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Jornal Amazonas em Tempo Nº 8276

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.276 – DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

DIA HISTÓRICO DIEGO JANATÃ

UM DOMINGO QUE VAI MUDAR A CARA DE MANAUS

A PREFEITURA DE MANAUS COMEÇOU A REALOCAR OS CAMELÔS DO CENTRO PARA AS GALERIAS PROVISÓRIAS. AS 62 BANCAS DE LANCHES DA PRAÇA DA MA-

TRIZ E DAS AVENIDAS EDUARDO RIBEIRO E 7 DE SETEMBRO FORAM AS PRIMEIRAS A SEREM TRANSFERIDAS, NA SEXTAFEIRA, 21. O TRABALHO DE TRANSFE-

RÊNCIA DAS BANCAS DOS AMBULANTES RECOMEÇA NESTE DOMINGO, PARA QUE A ÁREA POSSA SER TOTALMENTE REVITALIZADA. ÚLTIMA HORA A2 DIEGO JANATÃ

DOMINGO

Amigo recorda trajetória de Eduardo Coutinho, o documentarista que insistiu que os filmes não deviam perseguir o belo e o grandioso, mas a vida, em suas imperfeições. Ilustríssima G3

FERNANDO CAZAES/PHOTOCAMERA

A alta concentração de ácido nicotínico no limão protege as artérias, prevenindo problemas cardiovasculares, além de diminuir a viscosidade do sangue. Saúde e bem-estar F2

Escolas de samba se preparam para o Carnaval, apesar da interdição do sambódromo

É CARNAVAL CULTURA

O Shopping Ponta Negra vai ganhar, na próxima quarta-feira, 26, um local dedicado à diversão da criançada, com atividades lúdicas e educativas. Elenco 24

Memórias da pior repressão

Período de maior repressão à sociedade, a ditadura militar completa 50 anos do golpe retratado em filmes, livros, músicas e novelas. Plateia D1

DIVULGAÇÃO

Mesmo com a indefinição sobre a liberação do Centro de Convenções (sambódromo), as escolas de samba dos grupos de acesso e do grupo especial de Manaus correm contra o tempo, para repetir o espetáculo carnavalesco de todos os anos. Dia a dia C1 a C8 POR R$ 130 MIL

Prefeita é jurada de morte

A prefeita de Rondolândia, Bett Sabah (foto), está escondida em Brasília depois de ter a “cabeça a prêmio” por R$ 130 mil. País B6

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.

CARIOCA

CLÁSSICO VOVÔ Em ótima fase e com o time titular completo, o Fluminense tenta estender sua invencibilidade, hoje, no clássico contra os reservas do Botafogo, no Maracanã. Pódio E5

AMAZONENSE

PRINCESA X FAST Classificado para a semifinal do primeiro turno, o Princesa do Solimões vai de time misto hoje contra o Fast, fechando a fase classificatória. Pódio E4 TEMPO EM MANAUS

MÁX.:

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MÍN.:

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

Manaus tem dia histórico com o resgate do Centro

PORTARIA

Realização de eventos tem série de exigências

DIEGO JANATÃ

Mudança das bancas de ambulantes da praça da Matriz permitiu o preparo do local para o início das obras de revitalização do seu entorno nesta semana MELLANIE HASIMOTO Equipe EM TEMPO

E

Com a saída das primeiras barracas, começou a limpeza da área da Matriz para a revitalização

Remoção continua neste domingo A camelô Virgínia da Silva trabalhava normalmente em seu ponto, na praça do Relógio. Ansiosa e apreensiva, ela contou que não sabia o que esperar do novo espaço destinado aos vendedores ambulantes. “Não somos donos da praça, então temos que sair daqui. Lá, vai ser bom

porque não vamos ficar debaixo de sol e chuva, mas não sei se vai ter cliente. Vamos ver como será daqui em diante”, disse a comerciante, que trabalha há mais de 30 anos na região. A Prefeitura de Manaus começou a realocar os camelôs do Centro para os três came-

lódromos provisórios. As 62 bancas de lanches da praça da Matriz e das avenidas Eduardo Ribeiro e 7 de Setembro foram as primeiras a serem transferidas, na noite de sexta-feira (21). O trabalho de transferência das bancas recomeça hoje com o remanejamento das demais barracas. Prefeitura aproveita a folia para divulgar campanhas

REPRODUÇÃO

RELIGIÃO

Dom Orani Tempesta foi um dos 18 cardeais nomeados

Arcebispo do Rio recebe do papa o título de cardeal Em uma celebração na Basílica de São Pedro, o papa Francisco oficializou, ontem, a nomeação do décimo cardeal brasileiro, o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, 63. Além dele, outros 18 cardeais receberam o título, no chamado Consistório, considerado a mais importante cerimônia realizada no Vaticano desde que Francisco se tornou papa, há um ano. Dom Orani recebeu das mãos do papa o título de cardeal por volta de 11h45 (7h45, horário de Brasília). Várias autoridades estiveram presentes, entre elas a presidente Dilma Rousseff, alguns ministros de sua comitiva, e o ministro do Supremo Tribunal Federal José Dias Toffoli. O papa emérito Bento 16 surpreendeu e compareceu

As ações determinadas têm como foco promover o combate à exploração sexual e ao trabalho infantojuvenil no Carnaval. Os promotores devem se comprometer também a receber, reproduzir e distribuir durante o evento, arte gráfica do material de campanhas de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes e ao trabalho infantil. Devem ainda divulgar, por meio do sistema de som das bandas e suas atrações, as mensagens sobre as campanhas. Caso ocorra descumprimento da portaria, a Prefeitura de Manaus deverá impedir a autorização para evento similar e a obtenção de patrocínio pelos órgãos e entidades municipais. DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO

m continuidade ao trabalho iniciado na última sexta-feira (21), equipes das secretarias municipais de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e de Limpeza Pública (Semulsp) estiveram na praça da Matriz para fazer a “limpeza aérea” do local. As 184 árvores do entorno foram podadas, os jardins, limpos, e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (Seminfh) iniciou a instalação de tapumes, pois as obras de revitalização da área serão iniciadas ainda esta semana. De acordo com a titular da Semmas, Kátia Schweickardt, a retirada de ervas daninhas e poda das árvores já estava prevista no cronograma de revitalização da praça do Relógio. “Mas nunca havíamos conseguido realizar o serviço, porque sempre havia muita gente aqui. E como a poda envolve o corte de alguns galhos, quem transitava pela praça corria risco. Vamos limpar as árvores do outro lado da rua também”, destaca. Dos 184 oitizeiros da praça - que a Semmas estima terem idade entre 50 e 60 anos -, dois serão derrubados, visto que as árvores estão muito velhas e correm risco de cair.

Promotores de eventos carnavalescos e outros festivos no período do Carnaval deverão apresentar à Secretaria Municipal de Assistência e Direitos Humanos (Semasdh), com cinco dias de antecedência da sua realização, declaração de comprometimento a não permitir trabalho infantojuvenil no decorrer dos festejos. A determinação está no primeiro artigo da portaria conjunta da Prefeitura de Manaus, publicada no Diário Oficial do Município (DOM) na última sexta-feira (21), e anunciada, ontem, durante Ação da Cidadania na escola municipal Antônia Medeiros da Silva, no bairro União da Vitória, Zona Norte, pela secretária da Semasdh, Goreth Garcia Ribeiro.

à Basílica. Há um ano, ele renunciou, sendo substituído por Francisco, eleito no Conclave. Ao chegar à Basílica, ontem, o papa emérito foi aplaudido de pé. O evento representou um contexto político na medida em que sinaliza quem começa a ter prestígio e poder na era de Francisco. Esses são os primeiros cardeais nomeados por ele. Conhecidos como “príncipes da Igreja”, os cardeais são os principais auxiliares do papa na condução da fé católica pelo mundo e formam o Conclave, colégio eleitoral que o elege. O recém-nomeado dom Orani Tempesta ganhou prestígio junto a Francisco ao comandar a organização da Jornada Mundial da Juventude em julho, no Rio.

TURISMO

POLÍTICA

REPRODUÇÃO

A2

Senado quer acelerar projeto antivandalismo Numa estratégia para esvaziar a proposta do governo que cria regras para as manifestações populares, o Senado quer acelerar a votação de projeto que criminaliza o vandalismo. A proposta impõe penas de 4 a 12 anos de prisão para quem promover ou participar de atos coletivos de destruição, dano ou incêndio mediante violência ou ameaça em locais públicos ou privados. Relator do projeto, o senador Romero Jucá (PMDBRR) disse que vai acelerar sua análise pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para que o texto seja analisado em março. O peemedebista promete incluir no projeto o prazo de 24 horas para que as autoridades sejam avisadas de uma manifestação. Jucá também vai agravar o crime se ele for cometido por pessoas mascaradas numa resposta à ação de manifestantes que usam máscaras em manifestações, especialmente no Rio de Janeiro. “Não é proibir o uso de máscaras, mas agravar o crime se quem estiver mascarado praticá-lo”, afirmou. O senador ainda pretende agravar penas para mortes causadas em atos de vandalismo, para que não sejam tratadas como homicídio culposo. Jucá era o relator do projeto que criminaliza o terrorismo, que está na pauta do Senado, mas o governo quer a sua reformulação

para retirar da proposta o trecho que enquadra as manifestações como atos terroristas. Líder do PMDB, o senador Eunício Oliveira (PMDBCE) prometeu apresentar nova versão do projeto do terrorismo, mantendo o tom defendido pelo Palácio do Planalto. “É muito importante separar as duas coisas, pois movimentos sociais não podem ser confundidos com terrorismo, mesmo quando uma manifestação termine em fatalidade”, disse Jucá. Ao assumir a relatoria do novo projeto sobre vandalismo, Jucá repõe o assunto na pauta do Senado enquanto o governo elabora outra proposta para enviar ao Congresso. No projeto que está sendo articulado pelo Ministério da Justiça, o governo cogita exigir que os protestos de rua sejam previamente informados às autoridades como deve estar presente no relatório de Jucá. A versão preliminar do texto, que ainda passará pelo crivo do Palácio do Planalto, também pretende coibir o uso desproporcional da força policial contra manifestantes. Projeto De autoria do senador Armando Monteiro (PTBPE), o projeto que criminaliza o vandalismo foi apresentado no final do ano passado em meio às ações de “black blocs” em manifestações populares.

Capital baiana tem o maior custo na época, segundo site

Salvador é a cidade mais cara para pular Carnaval O site de viagens TripAdvisor criou um índice para calcular o valor de um dia de festa nas cidades que são os principais destinos de Carnaval no país. As contas levam em consideração uma diária em hotel três estrelas, duas refeições, uma caipirinha, uma viagem de 10 quilômetros de táxi e o ingresso para o desfile no sambódromo, no caso do Rio de Janeiro, e o abadá para um bloco tradicional, como o Nana Banana, em Salvador. Os valores têm como base o preço médio de bares, restaurantes e hotéis cadastrados no site. Recife, que tem festa aberta ao público, sem “cordão”, teve atrações consideradas gratuitas; por isso, ficou em primeiro lugar na lista do dia de folia mais

barato do país: R$ 279,26. O Rio veio logo atrás, com gasto médio de R$ 1.108,36, à frente de Salvador, onde o custo por dia pode chegar a R$ 1.622,75. Excluindo os valores de ingressos, Rio e Salvador trocam de lugar: um dia sem festa na cidade carioca custa R$ 488,36, quase R$ 100 a mais que na capital baiana R$ 382,75. O Rio, aliás, tem os preços médios mais altos em todas as categorias analisadas, com exceção do táxi que o custo da corrida média de 10 quilômetros, em bandeira 2, é mais alto em Salvador. A cidade carioca deve receber, segundo as estimativas, 920 mil turistas no Carnaval; Recife e Olinda esperam 720 mil visitantes; Salvador, 680 mil.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

tricia@emtempo.com.br

Qual a função da rede social? Artigo escrito por uma estudante da Universidade de Oxford, Lily Green – que mantém um blog no site da BBC Brasil –, chama atenção porque traduz bem a dependência às redes sociais, em especial ao Facebook, no qual o internauta pode postar desabafos, imagens de “extrema felicidade”, quantas vezes foi ao banheiro, a curtição das noites na balada, alfinetadas nos inimigos e tudo mais, por meio de smartphones, tablets, notebooks e tudo o que tiver conexão com a internet. Para Lily Green, o Facebook – que ela abandonou há 1 ano – não faz falta nenhuma. “Sempre recebo um olhar de admiração quando revelo que não tenho perfil da notória rede social Facebook”, escreve a estudante. É como se quem não tivesse “Face” acabasse se tornando um peixe fora d’água. A jovem escreveu mais: “Várias questões me incomodavam. ‘Ele curtiu meu status – será que gosta de mim?’ – ‘Será que vai mandar uma mensagem?’”. A verdade, Lily Green, é que as redes sociais têm servido para suprir algumas carências, especialmente de quem precisa mesmo é do “divã” de um bom analista. Viver de aparência parece ser uma missão para quem quer provar que tem vida social e que seu mundo é só de realizações, mesmo que seja mentira. Há quem se torne até refém de uma sociedade consumista e termine preso(a) na própria consciência (ou ignorância). Ok. Nem tudo é hipocrisia nas redes. Como diz a estudante: “É também um espaço relativamente democrático de criatividade, bate-papo e também de denúncia”. Graças a muitas denúncias e apelos, feitos via Facebook, problemas graves foram resolvidos e vidas foram salvas. Talvez seja essa conscientização que ainda falte à maioria dos usuários da rede. Trocar a mentira e a futilidade, e transformar a rede social em um espaço útil e de serventia para todos. “Não quero voltar ao que para mim parece uma competição incessante de quem tem a melhor vida, de quem é mais feliz ou de quem se divertiu mais na festa de fulano”, disse Lily Green. Curtiu?

Largada para sucessão no TJAM

ELVIS elvis@emtempo.com.br

O palanque das eleições para presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), na sucessão de julho deste ano, já está formado. O primeiro a anunciar a candidatura, desembargador Yedo Simões, já fala inclusive em um plano estratégico para a sua gestão.

Antiguidade é posto Quem também deve esquentar a disputa é a desembargadora Graça Figueiredo. Ela tentará convencer a corte de respeitar o critério de antiguidade, situação que não foi observada na última eleição. Chalub de novo O terceiro candidato, desembargador Domingos Chalub, não esconde entre os colegas o desejo de presidir a corte. Mandato-tampão Chalub já foi presidente do TJAM. Ele cumpriu um mandato-tampão no que sobrou da gestão de Francisco Auzier, aposentado pela compulsória. Querem o vice Para o vice-presidente, são cotados Aristóteles Thury e João Mauro Bessa, visto que Paulo Lima não deve se candidatar. O desembargador Flávio Pascarelli vai optar disputar a Corregedoria-Geral de Justiça do tribunal. Faxina no Centro Um ano e dois meses depois que sentou na cadeira de prefeito, Arthur Neto começou a cumprir a

maior promessa de campanha que fez a seus eleitores: a retirada dos camelôs do centro de Manaus, o lado feio da cidade que todo cidadão, que ama sua cidade, odeia. Cancele o café Quem já tinha agendado para hoje, o seu café com sanduba de tucumã na Feira de Artesanato e Alimentação, na avenida Eduardo Ribeiro, é melhor cancelar. Por conta da realocação das bancas de camelôs do Centro, a prefeitura informa que, excepcionalmente, neste domingo, 23, a feira não será realizada. Deixa a banda passar A operação começou com a transferência dos vendedores de lanches. Hoje, 23, será a vez dos trabalhadores de outras bancas serem realocados. O trabalho foi suspenso devido à realização de bandas de Carnaval, no trecho da ação. Camelódromo Os trabalhadores estão sendo transferidos para os camelódromos da Epaminondas, Floriano Peixoto e Miranda Leão. Por enquanto Eles ficarão nestes es-

APLAUSOS

paços até que sejam concluídas as adequações nas galerias Espírito Santo e dos Remédios, no Centro, além da construção do Shopping T4. É uma vergonha Acredite se quiser. Teve vereador ligando para o bar do Armando pedindo espaço para colocação de barraca, para vender cerveja na banda da Bica. Carteiraço O pior de tudo é que não estavam solicitando o espaço na rua 10 de Julho, na base da gentileza. Estava, sim, fazendo uma exigência, se valendo de sua condição de “autoridade”. Dono do pedaço O Brasil mudou e os exemplos estão aí todo dia. Mas ainda tem político querendo levar vantagem em tudo, se achando que é o “dono do pedaço”. Olho gordo Com raríssimas exceções, nunca ajudam um movimento de cultura popular em nada. Mas se acham no direito de “faturar unzinho” à custa de uma festa organizada (com muito esforço) por um botequim.

VAIAS

Momento histórico

Programas de “humor” TACIO MELO

DIVULGAÇÃO

Para os camelôs, que entenderam que estava na hora de desocupar o centro de Manaus, e abraçaram o projeto da prefeitura, recebendo o apoio de toda a sociedade.

Para programas de humor da TV brasileira, que não fazem rir e mesmo assim continuam insistindo. Bons tempos aqueles de Chico Anísio, Costinha, Ronaldo Golias, José Mauro de Vasconcelos etc.

João Bosco Araújo jbosco@emtempo.com.br

Ai que saudade me dá... A saudade é um sentimento que necessariamente se vincula a uma perda, a algo que já se teve ou já se viveu e que não se tem mais ou não mais se vive. Diferente da saudade é a vivência da carência, de algo que nos falta, que gostaríamos de ter tido, mas nunca tivemos e sabemos que dificilmente um dia teremos. Neste segundo caso se enquadram os fatos de que perdemos as oportunidades de ter na Presidência da República Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Mário Covas, para recebermos em seus lugares José Sarney, Fernando Collor, Lula da Silva e agora essa senhora Dilma, que apareceu com reputação de competente e está a nos ensinar o caminhar dos caranguejos, isto é, em direção ao para trás. Certamente, quem tem consciência e preserva o senso da realidade está hoje vivendo intensamente a saudade de FHC, já tido e perdido. Nunca será demais lembrar o como, ainda ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, organizou um seleto grupo de trabalho, predominantemente com professores da PUC do Rio de Janeiro, e assim foi produzido um plano econômico de rara competência e resultados surpreendentes. Isso, depois dos vários fracassos dos planos Cruzado (do Sarney) e Collor 1 e 2. Lula e o PT prognosticavam o fracasso do Plano Real, torciam contra ele, na medida em que sabiam que quem domasse a absurda inflação amealharia enorme capital político e impediria a eleição do sindicalista que ainda prometia uma república socialista. Inesquecível aquele julho de 1994, quando tudo funcionou como um relógio suíço, sem que alguém tivesse que fazer estoques de alimentos ou de dinheiro em

espécie e a mudança da moeda ocorreu dentro do próprio sistema bancário automaticamente. Dormimos com uma moeda podre, recusada no mundo inteiro, e acordamos com o Real que, à frente do invejado dólar americano, valia mais de um. Esse mesmo Real que hoje começa a sofrer o movimento inverso, a perder dia a dia o seu valor, corroído pela inflação que todos pensávamos morta e sepultada. Fernando Henrique Cardoso, sem jamais ter reivindicado título de economista, reconhecido como sociólogo e antropólogo, soube imprimir ao país uma direção política para um regime democrático e um rumo econômico de saúde financeira e prosperidade. A Lula, seu sucessor, só coube a esperteza de preservar o rumo traçado pelo governo anterior, que nos palanques tanto atacara. Ainda guardo, como um documento histórico que não me permitirá esquecer o que era este país antes do Real, a nota fiscal do Ford Escort adquirido do Consórcio Imesa, portanto à vista, precisamente no dia 21/5/1993, ano anterior à implantação do Plano, ao preço de Cr$ 374.992.510,87. Isto mesmo, trezentos e setenta e quatro milhões, novecentos e noventa e dois mil, quinhentos e dez cruzeiros e oitenta e sete centavos. Como não ter saudade de FHC, precisamente agora, quando temos um governo que muito fala e promete, mas que nada faz para preservar a saúde econômica da nação? O Chile nos dá lições, a Colômbia e o Peru também, sem falar nos exemplos da Alemanha, da Inglaterra e de outros mais. Não sou nenhum Nelson Gonçalves, mas não me sai da cabeça o refrão de “Memórias do Café Nice”: “Ai que Saudade Me Dá...”.

João Bosco Araújo, Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO

Fernando Henrique Cardoso, sem jamais ter reivindicado título de economista, reconhecido como sociólogo e antropólogo, soube imprimir ao país uma direção política para um regime democrático e um rumo econômico de saúde financeira e prosperidade”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Operação casada

Fizemos uma proposta muito enxuta de concurso e espero que ao final do primeiro mandato da ‘presidente Lula’ o saldo seja positivo, mesmo atravessando um ano eleitoral que é mais restrito

O discurso oposicionista de Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) aproximou os eleitores de ambos. A última pesquisa Datafolha aponta que 53% dos eleitores que dizem votar no governador de Pernambuco optariam pelo senador mineiro em um eventual segundo turno contra Dilma Rousseff. Em novembro, essa proporção era de 47%. A migração também aumenta na mão oposta: 48% dos eleitores do tucano escolheriam o pessebista contra Dilma. Antes, eram 41%. Ela não Os eleitores de Campos que escolheriam Dilma num tira-teima contra Aécio eram 37% no fim de 2013, e agora são 29%. Já os apoiadores do tucano que preferem a petista ao pernambucano num novo turno são 27%, contra 33% em novembro. Por tabela No levantamento anterior, 42% dos eleitores de Marina Silva escolhiam Dilma no segundo turno contra Aécio. Na pesquisa atual, 34% dos marineiros declaram voto na presidente, e 40% optam pelo mineiro. A cara Dilma ganha de Aécio, Campos e Joaquim Barbosa em cenários diversos no grupo de eleitores que dizem esperar ações diferentes do próximo governo, mas perde para Marina. A presidente tem 27% nesse grupo, contra 30% da ex-senadora. Generalizado No eleitorado que diz querer ações diferentes do próximo governo, 25% respondem que a gestão Dilma é ótima ou boa, 44% dizem que ela é regular, e 30%, que é ruim ou péssima. Virtual A Rede tem recebi-

do cerca de 100 filiações por semana. Ao todo, a sigla de Marina, que ainda não foi formalizada, já tem 5 mil eleitores cadastrados. Veja bem Ao receber de Dilma a camisa da seleção brasileira autografada por Pelé, o papa Francisco brincou: “Com esse presente vou ter que torcer pelo Brasil?”. Foi então que a presidente pediu apenas neutralidade. Na despensa O governo do Maranhão vai gastar R$ 717.355 para abastecer de alimentos as residências oficiais da governadora Roseana Sarney (PMDB). A lista de compras não foi divulgada. Promoção O valor ficou 69% abaixo dos R$ 2,3 milhões previstos em dois editais que haviam sido lançados em janeiro, mas que foram cancelados pelo governo depois que a coluna revelou que previam a compra de itens de luxo, como 80 kg de lagosta e uísque escocês. Capilaridade Responsáveis pela arrecadação de doações para o pagamento da multa de José Dirceu pelo

Miriam Belchior, Ministra do Planejamento, durante a entrevista do anúncio do corte de R$ 44 bilhões no orçamento deste ano, em Brasília, ao se confundir e chamar a presidente Dilma Rousseff de “presidente Lula”

mensalão registraram quase 3 mil contribuições ao petista, mais que os repasses feitos a outros condenados. Mais um pouco O processo de arrecadação deve se estender até amanhã, para que seja atingido também o valor referente aos tributos incidentes sobre as doações.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

X-tudo A lista de exigências do PTB ao PT em troca do apoio à reeleição de Dilma inclui, além da já selada aliança com Armando Monteiro para o governo de Pernambuco, o suporte à reeleição dos senadores Fernando Collor (AL) e Gim Argello (DF).

DIEGO JANATÃ

Sirene Desde o início do ano, o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Antonio Ferreira Pinto, que disputará cadeira na Câmara pelo PMDB, tem intensificado os ataques à atual gestão nas redes sociais. Retaguarda Ferreira Pinto, que ajuda a elaborar o programa de Skaf na área, foi contratado como consultor do Conselho de Segurança da Fiesp, presidida pelo pré-candidato peemedebista e mantida com contribuição compulsória de sindicatos.

Tiroteio

A alegoria do Carnaval do ano passado virou ‘patinho feio’ ao lado da avenida. Sim, essa é uma das heranças do desfile das escolas de samba do ano passado, que ‘resolveu’ esperar a folia deste ano, caso o sambódromo seja liberado

D. Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Há 12 anos, o mercado tremia com a política econômica imprevisível do PT. Agora, o que assusta é a previsibilidade da gestão Dilma. DO DEPUTADO FEDERAL BRUNO ARAÚJO (PSDB-PE), sobre a preocupação de que as agências de classificação de risco rebaixem a nota do Brasil.

Contraponto

Diga ‘xis’ O vice-presidente da República, Michel Temer, participou há duas semanas de uma palestra com colegas da USP sobre direito em Campinas (SP). Depois do evento, foram para uma confraternização no botequim Catedral do Chope, famoso na cidade, onde foram interrompidos por um frequentador: — Vice-presidente, não me expulse! Sem graça, o peemedebista esperou uma explicação: — Apostei R$ 250 com meus amigos que iria tirar uma foto com o senhor. Não posso perder esse dinheiro! Temer topou posar com o rapaz, que venceu a aposta. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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Missionário Chovia torrencialmente numa tarde típica de inverno amazônico. Estávamos no cemitério onde são enterrados os pobres. As covas são rasas, o suficiente para que sejam resguardadas as condições de higiene e o respeito devido a um corpo humano, mas nada de especial. O corpo era de um missionário, um padre católico vindo do distante Canadá para anunciar o Reino entre nós. Durante 22 anos esteve a serviço das comunidades da periferia da grande cidade de Manaus, não sem antes ter passado pelo interior, no município de Caapiranga, visitando e organizando comunidades ribeirinhas e urbanas. Guido, era seu nome, o sobrenome Labonté, a bondade em francês, nome sugestivo, destes que acabam descrevendo a personalidade de quem os carrega. Antes de vir para estas terras, passou 10 anos no Japão. Falava muitas línguas, fruto de estudos, de muitas viagens e uma vida inteira fazendo e desfazendo malas, mas acima de tudo de convivência, de inculturação, de compromisso com pessoas concretas. Sua lâmpada não podia ficar escondida. A Igreja do Brasil por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil o chamou para dirigir o Centro Cultural Missionário, por onde passam missionários católicos que vem das mais diferentes partes do mundo, hoje em dia especialmente da África e da Ásia para aqui anunciar o evangelho numa experiência muito bonita de comunhão eclesial. Mas por aí passam também os brasileiros e brasileiras que são enviados para regiões missionárias do Brasil e para todas as parte do mundo. É um lugar onde pulsa a

missão, razão de ser da igreja, sua natureza. O padre Guido foi também um grande formador de missionários. Sua alegria e audácia contagiavam e a juventude se encantava e se animava a seguir os mesmos caminhos. A presença dos jovens seminaristas e dos jovens da periferia no seu funeral foi um sinal eloquente desta atração. A última vez que estivemos juntos foi numa ação missionária no ramal do Brasileirinho da qual participavam seminaristas e que fora organizada junto com ele. Fazia gosto ver a sua animação e entusiasmo com as novas comunidades que vão surgindo e com a confirmação da fé das mais antigas. Já sinto saudades dos seus comentários e das suas observações, feitas com muito realismo, mas cheias da esperança que só tem aqueles que tem privilégio em tudo enxergar a luz da fé e do amor e que tem sua fonte no princípio inesgotável no mistério divino. Guido é destes homens que foram além dos próprios limites, é daquelas pessoas que dignificam a humanidade e nos fazem crescer. São estas pessoas que salgam e fermentam a massa humana. Não são missionários, são missão em ação e sem elas o mundo entraria em decomposição. Só nos resta pedir e esperar que a semente lançada na terra molhada do Tarumã dê frutos abundantes. Que a juventude se encante com a missão e que o ideal de viver para os outros leve muitos a partir para onde o amor indicar. Os que se decidirem não estarão sozinhos, mas acompanhados por uma nuvem de testemunhas que se tornou mais densa com a sua chegada.

