas batimétricos úteis e fiáveis, mesmo com equipamentos menos precisos.

A segunda abordagem, que comparou a sonda com os padrões EMODNET, revelou bom nível de concordância, com valores médios de erro (RMSE e MAE) dentro de margens aceitáveis para modelação ambiental em larga escala e mapeamento geral

Os resultados finais destacam a importância da calibração, validação e integração com outras fontes de dados para aumentar a fiabilidade e precisão dos mapas batimétricos produzidos com dispositivos de consumo. O estudo apoia o uso de sondas comerciais correntes e económicas para a conservação ambiental, a gestão de recursos e o planeamento de estratégias de conservação eficazes, especialmente quando o equipamento profissional é impraticável ou indisponível. A investigação realça o papel de utilidade das sondas convencionais na ciência náutica, oferecendo uma visão equilibrada das suas capacidades e enfatizando a sua relevância em cenários diversos e com

Mapa de contornos da área central obtido através da triangulação de Delaunay com interpolação sobre as faces do triângulo de 29.549 pontos, sobreposto ao DEM COSMO (distância de amostragem de 0,3 m/pixel), com visualização melhorada por sombreado

recursos limitados, complementando os dados obtidos por meio de levantamentos

hidrográficos. Os resultados contribuem diretamente para um mapeamento e gestão

de habitats marinhos mais eficientes e economicamente viáveis

Um modelo batimétrico 3D detalhado, gerado a partir de dados de sonar de uso comercial, ilustra as características do fundo do mar de pequena escala que podem ser resolvidas usando amostragem oportunista. A figura mostra uma secção do modelo 3D obtido a partir dos dados discutidos no artigo, construído no ReefMaster 2.0 para a extremidade norte da área estudada. Foi aplicado um exagero vertical de 6,5 unidades para facilitar a visualização. A escala vertical representa a diferença aproximada de profundidade entre os pontos mais alto e mais baixo do recife

O artigo pode ser consultado na integra em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278434325001906

Pesca Lúdica Embarcada

Amazónia Um Sítio que Não Existe - Cap I

Nos próximos artigos, vou levar-vos a um sítio que não existe. Peixes pequenos que rebentam com linhas fortes? Isso existe?

Tenho a certeza de que alguns de vós irão pensar que poderiam pescar ali com linhas mais finas. Não têm a noção das dificuldades…

O sítio onde vos vou levar hoje não existe porque ninguém acredita que seja necessário utilizar linhas mul-

tifilamento PE 4 e leaders de fluorocarbono 60 libras, 0.70mm, para pescar peixes de peso inferior a 10 kgs.

E todavia, digo-vos eu que

estive lá: é mesmo necessário…

A viagem começa em Lisboa e tem como destino o Brasil.

Rio de Janeiro, Brasília, Manaus, Barcelos e a seguir para um “cascos de rolha” longe sem nome.

Os brasileiros são um povo que “pegou” apenas na parte boa dos portugueses. Nada de problemas, nada de ralações, muito samba e alegria. Um claro “bright side of life” que nos cativa, que nos deixa a pensar se vale a pena lutar mais por quase nada. O comandante de avião do Rio para Brasília, depois de apresentar a sua estimativa de tempo de voo, de deixar o seu conselho de “Olha aí galera: cintura sempre afivelada, tá?”, avança com um animador “tempo legal à chegada, bacano, 25 graus”, e termina em apoteose: “Tchau gente!”...

Isto não é bom?! Desta vez trago-vos um texto que relata uma missão impossível, algo que o nosso amigo “Ton Crise” não aceitaria rodar: ir procurar um peixe, o tucunaré, a um sítio tão remoto que nem consta do mapa.

Algo situado a sul da Venezuela, a este da Colômbia, e sim, território das FARC, esses simpáticos e afáveis guerrilheiros que matam porque sim. Os moços, os que não aceitaram depor as armas e por isso continuam por ali, têm um negócio bem pensado e estruturado: raptam pessoas para exigir resgates e assim conse-

O tucunaré açu, uma besta de força, um adversário temível...

Texto e Fotografia Vitor Ganchinho (Pescador conservacionista) https://peixepelobeicinho.blogspot.com

guirem dinheiro para financiar as suas “férias” na selva.

Os grupos movimentam-se sorrateiramente entre países, e são intocáveis à luz dos direitos de soberania: o exército de um país não pode penetrar

noutro...

Não achei estranho que o mini aeroporto de Barcelos, Estado de Manaus, bem no coração da floresta amazónica, estivesse lotado de gente do sexo masculino. Quase

não há mulheres ali. Coloco a minha cabeça no cepo a como em cada 100 pessoas que por ali passam, 99 são homens que apenas vão à região para pescar à linha.

Os hotéis enchem, os turistas de todo o mundo aparecem, e creio não estar errado se disser que há uma verdadeira “febre do tucunaré”. Encontrei pescadores japoneses em Manaus…

A dimensão do Estado de Manaus é um perfeito absurdo: a ser um país, seria o 16 maior do mundo….algo como 1550 milhões de quilómetros quadrados. Não é difícil morrer ali de forma incógnita.

A pequena companhia de aviação que nos transporta de Manaus para Barcelos tem procedimentos que não serão os mais …habituais.

Um deles é o de terem crucifixos espalhadas por tudo o

que é sítio. Eles operam com aviões de um só motor.

O outro é o de nem quererem saber do peso e número de malas, tudo funciona um pouco …à larga.

E por fim, achei meio estra-

A quantidade de pescadores é alta, e os hotéis estão sempre sobrelotados

nho que me tenham perguntado no check-in isto: “em caso de queda da avioneta, pode dar-nos um número de telemóvel para quem ligar?”

Claro que sim, respondi. E dei o meu próprio número. Durante o voo posso nem perceber que isso está a acontecer e assim sou avisado que estou em queda vertiginosa para o solo.

A região é absolutamente inóspita, rude, selvagem, como convém a uma pesca extrema.

Não vale a pena pensar em ser resgatado se algo correr mal. A ajuda, a chegar, chegaria sempre demasiado …tarde.

Organizar uma operação de salvamento naquelas latitudes implica dias de preparação, de contactos, de boas vontades. Que não existem numa terra de ninguém.

Cada um por si, sem contemplações. Ali, os problemas dos outros não são os nossos problemas.

Em zona de guerra e guerrilheiros, salvar alguém significa arriscar a própria pele. O risco é máximo, sim, é verdade, mas a recompensa também.

Vamos ver nos próximos números do Noticias do Mar como é pescar em condições extremas.

Preparem-se...

Amazónia O que Somos Nós se Não Aquilo que Vivemos? O que Há para Além Disso?... - Cap II

Quando conseguimos um tucunaré de bom tamanho o corpo foge-nos do chão de tanta felicidade.

O tucunaré, um peixe forte, mítico, cujo recorde mundial está em 94 cm. Recorde que já foi igualado num remoto rio da Venezuela, mas não batido

É aqui que se escondem os tucunarés. Por vezes chega a ser impossível conseguir pescar um...

Éfrancamente difícil pescar um se as condições do rio estiverem ruins. E estavam, com muita água, muitas possibilidades de os peixes escolherem esconderijos inexpugnáveis.

Eles adentram os escolhos, as árvores caídas, os ramos tombados, e a partir daí é difícil conseguir fazer um lançamento que resulte.

Por vezes, a distância que vai da água aberta onde podemos fazer cair a nossa amostra e o sítio onde estão entrincheirados no meio dos arbustos é superior a 50 metros. Ouvimo-los bater, deslocar água, e isso é tudo.

Lá dentro da sua fortaleza eles são reis e senhores do seu tempo.

Só saem quando querem, para comer, se quiserem sair.

Porque se trata de um peixe raro, não é suposto que se faça captura com morte.

Os recordes são filmados com o peixe aplicado sobre uma régua oficial, o que ninguém dispensa nesta zona.

As possibilidades de recorde mundial, quando se trata de um peixe sistematicamente libertado, existem sempre.

Já quanto ao material utilizado, esse é sempre forte e se preciso... feio.

Basta dizer-vos que este ambicionado troféu vive em

rios algo estreitos ou lagoas amplas, mas sempre debaixo de árvores, troncos caídos, galhadas mortas e escolhos trazidos pela corrente, os quais tornam a sua captura “quase” impossível.

