QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA... NÃO É DOENTE DO PÉ: CARNAVAL E FUTEBOL EM BELO HORIZONTE Marcelino Rodrigues da Silva*
ABSTRACT Carnival and football are two widely recognized symbols of national identity in modern Brazil. The history of how this identification was constructed is an extremely interesting field for the study of the relationship between culture and politics in our society. Disseminated and made legitimate by the city of Rio de Janeiro in the first decades of the 20th century and incorporated in different ways along the several regions of Brazil, both manifestations personified tensions and mediations which were fundamental for the definition of a certain image of national community. In Belo Horizonte these two cultural manifestations had very different outcomes. If football became immensely popular and an important part of life in the city, carnival does not seem to have found a relevant place in its culture. Investigating and discussing the reasons for this difference may be an interesting exercise to reflect on the imperfect, excluding and temporary character of national identity, as well as on the different nuances taken on by the process of cultural modernization in Brazilian society.
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* Professor Doutor UNINCOR / PACCUFRJ
A
música de Dorival Caymmi, todos a conhecem, afirma categoricamente: "quem não gosta de samba / bom sujeito não é / é ruim da cabeça / ou doente do pé". Para um belo-horizontino como eu, que não possui grande intimidade com o samba e aprecia a calma de sua cidade na época do carnaval, a frase soa como um verdadeiro enigma. Afinal, samba, carnaval e futebol são símbolos amplamente reconhecidos da identidade nacional no chamado "Brasil moderno". E se o samba, e ainda mais o carnaval, não chegam a entusiasmar a capital mineira, o mesmo não se pode dizer do futebol, que é hoje, inequivocamente, um dos traços mais importantes de sua vida cultural. Por isso, se a cidade de certa forma não gosta do samba e do carnaval, com certeza não é doente do pé. Deixando em segundo plano o caso do samba, o objetivo deste trabalho é discutir brevemente as razões pelas quais carnaval e futebol encontraram, em Belo Horizonte, um destino tão diverso. Embora a pesquisa histórica possa remontar a muitos registros anteriores, samba, carnaval e futebol se fixaram e adquiriram seus sentidos mais relevantes para a cultura brasileira nas primeiras décadas do século XX, particularmente na cidade do Rio de Janeiro. Incorporando
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ao debate público a participação de pobres, negros e mestiços, antes relegada a um lugar mais marginal, essas práticas foram legitimadas pelas elites e pelo aparelho estatal, fornecendo as bases para a construção de uma ideologia nacionalpopular no país. Por meio de um processo de assimilação mais ou menos tardia, elas se difundiram por resto do Brasil, modelando discursivamente a identidade moderna da nação. Em Belo Horizonte, a história não foi diferente. O futebol foi introduzido na cidade no primeiro decênio do século XX e se consolidou nas décadas seguintes. O primeiro clube foi o Sport Club Football, fundado em 1904, e as principais agremiações surgiram em 1908 (Atlético), 1912 (América) e 1921 (Palestra Itália, que mais tarde mudou de nome para Cruzeiro). Assim como no Rio de Janeiro, o esporte chegou como um símbolo de modernidade e distinção social, tornandose gradativamente uma prática popular e fortemente enraizada em diversos setores da sociedade, que servia para a articulação de diferentes formas de pertencimento social, baseadas em territórios, classes sociais, raças, comunidades profissionais e de imigrantes etc. Também o carnaval teve presença importante em Belo Horizonte, durante as primeiras décadas do século XX. No livro
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Pernas pro ar que ninguém é de ferro!!!, uma das poucas obras dedicadas à história
desfiles dos blocos carnavalescos criados nos bairros da cidade. Uma simples lista
da festa de Momo na capital mineira, Clotildes Avellar Teixeira conta que, já em 1899, "o clube carnavalesco Diabos da Luneta comandou a folia (...) promovendo
dos nomes de alguns desses blocos já é suficiente para dar uma idéia de sua popularidade nos diferentes bairros e grupos sociais. Saíam às ruas, para as
