CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
ASSESSORIA DE IMPRENSA NOS GRUPOS DE ACESSO A & B: NOS BASTIDORES DO CARNAVAL CARIOCA
por
Carolina Cardoso Grimião
Rio de Janeiro 2012.1
CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
ASSESSORIA DE IMPRENSA NOS GRUPOS DE ACESSO A & B: NOS BASTIDORES DO CARNAVAL CARIOCA
Trabalho acadêmico apresentado ao Curso
de Comunicação Social
da
UNISUAM, como parte dos requisitos para obtenção do Título de Bacharel em Comunicação Social (Jornalismo).
Por: Carolina Cardoso Grimião
Professor-Orientador: Prof. Ms. Vanessa Paiva
Rio de Janeiro 2012.1
CAROLINA CARDOSO GRIMIÃO
ASSESSORIA DE IMPRENSA NOS GRUPOS DE ACESSO A & B: NOS BASTIDORES DO CARNAVAL CARIOCA
Banca Examinadora composta para a defesa de Monografia para obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social (Jornalismo)
APROVADA em: ______ de ___________ de _______
Professor-Orientador: ____________________________________________ Professor Convidado: ____________________________________________ Professor Convidado: ____________________________________________
Rio de Janeiro 2012.1
CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA ÁREA DE .................................................. CURSO DE .................................................................................
ATA DE MONOGRAFIA
Aos ...... dias do mês de ................................., do ano de 20......, na sala ............do bloco ........., da Unidade ................................................. do Centro Universitário Augusto Motta – UNISUAM, reuniu-se a Banca Examinadora de Monografia composta pelos Professores: ............................................................. ........................................................................ como Orientador, ......................... ............................................................................................. e .............................. ........................................................................................., sob a presidência do primeiro, para julgamento do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado ............................................................................................................................... .................................................................................................... de autoria de .............................................................................................................................., matrícula número ..............................., como requisito para a obtenção do grau de ............................................................................................ Após o exame do trabalho escrito, apresentado aos membros anteriormente, e a respectiva defesa, a Banca Examinadora (sugestões da banca).................................................................................................................... ............................................................................................................................... conferindo o grau ................. (..........................). E, nada mais havendo a registrar, eu,....................................................................................................., lavrei a presente ata que segue por todos os membros assinada.
Rio de Janeiro, ............ de ................................. de 20.......
Presidente (Orientador): ....................................................................................... Primeiro Membro:.................................................................................................. Segundo Membro: ................................................................................................
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a todos aqueles que me ajudaram a conquistar um espacinho nesse universo tão peculiar que é o carnaval. Antes de tudo, a Deus, a minha família (não deve ser fácil ter uma única filha e ainda por cima sambista) e aos meus amigos e colegas de profissão que sempre me ajudaram. Aos amigos radialistas, que sempre me deram um microfone pra falar; assessores e repórteres que sempre respeitaram o meu trabalho. E também aos colegas de curso, presentes em todos os trabalhos e com os quais a troca de ideias sempre teve ótimos resultados. Afinal, ninguém consegue nada sozinho. Espero que essa monografia venha ajudar o trabalho e a pesquisa de outras pessoas que, assim como eu, sabem que o carnaval é uma “mágica” que acontece com muito trabalho, paciência, amor e dedicação. E que os grupos de acesso, por mais que venham a se adaptar às novidades e necessidades, ainda representam o espírito do “verdadeiro” carnaval carioca.
AGRADECIMENTOS
Agradeço de todo o coração àqueles que me ajudaram a chegar até aqui e muito colaboraram na minha formação. Sempre tive bons professores, mas não me recordo de ter um time tão especial, que se tornaram amigos e que foram de uma contribuição incrível nessa minha caminhada. Ao coordenador do curso de Comunicação Social, Professor Ovídio Motta, que sempre me apoiou e esteve presente em cada momento da minha vida acadêmica. À minha maravilhosa e superpoderosa orientadora, de quem eu sou fã e quero ser igual a ela quando eu crescer, Professora Vanessa Paiva. Aos incríveis: Fabiana Crispino, Mirian Magalhães, Marco Schneider, Alexandre Ferreira, Paulo Mota e Maria João. É com lágrimas nos olhos que agradeço muito por todos os momentos que vivi nesses quatro anos. Sou admiradora de cada um e são mestres como vocês que nos fazem ter orgulho da profissão e nos dão vontade de continuar e de se espelhar para tentar ser melhor a cada dia. Eternamente grata!
“Escola de samba com seu enredo,
o
formato
do
espetáculo, é a síntese de todos os
signos
brasileira.
da Ela
vida
cultural
consegue
se
manter porque se transforma.”
Haroldo Costa
RESUMO
GRIMIÃO, Carolina Cardoso. Assessoria de Imprensa nos Grupos de Acesso A & B: nos Bastidores do Carnaval Carioca. Orientador: Profª. Ms. Vanessa Paiva. Rio de Janeiro: Unisuam, 2012. 57 páginas. Monografia. (Graduação em Comunicação Social).
Essa pesquisa vem fundamentar a importância de entender a relação do carnaval com a mídia para compreender o processo do crescimento das escolas de samba e a necessidade das mesmas em ter profissionais de comunicação que possam agir como assessores de imprensa e vejam, nesse universo peculiar, um mercado carente de bons profissionais. E mostrar que há uma forma específica de fazer assessoria, não só por se tratar de escolas de samba, mas por haver distinções entre os grupos e o nicho das mídias especializadas deste segmento. Palavras-chave: assessoria de imprensa, escolas de samba, grupos de acesso.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO..................................................................................................11
CAPÍTULO 1 – O CARNAVAL E A MÍDIA.......................................................13
CAPÍTULO 2 – ASSESSORIA DE IMPRENSA: TEORIA E PRÁTICA...........22 2.1. Assessoria de Imprensa na área carnavalesca.........................................25
CAPÍTULO 3 – ASSESSORIA DE IMPRENSA NAS ESCOLAS DE SAMBA DOS
GRUPOS
DE
ACESSO:
ESTUDO
DE
CASOS
NOS
BASTIDORES...................31
CONCLUSÃO....................................................................................................40
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................42
ANEXOS............................................................................................................46
INTRODUÇÃO
Já foi o tempo em que as escolas de samba eram pequenos grupos que se reuniam no carnaval para brincar nas ruas. Da mesma forma, já foi o tempo em que a mídia olhava com curiosidade e certa distância, promovendo pequenos concursos para premiar os mais animados das festas. O carnaval tomou forma séria, criteriosa, rigorosa e as escolas de samba transformaram-se em empresas. Nos barracões, fábricas de alegorias e fantasias trabalham sem parar, por meses, diretores, gerentes de compras de material, supervisores, aderecistas, figurinistas, equipes divididas por setores de
trabalhos
e
até
terceirizadas,
ferreiros,
marceneiros,
escultores,
iluminadores e a figura ícone da criação, o carnavalesco. Nas quadras, áreas de treino para trabalhar o material humano: intérpretes, ritmistas, diretores de harmonia e componentes. Uma verdadeira rotina com prazos. E, no topo dessa gestão, o administrador central, o presidente. Em meio a tanta efervescência, de um lado uma imprensa carente de informações relevantes sobre essas “indústrias de cultura” e, de outro lado, as escolas querendo visibilidade o ano inteiro. Precisam divulgar seus eventos, suas contratações, as novidades acerca do próximo carnaval, as iniciativas de projetos paralelos nas comunidades e necessitam, cada vez mais, de investidores, patrocinadores que vejam essas instituições com seriedade, apesar do perfil festivo. Percebendo a real importância de contarem com profissionais que possam fazer essa maquinaria de informações acontecer, surge nas escolas de samba a figura do profissional que vai intermediar a relação da agremiação
com a mídia, que irá pautar as ações das escolas ao ver o caráter noticioso dos acontecimentos e que vai estreitar laços trazendo, com mais facilidade, os veículos de mídia para dentro dos barracões: o assessor de imprensa. É bem verdade que antes do profissional de comunicação chegar a ocupar um cargo dentro das escolas de samba já havia a figura do divulgador, como será visto mais à frente. Mas, nos grupos de acesso, que são menos visados pela mídia, o assessor de imprensa representa, muitas vezes, a única fonte que vai transmitir as informações das escolas ditas ‘menores’ às mídias especializadas: sites e web rádios que se propõem a falar exclusivamente de carnaval e abrem espaço para todas as agremiações, sem distinção. E é sobre essa profissionalização do carnaval e a necessidade cada vez maior de ter quem aproxime as escolas de samba da mídia que se trata esse trabalho. A assessoria de imprensa nas escolas de samba nos grupos de acesso hoje é uma realidade que cresce e abre um campo profissional novo que até pouco tempo era pouco conhecido. E há uma forma própria, características peculiares de executar essa função. Nesse trabalho vamos tentar entender a relação do carnaval e das escolas de samba com a mídia ao longo de uma história recente; como se faz e para quê serve a assessoria de imprensa de uma forma mais ampla e depois, recortada dentro do universo das agremiações; e, por fim, um estudo de casos com duas agremiações dos Grupos de Acesso A e B sobre a realidade atual dos profissionais de comunicação dentro das escolas e de como este trabalho é feito.
