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Ultrapassando os limites das instituições: a roda de samba como espaço de educação não formal

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Ultrapassando os limites das instituições: a roda de samba como espaço de educação não formal. Beatriz Tomaz Ruela* Resumo Este artigo tem como foco discutir os trabalhos realizados em instituições e outras propostas de educação não formal, não institucionalizada, buscando tecer uma reflexão sobre sua importância para a educação. Inicialmente, foi realizado um levantamento bibliográfico sobre o conceito de educação não formal e as ONGs (Organizações Não Governamentais), com o intuito de mostrar e discutir acerca da importância da roda de samba como um espaço de educação não formal. Em seguida, foram realizados trabalhos de campo para observar e analisar a atuação do Núcleo de Samba Cupinzeiro, de Campinas, e a roda de samba na cidade de São Carlos – SP. Conclui-se que a roda de samba é uma ação cultural complementar à educação universitária, que reúne não somente estudantes, mas também funcionários e pessoas da comunidade, interessadas no samba e no espaço coletivo que ele proporciona, movimentos típicos da cultura popular, da cultura oral e que não são contemplados no universo acadêmico.

* Pedagogia Unicamp.

Palavras-chave: Educação não formal. Roda de samba. ONG.

Alma do Samba Bem alto Longe do asfalto Reside a alma do samba Anda de sapatos brancos Subindo os barrancos Com suas muambas Dizem na boca do morro Que ele é um espírito forro Vagando pelas vielas Chora, pedindo socorro Aos humilhados da favela Foi guerreiro na África antiga E aprendeu as mandingas Com seus ancestrais Sambando levou sua ginga Aos salões imperiais Salve o rei negro imortal Fugitivo das senzalas Que tombou crivado de balas Dando a vida pelo carnaval (Edu de Maria/ Bruno Ribeiro)1

A educação não formal e as ONGs

A

educação não formal, apesar de se diferir da educação que acontece nas escolas, traz uma organização escolar e é considerada complementar à educação formal. “Designa (...) também todo e qualquer processo

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Faixa 10 do Cd do Núcleo de Samba Cupinzeiro. 1

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educativo ocorrido em instituições que não pertençam às Redes Escolares de Ensino”. (FURTER, 1978). Essa educação acontece fora das normalidades e tempos da escola, atendendo a vários públicos, por isso seu caráter complementar, mas que não deixa de ser compensatória, tratando na maioria dos casos, de um grupo específico, uma vez que também será destinada aos pobres, ainda que essa função não esteja evidenciada na nomenclatura. O surgimento massivo de instituições cujos objetivos estão centrados numa educação não formal vem atender a uma demanda de excluídos dos sistemas ou das redes escolares, uma vez que essas instituições não contemplam sua função educacional em seus cotidianos, como afirma Garcia (2005): Surge a partir de mudanças, que fazem com que a sociedade se reestruture, ao considerarmos as necessidades e propostas sociais que têm preocupações diversas daquelas de educação formal, por abarcar propostas diferentes daquelas oferecidas pelo sistema formal, por propor-se a atender aqueles que a escola formal tem dificuldades de integrar no seu cotidiano (crianças, jovens, adultos, velhos, com necessidades especiais; praticantes de atos infracionais; aqueles que passam o dia ou vivem nas ruas e outros). (p. 27).

A autora também enfatiza outra questão a ser considerada como preponderante para o surgimento da educação não formal: a escola não está mais “dando conta” de todas as demandas sociais que lhes são impostas como educação, cuidado, formação, atendimento, proteção, socialização, guarda, entre outros. Com a atual realidade econômica, agravaram-se os processos de exclusão social e, com isso, a sociedade civil passa a se organizar, principalmente em ONGs (Organizações Não Governamentais), de forma mais intensa, com a intenção de combater esta situação de violência e exclusão. Assim, nos anos 1990, observamos a expansão do chamado terceiro setor – sociedade civil organizada. É, portanto, nesse cenário neoliberal de uma sociedade civil servindo as necessidades autolimitadoras de um Estado atrelado à economia política, que surgem as Organizações Não-Governamentais como iniciativas da sociedade civil para fazer o que o governo não está dando conta de fazer. (FERNANDES, 2010, p. 5).

