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Revista da Imperatriz Leopoldinense - 2015

Page 1

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PETROBRAS

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Ministério de Minas e Energia pATAI'"

o desafio é a nossa energia

EDUCADORA


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- Luiz Pacheco Drumond

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Jorge Castanheira -

Wagner Tavares Araújo

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29 DIRETORIA

30

PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE

31

LUIZ PACHECO DRUMOND MARCOS

EXECUTIVO

DE FINANÇAS

E VICE-PRESIDENTE

WAGNER TAVARES ARAÚJO WILSON

VICE-PRESIDENTE ADMINISTRATIVO

32

VICE-PRESIDENTE CULTURAL VICE-PRESIDENTE SOCIAL

34

VICE-PRESIDENTEJURIDICO

OSCAR DE PAULA

DR. CHRISTÓvAO

JOSJ: HENRIQUE

PINTO

DIRETOR RESPONSAVEL PELA COMISsAo DE FRENTE

DE CARNAVAL

VITOR VITAL

DIRETOR DE CARNAVAL

1. MESTRE-SALA E 1. PORTA-BANDEIRA

MARClLlO

ASSESSORIA DA DIREÇAo DE CARNAVAL

LUIZ DRUMOND

41

CELESTINO

DEPARTAMENTO

WAGNER TAVARES ARAÚJO

39

RIBEIRO

ANDRJ: BONATTE

PRESIDENTE DO CONSELHO OELlBERAnVO

36

DRUMOND

VICE-PRESIDENTE DO DEPARTAMENTO DE CARNAVAL

DIAMANTE

E ELAINE FERNANDA

PRESIDENTE DA GALERIA DA VELHA-GUARDA

NETO

ADILSON

ASSESSORIA DA DIREÇAo DE CARNAVAL

GOMES

DIRETOR RESPONsAVEL PELA ALA DE BAIANAS

COORDENAÇAo DA ALA DOS COMPOSITORES

RAUL CUQUEJO

ANDRJ: BONATTE

42

APRESENTAÇAO DE QUADRA ASSESSORIA DA DIREÇAo DE CARNAVAL

PAULO etZAR

44

ADMINISTRADORA

CLAUDIA

XANDE LOCUTOR

PC

REVISTA DE CARNAVAL DA IMPERATRIZ 201 S

DO BARRACAo

CRISTINA COORDENAÇAo

CARNAVALESCO

LUIZ PACHECO DRUMOND E ANDRJ: BONATTE

CAHE RODRIGUES

46

ASSESSORIA DE IMPRENSA

EVANDRO

ARTE E DIAGRAMAÇAO

LIMA

SIDNEY FERREIRA

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

MODELOS DA CAPA

PHELlPE LEMOS E RAFAELA THEODORO

CRIS VIANNA

E ROBSON LINS FOTOS

DIRETOR GERAL DE HARMONIA

CARLOS FREIXO SJ:RGIOBAIA DIEGO MENDES PAULO SILVA LEANDRO RIBEIRO ANDRJ: BONATTE

JÚNIOR ESCAFURA INTtRPRETE

NEGO MESTRE DE BATERIA

MÁRCIO

(NOCA)

TEXTOS

ALEXANDRE MEDEIROS CLAUDIO VIEIRA EVANDRO LIMA FELIPE FERREIRA MARTA QUEIROZ RICARDO LOURENÇO HANDERSON LOPES MARIO JORGE BRUNO ANDRJ: BONATTE

PRESIDENTE DA BATERIA

JAIRO RIBEIRO RAINHA DE BATERIA

CRISVIANNA COREÓGRAFA DA COMISsAo DE FRENTE

FÁBIO DE MELLO AGRADECIMENTOS

DILMA ROUSSEFF - PRESIDENTA DA REPÚBLICA LUIZ FERNANDO PEZAO - GOVERNADOR RJ EDUARDO PAES - PREFEITO RJ ANTONIO PEDRO FIGUEIRA DE MELLO - SECRETARIO DE TURISMO JORGE CASTANHEIRA - PRESIDENTE DA LlESA ANA CRISTINA - RIOTUR VICENTE DATOLLI - LlESA ANISIO GONÇALVES LOJAS SOUTH LOJAS BANCO DE AREIA MARCOS SALLES EVANDRO LIMA IMPRESSAo

MAR-MAR

GRÁFICA

E EDITORA LTDA


Lá vem a Imperatriz",

Eu vou com ela!

Q

uando

sugeri

ao carnavalesco

que abordássemos,

em 2015, na Imperatriz a luta

do povo negro por igualdade,

quão importante

Cahê Rodrigues não imaginava

o

se tornaria esse tema. Muito me impres-

sionou a quantidade

de manifestações

preconceituosas

que vieram à tona nos últimos meses, e o quanto nós, brasileiros, mesmo miscigenação,

diante de uma belíssima

matriz de nossa identida-

de, ainda encontramos

ecos da intole-

rância racial em todos os seguimentos de nossa sociedade. Vamos

navegar

africano apresentando determinação mesmo

pelo

continente

a origem de luta e

de um povo sagrado que

forçado a cruzar o mar, dei-

xando sua terra natal com destino ao árduo trabalho forçado em nossas terras' não deixou se dizimar, mantendo-se firme em sua cultura. A Imperatriz revive o sonho de Nelson Mandela, de ver uma sociedade justa e livre das amarras do preconceito, onde o negro é valorizado por sua imensa força e contribuição

cultural para a humanidade.

Vamos louvar o canto da massa, colocar o acarajé no canjerê! Vamos jogar capoeira, dançar maculelê e o maracatu! Lembrar Zumbi, Manoel do Congo e João Candido e tantos outros que através de suas forças construíram

no

Brasil um modelo de sociedade. Vamos

todos

juntos

embarcar

nesse

maravilhoso

desfile e irmanados com nossa querida Imperatriz buscar o tão sonhado título de campeão!

Luiz Pacheco Drumond Presidente 6

CARNAVAL

2014


Pra sempre, na memória

N

colorido do carnaval carioca, o verde e o bran-

ária de todos cariocas. Por isso, acredito que este en-

co da Imperatriz Leopoldinense iluminam a Marquês de Sapucaí sempre com muito brilhantismo. No maior espetáculo popular do mundo,

redo da Verde e Branco está totalmente ligado ao mo-

a escola de Ramos emociona com desfiles e temas

cidade cada vez mais igualitária onde todas as regi-

memoráveis que ficaram gravados na mente e no coração do folião.

ões possam ter os mesmo direitos de cultura, lazer, educação e saúde.

Oito vezes campeã e primeira tricampeã do Sambódromo, a Imperatriz Leopoldinense tem tudo para

A Imperatriz promete emocionar a todos ao apresentar a união de todas as raças na luta pelos direitos.

brilhar mais uma vez na Avenida. Quando o grito de

A mensagem de igualdade, liberdade e amor da esco-

guerra da verde e branco da Leopoldina for entoado,

la precisa ecoar além das arquibancadas do Sambódromo, se espalhar por toda a cidade e despertar um

uma mensagem de igualdade e liberdade vai ecoar por todo o Sambódromo. Com o enredo, "Axé, Nkenda! Um ritual de Liberdade. E que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz", a Imperatriz exaltará a luta do povo negro pela liberdade. E o líder sul-africano Nelson Mandela será o porta-voz dessa mensagem.

mento da cidade. O Rio de Janeiro vive um momento de transformação. Juntos, estamos construindo uma

novo amanhecer. E para isso, como o próprio samba diz, nada é maior do que o amor. Viva o carnaval carioca! Viva a Imperatriz!

Eduardo Paes Prefeito

Uma sociedade mais justa e igualitária é a luta diCARNAVAL

2015

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Senhora Liberdade!

C

antar a independência é uma marca da Imperatriz Leopoldinense. A verde e branco da Zona da Leopoldina, primeira tricampeã no Sam-

bódromo, acertou em cheio na escolha do enredo e

Benfica, Cordovil e adjacências, que comemoram a pacificação do Complexo do Alemão. Há de se esperar uma apresentação grandiosa e transbordante de alegria - principalmente com a lem-

promete emocionar o público pedindo, mais uma vez,

brança do campeonato de 1989, quando a escola can-

para que as asas da liberdade se abram sobre todos nós. Certamente, liberdade é um tema que nunca se

tou os 100 anos de abolição da escravatura no Brasil. O Rio de Janeiro se encaixa como cenário ideal para

esgota e que tem a cara do Rio, ainda mais no ano em

este enredo por ser uma das cidades mais democráticas do mundo, onde os conflitos religiosos, étnicos e

que a Cidade Maravilhosa completa 450 anos de sua fundação. A certeza de um desfile marcante e belíssimo é ainda mais forte quando se escuta o samba-enredo da escola, que convoca ninguém menos que o grande líder Nelson Mandela para a Avenida. O herói do fim do apartheid é a cara deste enredo do nosso Carnaval e se junta aos componentes da Imperatriz para se transformar numa figura muito próxima da realidade dos moradores de Bonsucesso, Penha, Vigário Geral, 8

CARNAVAL

2015

de raça dão lugar a uma convivência harmoniosa. Todos, independente de credo, raça ou gênero, vão para a avenida sambar e cantar os movimentos e as ações de paz. Vai ser mais um desfile histórico da verde e branco de Ramos!