CAPÍTULO 1 O CARNAVAL E A MÍDIA
Registrar sempre foi essencial para a vida do homem. Saber sobre seu passado para tentar entender o presente. Conhecer como cada coisa teve o seu início e por que. Nas manifestações culturais, os registros, por vezes escassos, se tornam ainda mais preciosos e importantes à medida que evoluímos e estas manifestações ganham caráter de identidade cultural de um povo, tão forte e tão marcante como representação nacional. No caso do samba e do carnaval carioca, os registros feitos pela imprensa tiveram caráter fundamental para sua legitimidade e aceitação entre classes e institucionalização como cultura1. É bem verdade que antes de os jornais começarem a perceber a divulgação do carnaval como notícia vendável e as agremiações carnavalescas verem aí uma grande forma de propaganda para seus desfiles, a presença de Momo nas páginas impressas já existia nos periódicos. Em menor escala, fato. Mas isso era só uma questão de tempo. Jornais como a Gazeta de Notícias, Jornal do Brasil, O Globo e Mundo Esportivo foram os precursores em dar ao carnaval a visibilidade midiática, que mais tarde se tornaria tão concorrida nos meses que antecedem a data. E, embora os festejos do carnaval existissem desde a chegada dos portugueses, quando a cultura europeia começou a se fundir com a nativa, o crescimento do
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Como afirma Eduardo Coutinho, colocar o samba em destaque nas “páginas da classe média” foi fator fundamental contra a repressão da polícia e aceitação da sociedade. “As crônicas carnavalescas tiveram um papel importante na legitimação social da cultura explosiva (e desordeira) que o carnaval representava, para romper com os cordões e os preconceitos da elite”. (COUTINHO apud MARQUES, José Reinaldo. A Imprensa e o Carnaval Carioca. Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/a_imprensa_e_o_carnaval_carioca. Acesso em: 03/03/2012.)
desenvolvimento dos grupos carnavalescos como cordões, ranchos, corsos, grandes sociedades e, mais tarde, escolas de samba, só começou a contar efetivamente com a imprensa mais de três séculos depois. Não por acaso Eneida só começa a encontrar registros de cordões na imprensa a partir de 1886, com o aparecimento do Estrela da Aurora. Nos anos seguintes, progressivamente surgem outros grupos, como os Teimosos Carnavalescos, em 1895. (...) Em 1905, a reprodução desses grupos foi de tal envergadura que O País conjecturou que, na falta das grandes sociedades ‘os cordões fariam magnificamente o Carnaval de rua’. Tal entusiasmo justificou que em 1906 a Gazeta de Notícias realizasse o primeiro concurso de cordões. (FERNANDES, 2001, p. 25).
A relação dos grupos carnavalescos com a imprensa foi outro fator que contribuiu para além do registro e da divulgação. Estreitaram-se laços e delimitaram-se critérios em concursos estabelecidos mais tarde para premiar o melhor de sua categoria. Com o primeiro concurso de cordões em 1906 realizado por um jornal, a Gazeta de Notícias, os grupos vão se formalizando no padrão de avaliação instituído e vão sendo melhores vistos pela sociedade como um todo. O que antes poderia ser perigoso ou apenas restrito a uma região da cidade, a exemplo principalmente dos cordões – já que ranchos, corsos e grandes sociedades compreendiam as partes mais abastadas da sociedade – passa a ser de maior abrangência e aceitação. Se, por um lado, os grupos carnavalescos se beneficiaram com a divulgação dos jornais, por outro, os jornais ganharam um público que se interessava em saber como seria o carnaval de determinado ano. A escassez de notícias relevantes no período do réveillon até a festa, típica da cultura carioca, onde se há o hábito de dizer que o ano só começa de fato após o
carnaval, propiciava aos jornais maiores espaços para a publicação de anúncios de preparativos para os desfiles. Ameno Resedá – Amanhã, nos grandes salões da Sociedade Prazer da Glória, realizar-se-á um grande ensaio geral efetuado pelas interessantes pastoras do Ameno Resedá. (...) Amanhã eles oferecerão o grande ensaio, de último apresto, dedicado à imprensa. (...) E, assim, já amanhã, o Resedá será vivamente aplaudido por seus ‘dilettanti’. Viva o Resedá! (Gazeta de Notícias, 27 de janeiro de 1910. In: EFEGÊ, 1965, p. 94).
A chegada do fonógrafo e do gramofone ao Brasil, no início do século XX, possibilitou a gravação de discos de vinil, fazendo polcas, valsas, maxixes, lundus, choros e, futuramente, o samba chegar às casas e fazer parte do dia-adia das pessoas. É dessa época a gravação da primeira música registrada em cartório, que não por acaso foi um samba: “Pelo Telefone”, de Donga, sucesso no carnaval de 1917. A expansão do rádio e, mais tarde, a sua consolidação como veículo de massa, também teve grande contribuição. Principalmente se atentarmos que o rádio teve seu momento áureo nas décadas de 1930 e 1940, durante o governo Getúlio Vargas, que baseou sua política em ressaltar a cultural nacional. De início, com objetivo educativo e a criação da Rádio Nacional. O rádio se populariza e o aumento da venda de discos também. O samba e o carnaval carioca, que já eram internacionalmente conhecidos, começam a exportar para outros países artistas como os Oito Batutas, ainda na década de 1920, e, mais tarde, Carmem Miranda, no final da década de 1930. Da mesma forma o cinema, cujas primeiras produções sempre tiveram relação direta com os festejos de Momo. Segundo Sheila Schavarzman, “desde 1906 as festas de carnaval já eram filmadas por documentaristas como Paschoal Segreto” (2009, p. 20). Esse tema foi comum e recorrente na história
do cinema nacional. A exemplo dos filmes da década de 1910 e 1920, assim como em toda era da Cinédia. Esse contexto favoreceu a aproximação do popular com a burguesia, surgindo “sambistas letrados”, como Noel Rosa, e fazendo a transição entre o batuque da rua com um samba mais “aristocrático”. Essa mistura, com o espaço da mídia, se consolidou de vez na sociedade carioca: “Esse humor irônico, cheio de duplos sentidos e ferino, que a canção popular está ajudando a consolidar na capital federal, se espraia pelas mídias, como o disco, o rádio, a imprensa escrita e o cinema, o que é nítido em Alô, Alô Carnaval” (SCHAVARZMAN, 2009, p. 21). As emissoras de rádio, por sua vez, passavam a transmitir os desfiles das Escolas de Samba. Já reconhecidas nacionalmente, mais tarde, na década de 1970, as agremiações assinaram contrato com a gravadora Top Tape, responsável pela gravação dos sambas de enredo em disco de vinil, que passaram a ser os mais executados pelas emissoras de rádio, que por sua vez, passaram a ter programas diários tocando os hinos que as agremiações levariam para seus desfiles na avenida, além de entrevistas e a divulgação dos seus preparativos. É também nesse contexto que começa a aparecer a figura do “divulgador das escolas de samba”. Pessoa que, além de participar e ter um certo apreço por parte da diretoria da sua respectiva agremiação, possuía uma boa comunicação e se disponibilizava a ir até os programas de rádio da época para fazer a divulgação das atividades da escola, assim como convidar locutores e personalidades da imprensa a comparecer à quadra e marcar presença em determinados eventos.
Isso conferia à escola um prestígio e uma divulgação gratuita das suas atividades, onde já se observava, ainda que de forma amadora, um cuidado e uma preocupação com a imagem da agremiação e a importância de estar em contato próximo com a mídia e, consequentemente, de toda a sociedade. Em 1954 é nítida a desqualificação por parte da imprensa em relação ao espetáculo produzido pelas escolas de samba, por apresentarem cunho exclusivamente popular. (...) Apesar disso, percebia-se o crescente prestígio das escolas de samba. Não só os desfiles, como também os ensaios entravam aos poucos na programação da classe média carioca. (BICALHO, 1998, p. 14).
Porém, a grande afirmação do carnaval enquanto espetáculo cultural e calendário turístico da cidade vai se consolidar com a televisão. Embora haja uma certa divergências de datas2 dentro da mesma década, o fato é que a transmissão dos desfiles trouxe também a necessidade de se pensar em profissionais que entendessem desse universo dentro e fora das escolas. O carnaval de 1964 já trazia a imagem de grande espetáculo para o desfile das escolas de samba. Naquele ano foram distribuídas 1200 credenciais para a imprensa, além do desfile ter sido pioneiramente televisionado pela TV Tupi. (...) As escolas começaram a exigir participação na renda da venda dos ingressos e a reivindicar pagamento das emissoras de televisão pelo direito da transmissão. (BICALHO, 1998, p.16)
Com as transmissões da televisão o carnaval precisou aumentar seu tamanho. Passaram a investir mais nos seus carros e em suas fantasias, o que para os sambistas foi alvo de muitas críticas, com a alegação de que as escolas se tornaram grandes e os sambistas e o próprio samba viraram cada vez mais coadjuvantes numa festa criadas para eles e por eles. Porém, em termos de divulgação e com a chegada do sistema de TV a cores, as
2
Segundo Cássia Helena G. N. de Souza: “As transmissões dos Desfiles das Escolas de Samba do grupo especial começaram no ano de 1960 através da extinta TV Continental, por meio de flash”. (2004, p. 18).
transmissões já eram em todo o território nacional e conquistavam de vez a simpatia de todo o país por ser mais atraente. Boa parte dessas transformações aconteceram a partir da década de 1960, e foram modificando aos poucos o perfil original do universo das escolas de samba. Com a oficialização cada vez maior dos desfiles, transformados em evento turístico da cidade, iniciou-se o processo de ‘profissionalização’ das escolas. (...) É nesse contexto 3 que os desfiles do Grupo I começam a ser transmitidos pela televisão – no momento em que estavam se formando as primeiras grandes redes -, com as emissoras passando a exercer de forma bastante efetiva uma forte ingerência sobre eles. (FREIXO; TAVARES, 2006, p. 61).
