Expediente
Editores: Bruno Bruton Soares e Monique Magatdi Revisora: Monique d e Souza da Cost a (UFRJ ) Tradutor : Bruno Bruton Soares Desenho: Monique Magaldi
Apresentac;:ao A Revista Museologia Hoje
e um
periodico semestral que apresenta papers, relatos e
breves ensaios de profissionais de museus e pensadores da Museologia e do patrimonio no Brasil. Temos como objeti vo inaugurar um forum de debates sabre as quest6es que envolvem as museus, a Museologia e a patrimonio na atualidade, de forma a incent i var autores a exprim ir opini6es acerca dos mais diversos topicos, expondo pontos de vista especificos em relac;:ao a este campo de estudo. A Museologia Hoje, ligada ao Grupo de Trabalho brasileiro do Subcomi te Regional de Museologia para a America Latina e 0 Caribe (ICOFOM lAM I GT BR) , acredi ta no confronto de ideias e na apresentac;:ao de olhares diferenciados como meio para a desenvolvimento de um campo disciplinar que ainda muito tem a crescer no pais.
Editorial
E com
sati sfac;:ao que apresentamos
a comunidade
museologica brasileira este primeiro
numero da Revista Museologia Hoje, expressando a necessidade de se criar veicu los que discutam as ideias e as conceitos no campo dos museus no Brasil. Os artigos apresentados neste primeiro momento , que abre os debates no peri6dico , discorrem acerca da realidade dos museus brasileiros e as desafios quanto ao que deve ser para nossa sociedade este Museu do qua l falamos. Trabalhar com museus
e, antes de tudo, tratar de pessoas e suas relac;:6es:
ai esta 0 desafio em entende- l os . Os trabalhos que seguem expressam opini6es embasadas em reflex6es e estudos acerca dos museus no Brasil. 0 convite que aqui registramos se dirige a todos aqueles engajados em tentar entender este poderoso fenomeno em nossa sociedade. Que se fac;:a surgir, assim, um novo f orum museologico . ..
Presentation The Museology Today magazine is a periodic that presents papers, experience testimonies, and brief essays written by museum professionals as well as Museology and heritage thinkers in Brazil. We have the objective to open a forum for debates on the matters that touch the museums, Museology, and the cultural heritage in contemporary time, in a way to encourage the authors to expose their opinions on the diverse topics, revealing specific point of views in what reaches this field of knowledge. Museology Today, linked to the Brazilian Working Group of the Regional Subcommittee for Museology in Latin America and the Caribbean (ICOFOM lAM I WG BR), believes in the confrontation of ideas and the presentation of different views as a way to reach the development of a disciplinary field that still need to grow in the country.
Editorial We are satisfied to present to the Brazilian museological community this first issue of Museology Today magazine, expressing the necessity to the creation of new ways that can discuss the ideas and concepts in the museum field in Brazil. The papers presented in this first moment, that opens the debates in the periodic, discuss the reality of Brazilian museums and the challenges concerning what should this mentioned Museum be for our society. To work with museums is, first of all , to be concerned with people and their relationships: this is the challenge in understanding them. The following works express opinions based in reflections and studies on the museums in Brazil. The invitation that here is documented is directed to those engaged on trying to understand this powerful phenomenon in our society. Let it be born , this way , a new museological forum ...
Museus e Museologia na realidade brasileira Museum and Museology in the Brazilian reality
CENTRO DE MEMORIA E ANIMAC;:AO DO CARNAVAL - MUSEU DO CAR NAVAL: 0 REFLEXO DE UMA MEMORIA EM EVOLUC;:AO! Carnaval memory and animation Center - The Carnaval Museum : The reflection of a memory evolving! Maximiliano de Souza
- maximil ian02005@iq .com.br
Os museus enciclopedicos , os historicos e lecnologicos, entre nos, conlinuam voltados para um passado cheio de lacunas que eles lentam preencher, continuam venda 0 presente passar ao largo, como se nao Ihes dissesse respeilo e denlro de algumas decadas, coletarao sesquiosamenle alguns restos dos dias de hoje que nao Ihes serao suficientes para entender 0 universe formal de nosso periodo. No dia 2 de dezembro de 1987 foi concebido e aberto ao publico 0 Museu do Carnaval que sugeria um grande projeto cultural e social envolvendo nao apenas as tra~os
e
concep~oes
concep~6es
de um museu tradicional ortodoxo, mas com
modernas. A proposla inicial era de construir um Museu do Audiovisual com
desfiles de carnaval compondo as
exposi~oes
proj~6es
de
e atividades culturais como shows e outros eventos. 0 Museu
preservaria toda a historia das escolas de sambas, de sambistas e do carnaval no Brasil atraves de acervo documental composlo por fantasias, folos, livros, videos, discos , recortes de jornais e outros materiais, ou seja, seria um Cenlro de Memoria e
o
Anima~ao
mesmo sena destinado a
do Carnaval.
preserva~ao
da memoria do carnaval alraves de
concep~oes
modernas que
desafiavam os processos museologicos da epoca e os subsidios de apoio financeiro aos projetos. Darci Ribeiro propos a
conslru~ao
de um museu elelronico fugindo das caraclerislicas rigidas das
tradicionais e partindo para 0 conceito de desenvolvimenlo de tecnologia. Ja na decada de 80, que se caraclerizou pela
exposi~oes
revilaliza~ao
das
inslilui~oes
museologicas
com recurso do audiovisual e
inslitui~oes
museais tradicionais com
novas posluras leoricas e tecnicas sobre os processos museologicos, que vinham sendo implemenladas nos
palses desenvolvidos desde as anos 1960, haviam muilas dificuldades dos museus Iradicionais em "desmaterializar" as objelos de seus acervos e suas
exposi~oes .