Antonio Pedro Figueira de Mello 5ecretórío de Turísmo


Igualdade

O

homem se orgulha de ser o único animal racional do planeta. Orgulha-se, também, de seus avanços tecnológicos, de suas conquistas científicas ...

Esquece, porém, de lembrar que esse progresso, essa

racionalidade, vieram acompanhados de um afastar-se da qualidade mais sublime do ser humano: poder amar. Amar a natureza, amar o próximo, amar a si mesmo. Um dos maiores problemas que o ser humano enfrenta é a intolerância. Racial, sexual, religiosa. Por cada um destes motivos o homem mata, se mata, se afasta de sua natureza. Felizmente no Carnaval vivemos um mágico universo onde raças, credos, posições sociais e políticas convivem em harmonia. A única disputa entre os sambistas é a nota dez, o título, a alegria. E por isso, a cada ano nossos artistas se renovam nas suas ideias e ideais. Plebeus viram reis e milionários, mendigos. É a magia do Carnaval. Este ano, com seu enredo Axé, Nkenda! Um ritual de liberdade "e que a voz da Igualdade seja sempre a nossa voz" a Imperatriz Leopoldinense irá desfilar pregando justamente isso: o fim de todos os preconceitos, principalmente o racismo. Lembrando o grande líder sul-africano

Nelson Man-

dela, inspiração da mensagem do enredo, a verde, branco e dourado de Ramos baseará seu desfile na frase "ninguém nasce odiando uma pessoa por sua cor de pele ou religião ...pessoas são ensinadas a odiar ...e se elas aprendem a odiar, elas podem ser ensinadas a amar". Se não temos problemas em conviver com as diferenças durante um desfile de Carnaval, por que teríamos para fazê-lo durante o restante do ano? Como disse Mandela, melhor aprender a amar do que a odiar. E,como diz a frase inicial, "Axé, Nkenda!", ou seja, "Viva o amor". Feliz Carnaval a todos!

Jorge Castanheira presidente do Lieso CARNAVAL

2015

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A MELHOR GALETERIA DO RIO DESDE 2009 GALETOS E CORTE DE CARNES ESPECIAIS FEITOS NA BRASA


Sambando com a Imperatriz!

N

Ós,da Direção de Carnaval da Imperatriz estamos muito confiantes no sucesso de nos-

sa Escola em 2015, Trabalhamos incansavelmente nos preparativos do desfile, supervisionando cada detalhe técnico e artístico para que tudo funcione com perfeição na hora que entrarmos na avenida, Nos quesitos "plásticos"

a Imperatriz resgata

Em nossa Comissão de Frente resgatamos, através do retorno do coreógrafo Fábio de Mello, uma apresentação digna de entrar para a história, marcando mais uma vez o nome da Imperatriz como referência no quesito, Nosso casal de Mestre-Sala

receberam em 2014 as notas máximas de todos os jurados, e ainda conquistaram a maioria dos prêmios

um traço originalmente africano mas com uma rou-

carnavalescos, tornando-os

pagem moderna, imprimindo em suas fantasias e

expectativas em nosso desfile,

alegorias uma linguagem popular sem se furtar à valorização iconográfica da arte e da cultura negra, Nosso Samba foi eleito por especialistas como um dos melhores do carnaval, e não temos dúvidas do quanto faremos com ele um desfile animado e coeso, onde o público entenderá facilmente a proposta de nosso enredo, Desenvolvemos um trabalho conjunto com os diretores de harmonia e bateria, e encontramos uma perfeita combinação entre o ritmo e a melodia, possibilitando ao componente da Imperatriz um desfile mais solto e empolgado,

e Porta-Bandeira

como uma das grandes

Vamos entrar na avenida dispostos a "brigar" pelo título de campeã do carnaval, cada um dos 3200 componentes sabe que seu empenho e dedicação é que farão a diferença, Vamos brincar, nos divertir, cantar e sambar e torcermos juntos, para quando os envelopes das notas forem abertos na quarta-feira de cinzas, estejamos no pódio com o troféu de primeiro lugar!

Wagner Tavares Araújo Diretor de Carnaval


A Imperatriz agradece!

A

través de Axé Nkenda, um ritual de liberdade. E que a voz da Igualdade seja sempre a nossa voz, a Imperatriz

Leopoldinense

versidade, colorido da humanidade.

e contemporâneo.

O berço

A mensagem deste enredo é de harmonia e

celebra a figura do negro, reconhece a sua contri-

união. Como disse Madiba, ninguém nasce odianbuição para a formação da cultura brasileira e, ao do, aprende a odiar. O líder sul-africano também

mesmo tempo, se estabelece como um manifesto contra o racismo e revisita a África. Não a África

ensinou

que somente pelo

amor é possível

dita convencional, sofrida e explorada historica-

construir uma sociedade justa, fraterna e igualitária, sem discriminação. E neste carnaval, coube

mente, e sim um continente rico, regido pela di-

a Imperatriz levantar a bandeira da união entre po-

I

A jornalista Glória Maria em visita a quadra leopoldinense


vos com base no ensinamentos de Nelson Mandela

Articulação de Populações Marginalizadas;

e no exemplo de figuras notáveis que se empenharam e se empenham por um mundo melhor.

Werneck

A Imperatriz Leopoldinense agradece à: jornalista Gloria Maria,

Carlos Alberto Caó, autor da Lei

Jurema

e Lúcia Xavier, fundadoras da Ong Criola;

Haroldo Costa, jornalista,

pesquisador

e crítico de

carnaval; Sandra Almada, jornalista e escritora; aos atores Vinicius Romão, Fabrício Boliveira, Elisa Lu-

Anti Racismo; Elisa Larkin, viúva de Abdias do Nascimento e diretora do IPEAFRO - Instituto de Pes-

cinda, Adriana Lessa, Isabel Fillardis, Pathy de Jesus,

quisa e Estudos Afros; Ivanir dos Santos, ativista de Direitos Humanos e diretor do CEAP - Centro de

enredo pode trazer uma visão mais ampla da cultura negra para o mundo.

Dani Ornellas e Maria Bia por acreditarem que nosso


IDSTÓRIA

o presidente Oswaldo Macedo comemorando o inédito 4° lugar, no carnaval de

1972.

Leopoldinense e notório orgulho de suas origens africanas,

D

as escolas de samba do Rio de Janeiro gos-

o gosto

parece ter tomado a escola de certa forma, já que a Imperatriz viria abordar aspectos

tam de sempre lembrar a sua negritude em da cultura negra em seus enredos nos anos submuitos dos seus enredos e desfiles. E com a Im- sequentes, dentro de uma proposta de temáticas peratriz Leopoldinense não poderia ser diferente. que falavam da formação brasileira através da li-

Apesar de ser vista como uma escola mais ligada a teratura modernista. Assim, em 1969, o Departamento Cultural protemas históricos ou literários, a Imperatriz também pôs cantar as raízes da miscigenação brasileira exerce seu lado negro na avenida. Podemos apontar 1968 como o ano do primeiro no enredo Brasil, flor amorosa de três raças. Para grande contado da Imperatriz com a temática afro. sintetizar a religiosidade negra dentro do setor da Dentro do enredo Bahia em festa, a escola mostrou influência africana, foi convidado para ser destaque o famoso babalorixá Joãozinho da Gomeia, ra baiana. Com a segunda colocação no Grupo 2, a que acabou adotando a verde e branco como a Imperatriz subia para o grupo principal. O resultado sua escola. Ele repetiu a dose no enredo Oropa, França e Bahia, de 1970 no setor dedicado a fé não poderia ter sido melhor!

toda a riqueza das festividades africanas na cultu-

14

CARNAVAL

2015


do povo miscigenado, Porém, para 1971, Joãozinho não pode participar do desfile Barra de Ouro, Barra de Rio e Barra de Sala por problema de saúde - que

acarretariam a sua morte um mês depois - e teve de ser substituído por Raimundo Nonato dos Santos, na fantasia de "Chico Rei", Após um hiato de alguns anos, a Imperatriz resolve retornar as suas raízes negras em um mergulho mais fundo nas histórias da religiosidade afro-brasileira, Em 1979, após ter voltado do segundo grupo, os carnavalescos Mário Barcellos e Caetano Costa propuseram o enredo Oxumaré, a lenda do Arco-Irls para mostra as lendas e histórias relacionadas ao orixá que representa a força de todos os movimentos, de todos os ciclos da vida, num desfile marcado pela leveza das cores e pela força do samba, puxado na voz de Dominguinhos do Estácio, No ano seguinte, a escola voltou a homenagear a Bahia e suas histórias no enredo O que é que a Bahia tem, do saudoso carnavalesco Arlindo Rodrigues, Naturalmente toda a riqueza da cultura negra esta-

