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prosa e verbo

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:: mariana de matos ::

(prosa e verbo)

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Ă autora, sabe?

# impressĂŁo Ăşnica maredematos@gmail.com

na

~ tiragem afetiva ~

* todos direitos sĂŁo reservados

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{MEU ÍNDICE}

cap I ~ eu quero pintar mallarmé da primeira até a última página: págs : 1~4~9~12~15~19~21~37~38 ~44~46~49~

cap II ~ nada curioso saber que o desejo é o maior contaminador dum processo artístico: págs: 2~3~5~ 10~11~16~17~18~22~27~29~30~36~39~40~43~47~ 48~50~51~52~

cap III ~ guignard está vivo e veio em minha casa hoje a noite: págs: 6~7~8~13~14~20~23~24~25~26~ 28~31~32~33~34~35~41~42~45~53~


poesia não é sua mãe que morreu mês passado. nem o nascimento do teu amor por deus em 1910 com a arte abstrata) poesia é poesia. palavra mariposa mas não mariposa e sim palavra. a sentença (cansada de erguer a bandeira do cansaço) mas não a bandeira e não o cansaço. a palavra terna a palavra letra a palavra. poesia não é do que. no entanto é.

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ando em direção oposta à minha casa na rua em que moro tentando fugir do poema narrativo que persegue meus dias solto pela boca a fumaça que soltam os caminhões e as fábricas/ me desloco com os mesmos membros inferiores que as figuras que dão ordem ao meu país~ desejo grande como meus poetas de cabeceira/ é verdade respiro utopia absorvo-me da culpa de não poder alterar as rotas injustas e os cruéis trajetos da literatura~ procuro,

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eu preciso de alguém que desafie espera da vitrola/a chinela de dindinha/a pirraça do menino a espera da chinela/a pirraça de dindinha/alguém que desafine.

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todo dia/รกrdua acordo como um profeta/renascido exerรงo o poema/adormeรงo o poema por toda p-arte/ รกrdua renasรงo como um poema/adormecido.

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o que aqui ouço é sobretudo o silêncio. acima da algazarra distante dos carros e pássaros (que transitam distante cumprindo suas rotinas e as folhas maduras caem das árvores (como deveriam um dia cair) e as madeiras são fincadas no terreno em frente (como prenúncio de construção que há de vir) e o vento imparcial balança tudo no mundo que ao movimento se mostra vulnerável e os troncos cortados e os cacos no muro e por fim tudo como tenho visto, como por mérito sensível, (da janela que de quando em quando {me}visito) se demonstra calmo.

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eu preciso escrever um texto. para entre outros dizer que a pintura muda finda o grande espetáculo. e que um aval para existência mata essa existência, e que um absurdo enclausurado é qualquer coisa enclausurada menos um absurdo. como qualquer coisa que ultrapassa a linha e no entanto vocês não gostam. e como qualquer coisa que ultrapassa o gosto e no entanto vocês não poderiam vi/ver d-isso. a seleção o podium a galeria o prêmio a parede o cubo o branco a categoria são palavras que não me tocam. e no entanto, me movo. eu não troco o desejo do texto pela segurança. depois de cinco meses aprendi que desenho é afeto. não que vocês possam traçar isso,

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minha intimidade está na parede branca daquela galeria miúda há quem se interesse pelo indomável alheio nada em mim procura tudo.

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eu que trabalho muito com a representação me farto muito da realidade ~~~~~~ pintura poema pintura poste palavra poema cruel é o p que me persegue precipício é arte.

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minha lucidez me mata. saber que adubo dura mais que eu. dura mais que meu pai minha mãe meu amor. porque a palavra morre junto com o corpo e eu garanto: minha lucidez me mata muito. saber que o poema não significa nada. dura menos que minha manifestação cotidiana de amor por mamãe e papai. porque o amor morre junto com a palavra e eu anoiteço quando percebo.