Idealizado par sambislas e concrelizado pelo anlropologo e educador Darci Ribeiro como parte inlegranle das inslala~oes
da Passarela do Samba au ' Samoodromd,
de Janeiro para
realiza~ao
espa~o
que foi deslinado as Escolas de Sambas do Rio
de seus desfiles carnavalescos, 0 projelo foi inslalado ao final da passarela conlendo
em sua arquilelura modern isla um painel de concrelo da artisla plaslica Marianne Peretti e nas lalerais azulejos de Alhos Bulcao. Enlrelanlo, 0 projelo vigorou apenas duranle alguns anos com as proposlas que foram planejadas como alividades para 0 museu, e assim permaneceu ale a primeira melade da decada de 90 quando encerrou suas alividades e fechou suas portas ao publico, sendo seu acervo recolhido pela RIOTUR e mais larde disponibilizado no Cenlro de Memoria do Carnaval da Liga Independenle das Escolas de Sambas (LiESA) inaugurado no ana de 2004 . Os museus conlemporaneos lem seguido novas lendencias, que eslao compreendidas no campo do conhecimenlo museologico . A partir do processo acelerado informacional que permeia a sociedade moderna e que proporciona um hibridismo enlre cullura quebrando as barreiras das lodo inlegrado.
rela~oes
e Iransformando a real em um
Esle processo direcionou as museus para um ala de desmalerializa!;ao do seu objelo
despertando-o para as novas realidades sociais . Os Museus necessilam de projelos e programas capazes de represenlar 0 passado hislorico, a modernidade do presenle e as expeclalivas da
evolu~ao
para 0 fuluro. Conlribuir nao apenas para a preserva!;ao
cultural, mas para a prOmO!;aO das "vivencias¡' e das "experimenta!;oes' deixando de ser apenas um deposilario de objelos. Quesloes como es1as sao suslen1adas pelas leorias da nova museologia para 0 novo museu conlemporimeo com base em conceilos que defendem novas fun!;oes para as
inslilui~oes
culturais no mundo
moderno.
o carnaval carioca se consolidou como cultura popular alraves do samba Irazido e pralicado pelos negros vindos da Bahia; desla forma evoluiu e se consliluiu em um dos principais palrimonios cullurais e imaleriais do
Brasil. Esta
manifesta~ao
nunca foi uma pratica cultural isolada posto que sintetiza
0
processo de
constru~ao
social , pois seu desenvolvimento sempre esteve atrelado as quest6es polfticas da cidade bem como as transforma~6es
urbanas principalmente entre as decadas de 1920 e 1940. Existe uma diversidade carnavalesca
que e representada por grupos e comunidades,
estilha~ado
per todo 0 Brasil e que possuem caracteristicas
autenticas de nossa brasilidade patrimonial. Entretanto, as Escolas de Samba tem em seu acervo historico uma vasta
constru~ao
cultural baseado no
seu processo de evolw;:ao que contribuiu muito para 0 contexte cultural do carnaval carioca . 0 desenvolvimento das escolas de samba, como pratica cultural, tornou-se um marco nas
transforma~6es
urban as, social e ate
econ6mica ocorrida na cidade desde 0 inicio do seculo XX. Ainda que 0 processo histerico seja longo, nao se encontra uma especie de
cole~ao
especifica sobre carnaval ou sobre as escolas, todavia, muitas escolas de
sambas estao se preocupando em preservar seus acervos histericos (fantasias, medal has, trofeus , discos, livros etc.), mas 0 mesmo nao seria suficiente para representar a dimensao desta
manifesta~ao .
Apes vinte anos da primeira experiencia do projeto, surgem novas ideias e propostas sobre um novo projeto, mas com uma nova concep;:ao baseada na e assim, este novo projeto nao tera
de um
espa~o
que retratara 0 Universo do Carnaval,
com 0 antigo. De acordo com 0 projeto, 0
espa~o
tera uma
exposi~ao
histerica sobre 0 "Universe de Carnavar contado atraves de uma referencia a todos os tipos
manifesta~6es
carnavalesca existente no mundo desde os primerdios do Egito, Grecia e Roma. 0 visitante
grande de
semelhan~as
cria~ao
fara uma viagem no tempo atraves de um tunel repleto de imagens tridimensionais que 0 levara aquela epoca. Formado por um acervo documental com
reprodu~ao
de imagens tridimensionais que sera reproduzido atraves
do audiovisual, alem de objetos materiais para realiza<;:ao de exposi<;6es de fantasias.
o Museu do Carnaval pode ser mais do que um espa<;o moderno de exposi~6es de objetos e histerias, desde que consiga associar as novas tecnologias do audiovisual e ou compreender as novas concep;:6es museolegicas, refletindo de maneira holfstica sobre as dinamicas nas
rela~6es
entre 0 homem e 0 real , a
tradi~ao
cultural e a
modernidade sendo capaz de acompanhar 0 desenvolvimento acelerado da tradi<;ao carnavalesca e celebrar a vida.
(Maximiliano de Souza e Museologo, mestrando pelo Curso Educa~ao pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro)