:: mariana de matos ::
(prosa e verso)
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# impressĂŁo Ăşnica 31-99282876 maredematos@gmail.com
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~ tiragem afetiva ~
* todos direitos sĂŁo reservados
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{MEU ÍNDICE} cap I ~ todas as palavras do mundo estão escondidas na rua da aurora: págs : 4 ~5 ~6 ~7 ~8 ~9 ~14 ~17 ~ 19 ~20 ~22 ~23 ~24 ~28 ~29 ~31~32 ~33 ~35~37~ 38~45~46~47~48~53~54~60~61~63~64 cap II ~ poesia não é romance, caso você não saiba: págs: 1~2~3~11~21~26~27~30~36~39~50~52~56~ 59~62~67~68~ cap III ~ aflição minha, hilda: págs: 10~12~13~15~ 16~18~25~34~40~41~42~43~44~49~51~55~ 57~58~65~66~69~70~
não me tente colar o que por desejo meu corpo escorrega afasto/quero/afasto/quero afastar não posso mais me mergulhar nas águas turvas do óbvio afeto.
1
estou só, meu amor. entre cartas românticas, discursos de posse e tempestade.
você pensa que eu não leio o teu texto e quando falo que estamos nos afogando nos símbolos é porque eu estou me afogando nos símbolos. também prezo pelas minúcias, querida minha. também compartilho deste não querer hastear bandeiras, vê? teu jeito doce de gesticular me ganha teu detalhe me ganha teu sem querer ser me ganha inteira. não me prova que existe, que eu prefiro o espanto de me deparar cocê sendo. mas sou velha caçadora de mistérios. não posso pensar que desvendei,
2e3
aquilo que no desconhecido localizo, é óbvio (e é) desejo. do trêmulo ao acomodo há um instante brevíssimo. -só sinto o que enxergo- somente poderia ser verdade ao contrário. será que gregório de matos é meu primo? sou como um maracatu rural ---engulo pólvora pra atirar escritura.
4
e se eu comumente disser que sou algo eterno a descobrir, ocê tenta? não que eu me prepare para sua leitura, não que por leitura eu com isso enfim ganhe candura. não su(r)jo em palco italiano, nem sur(j)o em literatura ilegível. e você, fora figura que me salta de repente. ou estive propícia a tua figura aparecer, ou por acaso e não menos raro, me pus propícia a tua figura sim aparecer. não padece. padecerá? me diz.
eu atravesso a rua repentina. que falo que teus ouvidos nunca ouviram? me sentei na cadeira repetida. que verso te cativa mais que olhos te cativam mais que ânsia te transporta mais que eu gostaria? e para não reescrever o romântico werther de goethe, para não transcrever o eterno bukowski, que hei de fazer? fazer.
5e6
quinta feira parece até ter demorado. parece tanto pela ânsia de pro outro ser recado, e a ânsia de pensar que o outro quis recado para ter consigo. a verdade é que o seu olho atravessou meu jeito e eu fiquei no meio da ponte sem saber se a ida sempre antecipa essa vontade de volta. porque – o correspondido quase nunca erra. que o olho diz que é palavra dita por imagem que quase nunca erra. o correspondido é palavra olho, que. e você me fazendo achar bonito o que entretanto era obviamente bonito. e eu enquanto tento o eterno que parece sempre ser o termo. percebo. e a que distância o poema se sustenta? que livro presta pra suprir ausência? a que me submeto quando tanto anseio ao ponto de te escrever descompassadamente? você não pensa e portanto não diz o tanto que quero do outro pra mim) ou não compareço, ou não compareceria. devo em algum momento breve partir? para por poesia ser, devo em algum momento breve partir de ti?
7e8
daqui não levarei quase nada_sinto muito/ e que preciso dizer: se levasse algo seria: o mar em exaustão~ o tentaria levar_ iria no sábado cedinho porque ao vulnerável diria_ ô mar vão? mais quase nada fora a melancolia de olhar pela direita janela e ver uma colina verde/verde tão verde que me põe a pensar triste em crua carne. minha busca cotidiana pelo furto caseiro. um pincel um papel uma lapiseira do arquiteto. porque não só o sangue transmite. tá? daqui levarei o horror pela mudez. e tudo que não for pórtico para o bonito, deixarei. porque e também no pórtico não se pode fazer morada.