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ferlinghetti listou minhas ânsias agradou meus olhos e virou brinquedo perigosodemais)

mania suanão de achar que tudo que é explodindo literatura é o que fica na cabeça você éfurunclo você no ou texto. o despencar como florliteratura explodida.é mania sua de de uma literatura ouétudo fiz épara fazer achar que tudo que vocêque em eu texto tudo qu texto.despencar d edesta vocêpágina fez praminha entrarmania nesta de página. com desconfiança: as portas. não careço de antecipa eu e ladeira não éabro como descer ladeira abaixo.e ções, nem aguardo saudações. ? literatura é o que fica na cabeçaesperança explodindo nenhuma esperança me motiva nenhuma me mo como furunclo o que te faz despencar da vimenta mais que o ou inerente desassossego ladeira. em que me,


tenho por carência o desejo de decifrar a cidade/ as portas as pernas o pavimento as fundações o preto_ colecionei por quatro anos todas as palavras/ reconhecida fui como se pertencesse a uma rua. também fiz misérias no campo dos afetos e programei os dias em um terreno que quisera eu nunca ter admitido. o complexo método da configuração da que dizem ser minha cidade, matematicamente por mim pode ser desenvolvido. tenho pelo estranho objeto de meu desejo, a carência de jamais saber.

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não morasse no perigo, o corpo a mim não se chamava desejo que querei que já não li, ler eu tenho fome é do absurdo

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os piores poetas nasceram em minha época cartola pessoa cortázar tom chico science caê sem elegância eu nasci na época dos piores poetas vê estou tão abandonada por pio ottoni júnior que hoje os bárbaros se confundem com poetas e os piores dariam tão mais e tantos folhetins e baudelaire, que balzac escreveu moderno pagaria como mesmo sua água sua luz seu condomínio

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se eu tivesse dinheiro, pintaria literatura. porque eu sou contra a eleição fotográfica do instante E mesmo que isso não lhe interesse, encontro muita dignidade em tudo no mundo.

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formação é uma palavra que não produz sentido pra mim. percebo-o como jesus que caminhava leve sobre aquelas turvas águas. as placas de estrada mentem o tempo inteiro. ok? a relação de uma cidade e uma outra cidade só existe se há cidade. e francamente, não há. há? quem inventou salvador inventou salvador. os deuses me presentearam com um guru um curandeiro um padrinho um xaman um scalia.

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eu penso escritura juro muito depois adoeço porque insisto na utilidade literåria do amargo por mais que tenha dissertado sobre o doce e atÊ prolongadamente me convencido---

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porque eu passo mal e você não sabe porque eu sou mulher penso na invasão em roma no roubo em pequi no arroz porque eu sou mulher e penso em nunca mais voltar como quem zomba do império que se querem os cosmopolitas como tzara como caetano como brennand comi tudo que pus no prato porque eu passo mal e você não sabe porque eu sou mulher.

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quem insiste em anunciar-se no desejo? madrugada de terça pra quarta/ não há descrição de quilometragem neste poema porque eu não tenho carro. não tenho casa/ tecnologias/salário/vivo de esmolas/sou miserável.

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utopia ĂŠ a impossibilidade. o desvio para o que nĂŁo te move. abandonarei tudo um dia, breve.

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penso em um colapso da língua. (quando não houver tensão entre falas) e você jamais me repreender pelo não dito. dito um colapso da língua. tenso em um próximo colapso. quando não darei preferência às letras que desconheço porque me significam relapsa. e soará breve como tudo que de breve tenho, ou descansarão as letras para o que não carece de urgência, posto que são eternas.

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van gogh, meu cruel amigo há quem em ti tenha se reconhecido que sem ouvir a sinfonia dos impávidos ruídos dos bárbaros, enfim adormeça e se o sossego amanhece com o epistemológico corte de minha orelha, traço a cidade é que habita os homens, van gogh, meu caro ainda em tudo há desespero pictórico sobretudo enquanto descontente é o que há de ser pintado e em nada há conserto nem mesmo cura os homens estão submersos na loucura van gogh, meu raro.