A expressão ONG foi criada na década de 1940, pela ONU para designar entidades não oficiais que recebiam ajuda financeira de órgãos públicos para executar projetos de interesse social. Embora o surgimento e desenvolvimento destas ocorressem de forma desvinculada do Estado, é fato que elas dependem quase que exclusivamente dele para sobreviverem. Assim, desde a década de 1980, o Banco Mundial vem dando grande atenção às ONGs, priorizando ações em parcerias com elas. As ONG’s são, portanto, “parte das políticas do modelo econômico vigente, na nova sociedade globalizada, que priorizam os interesses do capital especulativo internacional em detrimento do desenvolvimento nacional”. (GOHN, 2001, p. 97). Dessa forma, o que surgiu como sendo uma proposta de mudança em relação à situação social de exclusão, podendo, talvez, gerar uma transformação estrutural, hoje não passa de uma organização vinculada aos interesses econômicos e políticos de uma classe dominante (representada pelo Estado), que atua de forma a manter essa situação. Michel Foucault e Gilles Deleuze denunciam algo muito pior, muito mais elaborado: o controle velado que é exercício em nossas mentes sem que pos-

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Ultrapassando os limites das instituições: a roda de samba como espaço de educação não formal. samos dar conta. O neoliberalismo capitalístico especializou-se em produzir medos e desejos, em transformar solidariedade em manutenção do sistema, liberdade em produto, diferenças em desigualdade, ignorância em medo, amizade em parceria, lar em empresa, vida em mercadoria. Para Foucault, isto é Biopoder, a Biopolítica e para Gilles Deleuze, a Sociedade do Controle. (FERNANDES, 2010, p. 2).

Segundo os conceitos de Foucault, apud Fernandes, a partir dos séculos XVII e XVIII, inicia-se uma nova mecânica do poder, pois, se antes o poder era exercido sobre a terra e seus produtos (sociedade da soberania), a partir de então, será exercido sobre os corpos (sociedade do controle); poder disciplinador, segundo o filósofo. Sendo assim, as ONGs, assim como a escola, a indústria e a prisão, compartilham dessa mesma lógica de poder e controle, uma vez que os corpos são igualmente disciplinados em prol de um “bem estar social”. A sociedade civil toma para si as responsabilidades do Estado, contribuindo, dessa forma, para que as diferenças sociais sejam cada vez mais distintas, em contrapartida a uma homogeneização da população atendida nessas instituições. Evidenciando, portanto, como essas organizações civis são facilmente capturadas pela sociedade de controle, quando estas estão vinculadas de alguma forma ao Estado, ou seja, quando estão institucionalizadas. Quando esse tipo de organização se institucionaliza, ela se prende aos interesses da classe dominante, que, por sua vez, tentará cooptá-la, na maioria das vezes via financiamento, para que seus trabalhos sejam efetuados para a manutenção das desigualdades sociais e controle das classes subalternas. Dessa forma, as ONGs, por exemplo, realizarão ações pontuais e limitadas. O direito não é mais acesso, mas condição para a continuidade dos súditos reinventores de soberanias desterritorializantes (...). O Estado, então, existe como agenciador produtivo ao lado das empresas e organizações não governamentais para administração de corpos desnecessários, trazendo para o centro das controvérsias a ética da fraternidade. (PASSETI apud FERNANDES, 2005, p. 136).

Algumas ONGs tentam criar estratégias para fugir a esse controle exercido pelo Estado mas, apesar de conseguirem algumas vezes, sempre voltam a ser “capturadas”. Por mais que desenvolvam trabalhos e seus projetos sejam extremamente interessantes, há de se considerar suas limitações, uma vez que estão sob a tutela de um órgão regulador. Dessa forma, nenhuma organização que esteja institucionalizada conseguirá alcançar a transformação social. “Um espaço ambíguo, portanto, oscilando entre a captura e a fuga. (...) É na tensão da ambigüidade que as coisas acontecem, às vezes sendo capturado, às vezes escapando e, quando se crê livre, eis que é capturado novamente.”. (FERNANDES, 2010, p. 15). É justamente nesse contexto geral que se inserem as rodas de samba numa perspectiva de educação não formal, para além das ONGs, como alternativa para que os sujeitos participem de um processo de educação não controladora, focada em ações culturais coletivas que possibilitarão discussões pertinentes, as quais poderão levar às transformações sociais.

A roda de samba Considerando que são múltiplos os espaços onde acontecem a educação não normal, ressalto a importância da roda de samba como ação cultural coletiva, que tem seu processo de ensino-aprendizagem não fixado, como na educação formal. Assim, Revista do Instituto de Ciências Humanas, v.7, n.7 , p. 56 - 62, jan. - jul. 2012.