um desfile que contou com 22 carros enfeitados percorrendo as ruas da novíssima cidade", fundada apenas dois anos antes. Além do corso, as civilizadas
festas carnavalescas, os Bocas Brancas da Floresta, as Domésticas de Lourdes, os Aflitos do Anchieta, os Presidiários do Ipiranga, os Invasores do Santo Antônio,
batalhas de confetes (versão mais bem comportada dos turbulentos entrudos) também eram muito elogiadas pela imprensa local e apreciadas pela população. Pouco mais tarde, na década de 1910, o corso continuava sendo a principal atração e a movimentação em torno da festa era tão grande que "circulavam em Belo Horizonte jornais exclusivos, confeccionados especialmente para a ocasião, como o Matakins, editado pelo famoso bloco carnavalesco de mesmo nome". Já no decênio de 1920, a historiadora informa que cresceram os bailes em clubes fechados e o carnaval "era visto como elegante e criativo, apresentando
os Piratas do Pedro II, os Mulatos do Carlos Prates, os Coloreds da Floresta e os famosos Leões da Lagoinha, bloco sediado no principal bairro boêmio da cidade naquela época. Continuaram intensos os festejos no centro, especialmente a Batalha do Galo e a Batalha Real, realizada pelos Diários Associados na Rua Goiás, na semana que antecedia o carnaval1. Dispersa na memória escrita de intelectuais e artistas da cidade, pode ser encontrada uma grande quantidade de referências que confirmam o relato de Clotildes Avellar Teixeira. Há, por exemplo, um poema de Carlos Drummond
grande participação de parte da população". E, nos anos de 1940, embora o corso já não fosse mais tão festejado, pois os carros fechados impediam a visão dos foliões, tiveram grande destaque os bailes de agremiações elegantes como o Automóvel Clube e o Minas Tênis Clube, e os
de Andrade, publicado no terceiro livro da série Boitempo, que fala do comportamento ainda tímido das moças bem nascidas da cidade no corso e mostra a família mineira se modernizando, "esquecendo sua história comedida" e "descobrindo (...) uma alegria carioca, a alegria
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1. TEIXEIRA, Clotildes Avellar. Pernas pro ar que ninguém é de ferro!!! Lembranças da banda. Belo Horizonte: Historiarte, 2005, p. 20-25.
2. ANDRADE, Carlos Drummond de. Carnaval e moças. In: ______. Poesia com-pleta. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 2002, p.11641166. 3. TEIXEIRA, Clotildes Avellar. Pernas pro ar que ninguém é de ferro!!! Lembranças da banda. Belo Horizonte: Historiarte, 2005, p.30.
do carnaval"2 . E outro memorialista, José Bento Teixeira de Salles, diz numa crônica
da narrativa, que só retoma o fio histórico no ano de 1975, em que a nostalgia de
publicada no jornal Estado de Minas, em 21 de novembro de 1997, que "a rua da Bahia assinalou o apogeu e o ocaso do carnaval belo-horizontino", referindo-se às
antigos foliões que moravam na Lagoinha nos anos de 1940 é o motivo para a criação da Banda Mole, bloco caricato que acabou se tornando a principal manifestação
décadas de 1930 e 1940, quando os foliões se concentravam em bares do centro, como o Trianon e o Elite. Mas, a partir de meados do século
carnavalesca de Belo Horizonte3 . O auge desse processo aconteceu no decênio de 1990, quando o desfile das escolas de samba e blocos caricatos foi banido do
XX, as histórias do carnaval e do futebol em Belo Horizonte começam a seguir caminhos radicalmente distintos. O futebol, já enraizado na vida urbana, encontra seus momentos de maior sucesso e relevância cultural, com a inauguração dos estádios Independência (em 1950) e Mineirão (em 1965) e com o desenvolvimento da rivalidade entre Atlético e Cruzeiro, que se consolidam como os dois grandes clubes mineiros de projeção nacional e internacional. A nova rivalidade substituía no imaginário da cidade aquela que havia entre o Atlético, que começou como um clube de elite e acabou se popularizando, e o América, que desde os
centro da cidade, deixando de acontecer por alguns anos até ser realocado na Via240, no bairro Aarão Reis, localizado na periferia da cidade. Nos dias de hoje, embora a Banda Mole continue desfilando na semana que antecede o carnaval e alguns dos antigos grupos ainda persistam em suas tradições, o divórcio entre a cidade e a festa de Momo é um lugar comum, que se repete inúmeras vezes no discurso dos jornais e de outros veículos da mídia local, durante os primeiros meses do ano. No dia 18 de fevereiro de 1998, por exemplo, a manchete do caderno de cultura do Estado de Minas pergunta "Por que