Literalmente, aquilo que fazemos é arrancar o peixe do seu habitat, à força, lançando uma amostra, equipada com “garateias” (triplos) ultra reforçadas, com arame grosso que aguenta as investidas fortes do peixe, e ter fé que a besta não rompa linhas multi PE 4, e líder fluorocarbono de 60 libras.

Para que tenham uma ideia do quanto este equipamento é forte, digo-vos que com muito menos o meu amigo Luís Ramos faz garoupas com 50 kgs em Angola.

Verdade que as condições são totalmente dispares, águas profundas abertas versus árvores tombadas e escolhos e

Texto e Fotografia Vitor Ganchinho (Pescador conservacionista) https://peixepelobeicinho.blogspot.com

mas ainda assim não deixa de ser assombroso que um peixe destes se defenda com tamanha tenacidade. São fortes!

Existem verdadeiros especialistas na pesca deste tal de tucunaré, gente que nem quer outra coisa, e gasta fortunas na mira do sonhado recorde.

Por mim, valem bem a pena, o peixe é fantástico!

Falamos sempre de uns milhares de euros em logística, esses são sempre garantidos, mas não termina aí.

O equipamento específico para este peixe é caro por ter de ser muito bom. Zero possi-

bilidades de sucesso com material para “desenrascar”. Mais vale nem ir…

A talho de foice digo-vos que os guias que saem connosco nos pequenos barcos em que é feita esta pesca, (para além daquilo que se paga pela estadia no rio a bordo do barco

Um barco/ hotel, que nos leva rio acima até onde for possível

hotel), pressupõem uma gratificação que varia em função da qualidade dos peixes conseguidos.

Um recorde mundial é caso para uma gorjeta de muitos euros, e muita publicidade à empresa e pessoa que ajudou com a sua mestria a con-

seguir o peixe.

A viagem é feita através de voos sucessivos, até Barcelos/ Manaus. A partir daí entramos num barco/ hotel, que nos leva rio acima até onde for possível. São dias e dias a navegar rio acima, dia e noite.

Vejam o barco na imagem

da página anterior!

Os barqueiros (ditos ...piloteiros) são contratados por serem gente da zona, também eles pescadores, e saberem muito do rio. Conhecem-no como a palma das suas mãos e isso faz-nos falta a cada instante.

Não lhes basta conduzir o barco e serem atenciosos com os passageiros. Isso eles fazem de olhos fechados, e quanto a simpatia devo dizer que é gente boa, bom coração, muito simples, mas de uma tenacidade e capacidade de trabalho acima do normal. Eles devem, para além de tudo o resto, ser capazes de identificar os spots com mais probabilidades de conseguir um “75”, um “82”, forma de definição do peixe em centímetros.

Porque os peixes não são pesados, aquilo que verdadeiramente conta é o seu comprimento.

A diferença entre um peixe com 78 cm e de um 81 cm pode ser na ordem dos quilos de peso.

Por cada centímetro eles alargam, ficam mais encorpados, mais altos, mais fortes. Sempre um caso evidente de…”size matters”...

A agressividade deste peixe é proverbial, conhecida pelos pescadores de todo o mundo, e leva-o a atacar amostras com um ímpeto que nos deixa sem ar nos pulmões.

Uma picada repentina deste peixe é um choque eléctrico, uma violência, uma brutalidade, algo a pedir um coração forte.

Imaginem um repentino ataque de um peixe destes com 8 ou 10 kgs de peso…a uma amostra de superfície. Arrasa! Um autêntico ataque cardíaco!

Ao longo dos próximos dias iremos fazer uma publicação diária no blog, focando aspectos relativos ao equipamento, técnica de pesca, spots de pesca, alimentação, cuidados médicos, etc. Vamos também explicar como ir e quem contactar.

Há mesmo que ir lá e experimentar este peixe único. Afinal de contas, o que somos nós se não aquilo que vivemos? O que há para além disso?...

Todos os dias chegam e partem pescadores de todo o mundo a Manaus / Barcelos, para pescar este peixe. Incrível peixe, este tucunaré!! Forte...

Soluções de Climatização Marítima Dometic

A Nautel apresenta os sistemas de ar condicionado marítimo, série MCS da Dometic, energeticamente eficientes e fáceis de instalar, para iates e embarcações comerciais.

Com décadas de experiência, a Dometic é líder reconhecido em sistemas de ar condicionado marítimo, oferecendo soluções de controlo climático de alto desempenho para todos os tipos de embarcações.

A liderança global em soluções de climatização e AVAC, chegou naturalmente pela conceção de sistemas energeticamente eficientes e fáceis de instalar, para iates e embarcações comerciais.

As soluções de controlo climático da Dometic estão disponíveis numa vasta gama de capacidades, desenhadas para uma adaptação rápida e eficiente.

A sua engenharia avançada e fiabilidade fazem delas a escolha preferida na indústria marítima.

Outra particularidade importante é que a Dometic presta

serviços de assistência em qualquer lugar, uma vez que sendo um grupo global tem centenas de parceiros de serviço em todo o mundo. Este é um dos motivos pelos quais muitos construtores confiam há muito tempo, na Dometic. Para as caraterísticas do nosso mercado a aposta é na gama MCS, disponível em 3 versões com diferentes capacidades de BTU’s. Estas unidades são muito fáceis de instalar, até porque já vêm na forma de um kit com tudo quanto é necessário para a maior parte dos diversos tipos de embarcação.

Série MCS da Dometic

A série MCS tem unidades para 6.000, 12.000, e 16.000 BTU’s.

Por outro lado, estas unidades não só arrefecem, como também aquecem e desumidificam. Isto cria uma climatização ideal com temperaturas ótimas no seu barco ou iate em todas as condições meteorológicas!

O sistema está equipado

com o premiado ar condicionado turbo da Dometic e permite uma instalação ainda mais rápida, fácil e precisa. Esta instalação fácil de utilizar e o excelente isolamento de som e vibrações oferecem um sistema compacto, genuíno, com qualidade, num pacote completo. Tem painel de controlo inteligente, de ecrã tátil e fácil de utilizar. Ventilador integrado fácil de limpar.

O ar condicionado adequado à sua aplicação depende do tamanho e da localização do ambiente em que o ar será condicionado. As cabines abaixo do convés consomem menos energia por metro quadrado de espaço do que um ambiente no convés superior, que tem janelas amplas e luz solar direta.

Estas unidades são muito fáceis de instalar, até porque já vêm na forma de um kit com tudo quanto é necessário para a maior parte dos diversos tipos de embarcação.

Kits de Ar Condicionado: pronto a instalar. Alimentação 230VAC (disponível também em 115VAC/60Hz).

Gama de temperaturas: de 18 a 30graus. Termostato de control. Líquido refrigerante: RA410a.

Inclui painel de controlo com ecrã tátil.

Itens incluídos nos kits;

1- Ar condicionado turbo DTU - com ventoinha

2- Bomba de água do mar

3- Caixa de distribuição

4- Grelha de entrada e saída de ar

5- Conduta de ar isolada

6- Mangueira de água do mar reforçada

7- Condutas laterais e material de fixação

8- Passa-casoco de esfera

9- Painel de controlo tátil inteligente

10- Insonorização

Compreender o Ar Condicionado Marítimo

Garantir uma temperatura agradável a bordo de uma embarcação é crucial para o bem-estar e satisfação tanto dos passageiros como da tripulação. Seja a navegar num veleiro, a embarcar numa longa viagem ou a operar um iate de pesca desportiva em

busca de grandes peixes, a importância de um ambiente confortável continua a ser fundamental. O mesmo se aplica às embarcações comerciais e aos barcos envolvidos em operações de fretamento; condições desagradáveis, como calor excessivo, humidade e odores desagradáveis em

cabines, cozinhas, salões e outros espaços interiores, podem diminuir significativamente a experiência no seu todo.

A chave para manter confortáveis os espaços interiores, de todos os tipos de barcos, é ter um sistema de ar condicionado de qualidade, concebido para as exigências

exclusivas dos climas marítimos. Há muito a considerar ao escolher o melhor sistema para o tamanho e tipo da sua embarcação, bem como o tipo de clima e ambiente onde navegará com mais frequência.