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tenho medo do abismo dos dias. que os poemas que há muito guardados na gaveta, se revoltem. de voltar para a capital na segunda feira. de perder aquilo que um dia eu pensei que fosse meu. ai que medo tenho eu, de me perder dentro do mar. de me afogar na lama que por devir só me cobriria a perna. e de gostar de estar em coma no mangue e amar os tu todos. tenho medo demais de não saber voltar. de não querer voltar. de não saber mais o que significa a volta, e perder da língua, mais um monte de palavra.

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ele foi em treze países em três meses porque queria levar a paz pra cuba não em seu corpo faz casa a utopia

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e se eu disser que nunca li kafka? que nunca li proust e nunca fui à brasília? nunca li derrida. e se eu disser que nunca li derrida? e se eu disser que nunca fui à paris? nunca li guattari. e se eu disser que nunca li guattari, nem ouvi debussy. eu perco notas acadêmicas? quando tudo que eu espero é perder notas acadêmicas. ? e se eu disser que sei lá de kant? que nunca li senão a imagem de oscar wilde. nunca li senão a palavra dostoievsky. nunca li guattari. e se eu disser que nunca li deleuze, nem ouvi wagner. eu ganho notas acadêmicas? se eu não disser que digeri pessoa, engoli barthes e vou sempre à bahia? eu perco notas acadêmicas? quando tudo que eu espero é perder notas acadêmicas?

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o ponto final é um trem assim tão desinteressante

não como vanguarda pelo que é vanguarda nem como algo neste momento abuso da linguagem inclusiva avante quando não se atém que outrora obviamente somente à esta palavra. pelo gosto da vida sem medo da morte.margem. contra a inércia, fora o que me rege são meus dedos.

fosse eu e não ele, euacomo ana cristina me afundaria na sapataria popular. a permanência, sensação de que nada muda. o motim,

o desaparecimento:


depois de amanhã (termo para designar aproximação) serei especialista em desenho/ serei sereia pro desenho porque pra mim desenho é inteira conquista E serei insone como tenho sido serei parte da guerrilha que tenho tido e ainda (como tenho feito) tomarei água como remédio.

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a utopia me consome. libertou meus preconceitos livrou os meus cuidados eliminou o que chamam de caminho e eu estou no meio duma estrada longuíssima aceitando carona pra tudo que é lado indo voltando comendo dormindo e o que parece pior, vê utopia, meu deus? eu tô sem fé na arte.

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preciso voltar a pintar. me preocupar menos com as pessoas e com a caligrafia. ignorar o embate entre maiúsculas e minúsculas. pintei minhas unhas pictorialíssimas. falo muito mas sobreviveria sem a língua. acho que menti na frase acima. quando começo a ficar a vontade com ele, preciso ir.

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também devo me casar? deixar na margem da estrada as contrações involuntárias de meu antigo desejo? devo me ausentar de meu texto deixar devo de ser cruel arquear a fundação de uma finalmente morada. cessar devo de procurar em tudo que mágico reconheço a magia? também ainda devia pelo sono ser vencida? devo me reconhecer com a vitalidade que me fora concedida para que para o outro eu enfim viva? devo? eu devo me dedicar em ser algum tipo de especialista?

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tenho medo do mundo não ser de verdade_ de confundir o pequeno com arte e infame adoecer na margem da estrada. esquecendo-me como palavra admitindo-me sem família/sem coisa/ sem casa como um luther king: ousada e mineira. tenho muito medo de ser lida completa e errada enquanto como camus, fatídica e certeira me configuro. (vou adormecer em dez segundos)_ amanhecer/pouco depois ingerir duas cápsulas de veneno. eu tomo veneno no café da manhã quase todos os dias.