Dom Sérgio Eduardo Castriani, Arcebispo Metropolitano de Manaus

Guido é destes homes que foram além dos próprios limites, é daquelas pessoas que dignificam a humanidade e nos fazem crescer. São estas pessoas que salgam e fermentam a massa humana”


Política

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

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Disputa pela presidência do TJAM se torna política Em meio a uma crise institucional e com a sombra do descrédito, Tribunal de Justiça deve renovar seu comando em abril ARQUIVO EM TEMPO

Pela segunda vez, Graça Figueiredo vai tentar a presidência RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

A

mparados pelos critérios de antiguidade e elegibilidade, os desembargadores Domingos Chalub, Graça Figueiredo e Yedo Simões, confirmaram ao EM TEMPO que deverão disputar a presidência do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), cujas eleições estão previstas para ocorrer na primeira semana de abril, com posse marcada para julho deste ano. Em um momento em que o tribunal protagoniza escândalos e é questionado pela sociedade sobre a sua eficiência, as eleições devem promover fervorosos debates a respeito do futuro do órgão máximo da Justiça amazonense. Internamente, a “politização” das eleições é considerada irreversível. Derrotada pelo atual presidente da instituição, o desembargador Ari Moutinho nas eleições internas, em março de 2012, Graça Figueiredo a mais antiga integrante da corte que nunca exerceu a presidência do tribunal - tentará novamente ressuscitar a tradição da sucessão por rodízio de antiguidade, que, segundo ela, foi quebrada quando Moutinho foi eleito presidente há 2 anos. “O rito foi quebrado na eleição passada, quando o eleito não foi o mais antigo, mas sim o que mais fez propaganda. Quando a política entra por um lado, a Justiça sai pelo outro”, afirmou a desembargadora, que tem 35 anos de magistratura. Prestes a entrar na disputa em que o apelo ao mais antigo

deu lugar a faixas, cartazes e palanques, Graça afirma que levará assuntos “indispensáveis” para o debate da sucessão. “É preciso alavancar a busca pela melhoria do segundo grau de jurisdição, dando boas condições de trabalho aos juízes e servidores que atendem à população. O acolhimento do cidadão precisa ser prioridade e hoje é um aspecto que deixa muito a desejar. Quem tem uma pen-

NOVAS VAGAS

A corte do TJAM é composta de 19 desembargadores, a maioria oriundos da primeira instância. Em 2013, em sessão do pleno, foi aprovado o aumento em mais sete vagas. Mas o assunto está sub judice dência judicial, tem pendência da alma”, enfatizou. O sexto na linha de sucessão e segundo mais antigo da corte apto à disputa, Domingos Chalub afirma que “nunca fui um bom debatedor, mas também nunca fugi ao debate”. Oriundo da classe de advogados, o magistrado também deverá falar sobre a prestação de serviços durante a “campanha eleitoral” do TJAM. “De zero a dez, a nota do tribunal no quesito estrutura e atendimento é dois. Vamos fazer parcerias para mudar isso. Quero priorizar o servidor, os juízes das comarcas que estão em contato com a população”, afirmou. O atual corregedor-geral de

ARQUIVO EM TEMPO

Domingos Chalub já se mostrou disposto a conquistar o posto

Justiça, desembargador Yedo Simões, foi o primeiro a anunciar publicamente a sua intenção de disputar a presidência. Sétimo na linha sucessória, Simões afirma que apresentará um plano estratégico de gestão durante os debates das eleições. “É um plano que detalha todas as necessidades do tribunal no âmbito de serviços, de estrutura, de captação de talentos e de agilidade processual”, adiantou o magistrado. Segundo Yedo, os debates em torno da sucessão precisam envolver a “totalidade” das necessidades do órgão. Vice-presidência Já para a disputa à vaga de vice-presidente da corte – ocupada hoje por Rafael Romano – e corregedoria da casa, aparecem como cotados os desembargadores Flávio Pascarelli (atual presidente do Tribunal Regional Eleitoral), Paulo Lima, Aristóteles Thury e João Mauro Bessa. Assessores de gabinete afirmam que Paulo Lima não deverá se candidatar ao pleito, deixando o caminho aberto para Thury e Bessa. O desembargador Pascarelli, segundo fontes, deverá se candidatar à CorregedoriaGeral da de Justiça. Regimentalmente, as eleições diretas devem ser realizadas, no mínimo, 90 dias antes da posse dos eleitos, marcada para 4 de julho. Moutinho, portanto, terá até o dia 3 abril para realizar o processo. Segundo desembargadores consultados pela reportagem, ele deverá anunciar a abertura do edital para as eleições a partir da segunda semana de março, depois do Carnaval.

IONE MORENO

Yedo Simões está confiante na vitória e já tem plano de governo

Corte está dividida sobre critérios Para o juiz auxiliar da presidência do TJAM, Divaldo Martins, a escolha por critério de antiguidade ou por debate estruturadamente político depende da atmosfera do tribunal. “Em determinada época, a corte acha que deve ser escolhido o mais antigo e em outra não”. Sem restrição na legislação, Martins acredita que o debate democrático não é prejudicial. “Praxe não é norma, é tradição. Não há irregularidade na questão”, acrescentou. Posicionamento parecido é adotado pelo desembargador Sabino da Silva, que acredita que devem ser estabelecidos três pontos “angustiantes” e fundamentais para a discussão. “É preciso que seja discutida a carência do tribunal de servidores e o fortalecimento do interior. Eu defendo o amplo debate

antes do pleito, mas esses pontos precisam ser discutidos para a melhoria do nosso sistema”, afirmou. O critério da democracia também é defendido por Rafael Romano, que apesar de estar desimpedido de concorrer à presidência e à Corregedoria, não o fará por conta de sua aposentadoria compulsória. “Nem sempre a pessoa que responde ao critério de merecimento preenche o perfil adequado e administrativo para a função. Determinadas escolhas devem ser democráticas, de forma que seja efetuada a melhor aquisição para o tribunal”, declarou. A segunda mais antiga na linha de sucessão, com 10 anos de corte, que nunca ocupou a presidência, a desembargadora Socorro Guedes, defende a abertura do

diálogo entre os candidatos. “Eu estou ao lado do que diz a Loman (Lei Orgânica do Tribunal). Sou totalmente favorável à discussão. Esperamos que a próxima gestão seja preparada e transparente”, afirmou. Socorro não disputará a vaga porque deverá ser aclamada presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ainda neste semestre. Se classificando como “adepto da filosofia da antiguidade e despolitizado”, o desembargador Lafayette Carneiro espera que a eleição seja sem confrontos. “Só espero que não haja briga. Sou amigo dos 18 magistrados. Assim como fazemos com os políticos, é preciso votar consciente. Sou adepto da filosofia da antiguidade, afinal, como diz o jargão, antiguidade é posto”, finalizou. RAPHAEL ALVES/TJAM

Atualmente, a corte do TJAM é presidida pelo desembargador Ari Moutinho (no centro)


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Política

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

ANTÔNIO CRUZ/ABR

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Não há perigo de fuga” LORENZO BERGAMI, advogado do fugitivo Pizzolato, sobre o pedido de prisão domiciliar

Temer é escalado para tentar desativar ‘blocão’ Temendo a dor de cabeça que o ‘blocão’ pode causar ao governo, nas votações na Câmara, a presidente Dilma escalou o vice Michel Temer para enquadrar o PMDB, que encabeça a rebelião, e colocar panos quentes na insatisfação da base aliada. O vice, que alega ter sido pego de surpresa pela articulação, convocou os líderes governistas para reunião de emergência nesta segunda-feira (24), no Palácio do Jaburu. Em pânico O clima no Planalto com a ameaça do “blocão” é dos piores. A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) admite que não sabe o que fazer. Fogo cruzado O ‘blocão’ foi articulado em jantar com presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDBRN), na quarta. Só PT e PCdoB não foram convidados. Tropa de choque Tomada por insatisfação generalizada, sobretudo com cargos, a base ameaça montar uma pauta de projetos e peitar Dilma nas votações. Pergunta em Kiev Onde está o bravo Lula que se ofereceu para mediar a paz no Oriente Médio e ainda não propôs conversar com os revoltosos da Ucrânia? Itamaraty ignora segurança em embaixadas Diplomatas e contratados locais da embaixada brasileira em Caracas estão em pânico com a escalada de violência na capital da Venezuela: o Itamaraty não tem plano de contingência ou esquema de segurança diante do caos nas ruas, e ainda os obriga à jor-

nada de oito horas. Servidores se “viram” para chegar e sair a salvo da embaixada, muito embora saibam que a natureza do serviço impõe esse tipo de risco. як справи (Tudo bem?) Na embaixada brasileira em Kiev, Ucrânia, um funcionário que não fala inglês ou português atende o telefone. Ignorase o que acontece lá. Incerteza Servidora diz que chegou à embaixada do Brasil em Caracas “em meio a corpos na rua” e aguarda declaração de “conflito social” do Itamaraty. Sem alianças Para a cúpula do PMDB, o senador Ricardo Ferraço (ES) “não conseguiu musculatura suficiente” para sair candidato ao governo. Rompimento Apesar da pressão de Eduardo Campos (PSB), o PSDB decidiu romper com o governador Ricardo Coutinho na Paraíba. Na sexta, senadores Aécio Neves (MG) e Cássio Cunha Lima (PB), do PSDB, avisaram ao governador de Pernambuco que será “muito difícil” manter a aliança. Rombo histórico O exuberante “pit-stop” de Dilma em Lisboa contribuiu para o rombo histórico de US$ 11,5 bilhões nas contas externas em janeiro. Gastos de brasileiros lá fora somaram US$ 2,1 bilhões no primeiro mês do ano. Guerra de mentira Com bancada reduzida e apequenado pela presidência de Carlos Lupi, o PDT tenta ameaçar o governo, para mostrar força, anunciando uma “guerra” na Câmara para aprovar o Plano Nacional de

Jornalista

Educação (PNE) no primeiro semestre. O governo finge que se importa com a ameaça. Bola da vez Partidos da base aliada de Dilma têm sido pressionados por dirigentes estaduais e candidatos a acelerar conversas pela filiação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, relator do mensalão. O troco Preterido para ministério no governo Dilma, o senador Vital do Rêgo (PMDB) ameaça apoiar a candidatura de Cassio Cunha Lima (PSDB) ao governo da Paraíba, reforçando palanque do tucano Aécio Neves. Anvisa lá Laudo da junta médica da Câmara dos Deputados provou que o mensaleiro condenado José Genoino não é inválido para ganhar aposentadoria. Agora ele vai tentar provar que tem validade vencida. Lá longe A Federação Nacional dos Jornalistas pediu ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) mais segurança para jornalistas em manifestações no Brasil. Mas, a julgar pelo seu silêncio, a entidade parece considerar que na Venezuela, bater em jornalistas está liberado. Duas medidas Do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), sobre manobra do governo que esvaziou o Plenário para adiar a votação do veto à criação de municípios: “Senado deixou de ser revisor para virar arrependedor”. Pensando bem... ...cantou para subir o passarinho de Chávez que Maduro viu.

PODER SEM PUDOR

Benzetacil cura susto Militante comunista, Geraldo Ribeiro ganhava a vida como propagandista de laboratório de medicamentos, nos anos 60. No dia seguinte ao golpe de 1964, ele andava cabisbaixo na rua do Príncipe, ao lado do comando do IV Exército, no Recife, quando de um jipe militar desceu um oficial, esbaforido: - Geraldo, com quem você está?... - Com as Forças Armadas, meu coronel – mentiu. - Não é isso, Geraldo. Eu quero saber em que laboratório você trabalha. Ando louco por uma amostra grátis de Benzetacil…

POUCO ESPAÇO

Voto feminino completa 82 anos Às vésperas dos 82 anos da conquista do direito ao voto, mulheres ainda buscam a consolidação do espaço feminino na política brasileira. Parlamento, Justiça e Ministério Público Eleitoral cobram a efetiva aplicação dos instrumentos legais de estímulo à participação feminina na política. O Dia da Conquista do Direito ao Voto Feminino é comemorado em 24 de fevereiro, data em que entrou em vigor o Código Eleitoral

Provisório de 1932 (Decreto 21.076/32). Pela primeira vez, todas as mulheres tiveram a oportunidade de votar. Dois anos depois, em 1934, Carlota Pereira de Queirós se tornava a primeira deputada federal eleita. Recente pesquisa do IBGE mostrou que 41% dos brasileiros apoiam o aumento do número de mulheres na política. Apesar da chegada de Dilma Rousseff à Presidência da República em 2010, o espaço

da mulher nesse meio ainda é muito tímido, como avalia a coordenadora da bancada feminina da Câmara dos Deputados, deputada Jô Moraes (PCdoB-MG). “Um dos maiores desafios nosso é a valorização do papel da mulher na sociedade. Quando a sociedade aponta em uma pesquisa que as mulheres podem contribuir e melhorar a política é uma mudança cultural significativa para que se possa, inclusive, alterar as relações humanas”.

Marco Feliciano (PSC-SP) teve uma direção polêmica à frente da Comissão de Direitos Humanos

Kokay diz que CDMH será libertada do ‘fascismo’ Deputada é uma das indicadas do PT, para disputar a presidência da comissão, presidida antes por Marco Feliciano RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

U

ma das indicadas pelo PT para disputar a presidência da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDMH) da Câmara Federal, a deputada Érika Kokay (PT-DF) afirmou na manhã da última sexta-feira, em Manaus, que a Comissão esteve “encalhada” durante a gestão do expresidente, deputado Marco Feliciano (PSC-SP). Segundo Kokay, a CDMH “será libertada de uma gestão fascista e fundamentalista”. A petista deverá enfrentar o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) na votação que decidirá o futuro da polêmica comissão, na próxima quarta-feira. Fora da comissão que prota-

gonizou diversos escândalos em 2013, Feliciano afirmou na última terça-feira, momentos após o PT garantir o comando da comissão, em um acordo com o PTB - que a bancada evangélica “esvaziou” a CDH de projetos polêmicos, e que a articulação feita pelo PT para garantir a comissão era “um jogo de cena”. Em resposta ao deputado, Érika Kokay afirmou que a CDMH esteve “encalhada” durante a gestão do deputado evangélico. “O deputado Feliciano não tem moral, história, lucidez, nem sensatez para falar sobre a luta em defesa dos direitos humanos. Ele encalhou a comissão, fez com que a sociedade tivesse que se proteger da comissão, que foi um atentado aos direitos das pessoas do nosso país,

durante a sua gestão. Por isso, eu diria, a Comissão vai ser libertada e isso talvez não agrade ao ex-presidente fascista e fundamentalista que teve no passado”. “A comissão ficou refém de um projeto de gestão que promovia o rompimento da democracia e a hierarquização dos seres humanos. Hierarquizar os seres humanos, por sexo ou posicionamento religioso, é ovo da serpente de uma lógica hedionda que precisa ser enfrentada pela comissão”, finalizou a deputada. As declarações foram dadas ao EM TEMPO, na manhã de sexta-feira, durante audiência que a deputada teve no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) com o presidente da instituição, desembargador Ari Moutinho.


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

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Oscar SCHMIDT

UMA PALAVRA para quem tem obstáculos A VENCER

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le foi o destaque nas quadras. Uniu dedicação, persistência e muito treino para se tornar o principal atleta do basquete brasileiro, reconhecido mundialmente. Agora, Oscar Schmidt passou a ser palestrante. Às vésperas de vir para Manaus participar da “Jornada dos Notáveis”, Oscar teve que ser internado às pressas para tratar o câncer que vem enfrentando com coragem. A palestra foi cancelada. Nesta entrevista – concedida antes de ser internado –, Oscar fala sobre o desafio de repassar o conhecimento de pessoa vitoriosa para diferentes classes profissionais. EM TEMPO: Qual a relação do esporte com o dia a dia de outras atividades profissionais? Oscar Schmidt: A relação eu não sei exatamente, mas as palestra que ministro são fei-

FOTOS: DIVULGAÇÃO

tas para aqueles que têm metas a bater. Para cada segmento da sociedade eu tenho uma palavra diferente. EM TEMPO: A palavrachave para que as pessoas vençam os desafios do dia a dia é persistência? OS: Eu diria que não é só persistência, são várias palavras importantes como coragem, ousadia, diferencial e insistência. Pouca gente consegue ter isso, quem consegue ter, vai ter sucesso. EM TEMPO: Como foi essa mudança do Oscar do basquete para o Oscar palestrante? OS: Foi coincidência. Eu nunca imaginava fazer palestras, mas fiz algumas enquanto jogava e gostei. Quando eu parei de jogar me dediquei a isso e tornei isso a minha atividade principal. Fui pago para jogar basquete, imagine que grande vida eu tive. E agora sou pago para

contar essas histórias. EM TEMPO: O que você fala sobre a questão da importância do treinamento, para a pessoa que quer vencer? OS: Sei o que fazer para que a pessoa tenha sucesso. Posso garantir que o treinamento, a repetição como ocorre no esporte, é o ideal para atingir os objetivos. Resumindo, para bater metas não é fácil. Você tem campeonato para ganhar lá na frente, a oportunidade irá chegar e se você não estiver treinado, não vai nem chegar perto do resultado almejado. EM TEMPO: Não dá nem para falar em uma pitada de sorte? OS: Não tem sorte. Sorte é só na loteria para mim. Para pessoas comuns, como nós, tem que ter trabalho, dedicação, e se a oportunidade passar, você vai estar preparado, treinado, para conquistar o que deseja.

Posso garantir que o treinamento, a repetição como ocorre no esporte, é o ideal para atingir os objetivos


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Política

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

IONE MORENO

Honda qualifica seus técnicos amazonenses Economia B3

A classe ‘C’ que compra marca, preço e qualidade

MARCELL MOTA ARQUIVO EM TEMPO

Comportamento foi revelado por estudo o qual constatou que pessoas de baixa renda exigem cada vez mais do comércio

EMERSON QUARESMA Especial EM TEMPO

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classe média amazonense é hoje o principal mercado consumidor de produtos e serviços. O seu poder de compra não é o mesmo se comparado ao da classe ‘A’. Contudo, isso não faz a menor diferença para ela quando vai às compras. Pois, ao retirar o produto da loja, ainda que em várias parcelas no cartão, na hora da escolha essa classe prioriza a marca, o preço e a qualidade. O sentimento revelado pelo estudo “Faces da Classe Média”, de autoria da Serasa Experian, em parceria com o instituto Data Popular, foi confirmado por consumidores como a aposentada Maria de Lurdes Santos Miranda, 65, que, por ter uma renda acima de um salário mínimo, está na faixa dos brasileiros classificados pelo governo como classe ‘C’, os quais possuem uma renda per capita na ordem de R$ 320 a R$ 1.120. Dona Lurdes considera em primeiro lugar a qualidade que o produto proporciona a ela. Hoje ela planeja trocar alguns dos seus aparelhos de cozinha como o fogão que mantém há duas décadas. “Quando vou às compras eu procuro uma marca que me ofereça qualidade, independente do preço. Quero agora um fogão da marca que está comigo há 20 anos. Isso para mim é qualidade”, comenta.

A comerciante Rosemeire dos Santos de Oliveira, 49, na mesma linha de Lurdes, quando compra produtos essenciais para o dia a dia, procura pela marca que confia. Sempre procurando o preço mais em conta. “Televisão e geladeira, quando posso trocar, eu compro somente das marcas que eu confio. Estou me programando para comprar uma geladeira, e vou levar uma que me faz bem”, diz.

NÚMEROS

108 MILHÕES

é o número atual da população da classe média brasileira, conforme dados da Serasa Experian. Mas, se for comprar um celular, por exemplo, Rosemeire diz qualquer marca resolve, desde que na hora das chamadas ele funcione. “Mês passado eu comprei um celular para a minha neta de 15 anos. Ela queria muito o de uma marca que tem entre tantas outras vantagens o acesso a internet. Isso para mim não interessa”, observa. Segundo a vendedora de loja do centro de Manaus Aldenize Vasconcelos Laurido,

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Empresários afirmam que a nova classe média, que representa 54% da população brasileira, tem hoje mais acesso a informações sobre os produtos que compram e por isso procuram por novidades

39, a maioria dos consumidores chega atrás do preço baixo. “Mas, eles estão sempre de olho numa marca de qualidade. Saem de loja em loja pesquisando o preço do mesmo produto até encontrar o mais barato”, frisa. Status Entre essas faces da classe média, os jovens consumidores procuram mais do que a qualidade que a marca pode oferecer. Segundo o sociólogo Carlos Santiago, o jovem acaba comprando o status, junto com a marca. “Os jovens são condicionados pelo mercado a comprar a moda que está na vitrine”, comenta. A estudante Sandy Nascimento Bezzerra, 16, tem consciência de que se encaixa nesse perfil. À procura de um celular novo, ela procura por uma marca moderna, mas com o preço mais barato. “Hoje uma menina da minha idade não quer um celular que apenas ligue. Isso hoje é só mais um acessório”, afirma. O técnico em segurança do trabalho Murilo Miranda da Silva, 26, se diz mais seletivo. Para ele, um produto mais barato é bom pela economia. Contudo, se o comércio dá a ele a possibilidade de parcelar ele faz a opção pela marca que dê a ele mais visibilidade. “Se eu posso optar por um smartphone da maior marca, eu o levarei pelo status que ele representa”, explica.

Reformulação nas prateleiras O empresariado do comércio amazonense confirma que a classe ‘C’ domina no volume de compras em Manaus. Conforme avalia o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bichara, isso ocorre por conta da evolução econômica que passou o país nos últimos 15 anos, reforçada pelo acesso a internet. “Hoje a classe média predomina em tudo no Brasil. E essas pessoas estão se informando mais sobre os produtos”, observa. Bichara diz ainda que, esse acesso a tanta informação levou a uma reformulação

geral nas prateleiras das lojas, bem como nas suas arquiteturas. “Os produtos sem referência estão saindo das prateleiras. Mesmo as classes C, D e E procuram por marcas. O comércio obrigatoriamente tem que atender esse desejo, se não fica fora do mercado”, alerta. O empresário José Azevedo, proprietário da rede de lojas Tv Lar, concorda quanto ao volume de informações que o consumidor tem acesso, o que segundo ele, torna o cliente mais exigente. “A classe ‘C’ é hoje a base do consumo. Nela está um consumidor mais esclareci-

do a respeito dos produtos, porque melhorou o seu poder aquisitivo”, avalia. Azevedo, por outro lado, conta que esse ‘boom’ da classe média não significa um rendimento rápido para o lojista. De acordo com ele, o crediário na sua rede representa até 80% do volume de compras, tornando alto o risco de inadimplência. “A maioria dos consumidores assume um valor acima das suas possibilidades. Claro que hoje o lojista se preparou também para poder atender a esse cliente que só pode comprar por meio de crédito”, garante.


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

Escolas de idiomas fazem investimentos em Manaus

De olho no mercado local, empresas apostam na expansão para atrair alunos e conquistar espaço na capital amazonense

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realização de jogos da Copa de 2014 em Manaus estimulou a procura por cursos de idiomas na capital amazonense. Além das oportunidades oferecidas pelo governo, escolas particulares se tornaram um polo de atração para quem quer aprender uma segunda língua. Com 40 anos de experiência, a Skill Idiomas, por exemplo, investiu em dois elementos fundamentais para quem atua no ramo: estrutura e metodologia. A empresa inaugurou recentemente uma escola no Shopping Ponta Negra, elevando para seis o número de unidade da Skill em Manaus. Em todo o país, a Skill Idiomas possui mais de 200 unidades que recebem em torno

DIVULGAÇÃO

de 150 mil alunos. A empresa possui uma estrutura de ensino de padrão nacional com fortes bases metodológicas que valorizam o ensino do idioma em contextos sociais específicos, ou seja, situações cotidianas. “Com uma proposta de ensino de vanguarda, os alunos da Skill não só entendem, falam, leem e escrevem no idioma, mas também são orientados a compreender e respeitar a diversidade cultural do mundo”, afirmou a empresa por meio de nota. Mais informações sobre os cursos da empresa no site www.skillmanaus.com.br ou ligue na Central de Matrículas Skill:3237-2222. Vagas De acordo com o presidente

da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, o programa Conexão Mund, nascido de uma parceria entre a CNI e o US-Brazil Connect, vai oferecer duas mil vagas em um curso de inglês pelas redes sociais em 2014. As aulas serão oferecidas para alunos de unidades do Serviço Social da Indústria (Sesi), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e de escolas públicas brasileiras. Pronatec Criado em 2011, pelo governo federal, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) oferece cursos de idiomas, principalmente, para quem quer se capacitar na área de turismo.

Skill Idiomas inaugurou, recentemente, unidade no Shopping Ponta Negra, a sexta em Manaus

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

ZFM: o timão vazio de Gilberto Sobram argumentos para a defesa da prorrogação do modelo Zona Franca – medida vital para, definitivamente, preparar a formulação de novas matrizes econômicas - mas falta a autoridade de um tribuno com credibilidade para liderar as ressalvas dessa transformação. Iremos esgoelar no discurso para convencer o Brasil da importância da preservação da floresta, de evitar sua ocupação pela economia do tráfico, assegurar a redução das disparidades regionais, a substituição de importações, entre outras argumentações de praxe. Quem vai acolher esses motivos e concordar com altruísmo que isso é suficiente para justificar a prorrogação da ZFM por mais 50 anos? No último debate sobre prorrogação, há 10 anos, Gilberto era senador da República e, ao lado de Arthur Virgílio Neto e Jéfferson Peres, demonstrou com credibilidade e firmeza a relevância, para o Brasil, naquele momento, de manter o modelo Zona Franca de Manaus. Sem estardalhaço nem pirotecnia eleitoral, diga-se. Os tempos são outros, o país mudou e complicou a tarefa de convencer o Congresso Nacional – nesse clima de guerra contra a renúncia fiscal e de pressão de outros Estados por vantagens tributárias – sobre a necessidade de prorrogar o prazo de vigência da Zona Franca de Manaus até 2073. É óbvio que a articulação política, liderada pelas promessas de campanha da presidência da República, tem chances objetivas de barganhar essa aprovação. A partir deste momento, também, vai fazer

falta uma liderança regional capaz de administrar e gerenciar a tensão de defender o modelo contra argumentos cada vez mais agressivos contra o regime de exceção. Falta liderança, ainda, para mobilizar os atores locais na direção de colocar as cartas na mesa e traçar novos rumos, estabelecer as premissas e vislumbrar o como, o quando e aonde queremos chegar com mais um largo prazo de exceção fiscal. Carecemos de liderança para impedir que empurremos debaixo do tapete a poeira da protelação das novas trilhas que conduzam à construção de um novo conceito de prosperidade, com uma economia diversificada, focada na interiorização das oportunidades. Temos condições e inadiável obrigação de dar um basta à fragilidade institucional e imponderabilidade legal do modelo econômico vigente, através do estabelecimento de novas matrizes econômicas, absolutamente integradas à política econômica, industrial, científica e tecnológica nacional, com respectivos estudos de viabilidade, planejamento estratégico, definição de prazos e com a participação de atores representativos desses segmentos. Como desencadear essa operação vital? Antes de falecer, em 2009, Gilberto iniciara a preparação de alguns debates e recomendava a formulação de alguns estudos para aprensentar um novo Planamazonas, na evolução do que promovera no início dos anos 90, quando lhe faltaram os rins para por em prática sua visão estratégica.

Não temos tempo nem direito de seguir às cegas, improvisando para amanhã os questionamentos de hoje, de um mundo sob o imperativo da alta tecnologia, em que a indústria do conhecimento é o fator de produção mais importante. Como justificar um polo de produtos de tecnologia sem investimento massivo de uma parte significativa dos mais de R$ 1, 3 bilhão que as empresas da ZFM recolhem para esse fim a cada ano, em pesquisa e desenvolvimento, focado na inovação tecnológica que se impõe? Como produzir bens e serviços ambientais coerentes com a vocação de negócios do bioma amazônico sem um acervo de conhecimento, atrelado à tecnologia de agregação de valor, que transforme o inventário da biodiversidade na matriz econômica promissora das oportunidades, já testada e aprovada em outros clusters de sucesso sobejamente conhecidos? Em seu último governo, Gilberto foi buscar parceiros nos Estados Unidos e em Israel, os centros mais avançados de inovação tecnológica dos anos 90, para ensaiar na ZFM a indústria do conhecimento, a bioindústria e a informática. Esbarrou nas limitações orçamentárias do Estado e na incompreensão e indiferença da União para levar adiante a empreitada. Mesmo assim, trouxe para Manaus a Fundação Getúlio Vargas, e propiciou as condições para a formação de gestores e planejadores locais. Em seu currículo, constam as primeiras graduações em filosofia, economia e contabilidade, a partir das quais foi possível a instalação

da Fundação Universidade do Amazonas. Criou a unidade da Embrapa no Alto Solimões, e promoveu a atração de parceiros e recursos para a academia, entre diversas iniciativas para ajustar às condições locais toda a movimentação que Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Taiwan, China e Malásia haviam desencadeado para se tornar produtores e exportadores das lições relacionadas à indústria do conhecimento. Aliás, o conhecimento foi o tema de seu discurso de estreia na tribuna do Senado Federal e sua obstinação por 8 anos. Quando abriu escola para preparar seus contemporâneos na disputa dos concursos federais, em 1950, o professor Mestrinho tinha 22 anos de idade. Foi a primeira oportunidade de promover sua gente a buscar um lugar ao sol pelo brilho do conhecimento. A aposta deu certo: em pouco tempo os primeiros lugares nos concursos para auditor fiscal do Tesouro e funcionário do Banco do Brasil começaram a registrar a presença amazonense. A educação, repetia exaustivamente, é a única maneira de transformar para melhor uma sociedade. E a história das civilizações progressistas está aí para referendar essa convicção. Filho de professora da rede pública, quando governador, cuidou de editar livros didáticos nas línguas indígenas, uma iniciativa eloquente em favor do ensino como valor universal. Revisitar a saga de Gilberto, o timoneiro ausente, neste domingo em que completaria 86 anos de vida - num momento em

que a economia do modelo Zona Franca é bombardeada por todos os lados – significa postular pela bioindústria de fármacos, cosméticos, fibras vegetais e resinas com fins industriais para dinamizar e interiorizar oportunidade. É apostar na educação e na economia do conhecimento, requisitos essenciais do Plano B de bom senso para a ZFM, que reúna biodiversidade com a etnodiversidade e distribuição de novas matrizes do saber e fazer, no rumo certo da agregação de valor que a inovação tecnológica conduz. Por fim, cabe destacar uma constatação dramática, na contramão do ufanismo de um crescimento nominal e circunstancial de faturamento em nome do qual relutamos em parar para acertar. No ensaio “O federalismo brasileiro e a economia amazônica”, que integra a coletânea “1912 – 2012 Cem anos da Crise da Borracha: do retrospecto ao prospecto”, do Corecon-Pará, o economista José Raimundo Vergolino assinala que, no período de 1990-2008, que o Amazonas começa a perder o ritmo seja na evolução do PIB per capita, seja no PIB geral da indústria, agropecuária ou serviços. Ele apresenta (com exceção pontual) o menor índice de crescimento em relação a todos os Estados, mesmo em relação a atividade industrial, que deveria ser nosso trunfo por termos o polo indústria da ZFM. Infelizmente, na premência de apontar novos rumos, permanece vago o cargo de timoneiro na condução dos destinos do Amazonas.

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Temos condições e inadiável obrigação de dar um basta à fragilidade institucional e imponderabilidade legal do modelo econômico vigente, através do estabelecimento de novas matrizes econômicas...”


Economia

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Honda incentiva formação e ganha com resultados JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

S

eis meses após a inauguração, dois grandes investimentos da Moto Honda, em Manaus, o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia (CDT) e o Centro Educacional de Trânsito Honda (CETH) - lançados, respectivamente, em setembro e outubro de 2013 -, começam a dar os primeiros ‘frutos’ no início de 2014. Principal fabricante do segmento de duas rodas no Amazonas, a multinacional japonesa destinou para os empreendimentos R$ 200 milhões. O diretor executivo de relações institucionais do grupo, Paulo Takeuchi, comemora os resultados. Segundo ele, os dois centros já contribuem de forma efetiva para auxiliar a fabricante em desafios futuros. O primeiro centro atua na capacitação de mão de obra local para projetar novos produtos. Já o segundo trabalha na formação de condutores. “Isso demonstra a nossa preocupação com a mobilidade urbana e a segurança no trânsito”, defende. Com mais de R$ 160 milhões aplicados, o CDT, laboratório responsável por desenvolver

novas tecnologias, é um dos projetos que já colhe os primeiros frutos. Segundo Takeuchi, um time de 250 profissionais, formado por engenheiros e técnicos - inclusive amazonenses -, trabalha em soluções, projetando modelos e equipamentos a fim de alcançar a eficiência, redução de custo e adaptação do produto, de acordo com o

EFICIÊNCIA

A Abraciclo projetou para 2014 um ano de pouco crescimento para o setor no PIM. Mas, afirmou que os empresários continuarão injetando recursos ao longo do ano para aumentar a eficiência gosto de cada cliente. O diretor executivo afirma que um grande resultado do centro foi a remodelagem dos chassis dos modelos tradicionais CG 125 e CG150, lançados no final do ano passado. “Elas possuem quatro quilos a menos nos chassis, o que torna a moto mais ágil, confortável, sem perder a resistência. O processo que permitiu a mudança

DIEGO JANATÃ

Funcionários da multinacional japonesa, capacitados no Centro instalado em Manaus, já assinam novos produtos da marca foi desenvolvido em Manaus”, ressalta Takeuchi. Ribeirinhos Outro projeto que está na mira é um estudo para viabilizar melhorias na produção de motores de popa, as popularmente chamadas ‘rabetas’, essenciais ao transporte de famílias moradoras das regiões ribeirinhas. Conforme conta Takeuchi, a demanda foi feita pelo governador do Amazonas, Omar Aziz, durante a inauguração do CDT. “Fiz um apelo por pesquisas com relação à fabricação de motores de rabeta e de popa, com preços mais acessíveis à população. Eles ficaram de fazer esses estudos e consolidar um polo importante”, disse o governador, na ocasião. De acordo com o diretor executivo, a Honda concordou em atender ao pedido por concordar que a missão da Honda é proporcionar mobilidade, seja ela urbana ou ribeirinha. Nesse sentido, Takeuchi diz que os estudos estão sendo feitos e podem incrementar a produção do item. “Estamos preparados para dobrar nossa produção que hoje é de 25 mil para 50 mil unidades. Esses produtos já poderão conter uma tecnologia mais desenvolvida”, adianta.

Paulo Takeuchi comemora remodelagem dos chassis das CGs 125 e 150 pelos técnicos do CDT

CETH forma ‘bons’ condutores O CETH da Honda é o primeiro nesta modalidade instalado na região Norte. Com investimento inicial de R$ 12 milhões, os cursos estão em fase de formatação para treinar até três mil condutores por ano. “O objetivo do curso é conscientizar motociclistas e treinar instrutores de autoescolas, priorizando a segurança no trânsito”, disse o presidente da Honda da

Amazônia, Issao Mizoguchi, durante a inauguração do espaço, em 2013. Takeuchi disse que, para este ano, em parceria com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), o centro treinará, nesse primeiro momento, instrutores de autoescolas e avaliadores de testes. Agentes da Polícia Militar (PM), homens do Exército e do Corpo de Bombeiros estão

entre os profissionais que serão treinados futuramente. A estrutura possui espaço de 75 mil metros quadrados e duas pistas, sendo uma asfaltada para treinamento urbano e outra de terra, para a prática de pilotagem em vias não pavimentadas. O CETH em Manaus é o terceiro construído pela Honda, depois das cidades de Indaiatuba (SP) e Recife (PE).


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Economia

Taxa de serviço: pagar A discussão sobre a cobrança de 10%, destinado ao garçom é antiga. A legislação de hoje considera a prática abusiva, mas, o valor continua sendo vinculado de forma automática, quando o cliente pede a conta nos bares e restaurantes de amazonenses ANDRÉ TOBIAS Especial EM TEMPO

M

esmo com o Código de Defesa do Consumidor estabelecendo a não obrigatoriedade do pagamento da taxa de 10%, bares e restaurantes de Manaus e do país afora continuam cobrando a constrangedora “taxa de serviço” sobre o valor total de consumo dos clientes. A legislação considera prática abusiva exigir esse tipo de vantagem do consumidor. Nessa faca de dois gumes, entre se defender ou evitar o constrangimento, alguns amazonenses seguem para embate com o gerente do estabelecimento, outros preferem evitar tornaremse o centro das atenções. A engenheira ambiental Jéssica Lima, 23, afirma que se sente incomodada com a cobrança automática dos 10% de taxa de serviço, mas nunca deixou de ‘agradar’ os garçons, independentemente do atendimento. “Isso já se tornou quase uma obrigação, uma vez que, a taxa vem discriminada na conta. Pior ainda é quando você é mal-atendido. Essa imposição gera um

mal-estar, diferentemente de quando a pessoa dá por vontade própria, quando é bem atendida”, avalia. O industriário Allan Dymitri é mais incisivo quando frisa ser totalmente contrário a esse tipo cobrança. Para ele, não há necessidade de taxa de serviço, uma vez que o

Quando vamos a uma loja, não pagamos taxa a mais para o funcionário, nem quando deixamos nosso carro num estacionamento Allan Dymitri, Industriário

consumo é feito no local. Ele também questiona o destino dos 10%. “Muitas das vezes somos mal atendidos e ainda assim nos cobraram a taxa. Penso que é obrigação do bar ou do restaurante atender bem o cliente, e nem sabemos se é verdade que os 10% cobrados vai mesmo para o

garçom ou fica no bolso do patrão”, questiona. Gorgeta O gerente geral da churrascaria Búfalo, Jorge Leite, reclama que falta de clareza na legislação que trata sobre o assunto. Ele diz que a bonificação é uma prática comum em outros países, onde os clientes, além de pagar a taxa de serviço, resolvem agradam ao garçom com uma gorjeta a mais. “Nossa empresa paga um salário base aos garçons. Por lei, o pagamento da taxa de serviço não é obrigatório no nosso País, mas o que me espanta é o não reconhecimento dos serviços dos nossos atendentes quando o atendimento é bom. Enquanto em outros países o pagamento dos 10% é comum, aqui há muita discussão sobre isso”, critica Leite. A cervejaria Fellice é um estabelecimento que não cobra os 10%, conforme informou a assessoria de marketing. Localizada na avenida General Rodrigo Otávio, Distrito Industrial, Zona Sul de Manaus, a assessoria afirma que o restaurante bar oferece como atrativo aos seus clientes a ausência dos 10% na conta.


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r ou não, eis a questão

ALEXANDRE FONSECA ARQUIVO EM TEMPO

Destino da taxa depende da empresa O vice-presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Amazonas (AbraselAM), Mário Valle, diz que a cobrança da taxa é uma prática nacional, mas, em nenhum dos casos o pagamento é obrigatório. Como modelo internacional desse tipo cobrança , Valle cita os Estados Unidos da América (EUA), onde, segundo ele, a gorjeta cobrada é de 20%. Sobre o destino dos 10%, Valle lembra que é uma situação que depende do estabelecimento. Segundo ele, alguns estabelecimentos repassam o valor integralmente para o garçom, outros dividem com os colaboradores da cozinha e da limpeza. Valle recorda que, antes os empresários recolhiam o ICMS sobre a taxa. “Mas em 2013, a Abrasel-AM conseguiu isentar esta obrigatoriedade”, salientou.

Na hora de pagar a conta, os clientes ficam entre pagar a taxa ou questionar o estabelecimento

Falta acesso ao valor real final

DIVULGAÇÃO

O garçom Alberto Cruz, 64, já puxou muitas bandejas na vida. Ao longo de seus 42 anos de profissão ele passou por diversos restaurantes e recorda orgulhoso das diversas autoridades que já serviu como governadores e prefeitos. Sobre a polêmica cobrança dos 10%, Seu Alberto lembra que a discussão vem desde a época que estava iniciando a carreira, quando a maioria dos locais não cobrava a taxa. Naquele momento, Alberto conta que a gorjeta era divi-

dia de forma global. “Nos estabelecimentos em que trabalhei e era cobrada a taxa de serviço, o valor era dividido entre todos os funcionários da equipe”, lembra. Ele conta que o problema estava na falta de clareza sobre as informações por parte das empresas. “A falta de acesso à contabilidade dificultava nosso conhecimento sobre o valor real”, ressalta Alberto, que hoje presta serviço para uma instituição pública.

Há 42 ano Alberto Cruz atua como garçom em Manaus


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País

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‘Cabeça’ de prefeita está a prêmio e vale R$ 130 mil A

Reforços Segundo ela, o delegado de polícia da região, José Ricardo, fica em Juína, a cerca de 550 quilômetros de Rondolândia, uma cidade de quatro mil habitantes, no meio da Amazônia. “Já pedi reforço. O secretário de Segurança do Mato Grosso, Alexandre Bustamanti, me disse por telefone que não tinha po-

Ameaças As ameaças à prefeita começaram logo que ela se elegeu por uma vantagem de apenas três votos, embora não relacione o caso ao embate eleitoral. Ela acredita estar sendo vítima de traficantes de drogas e grileiros de terras, numa região que já teve inúmeros assassinatos de políticos, como do ex-presidente municipal do PT, Juarez de Azevedo Gomes, assassinado quatro dias antes de sua eleição em outubro de 2012. Foram assassinados recentemente na cidade também o ex-vereador Rubson de Carvalho, o Rubão, e o líder religioso padre Ezequiel Ramin, que organizou um acampamento de sem-terras no município. “Agora só desejo que me ofereçam segurança e que eu possa voltar para casa. Renunciar à prefeitura eu não vou. Não posso viver a vida toda aqui em Brasília. O que me incomoda mais é o silêncio das autoridades do Mato Grosso para minhas denúncias e relatos”, disse. Antes de ficar sob proteção da Secretaria de Direitos Humanos, no meio da semana, a prefeita denunciou o caso ao presidente nacional do PT, Rui Falcão, que acionou o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo.

PRECAUÇÃO

Criminosos informaram à prefeita que uma motocicleta e armas já teriam sido compradas para executá-la. Jovem, de 36 anos, a prefeita “retirou” da cidade o marido e dois filhos (de 5 e 10 anos) liciais para me dar segurança. Não é só para mim, é para a cidade, que vive insegura. A polícia me aconselha a contratar um guarda. Legalmente não posso contratar um policial. Querem que eu contrate um jagunço?”, reclamou a prefeita por telefone, em Brasília, quando passava por avaliação de psicólogos da Secretaria de Direitos Humanos.

ABR

meaçada de morte por grupos do crime organizado na cidade que administra, a prefeita Bett Sabah (PT), de Rondolândia, na divisa do Mato Grosso com Rondônia, uma das regiões mais violentas do oeste brasileiro, está há uma semana refugiada em Brasília, sob proteção da Secretaria de Direitos Humanos. Ela denunciou à ministra Maria do Rosário as ameaças que vem recebendo: um “emissário” de um desses criminosos fez chegar ao gabinete da prefeita que a sua “cabeça” está a prêmio por R$ 130 mil e que uma motocicleta e armas já teriam sido compradas para executá-la. Jovem, de 36 anos, ela deixou a administração da prefeitura com o vice-prefeito Jair Cerqueira e “retirou” da cidade o marido e dois filhos (de 5 e 10 anos). “Eu quero que as autoridades descubram quem está me colocando entre os marcados para morrer na cidade. Eu deduzo quem deseja minha morte, mas não posso dar nomes para não ser leviana. Isso cabe à polícia investigar, mas o problema é que Rondolândia têm apenas três PMs e dois policiais civis, que trabalham em regime de plantão, em duplas”, declara.

REPRODUÇÃO

Criminosos intimidam prefeita de Rondolândia, na divisa do Mato Grosso com Rondônia, e mandam avisá-la sobre execução

Prefeita começou a receber as ameaças e retirou da cidade o marido e dois filhos, de 5 e 10 anos

IDOSOS

TCU investiga falsos casamentos

Técnicos do TCU detectou “indústria” de casamentos forjados

O pente-fino que o Tribunal de Contas da União (TCU) é obrigado a fazer nas pensões pagas pelos órgãos públicos federais tem detectado, cada vez mais, casamentos e uniões estáveis entre parceiros com uma grande diferença de idade. O fenômeno alimenta a suspeita de relações forjadas por servidores no fim da vida, para assegurar pagamento de pensões vitalícias aos respectivos cônjuges.Companheiros também são suspeitos de simular a relação, com ou sem anuência do servidor, para ter as pensões. Levantamento inédito da Secretaria de Fiscalização de Pessoal (Sefip) do TCU dá uma

dimensão do prejuízo aos cofres públicos em razão de pagamentos irregulares do benefício. A Sefip listou 25 casos de pensões em que o casamento ou a união estável envolviam parceiros com diferença de idade de 36 a 60 anos. Em todas as situações, o plenário do tribunal identificou irregularidades na concessão do benefício e determinou sua interrupção. Até isso ocorrer, pensões foram pagas por décadas a fio, pois os beneficiários eram jovens, e os pagamentos são vitalícios para cônjuges, conforme previsto na Lei dos Servidores Públicos Federais. O total pago pela União, somente nos casos dessas 25

FENÔMENO

Para os fiscais do TCU, o fenômeno alimenta a suspeita de relações forjadas por servidores no fim da vida, para assegurar pagamento de pensões vitalícias aos respectivos cônjuges pensões, chegou a R$ 30,4 milhões. A diferença de idade não foi determinante para a constatação da irregularidade no pagamento, uma vez que não há previsão legal para esse aspecto envolvendo servi-

dores e pensionistas, ressalta o próprio TCU. Também não está por trás da decretação da ilegalidade uma eventual simulação de casamento ou união estável. Em apenas um caso, a pensão foi considerada irregular por falta de comprovação da união estável. A diferença de idade entre uma servidora do Ministério da Saúde em Minas e o pensionista era de 49 anos. Em 38 anos de pagamentos ilegais, desde a morte da servidora, o beneficiário recebeu R$ 866,6 mil dos cofres públicos. O TCU decretou a ilegalidade em junho de 2011 e decidiu que os valores recebidos indevidamente não devem ser devolvidos.


País

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

ALSTOM

Justiça bloqueia R$ 9,8 mi A Justiça Federal de São Paulo determinou o bloqueio de bens de cinco dos 11 acusados de participar de um suposto esquema de pagamento de propina a políticos e servidores públicos do Estado de São Paulo pela multinacional francesa Alstom durante governos do PSDB. As propinas teriam sido pagas entre 1998 e 2002, nas gestões dos tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin. O bloqueio foi determinado a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Os valores bloqueados se referem a aplicações financeiras que somam R$ 9,8 milhões. Segundo o MPF, a maior quantia pertence a Romeu Pinto Junior, que teve R$ 7,9 milhões bloqueados. O sequestro de bens se estende também a Jorge Fagali Neto (R$ 1,3 milhão), José Geraldo Villas Boas (R$ 470 mil), Sabino Indelicato (R$ 71 mil) e Jean Pierre Charles Antoine Courtadon (R$ 53 mil). Contas No total, o juiz federal Marcelo Costenaro Cavali determinou o bloqueio de R$ 32,5 milhões dos cinco réus, mas várias contas bancárias apresentavam saldo insuficiente ou nulo, o que impossibilitou o cumprimento integral da decisão. Na última terça-feira, 18, a Justiça Federal recebeu a denúncia oferecida pelo MPF e definiu a abertura de processo contra os 11 acusados de envolvimento no caso. Além dos citados acima, são réus Jonio Kaham Foigel, Thierry Charles Lopez, Daniel Maurice Elie Huet, Cláudio Luiz Petrechen Mendes, Celso Sebastião Cerchiari e José Sidnei Colombo Martini.

B7

Exigência de simulador em autoescola pode ser barrada Em regime de urgência, deputados se articulam para votar projeto que anula decisão do Contran

O

s deputados devem votar, ainda esta semana, projeto de decreto legislativo que derruba a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que obriga as autoescolas a realizarem aulas práticas em simuladores de direção. Na semana passada, o plenário aprovou requerimento para que a proposta seja analisada em regime de urgência. A exigência enfrenta resistência das autoescolas, que reclamam da elevação de custos. O pedido de votação foi encaminhado pelo líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), também autor de uma ação popular que tenta suspender na Justiça a decisão do Contran. Segundo Mendonça Filho, a obrigatoriedade do uso de simuladores vai aumentar de 20% a 30% o custo para o motorista tirar a carteira de habilitação. A expectativa do deputado é que a proposta seja votada nesta semana. “Essa exigência é absurda, pois favorece apenas quatro empresas que detêm a tecnologia dos simuladores, que custam R$ 40 mil cada um, fora os gastos com manutenção. Além disso, não há justificativa técnica e paralelo no mundo para obrigar os candidatos a motoristas a se submeterem ao curso com os simuladores”, alega o líder do DEM. De acordo com a resolução, a prática no simulador deve ter carga horária total de cinco horas, divididas em aulas de 30 minutos, com intervalo de 30 minutos. A aula deve ser dada após o início da parte teórica e antes da expedição da licença para aprendizagem de direção veicular, ou seja, da aula prática.

DIVULGAÇÃO

Parlamentares contestam órgão federal de trânsito de que não há comprovação de que simuladores ajudam na redução de acidentes

Não há comprovação de eficiência, diz deputado Autor do projeto de resolução, o deputado Marcelo Almeida (PMDB-PR) diz que não há qualquer estudo que mostre a eficácia da medida na redução do número de acidentes. “Na Europa e nos EUA o uso de simuladores não faz parte do processo de formação de condutores, o que nos leva a refletir sobre a real necessidade desse

tipo de aula como requisito para obter a habilitação”, afirma o peemedebista. A resolução do Contran obrigava as autoescolas a oferecerem aulas em simuladores a partir do dia 1º de janeiro de 2014. Mas, na semana passada, o órgão acabou adiando a exigência para 30 de junho, reconhecendo dificuldades para

as autoescolas se adaptarem à nova regra. Útil Outro programa que, afinal, começa a sair da longa preparação é o Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav). Pela primeira vez se tornará possível conhecer e controlar

a verdadeira frota brasileira, pois carros novos e usados terão etiquetas eletrônicas em curto prazo. A iniciativa vai bem além de apenas facilitar os que pagam impostos em dia. Há várias aplicações em mobilidade urbana, gestão do trânsito, integração de planejamento e informações entre os três níveis de governo.


Mundo

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

EUA estudam usar bombas atômicas contra asteroides REPRODUÇÃO

É

um dos maiores terrores do mundo moderno: a ameaça de que um asteroide colida com a Terra e acabe com a vida no planeta. Agora, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Iowa, nos Estados Unidos, propõe combater essa ameaça com outro horror contemporâneo: armas atômicas. Bong Wie, líder da equipe do Centro de Pesquisa de Deflexão de Asteroides, apresentou a pesquisa no começo do mês, em um encontro promovido pela Nasa na Universidade Stanford, Califórnia. E agora ele quer testá-la numa missão espacial de verdade. O pesquisador diz que sua estratégia pode impedir que asteroides de grande porte (até

2 km de diâmetro) prejudiquem a vida na Terra, mesmo que o alerta de impacto seja dado com pouco tempo. Até então, todas as estratégias discutidas pelos cientistas para desviar um bólido celeste que pudesse estar em rota de colisão com a Terra exigiam um aviso prévio de mais de 10 anos. Solução O trabalho de Wie não é o primeiro a sugerir que bombas atômicas pudessem fazer esse serviço, mas sempre se considerou que uma explosão nuclear na superfície de um asteroide desse porte fosse incapaz de detoná-lo em pedaços suficientemente peque-

nos para que queimassem na atmosfera terrestre sem nos causar perigo. A novidade do trabalho de Wie é pensar no problema como fez Bruce Willis, no filme-pipoca “Armageddon” (1998). Na ocasião, o ator interpretava um especialista em escavar poços de petróleo que foi transformado em astronauta para abrir um buraco fundo num asteroide, a fim de detonar uma bomba nuclear lá dentro. O princípio era sólido, uma explosão dentro do bólido teria um poder cem vezes maior de quebrá-lo em pedaços, uma vez que a energia seria praticamente toda dissipada no próprio asteroide.