9
é latente, assumo. em meu corpo há muitas moradas. me estendo em correspondências/ não me atenho a desencontros. sincera, sou uma mulher de múltiplos amores. só me atento a profundidades. gosto de tocar o osso do outro. e a noite, meu bem, é uma junção de largas avenidas com frestas sobrepostas----não se preocupe agora) deixe que te possua o impulso que te tome o corpo o sono deixe que te conduza o desejo a antecipação forja desencontro aos que anseiam desavisados por tua carne
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conheço muitos homens ruins atrelados a miudezas e pequenos prazeres eu conheço muitas miudezas e pequenos prazeres e vou dizer que em meu discurso não há linha pra fazer de casa pra homens ruins. você tem medo de que eu não me apaixone por você por isso não realiza meu desejo primeiro você tem medo do perigo de estar comigo e se esconde entre livros pra evitar a gravidade de
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sinto um desassossego por dentro. em parte, algo como o que o disse hoje a tarde. velejo, velejo. nada estĂĄvel dorme em minha cama comigo. nem meus ĂłrgĂŁos nem e nada.
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ele n達o gosta de conversar sobre conversar com sua veia de cor verde e marca de picada vermelha na parte inferior de sua perna t達o branca///tem poder sobre os minutos e manipula as palavras de minha boca/// e eu quero saber do que se trata) e elas dan巽am no rumo dele como uma alegoria dum carnaval que ele n達o foi e lhe contei como tudo conto e ele me roubou, pro prumo dum barco que nem ancorar / ancorou.
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estou trocando de pele na abertura do carnaval enquanto as alas se alinham e vem manifestar o gozo estético que sinto ao saber que estou diante de todas as cores do mundo o que eu vi hoje cedo a unesco não viu, mas estou trocando de pele na bolívia com instinto literário procuro recorrer ao texto enquanto há dança eu não choro em espanhol estou exausta estou trocando de pele longe de casa como quem se renova quando necessário é e entende o mistério contido na palavra vital desejo o retorno mas
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medusa, te trouxe o sono com a doce leitura do prazer do texto/ somos duas crianças que crêem no fantástico: como murilo rubião, estamos reescrevendo eternamente o mesmo texto, medusa. dorme na página sossega na página aceite o livro que te trouxe, medusa. (que só pode ser na história que eu prolonge tua existência.
eu não atraio teus olhos eu atraio tua língua tua feroz vontade de expurgar palavras teu amor dificílimo pela literatura tua vontade de falar que não para justamente assim construir eu só me esqueceria de você se parasse eternamente de ver a previsão do tempo para o nordeste. só se o tempo então parasse e eu finalmente percebesse que
15e16
eu poderia adivinhar a palavra que ela mais gosta descrevê-la como um personagem de uma mímese viniciana creia em mim e não em minha ortografia porque eu uso a vírgula errada e craseio quando a imagem precisa levitar’’’’ eu poderia adivinhar quase todas as palavras
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eu quero morar no deserto de sal porque lá é comida e é água e é bonito e é calmo. e naquele branco sal grosso estão deitadas todas as cores do mundo.
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hoje só me dediquei à beleza. guardei um segredo. tive dívida com as cores amarelo laranja e vermelho. me pus a não as escolher. fiz as unhas fotografei as dependências do prédio antigo acendi uma vela.
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assistir um corpo que acende que abandona a mania da vitalidade/ que abdica dos orgânicos automatismos:: pescar comer defecar dormir ver um corpo que horizontal como uma paisagem repousa o trajeto de uma ladeira íngrime/ sexo filho sexo filho sexo filho transferir a existência dum corpo prum mistério maior que estar pelo prazer de prolongar a carne_ não há de haver tristeza para os que não morrem se há vida em quem está vivo(? a morte é uma palavra que eu não acredito.
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já sinto falta dele. me pus a dormir para não te pensar. o que quero com você é arquitetura. fazer duas cúpulas de suas hipotéticas corcundas pra que a gente possa morar_ (devagarzinho quero construir com você, rostinho bonito.