primeiros anos sempre foi o clube mais ligado à alta sociedade belo-horizontina. O carnaval, no entanto, entrou em um processo de franca decadência a partir da década de 1950. No livro de Clotildes Avellar Teixeira, essa decadência se faz notar pela brusca interrupção
parou? Parou por quê?", anunciando a "polêmica sobre a importância do carnaval em Belo Horizonte", que "divide autoridades e sambistas". O texto comenta as dificuldades dos que insistem em realizar o desfile das escolas de samba na cidade e traz opiniões de personalidades como o
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médico e intelectual Jota Dangelo, expresidente da Belotur, que escreveu uma
Estácio, Mangueira e Portela realizavam espontaneamente na Praça Onze no início
monografia sobre a inviabilidade do carnaval na capital mineira, e do diretor de teatro Pedro Paulo Cava, que, diante da constatação de que durante a festa "a
da década de 1930 marcaram a entrada na cena cultural urbana de grupos subalternos e marginalizados, que posteriormente tiveram suas manifes-tações
cidade está morta", propõe "transformar Belo Horizonte em um pólo cultural com vários pequenos eventos durante esta época". No jornal Hoje em Dia de 07 de
culturais valorizadas pelas elites. Dessa forma, operou-se um alargamento dos contornos simbólicos da nação, que passava a se reconhecer como uma
fevereiro de 1999, um texto com o título "'Alérgicos' à folia ficam em BH" fala da calma da cidade nos quatro dias de carnaval e da opção dos moradores que, por aversão à festa, preferem não viajar nesse feriado. E a seção "Debate do Dia" do jornal O Tempo de 23 de janeiro de 2005 traz uma série de textos de opinião que discutem o interesse público da construção de um sambódromo, reivindicada pelos grupos carnavalescos tradicionais da cidade. Na história cultural brasileira, o surgimento do carnaval e do futebol, assim como do samba, como símbolos de uma nação modernizada se realizou como um
comunidade mestiça, numa solução de compromisso que possibilitou a construção de uma ideologia nacional, destinada a legitimar o poder do aparato estatal. Surgiu, assim, uma narrativa de nação, baseada na oposição e na conciliação entre o povo e as elites, os negros e os brancos, os habitantes dos centros e das margens etc.4 A historiografia de Belo Horizonte, contudo, parece não estar tão fortemente marcada por essa dicotomia, construindose prioritariamente a partir da oposição entre o tradicional e o moderno. Essa característica está claramente presente, por exemplo, na própria história da criação
processo de reconhecimento e mediação de conflitos entre o povo e as elites, projetados na questão racial e em suas dimensões culturais. Os pagodes na casa de Tia Ciata, os jogos entre os clubes da região central e dos subúrbios e os desfiles que sociedades carnavalescas como
da cidade, que tem sido narrada como o resultado de um conflito entre as tradicionais oligarquias mineiras, que defendiam a permanência da capital do estado na cidade de Ouro Preto, e grupos com idéias e interesses modernizantes, que pretendiam que a cidade de Juiz de Fora
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4. SILVA, Marcelino Rodrigues da. 1932, o ano que deu samba, carnaval e futebol. Terceira Margem: Revista do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura da UFRJ, Rio de Janeiro, Ano X, nº 14, janeiro-julho de 2006, p. 49-58.
5. VISCARDI, Cláudia Maria Ribeiro. A capital controversa. Revista do Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte, ano XLIII, nº 2, julhodezembro de 2007, p. 40. 6. SILVA, Marcelino Rodrigues da. Quando é dia de clássico: das massas aos mitos. In: FREIRE, Alexandre (org.). Preto no branco: ensaios sobre o Clube Atlético Mineiro. Belo Horizonte: 2007, p.55-67. 7. CANCLINI, Néstor García. A encenação do popular. In:______. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. São Paulo: EDUSP, 1997, p.205-254.
assumisse esse lugar. Segundo Cláudia Maria Ribeiro Viscardi, ambos os projetos
processo, elegendo como seu principal valor o próprio fundamento do sistema
foram derrotados por um terceiro, "que advogava a construção de uma capital moderna em um espaço da tradição, ou seja, inserindo o futuro no passado"5.