Após a construção do atual Sambódromo carioca (1984), os desfiles das escolas de samba firmaram-se nas grades televisivas, impulsionadas pela briga pela audiência entre a extinta TV Manchete e a Rede Globo, hoje a dona dos direitos de transmissão. Aliás, a Passarela do Samba já foi planejada para que as transmissões pudessem ser realizadas da melhor maneira possível. Uma torre foi exclusivamente criada para que os desfiles pudessem ser filmados e fotografados de cima, para uma privilegiada e total visão das escolas na Marquês de Sapucaí. O que era fenômeno nacional passou a ser chamado de “O Maior Espetáculo da Terra”, hoje transmitido para todo o país e para mais de 180 países. Apesar de, atualmente, a Rede Globo ser a única detentora dos direitos de transmitir os desfiles do Grupo Especial, no início não foi assim, como afirma Cabral: A TV Globo, alegando que não havia condições técnicas de transmitir o desfile em dois dias, decidiu que, no carnaval, os seus telespectadores seriam contemplados com sua programação normal, ou seja, o programa Fantástico no domingo, novela na segunda-feira etc. Resultado: a TV Manchete, transmitindo o desfile com exclusividade, começou conquistando a audiência no próprio domingo, quando, segundo pesquisa do IBOPE, contou com 55% dos telespectadores contra 27% dos que preferiram o Fantástico. Na segunda-feira, a vitória da TV Manchete foi massacrante: 59% a 7%. O fato é que no ano seguinte, a TV Globo acabou encontrando as tais 3
Grupo 1: Assim era chamado o Grupo Especial.
“condições técnicas” e nunca mais deixou de transmitir o desfile das Escolas de Samba. (Apud SILVA, 2009, p. 29, 30)
Já com os grupos de acesso, a chegada da mídia foi mais demorada e, ainda hoje, se encontra em fase de consolidação. Após o fechamento da TV Manchete, os desfiles do Grupo de Acesso A (cuja campeã passa a integrar o Grupo Especial no ano seguinte) só recomeçaram a ser transmitidos em 2002, pela CNT, em parceria com o apresentador Jorge Perlingeiro. Em 2009, a transmissão passa a ser independente na grade da emissora e o apresentador assina outra parceria, desta vez com a nova liga criada para administrar as escolas do grupo, a LESGA (Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso). Nos carnavais de 2010 e 2011, os desfiles do Grupo de Acesso foram transmitidos pela Rede Bandeirantes de Televisão e, em 2012, os direitos foram passados para o SBT. Essa mudança se deve a uma questão contratual, já que o acordo firmado entre a LESGA e as emissoras acontece através da concessão da Rede Globo de Televisão, que é a detentora exclusiva dos direitos de transmissão do carnaval carioca como um todo. Desfile e apuração dos resultados ficam por conta da emissora que se responsabiliza pela transmissão. Já o carnaval do Grupo B, ou terceiro grupo, que também acontece no Sambódromo, não possui televisionamento. Web rádios e Web Tvs específicas de carnaval se encarregam da transmissão dos desfiles e da apuração, assim como dos demais grupos pertencentes ao carnaval carioca, que só encontram espaço na mídia especializada de carnaval existente na internet. Aliás, essa mídia virtual é o grande ganho do carnaval nos dias atuais, pois são sites específicos em dar abertura às agremiações durante todo o ano
e divulgar notícias que não têm espaço ou não são interessantes para as chamadas “grandes mídias” (TV e jornais de grande circulação). Dentro dessa realidade, novos profissionais de comunicação dispostos a cobrir o carnaval de forma ampla e completa surgem, ampliando também os horizontes das escolas. Hoje o Carnaval brasileiro é um acontecimento multimidiático, onde a mídia do mundo inteiro quer acompanhar mais do que simplesmente o remelexo dos quadris da passista da escola de samba, como também entender o enredo, explicar o tema e comentar o porque das cores e das formas das fantasias. E porque as pessoas querem o carnaval? Por influência da mídia; para vivenciarem experiências que outras pessoas viveram, para ficar por dentro do que acontece, necessidade de fantasia, busca da situação ideal, construção de 4 valores, lazer etc .
Com o crescimento da popularização da internet no final dos anos 1990, os primeiros sites de carnaval surgem com a missão de noticiar informações das escolas de samba o ano inteiro, ainda que informalmente. Eram jornalistas formados, amantes do carnaval, que sentiam a carência de notícias sobre as agremiações durante o ano. Esses profissionais surgiram de listas de discussão na Internet como a Rio-Carnaval@5, a mais antiga entre os adeptos – surgida em julho de 1998 –, e se reuniam para discutir o tema e pensar numa forma maior de comunicação. Os sites especializados cresceram em quantidade e volume de informação (hoje, passam de 40 endereços eletrônicos, entre sites, blogs de notícias, web rádios e web tvs) e, hoje, possuem uma forte relevância na veiculação de notícias das escolas de samba de todos os grupos. São abastecidos, principalmente, pelos releases dos assessores de imprensa das 4
COSTA, Candida Rosa Ferreira. O virtual no carnaval. Disponível em http://www.brasileirinho.mus.br/artigos/virtualcarnaval.html. Acesso em 13/03/2012. 5 “Trata-se de uma lista sobre o Carnaval Carioca, que tal como outras do gênero, se vale dos recursos do correio eletrônico para reunir participantes em torno do tema do samba e das escolas de samba” (SÁ, 2000, p. 2).
mesmas. Função em crescimento nas agremiações diante da grande procura da mídia e da profissionalização das administrações, o que será visto mais a frente. Essa troca que existe entre carnaval e mídia sempre foi recorrente e, muitas vezes, se confunde com a própria história da comunicação carioca. É fato que o carnaval se beneficiou muito com essa interação, como foi constatado com este breve histórico, mas a mídia também se encontrou nesse espaço e foi percebendo a necessidade de especialização para lidar com um traço tão característico da cultura popular. As escolas de samba cresceram e passaram a se profissionalizar em todas as áreas: na sua administração, na sua parte de criação e, entre outras, na sua comunicação com o público em geral, com os seus próprios componentes e seguidores, com a mídia em toda a sua extensão e, por que não, com possíveis patrocinadores e possíveis novos adeptos. Fazer um belo desfile não é mais preocupação única das escolas de samba. O cuidado com a imagem, a facilidade de acesso e informações, assim como a busca em trazer a mídia para as agremiações são ações cada vez mais recorrentes e importantes (o que já se observa desde os convites dos ranchos e divulgadores de rádio). É nessa hora que entra em cena a figura do assessor de imprensa, cujas funções gerais veremos no próximo capítulo.
CAPÍTULO 2 ASSESSORIA DE IMPRENSA: TEORIA E PRÁTICA
Assessoria de Imprensa é o segmento dentro do jornalismo responsável por promover a comunicação entre o cliente (empresa, grupo, instituição) e a mídia. É uma via de mão dupla, pois através da interação de ambos, o assessor contribui para que as informações do seu cliente cheguem à imprensa e, ao mesmo tempo, fornece material para a mídia sobre possíveis pautas a serem desenvolvidas. Além de promover essa troca, a assessoria de imprensa é um dos grandes
segmentos
responsáveis,
numa
instituição,
pela
criação
ou
continuidade da boa imagem do cliente, seja com a própria imprensa, seja com o público, governo ou os clientes dessa empresa, como afirma Duarte: “a imprensa foi identificada como um grande instrumento para informar e formar uma imagem positiva junto à sociedade e o jornalista como elo fundamental no processo”6 . Consolidada nos anos 1980, a assessoria de imprensa vem conseguindo seu espaço junto ao meio empresarial7. Por conhecer bem a rotina das emissoras e redações e saber das necessidades dos jornalistas em cada pauta, o assessor de imprensa é um especialista nesse contato. Por isso, este profissional tem sido cada vez mais procurado para desenvolver esse trabalho 6
DUARTE, Jorge. Assessoria de Imprensa, o caso brasileiro. Artigo. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: http://www.comunicacaoempresarial.com.br/comunicacaoempresarial/artigos/assessoria_im prensa/artigo3.php. Acesso em: 13/03/2012. 7 “Seja pela profissionalização que ocorre nas suas atividades, seja pela implantação de políticas de relacionamento com os veículos”. BUENO apud DUARTE, Jorge. Assessoria de Imprensa, o caso brasileiro. Artigo. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: http://www.comunicacaoempresarial.com.br/comunicacaoempresarial/artigos/assessoria_im prensa/artigo3.php. Acesso em: 21/03/2012.
nas instituições, uma vez que o mercado vem alertando novas necessidades de comunicação numa realidade cada vez mais competitiva, como ressalta Chaparro: A sociedade organizada tem necessidade vital de se manifestar. São empresas, escolas, igrejas, sindicatos, partidos políticos, grupos culturais, associações de todos os tipos, entidades e pessoas capazes de produzir fatos, atos, falas, bens, serviços e saberes que influenciam na atualidade8.