Acima a famosa alegoria de Baiana, 1980, Ao lado Dona Lena Drumond, A Chica da Silva, 1983,

va representada no desfile - com sua fé, culinária e arte - na riqueza visual característica de Arlindo e no inesquecível samba de Darci Nascimento e Dominguinhos do Estácio, E mais uma vez a Bahia traz boas vibrações para a escola que conquista o seu primeiro título no grupo principal. Em 1983, Arlindo propõe uma mistura do barroco mineiro com a estética africana, e para isso ele criou o enredo O rei da Costa do Marfim visita Chica da Silva em Diamantina, A ide ia surgiu da proposta de fusão de dois grandes enredos afros que Arlindo havia feito para o Salgueiro: Chico do Silvo (1963) e Festa poro

Mas alguns anos se passaram, a Escola até vol-

um rei negro (1971),Com uma plástica surpreendente

tou a abordar a cultura negra em alguns enredo, e a comunidade sentia falta de um desfile predominantemente afro,

- que é considerada até hoje como um dos mais belo trabalhos relacionados a arte negra de uma escola de

Por isso a ansiedade é grande em Ramos! No enredo Axé Nkenda! Um ritual de liberdade, o carnava-

samba já mostrou - a Imperatriz recriou no asfalto os

lesco Caê Rodrigues nos convida a voltarmos o nosso olhar para a África de uma forma diferente, não só nos reencontrarmos com todas as Áfricas que nós já mos-

sonhos de grandeza de Chica da Silva e a festa de três dias que o Rei da Costa do Marfim ofereceu em Diamantina, Branco, prata e palha marcaram o visual das fantasias tripés e alegorias que encantaram a todos naquele amanhecer de carnaval.

tramos, mas olharmos para o futuro, e ver que ainda é possível nos (re)encantarmos com a nossa verdadeira terra-mater, sem preconceitos e com amor, CARNAVAL

2015

15


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O entrudo, de Debret

I

-"

Texto: Felipe Ferreira

P

arece estranho ouvir alguém dizer que a festa carnavalesca não tem origem negra, prin-

esta razão, foram essas brincadeiras que, durante séculos, tomavam conta dos dias de carnaval no

cipalmente depois de vermos uma escola de Brasil. Qualquer diversão podia ser incluída nas samba desfilando. Toda aquela força rítmica, todos manifestações festivas do Entrudo: representaaqueles tambores e mesmo a alegria dos componentes parecem indicar uma incontestável raiz ne-

ções teatrais, danças ou números circenses eram comuns nas cidades brasileiras, mas o que o povo

achava mais engraçado era pregar peças uns nos val é uma comemoração nascida e criada na Europa outros, Com o passar do tempo, esse costume foi Medieval, produto da invenção da Quaresma pela se ampliando e lá pelo início do século XX o EnIgreja Católica. Não é à toa que seu próprio nome trudo era descrito basicamente como uma brin-

gra para a festa, Entretanto, apesar disso, o Carna-

já revela esta relação. A palavra "carnaval" significa "adeus à carne", uma espécie de despedida festiva

cadeira suja e agressiva na qual as pessoas jogavam água, ou o que mais estivesse ao alcance das

da vida "normal" antes da chegada da Quarta-feira de Cinzas, primeiro dia do longo período de priva-

mãos, umas nas outras, No Brasil dessa época, os negros - quase todos ainda basicamente escra-

ções que marcam a espera da Semana Santa, Os colonizadores portugueses que. chegaram

vos - participavam da festa de forma secundária

deiras que marcavam os dias anteriores à Quaresma

Após a Independência do Brasil, o Entrudo

brincando entre si, mas punidos pela polícia se ao Brasil já no século XVI trouxeram para cá, é claro, fossem pegos molhando ou sujando a população seus costumes e suas festas. Entre eles as brinca- branca, que em Portugal eram chamados de Entrudo. Por passava a ser visto cada vez com mais desprezo 16

CARNAVAL

2015


pela burguesia que buscaria no Carnaval de Paris

A partir desse momento, a questão da negri-

- com seus bailes suntuosos, fantasias elegantes

tude torna-se

e passeios de carruagem - o modelo para uma

do nosso carnaval. Tão determinante que acha-

nova festa, Em poucas décadas, grupos organizados de foliões começaram a ocupar as ruas do Rio

mos quase impossível desvincular o nosso car-

de Janeiro com o objetivo de mostrar à população

trazida pela cultura negra. O próprio samba, que

da cidade o que eles consideravam o "verdadeiro"

reinaria soberano na folia do país após a década

Carnaval. A ideia era acabar com o tal Entrudo, ou seja, com o carnaval desorganizado e popular, É por essa época que começamos a ouvir falar dos primeiros grupos organizados de negros partici-

determinante

para a identidade

naval dos ritmos, da descontração e da alegria

de 1920, é produto dessa herança. Isso sem falar das escolas de samba - talvez o maior exemplo contemporâneo da contribuição negra ao carnaval - que reúnem o esplendor e o luxo herdados

pando da folia nas ruas cariocas, Originalmente

da tradição europeia à explosão rítmica e festiva

estruturadas como eventos religiosos, chamados

oriunda da influência negra.

de Congada ou Cucumbi, essas manifestações festivas começaram a incorporar a organização e

festa carnavalesca em seu sentido amplo, a con-

a estética dos grupos carnavalescos mais sofis-

tribuição negra para o carnaval foi determinante

ticados, Acostumados à ocupação das ruas e às comemorações públicas, os negros rapidamente

para a formação de sua identidade carioca e bra-

aderiam ao novo carnaval criando os Cucumbis

Em suma, apesar de não estar na origem da

sileira com destaque para a característica inclusiva da cultura afro-brasileira traduzida no sentido

Carnavalescos, misturando a tradição ancestral africana ao novo formato da folia trazido pela elite,

saudação ao amor e à eliminação do preconceito

Atraídos pela alegria, pela espontaneidade e pelo

resumidas brilhantemente no espírito de Mande-

ritmo dos batuques, a burguesia começaria a incluir estas novas características a seus grupos,

la e do Axe Nkenda! Viva o amor! Vivam as escolas de samba! Viva o Carnaval!

Os negros, juntamente com as camadas populares, por sua vez, passavam a incorporar os valores estéticos e musicais do carnaval "europeu" a suas brincadeiras, O resultado disso tudo é que já

da Kizomba, festa que reúne todas as raças, e da

Felipe Ferreira é Professor

do Instituto de Artes do

Uerj, Coordenador do Centro de Referência do Carnaval, pesquisador de Cultura Popular e autor de diversos livros sobre o temo carnavalesco

na segunda metade do século XIX, as ruas do Rio de Janeiro são ocupadas por um novo tipo de carnaval. Não mais a confusão e a agressividade do antigo Entrudo e nem tampouco a organizada sofisticação e elegância da festa importada da Paris, mas uma mistura das duas coisas, Ou seja, uma festa totalmente diferente daquela surgida na Europa Medieval: um carnaval com a cara e o jeito do Brasil. Vale destacar que essa identidade carnavalesca só foi possível a partir da contribuição da cultura do povo carioca e sua forte influência negra à proposta festiva trazida pela burguesia,

Músicos (escravos 'de ganho: provavelmente) tocam Mbiras ('kalimbas') numa festa de rua na Corte do Rio de Janeiro


O

Carnaval da Imperatriz surgiu da banana atirada num campo de futebol e evoluiu para uma série de reflexões, que serão levadas para a Avenida. Cenas tão graves como esta, ou mais até, se repetem a cada momento no

mundo inteiro. Ao pregar a IGUALDADE, o respeito e o direito à dignidade, optamos por eleger a África como pano de fundo de nossa viagem carnavalesca. Não devemos permitir que o Berço da Vida, lar de nossos antepassados, seja cada vez mais esquecido. E até mesmo abandonado pelos que se beneficiaram dele ao longo dos séculos. Nada mais justo que uma Escola de Samba aproveitar esta oportunidade

para

também homenagear a sua mãe, a Mãe África, pois é de seu ventre que brotaram as sementes desse espetáculo. Poucas vezes a África passou por momentos tão difíceis como o atual. Mais que um grito de liberdade, nosso enredo passa a ser um grito pela sobrevivência. Do homem, da África e do Amor - que, em Kimbundu, é NKENDA. Axé, Nkenda! Salve o Amor!