Quando se trata de ar condicionado marítimo, há dois fatores principais a considerar: o desempenho e a eficiência energética. Mas, mesmo sabendo isto, navegar pelos detalhes pode ser um pouco complicado devido a todo o jargão de marketing. Não precisa de se estressar, porém; aqui estão alguns detalhes importantes para o manter informado:

Capacidade da Unidade

Os sistemas de ar condicionado marítimos têm uma classificação de capacidade da unidade baseada em duas medidas: BTU/h (Unidades Térmicas Britânicas) e kW (quilowatts), em que 1 kW é equivalente a 3412 BTU/h. A capacidade de saída de ar é avaliada por dois valores a um caudal específico. Um desses valores é a Capacidade Sensível, que mede a descida da temperatura do ar. O outro é a Capacidade Latente, que representa a quantidade de condensado (água) removida do ar. Quando combinadas, a Capacidade Sensível e a Capacidade Latente formam a Capacidade Total de um sistema de ar condicionado. É aqui que as coisas podem tornar-se confusas para o navegante. Nem todos os fabricantes de ar condicionado para embarcações fornecem as suas informações de capacidade/classificação de forma direta como a Dometic Marine. Por exemplo, alguns fabricantes comparam apenas as temperaturas do ar de saída. Isto

é enganador, uma vez que a operação de uma unidade a uma velocidade do ventilador mais baixa demonstrará uma temperatura do ar de saída mais fria em comparação com outra unidade a uma velocidade do ventilador mais elevada. Isto não reflete um quadro completo da capacidade de arrefecimento do sistema. A única forma realmente eficaz de medir a capacidade de uma unidade é num ambiente laboratorial calibrado.

Fatores que Afetam o Desempenho e a Eficiência Energética

O desempenho e a eficiência dos aparelhos de ar condicionado podem ser influenciados por diversos fatores ambientais, sendo a temperatura da água do mar um dos mais importantes. À medida que a temperatura da água do mar aumenta, o desempenho dos aparelhos de ar condicionado tende a diminuir. A água mais quente dificulta a dissipação do calor, resultando num maior consumo de energia. O caudal da água do mar também pode afetar significativamente a eficiência do aparelho de ar condicionado; caudais menores ou restritos podem provocar um aumento no consumo de energia. Por conseguinte, manter os filtros de água do mar limpos e desobstruídos é essencial para garantir o desempenho ideal do aparelho de ar condicionado e medições precisas do consumo de energia. A tensão do gerador é também importante na avaliação do consumo energético do ar condicionado. Os geradores podem não fornecer a mesma tensão de forma consistente, especialmente quando se operam várias cargas numa embarcação. Uma queda da tensão do gerador pode resultar num aumento da corrente

consumida pelo ar condicionado. Por este motivo, é importante considerar sempre tanto a corrente como a tensão para obter medições precisas do consumo de energia. Tudo isto nos leva ao ponto central deste artigo: é importante que tanto os navegadores como os construtores de embarcações compreendam plenamente o funcionamento dos sistemas de ar condicionado marítimos. Com informações precisas, torna-se possível fazer comparações significativas e justas, desvendando as alegações de marketing conflituantes. Por exemplo, a Dometic baseia todas as suas medições de capacidade numa temperatura da água do mar de 29,5 °C (85 °F). Ao avaliar qualquer unidade de ar condicionado, certifique-se de que o fabricante especifica a temperatura da água do mar utilizada como referência para o desempenho. Isto pode fazer uma diferença significativa na capacidade declarada da unidade - e é um forte indicador de como se comportará em condições reais. Alguns concorrentes da Dometic Marine fizeram comparações de marketing com as

nossas unidades, alegando que consomem menos energia. Isto pode ser enganador, pois um menor consumo de energia pode simplesmente significar que a unidade está a ter um desempenho inferior em termos de capacidade. Isto significa que não é necessariamente mais eficiente num sentido prático que importa para os browsers. Diversas características dos componentes desempenham um papel na determinação da eficiência e do desempenho dos sistemas de ar condicionado marítimos. O tamanho do permutador de calor é um desses fatores, influenciando a capacidade de um aparelho de ar condicionado com base na área da superfície. Recomenda-se cautela quando se encontram unidades pequenas que ostentam capacidades maiores, pois, segundo as leis da física, um permutador de calor mais pequeno pode não ter o mesmo desempenho que um maior. A modulação das válvulas é outro fator importante a considerar. Enquanto alguns aparelhos de ar condicionado utilizam tubos capilares fixos para o fluxo do fluido refrigerante, outros empregam válvulas de

expansão térmica ou válvulas de expansão eletrónicas que se adaptam às alterações das condições ambientais para um melhor desempenho.

O volume variável de refrigerante, uma tecnologia de ponta, aumenta a eficiência energética. Sistemas como o da Dometic Marine utilizam controlos e variadores de frequência para ajustar a velocidade do compressor e o caudal de refrigerante de acordo com as necessidades específicas de refrigeração ou aquecimento. Velocidades mais baixas do compressor podem resultar em aumentos substanciais de eficiência. Compreender a capacidade, o desempenho e a eficiência energética de um sistema de ar condicionado marítimo implica confiar que os fabricantes forneçam informações realistas, baseadas em dados e experiência prática. A Dometic Marine orgulhase da sua engenharia e histórico comprovado, garantindo equipamentos de climatização de alto desempenho. O rigoroso controlo de qualidade e os testes a 100% dos sistemas produzidos garantem um desempenho e fiabilidade de primeira linha.

Inauguração Oficial da Touron: Um Marco na Nossa História

No passado dia 24 de setembro, inaugurámos as nossas novas instalações em Torrejón de Ardoz, um momento que marcou um marco na história da Touron.

Contámos com o apoio institucional da câmara municipal e tivemos a honra de receber mais de 300 pessoas, entre autoridades, imprensa, clientes, fornecedores e colaboradores, que quiseram acompanhar-nos neste dia tão especial.

Durante o evento, os participantes puderam assistir a apresentações, mesas redondas e a uma visita guiada pelas novas instalações, onde tiveram a oportunidade de conhecer as áreas mais significativas do nosso armazém de 7.800 m² e dos nossos escritórios, bem como a sala de formação e a área de exposição de produtos,

que inclui um cais com os barcos mais representativos das nossas marcas e uma cuidada seleção de motores Mercury.

Desta forma, os participantes descobriram os espaços de trabalho e as áreas técnicas e logísticas, bem como as inovações que incorporámos para continuar a crescer e a oferecer o melhor serviço.

O evento foi também uma oportunidade para partilhar ideias e dialogar sobre o presente e o futuro do setor náutico, num ambiente festivo e de encontro profissional.

O dia culminou com um jantar especial no Palácio de Aldovea, que colocou o ponto final nesta celebração inesquecível.

Queremos agradecer a todos os que fizeram parte deste grande dia. Este novo espaço representa não só uma melhoria nas nossas capacidades, como também o início

de uma nova etapa em que queremos continuar a crescer, inovar e navegar com todos os nossos colaboradores rumo a novos horizontes.

Touron

Touron representa em exclusividade para Portugal e Espanha as marcas de motores fora de borda MERCURY e MOTORGUIDE, dos motores interiores MERCURY MERCRUISER, MERCURY DIESEL e

CUMMINS, dos geradores marítimos CUMMINS ONAN*, das peças e acessórios MERCURY, QUICKSILVER, CUMMINS e CUMMINS ONAN*, das embarcações de fibra de vidro NAVAN, QUICKSILVER, BAYLINER e HEYDAY, das embarcações pneumáticas QUICKSILVER e TALAMEX, das pranchas elétricas RADINN, e dos acessórios náuticos SEACHOICE, BESTO, OneUP e ATTWOOD.

Reconhecimento à Touron Durante a Convenção Mercury 2025

ATouron recebe o prêmio “Best in Forecast and Planning Accuracy EMEA” (“Melhor previsão e planejamento de pedidos na região EMEA”), que reconhece a sua eficiência e fiabilidade na gestão de pedidos.