capitalista6. No capítulo "A encenação do popular", do livro Culturas híbridas, Néstor Garcia Canclini coloca em questão a idéia,
Estendendo-se muito além desse momento inicial, o mesmo princípio se desdobra em grande parte da historiografia de Belo Horizonte, baseada na oposição entre a
herdada dos românticos e propagada pelos folcloristas, de que a cultura popular estaria ligada à sobrevivência das tradições, enquanto a alta cultura teria
vocação moderna da cidade e tradicionalismo de Minas. Em minha pesquisa atual, sobre o imaginário esportivo mineiro, esse mesmo princípio organizador volta curiosamente a aparecer. Discutindo a história e os sentidos da rivalidade entre Atlético e Cruzeiro a partir de alguns dos principais relatos da trajetória desses clubes, adotei como hipótese inicial de trabalho a idéia de que as duas agremiações representam configurações diferentes da idéia de "popular", cujo sentido só se pode compreender colocando-se em foco suas relações com o processo de modernização. Enquanto o Atlético, com sua
vínculos mais fortes com o projeto moderno, protagonizado pela burguesia7. Desemparelhando as oposições tradicional/moderno e popular/culto para fundamentar sua reflexão sobre a cultura popular urbana da contemporaneidade, o autor nos ajuda a perceber a configuração que os signos do campo esportivo adquiriram em Belo Horizonte. Afastandose de seu modelo imediato, constituído pela cultura esportiva carioca e sua polarização entre povo e elite, o imaginário futebolístico mineiro parece ter sido submetido a um processo de deslocamento, por meio do qual essa primeira dicotomia foi substituída pela oposição
mitologia da raça e da paixão desmedida, encarnaria a heterogeneidade e as energias incontroláveis das massas, opondo-se portanto à modernização, o Cruzeiro, com suas ligações com a colônia italiana e seu ideário de trabalho e perseverança, reforçaria o vetor desse
entre o tradicional e o moderno. E nesta última, ao contrário do que acontece no Rio de Janeiro, aparentemente não existem mais traços da primeira, uma vez que ela se materializa em duas instituições que fazem questão de se assumir como populares. Poderíamos supor, então, que
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teria sido esse deslocamento o responsável pela eficiência e longevidade do futebol
razões que levaram futebol e carnaval a destinos tão diversos na capital mineira,
na vida cultural belo-horizontina. O fracasso do carnaval na cidade, por sua vez, também poderia ser interpretado a partir desse raciocínio, pois
deve ser reformulada. Cumpre-se perguntar por que, no imaginário dessa cidade, não foram bem sucedidas as narrativas identitárias baseadas na oposição entre
parece não ter havido nesse campo um deslocamento semelhante ao que aconteceu no universo esportivo. Talvez porque, na festa de Momo, sobretudo do
povo e elites. No estágio atual de minha pesquisa, vislumbro duas respostas possíveis. A primeira, mais otimista, seria a de que em Belo Horizonte, cidade
modo como ela foi atualizada no Rio de Janeiro dos anos 1920 e 1930, os antagonismos de raça e classe ocuparam um lugar demasiadamente central. A idéia do povo que invade o centro da cidade, descendo dos morros e deslocando-se das periferias, para confraternizar com as elites e ao mesmo tempo criticá-las francamente, apagando e invertendo por alguns momentos as hierarquias e controles sociais, não teria encontrado, na cultura belo-horizontina, um campo fértil para se desdobrar e se conformar à mentalidade local. A impressão que se tem, portanto, é a de que no imaginário cultural de Belo Horizonte, da forma como
planejada e construída segundo os altos padrões da modernidade, os antagonismos culturais, políticos e sociais seriam menos intensos, tanto por uma distribuição menos desigual das riquezas quanto por uma melhor organização do espaço urbano. E a segunda, mais pessimista, negaria a primeira, considerando que esses antagonismos estão igualmente presentes, mas que não existiria, como no Rio de Janeiro, uma tradição de rebelião e confronto. Desse ponto de vista, portanto, o imaginário belo-horizontino seria mais disciplinado, mais submetido às ideologias que sustentam o projeto de modernização. A vocação moderna da cidade seria, então,
ele se configurou ao longo do século XX, não foram bem sucedidos os discursos baseados na oposição entre povo e elites, assumindo o seu lugar a oposição entre o tradicional e o moderno. Diante dessa conclusão, que é provisória, a questão inicial, sobre as
uma forma de mascaramento das diferenças e dos conflitos que atravessam sua textura social. No ensaio "Notas sobre a desconstrução do popular", Stuart Hall examina diferentes concepções da idéia de "cultura popular", assumindo claramente o partido
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8. HALL, Stuart. Notas sobre a desconstrução do popular. In:______.Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003, p.263.
daquela que, com base no conceito gramsciano de hegemonia, a vê como um
temente política de Hall, concluo este trabalho perguntando se, hoje, a operação
"campo de batalha" onde se desenrolam as lutas políticas. A cultura popular, diz o teórico, é "um dos locais onde a luta a favor ou contra a cultura dos poderosos é
desconstrutora mais rentável não seria uma retomada da oposição entre povo e elites, buscando de reencontrá-la no imaginário de Belo Horizonte, para
engajada", "o prêmio a ser conquistado ou perdido nessa luta" e "a arena do consentimento e da resistência"8. Seguindo a sugestão eminen-
questionar o ofuscamento que a predominância da oposição entre tradicional e moderno exerce na historiografia da cidade.
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