ETA começa a retirada de arsenal

HRW condena excessos e perseguições na Venezuela

Estudos indicam que a ameaça de colisão de um asteroide com a Terra desperta em cientistas o uso de armas nucleares

Grupo de pesquisadores americanos propõe combater a ameaça de asteroides com armas atômicas

CESSAR-FOGO

CENSURA

A organização Human Rights Watch (HRW) condenou os excessos contra manifestantes durante os protestos dos últimos dias na Venezuela, além de criticar fortemente a censura e ameaças aos veículos de comunicação. “O governo venezuelano tem adotado abertamente as táticas clássicas de um regime autoritário: prender seus oponentes, calar a mídia, e intimidar a sociedade civil”, disse o diretor da HRW, José Miguel Vivanco, em comunicado publicado no site da entidade. A organização denunciou que forças de segurança usaram força excessiva e ilegal contra os manifestantes em diversas ocasi-

ões durante os protestos iniciados no último dia 12. Segundo a instituição, “inclusive batendo nos detidos e atirando em multidões de pessoas desarmadas”. A HRW pediu ainda que o governo venezuelano respeite a liberdade de expressão e de reunião. Eles explicaram que grupos de direitos humanos locais relataram que os manifestantes foram abusados na prisão. O Human Rights Watch revelou que o Centro da Universidade Católica Andrés Bello Direitos Humanos examinou informações de mais de 90 casos de manifestantes detidos em Caracas, e constataram que sofreram abusos enquanto estavam detidos. REPRODUÇÃO

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Onda de protestos na Venezuela já provocu oito mortes

A organização separatista armada basca ETA começou a “retirar de uso uma quantidade determinada de armas”, anunciou uma comissão de verificação do cessar-fogo, integrada por especialistas internacionais. A comissão “verificou que o ETA lacrou e retirou de uso operacional uma quantidade determinada de armas, munição e explosivos, o que foi gravado em vídeo”, afirmou o presidente da Comissão, o cingalês Ram Manikkallingam. Emissoras internacionais mostraram as imagens de dois encapuzados do ETA entregando armas e munições a especialistas internacionais. O próprio Manikkallingam aparece no vídeo. A cena é dominada por uma reprodução de “Guernica“, de Picasso, wvna parede atrás da mesa onde estão as armas. No canto esquerdo, um cartaz mostra a imagem de um machado e uma cobra enrolada, anagrama do ETA. “Verificamos que o ETA tirou do uso operativo uma quantidade determinada de armas, munições e e explosivos. Temos que fazer o inventário e depois mostraremos o arsenal”, disse o presidente da comissão.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO

Pequenas escolas abrem desfile Dia a dia C8

Correndo contra o tempo No próximo sábado deve acontecer, caso sambódromo seja liberado, o esperado desfile das escolas de samba do Grupo Especial. Andanças de Ciganos e Unidos do Alvorada “farão as honras” na abertura das apresentações

M

esmo com a indefinição sobre a liberação do sambódromo até a última sexta-feira (21), as escolas de samba do Grupo Especial de Manaus estão em uma corrida contra o tempo para repetir o espetáculo carnavalesco de todos os anos. O desfile acontecerá no próximo sábado (1º), a partir das 20h. Localizada no centro comercial de Manaus, a rua Marechal Deodoro será o enredo da escola Andanças de Ciganos, que abrirá as apresentações do Grupo Especial, com o enredo “Vou às compras, que legal, meu destino é a Marechal”. “Falar da rua Marechal Deodoro, fazer homenagem ao coração do comércio popular em nossa cidade, falar do povo, da simplicidade, da alegria, das festas, do sentimento de presentear, da superação de quem viveu muitas dificuldades como grandes incêndios e mostrar a criatividade de uma rua que a cada ano supera as grandes dificuldades com o apoio popular. Esse é nosso objetivo”, comenta o presidente da escola, Vilson Benayon Filho. Fundada em 1975 na Cachoeirinha por um grupo de amigos, a escola teve seu primeiro título no Grupo Especial em 1984 e possui 20 títulos de campeã e oito de vice-campeã. Na passarela do samba, a escola levará para o sambódromo quatro carros alegóricos, 3,3 mil brincantes em 22 alas, 60 baianas,

200 ritmistas e 14 bailarinos na comissão de frente, que representarão os comerciantes do mundo chegando à nossa cidade. As fantasias estão à venda na quadra da escola, na rua Borba, Cachoeirinha. “José Aldo: prata da casa, ouro do mundo” é o enredo que a Unidos do Alvorada levará para passarela do samba no próximo sábado, a partir das 21h20. Em busca do seu primeiro titulo, a escola fará uma homenagem ao filho ilustre do bairro Alvorada, lutador internacionalmente conhecido, José Aldo. O lutador nascido em Manaus cresceu no bairro Alvorada, partindo aos 16 anos para o Rio de Janeiro, onde morou por algum tempo na própria academia onde treinava. Com ajuda de amigos também lutadores, foi dando os passos na carreira, chegando em 2010 a ser considerado o melhor lutador de MMA do mundo dentre todas as categorias. A Unidos do Alvorada aposta na riqueza do enredo e na história de vida do lu-

tador amazonense com quatro carros alegóricos, três tripés, 3,2 mil brincantes divididos em oito alas, 300 ritmistas, cem baianas e quatro casais de mestre-sala e porta-bandeira. Com os trabalhos em ritmos acelerados no barracão, a escola já está com 70% dos trabalhos concluídos. “Entraremos no sambódromo para surpreender, com vontade de ganhar. Levaremos a história de um guerreiro, de um ídolo mundial. Esse Carnaval já era sonhado há mais de três anos e será totalmente diferente, idealizado por pessoas jovens, altamente técnico e para cima”, comenta o presidente da escola, Heiroldo Linhares. Fundada em 15 de maio de 1995, a escola teve sua estreia na passarela do samba em

1998, no grupo de acesso, e em 1999 já estava participando do Grupo Especial. Desde então, vem lutando para conseguir o tão sonhado campeonato, ficando em segundo lugar em 2013 com o enredo “A beleza está nos olhos de quem vê”. Os ensaios estão acontecendo na frente do lanche do Jacaré (sede da es-

cola), de quarta a domingo, a partir das 20h. Neste domingo, acontece o último arrastão da escola pelas ruas do bairro. As

fantasias já estão à venda na esquina da avenida B com a rua 8, no Alvorada.

FOTOS: DIEGO JANATÃ

GERSON FREITAS Especial para o EM TEMPO


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Dia a dia

Estrelas e mito

Grêmios recreativos A Grande Família, do bairro São José, Zona Leste, e Balaku Blaku, do Centro, Zona Sul, apostam na ousadia para disputar o título de escola campeã do Grupo Especial do Carnaval 2014, no finalzinho da noite de sábado

FOTOS: DIEGO JANATÃ

GERSON FREITAS Especial para o EM TEMPO

O

grêmio recreativo A Grande Família, o “Galo da Zona Leste”, exaltará este ano Ednelza Sahdo, dama do teatro amazonense com mais de 50 anos de carreira e que durante 30 anos carregou a responsabilidade de ser porta-bandeira de várias escolas de samba de Manaus – e deixou claro que o amor à primeira vista aconteceu pela Mocidade de Aparecida. Ela é considerada a maior porta-bandeira de todos os tempos do Carnaval amazonense. Terceira escola a desfilar no sambódromo em 1º de março, às 22h40, A Grande Família levará para a avenida do samba o enredo “Ednelza Sahdo – uma estrela em cena”. Com orçamento de R$ 850 mil, a escola apresentará uma megaestrutura com seis carros alegóricos, um tripé, 26 alas, 280 ritmistas, 90 baianas e 21 componentes na comissão de frente. Segundo o carnavalesco Luizinho Andrade, a escola vai investir pesado na emoção pelo fato de ser “uma história linda, uma história culturalmente rica, de uma mulher 100% cultura”. “Os pontos altos do desfile ficarão por conta da bateria e comissão de frente”, disse. O carnavalesco comentou que a bateria virá na frente do carro abrealas. “Será a primeira vez que

isso acontece no Carnaval de Manaus e será a grande aposta d’A Grande Família”, disse Luizinho. Os ensaios estão acontecendo de quarta a domingo

ARTE

Terceira escola a desfilar no sambódromo em 1º de março, A Grande Família homenageará a atriz Ednelza Sahdo, considerada a maior porta-bandeira de todos os tempos do Carnaval local

na quadra da escola, localizada na rua Careiro, São José Operário. As fantasias estão à venda no local e ficarão disponíveis até o dia do desfile, variando de R$ 50 a R$

100. Neste domingo, acontece o último arrastão a partir das 17h pelas ruas do bairro. História A escola foi fundada em 1986 como bloco de enredo. Em 1994, foi convidada pela Associação do Grupo Especial das Escolas de Samba de Manaus a desfilar. Nessa ocasião destacou-se com o enredo que versava sobre a lenda do guaraná. A Grande Família conquistou seu primeiro título em 2001 com o enredo “As Amazonas: mulheres guerreiras e figurativas. Zona Leste circuito da alegria”. Atualmente, guarda cinco títulos de campeã no Grupo Especial e tenta resgatar mais uma taça para a comunidade vermelha e branca.


MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

C3

os no Carnaval Ópera indígena em plena avenida

Quarta escola a desfilar no sambódromo a partir da meia noite de domingo (2), a escola Balaku Blaku, com o enredo “Marapatá, a ilha encantada dos mitos, portal de Manaus, passarela dos mitos”, mostrará em quatro atos, divididos em blocos os mistérios e os mitos que envolvem a ilha de Marapatá. Uma ópera indígena vai narrar a história de um índio denominado Marapatu. Lançado por sua mãe nas águas do rio para se salvar da grande destruição feita por um pajé do mal, o grande guerreiro Marapatu encontrará a força nas cidades do interior do Amazonas: de Parintins, será a força dos índios e dos bumbás Garantido e Caprichoso; de Itacoatiara, dos poetas; de Presidente Figueiredo, das cachoeiras; e de Maués, a força vem do guaraná. Com um orçamento de R$ 600 mil, a escola trará para a avenida do samba quatro carros alegóricos, um tripé, 3,2 mil brincantes, três casais de mestre-

sala e porta-bandeira, 230 ritmistas, 21 alas e cem baianas. “Traremos algo inovador e surpreendente, coisas assustadoras, carros escuros, algo nunca visto no Carnaval de Manaus e nem do Rio de Janeiro. A escola passou por uma grande transição.

LENDA

O enredo da Balaku Blaku mostrará em quatro atos os mistérios e mitos que envolvem a ilha de Marapatá, onde o guerreiro Marapatu tira suas forças das cidades do interior Mesmo com todas as dificuldades, unimos as forças para fazer um grande Carnaval. Seremos ousados e diferentes, vamos brigar pelo título”, disseram os membros da comissão de arte da escola, formada por Betinho, Marco Jr. e Irlene Mourão.

Os ensaios estão acontecendo na quadra da escola, localizada na rua Isabel, Centro, de terça a domingo, a partir das 20h. Para quem estiver interessado em desfilar pela agremiação, as fantasias já estão à venda na quadra por R$ 60. Origens A escola, que tem como o símbolo a águia com a cores vermelha e branca, foi fundada em 22 de outubro de 1977, no Centro, entre as ruas Isabel e Lima Bacuri. A Balaku Blaku teve sua primeira participação no Grupo Especial em 1992, e em 2001 conquistou seu primeiro título com o enredo em homenagem a Nilton Lins, dividindo o título com mais três escolas. Inovando a cada ano, a escola homenageou a banda paraense Calypso em 2007, e no ano seguinte homenageou um dos maiores bailarinos brasileiros, conhecido internacionalmente, o amazonense Marcelo Mourão.

Confecção de alegorias segue em ritmo frenético para o desfile da GRES A Grande Família

Artista da Balaku Blaku prepara detalhe de um dos carros alegóricos: histórias indígenas


C4

Dia a dia

Homenagens e Enquanto a Mocidade Independente de Aparecida trata da importância do centro de Manaus e sua revitalização, Reino Unido da Liberdade contará seus 33 anos de história no desfile que acontecerá na madrugada de domingo, 2 de março IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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om o enredo “Centro de amor, Centro de vida: História e alma de um povo”, a escola Mocidade Independente de Aparecida, que já arrebatou 19 títulos desde sua criação em 1980, fará uma homenagem ao centro da cidade, que acolhe cerca de 200 mil pessoas principalmente durante os festejos de fim de ano. Além de apontar a importância econômica do Centro, a Aparecida também vai ressaltar a importância do respeito ao espaço público. “Este é um tema bastante oportuno, o Centro está na alma do manauense. Lá é onde tudo começou, passa hoje por revitalização, mas queremos apontar suas mazelas, queremos fazer um alerta sobre o que o centro esta precisando e todas as coisas que precisam ser feitas para o manauense sentir orgulho do centro da cidade”, ressaltou o presidente Luiz Pacheco. Neste ano, a escola verde e branco vai desfilar à 1h20

de 2 de março com 3,8 mil componentes divididos em 20 alas, cinco carros alegóricos e dois tripés. Haverá 80 baianas, 260 ritmistas na bateria, quatro casais de mestre-sala e porta-bandeira, e 15 componentes na comissão de frente. Segundo o presidente, a escola deverá inovar na comissão de frente e bateria. “A Aparecida sempre inova na avenida. Este ano não será diferente. Teremos uma comissão de frente diferenciada, a bateria tem desenvolvido um ritmo e cadência inovadora e o resto só assistindo porque é segredo”, ressaltou Pacheco. Diferentemente de outras escolas, o presidente apontou que os trabalhos no barracão iniciaram cedo, em agosto de 2013. “A Aparecida, escola de vanguarda, começou um pouco mais cedo para evitar qualquer atraso. Estamos na fase de acabamento dos carros alegóricos e fantasias. As alas, mestre-sala e porta-bandeira, bateria estão prontas. As baianas estão só na fase de acabamentos. Daqui a alguns dias terminamos tudo”, assegurou. Ele

ressaltou que o adiantamento do início dos trabalhos, a interdição dos barracões durante dez dias - requerida pelo Ministério público do Estado (MPE) no mês de janeiro - não influenciou no cronograma da escola. Entre a verba repassada pelo governo, prefeitura e

NÚMEROS

Este ano, a Mocidade Independente de Aparecida vai desfilar com 3,8 mil componentes divididos em 20 alas, cinco carros alegóricos e dois tripés, mais 80 baianas, 260 ritmistas de bateria patrocinadores, o desfile da “Pareca” custará cerca de R$ 800 mil. “Não desfilamos por desfilar e sim para disputar o título. Dessa vez não vai ser diferente, vamos para avenida com esse espírito de 19 títulos conquistados. A Aparecida nasceu vitoriosa”, apontou. Quem quiser desfilar pela

Aparecida, ainda pode adquirir as fantasias na quadra da escola de samba, na rua Ramos Ferreira, 102, no bairro Aparecida. Os preços variam de R$ 120 a R$ 150. Reino Unido Mais de três décadas de participação da escola Reino Unido da Liberdade no Carnaval amazonense será narrado pela própria agremiação durante o desfile no próximo domingo (2), a partir das 2h40. Segundo a diretoria, o enredo “No reino do Carnaval já sorri, chorei, sambei, e a liberdade conquistei”, será defendido por pelo menos 4, 5 mil brincantes, espalhados em 28 alas e com cinco carros alegóricos. “O ‘Morro’ este ano faz uma auto-homenagem. Levaremos para avenida nossa própria história. São 33 anos de samba, é uma homenagem merecida”, ressaltou o presidente Ney Rodrigues. A uma semana do desfile, os trabalhos no barracão estão a todo vapor, com a atenção voltada aos carros alegóricos. “A escola virá

grande. Estamos finalizando as soldagens e ferragens dos carros para colocação dos adereços. As fantasias já estão sendo confeccionadas. Os protótipos já estão todos prontos”, salientou. Segundo Rodrigues, a escola do Morro trabalha com orçamento de aproximadamente R$ 390 mil repassados pelo Estado e pela prefeitura.

Nos galpões, artistas acertam o ritmo para levar ao sambódromo a beleza das grandes alegorias que encantam os torcedores


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e muita garra FOT

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Alegorias em acabamento na quadra do Reino Unido da Liberdade: história de samba na passarela

Surpresas e novidades na pista

Na avenida, a Reino Unido promete surpreender o público com novidades na bateria e comissão de frente. Sem revelar muitos detalhes, o presidente apenas adiantou que a comissão virá com o máximo de integrantes permitidos nas normas, ou seja, 15 bailarinos. Com um histórico de oito títulos conquistados e oito vicecampeonatos, a Reino Unido da Liberdade já sonha com a conquista da vitória deste ano. “Estamos a todo vapor,

com ensaios de segunda a sexta, na frente da quadra e nas ruas do Morro. No domingo (hoje) realizaremos ensaio técnico com todos quesitos da escola, inclusive com a bateria ‘furiosa’ do mestre Iron Maciel”, destacou. As fantasias estão sendo vendidas na quadra da escola, localizado na rua São Pedro, Morro da Liberdade. Os preços variam de R$ 100 a R$ 200. A escola nasceu em 1981, como um bloco no bairro Morro da Liberdade, Zona Sul, em

uma brincadeira de amigos na rua Santa Rosa. Cinco anos depois se transformou em escola, e em 1987 entrou no Grupo Especial. Em 1989, conquistou o primeiro título com o samba-enredo “Mãe Zulmira, o amanhecer de uma raça”, e em 1990 veio o bicampeonato com “Vem a mais de mil”. O último título veio em 2012, com a homenagem ao padre salesiano Dom Bosco, “Um menino, um sonho, uma obra - o amor de Dom Bosco virou realidade”.

As duas escolas agilizam os preparativos para disputar o título de campeã do Carnaval


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Dia a dia

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Motos, modernidade, IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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erca de 3 mil brincantes da Sem Compromisso, a escola do tucano preto e amarelo, vão levar para a avenida, a partir das 4h de domingo (2), a história das motocicletas. O enredo “Máquinas da liberdade, que incendeiam os corações: a história da motocicleta, desde Leonardo Da Vinci”, terá o cantor Arlindo Júnior como intérprete. A história do veículo de duas rodas irá tomar a avenida ao longo das 22 alas, com cinco carros alegóricos, 250 ritmistas na bateria, 120 destaques e quatro casais de mestre-sala e porta-bandeira. O diretor de Carnaval, Getúlio Lobo, explicou que adaptou o tema, sugerido pelo vereador Bosco Saraiva. A menos de dez dias do desfile, as equipes da Sem Compromisso estão envolvidas ainda com a construção das ferragens dos carros alegóricos. “A parte de adereço vamos deixar para a última semana, estamos atrasados porque o dinheiro ainda não foi liberado. Sempre terminamos metade dos carros em janeiro e o restante em fevereiro. Este ano atrasou o cronograma”, informou. A escola aguarda ainda a chegada de alguns adereços como plu-

mas que vem de São Paulo. Segundo Lobo, o andamento dos trabalhos sofreu atraso por conta da morosidade do repasse da verba da prefeitura e do Estado. “Acho que todas as escolas estão com 50% por fazer. Ainda não recebemos da prefeitura e estamos com uma parcela do Estado retida. Todas as escolas devem estar em atraso e com a dificuldade como nunca ninguém teve. Ainda tivemos também

A Sem Compromisso vai contar a história das motocicletas ao longo de 22 alas, com cinco carros alegóricos, 250 ritmistas na bateria, 120 destaques e quatro casais de mestre-sala e porta-bandeira

de pedra”, defendeu. Metade das fantasias será doada à comunidade na Zona Norte, que tem contribuído com a escola, como grupos folclóricos, costureiras e todos que participam ativamente do grêmio. A outra parte será vendida no valor de R$ 50, na sede na rua Comendador Clementino e na avenida Margarita (rua principal), em frente ao supermercado, no bairro Nova Cidade. A escola surgiu no Centro, como bloco em 1978, numa brincadeira entre amigos da rua Comendador Clementino. Já conquistou dois títulos, 12 pratas e 13 bronzes. O primeiro título foi conquistado em 1986 com o samba-enredo de Anibal Beça, “Joana Galante: axé dos orixás”. Neste ano, os ensaios foram transferidos para quadra no bairro Nova Cidade, Zona Norte.

a interdição do sambódromo. Acho que falta mais apoio à cultura popular, o folclore, o Carnaval, as coisas nossas. Ajudaria se o edital tivesse sido liberado em julho de 2013 e não em novembro como foi, para adiantar o trabalho. Mas acreditamos que no final vai dar tudo certo, tudo vai acontecer. O amazonense está acostumado a tirar leite

Vitória-Régia A extinção das senzalas e do trabalho escravo no Amazonas, quatro anos antes que o resto do Brasil, será contado na avenida pela Vitória-Régia. Cerca de 4,5 mil componentes defenderão o enredo “Da África ao Amazonas, da escravidão à liberdade – 130 anos da abolição da escravatura”, pela escola que irá encerrar os desfiles do Grupo Especial, às 5h30 de domingo (2).

EVOLUÇÃO

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Duas últimas escolas de samba a entrarem na avenida, no amanhecer do próximo domingo, Sem Compromisso e Vitória-Régia superam as dificuldades e correm contra o tempo para finalizarem suas tarefas e realizarem seus desfiles

Fantasias da escola de samba Vitória-Régia: saindo com garra mesmo sem repasse do governo


Dia a dia

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escravos e liberdade Elementos da cultura africana O desfile da verde e rosa virá em 28 alas e cinco carros alegóricos, que deverá explorar diversos elementos da cultura afro. De acordo com o presidente Ivan Martins, mesmo sem o repasse do dinheiro integralmente, a escola não amarga atrasos no cronograma. “Estamos com um adiantamento bom, os carros estão bonitos, não reaproveitamos nada, compramos ferro novo, tudo novo. A escola está gastando o que não tem, mas está ficando bonito e as fantasias também. Queremos entregar tudo dois dias antes”, salientou o presidente. Ele explicou que os investimentos da agremiação estão na faixa de R$ 800 mil e, mesmo sem ter recebido todo repasse do governo, o grupo está confiante com o trabalho que vem sendo desenvolvido no barracão, nos ensaios com os artistas e, claro, apostando na vitória. “Estamos usando o nosso dinheiro mesmo. Tem que fazer, se não fizermos vamos passar vergonha. Menos que R$ 800 mil não dá para fazer. Nosso objetivo é ganhar. Não gosto de entrar para perder. Tem que respeitar a Vitória Régia, essa nova diretoria

não veio para brincar”, afirmou o presidente. Fundada em 1975 pelos moradores do bairro Praça 14, zona Sul, a escola já acumulou 12 vitórias e seis segundos lugares. A última conquista foi em 2010 com o enredo “Cantando o Pensamento na Amazônia, a Verde e Rosa Saúda os

ORÇAMENTO

800 MIL

é o investimento feito pela Vitória-Régia para o desfile deste ano, mesmo sem repasses Imortais”. Nos últimos três anos, a escola conquistou a 6ª posição, em 2011 e 2012 e a 7ª no ano passado, com o enredo “O centenário do Nacional em verde e rosa no nosso Carnaval”. Quem quiser desfilar pela Vitória-Régia, as fantasias, no valor de R$ 100 estão à venda na rua Emílio Moreira, 1.192, no centro. Alegorias em processo acelerado de conclusão na escola Sem Compromisso: uma história sobre duas rodas contada em samba

DIEGO JANATÃ

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Pequenas e cheias de gás DIEGO JANATÃ

Escolas dos grupos de acesso A, B e C abrirão os desfiles no centro de convenções nos dias 27 e 28 de fevereiro

GERSON FREITAS E IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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brindo os desfiles no sambódromo, as escolas de samba do grupo C desfilam na próxima quinta-feira (27), a partir das 21h. A avenida será tomada pelos brincantes da Gaviões do Parque, Vila da barra, Leões do Barão Açu, Legião de Bambas e Império do Mauá. A “Etnia Saterê Maué” será homenageada pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Gaviões do Parque que sai com mil brincantes em dez alas. “Vamos contar a história de uma tribo indígena de Maués que foi extinta. É muito importante mostrar aos jovens sobre os povos que fizeram parte de nossa história”, disse o diretor de Carnaval Márcio Jean de Almeida, e adiantou que o famoso ritual da tucandeira será encenado na avenida. As fantasias estão expostas na rua 11, conjunto Castelo

Branco, no Parque 10. Quem quiser desfilar basta ir ao endereço e levar um quilo de alimento não perecível, que após o desfile será distribuído em instituições escolhidas pela escola. Os 1,2 mil brincantes da escola de samba Vila da Barra levarão para avenida o tema “Café, o mito, a história, uma mania que percorreu o mundo e chegou ao Brasil”. A história de uma das bebidas mais populares do país será contada durante 40 minutos, ao longo do desfile de 12 alas e dois carros alegóricos da escola. As fantasias estão disponíveis no valor de R$ 20 e o aluguel do destaques a R$ 200 na sede, localizada na avenida Brasil, 2.000, no bairro São Jorge. Com o enredo “Manaus, sol, calor humano” a escola de samba Leões do Barão Açu vai defender a capital das críticas do treinador da seleção inglesa, Roy Hodgson, que considerou a cidade como a sede que deveria ser evitada, por ter condições climáticas

não tão agradáveis. “Hemoam é sangue bom!” é o samba-enredo que a escola Legião de Bambas levará pra avenida na próxima semana. Serão mil brincantes divididos em 11 alas e dois carros alegóricos. Com o samba-enredo “No império do Mauá, Ajuricaba vem reinar”, a escola Império do Mauá invadirá a avenida as 22h30, na próxima quintafeira (27), com 800 brincantes, sete alas e um carro. A escola surgiu em 1988 como bloco, responsável em animar os brincantes pelas ruas do bairro Mauazinho, Zona Norte. Em 2008 tornou-se grêmio recreativo, quando passou a participar dos desfiles no sambódromo. “A comunidade, por intermédio da família Oliveira criou o bloco. E eu fundei o grêmio recreativo, legalizamos”, disse o presidente Fernando de Souza. As fantasias não serão vendidas e sim doadas à comunidade. “Também teremos um ônibus de graça para levar

a comunidade e buscar para desfile no sambódromo. A saída está marcada para as 19h e traz com segurança. Tudo para incentivar os participantes”, salientou o presidente. Na sexta-feira (28), os grupos B e A, nessa ordem, continuam os desfiles. O primeiro, a partir das 20h, é representando pelas escolas Unidos da Cidade Nova (tema “Yara, a guerreira das águas”), Ipixuna (“Tem fogueira e balão e a Ipixuna faz adivinhação”), Meninos Levados da Praça 14 (“Garantido Show: a riqueza coreográfica da Amazônia”), Mocidade da Raiz (“O mundo de Walt Disney”), Império do Havaí (“Omar: responsabilidade e seriedade”) e Mocidade Independente do Coroado (“Novo Aripuanã: terra do tucumã, portal onde se encontra o sol predileto”). No grupo A, a escola Acadêmicos da Cidade Alta levará para a avenida seu enredo “Na sequência do samba, Cidade Alta risca o chão de poesias. Ivan de Oliveira, a voz do Morro”. Com orçamento de R$ 200

mil repassados pelo governo e prefeitura, a escola do Educandos cantará seu enredo na avenida do samba já à 1h30 de sábado (1º), com mil brincantes divididos em 19 alas, cem ritmistas, 60 baianas e dois carros alegóricos. A escola vem forte, inovadora e confiante no título. “Estamos realizando um bom trabalho com a comunidade”, comentou o presidente da escola, Elivilson Monteiro. O Grêmio Recreativo Império da Kamélia terá como enredo “Celebrando a cultura, a Kamélia brinca as festas do meu Amazonas” com três carros, 14 alas, 55 baianas e 180 ritmistas. A Unidos do Coophasa, com o enredo “África”, levará para a avenida um carro alegórico e mil brincantes divididos em 16 alas, 50 baianas e 100 ritmistas . “Manaus mãe dos deuses, cidade de um povo manaós” é o enredo da escola de samba Primos da Ilha, do bairro de São Francisco. Com 1, 2 mil brincantes, a escola conta seu

enredo em três carros alegóricos, 16 alas, 100 ritmistas e 60 baianas. A escola de samba BeijaFlor do Norte, do bairro Amazonino Mendes, traz como enredo para 2014 “Sou caboclo, sou artista, sou Beija-Flor do Norte, sou Márcio Braga, mensageiro do humor”, com um carro alegórico, 1,2 mil brincantes, 12 alas, cem ritmistas e 60 baianas. A Mocidade Independente Presidente Vargas trará para a avenida este ano o enredo “Mãos”, com 2 mil brincantes, três carros alegóricos, 16 alas, 50 baianas e 150 ritmistas. “Caminhos segui, a origem encontrei: dança da caxemira, a joia rara da Índia” será o enredo da Dragões do Império. Com 60% dos seus trabalhos concluídos, a escola levará para a avenida mil brincantes em 14 alas, 90 baianas, cem ritmistas e dois carros alegóricos. Com 11 anos, a Dragões teve dois títulos no grupo de acesso e participou em 2012 do Grupo Especial.