Através do release, o assessor de imprensa cria o texto jornalístico com todas as informações relevantes sobre o assunto a ser divulgado. Também colhe depoimentos e até imagens que possam ilustrar e enriquecer o texto a fim de torná-lo mais interessante e de facilitar o trabalho do jornalista na redação. Conhecendo bem a rotina e as editorias, bem como a linha editorial de cada veículo na abordagem das matérias, o assessor sugere a pauta gratuitamente6, que pode ou não ser publicada. Enquanto isso, cada empresa, sindicato, clube, associação de classe, entidade científica, religiosa ou cultural – enfim, toda instituição que surgia no país – criava uma vaga para a atuação do jornalista como assessor de imprensa. E o que o assessor de imprensa faz, afinal de contas? Em poucas palavras, podemos explicar que o assessor de imprensa é o profissional que mantém contato regular com as redações, conhecendo os jornalistas (...), seus interesses e a rotina de seus trabalhos. Sabe como funciona os fluxos de produções e os horários de fechamento. (CHINEM, 2003, p. 12, 13)
Além do texto jornalístico, o assessor de imprensa tem como função sugerir pautas, agendar entrevistas e ser solícito à mídia, intermediando e atendendo às solicitações dos jornalistas, e colher o material do cliente, ou
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Apud DUARTE, Jorge. Assessoria de Imprensa, o caso brasileiro. Artigo. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: http://www.comunicacaoempresarial.com.br/ comunicacaoempresarial/artigos/assessoria_imprensa/artigo3.php. Acesso em: 21/03/2012. “A Assessoria de Imprensa trabalha com material redacional, que não é pago; ele é enviado para a mídia, que o aproveita dependendo do seu valor, o qual, por sua vez, leva em conta unicamente o interesse do leitor. Em uma redação de jornal nunca se pensa em incrementar vendas nem em impulsionar negócios dos outros. O importante é a notícia. E a notícia não tem preço”.(CHINEM, 2003, p. 18)
seja, fazer o levantamento do que foi publicado ou falado sobre ele nos veículos, o que é conhecido como clipping. Para isso dever ter o seu mailing, ou seja, a sua lista de contatos constantemente atualizada. O assessor de imprensa também deve conhecer bem a área de atuação do seu cliente e estar atento às atividades relacionadas a ele para descobrir possíveis pautas que possam gerar conteúdo a ser enviado para os veículos de mídia, como explicam Carvalho e Reis: Quando uma informação possui características de notícia, o trabalho de redação do release se torna mais fácil. A própria informação, por ser nova, inédita ou original, já desperta o interesse. O trabalho do assessor está em dar uma forma interessante a esse conteúdo e procurar complementar a informação com o máximo de dados possíveis. (2009, p. 3)
O que Chinem resume: “O bom assessor de imprensa deve se lembrar que, antes de mais nada, é um profissional de comunicação e, como tal, precisa informar bem o público.” (2003, p. 28). Já para as instituições, ter a sua comunicação com a imprensa facilitada e ter um profissional que dê um atendimento especializado aos jornalistas, contribui para os seus objetivos de uma forma menos comercial, como acontece na publicidade, e mais “espontânea”, como seria com um Relações Públicas7, profissional nem sempre existente nas corporações.
2.1 Assessoria de Imprensa na área carnavalesca A assessoria de imprensa nas escolas de samba cariocas começa a ganhar seu espaço, aos poucos, por volta da década de 1990. Hoje, é uma
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“De forma geral, pode-se dizer que uma das principais tarefas do profissional de Relações Públicas é preservar a boa imagem de uma organização, agindo como um elo entre a corporação e seus públicos. (...) Ele seria assim uma espécie de ‘gestor da comunicação empresarial’.” (CHINEM, 2003, p.24)
realidade, mas a falta de profissionais da área de comunicação ainda torna esse segmento amador dentro das agremiações, em especial nos grupos de acesso, foco deste trabalho. A transmissão por TV dos desfiles do Grupo A, no sábado de carnaval, gerou uma necessidade maior por parte das escolas de ter uma pessoa internamente para atender à imprensa. Outro ponto que vem contribuindo para esse processo é que, atualmente, todas as escolas pertencentes a esse grupo já tiveram passagens pelo Grupo Especial. Ou seja, já vêm com uma estrutura maior e mais complexa quanto à administração e gerenciamento de uma empresa cultural, como detalhado abaixo: Quanto à estrutura organizacional das escolas de samba, dada a complexidade em decorrência da transformação de um desfile em mega-evento, nacional e internacional, ocorreu sofisticação no desenho organizacional. Atualmente, contam com conjunto de pessoas que são responsáveis por diversos seguimentos. Além das diretorias que são comuns a qualquer organização, quer sejam: Presidência, Vice-Presidência, Diretores Administrativos e Financeiros, Tesoureiros, Assessoria Jurídica, ainda contam com Assessoria de Imprensa, uma Assessoria Técnica em Engenharia, para realizarem os cálculos estruturais dos carros alegóricos, Departamento Médico, dentre outras. Ainda contam com Conselho 8 Deliberativo, Conselho Fiscal e Conselho de Carnaval.
Claro que, na realidade dos grupos de acesso, nem todos os cargos citados acima se fazem existentes. Mas a concepção organizacional passa por um processo semelhante. A constante busca por patrocínio e prestígio junto ao poder público também se faz presente nos Grupos de Acesso A e B. Além da subvenção – ou seja, da verba pública destinada a essas escolas anualmente (que é menor que à destinada ao Grupo Especial) –, há o esforço de atrair empresas privadas, 8
OLIVEIRA, Robson Ramos; GOMES, Josir Simeone. Características do Sistema de Controle Gerencial das Escolas de Samba: o caso da Cidade do Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.observatorioiberoamericano.org/RICG/N%C2%BA%2014/Robson_Ramos_Oliveira_ y_Josir_Simeone_Gomes.pdf. Acesso em: 29/03/2012.
como afirma Pegado: “Devido a esse elevado padrão carnavalesco que a festa atingiu tornou-se indispensável às escolas de samba o estabelecimento de parcerias com o poder público e a iniciativa privada”. (2005, p. 54) Uma forma de comprovar a existência e a atuação dessas escolas no cenário carnavalesco durante o ano é, muitas vezes, o trabalho da assessoria de imprensa, já que nenhum empresário vai se dispor a investir numa escola sem visibilidade9. Portanto, o papel do assessor nesses grupos tem uma característica muito específica e diferente do Grupo Especial: ele precisa atrair a mídia, não só a especializada, cujas informações são mais fáceis de serem inseridas, mas especialmente a chamada grande mídia ou mídia não especializada10. Hoje, o desfile das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro se tornou um megaespetáculo que movimenta “rios de dinheiro”, envolve a mídia e grandes empresas que investem milhões de reais na divulgação do evento e seus próprios produtos e serviços. Transformando assim, o próprio desfile, coração da festa, num produto de mídia, propaganda e de mercado. (...) A isso se acrescenta ao trabalho, que começa ao término do carnaval anterior, profissionalização e investimento das escolas de samba. (PEGADO, 2005, p. 18).
A atuação do profissional de comunicação numa escola de samba acontece por todo o ano, onde todo um plano estratégico é montado em cima do enredo escolhido e da proposta que a agremiação deseja desenvolver até o desfile. Ao longo desse período há fatos e acontecimentos nas escolas de
A história comprova que as escolas de samba que inovaram artisticamente profissionalizando seus quadros e sua administração, e os políticos e as empresas que decidiram investir recursos no carnaval tiveram retorno financeiro extremamente elevado se posicionando fortemente perante a sociedade brasileira. As escolas que optaram por esse caminho ganharam títulos, a admiração e a torcida do grande público, notoriedade e destaque através da grande imprensa e cresceram tanto do ponto de vista da cultura quanto do capital. (PEGADO, 2005, 58). 10 Grande mídia ou mídia especializada é a forma como os assessores de imprensa atuantes no carnaval se referem aos veículos gerais de imprensa: jornais, rádio, televisão, onde a notícia carnavalesca é mais difícil de ser implantada durante o ano, principalmente as referentes às demais escolas do carnaval carioca que não sejam do Grupo Especial. 9
samba, que costumam seguir um calendário que deve ser divulgado pelo assessor de imprensa. São eles: escolha do enredo, divulgação da sinopse e da logo do enredo, contratações diversas (troca de responsáveis por quesitos, por exemplo, mestre de bateria, direção de harmonia, casal de mestre-sala e porta-bandeira), todos os eventos tradicionais ou não da escola, todo o processo de disputa de samba-enredo (desde a abertura das inscrições, reuniões dos compositores com o carnavalesco, eliminatórias até a grande final), abertura de alas (de comunidade, coreografadas, específicas) e ensaios (de quadra, de rua, de avenida). Dentro desses assuntos há outros acontecimentos que também são notícia ao longo do projeto de carnaval: reforma na quadra, visitas importantes ao barracão, confirmação de celebridades e artistas no desfile, divulgação de novos patrocinadores, festas ou amostras de protótipos, fatos relacionados aos projetos culturais e sociais que a agremiação possa desenvolver na sua comunidade, detalhes dos preparativos para o desfile e quaisquer outros fatos com caráter noticioso que possa acontecer. O assessor de imprensa dos grupos de acesso tem, por hábito, voltar uma atenção especial à mídia especializada de carnaval, ou seja, aos sites, web rádios, blogs e web tvs que são direcionados especificamente para esse universo. Eles dão espaço para a divulgação das notícias que, dificilmente, seria conquistado num grande jornal ou fora da época carnavalesca. Esses sites dão a real possibilidade de as escolas de segundo, terceiro e até outros grupos mais abaixo, aparecerem e terem seus acontecimentos e feitos noticiados. Os sites fazem a cobertura do Carnaval durante todos os 365 dias por ano. São noticiadas, diariamente, as atividades das escolas mesmo
em época distante dos desfiles. (...) Se compararmos a cobertura intensa e detalhada dos sites às superficiais das mídias tradicionais, em que basicamente acontecimentos fúteis são divulgados, será percebida uma diferença acentuada. Quando que emissoras de televisão ou jornais divulgariam notícias sobre a ida de uma portabandeira para uma outra escola, o anúncio de um enredo ou os sambas concorrentes classificados para a próxima etapa das eliminatórias? Virtudes exclusivas da Internet. (MACIEL, 2007, p. 48, 76).