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uçam a voz do vento. Prestem atenção no que ela tem a nos contar. Lembra do tempo em que as estrelas coroavam o nosso pensamento e, com ele, começavam a brilhar. Nossos ancestrais conviviam em harmonia com a natureza e a sabedoria dos animais. Construíram uma gigantesca família, se espalharam pelo mundo e, por onde passavam, abriam novos caminhos para semear o amor ea paz. Naquele tempo, não havia longe, nem perto; nem errado' nem certo; e reinava uma exuberante floresta onde, hoje, padece o maior de todos os desertos. Caminhando pela savana, reunidos em torno da fogueira, celebrávamos a chegada e a partida, como se o direito de ir e vir fosse uma certeza prometida. Baobá, árvore querida ...Aprendemos a cantar, o segredo da rima, rimando a pureza das palavras com a beleza da melodia: alegria com nobreza, mistérios com fantasia. Baobá, árvore querida ...Conduz nosso canto até onde moram os deuses do infinito. E que eles cubram com o manto da noite o ventre de Mãe Africa, onde dormem as matrizes da vida. Africa, Triângulo Sagrado, banhado por um oceano de cada lado. Ao Norte, o próspero Mediterrâneo; a Leste, o reluzente Indico; a oeste, o tenebroso Atlântico. Ao Norte, entre o mar e o Saara, brotaram as suas primeiras civilizações, verdadeiras joias-raras: o esplendor do Egito, o empreendedor Cartago e o Marrocos de Alah. A Leste, velas tremulavam, salpicando o mar. Traziam sedas da China, tapetes da Pérsia e temperos da índia. Do Reino do Sudão levavam o ouro e outros metais preciosos. Entre os paralelos do Equador, existe uma majestosa floresta, onde o homem não se cansa de tirar, nem os deuses se cansam de repor. Além de árvores, plantas e espécies fantásticas, existem rios e cachoeiras que os nossos olhos são poucos

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- tQVE.A VOZ ~-~.,~

:'.:DAIGUAL[iADE'S'EJ.A~'SEMPRE'A NOSSA VOZ ~ "'Pesquisa e Texto: Marta Queiroz e Cláudio Vieira

C

l

••

Carnavalesco: ~hê

Rodrigues

para admirar. Não existe na Terra, tamanha diversidade, incrível quantidade de vegetais e animais - embora, não faça muito tempo, houvesse muito mais. São Zulus, Massais, Bantos, Mossis, Bokongos e Hauçás clamando por liberdade e paz! Os mistérios da Natureza vão além da compreensão. Explode o raio,grita o trovão, a cheia inunda o vale, a terra vomita fogo pela boca do vulcão. A cachoeira chora, a lua cheia anuncia que algo acontecerá antes do raiar do dia. Ao som de tambores, lendas, mistérios, curas e magia constroem mitos e aventuras, cultos e culturas. Essa é a nossa liturgia. Vivemos numa terra de contrastes permanentes. O mais velho dos continentes possui a população mais jovem do planeta - com sonhos ainda latentes. Também pudera ... Nenhum outro continente sofreu tantas transformações, tantas violações, em tão pouco tempo! Nossos guerreiros não conseguiram impedir a marcha do invasor. Suas preces foram sufocadas pelos canhões. Perdemos nossos bens, muitas vidas, dialetos e nações. O pranto foi pouco para tanta dor ... Fomos submetidos aos mais diferentes tipos de colonialismo. Aprendemos as mais contundentes formas de respeitar o "senhor". A pior delas foi o racismo - linha reta entre quem manda e é mandado. Nos impuseram uma nova etnia, religiões, obrigações, devoções e economia. Fomos escravizados à tecnologia, em nome de um mundo "civilizado". Pelas janelas do Atlântico, nossos olhos ainda choram amargas lembranças, vendo nossos irmãos partirem para terras desconhecidas. Não houve despedida, nenhuma notícia, nenhuma esperança. Uma delas fica do outro lado do oceano e se chama Brasil. É uma terra muito parecida com a nossa: tem florestas, praias, muitos rios, clima quente, clima frio, gente que ginga, brinca e que também faz festa na roça. Irmãos do Congo, Angola, Daomé, Gaô e Jané foram levados para lá. Carregaram na lembrança nossos deuses, nossas danças, nossa música, bebidas e comilanças, misturando nosso sangue ao brasileiro. É por isso que eles são ,tão festeiros.


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...• .~~o faGem umãiuda sem que hája um tarnbo'r, bl'!rltn;; .: " bàcr,'reco-reco'e ajilgô. C~ êm ioruoá;TimarT1J~m~ªg6 e-C:-Qmeçama sambar. O q~. era uma rpda ylra festa. colorindo o país de No~ a'Sul. Vem maracatu ...boi-bumbá, congada, capoeira, reisado, umbigada, é jongo a noite inteira. Como num rap, ou num partido-alto, criam vários sentidos com a magia das palavras ... Acarajé, qui bebe, munguzá, Caruru, abrazô, vatapá ... "Gererê, sarará, cururu Olerê! Balá-blá-blá, bafafá, sururu. Olará!' E vejam só que interessante ...Depois das lágrimas de uma chegada angustiante, nasceram festas e folias que alegram o povo até os nossos dias. Nossos irmãos rezavam para os deuses que não eram. seus. Cantavam músicas que não eram suas. E fechavam as procissões que se arrastavam pelas ruas. Foi assim que aprenderam a desfilar. Nasceram irmandades de bambas, organizadas como verdadeiras Escolas de Samba! Que, aliás, são Escolas de Cultura e Arte Africanas! Nelas se aprende as coisas mais elementares da vida: Por exemplo ... uma banana, subvertida como símbolo. de racismo, na verdade é o africanismo mais popular do Brasil... E se não devemos dar asas para o mal, podemos transformá-lo numa brincadeira de carnaval. Que tal? Cantemos a LIBERDADE! E para que ela abrisse as asas sobre nós, tivemos que ser fortes de verdade. Aprendemos com Zumbi, com os Malês, Manoel Congo, João Cândido e outros irmãos que já não estão aqui. Mas deixaram um caminho a seguir. Aprendi que a vida é um permanente ritual de liberdade. Lutando por justiça, movimentos se espalharam pelo mundo inteiro. Estão documentados nos livros, no cinema, no teatro, na música, nas artes plásticas, nos grafites, por toda parte. Foi por ela que dediql1el toda a minha existência. E faria tudo novamente. Para que esta mensagem fosse tão transparente como asnossas águas, buscamos um caminho sem mágoas, procuran- . do sempre a simplicidade. É como a África, mãe de tantas diversidades, lutando sempre por justiça. Foi forma que encontramos palC)mostrar a verdade i e :""t r \ :.. ,..' ~ ",. ':~r. ~~~-. ,.' .

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PreGisamos sefTlêar nos livro ".f$;escbl~s~rías men-. ." . .. •. " tes e nos corações ... Precisamos reconstruir o co(;ltinente africano e a mentalidade de muitos. Precisamos escrever uma nova História de Vida, pontuada de açõei humanas, fraternas e solidárias! Precisamos despertar em nossos irmãos, o mais difícil de todos os desejos: o de aprender a amar. Para que, então, a voz da igualdade seja sempre a nossa voz. Este será o nosso maior desafio. Axé, Nkenda!

Nélson Madela Céu - Departamento do África do Sul, Mvezo

GLOSSÁRIO

'-

NKENDA - Amor, segundo o Kimbundu, língua africana falada no Noroeste de Angola. BAOBA (Andansonia digitata) - Também chamado de embondeiro. Árvore que pode atingir 25 m de altura e 7 m de diâmetro.

t: a árvore

nacional de Madagascar, emblema do Senegal e

considerada sagrada em todo o continente africano. ZULUS, MASSAIS, BANTOS, MOSSIS, BOKONGOS e HAUçAs Algumas das mais tradicionais etnias africanas. Acarajé, qui bebe, munguzá, caruru, abrazô, vatapá - Comidas e iguarias da culinária africana. "Gererê, sarará, cururu/

O/erê!/ Balá-blá-blá, bafafá, sururu/

alará!' - trecho da letra de "Querelas do Bras/f', música de Mauricio Tapajós e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina.

.'