Caderno D

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plateia@emtempo.com.br

DIVULGAÇÃO

Karine Aguiar e a agenda na Europa (92) 3090-1042

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r a t i l i e m t r a e a n p o l d a Go retrat cas que i s ú m e s, livros as pelo Brasil e m l fi m , surgira traditórias vivid o l u c é s meio is con e a s s m e s d a o c as épo Ao long d a m u m retratara

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BRUNO MAZIERI LUIZ OTÁVIO MARTINS Especial EM TEMPO

á 50 anos, mais especificamente em 1964, a atriz francesa Brigitte Bardot pisou pela primeira vez no Rio de Janeiro e, juntamente com isso, transformou Búzios em um destino turístico. Ainda neste mesmo ano, foi criado o Banco Central, responsável por gerir a política econômica brasileira e garantir a estabilidade do país. Porém, o fato mais marcante, sem dúvida, foi o golpe militar que derrubou o até então presidente constitucional João Goulart e abriu espaço para que as Forças Armadas Brasileiras assumissem o comando do Brasil. Ao longo de 21 anos, meios de comunicação foram censurados, artistas foram torturados, assassinados e exilados. Qualquer cidadão que se mostrava contra aos ideais militares se via encurralado em “beco sem saída”. Parafraseando D. Pedro 1º: “para o bem de todos e felicidade geral da nação”, em 1985, o congresso nacional aprovou emenda constitucional que “acabava” com parte da ditadura, sendo definitivamente “extinta” em 1988 quando foi promulgada a Constituição Federal, transformando o país em democracia. Após seu fim, o assunto serviu como pano de fundo para diversos filmes, livros e novelas – acreditem ou não! – que contam, cada uma com sua especificidade, o momento histórico. Isso para não citar obras que foram censurados ao longo de todo o golpe militar. Dentre eles está “Pra Frente, Brasil” (1982), considerado o primeiro longa a retratar o regime de forma aberta. “Esse filme fala diretamente da ditadura e mostra o seu lado mais cruel.

Exibe também a incrível abdução do brasileiro na época da Copa de 1970, quando o “diabo” acontecia aqui e povo estava tenso com o futebol. Apesar desse discurso “velhaco” viver até hoje, aquele era outro Brasil e o filme fala desse outro país de uma maneira muito crua”, diz a jornalista Adriana Chaves. Outro longa-metragem importante é “Zuzu Angel”, datado de 2006, e conta a saga da estilista brasileira, mãe do militante Stuart Angel, que foi sequestrado, torturado e assassinado pelos militares durante a ditadura. Ao longo do filme, que tem Patrícia Pillar (Zuzu) e Daniel Oliveira (Stuart) no elenco, o espectador pode acompanhar a briga da mãe em busca de seu filho. Apesar de nunca ter sido encontrado e da estilista ter morrido em um acidente de carro, ela se tornou um dos ícones de briga pelo fim do golpe. Na semana que morreu, Zuzu tinha deixado na casa do cantor e compositor Chico Buarque de Holanda um documento avisando que se algo ocorresse com ela, os responsáveis seriam os assassinos de “seu amado” Stuart. Em homenagem a ela, Buarque compôs a música “Angélica”. O mais recente de todos e que esteve inclusive na programação do Amazonas Film Festival do ano passado é “Tatuagem”, do diretor Hilton Lacerda. A trama se passa em 1978, em Recife, e mostra o amor entre Clécio, líder do grupo Chão de Estrelas e do soldado Fininha. Apesar de “proibido” ambos lutam pelo seu relacionamento que, muitas vezes, é atingido pelas pressões militares da época. Das inúmeras publicações uma delas merece destaque. É a obra “1968 – O Ano Que Não Terminou”, do escritor Zuenir Ventura. Ao longo de 312 páginas, conhecer ou então lembrar da morte do estudante Edson Luis Lima Souto, assassinado por um policial militar no restaurante estudantil Calabouço, no Rio de Janeiro. O clássico já vendeu mais 300 mil cópias desde seu lançamento, 1988. Além desse fato, o livro apresenta inúmeros momentos como a contracultura hippie, a Passeata dos Cem Mil, as músicas de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, o Congresso da UNE em Ibiúna, entre outros. Versos intrigantes Cartunista, cantor e compositor, Júnior Lima lembra que, durante a infância, ouvia canções que o atraiam pela beleza melódica, mas que ao mesmo tempo o intrigavam pela maneira como suas poesias eram construídas. “Já na adolescência, pude compreender por meio de alguns

professores o que significavam todas aquelas mensagens enigmáticas escondidas nas canções, como por exemplo, ‘Um desejo sem medida e paciência / Quase já desesperado de esperar todo esse tempo / E esse grito sufocando a garganta sem parar’”, comenta, citando os versos da música “Renovação”, da dupla Candinho & Inês. “Um clamor por liberdade e dias melhores para um país dominado por um regime repressor”. Júnior Lima também destaca “Cálice” (1973), composição de Chico Buarque e Gilberto Gil, que ficou conhecida também na voz Milton Nascimento. “Por meio de metáforas, os autores driblam brilhantemente os ouvidos da censura do regime militar, com um jogo de palavras poético e ao mesmo tempo impositivo em uma palavra de ordem: ‘Cale-se’”, analisa. “Outra canção que muito me marcou e que cheguei a tirar minhas dúvidas com o próprio autor, o cantor e compositor cearense Ednardo, é ‘Artigo 26’, que descreve em sua letra a forma como os militares abordavam aqueles que confrontavam contra o regime”. Em 1977, o cantor e compositor Chico Buarque lançou “Angélica”, uma música escrita com Miltinho em homenagem a Zuzu Angel. Chico possui um vasto repertório de canções que criticam a ditadura – e se tornaram a voz dos que não se conformavam com o regime –, entre elas “Apesar de Você” (1970) e “Vai Passar” (1984, parceria com Francis Hime). Assim como Chico Buarque, outros artistas da música popular brasileira também se rebelaram, cada um ao seu modo, contra a ditadura, como Geraldo Vandré, que foi bem mais direto ao cantar “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores” (1968), proibida até 1979. Também tiveram músicas censuradas.


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>> Diversão

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Celebração

Emanuelle e Marcelinho Gil

. Ana Lúcia e Frank Nelson reuniram a família e os amigos para o primeiro evento em torno dos 15 anos da filha Diandra. . Foi celebrada uma missa em Ação de Graças pela nova idade de Diandra, na Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, na quinta-feira, uma bela celebração religiosa. FOTOS: MAURO SMITH

A bela Diandra Costa, durante a missa em Ação de Graças pelos seus 15 anos na Igreja de Nossa Senhora de Nazaré

. O show, que iniciará às 19h30, contará com um repertório totalmente voltado para o público infantil. Além disso, o local contará com a apresentação de espetáculos e brincadeiras. Toda a programação, iniciada às 10h, é totalmente free.

>> Bambinos . O Shopping Ponta Negra passará a contar com um local totalmente dedicado ao público infantil, é o ‘All Kids’, com programação exclusivamente dedicada as crianças. . Com os empresários Murad Aziz e Marilia Zuazo à frente do negócio, o ‘All Kids’ foi criado para oferecer as famílias que visitam o shoppping, um local para deixarem seus filhos enquanto circulam pelo centro de compras da Ponta Negra.

Matheus e Ana Lúcia Costa, a querida dona Jamile Raman e Diandra e Frank Nelson, na celebração religiosa de quinta-feira

>> Na cidade . O festejado atleta amazonense do UFC, José Aldo, estará em Manaus durante o Carnaval 2014. . Campeão de MMA – Mixed Martial Artes, pelo UFC – Ultimate Fighting Championship, na categoria peso pena, chega à cidade no próximo dia 25 de fevereiro e será homenageado com o tema do samba-enredo da Escola de Samba Unidos da Alvorada, do bairro onde nasceu.

Francisco e Clycia Garcia

. O cantor amazonense Serginho Queiroz será a atração principal neste domingo, no Parque Cidade da Criança.

. O lutador vai participar de atividades promovidas pela Prefeitura de Manaus e já no dia 26 ele dará uma entrevista coletiva à imprensa de Manaus. Ele estará na cidade com sua família e um grupo de amigos.

Juca, Leonardo e Lourdes Sêmem

. O local está sensacional com espaços que vão de oficinas (arte, teatro e culinária) à área play e arvorismo com tirolesa. A festa de abertura será na próxima quartafeira assinada por este colunista, Waisser Botelho, Alexandre Prata e Guto Oliveira.

>> Objeto de desejo . De acordo com Salvatore Ferragamo, a autenticidade é a maior forma de luxo. E é a partir desta filosofia que vem a inspiração para Acqua Essenziale, nova fragrância masculina da marca que acaba de ser lançada. . São notas cítricas e verdes de hortelã e de folha de limão misturadas a gerânio, alecrim e lavanda, o que resulta em uma assinatura olfativa autêntica, um novo musk que brinca com a singularidade floral. Fragrância moderna. Vale sentir.


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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Nesta quinta, cantora faz show local de despedida

AGENDA KARINE AGUIAR 5/3 - Paris (França) 10/3 – Lisboa (Portugal) 15/3 – Madri (Espanha) 18/3 – Barcelona (Espanha) 25/3 – Paris (França) 28/3 – Roma (Itália) 30/3 – Genebra (Suíça)

Karine Aguiar divulga agenda europeia Cantora amazonense visita pelo menos cinco países durante o mês de março, divulgando a sonoridade de “Arraial do Mundo” GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

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cantora Karine Aguiar, um dos expoentes da música amazonense contemporânea, está de malas prontas para uma turnê pela Europa. Durante todo o mês de março, a artista viaja por, pelo menos, cinco países. Os shows tendem a ser, segundo ela mesma, experiências diferenciadas entre um e outro, devido a maneira como o formato das bandas com as quais dividirá o palco será constituído em cada cidade. A primeira apresentação está marcada para o dia 5 de março, na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris, na França. “Trata-se da honraria que iremos receber da comunidade brasileira em Paris, que é o prêmio de Melhor CD de Música Brasileira, chamado Prêmio “Coração Brasil”. Nossa apresentação acontece junto com um espetáculo chamado “Cinderela do Brasil”. A premiação propriamente dita será dia 8, no Carnaval brasileiro, que é realizado em Paris”, afirma a cantora. De lá, Karine Aguiar segue para Portugal, onde se apresenta em um hotel, na cidade de Lisboa, no dia 10 de março.

Na Espanha, Karine tem shows marcados em Madri (Sala Clamores Jazz) e Barcelona (Sala Bikine), nos dias 15 e 18, respectivamente. Karine Aguiar volta à França, no dia 25 de março, para uma apresentação exclusiva na embaixada do Brasil em Paris. A representação brasileira instalada em Roma, na Itália, também receberá a cantora, no dia 28. Dois dias depois, em 30 de março, é a vez do chamado Café Jazz, em Genebra, na Suíça, ser o cenário do show da artista amazonense. “Com isso, finalizamos essa primeira etapa da turnê na Europa. Mas, além dos concertos, já temos entrevistas agendadas em diversas rádios nestas mesmas cidades para divulgação

SERVIÇO KARINE AGUIAR - SHOW DE ANIVERSÁRIO Quando: Dia 27 de fevereiro, quinta-feira, às 23h Fino da Bossa Onde: (Travessa São Judas Tadeu, 3, Flores) Quanto: R$ 100 (mesa para quatro) / R$ 30 (ingresso individual) Informa- (92)9259-0236 / ções: 8126-9049

do CD “Arraial do Mundo”. Ao todo, passaremos quase dois meses nesse trabalho inicial. Após essa primeira temporada, retornaremos a Manaus para alguns shows que já estão sendo negociados”, explica Karine. Ao voltar para a capital amazonense, Karine Aguiar fica até o final da Copa do Mundo da Fifa. “E, depois disso, seguiremos para Lima, no Peru, para um outro show que já está confirmado, além do Rio de Janeiro e São Paulo que também já estão confirmados para o segundo semestre, bem como o nosso retorno a Paris em setembro”, diz a artista. Karine afirma que nenhum desses shows fora do país será igual ao outro. “Bom, não dá para dizer que são semelhantes porque em cada cidade vou ter um “time” me esperando. Não viajarei com a minha banda. Além de mim, somente irá o Ygor (Saunier, baterista), com os tambores amazônicos. Iremos sentir como será com cada um desses times. Se decidirmos fazer algo fora do script, faremos”, observa. O time a que se refere são integrados por musicistas de baixo acústico, piano e violão. “Por exemplo, na Espanha teremos um violonista que também toca música flamenca. Então, estaremos abertos a estes novos diálogos com a nossa sonoridade”, completa.

Despedida para o público local Antes de partir, Karine Aguiar concede a oportunidade para uma “despedida”, em Manaus, no dia 27 de fevereiro (quinta-feira), a partir das 23h, no Fino da Bossa. Sem nome específico, a apresentação está prevista para durar uma hora e meia e, ao contrário do perfil da maioria de seus shows mais recentes, o repertório não será exclusivamente composto das obras que estão do álbum “Arraial do Mundo”. “Faremos releituras jazzísticas de outras músicas regionais como “Será Sagrado” (Robertinho Chaves), “Naiá” (Boi Garantido), dentre outras. E

também teremos algumas surpresas, com versões em jazz de músicas um tanto inusitadas. Abrirei o show com a canção “Por toda vida”, do Gonzaga Blantez, que se transformou em sucesso na internet por meio do canal do Tal Qual Dublagens, com quase dez mil visualizações”, afirma. Músicas internacionais também estão previstas. “Esse show do dia 27 também será uma comemoração pelo meu aniversário. Não será um show muito longo por conta da nossa viagem no dia seguinte. Nós, de início, estávamos determinados a não fazer nada, mas o carinho que

eu recebi nas redes sociais em função dessa ida à Europa foi tão grande que nossa equipe decidiu retribuir ao povo de Manaus”, explica. Sobre a ida à Europa, Karine afirma ter um sentimento mais amplo do que a satisfação pessoal pela conquista. “Iremos para mostrar o que a nossa gente tem de melhor, que somos capazes de nos colocar profissionalmente diante do mundo como qualquer outro povo. Precisamos recuperar a autoestima da nossa gente e o orgulho de sermos quem de fato somos, caboclos amazonenses”, diz.


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Umas palavrinhas sobre uma RESENHA

boa história em quadrinhos AUGUSTO SEVERO*

PERFIL

Augusto Severo é músico

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uando comecei a ler “The Walking Dead”, em 2008, eu acreditei ter chegado ao nível mais alto de descrição de um verdadeiro cenário apocalíptico de desespero e destruição. O quadrinho de TWD ainda é excelente em vários aspectos, e seu cenário é quase como o definitivo retrato (não tão renovado) do apocalipse Zumbi, seus dramas, suas superações, seus desafios. Mas “Crossed” é diferente. Conheci Garth Ennis (roteirista) ao ler “Preacher”e em seguida a sua fase do Justiceiro pela Marvel Knights. Ainda em Preacher, eu divinizei a figura de Ennis como um dos meus mais favoritos roteiristas de quadrinhos, uma vez que suas histórias era banhadas de ultra-realismo (um eufemismo muito bem escolhido por mim para não falar sobre a overdose de imoralidade, violência, sexo, perversidade e humor que tanto caracterizam suas produções). Garth Ennis deve ter criado “Crossed” usando suas perversões mais profundas. O mérito de Ennis é ter conseguido realizar a única coisa considerada

praticamente impossível (pelo menos antes de “Crossed”): reformular completamente um cenário já manjado de epidemia que transforma as pessoas em criaturas sedentas de sangue. Diferente de mortos vivos burros, Ennis cria infectados que ainda estão vivos, mas que ao invés de se tornarem seres letárgicos sem mente, tornam-se psicopatas estupradores sem nenhuma noção de autopreservação. Eles ainda têm lembranças, conhecimentos e tudo que tinham antes de se contaminar, e agora estão dispostos a te caçar, te estuprar e te despedaçar, enquanto você ouve eles falando coisas que esmigalham por completo a sua alma. até seriam confundidos com humanos normais, não fosse o comportamento selvagem e a estranha marca em formato de cruz que aparecem em seus rosto (Daí o nome pelo qual são chamados pelos sobreviventes: cruzados, ou em inglês, “crossed”). Ainda não se sabe ao certo do que se trata, mas o vírus (ou seja lá o que for) põe para fora toda a maldade existente dentro do infectado, tornado-o uma criatura verdadeiramente pertubadora vinda do seu mais profundo pesadelo. A transmissão da praga

ocorre por contato com fluídos (sangue, esperma, saliva) e o tempo de transformação é extremamente rápido. Eu comecei a ler o quadrinho há anos, por intermédio de um grande amigo também fã de cenários apocalíptico, o grande Ricardo Porto, mas não encontrei continuações. Mas essa semana me dispus a correr atrás de todo o material disponível, e o que se sucedeu foi uma maratona de quase 48 horas lendo essa história

insana e pertubadora, e que inevitavelmente me abalou bastante. É difícil encontrar uma imagem mais leve. O projeto inicial é que seus criadores dividam a história em vários arcos curtos, mostrando outros grupos de sobreviventes e várias perspectivas sobre a praga em nível global. Ainda não foi concluída e rumores dizem que talvez vire uma séries de TV ou no Youtube (mas não consigo conceber a ideia de algo como “Crossed”

passando em qualquer canal que seja). “Crossed” não pode ser classificado como algo convencional. Se você é fã de “The Walking Dead”, pode curtir. Ou não. Me considero um grande fã de Zumbis, principalmente de TWD, mas perto de “Crossed”, “The Walking Dead” é um piquenique com a família num domingo ensolarado. Não tou exagerando, Leia apenas se tiver uma mente preparada.

EXPOSIÇÃO

A arte de jovens com câncer A primeira exposição itinerante do projeto Terapia Ocupacional: Resgatando as habilidades artísticas, minimizando a dor e gerando renda durante e após o tratamento de câncer será realizada nos dias 27 e 28 de fevereiro na Procuradoria Geral do Estado do Amazonas (rua Emílio Moreira 1.308), de 9h às 14h. O projeto tem como objetivo desenvolver o equilíbrio emocional das mães, crianças e adolescentes durante o tratamento de casos de câncer infantojuvenil. Coordenado pelo Grupo de Apoio a Criança com Câncer do Amazonas (GAAC – AM), o projeto tem patrocínio da Oi e Oi Futuro, por meio do edital de 2013, do programa Oi Novos Brasis. A exposição é resultado das oficinas criativas iniciadas no final de 2013. O patrocínio da Oi garante a contratação de instrutora para as oficinas, de materiais e de reforço da infraestrutura do espaço, dando continuidade aos cursos em

2014. As aulas abrangem customização de roupas, confecção de artigos para casa ou decorativos, mas o biscuit tem sido a principal delas. A mostra, que ocorrerá de acordo com a produção obtida nas oficinas, é uma forma de levar

AGENDA

A exposição Terapia Ocupacional: Resgatando as habilidades artísticas, minimizando a dor e gerando renda durante e após o tratamento de câncer será realizada nos dias 27 e 28 ao conhecimento público o trabalho das mães artesãs e também incentivar a geração de renda. É comum que mães abandonem suas atividades profissionais para acompanhar o tratamento dos filhos com câncer. Segundo a psicóloga Maria do Carmo

Azevedo Façanha, que coordena o projeto no GAAC, os mitos que cercam a doença contribuem para o impacto gerado com o diagnóstico da doença, que é imediatamente associada à morte. “As oficinas auxiliam a retomada do equilíbrio emocional, rompendo a ansiedade. Quem está muito ansioso por causa da doença não consegue fazer nada”, explica. “Nossa meta é tirar o foco da doença, por meio das etapas da confecção do biscuit”. Gacc Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 2012, mais de 11 mil novos casos de câncer infantil foram diagnosticados no Brasil. No Amazonas, o Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GAAC) atua há 14 anos, sendo uma entidade sem fins lucrativos, administrado por uma equipe de voluntários e funcionários, visando o atendimento a crianças e adolescentes com câncer e seus familiares. DIVULGAÇÃO

Biscuits e peças decorativas são produzidos nas oficinas que ocorrem no GAAC-AM


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MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Tá complicado Que ninguém se surpreenda caso a Globo decida deixar para o ano que vem a exibição de “Doutora Priscila”, escrita por Aguinaldo Silva com a colaboração de Brunno Pires e Megg Santos. A série já está com os seus 14 episódios escritos e devidamente entregues ao diretor Marcos Schechtman. Tem também uma protagonista definida, Glória Pires. O problema, porém, encontra-se no ritmo de trabalho para sua implantação. Muito lento até aqui. Sinal de alerta E em função de toda essa lentidão no processo de trabalho de “Doutora Priscila”, já se teme inclusive pela saída de Glória Pires do projeto. A atriz, como se sabe, é um nome sempre desejado por 10 entre 10 autores da Globo. Há inclusive uma brincadeira no Projac, segundo a qual a Glória está reservada para novelas de Gilberto Braga “pelos próximos 200 anos”. Tombo Monica Carvalho deveria

MÁRIO ADOLFO

DIVULGAÇÃO

Disney Mayra Arduini, vocalista da banda College 11, canta a música tema “Who I Am”, da trilha sonora do filme de animação “Tinker Bell: Fadas e Piratas”, da Disney, que terá pré-estreia hoje em São Paulo. integrar o elenco do novo quadro do “Caldeirão do Huck”, “Saltibum”, sobre saltos ornamentais de famosos que terá duração de 3 meses. Só que logo na semana de gravação ela torceu o tornozelo e vai ter que usar uma bota ortopédica por 15 dias. Com isso, precisou cancelar participação no quadro. Por outro lado, está confirmada sua presença na comédia inglesa “Menopausa”, com estreia em São Paulo ainda neste semestre. Banco de dados O “CQC”, da Band, testou 10 pessoas - a maioria homens - para ocupar duas vagas no seu time de repórte-

res. Desse total, 4 poderiam muito bem integrar o elenco programa, porque surpreenderam positivamente nos testes. Uma das vagas está praticamente fechada com o jornalista mineiro Fred Melo Paiva. E a outra também deve ser preenchida por um homem. A equipe, no entanto, não descarta, ainda com base no trabalho realizado, abrir espaço para uma repórter mulher durante esta temporada. Parceria Miguel Roncato vai voltar a trabalhar com os autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. Depois de “Cheias de Charme”, o ator fará “Geração Brasil”, que é a substituta de “Além do Horizonte”. Execução de músicas O apresentador Ratinho está apoiando o “Spy Bat”, “morcego espião”, um serviço de buscas on-line que promete revolucionar o mercado de execução de músicas e a indústria dos direitos autorais. Um trabalho, concorrente do Crowley, que tem o objetivo de informar quais são as mais executadas nas rádios de todo o país. E, isto, através de um custo bem inferior.

• O novo integrante do “Pânico”, a partir de hoje, vai aparecer com mais destaque no programa. • Agências de atores, principalmente do Rio, tentam se adaptar ao novo momento, em função das mudanças realizadas pela direção da Globo na sua área de contratos. • O fato de a emissora não priorizar mais contratos longos abalou a estrutura de muita gente. • A informação de que o mercado publicitário recebeu muito bem o projeto do programa “The Noite com Danilo Gentili”, que estreia em março no SBT, também provocou a ira de setores da Bandeirantes. • Essa saída do Danilo para o SBT, como se observa, ainda promete muitos capítulos. • Um jogo de futebol marcou a volta de Oscar Magrini às gravações da novela “Em Família”, na Globo. Nas cenas de flashback realizadas entre quarta e quinta-feira, Ramiro vai aparecer ao lado de toda a família curtindo uma partida. É a primeira de uma sequência de outras. O ator ainda não sabe quando estará liberado para os trabalhos da série “O Caçador”.

