revsta.rar é uma publicação no formato de um arquivo digital compactado. Nela, estão pequenas revistas que tenho imprimido em papel sulfite, usando apenas cartuchos de tinta preta numa impressora caseira, e que, daí, distribuo em locais públicos. Cada uma de suas páginas carregam palavras escritas por pessoas envolvidas com artes visuais, na intenção de pôr seus escritos do lado de fora de certas paredes. A distribuição deste arquivo compactado vem como uma circulação outra: disponibilizando todas as revistas não num catálogo único, editorado, mas sim como os torrents, os downloads diretos e certos anexos em e-mails: num só arquivo digital. Completo, pequeno. Sem encadernação. E passível de desaparecimento, quando seu formato se tornar obsoleto. =============================== Rafael Lima Yan Braz Elilson Luciana Grizoti Daniel Jablonski Ana Luiza Braga Mônica Coster Ponte Gabriel Fampa Mariana Par Millena Lízia Marina Jerusalinsky Robnei Bonifácio Renata Sampaio Mariana Rocha Silvana Marcelina Leonardo Araujo Beserra Lucas S. Icó André Vargas Ítala Isis ===============================
revsta.rar Distribuição e organização Jandir Jr. Edição e projeto gráfico Cás de Mattos e Jandir Jr. ISBN 978-65-993689-0-5 Rio de Janeiro, Atelier Editora, 1ª edição, desde maio de 2019. Composto a partir das famílias tipográficas Muli, Minion Pro, Bell MT e Calibri. Utilizamos e recomendamos para impressão o formato A5, em papel sulfite de 75 gramas, em qualquer impressora caseira. Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial 4.0 Internacional (CC BY-NC 4.0) O uso gramatical nos textos vem da gestão de sues autories.
1 Esta revista não tem um nome. Suas páginas não possuem imagens. Ainda assim, carregam textos de pessoas que trabalham com artes visuais. E eu a distribuo nas ruas. Eis sua décima primeira edição.
posso esperar contigo?
Marina Jerusalinsky Leia esse título como um diálogo do qual você faz parte, e diga “sim” com o ato de seguir lendo. Pronto, agora estamos esperando juntos: eu, você, o texto e as tantas pessoas de quem ele conta histórias. Histórias de esperas. Na rodoviária de Porto Alegre, repeti essa pergunta um número de vezes que já nem lembro, cada vez para uma pessoa diferente. Assim mesmo, sem explicação: posso esperar contigo? Além da pergunta, só sabia que durante a espera faria um bordado: num tecido branco comprido, com uma linha de cor escolhida a dedo, a agulha passava da frente para trás, tic-tac, e de trás para a frente, tipo um compasso, tic-tac, colocando um ponto do lado do outro, tic-tac, aumentando a linha do tempo, tic-tac, até acabar a espera, tic-arremate. Cada bordado representava, assim, uma medida do tempo de espera compartilhado: em tese, quanto mais tempo, maior a linha bordada; mas, na prática, o comprimento era determinado pela relação com cada pessoa, já que o gesto de bordar podia ser acelerado, interrompido, demorado, acelerado de novo, conforme os humores e conversas que iam surgindo. Os bordados eram então entregues para elas – as pessoas – em troca das esperas que compartilharam comigo. Era um trabalho artístico, mas era também várias outras coisas e, acima de tudo, era tempo de espera vivido junto. Aí que entram as histórias, para dar conta do “várias coisas” e do “vivido junto”. E aqui que entra você nessa história toda, vivendo as esperas junto comigo, com o texto e as pessoas: lendo; mas, se quiser, também mandando sua história de espera para o endereço que vou colocar ali embaixo na nota de rodapé¹. Porque às vezes é assim, nos rodapés, nas bordas do que seria mais importante, que surgem as melhores histórias.