Durante a Convenção de Distribuidores Mercury do território EMEA (Europa, Médio Oriente e África), realizada de 1 a 4 de outubro em Bodrum (Turquia), a empresa Touron foi distinguida como “Best in Forecast and Planning Accuracy EMEA”.

O reconhecimento foi recebido por Álvaro Giquel, diretorgerente da Área de Operações, Cristina Giquel, diretora da Área de Acessórios Náuticos, e Eduardo Lorenzi, diretor comercial da Área de Fora de Bordo & Embarcações, em nome da empresa, das mãos

do Presidente da Mercury

EMEA, Facundo Onni, do Diretor de Distribuição da Mercury EMEA, Matthias Mueller, e de Helene Dupeux, vicepresidente da cadeia de supri-

mentos da Mercury EMEA.

A distinção valoriza a capacidade da Touron em antecipar corretamente a procura do mercado, ajustar as compras e os níveis de stock sem

gerar custos adicionais nem ruturas, coordenar a logística e os prazos com a fábrica, e manter um fluxo de pedidos estável e alinhado com as necessidades do negócio.

Mais Tejo

Muito mais do que o escoamento superficial da água, um rio é vida. Que o diga quem vive o Tejo, nem que seja só com os olhos, ao longe, de quando em vez. Muito para além das suas margens, o rio são as pessoas e as pessoas são o rio.

Desde há milhares de anos que é assim no Tejo, o melhor e mais bonito rio do mundo, porque é o nosso rio, mas também porque tem tudo, tem vida e tem alma, que contagia a quem ele toca. Como todos os rios maturos, a diversidade torna-o ainda mais precioso. Uma bênção às terras que ele atravessa, desde a Beira, com uma beleza natural impar e estatuto de Parque Natural, até a um dos maiores estuários da Europa, em Lisboa. Aqui, à beira deste magnífico rio, podemos e queremos ser felizes. Isso depende de cada um de nós, saber respeitar e viver este lugar. Este lugar que tudo nos dá e qua-

Um Olhar sobre o Tejo Crónica Carlos Salgado

se nada nos pede. Depende apenas de nós fazermos deste lugar, a nossa terra, um lugar ótimo para viver. E nesta matéria, como quase sempre, ninguém pode ficar de fora e demitir-se, na confortável posição do “eles” ou “não tenho nada a ver com isto”. A forte identidade do Tejo é, desde logo, uma mais-valia que muitos não têm, assente numa base social e económica muito ligada ao rio que ao longo do seu curso molda a paisagem e que, através dos tempos, convidou o Homem a desenhar as suas atividades e usos do território em harmonia com as características biofísicas locais. Esta é a primeira e mais importante das condições para um território sustentável e com futuro. Uma realidade muito diferente do crescimento a qualquer preço que nos atiram para os olhos, a isto chama-se desenvolvimento inteligente, na sequência do qual se criam lugares seguros e felizes. É isto que queremos partilhar,

e exigimos, ser felizes nesta terra que é de todos e a ninguém pertence a não ser ao Tejo.

Para que tal seja possível cada um apenas tem de fazer o que deve. Queremos fazer e sonhar; uma tribo que não sonha morre [provérbio africano].

O momento é isto que nos pede, que nos exige, mais do que desabafos, comunicados ou lamúrias estão abertas à discussão pública as Questões Significativas da Gestão da Água no que respeita ao Tejo. Em www.apambiente. pt todos nós, cidadãos, grupos de interesse (agricultores,

empresários, operadores turísticos, autarcas, etc.) temos acesso ao documento. Em 28 de abril em Lisboa e a 29 em Alcanena o importante documento vai ser apresentado e discutido.

É este o momento para defender o Tejo, só lhe resta fazer a sua parte.

O Tejo a Pé

Andando & Conversando no Meco

Arriba fóssil, a identidade do lugar

Era uma caminhada muito aguardada, e o João Falcão, a quem agradecemos com genuína gratidão, preparou um percurso exemplar.

Texto Carlos Cupeto Fotografia Vários

Pinhal generoso, mar sem fim, arribas que suspendem a respiração e paisagens que lembram como o mundo ainda pode ser deslumbrante. Tudo isto a poucos quilómetros de Lisboa, um património incalculável que, felizmente, muitos, sobretudo turistas, continuam a ignorar.

A manhã trouxe conversa boa e passos leves, num grupo bem-disposto e enriquecido por caras novas. O Meco de outono tem um encanto particular, uma luz que amacia a paisagem. E foi também por isto que aqui viemos: para sentir no terreno a pressão imobiliária que cresce. Os melhores territórios devem ser vivos e vividos, valorizados e habitados com critério, respeitando a capacidade de carga do lugar e garantindo o acesso livre aos bens comuns: a praia, o pinhal, a paisagem. A qualida-

de dos projetos que possam surgir tem de ser igualmente um dos fatores decisórios.

No final, o Solmeco Park recebeu-nos no habitual almoço partilhado. E foi aí que

alguém estreante comentou assim: “Há muito que não me sento a uma mesa onde, O grupo e o reencontro com o amigo João Falcão

O Kobe, em casa, foi um dos bons regressos
Pinhal e solo arenoso marcaram os primeiros passos

Grounding, pura terapia, e soberba paisagem

como aqui, a conversa respira sem muros, onde os telemóveis não têm lugar, e apenas o calor das vozes humanas se entrelaça com o pão e o vinho.” Quando acontece assim, vale sempre a pena.

Assim é o Tejo a Pé: um

grupo informal de amigos que, há 19 anos, se reúne uma vez por mês para caminhar — no campo ou na cidade, cada vez mais num ritmo tertuliante, andando & conversando. Para participar, basta enviar um email: cupeto@uevora.pt

A chegada ao mar

Notícias da Marinha

Cooperação para Operação e Manutenção do NI Azores Ocean

A Marinha e Governo Regional dos Açores assinaram o protocolo de cooperação para operação e manutenção do navio de investigação científica “Azores Ocean”.

A assinatura do protocolo de cooperação entre a Marinha e o Governo Regional dos Açores

OChefe do EstadoMaior da Armada (CEMA), Almirante Jorge Nobre de Sousa, e o Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, assinaram no dia 15 de outubro, na cidade da Horta, um protocolo de cooperação entre a Marinha e o Governo Regional, que estabelece as bases para a operação e manutenção do navio de investigação científica “Azores Ocean”.

Financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), este navio, com previsão de chegada ao arquipélago no final deste ano, foi criado como uma plataforma de investigação moderna, potenciando a capacidade cien-

NI Azores Ocean

tífica e tecnológica da Região no domínio oceânico.

A cerimónia contou com a presença do Secretário Regional do Mar e das Pescas, Mário Rui Pinho, da Diretora Executiva da Escola do Mar dos Açores, Ana Rodrigues, bem como do Vice-Presidente da Câmara Municipal da Horta, Carlos Morais.

Durante a visita aos Açores, o Almirante CEMA foi recebido em audiência, para apresentação de cumprimentos, pelo Representante da República para os Açores, Pedro Catarino, pelo Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Luís Garcia, e pelo Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro. Na cidade da Horta, teve também a oportunidade de conhecer as futuras instalações do Tecnopolo Martec: Centro de Investigação e Inovação, que ainda se encontra em fase de construção, e visitar a Escola do Mar Açores.

“O Azores Ocean servirá Portugal inteiro”, destacou José Manuel Bolieiro, acrescentando que esta plataforma “consolida o papel da Região no campo da investigação e traduz a visão atlântica de um país que valoriza o conhecimento e a sustentabilidade”

“Somos mais mar que

terra e estamos potenciando com ciência um país atlântico com relevância no mundo”, afirmou o Presidente do Governo dos Açores, sublinhando o contributo da Região para a defesa da biodiversidade e o avanço das políticas de conservação marinha.

“Os Açores querem ser relevantes num futuro que se está a construir no presente, pela sustentabilidade, pela ciência, pela investigação e pelo serviço à humanidade”, concluiu José Manuel Bolieiro, destacando este projeto como exemplo de cooperação e visão estratégica partilhada entre a Região e o Estado.