A mídia especializada é uma grande ferramenta para o trabalho do assessor de imprensa que atua no carnaval e que vem se aperfeiçoando e crescendo (em quantidade e qualidade). São transmissões ao vivo das quadras, vídeos com bastidores dos barracões, entrevistas com membros importantes das escolas, áudios de sambas concorrentes das disputas, que geram repercussões e debates acerca da imagem e das atividades de cada agremiação11. Essa interação, e até mesmo a credibilidade, que a imprensa especializada tem sobre as escolas também possui efeitos recíprocos. Muitas vezes uma escola faz alguma alteração no seu projeto por alguma crítica que saiu na mídia. Isso acontece com frequência nos ensaios técnicos, por exemplo. Uma agremiação que não teve um bom desempenho busca saber dos jornalistas e veículos presentes no ensaio o que foi dito para ser melhorado. É uma espécie de “feedback” em busca da boa imagem, que sempre existiu, como sinaliza Cardoso: “cada pequena ação tinha por objetivo uma adequação ao que elas (escolas) entendiam para ser melhor para conseguir mais notoriedade” (2008, p. 45).
11 “Os sites especializados surgem como uma alternativa não só para divulgação de informações, mas também como redes de relacionamentos, troca de idéias sobre o tema Carnaval, fazendo deste meio uma ferramenta para a preservação e divulgação da cultura popular e do Carnaval carioca.” (MACIEL, 2007, p. 79)
E, além da divulgação para conquistar patrocinadores, ter fácil acesso à mídia e uma boa fluência com os veículos faz parte dessa comunicação e dessa boa imagem, a interação com os próprios componentes, que precisam estar cientes das atividades das escolas e são o “material humano” que cada agremiação disponibiliza para pôr seus projetos em prática. Os sambistas observam que a cobertura jornalística é algo importante para o universo das escolas de samba, pois é responsável por tornar público e trazer notoriedade para a instituição. (...) Uma mudança na relação da escola de samba com a imprensa, uma vez que as agremiações têm hoje assessores de imprensa para cuidar dos assuntos relativos aos veículos noticiosos. “Geralmente o assessor da escola é alguém que vive dentro da imprensa. Pro site tudo é importante, pro jornal, pra televisão não é assim. Ele tem essa função de filtrar. Toda escola tem um assessor, a não ser que o cara não saiba fazer o seu trabalho”, diz Marino. (CARDOSO, 2008, p. 96).
Mediante o trabalho e as múltiplas funções do assessor de imprensa dentro das escolas de samba, em específico as dos grupos de Acesso A e B, objetos desta pesquisa, a profissionalização é algo cada vez mais necessário dentro das agremiações que, aos poucos, vêm se adaptando a uma realidade mais burocrática, séria e geral. O carnaval não é mais um universo fechado, um grupo à parte. Hoje ele precisa ser noticiado a todos os nichos dentro e fora do seu território: comunidade e empresários, políticos e artesãos, público espectador e mídia. Para isso, foi abordado nesse capítulo desde a forma mais ampla de ver e trabalhar a assessoria de imprensa até os caminhos mais específicos voltados ao carnaval, às mídias especializadas e à realidade dos grupos de acesso. No próximo capítulo, esses caminhos serão vistos na prática, através do estudo de casos de escolas de samba pertencentes a esses grupos e de entrevistas com assessores, presidentes e demais segmentos afim de uma compreensão mais concreta sobre o assunto.
CAPÍTULO 3 ASSESSORIA DE IMPRENSA NAS ESCOLAS DE SAMBA DOS GRUPOS DE ACESSO: ESTUDO DE CASOS NOS BASTIDORES
Para a melhor compreensão da realidade das escolas de samba dos Grupos de Acesso A e B do carnaval carioca e a sua relação com a própria assessoria de imprensa e com a mídia em geral, será visto neste capítulo o estudo de casos de duas agremiações importantes no cenário carnavalesco, com histórias e contextos distintos entre elas. Foram escolhidas, portanto, uma escola do Grupo A, o GRES Estácio de Sá, que desfila no sábado de carnaval, e o GRES União do Parque Curicica, pertencente ao Grupo B, que desfila na terça-feira de carnaval, ambas no Sambódromo. A primeira agremiação é o GRES Estácio de Sá, não só neste trabalho, mas também na historiografia do carnaval carioca. Considerada o “Berço do Samba”, a escola foi fundada em 1928, com o antigo nome de Deixa Falar12. Acostumada a realizar grandes desfiles ao longo dos anos, foi a campeã do Grupo Especial, no carnaval de 1992, com o famoso enredo “Paulicéia Desvairada, 70 anos de Modernismo no Brasil”. Depois do título, a escola passou por várias fases. Em 1997, teve seu primeiro rebaixamento para o Grupo A, onde permaneceu até o ano de 2004, quando foi rebaixada novamente, desta vez, para o Grupo B, num forte momento de crise da agremiação. No ano seguinte, se reestruturou, venceu o carnaval e voltou ao grupo A. Em 2006 conseguiu mais uma vitória e, com ela, o retorno ao Grupo
12
História (do G.R.E.S. Estácio de Sá). Disponível em http://www.gresestaciodesa.com.br/ historia.html. Acesso em 27/04/2012.
Especial. Nesse mesmo ano foi a última colocada e desceu novamente ao Grupo A onde permanece nesses últimos cinco anos13. Apesar de hoje estar no Acesso, a Estácio de Sá é, dentro das limitações do grupo, uma das escolas mais procuradas pela mídia. Seja pela sua tradição, seja pela sua relação com a imprensa. O que, para o presidente da agremiação, Leziário Nascimento, é uma visão estratégica de gestão. Os torcedores da escola ao ouvirem ou lerem algo sobre o que estamos pretendendo ou já desenvolvendo na escola, se aproximam, com isso mantemos o vínculo entre torcedores e comunidade, o que para o nosso trabalho é importante. Em relação ao patrocínio é de suma importância! Quando apresentamos uma proposta de parceria ou patrocínio, levamos sempre o clipping mensal da escola. Nele estão relacionadas todas as publicações em diversos veículos de comunicação, o que comprova que temos público, temos mercado e somos vistos. Facilita na hora do fechamento de alguma coisa proveitosa para a escola. Com esse material podemos até mesmo negociar um possível aumento de cotas de patrocínio, ou algo parecido. Em relação a pessoas importantes o objetivo é o mesmo. Quanto mais sua escola é exposta positivamente na mídia, mais as pessoas se aproximam14.
Arleson Rezende, jornalista e assessor de imprensa de escolas de samba desde 2006, atua na função dentro da Estácio de Sá desde novembro de 2011. Para ele o mais difícil na profissão dentro do segmento é a conscientização de diretores sobre a importância dessa comunicação com a mídia e também a divulgação das agremiações com a imprensa ao longo do ano. Em escolas dos grupos de acesso, a relação entre o assessorado e a mídia: o chamado Mídia Training. Outra dificuldade é a publicação, postagem ou veiculação em corporações de grande porte, onde somente as escolas da elite do carnaval têm algum espaço no noticiário, além de tratar da comunicação interna, planejando ações a serem desenvolvidas como sites, revistas, jornais, informes e redes sociais. Os dirigentes e profissionais de escolas de grupos de acesso
13 Estácio de Sá – Galeria do Samba. Disponível em http://www.galeriadosamba.com.br/V41/ ES.asp?parm=%3F%3F-%C9*53&BT=OK. Acesso em 27/04/2012. 14 NASCIMENTO, Leziário. Entrevista exclusiva concedida por e-mail à autora desta pesquisa, em 26/04/2012.
ainda não têm conhecimento sobre a importância desse tipo de 15 trabalho e o quanto podem ser benéficos para a agremiação .