¹ tecendoesperas@gmail.com
Espera n. 1 – terça-feira, 5 de março sala de espera
Estou com um nó na garganta. Desejei-lhe boa sorte. Depois de muito tempo – muito mais do que indicou o relógio – ela decidiu: “Não coloca mais linha. Ele não vem.” Ele disse que chegaria às 17h30. Diz que ela não tem horário, mas sempre chega atrasado. Ela veio de Viamão, combinou de encontrá-lo na rodoviária para comprar passagens para a viagem do final de semana. Perguntou-me se tenho namorado. Disse que não, mas contei uma pequena história, de uma pessoa por quem também fiquei esperando. Ela me contou a história de uma amiga, que tinha o mesmo desfecho: “parece que quando os dois se encontram, nunca dá certo.” Ela namora há mais de dois anos. “Aprendi a ser mais comunicativa com o trabalho; antes, nem teria conversado contigo”, ela me avisa. De fato, ela logo aceitou meu pedido – “Posso esperar contigo?”. Perguntou se eu também esperava por alguém, mas não pareceu estranhar quando informei que apenas queria esperar com ela. Ela estava de pé, olhando pela janela da sala, quando fui falar com ela. Ficamos o tempo todo ali. Minhas mãos tremiam quando comecei a bordar. O tecido escorria entre meus dedos, desajeitado, e a linha ficava completamente irregular; depois comecei a dominar melhor meus movimentos. Perguntei de que cor era sua espera: “meio nublada”. Depois de alguns centímetros de bordado, ela recebeu uma mensagem: ele estava sem passagem de ônibus para ir até a rodoviária. Ela ligou: “Como assim tá sem passagem? Não, sério? Não acredito.” Ela estava rindo. “Tu tá aqui, né? Mas tu tá rindo, tu tá aqui! Sério, onde tu tá? Ok, então pega o ônibus que eu pago quando tu chegar. Claro que dá...” (ainda sorrindo). “Mas eu quero falar contigo... Porque sim. Não, não dá para ser por telefone. Não aconteceu nada, só quero falar contigo... Então me espera na avenida que eu vou até aí. O que custa me esperar aí? Então eu vou pra tua casa mais tarde... Como tu vai sair se tu tá sem passagem?” Ela não tinha se afastado de mim. Acabou minha linha e comecei a procurar outra na caixa de costura. “Espera aí”, ela disse ao telefone; e para mim: “Espera... não coloca mais linha. Ele não vem.” O corte da linha marcou o corte da linha telefônica. Entreguei-lhe o tecido. Ela me abraçou. Desejei-lhe boa sorte.
Espera n. 2 – quinta-feira, 21 de março
p l ata f o r m a d e d e s e m b a r q u e i n t e r m u n i c i pa l Uma mulher sentada em um dos bancos me olha com ansiedade, sorrindo; é como se percebesse que eu estou aqui disposta ao que quer que aconteça. Sento do seu lado e ela me pede ajuda: precisa terminar o tema de casa de geografia. Ela já tem certa idade, provavelmente está retomando os estudos, e parece ter dificuldade em entender o que deve fazer para o exercício. Parece ansiosa para que eu faça por ela. Diz que a professora vai ficar braba se ela não entregar na próxima aula. Mostra-me uma folha colada em um caderno onde está impresso um mapa do Brasil, que deve preencher com o nome da capital de cada estado. Ela me entrega o lápis, mas eu digo que é ela quem deve fazer, eu vou só ajudar. Começo pelo Amapá: tem que buscar na outra página onde está escrito Amapá e ver qual é o nome da cidade que está escrito ao lado, depois escrever dentro do mapa. Não achou. Aqui, é Macapá. “Mas onde tem que escrever?” Aponto o local com o dedo. “Aqui?” É, aqui. “Pode ser assim?” Pode. Mas ela diz que não sabe escrever bem, demora muito... Não tem problema, eu não estou com pressa. Depois de alguns nomes escritos eu pergunto se ela está esperando por alguém. “Uma mulher pra quem eu trabalho... O que que tem que escrever?” Ela não está muito preocupada com a mulher, aparentemente. Pergunto há quanto tempo ela está esperando, mas ela não sabe ao certo... perdeu a noção do tempo, deve estar ali há horas, ela diz. Fico um pouco surpresa com a calma da resposta, e indago se o ônibus tinha atrasado. Com muita naturalidade outra vez ela responde: “Não sei… Acho que ela já foi, passou por mim e eu não vi...”, “...Acho que vou embora.” Ela não estava preocupada com o tempo. Sua espera, na verdade, dependia, mais do que de dois ponteiros de relógio, da disponibilidade de algum desconhecido. Sorte a nossa.
