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DIREÇÃO
LUCAS COMASTRI
COM DOUGLAS KODI
Aqui quem a vós escreve é aquele que fará o espetáculo.
O Teatro de Dario Fo sempre me lembra a importância de saber contar uma história.
O ano de 2026 marca o centenário de nascimento de Dario Fo, maior expoente do teatro popular italiano do século XX e único ator a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Sua obra reinventou a tradição da Commedia dell’arte, recuperando a figura do giullare medieval como instrumento de crítica social, humor libertador e diálogo direto com o povo. Celebrar esse legado é reafirmar a potência do teatro como espaço de reflexão, riso e transformação.
Este espetáculo se organiza a partir dessa tradição.
A peça é estruturada a partir de cinco monólogos jograis, selecionados a cada apresentação conforme a dinâmica estabelecida com o público. Entre os jograis possíveis estão: O Primeiro Milagre do Menino Jesus, O Nascimento do Bufão, O Jogo do Louco Debaixo da Cruz, A Fome do Zanni e Caim e Abel Assim, cada apresentação é única. Não apenas pela escolha dos textos, mas pelo encontro específico que se estabelece em cada noite.
Em cena, emerge a figura do giullare, o bufão popular que narra, distorce, provoca e reinventa. Através da oralidade, do humor físico, do trabalho corporal e da crítica social, ele atravessa narrativas bíblicas e populares, devolvendo-as ao público sob uma nova perspectiva, mais humana, mais contraditória, mais viva.

E, como o teatro é o ato mais humano, só existe quando há aquele que assiste e aquele que faz.
O teatro, quando é realmente Teatro, só acontece por meio do encontro.
A proposta deste monólogo se aproxima da criação de um quadro coletivo. Eu ofereço um esboço, vestido de preto, operando com a voz e o movimento, sem grandes aparatos. Sem cenografia, sem figurino elaborado, sem desenho de luz complexo.
E, no entanto, é justamente aí que tudo acontece.
Cada pessoa da plateia completa a cena com sua imaginação, criando cores, paisagens, vozes e atmosferas. Ao mesmo tempo, e cada um à sua maneira, construímos juntos os quadros desta peça no instante em que ela é encenada.
Eu entrego apenas o esboço.
Digo uma coisa. É realmente um milagre um ator cômico, ou melhor, um cômico, sem a palavra ator, ter ganho o Nobel de Literatura. É o rugido de um palhaço que afirma que somente o riso e a gargalhada são nossas armas para espantar qualquer medo.
Que a vida, por mais trágica que seja, nos permita sempre o riso mais sincero. Sempre.
A proposta desta montagem é também oferecer uma ótica brasileira para Mistero Buffo, traduzindo seus temas e ritmos para o nosso contexto social, cultural e espiritual. Vivemos em um país profundamente cristão, e por isso o espetáculo não busca ridicularizar a fé, mas sim dialogar com ela — escutando suas raízes populares, questionando seus usos políticos e revelando o quanto da tradição sagrada vem da oralidade do povo. Ao encenar essas narrativas com humor e humanidade, a montagem procura reencontrar, por meio da religião,
aquilo que Dario Fo sempre buscou: a voz dos humildes, dos esquecidos e dos bufões que resistem através da palavra.
O espetáculo contará com uma tradução inédita e exclusiva, preservando o humor, ritmo e oralidade característica de Dario Fo, em diálogo com a cena popular brasileira.


TEXTO
Dario Fo e Franca Rame
ATUAÇÃO
Douglas Kodi
TRADUÇÃO
Douglas Kodi
DIREÇÃO
Luca Comastri
COLABORADOR ARTÍSTICO
Ricardo Nolasco
LUZ
Vanderlei Junior e Thamires Saboia
TÉCNICO DE SOM
Diogo Correa (Pou)
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO
Vitória Campanari
PRODUÇÃO
Teatro do Alvorecer
PRODUTORA COLABORADORA
Tania Passarini
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO
Vinicius de Brito
DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO E IDENTIDADE VISUAL
Fernando Souza (Maringaense Cultural)
FOTOGRAFIA ESPETÁCULO
Ana Rodes
FOTOS DE DIVULGAÇÃO
Vitor Dias
ASSESSORA DE IMPRENSA
Rachel Coelho (2 Coelhos Comunicação e Cultura)