Ele ressalta as diferenças entre as mídias gerais e especializadas para o trabalho do profissional: Assim como em editorias de esporte, moda ou cultura, o carnaval possui seus leitores, ouvintes e telespectadores, que acompanham os fatos noticiosos do segmento durante o ano todo. Com o surgimento da Internet e os sites voltados somente para esse noticiário valorizou e vem dando mais notoriedade ao trabalho das assessorias de imprensa. Nos veículos dos grandes grupos de comunicação o carnaval é considerado uma subeditoria, ligado geralmente a cultura e lazer. Para as mídias especializadas, trata-se de uma editoria, como é a de política, cidade, país, etc. Na mídia especializada a linguagem pode ser tratada de maneira mais simples, já que atinge a um público conhecedor, permitindo ao assessor utilizar termos de linguagem e escrita de fácil identificação. Para a mídia geral, onde atingimos não só os admiradores do carnaval, procuramos elaborar melhor, fazendo com que leitores, internautas, ouvintes ou telespectadores entendam o objetivo da mensagem encaminhada para as redações. Quanto mais simples e objetivo o texto for 16 encaminhado, melhor o profissional de redação entende e publica .
Se a tendência e a visibilidade diminuem conforme as escolas vão se subdividindo em grupos menores, a realidade no Grupo de Acesso B também é de desafio para o profissional de comunicação que atua nessas agremiações, como acontece na União do Parque Curicica. Fundada em 1993, a jovem escola vem de uma trajetória de conquistas e se estruturou, material e profissionalmente, até chegar ao Grupo B, onde, a cada ano, chega um pouco mais perto do título e da conquista de ascensão ao Grupo A. Sua maior colocação foi no carnaval de 2010, quando chegou ao terceiro lugar17. Há três carnavais a escola investe na assessoria de imprensa para adquirir mais visibilidade e uma imagem positiva frente ao público, aos próprios 15 REZENDE, Arleson. Entrevista exclusiva concedida por e-mail à autora desta pesquisa, em 26/04/2012. 16 REZENDE, Arleson. Entrevista exclusiva concedida por e-mail à autora desta pesquisa, em 26/04/2012. 17 História (do G.R.E.S. União do Parque Curicica). Disponível em http://www.curicica.com.br/. Acesso em 10/05/2012.
componentes da escola e aos possíveis patrocinadores, como explica o presidente Edson Procópio de Sá: Percebi nesses três anos uma movimentação de público maior e das pessoas de dentro do mundo do samba comentarem mais sobre o que acontece dentro da agremiação. (...) Vejo que tem que haver sempre uma integração entre diretoria, segmentos e comunidade para conseguirmos caminhar e desenvolver um trabalho. Acho importante que a escola mostre os trabalhos desenvolvidos de uma maneira ampla. (...) Pois, a partir do momento que a escola tem mais reconhecimento, as pessoas passam a procurar para conhecer e até 18 fechar novas parcerias .
Mas, se desenvolver um trabalho de mídia com as escolas do Grupo A já conta com várias barreiras – como a sazonalidade das matérias, restrita a apenas uma época do ano, além do foco principal das pautas estar no Grupo Especial e a existência ainda de uma distância entre a importância dos grupos –, nas agremiações do B esses obstáculos aumentam. Geralmente, as escolas desse grupo contam apenas com a mídia especializada e têm os sites como grandes aliados, pois estes costumam ser os únicos a dar espaço para as notícias dessas agremiações, como ressalta o responsável pela assessoria da Curicica, Marcio Zuma: É um trabalho muito puxado, devido a poucos recursos e pouca visibilidade do grupo. As dificuldades são inúmeras e o desafio é colocar a escola na mídia o máximo que conseguir. Para isso tem que ser dinâmico e ter um bom relacionamento com os meios de 19 comunicação .
Marcio está no carnaval há dez anos e, apesar de não ser formado em Comunicação (sua graduação é em Ciências Contábeis), passou por vários segmentos dentro das escolas até perceber a deficiência que existia quanto à divulgação
dos
eventos,
das
contratações
e
de
todas
as
notícias
18 SÁ, Edson Procópio de. Entrevista exclusiva concedida por e-mail à autora desta pesquisa, em 09/05/2012. 19 ZUMA, Marcio. Entrevista exclusiva concedida por e-mail à autora desta pesquisa, em 09/05/2012.
correspondentes à escola. Conhecendo bem a realidade dos grupos de acesso, passou a frequentar programas de rádio de samba que abriam espaço para os divulgadores das agremiações e se tornou um deles. Aos poucos, foi se inteirando da função e passou a escrever textos, fotografar, recepcionar a imprensa nos eventos e a desenvolver a dupla função de assessor e divulgador de rádio, realidade e início comuns para quem deseja começar a atuar com mídia e carnaval. Atuar nas rádios e nos sites foi a forma encontrada por Zuma para conseguir desenvolver o seu trabalho de mídia nas escolas de grupos menores. Esse é um grupo que tem pouca visão das pessoas que não estão envolvidas com o mundo do samba. Então, vejo uma forma de atingir aquela pessoa que é apaixonada por carnaval e às vezes, pela carência de pessoas que vão às rádios divulgarem outras agremiações, você acaba ganhando um torcedor que vai se interessar mais por aquela escola que escuta as informações toda semana. Já os sites, alguns (minoria) só estão preocupados em divulgar o Grupo Especial, mas na maioria eles divulgam os grupos de forma igualitária e têm a sua importância, pois a pessoa que procura esses sites está querendo informações de escolas de samba, 20 não importando o grupo .
Embora tenham históricos bem distintos e realidades diferentes, Estácio de Sá e União do Parque Curicica encontram quase que as mesmas dificuldades de acesso à mídia e recorrem à imprensa especializada como o meio mais certo de obter a divulgação das suas atividades e o retorno dos seus trabalhos. Claro que, pelo nome, história, desfiles passados e a posição do grupo em que está, a Estácio consegue ainda mais prestígio e pautas esporádicas em outros veículos mas, ainda assim, nas datas próximas ao
20 ZUMA, Marcio. Entrevista exclusiva concedida por e-mail à autora desta pesquisa, em 09/05/2012.
carnaval. Isso quando não são publicadas apenas notinhas em roteiros de final de semana, o que costuma ser bem comum e visto como uma conquista. Também por isso, a consciência de um profissional formado em Comunicação mas, principalmente, inteirado dos assuntos carnavalescos e das rotinas e necessidades das agremiações, só cresce dentro das escolas que procuram construir uma gestão mais administrativa de empresa. Arleson Rezende, assessor de imprensa da Estácio de Sá, relata como vê o mercado da comunicação nas escolas de samba nos dias atuais. Ainda com muita gente desprepara, desenvolvendo uma função que não têm o mínimo conhecimento de como se executa e a que se objetiva. Escrevem ou falam mal, o que de uma maneira prejudica e ridiculariza a função de assessor de imprensa, ainda mais sendo de escolas de samba. Estamos caminhando a passos curtos, mas acredito que estamos evoluindo no sentido da profissionalização daqueles que se propõem a serem profissionais de imprensa na cobertura do carnaval, incluindo-se os assessores de imprensa. (...) Já financeiramente, por se tratar de escolas dos grupos de acesso, a compensação não é como deveria ser, pelo fato de as escolas não possuírem verba para remunerar adequadamente um assessor de 21 imprensa .
Fato vivido por Leziário Nascimento em carnavais anteriores. O presidente reafirma a necessidade do profissionalismo por já ter percebido claramente a diferença com outras pessoas que passaram pela Estácio. Tive problemas anteriores com alguns assessores despreparados, que não divulgavam e as pessoas comentavam ao contrário, sempre pedindo para falarmos sobre o trabalho desenvolvido. (...) Procuro dar 22 toda e provável liberdade de trabalho, mas também cobro eficiência .
Para ser assessor de imprensa de escolas de samba, assim como em qualquer área, é necessário estudo e conhecimento de causa, pois também tem sua linguagem, seu público-alvo, sua rotina de trabalho, além das características e peculiaridades referentes à área, como bem sintetiza Arleson: 21 REZENDE, Arleson. Entrevista exclusiva concedida por e-mail à autora desta pesquisa, em 26/04/2012. 22 NASCIMENTO, Leziário. Entrevista exclusiva concedida por e-mail à autora desta pesquisa, em 26/04/2012.
Primeiramente, cursar a faculdade de Comunicação Social, ou fazer algum tipo de curso de aperfeiçoamento. Ser aplicado, dedicado e conhecer sobre carnaval, que é muito mais do que decorar letras de 23 sambas e cores de bandeiras de agremiações .