O navio tem uma autonomia de 15 dias, capacidade para 30 pessoas embarcadas e propulsão diesel-elétrica, representando um salto tecnológico na investigação marinha nacional. Equipado com laboratórios modernos, centro de dados e sistemas de mapeamento acústico até 5.000 metros de profundidade, permitirá missões de prospeção biológica, biotecnológica e energé-

tica, fortalecendo a produção de conhecimento e inovação científica ao serviço do país. A chegada do “Azores Ocean” aos Açores está prevista para o final de 2025, integrando-se na estratégia regional de desenvolvimento científico e tecnológico ligado ao mar, em articulação com o futuro centro de investigação Tecnopolo – Martec, a construir na cidade da Horta.

Notícias

Notícias da Marinha

Construção da Futura Plataforma Naval Multifuncional da Marinha

O Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), Almirante Jorge Nobre de Sousa, visitou, no dia 24 de outubro, os estaleiros da DAMEN onde se encontra em construção a Plataforma Naval Multifuncional da Marinha, futuro NRP D. João II, em Galati, na Roménia.

Nos estaleiros, o CEMA foi recebido por representantes da empresa DAMEN, responsáveis pela coordena-

ção e construção do futuro navio da Marinha, bem como pelos elementos da Equipa de Acompanhamento e Fiscalização da Marinha Portuguesa, destacados no estaleiro.

Durante a visita, foi efetuado um briefing sobre o desenvolvimento do projeto e a sua cons-

trução, abordando os principais desafios técnicos identificados na fase de projeto, decorrentes do carácter inovador e do conceito singular desta nova unidade naval, bem como das diferentes fases da construção em curso.

O Almirante Nobre de Sousa teve ainda oportunidade de acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos no local, constatando o elevado nível de execução e de empenho das equipas envolvidas na concretização deste projeto estratégico, que representa um marco significativo na modernização e reforço das capacidades da Marinha. Nesta fase da construção, já se encontram instalados 17 blocos, de um total de 25, que constituem o navio.

Notícias da Marinha

Cerimónia do Corte da Primeira Chapa do NRP Luís de Camões

O corte da primeira chapa do NRP Luís de Camões marca início da construção do novo navio da Marinha, um Reabastecedor de Esquadra e Logístico.

Acerimónia do corte da primeira chapa do N.R.P. Luís de

Camões, o primeiro de dois Navios Reabastecedores de Esquadra e Logísticos desti-

nados à Marinha Portuguesa, decorreu no dia 14 de Novembro, no estaleiro ADA Ship-

yard, em Tuzla-Istambul, na Turquia.

A entrega do NRP Luís de Camões está prevista para abril de 2028

A cerimónia, presidida pe-lo Secretário das Indústrias de Defesa da Turquia, Haluk Görgün, contou com a presença do Diretor de Navios, Contraalmirante Marques da Costa, entre outras entidades. Os novos navios têm como missão aumentar a capacidade da esquadra e garantir o apoio logístico sustentado em operações militares nacionais e internacionais, bem como em missões de interesse público. Entre as suas principais funções destacamse o transporte e reabastecimento no mar de Unidades Navais com combustível para navios e aeronaves, água potável, carga sólida geral e

O corte da primeira chapa do N.R.P. Luís de Camões

munições, além de oferecer apoio logístico diversificado e funções hospitalares acrescidas para situações de catástrofe.

Com 137 metros de comprimento e um deslocamento de 11 000 toneladas, estas unidades atingem uma velocidade máxima superior a 18 nós e contam com propulsão híbrida, combinando sistemas diesel e elétricos.

A guarnição será composta por 50 militares, dispondo ainda de alojamento extra para mais 50 elementos e capacidade temporária para mais de 100 pessoas, garantindo flexibilidade para diferentes tipos de missões.

A entrega do NRP Luís de Camões está prevista para abril de 2028, enquanto o segundo navio, NRP D. Dinis,

deverá ser entregue em dezembro do mesmo ano.

Estes navios representam

um passo estratégico para reforçar a autonomia e a capacidade operacional da Marinha

Portuguesa, garantindo maior flexibilidade em missões nacionais e internacionais.

Os novos navios têm como missão aumentar a capacidade da esquadra e garantir o apoio logístico

Novo Sistema de Gestão Elétrica PowerMaster

A Nautiradar traz até si o novo Sistema de gestão Elétrica PowerMaster da Fischer Panda a solução “tudo-em-um” para gestão energética a bordo.

Com o PowerMaster, a Fischer Panda apresenta a sua nova solução “tudo-em-um” para gestão energética a bordo.

O PowerMaster foi especificamente desenvolvido para a integração de geradores Fischer Panda num sistema elétrico a bordo e substitui o anterior inversor. Este sistema combina múltiplas fontes de energia, incluindo o gerador Fischer Panda, baterias, energia solar e shore power, oferecendo uma fonte de alimentação integrada para aplicações móveis.

Equipado com a mais re-

cente tecnologia de frequência elevada, o PowerMaster oferece energia eficientemente e minimiza os custos de instalação e requisitos de peso e espaço a bordo. Com apenas 10.2 kg, o PoweMaster é compacto e leve e representa uma real inovação para soluções de energia a bordo, comparativamente com alternativas convencionais.

O Fischer Panda PowerMaster® foi concebido especificamente para integrar um gerador Fischer Panda num sistema de energia de bordo. Substitui o inversor Fischer Panda, proporcionando uma distribuição de energia ver-

sátil, sustentável e eficiente, combina múltiplas fontes de energia, incluindo o gerador Fischer Panda, baterias, energia solar e energia de terra, oferecendo energia contínua para aplicações móveis.

“O PowerMaster® representa o próximo passo na nossa missão de fornecer soluções de energia inteligentes, adaptáveis e ecológicas, totalmente otimizadas para utilização com geradores Fischer Panda, oferecendo o melhor em tecnologia de gestão de energia”, afirmou o Dr. Sven Soetebier, Diretor Geral da Fischer Panda. “Com este sistema de gestão inteligente, os utilizadores estão equipados para alimentar as suas aventuras em qualquer lugar, a qualquer hora.”

Vantagens do PowerMaster da Fischer Panda: Amigo do Ambiente e Económico: o PowerMaster prioriza a energia da bateria primeiro e apenas arranca o gerador

Fischer Panda quando necessário. Isto reduz o consumo de combustível, emissões, ruído e custos de manutenção.

Otimizado para geradores Fischer Panda

Otimizado para geradores Fischer Panda: o PowerMaster foi concebido para integração eficiente com sistemas de

geradores Fischer Panda e garante a máxima eficiência e fiabilidade na distribuição energética.

Independência: fornecimento fiável de energia em qualquer lugar e sem interrupções.

Disponibilidade ilimitada de energia: integra energia de baterias, energia solar e operação de gerador para uma eficiência máxima.

Rácio de peso/potência otimizado: minimiza o peso a bordo enquanto maximizar o desempenho; a bateria pode ser usada como uma fonte adicional de energia durante momentos de exigência de pi-

cos. Isto garante uma eficiência ótima do gerador Fischer Panda e operação de cargas leves pode ser reduzida.

Mais sustentável: reduz o consumo de combustível e emissões ao usar a energia da bateria como prioridade. O sistema utiliza energia solar renovável e suporta uma navegação ambientalmente consciente e independência energética.

Para mais informações visite www.nautiradar.pt

Notícias

Notícias do Instituto Português do Mar e da Atmosfera

“Outono 2025” Arranca ao Largo de Portugal

A campanha de investigação Demersal de 4.º trimestre “Outono 2025” iniciou-se a 9 de novembro e prolonga-se até 5 de dezembro, a bordo do navio de investigação Jákup Sverri, do “Faroe Marine Research Institute” (Ilhas Faroé), decorrente do protocolo celebrado entre o IPMA e aquele instituto.

No dia 8 de novembro, véspera do início da campanha, o presidente do IPMA, José Guerreiro, e o chefe da Divisão de Modelação e Gestão dos Recursos da Pesca (DivRP), João Pereira, visitaram o navio. Construído em 2020 no estaleiro MEST (Ilhas Faroé), o Jákup Sverri, com 54 metros de comprimento, está equipado com sistemas alta-

mente automatizados para investigação oceanográfica e pesqueira, incluindo arrasto pelágico e de fundo, pesquisa acústica submarina, operações hidrográficas e sísmicas, utilização de ROV, bem como amostragens de plâncton e de sedimentos.