Cahé Rodrigues

Q

,

uando Cahê Rodrigues chegou à Imperatriz Leopoldinense, para o desenvolvimento do

Assim, todos poderão assistir através do enredo "AXÉ, NKENDA!Um ritual de liberdade - E que a voz

enredo do ano de 2013, em homenagem ao

da Igualdade seja sempre a nossa voz" uma Impe-

estado do Pará,junto com os carnavalescos Mário e Kaká Monteiro, imprimiu sua marca nas fantasias

ratriz com uma plástica diferenciada das apresentadas nos últimos carnavais, mas mantendo o luxo e

de alas e alegorias respeitando a estética tradicio-

a criatividade, que tanto enche de orgulho os torce-

nal da escola, mas também promoveu uma revo-

dores gresilenses.

lução de cores, leitura e leveza que permitiu uma imediata identificação do tema proposto e, com

Cahê investiu na emoção para conduzir o seu novo trabalho. Muitos dos depoimentos colhidos

isso, viabilizar um desfile solto e alegre por parte

durante o processo de pesquisa para a preparação

do componente. O reconhecimento do sucesso veio através do

do carnaval traziam fortes relatos de discriminação vividos pelos negros, ainda nos dias de hoje. A

convite do presidente Luiz Pacheco Drumond, para que Cahê assinasse sozinho o carnaval de 2014, fi-

Imperatriz quer dar um basta definitivo nisso em

cando responsável por todo o projeto de carnaval da Transformar a história de um jogador de fute-

A história de luta vivida pelo presidente Nelson Mandela,também foi um fator determinante na con-

bol, popular como o Zico, em fantasias e alegorias que não ferissem a estética consolidada dos car-

dução do nosso tema, é ele que na representação de um Griô, contará na avenida cada ponto do enredo,

navais da Imperatriz tornou-se seu novo desafio.

terminando com uma grande mensagem de paz e comunhão entre os povos de todas as raças.

Imperatriz! Proposta que ele aceitou de prontidão!

Encontrou a solução fazendo um paralelo sobre a história de Arthur Antunes Coimbra com o lendário Rei Arthur. Para 2015, Cahê aceitou mais um desafio: Levar para Avenida uma Imperatriz "Africana", desejo de

22

seu desfile, dando uma grande "banana" para o preconceito.

É um enredo para celebrar as lutas e as conquistas dos negros, que nos doaram sua força, sua fé e sua cultura, transformando o Brasil em país rico e miscigenado. Vamos ter um desfile leve e colorido, uma África nunca vista antes na avenida,

muitos torcedores e admiradores da escola, visto que o último enredo dessa temática desenvolvido

com todos os seus ícones importantes, mas com

pela Imperatriz foi no carnaval de 1983, com o en-

uma roupagem moderna e alegre, assim como a

redo "O REIDA COSTADO MARFIM VISITAXICA DA SILVAEM DIAMANTINA",de Arlindo Rodrigues.

nova Imperatriz. Axé Nkenda!

CARNAVAL

2015


Barracão ...

fábrica de Sonhos

D

e uma ideia, nasce um tema que se transfor-

testados pelo carnavalesco até que se tenha um

ma em enredo, daí surgem os sambas, fantasias, alegorias e todos os elementos que irão

modelo da fantasia definitivamente pronto, que servirá como padrão de cópia para as demais,

compor um desfile de escola de samba. Enquanto

As fantasias passam por quatro estágios: O

na quadra os quesitos musicais e de evolução vão

desenho do figurino, O corte dos tecidos, a cos-

sendo ajustados é no barracão que toda a mágica acontece.

tura e o adereçamento, Em paralelo à confecção

O trabalho é dividido basicamente entre dois elementos: fantasias e alegorias.

da roupa, a chapelaria e a sapataria trabalham a todo vapor, criando as cabeças e os sapatos que completarão o conjunto,

Para preparar todas as fantasias que serão do-

As alegorias são projetadas em programas

adas à comunidade, cerca de 2800, primeiro é de-

de computadores específicos para modelagem, depois passam para as mãos da equipe de fer-

senvolvido um protótipo, onde os materiais são


•

ragem que criará toda a estrutura metálica de

da estrutura de concreto de número 14 da Cida-

sustentação dos carros, em seguida incorpora-

de do Samba continua com o desmonte das ale-

-se a madeira, as esculturas, adereços e a pintura

gorias, onde a equipe de adereços coleta todo o

de arte, terminando com a instalação das luzes e efeitos especiais,

material que poderá ser reaproveitado. Um novo tema entra em cena e a imaginação criativa do

Por trás de todas essas tarefas tem uma equi-

carnavalesco começa a transferir para o papel os

pe de profissionais altamente qualificada, no qual

primeiros traços que nortearão o próximo desfile,

muitos já dedicam seu trabalho à Imperatriz por décadas, se tornando referência entre as demais escolas de samba,

e assim como em um ritual de passagem, tudo começa novamente,

Quando um carnaval chega ao fim, logo, outro se inicia, O ritmo de trabalho nos quatro andares

É com muita satisfação que nossa equipe de artistas leva para avenida o grandioso carnaval da Imperatriz Leopoldinense,

DIREÇÃO ARTfsTICA CARNAVALESCO

CAHt RODRIGUES

ADMINISTRAÇÃO DIRETORA

GERAL DO BARRACAo

CHEFE

CLÁUDIA CRISTINA

CATIA DRUMOND DE ALMOXARIFADO ANA CERES

COORDENAÇAo

DE COMPRAS

FANTASIAS FIGURINISTA ADERECISTA COSTUREIRA

CHEFE DE

CHAPELEIRO SAPATEIRA

BRUNO OLIVEIRA LEO POLYCARPO EQUIPE CRISTIANE MACHADO

CHEFE

RIVELINO REGINA RIBEIRO

CHEFE DE EQUIPE

CHEFE DE EQUIPE

ALEGORIAS DESIGNER COORDENAÇAo

E MODELAGEM

GRAFICA

FERREIRO CHEFE DE EQUIPE CARPINTEIRO

•

RONAN MARINHO EDWARD MORAES PEDRO GIRÃO JORGE MACHADO

DA EQUIPE DE ADEREÇOS

CHEFE DE EQUIPE

DANIEL SOAVE CLtClO RtGIS L1GHTING DESIGNER LUIZ OTÁVIO (KIBE) LAMINAÇAo EM FIBRA DEVIDRO FABIANO REIS DESENVOLVIMENTO CENOGRAFICO EM ESPUMA MARCOS MONTES ESCULTOR CHEFE DE EQUIPE PINTOR CHEFE DE EQUIPE

CARNAVAL

2015

25


~

~ L

SHOW DE ABERTURA "Estou emocionado com a receptividade das pessoas e o carinho com que estou sendo novamente recebido. A Imperatriz é a grande responsável por muitos momentos marcantes no Carnaval e na minha carreira e para mim será como uma reestreia, já que nunca fiz uma comissão de frente com temática africana':

F

oram com essas palavras que Fábio de Mello,

Aliando sua formação profissional, o ballet,

o coreógrafo mais premiado do carnaval ca-

com a força e o empenho de componentes que em sua grande maioria não eram profissionais

rioca retorna à Imperatriz

Leopoldinense,

escola que o revelou para o carnaval e no qual estava afastado desde 2008. A volta de Fábio de Mello ao comando da comissão de frente é um trunfo a mais para a escola no carnaval de 20151Em seus 17carnavais à frente do quesito Fábio de Mello acumulou inúmeros prêmios, entre eles seis estandartes de ouro e o recorde de notas 10 num período de 10 anos seguidos, de Mello, coreógrafo I daFábioComissão de frente

da dança, Fábio brindou o público com memoráveis trabalhos como as comissões dos leques, capa e máscaras, sobrinhas, bruxas, caveiras entre outras. E para 2015 o desafio não podia ser diferente! Pela primeira vez em seus 23 anos de carreira como coreógrafo de comissão de frente, Fábio elaborará um trabalho cuja temática é africana acompanhando a linguagem "pop" que o carnavalesco desenvolveu para escola de Ramos, O público pode ter a certeza que um grande trabalho lhes será apresentado.


I

Augusto Pinto Monteiro, Presidente do Olaria Atlético Clube

OLARIA, OLARIA, OLARIA ...

O

famoso grito de guerra, título deste artigo, nos remete aos

áureos tempos de uma zona da Leopoldina ainda bucólica, com suas

chácaras e poucas residências do início do século XX, onde nasceu o Olaria Football Club, em 01 de julho de 1915, O clube se modernizou

e virou re-

ferência esportiva e social do subúrbio carioca, Atletas renomados passaram pelos seus gramados, piscinas e ginásios, destacando-se mário e Garrincha, Comemorando

os jogadores Roo seu centenário

em 2015, o Olaria atlético Clube, muito colabora com o carnaval da imperatriz, cedendo seu ginásio para os ensaios da nossa Comissão de frente, nas ma-

.

drugadas que antecedem o carnaval. Nós da Direção da Imperatriz junto com todos os nossos componentes gostaríamos

de agradecer

publica-

mente o carinho e atenção dada pelo clube, através de seu presidente Augusto Pinto Monteiro, para nossa agremiação e desejar ao Olaria sucesso e muitas realizações nessa data tão importante para sua história.