‘Não vou parar não’ Quando a bola rolar no dia 12 de junho para Brasil e Croácia, no Itaquerão, em São Paulo, Luciano do Valle, locutor esportivo da Band, irá iniciar a cobertura da sua 11ª Copa do Mundo. “É um privilégio ter a chance de narrar um mundial no Brasil”, comemora Luciano. “Enquanto me aturarem, vou lá. Não vou parar não”, avisa o locutor, que, no começo de 2012, esteve doente.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

A madrinha do Garantido

ELVIS

GILMAL

REGI

Morreu esta semana,dona Maria Ângela Faria,madrinha do Garantido, ou mãe, como outros a aludem. Dona Maria Ângela Faria é símbolo de uma era na história dos bumbás de Parintins e da própria ilha. Era representante de um tempo em que os bois e seus brincantes receberam de herança a mais genuína das manifestações, hoje, escravas do modelo do capital, um repertório de massa em desacordo com sua história e com seu passado. Sobre a tradição, cumpre observar alguns pontos. Um primeiro aspecto a ser discutido se trata justamente de compreender o que as associações folclóricas Garantido e Caprichoso entendem por tradição e, num segundo momento, qual a relação dos elementos “tradicionais” com aquilo que é considerado o “novo” (no entender dos grupos, o novo é antônimo de tradição). O conceito de tradição a que tenho debatido ao longo de alguns anos pela imprensa local é entendido pelos bumbás como algo estático e preso a um determinado tempo e espaço. As leituras menos simplistas conseguem dissociar aquilo que faz parte da comunidade e que é aceito como tal, ou seja, é imanente a vida social do seu grupo e, por isso, sujeita a transições e nuances (a verdadeira tradição, em suma), com aquilo que é rememorado, uma lembrança. Essa lembrança, ao contrário dos que se pode pensar, não é fruto de uma vontade coletiva. Surgiu das ideias de alguns como estratégia de vitória na arena, uma fumaça para convencer jurados de que seu grupo é mais tradicional que o do outro. É o caso do Espanta-Cão, instrumento usado há muito na batucada do Garantido e esquecido logo depois, mas rememorado pela apresentação de 1997. Trata-se de uma lembrança mas não “a volta de uma tradição” como se noticiou à época, afinal, não foi algo inerente a vida do grupo e muito menos ao “ethos” encarnado, por isso mesmo, esquecida de vez até hoje. Essas estratégias de legitimização

sobre aquilo que os bumbás consideram como folclórico ou tradicional obedecem, como falei, a uma finalidade prática, com vistas a vitória do bumbá no Festival Folclórico de Parintins. Sobretudo por conta da passagem da cultura popular para a indústria cultural que tem gerado, na festa de Parintins, ao longo dos últimos 16 anos, uma distorção de ideias estéticas e conceituais bastante prejudiciais à própria estrutura da festa. Basta citar o que aconteceu no suposto centenário dos bumbás, em 2013. A dita tradição centenária não encontra raízes nem na configuração escrita – autores dos mais diversos como Tonzinho Saunier, Simão Assayag e Odinéa Andrade não se entendem quanto a história dos bumbás - nem na tradição oral onde se é possível encontrar uma série de divergências como bem nos aponta o antropólogo Sérgio Ivan Gil Braga. Esse marketing enjeitado a que os bois têm utilizado sequer pensou em preço e muito menos no produto, cujo público e a própria história saíram prejudicados (como sempre!) nesta briga de ego dos contrários. O binarismo presente na festa de Parintins (dois bumbás, duas cores e duas cidades) encontraram seu reflexo em duas redes de televisão já contrárias no sistema de mercado, em 2013. A falta de perspicácia de ambas as diretorias em vencerem a baixaria intelectual e a pobreza sentimental prejudicou, mais uma vez, a festa que, às vésperas de sua realização, ainda nos guardou mais um “tradicional” momento: a briga dos bumbás pela escolha dos jurados. Embora haja exceções à regra, as exceções ainda não são a regra. O patrimônio imaterial da festa, o universo do intangível, se perde nesse festival de atrocidades. Dona Maria Ângela Faria é símbolo da verdadeira tradição: espontânea, vital e não inventada.Junto com Odinéa Andrade, representante do azul, essas respeitosas senhoras ainda não tiveram o reconhecimento merecido por suas agremiações. Eis a hora.

CMárcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.

Morreu esta semana, dona Maria Ângela Maria, madrinha do Garantido, ou mãe, como outros a aludem. Dona Maria Ângela Faria é símbolo de uma era na história dos bumbás de Parintins e da própria ilha”


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

Programação da TV

DIVULGAÇÃO

GLOBO

Hoje quem anima a tarde do SBT é a apresentadora Eliana

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 O inquieto Mercúrio aflige o nebuloso e oceânico Netuno, e os problemas podem parecer muito maiores ou muito menores do que na realidade são. Tendência a se desorientar. TOURO - 20/4 a 20/5 Pode sentir-se traído pelos amigos ou por seus próprios pensamentos. Espere para ver se é isso mesmo o que se passa. Angarie fatos concretos, a serem pensados lucidamente. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você se engana se pensa que está tudo completamente errado ou se estava tudo perfeito. Aos poucos, a depuração dos fatos irá conduzir a termos mais verdadeiros. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Você enxerga hoje com lentes distorcidas em grau e em colorido. Não enfie os pés pelas mãos. Pode se confundir no trabalho e quanto aos princípios que pretende cultivar. LEÃO - 23/7 a 22/8 No amor, tudo pode se confundir e se mostrar de bastante ambíguo As imagens são sedutoras, e você tende a se envolver até quando achar que está se afastando. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Apesar de ser um bom dia para negócios e parcerias, algum engano nas relações poderá prevalecer. Tenha, o quanto possível, a realidade concreta como referência.

4h30 Desenhos Bíblicos

07h30h Aventura Selvagem

7h Desenhos Bíblicos

08h30h Vrum 09h00h Sorteio Amazonas Da Sorte (Local)

7h30 Record Kids

10h00h Domingo Legal 8h Amazonas Da Sorte

14h00h Eliana

9h Record Kids

18h00h Roda A Roda Jequiti 18h45h Sorteio Da Telesena

12h Jogos Olimpicos De Inverno

19h00h Programa Silvio Santos 13h15 O Melhor Do Brasil

23h00h De Frente Com Gabi

17h20 Domingo Espetacular

00h00h Sérieh True Blood 01h00h Sérieh Crimes Graves

21h15 Série Spartacus

02h00h Sérieh Alcatraz 22h15 50 Por 1

03h20h Big Bang

23h10 Programação Iurd

04h00h Igreja Universal

Cruzadinhas

ESTREIA

CAÇA-PALAVRAS

Clube de Compras Dallas: EUA. 16 anos. Em 1986, o eletricista texano Ron Woodroof (Matthew McConaughey) é diagnosticado com AIDS e logo começa uma batalha contra a indústria farmacêutica. Procurando tratamentos alternativos, ele passa a contrabandear drogas ilegais do México. Cinépolis 1 – 17h05, 20h05 (leg/diariamente), 23h (leg/somente sexta-feira e sábado). Rodência e o Dente da Princesa: EUA. Livre. Rodência é um reino mágico, situado no meio de um bosque, onde vivem criaturas fantásticas e magos muito poderosos. Neste local, o pequeno Edam sonha em se tornar o maior mago do mundo. Para isso, ele decide partir em uma longa aventura, acompanhado pela rainha Brie, até obter um poder lendário. Seu maior obstáculo é o vilão Rotex, o rei dos Ratos, que planeja destruir Rodência. Cinemark 5 – 11h30 (3D/dub/somente sábado e domingo), 13h40, 15h50 (3D/dub/diariamente). Justin e a Espada da Coragem: EUA. 10 anos. Justin sempre quis ser um cavaleiro, mas seu pai, conselheiro-chefe da Rainha, quer que o filho siga seus passos e se torne um advogado. Em busca de ajuda, o garoto procura a avó e descobre que seu avô, Sir Roland, foi o mais nobre cavaleiro do reino e protetor do Rei, até que ambos foram traídos e mortos pelo terrível Sir Heraclio. Playarte 1 – 12h40, 14h40 (3D/dub/somente sábado e domingo). Um Conto do Destino: EUA. 12 anos. Situado numa mítica cidade de Nova York há mais de cem anos, Um Conto do Destino (Winter´s Tale) é uma história de milagres, destinos cruzados e a velha batalha entre o bem e o mal. Cinemais Millennium 7 – 15h, 17h20, 19h40, 22h (leg/diariamente); Cinemark 2 – 16h40 (dub/diariamente), Cinemark 5 – 18h20, 21h15 (dub/diariamente), 0h (dub/somente sexta-feira e sábado), Cinépolis 9 – 13h45, 16h30, 19h15, 22h (leg/diariamente); Playarte 2 – 13h20, 15h45, 18h10, 20h35 (leg/diariamente), 23h (leg/somente sexta-feira e sábado). Pompeia: EUA. 12 anos. Pompeia conta a história épica de Milo (Kit Harington - Game of Thrones), um escravo que tornou-se um gladiador e se encontra em uma corrida contra o tempo. Ele precisa salvar seu verdadeiro amor Cassia (Emily Browning - Sucker Punch: Mundo Surreal), a bela filha de um comerciante rico que foi prometida a um corrupto senador romano, em meio a destruição da cidade de Pompeia causada pela erupção do Monte Vesúvio. Cinemais Millennium 1 – 14h30, 19h10 (3D/dub/diariamente), 16h50, 21h30 (3D/leg/diariamente); Cinemais Plaza 2 – 14h50, 17h10, 19h30, 21h50 (3D/dub/diariamente); Cinemark 4 – 11h20 (dub/somente sábado e domingo), 13h50 (dub/diariamente), 18h50 (3D/dub/exceto segunda-feira), 16h20 (3D/dub/ diariamente), 21h30 (3D/dub/exceto segunda-feira), Cinemark 7 – 12h55, 15h20, 18h, 20h40 (3D/dub/diariamente), 23h20 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 4 – 17h45 (3D/dub/diariamente), 15h35, 20h15, 22h30 (3D/leg/diariamente), Cinépolis 10 – 13h30, 18h45 (dub/diariamente), 16h, 21h30 (leg/diariamente); Playarte 1 – 16h50, 19h (3D/dub/diariamente), 21h10 (3D/leg/diariamente), 23h20 (3D/leg/somente sexta-feira e sábado).

© Revistas COQUETEL

Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto.

Fortaleza de Santa Cruz As origens da Fortaleza de Santa CRUZ, localizada no bairro de JURUJUBA, em Niterói, datam do ano de 1555, quando o almirante FRANCÊS Nicolau Durand de VILLEGAIGON montou duas pequenas FORTIFICAÇÕES no canto direito da entrada da Baía de GUANABARA. A intenção era impedir que INVASORES pudessem transpassar esse canal e atacar outros fortes, como os de Copacabana, Imbuí e São João. Em 1599, a fortificação foi importante para impedir a invasão do corsário HOLANDÊS Oliver Van NOORTH. Treze anos mais tarde, contando com vinte bocas de fogo, o forte passou a ser denominado FORTALEZA de Santa Cruz da Barra. Do século XVIII ao XIX, a fortaleza se manteve em permanente estado de GUERRA, vigiando a entrada da BAÍA contra qualquer possibilidade de ATAQUE. A partir de 1831, passa a ser usada como PRESÍDIO político, com câmaras de TORTURA e praça de ENFORCAMENTO. Hoje em dia, é o segundo ponto TURÍSTICO mais visitado da cidade de NITERÓI, perdendo apenas para o Museu de Arte Contemporânea (MAC), projetado por Oscar Niemeyer. ILUSTRAÇÃO: ULISSES

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Robocop: EUA. 14 anos. Em Robocop, o ano é 2028 e o conglomerado multinacional OmniCorp é o centro da tecnologia robótica. Seus aviões teleguiados estão vencendo as guerras norte-americanas ao redor do mundo e agora eles querem levar essa tecnologia para casa. Alex Murphy (Joel Kinnaman) é um marido e pai amoroso, um bom policial, fazendo o seu melhor para conter a onda de criminalidade e corrupção em Detroit. Depois que ele é gravemente ferido em serviço, a OmniCorp utiliza a sua notável ciência robótica para salvar a vida de Alex. Ele retorna às ruas da sua amada cidade com incríveis novas habilidades, mas com questões que um homem comum nunca precisou enfrentar. Cinemais Millennium 4 – 14h, 16h20, 18h40, 21h (leg/diariamente), Cinemais Millennium 8 – 14h40, 17h, 19h20, 21h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza 1 – 15h, 17h20, 19h40, 22h (dub/diariamente), Cinemais Plaza 5 – 14h20, 16h40, 19h, 21h20 (dub/diariamente); Cinemark 1 – 18h10 (dub/diariamente), 12h50, 15h30, 21h (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado), Cinemark 6 – 13h30, 16h10, 19h, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 13h15, 16h10, 19h10, 22h10 (leg/diariamente), Cinépolis 5 – 14h, 16h45, 19h30, 22h15 (leg/diariamente), Cinépolis 8 – 13h, 18h30 (dub/diariamente), 15h45, 21h45 (leg/diariamente); Playarte 4 – 14h20, 16h40, 19h, 21h20 (leg/diariamente), 23h40 (leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 13h10, 15h30, 17h50, 20h10 (dub/diariamente), 22h30 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 17h51, 20h11 (dub/diariamente).

www.coquetel.com.br

S

PEIXES - 19/2 a 20/3 A boa visão do trabalho tende a se nublar. Esteja disposto a repensar alguns pontos. Toda nebulosidade é passageira, basta que não nos acidentemos durante sua presença.

4h Santo Culto Em Seu Lar

07h00h Brasil Caminhoneiro

R

AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Há muito mais a organizar nos negócios, e tudo o que foi deixado de fora hoje aparece e faz transbordar o que aparentemente estava bem contido no que havia organizado.

06h00h Igreja Universal

O

CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Confusão nos pensamentos e presença de falsas intuições. Não se deixe ficar solto, mas também não se fie demais em coisa alguma. Esta é uma equação difícil de resolver.

Cinema

3h45 Bíblia Em Foco

05h00h Jornal Da Semana

O

SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 A falta de visão a respeito do que lhe é fundamentalmente importante pode fazer com que se direcione mal. No amor, é tempo de se restringir ao que cabe agora em suas mãos.

05h00 Power Ranger Dino Trovão 06h30 Santa Missa No Seu Lar 07h30 Sabadão Do Baiano 08h00 Desenho 09h30 Mackenzie Em Movimento 09h45 Infomercial Polishop 10h45 Verdade E Vida 11h00 Minuto Da Copa - Boletim 11h05 Pé Na Estrada 11h30 De Olho No Futebol - Boletim 11h40 Band Esporte Clube 12h00 Sochi 2014 Olimpiadas De Inverno Cerimônia De Encerramento 14h30 Futebol 2014 Ao Vivo 16h50 Terceiro Tempo 19h00 Só Risos 20h00 Polícia 24 Horas 21h00 Pânico Na Band 00h00 Canal Livre 01h00 Minuto Da Copa Boletim 01h05 Alex Deneriaz 01h40 Show Business-reapresentação 02h30 Igreja Universal

RECORD

N

ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Os riscos nos negócios são prejudiciais; inclusive enganando-se redondamente em algum ato ou decisão. No amor, pode achar que sente o que não está realmente sentindo.

05h00 Santa Missa. 06h00 Amazônia Rural. 06h30 Pequenas Empresas, grandes Negócios. 07h00 Globo Rural. 07h55 Auto Esporte. 08h30 Esporte Espetacular (Meia Maratona de São Paulo / Copa da República de Ciclismo - Compacto). 11h50 Temperatura Máxima. Filmeh Procurando Nemo. 13h40 Divertics. 15h00 Futebol 2014h campeonato Carioca - Fluminense x Botafogo. 17h00 Domingão do Faustão. 19h45 Fantástico. 22h05 Big Brother Brasil 14 22h50 Domingo Maior. Filmeh Chamas da Vingança. 00h55 Flash Big Brother Brasil 14 01h04 Boletim Sachi 2014. 01h36 Hino Obrigado Senhor. 01h40 Hino Nacional. 01h45 Encerramento Previsto

SBT

N O G I A G E L L I V

LIBRA - 23/9 a 22/10 A comunicação no trabalho está prejudicada, assim como no uso de máquinas e nos caminhos a seguir. Cuidado para não se perder em escolhas equivocadas.

BAND

CONTINUAÇÕES Caçadores de Obras-Primas: EUA. 12 anos. Cinemais Millennium 6 – 14h15, 16h40, 19h, 21h35 (leg/diariamente); Cinemais Plaza 7 – 16h20, 18h40, 21h (dub/diariamente); Cinemark 2 – 14h (dub/diariamente), Cinemark 8 – 22h30 (dub/diariamente); Cinépolis 3 – 21h40 (leg/diariamente); Cinépolis 7 – 17h50 (leg/diariamente); Playarte 9 – 13h15, 15h35, 17h55, 20h15 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado). Hércules: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium 3 – 14h20, 18h50, 21h10 (3D/dub/diariamente); Cinemais Plaza 3 – 14h40, 17h, 19h20, 21h40 (dub/diariamente); Cinemark 3 – 22h20 (3D/dub/diariamente); Playarte 7 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente). Trapaça: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium 2 – 21h20 (leg/diariamente); Cinépolis 3 – 18h25 (leg/diariamente), Cinépolis 6 – 15h20 (leg/diariamente), Cinépolis 7

– 20h45 (leg/diariamente). Operação Sombra – Jack Ryan: EUA. 14 anos. Cinemais Plaza 4 – 18h50, 21h30 (dub/diariamente); Playarte 8 – 18h35 (dub/ diariamente). Uma Aventura Lego: EUA. Livre. Cinemais Millennium 3 – 16h30 (3D/dub/diariamente); Cinemais Plaza 7 – 14h10 (dub/diariamente); Cinemark 8 – 12h15 (dub/somente sábado e domingo), 14h50, 17h20, 19h50 (dub/ diariamente); Cinépolis 1 – 14h05 (3D/dub/ diariamente), Cinépolis 4 – 13h10 (3D/dub/ diariamente); Playarte 1 – 12h30, 14h40 (3D/ dub/exceto sábado e domingo), Playarte 3 – 13h40, 15h55, 18h10 (dub/diariamente). Quarenta e Sete Ronins: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium – 21h15 (3D/dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 17h, 19h30, 22h (dub/diariamente); Cinemark 5 – 13h20, 19h (3D/dub/diariamente); Ciné-

polis – 15h30 (leg/diariamente); Playarte 10 – 13h20, 15h40 (leg/diariamente). A Menina Que Roubava Livros: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium 5 – 14h10, 16h45, 19h15, 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Plaza 6 – 14h, 16h35, 19h10, 21h45 (dub/ diariamente); Cinépolis 3 – 15h10 (leg/diariamente), Cinépolis 6 – 18h20 (leg/diariamente), Cinépolis 7 – 15h (leg/diariamente). O Lobo de Wall Street: EUA. 16 anos. Cinépolis 6 – 21h15 (leg/diariamente). O Herdeiro do Diabo: EUA. 12 anos. Cinemais Millennium – 18h40, 21h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 19h15, 21h15 (dub/diariamente); Cinemark 1 – 22h10 (dub/diariamente). Frankstein – Entre Anjos e Demônios: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 19h40, 22h10 (dub/diariamente), Cinemark 3 – 13h, 15h10,

17h35, 20h (3D/dub/diariamente); Playarte 3 – 20h25 (leg/diariamente), 22h25 (leg/ somente sexta-feira e sábado); Playarte 10 – 13h, 15h, 17h, 19h, 21h (dub/diariamente), 23h05 (dub/somente sexta-feira e sábado). Muita Calma Nessa Hora 2: BRA. 12 anos. Cinemais Millennium 2 – 14h35, 16h35, 18h45 (diariamente); Cinemais Plaza 8 – 15h10, 17h15, 19h15, 21h25 (diariamente); Playarte 8 – 12h50, 14h45, 16h40 (diariamente). Tarzan – A Evolução da Lenda: ALE. Livre. Playarte 8 – 14h, 16h, 18h (dub/diariamente). Frozen, Uma Aventura Congelante: EUA. Livre. Cinemais Plaza 4 – 14h30, 16h45 (dub/diariamente). Até Que a Sorte Nos Separe 2: BRA. 10 anos. Playarte 8 – 20h45 (diariamente), 22h55 (somente sexta-feira e sábado).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

Jander Vieira

Frank Nelson, Ana Lúcia, Diandra e Matheus

::::: Sala de Espera

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

Aluísio Gonçalves e Deborah Azevedo estão trocando de idade hoje. Amanhã é a vez de Neybe Lentz, Cláudia Barbosa e Selene Costa receber os cumprimentos da coluna. Parabéns!

::::: Celebração de fé

Os pais corujas Ana Lúcia e Frank Costa reuniram a família e os amigos mais próximos para uma das mais bonitas Missas em Ação de Graças, na Nossa Senhora de Nazaré, em celebração aos 15 anos da linda Diandra. A organização, pontualidade e respeito com os convidados ficou sob os cuidados atentos da avó materna, Zeina Raman Neves, que é imprescindível no que faz – sempre! A emoção tomou conta da igreja, o Espírito Santo fez-se presente. Deus abençoe cada vez mais essa família!

Leila e Giovanni Lemos

Júlio Ventilari e Marko Belém comandam hoje, no Dulcila da Ponta Negra, skindô carnavalesco durante a 10ª edição da festejada feijoada do programa “In/Comum”. Serginho Queiroz faz show do tipo imperdível hoje no Parque Cidade da Criança, às 19h30, e contará com um repertório totalmente voltado para o público infantil. Detalhe importante: toda a programação voltada aos bambinos, iniciada às 10h, é totalmente gratuita.

Ana Lúcia e Diandra atentas ao emocionante discurso do pai Frank

Juca Semen com Lourdes e Leonardo

Ana Paula Raman e Júlia Becil

As avós de Diandra: dona Nazinha Costa e dona Zeina Raman Neves

Leonardo Perrone do Valle

::::: Fashion Day

O programa Mesa Brasil, do Sesc Amazonas, iniciou o ano de 2014 contabilizando cerca de 20 toneladas de alimentos arrecadados somente por meio da doação de supermercados, em Manaus. No total, 200 instituições filantrópicas foram beneficiadas no Amazonas com as doações. O Mesa Brasil arrecada alimentos

em condições de consumo onde sobra e faz a doação aonde falta. A maior parte do material doado é de hortifrutis e produtos próximos do vencimento. A parceria entre o programa e as empresas consiste ainda na realização de oficinas e palestras sobre a importância do reaproveitamento de alimentos.

FOTOS: JANDER VIEIRA

Um grande picadeiro chique foi montado pelo ótimo Júnior Carvalho, no Dulcila da Ponta Negra, em torno da sessão parabéns do bambino Euler Neto. O casal Juliana e Euler Filho, os pais do pequeno aniversariante, era o retrato da alegria. Comida ótima, vaivém de gente bonita e muita Euler Filho, Juliana e Lara com o aniversariante diversão não faltaram.

Menga Junqueira e Lúcia Viana

Edéa e Euler Ribeiro

A folia promete tomar conta de mais uma edição da tradicionalíssima banda do Boulevard, logo mais, sob a batuta do ótimo Luis Cláudio Chaves.

A Zen Maison convida para o lançamento da novíssima Coleção Inverno 2014. Victor Dzenk, Agilitá, Litt, Patrícia Bonaldi e outras tantas grifes chiques desfilarão na passarela da loja do Vieiralves. De quebra, um bate-papo com a blogueira de Health Style e personal cook, Mila Cozzi, mais o pré-lançamento da nova linha de sanduíches fit da Qualité assinada por Mila e o DJ Alexandre Prata nas pickups não faltarão. Quando? Dia 12 de março, a partir das 17h.

::::: Viva, Euler Neto!

Raul Lucena com Nicole e Maria Clara

Cuidando da beleza de cada pessoa com muito carinho, a loja Empório Body Store inaugurou, no Manauara Shopping, sua primeira unidade em Manaus. A marca é conhecida nacionalmente pelos cosméticos naturais e fragrâncias marcantes.

Rachel e Renata mais Márcia e Ricardo Nicolau

José Silva e sua Zeina

::::: Social

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Juliana e Euler Filho com Sheila Brandão

Lucilene Pizzonia

Osíris Silva e Arabi

Marco Bolognese e sua Gizella

Áurea Maia e Danielle Batista

Márcia Martins e Adriane Antony

Renata e Isaac Sabbá com Gabriel

Camilla Martins e Giulia Bolognese

Marcelo Lima e sua Marinildes

Rogério Ozores e sua Rosângela


D8

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

Estreias nos cinemas serão às quintas-feiras

CRÉDITO DO FOTÓGRAFO

Havia mais de 20 anos que o Brasil seguia a tradição de estrear longas na sexta-feira, como ocorre nos Estados Unidos

A

Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas) anunciou ontem que filmes exibidos nos cinemas brasileiros passarão a estrear às quintas-feiras, e não mais às sextas. A mudança começa em 13 de março, quando estão previstas as estreias de “Need for Speed”, de Scott Waugh, e o nacional “Alemão”, de José Eduardo Belmonte. “A quinta-feira é quente em vários setores do entretenimento, mas é o dia com menos público no cinema”, afirma Paulo Lui, presidente

da Feneec. “Para concorrer com o barzinho, o futebol, o show, nada melhor do que oferecer filmes inéditos”, disse Paulo Lui Segundo ele, a mudança pode favorecer o faturamento de produções que não têm recursos para investir em divulgação antes da estreia. “Ganham mais um dia de boca a boca”, diz. Lui afirma que a alteração também deve desafogar as salas de cinema aos finais de semana, em geral muito cheias. Ainda de acordo com ele, não há projeção do quanto os exibidores passarão a

MOTIVO

Para Paulo Lui, presidente da Feneec, o motivo da mudança é que “a quinta-feira é quente em vários setores do entretenimento, mas é o dia com menos público no cinema” lucrar com a alteração. Havia mais de 20 anos que o Brasil seguia a tradição de estrear longas na sexta-feira, como é nos EUA. Outros

países sul-americanos como Argentina e Chile já adotam a estratégia de lançamento às quintas. De acordo com a Feneec, ainda não há um consenso entre os exibidores sobre os preços praticados nesse novo dia de estreias e essa decisão ficará a cargo de cada rede de cinemas. “Quinta já não era um preço promocional. Agora, a tendência é que se estabeleça o preço cheio, mas talvez as promoções devam ser ampliadas para o período de segunda a quarta”, declarou Bruno Wainer, da Downtown, ao Filme B.