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porque é incondicional e todos da minha rua tem tantos defeitos e sobre você eu tudo perdôo mas não poderia te dizer que é incondicional e todos da academia tem tantos defeitos e sobre tantos defeitos eu tudo sei porque eu os tenho e quando penso em você eu até me perdôo mas não poderia dizer porque é absurdo que em outros eu nem pense. mas,

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porque eu estou fazendo vinte e um anos e bananas e cebolas. estou mesmo fazendo vinte e um anos e isso me obriga a exercer cada vez mais a modesta literatura: como a extensão de um cineclube como a extensão de um mal estar como a perseverança de cada dia como um transtorno obsessivo compulsivo ou então simplesmente por apego a minha família que eu não quero que morra. porque estou fazendo vinte e um anos e essa sentença tem mais letras tem mais matemática tem mais memória e como a extensão das construções de meu pai como toda a vontade em consertar o outro de minha mãe toda a opção de viver como se escolhe e não se pode de minha avó como isso tudo: pesa. porque repeti esse ciclo: essa mania de somar anos e repito: este poema é por que fiz vinte e um anos e não pensei no que significa um ano ao mais. e por que este poema por que esta cidade por que estou fazendo vinte e um anos e cebolas e batatas.

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tambĂŠm tentei escrever como se nĂŁo soubesse o valor monetĂĄrio das verduras/ nem conhecesse a etimologia da arte e ainda o trajeto da palavra.

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descolei os signos das palavras assim como separo uva-passa de granola que acompanha o açaí. creio na arte sim, minha senhora. só não a respeito, porque o respeito foi colado ao podium com cola capeta e eu só acredito na arte que transfigura. não sou especialista em nada e, por conseguinte, me livro da tensão de ser cobrada pelo que eu obviamente nunca devo. necessito da palavra porque meu nascimento, ou mais claramente o fato de mamãe me ter gerado para este mundo, só pode ter sido um ato de resistência e resistência, minha senhora, é palavra manifestação. gostaria de quase nunca comemorar para também quase nunca lamentar. e deixar saudade pelas visitas dessas bobas sensações. você vai rir_ porque baudelaire mesmo me disse ontem a noite, e não me mal entenda, pois somos amiguíssimos, que o riso é uma zona satânica e eu não tenho ânimo pra piada nem pro diabo. estou ocupadíssima preparando meu território de moradia. hakim bey, arquiteto que é, não me permitirá a ignorância de ter surpresas.

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brennand se apresentado à louise bourgeois lhe faria como a todo seu resto sagrado uma porção de pinto uma porção de poesia bourgeois se apresentada à brennand lhe faria como a todo seu resto profano uma porção de poesia e uma porção de referência a boceta.

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são paulo não tem horário, meu camarada. consome tudo por inteiro. um conjunto matemático que carece de infinitos números imaginários. me faz pensar que me daria moradia me faz pensar que jamais me daria moradia e vezes algum número que lance esta sentença para fora da plataforma. são paulo é um polvo ruim do mar. te ocupa para te distrair do que deve ser a vida.

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vejo bem onde posso parar com este olho duro sobre tudo esta falta de romantismo em cima das relações entre as pessoas o isolamento crescente entre meu universo e o resto do mundo veja bem que eu não mais te quero nem quero o outro e a outra já nem me lembro /// estou sincera e fatídica a respeito da arte e no mais em toda parte, já não creio em soluções.

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sonolenta, (bem como a vida as vezes desejo), voltei Ă capital. dylan cedinho me consola no manuseio da papelada. ginsberg me pede pra abolir a palavra corpo. com dor admito a carne. infelizmente o vejo cumprir o papel literĂĄrio de se fechar na pĂĄgina e morrer em mim para nascer poema. , nĂŁo tenho nada a perder.