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sinto saudade da correspondência. sjkdçaiçh90381098"" de receber o que entendo por flores e o resto do mundo por cartas. de ter a doce dúvida de amar menos que o outro amor. de duramente abdicar do maior tempo do cimento da escadaria e da gravura para o homem.
deitado realmente de kerouac soube hoje porque contei que o céu de nossa cidade é quase o tejo de pessoa de tão preferido. arranha meu rosto com barba de quem veste azul ganha um beijo de ângela e ainda me presenteia com ?) estrofes bonitas ai de mim, se eu pudesse ficar perdida e deixar que ele me achasse como acha meu espanto corriqueiramente.
22e23
você adorava que eu te adorasse e eu só adorava porque não conseguia te estabelecia pra que não me pensasse e com isso não caísse sem que antes soubesse-me erguida.
nada nos une. nem a solidão mútua nem a consciência perene da vida nunca o localizo no mapa nunca o localizo em nada nem a antropofagia nos une.
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acontece deu me esquecer a configuração do seu rosto sorrateiramente não conseguir apreender mais a posição de seus olhos os vincos precoces advindos da insistência de sua boca e a imposição de sua voz que no mínimo que me lembro vai se distanciando como quando pela tensão exercida na brincadeira de roda uma ou outra mão se solta.
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meu amor, você estava completamente certo. eu deveria ter me dedicado mais à pistache e é só detalhe minha unha por fazer. e quando abraçados como um casal antigo, te o pescoço beijo descompassado e te desconserto inteiro, corrijo. não, não sou uma mulher tão acessível. mesmo que ainda com os lábios sensíveis pelo clima seco, ensaio contigo a força que posso pelo seu beijo. é claro, você é um homem que faz hoje trinta e não me forço pra te dar felicidade porque penso que nenhum homem precisa de mais brilho do que já há e, portanto vejo em teus olhos. meus orixás me aconselharam a ter disposição para nos assistir hoje a tarde naquele filme do antonioni. serei sincera, pois já te adoro e logo adormeço. te explicaria o que aprendi com cinema, mas te prefiro com estes olhinhos para o irreconhecível. teu pai é filósofo e com medo confesso desejo em conhecer tua mãe talvez em breve. meu amor, você estava completamente coberto. sou encantadora. não me ame tão cedo.
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03 - tu me acostumbraste, perigosamente
gostaria deouvindo me alimentar dumade fruta doce com eu estou vinícius moraes líquidolhe diria ebastante se pudesse e levitar por cima duma rede listrada que sinto faltarepresenta docê, querida estendida a bahia ee gostaria ela de repente zombaria meu jeitinho ainda de coçar o narizde pelo cheiro difícil do em portolhe de querer nova viçosa o movimento emas eusobretudo insistiriaobservar em não tenho odeprazer de abraçar a obra de uma misterioso janaína. (meu amor, juro por deus pessoa adorável me sinto incendiar) tropeço naquela frase de amador
por algum acaso quem desenha no mundo o que o mundo te tira? sua língua sua habitação sua compreensão pequena de tudo sua simulação de felicidade ] eu moro na rua e te trago as notícias porque a noite a arte não dorme e eu ando até minha sobre-coxa pedir descanso --- mas não descanso porque não desenho no mundo o que o mundo me tira meu orgulho progressivamente retraído minha cisma minha dependência meu método minha linguagem minha dívida minha dúvida
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eu envelheci seis anos em um mês ao limite casei meu corpo que entre o desejo e o sono me deu o passe de decidir entre eu e a bolívia como se a queda desta distância a percorrer não fosse o que meu corpo deveras sabia ter de depois de assistir a arte me pedir em casamento e eu com obviedade e crença proferir rigidamente que sim fiz moradia como se diz em español mesmo sem cartola))))) dormi em lugares que não se podia dormir fiquei com saudade mesmo que não pudesse e ainda por cima por vez me esqueci de ser estrangeira eu te disse: troquei de pele Y traí minha língua E quis minha pátria !comprei dois violões bonitos tive banzo porque sou preta e não consigo esquecer que tenho casa.
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sei da distância entre teus dentes (não é nada de mais mas) sei da característica de tua fala/do teu jeito e do ângulo de teu violão elétrico em contato com seu corpo (não é nada de mais mas) sei inclusive da distância entre nós.