A campanha ocorre anualmente no último trimestre do ano, cobrindo a totalidade da plataforma continental portu-

guesa através de um plano de amostragem que inclui 96 estações de arrasto de fundo.

O objetivo principal da campanha é monitorizar os recursos pesqueiros disponíveis ao arrasto de fundo, permitindo estimar a abundância, distribuição espacial e estrutura por comprimento de diversas espécies de interesse comercial, nomeadamente pescada e carapau. Paralelamente, a

operação recolhe informação essencial sobre a biodiversidade dos ecossistemas e para a avaliação do Bom Estado Ambiental (BEA) da plataforma continental portuguesa, no âmbito da Diretiva-Quadro da Estratégia Marinha (DQEM).

A campanha Demersal “Outono 2025” é financiada pelo Programa Nacional de Amostragem Biológica (PNAB), sob

responsabilidade da DivRP do IPMA. Inserida no Quadro de Recolha de Dados da União Europeia, no âmbito da Política Comum das Pescas, segue metodologias internacionalmente reconhecidas no contexto do “International Bottom Trawl Survey Working Group” (IBTS) do “International Council for the Exploration of the Sea” (ICES), com a denominação oficial de Campanha PT-IBTS Q4.

Campanha de Investigação

Demersal

A campanha têm como objectivo a monitorização a longo prazo dos peixes demersais, fornecendo dados sobre as espécies comerciais para avaliações de stocks e para examinar as alterações na dis-

tribuição e abundância de peixes. O grupo promove ainda a uniformização das artes e métodos de pesca utilizados e designa coordenadores de levantamento.

Embora o programa internacional tenha sido originalmente concebido como um inquérito ao arenque jovem, o foco foi alargado para abranger os stocks demersais. Os dados dos inquéritos contribuem, portanto, agora para a avaliação dos stocks demersais e pelágicos. Com o alargamento dos seus objectivos, os inquéritos constituem agora uma fonte de dados a longo prazo sobre o estado dos peixes em relação ao seu ambiente. Surgem novos desafios no planeamento dos inquéritos e nas estratégias de amostragem para satisfazer as necessidades de monito-

rização do ecossistema, por exemplo, em relação à Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM) da UE.

Refletindo estas tarefas mais diversas, o grupo con-

ta com especialistas de várias disciplinas – incluindo o levantamento e a avaliação, bem como a tecnologia das artes de pesca e a modelação de ecossistemas.

Notícias

Notícias do Instituto Português do Mar e da Atmosfera

IPMA Parceiro do Pavilhão do Oceano

À semelhança de edições anteriores, o IPMA volta a ser um dos parceiros do Pavilhão do Oceano na 30.ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP 30 – UNFCCC), que decorreu até ao dia 21 de novembro em Belém, no Brasil.

Organizado pelas organizações Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) e UC San Diego’s Scripps Institution of Oceanography, o espaço procura fomentar a troca de ideias sobre como enfrentar a crise climática, aproveitando a ciência marinha e as soluções baseadas no oceano. Este ano estarão em destaque

a interligação entre o oceano e as florestas, enfatizando o cenário único de Belém - na foz do rio Amazonas, onde a floresta tropical se encontra com o mar - e o papel essen-

cial de ambos os ecossistemas na manutenção da saúde planetária. Os parceiros do Pavilhão do Oceano apresentam a Declaração do Oceano de Belém na COP30. O IPMA é um dos signatários do documento, que apela à tomada de medidas concretas para proteger o oceano e as comunidades que dele dependem.

Portugal foi um dos primeiros países a criar uma Conta Satélite do Mar e está agora a desenvolver as Contas dos Ecossistemas Marinhos, coordenada pelo IPMA, em conjunto com o Instituto Nacional de Estatística. Assim, o IPMA promove amanhã, dia 18 de novembro, a sessão “Carbon Services in Marine Ecosystem Accounts: Supporting the UNFCCC and the KMGB Framework” no Pavilhão do Oceano.

O evento conta com a participação do Secretário de

Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, do Diretor do Centro de Política Marinha e Assessor Sénior em Política do Oceano e Clima do Presidente da WHOI, Kilaparti Ramakrishna, e do presidente do IPMA, José Guerreiro, entre outros.

Sessões do IPMA no Pavilhão de Portugal

Na 30.ª edição da Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, o IPMA organizou duas sessões no Pavilhão de Por-

tugal, que contaram com a participação do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro.

Dia 19 | 15h45 (18h30 em Lisboa)

“Pesca sustentável e resiliência costeira face às alterações climáticas: contributos dos países de língua portuguesa para os compromissos da COP30” propõe uma reflexão estratégica sobre a pesca sustentável, nomeadamente a pesca artesanal, com foco em casos de sucesso em Portugal e boas práticas de outros países de língua portuguesa.

Procurando constituir um contributo concreto para a agenda azul da COP30, a sessão reconhece que uma ação climática eficaz requer abordagens integradas, equitativas e contextualizadas, em que a pesca artesanal e costeira desempenha um papel central no reforço da resiliência das comunidades aos impactos das alterações climáticas e na

garantia da segurança alimentar.

Dia 20 | 11h15 (14h15 em Lisboa)

“Advancing Meteorological: tools for Climate Change Resilience” apresenta e promove plataformas de apoio à decisão personalizadas para diferentes setores económicos e para a sociedade em

geral, demonstrando o potencial das ferramentas da ciência meteorológica para o desenvolvimento de processos colaborativos e adaptados

às diversas partes interessadas.

Portugal apresentou

Conta dos Ecossistemas Marinhos

O IPMA apresentou no dia 18, pela primeira vez a nível internacional, o trabalho realizado com o desenvolvimento da Conta dos Serviços dos Ecossistemas Marinhos, relativo ao espaço marítimo nacional, desenvolvido ao longo do último ano, o qual contou com a participação de várias instituições e investigadores nacionais, em estreita articulação com o Instituto Nacional de Estatística.

Portugal mostra mais uma

vez mostra liderança no desenvolvimento das Contas do Oceano, ao apresentar os resultados para o carbono absorvido pela zona marítima portuguesa, em toneladas e valor económico. Os dados preliminares evidenciam que anualmente o dióxido de carbono absorvido pela zona económica anualmente exclusiva é na ordem de três vezes e meio a meta estabelecida por Portugal para 2045, considerando essencialmente florestas e uso do solo. A apresentação teve lugar no Pavilhão do Oceano, de que o IPMA é coorganizador, instalado no espaço da COP 30 do Clima que está a decorrer em Belém do Pará, no Brasil. O evento contou com a presença de S. Exª o Sr Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Prof. Doutor Salvador Malheiro, que abriu a sessão e na qual participaram Conceição Santos coordenadora do NPACD/IPMA, que apresentou o estudo, Giovanna Valverde Conselheira Especial para as alterações Climáticas do Governo da Costa Rica, Marine Lecert da Ocean & Climate Platform e Victoria Paz Diretora Finaceira da Inciativa Mangrove Breakthrough. A sessão foi moderada por Prof. Kiliparti Ramakrishna responsável das relações exteriores do Woods Hole Institute.

Noticías da Associação Nacional de Surfistas Liga MEO Surf

Fotografia Jorge Matreno/ANS

Francisca Veselko e Afonso Antunes Conquistam Bom Petisco Peniche Pro

Ambos atletas repetem os triunfos alcançados em 2021 nesta mesma etapa. A Época fecha com o título nacional masculino conquistado por Francisco Ordonha. Justin Mujica venceu Heritage Heat especial entre lendas do surf nacional.

Francisca Veselko e Afonso Antunes conquistaram, este domingo, o triunfo no Bom Petisco Peniche Pro, quinta e derradeira etapa da Liga MEO Surf 2025, que serviu, igualmente, para coroar Francisco Ordonhas como campeão na-

cional masculino, depois de Teresa Bonvalot já ter conquistado o título nacional feminino de forma antecipada na etapa anterior.