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tenho intoler창ncia grave com o teor das palavras todos os designos que nasceram de sua profecia me alegraria que batessem em minha porta sem que_ dissessem nada, pra brincarmos de pique-espont창neo. eu as daria autonomia pra amanhecer e quando quisessem, dormir e acima de tudo as deixaria alimentar, do que a elas vital fosse.

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te escreveria versos bonitos para serque sincera hoje gastei resto de para dinheiro tinhaa umacedo só página, eoisto sim, o meu espanto respeito do ódio pra alimentação e o teu também.da semana, queum cotidianamente manifesto à você.só real em livro do desconhecido trocando desejos em moedas,faukner, que com pra mente odeio não te ter entender seu facínio. insistência você pratica comigo, por perto e odeio inclusive a primeira vez que amanhã filar perigosos bóia na casa ana. pesarosa diria emvou termos quedetive sérios manifestei este ódio, quase de portudo, completo eeinteresses acima escreveria os tais versos em tertevocê. que adquiri que foi concomitante a minha descoberta. te sincera, ainda discursaria que praticamente bonitos, casode não estivesse esta semana modo sorrateiramente sem diria, tião, meu querido desisti de você. com estafa de quem não repousa há dias. vergonha, um bukowski. enão talvez contracom o que vocêde poderia estivesse estafa quem pensar, não os motivos repousa hánão dias,preencheriam

é que eu também estou vestida com as roupas e as armas de jorge


assim que escrevo, adormeço porque o texto me nina a noite e quase não tenho sono e quase não tenho fome e quase quando tudo é disforme, escrevo.

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a vista da pequena sala ao lado da cozinha de minha casa em governador me transporta ~~~~~ as árvores de flores roxas as árvores de flores com cheiro de árvores°) gordura mofo geladeira vazia E eu nunca uso borracha mas usei. e agora, meu deus? cozinho para esta morada vazia? percebi que não sei muito bem como me agradar. cruel comigo só sei ser.

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e não sei dizer se hoje vai ter chuva pelo trajeto das coisas que se anunciam há água caindo de cima pra baixo e há um plano todo cinza nublado e deste pórtico tudo mais me diz chuva mas os pássaros voam como se não houvesse risco e eu não sei dizer nada previsto pra literatura quanto mais se hoje a tarde do céu, vai cair água.

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reguei as plantas e lavei as restantes louças. menos água pra orquídea, senão ela se afoga. orquídea não sabe nadar, gal costa. e deveria, para optar por morrer afogada por mim. não tenho tempo para aplicar minha neurose à arte. a casa me toma para um processo inquietante de arrumação. meu isolamento tem entrado num ritmo agradável, sabe? há dias não converso com pessoas. exceto o homem que pesou a mexerica, exceto a mulher do caixa que registrou 0,44 de minha aquisição. o carteiro está para chegar com meu livro. a arte é inimiga do povo?

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eu converso muito sobre artes plásticas e praticamente todos os dias sou posta a conviver com a doce contradição dos meus desejos. não me reconheço artisticamente em nada que não seja configurado como contracultura e subversão e já emiti dezenas de vezes minha despreocupação com julgamentos referentes ao que penso. adoro gimir adoro todos os pretos da minha família os infames picasso schiele e lucien adoro caetano gal bethânia pessoa brennand, o esquecido. não gosto de quem vende poema em boteco e desconfio muito de quem não admite que a academia de arte só serve para enrijecer os músculos. não sou discípula de nada e coleciono bênção somente de quem escolhi pra me conceber o bem. sou alta pelo gen de papai e mamãe de matos e tenho a ania de me por a ser reconhecida como bem entendo. eu converso muito sobre os meus desejos e praticamente todos os dias sou posta a conviver com a doce contradição da arte.