Espera n. 3 - quinta-feira, 25 de abril sala de espera
Há uma senhora olhando pela janela. Aproximo-me dela, pergunto se está esperando por alguém. Sim, sua filha, que vem de São Lourenço. Ela me devolve a pergunta, e eu digo que sim: estou na rodoviária para esperar junto com ela. Ela rapidamente confere um significado àquilo: “é um trabalho comunitário?”, pergunta. Eu refaço a pergunta para mim mesma, em pensamento, e lhe digo que não, “é um trabalho pessoal.” Mas minha própria resposta também não me convence... fica reverberando. Conto-lhe um pouco da minha vida, talvez para dar sentido ao “pessoal” do trabalho. Ela passa a me contar da sua: fala da filha. “É difícil encontrar um rapaz bom, tem muito safado por aí… e esses é que sabem apaixonar as meninas. Na minha época não era assim. Não que não tivesse dessas coisas, mas não era bem assim. Com a minha filha aconteceu isso, ela estava para casar, mas ele não era bom. Era psicopata.” “Psicopata?!”, pergunto. “Sim, era psicopata”, ela repete. Sim, era isso mesmo, psicopata. “Ela não podia falar em terminar, ele dizia que ia matar ela, que ia matar os pais… Mas de resto ele era bom em tudo, fazia o que ela queria, era só ela mandar; mas não podia falar em terminar. Um dia ela até encontrou ele dormindo nas escadas do prédio, quando ela chegou em casa. Teve que chamar a polícia. Mas sorte que ela tinha mãe e pai para dar suporte, né, imagina as meninas que não têm mãe e pai para cuidar delas.” Ela passou o tempo todo olhando pela janela da sala, parecendo bastante ansiosa. Quando a filha chegou, me perguntou, eufórica, se eu a tinha visto. Com certeza queria era sair correndo para encontrar a moça, mas voltou para apanhar o tecido que eu lhe oferecia e se despediu agradecendo, num tom que a gente só escuta na voz das mães e das avós.
Espera n. 4 - quinta-feira, 02 de maio
p l ata f o r m a d e d e s e m b a r q u e i n t e r m u n i c i pa l Passei muito tempo andando de um lado pro outro, numa procura frustrada: não me animava a falar com ninguém. Esse é o tipo de procura em que a gente não sabe bem o que está buscando, mas sabe quando acha. De vez em quando observava uma moça, que parecia ter uns 18 anos e estava sentada há um bom tempo perto da grade da plataforma, olhando fixamente para o terminal. Às vezes parecia que aquela expressão era de completo tédio, mas, ao mesmo tempo, era como se ela quisesse ficar ali, quieta e muda, sem ser incomodada. Então eu ficava em dúvida, e seguia minha busca, mas por algum motivo me sentia atraída por aquela quietude. Fui até ela. Ela disse que estava esperando pela prima, mas isso foi tudo o que pude saber. Ela jamais disse que não, que eu não poderia esperar junto com ela, mas dois minutos depois de dizer que sim, levantou-se e parou de costas para mim, apoiada na grade da plataforma. Tentei puxar alguma conversa, mas sem sucesso. Aceitei o silêncio, segui bordando. Quando o ônibus da prima chegou, ela disse “tchau” e saiu, sem esperar uma resposta. Fiquei com o tecido na mão.