Numa jornada marcada pelas dramáticas contas do título masculino, os surfistas que estavam fora dessas contas

acabaram por competir com menor pressão, dominando o evento até final. Foi isso que aconteceu, sobretudo, com Afonso Antunes e Maksymilian Michalewski na prova masculina, que foram eliminando candidatos até conseguirem chegar à final e, com isso, ga-

rantirem o título nacional para Francisco Ordonhas. A ação começou bem cedo, com a ronda 3 feminina, onde Francisca Veselko se começou a destacar da concorrência, com um triunfo no heat 1. Já a segunda bateria foi vencida por Lua Escudeiro, com Miriam Julião no segundo lugar, enquanto Maria Salgado acabou por ser eliminada com alguma surpresa. Mais tarde, nas meias-finais Kika bateu Miriam Julião de forma contundente, com 15,75 pontos, enquanto Erica Máximo superou Lua Escudeiro.

Na final feminina, Francisca Veselko partia com favoritismo e usou toda a experiência para levar de vencida Erica Máximo, que fez na praia do Lagido a primeira final da carreira na Liga MEO Surf. Com 11,35 pontos, contra 9,40 de Máximo, Francisca Veselko somou a segunda vitória da tempora-

Francisca Veselko
Afonso Antunes

da, depois de ter começado o ano a vencer na Figueira da Foz. Esta foi ainda a sétima vitória da carreira em etapas da Liga MEO Surf, repetindo o triunfo que já tinha conseguido em Peniche no ano de 2021.

“Esta é a primeira vitória que consigo na Praia do Lagido, uma vez que já tinha vencido esta etapa mas na praia de Supertubos”, começou por lembrar Kika, após a conquista. “Ganhei a primeira etapa do ano e não há melhor forma de acabar o ano, fechando este capítulo em grande. Tinha o objetivo de ganhar esta etapa, consegui e, agora, vou contente para casa. Vou aproveitar os próximos tempos para treinar e focar-me, para atacar a reta final do circuito Challenger Series e a qualificação para o circuito mundial. Quero estar lá com a Yolanda Hopkins e também com a Teresa Bonvalot. Seria incrível entrarmos as três,” desejou. Na prova masculina, os quartos-de-final ajudaram a eliminar alguns dos candidatos ao título, com Martim Nunes, Tiago Stock e João Mendonça a serem arredados das contas. Martim perdeu frente a Jaime Veselko, Stock foi derrotado por Tomás Fernandes e João Mendonça foi superado por Afonso Antunes. No único heat sem implicações nas contas do título, Maksymilian Michalewski derrotou Francis-

co Mittermayer.

Nas meias-finais, Francisco Ordonhas continuava a depender de terceiros, sendo que Jaime Veselko e Tomás Fernandes tinham de vencer a etapa para conquistarem o título. Na primeira bateria, Jaime Veselko foi derrotado por Maksymilian Michalewski num heat muito equilibrado, decidido por somente 0,25 pontos. Na outra meia-final, Afonso Antunes não deu hipóteses a Tomás Fernandes, ajudando Francisco Ordonhas a iniciar a festa do título nacional em terra.

Na final foi Maksymilian Michalewski a começar mais forte, mas Afonso Antunes não tremeu e mostrou a boa forma em que esteve em todo o campeonato, conseguindo virar o resultado na segunda metade da bateria. Até final nada se alterou e Afonso Antunes conseguiu o triunfo por apenas 0,25 pontos. Dessa forma, tal como Kika Veselko, Afonso Antunes repetiu o triunfo de 2021 em Peniche e atingiu a quinta vitória da carreira na Liga. Além disso, Afonso Antunes ainda conseguiu sagrar-se vicecampeão nacional.

“Estou muito contente por ter vencido”, começou por dizer Antunes, após a final. “Este é um campeonato em que sou muito competitivo e odeio perder. Por isso, sabe muito bem vir a Peniche e cumprir o meu

objetivo. Agora, vou tentar desfrutar um pouco desta vitória, mas tenho de continuar a trabalhar para daqui a dois meses levar este surf para o Havai e para a fase decisiva do Circuito Challenger Series”, concluiu.

Antes das finais foi disputado ainda um Heritage Heat entre algumas glórias do surf nacional. Numa disputa a quatro, onde o local Nuno Silva esteve algum tempo na frente, a vitória final acabou por sorrir a Justin Mujica, com João Antunes e Daivid Raimundo a também terem marcado presença na água.

Resultados finais do Bom Petisco

Peniche Pro: Final masculina: Afonso Antunes 13,75 pontos x Maksymilian Michalewski, 13,50 pontos

Final feminina: Francisca

Veseko, 11,35 pontos x Erica Máximo, 9,40 pontos

Prio Best Wave: Francisca Veselko, 8,75 pontos

Bom Petisco Girls Score: Francisca Veselko, 15,75 pontos

Waversby Round: Maksymilian Michalewski, 12,75 pontos

ANS Expression Session: Halley Batista

Peniche Best Surfer: Maksymilian Michalewski e Ana Mel

A Liga MEO Surf 2025 foi uma organização da Associação Nacional de Surfistas, com o patrocínio do MEO, Bom Petisco, Allianz Seguros, Go Chill, Corona, Somersby, PRIO, o parceiro de sustentabilidade Jerónimo Martins, Quiksilver, Visit Portugal, o apoio local do Município de Peniche, e o apoio técnico do Peniche

Surfing Clube e da Federação Portuguesa de Surf.

Francisco Ordonhas

Notícias

Maria Salgado Campeã Europeia Júnior

Maria Salgado sagrou-se campeã europeia júnior de 2025. Um feito conseguido após a jovem surfista portuguesa, de 18 anos, ter alcançado o triunfo no Pro Taghazout Bay, a derradeira etapa do Pro Junior europeu de 2025 da World Surf League, que decorreu em Marrocos.

Asurfista de Santa Cruz chegou a Marrocos na viceliderança do ranking, atrás da espanhola Carla Morera de la Vall, e a precisar de um triunfo. A eliminação da rival nas

meias-finais, abriu caminho para Salgado atacar o título. E na final a surfista portuguesa acabou por conseguir um triunfo graças a uma onda de 8 pontos, que lhe perfez um total de 14,33 pontos, contra

12,33 da espanhola Sal Borelli, 8,87 da francesa Clemence Schorsch e 7,24 da também gaulesa Lilou Rumiel.

O triunfo na etapa valeu o título europeu júnior a Maria Salgado, mas também a qualificação para o Mundial Junior da World Surf League, que se vai disputar de 11 a 18 de janeiro de 2026, nas Filipinas. Desta forma, Maria Salgado repete um feito que Teresa Bonvalot e Mafalda Lopes já tinham conseguido para o surf nacional feminino.

Destaque ainda para o 13.º posto alcançado por Lua Escudeiro, Teresa Pereira e Constância Simões no Pro Taghazout Bay. Em termos de ranking, Portugal colocou mais duas surfistas no top 10, com Maria Dias no 6.º posto e Lua Escudeiro no 7.º lugar final.

Na prova masculina João Mendonça foi o melhor portu-

guês e o único a chegar à final. Depois de ter sido um dos destaques em todas as rondas, o jovem surfista algarvio chegou à final com possibilidade de chegar aos lugares do topo do ranking, precisando de vencer o campeonato para conseguir tal feito. Contudo, os 6,73 pontos somados valeram-lhe apenas o 4.º posto de uma final vencida pelo espanhol Hans Odriozola.

Dessa forma, Portugal não conseguiu apurar qualquer surfista para a prova masculina do Mundial Júnior, com Francisco Ordonhas, que chegou a Marrocos como campeão europeu júnior em título, terminou o ano no 4.º posto do ranking e João Mendonça no 5.º lugar.

Na prova marroquina, destaque ainda para o 7.º lugar de Tiago Stock e Salvador Vala e o 13.º posto de Miguel Lages e João Roque Pinho.

Notícias Peniche Surfing Clube

Manuel Pirujinho Sagra-se Campeão Nacional de Surf Sub 16 em Peniche

O Campeonato Nacional Surf Esperanças Sub16 decorreu em Peniche nos dias 15 e 16 de Novembro, Manuel Pirujinho sagrou-se campeão numa final intensa e emocionante.