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ana me diz equilíbrio. fico imobilizada por esta palavra. meu corpo se estranha todo como recusa dessa escuta. equilíbrio ana me diz. tentação respondo sem emitir som. preciso num calmo dia sentar-me junto a meu corpo e pedir mesmo que com esforço que ele se comprometa a me manter esguia. meu corpo me desvenda antes do pedido. caio,

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o dia em que para a capital vim: n達o tomei dramin decidi me manter acordada para re colher o poema de beira de estrada porque foi indo a recife que descobri que aqui se colhe se palavra planta

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eu saí as quatro da manhã na avenida mais popular desta cidade que moro pra distribuir pássaros coloridos pra quem os quisesse eu sou uma espécie de

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quando eu escrevo me liberto das coisas deixo as coisas n達o quero as coisas somente as palavras. e se eu escrever as palavras que representam as coisas mesmo assim me liberto das coisas porque deixo as coisas por n達o querer as coisas e somente as palavras.

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e por que eu seria estrangeira? por que deixaria sem mágoa minha cidade (? papai é arquiteto e ela nunca me esgota. sou maestra da cidade todos os dias. paula de pijama e dom lúcio antunes nunca daria seu nome para a rua nem sua rua para os outros. mas o jeito que recife usa a palavra transforma tudo. me seduz, em tua língua. em tua língua, medusinha.

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tenho dúvidas cruéis a respeito do amor de

rodin por camille. ele se debruçava sobre tudo com voraz fome de toda carne. ebarthes o que passou anos cochichando então serei? (caso ainda não me jogue. no ouvido de ana cristina césar. do desejo à todo ensaio que leio, que leio otodo quê? eu me jogo nãocom morro ensaio que_. nãomas transito a assimassim tão por culpa comoacaso cigarrocomo relaxaqualquer assim co mo ana meu bem ebravas ainda assim concor situação dessas corriqueiras dei passear. eu em nãoirme joguei, ana.


há trinta e um dias não durmo. a aproximadamente sete minutos o dia vai nascer e meu corpo antesdeontem não quis nada além de anoitecer mansinho)) minha dor não constrói casas não ergueu esta cidade tampouco este solo que parece se casar com meu desejo dele como um ímã. eu suo muito pra me livrar das desnecessidades e sim, ela pode estar dotada de razão. meus chakras podem estar desalinhados, conjugando com destreza as dificuldades que encontro ao percorrer a linha. não caranguejo, portanto. entretanto, o dia nasceu e eu estou ainda cansadíssima.

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eu virei uma mulher estranha não leio poesia há décadas vou desentendendo os dias eu me tornei incomunicável não foi tu que me acostumbraste fui yo que não mais me concebi.

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vinícius porque ontem era domingo e minha cidade é um túnel muito extenso que acaba não sei onde

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se partirei contaminada do ritmo de meus antepassados conduzida pela maré acariciada por iemanjá, creio comprometo-me a não passar pela árvore do esquecimento nem sete nem nove voltas darei ao seu redor nem promessa farei de minha carne esquecer irei embora, irei embora, irei embora, confesso obedeço à demanda de meu corpo.

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criei minhas próprias trilhas sei quase todos meus segredos me concedo ir em busca de meus desejos mesmo quando o tempo está desfavorecidamente nublado e a curva oblíqua''''

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a palavra cão morde

eu não enjôo quando vejo o mar deslumbro como quem não tem memória da imensidão e como quem não processa a daqui uma hora profundidade. serrei os olhos enquanto será velha esta minha linha contemporânea boiava para não e eu sereiescorregaria velha na era contemporânea perder a beleza e ligeira do ->ecéu eu -serei lixo na coleta contemporânea saí ao contrário do costume, pois nunca me esqueço não das as costas pro mar. e eu serei sódepara o amor contemporâneo


chamar as coisas pelo nome certo: o amor de amor e o veneno de veneno. esperar a morte chegar enquanto ainda se vive. devo-te curar os olhos da edificação da maldade. abandonarei num breve dia todas as cartilhas e costumes. devo-me resgatar somente à poesia e acima de tudo, não pegar trilhas, pois percorrer toda estrada é importante.

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