Espera n. 5 - quinta-feira, 02 de maio
p l ata f o r m a d e d e s e m b a r q u e i n t e r m u n i c i pa l A segunda ação daquele mesmo dia foi com uma mulher de uns 40 anos. Estava esperando: uma amiga voltar do banheiro... Ou seja, tudo aconteceu muito rápido. Sentei do seu lado e perguntei se podia esperar com ela. Escutei que sim, mas senti que ela não me queria por perto: agarrou com firmeza a bolsa e parecia bastante incomodada. Senti-me tão desconfortável ali que comecei a explicar o que estava fazendo antes mesmo que ela me perguntasse, para tentar tranquilizála. De qualquer forma segui bordando. Tinha simpatizado com a mulher. Escolhi para ela uma linha violeta, de tom vibrante: parecia combinar com sua personalidade. Ela disse, em tom de quem quer mostrar que está esperta, que já tinha me visto andando por ali antes, fez algumas perguntas para sondar minhas intenções e recebeu as respostas com cara de desaprovação. Quando a amiga voltou do banheiro, ofereci-lhe o tecido bordado, mas ela recusou secamente com um “não, obrigada”. Fui embora no mesmo minuto, um pouco desconcertada: já havia recebido uma negativa naquele dia, e a segunda ação foi uma espécie de tentativa de recuperar alguma coisa.
Espera n. 6 - sexta-feira, 03 de maio
p l ata f o r m a d e d e s e m b a r q u e i n t e r m u n i c i pa l Andei de um lado pro outro, subi e desci as escadas. Acho que o dia anterior tinha me provocado um desânimo, não tinha vontade de esperar com nenhuma daquelas pessoas. Sentei-me do lado de um homem gordo, pensando em falar com ele, mas hesitei tanto que já não poderia mais perguntar “posso esperar contigo?” sem parecer ridículo – eu estava ali há mais de 5 minutos. Ele levantou e foi embora, e eu continuei no banco com minhas dúvidas. De repente uma menina de uns 4 anos de idade começou a pulular à minha volta. Fazia algumas pequenas acrobacias no banco e me olhava. Perguntei se ela estava esperando por alguém. “To esperando meu vô”. “Ah, e eu posso esperar junto contigo?”, segui. Ela abriu um sorriso e foi eufórica dizer para a mãe, que estava sentada de costas para nós: “Mamãe, ela disse que vai esperar comigo!”. A mãe riu. Estava cuidando do filho menor. A menina me contou que estavam esperando também o pai do irmão dela, que não era pai dela, porque ela não tinha pai, mas que ela ia ganhar um pai depois. Passava o tempo fazendo acrobacias e pedindo para eu olhar. Também mostrei para ela o que eu estava fazendo: uma linha para medir o tempo. Perguntei se faltava muito para o avô chegar. “Não sei. Ele é pai da minha mãe, sabia?” E depois de uma pausa: “tu pode ir com a gente quando ele chegar!” Eu disse que não poderia ir, o que gerou algum desapontamento, mas muito passageiro. A menina seguiu pulando de um lado para o outro até a hora de ir embora. Oferecilhe o tecido, dizendo que era o tempo que ela tinha ficado esperando pelo avô. Ela pode não ter entendido o que eu quis dizer com aquilo, mas ficou muito satisfeita.