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em garanhuns a cadeira o colchão inflável os talheres tudo garoa baixinho, baixinho garoa E ela cuida de mim porque me adora e eu dou a ela todo amor que me é possível penso poemas por ela submersos no dia tiro o estrado da cama e o amontôo na janela pra que a sombra faça uma cena muito bonita ~ e eu acho lindo que tenha eu e ela neste mundo ~ a imortalizo quando usa lençóis como vestido ou quando tenta desvendar o pássaro que por ventura e com leveza sabemos não existir ela cuida de mim e eu a amo profundíssimo ~ por ter ela e eu no mesmo mundo eu acho lindo ~
31e32
guardo-a do mal. me reservo o direito de só a atentar para o poema. ainda que as vezes decassílabo escondido nos dias, defronte a saga/defronte a sina, guardo-a do ruim praticamente inteiro. sou como as vezes camões para ela. velejo distâncias/percorro terreiros bravíssimos para a guardar uma página de poesia só não me sei quanto mais devo de ser sem mar, a sua marinheira.
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longe é outro país outro continente outra postura perto sou eu quando vejo ocê rir longe é o longe a barragem a barreira perto sou eu de teu afago longe é teu coração e teu corpo todo interditado
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(recado para tião não responder) ele me diz tudo em silêncio me priva as palavras que declaradamente anseio. abreviações, só escrevo a ti de noite porque a noite liberto o poema só escrevo-te noturna porque se me lembro do teu cheiro, reconheço-o madrugada. não te desejo como sede que eventualmente líquida tenho, desejo-te só (e) sólido// como inserção em gravura despojada. se há desejo de ti em meu corpo, e há, te assumo. te quero em palavra.
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se eu pudesse gerar uma receita assim pedida por alguĂŠm eu quereria gerar ocĂŞ sem a parte ruim.
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mamãe me lembra que vou embora amanhã. miranda brinca muito com minha auto estima. testa minha grandeza praticamente toda semana. sou muito emotiva quando posta a prova de admitir. derramo muita água pelos olhos que até me envergonho. ela é um terreno completamente arenoso. me sinto infeliz quando manifesto o que tinha me prometido que não. somos praticamente este labirinto, e me canso.
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me comprou um livro de poemas pois havia prometido flores e como me ponho a escrever frases assim que foste como quem anota no braço no cérebro na bula a posição linda de sua coluna preu nunca mais me esquecer.
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tenho ciúme dele._dos inchaços de seus olhos e ainda como ele se desconcerta(ao meu lado esquizito ele._com seus desenhados limites e unha ao dedo(alinhado reparo ele._no sentido que observo e o jamais(corrigirei invento ele._de uma inconstância por mim contestável à uma impressão que não se pode(escrever.
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passei mais muito mais de um ano tentando desvendar se ele era feito de óleo ou têmpera insistindo na impossibilidade da cor verde para seus óbvios olhos que eu azul sabia. ainda quando o descontente ouvia: verde) percebi que a pintura não poderia ter planos porque ele não iria planejar. Porque e ainda porque ele era a estante os livros a estrada minha pista a maconha a crueldade e nunca o retorno e sempre a ida.
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nosso vínculo é taz. desde quando minha mão sabe onde está a tua: e com autonomia a gente se desloca. o grau 0 da escrita. a tentativa de outra abordagem. o barthesiano jeito de querer: subverter a língua. nosso vínculo é taz. quando mesmo que lá longe te reencontro? com o primeiro ato de novo: tatear-te: longínqua.
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ah, como senti o duro de acordar em desassossego me pegar o sono um pensamento do avesso e acordar meio ao desejo de querer o colo de meu conselho mestre scalia. meu curandeiro, a vida é repleta de sustos e tropeços_ adormeci o verso para a batalha diária, companheiro amanheci tristinha e cê me amolece o traço certeiro' como sei abandonar as vírgulas abandonar o bloco e não sei ao certo do desapego? ah, o rumo se adoça quando teu sábio sotaque me nina a cabeça construirei uma arquiteta ponte, engenheiro do mundo para fazer caminho a fim de acordar o verso e adormecer a saudade porque meu bem, se há uma verdade, ela mora contigo.
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quem será que deixa o mar raivoso? será quem acorda a correnteza? que quem será num dia breve me visita no início da noite? preu me acalmar logo que em prosa lhe desenhar a questão do: por que? que será do desejo da somente beleza? durmo.