CARNAVAL

201 5

27


"Vai haver Carnaval de verdade ... O samba não se acabou" do "O Rei Da Costa Do Marfim Visita Xica Da Silva Em Diamantina", a imperatriz aposta em um enredo cuja a temática africana será abordada por todo o desfile. Da comissão de frente ao último carro alegórico veremos alusões aos negros e a sua luta universal por direitos e igualdade. Marquinho Lessa, Zé Katimba, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna compuseram uma obra de arte, que durante a disputa de samba-enredo foi se destacando e conquistando

definitivamente

os

corações dos torcedores gresilenses, dando a certeza de que a escola levaria para a avenida um dos melhores sambas do carnaval. Zé Katimba. Estandarte de Ouro de Personalidade em 2013

Pelo segundo ano consecutivo a ala de compo-

o

s versos de Zé Katimba têm uma força

sitores ficou sob a coordenação do departamento

simbólica muito grande quando diz que o samba não se acabou. O hino oficial da Im-

cultural da Imperatriz, dando todo o apoio ao departamento de carnaval durante as eliminatórias e

peratriz para o carnaval de 2015 é uma prova real disso. Um samba clássico, sincopado e com um

na preparação da ala para o desfile.

balanço que conduzirá perfeitamente

a nossa voz por toda a marquês de Sapucaí com um samba legítimo e da melhor qualidade, salve

a Escola du-

rante o seu desfile, entrando para o hall de clássicos da história. Depois de 32 anos, quando apresentou o enreMarquinho Lessa. Jorge do Finge. Zé Katimba. Aldir Senna e Adriano Ganso.

Vamos louvar o canto da massa! Fazer ecoar

os poetas de Ramos! Salve os compositores Imperatriz.

da


FOI UM GRITO QUE ECOOU, "AXt-N KEN DA"! A LUZ DENTRO DE VOCt ...ACENDA! NADA t MAIOR QUE O AMOR, ENTENDA A VOZ DO VENTO VEM PRA NOS CONTAR QUE NA MÃE ÁFRICA NASCEU A VIDA PURA MAGIA, "BAOBÁ" ABENÇOADo. .. TANTA RIQUEZA NOTRIÃNGULO SAGRADo. .. MISTtRIOS! GRANDEZA! O HOMEM EM COMUNHÃO COM A NATUREZA! TRISTEZA E DOR, NAVIOLtNCIA PELAS MÃOS DO INVASOR E O MAR LEVOU .. NOSSA CULTURA UM NOVO MUNDO ENCONTROU PÕE PIMENTA PRA ARDER, ARDER, ARDER! SENTE O GOSTO DO DENDt, O lAIA, OYÁ TEM ACARAJt NO CANJERt, TEM CARURU EVATAPÁ (t DIVINO O PALADAR) CAPOEIRA VAI FERVER!VEM VER! VEM VER! ABRE A RODA QUE 10lÕ QUER DANÇAR.. SAMBAR.. TRAZ MARACATU, MACULELt .. t FESTA ATt O SOL RAIAR LIBERDADE! SAGRADA BUSCA POR JUSTiÇA E IGUALDADE E COM ARTE EU SEMEIO A VERDADE O DESPERTAR PARA UM NOVO AMANHECER FAÇO BROTAR A FORÇA DA ESPERANÇA DEIXO DE HERANÇA UM NOVO JEITO DE VIVER! VAMOS LOUVAR O CANTO DA MASSA UNINDO AS RAÇAS PELO RESPEITO VAMOS À LUTA PELOS DIREITOS UMA "BANANA" PARA O PRECONCEITO "MANDELA"! "MANDELA"! NUM RITUAL DE LIBERDADE LÁ VEM A IMPERATRIZ! EU VOU COM ELA EU SOU "MADIBA"! SOU A VOZ DA IGUALDADE Autores:

Marquinho Lessa, Zé Katimba, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna


/\.

,...,

'ALO POVAO, AGORA E SERIO" I

I

mesmo! A Imperatriz Leopoldinense está com um novo Grito de Guerra, uma

I

SSO

nova Voz para defender seus Hinos. Nego

Marcondes é o novo intérprete oficial da Agremiação. Dono de uma das mais bonitas e marcantes vozes do Carnaval carioca, ganhador de 5(cinco) Estandartes de Ouro de melhor intérprete, com vasta experiência a frente de carros de som no carnaval, este ano estará defendendo Axé N'Kenda Um Grito de Liberdade, e que a Voz da Igualdade Seja Sempre a Nossa Voz buscando colocar a Imperatriz Leopoldinense no mais alto pódio do carnaval carioca. Sua voz de timbre claro e aberto está em perfeita sintonia com o Carro de Som e Bateria, empolgando e "chamando" a comunidade leopoldinense a cantar juntos o maravilhoso samba da Escola. Uma uma voz forte e marcante que, todos nós temos certeza, fará uma apresentação alegre e contagiante na Maquês de Sapucaí. Chegou a hora de nossa escola cantar, unindo garra e alegria, e com muito orgulho ouvir o nosso querido puxador, Nêgo, dizer: " ISSOé COMUNIDADE"

Nego. intérprete oficial da Imperatriz


Simone Drumond e os músicos e cantores da Imperatriz

NOSSOS I

MUSICaS E

CANTORES

A

sustentação

do canto durante os 82 minutos de desfile

requer muito treino e determinação por conta de todos

os cantores que compõem o carro de som da Imperatriz, muitos são os ensaios para que tudo saia perfeito no dia do desfile, Além de Nego, nosso intérprete oficial, o carro de som da Imperatriz conta ainda com as vozes de Arthur, Meio Dia, Jefinho, Chicão, Waldir e Marcelo Riva, Os músicos que abrilhantarão o nosso samba são: Pe-

dro Marques (violão de seis cordas), Ismael Santos (violão de sete cordas), Leandro Thomaz (primeiro cavaquinho), Vinícius Marques (cavaquinho base), Pc (pandeiro e Tan- Tan) e Marcelo (surdo), Mário Jorge Bruno retorna à Imperatriz Leopoldinense para o carnaval de 2015 tendo como objetivo encontrar o equilíbrio musical entre bateria e harmonia, possibilitando à imperatriz um desfile empolgado e fluente, para que os integrantes do carro de som possam manter o canto e a manutenção rítmica do início ao fim do desfile, Mário Jorge já esteve na Imperatriz por cinco anos, entre 2007 e 2011, mas sua experiência com o carnaval vem de muito antes, Mário é um dos produtores do CD das escolas de Samba, já foi jurado de bateria do grupo especial, é o responsável direto pela microfonação dos instrumentos da bateria bem como equaliza e coordena os microfones dos cantores e instrumentos musicais de todas as escolas que desfilam na Avenida Marquês de Sapucaí. Nossos músicos prometem sacudir a Sapucaí, do primeiro ao último setor, fazendo com que todos possam, juntos com a Imperatriz, cair no samba e curtir um belíssimo carnaval.

CARNAVAL

2015

31


I

Rafaela Theodoro e Phelipe Lemos, nosso casal nota 10

Pesquisador de carnaval e autor de diversos textos sobre a dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira Por Ricardo Lourenço

R

afaela Theodoro e Phelipe Lemos formam um dos mais harmoniosos casais de porta-bandeira e mestre-sala

da atualidade. Seu entrosamento

na dança e a riqueza coreográfica de suas exibições são de dar inveja aos mais requisitados bailarinos clássicos. Não é à toa que ambos são o mais festejado e premiado casal da atualidade tendo ganhado todos os grandes troféus do samba nos últimos anos, incluindo o bicampeonato (2013- 2014) do mais cobiçado de to-

32

CARNAvAL2015


dos, o Estandarte de Ouro, sendo um dos dois únicos a receberem 40 pontos do júri oficial no último carnaval. Formados na tradição das quadras e bailes dos su-

jestade imperial", como profetizava o samba cantado pela Imperatriz em 1964, composto por Maurílio da Penha, sobre o romance entre D, Pedro Ie 1ltila, a Marquesa

búrbios cariocas e fluminenses, foi em Ramos que pu-

de Santos. A nobre dançarina Rafaela roda, valsa, desliza

deram aprimorar e mostrar ao mundo sua arte inigua-

guiando os gresilenses, Há quem imagine que ela flutua

lável. Sua dança alia o vigor e o ímpeto da juventude, em passos sempre surpreendentes e criativos, com a

com seus giros protegida e conduzida por seu príncipe triunfante,

grande tradição cultural do par romântico, vinda do século XIX europeu e incorporada nos ranchos e blocos do início do século XX no Rio de Janeiro, Por décadas de carnavais cariocas, os casais de mestre-sala e porta-bandeira expressaram esse encontro da graça fe-

Impressiona como, aiém da qualidade excepcional da dança do casal, sua coreografia se enriquece com o contraste entre o viril e o feminino, Resumem em passos precisos a expressão e imagem do par romântico na dança, Nenhum mortal, carioca ou de qualquer outra

minina com a gentileza viril. As saias longas e rodadas

parte do mundo, deveria perde a chance de vê-los dan-

e a mão livre da bandeira apoiada na cintura ajudaram a compor a silhueta da mulher ideal desde os tempos

çar, Eles talvez sejam o exemplo mais claro e completo que se possa encontrar para definir um par de mestre-

da inspiradora Imperatriz Eugênia de França que reinou

-sala e porta-bandeira

soberana sobre o mundo da moda e da elegância na segunda metade do século XIX, Os trejeitos, maneios

des orgulhos da Imperatriz Leopoldinese e trunfos da

contemporâneos

de sucesso,

Não é à toa que Phelipe e Rafaela são um dos gran-

e giros próprios

escola para lutar por um título, Nas mãos e pés desses

da dança construíram a ima-

dois verdadeiros bailarinos reside boa parte daquilo que

gem simbólica

da

a Imperatriz almeja, um lugar em que a tradição da dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira

sempre este-

porta-bandeira com toda sua carga feminina

ve em boas mãos. Que os deuses da dança guiem seus passos carregando bandeira coroada e cravejada de es-

requerida, Por sua vez, é

trelas com o mesmo orgulho e confiança que todos gre-

papel do mestre-sala realizar, com leveza e garbo, a corte à majestade feminina e à bandeira por ela levada. Assim é e assim deve ser, como dita

silenses sentem ao vê-los desfraldar com tanto garbo, força e arte o querido pavilhão verde, ouro e branco da Rainha de Ramos,

a tradição, Assim é com o par da Imperatriz: Rafaela Theodoro e Phelipe Lemos.