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o espaço também é algo criado e recriado segundo os modos de ação previstos nos objetivos maiores que dão sentido ao fato de determinado grupo social estar se reunindo. (GOHN, 2001, p. 101). A educação está associada também ao conceito de cultura, pois é adquirida ao longo da vida do sujeito, isoladamente ou em grupos. Portanto, educação e cultura são indissociáveis. A cultura é produção humana no coletivo. Dessa forma, a roda de samba é uma manifestação coletiva, onde ocorre uma imersão cultural como processo da educação não formal. A roda de samba é um espaço de interlocução, onde sentados em roda ou entorno dela, todos se veem. Além de ser um espaço em que, desde a ancestralidade, diversos povos reúnem para conversar e compartilhar seus saberes. As manifestações populares possuem uma metodologia que não é baseada na escrita, mas nos códigos de determinada cultura, em que o processo de ensino-aprendizagem se dá pela oralidade, transmissão inversa a da escola, cuja educação é centrada no mestre. São essas singularidades que possibilitam nas rodas de samba agregar crianças, idosos e jovens num mesmo ambiente. Os procedimentos metodológicos utilizados nos processos de educação não-formal estão pouco codificados na palavra escrita e bastante organizados ao redor da fala. A voz ou as vozes, que entoam ou ecoam de seus participantes são carregadas de emoções, pensamentos, desejos, etc. (GOHN, 2001, p. 106).

Se uma pessoa está numa roda de samba, ela já está numa imersão cultural, intervindo naquele ambiente e conhecendo códigos culturais que fazem parte da roda, como bater palma em determinadas músicas, aprendendo as letras e melodias, conhecendo a cultura do samba e seu contexto social e histórico. As ações interativas entre os indivíduos são fundamentais para a aquisição de novos saberes, e essas ações ocorrem fundamentalmente no plano da comunicação verbal, oral, carregadas de todo o conjunto de representações e tradições culturais que as expressões orais contém. (GOHN, 2001, p. 104).

A produção cultural na contemporaneidade é uma questão muito importante a ser considerada, já que a música popular brasileira, da mesma forma que as rodas de samba, não escapam ao seu domínio, centralizados sempre nas mesmas pessoas. Assim, o público não tem a opção de escolher o produto cultural, pois quem o produz também o induz ao público, seguindo a lógica do espetáculo, a lógica do consumo. Assim, a mídia também teve seu papel na pasteurização da cultura popular, e a indústria cultural transformou o samba em mais um produto e: “demonstra para os homens o modelo de sua cultura: a falsa identidade do universal e do particular. Sob o poder do monopólio, toda cultura de massas é idêntica, e seu esqueleto, a ossatura conceitual fabricada por aquele, começa a se delinear.”. (ADORNO, 1985, p. 100). Nesse contexto, a roda de samba, além de espaço de educação não formal, se constitui em uma possibilidade de criar um pertencimento cultural diante do confronto com a indústria cultural, pois nela são traçados processos de identidade, transmissão e recuperação da memória num amplo conhecimento histórico social e musical. Nesses encontros são cantadas e contadas histórias ligadas ao universo do samba, são trazidas a tona memórias. (...) Assim, constituem seus repertórios e trocam informações que denotam um aprendizado musical e histórico-social que se dá no nível das interações humanas com base na oralidade, modo este muito ligado às tradições do samba e das diversas manifestações da cultura popular. (SOUZA, 2007, p. 03). Revista do Instituto de Ciências Humanas, v.7, n.7 , p. 56 - 62, jan. - jul. 2012.

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O núcleo de samba cupinzeiro Com a intenção de reunir pessoas, amigos, músicos e interessados em conhecer a cultura brasileira, que estavam cansados da relação imposta pela indústria cultural do samba, em 2001, as rodas surgiram como um espaço para falar, cantar, dançar, compartilhar sambas pesquisados, numa relação horizontal, sem professor². Assim, o Núcleo de Samba Cupinzeiro surgiu na informalidade e da vontade de conversar sobre samba, cultura brasileira e sobre outros temas que, através do samba, surgem; tais como discussões sobre questões sociais, arte e memória. Uma prática repleta de sentidos ideológicos, políticos, musicais, educacionais e de significados pessoais que constituem com a subjetividade dos seus integrantes ao mesmo tempo em que constroem a identidade capaz de consolidar a união de seus membros em torno da roda onde se canta e se reflete sobre as diversas dimensões sócio culturais dessa manifestação. (SOUZA, 2007, p. 02).

²Informações contidas no site: <http://narodadesamba.blogspot. com.br/>.