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sou intensa meu bem mas é o pior de mim que te deseja íntegro corpo pesado em minha carnívora cama. camões, conrado. lascivo ou trêmulo, impiedosa, te re(clamo). nada em mim não te deseja inteiro. nada em mim te deseja só o pedaço. não mais creio em eterno. te quero porque o desejo tem pressa (? te tenho fome. tomo água. consumo tabaco e durmo (te) cedo.
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um misto de vida mansa um misto de vida dura jack eu nem umnem alívio de ter kerouac posto o pé nem na estrada com umabukowski pressa danada de ir embora. podíamos terme tido o convencendo de que aquele antro uma hora
chuva fora e eu aqui líquida dentro
medo que eu era tive. me convenceria, porque fundo e seu paulo já haviaquase dito quelouca não tomava banho nem toda perturbada eu poderia escrever vinte e sete poemas da nada disso.
necessidade do drummond. naquele meio metro quadrado não por ouro preto nem por nenhuma queda com azuleijos portugueses específica. não chove há dias e quando chove é como se eu não soubesse.
ontem a noite agradei meus ancestrais. depois pensei em como me agradei com ontem a noite. hoje penso que os deuses estĂŁo ao meu lado, escrevendo (a/meu) princĂpio (o/do) prazer em poemas com cor em versos livres sem rima.
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ou era sua voz aguda que não me fazia prever o tanto, OU sua timidez que me sempre põs a vontade pra achar em você a palavra encanto quando de ti me punha diante: ou era te ver terça a tarde ~ era ou te ver todas as tardes que me tem feito lembrar que tuas pimentas que tuas flores embaixo da janela hão de nos fazer ser algo que faz. era você que batizava meu poema} que dava impulso pra fazer o batismo do poema era você que pendurava as roupas coloridas pra nossa felicidade que em grande parte são as cores. ou era a mangueira azul que você comprou e não servia e era a abelha que te fazia a contra-gosto visita talvez assim como eu que me pus tão mais quieta hoje cedo depois que cê chamou Maria Bethânia sem chance de recusa para o canto.
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escolho recife por todos os motivos. pelo nome e etimologia da palavra, pelo mangue mistério dos deuses, pela língua ou na verdade pelo que configura a língua. pelos tótens, que se deslocam como se não um mito fossem. pela verdade do toque, pelo cheiro, por scalia, pela literatura, pelo perigo, para o meu bem, pela cura, pela luta, pela arte e ainda e muito pelo axé.
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é porque você mora a dois dias de mim que te escrevo poemas que nunca vão terminar, e que te abraço com mais esmero que se fosse rotina, e que me acato ao ofício de te querer traduzir. é que você mora a dois dias de mim e eu não canso nunca de tuas minúcias, não canso nunca do teu cheiro, não canso nem mesmo nunca daquelas tuas piadas. é porque você zomba do meu gosto por joão gilberto que é você. é porque me vou de preto quando pela primeira vez vou te ver, que sou.
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não sei por onde passeia tua palavra sei que não pela verdade que não sei pelo prazer em meu desejo nem em seu comprometimento em se tornar realidade não em minha avenida antiga não em meus poros nem em
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não queria chamar-lhe sansão mas teu mistério e teu charme se escondem em teus cabelos (e o texto recitado sai de teus cabelos e a casa em que mora sua sedução é teus cabelos) não queria chamar-te sansão que mesmo que não seja, chamo-te urgente sem saber que mais te chamar poderia
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nunca havia te visto de manhã. e o mistério que te carrega à noite não se põe de dia. nunca havia te querido tanto. mas a promessa que tu carrega, parece se esconder de quando em quando__
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a gente praticamente vive no limiar entre o desconforto e o desejo quando me protejo em seu braço de tudo cruel ainda quando eu mesma sou toda cruel e descumpro minha promessa de me sentar em seu colo não pra te provocar porque sexo é afeto e eu só te provocaria se eu não te quisesse mais. e as frases que ele usa pra me elogiar me lançam pro limiar de um desconforto e um desejo quando me protejo em seu braço de você cruel mesmo, loiro.
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ontem foi sexta feira santa e pecado seria não estar com você. deus não nos deu cigarros não acertou nossa conta nem tomou cuidado para que nossa cerveja não acabasse. contudo, a noite aconteceu super bem.