I

Força e Garra na defesa do Pavilhão

Ambos parecem ter nascido para dançar um para, e com, o outro, Ele, esguio e leve, é um legítimo cavalheiro que protege a dama simbolicamente com sua dança masculina e criativa, Ela excede em feminilidade, girando como uma fada vaporosa, conquistando o espaço com a bandeira gresilense desfraldada por seus giros. Pode-se dizer que, desde que pisou pela primeira vez na quadra de Ramos, Rafaela "fez vibrar a corte com um baile colossal, valsando radiante com sua maCARNAVAL2015

33


A BANDEIRA DA IGUALDADE arcílio Diamante e Elaine Fernanda formam nosso segundo casal

M

de Mestre-Sala

e Porta-Bandeira,

que no carnaval de 2015 repre-

sentarão através da fantasia' 'Minha alma não tem cor" a luta pelos

direitos de igualdade e o entendimento

entre os representantes

de todas as

raças, colocando um ponto final à sina do preconceito e da discriminação. A Imperatriz investe em uma dupla de dançarinos gabaritados, ambos formados por escolas tradicionais de dança, e de experiência

reconhecida pelos anos em que atuam no Carnaval Carioca. MarcOio já ocupou o posto de primeiro

mestre sala da agremiação, e mesmo não sendo oficialmente avaliados pelos jurados, o empenho e dedicação nos ensaios são um dos fatores marcantes para a harmonia apresentada na dança do casal.

A bandeira da Imperatriz uando a Imperatriz foi fundada, em 1959, ficou

definido que sua bandeira, ícone mais impor-

taria, em destaque, Ramos, o bairro-berço da escola. A escolha da coroa como símbolo maior foi feita na-

tante da heráldica Leopoldinense, deveria de

turalmente. O desenho é uma referência à peça do Pri-

ser mais que um símbolo da escola, precisaria representar também toda a região do seu entorno.

meiro Reinado, desenhada por Debret, e que simboliza o período de poder de Leopoldina.

Q

Assim, definiu-se estrelas, representando

que o pavilhão possuiria onze as estações da linha férrea,

que simbolizariam os bairros de Triagem, Manguinhos, Bonsucesso, Olaria, Penha, Penha Circular, Brás de Pina, Cordovil, Parada de Lucas e Vigário Geral. Também ficou determinado que uma dessas estrelas represen-

As disposições dos elementos na bandeira mudaram ao longo da primeira década de vida da Imperatriz, mas não alteraram muito a ideia original ao longo dos anos. O formato atual nasceu no início dos anos 70, quando a escola passou oficialmente a adotar o dourado, tornando-se assim uma agremiação tricolor.

Na proporção da largura sendo o dobro da altura, a bandeira constitui-se por um campo branco, cortado transversalmente por uma faixa verde. No centro da bandeira, a coroa imperial sobreposta a faixa, dividindo-a em duas partes, Na parte superior da faixa, seguindo o sentido da mesma, temos a sigla "G.R." sobre a inscrição "IMPERATRIZ". Na parte inferior da faixa, temos a sigla "E.5." sobre a inscrição "LEOPOLDINENSE" Dez estrelas de tamanho uniforme, formando um pequeno colar na parte branca inferior da bandeira, abaixo da coroa, representam os bairros. Em destaque, uma estrela maior no canto superior direito branco, representa Ramos. Uma curiosidade da repaginada dos anos 70 foi o surgimento de uma décima-segunda estrela. Pelo estatuto social, nota-se que essa foi uma alusão à pioneira vitória do desfile da Imperatriz, em 1961, no terceiro grupo, com o enredo "Riquezas e Maravilhas do Brasil". Essa estrela do campeonato se localiza na faixa verde, entre a coroa e a sigla "E.5." Hoje, a representação pode até soar como um elemento intruso no pavilhão da escola, mas não podemos nos esquecer que a sua colocação foi importante para o orgulho daquele grupo de sambistas que estava se firmando no cenário carnavalesco da época.

34

CARNAVAL

201 5


o

Feliz 2015! Vamos celebrar! É hora de comemorar

os aniversários dos 450 anos da Cidade do Rio de Janeiro e os 25 anos do Projeto Só Alegria Vai Contagiar de Prevenção DST/AIDS e HEPATITE VIRAIS. A "prevenção" vai pegar neste CARNAVAL! Caia no samba com amor; fraternidade, saúde e respeito ao próximo!

-

USE CAMISINHA EM TODAS AS RELACOES . SEXUAIS . PROF. DR. MÁRCIO TADEU RIBEIRO FRANCISCO

UNAIDS-ONU Consultor do Projeto Só Alegria Vai Contagiar ~ducação em Saúde

Coordenador ~xecutivo do Projeto Só Alegria Vai Contagiar

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R~ALlZAÇÃO

i.. VER":

APOIO CULTURAL

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Ministério da S.úd.

DST.AIDS HEPATITES VIRAIS

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o esquadrão

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de ouro leopoldinense

A 36

busca pelo perfeito entrosamento entre o

qualidade e empolgação que apresentaremos

ritmo proposto pela bateria e o canto de nossos Intérpretes e componentes dire-

em nosso desfile, Estreando na Imperatriz em 2015, mas tra-

cio na o trabalho que a direção de harmonia da Imperatriz realiza ao longo do ano, Sem medir

zendo consigo uma vasta experiência nos desfiles das Escolas de Samba, Junior Escafura as-

esforços, nossos competentes

diretores sob o

sume o posto de Diretor Geral de Harmonia e

comando de Junior Escafura, realizam incontáveis ensaios de canto e evolução, na busca pela

Evolução da verde-branco-ouro da Leopoldina, somando à tradicional equipe de diretores da

CARNAVAL 2015


escola sua proposta de levar para avenida uma escola pulsante e vibrante, que cantará o samba da imperatriz com garra e maestria, resultando em uma evolução que contagiará toda a Sapucaí. Junior teve uma importante participação nos últimos carnavais do G.R.E.s. Portela, onde foi cinco vezes campeão na disputa de samba-enredo, bem como produziu musicalmente a escola e dirigiu sua harmonia entre os anos de 2006 a 2013, Junior também atuou como diretor de carnaval na Caprichosos de Pilares (201212013), levando a escola ao campeonato do Grupo de acesso 8 em 2012, além de conquistar com a Estácio de Sá o Vice-Campeonato do Grupo A em 2014, Serão 3400 componentes vibrando na avenida, nas alas e nos carros alegóricos, todos unidos com um o objetivo de festejar o carnaval em sua maneira mais completa: cantando, sambando e sendo feliz em um desfile majestoso da nossa querida Imperatriz,

CARNAVAL2015

37


abre a roda que ioiô quer dançar ...sambar ... traz maracatu, maculelê ...

O

G,R.E5 Imperatriz Leopoldinense possui

Sobre o mestre de bateria é importante dizer

uma dais mais tradicionais Baterias do Carnaval Carioca, Essa tradição é fruto da

que é "cria" de Ramos e participa dos desfiles da Imperatriz Leopoldinense há vinte e nove anos.

manutenção de ideias que buscam manter e in-

Sua relação pessoal com a escola tem início na ala

centivar um quadro efetivo de ritmistas oriundos

das crianças e sua inclusão na bateria está asso-

da comunidade, em sua maioria, integrantes que participam de nossos desfiles há mais de duas

ciada à aptidão pessoal do "jovem" que durante anos foi o percursionista responsável pela execu-

décadas. Essa experiência não é apenas a responsá-

ção no repique das "paradinhas" e das "chamadas rítmicas" da bateria Leopoldinense,

vel pela continuidade de nossa qualidade rítmica,

Diante de sua maestria, foi convidado pelo en-

Ela também possibilita a versatilidade melódica e

tão "Mestre" Beto para fazer parte da direção de Bateria, Assumiu a liderança dos ritmistas, tendo

a segurança cadenciada do ritmo proposto pelos ritmistas - sob o comando de Márcio de Souza Cesário, ou simplesmente "Mestre Noca" , Em 2015, a bateria da Imperatriz mais uma vez prioriza a manutenção rítmica através de um desenho sincopado, onde todos os instrumentos

38

a gabaritada história pessoal junto ao grupo que lidera como prova inquestionável de sua credibilidade para ocupar o cargo, A bateria conta ainda com o apoio de Jairo Ribeiro, presidente da Bateria, e dos diretores Fábio Rosa, Raphael Correa, Flávio Torres, Flávio Bruza-

devidamente distribuídos poderão ser apreciados em sua sonoridade, além de trazer em suas bos-

co, Orlando, André, Novato, Tikinho, FeUão,Nebim

sas a versatilidade marcante de sua "orquestra",

e Mauro Lobo.