E como não poderiam deixar de ser, essas experiências vivenciadas pelas pessoas, em diferentes contextos ao longo da vida, são formadoras de sua identidade cultural, pois dentro da prática social pode-se entender a experiência, a cultura e os pontos de vista de outros. Segundo Souza (2007), “vivência coletiva passam a ter conhecimento de um manancial cultural pouco presente em outros meios de difusão cultural.”. (p. 08). A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm: requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar os outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço. (LARROSA-BONDÍA, 2002, p. 24).

Por esse caráter coletivo, cabe destacar que as atividades do Núcleo de Samba Cupinzeiro, suas ações em grupo, estão dentro da concepção de educação não formal, pois como afirma Gohn: passa por um processo de ação grupal, vivida como práxis concreta de um grupo, ainda que o resultado do que se aprende seja absorvido individualmente.O processo ocorre a partir das relações sociais, mediadas por elementos de intersubjetividade à medida que os mediadores desempenham o papel de comunicadores. (GOHN, 2001, p. 104).

A roda de samba: uma outra educação não formal Observei as oficinas de samba, ministradas pelo Núcleo de Samba Cupinzeiro, nos meses de setembro a novembro de 2011, que ocorreram no teatro de bolso da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar – e nas Rodas de Samba do mesmo Núcleo, que aconteceram no espaço TEIA (casa de criação) também em São Carlos, que fazem parte do projeto: “Práticas de Samba: o aprendizado musical na roda”. Esse projeto tem como propostas três atividades: as oficinas, as aulas e a roda de samba. As oficinas configuram-se como sendo os momentos de diálogos, aprendizado musical e Revista do Instituto de Ciências Humanas, v.7, n.7 , p. 56 - 62, jan. - jul. 2012.

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troca de experiências. Já as rodas de samba são momentos de observação dos fundamentos do samba e como sua organização acontece coletivamente, nesse aspecto o canto tem papel fundamental no andamento da roda, porque é ele que dá força e beleza ao encontro. Em ambas as atividades é possibilitado o aprendizado de repertório do samba, da linguagem da roda e do conhecimento musical. essas ações podem possibilitar a construção de diferentes modos de vivenciar e compreender os processos de ensino/aprendizagem assim como elaboração de concepções de realidade a partir da consciência adquirida na produção da cultura e na inserção como sujeitos da história. (SOUZA, 2007, p. 07).

Durante as observações, percebi que a oralidade e a troca de experiências possuem papéis fundamentais na socialização do repertório musical entre as pessoas. As pessoas que participam das oficinas da mesma forma que as participantes da roda, demonstram especial atenção aos diferentes instrumentos tocados para execução das músicas, ressaltando por fim, os compositores e intérpretes das gravações. Percebi, também, como que as pessoas que compõem o coro de vozes, ao longo das oficinas, adquiriram qualidade em relação à técnica vocal. Participaram das oficinas estudantes e funcionários da UFSCar e comunidade. As rodas de samba são abertas para o público interessado em ouvir e cantar samba. Como experiências educativas, as oficinas dependem da mediação dos sujeitos e da construção de sentidos pela relação que eles estabelecem entre si. (...) Para os oficineiros, pelo contrário, havia uma expectativa de formação técnica e até mesmo moral por meio do exercício artístico. (DAYRELL; LEÃO; REIS, 2007, p. 62).

Assim, promove uma ressignificação da roda de samba e do espaço da universidade destinado ao acontecimento. A roda de samba é ação cultural e ao mesmo tempo complementar à educação universitária, promovendo uma interação plural já que estão reunidos estudantes, funcionários e pessoas da comunidade, em busca do samba e desse espaço coletivo que ele proporciona e que a universidade não oferece; que vem da cultura popular, da cultura oral e que não é contemplado no universo acadêmico. Abstract This article focuses on the discussion of the work done in institutions and other projects of non-formal, non-institutionalized education, and their importance for education. We conducted a bibliographical survey on the concept of non-formal education and NGOs (Non Governmental Organizations), aiming to show and discuss the importance of the roda de samba³ as a space of non-formal education. We have done field work in order to observe and analyze the performance of the Núcleo de Samba Cupinzeiro and the Roda de Samba in the city of São Carlos - SP. We have concluded that the roda de samba is a cultural action, which complements the university education, bringing together not only students, but also staff and community who look for samba and the collective space it provides. Roda de samba comes from popular culture, oral culture, which is not encompassed in the academic world.

Nota do tradutor: Ro-da de samba is a popular dance and music gathering in which people dance and play samba. 3

Keywords: Non-formal education. Roda de samba. NGO.

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