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eu poderia escrever o verso mais feliz esta noite como por exemplo a neruda e dizer-lhe que nรฃo hรก poema que se fortaleรงa na infelicidade,
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hoje torrencial chovo como um corpo que cai e com a morte horizontal repousa/ só tenho admiração pelos postes_ que perseveram rígidos pela luz da ideologia/ me sinto calma por ainda não ter transado com artaud por não ter vínculo afetivo com clarissa'' e poder solenemente fechar a noite todos meus olhos e me ainda convencer digna de esquecer as atrocidades cometidas/ a crueldade que cotidianamente desperta meu idealismo/ as falsas relações intrapessoais que se sustentam pelo egoísmo/ a dor de estar e ter de pela luta permanecer esguia (pra esconder a palavra viva)_ e contudo manifestar com desespero, um de meus muitos desejos de percorrer todas as estradas (nortesulesteô) em direção àquela vilã magia.
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me rendi à teus olhos carolínicos, a teu charme de malandro literário a você, pescador que adestrou todos meus peixes e por isso hoje eles se alimentam conosco na mesa. me perdi pra você (levar) como edição improvisada, raridade da prosa contemporânea crê
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ela se trancou no 450 do recife antigo eu tive absolutíssima certeza não ser eu ser ela porque fomos todos nós assim meus olhos carregados de minhas pernas guiadas de meus olhos minhas mãos eu a toquei não ouvi quando me disseram que não eram dela minhas mãos eram do piano mozart sussurra quietinho burra eu tô sabendo ela se trancou no 450 do recife antigo indicando o taxi certo pra partir eu tenho absolutíssima certeza caetano assim como cê disse a nicinha que eu e você já cantávamos bonito antes dela presa no 450 do recife antigo e antes mesmo de nicinha agora são trinta e quatro de uma bela de uma madrugada e papai ecoa em minha memória com o questionamento de onde que guardo minas gerais quando vou pra recife fiquei contrariada olhando pra papai como se ele não soubesse que eu sou inteirinha minas gerais agora se papai fosse mulher e não quero dizer mamãe e sim mulher qualquer eu poria fim na dívida minas recife só lhe dizendo como cartola meu amigo: preste atenção, querida.
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o que pretendi perdi era eu que gostaria disse saudade doce tive vi perdi ocĂŞ prum prumo virado vĂŞ assumi era eu que gostaria docĂŞ doce em
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ainda é cedo, cartola disse. seus olhinhos verdes desculpa preciso dizer os morros daquela palavra livro os morros não te cansa te fica leve tiãozinho nem anuncia a hora da partida nem e nada sua sinceridade desculpa preciso dizer ia te levar pro parque de diversões daquele beatnik que eu nunca soube pronunciar desculpa são paulo pode ser tão tião desinteressante eu novinha e papai me trouxe aquele disco os bichos me sinto triste de noite,
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todos foram embora: casa vazia: sem motivo pra poesia ou pintura. eu queria descanso mas o tédio vem de mala quando todos vão e se instala vagarosamente sem espaço pra queixa: tudo de mais importante nos últimos dias foi por conta da presença morena de minha mãe. araçá azul e meu pai na sala lendo no jornal a matéria em que constava meu nome: poesia só quando mariana de matos não está assim.
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árido é acabar assim (?), tão sem que a gente perceba(?). fico muito raivosa quando preciso caminhar e meu porque hoje é inquieto e corpo só metudo diz: cama. prefiro manifestar minha carência de sobre ajuventude inquietação. acabou minha sete debruça arte do que meu egoísmo de querer por cinco minutos. preciso escrever o poema. chorare?
caymmi não tem alterego literário por isso ele é bonito e deitado na rede assovia pro poema que vem em busca de seus dedos que fazem cafuné. caymmi escreve e dá prazer às palavras.