PONTA NEGRA

Espaço lúdico para as crianças em shopping O público-mirim que for ao Shopping Ponta Negra vai ter um encontro marcado com a diversão, no All Kids. Para alegria das crianças e dos pais também, o novo espaço localizado no terceiro andar do centro de compras, conta com a estrutura necessária para garantir o entretenimento e, ao mesmo tempo, a tranquilidade aos pais. Idealizado pelo casal de empresários, Marília Zuazo e Murad Aziz, o espaço indoor vai funcionar das 10h às 22h, e o ingresso será fracionado de acordo com a permanência da criança no espaço. Além dos brinquedos tradicionais, o All Kids é

dividido por ambientes e contará com sala de games, salão de beleza, palco de fantasias, canto da leitura e filmes, quadra para atividades, gincanas e área baby. Marília conta que a proposta do novo point infantil é também incentivar as brincadeiras lúdicas que estimulam o aspecto socioeducativo. “No Mercadinho, as crianças podem fazer comprinhas, usar a caixa registradora, lidar com valores. Já no Pet Shop, elas aprendem a cuidar bem dos animais e na área do Construtor, as peças de encaixe incentivam o raciocínio lógico”, enumera a empresária responsável, CRÉDITO DO FOTÓGRAFO

O local possui espaços com temática como o mercado


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opiniao@emtempo.com.br

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(92) 3090-1010

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Os melhores retratos de Mishima

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Fins e princípios de Eduardo Coutinho

E outras 8 indicações culturais. Pág. 2

Uma amizade infinita, por José Hamilton Ribeiro. Pág. 3

A estranha métrica das letras locais Por que o autor brasileiro quer ser lido na Bulgária? Págs. 4 e 5

4 5 6

Um país gargalha com o Gato Fedorento

Diário de Lisboa Pág. 6

Com Steve McQueen em São Paulo Do arquivo de Ana Francisca Ponzio, 2001. Pág. 7

Questões dançam na cabeça doMenino

A imaginação de Rodrigo Fresán. Pág. 8

Capa

monotipia tipográfica de Claudio Rocha


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MANAUS, DOMINGO, 23 DE FEVEREIRO DE 2014

Ilustríssima Semana O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES EIKOH HOSOE

HQ | AS BARBAS DO IMPERADOR Lilia Moritz Schwarcz, professora de antropologia da USP, adapta o trabalho que publicou em 1998 sobre dom Pedro 2º para o universo dos quadrinhos. Ilustrado por Spacca, o título retrata, em tom bem-humorado, a vida privada do monarca e alguns dos principais momentos da história brasileira no século 19, como a Guerra do Paraguai e o fim da escravidão. Quadrinhos na Cia. | R$ 49 | 144 págs.

LIVRO | O CORPO NO ESCURO O poeta e livreiro na USP Paulo Nunes publica seu primeiro livro, no qual colige versos criados na última década, divididos em dois “blocos”: “Obvni” e “Tempo das Águas”. Ora líricos, ora agudos, os versos refletem a solidão, o abandono e o desencanto do homem contemporâneo. Companhia das Letras | R$ 36 | 120 págs.

MÚSICA | OS MULHERES NEGRAS Autodenominada “a terceira menor big-band do mundo”, a dupla, formada por André Abujamra e Maurício Pereira, apresenta hits da década de 1980, como “Sub” – releitura bem-humorada de “Yellow Submarine”, dos Beatles –, e temas inéditos, frutos da retomada da parceria. Sáb. e dom. (1/3 e 2/3), às 18h | Sesc Belenzinho | R$ 25

POP

ERUDITO

EXPOSIÇÃO | BARTOLOMEO GELPI A mostra “Lá e Ali” ocupa dois espaços em São Paulo. Na Central Galeria de Arte, Gelpi expõe 21 telas produzidas com materiais diversos (por exemplo, tiras de tecido e lona industrial). No Ateliê 397, o artista apresenta a obra “Baleia”, intervenção criada sobre a alvenaria da parede do local. Central Galeria de Arte | de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 10h às 17h | grátis Ateliê 397 | de seg. a sex. das 14h às 19h | grátis | ambas até 20/3

LIVRO | GERTRUDE STEIN A escritora norte-americana (18741946) escreveu, entre 1913 e 1920, 18 peças, agora reunidas em “O Que Você Está Olhando”. Pela ótica do teatro convencional, elas podem ser consideradas de difícil encenação – pois colocam a linguagem acima da trama e dispensam as rubricas. Justamente por essas características, porém, o conjunto permite ver a autora de “A Autobiografia de Alice B. Toklas” como uma precursora radical do que hoje conhecemos como teatro pós-dramático. trad. Dirce Waltrick do Amarante e Luci Collin | Iluminuras | R$ 38 | 184 págs.

Yukio Mishima em foto da série ‘Barakei’ (1963)

1

EXPOSIÇÃO | UKIYO-Ê, E HOJE Enquanto a megaexposição da estrela da arte japonesa Yayoi Kusama (programada para maio) não chega ao Instituto Tomie Ohtake, algumas de suas gravuras integram mostra da galeria paulistana Deco. Obras dela e de outros contemporâneos estarão expostas ao lado de trabalhos de artistas japoneses dos séculos 18 e 19, representativos do ukiyo-ê. O gênero, cujo nome significa “pintura do mundo flutuante”, foi pródigo em retratar costumes da cultura burguesa do período Edo (1603-1867). Divulgadas na Europa no século 19, peças do período influenciaram artistas como Claude Monet e Vincent van Gogh. abertura na ter. (dia 25), às 19h | seg. a dom., das 10h | às 19h | grátis | até 25/3

FOTOGRAFIA | EIKOH HOSOE O butô de Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata e o universo particular do escritor Yukio Mishima, mas também a arte do escultor francês Auguste Rodin estão entre os temas sobre os quais se lançou por cinco décadas o olhar do fotógrafo japonês, de 80 anos. Sete das principais séries criadas por Hosoe entre 1959 e 2010 estarão no Sesc Consolação a partir de quarta (26) – parte das imagens terá como suporte os “emakimonos”, grandes rolos de seda e papel washi. de seg. a sex., das 10h às 21h30; sáb. e feriados, das 10h às 18h30 | até 3/5 | grátis

LIVRO | BENJAMIN E BRECHT O professor de filosofia Erdmut Wizisla, da Universidade de Humboldt (Berlim), vasculha os bastidores da amizade entre o crítico literário Walter Benjamin (1892-1940) e o dramaturgo Bertolt Brecht (1898-1956). O livro recolhe fragmentos de diário, cartas e fotografias dos intelectuais e analisa o desdobramento do afeto mútuo na produção cultural de ambos. trad. Rogério Silva Assis | Edusp | R$ 82 | 408 págs. DVD E MOSTRA | JEAN ROUCH O cineasta francês (1917”’2004) fez da mescla de documentário e ficção o centro de sua filmografia. O IMS lança em DVD dois de seus trabalhos. Em “A Pirâmide Humana” (1960), Rouch reúne dois grupos de alunos de uma mesma escola, europeus e africanos, e propõe a eles um filme sem roteiro. Já “Cocorico! Monsieur Poulet” (1974), inicialmente um documentário sobre o comércio de galinhas, é banhado pela ficção ao longo da filmagem. O IMS também realiza no Rio, até quinta, mostra com filmes de Rouch. DVD | R$ 39,90 | projeções de ter. a qui., às 17h | R$ 16

ESTRANGEIRO Folha.com

Ilustríssimos desta edição ANA FRANCISCA PONZIO, jornalista, crítica e curadora na área de dança, edita o site Conectedance (www.conectedance.com.br). BEATRIZ RESENDE, 65, é professora titular da faculdade de letras da UFRJ. Escreveu “Contemporâneos: Expressões da Literatura Brasileira no Século 21” (Casa da Palavra).

LALO DE ALMEIDA/FOLHAPRESS

JOSELY VIANNA BAPTISTA, 57, é escritora e tradutora. Publicou “Roça Barroca” (Cosac Naify) e traduziu recentemente a “Antologia da Literatura Fantástica”, de Adolfo Bioy Casares, Jorge Luis Borges e Silvina Ocampo (Cosac Naify). LUCIANA VILLAS-BOAS, jornalista e editora, é diretora da VB&M Agência Literária.

CLAUDIO ROCHA, 56, é artista gráfico e tipógrafo.

MADALENA ELEK, 39, é ilustradora e designer.

ISABEL COUTINHO, 47, é repórter do jornal português “Público”.

MARCO RODRIGO ALMEIDA, 30, é redator da “Ilustríssima”.

JOSÉ HAMILTON RIBEIRO, 78, jornalista ganhador de sete prêmios Esso, é repórter especial do “Globo Rural” (TV Globo) e autor de “O Gosto da Guerra” (Objetiva).

RAQUEL COZER, 35, é colunista da Folha. RODRIGO FRESÁN, 50, é escritor argentino, autor de “Jardins de Kensington” (Conrad).

EXPOSIÇÃO Mostra do fotógrafo japonês Eikoh Hosoe A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha >>folha.com/ilustrissima


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Memórias

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O final errado

As imperfeições absolutamente certas de Eduardo Coutinho RESUMO Amigo recorda trajetória de Eduardo Coutinho, morto no último dia 2. Indo do jornalismo ao cinema, o documentarista perseverou em sua convicção de que os filmes não deviam perseguir o belo e o grandioso, mas a vida, em suas imperfeições, e que toda e qualquer história vale por si e, portanto, merece ser contada.

JOSÉ HAMILTON RIBEIRO

No filme “Edifício Master” (2002), Eduardo Coutinho, sentado numa cadeira, entrevista moradores de um prédio classe média baixa de Copacabana. Pessoas comuns, histórias comuns. Começa e termina com

gente contando sua “vidinha mais ou menos”, aí já mostrando o propósito do diretor – “cada vida dá um livro”, ou “nada é mais importante para uma pessoa que sua própria história”, ou “o espetáculo do homem é mesmo o homem”. O filme vai mostrando as entrevistas, mas uma delas, no terço final, indica – para um observador comum – que ali está o fim. Um personagem forte conta quanto sabia da história de Frank Sinatra (a quem até tinha visto de perto) e termina imitando o cantor em “My Way”. Empolga-se à medida que canta, seu rosto fica vermelho do esforço, e nos acordes finais, diz, abrindo os braços, no último fôlego: “Fim!”. É, mas o filme não termina aí. Passa o personagem do “My Way”, vêm outras “entrevistas comuns” e “Edifício Master” morre como se tivesse acabado o tempo do filme. – Coutinho, o homem do “My Way” não era naturalmente – e gloriosamente – o final do “Edifício Master”? – Você não é a primeira pessoa a me dizer isso... Coutinho falava rápido. Não falava, metralhava as palavras,

aparentemente sem pensar nas respostas, como se já soubesse as perguntas. Tinha dificuldade em palavras com dois erres. Assim, dizia em espanhol “muer”, em vez de “murrer” (“mujer”); “esfia”, em vez de “esfirra”. Era um querido amigo; puro, bom, solidário, leal, honrado. Nos conhecemos como jovens jornalistas em São Paulo na segunda metade da década de 1950; ele na revista “Visão”, eu, na Folha. Uma circunstância muito nos aproximou: seus pais eram separados, e ele ficara do lado da mãe, dona Carolina, que se unira a um jornalista, Aristides Lobo, também da Folha. Aristides era um comunista histórico, passível de ser preso a qualquer hora. E eu gostava muito dele. Quando me levou num domingo para almoçar em sua casa, dei ali com Eduardo Coutinho e ficamos ainda mais próximos. Todos nós torcíamos por sua atuação num programa de TV, “Absolutamente Certo!”, uma espécie de gincana intelectual em que a pessoa respondia sobre um tema de sua escolha. Coutinho escolhera Chaplin e, aflito como era, não esperava o locutor terminar a pergunta,

já emendava a resposta – certa, “absolutamente certa”. Entrara no programa com objetivo declarado de continuar até que conseguisse dinheiro para ficar dois anos em Paris estudando no Instituto de Altos Estudos Cinematográficos. Quando alcançou o dinheiro que queria (nem era muito, Coutinho sempre foi modesto e frugal), saiu do programa, deixando em todos a impressão de que, se quisesse, poderia ficar ali até ganhar uma bolada. Era quase impossível formular uma questão sobre Chaplin cuja resposta ele não soubesse. Isso era em 1957 e, nesse ano, o destino nos uniu mais ainda: fomos os dois ao Festival da Juventude Comunista, em Moscou. Depois de um mês na União Soviética, um convite para outro mês em Praga, mais um em Berlim (do lado comunista, quanta mordomia!) e um tempo na França (já a essa altura comendo sanduíche). Ficamos quase seis meses juntos no exterior. O filme “O Cangaceiro” (1953), de Lima Barreto, estava rodando o mundo com tanto sucesso que as pessoas que a gente conhecia no “mundo comunista”

nos chamavam – ao Coutinho e a mim – de cangaceiros. Coutinho era o “Cangaceiro chico” e eu, um pouco mais alto, o “Cangaceiro grande”. Voltei para o Brasil, ele ficou na França para passar seus dois anos no “Institut” de cinema. Nos reencontramos nos anos 1980, na TV Globo. Ao lado de Washington Novaes, Coutinho era mestre na edição do “Globo Repórter”, e ambos eram escalados para ajudar eventuais repórteres novos por lá – como era o meu caso. Nesse tempo, ele já estava com “Cabra Marcado para Morrer” na cabeça; só faltava a decisão de deixar o emprego e ir atrás do dinheiro – coisa para a qual ele era praticamente inábil. – Coutinho, você está com uma obra-prima na mão! – Tá mais é pra matériaprima... À medida que fazia filmes, expunha – metralhava – suas ideias: “Filme militante é uma tragédia porque já está escrito antes” (numa conversa com Zuenir Ventura). Sobre seus filmes serem toscos, sem acabamento: “A pureza e a perfeição são fascistas”.

“Então meus filmes são pela vida, porque a vida será sempre imperfeita. A perfeição é a morte” (conforme citado pela antropóloga Debora Diniz em entrevista a Mônica Manir, no caderno “Aliás”, de “O Estado de S. Paulo”). Enquanto a agenda não ficou carregada por sua nova condição de celebridade, toda vez que vinha a São Paulo me ligava e a gente se via. Na estreia de um de seus filmes, na sala de cinema da livraria Cultura, na avenida Paulista, comentei com ele: – Quem poderia pensar que você, que precisou ganhar dinheiro para estudar cinema se exibindo na televisão, iria ser o cineasta tão premiado de hoje? – Se é por prêmio, você deve ter a resposta: volta e meia vejo notícia que você ganhou prêmio de jornalista... – Seja por você ou por mim, o que explica tanto prêmio? – Acho que estamos durando muito... Coutinho era um pouco mais velho que eu. O fato de comer de maneira irregular e de viver sempre com um cigarro na boca parece que cobrou caro de sua saúde, seu rosto, sua postura.


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Letras brasileiras ANÁLISE

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A tradução, essa faminta quimera Para quem escreve o autor local? RESUMO Propelida por programas de apoio à tradução, obsessão do autor nacional por reconhecimento no exterior mascara desprestígio da ficção brasileira no mercado local. Pouco e mal editados no país, escritores que não venham de carreiras de sucesso em jornal ou TV dependem em larga medida de compras do governo.

LUCIANA VILLAS-BOAS ILUSTRAÇÃO CLAUDIO ROCHA

O autor brasileiro é vidrado numa tradução. Tradução de sua própria obra, bem entendido. Não há prêmio, elogio de leitor nem sequer boas vendas no Brasil que se comparem à validação de seu texto por uma editora estrangeira. Se possível, a tradução para o inglês, mas servem versões exóticas, como para o sérvio ou o romeno, edições sem significado monetário e que atingem uns 300 leitores. Dão a impressão que se está chegando longe. Por isso, passado quase meio ano da homenagem ao Brasil na Feira do Livro de Frankfurt, percebe-se uma amargura entre muitos escritores: “Não disseram que a homenagem iria escancarar as portas do mercado internacional para o autor brasileiro?”, perguntam. Que eu saiba, ninguém disse isso. Se disse, era um ingênuo falando do que não conhece. Este artigo não quer criticar ou ridicularizar a participação do Brasil em Frankfurt. Nem elevá-la a momento de gala da nossa literatura. A homenagem se ressente por não ser pensada como uma instância da política do Ministério da Cultura visando à exportação da criação literária brasileira. Avaliar o projeto do governo é relevante porque ajuda a elucidar a situação da literatura no Brasil e põe em perspectiva a quimera da tradução, que tanto persegue e é perseguida pelos escritores. Não existe tabulação do número de autores brasileiros hoje traduzidos no exterior em comparação com dez anos atrás. Mas o multiplicador é altíssimo. Naquela época, até nossos clássicos estavam em baixa, como Jorge Amado, tão popular nos EUA e Europa na década de 70 do século passado. Hoje, além de estarem aparecendo novas traduções de Amado, Clarice e Machado, muitos escritores não canônicos podem ser lidos

em inglês, francês, alemão, espanhol, italiano, em alguns desses idiomas, ou em todos eles e outros. Essa relativa capilarização da literatura brasileira no exterior é resultado quase exclusivo do programa de tradução da Biblioteca Nacional reinventado em 2011. O programa já existia, mas não honrava seus compromissos, as bolsas prometidas não eram pagas, e sua credibilidade era zero. Foi difícil recuperar a confiança do editor estrangeiro. Fábio Lima, da Biblioteca Nacional, informa que, entre 2011 e 2013, foram concedidas 390 bolsas de tradução para 181 autores. Pompa Além de cumprir o combinado, o programa deslanchou graças ao pacote que foi montado: anúncio com pompas em Paraty e gancho com homenagens em várias feiras, não só a de Frankfurt – mas esta sempre mencionada com destaque. Foi naquele momento e com essa função que a homenagem na Alemanha teve importância. A crise econômica prestou sua contribuição: até editoras internacionais da primeira divisão viram com ótimos olhos a possibilidade de publicar autores de qualidade pagando adiantamentos baixos e recebendo uma injeção de grana antes de incorrer nos custos do processo editorial. Diante das planilhas da BN, fica difícil compreender por que nossa literatura não ganhou mais impulso. Mesmo considerando as bolsas que foram para a não ficção, é muito livro brasileiro no panorama internacional. Mas, sem cobrar do pessoal da Biblioteca o que eles não podem saber, os profissionais do mercado entendem que esse número deve ser ponderado. O primeiro problema que se pode supor é a concentração de bolsas beneficiando poucos ficcionistas. O segundo problema é que a maioria delas foi para editoras mínimas em mercados insignificantes – países africanos ou do Leste europeu. Não vamos defender que não se contemplem essas editoras, porque a lógica do Estado é outra e, para o Brasil, pode ser estratégico ter sua literatura na África ou entre vizinhos sul-americanos. Mas houve casos de gente com o olho só no dinheiro da Biblioteca, sem intenção de lançar dignamente os livros contratados. O problema mais grave é o terceiro, que escapa ao controle do ministério. Se os gastos do governo em Frankfurt foram excessivos, ou se a delegação não era representativa, não importa agora. A discussão aqui é mais ampla. Seria desejável que o programa continuasse, talvez com mais atenção ao detalhe, mas que não fosse ameaçado por novas administrações. A literatura nacional ainda não

anda com as próprias pernas no mercado internacional; e, depois dos escritores, o principal interessado numa imagem literária da nossa cultura é o Estado brasileiro. Não se leva a sério um país que se reduz a samba e futebol; espera-se que sejamos alfabetizados, e a literatura seria nosso melhor testemunho. Comparado com outros programas de projeção da imagem do Brasil, o da BN parece apresentar boa relação custo x benefício. O governo só não pode gastar mais do que gasta, e o programa não deve ser ampliado enquanto o setor editorial não somar esforços. Há dois anos, o governo faz a sua parte, e está de bom tamanho. Farra Em sua coluna da Folha, às vésperas da inauguração da Feira de Frankfurt, Elio Gaspari afirmou que a homenagem era uma “farra” com o dinheiro da Viúva para beneficiar os editores brasileiros. “Se os empresários do mercado editorial precisassem de homenagem na feira poderiam recebê-la com o dinheiro deles”. A verdade é que os editores jamais investiriam um centavo na participação do Brasil em Frankfurt não porque contassem com tirar vantagem do governo, mas porque a maioria estava se lixando para a homenagem, não tinha o menor interesse nela, assim como, com raríssimas e notáveis exceções, se lixa para a literatura brasileira. Se houve farra, não foi promovida por ou para eles, estão inteiramente inocentes. Mas o desinteresse dos editores é mais de se lamentar do que de elogiar. Não há dados da porcentagem de livros brasileiros entre o que se publica de ficção no país. No perspicaz artigo “Tendências do mercado de livros no Brasil: um panorama e os best-sellers de ficção nacional 2000-2009” (revista “MATRIZes”, 2012), Sandra Reimão não divulga esse número, mas consegue denunciar a inexpressividade do ficcionista brasileiro nas listas de mais vendidos. Na primeira década do século, os autores que conseguiram furar o bloqueio estrangeiro foram: Luis Fernando Verissimo, Jô Soares, Chico Buarque, Paulo Coelho, João Ubaldo Ribeiro, Letícia Wierzchowski, Luiz Eduardo Soares e Orlando Paes Filho. À exceção de Paes Filho, autor do gênero fantasia, todos são nomes que vinham de carreira de sucesso em jornal, TV ou música (Verissimo, Jô e Chico), ou que se consagraram como escritores antes da última década do século 20, chegando ao novo milênio já com ampla presença na mídia (João Ubaldo e Paulo Coelho), ou que tiveram o apoio de TV ou cinema para seus ro-

mances (Wierzchowski com “A Casa das Sete Mulheres” e Luiz Eduardo Soares com “Elite da Tropa”/”Tropa de Elite”). Há exemplos recentes que ilustram a tese da professora: textos ótimos que, assinados por um autor desconhecido, estariam longe das listas. E esses autores e mais todos os outros brasileiros publicados não representam 5% das obras de ficção lançadas anualmente – essa é minha chocante projeção do alto de 20 anos de trabalho no meio editorial, acompanhando carteiras de lançamento das editoras, como jornalista, editora ou agente. Muletas Esse é o grande obstáculo para a internacionalização da ficção brasileira: nossa literatura não anda com as próprias pernas em seu país. Precisa das muletas de outro veículo ou forma de comunicação. Não temos volume ou variedade. Entre os autores traduzidos nos últimos dois/três anos, alguns tiveram desempenho razoável no exterior, foram reeditados, mas nenhum causou impacto semelhante ao do sueco Stieg Larsson, que expôs para o mundo a literatura de toda a Escandinávia. Principalmente, nenhum autor brasileiro chegou a terras estrangeiras com um histórico inequívoco de consagração nacional. A não ser Paulo Coelho, cuja literatura não foi percebida lá fora como brasileira, ao mesmo tempo que o Brasil tolamente não a reivindicou, incluindo aí a crítica e os colegas escritores. Sua popularidade intercontinental não teve como abrir portas para outras obras brasileiras – um caso excepcional. O divórcio entre literatura nacional e sociedade é uma vergonha para o Brasil. Não é preciso recorrer a parâmetros de mundo desenvolvido; fiquemos na América Latina. Argentina, Chile, México e Colômbia consomem a ficção local muito mais do que nós. Comparemos a literatura brasileira à do Chile, que tem menos habitantes do que a Grande São Paulo. Em viagens pela Europa, ou em Nova York, eu costumava fazer de brincadeira uma pesquisa sobre a presença brasileira e de outros países nas livrarias que visitava. Aconteceu na Fnac, na Feltrinelli, Bertrand, na livraria do El Corte Inglés, Barnes & Nobles, La Hune. Pegava um atendente de jeito e perguntava se saberia me dar, sem recorrer ao computador, um nome de escritor brasileiro. Quando ele conhecia a nacionalidade de Paulo Coelho, era o que vinha. Se não conhecesse, não vinha nada. Tenho curiosidade de fazer a brincadeira este ano. Algo pode ter mudado na Alemanha, mas o quadro não deve ter se alterado significativamente. A mesma brincadeira feita

com o Chile era uma humilhação. Em 100% das vezes o nome que primeiro saiu foi de Isabel Allende, mas, se esse fosse “hors-concours”, os atendentes ofereciam como segunda opção Roberto Bolaño, Marcela Serrano, Jorge Sepúlveda, Hernán Rivera Lettelier e Alberto Fuguet: autores reconhecidos como chilenos, que alcançaram sucesso nos Estados Unidos e Europa por iniciarem carreiras internacionais com o lastro da popularidade primeiro no Chile e depois na América Hispânica, para então ganhar o mundo. Divórcio Quando ocorreu o divórcio entre literatura e sociedade no Brasil? Nos anos 1960, Erico Verissimo, Rachel de Queiroz, Dinah Silveira de Queiroz, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues, José Mauro de Vasconcelos e outros escritores, caídos ou não no esquecimento (quem se lembra de Amando Fontes?), constavam do cardápio de assuntos da classe média como hoje só

figuram os atores da TV Globo. Os personagens de romances, e não os das telenovelas, inspiravam os pais na hora de dar nome aos filhos. Quantos Rodrigos com mais de 45 anos não se chamam assim por causa do capitão de Erico? Era uma sociedade polarizada politicamente e muito mais literária. De minha infância no seio de uma família politizada, mas não de intelectuais – o pai jornalista, leitor de marxismo e reportagens, a mãe dona de casa com boa leitura dos clássicos e de tudo que lhe caísse nas mãos –, lembro de discussões furiosas com as tias lacerdistas sobre a posição de Rachel de Queiroz frente ao golpe de 64, ou sobre a conveniência de Guimarães Rosa assumir a cadeira da Academia Brasileira de Letras quando a ditadura fechava o cerco sobre a instituição. Os pais não problematizavam como incutir nos filhos o hábito da leitura. Ler era “default”. Sem priorização consciente do nacional (eu adorava Mark Twain e Laura


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Ingalls Wilder), antes dos dez anos, minha irmã e eu lêramos, com gosto, todo Monteiro Lobato, Viriato Corrêa, muito José Lins do Rego, José Mauro de Vasconcelos, José de Alencar, o jovem Machado, “A Moreninha”, “A Bagaceira”, “Os Corumbas”, “Capitães da Areia”, “O Cortiço”. Era literalmente o que caísse nas mãos, e o que caía era muito mais brasileiro do que tradução. Os pais problematizavam a idade adequada para ler “Dona Flor e seus Dois Maridos”, licença que penei para ter. Chegaram os anos de chumbo, e a competição estrangeira se fez sentir, mas nada que impedisse o brasileiro de devorar “Bar Don Juan”, de Antonio Callado, e “Sargento Getúlio”, de João Ubaldo, de 1971. O primeiro romance de Rubem Fonseca, “O Caso Morel”, chocou em 1973, mesmo ano em que “Água Viva”, de Clarice, intrigou e deslumbrou; “Galvez, o Imperador do Acre”, de Márcio Souza, e “Essa Terra”, de Antônio Torres, encantaram os leitores em 1976; e “Zero”,

de Ignácio de Loyola Brandão, publicado primeiro na Itália, provocou ondas de indignação quando foi recolhido pela censura, para retornar em 1979. Diga-se que na década de 70 não era só Jorge Amado que conquistava edições no exterior. O trabalho de José J. Veiga angariou tal respeito e admiração no Brasil que chegou ao inglês pela prestigiosa Knopf, com a publicação de “A Hora dos Ruminantes” e “A Estranha Máquina Extraviada”. “Galvez” e “Zero” foram muito traduzidos, assim como, na primeira metade dos anos 80, “Viva o Povo Brasileiro”, de João Ubaldo, consagração crítica e estouro de vendas do autor. Década perdida Os 80, a notória “década perdida”, viram o reconhecimento da autoficção de Marcelo Rubens Paiva e Fernando Gabeira, e dos romances de Caio Fernando Abreu e Ana Miranda, mas a relação entre sociedade e literatura já estava esgarçada. Em 1987, saiu