Ainda há muito que caminhar no trabalho dos profissionais de comunicação com as escolas de samba. A consciência vem mudando aos poucos e o pensamento amador de chamar um amigo ou alguém próximo para fazer o contato com a mídia, respondê-la, recepcioná-la nos eventos, coberturas e entrevistas, sugerir pautas, pensar em estratégias para atrair a imprensa e tentar construir e/ou manter uma imagem institucional e lidar com o público interno das agremiações, não cabe mais. Claro que, dentro da realidade dos grupos de acesso, que contam com uma verba menor e costumam ter prioridades mais urgentes de confecção do próprio desfile, muitas vezes essa função passa para segundo plano e a remuneração não chega a um piso salarial ideal ou, até mesmo, adequado. Porém, no Grupo A, especificamente, está começando a existir a consciência de que, no Grupo Especial a estrutura é maior e as necessidades midiáticas e cobranças por notícias são maiores e muito mais corriqueiras. Logo, essa estrutura de gestão administrativa e de um novo olhar sobre a dimensão do carnaval carioca, está, aos poucos, levando os presidentes a investirem também nessa questão da visibilidade na mídia. E como o processo acontece em cadeia, ainda que em escala menor, no Grupo B isso também já começou a acontecer. Mesmo a realidade desse grupo sendo ainda mais precária e contar muito mais com o improviso, doações de materiais para a confecção do carnaval e ajudas voluntárias – ou muito mais
23 REZENDE, Arleson. Entrevista exclusiva concedida por e-mail à autora desta pesquisa, em 26/04/2012.
baratas – para a execução do trabalho, existe uma preocupação na divulgação das festas, das contratações e das boas novidades, até mesmo com a intenção de conseguir novos adeptos, admiradores e desfilantes. Por outro lado, apesar desse novo olhar começar a despontar nesses grupos, ainda existe quem resista. Administrações geridas por presidentes com uma visão mais antiga e burocrática que não dão tanta importância ou por desconhecimento, ou por não terem como investir financeiramente – e aí é quando aparecem os “amigos” e “conhecidos” para desenvolver essa função –, ou por realmente priorizarem outras necessidades e considerar que esta é uma preocupação menor. Mas essa realidade está diminuindo com o passar dos anos. Enquanto a Estácio de Sá tem o trunfo de um nome conhecido, de carnavais históricos e de uma relação com a mídia há mais tempo, a União do Parque Curicica é uma entre tantas outras escolas que, basicamente, só podem contar com os sites especializados e do cultivo diário de uma boa relação com a imprensa visualizando o título e possíveis pautas futuras. Ainda assim, ambas as escolas contam com o empenho das suas assessorias e fazem, dentro do possível e de modos alternativos, a busca diária pelo seu espaço nas mídias.
CONCLUSÃO
Como foi visto ao longo dos capítulos, as escolas de samba, através dos anos, vêm se estruturando de todas as formas, inclusive na área de comunicação. Precisam cada vez mais se mostrar para mídia, público e empresários e, aos poucos, vêm entendendo que sem uma visão administrativa dificilmente atingirão seus objetivos. Nos grupos de acesso a realidade do assessor de imprensa fica ainda mais peculiar e encontra uma série de barreiras para conseguir desenvolver um bom trabalho. Seja no baixo salário, no processo estrutural das agremiações que ainda está caminhando, na consciência dos presidentes e diretores, na forma amadora como o carnaval desses grupos ainda é construído, na falta de profissionais especializados ao mesmo tempo em comunicação e no universo carnavalesco, no espaço de mídia ainda restrito a épocas do ano e a celebridades, enfim, ainda há muito que ser visto nessa relação. Mas uma coisa é fato: a necessidade desse profissionalismo cresce a cada dia e vai deixando para trás as escolas que ainda veem o “jeitinho” amador como uma saída. Mercado existe. Ao todo, são 68 escolas de samba no Rio de Janeiro, das quais, 56 pertencem aos grupos de acesso. Só nos Grupos A e B, que desfilam na Marquês de Sapucaí, são 18. E dessas dezoito agremiações, nem a metade possui uma assessoria de imprensa ou possuem nesse cargo pessoas despreparadas. Ou seja, existe um espaço e uma deficiência de ambos os lados para suprir e completar essas lacunas.
Esse trabalho propôs mostrar um pouco dessa realidade e desse universo específico dos grupos de acesso, tão pouco explorado, mas que possui grande relevância e espaço para profissionais de comunicação. Também se propôs a identificar as deficiências e dificuldades do trabalho da assessoria de imprensa nesses grupos e um panorama de como ela é feita no dia a dia. Procurou também ouvir profissionais e diretores para compreender melhor essas questões. E, como foi visto, esse campo profissional ainda está amadurecendo dentro da visão administrativa das agremiações, o que leva a apontar, em curto prazo, um crescimento futuro da função.
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ZUMA, Marcio. Entrevista exclusiva concedida por e-mail à autora desta pesquisa, em 09/05/2012.
ANEXOS GRES Estácio de Sá Entrevista Assessor e Presidente Nome: Arleson Pereira Rezende Breve histórico (profissão, quanto tempo no carnaval, quanto tempo na escola em questão): Atuei como produtor e repórter do Programa Carioca Samba Show, na antiga Rádio Carioca. Depois fui convidado para fazer a assessoria de imprensa da escola de samba mirim da Portela, a Filhos da Águia, sendo esta a minha primeira experiência prestando assessoria, numa agremiação carnavalesca. Fui repórter e colunista do Site Esquina do Samba, logo no início de sua trajetória, além de ter tido passagens também pelo Site O Carnaval Carioca e Sambrasil, veículo que prestei consultoria na área de jornalismo, atuando também como repórter e redator. Prestei assessoria de imprensa na escola de samba Unidos da Villa Rica, onde tive na realidade meu primeiro desafio como assessor de imprensa, tendo a obrigação de tornar conhecidos os eventos e medidas adotadas pela diretoria da escola. Atuei também como assessor das escolas de samba Lins Imperial e Arrastão de Cascadura, além da Associação das Escolas de Samba Mirins do Rio de Janeiro. Formado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pelo Centro Universitário da Cidade – UniverCidade, em dezembro de 2005. Sou Jornalista, atuando no carnaval desde 2006. Na Estácio de Sá desde novembro de 2011, a convite do presidente Leziário Nascimento.
Você atua em alguma outra área? Tem algum outro emprego? Sim, atuo como auxiliar administrativo, na UniverCidade, prestando apoio a professores e coordenadores pedagógicos. Atuo na área da Educação e Pesquisa. Desde 2011, sou convidado para apresentar palestras na Universidade Estácio de Sá sobre Comunicação e Carnaval, na Semana de Comunicação, período marcado pela coordenação do Curso de Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade) nos Campus Campo Grande e Nova Friburgo. E tenho o projeto de iniciar minha carreira como docente, já que estou em fase de conclusão do curso de pós-graduação em Docência do Ensino Superior.
Como é a sua relação com o presidente e demais segmentos? Acima de tudo profissional. Mas com um ambiente tranquilo e de muita espontaneidade, procurando entender e respeitar o espaço de cada um dentro daquilo que são os responsáveis.
Quais as pautas mais comuns? As pautas mais comuns são os eventos realizados na quadra mensalmente ou semanalmente. As feijoadas, pagodes ou encontros festivos e informes sobre contratações ou dispensa de profissionais.
Há diferenças entre enviar um release para mídia especializada e mídia geral? Quais? Sim, a começar pelo estilo de texto para qual veículo se pretende enviar um release contendo uma sugestão de nota ou pauta (rádio, televisão ou internet).
Na mídia especializada a linguagem pode ser tratada de maneira mais simples, já que atinge a um público conhecedor, permitindo ao assessor utilizar termos de linguagem e escrita de fácil identificação. Para a mídia geral, onde atingimos não só os admiradores do carnaval, procuramos elaborar melhor, fazendo com que leitores, internautas, ouvintes ou telespectadores entendam o objetivo da mensagem encaminhada para as redações. Quanto mais simples e objetivo o texto for encaminhado, melhor o profissional de redação entende e publica.
Qual a importância da mídia especializada de carnaval para o assessor de imprensa que atua em escolas de samba? A valorização de um produto que o profissional do jornalismo que atua assessorando um cliente que possui público específico. Assim como em editorias de esporte, moda ou cultura, o carnaval possui seus leitores, ouvintes e telespectadores, que acompanham os fatos noticiosos do segmento durante o ano todo. Com o surgimento da internet, os sites voltados somente para esse noticiário valorizou e vem dando mais notoriedade ao trabalho das assessorias de imprensa. Nos veículos dos grandes grupos de comunicação o carnaval é considerado uma subeditoria, ligado geralmente a cultura e lazer. Para as mídias especializadas, trata-se de uma editoria, como é a de política, cidade, país, etc.
Quais são as principais cobranças de um assessor de imprensa por parte da direção da escola? Publicação, postagem e veiculação em todos os meios de comunicação possíveis, pois o carnaval apesar de ser uma indústria que fomenta fatos
noticiosos e gera empregos diretos e indiretos o ano inteiro, ainda lida com a paixão e orgulho. Só o fato de torcedores, dirigentes ou profissionais lerem, ouvirem ou verem alguma matéria ou foto em veículos de comunicação, para ele está elevando o nome da agremiação... Outras diretorias já se baseiam pelas publicações, elaboração do clipping e pelo fato de que através do material coletado comprovando a veiculação num variado número de veículos de comunicação, as possibilidade de se conseguir uma parceria comercial ou patrocínio aumentam bastante. Além da assiduidade, presença na quadra durante os eventos e manter o “bom relacionamento” entre a entidade ou agremiação e os órgãos de imprensa.
Quais são as maiores dificuldades e desafios da função? Em escolas dos grupos de acesso, a relação entre o assessorado e a mídia. O chamado Mídia Training. Outra dificuldade é a publicação, postagem ou veiculação em corporações de grande porte, onde somente as escolas da elite do carnaval têm algum espaço no noticiário, além de tratar da comunicação interna, planejando ações a serem desenvolvidas como sites, revistas, jornais, informes e redes sociais. Os dirigentes e profissionais de escolas de grupos de acesso ainda não têm conhecimento sobre a importância desse tipo de trabalho e o quanto podem ser benéficos para a agremiação.