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penso em você. e inclusive em tudo raro que me tenha sido sincero. das desconfianças matemáticas de nossos encontros à sensação de que mais um pouco dura. duro você. penso no que te significaria meu elogio à tua beleza quando logo menciono o horror de teu eterno desencanto.te escrevo. não entendo a física inerente à minha risada ao telefone. insisti por você naqueles dias porque minha boca estava muito acostumada à rotina e tua boca vem falar e me cala. sobreponho o presente ao ontem pra ver se ainda posso te achar loiro se meus dedos continuam a crescer se eu hoje ligaria pra uma moto te buscar no furo da noite ou se te guardaria. onde? na página. desenho você. e obviamente não te mostro porque desenhar você é te tentar de toda maneira. mesmo com um poema que morre pelas bordas e não segura o desejo para estar em segurança. te acho uma jóia e não uso.
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ontem a noite fui medusa e ele pescador e ele fez virar mar onde estive e eu fiz mar辿 do que fosse e ent達o ele velejou e eu ( de t達o bonito que estava: n達o seduzi. adormeci,
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o que restou de nós você vê em meu olhinho. arlindo canta como um samba perdido
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estou há dois dias de pijama porque perdi um membro da família. e estou triste e parece em meu corpo não haver mais órgão algum. vazia líquida angustiada em chumbo pesado e levemente fosco. estou assim, sem nem querer
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seu nome é ébano e ele instaurava minha saúde hoje cedo afoguei sem ar bem na hora que ele se cansava não sei dizer, não sei, estou só e triste meu ébano meu querido meu ranger amoroso de dentes a entrar singelo e majestoso pela casa do descanso___________
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a gente insere mudança no outro. quando sairãoade minha moradia? o outro podeum tercigarro se tornado monstro ee um fósforo cincoum chaves de casa um como bem pode ter sempre sido o monstro. bepantol me lembram a arte morreu antes de você nascer.em mim. em meus olhos, eu entendo a mudança quando sairão dememinha e se eu te venero se você é adornocabeça?
em eixos, em meus dedos, minhas e tuameus simbologia me embola: te penduro ao ladoem da tela, janela. tranças.
adoro estocar a cura.
procurei por você, renée entre os edifícios com nomes compostos/ instituições pomposas de cheiros artificiais pus-me atenta a querer te encontrar procurei-te, renée caminhei inteira paulista com olhos escandalizados furando mares de passantes com intenção de te ter ao lado meu devorei quilômetros como se mesmo te encontrar fosse procurei você, renée mas era são Paulo,
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escondo de mim o que em mim te perdura escondo bem o que me consome voc锚 insiste em dizer por que, penso em seu discurso de poder n贸s somos uma rede suspensa por palmeiras no sul da bahia.
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eu gostava tanto do que ouvia que da boca dele eu queria beber as palavras///
a palavra frutacontato-improvisação: às terças e de paisagem não acho quebrinca nuncadefarei quotidiana fossenem o teu. aguento ocomo meuse peso
(cavalos com afliçãocena se auto flagelam): declaro situação comum existir genuína deeuamor àsnuma quartas. vexatória meu amor por banana frita e por você. ela salta perante a queda. ela salta inerente a queda.
uma coisa séria um exercício sério uma dor lombar.
eu economizaria quatro pratas do cigarro cinco pratas do indecente sucrilhos uma prata da caneta da filantropia na condução popular e mais dez pratas do livro do gregory corso que eu tanto queria só pra pagar porque eu pagaria vinte pratas pra te ver dançar o ritmo dos nus naquela peça que thorau indicaria tão docemente. porque por você seus olhos comportados sua mão cintilante e seu sotaque de deusa miúda eu atravessaria, caso ainda não tivesse atravessado quatrocentas cidades em dois dias, só pra me sentar/eu com meu ranzinzo receio longos dedos e velha against/ ao seu lado, em um barquinho instável plantado estrategicamente na beira do capibaribe como uma planta pesada que para se mover, basta um belo homem com vinte anos de experiência em remar/ a caminho da fechada casa de banhos, contra o desejo, contra maré brava, contra o tempo curto com um brennand compondo minha vista, que mais te via do que me vê. ah, como eu pagaria vinte mangos e iria sozinha, pois barthes por seu desejo descuidava do mundo e era egoísta, e eu iria muito sozinha te ver dançar o ritmo dos nus, serena e solenemente, ao meu lado.
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hoje não pintei. aprendi o samba miudinho do recôncavo/ cantei marambaia mas sobretudo toquei no violão a oração da mãe menininha. então, hoje eu pintei. ainda pensei no perigo de colecionar para minha geração. tive sede. hoje não bebi água.
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