CARNAVAL

2015


A Rainha da Imperatriz

Q

uando a atriz (ris Vianna estreou à frente dos ritmistas leopoldinenses no

carnaval de 2013, nós já imaginávamos que seria um casamento feliz e duradouro. Isso

vem se confirmando. Súditos e Rainha, cada vez mais apaixonados, vivendo em perfeita sintonia nessa linda história de amor. (ris Vianna possui todos os méritos que compõe uma verdadeira rainha: é linda, simpatica, tem um carisma enorme e, além de tudo isso, tem muito samba no pé. (ris acompanha pessoalmente o carnaval da Imperatriz, com visitas regulares ao barracão e abrilhantando nossos ensaios nas noites de domingo, onde esbanja simpatia sambando junto aos componentes nas alas e bateria, Em 2015 nossa Rainha representara com sua fantasia a Jóia africana, uma dádiva que ira brilhar a frente de nossa bateria, contagiando toda a passarela do samba! Salve a nossa Rainha!!!


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"põe pimenta pra arder, arder, arder! sente o gosto do dendê, o iaiá, oyá tem acarajé no canjerê, tem caruru e vatapá (é divino o paladar)"

A

figura

da baiana tradicional com pano da

costa, colares, guias e balangandãs, foi inserida no carnaval muito antes da criação

das escolas de samba. Foi através de ícones importantes como tia Ciata, tia Veridiana, tia Amélia e

tantas outras tias que vieram da Bahia para o Rio de Janeiro, que o samba criou forças para sobreviver, resistindo ao preconceito e se tornando a referência musical brasileira.

Procissão das Taieiras, carnaval 2015

O respeito a representação dessas importantes

A responsabilidade e o cuidado com nossas

personagens do carnaval é um dos simbolismos

queridas Tias ficam nas mãos de Raul Cuquejo,

mais fortes entre os sambistas, todos veneram e reverenciam as alas de baianas, independentemente da cor de sua bandeira.

que por mais de 20 anos é o coordenador da ala, onde podemos encontrar entre nossas 100 com-

Para o carnaval de 2015 a Imperatriz Leopoldinense dedicou um momento muito especial do seu

mais antiga e mais idosa, com 80 anos de idade e

enredo para essa ala tão querida. Nossas "tias" representarão a Procissão das Taieiras,um cortejo em

Vamos juntos com nossas baianas embarcar nessa procissão mágica que é o carnaval da Im-

louvação a São Benedito e Nossa senhora do Rosário que sincretizava a devoção nos santos católicos e a fé nos orixás.

peratriz Leopoldinense, oferecer o acarajé à Oyá

ponentes a Dona Marleny ferreira, nossa baiana mais de 30 dedicados à nossa escola.

e pedi-Ia que nos guie para um desfile feliz e com muito sucesso!


c

Homenagem à Cassiano Ricardo o departamento

cultural da Imperatriz Le-

opoldinense participou de uma grande homenagem promovida em novembro de 2014, pela FCCR - Fundação Cultural Cassiano Ricardo, em comemoração aos 120 anos do nascimento do escritor e poeta joseense. O evento contou com um show da bateria da Imperatriz Leopoldlnense, e uma abordagem sobre o enredo de 1972 da Imperatriz Leopoldinense, Martlm Cererê, Inspirado na obra do escritor, Os convidados conheceram a história da Imperatriz e a importante contribuição cultural da escola, que através de seus enredos, apresentou ao grande públicos obras Importantes da literatura brasileira.

Centro Cultural Criado em 1967, sob a administração do presidente Oswaldo Macedo, médico, cigano e sambista apaixonado pelo brasil, o departamento cultural da Imperatriz ajudou a delinear o estilo temático que marcaria profundamente os carnavais da ainda menina imperatriz O Centro de Cultura da Imperatriz Leopoldinense foi inaugurado em julho de 2014 com o apoio do presidente Luiz Pacheco Drumond e sob coordenação do atual vice-presidente cultural André Bonatte, com a mostra "Axé NKenda", uma abordagem sobre o enredo que a Imperatriz retratará em seu próximo desfile. O espaço apresenta ainda uma exposição permanente com painéis retratando a vitoriosa história da Imperatriz e seus principais personagens, além de curiosidades sobre desfiles e momentos marcantes da agremiação. A visitação ao Espaço é aberta ao público diariamente das 10:00 H às 21:00 H. Grupos de estudantes podem agendar visitas guiadas na secretaria da quadra.


Feijoadada dona Leopoldina Já virou tradição a feijoada da Dona Leopoldina, na quadra da Imperatriz Leopoldinense. Um encontro de sambistas renomados da escola com artistas consagrados pelo mundo do samba. A feijoada além de ser um momento de encontro fraternal entre os componentes da Imperatriz, se tornou também o espaço onde os mais novos podem conhecer a rica obra musical da Imperatriz, através de seus antológicos sambas-enredo e sambas de quadra, Os encontros acontecem regularmente no último domingo de cada mês, e continuará fervendo as tardes de Ramos, mesmo depois do Carnaval.

Quinta Cultural As noites de quintas-feiras

são dedicadas

aos projetos culturais da Imperatriz, e retornarão com força total em março, Dando continuidade a série "depoimentos para a posteridade" onde os bambas gresilenses deixam gravados em um bate-papo descontraído suas experiências vividas na Imperatriz, "A proposta desse encontro vai além do registro visual e sonoro do depoimento, é um momento onde os mais novos têm a possibilidade de conhecerem mais profundamente a rica e apaixonante história de nossa agremiação", diz André Bonatte, coordenador do projeto, É importante ressaltar que a gravação dos depoimentos é aberta ao público, que pode participar fazendo perguntas ao entrevistado.


Galeria da velha-Guarda, símbolo de tradição e história.

Galeria da Velha-Guarda, os nossos sacerdotes!

U

ma das maiores honras para o sambista é per_tencer à galeria da Velha-Guarda de sua escola, e nela poder difundir o respeito e a devoção

ao pavilhão para os sambistas mais novos. Chegar à velha-guarda

é uma glória, e na Impe-

Os Encontros dos baluartes gresilenses acontecem tradicionalmente nas noites de terças- feiras, sempre regados à um caloroso bate-papo

e sam-

bas marcantes da Imperatriz. Em 2014 nossa escola ganhou uma velha-

ratriz é motivo de celebração compartilhado por todos. São ritmistas, passistas, baianas, destaques e

-guarda show, um sonho antigo que se tornou realidade. É a certeza da preservação de nossa história

tantos outros que de alguma forma doaram parte de

musical entoado por nossos bambas da galeria.

seu tempo e de sua vida em função da escola, fazen-

Uma das mais importantes formas de resistência negra durante a escravidão no Brasil foi a ma-

do com que ela se transformasse respeitadas agremiações cariocas.

em uma dais mais

nutenção e a difusão de sua Fé. Ao longo de várias gerações, mesmo sob a perseguição da Igreja e da sociedade, os negros conseguiram manter firme a crença em seus Orixás e Guias, e de forma sábia incorporaram seus costumes e rituais nos festejos e celebrações de origem portuguesa. É com muita galhardia que nossos bambas da velha-guarda

representarão

na

avenida essa importante passagem do enredo, eles serão os babalorixás e ialorixás que conduzirão, através de sua sabedoria, a Imperatriz ao caminho do sucesso! Axé!!!


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RINOCERONTE

CULINÁRIA

ESCRAVO

MARFIM

OURO AFRICANO

PELES DE ANIMAIS

ARTESANATO

CAPOEIRA

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FEMININO

MASCULINO

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REVOLTA DA CHIBATA

FEMININO

BABALORIXÁS

IALORIXÁS

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DAS TAl EIRAS - BAIANAS

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CLUBE DO RANCHO

PORTA-ESTANDARTE

UMA BANANA PARA O PRECONCEITO

ASAS DA IGUALDADE

MARCHA SOBRE WASHINGTON

FIM DO APARTHEID

LIBERDADE.

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