“O Diário de um Mago”, mas vimos a excepcionalidade de Coelho. Para a ficção brasileira, a década perdida foram os anos 90. O que permitiu que o imaginário brasileiro fosse tão absolutamente sequestrado pela televisão? A ditadura começou solapando o sistema de ensino e a rede escolar; desvalorizando a crítica, o saber humanístico, o hábito da leitura, e agigantando a TV Globo. Mas o fator determinante foi a inflação, pondo desafios incomensuráveis à atividade do editor e fazendo com que ele buscasse a facilidade da literatura traduzida. Ao estrangeiro, em geral, só se presta contas uma vez por ano, algo inviável no tratamento com o escritor brasileiro, diante do quadro inflacionário. Os investimentos em marketing eram mais difíceis de recuperar quando se tratava de revelar um talento nacional; o autor estrangeiro chegava consagrado, bastando mandar para as redações fotocópias da crítica no país de origem para garantir

o destaque da imprensa. A oferta anglo-saxônica era ampla e variada bastante para abastecer as editoras em atividade – baixa concorrência que permitia, até a virada do milênio, a aquisição dos direitos por somas razoáveis. E a literatura americana desenvolvera largamente um tipo de ficção deglutível por um leitor menos contumaz e sofisticado do que aquele da geração anterior – e viciado na linguagem televisiva. Uma ficção que não havia no Brasil. Motivos suficientes para o editor se acomodar na publicação de estrangeiros. Os brasileiros sumiram das carteiras de lançamento. Quando havia lugar para o nacional, era uma tiragem de 2.000 exemplares, sem visibilidade, que não vendia nem arranhava a lista de mais vendidos. A perfeita profecia autorrealizável: leitor gosta mesmo é da literatura americana. Expansão Veio o real, e a moeda estabilizada permitiu a expansão do

negócio editorial. Dezenas de novas editoras se somaram à indústria do livro; a concorrência por direitos de publicação e espaço na livraria profissionalizou as práticas do mercado. O baixo nível educacional da mão de obra já consternava até o meio empresarial. Com a democracia consolidada, setores do empresariado e opinião pública (por exemplo, novelas da Globo) e campanhas do governo começaram a valorizar o hábito de leitura. A distribuição da renda permitiu a entrada de novos leitores no mercado, nem sempre apreciadores da melhor literatura, mas leitores. Os números de vendas de Dan Brown, J.K. Rowling, Khaled Hosseini, E.L. James e Suzanne Collins – alguns milhões no mercado nacional – documentam isso de maneira lapidar. Só não foi convidado para a festa o escritor brasileiro. Nem de longe se beneficiou da nova conjuntura do mercado mais simpática ao livro. (Exceção feita àqueles voltados para o leitor jovem, que souberam usar os recursos da internet para construir seu público e se impor às casas editoriais.) O editor se esquecera de por que não publicava literatura brasileira e não via por que mudar de atitude. Nem a explosão de feiras literárias projetando autores locais (secundariamente aos estrangeiros) o impressionou muito. Quem veio em socorro do autor foi o bom e velho Estado brasileiro, a quem os escritores devem infinitamente. Se no século 20 o Estado os sustentava com sinecuras, nos últimos anos garantiu a sobrevivência da categoria aumentando as compras dos governos federal e estaduais para bibliotecas e escolas, nas quais a literatura nacional ainda compete com vantagem em relação às obras traduzidas. As compras do governo permitiram que as editoras mantivessem uma fresta de porta aberta à ficção local. A preferência voltou-se para os clássicos, depois de alguns terem atravessado longo ostracismo, mas vêm sendo feitas apostas em autores menos consagrados na esperança de que os prêmios literários que também surgiram desde a virada do século possam ungi-los com a boa crítica que conduz à rampa das aquisições governamentais. No entanto, já ouvi de muito editor estrangeiro e de “scouts”, os olheiros do mercado editorial, a queixa quanto a certa mesmice no que apresentamos, um “mais do mesmo” que inviabiliza apostas ousadas nos lançamentos. E, sem apostas ousadas, podese dar adeus ao sonho de um grande estouro de vendas e popularidade. Sem estouro de vendas ou clara consagração com prêmios internacionais, “bye-bye” ao nosso sonho de visibilidade global. Eixo Uma possibilidade de ação editorial seria tentar diluir o poder cultural concentrado no eixo Rio-São Paulo, com esporádicas esticadas ao Rio Grande do Sul, buscando originais em um espectro mais amplo do país. Um livro médio de autor que trabalhou no jornal “O Globo” ou na Folha, que fez estágio no Instituto Moreira Salles ou no Itaú Cultural, que atuou em editoras do eixo, que já entrevistou escritores renomados e conhece as pessoas certas tem muito mais possibilidade de encontrar uma casa que o publique do que um original novo, diferente e excelente de um profissional liberal sem esse capital social e que esteja escrevendo de alguma cidade média ou grande desse

Brasil, que não Rio, São Paulo ou Porto Alegre. É compreensível que a ideia de separar joio do trigo nas pilhas de originais não solicitados chegados de todo o país desanime o editor. Encontram-se textos de valor, mas há muito joio. Desanima até o agente literário, em si figura escassa no mercado. Os profissionais da edição andam sobrecarregados, o trabalho com livro é infinito. Mas é um desperdício. O Brasil hoje é uma sociedade complexa, e há talentos literários de norte a sul, da fronteira continental à costa atlântica, recriando experiências mais diversificadas do que as que temos mostrado ao exterior. Editores no exterior buscam autores consagrados em seus países de origem, cujos livros sejam objeto de escolha dos leitores, não que tenham sido comprados para bibliotecas. Se o Brasil quer que sua ficção seja reconhecida, o escritor brasileiro precisa urgentemente reocupar o seu espaço na livraria. O editor precisa buscar os novos autores e publicá-los com esse objetivo: a vitrine da livraria. O jornalista literário tem que se aliar ao editor e – além de ler e priorizar o autor brasileiro – deve jogar fora as muletas teóricas da faculdade e desenvolver parâmetros críticos mais próximos do gosto do bom leitor médio, que os professores e acadêmicos não têm por que reconhecer. O crítico não universitário tem que aprender a apreciar um texto por sua qualidade intrínseca, pelo seu poder encantatório, e não pelo charme intelectual da editora ou de quem apresenta o autor. E o leitor tem que se despir de preconceitos tolos, como está fazendo quanto ao cinema nacional. Prioridades Para o escritor, sobram tarefas? A primeira é refazer sua lista de prioridades, percebendo que o importante é passar a ser bem publicado no Brasil e que 20 leitores locais são mais preciosos que uma edição na Bulgária. Estou farta de ser abordada por autores mal publicados, com vendas na ordem de mil exemplares, que, após uma conversa sobre expectativas de carreira, dizem: “Mas meu sonho mesmo é ser traduzido para o inglês ou para o francês”. Em qual lugar do mundo um autor de mil leitores sonha com tradução? Qual autor americano chegou ao Brasil (que traduz quase toda e qualquer porcaria publicada nos EUA) com esse histórico de vendas? Vá cuidar de seus leitores aqui, caro escritor, vá para a internet falar com eles, vá cobrar distribuição dos seus editores, vá conversar com jornalistas, vá ver se o que você está escrevendo é realmente bom – antes de cultivar o sonho colonizado e aprisionador do “sucesso no Primeiro Mundo”. A prioridade da literatura brasileira é sua valorização no Brasil. É preciso retomar o espaço perdido no imaginário das pessoas. Nunca mais será como antes, mas TV e cinema jogam hoje a favor da literatura, bebendo cada vez mais em contos e romances para compor suas dramaturgias. Tradução é importante, mas vem depois. Vamos continuar a batalhar por nossos autores no exterior, sabendo que o próximo livro brasileiro a ganhar espaço nas estantes das casas e livrarias, nas listas de mais vendidos, nas páginas da internet, nas conversas dos leitores – pela qualidade, força e magia de seu texto – é que será o principal responsável pela entrada do Brasil no mapa literário internacional.


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Diário de Lisboa

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O MAPA DA CULTURA

Os pináculos da rebaldaria Vagalhões lusitanos, climatéricos ou não

ISABEL COUTINHO

Belisquem-me que não acredito: a “Mixórdia de Temáticas” está de volta. De manhã muito cedo há portugueses, dentro dos seus carros parados nas filas de trânsito, a rirem-se às gargalhadas. Estão a ir para o trabalho ou a levar os filhos à escola e a causa de tanto riso é o regresso da rubrica do humorista Ricardo Araújo Pereira (RAP), o mais famoso dos humoristas do Gato Fedorento, ao “Programa da Manhã”, todos os dias a partir das 7h na Rádio Comercial. A equipa do programa é famosa: Pedro Ribeiro, Vanda Miranda, Vasco Palmeirim e Nuno Markl trabalham juntos há sete anos e lideram as audiências de rádio em Portugal. Mas lideram mais ainda quando a eles se junta o RAP e suas personagens. Um ano depois de ter terminado a série Ribeiro, a “Mixórdia de Temáticas” regressou a 3 de

fevereiro com a série Miranda. A primeira série deu um livro, e a rubrica, que costuma ser gravada em vídeo diariamente, pode ser vista no Facebook e no YouTube ou ouvida em podcast no iTunes. ‘Turismo de Borrasca’ Um dos últimos esquetes chamava-se “Turismo de Borrasca” e contava a história da personagem Abel Miranda, que gosta “muito de ver mau tempo” e é apaixonado pelos “três grandes pináculos da rebaldaria climatérica”: “o tufão, a saraivada de granizo e a agitação marítima”. É que Portugal tem estado em alerta por causa do mau tempo, das ondas gigantes, dos ventos fortes, da chuva e da neve. E, como os portugueses não estão habituados a ter de lidar com tempestades com nomes de pessoas, como Hércules ou Stéphanie, não resistem a ir ver o espectáculo. Nos últimos tempos têm aproveitado “para irem ver o mar nos paredões e a fugir sempre que veem uma onda”. É “como se fosse uma garraiada”, mas em vez de ser com touros é com

Pelo caminho, Adriana Calcanhotto participará do 4º Festival Literário da Madeira, em Funchal, de 17 a 23 de março. Ao lado dela estará o escritor Luiz Ruffato. Nesta semana que agora termina, aconteceu no país a 15ª edição do Correntes d’Escritas, o Encontro de Escritores Ibero-americanos na Póvoa de Varzim, que neste ano teve como convidado Michel Laub.

“vagalhões”. Diz que o RAP escreve os textos de madrugada, corre para a rádio, distribui pela equipa e todos participam na leitura. É uma risota. Os ouvintes telefonam e mandam recados pelo Facebook. Segue-se a rubrica “O Homem que Mordeu o Cão”, em que o humorista Nuno Markl aborda notícias bizarras e que já deu também origem a best-sellers e a um espectáculo ao vivo. RAP tem participado do Ri-

sadaria, em São Paulo, e, no ano passado, Nuno Markl esteve também no Brasil a fazer o documentário sobre os actores de telenovelas que fascinaram os portugueses nos anos 1980. Chama-se “Tudo o que Sei Aprendi com as Novelas da Globo” e um dia desses estreia. E, como o Brasil está sempre no nosso coração, este 2014 será o Grande Ano do Brasil aqui no jornal em que trabalho. O “Público” (www.publico.pt) con-

vidou Adriana Calcanhotto para ser “directora por um dia”. Ela cuidará da edição especial de aniversário, que será publicada a 5 de março, dia em que o jornal celebra 24 anos. A gaúcha passará uns dias em Lisboa a preparar essa edição. Há a coincidência de ela ter editado o seu primeiro disco em 1990, ano em que o “Público” saiu para as bancas pela primeira vez, e de ter um disco que se chama “Público”.

Beleza esmagadora Ninguém duvida da beleza das ondas gigantes, mas, para dias de chuva, melhor passar o tempo na mostra “O Peso do Paraíso”, de Rui Chafes, que este mês se inaugurou no Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian. Abrange 20 anos de produção do artista, que nasceu em 1966 e que traz em si o peso de, nos anos 1990, ter sido considerado um “génio”. Chafes mostra suas esculturas gigantes em ferro, mais de cem obras espalhadas pelo CAM e pelos jardins da fundação. Chama-as “momentos de vida triunfante” e são de uma beleza esmagadora.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Onde estão os negros? ADRIANA GUIVO - 27.04.01/FAAP

SãoPaulo,2001

Artista plástico e cineasta Steve McQueen (de rosa), do favorito ao Oscar ‘12 Anos de Escravidão’, durante sua fala para estudantes da Faap

ANA FRANCISCA PONZIO

“Sinto muito se eu esperava ver negros na universidade. Nunca mais farei essa pergunta”. Com essa frase irônica e dita em tom mal-humorado, Steve McQueen despediuse da turma de alunos do departamento de artes da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) que, em um dia de abril de 2001, compareceu a um encontro com o artista plástico britânico, que acabava de inaugurar uma exposição no MAM-SP (Museu de Arte de São Paulo). Na época, aos 31 anos, antes de se tornar o diretor de três longas que ampliaram a difusão de seu nome – o mais recente, “12 Anos de Escravidão”, concorre a nove Oscars no domingo que vem –, ele não parecia nada animado com a agenda de compromissos daquela estada na cidade. Diante dos alunos da Faap, sempre com ar provocador, indagou por que não havia negros naquela plateia universitária e em outras situações, como o vernissage de sua exposição, ocorrido na véspera. Ao deixar clara sua decepção com o elitismo que vinha presenciando, McQueen desencadeou um clima de desconforto. A maioria dos estudantes reagiu com um “não é bem assim”. Alguém disse que ali era a faculdade mais cara do país e que, antes de tirar conclusões, ele deveria procurar conhecer melhor o Brasil, visitar diferentes regiões e se deparar com a

multiplicidade cultural do país. “Vocês estão muito defensivos, parece que pisei em algo sensível. Não estou agitando bandeiras, mas, desde que aqui cheguei, percebo que as pessoas não ficam à vontade quando toco nesse assunto. É como se certas questões, no Brasil, estivessem deixadas de lado, tornando-se invisíveis”, disse. No fundo da sala, eu me surpreendia com aquele primeiro encontro com McQueen. Eu lá estava para escrever sobre o cogitado intercâmbio que deveria ocorrer entre estudantes brasileiros de artes e aquele artista plástico com nome idêntico ao de um dos atores mais famosos do cinema americano, que parecia avesso a bajulações sociais. O texto me havia sido solicitado pelo No. (No Ponto), publicação virtual então recém-lançada, que deixaria de existir em 2007 (já com o nome No Mínimo). Se bem me lembro, não havia outra chance de contato com McQueen, que não estava marcando entrevistas durante a rápida passagem por São Paulo. Aquele tumultuado encontro, no entanto, muito revelou sobre o artista, que ganhara o Prêmio Turner dois anos antes e que hoje é mais conhecido como cineasta. Na exposição no MAM, foram exibidos três vídeos de McQueen, que considerava uma evolução ter abandonado os tradicionais desenho, pintura e escultura para fazer uso da câmera. “Estou interessado em fazer um trabalho que não seja rotulado”, explicou, quando eu lhe perguntei

sobre sua obra. Suas videoinstalações ficaram na memória. Feitas a partir de registros nas antigas películas de 16 mm ou super-8, depois convertidos em vídeo, impressionavam pelo virtuosismo com que ele captava os movimentos. “Bear”, em preto e branco e com 10 minutos de duração, mostrava dois negros, um deles o próprio McQueen, em uma luta quase ritualística. As imagens, projetadas do teto ao chão de uma parede, numa sala escura, interferiam na mobilidade e no sentido de espaço do observador, estimulando-o a se deslocar e despertando uma noção de ameaça. “Quero que meu trabalho tenha o efeito de um bumerangue, que vai e volta. Prefiro filmar em preto e branco porque permite evidenciar os contrastes do movimento e os limites esculturais das imagens. A cor representa um excesso, que eu procuro sugar como se estivesse usando uma seringa. Por meio do silêncio que envolve a exibição dos filmes, procuro gerar um estímulo no observador, de maneira que ele fique mais sensível a si mesmo, percebendo sua própria presença e respiração”, definiu McQueen. A fragilidade humana, as situações de encarceramento físico e psicológico e também as injustiças sociais foram as conotações mais fortes deixadas pela obra de McQueen e por suas reações naquele encontro de quase 13 anos atrás. Hoje, dão coerência e alargam a compreensão sobre esse artista, que se diz influenciado apenas pela vida real.


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Imaginação PROVA, POESIA E IMAGINAÇÃO

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A parte inventada

RESUMO Um dos principais escritores de língua espanhola de sua geração, o argentino radicado em Barcelona Rodrigo Fresán, 50, lançou na quinta-feira passada, na Espanha, seu novo romance, “La Parte Inventada” (ed. Literatura Random House). O texto acima é um trecho do livro, selecionado pelo autor para a “Ilustríssima”.

RODRIGO FRESÁN ILUSTRAÇÃO JOSELY VIANNA BAPTISTA ILUSTRAÇÃO MADALENA ELEK

Aqui e agora, nesse momento, o Menino na praia tem “preocupações” mais infantis, mas também de difícil solução. Muitas delas – faltam ao Menino, e lhe fazem falta, palavras, formas de organizá-las – são mais intuídas que verbalizadas e pensadas; outras lhe ocorreram um pouco mais tarde, mas sempre irá se lembrar delas como sendo parte e partes de uma infância sem fronteiras ou limites claros. Questões que, às vezes, parecem enlouquecê-lo na medida, na praia, porque ele ainda não está “louco demais”. Exemplos dispersos que, traduzidos para um formato adulto, soariam mais ou menos assim: * Por que o Superman parece fazer o mesmo esforço – a mesma tensão muscular, o mesmo cenho franzido – na hora de levantar um carro ou de alterar, aos trancos, a órbita de todo um planeta? O que o leva a pensar: é realmente produtivo para a humanidade que o Superman e seus amigos – entenda-se: Batman & Cia – cuidem tanto assim de nós e com tanta eficácia? Não é um tanto inquietante que toda vez que o Homem de Aço ou o Homem Morcego são momentaneamente neutralizados por um de seus muitos arquiinimigos – entenda-se Lex Luthor ou o Coringa – nem a polícia nem o Exército nem a sociedade em conjunto possam fazer alguma coisa? E que, entregues à observação do uso do superpoder ou da mega-habilidade, se limitem a não fazer nada além de rezar pela – felizmente inevitável

e nunca muito tardia – recuperação e fulminante vitória do paladino, até a próxima aventura em que começa tudo de novo, e assim por diante? (Muito tempo depois, o Menino definiria os cada vez mais absurdamente evoluídos e multifuncionais celulares e seus aplicativos de natureza “social” como “super-heróis de bolso sem os quais não conseguimos mais viver e dos quais dependemos sem fazer a menor ideia de que eles são supervilões”.) * Por que os expedicionários que chegam à Ilha da Caveira do King Kong não escolhem levar para a civilização um dinossauro mais fácil de controlar, com cérebro pequeno e apetites simples – e, como espetáculo, muito mais vistoso e impressionante –, em vez de um gorila gigante e instável fascinado por loiras? E por que nesses filmes de monstros japoneses alguém sempre para de correr e se vira e levanta os braços aos gritos, imóvel, antes de ser esmagado pela pata de um gigantesco réptil? * Como é possível que a ioga que sua mãe pratica – visões aterrorizantes do pé dela em cima da cabeça, da cabeça dela no meio das pernas, daquela elasticidade de massa de modelar de todo seu corpo – seja uma coisa benéfica, e não exatamente o contrário? * Por que o queijo tem buracos? * Por que as pessoas que cantam “Parabéns pra Você” sempre parecem estar pensando em outra coisa e por que alguns não chegam nem a cantar, limitando-se a mover os lábios sem emitir nenhum som, tal como cantam, o que ele logo irá comprovar, o hino nacional em atos escolares? E o que fazem ali aquelas pessoas cantando parabéns com um ódio disfarçado, como se lhe desejassem o pior, como se estivessem zombando por você estar comemorando a passagem do tempo, do seu tempo? * Quem decide as cores dos países nos mapas e globos terrestres e é possível arranjar trabalho fazendo isso? * Por que os dedos da mão têm nome, e os dedos do pé não? (Questão que vai ficar ainda mais intrigante quando no colégio ele descobrir que, em inglês, os dedos da mão se chamam “fingers”, e os dos pés, “toes”.) * Aquele halo que circunda a cabeça de Cristo é a representação gráfica da poderosa enxaqueca causada pela coroa de espinhos? * Por que todo mundo teima em encontrar as semelhanças com os bebês, se é perfeitamente óbvio que os bebês não se parecem com ninguém, com nada, a não ser com eles próprios? * A gelatina é animal, vegetal, mineral ou interplanetária? * Por que as piadas não conseguem ser guardadas – pois o impossível não é se lembrar delas, e sim não se esquecer delas – e se dissolvem tão rápido na memória? (Enig-

ma que crescerá com ele e, mais maduro, vai se traduzir num “Será que piadas são feitas da mesma matéria que os sonhos?”) * E por que na hora dos contos de gênios – muito mais interessantes que os contos de fadas – o último e terceiro desejo nunca é “Quero mais três desejos” e, assim infinitamente, possibilitando que se inclua, então, pedidos absurdos, tais como que o melhor aluno deixe de saber as lições, que a água da piscina vire Coca-Cola, que o final de semana dure um ano inteiro ou que, caso sobrem desejos, exista paz e amor no mundo inteiro, incluindo, aí, seus pais? Há dezenas, centenas de questões como essas dançando na cabeça do Menino. Mas nem todas as “preocupações” dele, é claro, são tão sofisticadas. Ele também tem pânico de mulheres gordas, que não considera simplesmente malvadas, e sim, em disney- língua, malignas, ou malévolas, ou maléficas. O mal, porém, já está feito, ou o mau funcionamento já foi ativado. E o Menino agora é alguém sem muito bom senso e já pensa como um daqueles primitivos brinquedos de corda e de lata. Como seu brinquedo favorito. Brinquedo – embora o Menino não consiga nem imaginar uma coisa dessas, que as coisas possam deixar de ser – prestes a deixar de ser fabricado. Prestes a ser descontinuado, como acontecerá com os piões faiscantes e com os macaquinhos tocando bumbo. Modelo esgotado que vira item de colecionador: o elo perdido entre a eterna tração animal dos brinquedos politicamente corretos e o som e a fúria dos monstrengos eletrônicos e informatizados prontos para aterrissar e invadir. E, embora o Menino não saiba disso, existem muitos meninos como ele. Lá fora. Sendo criados em segredo e prontos para a linha de montagem. Infiltrados em lares terrestres como alienígenas esperando o sinal de ligar a fim de mostrar a que vieram, para alegria dos psicólogos especializados. Meninos cujas infâncias serão modificadas pela separação em série de pais pouco sérios. Meninos que, de repente, para não pensar nisso, que é tão estranho, vão começar a pensar em coisas ainda mais estranhas, a pensar muito, o tempo todo, para não pensar nem um pouco. “Ei, estão chegando os novos Filhos de Pais Divorciados. Peça para o papai e para a mamãe neste Natal!” E o vírus vai aumentar de intensidade daqui a muito pouco tempo, e

para sempre. E haverá mais perguntas, perguntas crescentes, à medida que ele for crescendo, sem que, por isso, fique mais velho ou menos brincalhão: * O que essa vírgula está fazendo no meio dos números? Não seria a matemática uma coisa criada exclusivamente para enlouquecê-lo, uma conspiração universal na qual todo mundo finge que está entendendo alguma coisa que, sem dúvida nenhuma, é incompreensível e não faz nenhum sentido nem tem a menor lógica? E por que um psicótico é aquele que tem certeza de que 2 + 2 são 5, ao passo que um neurótico sabe que 2 + 2 são 4, mas não consegue suportar isso? E como será classificado quem sempre pensou que 2 + 2 equivalem a 1 + 1 + 1 + 1 ou ao número exato de vezes que é preciso deixar o telefone tocar antes de atendê-lo ou desligá-lo? * Por que, nas séries de TV, nos filmes, parece que a velocidade máxima só pode ser expressa pela câmera mais lenta? * Por que as pessoas colam fotos de seus entes queridos em portas de geladeira? Será que acham que são matéria fria ou comida a ser aquecida? * Por que os cantores das bandas de heavy metal cantam com aquela voz superaguda, quando, por definição e intenção, a voz deveria ser grave, metálica, pesada? * Por que as vítimas dos zumbis sempre são alcançadas por estes não mortos, ou não vivos, se eles se movem de forma tão desajeitada e aparentemente sem nenhuma urgência? Por que os zumbis precisam tanto se alimentar de cérebros (brrrrrrrrainsssss...), se esse consumo não aumenta nem sequer em um grama sua ínfima inteligência? * Como é que os extraterrestres – em vez de abduzir governantes mundiais, cientistas de renome ou grandes artistas – preferem sempre abduzir campônios toscos ou tristes cabeleireiras suburbanas ou qualquer um que esteja passando por ali olhando para o céu? * E por que aqueles que antes paravam para ajudar a vítima de um acidente, agora – não mortos? marcianos? – se limitam a filmar tudo com seus celulares para ir correndo postar no YouTube? * O que o leva a pensar: por que os caras famosos viciados em sexo que se internam em clínicas para se livrar do mal – depois de arrasar vários haréns de deusas de pernas longas e seios empinados – nunca são flagrados por suas esposas com mulheres “normais”, feiinhas, ou mesmo idosas? * Por que as garotas receiam tanto que as espiem de lingerie, mas não que as vejam de biquíni e sempre dizem “Não sei o que é que eu tenho”, quando na verdade sabem muito bem o que têm? * E por que as mulheres – debaixo de lençóis e cobertores, mesmo no verão – estão sempre com os pés frios? * Por que quando as pessoas dizem “A culpa não é sua”, na verdade querem dizer justamente o contrário? (Embora nem tenha lhe passado pela cabeça a palavra culpa, ela agora está lá, para sempre, esta palavra que a partir de então é toda sua, para sempre.) * Ou, ainda, por que cada vez mais gente para em portas de entrada ou na frente de escadas rolantes ou em saídas de transportes públicos para consultar dispositivos eletrônicos? E embora o lance do King Kong, como tentáculos vindos da infância profunda, continue a inquietá-lo, e muito, o mais intrigante de tudo é essa pergunta.


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Jornal Amazonas em Tempo Nº 8276 by Portal Academia do Samba - Issuu