Com ondas de excelente qualidade e num ambiente desportivo ao rubro, o título ficou decidido no Dia Nacional do Mar, numa final intensa e emocionante. Manuel Pirujinho e Tiago Guerra dominaram o campeonato e protagonizaram um duelo de altíssimo nível, resolvido apenas nos minutos finais. O campeão obteve ainda os melhores scores individuais e o melhor score combinado de todo o campeonato, reforçando a justiça da vitória.

Apesar das condições meteorológicas adversas, marcadas por chuva e vento forte, a organização garantiu uma estrutura de apoio robusta para

Vencedor Sub-16 em Peniche
Manuel Pirujinho

atletas, treinadores e familiares, assegurando segurança e conforto ao longo de toda a competição.

Durante o evento foi também formalizada a assinatura do protocolo entre o Peniche Surfing Clube (PPSC) e a Associação de Nadadores-Salvadores das Praias de

Peniche (ANSPP), num momento simbólico que reforça a cooperação local na área da segurança e promoção do desporto. A cerimónia contou com a presença de Paulo Ferreira (Presidente do PPSC) e Daniel Sousa (Presidente da ANSPP), e foi apadrinhada pelo Presidente da Câmara

Municipal de Peniche, Filipe Sales, pelo Vereador do Desporto, Ricardo Rosado, e pelo Presidente da Associação dos Concessionários das Praias de Peniche, Bruno Bairros.

A finalíssima integra o programa “Novembro Mês do Mar”, iniciativa do Municí-

pio de Peniche que celebra a ligação económica, cultural e desportiva da comunidade ao oceano. Reuniu os melhores surfistas SUB 16 apurados nos circuitos regionais e contou com transmissão em direto no canal de YouTube do Peniche Surfing Clube.

Fotografia: Andre-Jesus
Praia
Pódio Sub-16
Tiago Guerra Fotografia: Hugo Barão
Fotografia: Hugo Barão

Notícias do Surf Clube de Viana

David Mendonça Sagra-se Campeão Nacional de Surf Sub 12

na Praia do Cabedelo

David Mendonça, Campeão Nacional Sub 12

A praia do Cabedelo, em Viana do Castelo, foi o palco onde David Mendonça, do Ericeira Surf Clube, conquistou o título de Campeão Nacional de Surf Sub 12.

Com uma final marcada por muito talento, boas ondas e muita emoção. A prova reuniu os 32 melhores jovens surfistas apurados dos circui-

tos regionais do Norte, Centro, Lisboa, Algarve, Açores e Madeira, numa organização conjunta do Surf Clube de Viana, Federação Portuguesa de Surf e Câmara Munici-

pal de Viana do Castelo. As condições estiveram perfeitas: ondas de um metro, esquerdas e direitas de excelente formação e um ambiente vibrante que fez da praia do

Cabedelo o cenário ideal para coroar as futuras estrelas do surf nacional.

A competição foi intensa e disputada até ao fim, num formato com repescagens que garantiu mais oportunidades a todos os participantes. Houve ainda uma expression session muito animada, com 15 jovens surfistas a mostrarem manobras criativas.

O vencedor do Nacional de Surf Esperanças Sub 12 foi Oliver Fleiss (ASC), com uma pontuação total de 9,83, seguido de Levi Hummel (CSCabedelo), com 9,27. Em terceiro lugar ficaram Nikolai Fleiss (ASC) e David Mendonça (EriceiraSC), que, por ser o melhor atleta com nacionalidade portuguesa da prova, garantiu o título de Campeão Nacional de Surf Sub 12.

“Estou muito contente por ter ganho o título de campeão nacional. Estiveram altas ondas durante os dois dias, e gostei muito do meu

David Mendonça

surf. Consegui concretizar os meus objetivos: ganhar o título nacional e ter mais de 10 pontos em todos os heats”, refere David Mendonça.

Levi Hummel explica que também ficou contente com a sua prestação num “campeonato muito bom”.

Segundo Oliver Fleiss, as “ondas estiveram ótimas”, bem como a organização e a competição foi boa também devido à qualidade dos outros atletas.

Na expression session, o destaque foi para Kélio Silva (AON), que impressionou o público com um re-entry de frontside, uma manobra radical e progressiva que lhe valeu o primeiro lugar.

O Surf Clube de Viana voltou a destacar-se com a forte presença dos seus jovens surfistas: Morgan Pierrot (5.º), Gaspar Cunha (9.º) e José Pedro Dias (3.º round). Reflexo do compromisso do clube com a formação e o desenvolvimento de novos talentos.

A entrega de prémios decorreu no CAR Surf de Viana, com a presença do Vereador do Desporto da Câmara Municipal, Ricardo Rego, que sublinhou a importância de eventos como este para afirmar Viana do Castelo como referência nacional na formação de surfistas.

O Viana Surf City Festival entra agora na reta final com a realização do OLAS PRO Eu-

ropa, de 9 a 12 de novembro.

Este training camp reunirá, em Viana do Castelo, os melhores surfistas juniores da América Latina e alguns dos melhores surfistas nacionais de escalões de formação.

Os quatro finalistas da pro-

va Sub 12 e o vencedor da expression session receberam um convite especial para participar na competição internacional OLAS PRO Europa, que decorrerá na Ericeira, a 15 e 16 de novembro.

Boas Ondas! Melhor Surf!

Classificação

Final |

CNSE SUB 12

2025

1.º Oliver Fleiss

2.º Levi Hummel

3.º David Mendonça

3.º Nikolai Fleiss

Atleta SCV, Morgan Pierrot
Oliver Fleiss, Vencedor CNSE Sub 12 2025
Finalistas CNSE Sub 12 2025
Alberto Cardoso, Jacinto Estima,Catarina Silva, Cidália Fonte e Filipe Araújo

Notícias do Porto de Lisboa

Portos Portugueses na International Cruise Summit

nos

Esta foi a 15ª edição do International Cruise Summit Madrid, a principal conferência de cruzeiros da Europa, onde foram abordados os principais desafios da indústria de cruzeiros onde a IA ganha cada vez mais terreno, desempenhando um papel de liderança, seja no planeamento de itinerários, nas vendas online ou até mesmo na prevenção de impactos ambientais.

O evento contou com a presença de vários prestigiados players mundiais da indústria de cruzeiros entre companhias de cruzeiro, portos, operadoras de turismo, agências de viagens, agentes de navegação, entre outros.

Ana Lourenço, Diretora do

18 e 19

Turismo Marítimo do Porto de Lisboa integrou o painel “Cruise destinations: the real economic Impact - Blue Economy” onde se debateu a importância do impacto económico dos cruzeiros nos portos de escala e a comunicação eficaz com as entidades locais de cada Região.

Foram dois dias de conferência que permitiram debater os temas mais proeminentes da indústria e encontrar os representantes do trade. Para além de Ana Lourenço, do Porto de Lisboa, marcaram ainda presença da parte dos Portos da Madeira a Presidente do Conselho de Admi-

nistração, Paula Cabaço e a Diretora Comercial, Patricia Bairrada e ainda, Jorge Cabral pelo Porto de Leixões. As datas para a ICS 2026 já foram anunciadas e será realizada nos dias 10 e 11 de novembro novamente no Hotel Meliá Castilla, em Madrid.

Director: Antero dos Santos - mar.antero@gmail.com - Tlm:91 964 28 00

Editor: João Carlos Reis - joao.reis@noticiasdomar.pt - Tlm: 93 512 13 22

Publicidade: publicidade@noticiasdomar.pt

Paginação e Redação: Tiago Bento - tiagoasben@gmail.com

Editor de Motonáutica: Gustavo Bahia

Colaboração: Carlos Salgado, Carlos Cupeto, André Santos, Hugo Silva, José Tourais, José de Sousa, João Rocha, Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, Federação Portuguesa de Motonáutica, Federação Portuguesa de Pesca Desportiva do Alto Mar, Federação Portuguesa Surf, Federação Portuguesa de Vela, Associação Nacional de Surfistas, Big Game Club de Portugal, Club Naval da Horta, Club Naval de Sesimbra, Jet Ski Clube de Portugal, Surf Clube de Viana, Associação Portuguesa de WindSurfing

Em Madrid
dias
de novembro Portos Portugueses marcaram presença na International Cruise Summit 2025.

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