Você percebe o seu trabalho valorizado e compensado? Sim, tanto pela diretoria da escola, no reconhecimento ao me convidar para permanecer, quanto pelas pessoas que possuem ligações afetivas com a agremiação. Compensado nem sempre, já que por se tratar de escolas dos
grupos de acesso, financeiramente a compensação não é como deveria ser, pelo fato de as escolas não possuírem verba para renumerar adequadamente um assessor de imprensa.
O que você acredita ser fundamental em um assessor de imprensa de escola de samba? Primeiramente, cursar a faculdade de Comunicação Social, ou fazer algum tipo de curso de aperfeiçoamento. Ser aplicado, dedicado, conhecer sobre carnaval, que é muito mais do que decorar letras de sambas e cores de bandeiras de agremiações.
Como você vê o mercado atual (para assessores de escola de samba)? Está mais profissional ou não? Ainda com muita gente desprepara, desenvolvendo uma função que não têm o mínimo conhecimento de como se executa e a que se objetiva. Escrevem ou falam mal, o que de uma maneira prejudica e ridiculariza a função de assessor de imprensa, ainda mais sendo de escolas de samba. Estamos caminhando a passos curtos, mas acredito que estamos evoluindo no sentido da profissionalização daqueles que se propõem a serem profissionais de imprensa na cobertura do carnaval, incluindo-se os assessores de imprensa.
Entrevista Presidente – GRES Estácio de Sá Nome: Leziário Nascimento Breve histórico (profissão, quanto tempo no carnaval, quanto tempo na escola em questão):
Funcionário público, nascido e criado no Estácio, sempre envolvido com as coisas do bairro e da comunidade. Agente penitenciário. No carnaval desde os 20 anos de idade, sempre na Estácio de Sá. Desde pequeno sempre exerci uma certa liderança, o que me ajudou a chegar a presidência da escola de coração, a Estácio de Sá.
Por que contratar um assessor de imprensa? Porque temos que manter um relacionamento além de cordial, profissional com os meios de comunicação e por isso temos que ter um profissional especializado nesse ramo, para que falhas não aconteçam e possamos desenvolver um trabalho atingindo todas as frentes, incluindo a comunicação.
O que você espera e exige de uma assessoria? Que seja estabelecida uma relação entre a Estácio e os órgãos de imprensa e que essa relação seja a melhor possível. Que os nossos fatos sejam noticiados e que caso tenhamos alguma crise, a assessoria de imprensa seja equilibrada para podermos gerenciar o momento. Elaborar planos para a comunicação com o público externo e interno da escola, além do desenvolvimento dos nossos meios de comunicação como o site e a revista da Estácio de Sá. Exijo profissionalismo, respeito acima de tudo um bom relacionamento com os demais segmentos da escola, além da diretoria.
Você acompanha as mídias especializadas (sites, web rádios) de carnaval? Por quê?
Sim, acesso os principais sites, ouço os programas de samba, para me manter informado do que acontece nos outros grupos, além de saber da opinião dos profissionais envolvido, como estamos administrando a escola.
Quais as principais mudanças que você percebe na sua escola antes e depois do trabalho da assessoria de imprensa? Como as pessoas ao comentarem comigo sobre a escola falam: agora a escola está sendo divulgada nos sites ou ouvi falar sobre a Estácio no programa de rádio. Tive problemas anteriores com alguns assessores despreparados, que não divulgavam e as pessoas comentavam ao contrário, sempre pedindo para falarmos sobre o trabalho desenvolvido.
Você acha que a assessoria de imprensa é uma visão estratégica dentro da profissionalização do carnaval? Por quê? Sim, vejo as escolas de samba como grandes empresas e sendo assim, a assessoria de imprensa e o marketing nos auxilia no tratamento com a imprensa, além de estar divulgando nossos eventos e trabalho. Com o clipping, meu Departamento de Marketing corre atrás de parcerias para ajudar nas despesas de quadra e barracão, além de possíveis patrocínios.
Como você vê uma administração de escola de samba hoje? Como a de uma grande corporação, tendo os devidos profissionais desenvolvendo seus respectivos trabalhos nas áreas que os compete. A última palavra é a do presidente, porém tem que ser divido o trabalho, para não sobrecarregar ninguém e o resultado ser o esperado, ou próximo disso.
Uma boa comunicação da escola com a mídia e seu público ajuda na hora de captar patrocínio e/ou atrair pessoas importantes para a agremiação? Por quê? Sim, pois os torcedores da escola ao ouvirem ou lerem algo sobre o que estamos pretendendo ou já desenvolvendo na escola, se aproximam, com isso matemos o vínculo entre torcedores e comunidade, o que para o nosso trabalho é importante. Em relação ao patrocínio é de suma importância! Quando apresentamos uma proposta de parceria ou patrocínio, levamos sempre o clipping mensal da escola. Nele estão relacionadas todas as publicações em diversos veículos de comunicação, o que comprova que temos público, temos mercado e somos vistos. Facilita na hora do fechamento de alguma coisa proveitosa para a escola. Com esse material podemos até mesmo negociar um possível aumento de cotas de patrocínio, ou algo parecido. Em relação a pessoas importantes o objetivo é o mesmo... Quanto mais sua escola é exposta positivamente na mídia, mais as pessoas se aproximam.
Como é a sua relação com a assessoria de imprensa? Atualmente a melhor possível. Tive problemas sérios com o profissional anterior, a ponto de ter que o afastá-lo. Procuro dar toda e provável liberdade de trabalho, mas também cobro eficiência.
Na sua opinião, qual a importância da sua escola estar na mídia? Além do orgulho de ler algo da Estácio nos sites ou jornais, ver uma matéria da escola numa edição do Jornal Nacional em Fevereiro passado, pra mim foi
espetacular. Mas como sambista é só isso... Já como dirigente e responsável pela escola, temos que ver o lado comercial da coisa. O fato de a Estácio de Sá estar na mídia e de maneira positiva, atrai as pessoas e quando se tem um público razoavelmente fiel, se atraem também parceiros, patrocinadores e investidores.
GRES União do Parque Curicica Entrevista Divulgador e Presidente
Nome: Marcio L. Zuma Breve histórico (profissão, quanto tempo no carnaval, quanto tempo na escola em questão): Eu sou Bacharelado em Ciências Contábeis, estou ativamente há dez anos no carnaval e tenho três anos no GRES União do Parque Curicica. Como é o dia a dia de um assessor de imprensa em uma escola de samba de Grupo B? É um trabalho muito puxado, devido a poucos recursos e pouca visibilidade do grupo. Quais as pautas mais comuns? Os eventos que acontecem na quadra (Feijoada, Ensaios, etc...). Você encontra dificuldades de colocar a escola em um grande jornal, nessas mídias mais gerais? Por quê? Sim, pois como respondi anteriormente é um grupo que tem pouca visão das pessoas que não estão envolvidas com o mundo do samba.
Quais são as principais cobranças de um assessor de imprensa por parte da direção da escola? Que a agremiação consiga aparecer no mínimo na mídia especializada.
Quais são as maiores dificuldades e desafios da função? As dificuldades são inúmeras e o desafio é colocar a escola na mídia o máximo que conseguir.
Quais são as principais características de um divulgador de Grupo B? É ser dinâmico e ter um bom relacionamento com os meios de comunicação.
Você exerce papel de assessoria e divulgação, indo nos programas de rádio de carnaval falar da escola. Acha isso importante? É uma exigência dos presidentes? Como você vê isso? Vejo uma forma de atingir aquela pessoa que é apaixonada por carnaval e às vezes pela carência de pessoas que vão as rádios divulgarem outras agremiações, você acaba ganhando um torcedor que vai se interessar mais pela aquela escola que escuta as informações toda semana.
Como você vê os sites especializados em Carnaval? É importante esses veículos para as escolas de Grupo B? Por quê? Vejo alguns (minoria) que só estão preocupados em divulgar o grupo especial, mas na maioria eles divulgam os grupos de forma igualitária e tem a sua
importância, pois a pessoa que procura esses sites esta querendo informações de escolas de samba, não importando o grupo.
O que você acredita ser fundamental em um assessor de imprensa de escola de samba? Muito trabalho, dedicação à escola e interação com os segmentos.
Entrevista Presidente – GRES União do Parque Curicica
Nome: Edson Procópio de Sá Breve histórico (profissão, quanto tempo no carnaval, quanto tempo na escola em questão): Funcionário público, 20 anos de carnaval, todos no Curicica.
Por que contratar um assessor de imprensa / divulgador? Acho importante para que a escola mostre os trabalhos desenvolvidos de uma maneira ampla.
Quais as principais mudanças que você percebe na sua escola antes e depois do trabalho da assessoria de imprensa? Percebi nesses três anos uma movimentação de público maior e pessoas dentro do mundo do samba comentarem mais sobre o que acontece dentro da agremiação.
Como você vê uma administração de escola de samba hoje? Vejo que tem que haver sempre uma integração entre diretoria, segmentos e comunidades para conseguirmos caminhar e desenvolver um trabalho.
Uma boa comunicação da escola com a mídia e seu público ajuda na hora de captar patrocínio e/ou atrair pessoas importantes para a agremiação? Por quê? Sim, pois a partir do momento que a escola tem mais reconhecimento, as pessoas passam a procurar para conhecer e até fechar novas parcerias.
Na sua opinião, qual a importância da sua escola estar na mídia? A importância que eu vejo é por atrair um novo público e novos parceiros para juntos tornarmos uma escola mais forte.