Espera n. 7 - quinta-feira, 23 de maio
p l ata f o r m a d e d e s e m b a r q u e i n t e r m u n i c i pa l Era outra quinta-feira. Perguntei se podia esperar com ele – havia um assento desocupado a seu lado. Pela resposta, que foi gentil, pareceume que ele havia entendido a pergunta mais no sentido de se o assento estava livre, do que se eu poderia esperar realmente junto com ele. Então lhe pedi que escolhesse a cor do meu bordado. Ele escolheu a cor vermelha, e a linha estabeleceu o vínculo. Contou-me tanto de sua vida que não lembro de tudo. De mim, porém, perguntou apenas o nome; mas não disse o seu em seguida, tive de perguntar. “Ribeiro”, ele disse, “meu nome de guerra.” Era aposentado do exército, tenente, ou algo assim. Nunca lembro a ordem das patentes; ele me explicou. Fiquei pensando na ironia de ter escolhido justamente um ex-militar nesse dia, depois de ter passado tanto tempo envolvida nas manifestações, sem nem mesmo conseguir continuar o trabalho. Mas ele não tocou no assunto “protestos”, e decidi não perguntar; contentei-me em interpretar o que ele achava do próprio exército. Tinha feito vestibular para Odontologia e um concurso para professor, não passando, nos dois casos, por total azar – recebeu informação errada sobre o tempo de prova e acabou entregando uma parte em branco, depois sobre a prova de línguas, que era em inglês, mas ele havia estudado para o espanhol, e ficou em 12º lugar para 11 vagas. Ficou no exército porque era o que pagava as contas. “Passei anos lá dentro, não tinha noção das coisas aqui fora, na cidade. Naquela época não dava para fazer algumas coisas, agora as pessoas pensam diferente.” Falou que estava esperando sua companheira chegar de Santa Maria, que estava visitado a filha, que tinha trigêmeos; o filho tinha gêmeos e outra filha estava grávida, ainda não sabia de quantos. Cuidava o relógio às vezes, mas não parecia impaciente. Sobre o bordado, perguntou-me se ele fazia passar mais rápido o tempo; eu disse que sim. Quando chegou o ônibus de Santa Maria, levantou-se e apertou minha mão, para se despedir. Eu lhe ofereci o tecido. “Uma lembrancinha?”, perguntou, sorrindo, e o guardou enquanto ia em direção ao terminal.
Espera n. 8 – terça-feira, 16 de julho sala de espera
Enquanto observava as pessoas na sala, notei que ela se maquiava e arrumava o cabelo incessantemente, com ansiedade. Ela me lembrou muito a primeira moça com quem compartilhei uma espera. Estava parada junto à janela; fui até lá com o tecido na mão. Perguntei se estava esperando alguém. Ela disse que sim. Pedi para esperar junto com ela, e ela aceitou com um sorriso surpreso – talvez tenha achado graça. Devolveu-me a primeira pergunta, mas respondi que apenas queria esperar junto com ela. “Ah… Tu é daqui?” foi a resposta. Disse que sim. “O que tu tá fazendo aí?”, ela me perguntou, apontando com o olhar o tecido que eu estava bordando. Disse que bordaria uma linha contínua, como uma forma de medida daquele tempo de espera. Como ela não me perguntou mais nada, embora parecesse não ter entendido bem o que diabos eu estava fazendo, resolvi fazer outra pergunta, lembrando da moça com quem ela se parecia: “tu tá esperando alguém chegar de ônibus?” E a resposta foi, curiosamente, a mesma: “não, to esperando meu namorado, para encontrar ele aqui.” Disse que não sabia ao certo se ele iria, mas estava tentando ligar para ele. Fez mais algumas tentativas ao telefone, todas frustradas. Disse que provavelmente estava sem créditos para ligar. Eu ofereci meu celular. Ela conseguiu completar a chamada, mas ninguém atendeu do outro lado da linha, então desistiu por algum tempo. Perguntou-me até quando eu ficaria ali. Ao ouvir que eu ficaria até ela ir embora, ela riu: “Sério? Acho que tu vai encher esse quadradinho aí!”. Resolveu até se sentar. Eu sentei do seu lado e passamos um bom tempo quase em silêncio. Em seguida ele ligou, avisando que logo chegaria. Ela passou de novo à arrumação do cabelo, olhou-se no espelho, remexeu na bolsa. Tirou dali um Halls, colocando um na boca. Ofereceu-me o pacote, o que senti como um agradecimento pelo empréstimo do telefone. Quando acabaram as possibilidades para distrair a ansiedade, começou a sacudir nervosamente as pernas. Mas essa história teve um desfecho diferente da outra: ele chegou, e ela se despediu de mim. Eu tive que lhe chamar para entregar o tecido, porque a sua atenção já estava longe, no lugar onde o tinha avistado.
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Jandir Jr. & Cás M. 2019